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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.58a05</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Hans Morgenthau, Política entre as Nações e as Nações Unidas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article considers the thinking of realist theorist of international relations, Hans Morgenthau, on the United Nations, from 1945 to 1965, through the various editions of his most important work, Politics among Nations. In the changes that he inserted in the text in its various versions, Morgenthau followed the evolution of that international organization, always criticizing the combination of idealism and Machiavellianism that, in his opinion, limited the ability of the United Nations to fulfil its function in the field of peace and security.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>HANS MORGENTHAU E <I>POLITICS AMONG NATIONS</I></b></p>     <p><b>Hans Morgenthau, Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es e as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> </b></p>     <p><b>Hans Morgenthau, <i>Politics among Nations </i>and the United Nations</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gelson Fonseca Jr* e Eduardo Uziel**<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>    </b></p>     <p>* Diretor &ndash; Centro de Hist&oacute;ria e Documenta&ccedil;&atilde;o Diplom&aacute;tica,    no Rio de Janeiro | 20080-002, Av. Mal. Floriano, 196 &ndash; Centro, Rio de    Janeiro &ndash; RJ, Brasil | <a href="mailto:gelson.fonseca@gmail.com">gelson.fonseca@gmail.com</a></p>     <p>** Minist&eacute;rio das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Brasil | Pal&aacute;cio    do Itamaraty &ndash; Esplanada dos Minist&eacute;rios &ndash; Bloco &laquo;H&raquo;    &ndash; Bras&iacute;lia/DF Brasil &ndash; 70170900 | <a href="mailto:uziele@gmail.com">uziele@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo acompanha o pensamento do te&oacute;rico realista das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, Hans Morgenthau, sobre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, no per&iacute;odo    de 1945 a 1965, por meio das diversas edi&ccedil;&otilde;es de sua obra mais    importante, <i>Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>. Nas mudan&ccedil;as    que inseriu no texto em suas v&aacute;rias vers&otilde;es, Morgenthau acompanhou    a evolu&ccedil;&atilde;o daquela organiza&ccedil;&atilde;o internacional, sempre    criticando a combina&ccedil;&atilde;o de idealismo e maquiavelismo que, em sua    opini&atilde;o, limitava a capacidade das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de cumprirem    sua fun&ccedil;&atilde;o no campo da paz e da seguran&ccedil;a.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Morgenthau, Na&ccedil;&otilde;es Unidas, realismo, organiza&ccedil;&otilde;es    internacionais</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The article considers the thinking of realist theorist of international relations,    Hans Morgenthau, on the United Nations, from 1945 to 1965, through the various    editions of his most important work, Politics among Nations. In the changes    that he inserted in the text in its various versions, Morgenthau followed the    evolution of that international organization, always criticizing the combination    of idealism and Machiavellianism that, in his opinion, limited the ability of    the United Nations to fulfil its function in the field of peace and security.</p>     <p><b>Keywords</b>: Morgenthau, United Nations, realism, international organizations</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Para quem se interessa por pol&iacute;tica internacional, Hans Morgenthau e    seu&nbsp;<i>Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>&nbsp;(PEN) foram,    desde o fim dos anos 1940, um autor e um livro dos mais estudados e, sobretudo,    mais criticados, exatamente pelo que tiveram de pioneiro. Vale a pena aproveitar    os 70 anos da publica&ccedil;&atilde;o para voltar ao livro. Em primeiro lugar,    pela maneira como lida com a liga&ccedil;&atilde;o entre a teoria (falha ou    n&atilde;o) e a hist&oacute;ria. Em segundo lugar, &eacute; uma leitura agrad&aacute;vel,    rica de informa&ccedil;&otilde;es, compreens&iacute;vel, muito diferente do    rigor (inacess&iacute;vel) dos te&oacute;ricos de hoje. O estilo simples, direto,    leva a que se busquem, especialmente nos &laquo;seis princ&iacute;pios&raquo;    que delineou para fundamentar a teoria realista, ideias para criticar escolhas    pol&iacute;ticas conjunturais<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>    . Trata-se, afinal, de um texto e de um autor com amplo dom&iacute;nio do direito,    da hist&oacute;ria, da pol&iacute;tica internacional, que o faziam um pensador    com qualidades &uacute;nicas.</p>     <p>O pensamento realista n&atilde;o &eacute; a base natural para a compreens&atilde;o    do multilateralismo. Se os estados s&atilde;o &laquo;ego&iacute;stas&raquo;,    movidos por interesse, definidos em termos de poder, a institui&ccedil;&atilde;o    multilateral n&atilde;o pode escapar a essas for&ccedil;as. &Eacute; inevit&aacute;vel,    portanto, que as institui&ccedil;&otilde;es multilaterais sirvam a prop&oacute;sitos    individuais de poder e possam ser abandonadas assim que os interesses, por alguma    raz&atilde;o, se alterem. Quem tem, ent&atilde;o, como refer&ecirc;ncia intelectual    o realismo de Morgenthau raramente est&aacute; interessado nas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas; alguns fazem refer&ecirc;ncia &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o internacional    apenas para explicitar sua suposta irrelev&acirc;ncia, por n&atilde;o ter capacidade    de influenciar os acontecimentos. No entanto,&nbsp;pen&nbsp;dedica um cap&iacute;tulo    inteiro ao tema, que foi burilado a cada edi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Essas mudan&ccedil;as e ajustes no texto decorrem do fato de que as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas, com todas as limita&ccedil;&otilde;es, ajudaram a transformar o modo    de fazer pol&iacute;tica, mesmo entre as grandes pot&ecirc;ncias, e abriram    espa&ccedil;o para a atua&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dios e pequenos. A cr&iacute;tica    de Morgenthau ao multilateralismo n&atilde;o deixa de ser pertinente, mas n&atilde;o    esgota a compreens&atilde;o do multilateralismo e das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.    Os limites do realismo para compreender o multilateralismo s&atilde;o o caminho    a explorar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste ensaio, &eacute; analisada a evolu&ccedil;&atilde;o do texto de&nbsp;pen&nbsp;no    que diz respeito &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, como Morgenthau, ent&atilde;o,    reagiu &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da Organiza&ccedil;&atilde;o    e suas contribui&ccedil;&otilde;es para a pol&iacute;tica internacional. S&atilde;o    utilizadas as cinco edi&ccedil;&otilde;es durante a vida do autor (1948, 1954,    1960, 1967 e 1973). Ademais, para acompanhar melhor o processo de mudan&ccedil;a,    foram utilizados os muitos textos produzidos por Morgenthau sobre as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas no per&iacute;odo 1945-1965.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A VIS&Atilde;O DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS ANTES DA&nbsp;<i>POL&Iacute;TICA    ENTRE AS NA&Ccedil;&Otilde;ES</i></b></p>     <p>A percep&ccedil;&atilde;o de Morgenthau sobre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas,    tal como a expressaria em&nbsp;pen, teve uma longa pr&eacute;-hist&oacute;ria,    que compreende as influ&ecirc;ncias intelectuais de Hans Kelsen e de Carl Schmitt,    seu contato com a Liga das Na&ccedil;&otilde;es (ldn)&nbsp;e seu acompanhamento    do processo de forma&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas desde    o per&iacute;odo da Segunda Guerra Mundial.</p>     <p>Apesar da dist&acirc;ncia entre o cientista pol&iacute;tico judeu refugiado    e o jurista nazista, Morgenthau teve uma rela&ccedil;&atilde;o intelectual complexa    com Schmitt, que resultou em perspectivas similares. J&aacute; na d&eacute;cada    de 1930, Morgenthau compartilhava o saudosismo sobre o per&iacute;odo &laquo;cl&aacute;ssico&raquo;    do equil&iacute;brio de poder e lamentava a decad&ecirc;ncia da diplomacia.    Reputava, ademais, negativos os ideais morais universais, como advogados pelos    Estados Unidos e corporificados na&nbsp;ldn&nbsp;e, depois, nas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas, que tentariam promover uma &laquo;remoraliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais&raquo;. Como Schmitt, acreditava em uma soberania indivis&iacute;vel,    que n&atilde;o abria espa&ccedil;o para que as institui&ccedil;&otilde;es internacionais    agissem efetivamente em momentos de crise &ndash; quando o poder pol&iacute;tico    se manifestava de fato<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> .</p>     <p>Em Kelsen, Morgenthau encontrou argumentos para considerar a influ&ecirc;ncia    moderadora do poder pol&iacute;tico, submetido a normas jur&iacute;dicas, cuja    estrutura l&oacute;gica era a de comando e san&ccedil;&atilde;o. Mas foi a cr&iacute;tica    a seu mestre que acabou por inserir-se em sua percep&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas. Para Morgenthau, o excessivo legalismo positivista que tentava divorciar    o direito internacional da realidade dura do poder, uma interpreta&ccedil;&atilde;o    pura do direito que n&atilde;o levasse em conta a realidade da pol&iacute;tica,    acabava por ser prejudicial &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre os estados.    Morgenthau repetia em seus escritos que as rela&ccedil;&otilde;es internacionais    eram para estadistas, n&atilde;o para juristas/advogados<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>    .</p>     <p>Seus anos em Genebra (1932-1935) permitiram que Morgenthau visse de perto a    agonia da&nbsp;ldn, o que apenas confirmou seu entendimento sobre a impossibilidade    de aquela institui&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ar seus objetivos. Avaliou    que a hist&oacute;ria da&nbsp;ldn&nbsp;foi uma crescente degrada&ccedil;&atilde;o    da ideia de seguran&ccedil;a coletiva, que n&atilde;o conseguiu prevalecer sobre    a pr&aacute;tica do equil&iacute;brio de poder. Afinal, nem mesmo os pequenos    e m&eacute;dios estados &ndash; que teoricamente seriam os mais beneficiados    pelo arcabou&ccedil;o multilateral &ndash; apoiavam mais os mecanismos do Pacto<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>    .</p>     <p>Sua ida para os Estados Unidos e sua an&aacute;lise do cen&aacute;rio internacional    no fim da guerra n&atilde;o melhoraram sua avalia&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es    internacionais. Morgenthau preocupava-se com o entusiasmo febril dos Estados    Unidos pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas e, por isso, era propositalmente duro    em suas avalia&ccedil;&otilde;es dos documentos de Dumbarton Oaks e da Carta    de S&atilde;o Francisco (Carta). Fazia parte de um grupo de intelectuais que    seriam o futuro n&uacute;cleo do realismo, marcado, especialmente, pelo recha&ccedil;o    &agrave;s ilus&otilde;es legalistas<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>    . Suas cr&iacute;ticas &agrave; Carta eram v&aacute;rias, a come&ccedil;ar por    se tratar de uma &laquo;utopia maquiav&eacute;lica&raquo;, um sistema onde se    pregava o direito, mas que s&oacute; funcionaria apoiado pela pol&iacute;tica    de poder e pela diplomacia tradicional. Morgenthau via princ&iacute;pios e prop&oacute;sitos    impl&iacute;citos, inadmitidos, na Carta, que apenas refor&ccedil;avam o dom&iacute;nio    das grandes pot&ecirc;ncias<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>    . Os primeiros anos do funcionamento das Na&ccedil;&otilde;es Unidas pareciam    apenas confirmar seus receios. Por um lado, o pensamento legalista incapaz de    resolver conflitos; por outro, a paralisia gerada pela crescente divis&atilde;o    entre Estados Unidos e&nbsp;urss<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>    .</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS NAS PRIMEIRAS EDI&Ccedil;&Otilde;ES (1948    E 1954)</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os trechos relativos &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas na primeira edi&ccedil;&atilde;o    est&atilde;o localizados no contexto da an&aacute;lise do direito internacional    e em um dos cap&iacute;tulos sobre &laquo;O problema da paz em meados do s&eacute;culo&nbsp;xx&raquo;.    Morgenthau passa em revista v&aacute;rias modalidades de busca pela paz (desarmamento,    solu&ccedil;&atilde;o judicial, mudan&ccedil;a pac&iacute;fica) e inclui tr&ecirc;s    cap&iacute;tulos sobre&nbsp;international government. Os dois primeiros tratam    da Santa Alian&ccedil;a e da&nbsp;ldn&nbsp;&ndash; entidades precursoras das    quais as Na&ccedil;&otilde;es Unidas teriam herdado v&aacute;rias caracter&iacute;sticas    (e defeitos)<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> .</p>     <p>Como j&aacute; parecia claro ao autor em 1945, a Carta consagrava o dom&iacute;nio    das grandes pot&ecirc;ncias no Conselho de Seguran&ccedil;a e transformava a    Assembleia Geral em uma &laquo;sociedade de debates&raquo;. Com isso, constru&iacute;a    uma &laquo;monstruosidade legal&raquo;, porque respondia a expectativas democr&aacute;ticas    com um desempenho autocr&aacute;tico. Somente os cinco membros permanentes do    Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (csnu) reteriam    sua soberania plena e, entre esses, em realidade Estados Unidos e&nbsp;urss&nbsp;compartilhariam    a governan&ccedil;a mundial &ndash; caso conseguissem manter-se unidos. Se acabassem    como rivais, poderiam, talvez, utilizar as Na&ccedil;&otilde;es Unidas como    uma &laquo;grande alian&ccedil;a&raquo; contra o advers&aacute;rio.</p>     <p>Como j&aacute; advertira<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>    , Morgenthau denunciava que a falta de um princ&iacute;pio de justi&ccedil;a    &ndash; como houvera na&nbsp;ldn&nbsp;(autodetermina&ccedil;&atilde;o) e na    Santa Alian&ccedil;a (legitimidade) &ndash; prejudicava a forma&ccedil;&atilde;o    de um consenso entre os grandes. Opinava que, ao fundar as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sem contar com uma converg&ecirc;ncia de vis&atilde;o entre os estados    mais poderosos, os redatores da Carta haviam tentado construir uma estrutura    de preven&ccedil;&atilde;o da guerra sem base s&oacute;lida:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;The United Nations is like a building designed by two architects    who have agreed upon the plans for the second floor, but not upon those for    the first. Each of them builds his wing of the first floor as he sees fit, each    doing his best to obstruct the efforts of the other. In consequence, not only    does the second floor become an unlivable abode, but also the whole structure    threatens to disintegrate&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>O resultado, vis&iacute;vel no tratamento legalista dado aos conflitos remanescentes    ap&oacute;s 1945, era a grande inefic&aacute;cia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.    A situa&ccedil;&atilde;o era agravada pela crescente desaven&ccedil;a entre    Estados Unidos e&nbsp;urss, que paralisava a solu&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es    t&eacute;cnicas e temas secund&aacute;rios (como o caso de Trieste). O uso da    Organiza&ccedil;&atilde;o como instrumento para for&ccedil;ar o rival a agir    diferentemente apenas agravava as tens&otilde;es.</p>     <p>&Agrave; ideia de governan&ccedil;a internacional representada pelas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas, Morgenthau contrastava a de Estado Mundial, uma conflu&ecirc;ncia de    idealismo e realismo, necess&aacute;ria para lidar com a amea&ccedil;a constante    de aniquila&ccedil;&atilde;o nuclear. N&atilde;o admitia, por&eacute;m, que    as Na&ccedil;&otilde;es Unidas pudessem ser, em qualquer sentido, um embri&atilde;o    desse novo ente.&nbsp;Desde a primeira edi&ccedil;&atilde;o, encerrava a se&ccedil;&atilde;o    sobre Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com a observa&ccedil;&atilde;o: &laquo;it    is such war which today threatens the United States, the Soviet Union, and all    mankind. For its prevention we must look elsewhere than to the United Nations&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>    .</p>     <p>Ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o de&nbsp;pen, Morgenthau continuou a    lidar &ndash; de forma n&atilde;o inteiramente sistem&aacute;tica &ndash; com    seu receio crescente de uma guerra global e com a recrimina&ccedil;&atilde;o    aos sovi&eacute;ticos pelo que via como pol&iacute;tica imperialista<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>    . Ademais, tinha que explicar a evolu&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas por caminhos que nem sempre havia antecipado.</p>     <p>Morgenthau j&aacute; previra que, apesar dos ideais da Carta, as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas seriam um novo&nbsp;locus&nbsp;da velha diplomacia<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>    , mas a d&eacute;cada de 1950 via confirmada essa percep&ccedil;&atilde;o (&laquo;The    setting is new, but the plot is as old as history&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>    ). A Carta, desenhada por estadistas e n&atilde;o por juristas, mostrava-se    um documento convenientemente flex&iacute;vel, dotado de uma plasticidade que    permitia adapta&ccedil;&otilde;es sem emendas formais<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>    .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O autor tamb&eacute;m identificava uma confirma&ccedil;&atilde;o de suas previs&otilde;es    da primeira edi&ccedil;&atilde;o: na impossibilidade de consenso entre Estados    Unidos e&nbsp;urss, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas ganhavam uma nova fun&ccedil;&atilde;o,    pela qual Washington liderava seus aliados no combate ao comunismo que tentava    expandir-se. O que Morgenthau n&atilde;o previra &eacute; que a Assembleia Geral    &ndash; planejada para ser impotente &ndash; ganharia crescente relevo, por    meio da Resolu&ccedil;&atilde;o 377 (v), &laquo;Unindo pela Paz&raquo;, e agiria    como centro das &laquo;novas Na&ccedil;&otilde;es Unidas&raquo;. Ainda que o    projeto original permanecesse dormente dentro do novo cen&aacute;rio, a Organiza&ccedil;&atilde;o    desempenhava papel relevante ao mitigar os efeitos da Guerra Fria: criava um    ambiente discreto para contatos entre Leste e Oeste em um momento de comunica&ccedil;&otilde;es    limitad&iacute;ssimas; e for&ccedil;ava os Estados Unidos a atenuarem suas pol&iacute;ticas,    a fim de obterem o voto de dois ter&ccedil;os da Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas (agnu), promovendo a cautela t&atilde;o propalada pelos realistas<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>    .</p>     <p>A segunda edi&ccedil;&atilde;o reservou espa&ccedil;o ampliado para as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas. O trecho sobre direito internacional passava a contar com um coment&aacute;rio    sobre a resolu&ccedil;&atilde;o &laquo;Unindo pela Paz&raquo;, considerada inova&ccedil;&atilde;o    constitucional. O cap&iacute;tulo sobre &laquo;mudan&ccedil;a pac&iacute;fica&raquo;    inclu&iacute;a coment&aacute;rios sobre resolu&ccedil;&otilde;es da Assembleia    Geral e do Conselho de Seguran&ccedil;a. A se&ccedil;&atilde;o j&aacute; existente    sobre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas foi expandida para dar conta da evolu&ccedil;&atilde;o    do tema desde 1948<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> .</p>     <p>Muito do agregado na segunda edi&ccedil;&atilde;o foi estruturado de forma    a confirmar as proposi&ccedil;&otilde;es constantes da obra original, mesmo    que Morgenthau n&atilde;o tivesse efetivamente previsto a maneira como as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas expressariam sua plasticidade. Assim, apesar da &oacute;bvia import&acirc;ncia    conferida &agrave; &laquo;Unindo pela Paz&raquo;, seu papel global &eacute;    minimizado pelo fato de que n&atilde;o representaria uma mudan&ccedil;a substantiva    no sistema descentralizado de execu&ccedil;&atilde;o do direito internacional<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>    . Tamb&eacute;m ao passar em revista o &uacute;nico caso de uso da seguran&ccedil;a    coletiva (Guerra da Coreia) e os exerc&iacute;cios de solu&ccedil;&atilde;o    pac&iacute;fica promovidos pela&nbsp;agnu&nbsp;(especialmente Palestina e as    col&ocirc;nias italianas) e pelo&nbsp;csnu&nbsp;(Palestina e Indon&eacute;sia),    o autor procurava apresent&aacute;-los como exemplos em que o equil&iacute;brio    de poder se manifestou por meio da organiza&ccedil;&atilde;o internacional.</p>     <p>A adi&ccedil;&atilde;o de maior f&ocirc;lego era a relativa &agrave; ascens&atilde;o    da&nbsp;agnu&nbsp;e ao impasse que paralisava o&nbsp;csnu. Morgenthau, ap&oacute;s    reorganizar partes de seu texto de 1948, reproduzia quase&nbsp;ipsis litteris&nbsp;o    artigo que publicara meses antes da segunda edi&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>    . Seu argumento, como sugerido acima, era de que a Guerra Fria for&ccedil;ara    uma reorganiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &ndash; a organiza&ccedil;&atilde;o    formal n&atilde;o mais coincidia com o papel realmente desempenhado no cen&aacute;rio    global. Para ele, os Estados Unidos tentavam manter uma alian&ccedil;a que lhes    permitisse controlar dois ter&ccedil;os dos membros, que orbitavam Washington    em diversas esferas conc&ecirc;ntricas, com poucos podendo dar-se ao flerte    com Moscou &ndash; o que para Mazower era um exagero derivado da experi&ecirc;ncia    no in&iacute;cio dos anos 1950<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>    . Mas Morgenthau n&atilde;o p&ocirc;de, afinal, conter sua admira&ccedil;&atilde;o    pelas inova&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, sobretudo o modo    como a velha e a nova diplomacia se interpenetravam e eram igualmente essenciais    para manter o controle estadunidense sobre seus aliados<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>    . Admitia uma complexidade ao fen&ocirc;meno multilateral que seu modelo realista    original n&atilde;o conseguira prever.</p>     <p>Essas avalia&ccedil;&otilde;es ainda muito cr&iacute;ticas de Morgenthau sobre    as Na&ccedil;&otilde;es Unidas eram publicadas ao mesmo tempo em que o autor    se convencia cada vez mais da necessidade de um Estado Mundial que fosse capaz    de conter as amea&ccedil;as inerentes &agrave; &laquo;revolu&ccedil;&atilde;o    termonuclear&raquo;. N&atilde;o conseguia conciliar a urg&ecirc;ncia imperiosa    de constituir uma entidade global com os meios poss&iacute;veis para faz&ecirc;-lo,    que poderiam passar pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>    .</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>MORGENTHAU, HAMMARSKJ&Ouml;LD E AS MUDAN&Ccedil;AS NAS NA&Ccedil;&Otilde;ES    UNIDAS</b></p>     <p>A terceira edi&ccedil;&atilde;o foi gestada &agrave; luz do aumento significativo    do n&uacute;mero de membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (a partir de 1955),    das crises de Suez e da Hungria (1956) e do crescimento em import&acirc;ncia    do secret&aacute;rio-geral, na pessoa de Dag Hammarskj&ouml;ld (1954-1961).</p>     <p>Em 1955, Estados Unidos e&nbsp;urss&nbsp;alcan&ccedil;aram um acordo para desbloquear,    de modo sistem&aacute;tico, o processo de ingresso de novos membros nas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas, o que permitiria, nos anos subsequentes, a entrada de muitos pa&iacute;ses    oriundos da descoloniza&ccedil;&atilde;o, os quais formariam o &laquo;bloco    afro-asi&aacute;tico&raquo;. Morgenthau via o novo agrupamento como um fator    de bloqueio da&nbsp;agnu, porque os Estados Unidos n&atilde;o podiam mais contar    com os dois ter&ccedil;os dos votos, necess&aacute;rios para levar adiante a    press&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre a&nbsp;urss. A interven&ccedil;&atilde;o    multilateral em Suez teria sido um dos &uacute;ltimos suspiros do dom&iacute;nio    estadunidense<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> .</p>     <p>A segunda d&eacute;cada das Na&ccedil;&otilde;es Unidas anunciava, assim, uma    crescente complexifica&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o internacional.    O&nbsp;csnu&nbsp;continuava paralisado, como ficara claro no caso da Hungria,    e a&nbsp;agnufuncionava somente quando havia converg&ecirc;ncia ocasional<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>    . Morgenthau faz pungente invectiva contra o comportamento dos novos estados.    Mostrando um arraigado saudosismo pela diplomacia tradicional e por seus crit&eacute;rios    restritivos de como os estados devem ser definidos<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>    , criticou o nacionalismo do p&oacute;s-guerra como uma pervers&atilde;o b&aacute;rbara,    idealizando o nacionalismo europeu do s&eacute;culo&nbsp;xix. O novo nacionalismo,    em sua opini&atilde;o, s&oacute; contribu&iacute;a para a desintegra&ccedil;&atilde;o    e para o uso instrumental pelas pot&ecirc;ncias comunistas. Ao corroer a influ&ecirc;ncia    dos antigos imp&eacute;rios impedia os estados de entenderem a necessidade de    uni&atilde;o ante a amea&ccedil;a de prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>    .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; nesse cen&aacute;rio que o autor identifica uma transfer&ecirc;ncia    de responsabilidades para o secret&aacute;rio-geral, &laquo;not action delegated,    but inaction concealed&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>    . Os mandatos s&atilde;o dados ao Secretariado porque os &oacute;rg&atilde;os    interestatais n&atilde;o conseguem mais agir. Morgenthau votava profunda admira&ccedil;&atilde;o    pessoal a Hammarskj&ouml;ld, que, por suas qualidades de &laquo;wisdom, skill,    and courage&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> &nbsp;conseguia    valorizar o poder de persuas&atilde;o e valer-se das Na&ccedil;&otilde;es Unidas    como uma for&ccedil;a moral<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>    .</p>     <p>Esses elementos foram usados na terceira edi&ccedil;&atilde;o para reorganizar    o texto de modo a consolidar a perspectiva sobre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas.    Os trechos relativos &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas nas partes sobre    direito internacional e mudan&ccedil;a pac&iacute;fica foram factualmente editados.    O balan&ccedil;o da atua&ccedil;&atilde;o multilateral continuou a ser de desapontamento,    onde os &ecirc;xitos eram vistos como menores ou derivados de circunst&acirc;ncias    fortuitas<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> .</p>     <p>No cap&iacute;tulo dedicado propriamente &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas,    Morgenthau manteve as se&ccedil;&otilde;es dedicadas &agrave; an&aacute;lise    institucional. Valeu-se das discuss&otilde;es j&aacute; publicadas em artigos    para sistematizar seu racioc&iacute;nio sobre a hist&oacute;ria crescentemente    complexa da Organiza&ccedil;&atilde;o: a paralisia do&nbsp;csnu&nbsp;levara    &agrave; ascens&atilde;o da&nbsp;agnu, mas o ingresso de novos membros e a forma&ccedil;&atilde;o    do bloco afro-asi&aacute;tico retiraram a efic&aacute;cia da Assembleia e levaram    &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o de novas tarefas ao secret&aacute;rio-geral.    O cargo passava do &laquo;chief administrative officer&raquo; previsto na Carta    para o de &laquo;chief political agente&raquo;, respons&aacute;vel por transmitir    &laquo;the political voice of mankind&raquo;. Morgenthau deixava claro, por&eacute;m,    que era o esp&iacute;rito de Hammarskj&ouml;ld que permitia esse exerc&iacute;cio    consequente da fun&ccedil;&atilde;o de secret&aacute;rio-geral. Discretamente,    atribu&iacute;a ao secret&aacute;rio-geral um entendimento realista das fraquezas    e limites de seu cargo ao incluir duas longas cita&ccedil;&otilde;es dos not&aacute;veis    relat&oacute;rios anuais de 1955 e 1957<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>    .</p>     <p>O autor continuava a sequer cogitar que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas pudessem    ser um embri&atilde;o de seu Estado Mundial, mas afirmava que &laquo;the little    that has been achieved by the United Nations is better than nothing&raquo;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>    . Ao mesmo tempo, Morgenthau n&atilde;o conseguiu prever a cont&iacute;nua expans&atilde;o    dos membros<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> , nem a crise    constitucional-financeira que assolaria a Organiza&ccedil;&atilde;o na primeira    metade dos anos 1960. Esses temas seriam a base das &uacute;ltimas considera&ccedil;&otilde;es    teoricamente relevantes de Morgenthau sobre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas,    no per&iacute;odo antes da publica&ccedil;&atilde;o da&nbsp;quarta edi&ccedil;&atilde;o,&nbsp;em    1967<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> .</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CRISE DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS E O ESGOTAMENTO&nbsp;&nbsp;</b><b>DA    AN&Aacute;LISE REALISTA DE MORGENTHAU</b></p>     <p>Na d&eacute;cada de 1960, quando j&aacute; preparava sua aposentadoria, Morgenthau    escreveu muito menos sobre as Na&ccedil;&otilde;es Unidas do que em anos anteriores    &ndash; por um lado, a guerra no Vietn&atilde; tornou-se central em seus escritos,    que, seguindo a voca&ccedil;&atilde;o de intelectual p&uacute;blico, passaram    a voltar-se para advertir os Estados Unidos sobre os problemas do conflito.    Por outro, a Organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parecia oferecer mais oportunidades    interpretativas, como as geradas pelas inova&ccedil;&otilde;es constitucionais    dos quinze primeiros anos do p&oacute;s-guerra.</p>     <p>Morgenthau percebera cedo o esgotamento da capacidade de os Estados Unidos    manipularem as maiorias de dois ter&ccedil;os para utilizarem as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas contra a&nbsp;urss,&nbsp; e atribu&iacute;ra a Hammarskj&ouml;ld o f&ocirc;lego    para a&ccedil;&otilde;es efetivas por meio do secret&aacute;rio-geral. Com o    cont&iacute;nuo afluxo de novos membros e a ascens&atilde;o de U-Thant, a organiza&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o conseguia mais produzir solu&ccedil;&otilde;es que contornassem o    jogo de poder tradicional e acabava advogando barganhas temer&aacute;rias com    os sovi&eacute;ticos &ndash; Morgenthau chega a assemelhar a sugest&atilde;o    de U-Thant de transigir com Kruschev ao acordo de Munique de 1938<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>    .</p>     <p>&Eacute; bem verdade que Morgenthau n&atilde;o deixava claro quais a&ccedil;&otilde;es    efetivas esperava das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, embora insistisse que os    pa&iacute;ses do bloco afro-asi&aacute;tico se limitavam a fazer aprovar resolu&ccedil;&otilde;es    puramente declarat&oacute;rias<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>    . Fica-se com a impress&atilde;o de que somente a agenda que convergisse com    a dos Estados Unidos deveria ser vista como produtiva, enquanto as prefer&ecirc;ncias    dos novos estados pela descoloniza&ccedil;&atilde;o eram consideradas como meros    caprichos de pa&iacute;ses que mal se qualificavam para ingressar nas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> .</p>     <p>Enquanto preparava a&nbsp;quarta edi&ccedil;&atilde;o&nbsp;de&nbsp;pen, Morgenthau    lidou com a crise constitucional das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que culminou    em 1964-1965. Naqueles anos, a Organiza&ccedil;&atilde;o esteve amea&ccedil;ada    de uma ruptura grave, caso a&nbsp;urss&nbsp;e a Fran&ccedil;a perdessem seus    votos por n&atilde;o pagarem suas contribui&ccedil;&otilde;es relativas &agrave;    miss&atilde;o de paz no Congo. Afinal, por procedimentos obscuros, inicialmente    evitou-se votar e depois cedeu-se na quest&atilde;o do pagamento. Na interpreta&ccedil;&atilde;o    de Morgenthau, completara-se a&iacute; um ciclo: o&nbsp;csnu&nbsp;paralisado    cedera em 1948 poder &agrave;&nbsp;agnu&nbsp;que, ap&oacute;s 1955, tamb&eacute;m    n&atilde;o conseguia mais tomar decis&otilde;es consequentes e atribu&iacute;ra    responsabilidades ao secret&aacute;rio-geral. Com a crise constitucional, voltava-se    &agrave; primazia do&nbsp;csnu&nbsp;&ndash; que ainda se encontrava paralisado.    De modo condescendente, o autor admitia, por&eacute;m, que as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas ainda desempenham fun&ccedil;&otilde;es ancilares na preven&ccedil;&atilde;o    de um novo conflito global &ndash; e toda ajuda era bem-vinda nesse esfor&ccedil;o<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>    .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As duas &uacute;ltimas edi&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>    &nbsp;trouxeram, na parte relativa &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas, sobretudo    atualiza&ccedil;&otilde;es factuais &ndash; embora Morgenthau anunciasse que    outras partes do livro tivessem sido muito modificadas ante grandes mudan&ccedil;as    como o reconhecimento da China comunista pelos Estados Unidos e o in&iacute;cio    da&nbsp;d&eacute;tente. Nesse contexto, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas s&atilde;o    apresentadas como estando em constante decl&iacute;nio<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>    .</p>     <p>Um importante elemento, que j&aacute; figura na quarta edi&ccedil;&atilde;o    e se consolida na&nbsp;quinta, &eacute; justamente a aceita&ccedil;&atilde;o    da China comunista na comunidade internacional e, a partir de 1971, nas Na&ccedil;&otilde;es    Unidas. Com alguma relut&acirc;ncia, o autor acaba por colocar Pequim quase    no mesmo n&iacute;vel de Washington e Moscou. Atribui &agrave; China a fun&ccedil;&atilde;o    de uma das pot&ecirc;ncias dominantes no&nbsp;csnu&nbsp;e a capacidade de atrair    apoio na&nbsp;agnu, a ponto de prejudicar a influ&ecirc;ncia sovi&eacute;tica<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>    .</p>     <p>Tamb&eacute;m &eacute; incorporada &agrave;s novas edi&ccedil;&otilde;es a    explica&ccedil;&atilde;o desenvolvida em 1964-1965 para a crise constitucional    da Organiza&ccedil;&atilde;o e o desempenho declinante do secret&aacute;rio-geral    ap&oacute;s a morte de Hammarskj&ouml;ld em 1961<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>    &nbsp;&ndash; &laquo;a veritable counterrevolution against the United Nations&raquo;<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>    . Morgenthau mant&eacute;m, por&eacute;m, sua resist&ecirc;ncia a reconhecer    ao &laquo;bloco afro-asi&aacute;tico&raquo; uma agenda pr&oacute;pria e, mesmo,    uma identidade criativa para al&eacute;m do apoio eventual a uma das tr&ecirc;s    grandes pot&ecirc;ncias<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a> .</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>MORGENTHAU,&nbsp;<i>POL&Iacute;TICA ENTRE AS NA&Ccedil;&Otilde;ES</i> E    AS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS EM PERSPECTIVA</b></p>     <p>Apesar de Morgenthau usar a no&ccedil;&atilde;o de interesse como chave para    explicar a realidade internacional e, em particular, as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas, e de sua percep&ccedil;&atilde;o negativa do sistema criado pela Carta,    o autor entendeu cedo que passara a existir uma &laquo;realidade multilateral&raquo;.    Ainda que essa realidade pudesse ser usada como instrumento para proje&ccedil;&atilde;o    dos interesses individuais do Estado (e, por isto, servia bem at&eacute; os    anos 1960 &agrave; pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos), ele n&atilde;o    nega que se articula um espa&ccedil;o diferenciado para a pr&aacute;tica da    diplomacia.</p>     <p>Esse espa&ccedil;o cria fun&ccedil;&otilde;es novas no sistema e presta v&aacute;rios    servi&ccedil;os como aproximar os advers&aacute;rios que, na Guerra Fria, encontravam    obst&aacute;culos para manter os contatos mais simples; servir de instrumento    para lidar com a amea&ccedil;a da destrui&ccedil;&atilde;o do planeta por armas    nucleares; ou limitar conflitos espec&iacute;ficos. Em&nbsp;pen, a grande solu&ccedil;&atilde;o    para a paz &eacute; a diplomacia, o aprendizado das limita&ccedil;&otilde;es    e das acomoda&ccedil;&otilde;es, que s&oacute; pode nascer de conv&iacute;vio.&nbsp;As&nbsp;Na&ccedil;&otilde;es    Unidas criam novos mecanismos de conv&iacute;vio e Morgenthau reconhece isso:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;The contribution the United Nations can make to the preservation    of peace, then, would lie in taking advantage of the opportunity that the coexistence    of the two blocs in the same international organization provides for unobtrusive    use of the techniques of traditional diplomacy&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>    .       <p></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que mais chama aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a an&aacute;lise de que, ao    entrar no jogo multilateral, mesmo as superpot&ecirc;ncias s&atilde;o obrigadas    a argumentar com o que interessa &agrave; maioria. O espa&ccedil;o multilateral    molda o argumento e, em parte, o comportamento<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>    . Isso n&atilde;o elimina o peso do poder nem evita que as pot&ecirc;ncias passem    ao largo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. A Organiza&ccedil;&atilde;o se torna    um dado da realidade e tem de ser levada em considera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Mas a no&ccedil;&atilde;o de interesse como poder cria um bloqueio conceitual.    Ainda que reconhe&ccedil;a que a moralidade tenha efeito limitador no comportamento    dos estados, Morgenthau insiste na tese de que a Organiza&ccedil;&atilde;o em    si n&atilde;o resolve os problemas da paz. Esse bloqueio impede a constru&ccedil;&atilde;o    das hip&oacute;teses de &laquo;sucesso intermedi&aacute;rio&raquo;. Se &eacute;    verdade que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o garantem a paz absoluta,    criam uma moldura de legitimidade e um espa&ccedil;o diplom&aacute;tico para    que as chances de solu&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas frutifiquem. Se n&atilde;o    existe a unidade ideal das grandes pot&ecirc;ncias, base pol&iacute;tica para    a a&ccedil;&atilde;o do&nbsp;csnu, existe uma soma suficiente de argumentos    multilaterais que criam fundamentos para que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas    atuem de forma consequente em temas de paz (e em tantos outros). Esse bloqueio    tamb&eacute;m o impede de pensar outras consequ&ecirc;ncias positivas do sistema    institu&iacute;do na Carta, que permitiu que temas como direitos humanos, desigualdade    social e outros fossem tratados. Ao contr&aacute;rio do que advoga Morgenthau    &ndash; que havia um princ&iacute;pio de justi&ccedil;a, que estaria presente    na Santa Alian&ccedil;a e na Liga<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>    &nbsp;&ndash;, &eacute; poss&iacute;vel argumentar que a Carta cont&eacute;m    v&aacute;rios poss&iacute;veis, como o respeito aos direitos humanos, a solu&ccedil;&atilde;o    pac&iacute;fica de disputas e, mesmo, o desenvolvimento.</p>     <p>A excessiva &ecirc;nfase nas grandes pot&ecirc;ncias limitou a capacidade de    Morgenthau de perceber o car&aacute;ter de agente das pequenas e m&eacute;dias    pot&ecirc;ncias nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, sobretudo os pa&iacute;ses    oriundos da descoloniza&ccedil;&atilde;o. Nesse mesmo sentido, estudou a rela&ccedil;&atilde;o&nbsp;agnu-csnu&nbsp;apenas    no marco das decis&otilde;es sobre amea&ccedil;as &agrave; paz. N&atilde;o conceitualizou    a&nbsp;agnu&nbsp;como capaz de criar uma esp&eacute;cie de circuito ideol&oacute;gico,    necessariamente fundado em outro discurso, mais perto do universalista, que    n&atilde;o determina decis&otilde;es do Conselho, mas as fortalece ou enfraquece    e vai muito al&eacute;m delas, discutindo temas como desenvolvimento e meio    ambiente &ndash; a&iacute; &eacute; o&nbsp;csnu&nbsp;que est&aacute; a reboque,    tentando usurpar (encroach) temas. &Eacute; claro que o discurso criado tem    limites inclusive pela abrang&ecirc;ncia tem&aacute;tica e aus&ecirc;ncia de    um padr&atilde;o que lhe desse valor uniforme.</p>     <p>Outra quest&atilde;o diretamente relacionada &eacute; a disparidade de poder,    que n&atilde;o pode ser resolvida por qualquer arranjo legal, como pretendeu    a Liga. A solu&ccedil;&atilde;o que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas consagram    &eacute;, ao mesmo tempo, mais realista (com o&nbsp;csnu&nbsp;e o veto), e constitui    uma &laquo;monstruosidade legal&raquo; em vista da pretens&atilde;o democr&aacute;tica    da&nbsp;agnu<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a> . A cr&iacute;tica    que Morgenthau faz ao arcabou&ccedil;o institucional e, ao mesmo tempo, aos    princ&iacute;pios que orientariam sua a&ccedil;&atilde;o (abertos, sujeitos    a interpreta&ccedil;&otilde;es) mostra a fragilidade intr&iacute;nseca das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas. O autor estabelece um padr&atilde;o alt&iacute;ssimo para avaliar o    desempenho da Organiza&ccedil;&atilde;o e a reprova por n&atilde;o satisfazer    suas expectativas. A realidade do confronto bipolar mostrava a situa&ccedil;&atilde;o    de paralisia multilateral por &oacute;bvios fatores de disputa de poder &ndash;    mas o tema do desenvolvimento do poder de diferentes &oacute;rg&atilde;os dentro    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &eacute; relegado a uma orfandade te&oacute;rica.    Sobretudo porque os casos de converg&ecirc;ncia entre Estados Unidos e&nbsp;urss&nbsp;s&atilde;o    explicados como eventualidades.</p>     <p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, ent&atilde;o, fugir &agrave; indaga&ccedil;&atilde;o:    se &eacute; t&atilde;o evidente a preval&ecirc;ncia do poder, porque a insist&ecirc;ncia    dos estados nas solu&ccedil;&otilde;es multilaterais? Ainda que marginalmente,    as ideias que embasam as institui&ccedil;&otilde;es multilaterais contempor&acirc;neas    n&atilde;o s&atilde;o arbitr&aacute;rias. Mesmo que, como no caso do&nbsp;csnu,    sirvam ao poder, t&ecirc;m as marcas do tempo, n&atilde;o podem prescindir de    um tributo &agrave; democracia, &agrave; igualdade entre os estados. Isso acaba,    de uma forma ou de outra, por constranger as pot&ecirc;ncias<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>    .</p>     <p>Morgenthau aponta que s&atilde;o os interesses particulares que condicionam    o comportamento dos estados nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Se isto fosse toda    a verdade, o &uacute;nico comportamento racional para os estados, grandes ou    pequenos, seria o do multilateralismo&nbsp;&agrave;&nbsp;la carte<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>    . Morgenthau afirma, em mais de uma ocasi&atilde;o, que, se n&atilde;o for congruente    com os interesses dos Estados Unidos, o processo multilateral deve ser contornado.    O multilateralismo &eacute; visto como uma alternativa estrat&eacute;gica, um    caminho que pode ou n&atilde;o ser adequado a levar adiante um determinado interesse.</p>     <p>O autor n&atilde;o reconhece mas n&atilde;o desenvolve as consequ&ecirc;ncias    de seu argumento: em primeiro lugar, o fato de que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas    criam um&nbsp;locus&nbsp;diferente para o encontro pol&iacute;tico, ainda que    movido &agrave; diplomacia tradicional, induz os estados a determinados comportamentos.    Em segundo lugar, os estados, nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ao defenderem    seu interesse particular, s&atilde;o obrigados a invocar o interesse multilateral,    porque esse &eacute; o disfarce ideol&oacute;gico necess&aacute;rio para avan&ccedil;ar    qualquer tema em um ambiente multilateral<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>    . Como o arcabou&ccedil;o &eacute; permanente e envolve encontros constantes,    o argumento universal comp&otilde;e o quotidiano da institui&ccedil;&atilde;o,    cria-se uma realidade espec&iacute;fica que serve n&atilde;o s&oacute; ao interesse    dos estados individuais (especialmente dos poderosos). O constrangimento para    os poderosos pode, no&nbsp;csnu, ser barrado pelo veto, mas alguma limita&ccedil;&atilde;o    de tipo moral, ainda que n&atilde;o bloqueie comportamentos, existe. O inverso    &eacute; verdadeiro, quando mais universal parecer o interesse das grandes pot&ecirc;ncias,    maior a chance de lev&aacute;-lo adiante, mais legitimidade ter&aacute;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>    . Existe uma parte do sistema internacional que &eacute; territ&oacute;rio da    institui&ccedil;&atilde;o multilateral; pode n&atilde;o ser invocada sempre,    ainda que seja uma op&ccedil;&atilde;o. Oferece uma moldura de legitimidade,    cobrando um pre&ccedil;o quando &eacute; esquecida: as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas n&atilde;o t&ecirc;m o monop&oacute;lio da viol&ecirc;ncia leg&iacute;tima,    mas t&ecirc;m o monop&oacute;lio do ju&iacute;zo sobre a legitimidade da viol&ecirc;ncia.</p>     <p>Morgenthau faleceu antes do fim da Guerra Fria. N&atilde;o poderia sequer imaginar    como as Na&ccedil;&otilde;es Unidas mudariam desde ent&atilde;o, que outras    fun&ccedil;&otilde;es desempenhariam e que o&nbsp;csnu&nbsp;ressurgiria nos    anos 1990 e, depois, voltaria a ser relegado em situa&ccedil;&otilde;es de conflito,    conforme o interesse dos cinco permanentes. Aqui fica evidente o paradoxo da    contribui&ccedil;&atilde;o de&nbsp;pen: se o realismo estava bloqueado para    captar certas tend&ecirc;ncias do sistema, continua inteira a sua li&ccedil;&atilde;o    essencial sobre o que pouco muda, ou seja, o poder como condicionante fundamental    do processo multilateral &ndash; algo que era admitido por Morgenthau nas &uacute;ltimas    edi&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> . De    que modo e com que peso &eacute; o problema aberto, e isto passa a ser o campo    necess&aacute;rio de reflex&atilde;o sobre o multilateralismo de hoje. No extremo    realista, o multilateralismo poderia ser destru&iacute;do, caso as exig&ecirc;ncias    de poder prevale&ccedil;am e a geopol&iacute;tica volte plenamente; no extremo    institucionalista, a vontade de poder encontraria a barreira j&aacute; constitu&iacute;da    pela socializa&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ada na rela&ccedil;&atilde;o entre    estados (a anarquia estaria parcialmente domesticada por normas, regimes, resolu&ccedil;&otilde;es,    &oacute;rg&atilde;os etc.) ou pela necessidade &laquo;objetiva&raquo; de cooperar    em determinadas esferas. O pensamento de Morgenthau n&atilde;o pode ser descartado,    mas n&atilde;o pode ser simplesmente adotado sem qualifica&ccedil;&otilde;es    e ajustes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ABBOTT, K., e&nbsp;SNIDAL, D. &ndash; &laquo;Why states act through formal    international organizations&raquo;. In&nbsp;<i>Journal of Conflict Resolution</i>.&nbsp;Vol.    42, N.&ordm; 1, 1998, pp 3-32.&nbsp;Doi: 10.1177/ 0022002798042001001.</p>     <p>FONSECA&nbsp;JR., G. &ndash;&nbsp;<i>O Interesse e a Regra. Ensaios sobre o    Multilateralismo</i>. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, 2008.</p>     <p>FREI, C. &ndash; &laquo;Politics among Nations: revisiting a classic&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Ethics    &amp; International Affairs</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2016, pp. 39-46.&nbsp;doi:    10.1017/s0892679415000593.</p>     <p>J&Uuml;TERSONKE, Oliver. &ndash;&nbsp;<i>Morgenthau, Law and Realism</i>. Cambridge:    Cambridge University Press, 2010. DOI: 10.1017/cbo9780511780011.</p>     <p>LIPSKY, G. &ndash;&nbsp;<i>Law and Politics in the World Community</i>. Berkeley:    University of California Press, 1953, pp. 112-118.</p>     <p>MAZOWER, M. &ndash;&nbsp;<i>Governing the World: The History of an Idea, 1815    to the Present</i>. Londres: Penguin Books, 2013.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The resurrection of neutrality in Europe&raquo;.    In&nbsp;<i>The American Political Science Review</i>. Vol. 33, N.&ordm; 3, 1939,    pp. 473-486.&nbsp;Doi: 10.2307/1948801.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash; &laquo;Review: were the minorities treaties a failure?&raquo;.    In&nbsp;<i>The Journal of Modern History</i>. Vol. 16, N.&ordm; 3,1944, pp.    236-237.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Purposes and principles of the San Francisco    proposals&raquo;. In&nbsp;<i>The United Nations and the Organization of Peace    and Security</i>. Chicago: University of Chicago Press, 1945.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The Machiavellian utopia&raquo;.&nbsp;In<i>&nbsp;Ethics</i>.    Vol. 55, N.&ordm; 2, 1945, pp.&nbsp;145-147.&nbsp;Doi: 10.1086/290440.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Diplomacy&raquo;. In&nbsp;<i>The&nbsp;Yale    Law Journal</i>. Vol. 55, N.&ordm; 5, 1946, pp.&nbsp;1067-1080.&nbsp;Doi: 10.2307/792754.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Peace, Security &amp; the United Nations</i>.    Chicago: University of Chicago Press, 1946.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review: the international law of the future;    an international bill of the rights of man&raquo;. In<i>&nbsp;The University    of Chicago Law Review</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 1946, pp. 400-402.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations</i>.&nbsp;Nova York:&nbsp;Alfred    A. Knopf,&nbsp;1948.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The problem of sovereignty reconsidered&raquo;.    In&nbsp;<i>Columbia Law Review</i>. Vol. 48, N.&ordm; 3, 1948, pp. 341--365.&nbsp;Doi:    10.2307/1118308.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations: The Struggle for Power    and Peace</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1954.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The new United Nations and the revision    of the Charter&raquo;. In&nbsp;<i>Review of Politics.</i> Vol. 16, N.&ordm;    1, 1954, pp. 3-21.&nbsp;doi: 10.1017/s0034670500002217.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The yardstick of national interest&raquo;.    In&nbsp;<i>The Annals of the American Academy of Political and Social Science.</i>    Vol. 296, 1954, pp. 77-84.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;What can the United States do to strengthen    the United Nations&raquo;. In&nbsp;<i>Foreign Policy Bulletin</i>. 15 de setembro    de 1954.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Is the United Nations in our national    interest?&raquo;. In&nbsp;<i>Foreign Policy Bulletin</i>. 15 de setembro de    1957, pp. 276-278.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The paradoxes of nationalism&raquo;. In&nbsp;<i>The    Yale Review</i>. Vol. 46, N.&ordm; 4, 1957, pp. 481-496.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The new United&nbsp;Nations &ndash; and    what it can&rsquo;t and can&nbsp;do&raquo;. In&nbsp;<i>Commentary</i>. Novembro    de 1958,&nbsp;pp. 375-382.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations: The Struggle for Power    and Peace</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1960.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review: The&nbsp;U.N.&nbsp;and&nbsp;U.S.    foreign policy&raquo;. In&nbsp;<i>The American Political Science Review</i>.    Vol. 55, N.&ordm; 1, 1961, pp. 143--144.&nbsp;Doi: 10.1017/S0003055400124311.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Threat to &ndash; and hope for &ndash;    the&nbsp;U.N.&raquo;. In&nbsp;<i>The New York Times</i>. 29 de outubro de 1961.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The new secretary-general&raquo;. In&nbsp;<i>Commentary    Magazine</i>. 1&nbsp;de janeiro de 1963.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Law, politics and the United Nations&raquo;.    In&nbsp;<i>Commercial Law Journal</i>. Vol. 70, 1965, pp. 121-124.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;UN&nbsp;in crisis&raquo;. In&nbsp;<i>The    New York Review of Books.</i> 25 de mar&ccedil;o de 1965.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;U.N.&nbsp;of Dag Hammarskj&ouml;ld    is dead&raquo;. In&nbsp;<i>The New York Times</i>. 14 de mar&ccedil;o de 1965.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations</i>. Nova York: Pecking    University Press,&nbsp;1967.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review: the elephants and the grass: a    study of nonalignment and the troubled partnership: a reappraisal of the Atlantic    Alliance&raquo;. In&nbsp;<i>Political Science Quarterly</i>. Vol. 82, N.&ordm;    1, 1967, pp.&nbsp;125-126.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations: The Struggle for Power    and Peace</i>.&nbsp;Nova York: Alfred A. Knopf, 1973.</p>     <p>SARDENBERG, R. &ndash; &laquo;Pref&aacute;cio &ndash; Hans Morgenthau: pol&iacute;tica    entre as Na&ccedil;&otilde;es&raquo;. In&nbsp;<i>Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es.</i>    S&atilde;o Paulo: Imprensa Oficial/IPRI/UnB, 2003, pp.&nbsp;XI-XXXVIII.</p>     <p>SEARS,&nbsp;N. &ndash; &laquo;Trump can learn from Morgenthau&rsquo;s 6 principles    of political realism&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The National Interest</i>. 20 de    fevereiro de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://nationalinterest.org/feature/trump-can-learn-morgenthaus6-principles-political-realism19481" target="_blank" rel="noopener">https://nationalinterest.org/feature/trump-can-learn-morgenthaus6-principles-political-realism19481</a>.</p>     <p>SPEER&nbsp;II, J. &ndash; &laquo;Hans Morgenthau and the&nbsp;World State&raquo;.    In&nbsp;<i>World Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 2,&nbsp;1968, pp.&nbsp;207-227.&nbsp;doi:    10.2307/2009796.</p>     <p>WILLIAMS, M. &ndash;&nbsp;<i>Realism Reconsidered: The Legacy of Hans Morgenthau    in International Relations</i>. Oxford: Oxford University Press, 2007.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 17 de abril de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    25 de maio de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Os autores agradecem a Adriana    Tescari, David Clinton, Felix R&ouml;sch, Luiz Feldman, William Scheuermann    e aos funcion&aacute;rios das bibliotecas Antonio Azeredo da Silveira e Dag    Hammarskj&ouml;ld pela assist&ecirc;ncia na prepara&ccedil;&atilde;o deste artigo.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> As opini&otilde;es expressas    s&atilde;o de cunho pessoal e n&atilde;o refletem necessariamente as do Minist&eacute;rio    das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> SEARS,&nbsp;N. &ndash; &laquo;Trump    can learn from Morgenthau&rsquo;s 6 principles of political realism&raquo;.&nbsp;<i>In&nbsp;The    National Interest</i>. 20 de fevereiro de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://nationalinterest.org/feature/trump-can-learn-morgenthaus6-principles-political-realism19481" target="_blank" rel="noopener">https://nationalinterest.org/feature/trump-can-learn-morgenthaus6-principles-political-realism19481</a>.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> SCHEUERMAN, W. &ndash; &laquo;Carl    Schmitt and Hans Morgenthau: Realism and beyond&raquo;. In&nbsp;WILLIAMS, M.    &ndash;&nbsp;<i>Realism Reconsidered: The Legacy of Hans Morgenthau in International    Relations</i>. Oxford: Oxford University Press, 2007, pp. 62-92;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The problem of sovereignty reconsidered&raquo;. In&nbsp;<i>Columbia    Law Review.</i> Vol. 48, N.&ordm; 3, 1948, pp. 341-365.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash; &laquo;Review:    were the minorities treaties a failure?&raquo;. In&nbsp;<i>The&nbsp;Journal    of Modern History.</i> Vol. 16, N.&ordm; 3,1944, pp. 236-237;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;<i>Peace, Security &amp; the United Nations</i>. Chicago:    University of Chicago Press, 1946;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review:    the international law of the future; an international bill of the rights of    man&raquo;. In&nbsp;<i>The University of Chicago Law Review</i>. Vol. 13, N.&ordm;    3, 1946, pp.&nbsp;400-402;&nbsp;J&uuml;tersonke, Oliver. &ndash;&nbsp;<i>Morgenthau,&nbsp;Law    and Realism</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2010;&nbsp;MAZOWER,    M. &ndash;&nbsp;<i>Governing the World: The History of an Idea, 1815 to the    Present</i>. Londres: Penguin Books, 2013;&nbsp;FREI, C. &ndash; &laquo;Politics    among Nations: revisiting a classic&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Ethics &amp; International    Affairs</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2016, pp. 39-46.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    resurrection of neutrality in Europe&raquo;. In&nbsp;<i>The American Political    Science Review</i>. Vol. 33, N.&ordm; 3, 1939, pp. 473-486.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> CRAIG, C. &ndash; &laquo;Hans    Morgenthau and the world state revisited&raquo;.&nbsp;In&nbsp;WILLIAMS, M. &ndash;&nbsp;<i>Realism    Reconsidered: The Legacy of Hans Morgenthau in International Relations</i>.&nbsp;Oxford:    Oxford University Press, 2007, pp.&nbsp;195-215;&nbsp;MAZOWER, M. &ndash;&nbsp;<i>Governing    the World</i>;&nbsp;SARDENBERG, R. &ndash; &laquo;Pref&aacute;cio &ndash; Hans    Morgenthau: pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Pol&iacute;tica    entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Imprensa Oficial/IPRI/UnB,    2003, pp.&nbsp;xi-xxxviii.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    Machiavellian utopia&raquo;. In&nbsp;<i>Ethics.</i> Vol. 55, N.&ordm; 2, 1945,    pp. 145-147;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Purposes and principles    of the San Francisco&nbsp;proposals&raquo;. In&nbsp;<i>The United Nations and    the Organization of Peace and Security</i>. Chicago: University of Chicago Press,    1945.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Diplomacy&raquo;.    In&nbsp;<i>The Yale Law Journal</i>. Vol. 55, N.&ordm; 5, 1946, pp. 1067-1080;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The problem of sovereignty reconsidered&raquo;, pp.    341-365.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>.&nbsp;Nova York:&nbsp;Alfred A. Knopf,&nbsp;1948,&nbsp;pp.    236-242 e 379-387.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Purposes    and principles of the San Francisco proposals&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>&nbsp;(1948), pp. 383-384.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 387;&nbsp;<i>Scheuerman,</i>    W. &ndash;&nbsp;&laquo;Carl Schmitt and Hans Morgenthau&raquo;, pp.&nbsp;62-92.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> CRAIG, C. &ndash; &laquo;Hans    Morgenthau and the world state revisited&raquo;, pp. 195-215.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Diplomacy&raquo;,    pp. 1067-1080.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;What    can the United States do to strengthen the United Nations&raquo;. In&nbsp;<i>Foreign    Policy Bulletin</i>. 15 de setembro de 1954.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new United Nations and the revision of the Charter&raquo;. In&nbsp;<i>Review    of Politics</i>. Vol. 16, N.&ordm; 1, 1954, pp. 3-21.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Political    limitations of the United Nations&raquo;.&nbsp;In&nbsp;LIPSKY, G. &ndash;&nbsp;<i>Law    and Politics in the World Community</i>. Berkeley: University of California    Press, 1953, pp. 112-118;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The new    United Nations and the revision of the Charter&raquo;, pp. 3-21;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;&laquo;What can the United States do to strengthen the United    Nations&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>. Nova York: Alfred A. Knopf,    1954, pp. 279--286, 417-426, 447-465.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 284-286.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new United Nations and the revision of the Charter&raquo;, pp. 3-21.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> MAZOWER, M. &ndash;&nbsp;<i>Governing    the World</i>, p. 248;&nbsp;SARDENBERG, R. &ndash; &laquo;Pref&aacute;cio &ndash;    Hans Morgenthau&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;(1954), pp. 447-465.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> SPEER&nbsp;II, J. &ndash;    &laquo;Hans Morgenthau and the World State&raquo;. In&nbsp;<i>World Politics</i>.    Vol. 20, N.&ordm; 2, 1968, pp.&nbsp;207-227;&nbsp;CRAIG, C. &ndash; &laquo;Hans    Morgenthau and the world state revisited&raquo;, pp. 202-203;&nbsp;SCHEUERMAN,    W. &ndash; &laquo;Carl Schmitt and Hans Morgenthau&raquo;, p. 78.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Is    the United Nations in our national interest?&raquo;. In&nbsp;<i>Foreign Policy    Bulletin</i>. 15 de setembro de 1957, pp. 276-278;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new United Nations &ndash; and what it can&rsquo;t and can do&raquo;. In<i>&nbsp;Commentary</i>.    Novembro de 1958, pp. 375-382;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review:    The&nbsp;U.N.&nbsp;and&nbsp;U.S. foreign policy&raquo;. In&nbsp;<i>The American    Political Science Review</i>. Vol. 55, N.&ordm; 1, 1961, pp. 143-144.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new United Nations &ndash; and what it can&rsquo;t and can do&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> SCHEUERMAN, W. &ndash;    &laquo;Carl Schmitt and Hans Morgenthau&raquo;, pp. P. 62-92.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    paradoxes of nationalism&raquo;. In&nbsp;<i>The Yale Review</i>. Vol. 46,&nbsp;N.&ordm;    4, 1957, pp. 481-496.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new United Nations &ndash; and what it can&rsquo;t and can do&raquo;, p. 379.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new secretary-general&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Commentary Magazine</i>.&nbsp;1    de janeiro de 1963.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Is    the United Nations in our national interest?&raquo;, pp. 276--278;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The new United Nations &ndash; and what it can&rsquo;t    and can do&raquo;, pp. 375-382.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>. Nova York: Alfred A. Knopf,    1960, pp. 307--1, 444-455.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup><i>Ibidem</i><i>,</i> pp.    478-498;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;U.N.&nbsp;of Dag    Hammarskj&ouml;ld is dead&raquo;. In&nbsp;<i>The New York Times</i>. 14 de mar&ccedil;o    de 1965.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;(1960),&nbsp;p. 496.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> No in&iacute;cio de 1960,    as Na&ccedil;&otilde;es Unidas tinham 82 membros, o que Morgenthau j&aacute;    considerava um exagero e sinal do nacionalismo desintegrador (MORGENTHAU, Hans    &ndash;&nbsp;&laquo;The paradoxes of nationalism&raquo;). No final do mesmo    ano, seriam 99 pa&iacute;ses, e 123 antes da publica&ccedil;&atilde;o da 4.&ordf;    edi&ccedil;&atilde;o. Em sua esmagadora maioria, seriam pa&iacute;ses da &Aacute;frica    e da &Aacute;sia, com seus problemas e agendas pr&oacute;prios.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> FREI, C. &ndash; &laquo;Politics    among Nations: revisiting a classic&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    new secretary-general&raquo;;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review:    The&nbsp;U.N.&nbsp;and&nbsp;U.S. foreign policy&raquo;;&nbsp;MORGENTHAU, Hans    &ndash;&nbsp;&laquo;Threat to &ndash; and hope for &ndash; the&nbsp;U.N.&raquo;.    In&nbsp;<i>The New York Times</i>. 29 de outubro de 1961.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Review:    the elephants and the grass: a study of nonalignment and the troubled partnership:    a reappraisal of the Atlantic Alliance&raquo;. In&nbsp;<i>Political Science    Quarterly</i>. Vol. 82, N.&ordm; 1, 1967, pp.&nbsp;125-126.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Law,    politics and the United Nations&raquo;. In&nbsp;<i>Commercial&nbsp;Law Journal</i>.    Vol. 70, 1965, pp. 121-124,&nbsp;p.&nbsp;122;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    paradoxes of nationalism&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;U.N.&nbsp;of    Dag Hammarskj&ouml;ld is dead&raquo;;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;un&nbsp;in    crisis&raquo;. In&nbsp;<i>The New York Review of Books</i>. 25 de mar&ccedil;o    de 1965;&nbsp;<i>Morgenthau,</i> Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Law, politics and    the United Nations&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>. Nova York: Pecking University Press, 1967;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>.    Nova York: Alfred A. Knopf, 1973.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;(1973), pp.&nbsp;vii&nbsp;e&nbsp;ix.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>&nbsp;(1967),&nbsp;pp. 464-465;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;(1973),&nbsp;p. 458.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;U.N.&nbsp;of    Dag Hammarskj&ouml;ld is dead&raquo;;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The&nbsp;UN&nbsp;in    crisis&raquo;;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;Law, politics and the    United Nations&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>&nbsp;(1967),&nbsp;p. 474.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;(1973), p. 466.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 474.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> FONSECA&nbsp;Jr., G. &ndash;&nbsp;<i>O    Interesse e a Regra. Ensaios sobre o Multilateralismo</i>.&nbsp;S&atilde;o Paulo:    Paz e Terra, 2008, pp. 115-207.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>&nbsp;(1948),&nbsp;p. 382.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>&nbsp;(1948);&nbsp;SARDENBERG, R. &ndash; &laquo;Pref&aacute;cio    &ndash; Hans Morgenthau&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Esse argumento n&atilde;o    exclui que, com base em alguns pressupostos realistas, seja uma defesa do&nbsp;interesse&nbsp;em    participar das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais.&nbsp;FONSECA&nbsp;JR.,    G. &ndash;&nbsp;<i>O Interesse e a Regra.&nbsp;</i><i>Ensaios sobre o Multilateralismo</i>,    pp. 116 e seg.;&nbsp;ABBOTT, K., e&nbsp;SNIDAL, D. &ndash; &laquo;Why states    act through formal international organizations&raquo;. In&nbsp;<i>Journal of    Conflict Resolution</i>. Vol. 42, N.&ordm; 1, 1998, pp 3-32.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> O termo, que n&atilde;o    aparece em Morgenthau, parece ter sido cunhado no final dos anos 1990, mas ganhou    notoriedade para descrever a postura do Governo George W. Bush ante as Na&ccedil;&otilde;es    Unidas. De qualquer modo, o&nbsp;&agrave; la carte&nbsp;&eacute; a nega&ccedil;&atilde;o    da pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia do multilateralismo que suporia, em termos    ideais, regras uniformes e compromissos universais.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    yardstick of national interest&raquo;. In<i>&nbsp;The Annals of the American    Academy of Political and Social Science</i>. Vol. 296, 1954, pp. 77-84, p. 80.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> <i>Ibidem</i><i>,</i> p.    83.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;(1973),&nbsp;p. 469.</p>      ]]></body><back>
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