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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O problema da teoria em Morgenthau e Waltz: Realismo(s), delimitações e crescimento científico em relações internacionais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Hans J. Morgenthau’s magnum opus, Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace, first published in 1948, has exercised a determining influence not only in the development of the realist paradigm, but most importantly in the scientific autonomy of the field of International Relations in the 20th century. This article explores Morgenthau’s main propositions, confronts them with Kenneth N. Waltz’s own theoretical hypotheses and criticism, and concludes that the rediscovery of Thucydides’s complex realism may help to surmount methodological dead-ends, bringing about necessary theoretical bridges and somewhat more productive syntheses.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>HANS MORGENTHAU E <I>POLITICS AMONG NATIONS</I></b></p>     <p><b>O problema da teoria em Morgenthau e Waltz: Realismo(s), delimita&ccedil;&otilde;es    e crescimento cient&iacute;fico em rela&ccedil;&otilde;es internacionais</b></p>     <p><b>The problem of theory-building in Morgenthau and Waltz: realism, demarcations,    and scientific growth in international relations</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lu&iacute;s Lobo-Fernandes</b></p>     <p>Universidade do Minho | Campus de Gualtar, 4710-057 Braga | <a href="mailto:luislobo@eeg.uminho.pt">luislobo@eeg.uminho.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O <i>magnum opus</i> de Hans J. Morgenthau, <i>Politics among Nations: The    Struggle for Power and Peace</i>, publicado em 1948, exerceu uma influ&ecirc;ncia    determinante n&atilde;o s&oacute; na consolida&ccedil;&atilde;o do paradigma    realista, mas tamb&eacute;m na expans&atilde;o da pr&oacute;pria autonomia disciplinar    das rela&ccedil;&otilde;es internacionais no s&eacute;culo xx. O artigo percorre    as principais proposi&ccedil;&otilde;es de Morgenthau, confrontando-as com as    observa&ccedil;&otilde;es e a cr&iacute;tica ulterior de Kenneth N. Waltz, concluindo    que a redescoberta do realismo complexo de Tuc&iacute;dides pode ajudar a clarificar    os enredos metodol&oacute;gicos no seio do realismo e a estabelecer necess&aacute;rias    pontes te&oacute;ricas e eventualmente s&iacute;nteses mais produtivas.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Hans Morgenthau, Kenneth Waltz, realismo complexo, crescimento    cient&iacute;fico em rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Hans J. Morgenthau&rsquo;s <i>magnum opus</i>, <i>Politics among Nations: The    Struggle for Power and Peace,</i> first published in 1948, has exercised a determining    influence not only in the development of the realist paradigm, but most importantly    in the scientific autonomy of the field of International Relations in the 20th    century. This article explores Morgenthau&rsquo;s main propositions, confronts    them with Kenneth N. Waltz&rsquo;s own theoretical hypotheses and criticism,    and concludes that the rediscovery of Thucydides&rsquo;s complex realism may    help to surmount methodological dead-ends, bringing about necessary theoretical    bridges and somewhat more productive syntheses.</p>     <p><b>Keywords</b>: Hans Morgenthau, Kenneth Waltz, complex realism, scientific    growth in the field of international relations.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Numa importante publica&ccedil;&atilde;o datada de 1955, Philip Quincy Wright    (1890-1970) referia que as rela&ccedil;&otilde;es internacionais eram uma disciplina    em &laquo;processo de forma&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>    . A parte mais conclusiva do livro, intitulada &laquo;Toward a unified discipline    of international relations&raquo;, cont&eacute;m um esbo&ccedil;o do que o professor    Wright esperava vir a ser a evolu&ccedil;&atilde;o mais interessante da disciplina,    nomeadamente em termos da &laquo;forma&raquo; que deveria tomar. Um dom&iacute;nio    do conhecimento definido pelas&nbsp;<i>rela&ccedil;&otilde;es</i>&nbsp;no plano    internacional entre &laquo;entidades&raquo;, &laquo;for&ccedil;as&raquo;, &laquo;escolhas&raquo;,    e &laquo;processos&raquo; relevantes<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>    . O autor introduziu a ideia de um&nbsp;campo anal&iacute;tico&nbsp;de perfil    multidimensional dentro do qual cada um daqueles elementos &ndash; ou &laquo;sistemas    de a&ccedil;&atilde;o&raquo; &ndash; pode ser localizado. Um campo anal&iacute;tico    que evidencia categorias especiais de intera&ccedil;&atilde;o conducente a um    &laquo;mapeamento&raquo; aut&oacute;nomo &ndash;&nbsp;<i>map center</i>, no    l&uacute;cido neologismo de Harold D. Lasswell &ndash; de processos sociais    e de din&acirc;micas de nexo&nbsp;<i>internacional</i><sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.&nbsp;Por    sua vez, tais sistemas de a&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m referidos como&nbsp;<i>operational    indexes</i>, permitem ligar conceitos dentro deste campo anal&iacute;tico marcado    fundamentalmente pelo jogo de&nbsp;<i>interesses pr&oacute;prios</i>&nbsp;dos    estados territoriais<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.&nbsp;Este    &eacute; porventura o nexo mais discern&iacute;vel na autonomia cient&iacute;fica    da disciplina, que lhe confere ao mesmo tempo crit&eacute;rio, amplitude, e    profundidade.</p>     <p>Fazemos aqui uma alus&atilde;o especial &agrave;s observa&ccedil;&otilde;es    de Quincy Wright, n&atilde;o s&oacute; porque representam um quadro de refer&ecirc;ncia    excecional para a expans&atilde;o metodol&oacute;gica das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, mas sobretudo porque se situam temporalmente entre dois dos    mais importantes empreendimentos na aspira&ccedil;&atilde;o de construir uma    &laquo;teoria geral&raquo; neste dom&iacute;nio do conhecimento, aqui em apre&ccedil;o    &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>&nbsp;de    Hans Joachim Morgenthau (1904-1980), editado pela primeira vez a 11 de outubro    de 1948, e&nbsp;<i>Theory of International Politics&nbsp;</i>de Kenneth Neal    Waltz (1924-2013), dado &agrave; estampa em 1979. O nosso objetivo mais espec&iacute;fico    visa situar, de forma sucinta, estes dois contributos em termos da arquitetura    interior das respetivas proposi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e do seu impacto    para o desenvolvimento da &aacute;rea, propiciado por esta evoca&ccedil;&atilde;o    tempestiva dos 70 anos da publica&ccedil;&atilde;o da obra de Hans Morgenthau.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OS&nbsp;<i>MAPEAMENTOS&nbsp;</i>DE MORGENTHAU E WALTZ ENTRE A HERAN&Ccedil;A    C&Eacute;TICA&nbsp;DO REALISMO, A REGRA DO INTERESSE NACIONAL E O CRIT&Eacute;RIO    SIST&Eacute;MICO</b></p>     <p>Existem v&aacute;rios &laquo;realismos&raquo; em teoria pol&iacute;tica internacional,    nem sempre de abordagem simples, que v&atilde;o desde o &laquo;realismo cl&aacute;ssico&raquo;    (este mesmo, com diferentes &ecirc;nfases e eixos intelectivos), passando pelas    duas vers&otilde;es neorrealistas de Waltz e Robert Gilpin, at&eacute; &agrave;    mais recente &laquo;teoria neocl&aacute;ssica&raquo; das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. A diversidade    de hip&oacute;teses dentro do realismo sugere que o termo poderia ter um valor    algo d&uacute;bio, at&eacute; ao momento em que essa diversidade se constitui    ela mesma como um tra&ccedil;o definidor do pensamento realista. O enunciado    geral do realismo parte de uma vis&atilde;o pessimista da natureza humana e    privilegia nas suas proposi&ccedil;&otilde;es as no&ccedil;&otilde;es de anarquia    internacional, seguran&ccedil;a, balan&ccedil;a de poder, interesse nacional,    proje&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a, e diplomacia. A constru&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica destaca como vari&aacute;veis centrais os estados enquanto    atores unit&aacute;rios, e o sistema internacional como um meio fortemente descentralizado,    principal fator recriador de um problema permanente de seguran&ccedil;a para    os seus componentes, comummente designado de&nbsp;<i>dilema de seguran&ccedil;a</i>,    conceito primeiramente sugerido por Tuc&iacute;dides<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.    A probabilidade de mudan&ccedil;a estrutural em tal meio &eacute; tendencialmente    baixa, sendo que quaisquer varia&ccedil;&otilde;es estar&atilde;o sobretudo    dependentes de altera&ccedil;&otilde;es significativas na distribui&ccedil;&atilde;o    do poder no sistema. O sistema internacional &eacute;, pois, concebido como    um&nbsp;<i>meio de poder</i>&nbsp;por excel&ecirc;ncia, constituindo-se como    outro fator central de autonomia disciplinar. Por &uacute;ltimo, o comportamento    estadual configura-se como racional, pelo que a conduta dos estados &eacute;    compreens&iacute;vel para os observadores externos. No entanto, metodologicamente    &eacute; patente a diversidade epistemol&oacute;gica no seio desta perspetiva    te&oacute;rica, pelo que o realismo configura mais uma&nbsp;<i>forma de pensar</i>&nbsp;as    din&acirc;micas internacionais do que propriamente uma &uacute;nica escola,    uma vez que possui diferentes acentua&ccedil;&otilde;es e hip&oacute;teses,    como &eacute; especialmente patente nos delineamentos realistas de Morgenthau    e Waltz que aqui tentamos evidenciar e aprofundar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>HANS J. MORGENTHAU E A CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DE UMA TEORIA&nbsp;DA&nbsp;<i>REALIDADE    INTERNACIONAL</i></b></p>     <p>As ideias de Morgenthau dominaram o pensamento em rela&ccedil;&otilde;es internacionais    durante mais de quatro d&eacute;cadas, continuando hoje a exercer uma influ&ecirc;ncia    assinal&aacute;vel na tradi&ccedil;&atilde;o realista, nomeadamente na conce&ccedil;&atilde;o    do poder como manifesta&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da pol&iacute;tica internacional,    vis&iacute;vel tanto nas pol&iacute;ticas do&nbsp;<i>statu quo</i>, como nas    pol&iacute;ticas do imperialismo, ou meramente nas pol&iacute;ticas de prest&iacute;gio<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.    Como assinalou John A. Vasquez, numa edi&ccedil;&atilde;o comemorativa dos 50    anos de&nbsp;<i>Politics among Nations</i>, publicada pela International Studies    Association (ISA) em 1999, a primeira observa&ccedil;&atilde;o a reter numa    aprecia&ccedil;&atilde;o cuidada do&nbsp;<i>magnum opus</i>&nbsp;de Morgenthau    &eacute; que ele escreve a sua obra logo a seguir ao conflito mais violento    e brutal que a humanidade tinha testemunhado, num per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o    hegem&oacute;nica e, tamb&eacute;m, de crise intelectual<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.    Segundo Michael Cox, o ceticismo realista de Morgenthau foi potenciado por &laquo;tempos    negros&raquo; de cat&aacute;strofe que ele pr&oacute;prio presenciou e viveu<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.    Tal circunst&acirc;ncia marca indelevelmente as suas principais proposi&ccedil;&otilde;es    anal&iacute;ticas e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, o seu desiderato em formular    uma modela&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica da realidade tal&nbsp;<i>como ela    &eacute;</i>&nbsp;(n&atilde;o&nbsp;<i>como devia ser</i>). Este &eacute; um    elemento de contraste fundamental da sua constru&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica    (em contraponto &agrave;s perspetivas jur&iacute;dicas ou morais)<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.    Com efeito, Morgenthau insiste na necessidade de separar o &laquo;real&raquo;    das conjeturas &laquo;subjetivas&raquo; sobre as rela&ccedil;&otilde;es internacionais,    reclamando para si a descoberta de um conjunto de&nbsp;<i>leis objetivas do    poder</i>. Nesta medida, dado o impacto que as suas proposi&ccedil;&otilde;es<i>&nbsp;positivistas</i>    acabariam por ter no desenvolvimento subsequente da disciplina, imediatamente    percet&iacute;vel no momento da difus&atilde;o da obra em 1948, talvez possamos    considerar epistemologicamente o seu trabalho como uma teoria da&nbsp;<i>realidade</i>.    A separa&ccedil;&atilde;o marcante, adotada por Morgenthau, entre an&aacute;lise    emp&iacute;rica e as conce&ccedil;&otilde;es normativistas perdura at&eacute;    hoje, e constitui uma distin&ccedil;&atilde;o fundamental na forma como &eacute;    organizada a investiga&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&otilde;es internacionais,    um espa&ccedil;o do saber especialmente caracterizado por um assinal&aacute;vel    pluralismo metodol&oacute;gico<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>O alcance da sua obra para a consolida&ccedil;&atilde;o deste dom&iacute;nio    do conhecimento &ndash; alvo particular do presente n&uacute;mero da revista&nbsp;R:I&nbsp;&ndash;    pode ser localizado em quatro contribui&ccedil;&otilde;es de relevo, que o autor    consagrar&aacute; nos seus &laquo;seis princ&iacute;pios do realismo pol&iacute;tico&raquo;&nbsp;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.&nbsp;A    primeira, que j&aacute; apont&aacute;mos, assenta na insist&ecirc;ncia de Morgenthau    na import&acirc;ncia crucial de &laquo;separar&raquo; o<i>&nbsp;real</i>&nbsp;&ndash;    isto &eacute;, o factual &ndash; daquilo que possam constituir aspira&ccedil;&otilde;es    de tipo moralista ou prefer&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.    Tal n&atilde;o significa a aus&ecirc;ncia total de princ&iacute;pios humanistas    ou de uma vis&atilde;o despida de quaisquer valores na vis&atilde;o de Morgenthau,    mas sim a ideia de que os princ&iacute;pios morais n&atilde;o s&atilde;o suscet&iacute;veis    de ser aplicados de forma autom&aacute;tica nas rela&ccedil;&otilde;es entre    estados, ou seja, s&atilde;o mat&eacute;ria de simples&nbsp;<i>amoralidade</i>,    na esteira da imagem de&nbsp;<i>estado de natureza</i>&nbsp;de Thomas Hobbes.    No seu entender, uma ci&ecirc;ncia que constantemente tenta &laquo;mudar o mundo&raquo;    tende a perder de vista as din&acirc;micas e formas como ele realmente funciona    &ndash; a diferen&ccedil;a entre an&aacute;lise emp&iacute;rica e mat&eacute;rias    de simples convic&ccedil;&atilde;o, portanto<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.    Nas palavras de Christoph Frei, Morgenthau desenha sem rodeios uma &laquo;vers&atilde;o    crua e frontal do poder&raquo; nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.    Uma segunda contribui&ccedil;&atilde;o &eacute; a formula&ccedil;&atilde;o de    uma teoria da&nbsp;<i>realidade</i>&nbsp;assente em princ&iacute;pios l&oacute;gicos    e objetivos (nesta medida, Morgenthau acentua o que ele mesmo propugna no chamado    &laquo;quinto princ&iacute;pio do realismo pol&iacute;tico&raquo;, isto &eacute;,    a recusa em identificar as aspira&ccedil;&otilde;es e escolhas morais internas    de uma na&ccedil;&atilde;o com as regras que governam as rela&ccedil;&otilde;es    internacionais).</p>     <p>Um terceiro grande escopo do seu esfor&ccedil;o de investiga&ccedil;&atilde;o,    considerado o mais determinante no dizer de John Vasquez, &eacute; que Morgenthau    prop&otilde;e um &laquo;paradigma&raquo; para o estudo das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais &ndash; que na reconhecida terminologia de Thomas Kuhn &eacute;    designado de<i>&nbsp;exemplar</i>&nbsp;&ndash;, porque representa um salto qualitativo    que aponta e define &laquo;&aacute;reas leg&iacute;timas de inquiri&ccedil;&atilde;o&raquo;    para todos aqueles que pretendem prosseguir uma investiga&ccedil;&atilde;o internamente    coerente numa determinada &aacute;rea do saber<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>;    como efeito pr&aacute;tico mais aparente, Morgenthau e o seu&nbsp;<i>paradigma    realista</i>&nbsp;&laquo;destronariam&raquo; o&nbsp;<i>paradigma idealista</i>&nbsp;de    raiz wilsoniana<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Este paradigma    realista, plasmado em&nbsp;<i>Politics among Nations,</i> no encal&ccedil;o    de uma &laquo;objetividade s&oacute;bria&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>,    consolida tr&ecirc;s premissas fundamentais acerca do sistema internacional    que requerem neste &acirc;mbito uma aten&ccedil;&atilde;o especial: os estados    (soberanias vestefalianas) ou os seus decisores s&atilde;o os atores mais significativos    para atingir uma compreens&atilde;o fundamental das rela&ccedil;&otilde;es internacionais;    existe uma diferen&ccedil;a profunda entre o plano dom&eacute;stico e a pol&iacute;tica    internacional; e, finalmente, as rela&ccedil;&otilde;es internacionais definem-se    pelo que Morgenthau enuncia como a<i>&nbsp;luta&nbsp;</i>pelo poder e pela paz    &ndash; pelo que &eacute; fundamental compreender&nbsp;<i>como&nbsp;e&nbsp;porqu&ecirc;</i>&nbsp;essa    luta perdura ao longo do tempo. Essa &eacute;, ali&aacute;s, a perplexidade    que Morgenthau convida permanentemente a explorar, na linha do grande erudito    Nicolas Oresme (1320-1382), que, sintetizando de forma brilhantemente premonit&oacute;ria    as din&acirc;micas pol&iacute;ticas que emergiam num continente europeu cada    vez mais fragmentado, definiu o sistema de anarquia internacional como de&nbsp;<i>paz    armada</i><sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.&nbsp;Trata-se    de uma formula&ccedil;&atilde;o verdadeiramente not&aacute;vel que Morgenthau    tamb&eacute;m &laquo;fixa&raquo; e vai indagar, no que constitui um dos elementos    centrais da problem&aacute;tica geral das rela&ccedil;&otilde;es internacionais,    a saber, a exist&ecirc;ncia de recursos b&eacute;licos substanciais e de ex&eacute;rcitos    permanentes mesmo em tempo de paz. Tal &eacute;, podemos afirmar, um dos cernes    do&nbsp;<i>programa de investiga&ccedil;&atilde;o</i>&nbsp;de Morgenthau &ndash;    numa linha pr&oacute;xima do racioc&iacute;nio epistemol&oacute;gico de Imre    Lakatos<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Morgenthau acaba,    ali&aacute;s, por afirmar que qualquer esfor&ccedil;o de inquiri&ccedil;&atilde;o    mais consequente do plano internacional que n&atilde;o siga aquele caminho se    torna &laquo;trivial&raquo;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>O quarto contributo &ndash; talvez especialmente relevante para o atual ciclo    internacional (p&oacute;s-)p&oacute;s-Guerra Fria, marcado pela ascens&atilde;o    da China, que assume j&aacute; inilud&iacute;veis caracter&iacute;sticas neoimperiais<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>&nbsp;&ndash;    tem a ver com a necessidade acrescida de prud&ecirc;ncia, a saber, a necessidade    de &laquo;respeitar&raquo; os interesses vitais das pot&ecirc;ncias em jogo,    bem como a necessidade de assegurar algum equil&iacute;brio de poder no sistema,    condi&ccedil;&atilde;o&nbsp;<i>sine qua non</i>&nbsp;para a manuten&ccedil;&atilde;o    da paz internacional. Nesta medida, pode-se mesmo considerar que o realismo    de Morgenthau assume a prud&ecirc;ncia, enquanto recusa de pr&aacute;ticas de    aventureirismo na pol&iacute;tica internacional &ndash; e a consequente e l&uacute;cida    pondera&ccedil;&atilde;o das alternativas &ndash; como um dos tra&ccedil;os    mais marcantes da modela&ccedil;&atilde;o realista que nos prop&otilde;e.</p>     <p>Ter&aacute; atingido, por&eacute;m, Morgenthau, com este conjunto de contributos    de grande relev&acirc;ncia para a an&aacute;lise criteriosa das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, o patamar de&nbsp;uma&nbsp;teoria da pol&iacute;tica internacional?    Esta aparenta ser uma quest&atilde;o em aberto, sobretudo quando se equacionam    algumas das observa&ccedil;&otilde;es e ju&iacute;zos que nomeadamente Kenneth    Waltz vir&aacute; a suscitar mais tarde, condensados na sua obra de refer&ecirc;ncia    &ndash;&nbsp;<i>Theory of International Politics.</i></p>     <p><i>&nbsp;</i></p>     <p><b>WALTZ: A PROMESSA DO&nbsp;<i>REALISMO ESTRUTURAL</i></b></p>     <p>Segundo Kenneth Waltz, apesar de&nbsp;<i>Politics among Nations</i>&nbsp;encerrar    a ideia de que o mais importante des&iacute;gnio do processo de inquiri&ccedil;&atilde;o    internacional &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de uma<i>&nbsp;teoria</i>,    Hans Morgenthau n&atilde;o ter&aacute; dado o passo crucial que poderia ter    permitido ir para al&eacute;m do desenvolvimento conceptual das no&ccedil;&otilde;es    de &laquo;interesse nacional&raquo;, de &laquo;interesse definido em termos    de poder&raquo;, ou at&eacute; da afirma&ccedil;&atilde;o da &laquo;autonomia    dos fatores pol&iacute;ticos&raquo; &ndash; consideradas todavia de grande import&acirc;ncia    e repercuss&atilde;o &ndash; at&eacute; ao est&aacute;dio superior de uma teoria    das rela&ccedil;&otilde;es internacionais perfeitamente identific&aacute;vel.    Deve referir-se que Waltz considera o desenvolvimento conceptual fundamental,    embora insuficiente para o estabelecimento de uma teoria; como indica, a partir    unicamente da an&aacute;lise do interesse nacional, por exemplo, n&atilde;o    &eacute; poss&iacute;vel avaliar o comportamento de um Estado no sistema internacional<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.    No ajuizamento cr&iacute;tico de Waltz, Morgenthau ficou algo &laquo;confinado&raquo;    &agrave;s partes, e n&atilde;o resolveu de forma totalmente eficaz o plano da    pol&iacute;tica externa e o problema de construir uma teoria pol&iacute;tica    internacional, nomeadamente em termos da sua diferencia&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica.    Ali&aacute;s, o enunciado waltziano come&ccedil;a precisamente com a premissa    que uma teoria das rela&ccedil;&otilde;es internacionais e uma teoria da pol&iacute;tica    externa &laquo;n&atilde;o s&atilde;o a mesma coisa&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.    Em particular, as proposi&ccedil;&otilde;es de Waltz visariam clarificar a determina&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es causais a dois n&iacute;veis fundamentais: primeiro,    ao produzir uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de poder    como &laquo;meio &uacute;til&raquo; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos estados    e n&atilde;o como &laquo;fim&raquo;, algo que afirmar&aacute; de forma especialmente    pungente; na sua conce&ccedil;&atilde;o o poder relativo reporta-se &agrave;&nbsp;<i>capacidade    combinada</i>&nbsp;de um Estado no quadro da sua distribui&ccedil;&atilde;o    no sistema internacional. O que o autor est&aacute; a sugerir &eacute; que o    objetivo da seguran&ccedil;a prevalece sobre o objetivo&nbsp;<i>per se</i>&nbsp;de    maximiza&ccedil;&atilde;o do poder, em contraposi&ccedil;&atilde;o ao que considera    ser um erro recorrente de alguns realistas<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.    Segundo, a sua teoria mostra que as causas n&atilde;o se processam unidirecionalmente    &ndash; da a&ccedil;&atilde;o das unidades estaduais para as&nbsp;<i>resultantes</i>&nbsp;das    intera&ccedil;&otilde;es &ndash; mas antes bidirecionalmente; deste modo, Waltz    conclui que quando varia&ccedil;&otilde;es ao n&iacute;vel das unidades n&atilde;o    correspondem &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es nas resultantes observadas, ent&atilde;o    outras causas podem (e devem) ser localizadas ao n&iacute;vel da estrutura do    sistema internacional propriamente dito. Na sua &oacute;tica, na constru&ccedil;&atilde;o    de uma teoria da pol&iacute;tica internacional &eacute; fundamental distinguir    o n&iacute;vel da estrutura do n&iacute;vel das unidades<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.    E, vai mais longe na sua intele&ccedil;&atilde;o da realidade internacional    quando afirma que o exerc&iacute;cio de an&aacute;lise das diferen&ccedil;as    entre v&aacute;rias estruturas internacionais ao longo do tempo &laquo;deve    omitir&raquo; os atributos&nbsp;stricto sensu&nbsp;das unidades componentes;    s&oacute; assim &ndash; sublinha Waltz &ndash; &eacute; que se podem distinguir    mudan&ccedil;as ou altera&ccedil;&otilde;es na estrutura internacional, de outras    mudan&ccedil;as que acontecem ao n&iacute;vel interno das suas unidades<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.    Podemos talvez dizer numa avalia&ccedil;&atilde;o comparativa que a modela&ccedil;&atilde;o    waltziana emerge como uma constru&ccedil;&atilde;o diferenciada do realismo    pol&iacute;tico, reorganizando o terreno te&oacute;rico em torno das condi&ccedil;&otilde;es    encontradas ao n&iacute;vel do sistema internacional, o chamado terceiro n&iacute;vel    de an&aacute;lise &ndash; mais tarde tamb&eacute;m designado de&nbsp;<i>terceira    imagem te&oacute;rica</i>&nbsp;&ndash; na metodologia das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, termos estes consagrados pelo pr&oacute;prio Kenneth Waltz<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.    Da&iacute;, justamente, que o neorrealismo de Waltz seja tamb&eacute;m referido    como realismo estrutural ou realismo sist&eacute;mico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por outro lado, Waltz refere que defini&ccedil;&otilde;es mais elegantes da    no&ccedil;&atilde;o de estrutura permitem configurar explica&ccedil;&otilde;es    com&nbsp;<i>menos</i>&nbsp;vari&aacute;veis. Se acrescentarmos demasiadas vari&aacute;veis    a explica&ccedil;&atilde;o perde nitidez e torna-se menos consequente, isto    &eacute;, a acuidade te&oacute;rica d&aacute; lugar &agrave; descri&ccedil;&atilde;o,    por mais densa e rica que seja, como &eacute; seguramente o caso vertente do    trabalho de Morgenthau<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. Neste    sentido, Waltz faz notar que n&atilde;o pretendeu abarcar v&aacute;rias realidades    em simult&acirc;neo, nem t&atilde;o-pouco produzir uma teoria do Estado ou uma    teoria da pol&iacute;tica externa. O autor refere que Morgenthau ter&aacute;    talvez &laquo;exagerado&raquo; o papel de eventos acidentais e inesperados,    o que o ter&aacute; afastado excessivamente da procura de uma &laquo;teoria    unificada&raquo; que pudesse especificar padr&otilde;es mais perenes e significativos    no delineamento dos fatores causais. Waltz tenta, pois, demonstrar que &eacute;    poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar uma teoria que lida com regularidades verific&aacute;veis    e que localiza as liga&ccedil;&otilde;es entre elas<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.    Ora, as teorias derivam da observa&ccedil;&atilde;o de tais repeti&ccedil;&otilde;es    e s&oacute; s&atilde;o ating&iacute;veis se determinados padr&otilde;es forem    identificados ao longo do tempo. E &eacute; talvez neste plano onde Waltz parece    ser algo mais eficaz do que o autor de&nbsp;<i>Politics among Nations</i>. Waltz    sustenta, em particular, que n&atilde;o precisamos de contemplar&nbsp;tudo&nbsp;numa    teoria e que, ademais, nem&nbsp;<i>tudo&nbsp;</i>pode ser medido, embora algumas    dimens&otilde;es o possam ser. Nas pr&oacute;prias palavras de Waltz a sua&nbsp;teoria&nbsp;das    rela&ccedil;&otilde;es internacionais &eacute; uma teoria simples, de tipo&nbsp;<i>problem-solving</i>.</p>     <p>Waltz argumentar&aacute; que o (seu)&nbsp;<i>novo</i>&nbsp;realismo, em contraste    com o enunciado predominante anterior &ndash; referindo-se a Morgenthau &ndash;,    prop&otilde;e uma solu&ccedil;&atilde;o mais interessante para o problema da    distin&ccedil;&atilde;o dos fatores internos e externos na an&aacute;lise da    pol&iacute;tica internacional. O neorrealismo produz um ajustamento nas rela&ccedil;&otilde;es    de causalidade oferecendo uma interpreta&ccedil;&atilde;o diferente de poder,    e tratando o plano das<i>&nbsp;unidades</i>, em contraposi&ccedil;&atilde;o    ao plano sist&eacute;mico, de forma diferenciada. A no&ccedil;&atilde;o de poder    privilegiada por Waltz vai no sentido de o definir em termos da distribui&ccedil;&atilde;o    das capacidades, ou seja, uma avalia&ccedil;&atilde;o sempre pensada na rela&ccedil;&atilde;o    com os outros componentes de um mesmo sistema<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.    Waltz vai projetar, pois, uma solu&ccedil;&atilde;o macrote&oacute;rica para    o que diz ser o &laquo;emaranhado&raquo; microte&oacute;rico do realismo tradicional    que se concentra em explica&ccedil;&otilde;es confusas ao n&iacute;vel do indiv&iacute;duo    ou das unidades estaduais, explica&ccedil;&otilde;es essas &ndash; refere &ndash;    fundadas n&atilde;o raras vezes indistintamente na primeira e/ou na segunda    imagens te&oacute;ricas em rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Na conce&ccedil;&atilde;o    privilegiada por Waltz o poder &eacute; visto como um meio para alcan&ccedil;ar    outros fins, nomeadamente seguran&ccedil;a, n&atilde;o constituindo o m&oacute;bil    &uacute;ltimo dos estados, como parecia sugerir Morgenthau<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.    Waltz adianta que &eacute; essa a raz&atilde;o por que, tipicamente, os estados,    no decurso do sistema vestefaliano, preferiram esmagadoramente associar-se ao    lado que pode reequilibrar a balan&ccedil;a (op&ccedil;&atilde;o maiorit&aacute;ria    por&nbsp;<i>balancing</i>), e n&atilde;o aliar-se ao lado &laquo;mais forte&raquo;    (op&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria por&nbsp;<i>bandwagoning</i>). Num meio    de anarquia marcado por grande incerteza, Waltz conclui que os estados privilegiar&atilde;o    a seguran&ccedil;a e a sobreviv&ecirc;ncia, e n&atilde;o tanto acr&eacute;scimos    cegos de poder.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O: O&nbsp;<i>REALISMO COMPLEXO</i>&nbsp;DE TUC&Iacute;DIDES    COMO CRIT&Eacute;RIO &Uacute;LTIMO&nbsp;DAS DIFERENTES PULSA&Ccedil;&Otilde;ES    REALISTAS</b></p>     <p>Que solu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel para a controv&eacute;rsia entre    os dois mais conceituados te&oacute;ricos do realismo? Uma maior aten&ccedil;&atilde;o    ao potencial e &agrave; riqueza do pensamento de Tuc&iacute;dides como poss&iacute;vel&nbsp;roteiro&nbsp;para    distinguir e discriminar as diferentes proposi&ccedil;&otilde;es de cariz realista    permitir&aacute;, na nossa &oacute;tica, obter um quadro mais completo do esfor&ccedil;o    de dilucida&ccedil;&atilde;o de alguns &laquo;enredos&raquo; te&oacute;ricos    neste dom&iacute;nio do conhecimento. &Eacute; de notar que, embora existam    algumas sobreposi&ccedil;&otilde;es parciais dentro do chamado &laquo;realismo    cl&aacute;ssico&raquo; &ndash; especialmente na subscri&ccedil;&atilde;o de    uma conce&ccedil;&atilde;o negativa da natureza humana, antes referida &ndash;,    Tuc&iacute;dides poderia n&atilde;o subscrever as conclus&otilde;es de alguns    realistas ditos cl&aacute;ssicos, nomeadamente na proposi&ccedil;&atilde;o do    poder como um &laquo;fim em si&raquo;. &Eacute; por esta raz&atilde;o que preferimos    normalmente o termo&nbsp;<i>realismo tradicional&nbsp;</i>em vez de&nbsp;<i>realismo    cl&aacute;ssico</i>, uma aferi&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica que pode    fazer mais sentido na exata medida em que o pr&oacute;prio Tuc&iacute;dides    &eacute; o fundador (cl&aacute;ssico) da perspetiva realista das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais. Com efeito, Tuc&iacute;dides pode guiar uma vers&atilde;o mais    apurada dos estudos internacionais, suplementando tanto o realismo&nbsp;<i>tradicional&nbsp;</i>&ndash;    &ecirc;nfase na vis&atilde;o pessimista da natureza humana e na no&ccedil;&atilde;o    de interesse nacional &ndash;, como o&nbsp;<i>neorrealismo</i>&nbsp;&ndash;    &ecirc;nfase na estrutura do sistema internacional. Em especial, Tuc&iacute;dides    evidencia tanto o &laquo;car&aacute;ter&raquo; das lideran&ccedil;as e as diferentes    tipologias das entidades estaduais, como a import&acirc;ncia determinante da    distribui&ccedil;&atilde;o de poder no sistema, ou seja, do papel de varia&ccedil;&otilde;es    significativas na balan&ccedil;a de poder nas resultantes internacionais, e    na pr&oacute;pria explica&ccedil;&atilde;o da guerra (caso paradigm&aacute;tico    da Guerra do Peloponeso entre Esparta e Atenas). O &laquo;realismo complexo&raquo;    de Tuc&iacute;dides, na lapidar caracteriza&ccedil;&atilde;o de Michael W. Doyle<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>,    poderia, assim, reemergir como aferidor &uacute;ltimo das diferentes pulsa&ccedil;&otilde;es    no seio do realismo, estabelecendo novas pontes te&oacute;ricas e contribuindo    para uma maior acuidade e rigor do exerc&iacute;cio anal&iacute;tico e de diagn&oacute;stico    das din&acirc;micas internacionais contempor&acirc;neas.&nbsp;Do mesmo modo,    o crit&eacute;rio&nbsp;<i>tucidideano&nbsp;</i>pode ser igualmente usado por    diferentes int&eacute;rpretes, atores, e protagonistas para alcan&ccedil;arem    uma compreens&atilde;o mais vasta da pol&iacute;tica internacional a partir    do trabalho de um autor t&atilde;o proeminente quanto Hans Joachim Morgenthau,    aqui evidenciado de forma especial.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>DOYLE, Michael W. &ndash;&nbsp;<i>Ways of War and Peace: Realism, Liberalism,    and Socialism</i>. Nova York: W.W. Norton &amp; Company, 1997.</p>     <p>FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans J. Morgenthau: An Intellectual Biography</i>.&nbsp;Baton    Rouge,&nbsp;LA: Louisiana State University Press,&nbsp;2001.</p>     <p>JISI, Wang,&nbsp;et al.&nbsp;&ndash; &laquo;Did America get China wrong? The    engagement debate&raquo;. In&nbsp;<i>Foreign Affairs</i>. Vol. 97, N.&ordm;    4, julho-agosto de 2018, pp. 183-195.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KEGLEY, Jr., Charles W. (ed.) &ndash;&nbsp;<i>Controversies in International    Relations Theory: Realism and the Neoliberal Challenge</i>.&nbsp;Nova York:    St. Martin&rsquo;s Press,&nbsp;1995.</p>     <p>KRASNER, Stephen D. &ndash;&nbsp;<i>Power, the State, and Sovereignty: Essays    on International Relations</i>. Londres: Routledge, 2009.&nbsp;Doi: 10.4324/9780203882139.</p>     <p>LAKATOS, Imre&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>La metodolog&iacute;a de los programas de    investigaci&oacute;n cient&iacute;fica</i>.&nbsp;Madrid: Alianza Universidad,    1999.</p>     <p>LASSWELL, Harold D. &ndash; &laquo;Some reflections on the study of international    relations&raquo;. In&nbsp;<i>World Politics</i>. Vol.&nbsp;VIII, N.&ordm; 4,    julho de 1956,&nbsp;1956,&nbsp;pp. 560-565.</p>     <p>LAWSON, Stephanie &ndash;&nbsp;<i>Theories of International Relations: Contending    Approaches to World Politics</i>. Malden,&nbsp;MA: Polity Press, 2015.</p>     <p>LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s &ndash; &laquo;O modelo global: espa&ccedil;o de    teste da paz e seguran&ccedil;a internacionais&raquo;. In&nbsp;<i>Na&ccedil;&atilde;o    e Defesa</i>. N.&ordm; 95-96, 2000, pp. 43-53.</p>     <p>LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s &ndash; &laquo;Uma teoria nomot&eacute;tica da    pol&iacute;tica internacional ou a constru&ccedil;&atilde;o da verdade em Waltz:    algumas considera&ccedil;&otilde;es&raquo;. In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es    Internacionais</i>. N.&ordm; 39, 2013, pp. 15-24.</p>     <p>LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s &ndash; &laquo;Neoclassical Realist theory of international    relations&raquo;. Recens&atilde;o. In&nbsp;<i>Revista Portuguesa de Ci&ecirc;ncia    Pol&iacute;tica</i>. N.&ordm; 7, 2017, pp. 109-111.</p>     <p>MORGENTHAU, Hans J. &ndash;&nbsp;<i>Politics among Nations: The Struggle for    Power and Peace</i>. 5.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: Alfred A. Knopf    Inc., 1973.</p>     <p>PATR&Atilde;O&nbsp;NEVES, Maria do C&eacute;u, e SEVERIANO&nbsp;TEIXEIRA, Nuno    (coord.) &ndash;&nbsp;<i>&Eacute;tica Aplicada: Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.&nbsp;Lisboa:    Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2018 (no prelo).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SCHEUERMAN, William E. &ndash;&nbsp;<i>Hans Morgenthau. Realism and Beyond</i>.&nbsp;Cambridge:    Politiy Press, 2009.</p>     <p>THOMPSON, Kenneth &ndash; &laquo;The writing of&nbsp;Politics Among Nations:    its sources and its origins&raquo;. In&nbsp;<i>International Studies Notes</i>.    Vol. 24, N.&ordm; 1, 1999.</p>     <p>TUC&Iacute;DIDES&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Hist&oacute;ria da Guerra do Peloponeso</i>.    Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es S&iacute;labo, 2015,&nbsp; pp. 11-30.</p>     <p>VASQUEZ, John A. &ndash; &laquo;The enduring contributions of Hans J. Morgenthau&rsquo;s&nbsp;Politics    Among Nations&raquo;. In&nbsp;<i>International Studies Notes</i>. Vol. 24, N.&ordm;    1, 1999, pp. 5-9.</p>     <p>WALTZ, Kenneth N. &ndash;&nbsp;<i>O Homem, o Estado e a Guerra. Uma An&aacute;lise    Te&oacute;rica</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes, 1959.</p>     <p>WALTZ, Kenneth N. &ndash;&nbsp;<i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.    Lisboa: Gradiva, 2002.</p>     <p>WALTZ, Kenneth N.&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Realism and International Politics</i>.    Nova York: Routledge, 2008.</p>     <p>WILLIAMS, Michael C. (ed.)&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Realism Reconsidered: The Legacy    of Hans J. Morgenthau in International Relations</i>.&nbsp;Nova York: Oxford    University Press, 2007.</p>     <p>WRIGHT, Quincy &ndash;&nbsp;<i>The Study of International Relations</i>. Nova    York: Appleton-Century-Crofts, Inc, 1955.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 23 de abril de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    30 de maio de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> WRIGHT, Quincy &ndash;&nbsp;<i>The    Study of International Relations</i>. Nova York: Appleton-Century-Crofts, Inc,    1955.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 536.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Cf. LASSWELL, Harold D. &ndash;    &laquo;Some reflections on the study of international relations&raquo;. In&nbsp;<i>World    Politics</i>. Vol.&nbsp;VIII,&nbsp;N.&ordm; 4, julho de 1956,&nbsp;1956,&nbsp;pp.    560-565.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> A no&ccedil;&atilde;o de&nbsp;interesse    pr&oacute;prio&nbsp;n&atilde;o exclui a considera&ccedil;&atilde;o de eventuais    interesses rec&iacute;procos, ou coincidentes (WRIGHT, Quincy &ndash;&nbsp;<i>The    Study of International Relations</i>, p. 552).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s    &ndash; &laquo;Neoclassical Realist theory of international relations&raquo;.    Recens&atilde;o. In&nbsp;<i>Revista Portuguesa de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica</i>.    N.&ordm; 7, 2017,&nbsp;pp. 109-111.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Ver&nbsp;LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s    &ndash; &laquo;Estudo Introdut&oacute;rio&raquo;.&nbsp;In&nbsp;TUC&Iacute;DIDES&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Hist&oacute;ria    da Guerra do Peloponeso</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es S&iacute;labo, 2015,    pp. 11-30.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Cf. Oliver J&uuml;tersonke,&nbsp;in&nbsp;WILLIAMS,    Michael C. (ed.)&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Realism Reconsidered: The Legacy of Hans    J. Morgenthau in International Relations</i>. Nova York: Oxford University Press,    2007, p. 107. A prop&oacute;sito do valor assinal&aacute;vel destas taxonomias    de Morgenthau, atente-se especificamente na pertin&ecirc;ncia da tipologia&nbsp;pol&iacute;tica    de prest&iacute;gio&nbsp;para a an&aacute;lise do caso de Portugal nas rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, com a designa&ccedil;&atilde;o de Ant&oacute;nio Guterres para    secret&aacute;rio-geral da&nbsp;ONU, de M&aacute;rio Centeno para presidente    do Eurogrupo, ou, mais recentemente, da elei&ccedil;&atilde;o de Ant&oacute;nio    Vitorino para a lideran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional    das Migra&ccedil;&otilde;es (OIM).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Ver VASQUEZ, John A. &ndash;    &laquo;The enduring contributions of Hans J. Morgenthau&rsquo;s&nbsp;Politics    Among Nations&raquo;. In&nbsp;<i>International Studies Notes</i>. Vol. 24, N.&ordm;    1, 1999, pp. 5-9. Morgenthau tinha come&ccedil;ado a lecionar no Departamento    de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da Universidade de Chicago, em setembro de    1943, na altura dirigido por Charles E. Merriam. Ver, FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau: An Intellectual Biography</i>.&nbsp;Baton Rouge,&nbsp;LA: Louisiana    State University Press,&nbsp;2001,&nbsp;p. 190.&nbsp;A t&iacute;tulo de curiosidade,    refira-se a prop&oacute;sito de&nbsp;<i>Politics among Nations&nbsp;</i>que    quando submeteu a obra para publica&ccedil;&atilde;o, sete editores a rejeitaram.    Ver THOMPSON, Kenneth &ndash; &laquo;The writing of&nbsp;Politics Among Nations:    its sources and its origins&raquo;. In&nbsp;<i>International Studies Notes</i>.    Vol. 24, N.&ordm; 1, 1999, p. 21.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Cf. COX, Michael &ndash; &laquo;Hans    Morgenthau and the Cold War&raquo;.&nbsp;In&nbsp;WILLIAMS, Michael C.&nbsp;(ed.)&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Realism    Reconsidered</i>,&nbsp;pp. 166-194, pp. 96-99.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A primeira tentativa de    Morgenthau de delimitar&nbsp;o elemento pol&iacute;tico&nbsp;foi expressa na    sua tese de doutoramento de 1929 sobre a natureza e as limita&ccedil;&otilde;es    da fun&ccedil;&atilde;o judicial internacional, apresentada na Universidade    de Frankfurt, quando tinha apenas 25 anos de idade. Cf. FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau</i>, p. 123.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s    &ndash; &laquo;A &eacute;tica do liberalismo&raquo;.&nbsp;In&nbsp;PATR&Atilde;O&nbsp;NEVES,    Maria do C&eacute;u, e SEVERIANO&nbsp;TEIXEIRA, Nuno (coord.) &ndash;&nbsp;<i>&Eacute;tica    Aplicada: Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.&nbsp;Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es    70, 2018, (no prelo). Naturalmente que a riqueza e a pluralidade epistemol&oacute;gica    das rela&ccedil;&otilde;es internacionais n&atilde;o se esgota no realismo e    nos seus v&aacute;rios ramos, incluindo outros espa&ccedil;os te&oacute;ricos    de grande relev&acirc;ncia para a intele&ccedil;&atilde;o de um sistema internacional    cada vez mais complexo e dilem&aacute;tico. Ver, por exemplo, LAWSON, Stephanie    &ndash;&nbsp;<i>Theories of International Relations: Contending Approaches to    World Politics</i>. Malden,&nbsp;ma: Polity Press, 2015.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Cf. MORGENTHAU, Hans J.    <i>&ndash;&nbsp;Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>.    5.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: Alfred A. Knopf Inc., 1973, pp. 4-12.    Ver, tamb&eacute;m, SCHEUERMAN, William E. &ndash;&nbsp;<i>Hans Morgenthau:    Realism and Beyond</i>. Cambridge: Politiy Press, 2009, pp. 103-109.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Como faz notar Vasquez,    nesta ci&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es internacionais &ndash; ali&aacute;s,    tal como no dom&iacute;nio da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica em geral &ndash;    existe sempre o perigo desta degenerar em &laquo;ideologia&raquo;, em que a    &laquo;aspira&ccedil;&atilde;o pessoal&raquo; e o &laquo;interesse subjetivo&raquo;    moldam o exerc&iacute;cio anal&iacute;tico. A preocupa&ccedil;&atilde;o permanente    com este tipo de desvios leva Morgenthau a uma contribui&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica    determinante que se traduziu na redu&ccedil;&atilde;o das influ&ecirc;ncias    ideol&oacute;gicas dentro desta &aacute;rea cient&iacute;fica, mesmo se, como    &eacute; ainda o caso, n&atilde;o foram eliminadas completamente. Cf. VASQUEZ,    John A. &ndash; &laquo;The enduring contributions of Hans J. Morgenthau&rsquo;s&nbsp;Politics    Among Nations&raquo;,&nbsp;<br />   pp. 05 e 06.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Cf.&nbsp;<i>Ibidem</i>,    pp. 05-09.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Ver FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau,</i> p. 121.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> VASQUEZ, John A. &ndash;    &laquo;The enduring contributions of Hans J. Morgenthau&rsquo;s&nbsp;Politics    Among Nations&raquo;, 1999, p. 6.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Thomas Woodrow Wilson (1856-1924)    foi um dos principais nomes associados a uma vis&atilde;o liberal, algo mais    &laquo;idealista&raquo; das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Foi Presidente    dos Estados Unidos entre 1913 e 1921. Curiosamente, foi em grande medida o prest&iacute;gio    consolidado enquanto professor de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais na Universidade    de Princeton, onde desempenhou fun&ccedil;&otilde;es de reitor, ap&oacute;s    ter defendido uma tese de doutoramento neste dom&iacute;nio do conhecimento    em 1885 na Johns Hopkins University, que o catapultaria para a presid&ecirc;ncia    dos Estados Unidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Cf. FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau</i>, p. 123.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Nicolas Oresme (1320-1382),    consultor do rei Carlos V de Fran&ccedil;a, fil&oacute;sofo, matem&aacute;tico,    e economista, autor de um c&eacute;lebre tratado sobre a moeda, foi talvez o    mais not&aacute;vel intelectual europeu do s&eacute;culo&nbsp;xiv. Cf. LOBO-FERNANDES,    Lu&iacute;s &ndash; &laquo;O modelo global: espa&ccedil;o de teste da paz e    seguran&ccedil;a internacionais&raquo;.&nbsp;In&nbsp;<i>Na&ccedil;&atilde;o    e Defesa</i>.&nbsp;N.&ordm;&nbsp;95-96, 2000, pp. 43-53.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> LAKATOS, Imre&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>La    metodolog&iacute;a de los programas de investigaci&oacute;n cie</i>nt&iacute;fica.&nbsp;Madrid:    Alianza Universidad, 1999.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Cf. VASQUEZ, John A. &ndash;    &laquo;The enduring contributions of Hans J. Morgenthau&rsquo;s&nbsp;Politics    Among Nations&raquo;, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Ver, por exemplo, JISI,    Wang,&nbsp;et al.&nbsp;&ndash; &laquo;Did America get China wrong? The engagement    debate&raquo;. In&nbsp;<i>Foreign Affairs</i>. Vol. 97, N.&ordm; 4, julho-agosto    de 2018, pp. 183-195.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Cf.&nbsp;WALTZ, Kenneth    N.&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Realism and International Politics</i>. Nova York: Routledge,    2008, p. 44.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 71.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Sobre este ponto, Waltz    afirma especificamente: &laquo;Only if survival is assured, can states safely    seek other goals as tranquility, profit and power. Because power is a means    and not an end, states prefer to join the weaker of two coalitions. They cannot    let power, a possibly useful means, become the end they pursue&raquo; (WALTZ,    Kenneth N.&nbsp;&ndash;&nbsp;<i>Realism and International Politics</i>, p. 46).    N&atilde;o obstante, &eacute; de referir que Morgenthau considerava o impulso    de preserva&ccedil;&atilde;o e sobreviv&ecirc;ncia como o &laquo;mais &oacute;bvio    elemento da motiva&ccedil;&atilde;o humana&raquo;. Cf. FREI, Christoph &ndash;&nbsp;<i>Hans    J. Morgenthau,</i> p. 126.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> WALTZ, Kenneth N. &ndash;&nbsp;<i>Realism    and International Politics</i>, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Cf. LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s    &ndash; &laquo;Pref&aacute;cio &agrave; edi&ccedil;&atilde;o portuguesa&raquo;.&nbsp;In&nbsp;WALTZ,    Kenneth N. &ndash;&nbsp;<i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.    Lisboa: Gradiva, 2002, p. 8. No quadro da racionaliza&ccedil;&atilde;o que enuncia,    Waltz sustenta que no sistema internacional n&atilde;o h&aacute; uma diferencia&ccedil;&atilde;o    significativa das unidades; antes, os estados s&atilde;o&nbsp;funcionalmente    iguais, uma das suas proposi&ccedil;&otilde;es mais ambiciosas (de notar, contudo,    que Tuc&iacute;dides havia j&aacute; sugerido que a guerra entre Atenas e Esparta    tinha ocorrido, n&atilde;o porque aquelas duas pot&ecirc;ncias fossem diferentes,    mas precisamente porque eram iguais). Ver, tamb&eacute;m, LOBO-FERNANDES, Lu&iacute;s    &ndash; &laquo;Uma teoria nomot&eacute;tica da pol&iacute;tica internacional    ou a constru&ccedil;&atilde;o da verdade em Waltz: algumas considera&ccedil;&otilde;es&raquo;.    In&nbsp;<i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 39, 2013, pp.    15-24.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> WALTZ, Kenneth N. &ndash;&nbsp;<i>O    Homem, o Estado e a Guerra. Uma An&aacute;lise Te&oacute;rica</i>. S&atilde;o    Paulo: Martins Fontes, 1959, p.&nbsp;xi.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Esta quest&atilde;o metodol&oacute;gica    tem a ver com a validade interna e a validade externa das teorias. A validade    interna acentua sobretudo a qualidade dos conceitos operacionalizados, enquanto    a validade externa se reporta ao grau de generaliza&ccedil;&atilde;o de um determinado    enunciado te&oacute;rico.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Cf. KEGLEY, Jr., Charles    W. (ed.) &ndash;&nbsp;<i>Controversies in International Relations Theory: Realism    and the Neoliberal Challenge</i>. Nova York: St. Martin&rsquo;s Press, 1995,&nbsp;p.    27.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Racionalmente, a vulnerabilidade    de um Estado pode representar uma vantagem potencial para outro.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Nesta medida, Waltz veria    sobretudo os estados como&nbsp;defensive positionalists&nbsp;(o que &eacute;    tamb&eacute;m designado de&nbsp;realismo defensivo), no qual o objetivo principal    &eacute; a sobreviv&ecirc;ncia, em contraposi&ccedil;&atilde;o a uma vis&atilde;o    que perspetiva os estados como&nbsp;offensive realists&nbsp;(ou&nbsp;realismo    ofensivo), que aspiram &agrave; hegemonia e a aumentar o seu poder, na linha    de John Mearsheimer. Cf. KRASNER, Stephen D. &ndash;&nbsp;<i>Power, the State,    and Sovereignty: Essays on International Relations</i>. Londres: Routledge,    2009, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Cf. DOYLE, Michael W. &ndash;&nbsp;<i>Ways    of War and Peace: Realism, Liberalism, and Socialism</i>. Nova&nbsp;York: W.W.    Norton &amp; Company, 1997.</p>      ]]></body><back>
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