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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The 2019 European Elections were portrayed as an occasion for the extreme-right and radical right to become majoritarian, or at least, to gain enough importance to block the European integration. The press echoed these efforts of achieving a union of all populist and Eurosceptic right-wing parties in one parliamentarian bloc. However, the end result was not what was expected: the extreme-right is marginalized and the radical right, whose program focuses on nation survival, immigration, and identity, is still fragmented in the new European Parliament.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>TRINTA ANOS DO FIM DO COMUNISMO: O REGRESSO DOS NACIONALISMOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Uma &laquo;vaga populista na Europa&raquo;?</b></p>     <p><b>A &laquo;Populist wave in Europe&raquo;?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jean-Yves Camus</b></p>     <p>IRIS | 2 bis rue Mercoeur, 75011 Paris | <a href="mailto:camus@iris-france.org">camus@iris-france.org</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es de maio de 2019 para o Parlamento Europeu foram apresentadas pela extrema-direita e pela direita radical como a ocasi&atilde;o para se tornarem maiorit&aacute;rias ou, pelo menos, com peso suficiente para bloquear o aprofundamento da constru&ccedil;&atilde;o europeia. A comunica&ccedil;&atilde;o social repercutiu esses esfor&ccedil;os para alcan&ccedil;ar a uni&atilde;o de todos os partidos populistas e euroc&eacute;ticos de direita num grupo parlamentar. No entanto, os resultados do escrut&iacute;nio s&atilde;o reduzidos: a extrema-direita encontra-se marginalizada e as direitas radicais, cujo programa se articula em torno da sobreviv&ecirc;ncia nacional, da imigra&ccedil;&atilde;o e da identidade, permanecem fragmentadas no seio da nova assembleia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Parlamento Europeu, extrema-direita, direita radical, populismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The 2019 European Elections were portrayed as an occasion for the extreme-right and radical right to become majoritarian, or at least, to gain enough importance to block the European integration. The press echoed these efforts of achieving a union of all populist and Eurosceptic right-wing parties in one parliamentarian bloc. However, the end result was not what was expected: the extreme-right is marginalized and the radical right, whose program focuses on nation survival, immigration, and identity, is still fragmented in the new European Parliament.</p>     <p><b>Keywords:</b> European Parliament, extreme-right, radical right, populism.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Desde a d&eacute;cada de 1990 que os partidos denominados de extrema-direita, direita radical, populistas de direita ou nacional-populistas s&atilde;o, indiscutivelmente, o objeto mais analisado pelos cientistas pol&iacute;ticos, ao ponto de se tornar dif&iacute;cil acompanhar o aumento consider&aacute;vel das publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas sobre o tema. Infelizmente, uma moda vem atr&aacute;s da outra; agora, o &laquo;populismo&raquo; &eacute; o objeto favorito dos investigadores e os esfor&ccedil;os de conceptualiza&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o parecem escapar &agrave; massa de jornalistas que relatam a atualidade desta fam&iacute;lia de contornos ainda mais difusos do que a da extrema-direita. Assim, no momento de desenhar uma cartografia da extrema-direita ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de 26 de maio de 2019 para o Parlamento Europeu, imp&otilde;e-se, como introdu&ccedil;&atilde;o, clarificar as defini&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BREVE TENTATIVA DE DEFINI&Ccedil;&Otilde;ES</b></p>     <p>A tentativa mais conseguida de definir a extrema-direita &eacute; a do cientista pol&iacute;tico holand&ecirc;s Cas Mudde num artigo de refer&ecirc;ncia escrito em 1996, ou seja, em pleno per&iacute;odo de enorme avan&ccedil;o eleitoral de partidos como o Partido da Liberdade da &Aacute;ustria (FP&Ouml;) austr&iacute;aco, o Vlaams Blok flamengo, que depois se tornou Vlaams Belang (&laquo;Interesse Flamengo&raquo;), a Frente Nacional (FN) francesa [que em 2018 passou a chamar-se Reagrupamento Nacional (RN)], a Liga Norte e a Alian&ccedil;a Nacional italianas (a segunda entretanto desaparecida), os Democratas Suecos e, em menor medida, o Partido Nacional Democrata (NPD) alem&atilde;o. As caracter&iacute;sticas ideol&oacute;gicas que, segundo Mudde, permitiam definir um partido como sendo de extrema-direita eram: o nacionalismo; o racismo; a xenofobia; a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia; e a vontade de um Estado forte<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Ora, em 2019, esta defini&ccedil;&atilde;o sint&eacute;tica coloca um problema duplo. Uma parte dos partidos citados, e de muitos outros, defende-se acerrimamente da acusa&ccedil;&atilde;o de perten&ccedil;a &agrave; extrema-direita, que continua vista como uma categoria infame por evocar, na psique coletiva, o fascismo e o nazismo<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. E, mesmo que o investigador n&atilde;o tenha de se conformar com o vocabul&aacute;rio que estes partidos utilizam para se autodefinirem (geralmente: &laquo;patriotas&raquo; ou &laquo;direita nacional&raquo;), necessita de considerar realidades incontest&aacute;veis. Entre elas est&aacute; o facto de quase todos os partidos de &laquo;extrema-direita&raquo; participarem em elei&ccedil;&otilde;es, de alguns ganharem assentos em assembleias deliberativas, do n&iacute;vel municipal ao nacional, e de possivelmente participarem no governo sem que a forma democr&aacute;tica do Estado tenha sido substitu&iacute;da por uma ditadura (veja-se o caso da &Aacute;ustria). H&aacute; ainda a quest&atilde;o do racismo, no sentido da hierarquiza&ccedil;&atilde;o das ra&ccedil;as e preconiza&ccedil;&atilde;o do estabelecimento de discrimina&ccedil;&otilde;es com base na apar&ecirc;ncia racial ou &eacute;tnica, que se transformou, para se tornar cultural e diferencialista: o etnodiferencialismo<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> postula, n&atilde;o a exist&ecirc;ncia de uma ra&ccedil;a branca superior, mas a exist&ecirc;ncia de um referencial de valores espec&iacute;fico a cada etnia, a cada cultura, que somente pode prosperar verdadeiramente no territ&oacute;rio de origem respetivo, e sem mistura com os outros, contrariamente ao que quer a sociedade multicultural, que corre o risco da perda de identidade por mesti&ccedil;agem e da guerra civil pelo confronto de valores antagonistas. Esta forma de pensar n&atilde;o ser&aacute;, certamente, conforme ao ideal que, desde o iluminismo, postula a universalidade do Homem, mas j&aacute; n&atilde;o &eacute; apan&aacute;gio da extrema-direita: o Fidez h&uacute;ngaro do primeiro-ministro Viktor Orb&aacute;n, membro do Partido Popular Europeu (PPE), e o partido conservador polaco Lei e Justi&ccedil;a, no poder, t&ecirc;m esta opini&atilde;o, como a Nova Alian&ccedil;a Flamenga (NVA) do presidente da c&acirc;mara de Antu&eacute;rpia, Bart De Wever.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As direitas antes consideradas extremas pela filia&ccedil;&atilde;o nas ideologias autorit&aacute;rias ou fascistas s&atilde;o agora bem menos importantes, em termos de sucesso eleitoral, que as direitas populistas radicais. Cas Mudde indica que a diferen&ccedil;a entre as duas reside na rela&ccedil;&atilde;o com a norma democr&aacute;tica. Enquanto a extrema-direita defende um total antagonismo aos valores que fazem o consenso nas democracias, as direitas populistas radicais apresentam-se como verdadeiras defensoras destas contra um seu suposto desvirtuamento pelas &laquo;elites&raquo; em detrimento do povo, que afirmam representar. A exig&ecirc;ncia da substitui&ccedil;&atilde;o da democracia representativa pela democracia direta pretende encarnar uma soberania popular verdadeira e total; a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia, a afirma&ccedil;&atilde;o da soberania nacional, sobre a qual se constru&iacute;ram os estados modernos, a rejei&ccedil;&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o extraeuropeia, do isl&atilde;o e da sociedade multicultural defende, em nome do &laquo;direito &agrave; diferen&ccedil;a&raquo;, o direito dos povos de permanecerem eles mesmos, face a uma mundializa&ccedil;&atilde;o massificante e imposta do alto pelo todo-poderoso capitalismo financeiro. Houve, portanto, uma muta&ccedil;&atilde;o: a extrema-direita da terceira vaga nacional-populista dos anos 1980 soube adaptar-se &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do combate pol&iacute;tico no s&eacute;culo XXI, ou seja, sem anacronismo nem nostalgia pelas ideologias fascistas ou reacion&aacute;rias dos anos 1930-1940, deixando os sect&aacute;rios confinados &agrave;s margens da sociedade e aos grup&uacute;sculos abertamente racistas, e por vezes antissemitas, e conspiracionistas violentos que n&atilde;o excluem o uso da for&ccedil;a para a conquista do poder<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Finalmente, &eacute; necess&aacute;rio precisar que as direitas populistas radicais [categoria na qual, como se ver&aacute;, podemos colocar o RN, o FP&Ouml;, o Alternativa para a Alemanha (AfD) ou ainda a Liga de Matteo Salvini] n&atilde;o s&atilde;o, em nenhum dos casos, simples populismos. O populismo &eacute;, de facto, uma doutrina pol&iacute;tica que estipula que a democracia s&oacute; &eacute; efetiva se o povo tiver a possibilidade de n&atilde;o s&oacute; eleger, como controlar os seus representantes no decurso do mandato (pelo procedimento da destitui&ccedil;&atilde;o), e tomar iniciativas, atrav&eacute;s do referendo de iniciativa cidad&atilde; (mais frequentemente denominado &agrave; direita &laquo;de iniciativa popular&raquo;) sobre todas as propostas que, do n&iacute;vel local ao constitucional, possam modificar os textos em vigor, incluindo os tratados constitucionais. Assente nesta defini&ccedil;&atilde;o, o populismo tanto pode ser de direita como de esquerda. A forma de oposi&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica entre &laquo;o povo&raquo; e &laquo;as elites&raquo; &eacute;, tamb&eacute;m ela, tanto de direita como de esquerda. Mas os populismos radicais de direita distinguem-se quase sempre dos de esquerda sobre a quest&atilde;o da identidade nacional, da escolha da sociedade fechada ou aberta, da &laquo;prefer&ecirc;ncia nacional&raquo; e, portanto, do estatuto dos estrangeiros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS DIREITAS EXTREMAS E RADICAIS: AS SUAS ESPERAN&Ccedil;AS ANTES DAS EUROPEIAS DE MAIO DE 2019</b></p>     <p>Durante a campanha para as elei&ccedil;&otilde;es europeias, ocorridas no dia 26 de maio de 2019, realizaram-se negocia&ccedil;&otilde;es intensivas entre as direitas populistas radicais para que a dispers&atilde;o de nacionalistas, soberanistas e populistas no novo Parlamento Europeu fosse menor que na legislatura precedente. O parlamento eleito em maio de 2014 era uma assembleia em que os partidos <i>mainstream</i> conservavam uma larga maioria. Em 751 assentos, os grupos Partido dos Socialistas Europeus (PSE), Alian&ccedil;a dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE) e PPE dispunham de 479 eleitos. Entretanto, a FN lograra constituir um grupo parlamentar de 39 membros, de que era a coluna vertebral, com 24 eleitos, contando com o Partido para a Liberdade (PVV) do holand&ecirc;s Geert Wilders, a Liga Norte italiana, o FP&Ouml; austr&iacute;aco de Heinz-Christian Strache, os independentistas flamengos do Vlaams Belang, dois polacos do Congresso da Nova Direita (KNP, uma forma&ccedil;&atilde;o socialmente ultraconservadora mas economicamente libert&aacute;ria) e um nacionalista romeno. Este grupo parlamentar chamado Europa das Na&ccedil;&otilde;es e das Liberdades, todavia, encontrou concorr&ecirc;ncia noutros dois grupos soberanistas de direita. O primeiro, Europa da Liberdade e da Democracia Direta (EFDD), de natureza muito heter&oacute;clita (inclui os italianos do MoVimento 5 Estrelas), contava entre os 42 membros com os franceses dos Patriotas, uma cis&atilde;o da FN, dois franceses do Debout la France, dirigido por Nicolas Dupont-Aignan e, no fim da legislatura, com os 14 deputados do Brexit Party fundado por Nigel Farage, ideologicamente conservadores de direita em quest&otilde;es sociais, nacionalistas antieuropeus e, na verdade, bem pr&oacute;ximos do que Donald Trump pode representar no seio do Partido Republicano americano. O segundo destes grupos, o dos Conservadores e Reformistas Europeus (CRE), existente desde 2009, pelo contr&aacute;rio, era um advers&aacute;rio mais s&eacute;rio, porque inclu&iacute;a as duas forma&ccedil;&otilde;es escandinavas (Partido do Povo Dinamarqu&ecirc;s; Verdadeiros Finlandeses) com um impacto real sobre a atividade governamental dos seus pa&iacute;ses, como a NVA<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>, tamb&eacute;m parte do governo, a Alian&ccedil;a Nacional let&atilde; e, sobretudo, o partido conservador polaco no poder, o Lei e Justi&ccedil;a. A desintegra&ccedil;&atilde;o das direitas populistas radicais seria, em certa medida, mais completa se o Fidez, o partido h&uacute;ngaro dirigido pelo primeiro-ministro Viktor Orb&aacute;n, suspenso do PPE a 20 de mar&ccedil;o de 2019, tivesse sido mesmo exclu&iacute;do. &Eacute;, portanto, compreens&iacute;vel que os dois principais atores das direitas radicais, Marine Le Pen e Matteo Salvini, tenham jurado juntar o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel &agrave; sua volta. Mas juntar quem, e em torno de que projeto?</p>     <p>Tr&ecirc;s tentativas de uni&atilde;o tiveram lugar durante a campanha, uma impulsionada pelos Estados Unidos, as outras duas pela Europa. Desde os Estados Unidos, o antigo diretor de campanha de Donald Trump, Steve Bannon, tentou unificar as direitas radicais europeias numa organiza&ccedil;&atilde;o por ele denominada &laquo;O Movimento&raquo;, baseada em Bruxelas e confiada ao advogado belga Mischia&euml;l Modrikamen, fundador e dirigente de uma pequena forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de sucesso mais que modesto (1,11% dos votos nas elei&ccedil;&otilde;es para a C&acirc;mara dos Representantes em 2019, nenhum assento nas institui&ccedil;&otilde;es parlamentares regionais ou nacionais belgas). Bannon, galvanizado pela vit&oacute;ria de Trump e pelo Brexit, e sem d&uacute;vida por sua iniciativa e talvez com financiamentos privados do outro lado do Atl&acirc;ntico, segundo o di&aacute;rio franc&ecirc;s <i>Le Monde</i><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>, tentou agregar os partidos do grupo Europa das Na&ccedil;&otilde;es e das Liberdades (nomeadamente o RN, que acolhera como orador de abertura no seu congresso de 2018), o Brexit Party do amigo Nigel Farage, os nacionais-cat&oacute;licos p&oacute;s-franquistas do Vox e at&eacute; o Fidesz. Entretanto, cometeu um duplo erro de an&aacute;lise, votando os seus intentos ao fracasso. Em primeiro lugar, nos Estados Unidos, Donald Trump triunfara nas presidenciais partindo do exterior do Partido Republicano, mas apenas vencera quando se tornara o candidato deste, gra&ccedil;as ao seu aparelho e aos seus eleitores; os partidos europeus que Bannon apoiava continuavam confinados, na sua imensa maioria, aos limites exteriores do <i>mainstream</i> pol&iacute;tico<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. O segundo erro de Bannon foi fazer-se representar como o salvador das direitas radicais, aquele que as iria conduzir ao poder, quando alguns j&aacute; l&aacute; estavam ou iriam estar bem antes da sua chegada &agrave; Europa ou, em todo o caso, obtinham resultados eleitorais not&aacute;veis, tornando-o redundante. A a&ccedil;&atilde;o de Bannon &eacute;, assim, um enxerto mal-amanhado de esquemas pr&oacute;ximos do Tea Party americano na realidade europeia. Partidos como o RN, ainda que aceitassem dar-lhe um papel de consultor, n&atilde;o tinham qualquer inten&ccedil;&atilde;o de o deixar apropriar-se da lideran&ccedil;a das direitas radicais.</p>     <p>A outra tentativa de unifica&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as fez-se sob a batuta de Marine Le Pen, por um lado, e de Matteo Salvini, por outro, com um objetivo comum mas com estrat&eacute;gias pessoais aparentemente divergentes. Sem entrar nos detalhes da campanha, podemos dizer que a presidente do RN, considerando-se dirigente de um partido que desempenha um papel motor na din&acirc;mica das direitas radicais desde as europeias de 1984, desejava alargar o grupo Movimento para a Europa das Na&ccedil;&otilde;es e das Liberdades (ENL) a todas as forma&ccedil;&otilde;es emergentes desta corrente de pensamento, sem alimentar ilus&otilde;es sobre a sua capacidade de se tornar um aliado aceit&aacute;vel para os polacos do Lei e Justi&ccedil;a, para o Fidez (em 2017, Jaroslaw Kaczynski desmentira todos os acordos ideol&oacute;gicos com ela<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> e Viktor Orb&aacute;n fizera o mesmo antes das europeias<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>) e mesmo para o Brexit Party. As desloca&ccedil;&otilde;es de campanha de Marine Le Pen ao estrangeiro foram ent&atilde;o organizadas em torno de dois eixos: primeiro, para reafirmar as alian&ccedil;as existentes, nomeadamente com o grande encontro dinamizado pela Liga a 18 de abril, em Mil&atilde;o, para os aliados do grupo ENL, e com as desloca&ccedil;&otilde;es a Praga [para apoiar Tomio Okamura do partido Liberdade e Democracia Direta (SPD) e a Bruxelas (para junto dos nacionalistas flamengos do Vlaams Belang]; em segundo lugar, para procurar potenciais aliados: na Est&oacute;nia, com os nacionais-conservadores do Partido Popular Conservador (EKRE), na Bulg&aacute;ria, com o partido Volva, e na Eslov&aacute;quia, com o partido Sme Rodina (&laquo;N&oacute;s Somos Fam&iacute;lia&raquo;). Matteo Salvini, por seu lado, tentou capitalizar a sua posi&ccedil;&atilde;o de vice-presidente do Conselho e de ministro do Interior, que lhe confere, mais ainda do que o resultado da Liga (17,35% nas legislativas de 2018), uma legitimidade superior &agrave; de Marine Le Pen. Encontrou-se com Orb&aacute;n a 2 de maio de 2019, depois de uma reuni&atilde;o com Kaczynski em janeiro. Salvini pode aproveitar-se das cimeiras europeias para expor as suas ideias acerca da imigra&ccedil;&atilde;o e do acolhimento aos refugiados, em contracorrente com o consenso dominante, mas protagonizando tamb&eacute;m, por redes sociais interpostas, uma rivalidade direta com o Presidente Macron. A impress&atilde;o que ressalta desta campanha &eacute; a de uma rivalidade entre Le Pen e Salvini, apesar da exibi&ccedil;&atilde;o de uma uni&atilde;o de fachada. O resultado do voto (34,26% para a Liga conduzida por Salvini, contra 23,34% para o RN numa lista em que Marine Le Pen figurava em &uacute;ltimo lugar) parece confirmar o papel fulcral que o partido italiano desempenhar&aacute; na constela&ccedil;&atilde;o futura das direitas radicais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BONS RESULTADOS, MAS UMA UNI&Atilde;O FALHADA</b></p>     <p>Na noite dos resultados p&ocirc;de-se constatar que o <i>big bang</i> prometido pelas direitas radicais n&atilde;o acontecera. De facto, apesar dos bons, ou mesmo excelentes, resultados em certos pa&iacute;ses, n&atilde;o conseguiram desorganizar o equil&iacute;brio geral do Parlamento Europeu, nem constituir um grupo &uacute;nico. Pior: com 73 lugares (contra os 36 anteriores), o grupo Identidade e Democracia (ID), que sucedeu ao Movimento para a Europa das Na&ccedil;&otilde;es e das Liberdades, previa obter dois lugares de vice-presidente no Parlamento e duas presid&ecirc;ncias de comiss&otilde;es: mas n&atilde;o alcan&ccedil;ou nenhum, porque os outros grupos mantiveram um cord&atilde;o sanit&aacute;rio em redor dele. O equil&iacute;brio de for&ccedil;as no Parlamento foi singularmente modificado porque os democratas-crist&atilde;os do PPE e os sociais-democratas do PSE j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m capacidade de constituir sozinhos uma maioria absoluta, continuando, contudo, as duas maiores forma&ccedil;&otilde;es no hemiciclo. Ainda assim, o fim do bipartidarismo e a impossibilidade de manter a grande coliga&ccedil;&atilde;o existente desde h&aacute; quase quarenta anos n&atilde;o significa que as direitas radicais tenham tomado o controlo da institui&ccedil;&atilde;o para, como Marine Le Pen famosamente prometera, &laquo;reorientar profundamente a constru&ccedil;&atilde;o europeia&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. O grupo ID agrega 73 deputados. O seu presidente &eacute; Marco Zanni, um dos 28 eleitos da Liga, que ficou &agrave; frente dos 22 eleitos pelo RN. O AfD conquistou 11 lugares, mas com um resultado (11%) inferior ao obtido nas legislativas de 2017 (12,6%). O FP&Ouml; austr&iacute;aco, chegado em 2017 ao governo dirigido pelo conservador Sebastian Kurz gra&ccedil;as a um resultado (26%) em forte progress&atilde;o, sofreu um rev&eacute;s (17,2%) imput&aacute;vel ao esc&acirc;ndalo que rebentou uma semana antes das europeias, em que reca&iacute;ram sobre o l&iacute;der, Heinz-Christian Strache, fortes suspeitas de ter solicitado fundos a algu&eacute;m pr&oacute;ximo do Kremlin. Mesmo assim, continua a terceira for&ccedil;a do pa&iacute;s e demonstra que os supostos la&ccedil;os das direitas radicais com o poder russo, no caso do RN ou no da Liga<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, t&ecirc;m uma influ&ecirc;ncia marginal sobre os resultados eleitorais das direitas radicais. O Vlaams Belang flamengo continua um aliado fiel destas forma&ccedil;&otilde;es e os seus tr&ecirc;s deputados confirmam o regresso ao segundo lugar da cena pol&iacute;tica (13,1% dos votos na Flandres nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de 2018, 12,6% nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 26 de maio de 2019). Isto explica-se pelo facto de o partido ter sempre encarnado uma vers&atilde;o radical do nacionalismo flamengo, republicano e laico, assumindo a hist&oacute;ria do movimento nacionalista at&eacute; aos seus erros do per&iacute;odo 1940-1945, e sobretudo n&atilde;o tendo, contrariamente &agrave; NVA, jamais participado numa coliga&ccedil;&atilde;o governamental nacional, evitando a suspeita de &laquo;trair&raquo; o objetivo de secess&atilde;o da Flandres. Os checos do SPD finalmente alcan&ccedil;aram os seus dois lugares (9,14%, menos que os 10,64% das legislativas de 2017).</p>     <p>O verdadeiro motivo de satisfa&ccedil;&atilde;o do grupo ID &eacute; precisamente o seu alargamento &agrave; Europa do Norte e a tr&ecirc;s forma&ccedil;&otilde;es: os est&oacute;nios do EKRE &ndash; cuja sec&ccedil;&atilde;o juvenil, o Despertar Azul, toma de empr&eacute;stimo a ret&oacute;rica identit&aacute;ria da Alt-Right americana) &ndash; e, sobretudo, o Partido do Povo Dinamarqu&ecirc;s e os Verdadeiros Finlandeses. O Partido do Povo &eacute;, h&aacute; muito tempo, decisivo na pol&iacute;tica dinamarquesa, apoiando os governos de centro-direita no Parlamento sem neles participar, e trocando esse apoio pela aprova&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o extremamente restritiva sobre a imigra&ccedil;&atilde;o e o direito de asilo. O Partido do Povo deve o sucesso a uma ideologia nativista associada a posi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas favor&aacute;veis &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de prote&ccedil;&atilde;o social para os trabalhadores nacionais. Ainda que esteja em queda (8,7% nas legislativas de 2019 e 10,76% nas europeias, contra 21,1% em 2015) e, neste momento, na oposi&ccedil;&atilde;o ao governo minorit&aacute;rio social-democrata, o seu envolvimento &eacute; uma vit&oacute;ria simb&oacute;lica para Marine Le Pen, com quem sempre se recusara aliar, por a considerar de extrema-direita. Os Verdadeiros Finlandeses, dirigidos por Jussi Halla-aho, tamb&eacute;m evolu&iacute;ram no seu posicionamento. Partido agr&aacute;rio na origem, conservador no plano dos valores mais favor&aacute;veis ao papel do Estado na prote&ccedil;&atilde;o social e na salvaguarda do emprego, os Verdadeiros Finlandeses integraram um governo de centro-direita em 2015 e os seus deputados europeus juntaram-se ent&atilde;o ao grupo CRE. Quando, em 2017, o congresso do partido elegeu para a sua chefia j&aacute; n&atilde;o o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros Timo Soini mas o linguista Halla-aho, condenado em 2012 por incitamento &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica, consomou-se a viragem do movimento para uma direita radical identit&aacute;ria; o eleitorado seguiu a nova orienta&ccedil;&atilde;o e abandonou a fa&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria que, sentando-se no governo com Soini, lan&ccedil;ou o partido Reforma Azul. Nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2019, os Verdadeiros Finlandeses continuaram a ser a primeira forma&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, com 17,5% contra 0,97% para os dissidentes concorrentes. Mas o resultado dos Verdadeiros Finlandeses nas europeias (13,8%), e o regresso ao poder da esquerda e do centro em junho de 2019, parecem, como na Dinamarca, indiciar um refluxo da direita radical. Por vezes, imputa-se isto ao facto de as pol&iacute;ticas restritivas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o europeia, que serviram de b&uacute;ssola ideol&oacute;gica &agrave;s duas forma&ccedil;&otilde;es desde os anos 1980-1990, serem atualmente partilhadas por todo o espetro pol&iacute;tico, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o dos Verdes e da esquerda radical, e que, por isso, a direita identit&aacute;ria tenha perdido o que a distinguia aos olhos do eleitorado. No caso dinamarqu&ecirc;s, a emerg&ecirc;ncia de uma concorr&ecirc;ncia ainda mais radical sobre as quest&otilde;es identit&aacute;rias, e em particular sobre a presen&ccedil;a do isl&atilde;o, ter&aacute; outra explica&ccedil;&atilde;o: a Nye Borgerlige (&laquo;Nova Direita&raquo;), que entrou no parlamento nacional em 2019 (2,4% e 4 eleitos) e a Stram Kurs (&laquo;Linha Dura&raquo;), dirigida pelo advogado Rasmus Paludan, que com 1,8% falhou por pouco um assento. Como outro exemplo de definhamento, veja-se tamb&eacute;m o Partido para a Liberdade, do holand&ecirc;s Geert Wilders, que n&atilde;o obteve qualquer lugar em Estrasburgo. Com 3,53% dos votos, prossegue a queda iniciada com as elei&ccedil;&otilde;es senatoriais de 2019 (6,46%) a favor do F&oacute;rum para a Democracia de Thierry Baudet. Com um programa de democracia direta, de euroceticismo e de princ&iacute;pios libert&aacute;rios em mat&eacute;ria de fiscalidade, este partido (14,53% nas senatoriais, 10,96% nas europeias), fortalecido por um certo magnetismo pessoal, rompe com o car&aacute;ter monoman&iacute;aco de Wilders, em que a fixa&ccedil;&atilde;o com o isl&atilde;o e os m&uacute;ltiplos fracassos na partilha do poder com a direita ter&atilde;o cansado os eleitores das camadas m&eacute;dias-superiores, agora aparentemente seduzidos por Baudet.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se a uni&atilde;o de todas as direitas radicais n&atilde;o se realizou, &eacute; porque v&aacute;rios protagonistas poss&iacute;veis n&atilde;o lhe deram seguimento. Desde o dia 6 de maio que Nigel Farage, cujo Brexit Party conquistaria 29 assentos, recusava a proposta da Liga de se sentar a seu lado<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. O desejo inicial de Farage fora a perpetua&ccedil;&atilde;o do grupo EFDD, a que presidia, mas as deser&ccedil;&otilde;es das direitas nacionais dinamarquesa e finlandesa e o fracasso da lista soberanista Debout la France e dos Patriotas, conduzidos por Florian Philippot tornaram a tarefa imposs&iacute;vel. Neste momento, os deputados do Brexit Party sentam-se com os n&atilde;o inscritos at&eacute; &agrave; sa&iacute;da efetiva do Reino Unido da Uni&atilde;o Europeia, e a sua partida n&atilde;o ter&aacute; qualquer repercuss&atilde;o no equil&iacute;brio dos outros grupos. O Fidez, por seu lado, escolheu ficar no seio do PPE, e o excelente resultado (51,48%) permitiu-lhe, com 13 lugares<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, negociar com o grupo concess&otilde;es sobre a sua autonomia ideol&oacute;gica. Na realidade, a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de grupos euroc&eacute;ticos de direita serviu ao CRE, o mais suscet&iacute;vel de representar uma alternativa cred&iacute;vel aos federalistas, e defensor de uma Uni&atilde;o Europeia que deixe bastante latitude aos estados-na&ccedil;&atilde;o, fundada sobre o princ&iacute;pio da subsidiariedade. Os partidos do CRE pretendem limitar a burocracia europeia e as suas interven&ccedil;&otilde;es normativas, criticam a sociedade multicultural e s&atilde;o favor&aacute;veis a uma imigra&ccedil;&atilde;o e a um direito de asilo muito apertados, mas t&ecirc;m uma express&atilde;o muito mais contida do que as direitas identit&aacute;rias e radicais. Entre os 62 membros do grupo CRE contam-se os eurodeputados do Lei e Justi&ccedil;a (45,38%) que, como o Fidez na Hungria, governam a Pol&oacute;nia segundo o modelo da &laquo;democracia iliberal&raquo;. O modelo de sociedade dos pa&iacute;ses do Grupo de Visegrado (fam&iacute;lia tradicional, ra&iacute;zes crist&atilde;s assumidas, patriotismo cuidadoso, apoio a uma economia de mercado que pese as necessidades espec&iacute;ficas da clientela eleitoral de camponeses, pequenos empres&aacute;rios, reformados) e, mais em geral, dos pa&iacute;ses da Europa Central e Oriental, encontra eco no seio do CRE, onde se sentam tamb&eacute;m os deputados eslovacos do Liberdade e Solidariedade, os checos do Partido Democr&aacute;tico C&iacute;vico (ODS), a eleita croata do Partido Conservador, Ruza Tomasic, vinda dos meios nacionalistas de filia&ccedil;&atilde;o Oustachi, e os let&otilde;es da Alian&ccedil;a Nacional. O peso dos parlamentares oriundos dos pa&iacute;ses ex-comunistas tamb&eacute;m se fez sentir de outra maneira: para eles, uma alian&ccedil;a com o FP&Ouml;, a Liga e o RN, que mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es estreitas com o partido no poder em Moscovo, seria dif&iacute;cil de explicar ao eleitorado, para quem a R&uacute;ssia, mesmo liberta do comunismo, permanece uma amea&ccedil;a geoestrat&eacute;gica, e a nato surge-lhes como uma prote&ccedil;&atilde;o. Aquilo a que se pode chamar a fam&iacute;lia das direitas nacional-conservadoras conseguiu ainda agregar tr&ecirc;s forma&ccedil;&otilde;es que ficariam igualmente bem no seio do Identidade e Democracia, n&atilde;o fora sentirem-se impedidas pelo desejo de n&atilde;o serem catalogadas na rubrica jornal&iacute;stica &laquo;extrema-direita&raquo;. Assim, os espanh&oacute;is do Vox, os Democratas Suecos (15,3%), que na sua cria&ccedil;&atilde;o, em 1988, foram marcados pela ideologia da supremacia branca, e os p&oacute;s-fascistas do Fratelli d&rsquo;Italia (&laquo;Irm&atilde;os de It&aacute;lia&raquo;) (6,4%), fizeram, ao juntar-se ao CRE, uma escolha t&aacute;tica que poder&aacute; evoluir durante o mandato &ndash; efetivamente, durante os cinco anos da legislatura, muitas vezes os grupos no Parlamento Europeu reconfiguram-se.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OS NEOFASCISTAS TOTALMENTE MARGINALIZADOS</b></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias demonstraram, finalmente, que os neofascistas nost&aacute;lgicos, e mesmo os que procuram, em v&atilde;o, adaptar a sua ideologia aos tempos atuais, s&atilde;o insignificantes. A Coliga&ccedil;&atilde;o adn, que inclui o que resta dos falangistas espanh&oacute;is, obteve 0,05%, laminado pelo voto &uacute;til em favor do Vox. Os italianos do CasaPound, que se intitulam &laquo;fascistas do terceiro mil&eacute;nio&raquo;, obtiveram 0,33%, e os seus concorrentes Forza Nuova, de tend&ecirc;ncia cat&oacute;lica integrista, 0,15%. O CasaPound, entretanto, renunciou &agrave; a&ccedil;&atilde;o eleitoral ap&oacute;s o escrut&iacute;nio, preferindo permanecer uma &laquo;comunidade militante&raquo; como a extrema-direita tem produzido desde os anos 1970, funcionando como uma sociedade alternativa e contrapeso nacionalista-revolucion&aacute;rio &agrave; contracultura da esquerda extraparlamentar. Os nacionalistas revolucion&aacute;rios belgas do Movimento Na&ccedil;&atilde;o, com 0,16%, n&atilde;o t&ecirc;m express&atilde;o e, em Fran&ccedil;a, a lista nacionalista identit&aacute;ria e radical da Dissid&ecirc;ncia Francesa obteve 4700 votos, provando que nada existe &agrave; direita de Marine Le Pen. Mesmo os tr&ecirc;s &laquo;grandes&raquo; partidos extremistas est&atilde;o em queda desde que o Partido Nacional Democrata alem&atilde;o perdeu o seu &uacute;nico eurodeputado<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, que o Aurora Dourada grego ficou sem metade dos seus eleitores (com 4,88%, det&eacute;m ainda dois assentos, mas perdeu toda a representa&ccedil;&atilde;o no parlamento nacional nas legislativas de 7 de julho de 2019) e que os h&uacute;ngaros do Mi Hazank (3,29%), cis&atilde;o radical do Jobbik<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>, n&atilde;o tiveram nenhum deputado. Existem duas exce&ccedil;&otilde;es. A primeira &eacute; a do partido cipriota elam (Frente Popular Nacional) que, com 8,25% (e um programa quase id&ecirc;ntico ao do Aurora Dourada e uma oposi&ccedil;&atilde;o feroz &agrave; Turquia que ocupa parte da ilha) apenas n&atilde;o tem um lugar por haver um patamar de representa&ccedil;&atilde;o fixado nos 10%. A segunda &eacute; a do Partido do Povo-Nossa Eslov&aacute;quia (LSNS), com 12,07%, que chega em segunda posi&ccedil;&atilde;o e cujo programa ultranacionalista, misturado com uma forma de &laquo;fascismo de esquerda&raquo; em mat&eacute;ria socioecon&oacute;mica e um ineg&aacute;vel racismo contra a minoria Rom &eacute;, de facto, a mais radical das forma&ccedil;&otilde;es com assento no Parlamento Europeu. Todos os deputados destas forma&ccedil;&otilde;es sentam-se, em Estrasburgo, entre os N&atilde;o Inscritos e s&atilde;o considerados, tanto pela Liga como pelo RN, como imposs&iacute;veis aliados, pela radicalidade, em especial o racismo e o antissemitismo, que v&atilde;o no sentido inverso dos esfor&ccedil;os de normaliza&ccedil;&atilde;o empreendidos pelas direitas radicais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>A extrema-direita tradicional e as direitas radicais n&atilde;o conseguiram fazer oscilar a maioria pol&iacute;tica no Parlamento Europeu e, ainda que possam ser &laquo;concorrentes&raquo; s&eacute;rios dos social-democratas, dos liberais e dos conservadores de tradi&ccedil;&atilde;o democrata-crist&atilde;, nada indica que tenham capacidade, no mandato do nono Parlamento Europeu, de p&ocirc;r termo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o europeia. A sua influ&ecirc;ncia ideol&oacute;gica, n&atilde;o obstante, ultrapassa de longe o seu peso aritm&eacute;tico. As direitas populistas radicais t&ecirc;m, em particular, uma influ&ecirc;ncia direta (pelos resultados eleitorais) mas tamb&eacute;m indireta no debate pol&iacute;tico, j&aacute; que as suas ideias for&ccedil;am os advers&aacute;rios a reformular o programa e a adaptar a pr&aacute;tica do poder para deter a sua progress&atilde;o. As direitas radicais s&atilde;o a fam&iacute;lia pol&iacute;tica ao lado da qual, ou contra a qual, cada um se determina acerca da quest&atilde;o das migra&ccedil;&otilde;es, da identidade e da soberania nacionais, o que acaba por lhes dar um poder de perturba&ccedil;&atilde;o, e fazer disto um est&iacute;mulo ou um contraponto. Este poder &eacute;, at&eacute;, mais forte que o fen&oacute;meno das direitas radicais &ndash; que, nos anos 1980, se acreditava ser um simples e ef&eacute;mero &laquo;surto populista&raquo; (a FN de Jean-Marie Le Pen era comparada ao poujadismo, mas o Movimento Poujade s&oacute; estivera representado no Parlamento de 1956 a 1958, enquanto que a FN se mant&eacute;m acima dos 10% desde 1984) &ndash; e, na maioria dos pa&iacute;ses, disp&otilde;e de uma base sociol&oacute;gica forte e dur&aacute;vel. As direitas radicais representam os &laquo;perdedores da mundializa&ccedil;&atilde;o&raquo;, como j&aacute; o anunciava Herbert Kitschelt em 1995<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>, ou seja, aqueles que mais sofreram economicamente com a globaliza&ccedil;&atilde;o e a crise econ&oacute;mica, porque perderam o emprego, viram o rendimento amputado ou temem a desclassifica&ccedil;&atilde;o social. O dem&oacute;grafo Herv&eacute; Le Bras sublinha que o voto em Marine Le Pen nas presidenciais de 2017 &eacute; mais elevado nos territ&oacute;rios suburbanos que acumulam desemprego, pobreza, propor&ccedil;&atilde;o de jovens sem diploma e fam&iacute;lias monoparentais<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. A candidata da FN obteve 37% do voto oper&aacute;rio e 32% dos empregados, 30% dos que t&ecirc;m a impress&atilde;o de exercer uma profiss&atilde;o em decl&iacute;nio, 43% dos votos dos que sobrevivem &laquo;muito dificilmente&raquo; com os rendimentos de que disp&otilde;em e 32% dos que disp&otilde;em de um rendimento mensal inferior a 1250 euros por m&ecirc;s. Na &Aacute;ustria, o FP&Ouml; ficou em terceiro lugar com 14,76% nas elei&ccedil;&otilde;es regionais da Baixa-&Aacute;ustria em 28 de janeiro de 2018, mas foi escolhido por 42% dos oper&aacute;rios, distante dos seus rivais conservadores e social-democratas (29% e 28%). O AfD alem&atilde;o em 2017 alcan&ccedil;ava o seu melhor resultado entre os oper&aacute;rios (18%) e as pessoas cujo n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o se ficava pela escola secund&aacute;ria (17%). Ainda assim, deve evitar-se interpreta&ccedil;&otilde;es mecanicistas da tend&ecirc;ncia geral de as direitas radicais recolherem a maioria dos votos junto dos cidad&atilde;os dos n&iacute;veis de rendimento mais fracos, dos menos instru&iacute;dos e dos que pertencem a uma classe trabalhadora j&aacute; n&atilde;o t&atilde;o homog&eacute;nea como nos anos da prosperidade econ&oacute;mica assente na produ&ccedil;&atilde;o industrial. Na sociedade p&oacute;s-industrial em que o emprego se tornou mais m&oacute;vel e mais prec&aacute;rio, em que o setor dos servi&ccedil;os tende a suplantar as atividades de produ&ccedil;&atilde;o e de transforma&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o que mais orienta o voto para a radicalidade de direita &eacute;, talvez, a atitude em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; modernidade: segundo um estudo da Funda&ccedil;&atilde;o Bertelsmann, dois ter&ccedil;os dos eleitores do AfD dizem-se &laquo;c&eacute;ticos quanto ao car&aacute;cter positivo da modernidade&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> que surge como geradora de ang&uacute;stia quer pela transforma&ccedil;&atilde;o dos contextos culturais, quer pela coloca&ccedil;&atilde;o em causa das possibilidades de ascens&atilde;o social cont&iacute;nua existentes na Europa durante as d&eacute;cadas de &laquo;<i>boom</i> econ&oacute;mico&raquo; (de 1950 a cerca de 1975). Os jovens que chegam ao mercado de trabalho com o n&iacute;vel mais baixo de diploma ser&atilde;o por isso mais sens&iacute;veis ao populismo xen&oacute;fobo do que os titulares de um diploma universit&aacute;rio: a Liga Norte atrai 19,6% daqueles cujos estudos terminaram no liceu mas apenas 13,2% dos que t&ecirc;m uma licenciatura; os trabalhos de D&aacute;niel R&oacute;na evidenciam claramente a correla&ccedil;&atilde;o entre a idade dos eleitores e a probabilidade do voto no Jobbik h&uacute;ngaro, incluindo entre os estudantes universit&aacute;rios sa&iacute;dos de um meio rural ou oper&aacute;rio, que pensam que, apesar do diploma, ser&atilde;o desfavorecidos em rela&ccedil;&atilde;o aos jovens das classes privilegiadas, representantes, para estes colegas, da elite &laquo;liberal&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Esta incerteza social, redobrada por uma ang&uacute;stia identit&aacute;ria que prov&eacute;m da transforma&ccedil;&atilde;o, bem real, das sociedades europeias em espa&ccedil;os abertos ao multiculturalismo, j&aacute; n&atilde;o encontra respostas numa social-democracia &aacute;tona. O &laquo;conservadorismo compassivo&raquo;, de George Bush, David Cameron e da direita francesa p&oacute;s-gaulista, que tende a conciliar a economia de mercado e a procura de um &oacute;timo coletivo que ofere&ccedil;a redes de seguran&ccedil;a aos mais desfavorecidos, est&aacute; avariado, como mostra o colapso dos conservadores brit&acirc;nicos e dos republicanos franceses nas europeias. Enquanto estas duas ideologias n&atilde;o conseguirem reconquistar o terreno perdido, as direitas radicais permanecer&atilde;o uma op&ccedil;&atilde;o que, na incapacidade de derrubar, como elas desejam, &laquo;o sistema&raquo;, continuar&atilde;o como um fator de instabilidade pol&iacute;tica a impedir o continente europeu de se tornar uma Europa pot&ecirc;ncia e de aprofundar, com o alargamento ou a devolu&ccedil;&atilde;o de novas prerrogativas, a experi&ecirc;ncia da Uni&atilde;o Europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BERDAH, Arthur &ndash; &laquo;Orban se tient &agrave; distance de Le Pen: &ldquo;Wauquiez m&rsquo;a pr&eacute;venu que c&rsquo;&eacute;tait une ligne rouge&rdquo;&raquo;. In <i>Le Figaro</i>. 13 de mar&ccedil;o de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lefigaro.fr/elections/europeennes/orban-se-tient-a-distance-de-le-pen-wauquiez-m-a-prevenu-que-c-etait-une-ligne-rouge-20190513" target="_blank">http://www.lefigaro.fr/elections/europeennes/orban-se-tient-a-distance-de-le-pen-wauquiez-m-a-prevenu-que-c-etait-une-ligne-rouge-20190513</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DE LA BAUME, Ma&iuml;a &ndash; &laquo;Farage won&rsquo;t join group that contains Salvini&rsquo;s League&raquo;. In <i>Politico</i>. 6 de maio de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.politico.eu/article/brexit-party-nigel-farage-wont-join-matteo-salvini-led-alliance-in-european-parliament/" target="_blank">https://www.politico.eu/article/brexit-party-nigel-farage-wont-join-matteo-salvini-led-alliance-in-european-parliament/</a>.</p>     <p>KITSCHELT, Herbert &ndash; <i>The Radical Right in Western Europe: A Comparative Analysis</i>. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1995.</p>     <p>LE BRAS, Herv&eacute; &ndash; &laquo;La France in&eacute;gale: Qui vote FN? Pas forc&eacute;ment ceux &agrave; qui l&rsquo;on pense&raquo;. In <i>The Conversation</i>. 9 de abril de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://theconversation.com/la-france-inegale-qui-vote-fn-pas-forcement-ceux-a-qui-lon-pense-75977" target="_blank">https://theconversation.com/la-france-inegale-qui-vote-FN-pas-forcement-ceux-a-qui-lon-pense-75977</a>.</p>     <p>LELOUP, Damien &ndash; &laquo;Des milliardaires am&eacute;ricains financent discr&egrave;tement des campagnes de d&eacute;sinformation en Europe&raquo;. In <i>Le Monde</i>. 7 de mar&ccedil;o de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.lemonde.fr/pixels/article/2019/03/07/des-milliardaires-americains-financent-discretement-des-campagnes-de-desinformation-en-europe_5432486_4408996.html" target="_blank">https://www.lemonde.fr/pixels/article/2019/03/07/des-milliardaires-americains-financent-discretement-des-campagnes-de-desinformation-en-europe_5432486_4408996.html</a>.</p>     <p>MUDDE, Cas &ndash; &laquo;The war of words defining the extreme right party family&raquo;. In <i>West</i><i>European Politics</i>. Vol. 19, N.&ordm; 2, 1996, pp. 225-248.</p>     <p>R&Oacute;NA, D&aacute;niel &ndash; &laquo;Far-Right generation? Reasons behind the popularity of Jobbik among the youth&raquo;. <i>European Consortium for Political Research</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ecpr.eu/Filestore/PaperProposal/d599a34f-cafd-4bfa-87ad-9ae9f1956ba4.pdf" target="_blank">https://ecpr.eu/Filestore/PaperProposal/d599a34f-cAfD-4bfa-87ad-9ae9f1956ba4.pdf</a>.</p>     <p>TAGUIEFF, Pierre-Andr&eacute; &ndash; &laquo;Le n&eacute;o-racisme diff&eacute;rentialiste. Sur l&rsquo;ambigu&iuml;t&eacute; d&rsquo;une &eacute;vidence commune et ses effets pervers&raquo;. In <i>Langage et Soci&eacute;t&eacute;</i>. N.&deg; 34, 1985, pp. 69-98.</p>     <p>TIZIAN, Giovanni; VERGINE, Stafano &ndash; <i>Il libro nero della Lega</i>. Bari: Editori Laterza, 2019.</p>     <p>&laquo;UE: Marine Le Pen se dit proche du Polonais Kaczynski qui d&eacute;ment tout projet de &ldquo;Polexit&rdquo;&raquo;. <i>RTBF</i>. 13 de mar&ccedil;o de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a title="https://www.rtbf.be/info/monde/detail_ue-marine-le-pen-se-dit-proche-du-polonais-kaczynski-qui-dement-tout-projet-de-polexit?id" href="https://www.rtbf.be/info/monde/detail_ue-marine-le-pen-se-dit-proche-du-polonais-kaczynski-qui-dement-tout-projet-de-polexit?id" target="_blank">https://www.rtbf.be/info/monde/detail_ue-marine-le-pen-se-dit-proche-du-polonais-kaczynski-qui-dement-tout-projet-de-polexit?id=9553193.</a></p>     <p>VEHRKAMP, Robert &ndash; &laquo;Bundestagswahl 2017: Wahlergebnis zeigt neue Konfliktlinie der Demokratie&raquo; [Press release]. In <i>Bertelsmann Stiftung</i>. 6 de outubro de 2017. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.bertelsmann-stiftung.de/en/press/press-releases/press-release/pid/bundestagswahl-2017-wahlergebnis-zeigt-neue-konfliktlinie-der-demokratie/" target="_blank">https://www.bertelsmann-stiftung.de/en/press/press-releases/press-release/pid/bundestagswahl-2017-wahlergebnis-zeigt-neue-konfliktlinie-der-demokratie/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 29 de abril de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 17 de maio de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> MUDDE, Cas &ndash; &laquo;The war of words defining the extreme right party family&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 19, N.&ordm; 2, 1996, pp. 225-248.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Desde 1992 que Jean Madiran, jornalista cat&oacute;lico tradicionalista que dirigia o di&aacute;rio Pr&eacute;sent, pr&oacute;ximo da FN, publicava uma brochura para denunciar a &laquo;cal&uacute;nia oficial&raquo; que consistia em manter o partido fora do campo republicano pela utiliza&ccedil;&atilde;o da etiqueta &laquo;extrema-direita&raquo; (cf. Jean <i>Madiran, Extr&ecirc;me droite? Ah non, assez!</i>, brochure, n.&deg; hors-s&eacute;rie do di&aacute;rio <i>Pr&eacute;sent</i>, 3.&ordm; trimestre de 1991.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Cf. TAGUIEFF, Pierre-Andr&eacute; &ndash; &laquo;Le n&eacute;o-racisme diff&eacute;rentialiste. Sur l&rsquo;ambigu&iuml;t&eacute; d&rsquo;une &eacute;vidence commune et ses effets pervers&raquo;. In <i>Langage et Soci&eacute;t&eacute;</i>. N.&deg; 34, 1985, pp. 69-98, do special issue &laquo;Quelles diff&eacute;rences? Identit&eacute;, exclusion, racisation&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Estes grup&uacute;sculos compensam muitas vezes o seu fraco impacto pol&iacute;tico pela multiplica&ccedil;&atilde;o de encontros internacionais entre movimentos de diferentes pa&iacute;ses. No dia 10 de agosto de 2019, em Lisboa, a Nova Ordem Social, dirigida por M&aacute;rio Machado, reuniu Yvan Benedetti, do grupo franc&ecirc;s Les Nationalistes; Mattias Deyda, do movimento neonazi alem&atilde;o Die Rechte; Francesca Rizzi (Autonomia Nationalista, It&aacute;lia); Josele Sanchez (la Tribuna de Espana); os polacos do Campo Nacional-Radical; e os b&uacute;lgaros da Resist&ecirc;ncia Nacional.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Partido economicamente liberal, a NVA &eacute; uma s&iacute;ntese interessante de um nacionalismo flamengo que adota a respeitabilidade democr&aacute;tica mas &eacute; muito firme na sua vontade de separa&ccedil;&atilde;o a prazo da B&eacute;lgica, como sobre uma conce&ccedil;&atilde;o da cidadania fundada na no&ccedil;&atilde;o de &laquo;cultura dominante&raquo;, sa&iacute;da primeiro do direito romano e da cidadania ateniense, e da tradi&ccedil;&atilde;o judaico-crist&atilde; e dos valores das Luzes. Este projeto, exposto por Bart De Wever no seu livro <i>Over identiteit</i> (Sobre a Identidade), de 2019, inscreve-se no movimento contra o relativismo cultural e coloca condi&ccedil;&otilde;es &agrave; compatibilidade entre identidades mu&ccedil;ulmanas e cidad&atilde;s.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Cf. LELOUP, Damien &ndash; &laquo;Des milliardaires am&eacute;ricains financent discr&egrave;tement des campagnes de d&eacute;sinformation en Europe&raquo;. In <i>Le Monde</i>. 7 de mar&ccedil;o de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.lemonde.fr/pixels/article/2019/03/07/des-milliardaires-americains-financent-discretement-des-campagnes-de-desinformation-en-europe_5432486_4408996.html" target="_blank">https://www.lemonde.fr/pixels/article/2019/03/07/des-milliardaires-americains-financent-discretement-des-campagnes-de-desinformation-en-europe_5432486_4408996.html</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Recordemos a este prop&oacute;sito que Nigel Farage, na &eacute;poca em que dirigia o UKIP, encabe&ccedil;ava uma forma&ccedil;&atilde;o cujos eleitores, sozinhos, n&atilde;o poderiam assegurar a vit&oacute;ria do &laquo;Leave&raquo; no referendo de 2016: 74% das circunscri&ccedil;&otilde;es detidas pelos conservadores votaram pela sa&iacute;da, e 64% das detidas pelo Labour. Foi o fracasso de Theresa May a negociar o Brexit que torna a dar vida &agrave; a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Farage, passando o UKIP dos 12,6% sob a sua dire&ccedil;&atilde;o nas legislativas de 2015 a 1,8% sem ele em 2017.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Cf. &laquo;UE: Marine Le Pen se dit proche du Polonais Kaczynski qui d&eacute;ment tout projet de &ldquo;Polexit&rdquo;&raquo;. <i>RTBF</i>. 13 de mar&ccedil;o de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.rtbf.be/info/monde/detail_ue-marine-le-pen-se-dit-proche-du-polonais-kaczynski-qui-dement-tout-projet-de-polexit?id=9553193" target="_blank">https://www.rtbf.be/info/monde/detail_ue-marine-le-pen-se-dit-proche-du-polonais-kaczynski-qui-dement-tout-projet-de-polexit?id=9553193</a>.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> BERDAH, Arthur &ndash; &laquo;Orban se tient &agrave; distance de Le Pen: &ldquo;Wauquiez m&rsquo;a pr&eacute;venu que c&rsquo;&eacute;tait une ligne rouge&rdquo;&raquo;. In <i>Le Figaro</i>. 13 de mar&ccedil;o de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lefigaro.fr/elections/europeennes/orban-se-tient-a-distance-de-le-pen-wauquiez-m-a-prevenu-que-c-etait-une-ligne-rouge-20190513" target="_blank">http://www.lefigaro.fr/elections/europeennes/orban-se-tient-a-distance-de-le-pen-wauquiez-m-a-prevenu-que-c-etait-une-ligne-rouge-20190513</a>.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Declara&ccedil;&atilde;o feita em Mil&atilde;o por ocasi&atilde;o de uma confer&ecirc;ncia de imprensa, a 18 de abril de 2019.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> A hip&oacute;tese de financiamento russo foi lan&ccedil;ada em fevereiro de 2019 com a publica&ccedil;&atilde;o de um livro dos jornalistas Giovanni Tizian e Stafano Vergine (TIZIANI, Giovanni; VERGINE, Stafano &ndash; <i>Il libro nero della Lega</i>. Bari: Editori Laterza, 2019).</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Cf. DE LA BAUME, Ma&iuml;a &ndash; &laquo;Farage won&rsquo;t join group that contains Salvini&rsquo;s League&raquo;. In <i>Politico</i>. 6 de maio de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.politico.eu/article/brexit-party-nigel-farage-wont-join-matteo-salvini-led-alliance-in-european-parliament/" target="_blank">https://www.politico.eu/article/brexit-party-nigel-farage-wont-join-matteo-salvini-led-alliance-in-european-parliament/</a>.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Depois da CDU-CSU, a delega&ccedil;&atilde;o do Fidesz e do seu aliado crist&atilde;o-democrata &eacute; a segunda no PPE, reduzido de 274 a 182 membros.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> O NPD conquistou 0,3%, o seu concorrente Die Rechte, 0,1%, e os neonazis de Dritte Weg, uns 12 mil votos.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> O Jobbik, a partir das legislativas de 2018, realizou uma recentragem ideol&oacute;gica, colocando &agrave; cabe&ccedil;a j&aacute; n&atilde;o o racismo anti-Rom, o antissemitismo e o nativismo xen&oacute;fobo, mas a sua oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica autocr&aacute;tica e economicamente liberal do governo de Orb&aacute;n. Nesta l&oacute;gica, aceitou falar com os outros partidos da oposi&ccedil;&atilde;o, com vista &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o de candidatos &uacute;nicos nas elei&ccedil;&otilde;es municipais de outubro de 2019. A sinceridade da convers&atilde;o ideol&oacute;gica do Jobbik &eacute; debatida.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> KITSCHELT, Herbert &ndash; <i>The Radical Right in Western Europe: A Comparative Analysis</i>. Ann Arbor: University of Michigan Press, 1995.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Ver LE BRAS, Herv&eacute; &ndash; &laquo;La France in&eacute;gale: Qui vote FN? Pas forc&eacute;ment ceux &agrave; qui l&rsquo;on pense&raquo;. In <i>The Conversation</i>. 9 de abril de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://theconversation.com/la-france-inegale-qui-vote-fn-pas-forcement-ceux-a-qui-lon-pense-75977" target="_blank">https://theconversation.com/la-france-inegale-qui-vote-FN-pas-forcement-ceux-a-qui-lon-pense-75977</a>.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Ver VEHRKAMP, Robert &ndash; &laquo;Bundestagswahl 2017: Wahlergebnis zeigt neue Konfliktlinie der Demokratie&raquo; [Press release]. In <i>Bertelsmann Stiftung</i>. 6 de outubro de 2017. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.bertelsmann-stiftung.de/en/press/press-releases/press-release/pid/bundestagswahl-2017-wahlergebnis-zeigt-neue-konfliktlinie-der-demokratie/" target="_blank">https://www.bertelsmann-stiftung.de/en/press/press-releases/press-release/pid/bundestagswahl-2017-wahlergebnis-zeigt-neue-konfliktlinie-der-demokratie/</a>.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Ver R&Oacute;NA, D&aacute;niel &ndash; &laquo;Far-Right generation? Reasons behind the popularity of Jobbik among the youth&raquo;. <i>European Consortium for Political Research</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ecpr.eu/Filestore/PaperProposal/d599a34f-cafd-4bfa-87ad-9ae9f1956ba4.pdf" target="_blank">https://ecpr.eu/Filestore/PaperProposal/d599a34f-cAfD-4bfa-87ad-9ae9f1956ba4.pdf</a>.</p>      ]]></body><back>
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