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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENSÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ideologia fascista e a abordagem transnacional</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carlos Martins</b></p>     <p>ICS-UL&nbsp;| Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Av. Professor An&iacute;bal    de Bettencourt, 9, 1600-189&nbsp;Lisboa&nbsp;| <a href="mailto:cmmartins@ics.ul.pt">cmmartins@ics.ul.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>MATTEO ALBANESE&nbsp;e PABLO DEL HIERRO, <i>Transnational&nbsp;Fascism in    the Twentieth Century: Spain, Italy and the Global Neo-Fascist Network</i>.    Londres, Bloomsbury Publishing, 2016, 240 p&aacute;ginas. ISBN 9781472522504</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Benito Mussolini referiu certa vez que &laquo;Fascism is not goods for export&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>,    dando assim a entender que o fascismo era um fen&oacute;meno puramente italiano.    Contudo, um consider&aacute;vel n&uacute;mero das decis&otilde;es pol&iacute;ticas    tomadas pelo seu regime contradiz totalmente as implica&ccedil;&otilde;es desta    afirma&ccedil;&atilde;o, pois foram realizadas diversas tentativas para estabelecer    liga&ccedil;&otilde;es com movimentos e regimes similares de outros pa&iacute;ses.    Um momento particularmente importante foi o Congresso de Montreux, que reuniu    diversos movimentos numa tentativa de criar uma&nbsp;&laquo;internacional fascista&raquo;.</p>     <p>No entanto, uma grande por&ccedil;&atilde;o dos estudos sobre o fascismo subestimou    este car&aacute;ter internacional da ideologia, optando por n&atilde;o colocar    em causa o&nbsp;&laquo;paradigma nacional&raquo;. O livro de Matteo Albanese    e Pablo Del Hierro,&nbsp;<i>Transnational Fascism in the Twentieth Century:    Spain, Italy and the Global Neo-Fascist Network</i>,&nbsp;deve ser visto como    um esfor&ccedil;o para colmatar esta lacuna e estudar o fascismo numa perspetiva    transnacional. Uma das principais motiva&ccedil;&otilde;es para a reda&ccedil;&atilde;o    deste livro foi a convic&ccedil;&atilde;o de que&nbsp;&laquo;fascism, as an    ideology, is transnational by nature&raquo;&nbsp;(p. 4). Por outras palavras,    se a an&aacute;lise n&atilde;o for al&eacute;m dos limites das fronteiras nacionais    e n&atilde;o levar em conta as conex&otilde;es estabelecidas entre os diferentes    pa&iacute;ses, permaneceremos no desconhecimento em rela&ccedil;&atilde;o a    aspetos essenciais da hist&oacute;ria do fascismo.</p>     <p>Neste contexto transnacional, argumentam os autores, a coopera&ccedil;&atilde;o    transfronteiri&ccedil;a entre fascistas levou ao surgimento de uma rede hispano-italiana,    que &eacute; o principal tema deste livro. Apesar de esta&nbsp;n&atilde;o ter    sido a &uacute;nica rede, a sua import&acirc;ncia torna-se evidente se se pensar    que sobreviveu&nbsp;&agrave;&nbsp;derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial,    numa altura em que o regime franquista serviu de ref&uacute;gio para muitos    militantes de extrema-direita. Assim, ao focar-se na evolu&ccedil;&atilde;o    desta rede entre os anos que v&atilde;o de 1922 a 1981, este estudo pretende    clarificar alguns aspetos acerca da ideologia fascista e sua &eacute;poca, bem    como da evolu&ccedil;&atilde;o do neofascismo depois dos anos 1940.&nbsp;De    acordo com os autores,&nbsp;&laquo;The focus is on the formation, evolution    and composition of the network in an attempt to explain how it became a crucial    channel for communication,&nbsp;exchange of ideas and even cooperation within    the neo-fascist political field&raquo;&nbsp;(pp. 3-4).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A REDE HISPANO-ITALIANA: EVOLU&Ccedil;&Atilde;O E RECONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Seguindo uma perspetiva cronol&oacute;gica, os cap&iacute;tulos analisam diferentes    per&iacute;odos temporais e os diversos desafios que cada um deles colocou para    a evolu&ccedil;&atilde;o e sobreviv&ecirc;ncia da rede. O primeiro cap&iacute;tulo    foca-se, pois, nas origens da rede, logo ap&oacute;s a&nbsp;&laquo;Marcha sobre    Roma&raquo;. Tratava-se esta de uma &eacute;poca em que as rela&ccedil;&otilde;es    pessoais entre figuras relevantes, tais como Ezio Maria Gray, Jos&eacute; Antonio    Primo de Rivera e Gim&eacute;nez Caballero, eram mais importantes do que a troca    de ideias. No entanto, os autores tamb&eacute;m prestam aten&ccedil;&atilde;o    a organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas como os Fasci all&rsquo;Estero    e a Falange espanhola e ainda &agrave;s influ&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas    na reforma laboral de Aun&oacute;s durante o regime de Miguel Primo de Rivera.    O fortalecimento da rede apenas aconteceria depois de 1936, como &eacute; explicado    no cap&iacute;tulo seguinte, com o in&iacute;cio da Guerra Civil Espanhola.    Foi este um evento que fomentou os la&ccedil;os entre soldados espanh&oacute;is    e os volunt&aacute;rios italianos no Corpo di Truppe Volontarie.&nbsp;</p>     <p>O estabelecimento da ditadura franquista, com a influ&ecirc;ncia que o regime    italiano sobre ela exerceu, foi um acontecimento importante para a consolida&ccedil;&atilde;o    da rede durante a Segunda Guerra Mundial, ainda que o pr&oacute;prio Franco    mais tarde retirasse progressivamente o seu apoio ao Eixo.</p>     <p>Como mostram os autores nos dois cap&iacute;tulos seguintes, a rede n&atilde;o    desapareceu totalmente nos anos que se seguiram &agrave; guerra, e os la&ccedil;os    estabelecidos anteriormente foram fundamentais para ajudar alguns fascistas    a escapar para a Am&eacute;rica Latina ou simplesmente dar-lhes ref&uacute;gio    na Espanha franquista. Este contexto permitiu a reconstru&ccedil;&atilde;o de    uma rede que inclu&iacute;a refugiados italianos em Espanha e o partido neofascista    Movimento Sociale Italiano&nbsp;(MSI), mesmo que a sua principal preocupa&ccedil;&atilde;o    fosse a sobreviv&ecirc;ncia e n&atilde;o a troca de ideias. Mais tarde, o contexto    internacional dos anos 1950 levou &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da nova    rede transnacional e do seu la&ccedil;o hispano-italiano, pois a prioridade    dada pelas democracias ocidentais &agrave; luta contra o comunismo deu aos grupos    neofascistas uma maior liberdade para agir. Durante este per&iacute;odo, o&nbsp;MSI&nbsp;optou    por uma estrat&eacute;gia legal e mais moderada para tentar conquistar o poder    e houve uma melhoria nas rela&ccedil;&otilde;es entre este partido e o regime    espanhol. Entretanto, a redefini&ccedil;&atilde;o do conceito de&nbsp;&laquo;Europa&raquo;&nbsp;como    um lugar de civiliza&ccedil;&atilde;o na luta contra o comunismo levou &agrave;s    primeiras tentativas para internacionalizar a rede (tais como o encontro em    Malm&ouml;, em 1951, e subsequente cria&ccedil;&atilde;o do Movimento Social    Europeu).</p>     <p>Os dois cap&iacute;tulos finais lidam com o per&iacute;odo de radicaliza&ccedil;&atilde;o    nos anos 1960 e 1970, radicaliza&ccedil;&atilde;o essa que ficou a dever-se    sobretudo a grupos como o Ordine Nuovo,&nbsp;que surgiu de uma fa&ccedil;&atilde;o    que se separou do&nbsp;MSI, e a Avanguardia Nazionale.&nbsp;A an&aacute;lise    deste per&iacute;odo &eacute; particularmente relevante, uma vez que pode esclarecer    alguns aspetos sobre um per&iacute;odo de viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica e    ataques terroristas que t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas    e sociais at&eacute; os dias de hoje. Contudo, no contexto dos estudos sobre    o fascismo transnacional, o maior contributo deste livro &eacute; o de ajudar    a compreender que a rede, e especialmente os la&ccedil;os entre Espanha e It&aacute;lia,    desempenharam um papel importante nesta onda de terrorismo. Quatro ataques terroristas    em Espanha e It&aacute;lia (o ataque na Piazza Fontana,&nbsp;em 1969; na Piazza    dela Loggia, em 1974; e os massacres de Montejurra e Atocha, que tiveram lugar    em 1976 e 1977, respetivamente) surgem-nos como a&ccedil;&otilde;es que fizeram    parte de um movimento radicalizado de dimens&atilde;o internacional, e que era    composto por diferentes grupos que cooperavam entre si com estrat&eacute;gias    e objetivos comuns.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>OBSERVA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS: A ABORDAGEM TRANSNACIONAL PARA AL&Eacute;M    DA REDE HISPANO-ITALIANA</b></p>     <p>A leitura deste livro &eacute; bastante &uacute;til para desconstruir a ideia    de que a ideologia fascista apenas pode ser entendida no contexto nacional.&nbsp;De    acordo com uma obra recente de Arnd Bauerkamper e Grzegorz Rossolinski-Liebe,    a abordagem transnacional da ideologia fascista inclui&nbsp;&laquo;comparative    studies as well as investigations of transfers, exchanges, and even entanglements&raquo;,    um vez que&nbsp;&laquo;leaders as well as minor functionaries (&hellip;) met    on innumerable occasions and different levels, not only to exchange views on    ideological questions and policies, but also to communicate on political styles    and representations&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.&nbsp;Um    dos pontos de maior interesse do livro de Albanese e Del Hierro &eacute; precisamente    a sua capacidade de destacar estes processos de troca de ideias em tr&ecirc;s    diferentes n&iacute;veis de an&aacute;lise: indiv&iacute;duos, organiza&ccedil;&otilde;es    e aparelhos estatais. Sem esquecer as personalidades relevantes, os autores    v&atilde;o al&eacute;m do n&iacute;vel individual e abordam a rede transnacional    em toda a sua complexidade e dinamismo, incluindo o envolvimento dos regimes    italiano e espanhol.&nbsp;Como referem, esta abordagem multifacetada&nbsp;&laquo;helps    to establish a better grasp on the extent, dynamics and mechanisms of particular    transnational connections, and highlights the entanglement and mutual constitution    of cultures and societies in a more general sense&raquo;&nbsp;(p. 7).</p>     <p>Ademais, &eacute; importante referir que, gra&ccedil;as a este foco na rede,    &eacute; poss&iacute;vel formar uma vis&atilde;o mais esclarecida a prop&oacute;sito    do neofascismo e da forma como os grupos de extrema-direita se desenvolveram    depois da guerra. Uma vez que muitos autores&nbsp;permanecem c&eacute;ticos    em rela&ccedil;&atilde;o&nbsp;&agrave;&nbsp;exist&ecirc;ncia de movimentos e    partidos neofascistas, esta abordagem &eacute; &uacute;til para esclarecer algumas    quest&otilde;es e ajudar a compreender que a reconstru&ccedil;&atilde;o da rede    efetivamente representou uma continua&ccedil;&atilde;o da ideologia fascista,    ainda qua sob novas roupagens. Por &uacute;ltimo, refira-se que esta abordagem    transnacional leva sempre em conta o contexto internacional no qual a rede se    desenvolveu e a forma como ela se reconfigurou de acordo com o ambiente da &eacute;poca.</p>     <p>Esta perspetiva transnacional n&atilde;o &eacute;, por certo, suficiente para    compreender todos os aspetos da ideologia fascista (como, de resto, os pr&oacute;prios    autores reconhecem), e o crescente interesse pelo fascismo internacional n&atilde;o    deve levar a que os investigadores adotem a abordagem oposta, menosprezando    o hipernacionalismo e a import&acirc;ncia dos contextos nacionais no desenvolvimento    dos movimentos e regimes. Contudo, h&aacute; ainda muito por explorar a respeito    das intera&ccedil;&otilde;es entre fascistas a n&iacute;vel internacional. Assim,    um dos pontos mais importantes deste livro &eacute; a sua capacidade de inspirar    e motivar novos estudos que se foquem nos diferentes la&ccedil;os da rede fascista,    antes e depois da Segunda Guerra Mundial: por exemplo, as rela&ccedil;&otilde;es    entre a Alemanha nazi e Guarda de Ferro romena. Ademais, a import&acirc;ncia    da Guerra Civil Espanhola poderia ser tamb&eacute;m abordada sob uma perspetiva    transnacional, pois o conflito acabou por tornar-se um ponto de encontro para    militantes de diversas nacionalidades. Seria interessante estudar a troca de    ideias e os canais de comunica&ccedil;&atilde;o ent&atilde;o constru&iacute;dos    numa an&aacute;lise multifacetada que tamb&eacute;m inclu&iacute;sse indiv&iacute;duos,    organiza&ccedil;&otilde;es e aparelhos estatais. Novos estudos que usem a abordagem    transnacional certamente trar&atilde;o descobertas de interesse para os estudos    sobre o fascismo.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BAUERK&Auml;MPER, Arnd, e ROSSOLINSKI-LIEBE, Grzegorz &ndash;&nbsp;<i>Fascism    without Borders: Transnational Connections and Cooperation between Movements    and Regimes in Europe from 1918 to 1945</i>.&nbsp;Nova York: Berghahn Books,    2017.&nbsp;isbn-10: 1785334689</p>     <p>PAYNE, Stanley &ndash;&nbsp;<i>A History of Fascism: 1914-1945</i>.&nbsp;Madison:    University of Wisconsin, 1995.&nbsp;ISBN&nbsp;0-203-50132-2.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> PAYNE, Stanley &ndash;&nbsp;<i>A    History of Fascism: 1914-1945</i>.&nbsp;Madison: University of Wisconsin, 1995,    p. 228.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> BAUERK&Auml;MPER, Arnd, e    ROSSOLINSKI-LIEBE, Grzegorz &ndash;&nbsp;<i>Fascism without Borders: Transnational    Connections and Cooperation between Movements and Regimes in Europe from 1918    to 1945.</i>&nbsp;Nova York: Berghahn Books, 2017, p. 2.</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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