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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.57a01</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nota introdutória: Que segurança marítima temos e queremos]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto Português de Relações Internacionais ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>QUE SEGURANÇA MARÍTIMA TEMOS E QUEREMOS</b></p>     <p><b>Nota introdut&oacute;ria: Que seguran&ccedil;a mar&iacute;tima temos e queremos</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Rodrigues* e Manuel Pinto de Abreu**</b></p>     <p>* IPRI-NOVA&nbsp;| Rua de D. Estef&acirc;nia, 195, 5.&ordm; Dt.&ordm;, 1000-155    Lisboa | <a href="mailto:trodrigues@fcsh.unl.pt">trodrigues@fcsh.unl.pt</a></p>     <p>** IPRI-NOVA&nbsp;| Rua de D. Estef&acirc;nia, 195, 5.&ordm;&nbsp;Dt.&ordm;,    1000-155 Lisboa | <a href="mailto:mpintoabreu@gmail.com">mpintoabreu@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O&nbsp;mar est&aacute; a tornar-se mais e mais importante<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>&nbsp;e    a seguran&ccedil;a mar&iacute;tima &eacute; vital<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.A    hist&oacute;ria mar&iacute;tima recente, das &uacute;ltimas cinco d&eacute;cadas,    mostra-nos uma cada vez maior vontade de os estados, seja por si s&oacute;,    no quadro das suas parcerias, ou no &acirc;mbito das organiza&ccedil;&otilde;es    internacionais, globais ou regionais a que pertencem, tomarem posse do mar e    dos seus recursos. Esta &eacute; uma ambi&ccedil;&atilde;o de todos, sejam ou    n&atilde;o estados costeiros, desenvolvidos ou em desenvolvimento. Mas t&ecirc;m    sido sobretudo os estados com indicadores de desenvolvimento humano menos expressivos    a marcar a agenda internacional do mar, movidos pela aspira&ccedil;&atilde;o    dos seus povos em assegurar para si a justa parte dos benef&iacute;cios que    se perspetiva tenham como fonte e meio o mar.</p>     <p>Durante s&eacute;culos, a imensid&atilde;o do mar, em extens&atilde;o geogr&aacute;fica    e em recursos naturais, permitiu &agrave;s comunidades e aos povos us&aacute;-lo    e explor&aacute;-lo sem restri&ccedil;&otilde;es. O aproveitamento do mar e    dos seus recursos por um Estado n&atilde;o era tomado como um preju&iacute;zo    pelos demais. O mar era livre e s&oacute; para seguran&ccedil;a e salvaguarda    do territ&oacute;rio terrestre os estados acordaram em limitar a liberdade dos    mares numa pequena faixa costeira<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.    A procura e a descoberta de novos recursos, o incremento do com&eacute;rcio    a grande dist&acirc;ncia, o transporte mar&iacute;timo de pessoas e bens, foram    promovendo a ocupa&ccedil;&atilde;o crescente dos mares e criando uma vis&atilde;o    de escassez dos recursos perante uma vontade global de desenvolvimento e de    bem-estar dos povos. O uso livre do mar come&ccedil;ou a ser desafiado e em    meados do s&eacute;culo&nbsp;XX, por a&ccedil;&atilde;o unilateral dos estados,    foi definitivamente posto em causa.</p>     <p>A tomada de posi&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos, atrav&eacute;s das proclama&ccedil;&otilde;es    de Truman de 28 de setembro de 1945<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>&nbsp;relativas    aos recursos naturais do leito e subsolo da plataforma continental e aos recursos    de pesca em &aacute;reas do alto mar, marca um momento decisivo no uso e explora&ccedil;&atilde;o    do mar. Atrav&eacute;s das proclama&ccedil;&otilde;es, os Estados Unidos alargaram    a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o e controlo a &aacute;reas long&iacute;nquas das    suas costas, a dist&acirc;ncias sem limite definitivo. Ficou clara a vis&atilde;o    da import&acirc;ncia futura do oceano profundo, nomeadamente quanto ao petr&oacute;leo    e a outros minerais, tendo Truman anunciado a determina&ccedil;&atilde;o em    descobrir e em explorar tais recursos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O crescimento acentuado da popula&ccedil;&atilde;o mundial ap&oacute;s a Segunda    Guerra Mundial<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, num quadro de    novo desenvolvimento econ&oacute;mico e de refor&ccedil;ada ambi&ccedil;&atilde;o    de progresso e bem-estar dos estados, gerou uma maior procura de recursos naturais,    vivos e n&atilde;o vivos. A ambi&ccedil;&atilde;o proclamada pelos Estados Unidos    em 1945 foi acompanhada e refor&ccedil;ada<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>&nbsp;por    outros estados. Os mais desenvolvidos, para assegurarem a posse de novas &aacute;reas    do oceano e a possibilidade de explorarem os recursos a&iacute; existentes;    os estados em desenvolvimento, para assegurarem direitos soberanos sobre a explora&ccedil;&atilde;o    e gest&atilde;o de tais recursos.</p>     <p>A busca de uma vis&atilde;o comum sobre a reparti&ccedil;&atilde;o do mar por    parte das entidades pol&iacute;ticas estatais teve como momento decisivo o discurso    em 1967 de Arvid Pardo, embaixador de Malta perante a Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas, ao reclamar a necessidade de um novo regime internacional para o mar<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.    Arvid Pardo prop&ocirc;s, em termos gerais, a cria&ccedil;&atilde;o de regras    que promovessem a paz no mar, que prevenissem a polui&ccedil;&atilde;o do oceano,    que assegurassem a salvaguarda dos recursos marinhos e defendeu ainda que parte    do fundo marinho se tornasse Patrim&oacute;nio Comum da Humanidade<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.    Esta iniciativa foi consagrada na Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sobre o Direito do Mar de 1982 (CNUDM)<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>,    a qual encerra o entendimento dos estados para o mar da &Eacute;poca Moderna.</p>     <p>A aprova&ccedil;&atilde;o e entrada em vigor da&nbsp;CNUDM&nbsp;introduziu    um conjunto numeroso de novidades ao n&iacute;vel dos princ&iacute;pios, normas,    regras, procedimentos e organiza&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas. O princ&iacute;pio    da liberdade dos mares est&aacute; vertido na conven&ccedil;&atilde;o, agora    acompanhado por novos preceitos no &acirc;mbito da preserva&ccedil;&atilde;o    ambiental, da soberania e jurisdi&ccedil;&atilde;o alargada dos estados sobre    o mar e sobre os recursos naturais e de partilha do Patrim&oacute;nio Comum    da Humanidade, entre outros. Foram estabelecidos os novos espa&ccedil;os mar&iacute;timos    da Zona Econ&oacute;mica Exclusiva e da Plataforma Continental para al&eacute;m    das 200 milhas mar&iacute;timas e foi criada a &Aacute;rea (Patrim&oacute;nio    Comum da Humanidade).</p>     <p>&Agrave; nova geografia dos espa&ccedil;os mar&iacute;timos corresponde um    novo mapa de recursos naturais, tradicionais e alternativos. Esta nova realidade    ter&aacute; como consequ&ecirc;ncia uma modifica&ccedil;&atilde;o dos cen&aacute;rios    mar&iacute;timos, nomeadamente com o aparecimento de novos grandes estados mar&iacute;timos,    com a possibilidade de realinhamento das parcerias entre estados, com o surgimento    de uma nova hierarquia dos usos e atividades mar&iacute;timos<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>&nbsp;e    com uma ocupa&ccedil;&atilde;o de maiores &aacute;reas no mar, a dist&acirc;ncias    superiores dos continentes e a maiores profundidades.</p>     <p>Os novos cen&aacute;rios mar&iacute;timos cruzam-se com um conjunto de usos    e atividades mar&iacute;timas emergentes entre os quais, a aquacultura em mar    aberto, a explora&ccedil;&atilde;o em &aacute;guas muito profundas de petr&oacute;leo    e g&aacute;s, a minera&ccedil;&atilde;o submarina profunda, a explora&ccedil;&atilde;o    de energia renov&aacute;vel, a biotecnologia marinha, os servi&ccedil;os mar&iacute;timos    de alta tecnologia, entre outros. A estes juntam-se os usos e atividades mar&iacute;timos    tradicionais, alguns dos quais s&atilde;o tidos como os de maior crescimento    no m&eacute;dio prazo, como nos casos da pesca tradicional e a transforma&ccedil;&atilde;o    de pescado, e do transporte mar&iacute;timo<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Por outro lado, a crescente import&acirc;ncia do mar tem como fatores fundamentais,    para al&eacute;m da crescente popula&ccedil;&atilde;o mundial, uma nova geografia    do crescimento econ&oacute;mico, nova geografia e cultura dos consumidores,    novos e acelerados desenvolvimentos tecnol&oacute;gicos, uma procura diferenciada    e crescente de recursos naturais, entre outros.</p>     <p>Neste contexto, para que o s&eacute;culo&nbsp;XXI&nbsp;seja o tempo de uma    nova era global do uso e explora&ccedil;&atilde;o do mar, com a efetiva concretiza&ccedil;&atilde;o    de valor sustent&aacute;vel a partir do mar, ou seja, com a cria&ccedil;&atilde;o    de valor econ&oacute;mico, com a salvaguarda do valor ambiental, com a preserva&ccedil;&atilde;o    e promo&ccedil;&atilde;o dos valores sociais e culturais, &eacute; vital garantir    a seguran&ccedil;a mar&iacute;tima. Esta representa a garantia da exist&ecirc;ncia    de condi&ccedil;&otilde;es para concretiza&ccedil;&atilde;o no mar dos usos    e atividades inerentes &agrave; sua investiga&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o    e preserva&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O car&aacute;ter imprescind&iacute;vel da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    encontra eco no n&uacute;mero crescente de estados que a tomam como uma prioridade    nas suas agendas de seguran&ccedil;a. Esta op&ccedil;&atilde;o est&aacute; tamb&eacute;m    refletida nas estrat&eacute;gias de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima das organiza&ccedil;&otilde;es    governamentais e intergovernamentais que tais estados integram<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>Contudo, segundo Bueger e Edmunds<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>&nbsp;a    seguran&ccedil;a mar&iacute;tima n&atilde;o tem, ainda, notoriedade id&ecirc;ntica    no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es internacionais e dos estudos de seguran&ccedil;a,    concentrando-se a literatura sobre o tema em quest&otilde;es relativas a &aacute;reas    geogr&aacute;ficas confinadas ou &agrave; gest&atilde;o de amea&ccedil;as espec&iacute;ficas,    subvalorizando mat&eacute;rias como a seguran&ccedil;a dos portos, a pesca ilegal    e os crimes ambientais, entre outros.</p>     <p>Esta condi&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento ainda t&iacute;mido na abordagem    da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais foi tida como raz&atilde;o bastante para lhe dedicarmos este    n&uacute;mero da revista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o efeito estabeleceram-se tr&ecirc;s &aacute;reas principais de an&aacute;lise,    designadamente, num primeiro momento a caracteriza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima como conceito e quanto aos riscos e amea&ccedil;as em ambiente    mar&iacute;timo, a que se segue a discuss&atilde;o em torno da pr&aacute;tica    da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima em Portugal, na Uni&atilde;o Europeia (UE)    e no resto do mundo. Por &uacute;ltimo, fala-se do futuro da seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima.</p>     <p>No primeiro artigo, intitulado &laquo;Seguran&ccedil;a mar&iacute;tima e estudos    de seguran&ccedil;a: revis&atilde;o da literatura&raquo;, Jo&atilde;o Piedade    enfatiza a necessidade de estabelecer o conceito de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    dado que ele permanece subdesenvolvido. Atrav&eacute;s de uma revis&atilde;o    da literatura investiga a correla&ccedil;&atilde;o entre os conceitos de seguran&ccedil;a    e de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, concluindo pela sua exist&ecirc;ncia.    Termina, propondo abordagens alternativas para a teoriza&ccedil;&atilde;o da    seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, por aplica&ccedil;&atilde;o de diferentes    conceitos de seguran&ccedil;a ao dom&iacute;nio mar&iacute;timo ou selecionando    um conjunto de &laquo;prismas&raquo; atrav&eacute;s dos quais a seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima poder&aacute; ser observada.</p>     <p>Para tratar os riscos e amea&ccedil;as em ambiente mar&iacute;timo, Michiel    Bart Hijmans, em &laquo;Seguran&ccedil;a mar&iacute;tima: da sensibiliza&ccedil;&atilde;o    &agrave; seguran&ccedil;a. Ligando os pontos!&raquo;, passa em revista a import&acirc;ncia    do mar e as amea&ccedil;as que o mesmo enfrenta. Ap&oacute;s explicar a necessidade    de uma consci&ecirc;ncia alargada sobre seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, para    o que a educa&ccedil;&atilde;o tem um papel fundamental, o autor sublinha a    necessidade vital da coopera&ccedil;&atilde;o entre as muitas ag&ecirc;ncias    e organiza&ccedil;&otilde;es envolvidas, dada a natureza supranacional da seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima. Depois de passar em revista a cria&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia    de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima da Uni&atilde;o Europeia e o respetivo plano    de a&ccedil;&atilde;o, defende que a seguran&ccedil;a mar&iacute;tima deve ser    enformada pelos princ&iacute;pios das opera&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas,    terminando por refor&ccedil;ar a necessidade de liga&ccedil;&atilde;o entre    todos os grupos de interesses.</p>     <p>Terminada a caracteriza&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima,    a pr&aacute;tica da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima inicia-se com o artigo    de S&oacute;nia Ribeiro e Francisco Proen&ccedil;a Garcia. Em &laquo;Economia    azul e seguran&ccedil;a mar&iacute;tima: o caso de Portugal&raquo;, &eacute;    feita uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre o alinhamento da Estrat&eacute;gia de    Seguran&ccedil;a e Defesa para a Pol&iacute;tica Externa e de Seguran&ccedil;a    da&nbsp;UE&nbsp;e em Portugal com os objetivos para o desenvolvimento da economia    mar&iacute;tima, nomeadamente no &acirc;mbito da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima    Integrada e da Estrat&eacute;gia da Uni&atilde;o Europeia para o Atl&acirc;ntico.    Destaca-se a import&acirc;ncia da seguran&ccedil;a e defesa para a concretiza&ccedil;&atilde;o    de tais objetivos de desenvolvimento.</p>     <p>Ainda no contexto da pr&aacute;tica da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, a    an&aacute;lise no quadro da Uni&atilde;o Europeia &eacute; levada a cabo por    Jo&atilde;o Almeida Silveira em &laquo;Estrat&eacute;gias mar&iacute;timas comunit&aacute;rias:    a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da UE para o dom&iacute;nio mar&iacute;timo&raquo;.    O autor identifica os elementos de conceptualiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica    da UE do mar entre 2004 e 2016 e a sua contribui&ccedil;&atilde;o para a afirma&ccedil;&atilde;o    comunit&aacute;ria como ator mar&iacute;timo global. Da an&aacute;lise sobressaem    como temas fundamentais a consolida&ccedil;&atilde;o interna, a seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima, a economia azul e a a&ccedil;&atilde;o normativa, os quais    s&atilde;o interligados pela coopera&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o,    conhecimento, inova&ccedil;&atilde;o e tecnologia, e ambiente. Conclui Jo&atilde;o    Almeida Silveira que a&nbsp;UE&nbsp;conseguiu atrav&eacute;s das suas estrat&eacute;gias    mar&iacute;timas afirmar-se tanto a n&iacute;vel interno como externo.</p>     <p>Finalmente, a pr&aacute;tica da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima no resto do    mundo &eacute; discutida no artigo &laquo;A presid&ecirc;ncia portuguesa do    G7++FoGG. Desafios de seguran&ccedil;a no golfo da Guin&eacute;&raquo;,&nbsp;de    Joaquim Ferreira Marques. Neste texto &eacute; passada em revista a presid&ecirc;ncia    pioneira de um n&atilde;o membro do G7++FoGG e evidenciada a tentativa de uma    abordagem integral da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, a operacionaliza&ccedil;&atilde;o    dos centros regionais e inter-regionais de coordena&ccedil;&atilde;o, o assegurar    a efetiva troca de informa&ccedil;&atilde;o, a promo&ccedil;&atilde;o dos comit&eacute;s    nacionais de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima e a otimiza&ccedil;&atilde;o das    val&ecirc;ncias das estruturas multilaterais sediadas em Lisboa. Conclui apontando    a vis&atilde;o portuguesa de ser necess&aacute;rio um maior envolvimento da    comunidade internacional, nomeadamente da&nbsp;UE, e em particular no &acirc;mbito    jur&iacute;dico, na capacita&ccedil;&atilde;o, na troca de informa&ccedil;&otilde;es    e consci&ecirc;ncia situacional mar&iacute;tima e na prote&ccedil;&atilde;o    de infraestruturas cr&iacute;ticas.</p>     <p>A abordagem ao futuro poss&iacute;vel da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima inicia-se    com o artigo &laquo;A seguran&ccedil;a mar&iacute;tima e a vontade para agir    em conjunto&raquo;, de Lu&iacute;s Sousa Pereira, que indica como vis&otilde;es    diferentes sobre o mar e sobre a valoriza&ccedil;&atilde;o das amea&ccedil;as    e riscos pelos estados determinam perce&ccedil;&otilde;es diferentes da exposi&ccedil;&atilde;o    ao perigo com reflexo negativo na coopera&ccedil;&atilde;o para a a&ccedil;&atilde;o.    Esta dificuldade n&atilde;o &eacute; evidente no &acirc;mbito&nbsp;SAR, pelo    que &eacute; feita uma tentativa de extrapola&ccedil;&atilde;o do enquadramento&nbsp;SAR&nbsp;para    as vertentes da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima. A solu&ccedil;&atilde;o encontrada    ultrapassa a partilha do esfor&ccedil;o operacional e encerra o processo de    planeamento e de edifica&ccedil;&atilde;o de capacidades com partilha quer dos    custos de investimentos, quer do emprego dos meios atribu&iacute;dos por per&iacute;odos    &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es planeadas. O artigo &eacute; um ensaio sobre    o modo como, num contexto de vis&otilde;es cruzadas, agregar vontades para uma    a&ccedil;&atilde;o coletiva e articulada dos estados com diferentes vis&otilde;es    sobre o mar e sobre a valoriza&ccedil;&atilde;o das amea&ccedil;as e riscos.</p>     <p>Rafael Garcia P&eacute;rez traz &agrave; an&aacute;lise do futuro da seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima a &laquo;A estrat&eacute;gia de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    da Espanha: uma revis&atilde;o em perspetiva peninsular&raquo;. O autor aborda    o processo de renova&ccedil;&atilde;o dos documentos estrat&eacute;gicos da    Espanha, nomeadamente a Estrat&eacute;gia de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima    Nacional (ESMN), de modo a adapt&aacute;-los aos conceitos e defini&ccedil;&otilde;es    da&nbsp;UE&nbsp;e corrigir car&ecirc;ncias melhorando a operacionalidade. Considera    que a coopera&ccedil;&atilde;o Espanha-Portugal &eacute; uma oportunidade para    p&ocirc;r em pr&aacute;tica os desenvolvimentos considerados necess&aacute;rios    para ultrapassar dificuldades de execu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Este n&uacute;mero da revista&nbsp;R:I&nbsp;&eacute; um primeiro contributo    para o estudo da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima no quadro das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais e dos estudos de seguran&ccedil;a. A mat&eacute;ria, pela sua    import&acirc;ncia crescente no &acirc;mbito da a&ccedil;&atilde;o no mar, ter&aacute;    continuidade como tema de novas interven&ccedil;&otilde;es, neste ou noutro    &acirc;mbito. Para Portugal, n&atilde;o pode ser de outro modo.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AJIL&nbsp;&ndash; &laquo;United States: proclamation by the President with    respect to the natural resources of the subsoil and sea bed of the continental    shelf&raquo;. In&nbsp;<i>The American Journal of International Law &ndash; Supplement:    Official Documents</i>. Vol. 40, N.&ordm; 1, 1946, pp. 45-48.</p>     <p>BUEGER, C., e EDMUNDS, T. &ndash; &laquo;Beyond seablindness: a new agenda    for maritime security studies&raquo;. In&nbsp;<i>International Affairs</i>.&nbsp;Vol.    93, Issue 6, 1, 2017, pp. 1293-1311.&nbsp;doi: <a href="https://doi.org/10.1093/ia/iix174" target="_blank" rel="noopener">https://doi.org/10.1093/ia/iix174</a>.</p>     <p>COUNCIL OF THE&nbsp;EUROPEAN&nbsp;UNION&nbsp;&shy;&ndash; <i>11205/14&nbsp;European    Union Maritime Security Strategy</i>. 2014, pp. 1-16.</p>     <p>FRASER, H. S. &ndash;&laquo;The extent and delimitation of territorial waters&raquo;.    In&nbsp;<i>Cornell Law Quarterly</i>. Vol. 11, 1926, pp. 455-481.</p>     <p>LOVALD, J. L. &ndash; &laquo;In search of an ocean regime: the negotiations    in the General Assembly&rsquo;s Seabed Committee 1968-1970&raquo;. In&nbsp;<i>International    Organization.</i> Vol. 29, N.&ordm; 3, 1975, pp. 681-709.</p>     <p>NA&Ccedil;&Otilde;ES&nbsp;UNIDAS&nbsp;&ndash; &laquo;United Nations Convention    on the Law of the Sea Act 1996&raquo;. In&nbsp;<i>The International Journal    of Marine and Coastal Law</i>. Vol. 12, N.&ordm; 3, 1997, pp. 404-412.</p>     <p>OCDE&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>The Ocean Economy in 2030</i>.&nbsp;Paris:&nbsp;OCDE&nbsp;Publishing,    2016.&nbsp;doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1787/9789264251724-en" target="_blank" rel="noopener">http://dx.doi.org/10.1787/9789264251724-en</a>.</p>     <p>RANGEL, V. M. &ndash; &laquo;O novo direito do mar e a Am&eacute;rica Latina&raquo;.    In&nbsp;<i>Revista da Faculdade&nbsp;de Direito.&nbsp;Universidade de S&atilde;o    Paulo</i>. Vol.&nbsp;76, N.&ordm; 1, 1981, pp. 101-103.</p>     <p>ROSER, M., e ORTIZ-OSPINA, E. &ndash;&nbsp;<i>World Population Growth</i>.    OurWorldInData.org.&nbsp;2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SUAREZ, S. V. &ndash; &laquo;The outer limits of the continental shelf: legal    aspects of their establishment&raquo;. In&nbsp;<i>The Outer Limits of the Continental    Shelf</i>. Max-Planck-Institut (ed.). Primavera de 2008, pp. 239-252.</p>     <p>VIVERO, J. L. S. de, e MATEOS, J. C. R. &ndash; &laquo;Changing maritime scenarios.    The geopolitical dimension of the&nbsp;EU&nbsp;Atlantic Strategy&raquo;. In&nbsp;<i>Marine    Policy.</i> Vol. 48, 2014, pp. 59-72.</p>     <p>WEDIN, L. &ndash;&nbsp;<i>Maritime Strategies for the XXI Century</i>.&nbsp;Paris:    Nuvis, 2016.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> WEDIN, L. &ndash;&nbsp;<i>Maritime    Strategies for the XXI Century</i>.&nbsp;Paris: Nuvis, 2016.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> COUNCIL OF THE&nbsp;EUROPEAN&nbsp;UNION&nbsp;&shy;&ndash;    <i>11205/14&nbsp;European Union Maritime Security Strategy</i>. 2014, pp. 1-16.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> FRASER, H. S. &ndash;&laquo;The    extent and delimitation of territorial waters&raquo;. In&nbsp;<i>Cornell Law    Quarterly</i>. Vol. 11, 1926, pp. 455-481.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> AJIL&nbsp;&ndash; &laquo;United    States: proclamation by the President with respect to the natural resources    of the subsoil and sea bed of the continental shelf&raquo;. In&nbsp;<i>The American    Journal of International Law &ndash; Supplement: Official Documents</i>. Vol.    40, N.&ordm; 1, 1946, pp. 45-48.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> ROSER, M., e ORTIZ-OSPINA,    E. &ndash;&nbsp;<i>World Population Growth</i>. OurWorldInData.org.&nbsp;2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> RANGEL, V. M. &ndash; &laquo;O    novo direito do mar e a Am&eacute;rica Latina&raquo;. In&nbsp;<i>Revista da    Faculdade de Direito</i>.&nbsp;Universidade de S&atilde;o Paulo. Vol. 76, N.&ordm;    1, 1981, pp. 101-103.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> LOVALD, J. L. &ndash; &laquo;In    search of an ocean regime: the negotiations in the General Assembly&rsquo;s    Seabed Committee 1968-1970&raquo;. In&nbsp;<i>International Organization</i>.    Vol. 29, N.&ordm; 3, 1975, pp. 681-709.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> SUAREZ, S. V. &ndash; &laquo;The    outer limits of the continental shelf: legal aspects of their establishment&raquo;.    In&nbsp;<i>The Outer Limits of the Continental Shelf</i>. Max-Planck-Institut    (ed.). Primavera de 2008, pp. 239-252.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> NA&Ccedil;&Otilde;ES&nbsp;UNIDAS&nbsp;&ndash;    &laquo;United Nations Convention on the Law of the Sea Act 1996&raquo;. In&nbsp;<i>The    International Journal of Marine and Coastal Law</i>. Vol. 12, N.&ordm; 3, 1997,    pp. 404-412.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> VIVERO, J. L. S. DE, e    MATEOS, J. C. R. &ndash; &laquo;Changing maritime scenarios. The geopolitical    dimension of the&nbsp;EU&nbsp;Atlantic Strategy&raquo;. In&nbsp;<i>Marine Policy</i>.    Vol. 48, 2014, pp. 59-72.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> OCDE&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>The    Ocean Economy in 2030</i>.&nbsp;Paris:&nbsp;OCDE&nbsp;Publishing, 2016.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> BUEGER, C., e Edmunds,    T. &ndash; &laquo;Beyond seablindness: a new agenda for maritime security studies&raquo;.    In&nbsp;<i>International Affairs</i>.&nbsp;Vol. 93, Issue 6, 1, 2017, pp. 1293-1311.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> <i>Ibidem.</i></p>      ]]></body><back>
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