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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ecos e reflexos do internacionalismo e da ideia wilsoniana de autodeterminação na política externa portuguesa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article intends to relate and articulate the Wilsonian concept of self-determination, the way it was received at the Versailles Peace Conference and how this resulted in the mandate systems with the main positions of the Portuguese delegation as well as its impact in Portuguese foreign policy. Though in Versailles the continuity of the Portuguese empire was assured, Wilson's internationalist vision gave birth to new challenges and obligations to Portugal, not only because it was of paramount importance to participate in the new international institutions – the League of Nations and International Labour Organization – but also because of the need to react to the new supervision tools these new organizations implemented.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>DO TRATADO DE VERSALHES &Agrave; CRISE DO INTERNACIONALISMO LIBERAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ecos e reflexos do internacionalismo e da ideia wilsoniana de autodetermina&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica externa portuguesa</b></p>     <p><b>Echoes and reflexes of internationalism and the wilsonian idea of self-determination in the Portuguese foreign policy</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nuno Canas Mendes</b></p>     <p>ISCSP &ndash; ULisboa | Rua Almerindo Lessa, 1300-663 Lisboa | <a href="mailto:ncm@iscsp.ulisboa.pt">ncm@iscsp.ulisboa.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente texto pretende relacionar e articular o conceito wilsoniano de autodetermina&ccedil;&atilde;o, a forma como foi acolhido na Confer&ecirc;ncia de Paz de Versalhes e desembocou no sistema de mandatos, com as posi&ccedil;&otilde;es e debates da delega&ccedil;&atilde;o portuguesa &agrave; mesma confer&ecirc;ncia e o seu impacto na pol&iacute;tica externa portuguesa. Embora em Versalhes se tenha confirmado a persist&ecirc;ncia das possess&otilde;es africanas, a vis&atilde;o internacionalista de Wilson introduziu novos desafios e encargos para Portugal, quer pela necessidade de participar de forma ativa nas novas institui&ccedil;&otilde;es internacionais ent&atilde;o criadas, quer pela necessidade de dar resposta aos novos dispositivos de supervis&atilde;o e vigil&acirc;ncia por elas lan&ccedil;ados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es, Portugal, autodetermina&ccedil;&atilde;o, pol&iacute;tica externa portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article intends to relate and articulate the Wilsonian concept of self-determination, the way it was received at the Versailles Peace Conference and how this resulted in the mandate systems with the main positions of the Portuguese delegation as well as its impact in Portuguese foreign policy. Though in Versailles the continuity of the Portuguese empire was assured, Wilson&rsquo;s internationalist vision gave birth to new challenges and obligations to Portugal, not only because it was of paramount importance to participate in the new international institutions &ndash; the League of Nations and International Labour Organization &ndash; but also because of the need to react to the new supervision tools these new organizations implemented.</p>     <p><b>Keywords</b>: League of Nations, Portugal, self-determination, Portuguese foreign policy.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A ideia de autodetermina&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ada por Woodrow Wilson (o quinto dos seus &laquo;?? Pontos&raquo;)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> veio acrescentar uma nova dimens&atilde;o ao tema da continuidade do imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s lan&ccedil;ada pelo <i>scramble</i> for Africa de finais de Oitocentos. Se, por um lado, a Confer&ecirc;ncia de Paz de Versalhes confirmou a manuten&ccedil;&atilde;o do <i>statu quo</i> colonial, por outro, a cria&ccedil;&atilde;o da Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es (SdN) e dos seus mecanismos normativos e de supervis&atilde;o, bem como do sistema de mandatos, lan&ccedil;aram novos temas e alguns motivos de inquieta&ccedil;&atilde;o para a classe pol&iacute;tica portuguesa. Como notou Tiago Moreira de S&aacute;, a nova organiza&ccedil;&atilde;o introduziu uma mudan&ccedil;a sens&iacute;vel resultante da &laquo;substitui&ccedil;&atilde;o do sistema de equil&iacute;brio de poder, pelo de seguran&ccedil;a coletiva&raquo;, que dava destaque &agrave; &laquo;a&ccedil;&atilde;o coletiva de todos os Estados que, supostamente, reconheciam a exist&ecirc;ncia de um interesse comum na manuten&ccedil;&atilde;o da estabilidade e da paz internacional&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> . Ora, se &eacute; verdade que em Versalhes se confirmou a persist&ecirc;ncia das possess&otilde;es africanas, a vis&atilde;o internacionalista de Wilson introduziu novos desafios e encargos para Portugal, quer pela necessidade de participar de forma ativa nas novas institui&ccedil;&otilde;es internacionais ent&atilde;o criadas, quer pela necessidade de dar resposta aos novos dispositivos de supervis&atilde;o e vigil&acirc;ncia por elas lan&ccedil;ados, em que, n&atilde;o raras vezes, a imagem externa de Portugal n&atilde;o era exatamente favor&aacute;vel.</p>     <p>O que se procurar&aacute; explorar neste artigo &eacute; o entendimento de autodetermina&ccedil;&atilde;o para Wilson, a maneira como foi interpretado e consubstanciado internacionalmente e os efeitos que teve nos debates da delega&ccedil;&atilde;o portuguesa ocorridos em Versalhes, assim como o seu impacto na pol&iacute;tica externa portuguesa na sua orienta&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o colonial<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> . Alguns dos temas e argumentos aqui expostos d&atilde;o seguimento a um artigo que publiquei no <i>Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa</i>, em 2011, e a um segundo, revisto e bastante transformado, dado &agrave; estampa no Portuguese <i>Journal of Social Science</i>, em 2017. Num caso e noutro &eacute; apresentada uma revis&atilde;o de literatura, que se omite no presente texto<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> .</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O ENTENDIMENTO DE AUTODETERMINA&Ccedil;&Atilde;O PARA WOODROW WILSON</b></p>     <p>O debate sobre o internacionalismo, os despojos das pot&ecirc;ncias derrotadas e a ideia de supervis&atilde;o revolucionariamente introduzida pela cria&ccedil;&atilde;o da SdN trouxeram &agrave; superf&iacute;cie a necessidade de regular as rela&ccedil;&otilde;es entre os imp&eacute;rios quer pela produ&ccedil;&atilde;o normativa, quer pela diplomacia multilateral que se foi aprofundando no quadro desta organiza&ccedil;&atilde;o e da sua subsidi&aacute;ria Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT). Estes novos dispositivos t&ecirc;m de ser relacionados com a ideia de autodetermina&ccedil;&atilde;o que parcialmente os sustenta, de que Woodrow Wilson se instituiu arauto. Com efeito, Wilson definiu autodetermina&ccedil;&atilde;o como um consentimento dos governados, num encontro entre soberania popular e a autodetermina&ccedil;&atilde;o nacional, partindo do princ&iacute;pio de que as na&ccedil;&otilde;es antecedem e originam os estados. A declara&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia dos Estados Unidos fazia depender do consentimento dos governados a pedra de toque para a legitimidade dos governos, o que negava a coloniza&ccedil;&atilde;o de &laquo;conquista&raquo;. &Eacute; nesta tradi&ccedil;&atilde;o que a f&oacute;rmula de Wilson deve ser entendida quando se refere aos &laquo;interesses das popula&ccedil;&otilde;es em jogo&raquo;, as quais dever&atilde;o ter &laquo;o mesmo peso que as reivindica&ccedil;&otilde;es equitativas do governo&raquo;.</p>     <p>Numa Europa Central e Oriental e nuns Balc&atilde;s onde se geriam os fragmentos dos imp&eacute;rios alem&atilde;o e austro-h&uacute;ngaro e ainda num M&eacute;dio Oriente em que o Imp&eacute;rio Otomano se pulverizara, a autodetermina&ccedil;&atilde;o funcionaria como guia para a reorganiza&ccedil;&atilde;o dos estados indo ao encontro do princ&iacute;pio das nacionalidades, constituindo-se, ao mesmo tempo, como uma alternativa democr&aacute;tica &agrave; ideologia sovi&eacute;tica e &agrave; teoriza&ccedil;&atilde;o leninista de constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista. O apelo aos &laquo;povos&raquo; mais do que aos governos suplantou rapidamente a postura de Wilson para se tornar o mote da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos oprimidos e explorados por poderes alien&iacute;genas, uma esp&eacute;cie de nova voz para os <i>povos mudos do mundo</i><sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> .</p>     <p>Com efeito, a obra de Erez Manela<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> veio salientar sobretudo a apropria&ccedil;&atilde;o que foi feita do pensamento wilsoniano pelos l&iacute;deres nacionalistas anticoloniais do Egito, da Tun&iacute;sia, da S&iacute;ria, da &Iacute;ndia, da China ou da Coreia, que a ele naturalmente se fixaram. A autodetermina&ccedil;&atilde;o tornar-se-ia assim num roteiro do anticolonialismo, ainda que o Pacto da Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es a condicionasse ao exerc&iacute;cio, atribu&iacute;do aos vencedores, de mandato para administra&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios sem capacidade para autogoverno (art.&ordm; 22)<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> . As pot&ecirc;ncias mandat&aacute;rias passavam a ter a &laquo;obriga&ccedil;&atilde;o de promover o desenvolvimento e a educa&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es, tendo em vista o acesso a uma progressiva autonomia&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> . Mas, de facto, n&atilde;o havia no pensamento de Wilson plasmado no pacto uma defini&ccedil;&atilde;o de quais seriam os &laquo;povos&raquo;, nem de como se definiria a na&ccedil;&atilde;o e o respetivo territ&oacute;rio e fronteiras ou sequer quais seriam os fundamentos para a cidadania. E, como se sabe, a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da autodetermina&ccedil;&atilde;o na Europa trouxe, de imediato, um sem-n&uacute;mero de problemas que t&ecirc;m de ser entendidos no quadro do antissovietismo e do receio da ressurg&ecirc;ncia alem&atilde;. Claramente, na vis&atilde;o seletiva de Wilson a &laquo;quest&atilde;o colonial&raquo; n&atilde;o podia ser considerada de igual modo, nem era esse o entendimento das lideran&ccedil;as presentes em Versalhes. O Presidente franc&ecirc;s, Poincar&eacute;, foi o rosto da obje&ccedil;&atilde;o ao plano wilsoniano, temendo pela continuidade do imp&eacute;rio franc&ecirc;s em &Aacute;frica e na &Aacute;sia. Um representante dos Dominions, o primeiro-ministro australiano Billy Hughes, veio anunciar que n&atilde;o desejava que a presen&ccedil;a alem&atilde; no Pac&iacute;fico viesse a ser substitu&iacute;da pela do Jap&atilde;o ou pela de outro qualquer pa&iacute;s n&atilde;o brit&acirc;nico. A proposta do general Smuts de cria&ccedil;&atilde;o dos mandatos apresentada no livro <i>The League of Nations: A Practical Suggestion</i> (1919) surgiu, assim, como o compromisso poss&iacute;vel entre Wilson e as reservas dos estados presentes na Confer&ecirc;ncia de Paz<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> . A 27 de janeiro de 1919, o Presidente americano aplacava as inquieta&ccedil;&otilde;es numa alocu&ccedil;&atilde;o feita no Conselho dos Dez (composto pelos chefes de governo e ministros dos Neg&oacute;cios Estrangeiros dos Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, It&aacute;lia e Jap&atilde;o), em que se referia &agrave; utilidade de preservar os povos &laquo;atrasados&raquo; de abusos semelhantes &agrave;queles que tinham ocorrido &agrave;s m&atilde;os dos alem&atilde;es, para lhes assegurar o desenvolvimento necess&aacute;rio a que, uma vez chegado o momento, pudessem exprimir uma opini&atilde;o sobre a sua sorte, provavelmente desejando uma uni&atilde;o com a &laquo;pot&ecirc;ncia administrante&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> .</p>     <p>De certo modo, e em circunst&acirc;ncias bastante alteradas, o esp&iacute;rito liberal da Confer&ecirc;ncia de Berlim de 1884-1885 coroado pela no&ccedil;&atilde;o de &laquo;miss&atilde;o civilizadora&raquo;, ganhava agora forma com esta nova camada que era a responsabilidade traduzida em supervis&atilde;o e vigil&acirc;ncia acometidas a uma organiza&ccedil;&atilde;o e consequentemente multilateralizada. Assim, ao que antes se considerava, na competi&ccedil;&atilde;o entre estados, num plano meramente bilateral passava a ter esta dimens&atilde;o institucional. Neste mesmo contexto &eacute; de referir que havia surgido na Gr&atilde;-Bretanha um movimento humanit&aacute;rio com propostas claramente ut&oacute;picas, onde se destacara E. D. Morel ao defender a ideia de &laquo;international trusteeship&raquo;, que, nos seus pressupostos b&aacute;sicos, abalava as bases do modelo imperial pela defesa da autodetermina&ccedil;&atilde;o, o controlo supranacional transit&oacute;rio, o com&eacute;rcio livre e o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es nativas, culminando numa &Aacute;frica internacionalizada e neutralizada<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> .</p>     <p>Nesta genealogia, o marco essencial para a defini&ccedil;&atilde;o do conceito hodierno de autodetermina&ccedil;&atilde;o &eacute; o Pacto do Atl&acirc;ntico de 1941 &ndash; inequivocamente explicitando o direito dos povos a disporem de si mesmos, a escolherem a sua forma de governo e a exercerem soberania<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> &ndash;, seguido de uma fixa&ccedil;&atilde;o e clarifica&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios em 1960, pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> .</p>     <p>A Comiss&atilde;o Permanente de Mandatos, nascida a partir da proposta de Smuts, tinha a seu cargo a &laquo;administra&ccedil;&atilde;o&raquo; dos territ&oacute;rios outrora dominados pelos imp&eacute;rios alem&atilde;o e otomano, a qual foi confiada &agrave; Fran&ccedil;a, &agrave; Gr&atilde;-Bretanha, &agrave; B&eacute;lgica e &agrave; Uni&atilde;o Sul-Africana. Como diz Pedersen, &laquo;o envolvimento da SdN abriu espa&ccedil;o para a discuss&atilde;o, a contesta&ccedil;&atilde;o e o desafio internacional a essa ordem imperial&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> . As peti&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a ser usadas como forma de express&atilde;o pelo descontentamento perante essa ordem, a sensibilizar a opini&atilde;o p&uacute;blica para as raz&otilde;es de queixa das popula&ccedil;&otilde;es e a criar embara&ccedil;os &agrave;s pot&ecirc;ncias imperiais. Obviamente, a referida comiss&atilde;o deveria estar atenta e vigilante em rela&ccedil;&atilde;o aos abusos e viol&ecirc;ncias perpetrados pelas pot&ecirc;ncias mandat&aacute;rias que beneficiavam de uma capacidade direta de interven&ccedil;&atilde;o que substantivamente n&atilde;o era diversa das que exerciam o dom&iacute;nio colonial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A POSI&Ccedil;&Atilde;O PORTUGUESA FACE &Agrave; &laquo;QUEST&Atilde;O COLONIAL&raquo; E AO SISTEMA DE MANDATOS EM VERSALHES</b></p>     <p>Se, por um lado, em Versalhes, Portugal conseguiu obter a garantia da integridade do imp&eacute;rio incluindo a recupera&ccedil;&atilde;o de Quionga para Mo&ccedil;ambique, por outro, foi adquirindo a no&ccedil;&atilde;o de que se avizinhavam outros problemas, alguns deles com incid&ecirc;ncias muito concretas em algumas das col&oacute;nias. Foram v&aacute;rios os temas tratados pela delega&ccedil;&atilde;o portuguesa: para al&eacute;m da quest&atilde;o de Quionga e dos projetos sul-africanos em Mo&ccedil;ambique, tratar da delimita&ccedil;&atilde;o de fronteiras com o Congo Belga, do aproveitamento de Ruacan&aacute; e do acesso do Congo Belga ao mar, bem como as pretens&otilde;es relativamente a Cabinda. Outros assuntos melindrosos que deram o tom sobre o peso de Portugal (&laquo;a maior das pequenas pot&ecirc;ncias&raquo;, como referiu Afonso Costa) neste contexto foram a aspira&ccedil;&atilde;o de integrar o Conselho Executivo da SdN e a quest&atilde;o das repara&ccedil;&otilde;es de guerra, que n&atilde;o se esmi&uacute;&ccedil;am aqui.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O esp&iacute;rito da tutela internacional plasmado na aplica&ccedil;&atilde;o dos mandatos e no bem-estar e desenvolvimento dos povos, como &laquo;miss&atilde;o sagrada da civiliza&ccedil;&atilde;o&raquo; fundada em &laquo;garantias&raquo;, exp&ocirc;s fragilidades sobre o modelo de governo das col&oacute;nias, sobre as pretens&otilde;es de outras pot&ecirc;ncias &ndash; designadamente a Uni&atilde;o Sul-Africana &ndash; e ainda sobre t&oacute;picos pol&eacute;micos como escravatura e consumos de &aacute;lcool e &oacute;pio, como se veria nas duas d&eacute;cadas subsequentes.<br />   Os relat&oacute;rios enviados para a SdN que se encontram no Arquivo Hist&oacute;rico-Diplom&aacute;tico do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, atestam-no: &laquo;Tr&aacute;fico de bebidas espirituosas&raquo;, &laquo;Tr&aacute;fico de mulheres e crian&ccedil;as&raquo;, &laquo;Escravatura&raquo; e &laquo;&Oacute;pio e o seu tr&aacute;fico il&iacute;cito em Macau&raquo;.<br /> &Eacute; verdade que alguns dos inqu&eacute;ritos e averigua&ccedil;&otilde;es foram contornados, mas mesmo assim &eacute; de salientar que as autoridades portuguesas procuraram demonstrar o seu respeito pelos compromissos assumidos internacionalmente, ainda que tal n&atilde;o possa ser entendido como uma mudan&ccedil;a realmente operada relativamente a estes problemas.</p>     <p>Como assinalou Francisca Saraiva:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;a agenda pol&iacute;tica portuguesa ser&aacute; largamente dominada pelo temor de uma &ldquo;internacionaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da quest&atilde;o colonial africana a partir do sistema de mandatos. Valeu-nos a press&atilde;o das grandes pot&ecirc;ncias com interesses coloniais que se bateram para que os mandatos se confinassem &agrave;s antigas possess&otilde;es alem&atilde;s e otomanas&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a></blockquote> .     <p></p>     <p>A este prop&oacute;sito, observava, jocosamente, o j&aacute; referido chefe do Governo australiano, Hughes, que este tinha sido o &laquo;compromisso&raquo; com Wilson: &laquo;Deem-lhe a Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es e ele dar-nos-&aacute; tudo o resto. Que bom. Ele ter&aacute; o seu emprego&raquo;<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> .</p>     <p>H&aacute; duas figuras que integram a delega&ccedil;&atilde;o portuguesa a Versalhes e que ter&atilde;o um papel crucial na SdN, entre 1921 e 1940, como membros da Comiss&atilde;o Permanente de Mandatos: o general Alfredo Augusto Freire de Andrade e Jos&eacute; Capelo Franco Fraz&atilde;o, conde de Penha Garcia. Um e outro t&ecirc;m amplos conhecimentos sobre a import&acirc;ncia do problema colonial face &agrave;s novas tend&ecirc;ncias que se delineiam, tendo o primeiro deles uma ampla experi&ecirc;ncia em Mo&ccedil;ambique, de que chegou a ser governador-geral.</p>     <p>Penha Garcia, que esteve onze anos na referida comiss&atilde;o, de julho de 1929 at&eacute; &agrave; data da sua morte, em abril de 1940<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> , na reuni&atilde;o da delega&ccedil;&atilde;o portuguesa, em Paris, de 31 de janeiro de 1919, alude ao &laquo;princ&iacute;pio da internacionaliza&ccedil;&atilde;o, que pode envolver perigo para as nossas col&oacute;nias&raquo;. Freire de Andrade, tamb&eacute;m ele membro da Comiss&atilde;o de Mandatos entre fevereiro de 1921 e julho de 1929, assim como do Bureau Internacional do Trabalho, na mesma sess&atilde;o, vai mais longe:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Al&eacute;m da opini&atilde;o do Presidente sobre o tratamento das col&oacute;nias alem&atilde;s, que agora parece prevalecer, est&atilde;o-se publicando teorias da mesma origem em que se pressup&otilde;e que de futuro as col&oacute;nias ficam todas submetidas a um regime especial econ&oacute;mico e de administra&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, sujeita &agrave; fiscaliza&ccedil;&atilde;o da SdN. Parece que &eacute; assim que se pretende interpretar o artigo do programa de paz do Presidente Wilson, que diz &ldquo;Um arranjo livre, franco e absolutamente imparcial de todas as reclama&ccedil;&otilde;es coloniais, baseadas sobre a estrita observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio que na fixa&ccedil;&atilde;o dos direitos de soberania os interesses das popula&ccedil;&otilde;es interessadas devem ter o mesmo peso que as justas reclama&ccedil;&otilde;es dos governos cujo t&iacute;tulo est&aacute; para ser determinado (&hellip;)&rdquo;. Por outro lado, o general Smuts &eacute; de opini&atilde;o que as diversas pot&ecirc;ncias n&atilde;o devem, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas col&oacute;nias, considerar-se como n&atilde;o tendo sen&atilde;o a salvaguardar os seus interesses financeiros e a regulamentar a administra&ccedil;&atilde;o e o tr&aacute;fico. Elas devem, <i>como mandat&aacute;rias da sociedade das na&ccedil;&otilde;es fazer prosperar pelo livre desenvolvimento do com&eacute;rcio esses pa&iacute;ses atrasados, tendo em conta os interesses e necessidades das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas</i>&raquo; (sublinhado nosso)<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> .</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Em poucas palavras, Freire de Andrade fixava o essencial do pensamento liberal como fundamento da ideia de autodetermina&ccedil;&atilde;o de Wilson.</p>     <p>Na sess&atilde;o de 22 de abril, &Aacute;lvaro de Castro e Freire de Andrade reuniram com os generais Botha e Smuts sobre o tema da absor&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique pela Uni&atilde;o Sul-Africana, registando a ata que mesmo entre a popula&ccedil;&atilde;o da col&oacute;nia &laquo;se cultiva o v&iacute;rus da separa&ccedil;&atilde;o&raquo; e se registavam manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de defesa da independ&ecirc;ncia da col&oacute;nia. Soube-se que, na proposta de cria&ccedil;&atilde;o dos mandatos, Smuts tentou criar uma oportunidade de fundamentar a supervis&atilde;o internacional dos territ&oacute;rios portugueses, admitindo uma posterior interven&ccedil;&atilde;o sul-africana (que, como tamb&eacute;m se sabe, administrou a antiga col&oacute;nia alem&atilde; denominada Sudoeste Africano) e a eventual anexa&ccedil;&atilde;o da muito cobi&ccedil;ada ba&iacute;a de Louren&ccedil;o Marques.</p>     <p>A 10 de setembro de 1919, Portugal assinava a Conven&ccedil;&atilde;o de St. Germain-em-Laye, espec&iacute;fica para assuntos coloniais, para aplica&ccedil;&atilde;o do estipulado no artigo 23.&ordm; do pacto, designadamente o &laquo;tratamento equitativo das popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas&raquo; e a &laquo;superintend&ecirc;ncia&raquo; pela SdN do &laquo;com&eacute;rcio de armas&raquo;.</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o de Portugal na Comiss&atilde;o Permanente de Mandatos, que tinha 11 membros, revelou-se de extrema import&acirc;ncia n&atilde;o s&oacute; pela oportunidade de poder acompanhar a experi&ecirc;ncia desta nova figura<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> .</p>     <p>Os compromissos assumidos internacionalmente por Portugal no quadro da SdN n&atilde;o se traduziram na pr&aacute;tica numa mudan&ccedil;a interna do <i>statu quo</i>. Por&eacute;m, registam-se altera&ccedil;&otilde;es decorrentes da obriga&ccedil;&atilde;o de reportar, mas tamb&eacute;m a adequa&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o interna &agrave;s novas normas internacionais, mesmo que s&oacute; num sentido puramente sem&acirc;ntico. Com o advento do Estado Novo, o multilateralismo abordado nos anos 1920 depressa seria posto de parte pela recupera&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o da alian&ccedil;a luso-brit&acirc;nica, a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha e o centralismo na governa&ccedil;&atilde;o colonial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ECOS E REFLEXOS DO INTERNACIONALISMO WILSONIANO EM PORTUGAL</b></p>     <p>Sendo certo que, como se viu, o pensamento de Wilson, ainda que com um sentido universalista, tinha em mente situa&ccedil;&otilde;es peculiares bastante mais relacionadas com os despojos dos imp&eacute;rios derrotados do que com a continuidade dos imp&eacute;rios, a sua aplica&ccedil;&atilde;o teve implica&ccedil;&otilde;es diretas para Portugal.</p>     <p>A d&eacute;cada de 1920 foi pr&oacute;diga em manifesta&ccedil;&otilde;es e debates em torno das amea&ccedil;as que reca&iacute;am sobre as col&oacute;nias e sobre a capacidade de resposta dos governos aos problemas. A opini&atilde;o p&uacute;blica estava muito desperta para o tema e muito atenta aos ecos do que se interpretava como <i>campanhas antiportuguesas</i> com origens diversas. Tal conduziu a uma mobiliza&ccedil;&atilde;o com laivos nacionalistas, de que resultou a cria&ccedil;&atilde;o, a partir de 1924, entre outras, da Comiss&atilde;o Africana e da Comiss&atilde;o de Defesa das Col&oacute;nias da Sociedade de Geografia de Lisboa, com o apoio de grupos de espetro amplo, como era o caso do N&uacute;cleo Republicano de A&ccedil;&atilde;o Colonial, fundado por &Aacute;lvaro de Castro, a Cruzada Nun&rsquo;&Aacute;lvares (ent&atilde;o maioritariamente constitu&iacute;da por mon&aacute;rquicos integralistas), as Ligas Oper&aacute;ria e Acad&eacute;mica, a Seara Nova, os jornais <i>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</i> e <i>S&eacute;culo</i> e os peri&oacute;dicos <i>Boletim da Ag&ecirc;ncia-Geral das Col&oacute;nias</i> e <i>Gazeta das Col&oacute;nias</i>. A quest&atilde;o colonial era transversal, ainda que analisada segundo prismas diferentes, nomeadamente no que diz respeito ao sistema pol&iacute;tico-administrativo a aplicar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em diversos setores e &aacute;reas, a ideia do Presidente dos Estados Unidos e o novo internacionalismo foi alvo de aten&ccedil;&atilde;o e debate, como se ver&aacute; de seguida, recorrendo a alguns exemplos. Nos anos 1920, o regionalismo tomava forma nos A&ccedil;ores, onde as grandes fam&iacute;lias de S&atilde;o Miguel aspiravam a uma &laquo;autonomia local completa&raquo;, o que poderia pressupor o recurso ao princ&iacute;pio da autodetermina&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> . Pr&oacute;ximo do fim da Grande Guerra, em 1918, Franklin D. Roosevelt, secret&aacute;rio de Estado adjunto da Marinha, havia visitado os A&ccedil;ores para inspecionar a for&ccedil;a naval americana ali estacionada, tendo ent&atilde;o emergido a ideia de independ&ecirc;ncia, abordada em jornais portugueses dos Estados Unidos, segundo informa&ccedil;&atilde;o do embaixador de Portugal em Washington, Jos&eacute; Francisco de Horta Machado da Fran&ccedil;a, conde de Alte<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> .</p>     <p>Interessante tamb&eacute;m notar no panorama editorial portugu&ecirc;s a aten&ccedil;&atilde;o crescente que passa a ser dada &agrave;s quest&otilde;es da pol&iacute;tica internacional e dos respetivos nexos com a pol&iacute;tica externa portuguesa, a par do que come&ccedil;ava a delinear-se como uma nova &aacute;rea disciplinar &ndash; t&atilde;o expressivamente denominada &laquo;Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais&raquo; &ndash;, cujo &acirc;ngulo de an&aacute;lise passou a ter uma import&acirc;ncia acrescida na avalia&ccedil;&atilde;o do ambiente externo e na fundamenta&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es com ele conexas. Os primeiros trabalhos que atestavam esta nova tend&ecirc;ncia, associando a an&aacute;lise da conjuntura internacional com os assuntos &laquo;internos&raquo;, foram exerc&iacute;cios fundadores de uma perspetiva internacionalista que foi alastrando a v&aacute;rios setores da pol&iacute;tica, da economia e da sociedade portuguesas do per&iacute;odo p&oacute;s-conflito. Tal &eacute; o caso do livro publicado pelo coronel Jo&atilde;o Lopes Carneiro de Moura<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> , autor de v&aacute;rios trabalhos sobre administra&ccedil;&atilde;o colonial e professor da Escola Colonial e da Escola Superior Colonial entre 1911 e 1928, intitulado <i>Depois da Guerra: Portugal e o Tratado de Paz</i>, e dado &agrave; estampa ainda em 1918<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> . Num conjunto de interessantes textos de tom ensa&iacute;stico, dissertava sobre as condi&ccedil;&otilde;es do armist&iacute;cio e professava o idealismo wilsoniano de cria&ccedil;&atilde;o de um ex&eacute;rcito internacional, &laquo;segundo as tend&ecirc;ncias cosmopolitas&raquo;. Mas a segunda parte do livro &eacute; dedicada ao que denomina &laquo;Pol&iacute;tica Internacional&raquo;, recaindo a t&oacute;nica nas quest&otilde;es de &laquo;pol&iacute;tica colonial&raquo; e na necessidade de a repensar e reformular em conson&acirc;ncia com as aten&ccedil;&otilde;es do mundo para as condi&ccedil;&otilde;es de vida das popula&ccedil;&otilde;es submetidas nos imp&eacute;rios agora sob novos instrumentos de vigil&acirc;ncia. Neste sentido, e ainda que sem nenhum tipo de consci&ecirc;ncia do facto, h&aacute; uma inten&ccedil;&atilde;o de analisar o quadro das rela&ccedil;&otilde;es internacionais que decorre em paralelo com a g&eacute;nese da disciplina noutras partes do mundo e em particular no Reino Unido.</p>     <p>Anos mais tarde, em 1924, o mesmo coronel Carneiro de Moura retomaria o assunto num artigo publicado no jornal <i>A Batalha</i>, a que deu o nome de &laquo;A expans&atilde;o do movimento internacional&raquo;, e nele opina sobre a &laquo;influ&ecirc;ncia da Liga das Na&ccedil;&otilde;es no regime e direito colonial&raquo; nas</p>     <p>     <blockquote>&laquo;rela&ccedil;&otilde;es internacionais, pela livre navega&ccedil;&atilde;o dos rios e dos canais, pelo livre acesso dos portos, pela liberdade internacional de miss&otilde;es cient&iacute;ficas e religiosas, em sequ&ecirc;ncia das doutrinas j&aacute; esbo&ccedil;adas nas confer&ecirc;ncias de Berlim e de Bruxelas. Aquela influ&ecirc;ncia quanto ao regime de concess&otilde;es ser&aacute; no sentido de aproveitamento das terras, em coopera&ccedil;&atilde;o, facilitado aos colonos e aos ind&iacute;genas; e quanto &agrave; m&atilde;o-de-obra ela deixar&aacute; de ser uma sobreviv&ecirc;ncia de escravid&atilde;o e de servid&atilde;o para ser a pr&aacute;tica duma educa&ccedil;&atilde;o apropriada ao labor cooperativo e coordenado de colonos e ind&iacute;genas&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> .</blockquote>     <p></p>     <p>Em s&iacute;ntese, a continua&ccedil;&atilde;o da ordem por meios mais &laquo;humanizados&raquo; com o tom liberal-idealista.</p>     <p>Entre 1919 e a funda&ccedil;&atilde;o do Estado Novo a quest&atilde;o do modelo de governa&ccedil;&atilde;o das col&oacute;nias foi recorrente, entre a ideia de maior autonomia e o centralismo, entre os poderes dos altos-comiss&aacute;rios nomeados para Angola e Mo&ccedil;ambique e a publica&ccedil;&atilde;o de um documento que concentrava todas as decis&otilde;es em Lisboa, o Ato Colonial, em 1930<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> . Mas no imediato p&oacute;s-guerra, quer pela posi&ccedil;&atilde;o da SdN quer a conselho do Foreign Office, impunha-se um novo modelo pol&iacute;tico-administrativo para as col&oacute;nias. Foi neste af&atilde; de mudan&ccedil;a, ali&aacute;s, que se aprovaram leis de autonomia financeira em 1920, que permitiram a Norton de Matos construir novas vias de comunica&ccedil;&atilde;o em Angola, com o apoio da Diamang e do Banco Nacional Ultramarino, ainda que o incentivo tenha durado pouco mais de tr&ecirc;s anos e, sintomaticamente, as associa&ccedil;&otilde;es comerciais angolanas tenham clamado por <i>self-government</i> e invocado o exemplo do Brasil em 1822<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> .</p>     <p>Tiago Moreira de S&aacute; chama a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de neste contexto a SdN ter surgido como uma forma de a Ditadura Militar ter dado relevo, como fonte da sua pr&oacute;pria legitima&ccedil;&atilde;o, &agrave; const&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o nas principais organiza&ccedil;&otilde;es internacionais bem como no recurso aos tribunais internacionais, o que ali&aacute;s tamb&eacute;m surtia um efeito de consumo interno, no af&atilde; da sustenta&ccedil;&atilde;o e estabilidade que contrastavam com a desordem dos anos da Primeira Rep&uacute;blica. Neste esfor&ccedil;o, &eacute; de registar igualmente a inclus&atilde;o na agenda diplom&aacute;tica do recurso a estas institui&ccedil;&otilde;es para encontrar forma de resolver os cr&oacute;nicos problemas financeiros, tanto atrav&eacute;s das repara&ccedil;&otilde;es de guerra como para obter aval financeiro da SdN em 1927 para um empr&eacute;stimo externo, o qual, como se sabe, pelas condi&ccedil;&otilde;es impostas, acabou por abortar. Ideologicamente, existiam reservas ao <i>modus operandi</i> do internacionalismo liberal e Salazar era muito c&eacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o ao que denominou, sarcasticamente, de &laquo;assembleirismo de Genebra&raquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>OBSERVA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>Em 1919, em Versalhes, a autodetermina&ccedil;&atilde;o pensada por Wilson veio a desembocar numa no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade exercida em nome da &laquo;miss&atilde;o sagrada de civiliza&ccedil;&atilde;o&raquo; e justificada no artigo 22.&ordm; do Pacto da Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es, pelo facto de os povos &laquo;serem ainda incapazes de se governar&raquo; pelo que, &laquo;para o seu pleno desenvolvimento, algumas pot&ecirc;ncias, pela sua experi&ecirc;ncia e posi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, deveriam exercer tutela como mandat&aacute;rias em nome da Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es&raquo;. Esta reda&ccedil;&atilde;o claramente mitigou o nascente conceito, conformando-o &agrave; continuidade de situa&ccedil;&otilde;es coloniais sob um formato diferenciado. Ainda n&atilde;o tinha chegado o momento de uma transfer&ecirc;ncia plena de soberania, mas de um exerc&iacute;cio de poder por interpostos estados, detentores de uma procura&ccedil;&atilde;o da tamb&eacute;m designada <i>herdeira dos imp&eacute;rios</i>, a SdN. H&aacute;, pois, uma ideia de autodetermina&ccedil;&atilde;o t&iacute;bia e que, n&atilde;o estando exclusivamente orientada para a quest&atilde;o colonial, vem a desembocar nela e a sofrer uma evolu&ccedil;&atilde;o que ultrapassou a ideia inicial de Wilson, que, como se viu, precisava de ser burilada.</p>     <p>Para Portugal, a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do sistema criado em 1919 representou o embara&ccedil;o acrescido de haver uma nova institui&ccedil;&atilde;o vigilante das suas atividades, supervisionando fragilidades &ndash; dos modelos de governo &agrave;s pr&aacute;ticas ilegais, como a escravatura e o tr&aacute;fico de &oacute;pio &ndash; e insistindo num argumento recorrente desde o s&eacute;culo XIX: a incapacidade de Portugal de exercer eficazmente o seu papel como pot&ecirc;ncia colonial. Mas esta institucionaliza&ccedil;&atilde;o, independentemente das vit&oacute;rias e dos reveses das delega&ccedil;&otilde;es a Versalhes, animou o debate interno sobre pol&iacute;tica externa e, ainda que mais timidamente, sobre o pr&oacute;prio conceito de autodetermina&ccedil;&atilde;o. A participa&ccedil;&atilde;o portuguesa nos trabalhos da SdN teve grande e previs&iacute;vel concentra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os na Comiss&atilde;o Permanente de Mandatos, aquela que mais diretamente se ligava &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o, pela presen&ccedil;a ininterrupta, entre 1921 e 1940, de duas figuras que tinham profundos conhecimentos das quest&otilde;es coloniais: Freire de Andrade e Penha Garcia.</p>     <p>O advento do internacionalismo impunha-se pela ideia de tutela multilateral e tamb&eacute;m pelo interesse crescente, jornal&iacute;stico e acad&eacute;mico, que se passou a dar &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Ainda que muito aqu&eacute;m do que cerca de duas d&eacute;cadas mais tarde se viria a fixar como princ&iacute;pio da autodetermina&ccedil;&atilde;o, o contributo institucionalista do wilsonianismo (a SdN e o sistema de mandatos) teve uma influ&ecirc;ncia a que Portugal n&atilde;o poderia passar inc&oacute;lume, ainda que dele n&atilde;o tenham resultado mudan&ccedil;as de fundo quanto ao exerc&iacute;cio da soberania nas col&oacute;nias ou em reformas substantivas quanto ao modo como se lidava com as popula&ccedil;&otilde;es locais.</p>     <p>Se &eacute; verdade que algumas discuss&otilde;es ocorridas no seio da SdN e da OIT &ndash; inspiradas no impulso fundador ideol&oacute;gico do Presidente americano &ndash; se repercutiram nas rea&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa dos governos de Portugal &agrave; nova conjuntura, pela participa&ccedil;&atilde;o ativa nos trabalhos destas institui&ccedil;&otilde;es e pelas respostas dadas a quest&otilde;es espec&iacute;ficas, como o trabalho for&ccedil;ado, o consumo de &aacute;lcool e tr&aacute;fico de estupefacientes, ainda n&atilde;o era o tempo de a autodetermina&ccedil;&atilde;o, no seu sentido hodierno, vingar. O &laquo;assembleirismo de Genebra&raquo; n&atilde;o foi capaz de erradicar a l&oacute;gica imperial que em Versalhes levou Wilson a transigir, o que, como se referiu, n&atilde;o impediu que o anticolonialismo n&atilde;o fosse arrepiando caminho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BARATA, Maria Jo&atilde;o Ribeiro Curado &ndash; <i>Identidade, Autodetermina&ccedil;&atilde;o e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais: O Caso do Saara Ocidental</i>. Universidade de Coimbra, 2012. Tese de doutoramento em Pol&iacute;tica Internacional e Resolu&ccedil;&atilde;o de Conflitos.</p>     <p>CARVALHO, Soraia Milene Marques &ndash; <i>A Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es: Europa, Portugal e Agricultura</i>. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2018. Tese de mestrado em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea.</p>     <p>CASSESSE, Antonio &ndash; <i>Self-Determination of Peoples: A Legal Reappraisal</i>. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1995.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CRUZ, Duarte Ivo &ndash; <i>Estrat&eacute;gia Portuguesa na Confer&ecirc;ncia de Paz 1918-1919: As Actas da Delega&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana, 2009.</p>     <p>FARMER, Gene &ndash; &laquo;Dictator on the defensive. An exclusive talk with Portugal&rsquo;s enigmatic Salazar&raquo;. In <i>Life Magazine</i>. 4 de maio de 1962, p. 99.</p>     <p>GRIMAL, Henri &ndash; La <i>d&eacute;colonisation, de 1919 &agrave; nos jours</i>. Paris: Editions Complexe, 1985.</p>     <p>HALL, H. Duncan &ndash; <i>Mandates, Dependencies and Trusteeship</i>. Londres: Stevens and Sons Limited for the Carnegie Endowment for International Peace, 1948.</p>     <p>JER&Oacute;NIMO, Miguel Bandeira &ndash; <i>Livros Brancos, Almas Negras: A &laquo;Miss&atilde;o Civilizadora&raquo; do Colonialismo Portugu&ecirc;s, c. 1870-1930</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2009.</p>     <p>JER&Oacute;NIMO, Miguel Bandeira &ndash; <i>O Imp&eacute;rio Colonial em Quest&atilde;o (S&eacute;culos XIX-XX)</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2012.</p>     <p>JER&Oacute;NIMO, Miguel Bandeira; MONTEIRO, Jos&eacute; Pedro, orgs. &ndash; <i>Os Passados do Presente: Internacionalismo, Imperialismo e a Constru&ccedil;&atilde;o do Mundo Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Almedina, 2015. Publicado tamb&eacute;m pela Palgrave MacMillan, em 2018.</p>     <p>MACMILLAN, Margaret &ndash; <i>Peacemakers: Six Months that Changed the World</i>. Londres: John Murray, 2001.</p>     <p>MCNAMARA, Robert &ndash; &laquo;Os imp&eacute;rios europeus ultramarinos durante a Primeira Rep&uacute;blica portuguesa&raquo;. In MENESES, Filipe Ribeiro; OLIVEIRA, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica</i><i>Portuguesa: Diplomacia, Guerra e Imp&eacute;rio</i>. Lisboa: Tinta da China, 2011, p. 285.</p>     <p>MANELA, Erez &ndash; <i>The Wilsonian Moment. Self-Determination and the International Origins of Anticolonial Nationalism</i>. Nova York: Oxford University Press, 2007.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MENDES, Nuno Canas &ndash; &laquo;O Tratado de Versalhes, a SdN e a pol&iacute;tica ultramarina portuguesa (1910-1926)&raquo;. In <i>Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa</i>. S&eacute;rie 129, N.&ordm; 1-12, janeiro-dezembro de 2011, pp. 127-141.</p>     <p>MENDES, Nuno Canas &ndash; &laquo;The Treaty of Versailles, the League of Nations and Portuguese overseas policy (1910-26)&raquo;. In <i>Portuguese Journal of Social Science</i>. Vol. 16, N.&ordm; 2, 2017.</p>     <p>MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash; <i>Afonso Costa</i>. Lisboa: Texto Editora, 2010.</p>     <p>MENESES, Filipe Ribeiro; OLIVEIRA, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica Portuguesa: Diplomacia,</i><i>Guerra e Imp&eacute;rio</i>. Lisboa: Tinta da China, 2011.</p>     <p>MOURA, Jo&atilde;o Lopes Carneiro de &ndash; <i>Depois da Guerra: Portugal e o Tratado de Paz.</i> Lisboa: Imprensa Nacional, 1918. (Consultado em: 29 de julho de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://archive.org/details/depoisdaguerra00carn/page/n12" target="_blank">https://archive.org/details/depoisdaguerra00carn/page/n12</a>.</p>     <p>MOURA, Jo&atilde;o Lopes Carneiro de &ndash; <i>A Batalha</i>. N.&ordm; 14, 3 de mar&ccedil;o de 1924. (Consultado em: 28 de julho de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ric.slhi.pt/Suplemento_de_A_Batalha/visualizador/?id=11160.014&amp;amp;pag=39" target="_blank">http://ric.slhi.pt/Suplemento_de_A_Batalha/visualizador/?id=11160.014&amp;amp;pag=39</a>.</p>     <p>OLIVEIRA, Pedro Aires &ndash; &laquo;O factor colonial na pol&iacute;tica externa da Primeira Rep&uacute;blica&raquo;. In MENESES, Filipe Ribeiro; OLIVEIRA, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica Portuguesa: Diplomacia, Guerra e Imp&eacute;rio</i>. Lisboa: Tinta da China, 2011, pp. 207-218.</p>     <p>PACHECO, Cristina &ndash; <i>Portugal na Sociedade das Nac¸o~es: 1919-1930</i>. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1999. Tese de mestrado em Histo´ria Contempora&#094;nea.</p>     <p>PEDERSEN, Susan &ndash; <i>The Guardians: The League of Nations and the Crisis of Empire</i>. Oxford University Press, 2015.</p>     <p>PINTO, Ant&oacute;nio Costa, coord. &ndash; <i>Portugal Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2005.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RAMOS, Rui, coord. &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. 7.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Esfera dos Livros, 2012.</p>     <p>RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; &laquo;Portugal e os Estados Unidos durante a Primeira Rep&uacute;blica&raquo;. In MENESES, Filipe Ribeiro; OLIVEIRA, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica Portuguesa: Diplomacia, Guerra e Imp&eacute;rio</i>. Lisboa: Tinta da China, 2011, pp. 309-310.</p>     <p>S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash; <i>Pol&iacute;tica Externa Portuguesa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, 2015.</p>     <p>SANTOS, Aurora Almada e &ndash; &laquo;Os debates da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre a quest&atilde;o colonial portuguesa e o desenvolvimento da ideia de autodetermina&ccedil;&atilde;o (1961-1975)&raquo;. In <i>Caderno de Estudos Africanos</i>, CEI-ISCTE, 2017.</p>     <p>SARAIVA, Maria Francisca &ndash; &laquo;Portugal e a Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es: o papel do multilateralismo na pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;. In <i>IDN Cadernos</i>. N.&ordm; 18, 2015, pp. 9-24.</p>     <p>TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;Entre a &Aacute;frica e a Europa: a pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;. In PINTO, Ant&oacute;nio Costa, coord. &ndash; <i>Portugal Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2005.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; &laquo;Modelos e fases do Terceiro Imp&eacute;rio (1890-1961)&raquo;. In <i>Economia e Imp&eacute;rio</i><i>no Portugal Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1994.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 27 de junho de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 1 de agosto de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> &laquo;Uma concerta&ccedil;&atilde;o livre, num esp&iacute;rito tolerante e absolutamente imparcial, de todas as reivindica&ccedil;&otilde;es coloniais, baseada na observa&ccedil;&atilde;o estrita do princ&iacute;pio segundo o qual, na regula&ccedil;&atilde;o de todas as quest&otilde;es de soberania, os interesses das popula&ccedil;&otilde;es em jogo ter&atilde;o o mesmo peso que as reivindica&ccedil;&otilde;es equitativas do governo cujo t&iacute;tulo ser&aacute; definido&raquo; (MENESES, Filipe Ribeiro de &ndash; <i>Afonso Costa</i>. Lisboa: Texto Editora, 2010, p. 94).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash; <i>Pol&iacute;tica Externa Portuguesa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos, 2015, pp. 46-47.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> TEIXEIRA, Nuno Severiano &ndash; &laquo;Entre a &Aacute;frica e a Europa: a pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;. In PINTO, Ant&oacute;nio Costa, coord. &ndash; <i>Portugal Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Dom Quixote, 2005, p. 101.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> MENDES, Nuno Canas &ndash; &laquo;O Tratado de Versalhes, a SdN e a pol&iacute;tica ultramarina portuguesa (1910-1926)&raquo;. In <i>Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa</i>. S&eacute;rie 129, N.&ordm; 1-12, janeiro-dezembro de 2011, pp. 127-141; MENDES, Nuno Canas &ndash; &laquo;The Treaty of Versailles, the League of Nations and Portuguese overseas policy (1910-26)&raquo;. In <i>Portuguese Journal of Social Science</i>. Vol. 16, N.&ordm; 2, 2017.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> BARATA, Maria Jo&atilde;o Ribeiro Curado &ndash; <i>Identidade, Autodetermina&ccedil;&atilde;o e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais: o Caso do Saara Ocidental</i>. Universidade de Coimbra, 2012. Tese de doutoramento em Pol&iacute;tica Internacional e Resolu&ccedil;&atilde;o de Conflitos, pp. 22-23.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> MANELA, Erez &ndash; <i>The Wilsonian Moment. Self-Determination and the International Origins of Anticolonial Nationalism</i>. Nova York: Oxford University Press, 2007.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Existiam tr&ecirc;s tipos de mandato, a, b e c, numa grada&ccedil;&atilde;o do que se considerava ser uma capacidade mais aproximada ou altamente improv&aacute;vel de alcan&ccedil;arem algum tipo de independ&ecirc;ncia. As pot&ecirc;ncias administrantes ficavam obrigadas a elaborar um relat&oacute;rio que descrevesse a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social dos territ&oacute;rios em causa (n.os 7 e 9 do art.&ordm; 22 do Pacto da SdN). Relativamente &agrave;s possess&otilde;es alem&atilde;s em &Aacute;frica, a B&eacute;lgica foi exclu&iacute;da da partilha, ainda que tenha recebido o Ruanda-Urundi; a Gr&atilde;-Bretanha obteve Tanganica e Zanzibar; a Fran&ccedil;a ficou com o Togo; e os Camar&otilde;es e a Uni&atilde;o Sul-Africana o Sudoeste Africano.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; &laquo;Modelos e fases do Terceiro Imp&eacute;rio (1890-1961)&raquo;. In <i>Economia e Imp&eacute;rio no Portugal Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1994, p. 225.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> GRIMAL, Henri &ndash; <i>La d&eacute;colonisation, de 1919 &agrave; nos jours</i>. Paris: Editions Complexe, 1985, pp. 17-18.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 16-17.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> OLIVEIRA, Pedro Aires &ndash; &laquo;O factor colonial na pol&iacute;tica externa da Primeira Rep&uacute;blica&raquo;. In MENESES, Filipe Ribeiro; Oliveira, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica Portuguesa: Diplomacia, Guerra e Imp&eacute;rio</i>. Lisboa: Tinta da China, 2011, pp. 207-218.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> &laquo;Em terceiro lugar, respeitam o direito de todos os povos a escolherem a forma de governo sob a qual viver&atilde;o; e desejam ver os direitos de soberania e de autogoverno recuperados por aqueles que foram deles privados pela for&ccedil;a.&raquo;. Sobre o tema, ver o &laquo;classic&raquo; CASSESSE, Antonio &ndash; <i>Self-Determination of Peoples: A Legal Reappraisal</i>. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 1995.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Ver a este respeito e sobre o impacto do tema na sua mais ampla ace&ccedil;&atilde;o, SANTOS, Aurora Almada e &ndash; &laquo;Os debates da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre a quest&atilde;o colonial portuguesa e o desenvolvimento da ideia de autodetermina&ccedil;&atilde;o (1961-1975)&raquo;. In <i>Caderno de Estudos Africanos</i>, CEI-ISCTE, 2017. A forma como a rece&ccedil;&atilde;o foi feita pelo regime fica estampada em v&aacute;rias afirma&ccedil;&otilde;es de Salazar sobre o termo. O bi&oacute;grafo Franco Nogueira regista uma bastante expressiva, apresentada na entrevista que o presidente do Conselho de Ministros deu &agrave; revista norte-americana Life: &laquo;o facto de um territ&oacute;rio proclamar a sua independ&ecirc;ncia &eacute; um fen&oacute;meno natural nas sociedades humanas e, portanto, &eacute; uma hip&oacute;tese que &eacute; sempre admiss&iacute;vel&raquo;, &laquo;mas ningu&eacute;m pode ou deve estabelecer um limite temporal para isso. O que est&aacute; sujeito a calend&aacute;rios &eacute; a pol&iacute;tica inconceb&iacute;vel dos nossos tempos, que define que os estados devem estabelecer limites temporais para destruir a sua unidade e se separarem&raquo; (tradu&ccedil;&atilde;o do editor)) (FARMER, Gene &ndash; &laquo;Dictator on the defensive. An exclusive talk with Portugal&rsquo;s enigmatic Salazar&raquo;. In <i>Life Magazine</i>. 4 de maio de 1962, p. 99).</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Entrevista a Miguel Bandeira Jer&oacute;nimo e Jos&eacute; Pedro Monteiro, <i>P&uacute;blico</i>, 29 de maio de 2015. Da autora, ver PEDERSEN, Susan &ndash; <i>The Guardians: The League of Nations and the Crisis of Empire</i>. Oxford University Press, 2015. Sobre o mesmo tema, ver tamb&eacute;m MACMILLAN, Margaret &ndash; <i>Peacemakers: Six Months that Changed the World</i>. Londres: John Murray, 2001.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> SARAIVA, Maria Francisca &ndash; &laquo;Portugal e a Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es: o papel do multilateralismo na pol&iacute;tica externa portuguesa&raquo;. In <i>IDN Cadernos</i>. N.&ordm; 18, 2015, pp. 9-24. Sobre Portugal, a SdN e institui&ccedil;&otilde;es conexas destacam-se os trabalhos de Miguel Bandeira Jer&oacute;nimo (JER&Oacute;NIMO, Miguel Bandeira &ndash; <i>Livros Brancos, Almas Negras: A &laquo;Miss&atilde;o Civilizadora&raquo; do Colonialismo Portugu&ecirc;s, c. 1870-1930</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2009; JER&Oacute;NIMO, Miguel Bandeira &ndash; <i>O Imp&eacute;rio Colonial em Quest&atilde;o (S&eacute;culos XIX-XX)</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2012). E do mesmo Bandeira Jer&oacute;nimo com Jos&eacute; Pedro Monteiro, como organizadores e autores, destaque para Os Passados do Presente: Internacionalismo, Imperialismo e a Constru&ccedil;&atilde;o do Mundo Contempor&acirc;neo. Lisboa: Almedina, 2015. Publicado tamb&eacute;m pela Palgrave MacMillan, em 2018. Ainda sobre o mesmo tema encontram-se duas teses de mestrado: PACHECO, Cristina &ndash; <i>Portugal na Sociedade das Nac¸o~es: 1919-1930</i>. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1999. Tese de mestrado em Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea; CARVALHO, Soraia Milene Marques &ndash; <i>A Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es: Europa, Portugal e Agricultura</i>. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2018. <i>A Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es: Europa, Portugal e Agricultura</i>. Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2018. Tese de mestrado em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> MCNAMARA, Robert &ndash; &laquo;Os imp&eacute;rios europeus ultramarinos durante a Primeira Rep&uacute;blica portuguesa&raquo;. In MENESES, Filipe Ribeiro; Oliveira, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica Portuguesa</i>..., p. 285.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> HALL, H. Duncan &ndash; <i>Mandates, Dependencies and Trusteeship</i>. Londres: Stevens and Sons Limited for the Carnegie Endowment for International Peace, 1948, p. 182.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> CRUZ, Duarte Ivo &ndash; <i>Estrat&eacute;gia Portuguesa na Confer&ecirc;ncia de Paz 1918-1919: As Actas da Delega&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana, 2009, pp. 122-123.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> OLIVEIRA, Pedro Aires &ndash; &laquo;O factor colonial na pol&iacute;tica externa da Primeira Rep&uacute;blica&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> RAMOS, Rui, coord. &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. 7.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Esfera dos Livros, 2012, p. 614.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> A este respeito ver RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; &laquo;Portugal e os Estados Unidos durante a Primeira Rep&uacute;blica&raquo;. In MENESES, Filipe Ribeiro; OLIVEIRA, Pedro Aires, org. &ndash; <i>A 1.&ordf; Rep&uacute;blica Portuguesa</i> ..., pp. 309-310.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Numa linha id&ecirc;ntica, Jos&eacute; Gon&ccedil;alo de Santa Rita, ge&oacute;grafo de forma&ccedil;&atilde;o, escolhia tamb&eacute;m o foco &laquo;internacional&raquo; no <i>Anu&aacute;rio da Escola Superior Colonial</i> de 1920-1921, com &laquo;Col&oacute;nias Portuguesas perante a pol&iacute;tica internacional&raquo;, uma an&aacute;lise sobre a situa&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s no imediato p&oacute;s-Primeira Grande Guerra. Tamb&eacute;m no <i>Anu&aacute;rio</i> de 1935-1936, Santa Rita publicou um artigo sobre &laquo;Nacionalismo e internacionalismo colonial&raquo; (tamb&eacute;m publicado no <i>Boletim Geral das Col&oacute;nias</i>). E, anos mais tarde, publicou o primeiro livro que ostenta a express&atilde;o &laquo;rela&ccedil;&otilde;es internacionais&raquo;: <i>A &Aacute;frica nas Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais depois de 1870</i>, publicado pela Junta de Investiga&ccedil;&otilde;es do Ultramar em 1959. Embora seja uma obra de cariz eminentemente historiogr&aacute;fico, onde n&atilde;o h&aacute; uma vis&atilde;o sist&eacute;mica, epistemologicamente consciente, mas apenas uma apresenta&ccedil;&atilde;o de uma sucess&atilde;o de &laquo;quadros&raquo; da hist&oacute;ria de &Aacute;frica desde o in&iacute;cio do <i>scrumble</i>. De notar que quer Carneiro de Moura quer Santa Rita foram professores na Escola Colonial, promovida a &laquo;Superior&raquo; por efeito da nova relev&acirc;ncia das quest&otilde;es coloniais no P&oacute;s-Guerra.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> MOURA, Jo&atilde;o Lopes Carneiro de &ndash; <i>Depois da Guerra: Portugal e o Tratado de Paz</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1918. (Consultado em: 29 de julho de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://archive.org/details/depoisdaguerra00carn/page/n12" target="_blank">https://archive.org/details/depoisdaguerra00carn/page/n12</a>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> MOURA, Jo&atilde;o Lopes Carneiro de &ndash; <i>A Batalha</i>. N.&ordm; 14, 3 de mar&ccedil;o de 1924. (Consultado em: 28 de julho de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ric.slhi.pt/Suplemento_de_A_Batalha/visualizador/?id=11160.014&amp;pag=39" target="_blank">http://ric.slhi.pt/Suplemento_de_A_Batalha/visualizador/?id=11160.014&amp;pag=39</a>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Desta nova orienta&ccedil;&atilde;o resultaram as seguintes medidas legislativas: (1) leis org&acirc;nicas e cartas org&acirc;nicas, com prop&oacute;sitos descentralizadores (1919); (2) a cria&ccedil;&atilde;o dos cargos de alto-comiss&aacute;rio em Angola e Mo&ccedil;ambique (1920); (3) promulga&ccedil;&atilde;o do decreto sobre a igualdade de direitos c&iacute;vicos entre europeus e &laquo;ind&iacute;genas assimilados&raquo; (1920). Este sistema viria a ser alterado por Jo&atilde;o Belo (1926), com as suas &laquo;Bases Org&acirc;nicas da Administra&ccedil;&atilde;o Colonial&raquo;, que antecedeu o Ato Colonial de 8 de julho de 1930.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> RAMOS, Rui, coord. &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>, p. 615.</p>      ]]></body><back>
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