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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Uma defesa do nacionalismo e do Estado-Na&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bruno Rocha</b></p>     <p>NOVA FCSH | Avenida Berna 26 C, 1069-061 Lisboa | <a href="mailto:brunocrocha97@gmail.com">brunocrocha97@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>YAEL TAMIR, Why Nationalism, Princeton, Princeton University Press, 2019, 205 p&aacute;ginas, ISBN: 9780691190105</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O novo livro de Yael Tamir, <i>Why Nationalism</i>, surge num contexto em que a globaliza&ccedil;&atilde;o atinge uma escala sem precedentes e a difus&atilde;o da ideia de um mundo p&oacute;s-nacional prefigura a substitui&ccedil;&atilde;o do Estado-Na&ccedil;&atilde;o por novas f&oacute;rmulas de governa&ccedil;&atilde;o. Yael Tamir mostra que o confronto entre as vis&otilde;es soberanas-nacionalistas e as correntes idealistas-liberais se manteve nas margens do debate pol&iacute;tico. O ressurgimento do nacionalismo aparece aliado ao esp&iacute;rito coletivista, clamando pelo combate &agrave;s desigualdades socioecon&oacute;micas atrav&eacute;s da restitui&ccedil;&atilde;o da plenitude do Estado-Na&ccedil;&atilde;o e da sua interven&ccedil;&atilde;o no tecido social.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>PORQU&Ecirc; O NACIONALISMO?</b></p>     <p>Na primeira de quatro partes, a escrita l&iacute;mpida de Tamir permite compreender a natureza controversa &ndash; e, em certos momentos, at&eacute; nost&aacute;lgica &ndash; da sua tese: a defesa condicional do nacionalismo (p. 24) como ideologia necess&aacute;ria n&atilde;o s&oacute; para a sobreviv&ecirc;ncia das democracias modernas, mas tamb&eacute;m para contrabalan&ccedil;ar as consequ&ecirc;ncias da &laquo;hiperglobaliza&ccedil;&atilde;o&raquo; que implicaram a eros&atilde;o do substrato cultural, pol&iacute;tico e sens&iacute;vel do Estado: a na&ccedil;&atilde;o. Porqu&ecirc; o nacionalismo? Yael Tamir afirma que a explica&ccedil;&atilde;o est&aacute; na sua for&ccedil;a legitimadora (p. 8), tanto para o Estado como para a na&ccedil;&atilde;o, enquanto pedra angular de um novo contrato social para a maioria vulner&aacute;vel <i>vis a vis</i> os riscos e as oportunidades do contexto econ&oacute;mico mundial.</p>     <p>Enquanto disc&iacute;pula de Isaiah Berlin, Yael Tamir tem consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia e da dificuldade de equilibrar liberalismo e nacionalismo (p. 6). No seu caso, d&aacute; primazia ao nacionalismo pela sua for&ccedil;a na batalha contra o individualismo desenfreado e observa no novo nacionalismo a for&ccedil;a modernizadora. O nacionalismo confere aos indiv&iacute;duos o sentido transgeracional, a liga&ccedil;&atilde;o entre passado, presente e futuro (p. 45), o meio para contrariar, por um lado, o afastamento das elites liberais quanto &agrave;s suas responsabilidades nacionais. A autora analisa <i>&agrave; vol d&rsquo;oiseau</i> a evolu&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o em torno do nacionalismo, desde do otimismo do p&oacute;s-guerra, passando pelos picos nacionalistas da Guerra Fria e pelo aprofundamento das institui&ccedil;&otilde;es europeias nos anos 1990, at&eacute; ao ano de 2008, pautado pela reemerg&ecirc;ncia do nacionalismo chin&ecirc;s, pelo euroceticismo e pela crise financeira global. Yael Tamir procura perceber o que levou as elites liberais a desatender aos avisos de que nem o Estado-Na&ccedil;&atilde;o tinha chegado ao fim &ndash; uma vez que n&atilde;o se consolidaram novas formas de governa&ccedil;&atilde;o capazes de atuar de forma igualmente eficaz (p. 32), por exemplo, na defini&ccedil;&atilde;o da cidadania, determinando os que pertencem e/ou podem pertencer &agrave; na&ccedil;&atilde;o, historicamente definida pelas tradi&ccedil;&otilde;es e pela cultura &ndash;, nem o nacionalismo estava derrotado.</p>     <p>Yael Tamir reserva a segunda parte do seu livro para analisar a rela&ccedil;&atilde;o que o nacionalismo mant&eacute;m com as no&ccedil;&otilde;es de democracia, de Estado, de na&ccedil;&atilde;o, recorrendo &ndash; qui&ccedil;&aacute;, de forma assaz simplista &ndash;, &agrave;s exegeses cl&aacute;ssicas da literatura sobre nacionalismo &ndash; e para justificar a sua pertin&ecirc;ncia nas esferas sociais, como a educa&ccedil;&atilde;o. A autora come&ccedil;a por sustentar que a democracia moderna depende de uma clara defini&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio, e de cidadania (p. 35), a qual fomenta uma ideia de igualdade entre todos os membros da na&ccedil;&atilde;o, unindo-os a um destino coletivo e incitando a criatividade a fim de trazer benef&iacute;cios coletivos. A ideia de na&ccedil;&atilde;o, que decreta os contornos da cidadania, permanece em constante intera&ccedil;&atilde;o com o Estado, no sentido em que este a molda atrav&eacute;s do nacionalismo. Ao integrar uma ideia de na&ccedil;&atilde;o que compreende todo o tecido social, o Estado-Na&ccedil;&atilde;o elimina as diferen&ccedil;as de estatuto social entre os membros, pois, existindo um sentimento nacional de perten&ccedil;a, as disparidades entre classes sociais s&atilde;o atenuadas &ndash; ou, no limite, desaparecem. O nacionalismo permite construir uma coliga&ccedil;&atilde;o que perpassa os estratos sociais (p. 86), atraindo-os para um destino, um caminho comum, do qual todos beneficiar&atilde;o.</p>     <p>Seguindo a literatura cl&aacute;ssica, Yael Tamir considera o nacionalismo fundamental para a consolida&ccedil;&atilde;o da narrativa nacional que, ora por interm&eacute;dio do desenvolvimento da literatura nacional, ora da expans&atilde;o da l&iacute;ngua a todos os segmentos da comunidade, possibilita a &laquo;coletiviza&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria&raquo; (p. 64), assente em momentos comuns de gl&oacute;ria e de desespero. A autora identifica tamb&eacute;m a influ&ecirc;ncia do nacionalismo no desenvolvimento dos sistemas de educa&ccedil;&atilde;o nacional, que devem ser, na sua tese, instrumentalizados em virtude de introduzir rituais nacionais, solidificando a nacionalidade, difundindo o conhecimento indispens&aacute;vel &agrave; participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, preservando, ao mesmo tempo, a liberdade democr&aacute;tica e os la&ccedil;os nacionais (p. 77).</p>     <p>&Eacute; nos la&ccedil;os nacionais que Yael Tamir, por um lado, vislumbra um nacionalismo do quotidiano (p. 72), que se exprime nos pequenos atos dom&eacute;sticos e pessoais (e.g. no conto de est&oacute;rias), e, por outro, justifica o nacionalismo no &acirc;mbito da psicologia social: afirma que os indiv&iacute;duos n&atilde;o conseguem viver isolados e salienta os perigos da solid&atilde;o. Indica-nos que o valor da na&ccedil;&atilde;o est&aacute; na inevitabilidade de estar em grupo, visto que os indiv&iacute;duos necessitam de um &laquo;sistema provedor de significados&raquo; (pp. 39, 45, 58), ou seja, de um quadro cultural, composto por instrumentos interpretativos do mundo. Inerente a esta necessidade &eacute; a imperatividade de reconhecimento por parte dos membros do grupo, a qual faz coincidir a autoestima do indiv&iacute;duo com a do grupo, e o combate &agrave; injusti&ccedil;a, de naturezas v&aacute;rias, que quando exacerbada pelo contexto pode resultar em hostilidade (pp. 46-49, 51).</p>     <p>Com a globaliza&ccedil;&atilde;o, as conce&ccedil;&otilde;es universais tenderam a romper com as filia&ccedil;&otilde;es locais e nacionais que conferiam significado aos membros de uma na&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, o nacionalismo, ao criar ligames mais fortes, focados na particularidade e no sentimento de solidariedade nacional, apresenta-se resiliente vis a vis as disrup&ccedil;&otilde;es sociais. Se a na&ccedil;&atilde;o, por n&atilde;o ser manutenida pelo nacionalismo, se desvanece, ent&atilde;o, a democracia e a figura do Estado perecer&atilde;o. A &laquo;escolha racional&raquo; ser&aacute;, no racioc&iacute;nio, a escolha da na&ccedil;&atilde;o (p. 56).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O NOVO NACIONALISMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A terceira parte de <i>Why Nationalism</i>, que compreende o argumento substancial do livro, trata, primeiro, os efeitos da globaliza&ccedil;&atilde;o sobre as conce&ccedil;&otilde;es de elite, de na&ccedil;&atilde;o, de Estado, e, depois, aborda a distin&ccedil;&atilde;o original entre &laquo;nacionalismo dos vulner&aacute;veis&raquo; (<i>nationalism of</i><i>the vulnerable</i>) e &laquo;nacionalismo dos abastados&raquo; (<i>nationalism of the affluent</i>). &Agrave; medida que avan&ccedil;ava, o globalismo e a cultura do universalismo tornaram-se rivais do Estado-Na&ccedil;&atilde;o e da cultura nacional (p. 94), erodindo n&atilde;o s&oacute; a coliga&ccedil;&atilde;o entre classes, mas tamb&eacute;m a cidadania, a educa&ccedil;&atilde;o nacional, a na&ccedil;&atilde;o e, por conseguinte, a democracia. A elite liberal apartou-se da na&ccedil;&atilde;o, desassociando-se da sua comunidade nacional em troca de uma constante mobilidade e transitoriedade internacional. N&atilde;o obstante, segundo Yael Tamir, a elite liberal poderia ter prevenido o aumento das desigualdades, que vinham crescendo desde os anos 1980 (p. 99). Todavia, ao desvalorizar os efeitos da resposta nacional das massas &ndash; o novo nacionalismo &ndash;, acabou por sustentar n&atilde;o s&oacute; a edifica&ccedil;&atilde;o de &laquo;duas na&ccedil;&otilde;es&raquo; hostis, onde antes apenas existia uma (pp. 104-105, 115), marcadas por divis&otilde;es de classe que n&atilde;o se associam e que consomem as premissas da meritocracia e da mobilidade social, como tamb&eacute;m o enfraquecimento das classes m&eacute;dias ocidentais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s hom&oacute;logas asi&aacute;ticas, proponentes de uma economia planeada (p. 112). Sem a elite, as massas voltam a apoiar no&ccedil;&otilde;es de coletivo construtoras de uma &uacute;nica leitura do futuro que mitigue a sensa&ccedil;&atilde;o de aliena&ccedil;&atilde;o, de falta de reconhecimento e de injusti&ccedil;a que, de acordo com Yael Tamir, &eacute; experienciada pelos &laquo;vulner&aacute;veis&raquo; com maior intensidade quando as circunst&acirc;ncias externas o imp&otilde;em. O novo nacionalismo &eacute; racional e calculado, fruto das prioridades dadas aos riscos e &agrave;s oportunidades, e mediado pela personalidade dos indiv&iacute;duos (p. 126).</p>     <p>Dentro deste novo nacionalismo, a autora distingue entre dois tipos. Por um lado, socorrendo-se do caso norte-americano, o &laquo;nacionalismo dos vulner&aacute;veis&raquo; &eacute; marcado pelo descontentamento da maioria nacional mais afetada pelas din&acirc;micas da globaliza&ccedil;&atilde;o face aos reconhecimentos cultural e pol&iacute;tico conferidos pelas elites liberais &agrave;s minorias, ao princ&iacute;pio da diversidade e &agrave;s pol&iacute;ticas de identidade, entendidos como perdas do sentido de na&ccedil;&atilde;o: a ambiguidade do coletivo nacional determina o desvanecimento da na&ccedil;&atilde;o (p. 128). Este novo nacionalismo, que para Yael Tamir n&atilde;o &eacute; injustificado, nem meramente rid&iacute;culo &ndash; constitui, ao inv&eacute;s, uma &laquo;vit&oacute;ria democr&aacute;tica&raquo; (p. 135) &ndash;, procura o restabelecimento quase-sentimental da na&ccedil;&atilde;o, do estatuto de membros origin&aacute;rios e da solidariedade entre classes. &Eacute; um nacionalismo <i>bottom-up</i>, contr&aacute;rio aos seus antecessores, que retira poder efetivo aos que se imiscuem das responsabilidades nacionais &ndash; a elite liberal &ndash; e restabelece o equil&iacute;brio nacional-global. Por outro, examinando a experi&ecirc;ncia catal&atilde;, o &laquo;nacionalismo dos abastados&raquo; &ndash; entenda-se abastado no sentido de ser adotado por na&ccedil;&otilde;es ditas capazes de produzir bens p&uacute;blicos &ndash;, al&eacute;m de ser mais percet&iacute;vel pelas elites porquanto afeta a &laquo;integridade do Estado&raquo; (p. 148), surge da eros&atilde;o do poder pol&iacute;tico e do sentimento de injusti&ccedil;a hist&oacute;rica sentido pelas na&ccedil;&otilde;es minorit&aacute;rias aquando da sua necess&aacute;ria assimila&ccedil;&atilde;o pelo nacionalismo maiorit&aacute;rio, prescrevendo uma separa&ccedil;&atilde;o nacional, uma linha de rutura com a solidariedade nacional, ao contr&aacute;rio do &laquo;nacionalismo dos vulner&aacute;veis&raquo; (p. 148).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>UM NACIONALISMO LIBERAL?</b></p>     <p>Na quarta parte de <i>Why Nationalism</i> reside a conclus&atilde;o substancial, em conjunto com a refer&ecirc;ncia a outras contribui&ccedil;&otilde;es suas anteriores, nomeadamente no que respeita ao seu nacionalismo liberal e ao debate da inclus&atilde;o. No que concerne ao debate da inclus&atilde;o, Yael Tamir acaba por concluir que esta tem os seus custos ao afetar a coes&atilde;o interna e o significado da na&ccedil;&atilde;o &ndash; e, no limite, a manuten&ccedil;&atilde;o das fronteiras do pr&oacute;prio Estado &ndash;, pelo que qualquer assun&ccedil;&atilde;o de uma abertura total &agrave; inclus&atilde;o deveria ser abdicada, em virtude da preserva&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o (p. 157).</p>     <p>No argumento do nacionalismo liberal, que n&atilde;o se confunde com o foco constitucional (visto como insuficiente) do nacionalismo c&iacute;vico, o Estado-Na&ccedil;&atilde;o desempenha um papel fundamental no combate &agrave;s tens&otilde;es culturais e na manuten&ccedil;&atilde;o das filia&ccedil;&otilde;es culturais e tradicionais, por meio de pol&iacute;ticas estruturais efetivas (e.g. educa&ccedil;&atilde;o) de integra&ccedil;&atilde;o e de acomoda&ccedil;&atilde;o dos imigrantes na na&ccedil;&atilde;o. Esta vers&atilde;o do nacionalismo com <i>nuances</i> de liberalismo apresenta-se, para Yael Tamir, como o alicerce do novo contrato social que perpassa as classes sociais, recuperando a elite para a na&ccedil;&atilde;o, distribuindo os riscos e as oportunidades da globaliza&ccedil;&atilde;o pela maioria vulner&aacute;vel e assegurando a justi&ccedil;a real e o reconhecimento moralmente necess&aacute;rio (pp. 167 e 180). Um nacionalismo tel&uacute;rico que coloca os nacionais primeiro, envolvendo algum favoritismo intragrupo morigerado por matizes de toler&acirc;ncia e liberdade <i>vis a vis</i> as minorias nacionais, as quais, embora protegidas e respeitadas, devem ser assimiladas empaticamente na identidade nacional (p. 178).</p>     <p>A pertin&ecirc;ncia de <i>Why Nationalism</i> prende-se com a vontade de salientar a relev&acirc;ncia de uma an&aacute;lise cr&iacute;tica do nacionalismo, que n&atilde;o deve ser ignorada por qualquer no&ccedil;&atilde;o ing&eacute;nua de progresso. Do mesmo modo, compreende-se a necessidade de olhar o Estado-Na&ccedil;&atilde;o, mas, sobretudo, a na&ccedil;&atilde;o, enquanto quadro hist&oacute;rico-cultural fundamental para as sociedades. Por ser uma postura debat&iacute;vel, no esfor&ccedil;o de torn&aacute;-la sustent&aacute;vel &eacute;, porventura, categ&oacute;rica a apresenta&ccedil;&atilde;o de um ecleticismo te&oacute;rico amplo que nos convide a pensar da mesma forma, o que, todavia, &eacute; pouco explorado em <i>Why Nationalism</i>. De facto, ficam para o leitor algumas rela&ccedil;&otilde;es por fazer, mas que, &eacute; certo, encontramos na literatura recente, por exemplo, quanto &agrave; distin&ccedil;&atilde;o &ndash; ou n&atilde;o &ndash;, entre nacionalismo e patriotismo<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, ou quanto aos diferentes impactos que distintas variantes do nacionalismo &ndash; atentando &agrave;s particularidades de cada um, as quais excedem aquelas identificadas no novo nacionalismo da autora &ndash; t&ecirc;m sobre o comportamento dos estados<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Al&eacute;m disso, da forma como constitui o seu nacionalismo liberal, Yael Tamir n&atilde;o discute, pragmaticamente, a sua aplica&ccedil;&atilde;o e nem tem em conta as consequ&ecirc;ncias que este poder&aacute; ter, por um lado, internamente, na exig&ecirc;ncia democr&aacute;tica de uma revisita&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica &agrave;s mem&oacute;rias e narrativas nacionais, e, por outro, externamente, ora na continuidade e na subsist&ecirc;ncia do projeto europeu, que se apoia na articula&ccedil;&atilde;o sint&eacute;tica e singular entre o Estado-Na&ccedil;&atilde;o e o quadro das institui&ccedil;&otilde;es europeias, ora na pr&oacute;pria ordem internacional liberal que, assente no multilateralismo, vem sendo, com maior ou menor sucesso ao longo de diferentes distribui&ccedil;&otilde;es de poder, preservada desde a Segunda Guerra Mundial. O nacionalismo &eacute; uma for&ccedil;a poderosa, mas a flexibilidade que prop&otilde;e &eacute;, como em qualquer outro caso, question&aacute;vel. <i>Why Nationalism</i>, de Yael Tamir, &eacute; importante na conjuntura internacional porque lan&ccedil;a novas respostas a velhas perguntas, mantendo, por&eacute;m, a principal: porqu&ecirc; o nacionalismo?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CRITTENDON, David &ndash; &laquo;Differentiating patriotism and nationalism: influence of valence in primes&raquo;. In <i>New School Psychology Bulletin</i>. Vol. 15, N.&ordm; 1, 2018, pp. 1-10.</p>     <p>HEINRICH, Horst-Alfred &ndash; &laquo;Dimensional differences between nationalism and patriotism&raquo;. In GRIMM, J&uuml;rgen; HUDDY, Leonie; SCHMIDT, Peter; SEETHALER, Josef, eds. &ndash; <i>Dynamics of</i><i>National Identity: Media and Societal Factors of What We Are</i>. Londres: Routledge, 2016.</p>     <p>KOCHER, Matthew Adam; LAWRENCE, Adria K.; MONTEIRO, Nuno P. &ndash; &laquo;Nationalism, collaboration, and resistance: France under nazi occupation&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 43, N.&ordm; 2, 2018, pp. 117-150. doi: 10.1162/isec_a_00329.</p>     <p>RESENDE, Madalena Meyer &ndash; <i>Catholicism and Nationalism: Changing Nature of Party</i><i>Politics</i>. Londres: Routledge, 2014.</p>     <p>SCHROCK-JACOBSON, Gretchen &ndash; &laquo;The violent consequences of the nation: nationalism and the initiation of interstate war&raquo;. In <i>The Journal of Conflict Resolution</i>. Vol. 56, N.&ordm; 5, 2012, pp. 825-852.</p>     <p>TAMIR, Yael (Yuli) &ndash; &laquo;Not so civic: is there a difference between ethnic and civic nationalism?&raquo;. In <i>Annual Review of Political Science</i>. Vol. 22, N.&ordm; 1, 2019, pp. 419-434,doi: <a href="https://doi.org/10.1146/annurev-polisci-022018-024059" target="_blank">10.1146/annurev-polisci-022018-024059</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Dois contributos recentes neste debate s&atilde;o: CRITTENDON, David &ndash; &laquo;Differentiating patriotism and nationalism: influence of valence in primes&raquo;. In <i>New School Psychology</i><i>Bulletin</i>. Vol. 15, N.&ordm; 1, 2018, pp. 1-10; e HEINRICH, Horst-Alfred &ndash; &laquo;Dimensional differences between nationalism and patriotism&raquo;. In GRIMM, J&uuml;rgen; HUDDY, Leonie; SCHMIDT, Peter; SEETHALER, Josef, eds. &ndash; <i>Dynamics of National Identity: Media and Societal Factors of What</i><i>We Are</i>. Londres: Routledge, 2016, p. 382.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Yael Tamir publicou, no passado m&ecirc;s de maio, um artigo (que parece continuar o argumento de Why Nationalism), onde analisa a distin&ccedil;&atilde;o entre nacionalismo c&iacute;vico e nacionalismo &eacute;tnico. Cf. TAMIR, Yael (Yuli) &ndash; &laquo;Not so civic: is there a difference between ethnic and civic nationalism?&raquo;. In <i>Annual Review of Political Science</i>. Vol. 22, N.&ordm; 1, 2019, pp. 419-434. N&atilde;o obstante, relativamente &agrave; forma como as particularidades de cada nacionalismo motivam diferentes decis&otilde;es por parte dos estados, seja no que respeita &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia, seja na propens&atilde;o para a guerra ou para o conflito, salientamos, aqui, os contributos de: RESENDE, Madalena Meyer &ndash; <i>Catholicism and Nationalism: Changing</i><i>Nature of Party Politics</i>. Londres: Routledge, 2014; SCHROCK-JACOBSON, Gretchen &ndash; &laquo;The violent consequences of the nation: nationalism and the initiation of interstate war&raquo;. In <i>The</i><i>Journal of Conflict Resolution</i>. Vol. 56, N.&ordm; 5, 2012, pp. 825--852; e KOCHER, Matthew Adam; LAWRENCE, Adria, K.; MONTEIRO, Nuno P. &ndash; &laquo;Nationalism, collaboration, and resistance: France under nazi occupation&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 43, N.&ordm; 2, 2018, pp. 117-150.</p>     ]]></body>
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