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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.59a04</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel da Igreja Católica na democratização pós-guerra em Angola e Moçambique]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of the Catholic Church the post-war democratization in Angola and Mozambique]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Several authors have considered the role of religious actors in democratization processes around the world. This article aims to analyze the role of the Catholic Church in the post-war democratization in Angola and Mozambique, two African countries that share several historical traits, but in which the church had different degrees of prominence. Three factors help to explain that difference: 1) the financial autonomy of the church towards the state 2) the inter-religious cooperation 3) the geopolitical dimension of the civil war. This research shows that the Catholic Church, guided by its pro-democratic doctrine, benefiting from high permeation over the society and dense networks throughout the territory became the main religious actor in both countries’ democratization and pacification.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>O FIM DA TERCEIRA VAGA DE DEMOCRATIZA&Ccedil;&Atilde;O?</b></p>     <p><b>O papel da Igreja Cat&oacute;lica na democratiza&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-guerra    em Angola e Mo&ccedil;ambique</b><sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p><b>The role of the Catholic Church the post-war democratization in Angola and    Mozambique</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Madalena Meyer Resende* e Claudia Generoso de Almeida**</b></p>     <p>* NOVA FCSH e IPRI-NOVA | Avenida de Berna, 26-C/1069-061 Lisboa | <a href="mailto:madalena.resende@ipri.pt">madalena.resende@ipri.pt</a></p>     <p>** CEI-IUL | Av. das For&ccedil;as Armadas/1649-026 Lisboa | <a href="mailto:claudiagalmeida@gmail.com">claudiagalmeida@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>V&aacute;rios autores t&ecirc;m procurado analisar o papel de atores religiosos    nos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o. Este artigo visa analisar o papel    da Igreja Cat&oacute;lica na democratiza&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-guerra    em Angola e Mo&ccedil;ambique, dois pa&iacute;ses africanos com v&aacute;rios    tra&ccedil;os hist&oacute;ricos semelhantes, mas nos quais o papel da Igreja    teve diferentes graus de proemin&ecirc;ncia. Tr&ecirc;s fatores ajudam a explicar    essa diferen&ccedil;a: 1) autonomia financeira da Igreja face ao Estado; 2)    coopera&ccedil;&atilde;o inter-religiosa; 3) dimens&atilde;o geopol&iacute;tica    da guerra civil. Esta investiga&ccedil;&atilde;o revela ainda que a Igreja,    guiada pela doutrina cat&oacute;lica pr&oacute;-democr&aacute;tica, com elevada    permea&ccedil;&atilde;o social e com a presen&ccedil;a de redes densas em todo    o territ&oacute;rio, conseguiu assumir-se como o principal ator religioso em    ambos os pa&iacute;ses, privilegiando sempre a paz na sua a&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Igreja Cat&oacute;lica, democratiza&ccedil;&atilde;o    p&oacute;s-guerra, Angola, Mo&ccedil;ambique.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Several authors have considered the role of religious actors in democratization    processes around the world. This article aims to analyze the role of the Catholic    Church in the post-war democratization in Angola and Mozambique, two African    countries that share several historical traits, but in which the church had    different degrees of prominence. Three factors help to explain that difference:    1) the financial autonomy of the church towards the state 2) the inter-religious    cooperation 3) the geopolitical dimension of the civil war. This research shows    that the Catholic Church, guided by its pro-democratic doctrine, benefiting    from high permeation over the society and dense networks throughout the territory    became the main religious actor in both countries&rsquo; democratization and    pacification.</p>     <p><b>Keywords:</b> Catholic Church, post-war democratization, Angola, Mozambique.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Angola e Mo&ccedil;ambique iniciaram a sua transi&ccedil;&atilde;o para a democracia    no princ&iacute;pio dos anos 1990, tal como v&aacute;rios outros pa&iacute;ses    africanos no decorrer da chamada &laquo;terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.    Por&eacute;m, a mudan&ccedil;a de regime nestes dois pa&iacute;ses apresenta    uma especificidade importante: implicou uma transi&ccedil;&atilde;o dupla ou    simult&acirc;nea para a paz e democracia multipartid&aacute;ria. Por outras    palavras, foi uma transi&ccedil;&atilde;o que procurou p&ocirc;r termo a um    regime monopartid&aacute;rio a bra&ccedil;os com uma guerra civil prolongada    desde a independ&ecirc;ncia e instigada por din&acirc;micas regionais e internacionais,    por meio de um processo de pacifica&ccedil;&atilde;o que pressup&ocirc;s a democratiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em ambos os pa&iacute;ses, a guerra civil p&oacute;s-independ&ecirc;ncia teve    ra&iacute;zes na guerra de liberta&ccedil;&atilde;o anticolonial e no processo    de independ&ecirc;ncia. Em Angola, o Movimento Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o    de Angola (MPLA) &ndash; de orienta&ccedil;&atilde;o marxista-leninista e apoiado    pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &ndash; lutou contra a Uni&atilde;o Nacional    para a Independ&ecirc;ncia Total de Angola (UNITA), apoiada pelos Estados Unidos    e a &Aacute;frica do Sul<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Em    Mo&ccedil;ambique, os dois partidos foram a Frente de Liberta&ccedil;&atilde;o    de Mo&ccedil;ambique (FRELIMO), apoiada pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica,    e a Resist&ecirc;ncia Nacional Mo&ccedil;ambicana (RENAMO), uma cria&ccedil;&atilde;o    da Rod&eacute;sia do Sul e, mais tarde, apoiada pelo regime de <i>apartheid</i>    da &Aacute;frica do Sul.</p>     <p>O caminho para a transi&ccedil;&atilde;o dupla come&ccedil;ou no final dos    anos 1980, quando o &laquo;empate militar&raquo; entre as for&ccedil;as beligerantes,    o fim da Guerra Fria e o colapso do <i>apartheid</i> na &Aacute;frica do Sul    predisp&ocirc;s os respetivos beligerantes a entrar em negocia&ccedil;&otilde;es.    No in&iacute;cio dos anos 1990, os acordos de paz foram finalmente assinados    e, na sua sequ&ecirc;ncia, realizaram-se as primeiras elei&ccedil;&otilde;es    multipartid&aacute;rias.</p>     <p>Nesta transi&ccedil;&atilde;o e no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o    que se lhe seguiu, o papel da Igreja Cat&oacute;lica (IC) foi incontorn&aacute;vel.    De facto, v&aacute;rios autores t&ecirc;m apontado para a for&ccedil;a democratizadora    do catolicismo, associada a uma mudan&ccedil;a na teologia pol&iacute;tica ocorrida    na sequ&ecirc;ncia do Conc&iacute;lio Vaticano II (1962-1965), em que a Igreja    passou a focar-se e a promover os direitos humanos, a democracia, a liberdade    religiosa e o desenvolvimento econ&oacute;mico<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que toca aos dois pa&iacute;ses africanos sob an&aacute;lise, apesar da    liga&ccedil;&atilde;o com o regime colonial portugu&ecirc;s<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>    e da persegui&ccedil;&atilde;o a que foi sujeita em ambos os pa&iacute;ses imediatamente    ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia em 1975<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>,    a Igreja conseguiu reconstituir-se como institui&ccedil;&atilde;o nacional,    onde as hierarquias passaram a ser compostas por bispos africanos e as confer&ecirc;ncias    episcopais mantiveram autonomia de a&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.    Muito importante, a IC conseguiu logo nos meados dos anos 1980 o reconhecimento    legal pelos respetivos estados e continua a ser o principal ator religioso nos    dois pa&iacute;ses (<a href="#t1">tabela 1</a>), com uma permea&ccedil;&atilde;o    social bastante elevada, estando, ali&aacute;s, alinhada com a m&eacute;dia    da frequ&ecirc;ncia semanal &agrave;s missas de cerca de 70 por cento entre    os cat&oacute;licos em &Aacute;frica<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.    A IC apresenta-se ainda distribu&iacute;da por todo o territ&oacute;rio e com    redes densas em ambos os pa&iacute;ses.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n59/n59a04t1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o obstante os v&aacute;rios tra&ccedil;os semelhantes entre os dois    pa&iacute;ses, nomeadamente o passado colonial portugu&ecirc;s, o monopartidarismo    de inspira&ccedil;&atilde;o marxista-leninista e a guerra civil prolongada p&oacute;s-independ&ecirc;ncia,    bem como a simultaneidade temporal das transi&ccedil;&otilde;es, o catolicismo    pr&oacute;-democr&aacute;tico do p&oacute;s-Conc&iacute;lio Vaticano II, as    redes densas da IC e a permeabilidade da sociedade a esta, o papel da Igreja    nos processos de paz e de democratiza&ccedil;&atilde;o foi diferente em Angola    e em Mo&ccedil;ambique. Com efeito, a IC foi um ator mais proeminente em Maputo    do que em Luanda &ndash; atrav&eacute;s dos bispos, da diplomacia do Vaticano    e das organiza&ccedil;&otilde;es leigas nacionais e internacionais. Desde logo,    ao contr&aacute;rio da IC mo&ccedil;ambicana, a angolana n&atilde;o participou    nas negocia&ccedil;&otilde;es de paz e, apesar de no segundo per&iacute;odo    de guerra civil (1993-2002) as suas a&ccedil;&otilde;es a favor da paz e da    democracia terem sido mais vigorosas, a IC perdeu a sua janela de oportunidade    e a capacidade de interven&ccedil;&atilde;o com a vit&oacute;ria militar do    MPLAsobre a UNITA em 2002.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a></p>     <p>Dito isto, este artigo procura analisar, sob perspetiva comparada, o papel    da IC no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-guerra em Angola    e Mo&ccedil;ambique, desde a assinatura dos acordos de paz, no in&iacute;cio    da d&eacute;cada de 1990, at&eacute; 2017. O argumento central &eacute; que    o papel da IC na promo&ccedil;&atilde;o da paz e da democracia foi mais proeminente    em Mo&ccedil;ambique do que em Angola devido a tr&ecirc;s fatores principais:    1) a autonomia legal e financeira em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado, constante    na IC em Mo&ccedil;ambique mas interrompida na IC em Angola ap&oacute;s 2002;    2) a alian&ccedil;a com outras for&ccedil;as religiosas conseguida em Mo&ccedil;ambique    no final dos anos 1980, mas s&oacute; posteriormente e sem for&ccedil;a de influ&ecirc;ncia    em Angola; 3) a dimens&atilde;o geopol&iacute;tica das guerras civis, permitindo    &agrave; IC em Mo&ccedil;ambique assumir um papel de media&ccedil;&atilde;o    no processo de paz, pelo pr&oacute;prio pa&iacute;s n&atilde;o constituir uma    prioridade para as grandes pot&ecirc;ncias da Guerra Fria e, tamb&eacute;m,    pelo facto de os poderes regionais terem falhado nas tentativas de media&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Dois fatores, a autonomia legal e financeira da IC e a capacidade de forjar    alian&ccedil;as com outras for&ccedil;as da sociedade civil, s&atilde;o apontados    como vari&aacute;veis cruciais para a efic&aacute;cia das igrejas em processos    de democratiza&ccedil;&atilde;o por K&uuml;nkler e Leininger<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.    A an&aacute;lise aqui conduzida monitoriza tamb&eacute;m os restantes fatores    propostos pelas mesmas autoras, incluindo a teologia pr&oacute;-democr&aacute;tica,    a permeabilidade social da religi&atilde;o e a densidade das redes, como fatores    que t&ecirc;m um impacto construtivo das igrejas nos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>Os dados recolhidos para este artigo prov&ecirc;m de v&aacute;rias fontes,    nomeadamente de entrevistas semiestruturadas com alguns dos membros da IC envolvidos    nas transi&ccedil;&otilde;es, assim como com alguns dos atores pol&iacute;ticos    mais relevantes no processo. Outras fontes prim&aacute;rias importantes s&atilde;o    as cartas pastorais das confer&ecirc;ncias episcopais e as homilias dos principais    bispos, incluindo as dos papas Jo&atilde;o Paulo II e Benedito XVI durante as    visitas aos pa&iacute;ses em 1992 e 2009 (Angola) e em 1998 (Mo&ccedil;ambique).    As narrativas sobre os processos de transi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o baseadas    em trabalhos de campo nos dois pa&iacute;ses entre 2012-2013 e 2016, assim como    em fontes secund&aacute;rias.</p>     <p>A partir de uma an&aacute;lise do contexto da transi&ccedil;&atilde;o e do    per&iacute;odo do p&oacute;s-transi&ccedil;&atilde;o, este artigo mostra como    a dimens&atilde;o geopol&iacute;tica das respetivas guerras civis e os processos    de negocia&ccedil;&atilde;o para a paz e democracia potenciaram, mas tamb&eacute;m    limitaram, as a&ccedil;&otilde;es da IC nos dois pa&iacute;ses. Isto &eacute;,    a IC focou-se em atividades em que podia manter a equidist&acirc;ncia entre    os dois partidos, tais como na educa&ccedil;&atilde;o e monitoriza&ccedil;&atilde;o    eleitoral e no apoio &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o assumindo    qualquer posicionamento a favor ou em detrimento de uma das partes. Depois,    a coopera&ccedil;&atilde;o entre protestantes e cat&oacute;licos e um ambiente    recetivo &agrave; media&ccedil;&atilde;o da sociedade civil em Mo&ccedil;ambique    facilitaram uma interven&ccedil;&atilde;o mais vigorosa e efetiva da Igreja    no processo de paz e democratiza&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique. Por    &uacute;ltimo, o artigo revela que a IC em Angola assumiu um papel de obstru&ccedil;&atilde;o    tempor&aacute;ria &agrave; democracia, em consequ&ecirc;ncia de uma estrat&eacute;gia    de coopta&ccedil;&atilde;o da Igreja pelo MPLA ap&oacute;s o fim da guerra civil    em 2002, a qual, por seu lado, beneficiou de uma perda de autonomia financeira    da IC.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O CONTEXTO DA TRANSI&Ccedil;&Atilde;O: AS NEGOCIA&Ccedil;&Otilde;ES E A    IMPLEMENTA&Ccedil;&Atilde;O DOS ACORDOS DE PAZ</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A transi&ccedil;&atilde;o dupla para a paz e a democracia em Angola e Mo&ccedil;ambique    ocorre no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, num contexto regional e internacional    favor&aacute;vel. Por um lado, a independ&ecirc;ncia da Nam&iacute;bia e o fim    do regime do <i>apartheid</i> na &Aacute;frica do Sul; por outro, o fim da Guerra    Fria, a que se junta tamb&eacute;m uma vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o    na &Aacute;frica Subsariana, com a entrada do multipartidarismo.</p>     <p>O papel da IC no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o em ambos os pa&iacute;ses    &eacute; indissoci&aacute;vel do processo de negocia&ccedil;&atilde;o e de implementa&ccedil;&atilde;o    dos respetivos acordos de paz. Importa, desde j&aacute;, mencionar que a Igreja    conseguiu emergir como institui&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma nos dois pa&iacute;ses    ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia; isto &eacute;, num contexto dif&iacute;cil    de regimes independentes inspirados por ideologias marxistas-leninistas, a bra&ccedil;os    com um conflito armado dentro do seu territ&oacute;rio, e que n&atilde;o viam    com bons olhos a Igreja devido &agrave; sua liga&ccedil;&atilde;o com o regime    colonial portugu&ecirc;s. N&atilde;o obstante essa autonomia, veremos uma IC    com um papel mais proeminente em Mo&ccedil;ambique que em Angola no contexto    da transi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As negocia&ccedil;&otilde;es do acordo de paz em Angola come&ccedil;aram em    abril de 1990 e foram mediadas por Portugal, os Estados Unidos e a R&uacute;ssia,    sem a participa&ccedil;&atilde;o da IC ou de qualquer ator n&atilde;o estatal    e n&atilde;o armado. Ap&oacute;s seis rondas de negocia&ccedil;&atilde;o, os    chamados Acordos de Bicesse foram finalmente assinados entre o Governo do MPLA    e a UNITA a 31 de maio de 1991<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.    J&aacute; em Mo&ccedil;ambique, as negocia&ccedil;&otilde;es do Acordo Geral    de Paz ou Acordos de Roma duraram 27 meses ao longo de 12 rondas, desde o encontro    secreto em julho de 1990 at&eacute; &agrave; assinatura do acordo entre o Governo    da FRELIMO e a RENAMO a 4 de outubro de 1992<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.    Ao contr&aacute;rio de Angola, a IC foi central na solu&ccedil;&atilde;o negociada    &agrave; guerra civil mo&ccedil;ambicana, tanto na a&ccedil;&atilde;o de levar    os beligerantes &agrave; mesa de negocia&ccedil;&otilde;es, como no seu papel    de mediador nas pr&oacute;prias negocia&ccedil;&otilde;es em Roma, via Comunidade    Cat&oacute;lica de Santo Eg&iacute;dio, cujos la&ccedil;os com Mo&ccedil;ambique    remontam ao ano de 1976<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>Ao longo da guerra civil, tanto a Igreja mo&ccedil;ambicana como a angolana    enfatizaram a prioridade da pacifica&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, os bispos    angolanos explicitavam mais a urg&ecirc;ncia da democratiza&ccedil;&atilde;o,    insistindo que uma paz duradoura s&oacute; seria poss&iacute;vel mediante um    processo de inclus&atilde;o democr&aacute;tica da oposi&ccedil;&atilde;o no    regime<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Os bispos mo&ccedil;ambicanos,    por sua vez, faziam menos refer&ecirc;ncias &agrave; democracia e concentravam    mais os seus apelos na paz ou no fim do conflito armado<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Importa, contudo, salientar que as din&acirc;micas da guerra civil e sua resolu&ccedil;&atilde;o    em cada um dos pa&iacute;ses foram distintas. Em Mo&ccedil;ambique, as din&acirc;micas    foram influenciadas sobretudo pelo contexto regional e n&atilde;o tanto pelo    contexto internacional da Guerra Fria. Embora o Governo da FRELIMO recebesse    apoio militar e financeiro da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e do Bloco de Leste<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>,    Mo&ccedil;ambique era secund&aacute;rio para os Estados Unidos, enquanto que    Angola era central<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Com efeito,    as principais for&ccedil;as externas na guerra mo&ccedil;ambicana eram os regimes    de minoria branca da Rod&eacute;sia do Sul e da &Aacute;frica do Sul<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Podemos dizer que a primazia do contexto regional, a que se junta tamb&eacute;m    a perda de controlo territorial por parte do Governo, o cansa&ccedil;o da guerra    e os per&iacute;odos de seca e de fome no in&iacute;cio dos anos 1990, influenciaram    o processo de paz mo&ccedil;ambicano.</p>     <p>J&aacute; na d&eacute;cada de 1980, os bispos mo&ccedil;ambicanos haviam elaborado    v&aacute;rias cartas pastorais a denunciar as atrocidades cometidas contra civis    durante a guerra e exortavam a necessidade urgente de uma negocia&ccedil;&atilde;o    entre os dois beligerantes, o que, desde logo, rompia com a interpreta&ccedil;&atilde;o    do Governo da FRELIMO em caracterizar a guerra como um confronto provocado por    for&ccedil;as externas que comandavam os &laquo;bandidos armados&raquo; (RENAMO).    De destacar a carta pastoral <i>A Paz que o Povo Quer</i>, a qual, para al&eacute;m    de exigir o in&iacute;cio da negocia&ccedil;&atilde;o para a paz, reconhecia    a legitimidade da RENAMO na mesa de negocia&ccedil;&otilde;es e a sua identidade    pol&iacute;tica<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Muitos outros    atores religiosos evitavam tecer este tipo de declara&ccedil;&otilde;es com    receio de verem as suas atividades sancionadas pelo Governo mo&ccedil;ambicano.</p>     <p>N&atilde;o obstante, a interven&ccedil;&atilde;o da IC no processo de paz d&aacute;-se    gra&ccedil;as &agrave; a&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios bispos protestantes.    Ou seja, em 1987 o Presidente Chissano encarregou os protestantes de encontrarem    a RENAMO. Com efeito, desde 1984 que a organiza&ccedil;&atilde;o protestante    Conselho Crist&atilde;o de Mo&ccedil;ambique (CCM) havia iniciado esfor&ccedil;os    para a solu&ccedil;&atilde;o negociada ao conflito, tendo criado, para esse    efeito, a Comiss&atilde;o para a Paz e Reconcilia&ccedil;&atilde;o (CPR)<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.    Mais ainda, aconselharam o Presidente Chissano a incluir os bispos cat&oacute;licos    no processo, pois a IC era uma das poucas institui&ccedil;&otilde;es com as    quais a RENAMO mantinha contacto e, como tal, era &uacute;til para o processo<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.    Assim, gra&ccedil;as &agrave; influ&ecirc;ncia dos bispos protestantes, Chissano    entrou em di&aacute;logo com os bispos cat&oacute;licos e mandatou uma miss&atilde;o    ecum&eacute;nica (protestantes e cat&oacute;licos) para entrarem em contacto    com o opositor<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Em 1988, a IC desenvolveu duas iniciativas importantes: 1) os representantes    cat&oacute;licos e protestantes contactaram as autoridades do Qu&eacute;nia    para a realiza&ccedil;&atilde;o de um encontro com a RENAMO entre maio e outubro    em Nairobi; v&aacute;rios l&iacute;deres religiosos, incluindo o bispo da Beira,    Dom Jaime Gon&ccedil;alves, encontraram-se com o l&iacute;der da RENAMO na Gorongosa    (Sofala) para convid&aacute;-lo a entrar em negocia&ccedil;&otilde;es; 2) a    visita do Papa Jo&atilde;o Paulo II a Mo&ccedil;ambique em setembro desse mesmo    ano, durante a qual exortou as duas partes a desenvolverem esfor&ccedil;os para    alcan&ccedil;arem a paz e apelou &agrave; comunidade internacional a assumir    responsabilidades pelos desenvolvimentos pol&iacute;ticos em Mo&ccedil;ambique<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Em resultado dessas iniciativas, eis ent&atilde;o que, em agosto de 1989, os    l&iacute;deres religiosos assumiram um papel de intermedi&aacute;rios nas conversa&ccedil;&otilde;es    indiretas em Nairobi, promovidas por v&aacute;rios l&iacute;deres africanos,    mas que fracassaram<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Em consequ&ecirc;ncia    desse fracasso, a IC tornou-se o principal ator religioso nas negocia&ccedil;&otilde;es    de paz. Os beligerantes focaram agora a sua aten&ccedil;&atilde;o em Roma e    no Vaticano como o lugar mais prometedor para as negocia&ccedil;&otilde;es diretas.    Com efeito, o Governo mo&ccedil;ambicano procurou o apoio do Vaticano, via secret&aacute;rio    de Estado do Vaticano, o cardeal Angelo Sodano, e do secret&aacute;rio para    as Rela&ccedil;&otilde;es com os Estados, Msg. Jean-Louis Tauran. O cardeal    Roger Etchegaray, presidente do Pontif&iacute;cio Conselho &laquo;Justi&ccedil;a    e Paz&raquo;, junto com o Governo italiano, organizou as negocia&ccedil;&otilde;es    para que estas tivessem lugar na Comunidade de Santo Eg&iacute;dio em Roma,    o que, ali&aacute;s, tamb&eacute;m tinha sido sugerido pela RENAMO<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escolha da comunidade leiga de Santo Eg&iacute;dio permitia um envolvimento    menos formal do Vaticano nas negocia&ccedil;&otilde;es. Por outro lado, as rela&ccedil;&otilde;es    entre Mo&ccedil;ambique e a It&aacute;lia, ainda anteriores &agrave; independ&ecirc;ncia,    foram um fator igualmente importante. Nos meados dos anos 1980, a It&aacute;lia    era o principal credor de Mo&ccedil;ambique e o principal parceiro de com&eacute;rcio,    bem como principal fonte de ajuda bilateral<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>A guerra em Angola, por sua vez, come&ccedil;ou quase imediatamente ap&oacute;s    declarada a independ&ecirc;ncia em novembro de 1975 e as grandes pot&ecirc;ncias    estavam altamente envolvidas nela. Com efeito, a interven&ccedil;&atilde;o externa    no conflito armado no pa&iacute;s come&ccedil;ou com o envio de tropas cubanas    e o apoio sovi&eacute;tico para ajudar o MPLA a ganhar o poder em 1975, enquanto    os Estados Unidos enviavam ajuda econ&oacute;mica e militar, primeiro &agrave;    Frente Nacional de Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola (FNLA) e depois &agrave;    UNITA<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. A guerra civil angolana    era o campo de batalha quente da Guerra Fria em &Aacute;frica, devido &agrave;    combina&ccedil;&atilde;o de interesses geoestrat&eacute;gicos, tamb&eacute;m    relacionados com as grandes reservas de petr&oacute;leo e de diamantes, tendo    o pa&iacute;s recebido mais aten&ccedil;&atilde;o por parte dos Estados Unidos    e da URSS que Mo&ccedil;ambique.</p>     <p>De facto, o envolvimento significativo das grandes pot&ecirc;ncias da Guerra    Fria, de Cuba (apoiando o MPLA) e da &Aacute;frica do Sul (apoiando a UNITA)    num contexto de rivalidade internacional e regional fez dos atores estatais    os atores predominantes<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> e    menos conducente ao envolvimento da IC durante as negocia&ccedil;&otilde;es    de paz. Os Estados Unidos e a URSS estavam bastante engajados no acordo de paz    nos finais dos anos 1980. Tanto assim &eacute; que, quando os acordos de paz    foram assinados em 1991, os ministros dos Neg&oacute;cios Estrangeiros dos Estados    Unidos e da R&uacute;ssia da altura, James Baker e Aleksandr Bessmertnykh, respetivamente,    declaram que a Guerra Fria em &Aacute;frica tinha terminado<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>     <p>A IC, mantendo uma grande discri&ccedil;&atilde;o, apresentava-se consistentemente    a favor da paz e da democracia. Durante a d&eacute;cada de 1980, os bispos cat&oacute;licos    elaboraram v&aacute;rias cartas pastorais fortemente cr&iacute;ticas &agrave;    repress&atilde;o do Governo &agrave; religi&atilde;o e argumentavam a favor    da paz e da democracia. O MPLA opunha-se particularmente aos apelos dos bispos    cat&oacute;licos &agrave; democracia, acusando-os de estarem ao servi&ccedil;o    do inimigo<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Durante as negocia&ccedil;&otilde;es    de paz, os bispos n&atilde;o se inibiam de comentar sobre os desenvolvimentos    pol&iacute;ticos e n&atilde;o hesitavam em criticar o Governo pela sua pouca    vontade de partilhar o poder com a UNITA.</p>     <p>Um exemplo desse criticismo foi durante as negocia&ccedil;&otilde;es de Gbadolite    em junho de 1989<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. As igrejas    n&atilde;o participaram no processo de Gbadolite e os bispos da Confer&ecirc;ncia    Episcopal de Angola e S&atilde;o Tom&eacute; (CEAST) criticaram o Governo do    MPLA pela falta de um compromisso plaus&iacute;vel que pudesse ser aceite pela    UNITA, inclusive o compromisso para a democracia multipartid&aacute;ria<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.    Em rea&ccedil;&atilde;o, o MPLA considerava a postura pr&oacute;-democr&aacute;tica    dos bispos como injustamente favor&aacute;vel &agrave; UNITA<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.    Contudo, vale a pena salientar que a hostilidade para com o envolvimento da    IC n&atilde;o evitou que os bispos continuassem a denunciar e a apelar aos dois    beligerantes para o fim da guerra e realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es    livres<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>Com a assinatura dos acordos de paz em Angola (1991) e Mo&ccedil;ambique (1992),    come&ccedil;a ent&atilde;o o per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    nos dois pa&iacute;ses. Essa transi&ccedil;&atilde;o compreendeu assim o per&iacute;odo    desde a assinatura dos acordos at&eacute; &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o    das primeiras elei&ccedil;&otilde;es multipartid&aacute;rias em setembro de    1992, em Angola, e em outubro de 1994, em Mo&ccedil;ambique<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.    A IC teve um papel secund&aacute;rio, embora construtivo. Podemos dizer que    a democratiza&ccedil;&atilde;o foi um processo <i>top down</i> de elites e implementado    sob a supervis&atilde;o externa, pelo que as igrejas se mantiveram neutras e    equidistantes dos partidos pol&iacute;ticos. N&atilde;o obstante, em Angola    o regime do MPLA procurou cooptar a Igreja.</p>     <p>Em ambos os pa&iacute;ses, as transi&ccedil;&otilde;es desenhadas pelos respetivos    acordos de paz foram implementadas pelos seus signat&aacute;rios e ou beligerantes    e por atores estatais. Mais, as novas constitui&ccedil;&otilde;es que previam    o multipartidarismo (1990 em Mo&ccedil;ambique e 1992 em Angola) foram exclusivamente    elaboradas pelos respetivos partidos no governo num contexto de negocia&ccedil;&atilde;o    de paz. Neste sentido, podemos dizer que a estrat&eacute;gia do MPLA e da FRELIMO    foi de controlo da abertura pol&iacute;tica. N&atilde;o esquecer que a derrota    do PAIGC (Partido Africano para a Independ&ecirc;ncia da Guin&eacute; e Cabo    Verde) em Cabo Verde e do MLSTP (Movimento de Liberta&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o    Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe) em S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe nas    primeiras elei&ccedil;&otilde;es multipartid&aacute;rias faziam temer os partidos    em Angola e Mo&ccedil;ambique<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>Em Angola, a transi&ccedil;&atilde;o caracterizou-se por um curto espa&ccedil;o    de tempo, poucos recursos da comunidade internacional e por epis&oacute;dios    de viola&ccedil;&atilde;o do acordo e viol&ecirc;ncia entre a UNITA e o MPLA.    A miss&atilde;o da ONU no pa&iacute;s, a United Nations Angola Verification    Mission (UNAVEM) II<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>, apresentava    somente um mandato de observa&ccedil;&atilde;o, pelo que a implementa&ccedil;&atilde;o    dos acordos era da exclusiva responsabilidade das partes angolanas<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.    J&aacute; em Mo&ccedil;ambique, a United Nations Operations in Mozambique (ONUMOZ)<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>    apresentava mais recursos e um mandato mais amplo e, portanto, cr&iacute;tico    enquanto supervisor das dimens&otilde;es pol&iacute;ticas (incluindo eleitoral),    militar e humanit&aacute;ria<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.    Em ambos os pa&iacute;ses, a IC cooperou com as miss&otilde;es de paz da ONU    e apoiou a condu&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es livres e justas    atrav&eacute;s de atividades de registo e educa&ccedil;&atilde;o eleitorais.</p>     <p>Em Angola, logo ap&oacute;s a assinatura dos Acordos de Bicesse, as cartas    pastorais dos bispos cat&oacute;licos apoiavam o acordo de paz e a democracia    multipartid&aacute;ria nele prevista, ao mesmo tempo que denunciavam as viola&ccedil;&otilde;es    &agrave;s suas medidas<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Tal    como Schubert considerou, a Igreja era assim um ator construtivo que intervinha    em termos simb&oacute;licos e pr&aacute;ticos<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.    A teologia pol&iacute;tica pr&oacute;-democr&aacute;tica da IC defendia as elei&ccedil;&otilde;es    e a democracia como regime pol&iacute;tico mais leg&iacute;timo e a base para    uma paz duradoura<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Por outro    lado, em termos pr&aacute;ticos, o arcebispo de Luanda, o cardeal D. Alexandre    do Nascimento, apoiou o estabelecimento dos la&ccedil;os diplom&aacute;ticos    com o Vaticano<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>, incluindo    a visita do Papa Jo&atilde;o Paulo II a Angola em junho de 1992, umas semanas    logo ap&oacute;s a assinatura dos acordos de paz<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>De salientar tamb&eacute;m que, em 1992, o Estado angolano reconheceu formalmente    a Igreja e restitui a esta&ccedil;&atilde;o de r&aacute;dio cat&oacute;lica,    a R&aacute;dio Ecclesia, criada em 1955 e nacionalizada em 1977, &agrave; IC    , embora tenha limitado o seu sinal a Luanda<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.    Com efeito, como um dos poucos meios de comunica&ccedil;&atilde;o independentes    do pa&iacute;s, com elevados n&iacute;veis de analfabetismo e iliteracia, esta    restaura&ccedil;&atilde;o da r&aacute;dio cat&oacute;lica foi uma importante    concess&atilde;o. Desde logo, foi uma decis&atilde;o tomada num contexto de    campanha eleitoral, em que o regime necessitava do apoio da IC como institui&ccedil;&atilde;o    religiosa &laquo;pan-angolana&raquo; e politicamente neutra<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.    Em compensa&ccedil;&atilde;o pelo seu papel positivo durante a transi&ccedil;&atilde;o,    a Igreja recuperou a total liberdade de culto e as suas propriedades que haviam    sido expropriadas regressaram para as suas m&atilde;os. &Eacute; certo que a    IC usou os seus recursos para intervir a favor da paz e da democracia, por&eacute;m,    o regime procurou cooptar as for&ccedil;as religiosas, ao nomear v&aacute;rios    l&iacute;deres religiosos para o novo &oacute;rg&atilde;o consultivo do Presidente    da Rep&uacute;blica, o Conselho da Rep&uacute;blica<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.    Tal n&atilde;o impediu que a confer&ecirc;ncia dos bispos enviasse v&aacute;rias    mensagens a denunciar o conte&uacute;do violento das mensagens dos partidos    pol&iacute;ticos e dos m&eacute;dia, bem como viola&ccedil;&otilde;es no processo    de desarmamento<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso de Mo&ccedil;ambique, a IC tamb&eacute;m assumiu um papel construtivo    na implementa&ccedil;&atilde;o do acordo de paz, em particular no seu apoio    ao processo eleitoral<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>. Fruto    da sua media&ccedil;&atilde;o nas negocia&ccedil;&otilde;es de paz, a Igreja    beneficiou de um elevado n&iacute;vel de confian&ccedil;a entre os beligerantes    e a sociedade em geral. Tamb&eacute;m conseguiu recuperar a maioria das suas    par&oacute;quias, miss&otilde;es, centros pastorais e outras propriedades nacionalizadas.    Por outro lado, a Igreja fez esfor&ccedil;os significativos no recrutamento    de crist&atilde;os leigos como &laquo;agentes de reconcilia&ccedil;&atilde;o&raquo;,    que a Comiss&atilde;o Episcopal de Justi&ccedil;a e Paz procurava constituir    para prevenir um novo escalar da viol&ecirc;ncia<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>.    Em conjunto com o CCM, o cl&eacute;rigo cat&oacute;lico levou a cabo programas    de educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica e eleitoral<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>.    Enquanto atores politicamente independentes, as interven&ccedil;&otilde;es dos    bispos mo&ccedil;ambicanos tinham marcas de um discurso feito &agrave; medida    de circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>.</p>     <p>Dito isto, em ambos os pa&iacute;ses vemos uma IC com um discurso pr&oacute;-paz    e pr&oacute;-democracia, enraizado na doutrina do Conc&iacute;lio Vaticano II,    o qual permitiu a sua transforma&ccedil;&atilde;o de instrumento do regime colonial    para ator leg&iacute;timo e poderoso para a paz e democracia. Por outro, altamente    engajada na interven&ccedil;&atilde;o construtiva no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o    como via para uma paz duradoura, mas mantendo-se equidistante dos dois beligerantes    durante a guerra, o que lhe deu margem para criticar a viol&ecirc;ncia cometida    por ambos os lados.</p>     <p>O papel mais proeminente da IC em Mo&ccedil;ambique do que em Angola no processo    de negocia&ccedil;&atilde;o deve-se a dois aspetos principais: 1) a coopera&ccedil;&atilde;o    entre a IC e outros atores religiosos (protestantes e isl&acirc;micos)<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>.    De facto, se n&atilde;o fosse pela alian&ccedil;a com os protestantes, a IC    n&atilde;o teria sido chamada a desempenhar um papel mediador e depois anfitri&atilde;o    nas negocia&ccedil;&otilde;es de paz em Roma. Em Angola, a IC estava isolada    nos seus esfor&ccedil;os para ajudar a mediar o processo para a paz e democracia;    2) o pr&oacute;prio ambiente geopol&iacute;tico da guerra civil e dos processos    de paz, que acabou por influenciar a participa&ccedil;&atilde;o de atores n&atilde;o    estatais. Por outras palavras, o menor envolvimento das grandes pot&ecirc;ncias    da Guerra fria e das pot&ecirc;ncias regionais em Mo&ccedil;ambique do que em    Angola criou um ambiente prop&iacute;cio ao envolvimento de atores n&atilde;o    estatais como a Igreja. Em Angola, o elevado envolvimento das grandes pot&ecirc;ncias    e da &Aacute;frica do Sul no contexto da Guerra Fria fez dos estados atores    proeminentes.</p>     <p>J&aacute; na fase de implementa&ccedil;&atilde;o dos acordos de paz, vemos    a IC a assumir um papel construtivo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o,    gra&ccedil;as tamb&eacute;m &agrave; sua permea&ccedil;&atilde;o social e redes    densas no territ&oacute;rio dos dois pa&iacute;ses, capazes de transmitir informa&ccedil;&atilde;o    &agrave; popula&ccedil;&atilde;o sobre o processo eleitoral e desenvolver programas    de educa&ccedil;&atilde;o eleitoral. Em Mo&ccedil;ambique, a Igreja aproveitou    ainda o seu capital de confian&ccedil;a para prevenir o regresso &agrave; viol&ecirc;ncia    armada com a cria&ccedil;&atilde;o de agentes de reconcilia&ccedil;&atilde;o.    O alcance da a&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-democracia da IC em ambos os pa&iacute;ses    tamb&eacute;m se relaciona com os seus n&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o    m&uacute;ltipla e com a forte articula&ccedil;&atilde;o com a hierarquia da    Igreja. Os bispos, atrav&eacute;s das suas cartas e das suas iniciativas como    mediadores, acabavam por interagir com a elite pol&iacute;tica. Os padres e    os l&iacute;deres da comunidade, por sua vez, eram importantes transmissores    dos valores e procedimentos democr&aacute;ticos na popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A P&Oacute;S-TRANSI&Ccedil;&Atilde;O: TRAJET&Oacute;RIAS DE UMA PAZ E DEMOCRACIA    DIF&Iacute;CEIS</b></p>     <p>No que toca ao per&iacute;odo que se seguiu &agrave;s primeiras elei&ccedil;&otilde;es    multipartid&aacute;rias, realizadas no &acirc;mbito da implementa&ccedil;&atilde;o    dos respetivos acordos de paz, as trajet&oacute;rias de ambos os pa&iacute;ses    n&atilde;o podiam ser mais distintas. Ao contr&aacute;rio de Mo&ccedil;ambique,    a guerra civil em Angola reacendeu ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de    setembro de 1992, na sequ&ecirc;ncia da n&atilde;o aceita&ccedil;&atilde;o violenta    da vit&oacute;ria eleitoral do MPLA pela UNITA, cujo fim s&oacute; ocorreu com    a vit&oacute;ria militar do Governo do MPLA em 2002. J&aacute; Mo&ccedil;ambique,    embora tenha conseguido manter a paz, no sentido da aus&ecirc;ncia do confronto    armado, e elei&ccedil;&otilde;es regulares desde 1994, o poder n&atilde;o deixou    de estar nas m&atilde;os da FRELIMO e a RENAMO cada vez mais descontente e marginalizada    pelo monop&oacute;lio do poder do ex-movimento de liberta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim sendo, o per&iacute;odo que se seguiu &agrave; transi&ccedil;&atilde;o    dupla para a paz e a democracia nos dois pa&iacute;ses pode ser visto em duas    fases. Mais especificamente, em Angola temos a fase de 1993 a 2002 e, depois,    a compreendida entre 2002 e 2017. Em Mo&ccedil;ambique, por seu lado, podemos    distinguir a fase de 1994 a 2012 e a de 2012 a 2017.</p>     <p>No que toca ao primeiro pa&iacute;s, a primeira fase do seu per&iacute;odo    de p&oacute;s-transi&ccedil;&atilde;o foi marcada por um segundo per&iacute;odo    de guerra civil ainda mais violento e pontuado por v&aacute;rios esfor&ccedil;os    para restaurar a paz<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>, incluindo    o primeiro exerc&iacute;cio ecum&eacute;nico entre cat&oacute;licos e protestantes    para pressionar a solu&ccedil;&atilde;o negociada ao conflito armado.</p>     <p>Nesta fase, a IC concentrou os seus esfor&ccedil;os sobretudo na ajuda humanit&aacute;ria    &agrave;s v&iacute;timas da guerra. Mas a partir de 1999, &agrave; medida que    a ofensiva militar por parte do MPLA se intensificava, os bispos cat&oacute;licos    procuravam mediar um acordo negociado de paz para p&ocirc;r termo definitivo    &agrave; guerra civil, atrav&eacute;s do Movimento Pro Pace e do Comit&eacute;    Inter-Eclesial para a Paz em Angola com oficiais religiosos protestantes. De    facto, foi a primeira vez que as igrejas crist&atilde;s angolanas tomaram uma    posi&ccedil;&atilde;o conjunta a favor de um processo pol&iacute;tico que visava    uma paz negociada<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>. Contudo,    a expetativa do Governo do MPLA era de vit&oacute;ria militar, pelo que a iniciativa    ecum&eacute;nica foi rejeitada. Embora a IC se tivesse afirmado como um ator    construtivo no sentido da paz e da democracia nesta fase, a sua iniciativa conjunta    constituiu uma oportunidade perdida, precisamente pela perce&ccedil;&atilde;o    de vit&oacute;ria militar da parte do Governo angolano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; Mo&ccedil;ambique, entre 1994 e 2012, era, por assim dizer, a menina    dos olhos da comunidade internacional; isto &eacute;, um exemplo de uma transi&ccedil;&atilde;o    bem-sucedida em &Aacute;frica que contou com o apoio das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas e com elei&ccedil;&otilde;es regulares desde ent&atilde;o<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>.    Mais ainda, no final da d&eacute;cada de 1990 a autonomia da IC havia sido refor&ccedil;ada.    Por outro lado, o Estado formalizou a sua neutralidade com respeito &agrave;s    for&ccedil;as religiosas, ao mesmo tempo que mantinha uma atitude positiva para    com o catolicismo. Com efeito, em 2012 o Estado mo&ccedil;ambicano e o Vaticano    assinaram uma concordata, a qual garantia &agrave; Igreja uma independ&ecirc;ncia    legal, bem como estabelecia o terreno para a colabora&ccedil;&atilde;o com o    Estado. Deste modo, a autonomia da IC aumentou, assistindo-se a um acr&eacute;scimo    no n&uacute;mero de fi&eacute;is, padres, freiras e mission&aacute;rios, equipar&aacute;vel    aos tempos anteriores &agrave; guerra civil<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>.    Para al&eacute;m da coopera&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o e na    sa&uacute;de, a Igreja participou tamb&eacute;m na elabora&ccedil;&atilde;o    e discuss&atilde;o da nova lei da fam&iacute;lia, aprovada em 2004, que proibia    o casamento pol&iacute;gamo.</p>     <p>Durante esta fase, os bispos mo&ccedil;ambicanos continuaram a estar comprometidos    no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, apelando ao voto e procurando consciencializar    o poder pol&iacute;tico do verdadeiro objetivo de servir o bem comum. Efetivamente,    as interven&ccedil;&otilde;es dos bispos cat&oacute;licos, em especial a partir    de 1996, apoiavam de forma cada vez mais direta a democracia e exigiam mais    transpar&ecirc;ncia nos processos eleitorais<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>.    Por outro lado, as cartas da Confer&ecirc;ncia Episcopal de Mo&ccedil;ambique    (cem) denunciavam abertamente a &laquo;politiza&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica&raquo;<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>. Ademais,    os bispos cat&oacute;licos da cem, junto com o Conselho Crist&atilde;o de Mo&ccedil;ambique    (CCM) e o Conselho Isl&acirc;mico de Mo&ccedil;ambique (CISLAMO), integraram    o Observat&oacute;rio Eleitoral, uma parceria de oito organiza&ccedil;&otilde;es    da sociedade civil mo&ccedil;ambicana para monitorizar os pleitos eleitorais<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a>.    Destaca-se ainda que a Comiss&atilde;o Episcopal de Justi&ccedil;a e Paz de    Mo&ccedil;ambique, uma comiss&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Episcopal de Mo&ccedil;ambique,    juntou cl&eacute;rigos e leigos e utilizou a sua ampla rede de dioceses e par&oacute;quias    para desenvolver um papel proativo no incentivo da participa&ccedil;&atilde;o    eleitoral e na educa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica. Em resumo, estamos a falar    de uma IC crescentemente aut&oacute;noma, com uma rede densa e com elevada permea&ccedil;&atilde;o    social, o que lhe permitiu contribuir construtivamente para a tentativa de democratiza&ccedil;&atilde;o    mo&ccedil;ambicana nesta fase.</p>     <p>Retomando o caso de Angola, ap&oacute;s a vit&oacute;ria militar do Governo    do MPLA sobre a UNITA e o fim da guerra civil com a assinatura do Memorando    de Entendimento de Luena a 4 de abril de 2002, o MPLA conseguiu consolidar o    seu poder com indubit&aacute;vel mestria e, consequentemente, influenciar toda    a transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do p&oacute;s-guerra<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>.    De facto, este ex-movimento de liberta&ccedil;&atilde;o ganhou todas as elei&ccedil;&otilde;es    gerais do p&oacute;s-guerra (2008, 2012 e 2017) e com mais de 60 por cento dos    votos. Embora o pa&iacute;s tenha conseguido consolidar a paz, o mesmo n&atilde;o    se pode dizer em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia. De acordo com os    principais &iacute;ndices de democracia, Angola continua a ser considerada um    regime autorit&aacute;rio e n&atilde;o livre<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>.</p>     <p>No caso de Mo&ccedil;ambique, a FRELIMO conseguiu igualmente manter o seu poder    com o controlo do aparelho do Estado e com sucessivas vit&oacute;rias eleitorais<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a>.    O pa&iacute;s tem conseguido estar em paz desde 1994; por&eacute;m, em 2012,    a mesma foi abalada por confrontos armados entre a RENAMO e o Governo, agravados    com as elei&ccedil;&otilde;es gerais de 2014. Este retorno &agrave; viol&ecirc;ncia    armada acabou manchando a imagem de transi&ccedil;&atilde;o exemplar do pa&iacute;s.    Por outro lado, a consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tem sido um    processo algo lento e bem-sucedido apenas parcialmente. De facto, embora Mo&ccedil;ambique    apresente melhores &iacute;ndices de democracia que Angola, ainda &eacute; considerado    um regime &laquo;h&iacute;brido&raquo; e parcialmente livre<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a>.</p>     <p>Em termos da interven&ccedil;&atilde;o da IC nesta segunda fase do per&iacute;odo    da p&oacute;s-transi&ccedil;&atilde;o, podemos afirmar que a vit&oacute;ria    militar do MPLA significou um fim abrupto ao potencial papel pol&iacute;tico    da Igreja em Angola. Mais ainda, podemos dizer ap&oacute;s 2002, a IC ficou    numa situa&ccedil;&atilde;o vulner&aacute;vel de depend&ecirc;ncia financeira    face ao Governo do MPLA, devido aos cortes nos seus subs&iacute;dios, e, por    conseguinte, perdeu a sua atitude cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao    partido do poder. Por outras palavras, tornou-se um ator temporariamente obstrutivo    &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Com efeito, o regime angolano viu a Igreja como um elemento cr&iacute;tico    e desafiador do regime, pelo que aproveitou a vantagem de esta estar financeiramente    debilitada como consequ&ecirc;ncia do fim dos apoios externos &agrave; Igreja    durante a guerra. O regime do MPLA atribuiu subs&iacute;dios &agrave;s dioceses    e par&oacute;quias, conseguindo, desta forma, cooptar a IC e impor um controlo    informal da mesma<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a>. Este decl&iacute;nio    da independ&ecirc;ncia da IC inibiu-a de se opor ao autoritarismo do Governo    do MPLA. Ademais, deu o seu apoio indireto ao partido nas elei&ccedil;&otilde;es    de 2008, atrav&eacute;s da transmiss&atilde;o de mensagens pr&oacute;-MPLA durante    as missas. Com efeito, a IC foi considerada um elemento importante para a vit&oacute;ria    eleitoral do MPLA nessas elei&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>.    Em consequ&ecirc;ncia, o criticismo interno &agrave; coniv&ecirc;ncia da Igreja    em rela&ccedil;&atilde;o ao regime come&ccedil;ou a ganhar tom. Em 2009, os    bispos da CEAST salientavam a redu&ccedil;&atilde;o substancial nos donativos    &agrave; Igreja desde o fim da guerra que resultam em problemas financeiros    para a institui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>.    A Confer&ecirc;ncia Episcopal reconheceu ainda que, desde 2005, a Igreja era    incapaz de sustentar as suas pr&oacute;prias despesas sem a ajuda do Estado    e que se encontrava numa situa&ccedil;&atilde;o perigosa de depend&ecirc;ncia    financeira face ao regime<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>.    Esta autocr&iacute;tica por parte de bispos cat&oacute;licos chegou a Roma,    tendo como efeito mudan&ccedil;as significativas no seio da pr&oacute;pria hierarquia    cat&oacute;lica angolana<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a>.    Ap&oacute;s a visita do Papa Bento XVI a Angola em mar&ccedil;o de 2009, Dom    Gabriel Mbilingi, um jovem bispo conhecido pela sua independ&ecirc;ncia, foi    nomeado presidente da CEAST<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>.    Assim, uma nova gera&ccedil;&atilde;o de cl&eacute;rigos cat&oacute;licos, que    pregava contra &laquo;a intoler&acirc;ncia pol&iacute;tica do governo, a pobreza    e a falta de solidariedade&raquo;, come&ccedil;ou a assumir uma maior proemin&ecirc;ncia    no tom das posi&ccedil;&otilde;es da IC<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a>.    N&atilde;o obstante este tom cr&iacute;tico ao autoritarismo e corrup&ccedil;&atilde;o    do Governo, estes cl&eacute;rigos eram cuidadosos nas suas posi&ccedil;&otilde;es,    de forma a n&atilde;o incitar &agrave; viol&ecirc;ncia, nem t&atilde;o-pouco    apoiavam abertamente o partido da oposi&ccedil;&atilde;o, a UNITA.</p>     <p>Mais recentemente, a ado&ccedil;&atilde;o de uma lei de criminaliza&ccedil;&atilde;o    total do aborto antes das elei&ccedil;&otilde;es de agosto de 2017, &eacute;    um exemplo de uma Igreja com algum m&uacute;sculo e influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica    em Angola. No entanto, o MPLA deu um passo atr&aacute;s nesta iniciativa legislativa    depois de grupos de mulheres influentes se terem mobilizado em massa contra    esta lei em mar&ccedil;o de 2017<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a>.</p>     <p>Por outro lado, uma mudan&ccedil;a de lideran&ccedil;a, de Jos&eacute; Eduardo    dos Santos (Presidente de Angola desde 1980) para o antigo ministro da Defesa,    Jo&atilde;o Louren&ccedil;o, eleito Presidente nas elei&ccedil;&otilde;es de    2017, trouxe consigo alguma expetativa em termos de liberaliza&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica e econ&oacute;mica. O novo Presidente da Rep&uacute;blica, agora    tamb&eacute;m presidente do partido no poder, foi eleito com base num discurso    de anticorrup&ccedil;&atilde;o. O Presidente Louren&ccedil;o declarou, na sua    primeira entrevista oficial &agrave; imprensa, o seu apoio &agrave; IC , at&eacute;    por considerar que a Igreja constitui uma base de apoio importante ao Governo    para este conseguir conter o crescimento das igrejas pentecostais. Por outro    lado, o novo Presidente prometeu &agrave; Igreja que iria permitir &agrave;    sua r&aacute;dio, a R&aacute;dio Ecclesia &ndash; ali&aacute;s considerada o    meio de comunica&ccedil;&atilde;o social mais independente no pa&iacute;s &ndash;    alargar o seu sinal de emiss&atilde;o a todo o pa&iacute;s<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a>.    O novo Presidente angolano mostrou tamb&eacute;m vontade de reiniciar as negocia&ccedil;&otilde;es    para o estabelecimento da Concordata com o Vaticano<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a>.</p>     <p>Dito isto, desde 2016 e num contexto de transfer&ecirc;ncia do poder ao n&iacute;vel    das lideran&ccedil;as do pa&iacute;s e do MPLA, a IC desenvolveu uma postura    mais cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao Governo angolano. Por exemplo,    a CEAST declarou que a crise econ&oacute;mico-financeira, iniciada no pa&iacute;s    em 2014, resultou n&atilde;o s&oacute; da baixa do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo    mas igualmente da falta de &eacute;tica, da m&aacute; gest&atilde;o do er&aacute;rio    p&uacute;blico e da corrup&ccedil;&atilde;o generalizada<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a>.    Com esta postura abertamente cr&iacute;tica dos bispos cat&oacute;licos &agrave;    corrup&ccedil;&atilde;o do regime, ao mesmo tempo enfatizando a necessidade    de uma democracia realmente efetiva no pa&iacute;s, a IC tornou-se novamente    um ator construtivo no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o de Angola.</p>     <p>No caso de Mo&ccedil;ambique, na segunda fase do seu p&oacute;s-transi&ccedil;&atilde;o,    o pa&iacute;s vive uma situa&ccedil;&atilde;o grave de reacendimento do conflito    armado e de instabilidade pol&iacute;tico-militar desde 2012. A exclus&atilde;o    da RENAMO do poder levou o partido a regressar aos seus m&eacute;todos violentos.    &Eacute; importante salientar que o l&iacute;der da RENAMO, Afonso Dhlakama<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a>,    ficou perto da vit&oacute;ria nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 1999,    mas nas duas d&eacute;cadas seguintes assistiu-se a um decl&iacute;nio do sucesso    eleitoral do principal partido da oposi&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, o    partido tem vindo a denunciar, de forma constante, a qualidade dos processos    eleitorais, chegando a boicotar alguns deles<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a>.    Podemos ent&atilde;o dizer que, ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de 1999,    as tens&otilde;es crescentes que se seguiram entre a FRELIMO e a RENAMO fizeram    com que a cem criticasse n&atilde;o s&oacute; a viol&ecirc;ncia eleitoral durante    a campanha eleitoral, mas tamb&eacute;m a qualidade dos processos eleitorais,    incluindo a contagem dos votos<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a>.    Os padres cat&oacute;licos continuaram a promover, de forma ininterrupta, a    participa&ccedil;&atilde;o eleitoral.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em outubro de 2013, o l&iacute;der da RENAMO declarou o fim do Acordo Geral    de Paz de 1992. Os confrontos entre os dois ex-beligerantes agravaram-se com    as elei&ccedil;&otilde;es de 2014, isto &eacute;, ap&oacute;s a vit&oacute;ria    eleitoral da FRELIMO e do seu novo candidato &agrave; presid&ecirc;ncia, Filipe    Nyusi. Por&eacute;m, desde ent&atilde;o houve v&aacute;rias tentativas de pacificar    o conflito, incluindo uma ronda de negocia&ccedil;&otilde;es mediada por atores    internacionais, com a participa&ccedil;&atilde;o do Vaticano e da Comunidade    de Santo Eg&iacute;dio<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a>. Ao    oferecer os seus servi&ccedil;os para ajudar no di&aacute;logo das duas partes,    a Igreja mostrou a sua cont&iacute;nua a&ccedil;&atilde;o construtiva no processo    de pacifica&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a>.</p>     <p>Durante a presid&ecirc;ncia de Nyusi teve lugar uma nova vaga de negocia&ccedil;&otilde;es    com a RENAMO que resultou numa tr&eacute;gua militar em 2017. Estas negocia&ccedil;&otilde;es    centraram-se na exig&ecirc;ncia da RENAMO de cria&ccedil;&atilde;o de novas    estruturas regionais e locais (incluindo novos organismos a n&iacute;vel provincial,    distrital e municipal), bem como o desarmamento e integra&ccedil;&atilde;o do    pessoal militar do partido nas For&ccedil;as Armadas de Mo&ccedil;ambique<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a>.</p>     <p>Esta instabilidade pol&iacute;tico-militar foi tamb&eacute;m acompanhada por    um esc&acirc;ndalo de corrup&ccedil;&atilde;o e de crise da d&iacute;vida soberana,    ap&oacute;s se ter conhecimento em 2016 da exist&ecirc;ncia de uma d&iacute;vida    secreta do Estado, correspondendo a dez por cento do PIB e devido ao financiamento    de tr&ecirc;s empresas privadas. Em resultado, a suspens&atilde;o das doa&ccedil;&otilde;es    estrangeiras a Mo&ccedil;ambique provocou uma grave crise financeira que prejudicou    a reputa&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique como um dos locais africanos    de crescimento potencial<sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a>.    A CEPJ condenou a corrup&ccedil;&atilde;o e apelou &agrave; justi&ccedil;a<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a>.</p>     <p>Assim sendo, apesar do contexto dif&iacute;cil desde 2012, a IC reafirmou a    sua for&ccedil;a promotora da paz e da democracia, e consolidou o seu report&oacute;rio    de a&ccedil;&atilde;o construtiva, atrav&eacute;s do apoio aos processos eleitorais,    da den&uacute;ncia das pr&aacute;ticas autorit&aacute;rias e de corrup&ccedil;&atilde;o,    da mobiliza&ccedil;&atilde;o de fi&eacute;is para resistir &agrave;s pr&aacute;ticas    violentas e da media&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo entre a RENAMO e a FRELIMO,    procurando, no entanto, manter-se sempre apartid&aacute;ria e neutral em prol    do processo de paz.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio de Angola &ndash; onde, ao receber apoio financeiro do    regime, a Igreja perdeu a sua liberdade para criticar o Governo, tendo mesmo    apoiado o MPLA nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008, assumindo, deste modo, um    papel temporariamente obstrutivo ao avan&ccedil;o da democratiza&ccedil;&atilde;o    &ndash;, a IC de Mo&ccedil;ambique conseguiu manter a sua independ&ecirc;ncia    e permaneceu como um ator construtivo constante para a paz e a democracia. No    entanto, importa referir que, desde 2016-2017, o processo de transfer&ecirc;ncia    de poder dentro do regime tem permitido &agrave; Igreja angolana ter alguma    margem de manobra para uma postura mais cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o    ao MPLA. N&atilde;o obstante, esta margem de manobra deve ser vista &agrave;    luz do pr&oacute;prio processo de consolida&ccedil;&atilde;o do poder da nova    lideran&ccedil;a do pa&iacute;s.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Este artigo procurou analisar a interven&ccedil;&atilde;o da Igreja Cat&oacute;lica    no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-guerra em Angola e Mo&ccedil;ambique,    desde a assinatura dos acordos de paz no come&ccedil;o da d&eacute;cada de 1990    at&eacute; 2017, com o objetivo de compreender o papel mais proeminente no segundo    caso que no primeiro.</p>     <p>Estes dois casos mostram que a Igreja constitui, em termos gerais, uma for&ccedil;a    pacificadora e democratizadora, ali&aacute;s enraizada na doutrina pr&oacute;-democr&aacute;tica    resultante do Conc&iacute;lio Vaticano II, a qual, al&eacute;m do mais, permitiu    a ascens&atilde;o de bispos africanos ao topo da hierarquia da Igreja de ambos    os pa&iacute;ses ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, a que se junta tamb&eacute;m    uma elevada permea&ccedil;&atilde;o social e redes densas por todo o territ&oacute;rio.    N&atilde;o obstante, a menor prioridade geopol&iacute;tica de Mo&ccedil;ambique    para os Estados Unidos e a URSS, bem como a incapacidade dos atores regionais    para conduzirem o processo de paz, junto com a coopera&ccedil;&atilde;o inter-religiosa    com a igreja protestante, ditou que a IC assumisse um papel mais proeminente    neste pa&iacute;s. Com efeito, a Igreja foi capaz n&atilde;o s&oacute; de levar    as partes beligerantes &agrave; mesa de negocia&ccedil;&otilde;es, como tamb&eacute;m    de mediar o pr&oacute;prio processo de paz, tornando-se, desde ent&atilde;o,    um ator reconhecidamente pr&oacute;-democr&aacute;tico e com elevado n&iacute;vel    de confian&ccedil;a entre a sociedade.</p>     <p>Os esfor&ccedil;os para manter ambos os pa&iacute;ses no trilho da democracia    e da paz enfrentaram v&aacute;rios obst&aacute;culos. Em Angola, o regresso    &agrave; guerra civil (1993-2002) e a perda da autonomia da IC em rela&ccedil;&atilde;o    ao Estado ap&oacute;s 2002, afetaram o papel da Igreja na democratiza&ccedil;&atilde;o    do pa&iacute;s, tendo sido um ator temporariamente obstrutivo ao processo. Em    Mo&ccedil;ambique, pelo contr&aacute;rio, a IC n&atilde;o s&oacute; manteve    como refor&ccedil;ou a sua autonomia, continuando a desempenhar um papel construtivo    de apoio &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o e tornou-se o principal ator    da sociedade civil, apesar da instabilidade pol&iacute;tico-militar desde 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Angola e Mo&ccedil;ambique s&atilde;o, assim, dois casos cujo processo de democratiza&ccedil;&atilde;o    &eacute; particular, pois ocorre em simult&acirc;neo com um processo de pacifica&ccedil;&atilde;o,    em que a Igreja se guia por uma doutrina cat&oacute;lica pr&oacute;-democr&aacute;tica,    de separa&ccedil;&atilde;o mas tamb&eacute;m de coopera&ccedil;&atilde;o com    o Estado, mas sempre com a prioridade assente na paz, ou seja, com uma a&ccedil;&atilde;o    bastante cautelosa e equidistante dos partidos pol&iacute;ticos para que o seu    apoio &agrave; competi&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;ticas    n&atilde;o ponha em causa o processo de pacifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>&laquo;A DEUS o que &eacute; de Deus&raquo;. In <i>Jornal de Angola</i>, novembro    de 1989, p. 4.</p>     <p>AFRICAN ELECTIONS DATABASE. (Consultado em: 15 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://africanelections.tripod.com/" target="_blank">http://africanelections.tripod.com/</a>.</p>     <p>ALDEN, Chris, e SIMPSON, Mark &ndash; &laquo;Mozambique: a delicate peace&raquo;.    In <i>The Journal of Modern African Studies</i>. Vol. 31, N.&ordm; 1, 1993,    pp. 109-130.</p>     <p>ALMEIDA, Claudia &ndash; &laquo;&ldquo;Adeus Dhlakama&rdquo;: que impactos    na pol&iacute;tica mo&ccedil;ambicana?&raquo;. In <i>Changing World</i>. 18    de maio de 2018. (Consultado em: 8 de julho de 2018). Dispon&iacute;vel em:    <a href="https://blog.cei.iscte-iul.pt/adeus-dhlakama-que-impactos-na-politica-mocambicana" target="_blank">https://blog.cei.iscte-iul.pt/adeus-dhlakama-que-impactos-na-politica-mocambicana</a>/.</p>     <p>ANDERSON, John &ndash; &laquo;The Catholic contribution to democratization&rsquo;s    "third wave": altruism, hegemony or self-interest?&raquo;. In <i>Cambridge Review    of International Affairs</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2007, pp. 383-399.</p>     <p>ANSTEE, Margaret Joan &ndash; <i>Never Learn to Type. A Woman at the United    Nations</i>. West Sussex: Wiley, 2003.</p>     <p>AZEVEDO-HARMAN, Elisabete &ndash; &laquo;Patching things up in Mozambique&raquo;.    In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 26, N.&ordm; 2, 2015, pp. 139-150.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BALOI, Obede &ndash; &laquo;Gest&atilde;o de conflitos e transi&ccedil;&atilde;o    democr&aacute;tica. In <i>Elei&ccedil;&otilde;es</i>, <i>Democracia e</i> <i>Desenvolvimento</i>.    Maputo: Inter-Africa Group, 1995, pp. 512-525.</p>     <p>BARTOLI, Andrea &ndash; &laquo;Mediating peace in Mozambique: the role of the    Community of Sant&rsquo;Egidio&raquo;. In <i>Herding Cats. Multiparty Mediation    in a Complex World</i>. Washington, dc: United States Institute of Peace, 2009,    pp. 261-263.</p>     <p>BERDENSKY, Yevgeny &ndash; &laquo;Role of the Christian churches in reconciliation    and transitional justice: Angola and Mozambique&raquo;. In <i>AfricaFiles</i>.    15 de maio de 2005, p. 5. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.africafiles.org/article.asp?ID=8868" target="_blank">http://www.africafiles.org/article.asp?ID=8868</a>.</p>     <p>BERNARDO, Lu&iacute;s Pais, e SANCHES, Edalina &ndash; &laquo;Religi&atilde;o    e tend&ecirc;ncias de democratiza&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica lus&oacute;fona&raquo;.    In <i>Espa&ccedil;o Lus&oacute;fono (1974/2014): Trajet&oacute;rias Econ&oacute;micas    e Pol&iacute;ticas. Lisboa</i>: CESA, CSG e ISEG, 2015, p. 121.</p>     <p>BERTELSMANN STIFTUNG &ndash; BTI 2016 &ndash; <i>Angola Country Report</i>.    G&uuml;tersloh: Bertelsmann Stiftung, 2016.</p>     <p>BERTELSMANN STIFTUNG &ndash; BTI 2016 &ndash; <i>Mozambique Country Report</i>.    G&uuml;tersloh: Bertelsmann Stiftung, 2016.</p>     <p>&laquo;BISPOS reagem artigo de Domingos da Cruz&raquo;. In <i>Folha8/Club-k.net</i>.    24 de dezembro de 2009. (Consultado em: 30 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4079:bispos-reagem-artigo-de-domingos-da-cruz&amp;catid=17&amp;Itemid=1067&amp;lang=pt" target="_blank">http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4079:bispos-reagem-artigo-de-domingos-da-cruz&amp;catid=17&amp;Itemid=1067&amp;lang=pt</a>.</p>     <p>CABRITA, Jo&atilde;o M. &ndash; <i>Mozambique. The Tortuous Road to Democracy</i>.    Nova York: Palgrave, 2000.</p>     <p>CENTER FOR APPLIED RESEARCH IN THE APOSTOLATE &ndash; <i>Global Catholicism:    Trends and Forecasts</i>. Washington, DC: University of Georgetown, 2015, p.    8. (Consultado em: 30 de abril de 2018. Dispon&iacute;vel em:<a href="http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4079:bispos-reagem-artigo-de-domingos-da-cruz&amp;catid=17&amp;Itemid=1067&amp;lang=pt" target="_blank">https://cara.georgetown.edu/staff/webpages/Global%20Catholicism%20Release.pdf</a>.</p>     <p>CHAN, Stephen, e VEN&Acirc;NCIO, Mois&eacute;s &ndash; <i>War and Peace in    Mozambique</i>. Nova York: Palgrave Macmillan, 1998.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COHEN, Herman J &ndash; <i>Intervening in Africa: Superpower Peacemaking in    a Troubled Continent</i>. Nova York: St. Martin&rsquo;s Press, 2000.</p>     <p>COMERFORD, Michael &ndash; &laquo;The Angolan churches from the Bicesse to    the Luena peace agreements (1991-2002): the building of a peace agenda and the    road to ecumenical dialogue&raquo;. In <i>Journal of Religion in Africa</i>.    Vol. 37, N.&ordm; 4, 2007, p. 496.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EPISCOPAL DE JUSTI&Ccedil;A E PAZ &ndash; <i>Comunicado da    Comiss&atilde;o Episcopal de Justi&ccedil;a e Paz da Igreja Cat&oacute;lica    face ao Relat&oacute;rio da Kroll Publicado pela PGR</i>. Maputo: CEPJ, 4 de    julho de 2017.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral </i><i>Solid&aacute;rios    para Um Mo&ccedil;ambique Melhor</i>. CEM: Maputo, 1994.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S&Atilde;O TOM&Eacute; <i>&ndash; Mensagem    aos Respons&aacute;veis Pol&iacute;ticos do MPLA-pt e da UNITA, a todo o Povo    de Deus e aos Homens de Boa Vontade</i>. Luanda: CEAST, 1989.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S&Atilde;O TOM&Eacute; &ndash; <i>Mensagem    Pastoral sobre as Conversa&ccedil;&otilde;es de Paz</i>. Luanda: CEAST, 1990.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S&Atilde;O TOM&Eacute; &ndash; <i>&Agrave;s    Portas da Segunda Rep&uacute;blica. Luanda</i>: CEAST, 1992.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S&Atilde;O TOM&Eacute; &ndash; <i>Os    Nossos Passos no Caminho da Paz</i>. Luanda: CEAST, 1992.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S&Atilde;O TOM&Eacute; &ndash; <i>Pol&iacute;ticos,    Democracia e Justi&ccedil;a</i>. Luanda: CEAST, 1992.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>A paz que o Povo    Quer</i>. CEM: Maputo, 1997.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral    Votar &eacute; Servir a P&aacute;tria</i>. CEM: Maputo, 1999.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral    Governar &eacute; Servir a P&aacute;tria</i>. CEM: Maputo, 2000.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral    Justi&ccedil;a e Transpar&ecirc;ncia nas Elei&ccedil;&otilde;es</i>. CEM: Maputo,    2003.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral    Comprometidos com a Justi&ccedil;a, a Reconcilia&ccedil;&atilde;o e a Paz</i>.    CEM: Maputo, 2008.</p>     <p>CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral    Exig&ecirc;ncia de Elei&ccedil;&otilde;es Livres, Justas e Transparentes</i>.    CEM: Maputo, 2008.</p>     <p>COSTA, Gustavo &ndash; &laquo;Angola: proibi&ccedil;&atilde;o do aborto &eacute;    receita explosiva&raquo;. In <i>Expresso</i>. 18 de mar&ccedil;o de 2013. (Consultado    em: 2 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-03-18-Angola-proibicao-do-aborto-e-receita-explosiva#gs.EbWZM64" target="_blank">http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-03-18-Angola-proibicao-do-aborto-e-receita-explosiva#gs.EbWZM64</a>.</p>     <p>COSTA PINTO, Ant&oacute;nio &ndash; <i>O Fim do Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s.    A Cena Internacional, a Guerra Colonial e a Descoloniza&ccedil;&atilde;o, 1961-1975</i>.    Lisboa: Livros Horizonte, 2001.</p>     <p>CRUZ E SILVA, Teresa &ndash; &laquo;Christian missions and the State in 19th    and 20th century Angola and Mozambique&raquo;. In <i>Oxford Research Encyclopedia    of African History</i>. Oxford: Oxford University Press, 2017, p. 21.</p>     <p>DELLA ROCCA, Roberto Morozzo &ndash; <i>Mozambico, Una Pace per l&rsquo;Africa</i>.    Mil&atilde;o: Leonardo Internacional, 2002.</p>     <p>&laquo;ENTREVISTA coletiva de Jo&atilde;o Louren&ccedil;o&raquo;. In <i>youtube</i>.    (Consultado em: 10 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCGz6-4RfWM" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=KCGz6-4RfWM</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FARIA, Paulo C. J. &ndash; T<i>he Post-War Angola: Public Sphere, Political    Regime and Democracy</i>. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars Publishing,    2013.</p>     <p>GENEROSO DE ALMEIDA, Claudia &ndash; &laquo;Processos de transi&ccedil;&atilde;o    dupla em Angola e Mo&ccedil;ambique: a adapta&ccedil;&atilde;o do MPLA e da    FRELIMO&raquo;. In <i>Democratiza&ccedil;&atilde;o, Mem&oacute;ria e Justi&ccedil;a    de Transi&ccedil;&atilde;o nos Pa&iacute;ses Lus&oacute;fonos</i>. Rio de Janeiro:    Autografia e EDUPE, 2017, p. 212.</p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, Jaime Pedro &ndash; A <i>Paz dos Mo&ccedil;ambicanos</i>.    Maputo: edi&ccedil;&atilde;o de autor, 2014.</p>     <p>GUJAMO, Rufino &ndash; <i>A Transi&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e a    Manuten&ccedil;&atilde;o da Paz em Mo&ccedil;ambique entre 1992 e 2004</i>.    Lisboa: Universidade de Lisboa, ISCTE-IUL, UCP e Universidade de &Eacute;vora,    2016, p. 146. Tese de doutoramento.</p>     <p>HANLON, Joseph &ndash; &laquo;Mozambique: talks with mediators yesterday and    today&raquo;. In <i>Mozambique News Reports and Clippings</i>. 21 de julho de    2016. (Consultado em: 18 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://allafrica.com/stories/201607210896.html" target="_blank">http://allafrica.com/stories/201607210896.html</a>.</p>     <p>HEYWOOD, Linda &ndash; &laquo;The Angolan church: the prophetic traditions,    politics, and the state&raquo;. In <i>The Catholic Church and the Nation-State:    Comparative Perspectives</i>. Washington: Georgetown University Press, 2006,    p. 197.</p>     <p><a href="http://www.juspax.co.mz/" target="_blank">http://www.juspax.co.mz/</a>    (Consultado em: 2 de fevereiro de 2018).</p>     <p><a href="https://peacekeeping.un.org/mission/past/ONUMOZ.htm" target="_blank">https://peacekeeping.un.org/mission/past/ONUMOZ.htm</a>    (Consultado em: 26 de fevereiro de 2018).</p>     <p><a href="https://peacekeeping.un.org/mission/past/Unavem2/UnavemIIB.htm" target="_blank">https://peacekeeping.un.org/mission/past/Unavem2/UnavemIIB.htm</a>    (Consultado em: 26 de fevereiro de 2018).</p>     <p>HUME, Cameron &ndash; <i>Ending Mozambique&rsquo;s War. The Role of Mediation    and Good Offices</i>. Washington: United States Institute of Peace Press, 1994.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>JAMES, W. Martin &ndash; <i>A Political History of the Civil War in Angola    1974-1990</i>. New Brunswick: Transaction Publishers, 1992.</p>     <p>K&Uuml;NKLER, Mirjam, e LEININGER, Julia &ndash; <i>Democratization and Democratic    Backsliding: When Does Religion Matter?</i>. Ann Arbor: University of Michigan    Press, 2019 (no prelo).</p>     <p>LUZIA, Jos&eacute; &ndash; <i>A Igreja das Palhotas: O Renascer da Igreja em    Mo&ccedil;ambique</i>. Lisboa: Paulinas, 2017.</p>     <p>LYNCH, Gabrielle, e CRAWFORD, Gordon &ndash; &laquo;Democratization in Africa    1990-2010: an assessment&raquo;. In <i>Democratization</i>. Vol. 18, N.&ordm;    2, 2011, pp. 275-310.</p>     <p>MANNING, Carrie &ndash; &laquo;Mozambique&rsquo;s slide into one party rule&raquo;.    In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 21, N.&ordm; 2, 2010, p. 152.</p>     <p>MESSIANT, Christine &ndash; &laquo;The mutation of hegemonic domination: multiparty    politics without democracy&raquo;. In <i>Angola,</i> <i>the Weight of History</i>.    Londres: Hurst, 2007, pp. 93-123.</p>     <p>MINTER, William &ndash; <i>Apartheid&rsquo;s Contras: An Inquiry into the Roots    of War in Angola and Mozambique</i>. Londres-Nova Jersey: Zed Books, 1994.</p>     <p>MOLE, In&aacute;cio &ndash; &laquo;A reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a    e a paz no ensinamento da Igreja Cat&oacute;lica em Mo&ccedil;ambique, Cartas    Pastorais e outros documentos da hierarquia &ndash; Bispos&raquo;. <i>In Atas    da 14.&ordf;</i> <i>Semana Teol&oacute;gica da Beira: A Igreja em Mo&ccedil;ambique    ao Servi&ccedil;o da Reconcilia&ccedil;&atilde;o, da Justi&ccedil;a e da Paz,    22-27 de Junho</i>. Maputo: Cole&ccedil;&atilde;o Temas de Investiga&ccedil;&atilde;o,    Nazar&eacute;, 2009, pp. 96-122. (Consultado em: 10 de mar&ccedil;o de 2018).    Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nazarebeira.com/wp-content/uploads/2017/05/ST-2009-9.pdf" target="_blank">http://www.nazarebeira.com/wp-content/uploads/2017/05/ST-2009-9.pdf</a>.</p>     <p>MONTEIRO, Ant&oacute;nio &ndash; &laquo;Portugal, os Estados Unidos e a guerra    angolana. Uma parceria para a paz&raquo;. In <i>Regimes e Imp&eacute;rio: As    Rela&ccedil;&otilde;es Luso-Americanas no S&eacute;culo XX</i>. Lisboa: FLAD    e IPRI, 2006, pp. 243-278.</p>     <p>MORAIS, Rafael Marques &ndash; &laquo;Ecclesia: a r&aacute;dio da Igreja Cat&oacute;lica    ou do Governo?&raquo;. In <i>Maka Angola. 18 de maio de 2014</i>. (Consultado    em: 20 de dezembro de 2017). Dispon&iacute;vel em:<a href="https://www.makaangola.org/2014/03/ecclesia-a-radio-da-igreja-catolica-ou-do-governo/" target="_blank">https://www.makaangola.org/2014/03/ecclesia-a-radio-da-igreja-catolica-ou-do-governo/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MORIER-GENOUD, Eric, e ANOUILH, Pierre &ndash; &laquo;The Catholic Church in    Mozambique under revolution, war and democracy&raquo;. In <i>Religion and Politics    in a Global Society: Comparative Perspectives from the Portuguese-Speaking World</i>.    Nova York: Lexington Books, 2013.</p>     <p>NCHUMALY, Claudino Goodyfry &ndash; <i>O Papel do Observat&oacute;rio Eleitoral    no Processo de Consolida&ccedil;&atilde;o da Democracia em Mo&ccedil;ambique:    Uma An&aacute;lise a partir das Perce&ccedil;&otilde;es dos Partidos Pol&iacute;ticos    (2003-2009)</i>. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, 2012. Disserta&ccedil;&atilde;o    de licenciatura.</p>     <p>NEVES, Tony &ndash; <i>Angola &ndash; Justi&ccedil;a e Paz nas Interven&ccedil;&otilde;es    da Igreja Cat&oacute;lica 1989-2002</i>. Lisboa: Texto, 2012.</p>     <p>NEWITT, Malyn &ndash; <i>A History of Mozambique</i>. Bloomington-Indianapolis:    Indiana University Press, 1995.</p>     <p>PAPA JO&Atilde;O PAULO II &ndash; &laquo;Hom&iacute;lia na Santa Missa no Est&aacute;dio    da Machava&raquo;. Maputo, 18 de setembro de 1988. (Consultado em: 10 de janeiro    de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1988/documents/hf_jp-ii_hom_19880918_mozambico-maputo.html" target="_blank">https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1988/documents/hf_jp-ii_hom_19880918_mozambico-maputo.html</a>.</p>     <p>P&Eacute;CLARD, Didier &ndash; &laquo;The "depoliticising machine": Church    and State in Angola since independence&raquo;. In <i>Religion and Politics in    Global Society: Comparative Perspectives from the Portuguese-Speaking World.    Nova York</i>: Lexington Books, 2013, p. 151.</p>     <p>ROTHCHILD, Donald, e HARTZELL, Caroline &ndash; &laquo;Inter-state and intra-state    negotiations in Angola&raquo;. In <i>Elusive Peace: Negotiating an End to Civil    Wars</i>. Washington, DC: Brookings, 1995, p. 177.</p>     <p>SAMPAIO, Madalena &ndash; &laquo;Igreja Cat&oacute;lica alerta que Angola n&atilde;o    pertence a &ldquo;clube de amigos&rdquo;&raquo;. In <i>DW</i>. 10 de mar&ccedil;o    de 2016. (Consultado em: 10 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-alerta-que-angola-n%C3%A3o-pertence-a-clube-de-amigos/a-19109735" target="_blank">http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-alerta-que-angola-n%C3%A3o-pertence-a-clube-de-amigos/a-19109735</a>.</p>     <p><i>Savana</i> (Mo&ccedil;ambique), 1 de abril de 1994, p. 12.</p>     <p>SCHUBERT, Bennedict &ndash; <i>A Guerra e as Igrejas, Angola 1961-1991</i>.    Basel: P. Schlettwein, 2000.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SEBASTI&Atilde;O, Arc&eacute;nio &ndash; &laquo;Igreja cat&oacute;lica quer    mediar no conflito em Mo&ccedil;ambique&raquo;. In <i>DW</i>. 15 de outubro    de 2015. (Consultado em: 14 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-quer-mediar-no-conflito-em-mo%C3%A7ambique/a-18785827" target="_blank">http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-quer-mediar-no-conflito-em-mo%C3%A7ambique/a-18785827</a>.</p>     <p>S&Iacute;NODO DOS BISPOS &ndash; &laquo;II Assembleia Especial para A´frica,    a Igreja em A´frica ao servic¸o da reconciliac¸a~o, da justic¸a e da paz &ldquo;Vo´s    sois o sal da terra... Vo´s sois a luz do Mundo&rdquo;&raquo;. In <i>Instrumentum    Laboris</i>. Cidade do Vaticano: Vaticano, 2009.</p>     <p>SOARES DE OLIVEIRA, Ricardo &ndash; <i>Magn&iacute;fica e Miser&aacute;vel.    Angola desde a Guerra Civil</i>. Lisboa: Tinta da China, 2015.</p>     <p>SOL DE CARVALHO &ndash; <i>Caminhos da Paz</i>. Document&aacute;rio. Maputo:    Promarte, 2012.</p>     <p>SYNGE, Richard &ndash; <i>Mozambique: UN Peacekeeping in Action, 1992-1994</i>.    Washington, DC: United States Institute of Peace, 1997.</p>     <p>TROY, Jodok &ndash; &laquo;"Catholic waves" of democratization? Roman Catholicism    and its potential for democratization&raquo;. In <i>Democratization</i>. Vol.    16, N.&ordm; 6, 2009, pp. 1093--1114.</p>     <p>VALENTIM, Jorge &ndash; <i>Caminho para a Paz e Reconcilia&ccedil;&atilde;o    Nacional &ndash; de Gbadolite a Bicesse &ndash; (1989-1992)</i>. Luanda: Mayamba,    2011.</p>     <p>VIEIRA M&Aacute;RIO, Tom&aacute;s &ndash; <i>Negocia&ccedil;&otilde;es de Paz    de Mo&ccedil;ambique: Cr&oacute;nica dos Dias de Roma</i>. Maputo: Instituto    Superior de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, Centro de Estudos Estrat&eacute;gicos    e Internacionais, 2004.</p>     <p>VINES, Alex &ndash; <i>Renamo: From Terrorism to Democracy in Mozambique</i>.    Londres: Centre for Southern African Studies, University of York, 1996.</p>     <p>VINES, Alex &ndash; &laquo;How can Mozambique manage its debt crisis?&raquo;.    In <i>Chatham House</i>. 15 de maio de 2016. (Consultado em: 10 de fevereiro    de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.chathamhouse.org/expert/comment/how-can-mozambique-manage-its-debt-crisis" target="_blank">https://www.chathamhouse.org/expert/comment/how-can-mozambique-manage-its-debt-crisis</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>VINES, Alex, e WILSON, Ken &ndash; &laquo;Churches and the Peace Process in    Mozambique&raquo;. <i>In The Christian Churches and the Democratisation of Africa</i>.    Leiden-Nova York-Col&oacute;nia: G. J. Brill, 1995, pp. 130-147.</p>     <p>ZUPPI, Don Matteo &ndash; &laquo;A comunidade de Santo Eg&iacute;dio no Acordo    Geral de Paz&raquo;. In <i>Elei&ccedil;&otilde;es,</i> <i>Democracia e Desenvolvimento</i>.    Maputo: Inter-Africa Group, 1995, pp. 115--123.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 25 de julho de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    5 de setembro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Este artigo baseia-se no cap&iacute;tulo    &laquo;The Catholic Church intervention in the peace and democratization processes    in Angola and Mozambique&raquo;, inclu&iacute;do no livro <i>Democratization    and Democratic Backsliding: When Does Religion Matter?</i>, de Mirjam K&uuml;nkler    e Julia Leininger (eds.) (Ann Arbour: University of Michigan Press, 2019). As    autoras gostariam de agradecer ao realizador Sol de Carvalho pelo acesso ao    material de entrevista, produzido no &acirc;mbito do document&aacute;rio Caminhos    da Paz (2012), e aos coment&aacute;rios recebidos no semin&aacute;rio de investiga&ccedil;&atilde;o    do IPRI em maio de 2018, e, em particular, &agrave; Edalina Sanches, que discutiu    os resultados.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> LYNCH, Gabrielle, e CRAWFORD,    Gordon &ndash; &laquo;Democratization in Africa 1990--2010: an assessment&raquo;.    In <i>Democratization</i>. Vol. 18, N.&ordm; 2, 2011, pp. 275-310.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> A FNLA (Frente Nacional para    a Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola) foi tamb&eacute;m uma das for&ccedil;as    beligerantes. Contudo, este movimento, baseado no Norte de Angola e apoiado    pelo Zaire, entrou em decl&iacute;nio em 1976 ap&oacute;s uma derrota militar    e um acordo diplom&aacute;tico entre o MPLA e o Governo do Zaire. Veja-se COSTA    PINTO, Ant&oacute;nio &ndash; <i>O Fim do Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s. A    Cena Internacional, a Guerra Colonial e a Descoloniza&ccedil;&atilde;o, 1961-1975</i>.    Lisboa: Livros Horizonte, 2001, pp. 75-76.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Veja-se ANDERSON, John &ndash;    &laquo;The Catholic contribution to democratization&rsquo;s "third wave": altruism,    hegemony or self-interest?&raquo;. In <i>Cambridge Review of International Affairs</i>.    Vol. 20, N.&ordm; 3, 2007, pp. 383-399; TROY, Jodok &ndash; &laquo;"Catholic    waves" of democratization? Roman Catholicism and its potential for democratization&raquo;.    In <i>Democratization</i>. Vol. 16, N.&ordm; 6, 2009, pp. 1093-1114.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> A Igreja gozou de rela&ccedil;&otilde;es    especiais com o Estado colonial portugu&ecirc;s, em especial desde a Concordata    e o Acordo Mission&aacute;rio de 1940, pois deram &agrave; Igreja Cat&oacute;lica    portuguesa autoridade sobre as miss&otilde;es cat&oacute;licas de Angola e Mo&ccedil;ambique.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> CABRITA, Jo&atilde;o M. &ndash;    <i>Mozambique. The Tortuous Road to Democracy. Nova York</i>: Palgrave, 2000,    p. 120; COMERFORD, Michael &ndash; &laquo;The Angolan churches from the Bicesse    to the Luena peace agreements (1991-2002): the building of a peace agenda and    the road to ecumenical dialogue&raquo;. In <i>Journal of Religion in Africa</i>.    Vol. 37, N.&ordm; 4, 2007, p. 496; HEYWOOD, Linda &ndash; &laquo;The Angolan    church: the prophetic traditions, politics, and the state&raquo;. In <i>The    Catholic Church and the Nation-State: Comparative Perspectives</i>. Washington:    Georgetown University Press, 2006, p. 197; VINES, Alex &ndash; <i>Renamo: From    Terrorism to Democracy in Mozambique</i>. Londres: Centre for Southern African    Studies, University of York, 1996, pp. 103-104.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Depois da expuls&atilde;o    de muitos dos mission&aacute;rios e padres estrangeiros, algumas das fun&ccedil;&otilde;es    destes foram tomadas por leigos, o que fortaleceu a interliga&ccedil;&atilde;o    da Igreja com a sociedade. Veja-se CRUZ E SILVA, Teresa &ndash; &laquo;Christian    missions and the State in 19th and 20th century Angola and Mozambique&raquo;.    In <i>Oxford Research Encyclopedia of African History</i>. Oxford: Oxford University    Press, 2017, p. 14; LUZIA, Jos&eacute; &ndash; <i>A Igreja das Palhotas: O Renascer    da Igreja em Mo&ccedil;ambique</i>. Lisboa: Paulinas, 2017.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Mas os estados mantinham baixos    n&iacute;veis de regula&ccedil;&atilde;o e de favoritismo do Estado das diferentes    religi&otilde;es. Veja-se CENTER FOR APPLIED RESEARCH IN THE APOSTOLATE &ndash;    <i>Global Catholicism: Trends and Forecasts</i>. Washington, DC: University    of Georgetown, 2015, p. 8. (Consultado em: 30 de abril de 2018. Dispon&iacute;vel    em: <a href="https://cara.georgetown.edu/staff/webpages/Global%20Catholicism%20Release.pdf" target="_blank">https://cara.georgetown.edu/staff/webpages/Global%20Catholicism%20Release.pdf</a>;    CRUZ E SILVA, Teresa &ndash; &laquo;Christian missions and the State in 19th    and 20th century Angola and Mozambique&raquo;, p. 21; BERNARDO, Lu&iacute;s    Pais, e SANCHES, Edalina &ndash; &laquo;Religi&atilde;o e tend&ecirc;ncias de    democratiza&ccedil;&atilde;o na &Aacute;frica lus&oacute;fona&raquo;. In <i>Espa&ccedil;o    Lus&oacute;fono (1974/2014): Trajet&oacute;rias Econ&oacute;micas e Pol&iacute;ticas</i>.    Lisboa: CEsA, CSG e ISEG, 2015, p. 121.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> O censo em Angola n&atilde;o    mediu o diferente peso das diferentes igrejas protestantes, sejam elas evang&eacute;licas    ou pentecostais.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> K&Uuml;NKLER, Mirjam, e    LEININGER, Julia &ndash; <i>Democratization and Democratic Backsliding: When    Does Religion Matter?. </i>Ann Arbor: University of Michigan Press, 2019 (no    prelo)..</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Sobre estas negocia&ccedil;&otilde;es,    veja-se COHEN, Herman J. &ndash; <i>Intervening in Africa: Superpower Peacemaking    in a Troubled Continent</i>. Nova York: St. Martin&rsquo;s Press, 2000; JAMES,    W. Martin &ndash; <i>A Political History of the Civil War in Angola 1974-1990</i>.    New Brunswick: Transaction Publishers, 1992; MONTEIRO, Ant&oacute;nio &ndash;    &laquo;Portugal, os Estados Unidos e a guerra angolana. Uma parceria para a    paz&raquo;. In <i>Regimes e Imp&eacute;rio: As Rela&ccedil;&otilde;es Luso-Americanas    no S&eacute;culo XX</i>. Lisboa: FLAD e IPRI, 2006, pp. 243-278; VALENTIM, Jorge    &ndash; <i>Caminho para a Paz e Reconcilia&ccedil;&atilde;o Nacional &ndash;    de Gbadolite a Bicesse &ndash; (1989-1992)</i>. Luanda: Mayamba, 2011.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Para uma descri&ccedil;&atilde;o    detalhada dessas 12 rondas e o papel da IC, veja-se DELLA ROCCA, Roberto Morozzo    &ndash; <i>Mozambico, Una Pace per l&rsquo;Africa</i>. Mil&atilde;o: Leonardo    Internacional, 2002; GON&Ccedil;ALVES, Jaime Pedro &ndash; <i>A Paz dos Mo&ccedil;ambicanos</i>.    Maputo: edi&ccedil;&atilde;o de autor, 2014; HUME, Cameron &ndash; <i>Ending    Mozambique&rsquo;s War. The Role of Mediation and Good Offices</i>. Washington:    United States Institute of Peace Press, 1994; VIEIRA M&Aacute;RIO, Tom&aacute;s    &ndash; <i>Negocia&ccedil;&otilde;es de Paz de Mo&ccedil;ambique: Cr&oacute;nica    dos Dias de Roma</i>. Maputo: Instituto Superior de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais,    Centro de Estudos Estrat&eacute;gicos e Internacionais, 2004; VINES, Alex &ndash;    <i>Renamo: From Terrorism to Democracy in Mozambique</i>, pp. 131-140; SOL DE    CARVALHO &ndash; <i>Caminhos da Paz</i>. Document&aacute;rio. Maputo: Promarte,    2012.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Esta comunidade cat&oacute;lica    foi fundada em 1968 por um grupo de estudantes, seguindo o esp&iacute;rito do    Conc&iacute;lio Vaticano II. Sobre os seus la&ccedil;os com Mo&ccedil;ambique,    Santo Eg&iacute;dio foi uma base importante para a socializa&ccedil;&atilde;o    religiosa de v&aacute;rios l&iacute;deres pol&iacute;ticos mo&ccedil;ambicanos,    conduziu esfor&ccedil;os diplom&aacute;ticos que levaram &agrave; visita do    Papa a Maputo em 1988, para al&eacute;m de ter levado a cabo pequenos projetos    de desenvolvimento no pa&iacute;s (1984-1988) e foi, inclusive, convidada a    participar no V Congresso da FRELIMO em Maputo em 1989. Veja-se CHAN, Stephen,    e VEN&Acirc;NCIO, Mois&eacute;s &ndash; <i>War and Peace in Mozambique</i>.    Nova York: Palgrave Macmillan, 1998, p. 19; DELLA ROCCA, Roberto Morozzo &ndash;    <i>Mozambico, Una Pace per l&rsquo;Africa</i>, pp. 29-30; VINES, Alex, e WILSON,    Ken &ndash; &laquo;Churches and the Peace Process in Mozambique&raquo;. In <i>The    Christian Churches and the Democratisation of Africa</i>. Leiden-Nova York-Col&oacute;nia:    G. J. Brill, 1995, pp. 130-147; ZUPPI, Don Matteo &ndash; &laquo;A comunidade    de Santo Eg&iacute;dio no Acordo Geral de Paz&raquo;. In <i>Elei&ccedil;&otilde;es,    Democracia e Desenvolvimento</i>. Maputo: Inter-Africa Group, 1995, pp. 115-123.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> NEVES, Tony &ndash; <i>Angola    &ndash; Justi&ccedil;a e Paz nas Interven&ccedil;&otilde;es da Igreja Cat&oacute;lica    1989-2002</i>. Lisboa: Texto, 2012.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> MOLE, In&aacute;cio &ndash;    &laquo;A reconcilia&ccedil;&atilde;o, a justi&ccedil;a e a paz no ensinamento    da Igreja Cat&oacute;lica em Mo&ccedil;ambique, Cartas Pastorais e outros documentos    da hierarquia &ndash; Bispos&raquo;. In Atas da 14.&ordf; Semana Teol&oacute;gica    da Beira: A Igreja em Mo&ccedil;ambique ao Servi&ccedil;o da Reconcilia&ccedil;&atilde;o,    da Justi&ccedil;a e da Paz, 22-27 de Junho. Maputo: Cole&ccedil;&atilde;o Temas    de Investiga&ccedil;&atilde;o, Nazar&eacute;, 2009, pp. 96-122. (Consultado    em: 10 de mar&ccedil;o de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nazarebeira.com/wp-content/uploads/2017/05/ST-2009-9.pdf" target="_blank">http://www.nazarebeira.com/wp-content/uploads/2017/05/ST-2009-9.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> ALDEN, Chris, e SIMPSON,    Mark &ndash; &laquo;Mozambique: a delicate peace&raquo;. In <i>The Journal of    Modern African Studies</i>. Vol. 31, N.&ordm; 1, 1993, pp. 109-130; NEWITT,    Malyn &ndash; <i>A History of Mozambique</i>. Bloomington-Indianapolis: Indiana    University Press, 1995.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> COSTA PINTO, Ant&oacute;nio    &ndash; <i>O Fim do Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s</i>, p. 75.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Estes regimes sentiam-se    amea&ccedil;ados com o fim do regime colonial portugu&ecirc;s, em especial pelo    apoio do Governo mo&ccedil;ambicano &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o ao regime    racista desses pa&iacute;ses. Por outro lado, a FRELIMO apoiou a resolu&ccedil;&atilde;o    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de impor san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas    contra o regime rodesiano (1976), o que resultou no apoio dos servi&ccedil;os    secretos rodesianos &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da RENAMO. Ap&oacute;s o    fim do regime racista rodesiano em 1980, o regime do <i>apartheid</i> da &Aacute;frica    do Sul tomou conta da RENAMO, levando a uma intensifica&ccedil;&atilde;o da    guerra civil.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Confer&ecirc;ncia Episcopal    de Mo&ccedil;ambique &ndash; <i>A Paz que o Povo Quer</i>. CEM: Maputo, 1987.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> VINES, Alex &ndash; <i>Renamo:    From Terrorism to Democracy in Mozambique</i>, p. 120.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Entrevista com o bispo    anglicano e presidente do Conselho do CCM, Dom Dinis Sengulane (Maputo, 2011)    e com o ex-Presidente de Mo&ccedil;ambique, Joaquim Chissano (Maputo, 2012),    para o document&aacute;rio <i>Caminhos da Paz</i> (2012) do realizador Sol de    Carvalho e durante a miss&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o de um dos autores    a Mo&ccedil;ambique (2012).</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Entrevista com Dom Dinis    Sengulane (Maputo, 2011) e Joaquim Chissano (Maputo, 2011 e 2012). Veja-se tamb&eacute;m:    CHAN, Stephen, e VEN&Acirc;NCIO, Mois&eacute;s &ndash; <i>War and Peace in Mozambique</i>,    p. 19; VINES, Alex &ndash; <i>Renamo: From Terrorism to Democracy in Mozambique</i>,    p. 121.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> PAPA JO&Atilde;O PAULO    II &ndash; &laquo;Hom&iacute;lia na Santa Missa no Est&aacute;dio da Machava&raquo;.    Maputo, 18 de setembro de 1988. (Consultado em: 10 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel    em: <a href="https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1988/documents/hf_jp-ii_hom_19880918_mozambico-maputo.html" target="_blank">https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1988/documents/hf_jp-ii_hom_19880918_mozambico-maputo.html</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Nomeadamente, Pik Botha    (&Aacute;frica do Sul), Daniel Arap Moi (Qu&eacute;nia), Kamuzu Banda (Malawi)    e Robert Mugabe (Zimbabu&eacute;). Veja-se BARTOLI, Andrea &ndash; &laquo;Mediating    peace in Mozambique: the role of the Community of Sant&rsquo;Egidio&raquo;.    In<i> Herding Cats. Multiparty Mediation in a Complex World</i>. Washington,    DC: United States Institute of Peace, 2009, pp. 261-263; VINES, Alex &ndash;    <i>Renamo: From Terrorism to Democracy in Mozambique</i>, pp. 124-128.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Nessas negocia&ccedil;&otilde;es,    o cardeal Etchegaray mandatou o bispo Dom Jaime Gon&ccedil;alves para ser o    principal negociador do lado cat&oacute;lico. Entrevistas com o bispo da Beira,    Dom Jaime Gon&ccedil;alves (Beira 2011), com Joaquim Chissano (Maputo, 2011)    e com o jornalista mo&ccedil;ambicano correspondente das negocia&ccedil;&otilde;es    de Roma, Tom&aacute;s Vieira M&aacute;rio (Maputo 2011 e 2012), para o document&aacute;rio    <i>Caminhos da Paz</i> (2012), do realizador Sol de Carvalho, e durante a miss&atilde;o    de investiga&ccedil;&atilde;o de um dos autores a Mo&ccedil;ambique (2012).    Veja ainda VINES, Alex, e WILSON, Ken &ndash; &laquo;Churches and the Peace    Process in Mozambique&raquo;, p. 142.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> ZUPPI, Don Matteo &ndash;    &laquo;A comunidade de Santo Eg&iacute;dio no Acordo Geral de Paz&raquo;, p.    118.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> MINTER, William <i>&ndash;    Apartheid&rsquo;s Contras: An Inquiry into the Roots of War in Angola and Mozambique</i>.    Londres-Nova Jersey: Zed Books, 1994, p. 9; ROTHCHILD, Donald, e HARTZELL, Caroline    &ndash; &laquo;Inter-state and intra-state negotiations in Angola&raquo;. In    <i>Elusive Peace: Negotiating an</i> <i>End to Civil Wars</i>. Washington, DC:    Brookings, 1995, p. 177.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> MINTER, William &ndash;    <i>Apartheid&rsquo;s Contras</i>, p. 216.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> MONTEIRO, Ant&oacute;nio    &ndash; &laquo;Portugal, os Estados Unidos e a guerra angolana&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> HEYWOOD, Linda &ndash;    &laquo;The Angolan church&raquo;, p. 198; CRUZ E SILVA, Teresa &ndash; &laquo;Christian    missions and the State in 19th and 20th century Angola and Mozambique&raquo;,    p. 15; NEVES, Tony &ndash; <i>Angola &ndash; Justi&ccedil;a e Paz nas Interven&ccedil;&otilde;es    da Igreja Cat&oacute;lica 1989-2002</i>, p. 228.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> O Presidente do Zaire,    Mobutu Sese Seko, foi o anfitri&atilde;o do encontro que reuniu 18 chefes de    Estado africanos, em que, apesar do acordo verbal entre os beligerantes angolanos,    n&atilde;o foi assinado qualquer cessar-fogo. N&atilde;o obstante, o apertar    de m&atilde;os entre o Presidente Jos&eacute; Eduardo dos Santos e o seu oponente,    l&iacute;der da UNITA, Jonas Savimbi, deu um sinal de esperan&ccedil;a que o    fim da guerra estava perto. COHEN, Herman J &ndash; <i>Intervening in Africa</i>;    VALENTIM, Jorge &ndash; <i>Caminho para a Paz e Reconcilia&ccedil;&atilde;o    Nacional &ndash; de Gbadolite a Bicesse &ndash; (1989-1992)</i>. Luanda: Mayamba,    2011, pp. 40-90.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal    de Angola e S&atilde;o Tom&eacute;</i> &ndash; Mensagem aos Respons&aacute;veis    Pol&iacute;ticos do MPLA-pt e da UNITA, a todo o Povo de Deus e aos Homens de    Boa Vontade. Luanda: CEAST, 1989.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Veja-se &laquo;A Deus o    que &eacute; de Deus&raquo;. In <i>Jornal de Angola</i>, novembro de 1989, p.    4.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> BERDENSKY, Yevgeny &ndash;    &laquo;Role of the Christian churches in reconciliation and transitional justice:    Angola and Mozambique&raquo;. In <i>AfricaFiles</i>. 15 de maio de 2005, p.    5. (Consultado em: 2 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.africafiles.org/article.asp?ID=8868" target="_blank">http://www.africafiles.org/article.asp?ID=8868</a>;    <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal de Angola e S&atilde;o Tom&eacute;</i> &ndash;    Mensagem aos Respons&aacute;veis Pol&iacute;ticos do MPLA-pt e da UNITA, a todo    o Povo de Deus e aos Homens de Boa Vontade, 1989.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> A implementa&ccedil;&atilde;o    de ambos os acordos de paz come&ccedil;ou com uma fase de cessar-fogo seguido    de um processo de desarmamento e desmobiliza&ccedil;&atilde;o, incluindo a cria&ccedil;&atilde;o    de um ex&eacute;rcito nacional unificado, e terminou com as primeiras elei&ccedil;&otilde;es    gerais multipartid&aacute;rias.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> GENEROSO DE ALMEIDA, Claudia    &ndash; &laquo;Processos de transi&ccedil;&atilde;o dupla em Angola e Mo&ccedil;ambique:    a adapta&ccedil;&atilde;o do MPLA e da FRELIMO&raquo;. In <i>Democratiza&ccedil;&atilde;o,    Mem&oacute;ria e Justi&ccedil;a de Transi&ccedil;&atilde;o nos Pa&iacute;ses    Lus&oacute;fonos</i>. Rio de Janeiro: Autografia e EDUPE, 2017, p. 212.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> A UNAVEM II foi estabelecida    pela Resolu&ccedil;&atilde;o 696 do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU, de    30 de maio de 1991 a fevereiro de 1995. (Consultado em: 26 de fevereiro de 2018).    Dispon&iacute;vel em: <a href="https://peacekeeping.un.org/mission/past/Unavem2/UnavemIIB.htm" target="_blank">https://peacekeeping.un.org/mission/past/Unavem2/UnavemIIB.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> ANSTEE, Margaret Joan &ndash;    <i>Never Learn to Type. A Woman at the United Nations</i>. West Sussex: Wiley,    2003, p. 474.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> A Resolu&ccedil;&atilde;o    797 do Conselho de Seguran&ccedil;a estabeleceu a ONUMOZ de dezembro de 1992    a dezembro de 1994. (Consultado em: 26 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel    em: <a href="https://peacekeeping.un.org/mission/past/ONUMOZ.htm" target="_blank">https://peacekeeping.un.org/mission/past/ONUMOZ.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> SYNGE, Richard &ndash;    <i>Mozambique: UN Peacekeeping in Action, 1992-1994</i>. Washington, DC: United    States Institute of Peace, 1997, p. 20.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal    de Angola e S&atilde;o Tom&eacute;</i> &ndash; Pol&iacute;ticos, Democracia    e Justi&ccedil;a. Luanda: CEAST, 1992; <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal de Angola    e S&atilde;o Tom&eacute;</i> &ndash; &Agrave;s Portas da Segunda Rep&uacute;blica.    Luanda: CEAST, 1992; <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal de Angola e S&atilde;o Tom&eacute;    </i>&ndash; Os Nossos Passos no Caminho da Paz. Luanda: CEAST, 1992; NEVES,    Tony &ndash; <i>Angola &ndash; Justi&ccedil;a e Paz nas Interven&ccedil;&otilde;es    da Igreja Cat&oacute;lica 1989-2002</i>, pp. 238-239.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> SCHUBERT, Bennedict &ndash;    <i>A Guerra e as Igrejas, Angola 1961-1991</i>. Basel: P. Schlettwein, 2000,    p. 48.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal    de Angola e S&atilde;o Tom&eacute;</i> &ndash; Mensagem Pastoral sobre as Conversa&ccedil;&otilde;es    de Paz. Luanda: CEAST, 1990; <i>Confer&ecirc;ncia Episcopal de Angola e S&atilde;o    Tom&eacute;</i> &ndash; Pol&iacute;ticos, Democracia e Justi&ccedil;a; <i>Confer&ecirc;ncia    Episcopal de Angola e S&atilde;o Tom&eacute;</i> &ndash; &Agrave;s Portas da    Segunda Rep&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> O Vaticano s&oacute; estabeleceu    rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com o Estado angolano ap&oacute;s    1992. Veja-se HEYWOOD, Linda &ndash; &laquo;The Angolan church&raquo;, p. 201;    FARIA, Paulo C. J. &ndash; <i>The Post-War Angola: Public Sphere, Political    Regime and Democracy</i>. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars Publishing,    2013, p. 187.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Veja-se HEYWOOD, Linda    &ndash; &laquo;The Angolan church&raquo;, p. 201; FARIA, Paulo C. J. &ndash;    <i>The Post-War Angola</i>, p. 187; NEVES, Tony &ndash; <i>Angola &ndash; Justi&ccedil;a    e Paz nas Interven&ccedil;&otilde;es da Igreja Cat&oacute;lica 1989-2002</i>,    p. 241.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> FARIA, Paulo C. J. &ndash;    <i>The Post-War Angola</i>, pp. 187 e 221.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> P&Eacute;CLARD, Didier    &ndash; &laquo;The "depoliticising machine": Church and State in Angola since    independence&raquo;. In <i>Religion and Politics in Global Society: Comparative    Perspectives from the Portuguese-Speaking World</i>. Nova York: Lexington Books,    2013, p. 151.</p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> Por exemplo, o batismo    e o casamento cat&oacute;licos entre membros do MPLA, incluindo de filhos do    Presidente Jos&eacute; Eduardo dos Santos. Veja-se SCHUBERT, Bennedict - <i>A    Guerra e as Igrejas, Angola 1961-1991</i>. Basel: P. Schlettwein, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=619820&pid=S1645-9199201800030000400050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL    DE ANGOLA E S&Atilde;O TOM&Eacute; &ndash; Os Nossos Passos no Caminho da Paz.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> MORIER-GENOUD, Eric, e    ANOUILH, Pierre &ndash; &laquo;The Catholic Church in Mozambique under revolution,    war and democracy&raquo;. In <i>Religion and Politics in a Global Society: Comparative    Perspectives from the Portuguese-Speaking World</i>.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Veja-se <a href="http://www.juspax.co.mz/" target="_blank">http://www.juspax.co.mz/</a>.    (Consultado em: 2 de fevereiro de 2018).</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> BALOI, Obede &ndash; &laquo;Gest&atilde;o    de conflitos e transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. In <i>Elei&ccedil;&otilde;es,    Democracia e Desenvolvimento</i>. Maputo: Inter-Africa Group, 1995, pp. 512-525;    COMISS&Atilde;O EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; Carta Pastoral Solid&aacute;rios    para Um Mo&ccedil;ambique Melhor. CEM: Maputo, 1994.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> Veja-se o jornal <i>Savana</i>    (Mo&ccedil;ambique), de 1 de abril de 1994, p. 12.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> GUJAMO, Rufino &ndash;    <i>A Transi&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica e a Manuten&ccedil;&atilde;o    da Paz em Mo&ccedil;ambique entre 1992 e 2004</i>. Lisboa: Universidade de Lisboa,    ISCTE-IUL, UCP e Universidade de &Eacute;vora, 2016, p. 146. Tese de doutoramento,    p. 146.</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Nomeadamente o Protocolo    de Lusaca (1994) e a forma&ccedil;&atilde;o do Governo de Unidade e Reconcilia&ccedil;&atilde;o    Nacional (GURN), em 1997, n&atilde;o evitaram novo rein&iacute;cio da guerra    civil em 1998.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> HEYWOOD, Linda &ndash;    &laquo;The Angolan church&raquo;, p. 202.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> Elei&ccedil;&otilde;es    gerais realizadas em 1994, 1999, 2004 e 2009. Locais em 1998, 2003, 2008.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> MORIER-GENOUD, Eric, e    ANOUILH, Pierre &ndash; &laquo;The Catholic Church in Mozambique under revolution,    war and democracy&raquo;, pp. 185-204.</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL    DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; A Paz que o Povo Quer; CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL    DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; Carta Pastoral Votar &eacute; Servir a P&aacute;tria.    CEM: Maputo, 1999; CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash;    Carta Pastoral Governar &eacute; Servir a P&aacute;tria. CEM: Maputo, 2000;    CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; Carta Pastoral Justi&ccedil;a    e Transpar&ecirc;ncia nas Elei&ccedil;&otilde;es. CEM: Maputo, 2003; CONFER&Ecirc;NCIA    EPISCOPAL DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; Carta Pastoral Exig&ecirc;ncia de Elei&ccedil;&otilde;es    Livres, Justas e Transparentes. CEM: Maputo, 2008.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL    DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; Carta Pastoral Comprometidos com a Justi&ccedil;a,    a Reconcilia&ccedil;&atilde;o e a Paz. cem: Maputo, 2008.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> BERTELSMANN STIFTUNG &ndash;    BTI 2016 <i>&ndash; Mozambique Country Report</i>. G&uuml;tersloh: Bertelsmann    Stiftung, 2016, p. 6; NCHUMALY, Claudino Goodyfry &ndash; <i>O Papel do Observat&oacute;rio    Eleitoral no Processo de Consolida&ccedil;&atilde;o da Democracia em Mo&ccedil;ambique:    Uma An&aacute;lise a partir das Perce&ccedil;&otilde;es dos Partidos Pol&iacute;ticos    (2003-2009)</i>. Maputo: Universidade Eduardo Mondlane, 2012. Disserta&ccedil;&atilde;o    de licenciatura.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> MESSIANT, Christine &ndash;    &laquo;The mutation of hegemonic domination: multiparty politics without democracy&raquo;.    In <i>Angola, the Weight of History</i>. Londres: Hurst, 2007, pp. 93-123; SOARES    DE OLIVEIRA, Ricardo &ndash; <i>Magn&iacute;fica e Miser&aacute;vel. Angola    desde a Guerra Civil</i>. Lisboa: Tinta da China, 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Veja-se o &iacute;ndice    do <i>Economist Intelligence Unit&rsquo;s Democracy Index</i> (desde 2006) e    o &iacute;ndice da <i>Freedom House Index</i> (desde 1998).</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> MANNING, Carrie &ndash;    &laquo;Mozambique&rsquo;s slide into one party rule&raquo;. In <i>Journal of    Democracy</i>. Vol. 21, N.&ordm; 2, 2010, p. 152.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> Veja-se nota 48.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> P&Eacute;CLARD, Didier    &ndash; &laquo;The "depoliticising machine"&raquo;, p. 155.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> FARIA, Paulo C. J. &ndash;    <i>The Post-War Angola</i>, pp. 201-202.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> Veja-se &laquo;Bispos reagem    artigo de Domingos da Cruz&raquo;. In <i>Folha8/Club-k.net</i>. 24 de dezembro    de 2009. (Consultado em: 30 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4079:bispos-reagem-artigo-de-domingos-da-cruz&amp;catid=17&amp;Itemid=1067&amp;lang=pt" target="_blank">http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4079:bispos-reagem-artigo-de-domingos-da-cruz&amp;catid=17&amp;Itemid=1067&amp;lang=pt</a>.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> S&Iacute;NODO DOS BISPOS    &ndash; &laquo;II Assembleia Especial para A´frica, a Igreja em A´frica ao servic¸o    da reconciliac¸a~o, da justic¸a e da paz &ldquo;Vo´s sois o sal da terra...    Vo´s sois a luz do Mundo&rdquo;&raquo;. In <i>Instrumentum Laboris</i>. Cidade    do Vaticano: Vaticano, 2009.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> FARIA, Paulo C. J. &ndash;    <i>The Post-War Angola</i>, p. 201. O arcebispo do Lubango, Dom Gabriel Mbilingi,    assumiu a presid&ecirc;ncia do CEAST desde novembro de 2009 a novembro de 2015.</p>     <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> BERTELSMANN STIFTUNG &ndash;    BTI 2016 &ndash; <i>Angola Country Report</i>. G&uuml;tersloh: Bertelsmann Stiftung,    2016, p. 7.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> COSTA, Gustavo &ndash;    &laquo;Angola: proibi&ccedil;&atilde;o do aborto &eacute; receita explosiva&raquo;.    In <i>Expresso</i>. 18 de mar&ccedil;o de 2013. (Consultado em: 2 de janeiro    de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-03-18-Angola-proibicao-do-aborto-e-receita-explosiva#gs.EbWZM64" target="_blank">http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-03-18-Angola-proibicao-do-aborto-e-receita-explosiva#gs.EbWZM64</a>.</p>     <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> MORAIS, Rafael Marques    &ndash; &laquo;Ecclesia: a r&aacute;dio da Igreja Cat&oacute;lica ou do Governo?&raquo;.    In <i>Maka Angola</i>. 18 de maio de 2014. (Consultado em: 20 de dezembro de    2017). Dispon&iacute;vel em:<a href="https://www.makaangola.org/2014/03/ecclesia-a-radio-da-igreja-catolica-ou-do-governo/" target="_blank">https://www.makaangola.org/2014/03/ecclesia-a-radio-da-igreja-catolica-ou-do-governo/</a>.</p>     <p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> Veja-se &laquo;Entrevista    coletiva de Jo&atilde;o Louren&ccedil;o&raquo;. In <i>youtube</i>. (Consultado    em: 10 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCGz6-4RfWM" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=KCGz6-4RfWM</a>.</p>     <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> SAMPAIO, Madalena &ndash;    &laquo;Igreja Cat&oacute;lica alerta que Angola n&atilde;o pertence a &ldquo;clube    de amigos&rdquo;&raquo;. In <i>DW</i>. 10 de mar&ccedil;o de 2016. (Consultado    em: 10 de janeiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-alerta-que-angola-n%C3%A3o-pertence-a-clube-de-amigos/a-19109735" target="_blank">http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-alerta-que-angola-n%C3%A3o-pertence-a-clube-de-amigos/a-19109735</a>.</p>     <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> Falecido a 3 de maio de    2018 por complica&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Veja-se ALMEIDA, Claudia    &ndash; &laquo;&ldquo;Adeus Dhlakama&rdquo;: que impactos na pol&iacute;tica    mo&ccedil;ambicana?&raquo;. In <i>Changing World</i>. 18 de maio de 2018. (Consultado    em: 8 de julho de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://blog.cei.iscte-iul.pt/adeus-dhlakama-que-impactos-na-politica-mocambicana/" target="_blank">https://blog.cei.iscte-iul.pt/adeus-dhlakama-que-impactos-na-politica-mocambicana/</a>.</p>     <p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> Veja-se AFRICAN ELECTIONS    DATABASE. (Consultado em: 15 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://africanelections.tripod.com/" target="_blank">http://africanelections.tripod.com/</a>.</p>     <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> CONFER&Ecirc;NCIA EPISCOPAL    DE MO&Ccedil;AMBIQUE &ndash; <i>Carta Pastoral Governar &eacute; Servir a P&aacute;tria</i>.</p>     <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> HANLON, Joseph &ndash;    &laquo;Mozambique: talks with mediators yesterday and today&raquo;. In <i>Mozambique    News Reports and Clippings.</i> 21 de julho de 2016. (Consultado em: 18 de fevereiro    de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://allafrica.com/stories/201607210896.html" target="_blank">http://allafrica.com/stories/201607210896.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> SEBASTI&Atilde;O, Arc&eacute;nio    &ndash; &laquo;Igreja cat&oacute;lica quer mediar no conflito em Mo&ccedil;ambique&raquo;.    In <i>DW</i>. 15 de outubro de 2015. (Consultado em: 14 de fevereiro de 2018).    Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-quer-mediar-no-conflito-em-mo%C3%A7ambique/a-18785827" target="_blank">http://www.dw.com/pt-002/igreja-cat%C3%B3lica-quer-mediar-no-conflito-em-mo%C3%A7ambique/a-18785827</a>.</p>     <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> AZEVEDO-HARMAN, Elisabete    &ndash; &laquo;Patching things up in Mozambique&raquo;. In <i>Journal of</i>    <i>Democracy</i>. Vol. 26, N.&ordm; 2, 2015, p. 139-150.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="84"></a><a href="#top84">84</a></Sup> VINES, Alex &ndash; &laquo;How    can Mozambique manage its debt crisis?&raquo;. In <i>Chatham House</i>. 15 de    maio de 2016. (Consultado em: 10 de fevereiro de 2018). Dispon&iacute;vel em:    <a href="https://www.chathamhouse.org/expert/comment/how-can-mozambique-manage-its-debt-crisis" target="_blank">https://www.chathamhouse.org/expert/comment/how-can-mozambique-manage-its-debt-crisis</a>.</p>     <p><Sup><a name="85"></a><a href="#top85">85</a></Sup> COMISS&Atilde;O EPISCOPAL    DE JUSTI&Ccedil;A E PAZ &ndash; <i>Comunicado da Comiss&atilde;o Episcopal de    Justi&ccedil;a e Paz da Igreja Cat&oacute;lica face ao Relat&oacute;rio da Kroll    Publicado pela PGR</i>. Maputo: CEPJ, 4 de julho de 2017.</p>      ]]></body><back>
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