<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992018000200006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.58a06</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As curiosas implicações do realismo de Morgenthau para a doutrina da guerra justa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The striking implications of Morgenthau’s realism for just war theory]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro Tiago]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1 "/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Centro de Filosofia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AA2">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Letras ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>58</numero>
<fpage>83</fpage>
<lpage>92</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992018000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992018000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992018000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O artigo visa expor a visão do realismo clássico, cuja grande figura é Hans Morgenthau, sobre a admissibilidade da guerra enquanto instituição jurídico-política numa era em que a tecnologia permitiu a criação e desenvolvimento de armas nucleares, bem como as implicações que esta visão tem para a doutrina da guerra justa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article aims at expounding the classical realist view – whose figurehead is Hans Morgenthau – on the admissibility of war as a legal-political institution in a period when technology enabled the creation and development of nuclear weapons, as well as the implications of this view for just war theory.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Armas nucleares]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[guerra justa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[realismo clássico]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Hans Morgenthau]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Nuclear weapons]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[just war]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[classical realism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Hans Morgenthau]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>HANS MORGENTHAU E <I>POLITICS AMONG NATIONS</I></b></p>     <p><b>As curiosas implica&ccedil;&otilde;es do realismo de Morgenthau para a doutrina    da guerra justa</b></p>     <p><b>The striking implications of Morgenthau&rsquo;s realism for just war theory</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pedro Tiago Ferreira</b></p>     <p>Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa | Faculdade de Letras da Universidade    de Lisboa &ndash; Alameda da Universidade, 1600-214 Lisboa &ndash; Portugal    | <a href="mailto:pedrotsferreira@yahoo.com">pedrotsferreira@yahoo.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo visa expor a vis&atilde;o do realismo cl&aacute;ssico, cuja grande    figura &eacute; Hans Morgenthau, sobre a admissibilidade da guerra enquanto    institui&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dico-pol&iacute;tica numa era em que a    tecnologia permitiu a cria&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento de armas nucleares,    bem como as implica&ccedil;&otilde;es que esta vis&atilde;o tem para a doutrina    da guerra justa.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Armas nucleares, guerra justa, realismo cl&aacute;ssico,    Hans Morgenthau.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The article aims at expounding the classical realist view &ndash; whose figurehead    is Hans Morgenthau &ndash; on the admissibility of war as a legal-political    institution in a period when technology enabled the creation and development    of nuclear weapons, as well as the implications of this view for just war theory.</p>     <p><b>Keywords</b>: Nuclear weapons; just war; classical realism; Hans Morgenthau.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Segundo Hans Morgenthau, os conceitos de guerra e de paz s&atilde;o ideias    &laquo;b&aacute;sicas para a discuss&atilde;o da pol&iacute;tica mundial nas    d&eacute;cadas finais do s&eacute;culo XX, quando uma acumula&ccedil;&atilde;o    sem precedentes de poder destruidor confere ao problema da paz uma urg&ecirc;ncia    que ele jamais tivera&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>    . A preocupa&ccedil;&atilde;o de Morgenthau com a quest&atilde;o da paz adv&eacute;m    do progresso tecnol&oacute;gico. Por um lado, n&atilde;o &eacute; acidental,    refere Morgenthau, que o surgimento do totalitarismo coincida com o desenvolvimento    de tecnologias modernas nos campos da comunica&ccedil;&atilde;o, dos transportes    e da condu&ccedil;&atilde;o da guerra. Para o autor, estas tecnologias proporcionam    aos governos contempor&acirc;neos ferramentas com as quais passa a ser relativamente    f&aacute;cil penetrar a esfera que a tradi&ccedil;&atilde;o sempre reservou    para o indiv&iacute;duo e a sua liberdade. Com efeito, nota Morgenthau, antes    do advento da era tecnol&oacute;gica, nenhum governo se poderia ter tornado    totalit&aacute;rio devido &agrave; limita&ccedil;&atilde;o dos recursos tecnol&oacute;gicos    at&eacute; ent&atilde;o existentes<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>    ; Hannah Arendt, por seu turno, coloca a propaganda no centro do movimento totalit&aacute;rio:    &laquo;as massas t&ecirc;m de ser conquistadas por meio da propaganda.&raquo;    Contudo, devido ao facto de,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;(s)ob um governo constitucional e havendo liberdade de opini&atilde;o,    os movimentos totalit&aacute;rios que lutam pelo poder pode(re)m usar o terror    somente at&eacute; certo ponto e, como qualquer outro partido, necessita(re)m    granjear aderentes e parecer plaus&iacute;veis aos olhos de um p&uacute;blico    que ainda n&atilde;o est&aacute; rigorosamente isolado de todas as outras fontes    de informa&ccedil;&atilde;o&raquo;,</blockquote>     <p></p>     <p>torna-se necess&aacute;rio, tal como Morgenthau observa, que haja meios tecnol&oacute;gicos    para se disseminar uma propaganda eficaz e, acima de tudo, abrangente. Com efeito,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;(q)uando o totalitarismo det&eacute;m o controle absoluto,    substitui a propaganda pela doutrina&ccedil;&atilde;o e emprega a viol&ecirc;ncia    n&atilde;o mais para assustar o povo (o que s&oacute; &eacute; feito nos est&aacute;gios    iniciais, quando ainda existe a oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica), mas    para dar realidade &agrave;s suas doutrinas ideol&oacute;gicas e &agrave;s suas    mentiras utilit&aacute;rias&raquo;.</blockquote>     <p></p>     <p>No entanto, o caminho para o controlo absoluto passa, em primeira inst&acirc;ncia,    pela propaganda: &laquo;Por existirem num mundo que n&atilde;o &eacute; totalit&aacute;rio,    os movimentos totalit&aacute;rios s&atilde;o for&ccedil;ados a recorrer ao que    comummente chamamos propaganda.&raquo; O requisito da abrang&ecirc;ncia encontra-se    na circunst&acirc;ncia de que a</p>     <p>     <blockquote>&laquo;propaganda &eacute; sempre dirigida a um p&uacute;blico de    fora &ndash; sejam as camadas n&atilde;o totalit&aacute;rias da popula&ccedil;&atilde;o    do pr&oacute;prio pa&iacute;s, sejam os pa&iacute;ses n&atilde;o totalit&aacute;rios    do exterior. Essa &aacute;rea externa &agrave; qual a propaganda totalit&aacute;ria    dirige o seu apelo pode variar grandemente; mesmo depois da tomada do poder,    a propaganda totalit&aacute;ria pode ainda dirigir-se &agrave;queles segmentos    da pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o cuja coordena&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    foi seguida de doutrina&ccedil;&atilde;o suficiente&raquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Ora, tal s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel, como defende Morgenthau, a partir    do surgimento de meios tecnol&oacute;gicos que permitam disseminar a propaganda    de uma forma t&atilde;o abrangente como a que Arendt sugere ser necess&aacute;ria    para que os movimentos totalit&aacute;rios obtenham sucesso. Por este motivo,    poder-se-ia afirmar, tal como Morgenthau o faz, que a liberdade do indiv&iacute;duo,    antes do advento da era tecnol&oacute;gica, se encontrava protegida pela incapacidade    do governo em destru&iacute;-la completamente<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>Por outro lado, o desenvolvimento de armas de destrui&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a,    com especial incid&ecirc;ncia no tocante &agrave;s armas nucleares, provocou    uma mudan&ccedil;a radical no &acirc;mbito da pol&iacute;tica externa dos estados,    visto que, devido ao aparecimento de armas nucleares, os humanos passaram a    ter, pela primeira vez na hist&oacute;ria, os meios t&eacute;cnicos para provocar    a extin&ccedil;&atilde;o total da humanidade<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.    Apesar de, num curto per&iacute;odo da sua carreira, Morgenthau ter defendido    a hip&oacute;tese de se usar meios nucleares limitados<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>,    a subsequente mudan&ccedil;a de ideias, por parte do autor, provocada em grande    medida pela constata&ccedil;&atilde;o de que o recurso a meios nucleares n&atilde;o    &eacute;, simplesmente, limit&aacute;vel<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>,    implica o reconhecimento da sua parte de que o recurso &agrave; guerra enquanto    meio para se fazer pol&iacute;tica<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>    deixou, com o advento das armas nucleares, n&atilde;o s&oacute; de ser uma solu&ccedil;&atilde;o    leg&iacute;tima, tanto de um ponto de vista moral como jur&iacute;dico<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>,    mas principalmente de ser uma op&ccedil;&atilde;o exequ&iacute;vel em termos    sociais e econ&oacute;micos em virtude dos custos alt&iacute;ssimos inerentes    a uma guerra com estas caracter&iacute;sticas<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>,    onde se incluem os elevados custos humanos provocados pelo uso de armas de destrui&ccedil;&atilde;o    maci&ccedil;a<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Com efeito,    qualquer guerra travada nestes moldes mais n&atilde;o seria do que uma vit&oacute;ria    p&iacute;rrica<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Por este    motivo, Morgenthau n&atilde;o hesitou em afirmar, em 1954, que, &agrave; &eacute;poca,    todas as na&ccedil;&otilde;es detinham um interesse comum que transcendia quase    todos os outros, a saber, o de evitar uma guerra geral<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>N&atilde;o obstante os custos elevados das duas guerras mundiais, que, em certos    momentos, chegaram a ser encaradas como guerras totais<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>,    os mesmos n&atilde;o s&atilde;o compar&aacute;veis aos de uma guerra nuclear.    Como o demonstra a Guerra Fria, a amea&ccedil;a nuclear ter&aacute; porventura    funcionado como um deterrente mais eficaz contra o despoletar de uma guerra    geral<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> do que o exemplo fornecido    pelas duas guerras mundiais, cujos custos, longe, apesar de tudo, de poderem    vir a causar a extin&ccedil;&atilde;o da humanidade, n&atilde;o seriam encarados    como proibitivos, o que teria como consequ&ecirc;ncia a manuten&ccedil;&atilde;o    do instituto da guerra como um meio id&oacute;neo de se fazer pol&iacute;tica.    A favor desta posi&ccedil;&atilde;o encontra-se uma observa&ccedil;&atilde;o    de Bertrand Russell, segundo a qual &eacute; necess&aacute;rio, no respeitante    a qualquer guerra, considerar n&atilde;o a sua justifica&ccedil;&atilde;o formal,    obten&iacute;vel atrav&eacute;s do exame a acordos alcan&ccedil;ados no passado,    mas sim a sua justifica&ccedil;&atilde;o real, que s&oacute; pode ser encontrada    no bem que a guerra em quest&atilde;o trar&aacute; &agrave; humanidade<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.    Isto implica que, por n&atilde;o resultar em quaisquer benef&iacute;cios humanit&aacute;rios,    o conflito armado com recurso a armas nucleares &eacute;, em qualquer circunst&acirc;ncia,    inadmiss&iacute;vel. Dir-se-&aacute;, no entanto, que semelhante advert&ecirc;ncia    n&atilde;o tem a capacidade de eliminar a guerra enquanto institui&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica; a mesma deve ser mantida e pass&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o    sempre que, como refere Russell, a sua realiza&ccedil;&atilde;o possa, no c&ocirc;mputo    global, ser ben&eacute;fica para a humanidade. No entanto, para que tal aconte&ccedil;a,    os pressupostos avan&ccedil;ados pela doutrina da guerra justa devem encontrar-se    preenchidos, ou seja, devem respeitar-se os princ&iacute;pios da causa justa,    da proporcionalidade, do &uacute;ltimo recurso e da imunidade dos n&atilde;o    combatentes<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, o advento de armas nucleares n&atilde;o permite a utiliza&ccedil;&atilde;o    da guerra enquanto meio para a prossecu&ccedil;&atilde;o de um determinado objetivo    porque as mesmas n&atilde;o podem ser empregues, dado que inclusive os estados    possuidores de armas nucleares se deparam com a perspetiva de serem completamente    aniquilados por outros estados tecnologicamente equipar&aacute;veis; este cen&aacute;rio    de destrui&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua retira quaisquer benef&iacute;cios    que poderiam ser obtidos atrav&eacute;s do uso da guerra enquanto institui&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>, e, por isso,    a sua manuten&ccedil;&atilde;o dependeria do bom senso dos pr&oacute;prios beligerantes,    que teriam que autoexcluir a sua capacidade nuclear abstendo-se efetivamente    de a usar. Por estes motivos, e tal como veremos na parte final deste estudo,    o realismo disputa a aplicabilidade do racioc&iacute;nio de Russell ao mundo    tal como o conhecemos atualmente, visto que a mera exist&ecirc;ncia de armas    nucleares ser&aacute; suficiente para impedir a produ&ccedil;&atilde;o, por    parte da guerra, de quaisquer benef&iacute;cios.</p>     <p>Ora, o tempo encarregou-se de demonstrar que, em guerras localizadas, seja    pelo n&uacute;mero reduzido de participantes ou pela circunscri&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica das mesmas, continua a ser poss&iacute;vel utilizar a guerra    como forma de se fazer pol&iacute;tica sem se despoletar qualquer cen&aacute;rio    apocal&iacute;ptico de destrui&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>;    sem embargo, os receios de Morgenthau s&atilde;o plenamente fundados e permanecem    atuais, visto que existem s&eacute;rias d&uacute;vidas de que o bom senso evidenciado,    desde Hiroxima at&eacute; ao momento presente, pelas pot&ecirc;ncias nucleares    ao se coibirem de utilizar essa mesma capacidade nuclear no &acirc;mbito dos    conflitos armados em que se t&ecirc;m envolvido<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>,    se manteria caso surgisse, ao inv&eacute;s de conflitos localizados, um conflito    geral. Como observa Gerald Segal, n&atilde;o obstante n&atilde;o ser necess&aacute;rio    encarar a prolifera&ccedil;&atilde;o de armas nucleares como causa de p&acirc;nico,    a mesma ser&aacute; causa de preocupa&ccedil;&atilde;o devido em grande medida    ao perigo de uma guerra catal&iacute;tica, isto &eacute;, de uma guerra resultante    da circunst&acirc;ncia de estados relativamente pequenos, mas possuidores de    armas nucleares, poderem vir a arrastar para o conflito pot&ecirc;ncias maiores,    detentoras de armas mais poderosas<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.    Devido essencialmente a este fator perene de irracionalidade, que mant&eacute;m    o perigo de uma guerra geral com recurso a armas de destrui&ccedil;&atilde;o    maci&ccedil;a como uma espada de D&acirc;mocles sobre a humanidade<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>,    urge pensar a problem&aacute;tica da paz, cuja prem&ecirc;ncia n&atilde;o diminuiu    desde que Morgenthau efetuou a observa&ccedil;&atilde;o citada no in&iacute;cio    deste estudo.</p>     <p>A solu&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada pelo pr&oacute;prio Morgenthau com    o intuito de resolver este problema situa-se na tradi&ccedil;&atilde;o kantiana    de fei&ccedil;&atilde;o cosmopolita<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.    Poder&aacute; &agrave; primeira vista parecer que a solu&ccedil;&atilde;o em    quest&atilde;o se demarca da proposta de Immanuel Kant para se alcan&ccedil;ar    a paz perp&eacute;tua. Como &eacute; sabido, Kant, ao observar que os &laquo;povos,    enquanto Estados, podem considerar-se como homens singulares que, no seu estado    de natureza (isto &eacute;, na independ&ecirc;ncia de leis externas), se prejudicam    uns aos outros j&aacute; pela sua simples coexist&ecirc;ncia&raquo;, sugere    que cada um destes estados, &laquo;em vista da sua seguran&ccedil;a, pode e    deve exigir do outro que entre com ele numa constitui&ccedil;&atilde;o semelhante    &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o civil, na qual se possa garantir a cada    um o seu direito&raquo;. Esta constitui&ccedil;&atilde;o</p>     <p>     <blockquote>&laquo;seria uma federa&ccedil;&atilde;o de povos que, no entanto,    n&atilde;o deveria ser um Estado de povos (&hellip;) porque todo o Estado implica    a rela&ccedil;&atilde;o de um superior (legislador) com um inferior (o que obedece,    a saber, o povo) e muitos povos num Estado viriam a constituir um s&oacute;    povo, o que contradiz o pressuposto (temos de considerar aqui o direito dos    povos nas suas rela&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas enquanto formam Estados    diferentes, que n&atilde;o se devem fundir num s&oacute;)&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>O corol&aacute;rio desta federa&ccedil;&atilde;o seria o alcance da paz perp&eacute;tua    &agrave; escala global. Com efeito, na aus&ecirc;ncia de uma federa&ccedil;&atilde;o    de estados, &laquo;o modo como (estes) perseguem o seu direito nunca pode ser,    como num tribunal externo, o processo, mas apenas a guerra&raquo;; contudo,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;o direito n&atilde;o se pode decidir por meio dela nem pelo    seu resultado favor&aacute;vel, a vit&oacute;ria, e dado que pelo tratado de    paz se p&otilde;e fim a uma guerra determinada, mas n&atilde;o ao estado de    guerra (possibilidade de encontrar um novo pretexto para a guerra, a qual tamb&eacute;m    n&atilde;o se pode declarar como justa, porque em tal situa&ccedil;&atilde;o    cada um &eacute; juiz dos seus pr&oacute;prios assuntos)&raquo;,</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>torna-se necess&aacute;rio estabelecer</p>     <p>     <blockquote>&laquo;uma federa&ccedil;&atilde;o de tipo especial, a que se pode    dar o nome de federa&ccedil;&atilde;o da paz (foedus pacificum), que se distinguiria    do pacto de paz (pactum pacis), uma vez que este tentaria acabar com uma guerra,    ao passo que aquele procuraria p&ocirc;r fim a todas as guerras e para sempre&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Kant defende, por conseguinte, a institui&ccedil;&atilde;o de uma federa&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>    de estados que permaneceriam distintos uns dos outros e soberanos. Morgenthau,    por seu turno, prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado Mundial para    o qual os estados atualmente existentes transfeririam as suas soberanias individuais,    e que, em resultado dessa mesma transfer&ecirc;ncia, passaria a ser t&atilde;o    soberano sobre os estados em quest&atilde;o como estes o s&atilde;o no &acirc;mbito    dos seus pr&oacute;prios territ&oacute;rios<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.    Ora, uma an&aacute;lise mais detida sobre estas ideias de Kant e de Morgenthau    revela que, n&atilde;o obstante a diferen&ccedil;a terminol&oacute;gica empregue    por estes autores, os efeitos produzidos pela hipot&eacute;tica implementa&ccedil;&atilde;o    de cada uma das referidas ideias seriam em tudo semelhantes. As duas propostas    v&atilde;o no sentido de se criar condi&ccedil;&otilde;es para que os diferendos    entre as unidades pol&iacute;ticas contemporaneamente designadas por &laquo;estados&raquo;    passem a ser resolvidos exclusivamente atrav&eacute;s do direito, postergando-se    a for&ccedil;a e eliminando-se a guerra enquanto instituto pol&iacute;tico-jur&iacute;dico.    Isto n&atilde;o significa, naturalmente, que seria totalmente indiferente adotar    a proposta de Kant ou a de Morgenthau, dado que existem diferen&ccedil;as procedimentais    importantes entre ambas, nomeadamente ao n&iacute;vel do controlo pol&iacute;tico    efetuado sobre os governantes por parte dos cidad&atilde;os; dito de outro modo,    n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o absolutamente indiferente viver sob a    soberania de um &uacute;nico Estado, com jurisdi&ccedil;&atilde;o &agrave; escala    mundial, ou sob a soberania de um Estado que faz parte, juntamente com os demais    estados da comunidade internacional, de uma confedera&ccedil;&atilde;o. No entanto,    o principal objetivo que ambos os autores t&ecirc;m em mente, a saber, o de    alcan&ccedil;ar uma paz duradoura, e n&atilde;o meramente contingencial, seria    ating&iacute;vel, em tese, independentemente da configura&ccedil;&atilde;o institucional    adotada. Precisamente por este motivo pode afirmar-se que a proposta de Morgenthau,    de fei&ccedil;&atilde;o cosmopolita, &eacute; neokantiana, n&atilde;o obstante    o autor se ter constantemente insurgido, ao longo da sua obra, contra o neokantismo<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     <p>Morgenthau, contudo, encontra-se ciente de que a proposta por si avan&ccedil;ada    &eacute;, tendo em aten&ccedil;&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es reais existentes    &agrave; &eacute;poca, irrealiz&aacute;vel. Com efeito, a possibilidade de cria&ccedil;&atilde;o    de um Estado Mundial depende, na &oacute;tica de Morgenthau, de uma resposta    afirmativa a cada uma das seguintes quest&otilde;es:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Estar&atilde;o os povos do mundo realmente desejosos de aceitar    um governo mundial, ou pelo menos n&atilde;o t&atilde;o hostis &agrave; id&eacute;ia,    a ponto de erguerem um obst&aacute;culo intranspon&iacute;vel ao seu estabelecimento?    Estariam eles dispostos e capacitados a fazer o que for necess&aacute;rio para    manter de p&eacute; tal governo mundial? Estariam eles dispostos e capacitados    a fazer, ou deixar de fazer, o que um governo mundial deles requer, para poder    cumprir os seus objetivos?&raquo;<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Ora, tal como Morgenthau corretamente nota, as &laquo;respostas (&agrave;s    tr&ecirc;s quest&otilde;es) s&oacute; podem ser negativas&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>,    observa&ccedil;&atilde;o que se mant&eacute;m atual. Na medida em que n&atilde;o    h&aacute; uma sociedade &agrave; escala global capaz de alicer&ccedil;ar um    Estado Mundial<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>, dado que    &laquo;(o) que existe na realidade &eacute; uma sociedade internacional de na&ccedil;&otilde;es    soberanas&raquo;, e n&atilde;o &laquo;uma sociedade supranacional que compreenda    todos os membros individuais de todas as na&ccedil;&otilde;es e que, portanto,    seja id&ecirc;ntica &agrave; humanidade politicamente organizada&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>,    n&atilde;o seria poss&iacute;vel tentar sequer a cria&ccedil;&atilde;o de um    Estado Mundial sem se correr o risco, para utilizar uma express&atilde;o de    Kenneth Waltz, de se endere&ccedil;ar &laquo;um convite para a prepara&ccedil;&atilde;o    da guerra civil mundial&raquo;. O argumento de Waltz &eacute; o seguinte:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;Se os riscos de guerra s&atilde;o insuportavelmente altos,    poder&atilde;o ser reduzidos se se organizar a administra&ccedil;&atilde;o dos    assuntos das na&ccedil;&otilde;es? No m&iacute;nimo, administrar requer que    se controle as for&ccedil;as militares que est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o    dos estados. Dentro das na&ccedil;&otilde;es, as organiza&ccedil;&otilde;es    t&ecirc;m de se esfor&ccedil;ar por sobreviver. Como organiza&ccedil;&otilde;es,    as na&ccedil;&otilde;es, ao trabalharem para sobreviverem, algumas vezes, t&ecirc;m    de usar a for&ccedil;a contra elementos e &aacute;reas dissidentes. Como sistemas    hier&aacute;rquicos, os governos, nacional ou globalmente, s&atilde;o perturbados    pela dissid&ecirc;ncia de partes importantes. Numa sociedade de estados com    pouca coer&ecirc;ncia, as tentativas de um governo mundial seriam fundadas na    incapacidade de uma autoridade central emergente, de mobilizar os recursos necess&aacute;rios    para criar e manter a uni&atilde;o do sistema regulando e administrando as suas    partes. A perspetiva de um governo mundial seria um convite para a prepara&ccedil;&atilde;o    da guerra civil mundial&raquo;<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>A partir dos argumentos de Morgenthau e de Waltz retira-se, portanto, a conclus&atilde;o    de que quaisquer tentativas em for&ccedil;ar a cria&ccedil;&atilde;o de um Estado    Mundial seriam n&atilde;o s&oacute; infrut&iacute;feras, mas tamb&eacute;m nocivas;    com efeito, sem uma sociedade mundial que sirva de base a semelhante Estado,    o mesmo estaria condenado ao insucesso, dando inclusive azo a situa&ccedil;&otilde;es    de conflito armado que, de outra forma, n&atilde;o surgiriam, algo que consubstanciaria    a perfeita ant&iacute;tese daquilo que Morgenthau tem em mente atingir atrav&eacute;s    da sua proposta.</p>     <p>N&atilde;o obstante a inexiquibilidade pol&iacute;tica da sugest&atilde;o de    Morgenthau, a mesma tem o m&eacute;rito filos&oacute;fico de demonstrar, quando    conjugada com a doutrina da guerra justa, que ser&aacute; moralmente ileg&iacute;timo    recorrer &agrave; guerra em quaisquer circunst&acirc;ncias. Tal como resulta    dos argumentos de Morgenthau, a necessidade de cria&ccedil;&atilde;o de um Estado    Mundial adv&eacute;m apenas e s&oacute; da imperatividade de se impedir facticamente    (com o aux&iacute;lio de instrumentos jur&iacute;dicos coercivos) que os estados    recorram &agrave; guerra como instrumento pol&iacute;tico em virtude de os meios    disponibilizados pela tecnologia serem condut&iacute;veis &agrave; aniquila&ccedil;&atilde;o    da humanidade. Isto significa que, enquanto as armas nucleares se encontrarem    dispon&iacute;veis para utiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havendo, com efeito,    quaisquer indica&ccedil;&otilde;es de que as mesmas possam vir a ser integralmente    destru&iacute;das no futuro, n&atilde;o ser&aacute; moralmente leg&iacute;timo    entrar em guerra com outro sujeito de direito internacional mesmo que quem o    considere fazer tenha uma causa justa (e.g., atue em leg&iacute;tima defesa)    ou o fa&ccedil;a como &uacute;ltimo recurso. De facto, se Morgenthau tiver raz&atilde;o,    e o Estado Mundial for o &uacute;nico meio id&oacute;neo para se resolver pacificamente,    atrav&eacute;s do direito, aquilo que o pr&oacute;prio autor famosamente designa    por &laquo;tens&otilde;es&raquo;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>,    evitando-se assim cen&aacute;rios de conflito armado que poder&atilde;o, sem    grande dificuldade, envolver armas nucleares, ent&atilde;o da sua posi&ccedil;&atilde;o    resulta l&oacute;gica e necessariamente que a resolu&ccedil;&atilde;o de tens&otilde;es    por meios n&atilde;o pac&iacute;ficos poder&aacute; com relativa facilidade    conduzir &agrave; infra&ccedil;&atilde;o de dois dos princ&iacute;pios nucleares    da guerra justa, a saber, o da proporcionalidade e o da imunidade dos n&atilde;o    combatentes. Por este motivo, ser&aacute; sempre ileg&iacute;timo recorrer &agrave;    guerra mesmo em situa&ccedil;&otilde;es em que existe uma causa justa, como,    por exemplo, a leg&iacute;tima defesa, e em que tal &eacute; feito como &uacute;ltimo    recurso, devido &agrave; destrutividade dos meios que ser&atilde;o empregues    para, no limite, evitar a captura ou destrui&ccedil;&atilde;o do Estado em quest&atilde;o.    Dito de outro modo, seria prefer&iacute;vel perder uma guerra a defender o Estado    &agrave; beira de uma derrota com recurso a armas nucleares devido ao potencial    destrutivo das mesmas, que consubstanciaria em qualquer circunst&acirc;ncia    um uso desproporcional de for&ccedil;a e um desrespeito pela imunidade dos cidad&atilde;os    n&atilde;o combatentes do Estado inimigo, bem como das demais pessoas a&iacute;    residentes.</p>     <p>Para terminar, gostar&iacute;amos de notar que esta conclus&atilde;o n&atilde;o    deixa de ser curiosa na medida em que oferece uma perspetiva que acarreta uma    invers&atilde;o total da forma como o realismo cl&aacute;ssico, que tem o seu    grande expoente em Morgenthau, &eacute; tradicionalmente encarado pelos seus    cr&iacute;ticos. Sem preju&iacute;zo das v&aacute;rias nuances introduzidas    por autores distintos, o realismo cl&aacute;ssico &eacute; normalmente visto    como sendo amoral ou imoral porque, entre outras coisas, permite a utiliza&ccedil;&atilde;o    da guerra como instrumento para se fazer pol&iacute;tica, isto &eacute;, admite    que os estados possam recorrer a meios n&atilde;o pac&iacute;ficos para alcan&ccedil;arem    os seus desideratos<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Independentemente    do m&eacute;rito destas posi&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o pode aqui ser    discutido<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>, n&atilde;o deixa,    com efeito, de ser intrigante que uma posi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica    frequentemente apelidada de amoral ou imoral desemboque na conclus&atilde;o    de que a viol&ecirc;ncia &eacute; simplesmente inadmiss&iacute;vel enquanto    meio de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos internacionais; de facto, a doutrina    da guerra justa, que tem como pretens&atilde;o movimentar-se dentro de padr&otilde;es    de moralidade tidos por universais, conduz a uma solu&ccedil;&atilde;o diversa,    dado que se alicer&ccedil;a na busca de motivos que justificam o recurso &agrave;    guerra enquanto instrumento jur&iacute;dico-pol&iacute;tico<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.    O realismo vai mais al&eacute;m ao concluir que a guerra n&atilde;o &eacute;    simplesmente aceit&aacute;vel devido ao potencial destrutivo dos meios &agrave;    disposi&ccedil;&atilde;o. Os cultores da doutrina da guerra justa concordar&atilde;o,    seguramente, com os realistas que, na senda de Morgenthau, defendem a inadmissibilidade,    em qualquer circunst&acirc;ncia, do uso de armas nucleares, em virtude de estas    infringirem os princ&iacute;pios da proporcionalidade e da imunidade dos n&atilde;o    combatentes; no entanto, n&atilde;o rejeitam a admissibilidade da guerra, afastando    apenas o uso de certos meios. Cremos que esta circunst&acirc;ncia revela o que    verdadeiramente separa o realismo das demais doutrinas filos&oacute;ficas que    assentam quase exclusivamente na &eacute;tica: as &uacute;ltimas s&atilde;o    idealistas, isto &eacute;, confiam ingenuamente que se pode manter a guerra    enquanto institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e jur&iacute;dica porque,    implicitamente, creem que meios altamente destrutivos como as armas nucleares    n&atilde;o seriam utilizados por l&iacute;deres pol&iacute;ticos em quaisquer    circunst&acirc;ncias. O realismo, por outro lado, n&atilde;o se afasta da &eacute;tica,    tal como esperamos ter demonstrado ao longo deste artigo; o realismo vai, isso    sim, para al&eacute;m da &eacute;tica, tem em aten&ccedil;&atilde;o outros fatores,    alguns contingenciais, outros permanentes, o que conduz os realistas a duvidarem    quanto &agrave; capacidade de os l&iacute;deres pol&iacute;ticos se manterem    racionais no auge de um conflito armado, coibindo-se de usar armas nucleares    em cen&aacute;rios em que tal utiliza&ccedil;&atilde;o se afigure como a &uacute;nica    alternativa id&oacute;nea para evitar a captura ou destrui&ccedil;&atilde;o    do seu Estado. O ceticismo pr&oacute;prio do realismo conduz a uma situa&ccedil;&atilde;o    de desconfian&ccedil;a que leva os realistas a argumentarem que ser&aacute;,    a longo prazo, mais ben&eacute;fico para a humanidade simplesmente desenvolver    mecanismos jur&iacute;dico-institucionais que precluam a guerra em virtude de    n&atilde;o haver quaisquer garantias de que cen&aacute;rios apocal&iacute;pticos    de destrui&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua e total ser&atilde;o evit&aacute;veis    enquanto subsistirem armas nucleares nos arsenais dos beligerantes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AA.VV. &ndash;&nbsp;<i>The Ethics of War</i>. Blackwell, 2006.</p>     <p>ARENDT, Hannah &ndash;&nbsp;<i>As Origens do Totalitarismo</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o.    Lisboa: D. Quixote, 2010.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BERNARD, Vincent &ndash; &laquo;A price too high: rethinking nuclear weapons    in light of their human cost&raquo;. In&nbsp;<i>International Review of the    Red Cross</i>. Vol. 97, N.&ordm; 899, 2015,&nbsp;pp. 499-506.&nbsp;Doi:10.1017/S1816383116000321.</p>     <p>CHAMPION, Jeff &ndash;&nbsp;<i>Pyrrhus of Epirus</i>. Pen and Sword, 2017.</p>     <p>C&Iacute;CERO&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Cicero&rsquo;s Tusculan Disputations</i>.    Edi&ccedil;&atilde;o em latim.&nbsp;Wentworth Press, 2016, Vol.&nbsp;xxi.</p>     <p>CLAUSEWITZ, Carl von &ndash;&nbsp;<i>Vom Kriege</i>.&nbsp;CreateSpace Independent    Publishing Platform, 2016.</p>     <p>COCHRANE, Hal, e&nbsp;MILETI, Dennis &ndash; &laquo;The consequences of nuclear    war: an economic and social perspetive&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The Medical Implications    of Nuclear War.</i> Washington, DC: National Academy Press, 1986.</p>     <p>CRAIG, Campbell &ndash;&nbsp;<i>Glimmer of a New Leviathan</i>. Columbia University    Press, 2003.</p>     <p>J&Uuml;TERSONKE, Oliver &ndash;&nbsp;<i>Morgenthau, Law and Realism</i>. Cambridge:    Cambridge University Press, 2010.</p>     <p>KANT, Immanuel &ndash;&nbsp;<i>A Paz Perp&eacute;tua.</i> Covilh&atilde;: Universidade    da Beira Interior, 2008.</p>     <p>KOHLER, Joseph &ndash; &laquo;Das neue V&ouml;lkerrecht&raquo;. <i>In&nbsp;Zeitschrift    f&uuml;r V&ouml;lkerrecht</i>. Vol.&nbsp;XI, 1916.</p>     <p>KOSKENNIEMI, Martti &ndash;&nbsp;<i>The Gentle Civilizer of Nations</i>. Cambridge    University Press, 2004.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LANGO, John W. &ndash;&nbsp;<i>The Ethics of Armed Conflitct</i>. Edimburgo:    Edinburgh University Press, 2014.</p>     <p>MAY, Larry &ndash;&nbsp;<i>War Crimes and Just War</i>. Cambridge University    Press, 2007.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>La R&eacute;alit&eacute; des Normes: En particulier    des normes du droit international. </i><i>Fondements d&rsquo;une th&eacute;orie    des normes.</i>&nbsp;Paris: Alcan, 1934.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The yardstick of national interest&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Annals    of the American Academy of Political and Social Science</i>. N.&ordm; 296, 1954.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash; &laquo;Has atomic war really become impossible?&raquo;.    In&nbsp;<i>Bulletin of the Atomic Scientists.</i> Vol. 12, N.&ordm; 1, 1956.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash; &laquo;Death in the nuclear age&raquo;. In&nbsp;Commentary,    1961. (Consultado em: 10 de maio de 2018). Dispon&iacute;vel em:&nbsp;<a href="https://www.commentarymagazine.com/articles/death-in-the-nuclear-age/" target="_blank" rel="noopener">https://www.commentarymagazine.com/articles/death-in-the-nuclear-age/</a>.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Science: Servant or Master?.</i>&nbsp;Nova    York: New American Library, 1972.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>A Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es.&nbsp;</i>S&atilde;o    Paulo: UNB, 2003.</p>     <p>MURRAY, A. J. H. &ndash; &laquo;The moral politics of Hans Morgenthau&raquo;.    In&nbsp;<i>The Review of Politics</i>. Vol. 58, N.&ordm; 1, 1996.</p>     <p>NEACSU, Mihaela &ndash;&nbsp;<i>Hans J. Morgenthau&rsquo;s Theory of International    Relations</i>. Nova York: Palgrave MacMillan, 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>R&Ouml;SCH, Felix &ndash;&nbsp;<i>Power, Knowledge and Dissent in Morgenthau&rsquo;s    Worldview</i>. Nova York: Palgrave MacMillan, 2016.</p>     <p>RUSSELL, Bertrand &ndash;&nbsp;&laquo;The ethics of war&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>International    Journal of Ethics</i>. Vol. 25, N.&ordm; 2, 1915.</p>     <p>SEGAL, Gerald &ndash;&nbsp;&laquo;Strategy and survival&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Nuclear    War and Nuclear Peace</i>. Londres: MacMillan, 1983.</p>     <p>WALSH, David M. &ndash;&nbsp;<i>The Military Balance in the Cold War</i>.&nbsp;Londres-Nova    York: Routledge, 2008.</p>     <p>WALTZ, Kenneth &ndash;&nbsp;<i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais.</i>    Gradiva, 2002.</p>     <p>WALZER, Michael &ndash;&nbsp;<i>Just and Unjust Wars. </i>5.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o.    Basic Books, 2015.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 5 de abril de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    30 de maio de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>A    Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>.&nbsp;S&atilde;o Paulo: UNB,    2003,&nbsp; pp. 44-45.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Science:    Servant or Master?</i>.&nbsp;Nova York: New American Library, 1972, p. 80.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> ARENDT, Hannah &ndash;&nbsp;<i>As    Origens do Totalitarismo</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: D. Quixote,    2010, pp. 451-453.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Science:    Servant or Master?, </i>p. 80.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> R&Ouml;SCH, Felix &ndash;&nbsp;<i>Power,    Knowledge and Dissent in Morgenthau&rsquo;s Worldview</i>. Nova York: Palgrave    MacMillan, 2016, p. 115.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> O argumento &eacute; desenvolvido    a prop&oacute;sito da putativa conduta a adotar pelos Estados Unidos no &acirc;mbito    da Guerra Fria com a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica.&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;    &laquo;Has atomic war really become impossible?&raquo;. In&nbsp;<i>Bulletin    of the Atomic Scientists</i>. Vol. 12, N.&ordm; 1, 1956, p. 9. Tal como observado    por Campbell Craig, o per&iacute;odo entre 1955 e 1957, no qual Morgenthau defendeu,    simultaneamente, a exist&ecirc;ncia de uma revolu&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica    ocasionada pela Cimeira de Genebra de 1955, a necessidade de os Estados Unidos    aumentarem a sua postura de confronto perante a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica,    e a execu&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de guerra nuclear limitada,    consiste na fase em que as inconsist&ecirc;ncias no pensamento de Morgenthau    atingiram o seu auge, dado que o autor contraria algumas das posi&ccedil;&otilde;es    te&oacute;ricas por si desenvolvidas no &acirc;mbito do realismo antes deste    per&iacute;odo, e &agrave;s quais haveria, posteriormente, de regressar.&nbsp;CRAIG,    Campbell &ndash;&nbsp;<i>Glimmer of a New Leviathan</i>. Columbia University    Press, 2003,&nbsp;pp. 98-100, 103 e 114.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash; &laquo;Death    in the nuclear age&raquo;. In&nbsp;<i>Commentary</i>, 1961. (Consultado em:    10 de maio de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.commentarymagazine.com/articles/death-in-the-nuclear-age/" target="_blank" rel="noopener">https://www.commentarymagazine.com/articles/death-in-the-nuclear-age/</a>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Quanto &agrave; quest&atilde;o    de a guerra ser um meio de se fazer pol&iacute;tica, cf.&nbsp;CLAUSEWITZ, Carl    von &ndash;&nbsp;<i>Vom Kriege</i>. CreateSpace Independent Publishing Platform,    2016, p. 14.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Para uma panor&acirc;mica    hist&oacute;rica sobre a doutrina da guerra justa, incluindo as suas vertentes    moral e jur&iacute;dica, cf. AA.VV. &ndash;&nbsp;<i>The Ethics of War</i>. Blackwell,    2006.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Sobre os custos sociais    e econ&oacute;micos resultantes da utiliza&ccedil;&atilde;o de armas nucleares,    cf.&nbsp;COCHRANE, Hal, e&nbsp;MILETI, Dennis &ndash; &laquo;The consequences    of nuclear war: an economic and social perspetive&raquo;. In&nbsp;<i>The Medical    Implications of Nuclear War</i>. Washington, DC: National Academy Press, 1986,    pp. 381-409.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Sobre o custo humano proveniente    do uso de armas nucleares, que se faz sentir inclusive quando as mesmas s&atilde;o    somente testadas, cf.&nbsp;BERNARD, Vincent &ndash; &laquo;A price too high:    rethinking nuclear weapons in light of their human cost&raquo;. In&nbsp;<i>International    Review of the Red Cross</i>. Vol. 97, N.&ordm; 899, 2015, pp. 499-506.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Sobre a origem e significado    da express&atilde;o, bem como acerca da vida do rei Pirro, cf.&nbsp;CHAMPION,    Jeff &ndash;&nbsp;<i>Pyrrhus of Epirus.</i> Pen and Sword, 2017.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;&laquo;The    yardstick of national interest&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Annals of the American    Academy of Political and Social Science</i>. N.&ordm; 296, 1954, p. 83.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Joseph Kohler, por exemplo,    num texto contempor&acirc;neo da Primeira Guerra Mundial, adjetiva, atrav&eacute;s    do termo&nbsp;Wirtschaftskrieg, a conduta dos brit&acirc;nicos no seu esfor&ccedil;o    de guerra, dado que estes, segundo Kohler, n&atilde;o se coibiam de atacar civis,    violando frontalmente um dos princ&iacute;pios da guerra justa, a saber, o da    imunidade dos n&atilde;o combatentes.&nbsp;Cf&nbsp;KOHLER, Joseph &ndash; &laquo;Das    neue V&ouml;lkerrecht&raquo;. In&nbsp;<i>Zeitschrift f&uuml;r V&ouml;lkerrecht</i>.&nbsp;Vol.&nbsp;XI,    1916, p. 7. Sobre o princ&iacute;pio da imunidade dos n&atilde;o combatentes    cf.&nbsp;WALZER, Michael &ndash;&nbsp;<i>Just and Unjust Wars</i>. 5.&ordf;    edi&ccedil;&atilde;o. Basic Books, 2015, pp. 138-159.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Uma hipot&eacute;tica guerra    geral seria, naturalmente, consequ&ecirc;ncia da entrada em cena dos estados    aliados quer dos Estados Unidos, quer da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, no caso    de deflagrar um conflito armado entre estes dois estados, que eram os principais    atores da Guerra Fria. Sobre o equil&iacute;brio militar entre os Estados Unidos    e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e o papel das armas nucleares no desenrolar    da Guerra Fria cf.&nbsp;WALSH, David M. &ndash;&nbsp;<i>The Military Balance    in the Cold War</i>. Londres-Nova York: Routledge, 2008.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> RUSSELL, Bertrand &ndash;&nbsp;&laquo;The    ethics of&nbsp;war&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>International Journal of Ethics</i>.    Vol. 25, N.&ordm; 2, 1915, p. 130.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Sobre estes princ&iacute;pios    cf.&nbsp;LANGO, John W. &ndash;&nbsp;<i>The Ethics of Armed Conflitct</i>. Edimburgo:    Edinburgh University Press, 2014.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> R&Ouml;SCH, Felix. &ndash;&nbsp;<i>Power,    Knowledge and Dissent in Morgenthau&rsquo;s Worldview</i>, p. 116.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Com efeito, na era nuclear    os pa&iacute;ses desenvolvidos e as superpot&ecirc;ncias t&ecirc;m-se envolvido    menos em situa&ccedil;&otilde;es de conflito armado do que os pa&iacute;ses    em vias de desenvolvimento.&nbsp;SEGAL, Gerald &ndash;&nbsp;&laquo;Strategy    and survival&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Nuclear War and Nuclear Peace</i>. Londres:    MacMillan, 1983, p. 31.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> De notar que, desde 1945    at&eacute; ao presente, a esmagadora maioria dos conflitos armados foi ou entre    estados que n&atilde;o s&atilde;o pot&ecirc;ncias nucleares, ou entre estados    que s&atilde;o pot&ecirc;ncias nucleares e estados que n&atilde;o o s&atilde;o.    No entanto, duas pot&ecirc;ncias nucleares, &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o,    envolveram-se num conflito armado, que ficou conhecido por &laquo;Conflito de    Kargil&raquo;. Para al&eacute;m disso, a Coreia do Norte e os Estados Unidos    continuam tecnicamente em estado de guerra, embora n&atilde;o se tenham registado    conflitos armados entre os dois pa&iacute;ses desde que ambos se tornaram pot&ecirc;ncias    nucleares.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> SEGAL, Gerald &ndash;&nbsp;&laquo;Strategy    and survival&raquo;, p. 31.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Sobre a espada de D&acirc;mocles    cf.&nbsp;C&Iacute;CERO&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Cicero&rsquo;s Tusculan Disputations.</i>    Edi&ccedil;&atilde;o em latim. Wentworth Press, 2016, vol.&nbsp;XXI, pp. 61-62.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Esta situa&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o deixa de ser curiosa na medida em que Morgenthau demonstra, em v&aacute;rios    passos da sua obra, uma certa avers&atilde;o a posi&ccedil;&otilde;es neokantianas.&nbsp;<br />   A t&iacute;tulo meramente exemplificativo, Oliver J&uuml;tersonke observa que    Morgenthau, na senda de Arthur Baumgarten, considera que a distin&ccedil;&atilde;o    clara entre &laquo;ser&raquo; e &laquo;dever-ser&raquo;, central para o neokantismo    e para o trabalho, entre outros, de Hans&nbsp;Kelsen, &eacute; algo que n&atilde;o    produz frutos.&nbsp;J&Uuml;TERSONKE, Oliver &ndash;&nbsp;<i>Morgenthau, Law    and Realism</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2010, p. 87. Para al&eacute;m    disto, Morgenthau argumenta que o neokantismo &eacute; a express&atilde;o fiel    da decad&ecirc;ncia do pensamento filos&oacute;fico nas universidades alem&atilde;s    verificada no final do s&eacute;culo&nbsp;XIX. Cf.&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>La    R&eacute;alit&eacute; des Normes: En particulier des normes du droit international.    Fondements d&rsquo;une th&eacute;orie des normes</i>.&nbsp;Paris: Alcan, 1934,    p.&nbsp;XI&nbsp;<i>apud</i>&nbsp;KOSKENNIEMI, Martti &ndash;&nbsp;<i>The Gentle    Civilizer of Nations</i>. Cambridge University Press, 2004, p. 455.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> KANT, Immanuel &ndash;&nbsp;<i>A    Paz Perp&eacute;tua</i>. Covilh&atilde;: Universidade da Beira Interior, 2008,    pp. 15-16.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> KANT, Immanuel &ndash;&nbsp;<i>A    Paz Perp&eacute;tua</i>,&nbsp;pp. 17-18.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> De real&ccedil;ar que,    no final do s&eacute;culo&nbsp;xviii, os termos &laquo;federa&ccedil;&atilde;o&raquo;    e &laquo;confedera&ccedil;&atilde;o&raquo; eram habitualmente usados sinonimicamente    com o intuito de designar o conceito ao qual, contemporaneamente, se faz refer&ecirc;ncia    atrav&eacute;s do termo &laquo;confedera&ccedil;&atilde;o&raquo;. Isto &eacute;    not&oacute;rio n&atilde;o s&oacute; nos textos de Kant que lidam com esta quest&atilde;o,    mas tamb&eacute;m em textos de outros quadrantes, como, por exemplo,&nbsp;<i>The    Federalist Papers</i>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> &laquo;A experi&ecirc;ncia    de duas guerras mundiais no espa&ccedil;o de um quarto de s&eacute;culo, aliada    &agrave; perspetiva de uma terceira que seria travada com armas nucleares, muito    contribuiu para conferir uma urg&ecirc;ncia sem precedentes &agrave; conce&ccedil;&atilde;o    de um Estado Mundial. De acordo com esse ponto de vista, aquilo de que se precisa    para salvar o mundo da autodestrui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; a limita&ccedil;&atilde;o    do exerc&iacute;cio da soberania nacional, por meio de obriga&ccedil;&otilde;es    e institui&ccedil;&otilde;es internacionais, mas sim a transfer&ecirc;ncia das    soberanias das na&ccedil;&otilde;es individuais em favor de uma autoridade mundial,    a qual passaria a ser t&atilde;o soberana sobre estas, como elas o s&atilde;o    dentro de seus territ&oacute;rios respetivos.&raquo;&nbsp;MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>A    Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>, p. 906.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Tendo em aten&ccedil;&atilde;o    o referido&nbsp;supra, nota 23, poder-se-&aacute; defender que Morgenthau se    op&otilde;e somente a certas vertentes do neokantismo (e.g., a divis&atilde;o    r&iacute;gida entre &laquo;ser&raquo; e &laquo;dever-ser&raquo;), mas n&atilde;o    necessariamente &agrave;s ideias pol&iacute;ticas de Kant. Com efeito, as tend&ecirc;ncias    cosmopolitas dos dois autores aproximam&nbsp;Morgenthau de Kant no tocante a    quest&otilde;es pol&iacute;tico-filos&oacute;ficas, ainda que, em refer&ecirc;ncia    a outros aspetos filos&oacute;ficos, Morgenthau fosse decididamente antikantiano.    Para um argumento a favor do cosmopolitismo de Morgenthau cf. MURRAY, A. J.    H. &ndash; &laquo;The moral politics of Hans Morgenthau&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>The    Review of Politics.</i> Vol. 58, N.&ordm; 1, 1996.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>A    Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>, p. 923.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 923.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> A tradu&ccedil;&atilde;o    desta passagem &eacute; a seguinte: &laquo;Nenhuma sociedade pode perdurar se    tiver de coexistir com o presumido &acirc;mbito de poder de um Estado Mundial.&raquo;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;<i>A Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es,</i> p.    923. O original &eacute; o seguinte: &laquo;No society exists coextensive with    the presumed range of a world state.&raquo; (MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>Politics    among Nations</i>. 7.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Caled&oacute;nia: McGraw-Hill    Education, 2005, p. 514.&nbsp;&Eacute; por de&nbsp;mais evidente que a tradu&ccedil;&atilde;o    se encontra errada, dado que transmite uma ideia totalmente distinta (e arbitr&aacute;ria)    da intencionada por Morgenthau.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> MORGENTHAU, Hans &ndash;&nbsp;<i>A    Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>, p. 923.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> WALTZ, Kenneth &ndash;&nbsp;<i>Teoria    das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. Gradiva, 2002,&nbsp;p. 156.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> &laquo;As controv&eacute;rsias    sobre altera&ccedil;&otilde;es do&nbsp;status quo&nbsp;n&atilde;o s&oacute;    deixaram de ser apresentadas aos tribunais, como geralmente nem sequer foram    formuladas em termos legais (...). Na base das disputas que envolvem o risco    de guerra, existe sempre uma tens&atilde;o entre o desejo de preservar a distribui&ccedil;&atilde;o    de poder ent&atilde;o prevalecente e a vontade de derrub&aacute;-la. Tais apetites    conflitantes (...) s&atilde;o raramente expressos nos termos apropriados &ndash;    os termos de poder &ndash;, mas normalmente enunciados sob a forma de elevados    princ&iacute;pios morais e legais. Os temos sobre os quais discursam os representantes    dos pa&iacute;ses s&atilde;o princ&iacute;pios morais e pleitos legais, mas    sua fala se refere na verdade aos conflitos de poder. Pretendemos tratar os    conflitos de poder n&atilde;o formulados como &ldquo;tens&otilde;es&rdquo; e    chamar os conflitos expressos em termos legais como &ldquo;disputas&rdquo;.&raquo;&nbsp;MORGENTHAU,    Hans &ndash;&nbsp;<i>A Pol&iacute;tica entre as Na&ccedil;&otilde;es</i>, pp.    807-808.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> NEACSU, Mihaela &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau&rsquo;s Theory of International Relations</i>. Nova York: Palgrave    MacMillan, 2009, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> A obra de Neacsu, mencionada    na nota anterior, tem como principal objetivo refutar a conce&ccedil;&atilde;o    de que o realismo de Morgenthau &eacute; amoral ou imoral.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> A an&aacute;lise detalhada    dos princ&iacute;pios da guerra justa efetuada por&nbsp;Larry May, por exemplo,    consubstancia uma procura de legitima&ccedil;&atilde;o moral de atos de viol&ecirc;ncia    praticados no seio da guerra, nomeadamente atrav&eacute;s da delimita&ccedil;&atilde;o    de atos que constituem crimes de guerra por oposi&ccedil;&atilde;o a atos violentos    l&iacute;citos (juridicamente) e leg&iacute;timos (moralmente). Tal como a esmagadora    maioria dos autores que se debru&ccedil;a sobre a tradi&ccedil;&atilde;o da    guerra justa, May discute quest&otilde;es relacionadas com as armas nucleares    sem, contudo, vislumbrar, ou sequer sugerir, que a mera exist&ecirc;ncia das    mesmas poderia, porventura, ser condi&ccedil;&atilde;o suficiente para uma proibi&ccedil;&atilde;o    (moral e jur&iacute;dica)&nbsp;in toto&nbsp;da guerra, sem quaisquer exce&ccedil;&otilde;es    ou causas de justifica&ccedil;&atilde;o. Cf.&nbsp;MAY, Larry &ndash;&nbsp;<i>War    Crimes and Just War.</i> Cambridge University Press, 2007.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[VV.]]></surname>
<given-names><![CDATA[AA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Ethics of War]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-name><![CDATA[Blackwell]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ARENDT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hannah]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As Origens do Totalitarismo]]></source>
<year>2010</year>
<edition>4</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BERNARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vincent]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A price too high: rethinking nuclear weapons in light of their human cost]]></article-title>
<source><![CDATA[International Review of the Red Cross]]></source>
<year>2015</year>
<volume>97</volume>
<numero>899</numero>
<issue>899</issue>
<page-range>499-506</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CHAMPION]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jeff]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Pyrrhus of Epirus]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-name><![CDATA[Pen and Sword]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CÍCERO]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[– Cicero’s Tusculan Disputations]]></source>
<year>2016</year>
<volume>xxi</volume>
<publisher-name><![CDATA[Wentworth Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CLAUSEWITZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carl von]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vom Kriege]]></source>
<year>2016</year>
<publisher-name><![CDATA[CreateSpace Independent Publishing Platform]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COCHRANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hal]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MILETI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dennis]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The consequences of nuclear war: an economic and social perspetive]]></article-title>
<source><![CDATA[The Medical Implications of Nuclear War]]></source>
<year>1986</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington^eDC DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Academy Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CRAIG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Campbell]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Glimmer of a New Leviathan]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JÜTERSONKE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Oliver]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Morgenthau, Law and Realism]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KANT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Immanuel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Paz Perpétua]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Covilhã ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade da Beira Interior]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KOHLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joseph]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Das neue Völkerrecht]]></article-title>
<source><![CDATA[Zeitschrift für Völkerrecht]]></source>
<year>1916</year>
<volume>XI</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KOSKENNIEMI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Martti]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Gentle Civilizer of Nations]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LANGO]]></surname>
<given-names><![CDATA[John W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Ethics of Armed Conflitct]]></source>
<year>2014</year>
<publisher-loc><![CDATA[Edimburgo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edinburgh University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Larry]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[War Crimes and Just War]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hans]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La Réalité des Normes: En particulier des normes du droit international. Fondements d’une théorie des normes]]></source>
<year>1934</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Alcan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hans]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The yardstick of national interest]]></article-title>
<source><![CDATA[Annals of the American Academy of Political and Social Science]]></source>
<year>1954</year>
<numero>296</numero>
<issue>296</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hans]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Has atomic war really become impossible?]]></article-title>
<source><![CDATA[Bulletin of the Atomic Scientists]]></source>
<year>1956</year>
<volume>12</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hans]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Science: Servant or Master?]]></source>
<year>1972</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[New American Library]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hans]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Política entre as Nações]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UNB]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MURRAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. J. H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The moral politics of Hans Morgenthau]]></article-title>
<source><![CDATA[The Review of Politics]]></source>
<year>1996</year>
<volume>58</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NEACSU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mihaela]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Hans J. Morgenthau’s Theory of International Relations]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave MacMillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RÖSCH]]></surname>
<given-names><![CDATA[Felix]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Power, Knowledge and Dissent in Morgenthau’s Worldview]]></source>
<year>2016</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave MacMillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RUSSELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bertrand]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The ethics of war]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Ethics]]></source>
<year>1915</year>
<volume>25</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SEGAL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gerald]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Strategy and survival]]></article-title>
<source><![CDATA[Nuclear War and Nuclear Peace]]></source>
<year>1983</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MacMillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALSH]]></surname>
<given-names><![CDATA[David M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Military Balance in the Cold War]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres-Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALTZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Kenneth]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teoria das Relações Internacionais]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-name><![CDATA[Gradiva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALZER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michael]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Just and Unjust Wars]]></source>
<year>2015</year>
<edition>5</edition>
<publisher-name><![CDATA[Basic Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
