<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992017000400011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2017.56r03</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O fim da vaca sagrada]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto Português de Relações Internacionais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<numero>56</numero>
<fpage>151</fpage>
<lpage>158</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992017000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992017000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992017000400011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p><b>O fim da vaca sagrada</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carlos Alves</b></p>     <p>IPRI-NOVA, Rua de D. Estef&acirc;nia, 195, 5.&ordm; Dt.&ordm;, 1000-155 Lisboa | <a href="mailto:carlosmjalves@gmail.com">carlosmjalves@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>JASON BRENNAN, Contra&nbsp;a Democracia, Lisboa,</b><b> Gradiva,</b><b> 2017, 384 p&aacute;ginas</b><b>. ISBN: 978-989-616-762-2</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BRENNAN, O ADVOGADO DO DIABO</b></p>     <p><i>Against Democracy</i>&nbsp;(301 p&aacute;ginas), de Jason Brennan, edi&ccedil;&atilde;o da Princeton University Press (2016), surge traduzido e editado pela Gradiva, na sua cole&ccedil;&atilde;o Filosofia Aberta. Duas perguntas sobressaem:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ndash; Podem as democracias funcionar tendo &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;os politicamente desinformados?</p>     <p>&ndash; Estar&iacute;amos melhor com um governo n&atilde;o democr&aacute;tico?</p>     <p>A &iacute;ndole provocat&oacute;ria do t&iacute;tulo evita surpresas, uma vez que Brennan efetua uma dessacraliza&ccedil;&atilde;o de um sistema que tem tido campe&otilde;es suficientes para o defender e &eacute; entendido como o &uacute;nico que permite um governo justo: a democracia.</p>     <p>Questiona-se o valor intr&iacute;nseco e at&eacute; simb&oacute;lico da democracia, sendo que ao n&atilde;o encontrarmos a&iacute; a sua fundamenta&ccedil;&atilde;o ela somente se justificaria se produzisse os melhores resultados no que &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o social concerne.</p>     <p>H&aacute; um consenso na atualidade em torno da democracia ao contr&aacute;rio da monarquia, que legitima&nbsp;per se&nbsp;a democracia.&nbsp;Vivemos sob os alvores do que Brennan classifica de&nbsp;<i>triunfalismo democr&aacute;tico</i>:&nbsp;o entendimento de que a democracia e a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica generalizada s&atilde;o valiosas.</p>     <p>Autoproclama-se, por isso, advogado do diabo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mimada democracia em virtude da sua insatisfa&ccedil;&atilde;o com a teoria filos&oacute;fica democr&aacute;tica (p. 7) face ao entusiasmo dos fil&oacute;sofos e te&oacute;ricos pol&iacute;ticos, inebriados pelos estimulantes argumentos simb&oacute;licos louvando-a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DEMOCRACIA: UM BECO COM SA&Iacute;DA?</b></p>     <p>Conscientes que o hist&oacute;rico dos que chegaram democraticamente ao poder vai de Hitler a Trump e das ced&ecirc;ncias face ao ar&iacute;ete econ&oacute;mico e da partidocracia, como devemos valorar a democracia?</p>     <p>Para Brennan, &laquo;a democracia n&atilde;o &eacute; uma forma &uacute;nica ou intrinsecamente justa de governo&raquo; (p. 20), antes um meio para um fim e n&atilde;o um fim em si mesmo. N&atilde;o &eacute; intrinsecamente justa, n&atilde;o sendo justificada em bases procedimentalistas&nbsp;(&laquo;o procedimentalismo &eacute; a tese de que alguma forma (ou formas) de distribuir poder ou de tomar decis&otilde;es &eacute; intrinsecamente boa, justa ou leg&iacute;tima&raquo;, p. 25) o seu valor &eacute; puramente instrumental (&laquo;o instrumentalismo no que diz respeito &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o do poder &eacute; a tese de que h&aacute; respostas corretas independentemente do procedimento&raquo;, pp. 26-27) (p. 28).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Instintivamente fechamos os olhos e escutamos Winston Churchill, na C&acirc;mara dos Comuns, em 11 de novembro de 1947, a afirmar: &laquo;A democracia &eacute; a pior forma de governo, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de todos os outros j&aacute; experimentados ao longo da hist&oacute;ria.&raquo;</p>     <p><i>Contra a Democracia</i>&nbsp;desenvolve um ataque ao estatuto de vaca sagrada intoc&aacute;vel da democracia. N&atilde;o ser&aacute; a pior forma de governo considerando a epistocracia?</p>     <p>Pensamos, automaticamente, em Plat&atilde;o e na sua&nbsp;<i>Rep&uacute;blica</i>. Brennan afirma, por&eacute;m, que &laquo;a defesa da epistocracia n&atilde;o est&aacute; dependente das esperan&ccedil;as num rei-fil&oacute;sofo ou numa classe protetora&raquo; (p. 29).</p>     <p>Mas, porqu&ecirc; a epistocracia em detrimento da democracia? Porque contrap&otilde;e ao governo do povo (<i>demo&nbsp;+&nbsp;kratia</i>) o governo dos mais s&aacute;bios (<i>epist&ecirc;me&nbsp;+&nbsp;kratia</i>)?</p>     <p>A convic&ccedil;&atilde;o de que os cidad&atilde;os nas democracias tem pouco ou nenhum poder em termos de tomada de decis&otilde;es coletivas, o que os desencoraja de tentarem estar melhor informados sobre assuntos de interesse coletivo.</p>     <p>A democracia incentiva os votantes a permanecerem ignorantes e irracionais. O que dizer da sobrevalorizada participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica quando o empenho pol&iacute;tico tende a corromper em vez de edificar (p. 109)?</p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o de Brennan surge instigada por uma vers&atilde;o da teoria de Anthony Downs caracterizada pela assun&ccedil;&atilde;o de que face &agrave; diminuta possibilidade de ter impacto no resultado das elei&ccedil;&otilde;es, os cidad&atilde;os possuem pouco incentivo para procurarem estar melhor informados sobre pol&iacute;tica porque o valor deste tipo de conhecimento &eacute; menorizado.</p>     <p>Tr&ecirc;s esp&eacute;cies de cidad&atilde;os democr&aacute;ticos s&atilde;o apresentados como tipos ideais ou arqu&eacute;tipos conceptuais (pp. 14-18):<i>&nbsp;hobbits&nbsp;</i>(figura fict&iacute;cia, remetendo para o universo de Tolkien),&nbsp;<i>hooligans&nbsp;</i>(remetendo para o universo desportivo) e&nbsp;<i>vulcanos&nbsp;</i>(remetendo para o universo&nbsp;<i>Star Trek</i>).</p>     <p>Os&nbsp;<i>hobbits&nbsp;</i>&laquo;s&atilde;o sobretudo ap&aacute;ticos e ignorantes quanto &agrave; pol&iacute;tica&raquo; (p. 15), possuindo &laquo;um conhecimento superficial do que &eacute; relevante no mundo ou na hist&oacute;ria dos seus pa&iacute;ses&raquo;, o t&iacute;pico n&atilde;o votante americano (p. 16); os&nbsp;<i>hooligans</i>&nbsp;&laquo;s&atilde;o os fan&aacute;ticos desportivos da pol&iacute;tica&raquo; (p. 16), autocentrados nas suas posi&ccedil;&otilde;es, consumindo tendenciosamente informa&ccedil;&atilde;o que as confirme e desprezando quem discorde de si: &laquo;a maior parte dos votantes regulares, das pessoas com atividade pol&iacute;tica, dos ativistas propriamente ditos, dos membros dos partidos e dos pol&iacute;ticos&raquo; (p. 16); e&nbsp;<i>vulcanos,</i>&nbsp;que se interessam por pol&iacute;tica, pensando-a cient&iacute;fica e racionalmente e que s&atilde;o imparciais e com esp&iacute;rito de abertura (p. 17).</p>     <p>Muitos de n&oacute;s n&atilde;o s&atilde;o&nbsp;<i>hobbits</i>&nbsp;nem&nbsp;<i>hooligans</i>,&nbsp;e a maioria dos&nbsp;<i>hobbits</i>&nbsp;s&atilde;o<i>&nbsp;hooligans</i>&nbsp;potenciais, pelo que estar&iacute;amos todos melhor se nos mantiv&eacute;ssemos afastados da pol&iacute;tica (p. 18). Brennan defende que para a maioria, a liberdade pol&iacute;tica e a participa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o globalmente prejudiciais (p. 18), uma vez que a democracia como um todo age como se as pessoas fossem&nbsp;<i>vulcanos</i>, ainda que a maior parte dos votantes seja<i>&nbsp;hobbit</i>&nbsp;e&nbsp;<i>hooligan</i>&nbsp;(p. 82).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Consequentemente, segundo Brennan, &laquo;os votantes s&atilde;o maioritariamente ignorantes, irracionais e desinformados, mas simp&aacute;ticos&raquo; (p. 241).</p>     <p>A vis&atilde;o de Brennan explicaria os&nbsp;<i>hobbits</i>,&nbsp;sendo que os&nbsp;<i>hooligans,</i> em certa medida razoavelmente informados, s&atilde;o compreens&iacute;veis num horizonte de tribalismo.</p>     <p>Sugere, tamb&eacute;m, que os cidad&atilde;os desenvolvem os seus pontos de vista pol&iacute;ticos de forma irrespons&aacute;vel e sem contempla&ccedil;&atilde;o pela opini&atilde;o dos outros.</p>     <p>Por que raz&atilde;o atribuir, ent&atilde;o, a todos o direito de votar?, questiona-se. Dever&aacute; o voto de um&nbsp;<i>hobbit</i>&nbsp;e de um&nbsp;<i>hooligan&nbsp;</i>valer tanto como o de um&nbsp;<i>vulcano</i>?</p>     <p>Outras possibilidades mais vi&aacute;veis para escolher governos mais competentes s&atilde;o comentadas: a credencia&ccedil;&atilde;o aleat&oacute;ria (que pretende criar votantes mais competentes com base numa lotaria que seleciona um subconjunto aleat&oacute;rio mas representativo de cidad&atilde;os),&nbsp;o sufr&aacute;gio universal com veto epistocr&aacute;tico, o sufr&aacute;gio restrito e a vota&ccedil;&atilde;o plural (pp. 298-306).</p>     <p>Apesar de questionar a&nbsp;<i>work ethics</i>&nbsp;das democracias, reconhece que estas t&ecirc;m melhor desempenho do que seria expect&aacute;vel, considerando o grau de desinteresse e irracionalidade dos votantes (p. 243) e que maioritariamente tendem a tomar decis&otilde;es razoavelmente boas, comparativamente &agrave;s ditaduras, oligarquias, monarquias e regimes de partido &uacute;nico (p. 277). Talvez sejam competentes numas coisas e incompetentes noutras (p. 279).</p>     <p>Todavia, o&nbsp;<i>quid pro quo</i>&nbsp;que mant&eacute;m a democracia nas boas gra&ccedil;as por troca com o suposto empoderamento dos cidad&atilde;os falha, segundo Brennan. Embora conceda a cada cidad&atilde;o uma parte igual de direitos pol&iacute;ticos fundamentais, esta &eacute; reduzida (p. 158), retirando poder aos indiv&iacute;duos e proporcionando-o &agrave; maioria do momento. Consequentemente, os cidad&atilde;os individuais quase n&atilde;o t&ecirc;m poder (p. 159).</p>     <p>A nossa intui&ccedil;&atilde;o de que a democracia nos d&aacute; poder &eacute; ilus&oacute;ria ou, pelo menos, falaciosa (fal&aacute;cia da divis&atilde;o).</p>     <p>Ora,&nbsp;&laquo;uma epistocracia tenta distribuir o poder de acordo com a per&iacute;cia geral&raquo;&nbsp;(p. 309), sendo que o princ&iacute;pio da compet&ecirc;ncia pode segundo Brennan ser exposto sob a forma:&nbsp;&laquo;Poder: use-o bem ou perca-o&raquo; (p. 312).</p>     <p>A contrapartida da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tamb&eacute;m, n&atilde;o &eacute; valiosa para a maioria das pessoas, transformando-nos em inimigos de outros cidad&atilde;os (p. 19). Uma das caracter&iacute;sticas repugnantes da democracia &eacute; transformar os concidad&atilde;os em amea&ccedil;as ao bem-estar, exercendo poder de formas arriscadas e incompetentes, tornando-se&nbsp;inimigos c&iacute;vicos&nbsp;(p. 339).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; uma circularidade impl&iacute;cita que se inicia e termina nos cidad&atilde;os (eleitores), sendo que Brennan tem uma conce&ccedil;&atilde;o negativa da cidadania. A qualidade dos governos democr&aacute;ticos tem como condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria a qualidade dos seus eleitores, o que torna a democracia um regime exigente do ponto de vista do exerc&iacute;cio da cidadania. A alternativa, segundo Brennan: a epistocracia. O que pensar? Para Brennan, afirmar &laquo;vamos tentar a epistocracia!&raquo; devia implicar a concord&acirc;ncia ou, pelo menos, a n&atilde;o oposi&ccedil;&atilde;o dependendo se consideramos que os factos sustentam ou n&atilde;o essa possibilidade (p. 283). Por&eacute;m, admite que &eacute; dif&iacute;cil saber se a epistocracia seria melhor uma vez que nunca foi experimentada (p. 287). Na verdade<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> ,&nbsp;j&aacute; houve sociedades com laivos epistocr&aacute;ticos (Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e sat&eacute;lites e a Rep&uacute;blica Popular da China), com as elites governantes clamando o melhor entendimento dos interesses dos membros da sociedade, dedicando-se ao bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o. Os resultados s&atilde;o conhecidos e ficam &agrave; considera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Brennan tem, porventura, um discurso predat&oacute;rio sobre a democracia, v&iacute;tima ferida, n&atilde;o mortalmente, por descontentamentos e desconfian&ccedil;as, na prefer&ecirc;ncia.</p>     <p>Paladino da epistocracia, descreve de uma forma simplista e pouco abrangente a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica democr&aacute;tica cidad&atilde;. Reduz os cidad&atilde;os a meros eleitores, estabelecendo uma classifica&ccedil;&atilde;o redutora do eleitorado: maioritariamente desinformado.</p>     <p>A aposta epistocr&aacute;tica de Brennan arrisca uma constru&ccedil;&atilde;o da sociedade baseada, unicamente, num contributo minorit&aacute;rio, travando a colabora&ccedil;&atilde;o (mesmo que potencial) democr&aacute;tica de todos. De um ponto de vista da representatividade, seria a distribui&ccedil;&atilde;o de poder efetuada pela epistocracia socialmente representativa? N&atilde;o conduziria ao n&atilde;o reconhecimento pelos cidad&atilde;os (mais do que na democracia)? O debate p&uacute;blico n&atilde;o fica comprometido, restringido a uma discuss&atilde;o de especialistas de que estaria exclu&iacute;da a generalidade da popula&ccedil;&atilde;o?</p>     <p>A microconce&ccedil;&atilde;o que associa a democracia a sociedades n&atilde;o bem-sucedidas de Brennan &eacute; t&atilde;o problem&aacute;tica quanto o abandono da democracia por troca com a epistocracia, enquanto sistema de distribui&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico capaz de ultrapassar as insufici&ecirc;ncias da democracia. Fica por provar que o conhecimento (dos s&aacute;bios) &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o suficiente para a tomada de melhores decis&otilde;es no que ao poder respeita.</p>     <p>A verdade &eacute; que as sociedades democr&aacute;ticas s&atilde;o razoavelmente competentes e por compara&ccedil;&atilde;o bem-sucedidas e n&atilde;o violentas, sucesso que n&atilde;o pode ser, meramente, atribu&iacute;do &agrave;s elites. Para al&eacute;m, da preocupa&ccedil;&atilde;o vantajosa das democracias ante os mais vulner&aacute;veis.</p>     <p>Disc&oacute;rdias e cr&iacute;ticas s&atilde;o inevit&aacute;veis e, eventualmente, desconforto nos que entendem a democracia como um bem precioso. Pior a emenda do que o soneto?</p>     <p>Ironicamente, &eacute; a idiossincrasia da democracia que possibilita uma obra como esta, sendo a cr&iacute;tica e a contesta&ccedil;&atilde;o que suscitam o aperfei&ccedil;oamento do funcionamento democr&aacute;tico.</p>     <p>Uma leitura manique&iacute;sta de a favor ou contra a democracia a favor ou contra a posi&ccedil;&atilde;o de Brennan, entendendo-o como mero detrator desta, &eacute; desaconselh&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTA</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Cf. recens&atilde;o de&nbsp;Thomas Christiano&nbsp;em&nbsp;<i>Notre Dame Philosophical Reviews.</i>&nbsp;19 de maio de 2017. (Consultado em: 17 de julho de 2017). Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="http://ndpr.nd.edu/news/against-democracy/" target="_blank">http://ndpr.nd.edu/news/against-democracy/</a>.</p>      ]]></body>
</article>
