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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.60a03</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O papel da defesa no futuro da Europa: Da Estratégia Global da União Europeia à Cooperação Estruturada Permanente]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The role of defense in the future of Europe: from the European Union’s Global Strategy to Permanent Structured Cooperation]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[At its origin the European Union has the aspirations for a peace project throughout the European Continent, fractured after World War II. It is therefore not misleading that the Defense plays a fundamental role either at the beginning of the European project, through the establishment of the ECSC or the Pléven Plan and later in the development of the CSDP. This article looks at the most recent dynamics in the European Defense framework, namely the redefinition of the European strategic narrative, through the Global Strategy and the option for the Permanent Structure Cooperation mechanism, exposing the difficulty in overcoming the intergovernmental character in defense domain.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>A ORDEM INTERNACIONAL PÓS-AMERICANA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O papel da defesa no futuro da Europa: Da Estrat&eacute;gia Global da Uni&atilde;o    Europeia &agrave; Coopera&ccedil;&atilde;o Estruturada Permanente</b></p>     <p><b>The role of defense in the future of Europe: from the European Union&rsquo;s    Global Strategy to Permanent Structured Cooperation</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Liliana Reis</b></p>     <p>Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade da Beira Interior    | Estrada do Sineiro, 6200-209 Covilh&atilde; | <a href="mailto:lilianareis@ubi.pt">lilianareis@ubi.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A Uni&atilde;o Europeia tem na sua origem as aspira&ccedil;&otilde;es a um    projeto de paz para o continente europeu, fraturado ap&oacute;s a Segunda Guerra    Mundial. N&atilde;o &eacute; por isso despiciente que a defesa assuma um papel    fundamental quer no in&iacute;cio do projeto europeu, atrav&eacute;s da institui&ccedil;&atilde;o    da CECA ou do Plano Pl&eacute;ven, quer, posteriormente, no desenvolvimento    da PCSD. Este artigo percorre as din&acirc;micas mais recentes no quadro da    defesa europeia, nomeadamente a redefini&ccedil;&atilde;o da narrativa estrat&eacute;gica    europeia, atrav&eacute;s da Estrat&eacute;gia Global e a op&ccedil;&atilde;o    pelo mecanismo da Coopera&ccedil;&atilde;o Estruturada Permanente expondo a    dificuldade em ultrapassar o car&aacute;ter intergovernamental no dom&iacute;nio    da defesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: PESCO, EGUE, PCSD, Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>At its origin the European Union has the aspirations for a peace project throughout    the European Continent, fractured after World War II. It is therefore not misleading    that the Defense plays a fundamental role either at the beginning of the European    project, through the establishment of the ECSC or the Pl&eacute;ven Plan and    later in the development of the CSDP. This article looks at the most recent    dynamics in the European Defense framework, namely the redefinition of the European    strategic narrative, through the Global Strategy and the option for the Permanent    Structure Cooperation mechanism, exposing the difficulty in overcoming the intergovernmental    character in defense domain.</p>     <p><b>Keywords:</b> PESCO, EUGS, CSDP, European Union.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>O processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia tem sido marcado por uma grande    amplitude de problem&aacute;ticas e por v&aacute;rias complexidades que o tornam    &iacute;mpar no sistema internacional. A defesa assume, neste contexto, um papel    fundamental no projeto de paz, que constitui, desde o seu momento fundador,    a Uni&atilde;o Europeia (UE).</p>     <p>No rescaldo da Segunda Guerra Mundial a pacifica&ccedil;&atilde;o do continente    europeu tornou-se a principal prioridade dos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos    que dar&aacute; origem ao processo de constru&ccedil;&atilde;o europeia. Assim,    ser&aacute; l&iacute;cito afirmar-se que o projeto de integra&ccedil;&atilde;o    europeia se iniciou no &acirc;mbito da defesa, com um objetivo de promo&ccedil;&atilde;o    da paz e de evitar o ressurgimento do perigo alem&atilde;o.</p>     <p>Contudo, &eacute; apenas ap&oacute;s a vig&eacute;sima primeira cimeira franco-brit&acirc;nica    em Saint-Malo, em dezembro de 1998, que a PCSD (Pol&iacute;tica Comum de Seguran&ccedil;a    e Defesa, anterior PESD, Pol&iacute;tica Europeia de Seguran&ccedil;a e Defesa)    come&ccedil;ou a percorrer o seu caminho no seio institucional. Para os neofuncionalistas<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>,    o seu percurso poder&aacute; ser entendido como o &ecirc;xito do pr&oacute;prio    processo de integra&ccedil;&atilde;o que deixou de ser visto somente como um    mercado comum e aspirou a tornar-se um ator pol&iacute;tico de relevo na arena    internacional; por outro lado, para a teoria intergovernamental<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>,    o desenvolvimento desta pol&iacute;tica no seio da UE apenas confirmou a centralidade    do poder e dos interesses individuais dos estados, bem como as suas prefer&ecirc;ncias    no sistema internacional, que as institui&ccedil;&otilde;es europeias ajudam    a consolidar e implementar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com efeito, quer seja entendida sob um ponto de vista neofuncionalista ou intergovernamental,    a UE, no &acirc;mbito da PCSD, declarou a sua total operacionalidade em 2003,    quer para opera&ccedil;&otilde;es militares, quer para miss&otilde;es civis,    depois da apresenta&ccedil;&atilde;o formal da Estrat&eacute;gia Europeia em    Mat&eacute;ria de Seguran&ccedil;a &ndash; Uma Europa Segura num Mundo Melhor.    Durante os &uacute;ltimos anos foram projetadas mais de 30 miss&otilde;es/opera&ccedil;&otilde;es,    com um claro predom&iacute;nio das miss&otilde;es civis, o que n&atilde;o traduz,    necessariamente, a sua incapacidade ou impot&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o    com instrumentos militares, antes &eacute; consequ&ecirc;ncia das dificuldades    or&ccedil;amentais, log&iacute;sticas e de compromisso que os estados-membros    colocam face &agrave; proje&ccedil;&atilde;o de uma opera&ccedil;&atilde;o militar<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>Mesmo depois da proje&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias miss&otilde;es e da    altera&ccedil;&atilde;o do ambiente de seguran&ccedil;a, seria apenas em junho    de 2015 que os estados-membros apelariam &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o    ao Conselho Europeu de uma proposta para a pol&iacute;tica externa at&eacute;    junho de 2016, acordando tamb&eacute;m na prossecu&ccedil;&atilde;o dos trabalhos    com vista a uma pol&iacute;tica comum de seguran&ccedil;a e defesa mais eficaz,    vis&iacute;vel e orientada para os resultados. Nasceu assim a Estrat&eacute;gia    Global para a Pol&iacute;tica Externa e de Seguran&ccedil;a (EUGS), sob o lema    &laquo;Vis&atilde;o partilhada, a&ccedil;&atilde;o comum: uma Europa mais forte&raquo;,    que seria apresentada, formalmente, ao Conselho Europeu, a 28 de junho de 2016<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>,    depois de uma equipa liderada por Nathalie Tocci, subdiretora do Istituto Affari    Internazionali, ter desenhado a estrat&eacute;gia em torno do conceito de resili&ecirc;ncia,    no sentido de refor&ccedil;ar a capacidade da UE de resistir &agrave;s amea&ccedil;as    internas e externas, de acordo com as prefer&ecirc;ncias dos estados-membros    e dos cidad&atilde;os europeus<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Depois da apresenta&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia Global de Seguran&ccedil;a    e de a UE ter passado o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017    a avaliar a sua implementa&ccedil;&atilde;o e o seu progresso, nomeadamente    atrav&eacute;s da aprova&ccedil;&atilde;o de recomenda&ccedil;&otilde;es concretas    no dom&iacute;nio do planeamento operacional e das capacidades relativamente    &agrave;s miss&otilde;es e opera&ccedil;&otilde;es da PCSD, seria, efetivamente,    a 22 de junho de 2017 que se assistiria a uma altera&ccedil;&atilde;o substancial    relativamente &agrave; condu&ccedil;&atilde;o da PCSD, principalmente ao n&iacute;vel    do processo de decis&atilde;o no &acirc;mbito desta pol&iacute;tica. Com efeito,    o Conselho Europeu e os l&iacute;deres dos estados-membros concordavam, nesta    data, com a necessidade de lan&ccedil;ar uma Coopera&ccedil;&atilde;o Estruturada    Permanente para a Seguran&ccedil;a e Defesa (PESCO), inclusiva e ambiciosa.</p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; avaliar as implica&ccedil;&otilde;es das altera&ccedil;&otilde;es    no dom&iacute;nio da defesa nas novas din&acirc;micas institucionais reveladas    pela PESCO e, concomitantemente, as suas implica&ccedil;&otilde;es para o futuro    do processo de integra&ccedil;&atilde;o europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ENTRE A NARRATIVA ESTRAT&Eacute;GICA E A ESTRAT&Eacute;GIA OPERACIONAL </b></p>     <p>O ano de 2003, referido por Anand Menon como &laquo;the crisis to catharsis&raquo;<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>,    assinalaria importantes desenvolvimentos respeitantes &agrave; Pol&iacute;tica    Comum de Seguran&ccedil;a e Defesa, paradoxalmente, ap&oacute;s a crise resultante    das in&uacute;meras divis&otilde;es no seio da Uni&atilde;o devido &agrave;    crise no Iraque. Na verdade, em junho desse mesmo ano seria aprovada a Estrat&eacute;gia    Europeia em Mat&eacute;ria de Seguran&ccedil;a &ndash; Uma Europa Segura num    Mundo Melhor, a qual representou a primeira tentativa de criar uma doutrina    estrat&eacute;gica europeia adaptada ao novo contexto de seguran&ccedil;a internacional    e um esfor&ccedil;o de gerar uma vis&atilde;o comum da ordem internacional,    necess&aacute;ria &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, por um lado, do ator securit&aacute;rio    europeu, e, por outro, &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o da paz no sistema internacional.</p>     <p>Contudo, e desde 2003, o ambiente de seguran&ccedil;a sofrera altera&ccedil;&otilde;es,    nomeadamente com a exist&ecirc;ncia de novas amea&ccedil;as e a necessidade    do refor&ccedil;o do multilateralismo, e, sobretudo, com a consci&ecirc;ncia    europeia das suas fragilidades relativamente ao dom&iacute;nio operacional e    &agrave;s capacidades para responder a esses desafios.</p>     <p>Ademais, cumpre acrescentar a estas altera&ccedil;&otilde;es sist&eacute;micas    as inova&ccedil;&otilde;es que o Tratado de Lisboa tinha j&aacute; introduzido    &ndash; particularmente da PESCO (artigo 42.&ordm;, artigo 46.&ordm; e Protocolo    n.&ordm; 10), das cl&aacute;usulas de assist&ecirc;ncia m&uacute;tua (artigo    42.&ordm;-7) e de solidariedade (artigo 222.&ordm;), e do pr&oacute;prio alargamento    das miss&otilde;es de gest&atilde;o de crises (artigo 43.&ordm;) &ndash;, evidenciando    o hiato entre o campo doutrinal normativo e o estrat&eacute;gico. Simultaneamente,    a Primavera &Aacute;rabe, a invas&atilde;o da Crimeia pela R&uacute;ssia, o    surgimento do Estado Isl&acirc;mico, a conflitualidade crescente na S&iacute;ria    e os ataques terroristas a v&aacute;rias cidades europeias colocariam novamente    a seguran&ccedil;a e a defesa na agenda de Bruxelas. Mas tal como em 2003, tamb&eacute;m    em 2016, quando &eacute; apresentada a EUGS, a UE vivia um per&iacute;odo de    fragmenta&ccedil;&atilde;o e de divis&atilde;o quanto &agrave; pr&oacute;pria    a&ccedil;&atilde;o interna e externa, evidenciada pela crise econ&oacute;mica    e pela falta de unanimidade relativamente ao acolhimento dos refugiados e a    &laquo;nova estrat&eacute;gia&raquo; parecia apontar para uma supera&ccedil;&atilde;o    da mera &laquo;narrativa&raquo; estrat&eacute;gica. Com efeito, quer o documento    apresentado em junho de 2016, relativamente &agrave; Estrat&eacute;gia Global    da Uni&atilde;o Europeia, quer o empenhamento do Conselho e da Comiss&atilde;o    nos meses seguintes sugeriam uma nova abordagem &agrave; pol&iacute;tica externa    e de seguran&ccedil;a e defesa da Uni&atilde;o.</p>     <p>Da Estrat&eacute;gia Global que a UE apresentou, destacam-se cinco prioridades    para a a&ccedil;&atilde;o externa, a saber:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;A UE deve melhorar a seguran&ccedil;a da Uni&atilde;o, referindo-se    especificamente a medidas de combate ao terrorismo, &agrave;s amea&ccedil;as    h&iacute;bridas, &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e &agrave;    seguran&ccedil;a energ&eacute;tica. Para al&eacute;m de melhorar as suas capacidades    de defesa, o documento solicita que a UE intensifique os seus esfor&ccedil;os    no dom&iacute;nio da ciberseguran&ccedil;a e das comunica&ccedil;&otilde;es    estrat&eacute;gicas.</blockquote>     <p></p>     <p>A UE deve procurar refor&ccedil;ar a capacidade de resist&ecirc;ncia dos Estados    e das sociedades do Leste e do Sul, que abrange um per&iacute;metro geogr&aacute;fico    delimitado pelos Balc&atilde;s Ocidentais, &Aacute;frica Subsaariana e &Aacute;sia    Central; e estabilizar as fr&aacute;geis estruturas estatais e que envolve uma    pol&iacute;tica migrat&oacute;ria mais eficaz centrada nos pa&iacute;ses de    origem e de tr&acirc;nsito dos migrantes e refugiados.</p>     <p>A UE deve elaborar uma abordagem integrada da UE em mat&eacute;ria de conflitos    e crises baseada na paz preventiva, na seguran&ccedil;a e na estabiliza&ccedil;&atilde;o,    na resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos e na &ldquo;economia pol&iacute;tica&rdquo;.</p>     <p>A UE deve fazer uso da sua experi&ecirc;ncia com os efeitos de promo&ccedil;&atilde;o    da paz e do processo de integra&ccedil;&atilde;o para apoiar as ordens regionais    em todo o mundo.</p>     <p>A UE deve assumir um compromisso renovado com um sistema multilateral de governan&ccedil;a    global, com base no direito internacional, a fim de garantir o respeito pelos    direitos humanos e os princ&iacute;pios do desenvolvimento sustent&aacute;vel    e garantir &ldquo;um acesso duradouro aos bens comuns globais&rdquo;&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>Com o prop&oacute;sito de transformar esta vis&atilde;o em a&ccedil;&atilde;o,    a Estrat&eacute;gia Global instou, finalmente, a um investimento coletivo na    credibilidade da UE, nomeadamente, mas n&atilde;o exclusivamente, atrav&eacute;s    de capacidades refor&ccedil;adas de defesa e seguran&ccedil;a, da capacidade    de resposta, atrav&eacute;s de instrumentos diplom&aacute;ticos, de seguran&ccedil;a    e de desenvolvimento mais reativos, atrav&eacute;s de inova&ccedil;&otilde;es    institucionais e de pol&iacute;ticas, incluindo o papel do SEAE e da &laquo;abordagem    global&raquo; da UE em rela&ccedil;&atilde;o a conflitos e crises e atrav&eacute;s    de melhores liga&ccedil;&otilde;es entre as pol&iacute;ticas internas e externas    da UE, tal como exigido pelos fen&oacute;menos de migra&ccedil;&atilde;o e terrorismo<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>Observa-se que a Estrat&eacute;gia Global refletiu, por um lado, a altera&ccedil;&atilde;o    no ambiente de seguran&ccedil;a e, por outro, a necessidade de responder a essa    transforma&ccedil;&atilde;o com um vasto conjunto de ferramentas, apresentando-se    com ambi&ccedil;&otilde;es &laquo;duplamente globais&raquo;, quer em termos    geogr&aacute;ficos quer ao n&iacute;vel das tem&aacute;ticas<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>Ao contr&aacute;rio do modelo seguido ap&oacute;s a Estrat&eacute;gia Europeia    de Seguran&ccedil;a, de 2003, e do Relat&oacute;rio de Implementa&ccedil;&atilde;o,    de 2008, a UE empenhou-se na necessidade de efetiva&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia    Global, tendo-se assistido, nos &uacute;ltimos dois anos, pelo menos de uma    forma declarat&oacute;ria, por parte do Conselho e da alta representante, &agrave;    elabora&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios documentos com o objetivo quer da    sua implementa&ccedil;&atilde;o quer da sua exequibilidade, nomeadamente atrav&eacute;s    do delineamento de um plano de a&ccedil;&atilde;o que incorpore os tr&ecirc;s    elementos considerados estrat&eacute;gicos: (i) n&iacute;vel de ambi&ccedil;&atilde;o    e miss&otilde;es; (ii) capacidades; e (iii) instrumentos necess&aacute;rios    para um maior empenhamento dos estados-membros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ora, &eacute; exatamente no aspeto da execu&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia    Global, que a mesma se pretendia diferenciar da sua antecessora. Nas palavras    de Nathalie Tocci: &laquo;An EUGS therefore had to be actionable: it could not    limit itself to the vision, but had to point the way forward regarding the action.&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a></p>     <p>Contudo, v&aacute;rios autores t&ecirc;m vindo a sublinhar fragilidades ao    documento apresentado. Para Rafael Garc&iacute;a P&eacute;rez a Estrat&eacute;gia    Global da UE constitui apenas uma &laquo;din&acirc;mica reativa&raquo; face    aos acontecimentos que vinham a confrontar a UE<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>;    por outro lado, para Anand Menon, logo aquando da discuss&atilde;o sobre a necessidade    de uma Estrat&eacute;gia Global para a UE, referia-se que</p>     <p>     <blockquote>&laquo;(A) Uni&atilde;o Europeia n&atilde;o precisa de uma estrat&eacute;gia    global. Pelo contr&aacute;rio. O exerc&iacute;cio de redigir e concordar n&atilde;o    seria meramente improdutivo, mas contraproducente. Qualquer documento com o    qual todos os 27 estados-membros possam concordar seria fl&aacute;cido, expresso    em generalidades e incapaz de fornecer um guia para a&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas    de pol&iacute;tica externa&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Ora, a Estrat&eacute;gia Global da UE parece resultar de um conjunto de for&ccedil;as    centr&iacute;petas e centr&iacute;fugas que condicionaram uma rea&ccedil;&atilde;o    da UE, mais do que do seu genu&iacute;no compromisso com a seguran&ccedil;a    e defesa. Do ponto de vista interno, a crise migrat&oacute;ria e o Brexit poder&atilde;o    ter oferecido uma oportunidade de reflex&atilde;o sobre a necessidade de uma    reconceptualiza&ccedil;&atilde;o doutrinal. Por outro lado, a clara deteriora&ccedil;&atilde;o    do ambiente de seguran&ccedil;a no sistema internacional e a elei&ccedil;&atilde;o    do novo presidente norte-americano, Donald Trump exerceram uma maior press&atilde;o    para uma a&ccedil;&atilde;o da UE. O que aparentemente n&atilde;o se refletiu    num maior aprofundamento no dom&iacute;nio do processo de integra&ccedil;&atilde;o,    ou na altera&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas institucionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COOPERA&Ccedil;&Atilde;O ESTRUTURADA PERMANENTE </b></p>     <p>O mecanismo da PESCO foi uma das principais novidades do Tratado de Lisboa,    herdada do Tratado Constitucional<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>,    e j&aacute; presente em outros dom&iacute;nios e pol&iacute;ticas da ue<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.    O que se pretendeu com a cria&ccedil;&atilde;o desta coopera&ccedil;&atilde;o    foi fornecer &agrave;s miss&otilde;es mais exigentes a possibilidade de serem    realizadas por um conjunto de estados-membros com capacidades militares mais    adequadas e que tivessem assumido anteriormente compromissos mais vinculativos    nessa mat&eacute;ria. Esta introdu&ccedil;&atilde;o permitiria, ali&aacute;s,    ultrapassar as dificuldades operacionais sentidas nas opera&ccedil;&otilde;es    da UE, atrav&eacute;s do <i>burden sharing</i>. A institui&ccedil;&atilde;o    deste quadro de &laquo;geometria vari&aacute;vel&raquo; no &acirc;mbito da PCSD    refletiu a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o desde o nascimento da pol&iacute;tica,    com alguns estados-membros, com objetivos e interesses semelhantes, a unirem-se    de modo volunt&aacute;rio &agrave; margem da PCSD para refor&ccedil;ar as suas    capacidades de defesa europeias<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.    Segundo o artigo 42.&ordm; (6) do Tratado de Lisboa, &laquo;os Estados-membros    cujas capacidades militares preencham crit&eacute;rios mais elevados e que tenham    assumido compromissos mais vinculativos na mat&eacute;ria tendo em vista a realiza&ccedil;&atilde;o    das miss&otilde;es mais exigentes estabelecem uma coopera&ccedil;&atilde;o estruturada    permanente no &acirc;mbito da Uni&atilde;o&raquo;. Assim, os pr&oacute;prios    &laquo;avan&ccedil;os na defesa europeia poder&atilde;o traduzir diferentes    velocidades, reflexo das capacidades heter&oacute;genas dos estados-membros,    o que poderia dar azo a pa&iacute;ses de primeira que t&ecirc;m possibilidades    e pa&iacute;ses de segunda que n&atilde;o t&ecirc;m essas capacidades&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>,    instituindo uma esp&eacute;cie de n&uacute;cleo duro da defesa europeia a que    s&oacute; um grupo restrito de pa&iacute;ses pudesse verdadeiramente aderir.</p>     <p>Contudo, vislumbra-se que a introdu&ccedil;&atilde;o deste instrumento n&atilde;o    pretendia fragilizar os estados com menores recursos, mas dar resposta aos principais    problemas com que a UE se debatia ao n&iacute;vel da defesa. O pr&oacute;prio    enquadramento legal deste mecanismo no Tratado de Lisboa estipula a impossibilidade    de veto, por um Estado-Membro, acerca da cria&ccedil;&atilde;o, inclus&atilde;o    ou exclus&atilde;o de outro Estado-Membro numa Coopera&ccedil;&atilde;o Estruturada    Permanente. Observa-se que o principal objetivo da UE consistiu em fornecer    aos estados que, possuindo n&iacute;veis de ambi&ccedil;&atilde;o mais elevados    e com maiores capacidades militares, quisessem empenhar-se com outro grau de    aprofundamento nas opera&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o de crises da Uni&atilde;o,    pudessem encorajar os estados-membros com menores capacidades a dedicarem um    maior esfor&ccedil;o na moderniza&ccedil;&atilde;o das suas capacidades militares,    dotando-lhe um maior contributo na pr&oacute;pria esfera or&ccedil;amental<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.    Dessa forma, e ao inv&eacute;s de existir uma maior fragmenta&ccedil;&atilde;o    entre os estados-membros, o que se pretendia era que existisse um aumento da    press&atilde;o para participar nos projetos de coopera&ccedil;&atilde;o na medida    em que eleva os custos resultantes da n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o    em dito mecanismo<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Consequentemente,    a implementa&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios da PESCO (sobretudo, o desenvolvimento    das capacidades militares) seria estendida a todos os estados-membros do bloco.    Contudo, o mesmo artigo 46.&ordm; (3) remete para a possibilidade de ades&atilde;o    posterior de outros estados-membros que desejem participar na coopera&ccedil;&atilde;o    estruturada, atrav&eacute;s da notifica&ccedil;&atilde;o ao Conselho e AR/VP.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desta forma, este mecanismo, para al&eacute;m de flexibilizar a PCSD, levaria,    concomitantemente, a um apelo ao empenhamento e desenvolvimento de novas capacidades    por parte dos estados-membros, at&eacute; ent&atilde;o distanciados desta pol&iacute;tica,    com vista a um grau de converg&ecirc;ncia crescente das a&ccedil;&otilde;es    dos estados-membros. O indicado Protocolo n.&ordm; 10, relativo &agrave; PESCO,    reconhecia que o refor&ccedil;o da pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a e defesa    &laquo;exigir&aacute; esfor&ccedil;os dos estados-membros no dom&iacute;nio    das capacidades&raquo;. Apesar do alargamento a qualquer Estado-Membro, o mesmo    protocolo, nos artigos 1.&ordm; e 2.&ordm;, adianta crit&eacute;rios para a    entrada na PESCO, nomeadamente:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Proceder de forma mais intensiva ao desenvolvimento das suas    capacidades de defesa, atrav&eacute;s do desenvolvimento dos respetivos contributos    nacionais e, se for caso disso, da participa&ccedil;&atilde;o em for&ccedil;as    multinacionais, nos principais programas europeus de equipamento e na atividade    da <i>Ag&ecirc;ncia Europeia de Defesa</i> no dom&iacute;nio do desenvolvimento    das capacidades de defesa, da investiga&ccedil;&atilde;o, e da aquisi&ccedil;&atilde;o    de equipamento.</blockquote>     <p></p>     <p>Ser capaz de fornecer, quer a t&iacute;tulo nacional, quer enquanto elemento    de grupos multinacionais de for&ccedil;as, unidades de combate especificamente    treinadas para as miss&otilde;es programadas, configuradas em termos t&aacute;ticos    como um agrupamento t&aacute;tico, com os respetivos elementos de apoio, incluindo    o transporte e a log&iacute;stica, que estejam em condi&ccedil;&otilde;es de    levar a cabo as miss&otilde;es, num prazo de 5 a 30 dias, designadamente para    responder a pedidos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas,    e que possam estar operacionais por um per&iacute;odo inicial de 30 dias, prorrog&aacute;vel    at&eacute; 120 dias, no m&iacute;nimo&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Para alcan&ccedil;ar estes objetivos, os estados-membros que participem na    PESCO comprometem-se a cooperar ao n&iacute;vel das despesas de investimento    em mat&eacute;ria de equipamentos de defesa e no sentido de garantir que os    estados-membros participantes tomem as medidas necess&aacute;rias para colmatar    as lacunas constatadas no &acirc;mbito do Mecanismo de Desenvolvimento de Capacidades,    a harmonizar os seus instrumentos de defesa, e a elaborar medidas concretas    para refor&ccedil;ar a disponibilidade, a interoperabilidade, a flexibilidade    e a capacidade de coloca&ccedil;&atilde;o das suas for&ccedil;as no terreno,    identificando, designadamente, objetivos comuns em mat&eacute;ria de proje&ccedil;&atilde;o    de for&ccedil;as, e participar, se for caso disso, no desenvolvimento de programas    comuns ou europeus de grandes equipamentos, no &acirc;mbito da Ag&ecirc;ncia    Europeia de Defesa.</p>     <p>Sven Biscop e Jo Coelmont apontaram novos caminhos logo no in&iacute;cio do    debate para a defini&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios, procurando conciliar    a <i>inclusividade</i> com a <i>flexibilidade</i>. Para estes autores, a PESCO    deveria ser entendida como um instrumento da PCSD ao dispor dos estados-membros    e n&atilde;o como um objetivo da pr&oacute;pria pol&iacute;tica <i>per se</i><sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.    Sob este ponto de vista, meramente instrumental, os crit&eacute;rios de ades&atilde;o    n&atilde;o seriam um entrave ao maior envolvimento por parte de alguns estados-membros.    Contudo, a subscri&ccedil;&atilde;o de <i>compromissos de participa&ccedil;&atilde;o</i>    por parte de cada Estado, individualmente, e ap&oacute;s an&aacute;lise das    suas capacidades reais, poderia constituir, de facto, uma barreira ao empenhamento    e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o em determinada opera&ccedil;&atilde;o.    O que se pretendia, de certa forma, era a substitui&ccedil;&atilde;o de <i>crit&eacute;rios    quantitativos de entrada por obriga&ccedil;&otilde;es de garantir, num prazo    pr&eacute;-fixado, determinados resultados</i>, escolhidos em fun&ccedil;&atilde;o    da forma como cada Estado-Membro pretendia contribuir, tendo em vista o objetivo    de dar &agrave; UE a capacidade de organizar coletivamente eventuais interven&ccedil;&otilde;es    militares no futuro. Este mecanismo intentava, simultaneamente, evitar a duplica&ccedil;&atilde;o    e a fragmenta&ccedil;&atilde;o nas &aacute;reas da defesa, evitando a dispers&atilde;o    dos or&ccedil;amentos militares mais baixos para capacidades de dimens&atilde;o    question&aacute;vel, prejudicando o desenvolvimento de uma maior capacidade    de interven&ccedil;&atilde;o, ao n&iacute;vel da pr&oacute;pria ambi&ccedil;&atilde;o    da UE. Mas a institui&ccedil;&atilde;o deste mecanismo implica uma revis&atilde;o    e identifica&ccedil;&atilde;o por parte dos estados-membros das suas capacidades,    as quais preferem manter a um n&iacute;vel exclusivamente nacional, n&atilde;o    obstante ficarem sujeitos a uma interdepend&ecirc;ncia europeia, sob uma perspetiva    de interesse coletivo, mas com a contrapartida da obten&ccedil;&atilde;o de    uma mais-valia para os seus interesses nacionais.</p>     <p>Depois do Conselho Europeu e de os estados-membros terem concordado a 22 de    junho de 2017 com a necessidade de desenvolver uma PESCO, o Conselho Europeu    apresentou a 19 de outubro o <i>follow up</i> sobre a PESCO e apelou aos estados-membros    que desejassem participar na mesma de informar o Conselho e a alta representante    dessa inten&ccedil;&atilde;o, sublinhando ainda a necessidade de alcan&ccedil;ar    um acordo relativamente ao Programa de Desenvolvimento Industrial para a Defesa<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.    Mas o primeiro passo para a PESCO surgiria &agrave; margem do Conselho de Rela&ccedil;&otilde;es    Externas de 13 de novembro de 2017, onde 23 estados-membros assinaram a notifica&ccedil;&atilde;o    conjunta para o estabelecimento da PESCO, a que se juntariam Portugal e a Irlanda    a 11 de dezembro (ficando apenas de fora a Dinamarca, Malta e o Reino Unido).    Ora, o que os estados-membros concordaram refere-se sobretudo ao desenvolvimento    de v&aacute;rios projetos que cobrem fundamentalmente tr&ecirc;s &aacute;reas:    treino, desenvolvimento de capacidade e prontid&atilde;o operacional.</p>     <p>Recentemente, a 6 de mar&ccedil;o de 2018, o Conselho adotou um roteiro para    a implementa&ccedil;&atilde;o da PESCO. Este roteiro forneceu orienta&ccedil;&atilde;o    estrat&eacute;gica e instru&ccedil;&otilde;es sobre como estruturar o trabalho    adicional em ambos os processos e governan&ccedil;a, inclusive para projetos    e em rela&ccedil;&atilde;o ao cumprimento de compromissos, indicando simultaneamente    os pa&iacute;ses pertencentes a cada projeto, como ilustra a <a href="#t1">Tabela    1</a><sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n60/n60a03t1.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Recentemente, o Conselho adotou uma lista atualizada de projetos a serem realizados    no &acirc;mbito da PESCO, que inclui 17 novos projetos para al&eacute;m dos    17 projetos iniciais acordados em 11 de dezembro de 2017 e adotados formalmente    em 6 de mar&ccedil;o de 2018. Os projetos abrangem &aacute;reas como o treino,    o desenvolvimento de capacidades e prontid&atilde;o operacional em terra, no    mar e no ar, bem como defesa cibern&eacute;tica<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DA ESTRAT&Eacute;GIA GLOBAL &Agrave; PESCO</b></p>     <p>Na Cimeira de Bratislava, a 16 de setembro de 2016, o presidente do Conselho    Europeu, Donald Tusk<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, a presid&ecirc;ncia    eslovaca do Conselho e a Comiss&atilde;o Europeia estabeleceram um &laquo;roteiro&raquo;,    roteiro esse que consiste num programa de trabalho acerca da situa&ccedil;&atilde;o    da UE face &agrave; sa&iacute;da do Reino Unido e ao futuro da integra&ccedil;&atilde;o    europeia, incluindo a integra&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica de defesa,    dando aos l&iacute;deres da UE a oportunidade de apresentarem uma ampla exposi&ccedil;&atilde;o    da unidade europeia ao mundo, numa altura em que a UE era criticada pela sua    resposta fragmentada a quest&otilde;es sens&iacute;veis como a crise dos refugiados<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.    O principal resultado da reuni&atilde;o foi o acordo da UE sobre o Roteiro de    Bratislava, e a elabora&ccedil;&atilde;o de um conjunto de objetivos pol&iacute;ticos    e calend&aacute;rios provis&oacute;rios concebidos para orientar a Uni&atilde;o.</p>     <p>Neste documento s&atilde;o vis&iacute;veis as seguintes prioridades:</p> <ul>       <li>Migra&ccedil;&atilde;o e fronteiras externas &ndash; restabelecer o controlo      total das fronteiras externas.</li>       <li>Seguran&ccedil;a externa e defesa &ndash; garantir a seguran&ccedil;a interna,      combater o terrorismo e refor&ccedil;ar a coopera&ccedil;&atilde;o da UE em      mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a e defesa externas.</li>       <li>Desenvolvimento econ&oacute;mico e social &ndash; relan&ccedil;ar o mercado      &uacute;nico.</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este documento veio confirmar o n&iacute;vel de ambi&ccedil;&atilde;o, desde    a gest&atilde;o das crises at&eacute; &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da Europa,    e propor a altera&ccedil;&atilde;o dos procedimentos da PCSD (financiamento    das miss&otilde;es, avalia&ccedil;&atilde;o das amea&ccedil;as, coordena&ccedil;&atilde;o    do planeamento) e das estruturas, bem como o desenvolvimento de capacidades    (plano de desenvolvimento, autonomia estrat&eacute;gica, base industrial, propostas    da Comiss&atilde;o) e de mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o (PESCO, NATO-UE).</p>     <p>Este documento induziu, ainda, a atualiza&ccedil;&atilde;o ou elabora&ccedil;&atilde;o    de estrat&eacute;gicas tem&aacute;ticas ou geogr&aacute;ficas, incluindo, entre    outras, uma Estrat&eacute;gia Regional da UE para a S&iacute;ria e o Iraque    e uma Estrat&eacute;gia UE-&Aacute;frica centrada na juventude, que permitisse    responder aos desafios migrat&oacute;rios em 2016-2017.</p>     <p>No entanto, a cimeira tamb&eacute;m revelou o surgimento de novas alian&ccedil;as    e divis&otilde;es entre os estados-membros. Tradicionalmente, a UE tem sido    dividida numa base regional, com o grupo do Norte liderado pela Alemanha e o    grupo do Sul liderado pela Fran&ccedil;a. O Reino Unido tem sido h&aacute; muito    tempo percebido como um contrapeso para esses eixos. A decis&atilde;o do Reino    Unido de abandonar a UE acelerou a tend&ecirc;ncia dos estados-membros de procurar    parceiros com a mesma opini&atilde;o na tentativa de se posicionarem numa Uni&atilde;o    de 27 membros<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Estes novos    subgrupos s&atilde;o em grande parte definidos pelas suas posi&ccedil;&otilde;es    sobre os grandes desafios e crises que se atravessam, nomeadamente no que diz    respeito &agrave; sua posi&ccedil;&atilde;o sobre a crise dos refugiados e a    governa&ccedil;&atilde;o securit&aacute;ria e econ&oacute;mica.</p>     <p>Depois do Roteiro de Bratislava ter estabelecido o gui&atilde;o que a UE deveria    seguir para a implementa&ccedil;&atilde;o da sua Estrat&eacute;gia Global, surge,    a 14 de novembro de 2016, o Plano de Implementa&ccedil;&atilde;o sobre Seguran&ccedil;a    e Defesa, que, com vista a executar a Estrat&eacute;gia Global, prop&otilde;e    que a a&ccedil;&atilde;o da UE se centre nos seguintes elementos: defini&ccedil;&atilde;o    de um novo n&iacute;vel de ambi&ccedil;&atilde;o, capaz de responder aos conflitos    externos e crises; capacita&ccedil;&atilde;o de parceiros com vista &agrave;    prote&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o e dos seus cidad&atilde;os.</p>     <p>O plano reconhece, ainda, que a concretiza&ccedil;&atilde;o deste novo n&iacute;vel    de ambi&ccedil;&atilde;o necessitar&aacute; da ado&ccedil;&atilde;o de medidas    tang&iacute;veis, de uma forma cred&iacute;vel. Nas palavras da alta representante:    &laquo;This is no time for theoretical or abstract discussions on European defence.    (The Plan) is about doing concrete things, as of tomorrow, together.&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a></p>     <p>Assim, o plano estabelece:</p>     <p>1.Identifica&ccedil;&atilde;o das Prioridades ao n&iacute;vel do Desenvolvimento    de Capacidades</p> <ul>       <li>Revis&atilde;o do Plano de Capacidades Civis, incluindo a capacidade de      resposta.</li>       <li>Elabora&ccedil;&atilde;o de um Plano de A&ccedil;&atilde;o Europeu no Dom&iacute;nio      da Defesa (PAED) para apoio de capacidades.</li>       <li>Explora&ccedil;&atilde;o da Coopera&ccedil;&atilde;o Permanente Refor&ccedil;ada      (artigos 42.&ordm; e 46.&ordm; do TUE e Protocolo n.&ordm; 10).</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Cria&ccedil;&atilde;o de um Semestre Europeu de Defesa (em analogia ao modelo      adotado pela UE no &acirc;mbito da UEM) para encorajar um maior grau de compromisso      entre os estados-membros em mat&eacute;ria de defesa.</li>       <li>Refor&ccedil;o da BTIED, incluindo a investiga&ccedil;&atilde;o conjunta      e aquisi&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de um futuro Programa de Defesa Europeia      e identifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas estrat&eacute;gicas.</li>     </ul>     <p>2.Poss&iacute;veis altera&ccedil;&otilde;es das estruturas institucionais e    procedimentos:</p> <ul>       <li>Estabelecimento de um Quartel-General &Uacute;nico, com vista a refor&ccedil;ar      a capacidade de planeamento e condu&ccedil;&atilde;o de miss&otilde;es e opera&ccedil;&otilde;es      e a rea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida.</li>       <li>Expans&atilde;o das capacidades de resposta atrav&eacute;s do desenvolvimento      de instrumentos de rea&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida, incluindo op&ccedil;&otilde;es      para o uso dos Battlegroups e o artigo 44.&ordm; TUE.</li>       <li>Revis&atilde;o dos arranjos financeiros, incluindo o mecanismo Athena.</li>       <li>Refor&ccedil;o da an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o e da partilha      de informa&ccedil;&atilde;o.</li>       <li>Parceiros em seguran&ccedil;a e defesa: NATO; Coopera&ccedil;&atilde;o com      as nuna&ccedil;&otilde;es Unidas, a Uni&atilde;o Africana, a OSCE e parceiros      bilaterais-chave como os Estados Unidos; apoio aos pa&iacute;ses parceiros      sobre a preven&ccedil;&atilde;o de conflitos e resolu&ccedil;&atilde;o de      crises.</li>     </ul> <ol>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Diplomacia p&uacute;blica e multilateralismo (Conselho da Uni&atilde;o Europeia,      2016).</li>     </ol>     <p>A 6 de mar&ccedil;o de 2017, as Conclus&otilde;es do Conselho sobre o progresso    na implementa&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia Global sublinharam, tamb&eacute;m,    que se deveria melhorar as estruturas de gest&atilde;o de crises da PCSD; continuar    a trabalhar na PESCO; fazer a revis&atilde;o anual coordenada de defesa; desenvolver    as capacidades civis; implementar v&aacute;rias outras &aacute;reas (refor&ccedil;o    do multilateralismo, revis&atilde;o do Plano de Desenvolvimento de Capacidades    e do mecanismo Athena)<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     <p>Posteriormente, a 18 de maio de 2017, o Conselho Europeu sublinhou que aguarda    com expetativa, a cria&ccedil;&atilde;o efetiva, como objetivo a curto prazo,    da Capacidade de Planeamento e Conduta Militar (MPCC) no Estado-Maior da UE    em Bruxelas<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     <p>O Conselho reiterou, tamb&eacute;m, o seu apelo a uma r&aacute;pida conclus&atilde;o    dos trabalhos sobre a proposta legislativa de altera&ccedil;&atilde;o do instrumento    que contribui para a estabilidade e a paz, enquanto elemento importante para    uma resposta eficaz, respons&aacute;vel e transparente da UE, exortando &agrave;    continua&ccedil;&atilde;o dos trabalhos em curso, incluindo os casos-piloto,    bem como &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o e ao desenvolvimento de novos    projetos no dom&iacute;nio do refor&ccedil;o das capacidades de apoio &agrave;    seguran&ccedil;a e ao desenvolvimento (CBSD). O Conselho recorda, ainda, a sua    proposta de elaborar um instrumento espec&iacute;fico para o refor&ccedil;o    das capacidades, estando prevista, para junho de 2017, a implementa&ccedil;&atilde;o    pela Comiss&atilde;o do Plano de A&ccedil;&atilde;o Europeu de Defesa, de novembro    de 2016, centrado na cria&ccedil;&atilde;o do Fundo Europeu para a Defesa<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AVALIA&Ccedil;&Atilde;O DAS NOVAS DIN&Acirc;MICAS INSTITUCIONAIS NO SEIO    DA PCSD</b></p>     <p>A Estrat&eacute;gia Global da Uni&atilde;o Europeia confirmou a necessidade    de um delineamento estrat&eacute;gico institucional, ainda que aparentemente    reativo, mas sobretudo assinalou o desenvolvimento no quadro institucional da    PCSD. Com efeito, o papel que a alta representante, Frederica Mogherini, desempenhou    no sentido da sua elabora&ccedil;&atilde;o &eacute; assinal&aacute;vel, tal    como j&aacute; tinha sido o papel do seu antecessor, Javier Solana, na elabora&ccedil;&atilde;o    da Estrat&eacute;gia Europeia de Seguran&ccedil;a em 2003. A visibilidade dos    atores institucionais revela-nos algo mais profundo &ndash; o papel das institui&ccedil;&otilde;es    criadas no &acirc;mbito da PCSD, na sua evolu&ccedil;&atilde;o e, simultaneamente,    no seu aprofundamento, apresentando-se n&atilde;o s&oacute; como vari&aacute;veis    dependentes (do ponto de vista da governa&ccedil;&atilde;o europeia), mas tamb&eacute;m    como vari&aacute;veis independentes. A arquitetura institucional criada no &acirc;mbito    desta pol&iacute;tica (refira-se neste caso a figura e as respetivas compet&ecirc;ncias    da alta representante) encetou novas din&acirc;micas que afetaram os estados-membros,    mas que tamb&eacute;m traduziu, atrav&eacute;s do papel mutualista e harmonizador,    a antec&acirc;mara de vis&otilde;es compartilhadas pelos estados-membros, fomentando    assim um quadro normativo no seio da PCSD, nomeadamente a Estrat&eacute;gia    Global da UE. Este entendimento coletivo, ainda que m&iacute;nimo, revela tra&ccedil;os    de <i>europeanization</i> ou <i>brusselization</i>, que t&ecirc;m sido suportados    n&atilde;o apenas no quadro dos arranjos institucionais cl&aacute;ssicos, como    pela pr&oacute;pria socializa&ccedil;&atilde;o das elites nacionais destacadas    para os diversos organismos que suportam esta pol&iacute;tica (SEAE; dire&ccedil;&otilde;es-gerais).    Assim, torna-se vis&iacute;vel que a constru&ccedil;&atilde;o &ndash; quer da    narrativa estrat&eacute;gica quer tamb&eacute;m da identifica&ccedil;&atilde;o    de necessidades operacionais para responder a esse quadro normativo &ndash;    depende n&atilde;o s&oacute; das prefer&ecirc;ncias dos atores (leia-se estados-membros),    como s&atilde;o elas pr&oacute;prias resultado das din&acirc;micas institucionais    e da intera&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es com os estados-membros,    muitas vezes de modo, at&eacute;, involunt&aacute;rio, ou pelo menos revelando    a incapacidade de controlo de todo o processo por parte dos estados-membros.</p>     <p>Paradoxalmente, o desenvolvimento da PESCO um ano depois da apresenta&ccedil;&atilde;o    da Estrat&eacute;gia Global traduz, em nosso entender, a incapacidade sentida    ao n&iacute;vel dos agentes institucionais, nomeadamente estados-membros e institui&ccedil;&otilde;es    europeias, do ponto de vista operacional e das capacidades de trabalho quer    no Roteiro de Bratislava, quer no Plano de Implementa&ccedil;&atilde;o e j&aacute;    sublinhado na pr&oacute;pria Estrat&eacute;gia Global da UE. Mas destapa, tamb&eacute;m,    algo mais profundo no seio da UE &ndash; a incapacidade de os estados transferirem    soberania em mat&eacute;ria de <i>high politics</i> e responderem &agrave;s    necessidades da Uni&atilde;o, caso estas n&atilde;o se conciliem com as prefer&ecirc;ncias    estatais. Ademais, e como sublinhava Moravcsik, existe um quadro de interdepend&ecirc;ncias    assim&eacute;tricas a ter em conta pelos negociadores<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.    Esta assimetria entre os agentes &eacute; tanto mais vis&iacute;vel quanto se    ultrapassa a pr&oacute;pria l&oacute;gica institucional para a necessidade de    responder aos desideratos de uma pol&iacute;tica comum, como a PESCO demonstra.</p>     <p>Com efeito, a necessidade de unanimidade para a maior parte destas mat&eacute;rias,    negociadas em sede do Conselho, vem confirmar que, n&atilde;o obstante as din&acirc;micas    institucionais para o desenvolvimento doutrinal desta pol&iacute;tica, nomeadamente    para a elabora&ccedil;&atilde;o de um referencial estrat&eacute;gico (leia-se    Estrat&eacute;gia Global da Uni&atilde;o Europeia), o car&aacute;ter intergovernamental    desta pol&iacute;tica mant&eacute;m-se quando se fala do n&iacute;vel da sua    operacionalidade. Mais, o que a Coopera&ccedil;&atilde;o Estruturada Permanente    exp&otilde;e &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um <i>racional de articula&ccedil;&atilde;o    de interesses</i> entre estados-na&ccedil;&atilde;o que retoma, do ponto vista    <i>tucididiano</i>, a l&oacute;gica cl&aacute;ssica de alian&ccedil;as &ndash;    mut&aacute;veis e imprevis&iacute;veis &ndash; incompat&iacute;veis com o modelo    de coopera&ccedil;&atilde;o subjacente &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de uma    organiza&ccedil;&atilde;o internacional supranacional, como a UE.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas aparentes idiossincrasias exp&otilde;em a dificuldade de a UE conciliar,    por um lado, a sua vontade de se afirmar no sistema internacional como um ator    coletivo, capaz e coeso, ao n&iacute;vel da seguran&ccedil;a e defesa, e, por    outro, a exist&ecirc;ncia de prefer&ecirc;ncias diferenciadas quanto ao tipo    de atua&ccedil;&atilde;o e aos compromissos necess&aacute;rios ao n&iacute;vel    or&ccedil;amental para essa a&ccedil;&atilde;o integrada e conjunta entre os    estados-membros, que continuam a ser estados-na&ccedil;&atilde;o, ainda que    a sua soberania se afigure, na sem&acirc;ntica de Ivo Duchacek, Daniel Latouche    e Garth Stevenson, visivelmente &laquo;perfurada&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTA FINAL: O PAPEL DA DEFESA NO FUTURO DA EUROPA </b></p>     <p>A ue poder&aacute; perder, em breve, um dos cofundadores da Pol&iacute;tica    Comum de Seguran&ccedil;a e Defesa em Saint-Malo, o Reino Unido, que, e de acordo    com a Ag&ecirc;ncia Europeia de Defesa, tem sido o Estado-Membro que mais gasta    em defesa em termos totais, e um dos poucos que comprometem mais de dois por    cento do PIB para o or&ccedil;amento de defesa e aquele que tem o maior n&uacute;mero    total de for&ccedil;as terrestres projet&aacute;veis. Por&eacute;m, o Reino    Unido &eacute;, tamb&eacute;m, o Estado-Membro que manteve a nato como plataforma    preferencial para a interven&ccedil;&atilde;o militar no exterior, anulando    o desenvolvimento institucional da PCSD e de capacidades militares europeias    comuns, incluindo a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas permanentes de comando    para a UE. Por isso, a sa&iacute;da do Reino Unido representar&aacute; a amputa&ccedil;&atilde;o    de um dos mais importantes estados-membros do ponto de vista das capacidades,    mas constituir&aacute;, tamb&eacute;m, uma oportunidade de maior aprofundamento    no processo de integra&ccedil;&atilde;o da PCSD. Com efeito, o eixo Paris-Londres    &ndash; que tinha iniciado a Pol&iacute;tica Comum de Seguran&ccedil;a e Defesa    em Saint-Malo &ndash; parece ter-se deslocado para Paris-Berlim, depois da PESCO.</p>     <p>Ainda que se opte por uma vis&atilde;o edificante e positiva do futuro da PCSD,    a necessidade de compromisso ao n&iacute;vel de capacidades operacionais, bem    como o desenvolvimento da PESCO, vem revelar o princ&iacute;pio da subsidiariedade    e da matriz intergovernamental, assente na manuten&ccedil;&atilde;o da soberania    por parte dos governos nacionais na defini&ccedil;&atilde;o dos objetivos da    comunidade e o afastamento da UE &laquo;ever closer union of people&raquo;,    entrando numa nova realidade que, assegurando a diversidade, poder&aacute; levar    &agrave; sua dilui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Na verdade, os estados-membros, ap&oacute;s a crise das d&iacute;vidas soberanas    em 2008 e, posteriormente, da divis&atilde;o relativa ao acolhimento de refugiados    desde 2015, manifestam um afastamento normativo da UE, nomeadamente os seus    princ&iacute;pios fundadores patenteados no artigo 2.&ordm; do TUE:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;(R)espeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia,    da igualdade, do Estado de direito e do respeito pelos direitos do Homem, incluindo    os direitos das pessoas pertencentes a minorias. Estes valores sa~o comuns aos    Estados-Membros, numa sociedade caracterizada pelo pluralismo, a na~o-discriminac¸a~o,    a tolera&#094;ncia, a justic¸a, a solidariedade e a igualdade entre homens e mulheres&raquo;<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>A este respeito, os estados europeus tinham sido descritos como &laquo;estados    p&oacute;s-modernos&raquo;, ou &laquo;p&oacute;s-soberanos&raquo;, conferindo    consist&ecirc;ncia ao mito da excecionalidade europeia<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.    Os estados europeus, pelo processo de integra&ccedil;&atilde;o, haviam <i>transcendido</i>    alguns dos princ&iacute;pios da soberania, de modo a tornar poss&iacute;vel    uma vers&atilde;o, ainda que <i>limitada e regional</i>, da paz perp&eacute;tua    kantiana<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Ora, o retorno    do sistema de alian&ccedil;as no relacionamento entre os estados-membros no    quadro institucional poder&aacute; representar um retrocesso no percurso de    integra&ccedil;&atilde;o, mas eleva tamb&eacute;m para outro patamar o paradoxo    comunit&aacute;rio, que ultrapassa aparentemente a dicotomia patenteada nas    teorias de integra&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssicas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conclui-se que a evolu&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas internas desta    pol&iacute;tica poder&aacute; constituir um bar&oacute;metro para a pr&oacute;pria    UE, pois trata-se, t&atilde;o-somente, do &uacute;ltimo patamar de integra&ccedil;&atilde;o    ou da dilui&ccedil;&atilde;o da derradeira esfera da soberania estatal entre    os estados-membros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ASSEMBLEIA DA REP&Uacute;BLICA &ndash; <i>Tratado de Lisboa</i>. Divisa~o de    Edic¸o~es da Assembleia da Repu´blica, 2008.</p>     <p>COELMONT, Jo; BISCOP, Sven &ndash; &laquo;Permanent structured cooperation:    in defence of the obvious&raquo;. Egmont (Royal Institute for International    Relations). 2010.</p>     <p>COOPER, Robert &ndash; <i>The Breaking of Nations. Order and Chaos in the Twenty-First    Century</i>. Londres: Atlantic Books, 2004.</p>     <p>COUNCIL OF EUROPEAN UNION &ndash; &laquo;Implementation Plan on Security and    Defence&raquo;. DOC. 14392/16. 4 de novembro de 2016.</p>     <p>COUNCIL OF EUROPEAN UNION &ndash; &laquo;Council conclusions on progress in    implementing the EU Global Strategy in the area of Security and Defence&raquo;.    Press Release 110/17. 6 de mar&ccedil;o de 2017.</p>     <p>COUNCIL OF EUROPEAN UNION &ndash; &laquo;Council Recommendation concerning    a roadmap for the implementation of PESCO&raquo;. 6588/1/18. 6 de mar&ccedil;o    de 2018. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-6588-2018-REV-1/en/pdf" target="_blank">http://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-6588-2018-REV-1/en/pdf</a>.</p>     <p>COUNCIL OF EUROPEAN UNION &ndash; &laquo;Defence cooperation: Council launches    17 new PESCO projects&raquo;. Press Release 657/18. 19 de novembro de 2018.    Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2018/11/19/defence-cooperation-council-launches-17-new-PESCO-projects/pdf" target="_blank">https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2018/11/19/defence-cooperation-council-launches-17-new-PESCO-projects/pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DUCHACEK, Ivo; LATOUCHE, Daniel; STEVENSON, Garth &ndash; <i>Perforated Sovereignties    and International Relations. Trans-Sovereign Contacts of Subnational Governments</i>.    Nova York: Greenwood Press, 1988.</p>     <p>EEKELEN, Willem; KURPAS, Sebastian &ndash; &laquo;The Evolution of Flexible    Integration in European Defence Policy: Is Permanent Structured Cooperation    a Leap Forward for the Common Security and Defence Policy?&raquo;. CEPS Working    Document 295. 2008.</p>     <p>EUROPEAN COUNCIL &ndash; &laquo;European Council meeting (19 October 2017)    &ndash; Conclusions&raquo;. 19 de outubro de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.consilium.europa.eu/media/21620/19-euco-final-conclusions-en.pdf" target="_blank">https://www.consilium.europa.eu/media/21620/19-euco-final-conclusions-en.pdf</a>.</p>     <p>GORKA, Alex &ndash; &laquo;EUMed rebellion: eu falling apart never to be &ldquo;United    Europe&rdquo; we once knew&raquo;. In <i>Strategic Culture Foundation</i>. 15    de setembro de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.strategic-culture.org/news/2016/09/15/eumed-rebellion-eu-falling-apart-never-united-europe-we-once-knew.html" target="_blank">http://www.strategic-culture.org/news/2016/09/15/eumed-rebellion-eu-falling-apart-never-united-europe-we-once-knew.html</a>.</p>     <p>HAAS, Ernst &ndash; &laquo;The study of regional integration&raquo;. In Lindberg,    L.; Scheingold, S. &ndash; <i>European Integration</i>. Harvard: Harvard University    Press, 1971.</p>     <p>MENON, Anand &ndash; &laquo;From crisis to catharsis: ESDP after Iraq&raquo;.    In <i>International Affairs</i>. Vol. 80, N.&ordm; 4, 2004, pp. 631-648.</p>     <p>MENON, Anand &ndash; &laquo;An EU Global Strategy: Unnecessary and unhelpful&raquo;.    In <i>Occasional UlPapers</i>. N.&ordm; 14. (Publish by The Swedish Institute    of International Affairs). 2013.</p>     <p>MOGHERINI, Federica &ndash; &laquo;Mogherini presents Implementation Plan on    Security and Defence to EU ministers&raquo;. 2016. (Consultado em: 3 de mar&ccedil;o    de 2017). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://eeas.europa.eu/delegations/switzerland/14820/mogherini-presents-implementation-plan-on-security-and-defence-to-eu-ministers_zh-hans" target="_blank">https://eeas.europa.eu/delegations/switzerland/14820/mogherini-presents-implementation-plan-on-security-and-defence-to-eu-ministers_zh-hans</a>.</p>     <p>MORAVCSIK, Andrew &ndash; &laquo;Preferences and power in the European Community:    a liberal intergovernmentalist approach&raquo;. In <i>Journal of Common Market    Studies</i>. Vol. 31, N.&ordm; 4, 1993, pp. 473-525.</p>     <p>MORAVCSIK, Andrew &ndash; &laquo;Europe: the quiet superpower&raquo;. In <i>French    Politics</i>. N.&ordm; 7, 2009, pp. 403-422.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>P&Eacute;REZ, Rafael Garcia &ndash; &laquo;Estrate´gia Global da Unia~o Europeia:    pragmatismo e possibilismo&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>.    N.&ordm; 53, 2017, pp. 71-81.</p>     <p>REIS, Liliana &ndash; <i>A Constru&ccedil;&atilde;o do Ator Securit&aacute;rio    Europeu: A Hora das Escolhas.</i> Pref&aacute;cio: Lu&iacute;s Filipe Lobo-Fernandes.    Lisboa: Chiado Editora, 2017.</p>     <p>REIS, Liliana &ndash; &laquo;Da Estrat&eacute;gia Europeia de Seguran&ccedil;a    &agrave; Estrat&eacute;gia Global de Seguran&ccedil;a&raquo;. In RIBEIRO, Maria    Manuela Tavares; VALENTE, Isabel Maria Freitas; ROLLO, Maria Fernanda; CUNHA,    Alice, eds. &ndash; <i>Cidadania, Pol&iacute;tica, Seguran&ccedil;a e Cultura    Cient&iacute;fica</i>. Centro de Estudos Interdisciplinares do S&eacute;culo    XX, 2018, pp. 189-220.</p>     <p>SEAE &ndash; <i>Shared Vision, Common Action: A Stronger Europe. A Global Strategy    for the European Union&rsquo;s Foreign and Security Policy</i>. 2016.</p>     <p>TOCCI, Nathalie &ndash; &laquo;The making of the EU Global Strategy&raquo;.    In <i>Contemporary Security Policy</i>. Vol. 37, N.&ordm; 6, 2016, pp. 461-472.</p>     <p>ZANDEE, Dick &ndash; &laquo;EU Global Strategy: from design to implementation&raquo;.    <i>Policy Analysis</i>. 2016. (Consultado em: 22 de mar&ccedil;o de 2018). Dispon&iacute;vel    em: <a href="https://www.atlcom.nl/ap_archive/pdf/AP%202016%20nr.%203/Zandee.pdf" target="_blank">https://www.atlcom.nl/ap_archive/pdf/AP%202016%20nr.%203/Zandee.pdf</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 30 de outubro de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    5 de dezembro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> O neofuncionalismo aponta    para a exist&ecirc;ncia de um novo centro pol&iacute;tico supranacional para    o qual os agentes pol&iacute;ticos transferem gradualmente lealdades, expetativas    e atividades pol&iacute;ticas. Assim, o objetivo do desenvolvimento de uma pol&iacute;tica    de defesa europeia n&atilde;o seria unicamente a defesa nacional dos estados-membros    que a constituem, mas sim uma ambi&ccedil;&atilde;o mais abrangente de consolida&ccedil;&atilde;o    institucional da Uni&atilde;o Europeia. <i>Vide</i> a este respeito HAAS, Ernst    &ndash; &laquo;The study of regional integration&raquo;. In LINDBERG, L.; SCHEINGOLD,    S. &ndash; <i>European Integration</i>. Harvard: Harvard University Press, 1971.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> O trabalho de Andrew Moravcsik    que consagrou o chamado &laquo;institucionalismo intergovernamental&raquo;,    reafirma a centralidade do poder e dos interesses individuais dos estados, mas    postula que os interesses n&atilde;o s&atilde;o simplesmente determinados pela    balan&ccedil;a de poder, mas tamb&eacute;m pelas prefer&ecirc;ncias de cada    Estado-Membro. A proposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de Moravcsik baseia-se    em tr&ecirc;s princ&iacute;pios: intergovernamentalismo, negocia&ccedil;&atilde;o    do m&iacute;nimo denominador comum e limites restritos para futuras transfer&ecirc;ncias    de soberania. Sob esta perspetiva, a decis&atilde;o de institucionaliza&ccedil;&atilde;o    da PCSD localiza-se, predominantemente, a n&iacute;vel nacional, a qual cria    din&acirc;micas transnacionais que, por seu turno, as institui&ccedil;&otilde;es    europeias ajudam a consolidar e implementar. <i>Vide</i> a este respeito: MORAVCSIK,    Andrew &ndash; &laquo;Preferences and power in the European Community: a liberal    intergovernmentalist approach&raquo;. In <i>Journal of Common Market Studies</i>.    Vol. 31, N.&ordm; 4, 1993, pp. 473-525.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> REIS, Liliana &ndash; <i>A    Constru&ccedil;&atilde;o do Ator Securit&aacute;rio Europeu: A Hora das Escolhas</i>.    Pref&aacute;cio: Lu&iacute;s Filipe Lobo-Fernandes. Lisboa: Chiado Editora,    2017.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> SEAE &ndash; <i>Shared Vision,    Common Action: A Stronger Europe. A Global Strategy for the European Union&rsquo;s    Foreign And Security Policy</i>. 2016.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Cf. TOCCI, Nathalie &ndash;    &laquo;The making of the EU Global Strategy&raquo;. In <i>Contemporary Security    Policy</i>. Vol. 37, N.&ordm; 6, 2016, pp. 461-472.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Cf. MENON, Anand &ndash; &laquo;From    crisis to catharsis: ESDP after Iraq&raquo;. In <i>International Affairs</i>.    Vol. 80, N.&ordm; 4, 2004, pp. 631-648.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Cf. SEAE &ndash; <i>Shared    Vision, Common Action</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> REIS, Liliana &ndash; &laquo;Da    Estrat&eacute;gia Europeia de Seguran&ccedil;a &agrave; Estrat&eacute;gia Global    de Seguran&ccedil;a&raquo;. In RIBEIRO, Maria Manuela Tavares; VALENTE, Isabel    Maria Freitas; ROLLO, Maria Fernanda; CUNHA, Alice, eds. &ndash; <i>Cidadania,    Pol&iacute;tica, Seguran&ccedil;a e Cultura Cient&iacute;fica.</i> Centro de    Estudos Interdisciplinares do S&eacute;culo XX. 2018, p. 192.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Cf. ZANDEE, Dick &ndash; &laquo;EU    Global Strategy: from design to implementation&raquo;. <i>Policy Analysis</i>.    2016. (Consultado em: 22 de mar&ccedil;o de 2018). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.atlcom.nl/ap_archive/pdf/AP%202016%20nr.%203/Zandee.pdf" target="_blank">https://www.atlcom.nl/ap_archive/pdf/AP%202016%20nr.%203/Zandee.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Cf. TOCCI, Nathalie &ndash;    &laquo;The making of the EU Global Strategy&raquo;, p. 462.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Cf. P&Eacute;REZ, Rafael    Garcia &ndash; &laquo;Estrate´gia Global da Unia~o Europeia: pragmatismo e possibilismo&raquo;.    In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 53, 2017, pp. 71-81.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Cf. MENON, Anand &ndash;    &laquo;An EU Global Strategy: Unnecessary and unhelpful&raquo;. In <i>Occasional    UlPapers.</i> N.&ordm; 14. (Publish by The Swedish Institute of International    Affairs). 2013, p. 15.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> As Coopera&ccedil;&otilde;es    Estruturadas Permanentes s&atilde;o introduzidas, conceptualmente, no projeto    de Tratado Constitucional, que a elas se refere no artigo I &ndash; 41.&ordm;,    no &acirc;mbito das quest&otilde;es relativas &agrave; pol&iacute;tica comum    de seguran&ccedil;a e defesa da Uni&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> A defesa era, ali&aacute;s,    o &uacute;nico dom&iacute;nio que estava exclu&iacute;do desta realidade.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> A formula&ccedil;&atilde;o    mais aproximada das CEP surgiu em 2003, quando pela &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o    do Luxemburgo&raquo; a B&eacute;lgica, o Luxemburgo, a Alemanha e a Fran&ccedil;a    propuseram um conjunto de medidas e iniciativas visando o refor&ccedil;o das    capacidades europeias de defesa, de certa forma autonomizando-a da Alian&ccedil;a    Atl&acirc;ntica. Apesar de terem sido alvo de duras cr&iacute;ticas na altura,    a maior parte destas propostas veio a ser posta em pr&aacute;tica no &acirc;mbito    da PESD, fornecendo a base para as CEP. Vide <a href="http://www.aip.pt/irj/go/km/docs/eurodefense/sinteses/Sintese_6-Coop_Estruturada_na_PESD.pdf" target="_blank">http://www.aip.pt/irj/go/km/docs/eurodefense/sinteses/Sintese_6-Coop_Estruturada_na_PESD.pdf</a>    (Consultado em: 4 de abril de 2018).</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Tamb&eacute;m para Willem    F. Van Eekelen e Sebastian Kurpas, &laquo;conceptually, &ldquo;flexibility&rdquo;    is the catch-all term for arrangements that do not include all member states.    Hard-core, variable geometry, two-speed, &agrave; la carte &ndash; all are intended    to take account of differences in integrative capacity or willingness to give    up sovereignty concerning matters of mutual interest across national borders.    Countries always teamed up in the intergovernmental sphere outside the treaties    and in some important areas like the Schengen agreement their arrangements were    taken over by the EU only after they had proved to be successful. Flexibility    was to square the circle between solidarity and effectiveness within the Union    framework&raquo;. Cf. EEKELEN, Willem; KURPAS, Sebastian &ndash; &laquo;The    Evolution of Flexible Integration in European Defence Policy: Is Permanent Structured    Cooperation a Leap Forward for the Common Security and Defence Policy?&raquo;.    CEPS Working Document 295. 2008, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> REIS, Liliana &ndash; <i>A    Constru&ccedil;&atilde;o do Ator Securit&aacute;rio Europeu</i>&hellip;, p.    179.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> EEKELEN, Willem; KURPAS,    Sebastian &ndash; &laquo;The Evolution of Flexible Integration in European Defence    Policy&hellip;&raquo;, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Assembleia da Rep&uacute;blica    &ndash; <i>Tratado de Lisboa</i>. Divisa~o de Edic¸o~es da Assembleia da Repu´blica,    2008.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> COELMONT, Jo; BISCOP, Sven&ndash;    &laquo;Permanent structured cooperation: in defence of the obvious&raquo;. Egmont    (Royal Institute for International Relations). 2010, p. 11.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> EUROPEAN COUNCIL &ndash;    &laquo;European Council meeting (19 October 2017) &ndash; Conclusions&raquo;.    19 de outubro de 2017. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.consilium.europa.eu/media/21620/19-euco-final-conclusions-en.pdf" target="_blank">https://www.consilium.europa.eu/media/21620/19-euco-final-conclusions-en.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> COUNCIL OF EUROPEAN UNION    &ndash; &laquo;Council Recommendation concerning a roadmap for the implementation    of PESCO&raquo;. 6588/1/18. 6 de mar&ccedil;o de 2018. Dispon&iacute;vel em:    <a href="http://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-6588-2018-REV-1/en/pdf" target="_blank">http://data.consilium.europa.eu/doc/document/ST-6588-2018-REV-1/en/pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> COUNCIL OF EUROPEAN UNION    &ndash; &laquo;Defence cooperation: Council launches 17 new PESCO projects&raquo;.    Press Release 657/18. 19 de novembro de 2018. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2018/11/19/defence-cooperation-council-launches-17-new-PESCO-projects/pdf" target="_blank">https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2018/11/19/defence-cooperation-council-launches-17-new-PESCO-projects/pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Na prepara&ccedil;&atilde;o    do Conselho de Bratislava, o presidente do Conselho Europeu, Tusk, consultou    os estados-membros para debaterem as suas preocupa&ccedil;&otilde;es e perspetivas    sobre as quest&otilde;es atuais, procurando identificar &aacute;reas comuns,    as quais foram publicadas a 13 de setembro, e identificou como prioridade a    seguran&ccedil;a interna, a defesa externa e as quest&otilde;es econ&oacute;micas    e sociais. Em contraste com o discurso do presidente da Comiss&atilde;o Europeia    Juncker sobre o Estado da Uni&atilde;o, a carta do presidente Tusk solicita    um &laquo;equil&iacute;brio saud&aacute;vel&raquo; entre as prioridades dos    estados-membros e as institui&ccedil;&otilde;es da UE. Sublinha, tamb&eacute;m,    que as institui&ccedil;&otilde;es da UE devem apoiar as prioridades acordadas    entre os estados-membros e n&atilde;o impor as suas pr&oacute;prias.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> A Cimeira de Bratislava    &eacute; &uacute;nica em termos de negocia&ccedil;&otilde;es do Conselho Europeu,    tanto em formato como em conte&uacute;do. N&atilde;o s&oacute; marca a primeira    reuni&atilde;o sem a presen&ccedil;a do Reino Unido em quarenta e tr&ecirc;s    anos, mas tamb&eacute;m marca a primeira s&eacute;ria troca de opini&otilde;es    sobre o futuro do projeto europeu nos &uacute;ltimos anos.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> A mais vis&iacute;vel destas    novas alian&ccedil;as foi o Grupo Visegr&aacute;d (Pol&oacute;nia, Hungria,    Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia), que tem repetidamente condenado    o tratamento dado pela ue &agrave; crise migrat&oacute;ria e apelou ao refor&ccedil;o    do papel dos parlamentos nacionais. O grupo reuniu-se informalmente antes da    cimeira para acordar posi&ccedil;&otilde;es comuns. Em 9 de setembro de 2016,    a Gr&eacute;cia acolheu o encontro inaugural dos estados &laquo;EUMed&raquo;    (Portugal, Espanha, It&aacute;lia, Chipre, Malta, Fran&ccedil;a). Na sua declara&ccedil;&atilde;o    comum, apelaram a pol&iacute;ticas da ue centradas na promo&ccedil;&atilde;o    do crescimento e do emprego. Este documento reflete as tens&otilde;es existentes    entre o Norte e o Sul em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es econ&oacute;micas    e, mais especificamente, as tens&otilde;es entre a Alemanha e os estados-membros    do Sul. Cf. GORKA, Alex &ndash; &laquo;EUMed rebellion: EU falling apart never    to be &ldquo;United Europe&rdquo; we once knew&raquo;. In <i>Strategic Culture    Foundation</i>. 15 de setembro de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.strategic-culture.org/news/2016/09/15/eumed-rebellion-eu-falling-apart-never-united-europe-we-once-knew.html" target="_blank">http://www.strategic-culture.org/news/2016/09/15/eumed-rebellion-eu-falling-apart-never-united-europe-we-once-knew.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> MOGHERINI, Federica &ndash;    &laquo;Mogherini presents Implementation Plan on Security and Defence to EU    ministers&raquo;. 2016. (Consultado em: 3 de mar&ccedil;o de 2017). Dispon&iacute;vel    em: <a href="https://eeas.europa.eu/delegations/switzerland/14820/mogherini-presents-implementation-plan-on-security-and-defence-to-eu-ministers_zh-hans" target="_blank">https://eeas.europa.eu/delegations/switzerland/14820/mogherini-presents-implementation-plan-on-security-and-defence-to-eu-ministers_zh-hans</a>.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> COUNCIL OF EUROPEAN UNION    &ndash; &laquo;Council conclusions on progress in implementing the EU Global    Strategy in the area of Security and Defence&raquo;. Press Release 110/17. 6    de mar&ccedil;o de 2017.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> O qual dever&aacute; assumir    responsabilidades a n&iacute;vel estrat&eacute;gico para o planeamento operacional    e a condu&ccedil;&atilde;o das miss&otilde;es militares n&atilde;o executivas    da UE, sob o controlo pol&iacute;tico e estrat&eacute;gico do Comit&eacute;    Pol&iacute;tico e de Seguran&ccedil;a. O diretor-geral do Estado-Maior da UE    ser&aacute; o diretor do CPPM e, nessa qualidade, assumir&aacute; as fun&ccedil;&otilde;es    de comandante de miss&otilde;es para miss&otilde;es n&atilde;o executivas de    PSDC, incluindo as tr&ecirc;s miss&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o da UE    destacadas na Rep&uacute;blica Centro-Africana, no Mali e na Som&aacute;lia.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> A Comiss&atilde;o j&aacute;    tinha elaborado um roteiro para facilitar o acesso da ind&uacute;stria da defesa    aos fundos de I&amp;D de que fora exclu&iacute;do, para o qual teve de criar    uma linha especial de financiamento, o que permitiria &agrave; ind&uacute;stria    da defesa aceder a fundos espec&iacute;ficos de investiga&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    em 2017 antes de poder aceder aos do quadro financeiro plurianual (2021-2027).    Mais tarde, elaborou um outro relat&oacute;rio de execu&ccedil;&atilde;o em    maio de 2015, a fim de informar o Conselho Europeu de junho de 2015 sobre os    progressos realizados desde 2013. <i>Vide</i> a este respeito: &laquo;Report    from the Commission to the European Parliament, the Council, the European Economic    and Social Committee and the Committee of the Regions&raquo;. COM (2014) 387    24 June 2014 on A new deal for European defence; Implementation Roadmap for    Communication COM (2013) 542. Towards a more competitive and efficient defence    and security sector&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Com efeito, &laquo;patterns    of interdependence underlie credible threats to veto, exit and exclude other    governments, as well as, though secondarily, linkages between issues and offers    of side payments&raquo; (MORAVCSIK, Andrew &ndash; &laquo;Europe: the quiet    superpower&raquo;. In <i>French Politics</i>. N.&ordm; 7, 2009, pp. 403-422).</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> DUCHACEK, Ivo; LATOUCHE,    Daniel; STEVENSON, Garth &ndash; <i>Perforated Sovereignties and International    Relations. Trans-Sovereign Contacts of Subnational Governments</i>. Nova York:    Greenwood Press, 1988.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> ASSEMBLEIA DA REP&Uacute;BLICA    &ndash; <i>Tratado de Lisboa</i>.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Para Robert Cooper, o mundo    encontra-se dividido em v&aacute;rios est&aacute;gios de modernidade: estados    pr&eacute;-modernos, tal como o Afeganist&atilde;o ou a Som&aacute;lia, os quais    se revelam incapazes de estabelecer um governo b&aacute;sico e a pr&oacute;pria    seguran&ccedil;a interna; estados modernos, tal como a &Iacute;ndia, a China    ou o Brasil, focalizados na aquisi&ccedil;&atilde;o de um estatuto de grande    pot&ecirc;ncia, como os estados-na&ccedil;&atilde;o europeus do s&eacute;culo    XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX; e estados p&oacute;s-modernos, definidos    na pr&aacute;tica pela Europa Ocidental. <i>Vide</i> COOPER, Robert &ndash;    <i>The Breaking of Nations. Order and Chaos in the Twenty-First Century</i>.    Londres: Atlantic Books, 2004.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Cf. <i>Ibidem</i>, p. 472.</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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