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<article-id>S1645-91992018000500006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.60a06</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A «Política da China para África» e as ambições globais da China]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In 2016, the Chinese State Council (CSC) published the paper China’s Africa Policy, as a framework for the strategy of China in Africa. In 2011 the CSC published the whitepaper China’s Foreign Aid, including specifications on aid modalities, and the definition of sector for future cooperation between China and Africa. With this paper we intend to discuss the recent trends in Chinese foreign policy, the starting point being China’s Africa policy, and as a case the China-Angola bilateral relations. We start by discussing the strategy of China towards Africa, since 2003, building on the case study of Chinese credit lines provided to the Angolan Government. We proceed with a discussion on guiding principles in Chinese foreign policy, shedding a light on recent debates on China’s global aspirations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>A ORDEM INTERNACIONAL PÓS-AMERICANA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A &laquo;Pol&iacute;tica da China para &Aacute;frica&raquo; e as ambi&ccedil;&otilde;es    globais da China</b></p>     <p><b>&ldquo;China&rsquo;s Africa Policy&rdquo; and the global ambitions of China</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sofia Fernandes</b></p>     <p>Dire&ccedil;&atilde;o-Geral das Atividades Econ&oacute;micas | Avenida Visconde    de Valmor, 72, 1069-041 Lisboa| <a href="mailto:sofiacordeiro.fernandes@dgae.min-economia.pt">sofiacordeiro.fernandes@dgae.min-economia.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Em 2006, o Conselho de Estado chin&ecirc;s publicou o documento <i>China&rsquo;s    Africa Policy</i>, enquadrador da estrat&eacute;gia da China para &Aacute;frica.    Em 2011, num contexto de crescente globaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica    externa da China, foi publicado o documento <i>China&rsquo;s Foreign Aid</i>,    com a especifica&ccedil;&atilde;o das modalidades de ajuda e das prioridades    da pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o da China. Neste artigo pretendemos    refletir sobre as evolu&ccedil;&otilde;es mais recentes das tend&ecirc;ncias    da pol&iacute;tica externa chinesa, tendo como ponto de partida a pol&iacute;tica    da China para &Aacute;frica, e como caso as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais    entre a China e Angola. Assim, num primeiro momento refletimos sobre as motiva&ccedil;&otilde;es    que levaram o Governo chin&ecirc;s a multiplicar os la&ccedil;os econ&oacute;micos    e pol&iacute;ticos com pa&iacute;ses africanos, desde a entrada no novo mil&eacute;nio,    partindo do caso espec&iacute;fico dos financiamentos concedidos pelo Governo    chin&ecirc;s a Angola desde 2003. Posteriormente, refletimos sobre as constantes    e linhas de for&ccedil;a da pol&iacute;tica externa chinesa, com uma incurs&atilde;o    sobre as mais recentes discuss&otilde;es relativamente &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es    internacionais/globais da China.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> China, &Aacute;frica, pol&iacute;tica externa chinesa,    Angola.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In 2016, the Chinese State Council (CSC) published the paper China&rsquo;s    Africa Policy, as a framework for the strategy of China in Africa. In 2011 the    CSC published the whitepaper China&rsquo;s Foreign Aid, including specifications    on aid modalities, and the definition of sector for future cooperation between    China and Africa. With this paper we intend to discuss the recent trends in    Chinese foreign policy, the starting point being China&rsquo;s Africa policy,    and as a case the China-Angola bilateral relations. We start by discussing the    strategy of China towards Africa, since 2003, building on the case study of    Chinese credit lines provided to the Angolan Government. We proceed with a discussion    on guiding principles in Chinese foreign policy, shedding a light on recent    debates on China&rsquo;s global aspirations.</p>     <p><b>Keywords:</b> China, Africa, Chinese foreign policy, Angola.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Em 2006, o Conselho de Estado chin&ecirc;s publicou o documento <i>China&rsquo;s    Africa Policy</i>, enquadrador da estrat&eacute;gia da China para &Aacute;frica.    Em 2011, num contexto de crescente globaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica    externa da China, &eacute; publicado o documento <i>China&rsquo;s Foreign Aid</i>,    com a especifica&ccedil;&atilde;o das modalidades de ajuda e das prioridades    da pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o da China. Neste artigo pretendemos    refletir sobre as evolu&ccedil;&otilde;es mais recentes das tend&ecirc;ncias/perspetivas    da pol&iacute;tica externa chinesa, tendo como ponto de partida a pol&iacute;tica    da China para &Aacute;frica, e como caso as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais    entre a China e Angola.</p>     <p>Num primeiro momento refletimos sobre as motiva&ccedil;&otilde;es que levaram    o Governo chin&ecirc;s a multiplicar os la&ccedil;os econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos    com pa&iacute;ses africanos, desde a entrada no novo mil&eacute;nio, partindo    do caso espec&iacute;fico dos financiamentos concedidos pelo Governo chin&ecirc;s    a Angola desde 2003. Posteriormente, refletimos sobre as constantes e linhas    de for&ccedil;a da pol&iacute;tica externa chinesa, com uma incurs&atilde;o    sobre as mais recentes discuss&otilde;es relativamente &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es    internacionais/globais da China.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A POL&Iacute;TICA DA CHINA PARA &Aacute;FRICA: CONTEXTO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O empr&eacute;stimo inicial de 150 milh&otilde;es de euros do Eximbank (Export-Import    Bank) da China ao Governo de Angola, em 2003, constitui o primeiro de uma s&eacute;rie    de acordos financeiros assinados entre os dois governos. A mais recente evid&ecirc;ncia    reporta um financiamento de dois mil milh&otilde;es de d&oacute;lares destinado    a infraestruturas em Angola, assinado entre o Governo de Angola e o China Development    Bank<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> em outubro &uacute;ltimo.    As v&aacute;rias linhas de cr&eacute;dito concedidas por bancos chineses a Angola    (estatais e tamb&eacute;m um fundo privado, China International Fund) somar&atilde;o,    no presente, cerca de 20 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares. Estes empr&eacute;stimos,    com as suas condicionantes, despoletaram alertas de um &laquo;novo safari em    &Aacute;frica&raquo;, colocando em causa as inten&ccedil;&otilde;es chinesas    de uma pol&iacute;tica &laquo;Sul-Sul&raquo;. A pol&iacute;tica da China para    &Aacute;frica n&atilde;o &eacute; uma novidade do novo s&eacute;culo: a China    tem mantido uma diplomacia ativa com pa&iacute;ses africanos desde meados da    d&eacute;cada de 1970<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Esta pol&iacute;tica foi apenas contextualizada no &acirc;mbito de uma estrat&eacute;gia    global da China, que teve como ponto de partida importante a &laquo;Go Out Strategy&raquo;,    apresentada em 2001 pelo vice-presidente chin&ecirc;s Wu Bangguo. Em primeiro    lugar, o objetivo da estrat&eacute;gia consistia na busca de mercados externos    para o excesso de capacidade instalada na China em alguns setores industriais    e no setor da constru&ccedil;&atilde;o. Complementarmente, a estrat&eacute;gia    visava igualmente a &laquo;subida&raquo; da China nas cadeias de valor globais,    ao aceder a conhecimento (<i>know-how</i>) e tecnologia em setores de maior    valor acrescentado, por via de aquisi&ccedil;&otilde;es e de fus&otilde;es de    empresas no exterior.</p>     <p>Em segundo lugar, a estrat&eacute;gia tinha como objetivo facilitar o acesso    das empresas petrol&iacute;feras nacionais chinesas (a Sinopec e a CNOOC &ndash;    China National Offshore Oil Corporation) a contratos de fornecimento, ou &agrave;    participa&ccedil;&atilde;o direta na explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo    no exterior.</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o de um enquadramento internacional mais favor&aacute;vel    &agrave; China n&atilde;o foi um objetivo manifesto da &laquo;Go Out Strategy&raquo;.    Contudo, podem ser encontrados elementos que validam esta inten&ccedil;&atilde;o    da parte das autoridades ao conceber os <i>policy papers</i><sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>    relativos a &Aacute;frica e &agrave; ajuda a pa&iacute;ses terceiros. Tendo    em conta o relativo &laquo;desinvestimento&raquo; operado pelas principais pot&ecirc;ncias    desde meados da d&eacute;cada 1990 no continente africano, este foi considerado    de f&aacute;cil <i>abordagem</i> para a prossecu&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;tica    de <i>soft power</i> chinesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SEGURAN&Ccedil;A ENERG&Eacute;TICA</b></p>     <p>Os empr&eacute;stimos da China a Angola foram outorgados em troca de petr&oacute;leo,    como referido, sendo esta uma das dimens&otilde;es-chave da &laquo;Go Out Policy&raquo;.</p>     <p>Na base desta dimens&atilde;o radica a necessidade de garantir a estabilidade    de fornecimento de recursos naturais, em particular de petr&oacute;leo, &agrave;    China, de forma a manter o ritmo acelerado de crescimento da ind&uacute;stria    e do consumo privado no pa&iacute;s. Entre 1980 e 2000, o consumo de petr&oacute;leo    duplicou na China (de 2,3 milh&otilde;es de barris di&aacute;rios para 4,7 milh&otilde;es    de barris di&aacute;rios); entre 2000 e 2010, em apenas dez anos, o consumo    de petr&oacute;leo mais que duplicou, de 4,7 para 9,2 milh&otilde;es de barris    di&aacute;rios. O abastecimento regular de petr&oacute;leo (seguran&ccedil;a    energ&eacute;tica) tornou-se assim uma prioridade em termos de seguran&ccedil;a    nacional. Neste contexto, afirmaram-se como premissas da atua&ccedil;&atilde;o    externa a procura de assinatura de contratos de fornecimento em geografias vari&aacute;veis,    a manuten&ccedil;&atilde;o de rotas mar&iacute;timas de abastecimento seguras<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>,    e o aumento da capacidade interna de armazenamento de energia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>MERCADO E TECNOLOGIA PARA AS EMPRESAS CHINESAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A &laquo;Go Out Strategy&raquo;, uma estrat&eacute;gia econ&oacute;mica de    internacionaliza&ccedil;&atilde;o da economia, relacionada com a procura de    ativos estrat&eacute;gicos, foi complementada, no que se refere a &Aacute;frica,    com a publica&ccedil;&atilde;o, pelo Conselho de Estado da China, dos documentos    <i>China&rsquo;s</i><i>Africa Policy</i>, em 2006, e do <i>China&rsquo;s Foreign    Aid</i>, em 2011.</p>     <p>O primeiro, num contexto de aprofundamento das rela&ccedil;&otilde;es comerciais    entre a China e o continente, define orienta&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas    quanto aos setores de coopera&ccedil;&atilde;o a promover entre as duas regi&otilde;es,    estabelecendo diretrizes gen&eacute;ricas para a coopera&ccedil;&atilde;o bilateral    no &acirc;mbito econ&oacute;mico e financeiro, assim como um enquadramento geral    relativo a apoio m&uacute;tuo nas institui&ccedil;&otilde;es multilaterais.</p>     <p>O segundo documento centra-se em particular nas modalidades e regras de empr&eacute;stimos    externos a conceder pelo Estado chin&ecirc;s no &acirc;mbito da ajuda externa    a &laquo;pa&iacute;ses menos desenvolvidos&raquo;.</p>     <p>A &laquo;Go Out Strategy&raquo;, por seu turno, tinha como ponto de alavancagem    a acumula&ccedil;&atilde;o de um excesso de reservas em moeda estrangeira, que    viabilizou, a partir de 2003, o investimento de empresas privadas chinesas no    exterior<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. A partir de ent&atilde;o,    foi desenvolvido um complexo sistema financeiro, que inclui linhas de cr&eacute;dito    oficiais (Estado a Estado), n&atilde;o oficiais<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>,    subs&iacute;dios e acesso facilitado a cr&eacute;dito para empresas com atividade    no exterior<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Uma parte consider&aacute;vel    do excedente de divisas em moeda estrangeira foi aplicada na internacionaliza&ccedil;&atilde;o    da economia chinesa, incluindo o investimento em posi&ccedil;&otilde;es geoestrat&eacute;gicas    com o objetivo de garantir a independ&ecirc;ncia energ&eacute;tica e igualmente    na concess&atilde;o de ajuda externa aos pa&iacute;ses em desenvolvimento.</p>     <p>A tentativa de um maior controlo das cadeias de valor globais, em particular    da distribui&ccedil;&atilde;o, por parte das empresas chinesas, foi, segundo    alguns autores<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, inicialmente    ensaiada em &Aacute;frica. &Eacute; assim atribu&iacute;da a denomina&ccedil;&atilde;o    de &laquo;territ&oacute;rio de ensaio&raquo; &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es    das multinacionais chinesas em &Aacute;frica, como um primeiro per&iacute;odo    de est&aacute;gio e aprendizagem antes de passarem a atuar em mercados mais    desenvolvidos e complexos.</p>     <p>Tendo em conta que 60 por cento da produ&ccedil;&atilde;o chinesa de produtos    manufaturados estava contratualizada ao abrigo de contratos de fabrico, as margens    de lucro eram relativamente reduzidas<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.    O modo de atua&ccedil;&atilde;o para o mercado africano passava por vender diretamente    no mercado local, sem recurso a distribuidores, produtos de &laquo;marca branca&raquo;.    A realiza&ccedil;&atilde;o de investimentos diretos no setor t&ecirc;xtil em    pa&iacute;ses como o Togo, o Qu&eacute;nia ou o Mali, com o objetivo de beneficiar    de acordos preferenciais de com&eacute;rcio, por parte dos investidores chineses<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>,    constituiu outro modo de atua&ccedil;&atilde;o das empresas chinesas nesta fase.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CRIA&Ccedil;&Atilde;O DE UM ENQUADRAMENTO INTERNACIONAL FAVOR&Aacute;VEL    &Agrave; CHINA</b></p>     <p>Uma terceira motiva&ccedil;&atilde;o para a pol&iacute;tica chinesa em &Aacute;frica    refere-se &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um enquadramento internacional mais    favor&aacute;vel &agrave; China. A diplomacia de influ&ecirc;ncia da China no    continente africano n&atilde;o &eacute; uma novidade: se na d&eacute;cada de    1970 se registaram tentativas de interven&ccedil;&atilde;o em contexto de liberta&ccedil;&atilde;o    colonial em pa&iacute;ses como Angola, Tanz&acirc;nia, Eti&oacute;pia, Zaire    (entre outros), no novo mil&eacute;nio a China busca, como anteriormente, desenvolver    uma diplomacia de influ&ecirc;ncia/um <i>soft power</i> destinada a granjear    o maior n&uacute;mero de simpatizantes. Este apoio &eacute; particularmente    importante em organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais como a ONU ou a OMC (Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial do Com&eacute;rcio).</p>     <p>Importante, neste contexto, &eacute; o reconhecimento de Taiwan. A China tem    procurado sempre como moeda de troca na coopera&ccedil;&atilde;o externa o reconhecimento    incondicional da Rep&uacute;blica Popular da China (RPC) como leg&iacute;timo    representante do povo chin&ecirc;s, o que resulta na pr&aacute;tica na recusa    do reconhecimento da Rep&uacute;blica da China, ou seja, do Governo de Taiwan.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; importante contextualizar aqui as constantes presentes na condu&ccedil;&atilde;o    da pol&iacute;tica externa chinesa, nomeadamente a soberania, a autonomia e    a independ&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o face a compromissos internacionais,    nomeadamente multilaterais<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONSTANTES DA POL&Iacute;TICA EXTERNA CHINESA</b></p>     <p>A prioridade concedida &agrave; soberania &eacute; um dos princ&iacute;pios    orientadores da pol&iacute;tica externa chinesa, desde a funda&ccedil;&atilde;o    da RPC em 1949. A prioridade da soberania decorre de um enquadramento hist&oacute;rico    secular/milenar e igualmente da hist&oacute;ria mais &laquo;recente&raquo; da    China. <br />   O sistema tribut&aacute;rio que vigorou na China at&eacute; meados do s&eacute;culo    XIX foi prop&iacute;cio ao isolamento internacional da China. Adicionalmente,    as derrotas militares decorrentes das duas guerras do &oacute;pio contra os    brit&acirc;nicos (em 1839-1842 e entre 1856-1860)<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>,    as revoltas Taiping<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> (1860-1874),    e as invas&otilde;es militares japonesas (em 1894 e em 1931), deixaram marcas    profundas na psique nacional, relembrando que os encontros com os pa&iacute;ses    estrangeiros sempre haviam produzido resultados negativos e humilhantes para    o orgulho nacional chin&ecirc;s<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>Assim, a soberania enquanto constante da pol&iacute;tica externa chinesa &eacute;    acompanhada da autonomia, que se caracteriza pela independ&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o    na esfera externa relativamente a restri&ccedil;&otilde;es ou c&oacute;digos    de conduta que decorrem da ades&atilde;o, como membro de pleno direito, a organiza&ccedil;&otilde;es    internacionais. Estas restri&ccedil;&otilde;es referem-se ao condicionamento    da participa&ccedil;&atilde;o da China em acordos de com&eacute;rcio, de seguran&ccedil;a    coletiva ou de harmoniza&ccedil;&atilde;o financeira. A China acedeu &agrave;    OMC apenas em outubro de 2001, e, no &acirc;mbito da seguran&ccedil;a, &eacute;    membro apenas da Organiza&ccedil;&atilde;o de Coopera&ccedil;&atilde;o de Xangai,    fundada em 2001 (conjuntamente com a R&uacute;ssia, o Cazaquist&atilde;o, o    Quirguist&atilde;o, o Tajiquist&atilde;o e o Uzbequist&atilde;o).</p>     <p>O conceito de &laquo;interdepend&ecirc;ncia complexa&raquo; descrito em 1977<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>    sublinhava o papel das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais/multilaterais    como fora de resolu&ccedil;&atilde;o e de discuss&atilde;o de mat&eacute;rias    de interesse geral, num contexto do aumento dos interc&acirc;mbios comerciais,    financeiros e econ&oacute;micos entre estados. Dada a indisponibilidade demonstrada    pelos l&iacute;deres chineses para um maior envolvimento nas institui&ccedil;&otilde;es    multilaterais, a pol&iacute;tica externa chinesa tem sido extremamente &laquo;proativa&raquo;,    caracterizando-se pela necessidade de projetar e de defender os interesses do    PCC (Partido Comunista Chin&ecirc;s) no maior n&uacute;mero de cen&aacute;rios    geogr&aacute;ficos, atrav&eacute;s da multiplica&ccedil;&atilde;o de delega&ccedil;&otilde;es    diplom&aacute;ticas e consulares.</p>     <p>Para garantir a autonomia de atua&ccedil;&atilde;o, a China optou tradicionalmente    por uma pol&iacute;tica externa de largo espetro, destinada a influenciar positivamente    um sistema internacional considerado adverso. Ap&oacute;s o final da Guerra    Fria e face &agrave; interdepend&ecirc;ncia crescente despoletada pela internacionaliza&ccedil;&atilde;o    da economia chinesa, a lideran&ccedil;a conduziu uma pol&iacute;tica externa    proativa destinada a exercer uma interfer&ecirc;ncia internacional aprofundada,    no sentido de que a &laquo;defesa da soberania chinesa inclui a defesa de uma    ordem internacional que apoia o sistema pol&iacute;tico chin&ecirc;s&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Na &oacute;tica dos governantes chineses, as amea&ccedil;as &agrave; soberania    chinesa podem advir de um sistema internacional desfavor&aacute;vel aos interesses    chineses, resultado de contradi&ccedil;&otilde;es fundamentais ou de conflitos    de interesse resultantes de sistemas sociais e de ideologias opostas &agrave;    vigente na China, assim como de disputas econ&oacute;micas, comerciais ou de    direito mar&iacute;timo.</p>     <p>O objetivo de &laquo;criar um ambiente internacional favor&aacute;vel aos interesses    chineses&raquo; ter&aacute; contribu&iacute;do para um maior envolvimento nas    institui&ccedil;&otilde;es multilaterais, favor&aacute;vel &agrave; proje&ccedil;&atilde;o    de uma imagem enquanto poder respons&aacute;vel. No entanto, este envolvimento    &eacute; caracterizado por limites muito restritos, que se relacionam com o    comprometimento com valores culturais espec&iacute;ficos e com a perman&ecirc;ncia    do PCC no poder.</p>     <p>O crescimento econ&oacute;mico &eacute; igualmente uma das caracter&iacute;sticas    inerentes ao conceito de <i>comprehensive power</i> (poder abrangente) que tem    vindo a ser defendido desde h&aacute; mais de duas d&eacute;cadas pelos l&iacute;deres    chineses. Deng<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, um importante    conselheiro em mat&eacute;ria de pol&iacute;tica externa do Bureau Pol&iacute;tico    do PCC, referia, em 1988, que o conceito de <i>poder</i><i>abrangente</i> na    &oacute;tica chinesa era composto n&atilde;o s&oacute; por uma vertente militar    e de seguran&ccedil;a, como previa uma ascens&atilde;o da China no ranking das    economias. A import&acirc;ncia do crescimento econ&oacute;mico enquanto fonte    de poder foi entretanto refor&ccedil;ada, tornando-se o crescimento um <i>objetivo    em si mesmo</i><sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>, e, em simult&acirc;neo,    uma componente assumida das caracter&iacute;sticas de pot&ecirc;ncia, a partir    da qual a China pretende projetar na esfera interna a sua vis&atilde;o enquanto    poder global.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A legitimidade do poder do PCC na China assenta na capacidade de assegurar    a manuten&ccedil;&atilde;o de taxas de crescimento na ordem dos sete por cento,    por parte da economia chinesa<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.    Este argumento tem vindo a ser defendido desde h&aacute; muito<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>,    sendo que abaixo deste limiar se considera que o PCC n&atilde;o poder&aacute;    resolver as enormes assimetrias de rendimento nem melhorar de forma mais equitativa    as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o na China<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>O sistema de registo de resid&ecirc;ncia (sistema Hukou), ainda hoje em vigor,    imp&otilde;e importantes restri&ccedil;&otilde;es de circula&ccedil;&atilde;o    e de estabelecimento aos residentes de &aacute;reas rurais nas cidades<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>,    o que resulta na propaga&ccedil;&atilde;o de um sistema de desigualdade de acesso    a bens sociais por parte dos cidad&atilde;os com menor rendimento.</p>     <p>O crescimento econ&oacute;mico institui-se, apesar de tudo, como um elemento    do &laquo;contrato social&raquo; entre o Partido-Estado e a sua popula&ccedil;&atilde;o,    na medida em que encerra em si mesmo aspira&ccedil;&otilde;es de mobilidade    social<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>&Eacute; neste contexto que a nomea&ccedil;&atilde;o de Xi Jinping como secret&aacute;rio-geral    do PCC, em mar&ccedil;o de 2013, inaugurou um novo patamar na inser&ccedil;&atilde;o    internacional da China, que se apresenta agora como um poder com ambi&ccedil;&otilde;es    globais, destacado da dimens&atilde;o meramente regional da sua pol&iacute;tica    externa, caracter&iacute;stica da era de Hu Jintao (2003-2013).</p>     <p>O in&iacute;cio do mandato de Hu Jintao, em mar&ccedil;o de 2003, foi marcado    pela apresenta&ccedil;&atilde;o do conceito de &laquo;China&rsquo;s Rise&raquo;,    por Zheng Bijian, membro do Comit&eacute; Central do PCC no importante Bo&rsquo;Ao    Forum for Asia. O discurso de Zheng Bijian refere que a &laquo;China enquanto    pa&iacute;s asi&aacute;tico desempenhar&aacute; um papel mais &uacute;til e    ativo no desenvolvimento, prosperidade e estabilidade dos restantes pa&iacute;ses    asi&aacute;ticos, em particular dos pa&iacute;ses vizinhos&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Estas declara&ccedil;&otilde;es, objeto de cr&iacute;ticas entre os meios pol&iacute;ticos    e acad&eacute;micos chineses, levaram &agrave; reformula&ccedil;&atilde;o do    conceito de &laquo;China&rsquo;s Rise/Peaceful Rise&raquo; para &laquo;Peaceful    Development&raquo;, em sinal das inten&ccedil;&otilde;es pac&iacute;ficas da    China no contexto regional.</p>     <p>Com Xi Jinping, em 2013, foi inaugurada a &laquo;nova era&raquo; de afirma&ccedil;&atilde;o    da China enquanto poder global. As aspira&ccedil;&otilde;es a uma &laquo;China    Global&raquo; foram tornadas claras por Xi Jinping no 19.&ordm; Congresso do    PCC, em outubro de 2017, ao referir que esta &laquo;se encontra mais pr&oacute;xima,    mais confiante e mais capaz do que nunca (no passado) de tornar realidade o    objetivo do &ldquo;rejuvenescimento&rdquo; nacional, o que significa na pr&aacute;tica    a recondu&ccedil;&atilde;o da China ao seu lugar de direito enquanto pot&ecirc;ncia    mundial&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. A ideia de    recupera&ccedil;&atilde;o do lugar de direito da China no sistema internacional    vem sendo veiculada desde finais da d&eacute;cada de 1990, posteriormente repassada    por Lin Yushan em 2009, e congrega uma vis&atilde;o de prosperidade internacional    para a China (com a quest&atilde;o da legitimidade e do contrato social) a par    de uma vis&atilde;o da China enquanto pot&ecirc;ncia internacional reconhecida<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>Se as aspira&ccedil;&otilde;es em termos de proje&ccedil;&atilde;o externa    foram mitigadas (com a altera&ccedil;&atilde;o do <i>slogan</i> &laquo;China&rsquo;s    Rise&raquo; para &laquo;Peaceful Development&raquo;, em 2003), em apenas uma    d&eacute;cada, com o in&iacute;cio do mandato de Xi Jinping em mar&ccedil;o    de 2013, a lideran&ccedil;a chinesa alterou a autorrepresenta&ccedil;&atilde;o    e a representa&ccedil;&atilde;o externa da China enquanto pot&ecirc;ncia que    n&atilde;o procura o confronto e que pretende a manuten&ccedil;&atilde;o do    <i>statu quo</i>, para um posicionamento mais assertivo no sistema internacional.</p>     <p>O relat&oacute;rio do 19.&ordm; Congresso refere assim como aspira&ccedil;&atilde;o    &laquo;que a China se torne l&iacute;der global da inova&ccedil;&atilde;o, for&ccedil;a    nacional &ldquo;<i>composta</i>&rdquo; e uma influ&ecirc;ncia internacional    nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.    Na verdade, desde a crise financeira de 2008-2009 que se tem debatido o estatuto    da China no mundo, encarando os acad&eacute;micos chineses as v&aacute;rias    crises no Ocidente &ndash; casos da Administra&ccedil;&atilde;o Trump e do Brexit    &ndash;, como oportunidades para uma maior proemin&ecirc;ncia internacional    da China.</p>     <p>No entanto, a viragem para uma abordagem mais assertiva do papel da China no    mundo tem criado reservas e sentimentos contr&aacute;rios e de precau&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o apenas nos Estados Unidos, mas entre os pa&iacute;ses da Uni&atilde;o    Europeia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A <i>US National Security Strategy</i>, publicada pela Casa Branca no final    de 2017, identifica a China como um poder revisionista, que representa uma amea&ccedil;a    aos valores e interesses dos Estados Unidos. A Uni&atilde;o Europeia, por seu    turno, aprovou recentemente um mecanismo de coopera&ccedil;&atilde;o entre os    estados-membros que prev&ecirc; o <i>screening</i> (escrut&iacute;nio) comunit&aacute;rio    por parte da Comiss&atilde;o Europeia relativamente ao investimento estrangeiro.    A medida n&atilde;o &eacute; dirigida especificamente ao investimento origin&aacute;rio    da China, contudo os estudos que precederam os debates pr&eacute;vios &agrave;    elabora&ccedil;&atilde;o legislativa tiveram por base as aquisi&ccedil;&otilde;es    recentes de empresas europeias por parte de empresas estatais chinesas, consideradas    como potenciais amea&ccedil;as &agrave; seguran&ccedil;a nacional dos estados-membros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>A &laquo;Pol&iacute;tica da China para &Aacute;frica&raquo; (<i>China&rsquo;s    Africa Policy</i>, 2006), um documento que configurou as orienta&ccedil;&otilde;es    estrat&eacute;gicas para as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais da China com o    continente africano, foi um instrumento de alguma forma pioneiro de defini&ccedil;&atilde;o    e de comunica&ccedil;&atilde;o externa, por parte da China, de uma pol&iacute;tica    externa com ambi&ccedil;&otilde;es globais.</p>     <p>Em 2001, a &laquo;Go Out Strategy&raquo; havia definido uma estrat&eacute;gia    global, mas de &acirc;mbito mais restrito, configurada sobretudo ao espetro    econ&oacute;mico e de procura de solu&ccedil;&otilde;es para problemas imediatos    colocados &agrave; economia chinesa (sobrecapacidade em determinados setores,    insufici&ecirc;ncia de recursos energ&eacute;ticos e necessidade de <i>upgrade</i>    da economia chinesa, para n&iacute;veis mais elevados das cadeias de valor globais).</p>     <p>A &laquo;entrada&raquo; da China em Angola, por via dos acordos de financiamento    assinados com o Governo angolano, serviu de pano de fundo ideal para a realiza&ccedil;&atilde;o    dos objetivos definidos pelo Governo chin&ecirc;s para a &laquo;Go Out Strategy&raquo;.    Em primeiro lugar, os acordos de financiamento garantiram o fornecimento regular    de petr&oacute;leo &agrave; China, tendo Angola vindo a ocupar um lugar de topo    entre os mais importantes fornecedores da China nos &uacute;ltimos anos. Adicionalmente,    no leil&atilde;o realizado em maio de 2016, a Sinopec (China Petroleum &amp;    Chemical Corporation) adquiriu direitos de explora&ccedil;&atilde;o de importantes    blocos petrol&iacute;feros em &aacute;guas ultraprofundas em Angola.</p>     <p>Em segundo lugar, os contratos de financiamento para a reconstru&ccedil;&atilde;o    de Angola pressupunham a adjudica&ccedil;&atilde;o dos contratos a empresas    chinesas. Esta condicionante levou &agrave; entrada no pa&iacute;s de um n&uacute;mero    restrito de empresas estatais de constru&ccedil;&atilde;o, a partir de 2003,    que por sua vez subcontrataram empresas de menor dimens&atilde;o, privadas,    para a realiza&ccedil;&atilde;o de parte dos contratos. Esta din&acirc;mica    permitiu adicionalmente o in&iacute;cio de um fluxo regular de trabalhadores    chineses para Angola, permitindo em simult&acirc;neo a contratualiza&ccedil;&atilde;o    de quota de mercado para as empresas chinesas, ao abrigo das linhas de cr&eacute;dito    assinadas com o Governo angolano.</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o China-&Aacute;frica    (FOCAC), em Pequim, em 2000, constituiu o primeiro passo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica do relacionamento entre a China e os pa&iacute;ses africanos,    de forma a incluir uma dimens&atilde;o do tipo fora multilateral, congregando    interesses e recolhendo preocupa&ccedil;&otilde;es conjuntas dos pa&iacute;ses    africanos.</p>     <p>A cria&ccedil;&atilde;o de um ambiente internacional favor&aacute;vel aos interesses    chineses tem vindo a ser assumida pela lideran&ccedil;a de uma forma cada vez    mais assertiva nos &uacute;ltimos anos. O ponto de viragem ocorreu com a inaugura&ccedil;&atilde;o    da &laquo;nova era&raquo; no in&iacute;cio do mandato de Xi Jinping e a defini&ccedil;&atilde;o    de aspira&ccedil;&otilde;es para uma &laquo;Global China&raquo;. O conceito    de &laquo;China&rsquo;s Rise&raquo; (2003) remetia para o papel de lideran&ccedil;a    da China na regi&atilde;o asi&aacute;tica, ao passo que a &laquo;Global China&raquo;    de Xi Jinping, como o pr&oacute;prio nome indica, confere ambi&ccedil;&otilde;es    de pol&iacute;tica externa com uma proje&ccedil;&atilde;o mais alargada. Configura    igualmente, de forma mais assertiva que na d&eacute;cada anterior, a inten&ccedil;&atilde;o    de &laquo;recupera&ccedil;&atilde;o&raquo; do &laquo;lugar adequado/de direito    da China no mundo&raquo;, no memorial coletivo chin&ecirc;s (ou assim prefigurado),    que remonta ao per&iacute;odo &aacute;ureo da civiliza&ccedil;&atilde;o chinesa    (s&eacute;culos XVI-XVII).</p>     <p>Quanto &agrave;s constantes presentes na pol&iacute;tica externa chinesa &ndash;    prioridade da soberania, autonomia e independ&ecirc;ncia de atua&ccedil;&atilde;o    na esfera externa &ndash;, mant&ecirc;m-se em vigor no atual contexto de aspira&ccedil;&otilde;es    globais da China, ainda que o posicionamento internacional da China se tenha    pautado nos &uacute;ltimos anos por um maior n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o    nas organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais (em particular na OMC) e em negocia&ccedil;&otilde;es    internacionais. A China tem vindo a assumir pretens&otilde;es de agenda-setter,    com apresenta&ccedil;&atilde;o de iniciativas/propostas em organiza&ccedil;&otilde;es    multilaterais (inclusivamente para reforma da OMC) e tentando concertar posi&ccedil;&otilde;es    com a Uni&atilde;o Europeia, no contexto da guerra comercial com os Estados    Unidos. A mais recente declara&ccedil;&atilde;o de Xi Jinping, em particular    o discurso no &uacute;ltimo congresso do PCC em outubro passado, permite perspetivar    um poss&iacute;vel afastamento do posicionamento n&atilde;o confrontacional    tradicional da lideran&ccedil;a chinesa, afirmado por Deng Xiaoping, no in&iacute;cio    do per&iacute;odo de reformas econ&oacute;micas (em 1979) e confirmado ap&oacute;s    os incidentes de Tian&rsquo;anmen (em 1989).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No presente, contudo, apesar do discurso se pautar ainda pelo n&atilde;o confronto    e de Pequim n&atilde;o pretender assumir um papel hegem&oacute;nico do ponto    de vista militar, a China manifestou inequivocamente que pretende ser a pot&ecirc;ncia    hegem&oacute;nica na regi&atilde;o do Pac&iacute;fico. Por outro lado, a preponder&acirc;ncia    global da economia chinesa confere cada vez mais aos l&iacute;deres chineses    um ascendente nos assuntos mundiais, que permite precisamente &agrave; China    ser um <i>agenda-setter</i>, definir os assuntos que considera vitais, evitando    cr&iacute;ticas ou press&otilde;es para atuar internacionalmente de forma diferente<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ALDEN, Christopher; DAVIES, Martyn &ndash; &laquo;A profile of the operations    of Chinese multinationals in Africa&raquo;. In <i>South African Journal of International    Affairs</i>. Vol. 13, N.&ordm; 1, 2006.</p>     <p>&laquo;ANGOLA secures $2 bln in infrastructure financing from China&raquo;.    <i>Reuters</i>. 10 de outubro de 2018. (Consultado em: 15 de dezembro de 2018).    Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.reuters.com/article/angola-china-debt/angola-secures-2-bln-in-infrastructure-financing-from-china-idUSL8N1WQ2SH" target="_blank">https://www.reuters.com/article/angola-china-debt/angola-secures-2-bln-in-infrastructure-financing-from-china-idUSL8N1WQ2SH</a>.</p>     <p>BOISOT, Max; MEYER, Marshall &ndash; &laquo;Which way through the open door?    Reflections on the internationalization of Chinese firms&raquo;. In <i>Management    and Organization Review</i>. Vol. 4, N.&ordm; 3, 2008, pp. 349-365.</p>     <p>BUCKLEY, P.; CROSS, A.; TAN, H.; LIU, X.; VOSS, Heinrich &ndash; &laquo;Historic    and emergent trends in Chinese outward direct investment&raquo;. In <i>Management    International</i><i>Review</i>. Vol. 6, 2008, pp. 715-748.</p>     <p><i>CHINA&rsquo;S Africa Policy</i>. Chinese State Council, 2006.</p>     <p>DENG, Yong &ndash; &laquo;The Chinese conception of national interests in international    relations&raquo;. In <i>China Quarterly</i>, Vol. 154, 1998, pp. 308-329.</p>     <p>DREHER, Axel; FUCHS, A. &ndash; &laquo;Rogue aid? The determinants of Chinese    foreign aid&raquo;. Working Paper N.&ordm; 3581. Center for Economic Studies    e IFO-Institute for Economic Research, Hamburgo, 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HOLSLAG, Jonathan &ndash; &laquo;China&rsquo;s new mercantilism in Central    Africa&raquo;. In <i>African and</i><i>Asian Studies</i>. Vol. 5, N.&ordm; 2,    2006.</p>     <p>KANE, Thomas &ndash; &laquo;China&rsquo;s foundations: guiding principles of    Chinese foreign policy&raquo;. In <i>Comparative Strategy</i>. Vol. 20, 2001,    pp. 45-55.</p>     <p>KAUFFMAN, A. A. &ndash; &laquo;The &ldquo;Century of Humiliation&rdquo;, then    and now: Chinese perceptions of the international order&raquo;. In <i>Pacific    Focus</i>. Vol. 25, N.&ordm; 1, 2010, pp. 1-33.</p>     <p>KEOHANE, R.; NYE, Joseph &ndash; <i>Power and Interdependence</i>. Boston:    Little and Brown, 1977.</p>     <p>LEKOWITZ, L.; ROSS, M. N.; WARNER, J. R. &ndash; &laquo;The 88 Queensway Group    &ndash; a case study in Chinese investors&rsquo; operations in Angola and beyond&raquo;.    U.S. China Economic and Security Review Commission, 2009.</p>     <p>MASTRO, Oriana &ndash; &laquo;The stealth power: how China hid its global ambitions&raquo;.    In <i>Foreign</i><i>Affairs</i>. Upcoming, January/February issue, 2019.</p>     <p>PU, Xiaoyu; WANG, Chengli &ndash; &laquo;Rethinking China&rsquo;s rise: Chinese    scholars debate strategic overstretch&raquo;. In <i>International Affairs</i>.    Vol. 94, N.&ordm; 5, 2018, pp. 1019-1035.</p>     <p><i>WHITE Paper on Foreign Aid</i>. Chinese State Council, 2011.</p>     <p>WHITING, Allen S. &ndash; &laquo;The PLA&rsquo;s and China&rsquo;s threat perceptions&raquo;.    In <i>The</i><i>China</i><i>Quarterly</i>. Vol. 46, 1996, pp. 596-615.</p>     <p>YU, Jie &ndash; &laquo;China&rsquo;s Foreign Strategy and Europe&raquo;. 4    de dezembro de 2018. CCIP, Lisboa. Palestra na confer&ecirc;ncia &laquo;Lisbon    Talks&raquo;, organizada pelo Clube de Lisboa em parceria com a C&acirc;mara    de Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria Portuguesa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ZHAO, Suisheng &ndash; &laquo;Chinese nationalism and pragmatic foreign policy    behavior&raquo;. In ZHAO, Suisheng &ndash; <i>Chinese Foreign Policy: Pragmatism    and Strategic Behavior</i>. Nova York: ME Sharpe, 2004.and more.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 28 de outubro de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    5 de dezembro de 2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> &laquo;ANGOLA secures $2 bln    in infrastructure financing from China&raquo;. <i>Reuters</i>. 10 de outubro    de 2018. (Consultado em: 15 de dezembro de 2018). Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.reuters.com/article/angola-china-debt/angola-secures-2-bln-in-infrastructure-financing-from-china-idUSL8N1WQ2SH" target="_blank">https://www.reuters.com/article/angola-china-debt/angola-secures-2-bln-in-infrastructure-financing-from-china-idUSL8N1WQ2SH</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Ap&oacute;s a funda&ccedil;&atilde;o    da Rep&uacute;blica Popular da China, em outubro de 1949, Axel Dreher e A. Fuchs    apresentam uma contextualiza&ccedil;&atilde;o detalhada das v&aacute;rias fases    de ajuda externa da China, que compreende uma diplomacia ativa de procura de    apoios entre os v&aacute;rios pa&iacute;ses do continente. Cf. DREHER, Axel;    FUCHS, A. &ndash; &laquo;Rogue aid? The determinants of Chinese foreign aid&raquo;.    Working Paper N.&ordm; 3581. Center for Economic Studies e IFO-Institute for    Economic Research, Hamburgo, 2011.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup><i>CHINA&rsquo;S Africa Policy</i>    (Chinese State Council, 2006) e &laquo;China&rsquo;s Foreign Aid&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> As quest&otilde;es territoriais    no mar do Sul da China est&atilde;o intrinsecamente ligadas &agrave; pretens&atilde;o    de controlo das rotas mar&iacute;timas, em particular no que se refere &agrave;    dos navios petroleiros.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> BOISOT, Max; MEYER, Marshall    &ndash; &laquo;Which way through the open door? Reflections on the internationalization    of Chinese firms&raquo;. In <i>Management and Organization Review</i>. Vol.    4, N.&ordm; 3, 2008, pp. 349-365.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Como o empr&eacute;stimo do    CIF (China International Fund Limited) a Angola, referido, entre outros, em    LEKOWITZ, L.; ROSS, M. N.; WARNER, J. R. &ndash; &laquo;The 88 Queensway Group    &ndash; a case study in Chinese investors&rsquo; operations in Angola and beyond&raquo;.    U.S. China Economic and Security Review Commission, 2009.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Para al&eacute;m do apoio    financeiro, as empresas chinesas usufruem ainda de apoio administrativo das    autoridades chinesas ao estabelecimento nos pa&iacute;ses destinat&aacute;rios    dos investimentos. Cf. BUCKLEY, P.; CROSS, A.; TAN, H.; LIU, X.; VOSS, Heinrich    &ndash; &laquo;Historic and emergent trends in Chinese outward direct investment&raquo;.    In <i>Management International Review</i>. Vol. 6, 2008, pp. 715-748.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Como em ALDEN, Christopher;    DAVIES, Martyn &ndash; &laquo;A profile of the operations of Chinese multinationals    in Africa&raquo;. In <i>South African Journal of International Affairs</i>.    Vol. 13, N.&ordm; 1, 2006, e em HOLSLAG, Jonathan &ndash; &laquo;China&rsquo;s    new mercantilism in Central Africa&raquo;. In <i>African and Asian Studies</i>.    Vol. 5, N.&ordm; 2, 2006.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Ou contratos do tipo oem (<i>original    equipment manufacturing</i>), para bens de equipamento. Cf. HOLSLAG, Jonathan    &ndash; &laquo;China&rsquo;s new mercantilism in Central Africa&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Como o caso do AGOA (African    Growth and Opportunity Act) com os Estados Unidos ou os acordos ACP (&Aacute;frica-Caribe-Pac&iacute;fico),    com a Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Enumeradas em KANE, Thomas    &ndash; &laquo;China&rsquo;s foundations: guiding principles of Chinese foreign    policy&raquo;. In <i>Comparative Strategy</i>. Vol. 20, 2001, pp. 45-55.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Que tiveram como resultado    uma importante revolta interna contra a presen&ccedil;a estrangeira em territ&oacute;rio    chin&ecirc;s e contra a dinastia Qing (entre 1850-1864).</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Tamb&eacute;m denominadas    Guerras dos Boxers.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Estes eventos ainda hoje    constam dos manuais escolares de Hist&oacute;ria chinesa. Ainda hoje, a China    celebra o Dia da Humilha&ccedil;&atilde;o Nacional, em que relembra estes acontecimentos.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> KEOHANE, R.; NYE, Joseph    &ndash; <i>Power and Interdependence</i>. Boston: Little and Brown, 1977.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> WHITING, Allen S. &ndash;    &laquo;The PLA&rsquo;s and China&rsquo;s threat perceptions&raquo;. In <i>The    China Quarterly</i>. Vol. 46, 1996, pp. 596-615, citado por KANE, Thomas &ndash;    &laquo;China&rsquo;s foundations: guiding principles of Chinese foreign policy&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> DENG, Yong &ndash; &laquo;The    Chinese conception of national interests in international relations&raquo;.    In <i>China Quarterly</i>, Vol. 154, 1998, pp. 308-329.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> No discurso oficial chin&ecirc;s    &eacute; muitas vezes referida a necessidade de manter uma taxa de crescimento    da economia acima dos 7%, de forma a garantir a estabilidade social interna.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Esta asser&ccedil;&atilde;o    tem sido defendida pela lideran&ccedil;a chinesa. A estrat&eacute;gia &laquo;Made    in China 2025&raquo;, apresentada em 2015, tem por referencial a manuten&ccedil;&atilde;o    de taxas de crescimento de 7%. Jie Yu, investigadora do Programa &Aacute;sia-Pac&iacute;fico    da Chatham House, corroborava recentemente a tese do crescimento econ&oacute;mico    enquanto fonte de &laquo;legitimidade&raquo; do poder na China (cf. YU, Jie    &ndash; &laquo;China&rsquo;s Foreign Strategy and Europe&raquo;. 4 de dezembro    de 2018. CCIP, Lisboa. Palestra na confer&ecirc;ncia &laquo;Lisbon Talks&raquo;,    organizada pelo Clube de Lisboa em parceria com a C&acirc;mara de Com&eacute;rcio    e Ind&uacute;stria Portuguesa).</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> ZHAO, Suisheng &ndash;    &laquo;Chinese nationalism and pragmatic foreign policy behavior&raquo;. In    ZHAO, Suisheng &ndash; <i>Chinese Foreign Policy: Pragmatism and Strategic Behavior</i>.    Nova York: ME Sharpe, 2004.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> As assimetrias de rendimento    podem ser analisadas em diversas dimens&otilde;es. A dimens&atilde;o &laquo;prov&iacute;ncias    litorais vs. prov&iacute;ncias centrais/ocidentais&raquo; tornou-se evidente    com o in&iacute;cio das reformas em meados da d&eacute;cada de 1980; a dimens&atilde;o    &laquo;urbano/rural&raquo; acentuou-se significativamente desde os &uacute;ltimos    dezassete anos (entrada na OMC), com a concentra&ccedil;&atilde;o cada vez mais    acentuada da popula&ccedil;&atilde;o nas cidades costeiras. As cidades costeiras    do Sudeste (prov&iacute;ncias de Zhejiang, Fujian (Fuqui&eacute;m) e Guangdong    s&atilde;o exemplos deste fen&oacute;meno &ndash; congregam as principais ind&uacute;strias    de exporta&ccedil;&atilde;o, sendo assim polos de atra&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o    de obra das prov&iacute;ncias.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Recentemente, foram introduzidas    algumas altera&ccedil;&otilde;es a este sistema, com a permiss&atilde;o de novas    instala&ccedil;&otilde;es, em forma de quotas, para residentes rurais em cidades    pequenas e de m&eacute;dia dimens&atilde;o. Mas nas megacidades como Pequim    e Xangai o registo oficial de novos residentes est&aacute; totalmente proibido.    O que significa que, em caso de entrada, s&atilde;o para todos os efeitos residentes    ilegais.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> YU, Jie &ndash; &laquo;China&rsquo;s    Foreign Strategy and Europe&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o    parcial da autora do discurso original de Z. Bijian no Bo&rsquo;Ao Forum for    Asia de 3 de novembro de 2003 (a sublinhado). &laquo;Generally speaking in the    coming two or three decades, Asia will be facing a rare historical opportunity    for peaceful rise and China&rsquo;s peaceful rise will be part of it. This not    only means that China&rsquo;s reform, opening up and rise are partly attributable    to the experience and development of other Asian countries, but it also means    that China, as an Asian country will play a more active and useful role in the    development, prosperity, and stability of all other Asian countries, its neighbors    in particular&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> PU, Xiaoyu; WANG, Chengli    &ndash; &laquo;Rethinking China&rsquo;s rise: Chinese scholars debate strategic    overstretch&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 94, N.&ordm; 5, 2018,    pp. 1019-1035.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> KAUFFMAN, A. A. &ndash;    &laquo;The &ldquo;Century of Humiliation&rdquo;, then and now: Chinese perceptions    of the international order&raquo;. In <i>Pacific Focus.</i> Vol. 25, N.&ordm;    1, 2010, pp. 1-33.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Traduzido da vers&atilde;o    em ingl&ecirc;s de PU, Xiaoyu; WANG, Chengli &ndash; &laquo;Rethinking China&rsquo;s    rise&raquo;: &laquo;It envisions that China will become a global leader in innovation,    composite national strength, and international influence in the coming decades&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Oriana Mastro refere precisamente    que em lugar de substituir os Estados Unidos no lugar de superpot&ecirc;ncia,    a China tem tentado afastar aquele pa&iacute;s deste papel de forma a eliminar    os condicionalismos/restri&ccedil;&otilde;es &agrave; sua a&ccedil;&atilde;o    externa &ndash; cf. MASTRO, Oriana &ndash; &laquo;The stealth power: how China    hid its global ambitions&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Upcoming, January/February    issue, 2019.</p>      ]]></body><back>
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