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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Quatro abordagens sobre a interação entre cientistas e estados nas relações internacionais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article presents and contrasts four approaches to the interaction between scientists and states in international relations: the Science Diplomacy approach, according to which international scientific collaboration is influenced by state strategies; the Epistemic Communities approach, which argues that international expert networks can influence cooperation between states; the Network approach, according to which international scientific cooperation exhibits dynamics of their own, being little influenced by states; and the Transnational approach, which recognizes the agency of scientists in international collaboration, but reaffirms the importance of states in their promotion. By introducing a typology of approaches that come from different areas in social sciences the article aims at contributing to the advancement of multidisciplinary research focused on the interaction between science and international relations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Quatro abordagens sobre a intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e estados nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais</b></p>     <p><b>Four approaches to the interaction between scientists and states in international relations</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Iara Costa Leite* e Nicole Aguilar Gayard**</b></p>     <p>* Universidade Federal de Santa Catarina | R. Eng. Agron&ocirc;mico Andrei Cristian Ferreira, s/n &ndash; Trindade, Florian&oacute;polis &ndash; SC, 88040-900 | <a href="mailto:iaracleite@hotmail.com">iaracleite@hotmail.com</a></p>     <p>** Cebrap | R. Morgado de Mateus, 615 &ndash; Vila Mariana, S&atilde;o Paulo &ndash; SP, 04015-051 | <a href="mailto:nicolegayard@gmail.com">nicolegayard@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo apresenta e contrasta quatro abordagens acerca da intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e estados nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais: a abordagem da diplomacia cient&iacute;fica, segundo a qual a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional &eacute; influenciada por estrat&eacute;gias de Estado; a abordagem das comunidades epist&ecirc;micas, que argumenta que redes de <i>expertise</i> internacionais podem influenciar a coopera&ccedil;&atilde;o entre estados; a abordagem das redes, de acordo com a qual a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional apresenta din&acirc;micas pr&oacute;prias, sendo pouco influenciada pelos estados; e a abordagem transnacional, que reconhece a ag&ecirc;ncia dos cientistas na colabora&ccedil;&atilde;o internacional, mas reafirma a import&acirc;ncia dos estados na sua promo&ccedil;&atilde;o. Ao apresentar uma tipologia de abordagens oriundas de diversas &aacute;reas das ci&ecirc;ncias sociais o artigo busca contribuir para o avan&ccedil;o de pesquisas multidisciplinares sobre as interfaces entre ci&ecirc;ncia e rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> ci&ecirc;ncia, Estado, rela&ccedil;&otilde;es internacionais, diplomacia cient&iacute;fica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article presents and contrasts four approaches to the interaction between scientists and states in international relations: the Science Diplomacy approach, according to which international scientific collaboration is influenced by state strategies; the Epistemic Communities approach, which argues that international expert networks can influence cooperation between states; the Network approach, according to which international scientific cooperation exhibits dynamics of their own, being little influenced by states; and the Transnational approach, which recognizes the agency of scientists in international collaboration, but reaffirms the importance of states in their promotion. By introducing a typology of approaches that come from different areas in social sciences the article aims at contributing to the advancement of multidisciplinary research focused on the interaction between science and international relations.</p>     <p><b>Keywords:</b> science, State, international relations, science diplomacy.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel identificar um crescente reconhecimento, entre te&oacute;ricos e <i>policymakers</i>, de que avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos impactam as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, seja ao transformar din&acirc;micas militares e econ&ocirc;micas, por exemplo ao criar novos armamentos ou dinamizar os fluxos econ&ocirc;micos internacionais, seja na gest&atilde;o de problemas comuns, como o aquecimento global. N&atilde;o obstante, apesar de ci&ecirc;ncia e tecnologia perpassarem din&acirc;micas e temas elementares estudados pela disciplina de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, como coopera&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o, seguran&ccedil;a e desenvolvimento, poucas contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas do campo se voltaram a compreender as dimens&otilde;es internacionais da ci&ecirc;ncia e da tecnologia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>An&aacute;lises sobre as interfaces entre rela&ccedil;&otilde;es internacionais e ci&ecirc;ncia e tecnologia v&ecirc;m sendo exploradas pelo campo multidisciplinar dos estudos sociais da ci&ecirc;ncia e tecnologia. Um ponto de partida fundamental das concep&ccedil;&otilde;es elaboradas consiste em perceber ci&ecirc;ncia e tecnologia como fen&ocirc;menos pol&iacute;ticos, produtos negociados das rela&ccedil;&otilde;es sociais, cuja produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o dependem dos processos de financiamento e regula&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Neste sentido, a din&acirc;mica de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica depende, de forma crucial, de como autoridades de negocia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o distribu&iacute;das entre v&aacute;rios atores sociais, e o Estado aparece como institui&ccedil;&atilde;o chave de media&ccedil;&atilde;o dessas rela&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>A compreens&atilde;o de que ci&ecirc;ncia e tecnologia s&atilde;o produtos de negocia&ccedil;&otilde;es sociais e, portanto, contingentes &agrave;s din&acirc;micas s&oacute;cio-pol&iacute;ticas existentes, coloca novas quest&otilde;es para pensar as estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas de atores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia e tecnologia no cen&aacute;rio internacional. Essas estrat&eacute;gias s&atilde;o elaboradas em um ambiente marcado por fluxos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos multidirecionais, originados em centros de produ&ccedil;&atilde;o orientados por interesses diversos, e difundidos por uma ampla variedade de canais, com a participa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos atores. No contexto internacional contempor&acirc;neo, destaca-se, para al&eacute;m do engajamento dos estados em pesquisa e desenvolvimento, a produ&ccedil;&atilde;o e financiamento cient&iacute;fico por grandes &laquo;patronos&raquo; privados: empresas multinacionais e organiza&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas.</p>     <p>O reconhecimento dessa multiplicidade de atores, din&acirc;micas e processos convida a uma revis&atilde;o de abordagens te&oacute;ricas que explorem a interface entre ci&ecirc;ncia e tecnologia e os atores que desenvolvem ou prov&ecirc;m <i>inputs</i> &agrave;s estrat&eacute;gias em &acirc;mbito internacional. Este artigo se debru&ccedil;a sobre abordagens que exploram a intera&ccedil;&atilde;o entre estados e cientistas. Esse foco permite mapear e sistematizar contribui&ccedil;&otilde;es de diversas &aacute;reas e sub&aacute;reas das ci&ecirc;ncias sociais sobre o tema, apresentando as diverg&ecirc;ncias e complementaridades entre elas. O interesse em explorar a intera&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica entre estes atores se justifica por duas raz&otilde;es principais. Por um lado, parte da literatura destaca que o fim do s&eacute;culo XX e o in&iacute;cio do XXI foram marcados por tend&ecirc;ncias de mitiga&ccedil;&atilde;o do &laquo;nacionalismo cient&iacute;fico&raquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> e desvincula&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia da patronagem e controle dos estados, ou &laquo;desnacionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Neste contexto, assiste-se &agrave; prolifera&ccedil;&atilde;o de redes internacionais envolvendo cientistas, conforme aponta o aumento de copublica&ccedil;&otilde;es internacionais, ao passo em que o baixo financiamento governamental a tais redes se configuraria como indicador da incid&ecirc;ncia limitada do Estado sobre a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Por outro lado, o avan&ccedil;o de pol&iacute;ticas de apoio &agrave; internacionaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, assim como reformas recentes realizadas na estrutura institucional da diplomacia cient&iacute;fica de diversos pa&iacute;ses<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, demonstram que a intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e estados nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais n&atilde;o pode ser entendida apenas como um fen&ocirc;meno do passado. A relev&acirc;ncia dessas interfaces no contexto internacional contempor&acirc;neo pode ser atestada, por exemplo, pelo financiamento europeu a pesquisas sobre os acordos bilaterais em ci&ecirc;ncia e tecnologia<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> e sobre a diplomacia cient&iacute;fica<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>Tendo em vista a import&acirc;ncia atual das din&acirc;micas elencadas, considera-se relevante identificar e contrapor abordagens te&oacute;ricas que explorem as rela&ccedil;&otilde;es entre estados e cientistas e que abram caminhos anal&iacute;ticos para futuros trabalhos acerca das interfaces entre ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica. Para tanto, este artigo apresenta e contrasta quatro abordagens sobre a intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e estados nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. A primeira se&ccedil;&atilde;o discute a perspectiva da diplomacia cient&iacute;fica, que explora a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional promovida pelos estados, sendo influenciada por seus objetivos e estrat&eacute;gias. A se&ccedil;&atilde;o seguinte aborda a teoria das comunidades epist&ecirc;micas, de acordo com a qual as redes cient&iacute;ficas podem influenciar as escolhas dos estados, levando &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o entre eles. A terceira se&ccedil;&atilde;o apresenta a abordagem das redes, segundo a qual a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional apresenta din&acirc;micas pr&oacute;prias, sendo pouco influenciada pelos estados, mas podendo ser influenciada por outras din&acirc;micas pol&iacute;ticas. A quarta se&ccedil;&atilde;o explora uma vertente espec&iacute;fica da abordagem transnacional da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia, que reconhece a ag&ecirc;ncia dos cientistas na colabora&ccedil;&atilde;o internacional, mas afirma que tal colabora&ccedil;&atilde;o contribui para atingir objetivos de Estado, ainda que os cientistas n&atilde;o tenham necessariamente consci&ecirc;ncia disso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; necess&aacute;rio sublinhar que a classifica&ccedil;&atilde;o proposta &eacute; tipol&oacute;gica, no sentido de que s&atilde;o estabelecidas linhas divis&oacute;rias entre as abordagens que n&atilde;o s&atilde;o necessariamente reconhecidas enquanto tal pelos seus expoentes. A ideia &eacute; ressaltar algumas caracter&iacute;sticas centrais de cada abordagem. O estabelecimento de linhas divis&oacute;rias entre elas &eacute; relevante n&atilde;o apenas para organizar as elabora&ccedil;&otilde;es de diversas &aacute;reas, contribuindo para promover o di&aacute;logo entre elas, mas tamb&eacute;m para introduzir limites conceituais necess&aacute;rios para garantir a diferencia&ccedil;&atilde;o e adequada compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos estudados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DIPLOMACIA CIENT&Iacute;FICA</b></p>     <p>A diplomacia cient&iacute;fica tem ganhado crescente aten&ccedil;&atilde;o de seus operacionalizadores e estudiosos, fomentando diferentes conceitua&ccedil;&otilde;es. A defini&ccedil;&atilde;o mais difundida &eacute; a da Royal Society em parceria com a American Association for the Advancement of Science. De acordo com a publica&ccedil;&atilde;o <i>New Frontiers in Science Diplomacy</i>,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;&ldquo;Diplomacia cient&iacute;fica&rdquo; ainda &eacute; um conceito fluido, mas que pode [&hellip;] ser aplicado ao papel da ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o em tr&ecirc;s dimens&otilde;es de pol&iacute;ticas: informar objetivos de pol&iacute;tica externa com aconselhamento cient&iacute;fico (ci&ecirc;ncia na diplomacia); facilitar a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional (diplomacia para a ci&ecirc;ncia); usar a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para promover rela&ccedil;&otilde;es internacionais entre pa&iacute;ses (ci&ecirc;ncia para a diplomacia)&raquo;<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Esta se&ccedil;&atilde;o se debru&ccedil;a sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia como instrumento da diplomacia, entendida, de forma restrita, como atua&ccedil;&atilde;o exclusiva aos estados<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Interessa, nesse sentido, identificar os prop&oacute;sitos dos estados ao promover a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional. No <a href="#q1">quadro 1</a>, esquematizamos diferentes prop&oacute;sitos recolhidos em dois trabalhos que s&atilde;o refer&ecirc;ncia para o estudo da diplomacia cient&iacute;fica.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n62/n62a07q1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nota-se que, em ambos os trabalhos, a diplomacia cient&iacute;fica &eacute; apresentada como mecanismo para exercer influ&ecirc;ncia, relacionada &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da imagem de um pa&iacute;s pujante em ci&ecirc;ncia e tecnologia como meio para criar uma predisposi&ccedil;&atilde;o positiva em rela&ccedil;&atilde;o ao pa&iacute;s que exerce influ&ecirc;ncia. Os casos citados com mais frequ&ecirc;ncia remetem a din&acirc;micas caracter&iacute;sticas da Guerra Fria, como a promo&ccedil;&atilde;o da colabora&ccedil;&atilde;o entre cientistas americanos e hom&oacute;logos chineses e japoneses a fim de afastar uma poss&iacute;vel influ&ecirc;ncia sovi&eacute;tica, mas tamb&eacute;m h&aacute; casos recentes, como a aproxima&ccedil;&atilde;o com cientistas de pa&iacute;ses de maioria isl&acirc;mica ap&oacute;s o 11/9<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>No entanto, para al&eacute;m de considera&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave; seguran&ccedil;a, tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel, a partir do quadro acima, relacionar a diplomacia cient&iacute;fica a objetivos de cunho econ&ocirc;mico, voltados a incrementar a rela&ccedil;&atilde;o entre cientistas e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa a fim de identificar e atrair talentos e acessar outros recursos que possam contribuir para a promo&ccedil;&atilde;o da venda de produtos de maior valor agregado. Prop&oacute;sitos econ&ocirc;micos s&atilde;o caracter&iacute;sticos, por exemplo, das pr&aacute;ticas alem&atilde;s, como demonstram a abertura de centros de ci&ecirc;ncia e inova&ccedil;&atilde;o em cidades como Moscou, Nova Deli, S&atilde;o Paulo e T&oacute;quio voltados para a promo&ccedil;&atilde;o da P&amp;D alem&atilde;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>Outros prop&oacute;sitos, talvez com maior &ecirc;nfase quando envolvam uma rela&ccedil;&atilde;o de tipo Norte-Sul, relacionam-se &agrave; necessidade de contribuir para a resolu&ccedil;&atilde;o conjunta de problemas globais em &aacute;reas de meio ambiente, sa&uacute;de, alimenta&ccedil;&atilde;o etc., embora em geral a literatura que sublinha esse aspecto pare&ccedil;a preferir o termo &laquo;coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica&raquo; ao termo &laquo;diplomacia cient&iacute;fica&raquo; (ver, por exemplo, Keenan<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>). Narrativas convergentes com esses prop&oacute;sitos aparecem, por exemplo, na defesa da necessidade de a ajuda para o desenvolvimento incorporar componentes relacionados ao fortalecimento das capacidades cient&iacute;ficas dos pa&iacute;ses mais pobres como meio para promover a solu&ccedil;&atilde;o de seus desafios de maneira sustent&aacute;vel<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Por fim, vale mencionar que h&aacute; prop&oacute;sitos mais associados &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia em si, como no caso dos projetos de <i>big science</i>, em que os pa&iacute;ses se juntam para dividir custos de pesquisas que requerem alto investimento. Aqui se enquadram, por exemplo, inciativas multinacionais como a Organiza&ccedil;&atilde;o Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), na Su&iacute;&ccedil;a, e o projeto do Extermely Large Telescope (ELT), que est&aacute; sendo constru&iacute;do no Chile.</p>     <p>Para al&eacute;m dos prop&oacute;sitos, um aspecto ressaltado pela literatura<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> s&atilde;o mudan&ccedil;as recentes na estrutura burocr&aacute;tica para promover a diplomacia cient&iacute;fica. Essas mudan&ccedil;as incluem: a cria&ccedil;&atilde;o de postos de conselheiros cient&iacute;ficos nos &oacute;rg&atilde;os respons&aacute;veis pela condu&ccedil;&atilde;o dos assuntos externos; o estabelecimento de redes de ci&ecirc;ncia e tecnologia abrigadas nas representa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas ou situadas pr&oacute;ximas a elas, seguindo modelo inaugurado pela Su&iacute;&ccedil;a com a SWISSNEX; a cria&ccedil;&atilde;o ou amplia&ccedil;&atilde;o de postos para adidos ou conselheiros cient&iacute;ficos em representa&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas, ocupados por diplomatas ou por funcion&aacute;rios de minist&eacute;rios de educa&ccedil;&atilde;o e pesquisa; e o lan&ccedil;amento de pol&iacute;ticas formais para a diplomacia cient&iacute;fica em diversos pa&iacute;ses, como Jap&atilde;o e Turquia.</p>     <p>Por&eacute;m, &eacute; importante ressaltar que a diplomacia cient&iacute;fica n&atilde;o inclui apenas entidades governamentais e as rela&ccedil;&otilde;es entre elas &ndash; governo-governo &ndash;, mas tamb&eacute;m a intera&ccedil;&atilde;o entre estados e seus respectivos cientistas, e suas institui&ccedil;&otilde;es e associa&ccedil;&otilde;es, para di&aacute;logo sobre sua atua&ccedil;&atilde;o internacional; e, ainda, a rela&ccedil;&atilde;o de atores governamentais de um pa&iacute;s com atores sociais ligados &agrave; ci&ecirc;ncia de outros pa&iacute;ses. Por essa raz&atilde;o, estudiosos da diplomacia cient&iacute;fica sugerem que ela seja interpretada a partir de pr&aacute;ticas contempor&acirc;neas da diplomacia, como a &laquo;diplomacia de rede&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>, <sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> .</p>     <p>Esta se&ccedil;&atilde;o se debru&ccedil;ou sobre o tema da diplomacia cient&iacute;fica, apresentando abordagens focadas na promo&ccedil;&atilde;o da colabora&ccedil;&atilde;o entre cientistas no &acirc;mbito internacional a partir de prop&oacute;sitos desenhados pelos estados. No entanto, esta n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica interpreta&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel acerca da intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e estados nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. H&aacute; autores que afirmam que s&atilde;o os cientistas que influenciam os estados, enquanto outros entendem as a&ccedil;&otilde;es entre cientistas e estados como paralelas. As pr&oacute;ximas duas se&ccedil;&otilde;es abordar&atilde;o essas perspectivas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>COMUNIDADES EPIST&Ecirc;MICAS</b></p>     <p>Conforme j&aacute; enunciado, avalia-se que, no campo das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, poucas contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas se voltaram a compreender as dimens&otilde;es internacionais da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. A perspectiva das comunidades epist&ecirc;micas &eacute; reconhecida como exce&ccedil;&atilde;o, ao enfocar o papel do conhecimento especializado na forma&ccedil;&atilde;o das prefer&ecirc;ncias dos estados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal perspectiva ganhou repercuss&atilde;o na formula&ccedil;&atilde;o proposta por Peter Haas, que define comunidade epist&ecirc;mica como uma &laquo;rede de profissionais com expertise e compet&ecirc;ncia reconhecidas em um campo particular e que reivindicam autoridade na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento relevante para a pol&iacute;tica dentro daquele campo ou &aacute;rea tem&aacute;tica&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Esses agrupamentos incluem cientistas e especialistas em diversas mat&eacute;rias que compartilhem cren&ccedil;as normativas e causais, no&ccedil;&otilde;es de valida&ccedil;&atilde;o e um empreendimento normativo comum em torno da defesa de determinadas pol&iacute;ticas voltadas a melhorar o bem-estar<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>A abordagem das comunidades epist&ecirc;micas emergiu no &acirc;mbito da passagem de um pensamento focado nas tecnologias militares como instrumento de poder e competi&ccedil;&atilde;o, caracter&iacute;stico do per&iacute;odo p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial, para perspectivas centradas no papel do conhecimento, e de sua difus&atilde;o, como instrumento de promo&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o entre os estados por meio de institui&ccedil;&otilde;es e regimes internacionais<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>Diferentemente da vertente da diplomacia cient&iacute;fica, que encara as conex&otilde;es internacionais estabelecidas entre cientistas a partir de prop&oacute;sitos estatais, a abordagem das comunidades epist&ecirc;micas focaliza as liga&ccedil;&otilde;es entre cientistas e outros especialistas, e a possibilidade de que influenciem decis&otilde;es dos estados. Em um contexto marcado pela incerteza &ndash; que nas Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais &eacute; associada &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o da agenda internacional, &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o de atores e das conex&otilde;es entre eles e &agrave; natureza complexa e estrat&eacute;gica dos problemas &ndash;, profissionais mais tradicionais da pol&iacute;tica externa, como os diplomatas, perderiam espa&ccedil;o como influenciadores centrais das decis&otilde;es estatais. Os tomadores de decis&atilde;o tenderiam a recorrer cada vez mais a especialistas, em busca de aconselhamento sobre a natureza de quest&otilde;es espec&iacute;ficas &ndash; incluindo suas causas, consequ&ecirc;ncias e rela&ccedil;&otilde;es com outras quest&otilde;es &ndash; e sobre caminhos poss&iacute;veis para equacion&aacute;-las. Nesse processo, as comunidades epist&ecirc;micas podem influenciar ajustes ou mesmo a identifica&ccedil;&atilde;o de novos interesses por parte dos estados, seja diretamente, seja apontando e delimitando as dimens&otilde;es mais relevantes de determinada quest&atilde;o<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>O argumento central &eacute; que as comunidades epist&ecirc;micas s&atilde;o vari&aacute;veis relevantes na coordena&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas entre os estados. Sua influ&ecirc;ncia ocorre a partir de uma din&acirc;mica que perpassa a consolida&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica dos especialistas em redes decis&oacute;rias nacionais e internacionais. Esse trajeto pode se manifestar de diversas formas: a comunidade epist&ecirc;mica pode influenciar a decis&atilde;o de determinado Estado e este, por sua vez, influenciar as decis&otilde;es de outros estados; a comunidade epist&ecirc;mica pode ocupar postos-chave em organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que difundem, influenciam a a&ccedil;&atilde;o dos estados e proporcionam a converg&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas entre eles, ou podem elas pr&oacute;prias originar a cria&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais e de outras institui&ccedil;&otilde;es que guiam o comportamento em &acirc;mbito internacional. Elas tamb&eacute;m podem atuar de maneira transnacional, incluindo uma rede de especialistas baseados em diversos pa&iacute;ses, definindo os interesses de seus respectivos estados de forma similar na sua &aacute;rea espec&iacute;fica de atua&ccedil;&atilde;o. Locais-chave nos quais membros de uma comunidade epist&ecirc;mica ganham poder de afetar escolhas pol&iacute;ticas incluem <i>think tanks</i>, ag&ecirc;ncias regulat&oacute;rias e &oacute;rg&atilde;os de pesquisa p&uacute;blicos.</p>     <p>O aspecto multidirecional narrado acima pode ser exemplificado por um caso estudado pelo pr&oacute;prio Haas<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>: o das articula&ccedil;&otilde;es que culminaram com a assinatura do Protocolo de Montreal em 1987, que determinou a substitui&ccedil;&atilde;o dos CFC por subst&acirc;ncias menos agressivas &agrave; camada de oz&ocirc;nio. Para modificar as pol&iacute;ticas na mat&eacute;ria cientistas norte-americanos, baseados em universidades e &oacute;rg&atilde;os governamentais, estabeleceram conex&otilde;es com colegas europeus que compartilhavam de ideias semelhantes, por meio do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUMA) e de confer&ecirc;ncias de cientistas, fortalecendo iniciativas de advocacia dentro de seus respectivos estados e junto a organismos internacionais.</p>     <p>As estrat&eacute;gias de conhecimento, neste sentido, podem ser empreendidas por atores variados, e o elemento fundamental dessas estrat&eacute;gias consiste em posicionar o entendimento compartilhado (ou expertise) em pontos-chave do processo decis&oacute;rio, nos &acirc;mbitos nacional e internacional. Os experts aparecem como atores que incorporam tal conhecimento e adquirem capacidade de modificar prefer&ecirc;ncias dos atores &agrave; medida que adentram estruturas decis&oacute;rias. Embora Haas reconhe&ccedil;a que os inputs &agrave; pol&iacute;tica provenientes de cientistas e especialistas podem n&atilde;o ser &laquo;neutros&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, a atua&ccedil;&atilde;o da comunidade epist&ecirc;mica &eacute; tomada como uma &laquo;caixa preta&raquo; sendo inserida na an&aacute;lise da coopera&ccedil;&atilde;o internacional como vari&aacute;vel independente. Nas palavras do autor, &laquo;a preocupa&ccedil;&atilde;o primordial &eacute; a influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica que uma comunidade epist&ecirc;mica pode ter no processo decis&oacute;rio coletivo, mais do que a exatid&atilde;o do conselho provido&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REDES CIENT&Iacute;FICAS INTERNACIONAIS</b></p>     <p>Neste artigo, classificamos uma terceira vertente de estudos como &laquo;abordagem em redes&raquo;, congregando an&aacute;lises variadas que t&ecirc;m como caracter&iacute;stica comum a &ecirc;nfase nas din&acirc;micas de produ&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o da ci&ecirc;ncia, com menor aten&ccedil;&atilde;o &agrave; figura do Estado. O conceito de &laquo;col&eacute;gios invis&iacute;veis&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>, referindo-se a uma comunidade de acad&ecirc;micos em intera&ccedil;&atilde;o que se encontram esporadicamente e compartilham ideias, pode ser incorporado nesta categoria e ilustra a associa&ccedil;&atilde;o entre cientistas em n&iacute;vel internacional.</p>     <p>Uma das linhas dessa abordagem apresenta interesses dos pr&oacute;prios cientistas na condu&ccedil;&atilde;o das pesquisas, apontando desde valores mais nobres &ndash; como o desejo de avan&ccedil;o do conhecimento testado e validado &ndash; at&eacute; interesses mais particulares, como a busca por reconhecimento, financiamento ou crescimento profissional. Reconhece-se, portanto, certa autonomia do campo cient&iacute;fico frente aos atores pol&iacute;ticos tradicionais &ndash; Estado e seus &oacute;rg&atilde;os internos. Com efeito, alguns trabalhos apontam para a diminui&ccedil;&atilde;o da capacidade do Estado em influenciar a condu&ccedil;&atilde;o da pesquisa, em termos de financiamento, infraestrutura e direcionamento<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, ao passo que a esfera cient&iacute;fica passa a ter grande influ&ecirc;ncia em v&aacute;rias esferas da sociedade, como na economia, na sa&uacute;de e no meio ambiente. Neste contexto, emergem novas demandas ao campo cient&iacute;fico, que s&atilde;o financiadas e promovidas por uma variedade de canais e atores &ndash; empresas, organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil &ndash;, que passam a ser grandes demandantes e financiadores da ci&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por um lado, abordagens que ressaltam din&acirc;micas pr&oacute;prias do campo cient&iacute;fico para explicar a colabora&ccedil;&atilde;o internacional, considerando positiva a libera&ccedil;&atilde;o dos cientistas dos interesses estatais, identificam motiva&ccedil;&otilde;es como o aumento da visibilidade da pesquisa junto a cientistas de outros pa&iacute;ses e a explora&ccedil;&atilde;o de capacidades complementares, como no caso de cientistas que pesquisam solos; o compartilhamento de custos de projetos de larga escala, como no caso dos projetos de <i>big science</i>; a busca por maior poder de alavancagem em seus dados de pesquisa; a necessidade de troca de ideias para encorajar a criatividade<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     <p>Por outro lado, h&aacute; trabalhos que incorporam uma perspectiva mais centrada nos processos de reprodu&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o das redes, seja enfocando rela&ccedil;&otilde;es desiguais de poder que se reproduzem por meio delas<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>, seja adotando uma postura acr&iacute;tica, centrada nos processos e n&oacute;dulos que permitem o avan&ccedil;o das redes em diferentes contextos<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Estes trabalhos se referem predominantemente a &laquo;redes sociot&eacute;cnicas&raquo;, em lugar das redes cient&iacute;ficas, atribuindo relev&acirc;ncia ao aspecto t&eacute;cnico e material da reprodu&ccedil;&atilde;o das redes, para al&eacute;m dos recursos humanos e do conhecimento.</p>     <p>O enfoque no car&aacute;ter pol&iacute;tico da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica explora aspectos relativos &agrave; desigualdade de poder na determina&ccedil;&atilde;o de interesses em pesquisas colaborativas e nas transforma&ccedil;&otilde;es sociais decorrentes de avan&ccedil;os em determinadas &aacute;reas cient&iacute;ficas, com implica&ccedil;&otilde;es para a manuten&ccedil;&atilde;o ou agravamento do acesso aos benef&iacute;cios gerados entre contextos desenvolvidos e em desenvolvimento. Um exemplo bastante citado consiste na desigualdade de recursos orientados a pesquisas que acometem o mundo em desenvolvimento, no que foi apontado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de como o &laquo;problema 10/90&raquo;: apenas 10% dos recursos globais se orientam a doen&ccedil;as que acometem 90% da popula&ccedil;&atilde;o mundial<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. A explica&ccedil;&atilde;o para essas tend&ecirc;ncias desiguais &eacute; encontrada justamente na forma como redes de pesquisa s&atilde;o projetadas e avan&ccedil;adas, e o resultado traz importantes implica&ccedil;&otilde;es para a organiza&ccedil;&atilde;o internacional da ci&ecirc;ncia.</p>     <p>Trabalhos como o de Latour<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>, por sua vez, buscam na organiza&ccedil;&atilde;o material e geogr&aacute;fica dos componentes das redes &ndash; seus n&oacute;dulos e pontes de liga&ccedil;&atilde;o &ndash; a explica&ccedil;&atilde;o para a difus&atilde;o de conhecimentos, cogni&ccedil;&otilde;es e tecnologias. Exemplos dessa abordagem s&atilde;o variados, e retra&ccedil;am o desenvolvimento de tecnologias diversas, como vacinas ou motores de carros, a partir de adapta&ccedil;&otilde;es e dos caminhos percorridos na rede para que determinada inven&ccedil;&atilde;o possa ser replicada em novos contextos. A perspectiva de redes de Latour permite explicar os limites de projetos de transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica entre contextos nacionais distintos e traz &agrave; luz a necessidade de reprodu&ccedil;&atilde;o de determinados requisitos para compreender padr&otilde;es de difus&atilde;o cient&iacute;fica, ilustrando a import&acirc;ncia de infraestruturas cient&iacute;ficas para pensar o desenvolvimento cient&iacute;fico ou a colabora&ccedil;&atilde;o entre pares internacionais.</p>     <p>As diferentes an&aacute;lises que apontam para um entendimento da ci&ecirc;ncia sob uma perspectiva em rede apresentam elementos que enriquecem a compreens&atilde;o acerca de din&acirc;micas e processos cient&iacute;ficos no cen&aacute;rio internacional, para al&eacute;m do direcionamento estatal. Aqui, reconhece-se uma diminui&ccedil;&atilde;o do protagonismo do Estado ao passo que uma s&eacute;rie de motiva&ccedil;&otilde;es e interesses n&atilde;o vinculados &agrave; figura do Estado passa a orbitar o campo do desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, organizando-o em variadas dire&ccedil;&otilde;es. Essa perspectiva contrasta com elementos apontados por alguns estudos da perspectiva transnacional, que ser&atilde;o discutidos na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PERSPECTIVA TRANSNACIONAL</b></p>     <p>H&aacute; autores que n&atilde;o negam que mudan&ccedil;as cient&iacute;ficas e tecnol&oacute;gicas possam ocorrer de acordo com din&acirc;micas peculiares, mas ainda assim sublinham que o fazem no &acirc;mbito de processos mais tradicionais das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, nas quais o Estado mant&eacute;m um papel preponderante. No campo das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, esse pensamento &eacute; representado na obra de Skolnikoff<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>, que contesta a ideia de que o avan&ccedil;o cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gico tenha promovido a dissolu&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da ordem internacional constru&iacute;da a partir de Vestf&aacute;lia. Para ele, os conceitos e pressupostos tradicionais das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais prevalecem em meio a mudan&ccedil;as relevantes, por&eacute;m incrementais. A soberania permanece um aspecto relevante, ainda que a autarquia n&atilde;o seja mais uma op&ccedil;&atilde;o diante da necessidade de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o com atores externos &ndash; estatais e n&atilde;o estatais &ndash; que influenciam ou podem influenciar o que acontece dentro dos limites territoriais.</p>     <p>No campo da Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia, trabalhos de autores como John Krige ou Simone Turchetti exploraram esse aspecto. Embora reconhe&ccedil;am a autonomia dos cientistas no estabelecimento de redes internacionais, afirmam que os estados possuem estrat&eacute;gias ao promover algumas redes em detrimento de outras. Nas palavras de Turchetti, Herran e Boudia:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;o conhecimento &eacute; parte integrante da constru&ccedil;&atilde;o de poder internacional e [&hellip;] os significados dos conjuntos de conhecimento espec&iacute;fico s&atilde;o constantemente renegociados pelos atores que os &ldquo;hibridizam&rdquo; em um esfor&ccedil;o para levar essas negocia&ccedil;&otilde;es ao sucesso em seu final. [&hellip;] [N]ossa proposta pode ajudar-nos a compreender a dimens&atilde;o transnacional da ci&ecirc;ncia, concentrando em dom&iacute;nios h&iacute;bridos (cient&iacute;ficos e geopol&iacute;ticos ao mesmo tempo) em que as identidades flex&iacute;veis (o cientista-diplomata-pol&iacute;tico) operam&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Tais autores parecem agregar uma terceira explica&ccedil;&atilde;o ao debate tradicional entre a organiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional espont&acirc;nea &ndash; exemplificada por associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas internacionais criadas a partir de recursos nacionais acessados individualmente por cientistas para coordenarem atividades (incluindo organiza&ccedil;&atilde;o de congressos mundiais, cria&ccedil;&atilde;o de comit&ecirc;s de padroniza&ccedil;&atilde;o, etc., como, por exemplo, o Ano Internacional da Geof&iacute;sica) &ndash; e burocr&aacute;tica, em que a colabora&ccedil;&atilde;o entre os cientistas adv&eacute;m de programas governamentais que refletem interesses nacionais, como no caso de organiza&ccedil;&otilde;es intergovernamentais &ndash; UNESCO, FAO, OMS, etc.<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> &ndash;, ou projetos de <i>big science</i> como o CERN<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel que as discord&acirc;ncias sobre o grau de autonomia dos cientistas, em suas articula&ccedil;&otilde;es externas, em rela&ccedil;&atilde;o aos seus respectivos estados n&atilde;o sejam absolutas, mas estejam relacionadas a &eacute;pocas e &aacute;reas estudadas, assim como a metodologias distintas. An&aacute;lises hist&oacute;ricas da ci&ecirc;ncia apontam que, at&eacute; as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional era espont&acirc;nea, ao passo que durante a Guerra Fria &ndash; e para alguns autores tamb&eacute;m para al&eacute;m dela<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> &ndash; ela passou a ser vista como essencial para atingir objetivos cl&aacute;ssicos dos estados: seguran&ccedil;a, sem d&uacute;vida o tema mais mencionado pela literatura, mas tamb&eacute;m a competitividade econ&ocirc;mica.</p>     <p>Um elemento central dessa abordagem consiste em desvendar como a rela&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e diplomacia foi historicamente poss&iacute;vel, tendo em vista as diverg&ecirc;ncias entre os <i>mind sets</i> de seus respectivos agentes (cientistas e pol&iacute;ticos). No entanto, de acordo com Krige e Barth<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> muitos cientistas teriam se dado conta de que atuar junto aos seus respectivos governos em empreendimentos cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gicos internacionais lhes oferecia a oportunidade de realizar objetivos b&aacute;sicos de qualquer cientista: acessar recursos (sendo que, no caso dos recursos financeiros de seus respectivos governos, os empregados em iniciativas internacionais seriam mais est&aacute;veis por n&atilde;o estarem sujeitos a disputas dom&eacute;sticas) e ganhar prest&iacute;gio. Al&eacute;m disso, a atua&ccedil;&atilde;o internacional daria aos cientistas, particularmente aos oriundos de pa&iacute;ses democr&aacute;ticos, a sensa&ccedil;&atilde;o de estarem trabalhando de forma mais independente das lealdades nacionais, mesmo que os resultados de suas pesquisas convergissem para a realiza&ccedil;&atilde;o dos interesses de seus patr&otilde;es &ndash; os estados.</p>     <p>Ou seja, a abordagem transnacional ressalta a autonomia dos cientistas, mas afirma que, ainda assim, eles desempenham pap&eacute;is que interessam &agrave; pol&iacute;tica de Estado, atuando como agentes de intelig&ecirc;ncia, sem necessariamente terem consci&ecirc;ncia disso. Na verdade, a pr&oacute;pria l&oacute;gica das parcerias pautadas por la&ccedil;os entre atores que se identificariam para al&eacute;m de seus respectivos estados-na&ccedil;&atilde;o &ndash; cientistas interessados em desvendar fen&ocirc;menos semelhantes &ndash; conferiria a tais parcerias certo ambiente de neutralidade que seria do interesse do Estado promover em virtude de ser mais prop&iacute;cio &agrave; coleta de informa&ccedil;&otilde;es. O argumento fundamental se coloca, portanto, no desenvolvimento cient&iacute;fico como liberado, mas ainda atrelado, &agrave;s necessidades de seus estados, em uma rela&ccedil;&atilde;o d&uacute;bia que pode ser percebida com maior clareza justamente no contexto da Guerra Fria. Como afirmam Krige e Barth ao analisar a colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional neste per&iacute;odo,</p>     <p>     <blockquote>&laquo;o interc&acirc;mbio e as reuni&otilde;es cient&iacute;ficas internacionais poderiam proporcionar uma excelente oportunidade para a coleta informal de intelig&ecirc;ncia pelos cientistas. Em um clima de confian&ccedil;a e respeito m&uacute;tuo, eles seriam capazes de coletar informa&ccedil;&otilde;es significativas sobre as capacidades de pesquisa de seus colegas em outros pa&iacute;ses. Estabelecer esta confian&ccedil;a exigia n&atilde;o apenas que cientistas n&atilde;o fossem integrados &agrave; estrutura formal da vigil&acirc;ncia do Estado, especialmente &agrave; Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA); tamb&eacute;m exigia que eles fossem vistos como independentes, n&atilde;o simplesmente como servidores leais das pol&iacute;ticas de seus governos. Em suma, havia excelentes raz&otilde;es pragm&aacute;ticas para que o Estado deixasse aos cientistas uma boa margem de manobra nos f&oacute;runs internacionais, de modo a proteger sua credibilidade aos olhos de seus pares estrangeiros e a habilit&aacute;-los a melhor promover seus pr&oacute;prios interesses e os de seus governos.&raquo;<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Turchetti e Roberts<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a> tamb&eacute;m aderem a esta posi&ccedil;&atilde;o mais nuan&ccedil;ada, ressaltando que, apesar de os estudos hist&oacute;ricos sobre a influ&ecirc;ncia dos estados na ci&ecirc;ncia internacional serem mais numerosos para o per&iacute;odo da Guerra Fria, a coexist&ecirc;ncia entre atividades cient&iacute;ficas e atividades de intelig&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; epis&oacute;dica, mas permanente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em s&iacute;ntese, os expoentes da abordagem transnacional reconhecem os interesses e articula&ccedil;&otilde;es dos estados por tr&aacute;s da colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional, mas n&atilde;o negam a autonomia dos cientistas na constru&ccedil;&atilde;o de parcerias internacionais. Ao faz&ecirc;-lo, trazem uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo da coopera&ccedil;&atilde;o e do conflito nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais na medida em que n&atilde;o encaram essas din&acirc;micas como opostas, mas complementares. Quer dizer, ao promover a colabora&ccedil;&atilde;o entre os cientistas os estados acessam recursos-chave para garantir sua competitividade em rela&ccedil;&atilde;o aos outros estados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>O objetivo deste artigo foi sistematizar e contrastar contribui&ccedil;&otilde;es de diversas &aacute;reas das ci&ecirc;ncias sociais acerca da intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e estados nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Para tanto, foi constru&iacute;da uma tipologia com quatro abordagens, ressaltando em cada uma delas alguns aspectos em detrimento de outros. Ao sistematizar tais abordagens, propomos mostrar o quanto se poderia ganhar ao promover maior di&aacute;logo entre elas. A complementaridade fica clara na figura abaixo, na qual se nota que cada uma delas contribui para entender influ&ecirc;ncias e dire&ccedil;&otilde;es distintas nas intera&ccedil;&otilde;es entre estados e cientistas nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n62/n62a07f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A figura mostra que, na perspectiva da diplomacia cient&iacute;fica, o Estado &eacute; a entidade indutora central da colabora&ccedil;&atilde;o internacional entre cientistas, seja atuando junto a outros estados, como no caso da assinatura de acordos bilaterais em ci&ecirc;ncia e tecnologia, seja apoiando a forma&ccedil;&atilde;o de redes cient&iacute;ficas que contribuam para a realiza&ccedil;&atilde;o de seus prop&oacute;sitos. J&aacute; na perspectiva das comunidades epist&ecirc;micas, tais redes formam-se a partir da intera&ccedil;&atilde;o entre cientistas e outros especialistas (da&iacute; a seta circular, que remete para as rela&ccedil;&otilde;es entre os pr&oacute;prios cientistas) que se voltam para a compreens&atilde;o de fen&ocirc;menos espec&iacute;ficos e buscam influenciar as escolhas dos estados rumo &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o internacional, que seria necess&aacute;ria para lidar com fen&ocirc;menos complexos em rela&ccedil;&atilde;o aos quais os atores estatais tradicionais teriam compet&ecirc;ncia limitada. Um terceiro grupo de autores, aqui reunidos na perspectiva chamada de &laquo;redes&raquo;, afirma que os estados teriam incid&ecirc;ncia restrita sobre a colabora&ccedil;&atilde;o internacional, que se desenvolveria a partir de l&oacute;gicas internas &agrave; ci&ecirc;ncia ou da influ&ecirc;ncia de outros atores para al&eacute;m dos estados. Por fim, a abordagem transnacional, apresentada por um grupo de autores vinculados &agrave; Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia, reconhece, como o grupo anterior, a autonomia dos cientistas na colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional, mas insiste que ainda assim os estados podem direcion&aacute;-los para seus pr&oacute;prios interesses, embora os cientistas n&atilde;o tenham necessariamente consci&ecirc;ncia disso.</p>     <p>Seria poss&iacute;vel integrar tais abordagens? Apesar de o <i>mainstream</i> da disciplina de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais n&atilde;o se debru&ccedil;ar tradicionalmente sobre o tema da ci&ecirc;ncia e tecnologia, ela oferece marcos integradores, como aqueles desenvolvidos por estudiosos da Economia Pol&iacute;tica Internacional e da An&aacute;lise de Pol&iacute;tica Externa. Esses marcos podem ajudar a jogar luz sobre as din&acirc;micas e atores que influenciam a coopera&ccedil;&atilde;o internacional em ci&ecirc;ncia e tecnologia, e tamb&eacute;m sobre circunst&acirc;ncias em que uma das abordagens apresentadas neste artigo possa ter maior capacidade explicativa em detrimento das demais. &Eacute; poss&iacute;vel, por um lado, que estados com institui&ccedil;&otilde;es mais robustas e com amplo di&aacute;logo com a sociedade possuam maior capacidade de supervis&atilde;o e incid&ecirc;ncia, direta ou indireta, sobre a forma&ccedil;&atilde;o das redes entre cientistas. Por outro lado, estados com institui&ccedil;&otilde;es menos robustas e menos porosas &agrave; incid&ecirc;ncia societal podem n&atilde;o ter capacidade de direcionar as redes entre cientistas para seus interesses, e neste caso &eacute; poss&iacute;vel que abordagens que estudem dimens&otilde;es estritamente transnacionais (cientista-cientista) expliquem melhor a colabora&ccedil;&atilde;o estabelecida por cientistas daquele pa&iacute;s com pares de outros pa&iacute;ses. Ciclos econ&ocirc;micos e transforma&ccedil;&otilde;es geopol&iacute;ticas tamb&eacute;m podem se configurar como vari&aacute;veis relevantes, sendo que ciclos descendentes ou marcados pela emerg&ecirc;ncia de novas pot&ecirc;ncias podem caracterizar per&iacute;odos de maior incid&ecirc;ncia dos estados nas redes cient&iacute;ficas internacionais.</p>     <p>Por fim, reconhece-se, como lacuna deste artigo, a aus&ecirc;ncia de considera&ccedil;&otilde;es mais detalhadas sobre a intera&ccedil;&atilde;o dos cientistas com outros atores relevantes para a ci&ecirc;ncia e tecnologia e o impacto dessa intera&ccedil;&atilde;o sobre processos decis&oacute;rios da coopera&ccedil;&atilde;o. Destaca-se, nesse sentido, o trabalho de Andrew Moravcsik<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> sobre o caso da colabora&ccedil;&atilde;o em armamentos entre pa&iacute;ses europeus. Uma das considera&ccedil;&otilde;es do autor &eacute; que as empresas que n&atilde;o s&atilde;o aut&ocirc;nomas na produ&ccedil;&atilde;o de armamentos tendem a favorecer a colabora&ccedil;&atilde;o, e a pressionar seus respectivos governos para apoi&aacute;-la nas negocia&ccedil;&otilde;es internacionais, ao passo que aquelas que s&atilde;o refer&ecirc;ncia na mat&eacute;ria, com mercados externos estabelecidos, se op&otilde;em &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o e &agrave; assinatura ou &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de acordos governamentais prevendo a mesma. Assim, pergunta-se se as empresas, direta ou indiretamente, incidiriam sobre as agendas estabelecidas na colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional, impedindo, por exemplo, aquelas que levassem &agrave; transfer&ecirc;ncia de tecnologias a potenciais competidores.</p>     <p>As considera&ccedil;&otilde;es tecidas nesta &uacute;ltima se&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, s&atilde;o preliminares, sendo necess&aacute;rios estudos futuros, incluindo ampla coleta de dados e estudos de casos, que possam dar seguimento a uma an&aacute;lise mais aprofundada sobre as diversas interfaces entre ci&ecirc;ncia e tecnologia e rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>&laquo;ABOUT us&raquo;. EL-CSID. [Consultado em: 5 de maio de 2019]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.el-csid.eu/about-el-csid" target="_blank">https://www.el-csid.eu/about-el-csid</a>.</p>     <p>BERG, Lutz-Peter &ndash; &laquo;Science diplomacy networks&raquo;. In P<i>olitorbis, Revue de Politique &Eacute;trang&egrave;re</i>. N.&ordm; 49, 2010.</p>     <p>BUEGER, Christian &ndash; &laquo;From expert communities to epistemic arrangements: situating expertise in international relations&raquo;. In MAYER, Maximilian; CARPES, Mariana; KN&Ouml;BLICH, Ruth, eds. &ndash; <i>The Global Politics of Science and Technology</i>. Vol. 1. Berlim-Heidelberg: Springer Verlag, 2014, pp. 39-54.</p>     <p>COZZENS, Susan; WOODHOUSE, Edward &ndash; &laquo;Science, government and the politics of knowledge&raquo;. In <i>Handbook of Science and Technology Studies</i>, pp. 533-553.</p>     <p>CRAWFORD, Elisabeth; SHINN, Terry; S&Ouml;RLIN, Sverker &ndash; &laquo;The nationalization and denationalization of the sciences: an introductory essay&raquo;. In CRAWFORD, Elisabeth; SHINN, Terry; S&Ouml;RLIN, Sverker, eds. &ndash; <i>Denationalizing Science</i>. Dordrecht: Spinger Netherlands, 1992, pp. 1-42.</p>     <p>DOLAN, Bridget M. &ndash; &laquo;Science and technology agreements as tools for science diplomacy: a U.S. case study&raquo;. In <i>Science &amp; Diplomacy</i>. Vol. 1, N.&ordm; 4, 2012.</p>     <p>F&Auml;HNRICH, Birte &ndash; &laquo;Science diplomacy: investigating the perspective of scholars on politics-science collaboration in international affairs&raquo;. In <i>Public Understanding of Science</i>. Theoretical/research paper, 2015. DOI: 10.1177/0963662515616552.</p>     <p>FEDOROFF, Nina V. &ndash; &laquo;Science diplomacy in the 21st century&raquo;. In Cell. Vol. 136, 2009, pp. 9-11. doi: 10.1016/j.cell.2008.12.030.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FIKKERS, Derek Jan; HORVAT, Manfred, eds. &ndash; <i>Basic Principles for Effective International</i><i>Science, Technology and Innovation Agreements</i>. Bruxelas: Comiss&atilde;o Europeia, 2014. DOI: 10.2777/11479.</p>     <p>FLINK, Tim; SCHREITERER, Ulrich &ndash; &laquo;Science diplomacy at the intersection of S&amp;T policies and foreign affairs: toward a typology of national approaches&raquo;. In <i>Science and Public Policy</i>, 2010. DOI: 10.3152/030234210X12778118264530.</p>     <p>FRICKEL, Scott; MOORE, Kelly, eds. &ndash; <i>The New Political Sociology of Science: Institutions, Network and Power</i>. Madison: The University of Wisconsin Press, 2006.</p>     <p>HAAS, Peter &ndash; &laquo;Banning chlorofluorocarbons: epistemic community efforts to protect stratospheric ozone&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 46, N.&ordm; 1, 1992, pp. 187-224.</p>     <p>HAAS, Peter &ndash; &laquo;Introduction: epistemic communities and international policy coordination&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 46, N.&ordm; 1, 1992, pp. 1-35.</p>     <p>HEINE, Jorge &ndash; &laquo;From club to network diplomacy&raquo;. In COOPER, Andrew; HEINE, Jorge; THAKUR, Ramesh, eds. &ndash; <i>The Oxford Handbook of Modern Diplomacy</i>. Oxford: Oxford University Press, 2013, pp. 54-69.</p>     <p>JASANOFF, Sheila; MARKLE, Gerald E.; PETERSEN, James C.; PINCH, Trevor, orgs. &ndash; <i>Handbook of Science and Technology Studies</i>. Thousand Oaks: Sage Publications, 1995.</p>     <p>KEENAN, Michael; CUTLER, Paul; MARKS, John; MEYLAN, Richard; SMITH, Carthage; KOIVISTO, Emilia &ndash; &laquo;Orientating international science cooperation to meet global &ldquo;grand challenges&rdquo;&raquo;. In <i>Science and Public Policy</i>. Vol. 39, 2012, pp. 166-177.</p>     <p>KRIGE, John; BARTH, Kai-Henrik &ndash; &laquo;Science, technology, and international affairs&raquo;. In <i>Osiris</i>. Vol. 21, N.&ordm; 1, 2006, pp. 1-21.</p>     <p>LATOUR, Bruno &ndash; <i>Science in Action: How to Follow Scientists and Engineers Through Society</i>. Milton Keynes: Open University Press, 1987.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LEGRAND, Timothy; STONE, Diane &ndash; &laquo;Science diplomacy and transnational governance impact&raquo;. In <i>British Politics</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 2018, pp. 392-408. DOI: 10.1057/s41293-018-0082-z.</p>     <p>MAYER, Maximilian; CARPES, Mariana; KN&Ouml;BLICH, Ruth &ndash; &laquo;The global politics of science and technology: an introduction&raquo;. In MAYER, Maximilian; CARPES, Mariana; KN&Ouml;BLICH, Ruth, eds. &ndash; <i>The Global Politics of Science and Technology</i>. Vol. 1. Berlim--Heidelberg: Springer Verlag, 2014, pp. 1-35.</p>     <p>MORAVCSIK, Andrew &ndash; &laquo;Armaments among allies: European weapons collaboration, 1975-1985&raquo;. In EVANS, Peter; JACOBSON, Harold; PUTNAM, Robert, eds. &ndash; <i>Double-Edged</i><i>Diplomacy: International Bargaining and Domestic Politics</i>. Berkeley: University of California Press, 1992, pp. 128-168.</p>     <p>OCDE &ndash; <i>Building International STI Linkages</i>. [Consultado em: 20 de fevereiro de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.oecd.org/sti/outlook/e-outlook/stipolicyprofiles/interactionsforinnovation/buildinginternationalstilinkages.htm" target="_blank">http://www.oecd.org/sti/outlook/e-outlook/stipolicyprofiles/interactionsforinnovation/buildinginternationalstilinkages.htm</a>.</p>     <p>OCDE &ndash; <i>OECD Science, Technology and Industry Outlook 2014</i>. OECD Publishing, 2014. DOI: <a href="https://doi.org/10.1787/sti_outlook-2014-en" target="_blank">https://doi.org/10.1787/sti_outlook-2014-en</a>.</p>     <p>ROYAL SOCIETY &ndash; <i>New Frontiers in Science Diplomacy: Navigating the Changing Balance of Power</i>. RS Policy document 01/10, janeiro de 2010.</p>     <p>RUFFINI, Pierre-Bruno &ndash; <i>Science and Diplomacy: A New Dimension of International</i><i>Relations</i>. Su&iacute;&ccedil;a: Springer, 2017.</p>     <p>SAREWITZ, Daniel; PIELKE, Roger &ndash; &laquo;The neglected heart of science policy: reconciling supply and demand for science&raquo;. In <i>Environmental Science and Policy</i>. Vol. 10, 2007, pp. 5-16.</p>     <p>SKOLNIKOFF, Eugene &ndash; <i>The Elusive Transformation: Science, Technology, and the Evolution of International Politics</i>. Nova J&eacute;rsia: Princeton University Press, 1993.</p>     <p>SOLLA PRICE, Derek J. de &ndash; <i>Little Science, Big Science</i>. Nova York: Columbia University Press, 1963.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>TURCHETTI, Simone; HERRAN, N&eacute;stor; BOUDIA, Soraya &ndash; &laquo;Introduction: have we ever been &ldquo;transnational&rdquo;? Towards a history of science across and beyond borders&raquo;. In <i>The British</i><i>Journal for the History of Science</i>. Vol. 45, N.&ordm; 3, 2012, pp. 319-336. DOI: 10.1017/S0007087412000349.</p>     <p>TURCHETTI, Simone; ROBERTS, Peder &ndash; <i>The Surveillance Imperative: Geosciences During the Cold War and Beyond</i>. Basingstoke: Palgrave MacMillan, 2014.</p>     <p>TUREKIAN, Vaughan &ndash; &laquo;Building a national science diplomacy system&raquo;. In <i>Science and</i><i>Diplomacy</i>. Vol. 1, N.&ordm; 4, 2012.</p>     <p>WAGNER, Caroline &ndash; &laquo;International collaboration in science and technology: promises and pitfalls&raquo;. In BOX, Louk; ENGELHARD, Rutger, eds. &ndash; <i>Science and Technology Policy for</i><i>Development: Dialogues at the Interface</i>. Londres: Athem Press, 2006, pp. 165-176.</p>     <p>WAGNER, Caroline &ndash; <i>The New Invisible College</i>. Washington, DC: Brookings Press, 2008.</p>     <p>WEISS, Charles &ndash; &laquo;Science, technology and international relations&raquo;. In <i>Technology in</i><i>Society</i>. Vol. 27, 2005, pp. 295-313.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 12 de dezembro de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 7 de maio de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> MAYER, Maximilian; CARPES, Mariana; KN&Ouml;BLICH, Ruth &ndash; &laquo;The global politics of science and technology: an introduction&raquo;. In MAYER, Maximilian; CARPES, Mariana; KN&Ouml;BLICH, Ruth, eds. &ndash; <i>The Global Politics of Science and Technology</i>. Vol. 1. Berlim--Heidelberg: Springer Verlag, 2014, pp. 1-35; SKOLNIKOFF, Eugene &ndash; <i>The Elusive Transformation: Science, Technology, and the Evolution of International Politics</i>. Nova J&eacute;rsia: Princeton University Press, 1993; WEISS, Charles &ndash; &laquo;Science, technology and international relations&raquo;. In <i>Technology in Society</i>. Vol. 27, 2005, pp. 295-313.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> JASANOFF, Sheila; MARKLE, Gerald E.; PETERSEN, James C.; PINCH, Trevor, orgs. &ndash; <i>Handbook of Science and Technology Studies</i>. Thousand Oaks: Sage Publications, 1995.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> COZZENS, Susan; WOODHOUSE, Edward &ndash; &laquo;Science, government and the politics of knowledge&raquo;. In <i>Handbook of Science and Technology Studies</i>, pp. 533-553.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> WAGNER, Caroline &ndash; <i>The New Invisible College</i>. Washington, DC: Brookings Press, 2008.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> CRAWFORD, Elisabeth; SHINN, Terry; S&Ouml;RLIN, Sverker &ndash; &laquo;The nationalization and denationalization of the sciences: an introductory essay&raquo;. In CRAWFORD, Elisabeth; SHINN, Terry; S&Ouml;RLIN, Sverker, eds. &ndash; <i>Denationalizing Science</i>. Dordrecht: Spinger Netherlands, 1992, pp. 1-42.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> WAGNER, Caroline &ndash; <i>The New Invisible College</i>.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> OCDE &ndash; <i>OECD Science, Technology and Industry Outlook 2014</i>. OECD Publishing, 2014. DOI: <a href="https://doi.org/10.1787/sti_outlook-2014-en" target="_blank">https://doi.org/10.1787/sti_outlook-2014-en</a>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> FLINK, Tim; SCHREITERER, Ulrich &ndash; &laquo;Science diplomacy at the intersection of S&amp;T policies and foreign affairs: toward a typology of national approaches&raquo;. In <i>Science and Public Policy</i>, 2010. doi: 10.3152/030234210X12778118264530.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> FIKKERS, Derek Jan; HORVAT, Manfred, eds. &ndash; <i>Basic Principles for Effective International Science, Technology and Innovation Agreements</i>. Bruxelas: Comiss&atilde;o Europeia, 2014. DOI: 10.2777/11479.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> &laquo;ABOUT us&raquo;. EL-CSID. [Consultado em: 5 de maio de 2019]. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.el-csid.eu/about-el-csid" target="_blank">https://www.el-csid.eu/about-el-csid</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Diretor do Centro para a Diplomacia Cient&iacute;fica da AAAs entre 2006 e 2015, Vaughan Turekian reelabora essa ideia em outra publica&ccedil;&atilde;o da seguinte maneira: &laquo;Na&ccedil;&otilde;es olham para a ci&ecirc;ncia para conquistar um dos tr&ecirc;s &ldquo;E&rdquo;s da diplomacia cient&iacute;fica: expressar o poder ou influ&ecirc;ncia nacional; equipar tomadores de decis&atilde;o com informa&ccedil;&atilde;o para apoiar as pol&iacute;ticas e melhorar rela&ccedil;&otilde;es bilaterais e multilaterais&raquo; (TUREKIAN, Vaughan &ndash; &laquo;Building a national science diplomacy system&raquo;. In <i>Science and Diplomacy</i>. Vol. 1, N.&ordm; 4, 2012); ROYAL SOCIETY &ndash; <i>New Frontiers in Science Diplomacy: Navigating the Changing Balance of Power.</i> RS Policy document 01/10, janeiro de 2010 (tradu&ccedil;&atilde;o dos autores).</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Nem sempre os autores que estudam a diplomacia cient&iacute;fica abordam a diplomacia como fen&ocirc;meno restrito a atividades estatais. Destaca-se, por exemplo, o programa de pesquisa que est&aacute; sendo desenvolvido por Legrand e Stone (LEGRAND, Timothy; STONE, Diane &ndash; &laquo;Science diplomacy and transnational governance impact&raquo;. In <i>British Politics</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 2018, pp. 392-408. doi: 10.1057/s41293-018-0082-z), que inclui tamb&eacute;m atores e processos relacionados &agrave; diplomacia cient&iacute;fica que se desenvolvem no &acirc;mbito de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais e atores n&atilde;o estatais.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> DOLAN, Bridget M. &ndash; &laquo;Science and technology agreements as tools for science diplomacy: a U.S. case study&raquo;. In <i>Science &amp; Diplomacy</i>. Vol. 1, N.&ordm; 4, 2012.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> FLINK, Tim; SCHREITERER, Ulrich &ndash; &laquo;Science diplomacy at the intersection of s&amp;t policies and foreign affairs&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> KEENAN, Michael; CUTLER, Paul; MARKS, John; MEYLAN, Richard; SMITH, Carthage; KOIVISTO, Emilia &ndash; &laquo;Orientating international science cooperation to meet global &ldquo;grand challenges&rdquo;&raquo;. In <i>Science and Public Policy</i>. Vol. 39, 2012, pp. 166-177.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> FEDOROFF, Nina V. &ndash; &laquo;Science diplomacy in the 21st century&raquo;. In <i>Cell</i>. Vol. 136, 2009, pp. 9-11.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> F&Auml;HNRICH, Birte &ndash; &laquo;Science diplomacy: investigating the perspective of scholars on politics-science collaboration in international affairs&raquo;. In <i>Public Understanding of Science</i>. Theoretical/research paper, 2015; FLINK, Tim; SCHREITERER, Ulrich &ndash; &laquo;Science diplomacy at the intersection of S&amp;T policies and foreign affairs&hellip;&raquo;; OCDE &ndash; Building International STI Linkages. [Consultado em: 20 de fevereiro de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.oecd.org/sti/outlook/e-outlook/stipolicyprofiles/interactionsforinnovation/buildinginternationalstilinkages.htm" target="_blank">http://www.oecd.org/sti/outlook/e-outlook/stipolicyprofiles/interactionsforinnovation/buildinginternationalstilinkages.htm</a>; ROYAL SOCIETY &ndash; <i>New Frontiers in Science Diplomacy</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> A diplomacia de redes &eacute; oposta &agrave; pr&aacute;tica tradicional da &laquo;diplomacia de clube&raquo;, praticada apenas entre diplomatas. Ela marca a transi&ccedil;&atilde;o para estados mais fragmentados, com a emerg&ecirc;ncia de novos atores e de novos temas que passam a disputar a defini&ccedil;&atilde;o do interesse nacional. Isso demanda do aparato tradicional capacidade de manter o di&aacute;logo e a coordena&ccedil;&atilde;o de todos esses movimentos, capacidade esta que nem todos os estados possuem; HEINE, Jorge &ndash; &laquo;From club to network diplomacy&raquo;. In COOPER, Andrew; HEINE, Jorge; THAKUR, Ramesh, eds. &ndash; <i>The Oxford Handbook of Modern Diplomacy</i>. Oxford: Oxford University Press, 2013, pp. 54-69.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> BERG, Lutz-Peter &ndash; &laquo;Science diplomacy networks&raquo;. In <i>Politorbis</i>, <i>Revue de Politique</i><i>&Eacute;trang&egrave;re</i>. N.&ordm; 49, 2010.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> HAAS, Peter &ndash; &laquo;Introduction: epistemic communities and international policy coordination&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 46, N.&ordm; 1, 1992, p. 3 (tradu&ccedil;&atilde;o dos autores).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> BUEGER, Christian &ndash; &laquo;From expert communities to epistemic arrangements: situating expertise in international relations&raquo;. In MAYER, Maximilian; CARPES, Mariana; KN&Ouml;BLICH, Ruth, eds. &ndash; <i>The Global Politics of Science and Technology</i>, pp. 39-54.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> HAAS, Peter &ndash; &laquo;Introduction&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> HAAS, Peter &ndash; &laquo;Banning chlorofluorocarbons: epistemic community efforts to protect stratospheric ozone&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 46, N.&ordm; 1, 1992, pp. 187-224.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Para Haas (HAAS, Peter &ndash; &laquo;Introduction&hellip;&raquo;) a identifica&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es causais no conhecimento das comunidades epist&ecirc;micas &eacute; produto da interpreta&ccedil;&atilde;o humana e, portanto, n&atilde;o h&aacute; como provar sua neutralidade. Al&eacute;m disso, as pol&iacute;ticas informadas por conhecimento, como qualquer pol&iacute;tica p&uacute;blica, tamb&eacute;m resultam em distribui&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica de benef&iacute;cios. O uso da ci&ecirc;ncia n&atilde;o torna a pol&iacute;tica mais sim&eacute;trica.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> HAAS, Peter &ndash; &laquo;Introduction&hellip;&raquo;, p. 23 (tradu&ccedil;&atilde;o dos autores).</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> SOLLA PRICE, Derek J. de &ndash; <i>Little Science, Big Science</i>. Nova York: Columbia University Press, 1963; WAGNER, Caroline &ndash; The New Invisible College.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> CRAWFORD, Elisabeth; SHINN, Terry; S&Ouml;RLIN, Sverker &ndash; &laquo;The nationalization and denationalization of the sciences&hellip;&raquo;; Wagner, Caroline &ndash; &laquo;International collaboration in science and technology: promises and pitfalls&raquo;. In BOX, Louk; ENGELHARD, Rutger, eds. &ndash; <i>Science and Technology Policy for Development: Dialogues at the Interface</i>. Londres: Athem Press, 2006, pp. 165-176.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> WAGNER, Caroline &ndash; &laquo;International collaboration in science and technology&hellip;&raquo;.</p>     <p>30 FRICKEL, Scott; MOORE, Kelly, eds. &ndash; <i>The New Political Sociology of Science: Institutions</i>, <i>Network and Power</i>. Madison: The University of Wisconsin Press, 2006.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> LATOUR, Bruno &ndash; <i>Science in Action: How to Follow Scientists and Engineers Through Society</i>. Milton Keynes: Open University Press, 1987.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> SAREWITZ, Daniel; PIELKE, Roger &ndash; &laquo;The neglected heart of science policy: reconciling supply and demand for science&raquo;. In <i>Environmental Science and Policy</i>. Vol. 10, 2007, pp. 5-16.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> LATOUR, Bruno &ndash; <i>Science in Action</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> SKOLNIKOFF, Eugene &ndash; <i>The Elusive Transformation</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> URCHETTI, Simone; HERRAN, N&eacute;stor; BOUDIA, Soraya &ndash; &laquo;Introduction: have we ever been &ldquo;transnational&rdquo;? Towards a history of science across and beyond borders&raquo;. In <i>The</i><i>British Journal for the History of Science</i>. Vol. 45, N.&ordm; 3, 2012, p. 12 (tradu&ccedil;&atilde;o dos autores).</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> CRAWFORD, Elisabeth; SHINN, Terry; S&Ouml;RLIN, Sverker &ndash; &laquo;The nationalization and denationalization of the sciences&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> WAGNER, Caroline &ndash; &laquo;International collaboration in science and technology&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Ver por exemplo SKOLNIKOFF, Eugene &ndash; <i>The Elusive Transformation</i>&hellip;; TURCHETTI, Simone; ROBERTS, Peder &ndash; <i>The Surveillance Imperative: Geosciences During the Cold War and Beyond</i>. Basingstoke: Palgrave MacMillan, 2014.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> KRIGE, John; BARTH, Kai-Henrik &ndash; &laquo;Science, technology, and international affairs&raquo;. In Osiris. Vol. 21, N.&ordm; 1, 2006, pp. 1-21.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 15.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> TURCHETTI, Simone; ROBERTS, Peder &ndash; <i>The Surveillance Imperative</i>&hellip;, p. 9.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> MORAVCSIK, Andrew &ndash; &laquo;Armaments among allies: European weapons collaboration, 1975-1985&raquo;. In EVANS, Peter; JACOBSON, Harold; PUTNAM, Robert, eds. &ndash; <i>Double-Edged Diplomacy: International Bargaining and Domestic Politics</i>. Berkeley: University of California Press, 1992, pp. 128-168.</p>      ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[BERG]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lutz-Peter]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Science diplomacy networks]]></article-title>
<source><![CDATA[Politorbis, Revue de Politique Étrangère]]></source>
<year>2010</year>
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<issue>49</issue>
</nlm-citation>
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<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[BUEGER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Christian]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From expert communities to epistemic arrangements: situating expertise in international relations]]></article-title>
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<surname><![CDATA[MAYER]]></surname>
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<surname><![CDATA[CARPES]]></surname>
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<surname><![CDATA[KNÖBLICH]]></surname>
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<source><![CDATA[The Global Politics of Science and Technology]]></source>
<year>2014</year>
<volume>1</volume>
<page-range>39-54</page-range><publisher-loc><![CDATA[Berlim-Heidelberg ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Springer Verlag]]></publisher-name>
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<surname><![CDATA[COZZENS]]></surname>
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