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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nota introdutória: Hans Morgenthau e Politics among Nations]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>HANS MORGENTHAU E <I>POLITICS AMONG NATIONS</I></b></p>     <p><b>Nota introdut&oacute;ria:&nbsp;&nbsp;</b><b><i>Hans Morgenthau e Politics    among Nations</i></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Lobo-Fernandes, Carlos Gaspar e Guilherme Marques Pedro</b></p>     <p>* Universidade do Minho | Campus de Gualtar, 4710-057 Braga | <a href="mailto:luislobo@eeg.uminho.pt">luislobo@eeg.uminho.pt</a></p>     <p>** IPRI-NOVA | Rua de D. Estef&acirc;nia, 195, 5.&ordm; Dt.&ordm;, 1000-155,    Lisboa | <a href="mailto:c.gaspar@ipri.pt">c.gaspar@ipri.pt</a></p>     <p>*** Departamento de Filosofia, Universidade de Uppsala | Box 627, 751 &ndash;    26 Uppsala, Su&eacute;cia | <a href="mailto:guilhermemarquespedro@gmail.com">guilhermemarquespedro@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p style="text-align: right;">&laquo;It can&rsquo;t last out the necessary timespan,&nbsp;which    is roughly between now and the death of the sun.&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p style="text-align: right;">Martin Amis,&nbsp;<i>Einstein&rsquo;s Monsters</i>,&nbsp;1987</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Amis referia-se assim &agrave; balan&ccedil;a de poder prec&aacute;ria, propriamente    chamada <i>de&nbsp;mutually&nbsp;assured destruction</i>&nbsp;ou&nbsp;MAD, e    que assegurou a paz mundial durante a Guerra Fria<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.    Ap&oacute;s o surgimento da &laquo;Bomba&raquo;, o conflito na Coreia parecia    mostrar que a escalada nuclear entre as pot&ecirc;ncias sa&iacute;das da Segunda    Guerra n&atilde;o era inevit&aacute;vel, apontando no sentido inverso da conten&ccedil;&atilde;o    regional de guerras &laquo;quentes&raquo; e convencionais. Mas essa n&atilde;o    foi sempre a vis&atilde;o dominante. Em face da nucleariza&ccedil;&atilde;o,    a proposta te&oacute;rica de um &laquo;Estado Mundial&raquo; n&atilde;o tardar&aacute;    a figurar nos escritos de muitos realistas logo nos anos 1940, como Reinhold    Niebuhr, Frederick Schuman, ou John Herz &ndash; ora para a defender, ora para    a atacar. O &laquo;Estado Mundial&raquo; foi de facto a &laquo;batata quente&raquo;    de boa parte do realismo anglo-americano, precisamente aquele que procurava    fazer transitar o ceticismo anti-wilsoniano do entre guerras para um p&oacute;s-guerra    em que os Estados Unidos emergem como grande pot&ecirc;ncia e onde as suas responsabilidades    neo-imperiais, partilhadas com outro poder nuclear, encaixam mal no isolacionismo    inspirado na doutrina de Monroe.</p>     <p>&Eacute; neste contexto de habitua&ccedil;&atilde;o a um mundo novo, e de tens&atilde;o    interna &agrave; pr&oacute;pria tradi&ccedil;&atilde;o realista, que surge o&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>. Nele, Hans J. Morgenthau confronta a possibilidade da cria&ccedil;&atilde;o    de um &laquo;Estado Mundial&raquo; e avan&ccedil;a um argumento que pode numa    primeira leitura ser lido como uma rejei&ccedil;&atilde;o em toda a linha daquela    que ele considera ser a pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica    necess&aacute;ria para a constru&ccedil;&atilde;o de um Estado do tamanho do    mundo, e que Niebuhr tinha j&aacute; apelidado como uma&nbsp;<i>impossible possibility</i>:&nbsp;o    da exist&ecirc;ncia de uma comunidade mundial.&nbsp;Todavia, uma leitura alternativa,    que parta daquele cap&iacute;tulo para o resto do livro, sugere que toda a tradi&ccedil;&atilde;o,    e n&atilde;o apenas o pensamento de Morgenthau, pode ser lido de forma distinta:    de facto, o n&atilde;o-objeto de estudo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais    (RI) &ndash; a anarquia &ndash; n&atilde;o &eacute; sem ordem. Pelo contr&aacute;rio,    &eacute; o car&aacute;ter distinto desta ordem que Morgenthau procura explicitar    no&nbsp;Politics among Nations,&nbsp;e, lido assim, o livro pode de facto ser    colocado na esteira da Escola Inglesa, do funcionalismo de que muitos te&oacute;ricos    &laquo;cr&iacute;ticos&raquo; se apropriaram, e mesmo do construtivismo de tend&ecirc;ncia    cosmopolita<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>A par com uma reconstru&ccedil;&atilde;o cuidada da bagagem conceptual do&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>, o presente volume oferece um espectro diverso de interpreta&ccedil;&otilde;es    poss&iacute;veis do realismo de Morgenthau e aqui reside porventura o seu contributo    mais interessante. Apesar de n&atilde;o visar dirimir de forma definitiva a    grande pol&eacute;mica sobre as &laquo;falsas polaridades&raquo;, que tanto    t&ecirc;m contribu&iacute;do para a redefini&ccedil;&atilde;o da identidade    disciplinar das&nbsp;RI, ele insere-se num caminho que tem vindo a ser desbravado    de desmistifica&ccedil;&atilde;o dos c&acirc;nones metate&oacute;ricos que circunscrevem    as &laquo;grandes tradi&ccedil;&otilde;es&raquo; da disciplina e, assim, determinam    a sua diferencia&ccedil;&atilde;o interna<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.    Esse trabalho de desconstru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passa apenas pelas chamadas    &laquo;assun&ccedil;&otilde;es ontol&oacute;gicas&raquo; t&atilde;o assacadas    a uma tradi&ccedil;&atilde;o &ndash; a obtusa, apologista e ultrapassada &laquo;tradi&ccedil;&atilde;o    realista&raquo; &ndash; por reproduzir o&nbsp;<i>statu quo</i>&nbsp;de uma certa    ret&oacute;rica importada sem filtro cr&iacute;tico dos bastidores do Pent&aacute;gono    e da Casa Branca. De facto, a transum&acirc;ncia entre estes e a universidade    americana contribuiu muito para a forma&ccedil;&atilde;o de um&nbsp;<i>habitus</i>&nbsp;social    e intelectual t&atilde;o marcado pela&nbsp;<i>angst</i>&nbsp;do entre guerras    e do p&oacute;s-guerra. Mas ao desmascarar esses pressupostos, a teoria cr&iacute;tica    recaiu no erro anacr&oacute;nico que acusava no realismo: o de uma leitura superficial    que com o prop&oacute;sito de destronar alguns fetiches que tinham tomado conta    da disciplina, acabou por enfeiti&ccedil;ar ainda mais uma tradi&ccedil;&atilde;o    altamente ecl&eacute;tica e amb&iacute;gua, rica de contradi&ccedil;&otilde;es    e de&nbsp;<i>l</i><i>iaisons&nbsp;d</i><i>angereuses</i>,&nbsp;e at&eacute;    de profundos desacordos que n&atilde;o raro redundaram em &oacute;dios de estima&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Entre outras coisas, o fetichismo classificat&oacute;rio que arrumou a tradi&ccedil;&atilde;o    realista, quer na gaveta da rejei&ccedil;&atilde;o abrupta do papel estabilizador    do direito internacional, quer na da obsess&atilde;o estatoc&ecirc;ntrica pelo    &laquo;interesse nacional definido em termos de poder&raquo;, constitui mais    um desses&nbsp;<i>strawmen</i>&nbsp;que povoam as&nbsp;RI, e obscurecem qualquer    tentativa de narrar as suas &laquo;est&oacute;rias&raquo; intelectuais, apesar    dos j&aacute; constantes assaltos &agrave;&nbsp;<i>textbook mythology</i>&nbsp;em    torno dos &laquo;debates disciplinares&raquo; e da ideia que lhe est&aacute;    subjacente: a de tradi&ccedil;&otilde;es herm&eacute;ticas que confrontam argumentos    sem contamina&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua &ndash; para n&atilde;o falar, &eacute;    claro, das pr&oacute;prias tergiversa&ccedil;&otilde;es internas &agrave; obra    de cada &laquo;autor&raquo;, ami&uacute;de ignoradas. &Eacute; sabido que a    &laquo;atitude&raquo; realista remete para uma certa prud&ecirc;ncia aristot&eacute;lica    cujo esp&iacute;rito apol&iacute;neo se ter&aacute; rendido ao longo do tempo    &ndash; e sobretudo em tempo de guerra &ndash; &agrave;s incurs&otilde;es mais    c&iacute;nicas (com Maquiavel), mais nominalistas (com Hobbes), ou mais dionis&iacute;acas    (com Nietzsche)<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Esta &uacute;ltima    etapa precipitou, por sua vez, alguns realistas como Niebuhr para um sentido    tr&aacute;gico da hist&oacute;ria, capaz de acomodar quer uma certa cosmologia    est&oacute;ica&nbsp;<i>&agrave; la</i>&nbsp;Kierkegaard, quer a cr&iacute;tica    teol&oacute;gica &agrave; idolatria imperial de um Agostinho &ndash; a que acresce    ainda, como n&atilde;o poderia deixar de ser, a psicologia da ang&uacute;stia,    muito mais espessa e esguia do que o medo austero e protestante de Hobbes, e    que Heidegger e Freud colocaram no cora&ccedil;&atilde;o de uma Europa outra    vez em guerra civil.</p>     <p>Como no caso de muitas (re)leituras atuais de Max Weber, verdadeiro pano de    fundo intelectual para todo o&nbsp;<i>establishment</i>&nbsp;intelectual alem&atilde;o    daquele per&iacute;odo, seria contudo demasiado f&aacute;cil o recurso ao romantismo    alem&atilde;o para justificar a cr&iacute;tica ac&eacute;rrima de Morgenthau    ao racionalismo liberal subjacente ao ent&atilde;o nascente&nbsp;<i>Homo scientificus<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a></i>,    t&atilde;o farisaico na rejei&ccedil;&atilde;o de metaf&iacute;sicas pr&eacute;-modernas    quanto reencantado pelos poderes m&aacute;gicos da positividade tecnoburocr&aacute;tica    do Estado administrativo, sempre concebida em contraposi&ccedil;&atilde;o a    uma multid&atilde;o de indiv&iacute;duos em estado de natureza, que esperam    assim o resgate por parte de um deus&nbsp;<i>ex machina</i>. A par com o&nbsp;zeitgeist&nbsp;de    uma elite intelectual que em grande parte viria a emigrar para a Am&eacute;rica,    existiram tamb&eacute;m condi&ccedil;&otilde;es de facto da constru&ccedil;&atilde;o    de um Estado &ndash; e, por arrasto, de institui&ccedil;&otilde;es internacionais    &ndash; concebido como abstra&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-jur&iacute;dica.    De facto, e apesar das deifica&ccedil;&otilde;es coletivistas que Nietzsche    antecipara j&aacute; com o pren&uacute;ncio da morte de Deus, s&oacute; o s&eacute;culo&nbsp;XX&nbsp;poderia    ter criado as condi&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que tornavam poss&iacute;vel    a cren&ccedil;a na capacidade de um deus aparentemente mortal se imortalizar,    para al&eacute;m de todas as revolu&ccedil;&otilde;es e de todas as guerras.    &Eacute; neste sentido que para Woodrow Wilson a &laquo;paz democr&aacute;tica&raquo;    era um ponto sem retorno para o qual a &laquo;m&atilde;o de Deus&raquo;, bastante    vis&iacute;vel pelo menos para ele, tinha conduzido a Am&eacute;rica. A federa&ccedil;&atilde;o    planet&aacute;ria dependia portanto da Am&eacute;rica fazer sua essa miss&atilde;o    divina.</p>     <p>Curiosamente, era precisamente contra este Leviat&atilde; escolhido por Deus    que o realismo de Morgenthau &ndash; neste particular dando plena sequ&ecirc;ncia    ao de Niebuhr &ndash; nos alertava, ao recorrer, n&atilde;o sem problemas, a    uma conce&ccedil;&atilde;o mais org&acirc;nica do direito e a partir do qual    Morgenthau desenvolve ent&atilde;o uma conce&ccedil;&atilde;o que denomina propriamente    &laquo;realista&raquo;. &Eacute; precisamente &agrave; filosofia do direito,    e n&atilde;o &agrave; teoria pol&iacute;tica, que Morgenthau iria buscar o seu&nbsp;realismo,&nbsp;ainda&nbsp;numa    fase da sua vida sobre a qual Henry Kissinger afirma nunca lhe ter ouvido uma    palavra<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Paradoxalmente, foi    precisamente esse realismo que um dos maiores arautos do positivismo jur&iacute;dico,    Hans Kelsen, viria a elogiar, como membro da comiss&atilde;o avaliadora da tese    doutoral que Morgenthau completou aos&nbsp; 25 anos, com o t&iacute;tulo, t&atilde;o    breve quanto germ&acirc;nico&nbsp;<i>Die internationale Rechtspflege</i>, <i>das    Wesen ihrer Organe und die Grenzen ihrer Anwendung; insbesondere der Begriff    des Politischen im V&ouml;lkerrecht</i>&nbsp;(&laquo;A fun&ccedil;&atilde;o    judicial na esfera internacional, a natura dos seus &oacute;rg&atilde;os e os    limites da sua aplica&ccedil;&atilde;o; em particular, o conceito do pol&iacute;tico    no direito internacional&raquo;)<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.    Kelsen afirmara ent&atilde;o que</p>     <p>     <blockquote> &laquo;Augura bem pela seriedade e vigor dos esfor&ccedil;os acad&eacute;micos    de&nbsp;Herr&nbsp;Morgenthau que tenha escolhido aquele que &eacute; provavelmente    o problema mais dif&iacute;cil da teoria normativa. E ele atacou este problema    n&atilde;o apenas com um conhecimento extraordin&aacute;rio da extensa literatura,    n&atilde;o apenas com um olhar profundo sobre muitas das quest&otilde;es relacionadas,    mas tamb&eacute;m com independ&ecirc;ncia e ideias profundamente originais.    Este estudo demonstra que&nbsp;Herr&nbsp;Morgenthau &eacute; uma daquelas mentes    raras que pode ter algo de importante para contribuir para a ci&ecirc;ncia exata    da jurisprud&ecirc;ncia.&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a></blockquote>     <p></p>     <p> Dada a origem essencialmente jur&iacute;dica do seu realismo, o enfoque deste    volume no&nbsp;<i>Politics among Nations&nbsp;</i>serve n&atilde;o apenas o    prop&oacute;sito de uma revisita&ccedil;&atilde;o de uma obra que reivindicou    um estatuto cient&iacute;fico sem precedentes para a disciplina das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, mas f&ecirc;-lo tamb&eacute;m porque Morgenthau soube basear    o seu realismo em conce&ccedil;&otilde;es de poder, de interesse e de comunidade    que, estando j&aacute; em germe nos realismos de Niebuhr ou E. H. Carr &ndash;    mas tamb&eacute;m de Carl Schmitt e Georg Jellinek &ndash; n&atilde;o redundam    nem numa rejei&ccedil;&atilde;o total da possibilidade da descoberta cient&iacute;fica    de um&nbsp;racional&nbsp;para a intera&ccedil;&atilde;o dos estados, nem t&atilde;o-pouco    numa vis&atilde;o apocal&iacute;ptica ou resignada da (possibilidade de) ordem    internacional. Ora, &eacute; precisamente porque a obra de Morgenthau se reveste    de contributos para a pol&iacute;tica e para o direito de hoje que importa revisit&aacute;-la.    A hist&oacute;ria &ndash; mesmo a hist&oacute;ria intelectual &ndash; &eacute;    sempre escrita para o presente e n&atilde;o para o passado, e a aten&ccedil;&atilde;o    de Morgenthau ao detalhe sociol&oacute;gico das din&acirc;micas de poder, e    da forma como estas criam novas formas de direito e normatividade, sobressai    num momento em que a pol&iacute;tica externa americana parece dominada por&nbsp;twitters&nbsp;unilaterais    e por um isolacionismo que, ao contr&aacute;rio do que muitos analistas alvitram,    foi historicamente mais a regra do que a exce&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesta linha, o realismo n&atilde;o pode servir para reconfirmar o anacronismo    da velha&nbsp;wisdom,&nbsp;t&atilde;o c&eacute;tica quanto acomodada, que acredita    na repeti&ccedil;&atilde;o c&iacute;clica da hist&oacute;ria. Pelo contr&aacute;rio,    &eacute; ressuscitando estes di&aacute;logos escondidos entre um passado e um    presente bem demarcados, e na consci&ecirc;ncia da sua contiguidade inexor&aacute;vel,    que a hist&oacute;ria intelectual continua a fazer sentido. N&atilde;o deixemos,    assim, de ler o que sempre lemos do passado, com a grada&ccedil;&atilde;o que    o presente nos oferece.</p>     <p>Com o intuito de uma primeira abordagem e contextualiza&ccedil;&atilde;o da    obra de Morgenthau o volume come&ccedil;a com a revista cr&iacute;tica proposta    por Daniel Marcos dos principais temas do livro para depois concluir do contributo    do&nbsp;<i>Politics among Nations&nbsp;</i>para a an&aacute;lise da pol&iacute;tica    externa americana, e para as tens&otilde;es existentes entre as ideias de Morgenthau    e as administra&ccedil;&otilde;es americanas no contexto da Guerra Fria. Prosseguindo    este enfoque no contexto e nos conceitos essenciais do realismo de Morgenthau,    Maria Regina Soares de Lima desenvolve uma descri&ccedil;&atilde;o mais aprofundada    do realismo propriamente &laquo;pol&iacute;tico&raquo; de Morgenthau para explicar    precisamente a sua influ&ecirc;ncia quer no seu tempo &ndash; e &eacute; certo    que, a julgar pelo n&uacute;mero de reedi&ccedil;&otilde;es, o&nbsp;<i>Politics    among Nations&nbsp;</i>teve v&aacute;rios &laquo;tempos&raquo; &ndash;, quer    nos escritos de te&oacute;ricos das&nbsp;ri&nbsp;contempor&acirc;neos que ainda    reivindicam o legado de Morgenthau.</p>     <p>O volume avan&ccedil;a depois para a explora&ccedil;&atilde;o mais detalhada    de temas espec&iacute;ficos, propondo abordagens inovadoras a temas mais negligenciados    do realismo de Morgenthau e do&nbsp;Politics among Nations.&nbsp;Guilherme Marques    Pedro sugere que Morgenthau constr&oacute;i no&nbsp;<i>Politics among Nations&nbsp;</i>uma    teoria do direito internacional: concebido de forma funcionalista, este tem    um papel constitutivo n&atilde;o de um &laquo;Estado Mundial&raquo; a partir    do topo para a base, mas de uma comunidade mundial de interesses que &eacute;    a pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica daquele, num racioc&iacute;nio    que reporta, ali&aacute;s, a uma conce&ccedil;&atilde;o lockeana do pacto social    e do estado de natureza. Esta preocupa&ccedil;&atilde;o com o direito internacional    recoloca Morgenthau na vanguarda dos debates contempor&acirc;neos sobre a filosofia    do direito, mas n&atilde;o reside apenas a&iacute; a sua atualidade. Como revelam    Eduardo Uziel e Gelson Fonseca Jr., &eacute; ainda no contexto de uma reflex&atilde;o    cr&iacute;tica sobre normas e institui&ccedil;&otilde;es internacionais que    o&nbsp;<i>Politics among Nations&nbsp;</i>levanta quest&otilde;es quanto &agrave;    exist&ecirc;ncia, atua&ccedil;&atilde;o, e estrutura da Organiza&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, quest&otilde;es essas que, apesar de demonstrarem    limita&ccedil;&otilde;es importantes na an&aacute;lise de Morgenthau, n&atilde;o    deixam de constituir um alerta para o futuro daquela institui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como n&atilde;o poderia deixar de ser, a aten&ccedil;&atilde;o de Morgenthau    ao tema da seguran&ccedil;a internacional tamb&eacute;m n&atilde;o passa despercebida    a este volume. Por um lado, Pedro Tiago Ferreira olha para a admissibilidade    da guerra a partir do tratamento que Morgenthau faz da tradi&ccedil;&atilde;o    da&nbsp;<i>guerra justa</i>, conjugando-a, obviamente, com o tema central do    poder nuclear das grandes pot&ecirc;ncias. Por outro lado, Hugo Arend desenvolve    uma abordagem radicalmente nova ao realismo de Morgenthau, procurando explicar    como a obsess&atilde;o securit&aacute;ria do novo mundo nuclear conduziu a um    certo deslumbramento das elites acad&eacute;micas e intelectuais respons&aacute;veis    por circunscrever um determinado campo discursivo caracterizado por uma linguagem    que opera em circuito fechado. Apesar do intuito desconstrutivo inicial que    a obra de Morgenthau apresenta &ndash; nomeadamente face ao positivismo jur&iacute;dico    e &agrave;s suas assun&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas &ndash;, o realismo    de Morgenthau acaba por reestruturar o campo das&nbsp;ri&nbsp;&agrave; luz de    novos pressupostos ontol&oacute;gicos que se tornam mais ou menos inquestion&aacute;veis    e, segundo Arend, reproduzem certas identidades e modos de conhecer o mundo,    delimitam as regras do discurso cient&iacute;fico sobre os conflitos internacionais,    e reificam o poder das grandes pot&ecirc;ncias, atrav&eacute;s de um discurso    autolegitimador sobre a Guerra Fria a que Arend, baseado em Foucault, chama    de &laquo;dispositivo&raquo;.</p>     <p>O volume conclui com a an&aacute;lise de Lu&iacute;s Lobo-Fernandes sobre o    processo de constru&ccedil;&atilde;o da teoria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais,    explorando as principais proposi&ccedil;&otilde;es do realismo pol&iacute;tico    bem como os seus limites, cujos marcos fundamentais s&atilde;o justamente o&nbsp;magnum    opus&nbsp;de Morgenthau e o tratado de Kenneth N. Waltz sobre o estruturalismo    realista &ndash; a refer&ecirc;ncia comum das principais escolas modernas de&nbsp;ri.    Morgenthau &eacute; crucial quer no dom&iacute;nio da higiene intelectual &ndash;    despir os estudos internacionais do moralismo e das ideologias &ndash;, quer    no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica &ndash; recusar a pretens&atilde;o de universalidade    dos sistemas de valores nacionais, o reconhecimento rec&iacute;proco da legitimidade    dos interesses fundamentais de seguran&ccedil;a das pot&ecirc;ncias &ndash;,    quer, sobretudo, no dom&iacute;nio do m&eacute;todo, com o enunciado de um paradigma    realista, em contraposi&ccedil;&atilde;o ao paradigma idealista. Waltz parte    de Morgenthau para enunciar, por sua vez, com mais parcim&oacute;nia, uma teoria    do sistema internacional, que n&atilde;o pode n&atilde;o escapar ao fundador    da escola realista cl&aacute;ssica, demasiado atento ao emaranhado das rela&ccedil;&otilde;es    de poderes entre os estados para encontrar a estrutura do sistema. O&nbsp;realismo    complexo&nbsp;de Tuc&iacute;dides pode ser a forma de reconciliar Waltz e Morgenthau,    poss&iacute;vel crit&eacute;rio das diferentes pulsa&ccedil;&otilde;es realistas.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BARTEL, Fritz &ndash; &laquo;Surviving the years of grace: the atomic bomb    and the specter of world government&raquo;. In&nbsp;<i>Diplomatic History</i>.&nbsp;Oxford.    Vol. 39, N.&ordm; 2, 2015.&nbsp;Doi: 10.1093/dh/dhu005.</p>     <p>CRAIG, Campbell &ndash; &laquo;The resurgent idea of world government&raquo;.    In&nbsp;<i>Ethics and International Affairs</i>. Vol. 22, N.&ordm; 2, ver&atilde;o    de 2008.&nbsp;Doi: 10.1111/j.1747-7093.2008.00139.x.</p>     <p>FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans J. Morgenthau: An Intellectual Biography</i>.&nbsp;Baton    Rouge,&nbsp;LA: Louisiana State University Press, 2001.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>JUTERS&Ouml;NKE, Oliver &ndash;&nbsp;<i>Morgenthau, Law and Realism</i>. Cambridge:    Cambridge University Press, 2010.&nbsp;Doi: 10.1017/cbo9780511780011.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Scientific Man vs. Power Politics</i>. Londres:    Latimer House Limited, 1947.</p>     <p>MURRAY, Alastair &ndash;&nbsp;<i>Reconstructing Realism: Between Power Politics    and Cosmopolitan Ethics</i>.&nbsp;Edimburgo:&nbsp;Keele University Press,&nbsp;1997.</p>     <p>PATOMAKI, Heiki&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>After International Relations: Critical    Realism and the (Re)Construction of World Politics</i>. Londres:&nbsp;Routledge,&nbsp;2003.&nbsp;Doi:    10.4324/9780203119037.</p>     <p>WILLIAMS, Michael &ndash;&nbsp;<i>Realism Reconsidered: The Legacy of Hans    Morgenthau in International Relations</i>.&nbsp;Oxford:&nbsp;Oxford University    Press, 2007.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> BARTEL, Fritz &ndash;&nbsp;&laquo;Surviving    the years of grace: the atomic&nbsp;bomb and the specter of world government&raquo;.    In&nbsp;<i>Diplomatic History</i>. Vol. 39, N.&ordm; 2,&nbsp;2015, p. 275.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Citado em&nbsp;CRAIG, Campbell    &ndash; &laquo;The resurgent idea of world government&raquo;. In&nbsp;<i>Ethics    and International Affairs</i>. Vol. 22, N.&ordm; 2,&nbsp;ver&atilde;o de 2008,    p. 136.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> MURRAY, Alastair &ndash;&nbsp;<i>Reconstructing    Realism: Between Power Politics and Cosmopolitan Ethics</i>.&nbsp;Edimburgo:&nbsp;Keele    University Press,&nbsp;1997.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> WILLIAMS, Michael &ndash;&nbsp;<i>Realism    Reconsidered: The Legacy of Hans Morgenthau in International Relations</i>.&nbsp;Oxford:    Oxford University Press, 2007.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Para uma reconstru&ccedil;&atilde;o    cr&iacute;tica da obra de Morgenthau sob o des&iacute;gnio de um &laquo;realismo    cr&iacute;tico&raquo;, ver&nbsp;PATOMAKI, Heiki &ndash;&nbsp;<i>After International    Relations: Critical Realism and the (Re)Construction of World Politics</i>.    Londres: Routledge, 2003.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> A prop&oacute;sito das v&aacute;rias    apropria&ccedil;&otilde;es do pensamento internacional de Morgenthau, ver&nbsp;WILLIAMS,    Michael &ndash;&nbsp;<i>Realism Reconsidered</i>.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Scientific    Man vs. Power Politics</i>. Londres: Latimer House Limited, 1947.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau: An Intellectual Biography</i>.&nbsp;Baton Rouge,&nbsp;la: Louisiana    State University Press,&nbsp;2001.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> JUTERS&Ouml;NKE, Oliver &ndash;&nbsp;<i>Morgenthau,    Law and Realism</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau</i>, p. 48.</p>      ]]></body><back>
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