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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[At a time when we seek to understand the reasons, whether sociological, historical, political or others, that may explain the emergence of new forms of nationalism, it seems opportune to reflect, albeit necessarily brief and incomplete, on the concept of nationalism. This article proposes to revisit some authors who have helped to build the academic reading on the phenomenon of nationalism. This invocation seems useful, as talking about new forms of nationalism is not necessarily followed by a clear idea of what phenomenon they are actually ‘new' to. We revisit the modernist and primordialist theses, in what are their essential contours, to conclude that both sets have weaknesses in the way they interpret nationalism, sometimes placing it excessively in the position of ideological artifact of the modern state, sometimes in the position of a natural response of individuals in the process of construction and recognition of their collective identity. However, it is in the primordialist theses that the greatest challenge lies, since the naturalization of nationalism they imply results in its legitimation by means of a supposed biological inevitability.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>TRINTA ANOS DO FIM DO COMUNISMO: O REGRESSO DOS NACIONALISMOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nacionalismo: back to basics</b></p>     <p><b>Nationalism: back to basics?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Estrada Carvalhais</b></p>     <p>EEG &ndash; Escola de Economia e Gest&atilde;o da Universidade do Minho | Campus Universit&aacute;rio de Gualtar, 4710-057 Braga | <a href="mailto:isabelestrada@eeg.uminho.pt">isabelestrada@eeg.uminho.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Num tempo em que se busca a compreens&atilde;o das raz&otilde;es sociol&oacute;gicas, hist&oacute;ricas, pol&iacute;ticas, entre outras, que possam explicar a emerg&ecirc;ncia de novas formas de nacionalismo, parece-nos oportuno fazer uma reflex&atilde;o, ainda que necessariamente breve e incompleta, em torno do conceito de nacionalismo. Assim, este artigo prop&otilde;e revisitar alguns autores que t&ecirc;m ajudado a construir a leitura acad&eacute;mica sobre o fen&oacute;meno do nacionalismo. Parece-nos &uacute;til esta invoca&ccedil;&atilde;o, na medida em que com frequ&ecirc;ncia se fala de novas formas sem que simultaneamente fique claro qual o fen&oacute;meno relativamente ao qual aquelas ser&atilde;o efetivamente &laquo;novas&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Revisitamos as teses modernistas e primordialistas, naqueles que s&atilde;o os seus contornos essenciais, para concluir que ambos os conjuntos apresentam debilidades no modo como interpretam o nacionalismo, colocando-o ora excessivamente na posi&ccedil;&atilde;o de artefacto ideol&oacute;gico do Estado moderno, ora na posi&ccedil;&atilde;o de resposta natural do indiv&iacute;duo no processo de constru&ccedil;&atilde;o e reconhecimento da sua identidade coletiva. Todavia, &eacute; nas teses primordialistas que radica o maior desafio, pois a sua naturaliza&ccedil;&atilde;o do nacionalismo resulta numa legitima&ccedil;&atilde;o deste por via de uma suposta inevitabilidade biol&oacute;gica.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: nacionalismo, Estado, na&ccedil;&atilde;o, modernistas, primordialistas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>At a time when we seek to understand the reasons, whether sociological, historical, political or others, that may explain the emergence of new forms of nationalism, it seems opportune to reflect, albeit necessarily brief and incomplete, on the concept of nationalism. This article proposes to revisit some authors who have helped to build the academic reading on the phenomenon of nationalism. This invocation seems useful, as talking about new forms of nationalism is not necessarily followed by a clear idea of what phenomenon they are actually &lsquo;new&rsquo; to. We revisit the modernist and primordialist theses, in what are their essential contours, to conclude that both sets have weaknesses in the way they interpret nationalism, sometimes placing it excessively in the position of ideological artifact of the modern state, sometimes in the position of a natural response of individuals in the process of construction and recognition of their collective identity. However, it is in the primordialist theses that the greatest challenge lies, since the naturalization of nationalism they imply results in its legitimation by means of a supposed biological inevitability.</p>     <p><b>Keywords</b>: Nationalism, State, Nation, modernistsm, primordialists.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O atrevimento do anglicismo como parte do t&iacute;tulo deste artigo respalda-se no convencimento de que a express&atilde;o em ingl&ecirc;s resulta bastante feliz quanto ao objetivo principal a que este mesmo artigo se prop&otilde;e: o revisitar de alguma literatura cl&aacute;ssica em torno do conceito de nacionalismo, sem pretens&atilde;o, note-se, de ser exaustivo e plenamente consciente da subjetividade que acompanha o entendimento sobre o que &eacute; ou n&atilde;o &eacute; &laquo;cl&aacute;ssico&raquo; (Marx e Weber, por exemplo, ficar&atilde;o aqui omissos). Trata-se de um reencontro, se assim podemos dizer, com a literatura que posiciona o nacionalismo como um fen&oacute;meno hist&oacute;rico (o que explica tamb&eacute;m a frequente presen&ccedil;a de um outro conceito complexo &ndash; a modernidade<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>), e que o analisa sob o &acirc;ngulo de diferentes lentes disciplinares, tais como a lente sociol&oacute;gica, a filos&oacute;fica, a pol&iacute;tica, podendo haver ora maior, ora menor espa&ccedil;o para an&aacute;lises interdisciplinares.</p>     <p>A raz&atilde;o de aqui se considerar importante o revisitar de alguma da literatura sobre o nacionalismo, prende-se diretamente com a crescente inquieta&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica em torno da compreens&atilde;o das &laquo;novas formas&raquo; de nacionalismo na Europa. Ora, se se fala em &laquo;novas formas&raquo;, tal pressup&otilde;e, em primeiro lugar, assumir a ideia de que as mesmas existem enquanto tal e n&atilde;o como mero ressurgimento de um fen&oacute;meno, e, em segundo lugar, implica saber responder &agrave; pergunta: se s&atilde;o novas, s&atilde;o-no por refer&ecirc;ncia exatamente <i>a qu&ecirc;</i>? Portanto, parece-nos de todo &uacute;til que se volte ao conceito de nacionalismo para, a partir da&iacute;, percebermos o que &eacute; (ou n&atilde;o &eacute;) realmente novo.</p>     <p>Naturalmente, o prop&oacute;sito de recuperar a vis&atilde;o sobre o surgimento hist&oacute;rico do nacionalismo e como a sua forma&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o (a sua complexifica&ccedil;&atilde;o real) t&ecirc;m sido tratadas pelas ci&ecirc;ncias sociais (dando corpo &agrave; sua crescente complexifica&ccedil;&atilde;o epist&eacute;mica), &eacute; um prop&oacute;sito que logo &agrave; partida traz consigo uma clara dificuldade: n&atilde;o h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o e muito menos uma compreens&atilde;o uniformizada sobre o nacionalismo, logo, a compreens&atilde;o das &laquo;novas formas&raquo; nunca poder&aacute; ancorar-se numa leitura consensual sobre a exist&ecirc;ncia anterior do nacionalismo como realidade hist&oacute;rica e como conceito.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Importando de Immanuel Wallerstein a ideia da geocultura dos conceitos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, diremos que um conceito traduz a viv&ecirc;ncia que dele &eacute; feita pela sociedade num determinado tempo e lugar. H&aacute;, pois, uma apreens&atilde;o cultural (portanto, necessariamente limitada, circunscrita) de uma realidade que &eacute; tamb&eacute;m ela vivida de acordo com as coordenadas de um tempo e de um espa&ccedil;o. Logo, o real, quer o vivido, quer o interpretado (pela ci&ecirc;ncia desde logo), &eacute; sempre reflexo de uma dada geocultura. A raz&atilde;o de invocarmos o conceito de geocultura prende-se com o facto de nos parecer que este ajuda a acautelar o rigor metodol&oacute;gico que deve acompanhar a an&aacute;lise do nacionalismo (e de outros conceitos que lhe est&atilde;o associados, como na&ccedil;&atilde;o, identidade nacional e sentimento nacional), protegendo-o desde logo de leituras tendencialmente universalistas, que obliterem as especificidades inerentes &agrave; viv&ecirc;ncia concreta do conceito pelas sociedades. De qualquer forma, ser&aacute; por demais evidente que o pr&oacute;prio respeito pela literatura que aqui recordaremos, no estudo que faz da forma&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o do nacionalismo, nunca se poderia compatibilizar com uma vis&atilde;o un&iacute;ssona, j&aacute; que o nacionalismo se revela sempre como substantivo de viv&ecirc;ncia plural e n&atilde;o singular, formado por uma multiplicidade de manifesta&ccedil;&otilde;es, de intera&ccedil;&otilde;es, de cumplicidades e de prop&oacute;sitos, em fun&ccedil;&atilde;o do tempo e do espa&ccedil;o da sua express&atilde;o.</p>     <p>Daqui resulta que na literatura sobre o nacionalismo a ser abordada, grande parte das coordenadas temporais a&iacute; observadas nos leva &agrave; hist&oacute;ria do Estado moderno, enquanto as coordenadas espaciais invocadas nos levam ao encontro do espa&ccedil;o europeu, ou seja, do espa&ccedil;o onde historicamente emerge o fen&oacute;meno do Estado moderno que haver&aacute; de estar intrinsecamente associado &agrave; emerg&ecirc;ncia do(s) nacionalismo(s).</p>     <p>Importa tamb&eacute;m relembrar que falar em nacionalismo implica ami&uacute;de falar de na&ccedil;&atilde;o e de identidade nacional, muito embora se tenha desenvolvido, em torno de cada um, um corpo te&oacute;rico espec&iacute;fico e suficientemente aut&oacute;nomo. De facto, &eacute; poss&iacute;vel falar em identidade nacional e em na&ccedil;&atilde;o sem que no discurso tenha de vir &agrave; baila o nacionalismo. O contr&aacute;rio tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel, quanto mais n&atilde;o seja enquanto exerc&iacute;cio meramente acad&eacute;mico, ou estrat&eacute;gia facilitadora da aprendizagem, no qual se opta pela apresenta&ccedil;&atilde;o separada dos conceitos. Todavia, o nacionalismo s&oacute; faz sentido por refer&ecirc;ncia ao conceito de na&ccedil;&atilde;o e de identidade nacional. Portanto, mesmo existindo toda uma vast&iacute;ssima literatura que tem o nacionalismo como o seu centro, dificilmente podemos tratar este conceito desconectando-o da sua profunda rela&ccedil;&atilde;o com os outros dois. Coisa diferente ser&aacute;, por seu turno, discutir se o nacionalismo deriva historicamente da exist&ecirc;ncia de identidade nacional e de na&ccedil;&atilde;o, ou se, pelo contr&aacute;rio, &eacute; ele mesmo impulsionador das ideias de na&ccedil;&atilde;o e de identidade nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NACIONALISMO &ndash; REVISITANDO AS TESES MODERNISTAS E PRIMORDIALISTAS</b></p>     <p>Para uma poss&iacute;vel defini&ccedil;&atilde;o de nacionalismo, come&ccedil;o por aquela que sempre me <br />   pareceu uma das mais honestas quanto &agrave; verdadeira identidade do nacionalismo moderno &ndash; a defini&ccedil;&atilde;o de Elie Kedourie. L&aacute; chegaremos.</p>     <p>Um dos grandes historiadores do seu tempo &ndash; algo obliterado, dir&iacute;amos, pela <i>Realpolitik</i> da Guerra Fria, que n&atilde;o permitia grandes questionamentos em torno de conceitos delicados como o de nacionalismo &ndash;, Kedourie ganha um renovado interesse acad&eacute;mico ap&oacute;s a sua morte em 1992.</p>     <p>No per&iacute;odo p&oacute;s-Guerra Fria, o conceito de Estado-Na&ccedil;&atilde;o readquire novo protagonismo. Assim, por um lado, animam-se as teses que d&atilde;o conta do fim do Estado-Na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, quando n&atilde;o mesmo questionando a sua efetiva exist&ecirc;ncia hist&oacute;rica (talvez com espa&ccedil;o para casos marginais como o de Portugal, que em todo o caso n&atilde;o atrai grandes estudos num mundo acad&eacute;mico tendencialmente dominado pelas perspetivas anglo-sax&oacute;nicas); e, por outro, animam-se as teses que contestam a ideia do fim do Estado-Na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Ora, &eacute; nesse contexto que a reedi&ccedil;&atilde;o da obra cimeira de Kedourie<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> veio contribuir para o relan&ccedil;ar da atualidade da discuss&atilde;o sobre o que &eacute; o nacionalismo. Acreditamos que, inicialmente, o recuperar da visibilidade da obra de Kedourie<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> tamb&eacute;m estivesse ligado &agrave; ideia de que a sua profunda cr&iacute;tica ao nacionalismo alinhava com toda a literatura que ditava o fim da era das na&ccedil;&otilde;es. Contudo, a vis&atilde;o de Kedourie sobre o nacionalismo est&aacute; muito para l&aacute; da sua instrumentaliza&ccedil;&atilde;o por outros autores em prole de teses p&oacute;s-nacionais. A vis&atilde;o de Kedourie decorre de uma profunda an&aacute;lise cr&iacute;tica da hist&oacute;ria e tal facto explica porque o seu trabalho se mant&eacute;m amplamente v&aacute;lido e &uacute;til, ao passo que as literaturas normativistas e program&aacute;ticas dos anos 1990 sobre futuros p&oacute;s-Estado e utopias transnacionais e supranacionais, est&atilde;o j&aacute; em grande medida ultrapassadas.</p>     <p>Diz-nos ent&atilde;o Kedourie sobre o nacionalismo:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;Descrevi o nacionalismo como uma ideologia. Ao faz&ecirc;-lo, pretendo diferenci&aacute;-lo da pol&iacute;tica constitucional. Em pol&iacute;tica constitucional, o objetivo &eacute; atender &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es comuns de uma sociedade em particular para a salvaguardar contra inimigos externos, mediar diverg&ecirc;ncias e conflitos entre v&aacute;rios grupos atrav&eacute;s de institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, legisla&ccedil;&atilde;o, e administra&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a, e fazer valer a lei acima e para al&eacute;m de interesses seccionais, embora importantes e poderosos. Pol&iacute;tica ideol&oacute;gica &eacute; muito diferente. A preocupa&ccedil;&atilde;o est&aacute; em construir um estado de esp&iacute;rito na sociedade e no Estado, em que toda a gente, como se costuma dizer nas hist&oacute;rias antigas, viver&aacute; feliz para sempre&raquo;<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Para Kedourie, o nacionalismo corresponde, portanto, a &laquo;um estilo ideol&oacute;gico de pol&iacute;tica&raquo; que se tornou particularmente atrativo e popular depois da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, facto que o intriga e que ele deseja explicar. Ora, salta logo &agrave; vista a interpreta&ccedil;&atilde;o negativa que o nacionalismo assume no pensamento de Kedourie &ndash; e que lhe mereceria ali&aacute;s cr&iacute;ticas, em particular de Ernest Gellner. Na sua defini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para explica&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas sobre como a sociedade num processo <i>bottom-up</i> &eacute; tamb&eacute;m ela construtora do nacionalismo por raz&otilde;es nem sempre devidamente consciencializadas pelos indiv&iacute;duos, atrav&eacute;s de din&acirc;micas sociais, econ&oacute;micas e culturais que t&ecirc;m na sua base uma pluralidade de atores, interesses e mundivid&ecirc;ncias.</p>     <p>Da mesma forma, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o reconhecer a linha marxista que acompanha a interpreta&ccedil;&atilde;o de Kedourie, ao identificar o nacionalismo como uma doutrina inventada na Europa do s&eacute;culo XIX, que &laquo;pretende providenciar um crit&eacute;rio para a determina&ccedil;&atilde;o da unidade de popula&ccedil;&atilde;o certa para existir um governo exclusivamente seu, para o leg&iacute;timo exerc&iacute;cio do poder do Estado e para a correta organiza&ccedil;&atilde;o de uma sociedade de Estados&raquo;.</p>     <p>Da defini&ccedil;&atilde;o de Kedourie extra&iacute;mos ainda um outro aspeto que desejamos sublinhar. Trata-se da ideia de que o nacionalismo, enquanto doutrina, se cimenta neste pensamento simples (que &eacute; simultaneamente o postular de um dogma que acaba por assumir a dimens&atilde;o de realidade naturalizada, logo autojustificada): que a humanidade se encontra naturalmente dividida em na&ccedil;&otilde;es; que as na&ccedil;&otilde;es s&atilde;o conhecidas pelas suas caracter&iacute;sticas, sendo distintas entre si por idiossincrasias pr&oacute;prias; e que o &uacute;nico tipo leg&iacute;timo de governo &eacute; por conseguinte o autogoverno nacional.</p>     <p>Destes tr&ecirc;s elementos, se o terceiro corresponde &agrave; defesa do direito &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos, sendo este um direito com o qual todos tendemos a concordar, j&aacute; o primeiro chama-nos a aten&ccedil;&atilde;o para a intencionalidade do adv&eacute;rbio &laquo;naturalmente&raquo;, ou seja, para a atitude deliberada que assiste &agrave; inven&ccedil;&atilde;o da natureza concreta e f&iacute;sica de algo cuja identidade inicial &eacute; a de emanar do mundo das ideias na forma de um postulado. A dogmatiza&ccedil;&atilde;o da naturalidade das na&ccedil;&otilde;es, que corresponde &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es como entidades estruturais inerentes &agrave; (inter)a&ccedil;&atilde;o humana, &eacute; o que confere claramente uma dimens&atilde;o ideol&oacute;gica ao nacionalismo enquanto proposta de conceptualiza&ccedil;&atilde;o das identidades coletivas.</p>     <p>H&aacute; pois em Kedourie uma clara cr&iacute;tica &agrave;s teses primordialistas que no geral entendem o nacionalismo como um processo natural das sociedades, derivando de um desejo e necessidade de organiza&ccedil;&atilde;o dos seres humanos<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>N&atilde;o ser&aacute; exagerado dizer que Gellner, embora um forte cr&iacute;tico de Kedourie, partilha com este alguns aspetos na defini&ccedil;&atilde;o de nacionalismo, na exata medida em que, para o primeiro autor, o nacionalismo tamb&eacute;m &eacute; concebido como uma inven&ccedil;&atilde;o, uma cria&ccedil;&atilde;o, uma artificialidade da modernidade. Se em Kedourie o nacionalismo se situa essencialmente na vontade deliberada do Estado em estreita cumplicidade com os interesses das classes dominantes do capitalismo, em Gellner a forma&ccedil;&atilde;o e ascens&atilde;o do nacionalismo resulta essencialmente de processos sociais espec&iacute;ficos da industrializa&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. C&eacute;lebre ficou a frase de Gellner, &laquo;o nacionalismo &eacute; que engendra as na&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o o contr&aacute;rio&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, o que logo &agrave; partida n&atilde;o deixa qualquer margem de manobra para uma conce&ccedil;&atilde;o do nacionalismo que o apresente como algo que n&atilde;o um produto hist&oacute;rico, deliberado, fruto da vontade do Estado moderno.</p>     <p>Gellner est&aacute; claramente na linha das teses modernistas que apresentam o nacionalismo como uma linguagem pol&iacute;tica que acompanha a pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o ou inven&ccedil;&atilde;o do Estado moderno. Neste sentido, o nacionalismo pode ser em &uacute;ltima inst&acirc;ncia interpretado como um instrumento essencial &agrave; operacionaliza&ccedil;&atilde;o das ideias de na&ccedil;&atilde;o e de identidade nacional.</p>     <p>Na mesma linha modernista encontra-se Hobsbawm<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>, para quem &laquo;n&atilde;o s&atilde;o as na&ccedil;&otilde;es e o nacionalismo que fazem os estados, mas o contr&aacute;rio&raquo;. Hobsbawm adiciona entretanto uma nuance interessante &agrave; sua interpreta&ccedil;&atilde;o sobre o nacionalismo. De facto, quanto &agrave; forma como o Estado usou a na&ccedil;&atilde;o para o cumprimento dos seus prop&oacute;sitos de expans&atilde;o e de consolida&ccedil;&atilde;o de estruturas, de manuten&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a externa e de unidade interna (unidade amea&ccedil;ada desde o in&iacute;cio do Estado moderno enquanto estrutura pol&iacute;tico-administrativa, jur&iacute;dica e militar complexa, ora pela pluralidade etnorregionalista quando presente na g&eacute;nese do pr&oacute;prio Estado, ora pelas exig&ecirc;ncias decorrentes da industrializa&ccedil;&atilde;o &ndash; como a emerg&ecirc;ncia de novas classes sociais como o operariado e suas correspondentes reivindica&ccedil;&otilde;es de poder e de reconhecimento), Hobsbawm declara: &laquo;os estados precisavam de uma religi&atilde;o c&iacute;vica (o patriotismo) tanto mais porque o que exigiam aos seus cidad&atilde;os era crescentemente mais do que passividade&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ora, esta &eacute; uma refer&ecirc;ncia &oacute;bvia &agrave; necessidade de os indiv&iacute;duos se assumirem como contribuintes, como soldados, como cidad&atilde;os dispostos enfim a legitimar o projeto estatal e as suas consequentes demandas, mesmo que a expensas da sua pr&oacute;pria vida.</p>     <p>     <blockquote>&laquo;A ideia original revolucion&aacute;ria e popular do patriotismo era estatal e n&atilde;o nacionalista, j&aacute; que se relacionava com o pr&oacute;prio povo soberano, ou seja, com o estado exercendo o poder em seu nome. A etnicidade ou outros elementos de continuidade hist&oacute;rica eram irrelevantes para a &ldquo;na&ccedil;&atilde;o&rdquo; neste sentido, e [eram] linguagem relevante apenas ou principalmente por raz&otilde;es pragm&aacute;ticas.&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Esta ideia da presen&ccedil;a ativa e deliberada do Estado moderno na cria&ccedil;&atilde;o de uma linguagem emocional capaz de despertar de forma cont&iacute;nua e sustentada um sentimento de perten&ccedil;a, de irmandade ancestral que leva estranhos a reconhecerem-se como compatriotas &eacute;, para Hobsbawm e Gellner, uma evid&ecirc;ncia hist&oacute;rica que salta aos olhos atrav&eacute;s de casos paradigm&aacute;ticos como o da Fran&ccedil;a do s&eacute;culo XVIII.</p>     <p>Convergente com esta leitura, outro cl&aacute;ssico, Kohn, afirmava que &laquo;O nacionalismo era impens&aacute;vel antes do surgimento do estado moderno&hellip;&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Para autores anteriores como Stuart Mill, essa realidade era inclusivamente fruto de uma necessidade fundacional do pr&oacute;prio Estado moderno aliada &agrave; sua express&atilde;o liberal e democr&aacute;tica; era por assim dizer um postulado inerente a esta express&atilde;o, como se depreende sem dificuldade da seguinte afirma&ccedil;&atilde;o: &laquo;Institui&ccedil;&otilde;es livres s&atilde;o quase imposs&iacute;veis num pa&iacute;s formado por diferentes nacionalidades&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Portanto, era imperativo, vital mesmo, que o Estado moderno, a partir do momento em que pretende sobrepor-se como entidade pol&iacute;tico-administrativa e jur&iacute;dica leg&iacute;tima, pudesse ter formas de controlar a sua pluralidade &eacute;tnica interna. O nacionalismo surge aqui como uma dessas formas. &Eacute; ali&aacute;s a forma por excel&ecirc;ncia, cuja efic&aacute;cia se fica a dever em boa parte &agrave; dimens&atilde;o afetiva e emocional em que o seu discurso assenta.</p>     <p>Nas teses modernistas &ndash; a que poder&iacute;amos juntar um outro cl&aacute;ssico como Carlton Hayes<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, que n&atilde;o hesita em fazer equivaler nacionalismo a uma religi&atilde;o &ndash;, resulta evidente que um tra&ccedil;o distintivo da natureza do nacionalismo &eacute; a sua artificialidade e o papel ativo do Estado na sua constru&ccedil;&atilde;o. A presen&ccedil;a do papel e dos interesses do Estado ajuda em paralelo a ultrapassar as limita&ccedil;&otilde;es das teses psicol&oacute;gicas mais simples como a de Kohn, para quem a nacionalidade &eacute; criada pela decis&atilde;o de a formar<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>; ou a de Ernest Renan, exposta no seu c&eacute;lebre texto de 1882, &laquo;Qu&rsquo;est-ce qu&rsquo;une nation?&raquo;, para quem a na&ccedil;&atilde;o &eacute; um composto espiritual fundado em mem&oacute;rias de um passado comum e na vontade de um presente comum.</p>     <p>De outro lado, as teses primordialistas apontam para a exist&ecirc;ncia pr&eacute;via ao Estado moderno da na&ccedil;&atilde;o e das identidades nacionais. Seguindo a l&oacute;gica das teses primordialistas, o nacionalismo surge n&atilde;o como instrumento que acompanha e permite a inven&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o, mas como instrumento natural que exprime a forma&ccedil;&atilde;o de uma determinada consci&ecirc;ncia sobre a identidade nacional e uma determinada imagem sobre a na&ccedil;&atilde;o. Nesta linha primordialista encontra-se Llobera, para quem a ideia de na&ccedil;&otilde;es como &laquo;comunidades imaginadas&raquo; se situa na Idade M&eacute;dia, sendo que &laquo;o que &eacute; moderno sobre a na&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o, &eacute; fundamentalmente o seu potencial enquanto cren&ccedil;a de massas; n&atilde;o a sua exist&ecirc;ncia como vis&atilde;o imaginativa&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Dentro das teses primordialistas, s&atilde;o as teses sociobiol&oacute;gicas as que t&ecirc;m logrado maior relevo, com o argumento hipn&oacute;tico centrado na ideia do nacionalismo como sendo inerente ao comportamento humano. O ponto forte do seu sucesso parece ser tamb&eacute;m a sua maior debilidade, j&aacute; que, como bem nota Coakley<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, a insist&ecirc;ncia do primordialismo na ideia do nacionalismo como inerente ao comportamento humano &eacute; uma insist&ecirc;ncia mais de car&aacute;ter ideol&oacute;gico do que de car&aacute;ter cient&iacute;fico (desde logo pela enorme dificuldade em reunir evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica fidedigna) e, nesse sentido, o primordialismo ser&aacute; melhor interpretado enquanto ingrediente do nacionalismo e n&atilde;o como explica&ccedil;&atilde;o do mesmo<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>Ora, &eacute; precisamente este cunho sociobiol&oacute;gico que nos leva a hesitar em catalogar a tese de Anthony D. Smith como primordialista pura. E a raz&atilde;o prende-se com o facto de tanto nas teses modernistas, como na tese de Anthony D. Smith, o nacionalismo surgir como uma linguagem instrumental em que o Estado, ainda que de forma diferente, acaba por ter um papel central. De facto, seja para inventar uma dada ideia de na&ccedil;&atilde;o, seja para propagar uma determinada narrativa em torno de elementos de identidade nacional preexistentes, em ambos os casos se exige o papel ativo do Estado e da sociedade, se n&atilde;o na inven&ccedil;&atilde;o, pelo menos na identifica&ccedil;&atilde;o (na consciencializa&ccedil;&atilde;o) dos elementos que podem ser tidos como relevantes e dignos de destaque na constru&ccedil;&atilde;o de uma dada narrativa sobre a na&ccedil;&atilde;o e a identidade nacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por debater aqui ficar&aacute; o papel que em cada conjunto de teses &eacute; atribu&iacute;do ao Estado, &agrave;s elites sociais e intelectuais, &agrave;s din&acirc;micas econ&oacute;micas, sendo certo que foram m&uacute;ltiplos os fatores que ambos os quadros te&oacute;ricos apontam como relevantes no moldar das na&ccedil;&otilde;es, desde o papel das burocracias estatais, dos movimentos pol&iacute;ticos de massa (como a emerg&ecirc;ncia do proletariado e das suas reivindica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais), do crescimento das cidades, &agrave;s melhorias na comunica&ccedil;&atilde;o e alfabetiza&ccedil;&atilde;o, passando pelas pr&oacute;prias exig&ecirc;ncias integrativas do capitalismo industrial (como evidente na tese weberiana de Ernest Gellner). A este prop&oacute;sito, n&atilde;o resistimos todavia a recordar Tom Bottomore<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> que, com clareza, identificou o modo como o nacionalismo tende a associar-se nos pensadores liberais &agrave; luta burguesa pela democracia<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> e nos pensadores austro-marxistas &agrave; ideia de ascens&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista, sendo certo que tais leituras n&atilde;o esgotam, segundo Bottomore, a exist&ecirc;ncia de outras mais sobre as raz&otilde;es que explicam a emerg&ecirc;ncia do nacionalismo, isto &eacute;, sobre as fun&ccedil;&otilde;es que este veio cumprir com o seu aparecimento.</p>     <p>De qualquer forma, e independentemente das teses que possamos abra&ccedil;ar sobre a natureza &ndash; se moderna, se primordial da identidade nacional, e consequentemente sobre os pr&oacute;prios alicerces narrativos do nacionalismo e as fun&ccedil;&otilde;es deste no contexto do Estado &ndash;, o nacionalismo surge quase sempre como uma ideologia que, nas palavras de Kupchan, &laquo;exige a fus&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o sentimental com o estado funcional&raquo;, sendo o principal respons&aacute;vel pela &laquo;transforma&ccedil;&atilde;o do estado administrativo em na&ccedil;&atilde;o sentimental&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O PARADOXO DO NACIONALISMO &ndash; DOGMA E ELASTICIDADE</b></p>     <p>Ficarmos por aqui seria perder de vista a substancialidade e a intensidade que acompanham o nacionalismo. Ao apresent&aacute;-lo como uma ideologia pol&iacute;tica, uma constru&ccedil;&atilde;o do Estado moderno, podemos ficar pela ideia de que o nacionalismo &eacute; sobretudo um espa&ccedil;o de narrativas de utilidade instrumental para a constru&ccedil;&atilde;o das identidades coletivas. Mas o nacionalismo &eacute; mais do que uma ideologia, ou melhor, s&ecirc;-lo-&aacute;, mas com caracter&iacute;sticas que o elevam a um outro patamar. &Eacute; por isso que o pensamento de Benedict Anderson nos pode aqui ser &uacute;til para demonstrar essa densidade do conceito.</p>     <p>Ao localizar a fonte da identidade individual na ideia de &laquo;povo&raquo;, que &eacute; visto como o portador da soberania pol&iacute;tica, o objeto central da lealdade e a base da solidariedade coletiva, o nacionalismo projeta-se como um elemento fundacional diferente de todos os outros que possam sustentar a cria&ccedil;&atilde;o da identidade individual<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. O nacionalismo operacionaliza assim aquilo que Anderson descreve como &laquo;uma camaradagem profunda e horizontal&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> que emerge entre os cidad&atilde;os, sobrepondo-se &agrave; realidade das diverg&ecirc;ncias e das desigualdades que efetivamente possam existir. Por outras palavras, o nacionalismo traduz, no seu discurso e nas suas pr&aacute;ticas, a &laquo;comunidade imaginada&raquo;.</p>     <p>Assim visto, o nacionalismo eleva-se para l&aacute; da simples condi&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&atilde;o racional-emocional centralizada no monop&oacute;lio cultural do Estado moderno, porquanto esta condi&ccedil;&atilde;o de <i>comunidade imaginada</i> vai muito al&eacute;m das capacidades substantivas e instrumentais do Estado. Ou seja, independentemente de qualquer papel inicial que o Estado possa ter tido na cria&ccedil;&atilde;o de elementos significantes, ou na incorpora&ccedil;&atilde;o de elementos preexistentes, para a edifica&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de uma dada imagem de um N&oacute;s coletivo, a experi&ecirc;ncia individual e coletiva de &laquo;uma camaradagem profunda e horizontal&raquo; acaba por suplantar esse papel inicial do Estado, se n&atilde;o mesmo por determinar os termos em que o papel do pr&oacute;prio Estado na sustenta&ccedil;&atilde;o do N&oacute;s coletivo se mant&eacute;m.</p>     <p>Da mesma forma, nesta lente adaptada &agrave; proposta de Anderson, o nacionalismo n&atilde;o s&oacute; se eleva acima de uma mera leitura instrumental centrada nas capacidades manipuladoras do Estado (e das elites intelectuais, acrescentar&iacute;amos), como tamb&eacute;m n&atilde;o se confunde com as leituras que o queiram reduzir a uma dimens&atilde;o puramente &eacute;tnica. Nesse sentido, a leitura de O&rsquo;Connor sobre o nacionalismo como &laquo;lealdade ao grupo &eacute;tnico&raquo; e de na&ccedil;&atilde;o como n&atilde;o sendo mais do que um complexo processo psicol&oacute;gico de &laquo;autodiferencia&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> &eacute; aqui tamb&eacute;m posta de lado.</p>     <p>N&atilde;o nos compete explorar as raz&otilde;es que explicam esta excecionalidade do nacionalismo, mas recordamos uma frase lapidar de Renan que, em nossa opini&atilde;o, encerra em boa parte o &laquo;segredo&raquo; deste imenso poder do nacionalismo: &laquo;Esquecimento, e, diria mesmo, o erro hist&oacute;rico s&atilde;o um fator essencial na cria&ccedil;&atilde;o de uma na&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Esta &eacute; uma poderosa frase que em nosso entender coloca a t&oacute;nica num elemento determinante para a explica&ccedil;&atilde;o da cont&iacute;nua vitalidade da ideia de na&ccedil;&atilde;o, do nacionalismo, e da eterna possibilidade das &laquo;novas formas&raquo; de que hoje tanto se fala: o esquecimento. Eis o ir&oacute;nico paradoxo: a mem&oacute;ria, que &eacute; determinante na cria&ccedil;&atilde;o das narrativas sobre a identidade nacional, &eacute;-o tanto pela sua ativa&ccedil;&atilde;o como pela sua suspens&atilde;o. Por outras palavras, o <i>esquecimento</i> det&eacute;m um papel central na constru&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o das identidades nacionais, porquanto &eacute; por ele que em boa parte se abre na hermen&ecirc;utica nacional o caminho para os negacionismos, para os revisionismos, para as narrativas alternativas e para o &laquo;lembrar&raquo; seletivo. A elasticidade do nacionalismo, consequentemente a sua capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o a novas geoculturas, bem como a sua renovada perigosidade, deve-se assim (ainda que n&atilde;o exclusivamente) ao modo instrumental como o nacionalismo encara a mem&oacute;ria. Por outras palavras, o nacionalismo tem em si a aus&ecirc;ncia de uma dimens&atilde;o &eacute;tica da mem&oacute;ria, olhando-a antes como campo aberto, manipul&aacute;vel, sendo o esquecimento parte integral dessa utiliza&ccedil;&atilde;o instrumental da mem&oacute;ria pelo nacionalismo.</p>     <p>Entretanto, todos os autores aqui citados divergiram quanto ao futuro poss&iacute;vel do nacionalismo. Hobsbawm, &agrave; semelhan&ccedil;a de Breuilly<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>, por exemplo, opunha-se a Gellner e a Benedict Anderson quanto ao sucesso que o nacionalismo poderia ainda ter no futuro. Isto porque, para Hobsbawm, era por demais historicamente evidente que o nacionalismo j&aacute; n&atilde;o poderia na reta final do s&eacute;culo XX apresentar-se como o &laquo;programa pol&iacute;tico global&raquo; que fora em tempos<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Tal, a seu ver, resultava de diversas raz&otilde;es que decorriam das altera&ccedil;&otilde;es nas fun&ccedil;&otilde;es e des&iacute;gnios dos pr&oacute;prios estados, entre as quais a dificuldade crescente (para n&atilde;o dizer mesmo a impossibilidade) em continuar a deter a fun&ccedil;&atilde;o tradicional de constitui&ccedil;&atilde;o e a preserva&ccedil;&atilde;o da ideia de &laquo;economia nacional&raquo; limitada ao territ&oacute;rio do Estado<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em face do atual panorama europeu e mesmo mundial, estaremos certamente tentados a afirmar que Hobsbawm estava errado porquanto se assiste a um recrudescer fort&iacute;ssimo do nacionalismo. Por&eacute;m, e atendendo a tudo o que aqui entretanto record&aacute;mos, conv&eacute;m n&atilde;o esquecer a plasticidade do nacionalismo garantida pelo operacionalizar de um paradoxo: dogm&aacute;tico quanto ao que sugere como sendo as origens de uma identidade coletiva, &eacute; todavia ele mesmo que define na sua narrativa os termos do seu dogmatismo. Nesse sentido, o nacionalismo tem uma capacidade de escolha que &eacute; essencial &agrave; produ&ccedil;&atilde;o constante e atualizada de novas ortodoxias narrativas.</p>     <p>Compreendemos melhor a dimens&atilde;o dogm&aacute;tica do nacionalismo como uma op&ccedil;&atilde;o recordando, ainda que de forma muito breve e simplificada, a cl&aacute;ssica tese de Hans Kohn, de 1944. Na sua tese, verificamos que a leitura moderna sobre o nacionalismo assenta em quatro pressupostos, cada um invocando uma narrativa ficcionada sobre a originalidade essencial da na&ccedil;&atilde;o e da identidade nacional na constru&ccedil;&atilde;o das sociedades tal como as conhecemos. Assim, o primeiro postulado prende-se com a ideia do Estado-Na&ccedil;&atilde;o como sendo a forma ideal de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das sociedades. Ora, para Kohn, tal essencialidade (primordialidade, portanto) n&atilde;o existe na hist&oacute;ria europeia que durante s&eacute;culos teve como espa&ccedil;os centrais da sua organiza&ccedil;&atilde;o as cidades, os feudos, e o que Kohn chama de &laquo;estado multilingue mantido unido por la&ccedil;os din&aacute;sticos&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> e tudo isso prevaleceu durante s&eacute;culos sem que tal significasse impossibilidade de exist&ecirc;ncia social e a aus&ecirc;ncia de Hist&oacute;ria.</p>     <p>O segundo postulado ancora-se na ideia da nacionalidade como a fonte principal da vida cultural. Ora, tamb&eacute;m aqui Kohn recordava que, durante a maior parte da hist&oacute;ria, a religi&atilde;o fora essa fonte; e em outros tempos assentara na &laquo;civiliza&ccedil;&atilde;o de uma classe&raquo;, como a civiliza&ccedil;&atilde;o dos cavaleiros na Europa medieval, ou a corte francesa dos s&eacute;culos XVII e XVIII, ou ainda as refer&ecirc;ncias &agrave; civiliza&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica que dominaram a forma&ccedil;&atilde;o dos homens durante e depois da Renascen&ccedil;a<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>     <p>O terceiro postulado assenta na ideia de nacionalidade como a fonte de bem-estar econ&oacute;mico. O nacionalismo econ&oacute;mico centra-se na ideia de que o bem-estar do indiv&iacute;duo (logo, o pr&oacute;prio sucesso da sua a&ccedil;&atilde;o individual no &acirc;mbito dos princ&iacute;pios liberalistas) s&oacute; pode ser verdadeiramente alcan&ccedil;ado e s&oacute; est&aacute; plenamente assegurado atrav&eacute;s do poder econ&oacute;mico da na&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Tamb&eacute;m aqui Kohn ajuda a compreender que mesmo no contexto do mercantilismo enquanto doutrina centralizadora que visava pela via econ&oacute;mica refor&ccedil;ar o estatuto e poder do Estado no mundo, grande parte da vida econ&oacute;mica lhe escapava, vertendo-se na malha de cidades, vilas e prov&iacute;ncias. O que se lhe seguiu foi um neomercantilismo pelo qual o Estado se rende aos princ&iacute;pios do liberalismo econ&oacute;mico, mas, ao inv&eacute;s de o contrariar, propaga a ideia de que apenas a na&ccedil;&atilde;o &eacute; o garante dessa liberdade de a&ccedil;&atilde;o, s&oacute; o poder econ&oacute;mico da na&ccedil;&atilde;o, protegida e promovida pelo Estado, garante o bem-estar individual.</p>     <p>E por fim, o quarto postulado em que assenta a artificialidade moderna do nacionalismo, est&aacute; na ideia de nacionalidade como o elemento que traduz a lealdade suprema do sujeito. Mas, durante s&eacute;culos, a lealdade do indiv&iacute;duo j&aacute; existia, sendo simplesmente outros os focos da sua devo&ccedil;&atilde;o: a sua igreja, a sua fam&iacute;lia, o seu suserano feudal. <br />   A fixa&ccedil;&atilde;o da ideia de suprema lealdade do indiv&iacute;duo como sendo determinada pela sua nacionalidade &eacute;, por isso tamb&eacute;m, em si uma artificialidade, marcando segundo Kohn o come&ccedil;o da era do nacionalismo moderno.</p>     <p>Nestes quatro postulados, evidencia-se a constru&ccedil;&atilde;o artificial do nacionalismo (ainda que ficando aqui por explorar o papel que coube aos diversos agentes envolvidos nessa constru&ccedil;&atilde;o, desde as coroas a diversas classes sociais). Nessa constru&ccedil;&atilde;o, o modo como os quatro postulados v&atilde;o emergindo parece obliterar a exist&ecirc;ncia pr&eacute;via de outras formas e condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia humana. Por detr&aacute;s do sucesso desses postulados, progressivamente naturalizados, aceites como inerentes &agrave; realidade coletiva, encontram-se m&uacute;ltiplas din&acirc;micas sociais, pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e culturais de complexidade vari&aacute;vel apenas apreens&iacute;vel pelo estudo da hist&oacute;ria de cada Estado<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NACIONALISMO(S) E CAPACIDADE TRANSFORMATIVA</b></p>     <p>Independentemente do posicionamento que se tenha em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s teses aqui revistas, salta-nos como evidente que h&aacute; uma for&ccedil;a inventiva e transformativa que tem acompanhado o nacionalismo na sua a&ccedil;&atilde;o. Integrador dessa for&ccedil;a inventiva e transformativa sempre esteve o esquecimento, t&atilde;o relevante como o pr&oacute;prio exerc&iacute;cio da mem&oacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o de uma dada imagem do N&oacute;s coletivo. E &eacute; com base nesta ideia que partimos para uma breve reflex&atilde;o sobre o que poder&aacute; ser o nacionalismo hoje.</p>     <p>Antes de mais, a elasticidade do nacionalismo, n&atilde;o sendo infinita, como n&atilde;o pode ser em nenhum conceito, ideia, ou valor sob pena de implodir, &eacute; ainda assim ampla o suficiente para lhe garantir uma natureza altamente resistente, adaptativa, capaz de se ajustar aos tempos. Uma das evid&ecirc;ncias dessa adaptabilidade est&aacute; nas m&uacute;ltiplas narrativas que o nacionalismo hoje apresenta. Veja-se a t&iacute;tulo de exemplo o nacionalismo escoc&ecirc;s. Mais do que cultural, etnolingu&iacute;stico, ou religioso, &eacute; sobretudo um nacionalismo pol&iacute;tico e c&iacute;vico, que apresenta o europe&iacute;smo e o interculturalismo como marcas distintivas que o separam de um nacionalismo fechado, antieuropeu, anti-imigrante e arreigado a um saudosismo imperialista sobre uma suposta singularidade do Reino Unido no mundo, e que ali&aacute;s tem estado presente na ret&oacute;rica em defesa do Brexit. Na mesma linha, poder-se-ia mencionar o nacionalismo catal&atilde;o, no qual mais do que a defesa de uma identidade hist&oacute;rica cultural (que tamb&eacute;m ocorre, &eacute; certo, desde logo pela mem&oacute;ria constante quanto &agrave;s especificidades etnolingu&iacute;sticas, mem&oacute;ria n&atilde;o apenas discursiva mas tamb&eacute;m praticada pelo amplo uso quotidiano da l&iacute;ngua catal&atilde;), s&atilde;o sobretudo as ideias de modernidade (n&atilde;o no sentido de &eacute;poca ou de condi&ccedil;&atilde;o de um tempo, mas de atitude traduzida num olhar para o futuro) e de aceita&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas interculturais, da pluralidade e da diversidade, da solidariedade com o projeto europeu, que dominam a sua narrativa, quer pol&iacute;tica, quer acad&eacute;mica, quer popular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Damos estes dois exemplos por nos parecerem ilustrativos de algo que tamb&eacute;m importa referir: os nacionalismos de hoje, cumprindo diferentes fun&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas e culturais, n&atilde;o t&ecirc;m todos de ser necessariamente negativos, xen&oacute;fobos, racistas, associados aos ide&aacute;rios dos partidos de extrema-direita que grassam um pouco por toda a Europa. Mas a verdade &eacute; que, feito este necess&aacute;rio reconhecimento da natureza algo distinta destes nacionalismos, os nacionalismos na sua larga maioria continuam a ser na sua ess&ecirc;ncia propostas ideol&oacute;gicas para a interpreta&ccedil;&atilde;o do N&oacute;s coletivo como um N&oacute;s superior.</p>     <p>A condi&ccedil;&atilde;o do nacionalismo atual (com as devidas salvaguardas para casos excecionais e que, ali&aacute;s, justificam por que &eacute; mais correto falarmos em nacionalismos) prevalece como sendo essencialmente radicalista (isto &eacute;, de defesa intransigente de uma dada matriz identit&aacute;ria), ortodoxa (sem espa&ccedil;o a leituras plurais) e oportunista.</p>     <p>O modo como o conceito de Estado &eacute; equacionado pela narrativa nacionalista atual &eacute; ilustrativo da continuidade desta condi&ccedil;&atilde;o oportunista. Se n&atilde;o, vejamos. O Estado moderno tem sido um ator altamente interessado no estimular do nacionalismo (independentemente aqui de saber se &eacute; inventor ou apenas utilizador de algo preexistente) pelos benef&iacute;cios &oacute;bvios que foram resultando dessa rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica. Por um lado, o nacionalismo apoiou e justificou o centralismo cultural, econ&oacute;mico, e pol&iacute;tico-administrativo do Estado (ainda que pela admiss&atilde;o de nuances na concretiza&ccedil;&atilde;o dessa centralidade sobretudo onde esta sempre colidiu desde in&iacute;cio com a forte presen&ccedil;a de etnorregionalismos resistentes ao Estado central). Por outro, o Estado alimentou o discurso e as pr&aacute;ticas que garantiram longevidade e for&ccedil;a ao nacionalismo. Contudo, em muitos aspetos o Estado passou a ser um empecilho. J&aacute; n&atilde;o &eacute; a entidade todo-poderosa de outros tempos, partilhando hoje a ribalta com novas formas de regula&ccedil;&atilde;o transnacional e governan&ccedil;a global, negociando pap&eacute;is e poderes com uma mir&iacute;ade de atores transnacionais. Mas &eacute; sobretudo internamente que tudo se complica, j&aacute; que o Estado tem sido motivo de m&uacute;ltiplas dece&ccedil;&otilde;es para os seus cidad&atilde;os. Ora, o sentido oportunista do nacionalismo leva-o a reconhecer que o Estado j&aacute; n&atilde;o &eacute; o Estado moderno vestefaliano de outrora e, nesse sentido, n&atilde;o &eacute; l&iacute;quido que busque necessariamente a gl&oacute;ria do Estado. Uma forma de reconhecer esse distanciamento em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado, est&aacute; no modo como no discurso nacionalista ele &eacute; estrategicamente separado em Estado-Comunidade e Estado-Aparelho, de tal forma que &eacute; sobre este &uacute;ltimo e sobre as elites pol&iacute;ticas que recaem todas as responsabilidades pelas vicissitudes do presente. A&iacute;, a ideia de defesa do Estado poder&aacute; surgir, mas apenas na medida em que este &eacute; entendido como comunidade, e n&atilde;o como estruturas de governa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que, nesta &oacute;tica nacionalista, essas estruturas tornaram-se fracas, incapazes de assegurar a economia nacional, incapazes de travar as ced&ecirc;ncias de soberania pol&iacute;tica na esfera internacional, e traidoras da identidade cultural ao enveredarem por pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o inclusivas, que no seu entender degradam a integridade da matriz cultural do Estado-Comunidade.</p>     <p>Uma outra estrat&eacute;gia para contornar a presen&ccedil;a inc&oacute;moda do Estado &ndash; que j&aacute; n&atilde;o pode ser assumido pela ret&oacute;rica nacionalista atual como o garante das identidades nacionais como o fez no per&iacute;odo &aacute;ureo da modernidade &ndash; est&aacute; no identificar de atores e de din&acirc;micas externos como sendo os respons&aacute;veis das crises contempor&acirc;neas. Nesta &oacute;tica nacionalista, sejam as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas europeias, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais, os imigrantes, os refugiados, todos s&atilde;o entendidos como inimigos c&uacute;mplices que conspiram contra a identidade nacional e o bem-estar das na&ccedil;&otilde;es, e que urge por isso denunciar e eliminar. &Eacute; aqui que entram claramente os neonacionalismos, que apresentam como tra&ccedil;o distintivo a sua express&atilde;o reativa aos m&uacute;ltiplos desafios transnacionais e globais<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. Exemplo dessa express&atilde;o reativa &eacute; a sua rela&ccedil;&atilde;o negativa face &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o, face &agrave;s decis&otilde;es pol&iacute;ticas da Uni&atilde;o Europeia, e &laquo;os seus apelos populistas &agrave;s culturas de massas do presente&raquo;<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>&Eacute; importante n&atilde;o incorrer na tenta&ccedil;&atilde;o de considerar que estes neonacionalismos se encontram mais pr&oacute;ximos do etnonacionalismo tradicional. De facto, neste &uacute;ltimo &eacute; recorrente a ideia de que o sentimento de perten&ccedil;a se cimenta numa efetiva perten&ccedil;a &eacute;tnica e consangu&iacute;nea que precede e justifica a exist&ecirc;ncia do Estado, na linha da tradi&ccedil;&atilde;o hel&eacute;nica que na modernidade encontra a sua maior express&atilde;o na ideia germ&acirc;nica de na&ccedil;&atilde;o. Mas nos neonacionalismos a que aqui aludimos, n&atilde;o h&aacute; necessariamente a presen&ccedil;a da dimens&atilde;o &eacute;tnica e consangu&iacute;nea como premissa para justificar a exist&ecirc;ncia de uma identidade nacional ancestral que urge proteger. Nesse sentido, outras premissas s&atilde;o ami&uacute;de mais invocadas como sendo os alicerces fundacionais da identidade nacional. &Eacute; o caso da invoca&ccedil;&atilde;o da matriz cultural judaico-crist&atilde; que, nos discursos neonacionalistas europeus, se apresenta como um exclusivo das culturais europeias e, em sentido mais amplo, um exclusivo da civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental, com o termo &laquo;civiliza&ccedil;&atilde;o&raquo; a assumir em boa parte a fun&ccedil;&atilde;o que o termo &laquo;ra&ccedil;a&raquo; teve em outras &eacute;pocas no discurso nacionalista. Embora n&atilde;o pondo de parte que na invoca&ccedil;&atilde;o da matriz cultural judaico-crist&atilde; tamb&eacute;m esteja presente uma certa vis&atilde;o etnicista sobre as identidades nacionais, o seu d&iacute;namo est&aacute; sobretudo na ideia de que as identidades nacionais europeias est&atilde;o ancoradas na partilha de valores e de cren&ccedil;as que lhe s&atilde;o exclusivos. Desde logo, um dos maiores problemas desta leitura &eacute; que, sendo a partilha exclusiva, tamb&eacute;m pela mesma via a &eacute;tica e a moral que se fundamentam nesses valores ser&atilde;o exclusivas destas identidades nacionais. Assim se entende que na ret&oacute;rica neonacionalista frequentemente haja, de modo mais ou menos sofisticado, refer&ecirc;ncias ao &laquo;Outro&raquo; como sendo a nega&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica humanista, da moral crist&atilde;, do Estado de direito e por a&iacute; fora...</p>     <p>Contudo, os neonacionalismos aqui aludidos t&ecirc;m tamb&eacute;m como elemento que os caracteriza a cr&iacute;tica ao pr&oacute;prio Estado, tal como aqui j&aacute; referimos, e, nesse sentido, h&aacute; todo um conjunto de outros nacionalismos contempor&acirc;neos que necessitam de outra abordagem. Por exemplo, n&atilde;o faz muito sentido incluir aqui nacionalismos como o nacionalismo americano de Trump, o nacionalismo da R&uacute;ssia de Putin, ou os nacionalismos do Extremo Oriente onde, sem exce&ccedil;&atilde;o, o Estado &eacute; o elemento central que se pretende enaltecer, refor&ccedil;ar e defender. Nessas ret&oacute;ricas nacionalistas, o Estado aparece como o garante para a reconstru&ccedil;&atilde;o da economia nacional, o garante da coes&atilde;o social (retorno &agrave; ideia de Estado nacional como fonte do bem-estar), o garante do reaver da identidade cultural e o garante da reabilita&ccedil;&atilde;o da soberania (pol&iacute;tica e militar) no espa&ccedil;o internacional. Estes nacionalismos de Estado assentam numa narrativa de reposi&ccedil;&atilde;o, de retorno, de &laquo;outra vez&raquo; como no c&eacute;lebre slogan de Trump &laquo;Make America great again&raquo;, na qual a a&ccedil;&atilde;o do Estado se apresenta como determinante. Nesse sentido, a &laquo;novidade&raquo; desses nacionalismos de Estado est&aacute; sobretudo no recuperar da centralidade da na&ccedil;&atilde;o (em alguns casos &eacute;tnica) por via da revitaliza&ccedil;&atilde;o (econ&oacute;mica, militar e cultural) do pr&oacute;prio Estado. Mas o saudosismo &eacute; apenas aparente, na exata medida em que a linguagem do retorno serve apenas como estrat&eacute;gia de fortalecimento de um Estado que aspira ao triunfo pol&iacute;tico, econ&oacute;mico e militar no s&eacute;culo XXI.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>Mais do que uma ideologia pol&iacute;tica do Estado moderno, o nacionalismo tem hoje de ser visto sobretudo como um complexo fen&oacute;meno social. Um fen&oacute;meno social que nos desafia a pensar nos termos em que se definem as identidades coletivas, e muito em particular nos termos em que a rela&ccedil;&atilde;o com os Outros &eacute; proposta.</p>     <p>Observando o nacionalismo hoje, verifica-se que a sua elasticidade lhe permite adaptar-se ao tempo e ao espa&ccedil;o explorando o que neles &eacute; pass&iacute;vel de suscitar novos dogmas (sobre a identidade nacional, sobre a rela&ccedil;&atilde;o desta com outras identidades, sobre as leituras e releituras do passado) e justificando assim o emprego do conceito no seu plural: nacionalismos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No geral, por&eacute;m, o modo como a sua adaptabilidade trabalha para produzir novos dogmas quase sempre resulta na produ&ccedil;&atilde;o de discursos e pr&aacute;ticas assentes numa atitude reativa: contra a globaliza&ccedil;&atilde;o, contra a imigra&ccedil;&atilde;o, contra o Estado, contra o funcionamento da pr&oacute;pria democracia, contra o diferente (quando politizado, isto &eacute;, equacionado em termos do seu acesso ao Poder). &Eacute; certo que em raros casos a sua natureza instrumentalista tamb&eacute;m parece ter percebido a utilidade de apostar numa atitude proativa e positiva. &Eacute; o caso de atitudes pr&oacute;-europeias, pr&oacute;-imigrantes, pr&oacute;-inclusoras, que podem ser vistas como formas de permitir que o nacionalismo enquanto instrumento pol&iacute;tico de resist&ecirc;ncia contra estados aglutinadores que se alicer&ccedil;aram em processos anteriores de &laquo;colonialismo interno&raquo;, seja simultaneamente reconhecido como leg&iacute;timo (&eacute;tica e juridicamente) pela comunidade internacional.</p>     <p>O nacionalismo diverge, pois, quanto ao que resulta da aplica&ccedil;&atilde;o da sua capacidade instrumental. Sendo certo que tendencialmente as respostas que constr&oacute;i s&atilde;o sobretudo reativas (&agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o, &agrave; eros&atilde;o do pr&oacute;prio Estado no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o, <br /> &agrave; diversidade cultural), nada obsta a que tamb&eacute;m possa construir respostas positivas (de aceita&ccedil;&atilde;o, de abertura ao Outro, aos diferentes). Nesse sentido, n&atilde;o vemos o nacionalismo como uma manifesta&ccedil;&atilde;o natural, mas como uma clara constru&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Mas, da mesma forma, sendo o nacionalismo uma constru&ccedil;&atilde;o (e esta &eacute; claramente uma vantagem de n&atilde;o enveredar pelas leituras primordialistas), ent&atilde;o nada obsta a que no seu discurso e nas suas pr&aacute;ticas possa entrar a ideia do exerc&iacute;cio da interculturalidade como tra&ccedil;o distintivo de uma identidade nacional. Mas esta ideia pressup&otilde;e a sua articula&ccedil;&atilde;o com uma outra: que o exerc&iacute;cio dessa interculturalidade seja bem compreendido enquanto cria&ccedil;&atilde;o de pontes para um enriquecimento m&uacute;tuo, e n&atilde;o como disfarce de paternalismos culturais que nos iludam quanto &agrave;s nossas reais capacidades de di&aacute;logo, ou seja, acreditando que apenas &laquo;N&oacute;s&raquo; dominamos as premissas v&aacute;lidas desse di&aacute;logo.</p>     <p>Por&eacute;m, estas s&atilde;o apenas manifesta&ccedil;&otilde;es de um querer. De um querer que, para mais, implica como premissa de base a aceita&ccedil;&atilde;o do nacionalismo como constru&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o como manifesta&ccedil;&atilde;o natural. Nesse sentido, s&oacute; num contexto de rejei&ccedil;&atilde;o das assun&ccedil;&otilde;es primordialistas se poder&aacute; equacionar o nacionalismo como uma constru&ccedil;&atilde;o capaz de negar aquela que tem sido a sua condi&ccedil;&atilde;o, dogmatizante e naturalizadora da sua pr&oacute;pria artificialidade. Mas ent&atilde;o, estar&iacute;amos ainda perante o conceito de nacionalismo?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ANDERSON, Benedict &ndash; <i>Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism</i>. Londres; Nova York: Verso, 2006.</p>     <p>ASHCROFT, David &ndash; <i>A Critical Evaluation of Theories of Nationalism</i>. Universidade de Aston, 1987. Tese de doutoramento. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://publications.aston.ac.uk/id/eprint/12198/1/Ashcroft%2C_D_1987.pdf" target="_blank">https://publications.aston.ac.uk/id/eprint/12198/1/Ashcroft%2C_D_1987.pdf</a>.</p>     <p>BOTTOMORE, Tom &ndash; <i>Political Sociology</i>. Londres: Pluto Press, 1993.</p>     <p>BREUILLY, John &ndash; <i>Nationalism and the State</i>. Chicago: University of Chicago Press, 1994.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COAKLEY, John &ndash; &laquo;&ldquo;Primordialism&rdquo; in nationalism studies: theory or ideology?&raquo;. In <i>Nations and Nationalism.</i> Vol. 24, N.&ordm; 2, 2018, pp. 327-347.</p>     <p>GELLNER, E. &ndash; &laquo;Scale and nation&raquo;. In <i>Philosophy of the Social Sciences</i>. Vol. 3, 1973, pp. 1-17.</p>     <p>GELLNER, E. &ndash; <i>Nations and Nationalism</i>. Ithaca: Cornell University Press, 1983.</p>     <p>GELLNER, E. &ndash; <i>Nationalism.</i> Londres: Weidenfeld &amp; Nicolson, 1997.</p>     <p>GINGRICH, Andre; BANKS, Marcus, eds. &ndash; <i>Neo-nationalism in Europe and Beyond: Perspectives from Social Anthropology</i>. Nova York: Berghahn Books, 2006.</p>     <p>GREENFELD, Liah &ndash; <i>Nationalism: Five Roads to Modernity</i>. Londres: Harvard University Press, 1992.</p>     <p>Hayes, Carlton J. H. &ndash; &laquo;Nationalism: a religion&raquo;. In <i>Naval War College Review</i>. Vol. 14, 1961, pp. 5, 7.</p>     <p>HOBSBAWM, E. J. &ndash; Nations and Nationalism since 1780, Programme, Myth, Reality. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.</p>     <p>KEDOURIE, Elie &ndash; <i>Nationalism</i>. 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o (1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1960). Oxford, Massachusetts: Blackwell, 1993.</p>     <p>KOHN, H. &ndash; <i>The Idea of Nationalism, A Study in Its Origins and Background</i>. Nova York: The Macmillan Company, 1944.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KUPCHAN, Charles A., ed. &ndash; <i>Nationalism and Nationalities in the New Europe</i>. Nova York: Cornell University Press, 1995.</p>     <p>LLOBERA, Joseph R. &ndash; <i>The God of Modernity</i>. Oxford: Berg, 1994.</p>     <p>MOORE JR., Barrington &ndash; <i>Social Origins of Dictatorship and Democracy &ndash; Lord and Peasant in the Making of the Modern World</i>. Boston: Beacon Press, 1967.</p>     <p>O&rsquo;CONNOR, W. &ndash; <i>Ethnonationalism: The Quest for Understandings</i>. Princeton: Princeton University Press, 1994.</p>     <p>OHMAE, Kenichi &ndash; <i>The End of the Nation State: The Rise of Regional Economies</i>. Nova York: Free Press, 1995.</p>     <p>PANIC, M. &ndash; &laquo;The end of the nation state?&raquo;. In <i>Structural Change and Economic Dynamics</i>. Vol. 8, 1997, pp. 29-44.</p>     <p>WALLERSTEIN, Immanuel &ndash; <i>Geopolitics and Geoculture: Essays on the Changing World-System</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.</p>     <p>WOOLF, Stuart, ed. &ndash; <i>Nationalism in Europe, 1815 to The Present</i>. Londres: Routledge, 1996.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 18 de mar&ccedil;o de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 10 de maio de 2019</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Referimo-nos &agrave; modernidade como complexa porque pass&iacute;vel desde logo de m&uacute;ltiplas interpreta&ccedil;&otilde;es quanto ao seu significado hist&oacute;rico, &agrave; natureza das suas manifesta&ccedil;&otilde;es sociais, pol&iacute;ticas e culturais, ao mundo axiom&aacute;tico, &eacute;tico, e est&eacute;tico que ela invoca em diferentes sociedades. A complexidade do &laquo;moderno&raquo; traduz-se assim na multiplicidade de propostas para a sua defini&ccedil;&atilde;o como identidade global (social, pol&iacute;tica, filos&oacute;fica, cultural) de um espa&ccedil;o e de um tempo cujas balizas s&atilde;o tamb&eacute;m elas alvo de discuss&atilde;o e necessariamente de pontos de refer&ecirc;ncia algo arbitr&aacute;rios.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> WALLERSTEIN, Immanuel &ndash; <i>Geopolitics and Geoculture: Essays on the Changing World-System</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> OHMAE, Kenichi &ndash; <i>The End of the Nation State: The Rise of Regional Economies</i>. Nova York: Free Press, 1995.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> PANIC, M. &ndash; &laquo;The end of the nation state?&raquo;. In <i>Structural Change and Economic Dynamics</i>. Vol. 8, 1997, pp. 29-44.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> KEDOURIE, Elie &ndash; <i>Nationalism.</i> 4.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o (1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1960). Oxford, Massachusetts: Blackwell, 1993.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> A reedi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o esque&ccedil;amos, &eacute; antes de mais um merecido tributo ao homem e ao acad&eacute;mico desaparecido precocemente aos 66 anos de idade, tendo a reedi&ccedil;&atilde;o de 1993 sido da responsabilidade da sua esposa e companheira desde 1950, Sylvia Haim Kedourie.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> <i>Ibidem,</i> pp. xiii.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 140.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> ASHCROFT, David &ndash; <i>A Critical Evaluation of Theories of Nationalism</i>. Universidade de Aston, 1987. Tese de doutoramento. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://publications.aston.ac.uk/id/eprint/12198/1/Ashcroft%2C_D_1987.pdf" target="_blank">https://publications.aston.ac.uk/id/eprint/12198/1/Ashcroft%2C_D_1987.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> GELLNER, E. &ndash; &laquo;Scale and nation&raquo;. In <i>Philosophy of the Social Sciences</i>. Vol. 3, 1973, pp. 1-17; GELLNER, E. &ndash; NATIONALISM. Londres: Weidenfeld &amp; Nicolson, 1997.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> GELLNER, E. &ndash; <i>Nations and Nationalism.</i> Ithaca: Cornell University Press, 1983.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> HOBSBAWM, E. J. &ndash; <i>Nations and Nationalism since 1780, Programme, Myth, Reality</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Cambridge: Cambridge University Press, 1992, p. 10.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup><i>Ibidem,</i> p. 85.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 87.</p>     <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a> </sup>KOHN, H. &ndash; <i>The Idea of Nationalism, A Study in Its Origins and Background.</i> Nova York: The Macmillan Company, 1944, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> EM WOOLF, Stuart, ed. &ndash; <i>Nationalism in Europe, 1815 to The Present</i>. Londres: Routledge, 1996, p. 41.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Hayes, Carlton J. H. &ndash; &laquo;Nationalism: a religion&raquo;. In <i>Naval War College Review</i>. Vol. 14, 1961, pp. 5, 7.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> KOHN, H. &ndash; <i>The Idea of Nationalism, A Study in Its Origins and Background</i>, p. 15.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> LLOBERA, Joseph R. &ndash; <i>The God of Modernity</i>. Oxford: Berg, 1994, p. 120.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> COAKLEY, John &ndash; &laquo;&ldquo;Primordialism&rdquo; in nationalism studies: theory or ideology?&raquo;. In <i>Nations and Nationalism</i>. Vol. 24, N.&ordm; 2, 2018, pp. 327-347.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> BOTTOMORE, Tom &ndash; <i>Political Sociology</i>. Londres: Pluto Press, 1993.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Ainda que com varia&ccedil;&otilde;es quanto ao comportamento burgu&ecirc;s, como Bottomore bem identificou, na linha de Barrington Moore, em fun&ccedil;&atilde;o da maior ou menor for&ccedil;a dessa classe e do modo como esta percebia a presen&ccedil;a de outras classes sociais &ndash; e em particular as classes do movimento oper&aacute;rio &ndash; como potenciais amea&ccedil;as ao seu poder, o que nestes casos resultou numa defesa de vers&otilde;es mais conservadoras e autorit&aacute;rias de nacionalismo; <i>Ibidem</i>, p. 77.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> KUPCHAN, Charles A., ed. &ndash; <i>Nationalism and Nationalities in the New Europe</i>. Nova York: Cornell University Press, 1995, p. 2.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> GREENFELD, Liah &ndash; <i>Nationalism: Five Roads to Modernity</i>. Londres: Harvard University Press, 1992.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> ANDERSON, Benedict &ndash; <i>Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism.</i> Londres; Nova York: Verso, 2006, p. 7.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> O&rsquo;CONNOR, W. &ndash; <i>Ethnonationalism: The Quest for Understandings</i>. Princeton: Princeton University Press, 1994, p. 42.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> WOOLF, Stuart, ed. &ndash; <i>Nationalism in Europe, 1815 to The Present</i>, p. 50.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> BREUILLY, John &ndash; <i>Nationalism and the State</i>. Chicago: University of Chicago Press, 1994.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> HOBSBAWM, E. J. &ndash; <i>Nations and Nationalism since 1780</i>&hellip;, p. 191.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup><i>Ibidem,</i> p. 181.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> KOHN, H. &ndash; <i>The Idea of Nationalism, A Study in Its Origins and Background</i>, p. 17.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> <i>Ibidem,</i> p. 18.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Recorde-se o contributo cl&aacute;ssico de Barrington Moore Jr. com a sua obra <i>Social Origins of Dictatorship and Democracy &ndash; Lord and Peasant in the Making of the Modern World</i>, para a compreens&atilde;o dos diferentes pap&eacute;is que a sociedade e as suas classes, em rela&ccedil;&atilde;o com as estruturas de poder pol&iacute;tico, tiveram para os diferentes percursos do capitalismo e das democracias representativas, e que &eacute; ilustrativo da multiplicidade de fatores sociais, econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos e culturais respons&aacute;veis pela caminhada distinta de cada Estado em mat&eacute;ria econ&oacute;mica e pol&iacute;tica, e que aqui ousamos transpor para a quest&atilde;o nacional; MOORE Jr., Barrington &ndash; <i>Social Origins of Dictatorship and Democracy &ndash; Lord and Peasant in the Making of the Modern World</i>. Boston: Beacon Press, 1967.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> GINGRICH, Andre; BANKS, Marcus, eds. &ndash; <i>Neo-nationalism in Europe and Beyond: Perspectives from Social Anthropology</i>. Nova York: Berghahn Books, 2006.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup><i>Ibidem,</i> p. 3.</p>      ]]></body><back>
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