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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The idea that the liberal order is in crisis has been advanced by well-established academics and several world leaders. The reasons for the crisis, its depth and implications are, however, disputed, requiring our ability to map and synthetize arguments and facts. This article contributes to this goal, identifying the structural elements of the liberal order and the central arguments surrounding the idea of its crisis. Although it is hard to reconcile the different viewpoints, it becomes evident that it is perhaps more useful to refer to the crises of the liberal order, since the challenges to the existing post-World War II structures are now felt at different points and in a way that is interconnected, reflecting the nature of the liberal system that is in place.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>DO TRATADO DE VERSALHES &Agrave; CRISE DO INTERNACIONALISMO LIBERAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As crises da ordem liberal</b></p>     <p><b>The crises of the Liberal order</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lic&iacute;nia Sim&atilde;o</b></p>     <p>Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra | Avenida Dias da Silva 16, 3004-512 Coimbra | <a href="mailto:lsimao@fe.uc.pt">lsimao@fe.uc.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A crise da ordem liberal &eacute; uma ideia que tem sido avan&ccedil;ada quer por acad&eacute;micos de renome, quer por v&aacute;rios l&iacute;deres pol&iacute;ticos. As raz&otilde;es da crise, a sua amplitude e as suas implica&ccedil;&otilde;es mant&ecirc;m-se, contudo, em acesa discuss&atilde;o, exigindo-nos, portanto, capacidade de s&iacute;ntese e de mapeamento dos argumentos e dos factos. Este artigo contribui para esse objetivo, identificando os elementos estruturantes desta ordem liberal e os argumentos centrais em torno da sua suposta crise. Embora seja dif&iacute;cil reconciliar os diferentes pontos de vista, torna-se evidente que &eacute; mais &uacute;til falar das crises da ordem liberal, j&aacute; que os desafios &agrave;s estruturas criadas no p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial se fazem sentir a partir de diferentes pontos e de forma interligada, refletindo a pr&oacute;pria natureza do sistema liberal institu&iacute;do.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: crises, ordem liberal, democracia, capitalismo, nacionalismo, populismo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The idea that the liberal order is in crisis has been advanced by well-established academics and several world leaders. The reasons for the crisis, its depth and implications are, however, disputed, requiring our ability to map and synthetize arguments and facts. This article contributes to this goal, identifying the structural elements of the liberal order and the central arguments surrounding the idea of its crisis. Although it is hard to reconcile the different viewpoints, it becomes evident that it is perhaps more useful to refer to the crises of the liberal order, since the challenges to the existing post-World War II structures are now felt at different points and in a way that is interconnected, reflecting the nature of the liberal system that is in place.</p>     <p><b>Keywords:</b> crises, liberal order, democracy, capitalism, nationalism, populism.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A crise da ordem liberal &eacute; hoje uma verdade estabelecida entre um conjunto de acad&eacute;micos reputados e entre muitos dos l&iacute;deres pol&iacute;ticos do nosso tempo. S&atilde;o v&aacute;rias as obras de refer&ecirc;ncia que t&ecirc;m procurado estabelecer a natureza desta crise, o seu alcance e as suas poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias na edifica&ccedil;&atilde;o de uma estrutura de poder e de gest&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais para as pr&oacute;ximas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XXI. No centro de muitas destas reflex&otilde;es est&atilde;o as mudan&ccedil;as em curso na ordem internacional, fruto das altera&ccedil;&otilde;es na pol&iacute;tica norte-americana e na distribui&ccedil;&atilde;o de poder entre as grandes pot&ecirc;ncias do sistema<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. O entendimento de que os benef&iacute;cios do sistema liberal, que se estabeleceu gradualmente durante o s&eacute;culo XX e em particular na sua segunda metade, n&atilde;o s&atilde;o suficientemente apelativos, nem para a pot&ecirc;ncia que o tem liderado &ndash; os Estados Unidos &ndash;, nem para pot&ecirc;ncias rivais &ndash; nomeadamente a R&uacute;ssia e a China &ndash;, exigir&aacute; uma aten&ccedil;&atilde;o redobrada aos seus fundamentos e &agrave;s suas alternativas.</p>     <p>Neste artigo, olhamos para a estrutura da ordem liberal para a&iacute; identificar os seus elementos constitutivos que hoje est&atilde;o a ser questionados. Falamos, portanto, das crises da ordem liberal, j&aacute; que, no nosso entender, os desafios s&atilde;o multifacetados e profundamente interdependentes, refletindo a natureza do pr&oacute;prio sistema que foi criado<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Daqui emerge um conjunto assinal&aacute;vel de reflex&otilde;es sobre a natureza e a justi&ccedil;a do pr&oacute;prio sistema liberal, sem que seja poss&iacute;vel chegar a consensos amplos. Refletindo a natureza polarizada da pol&iacute;tica internacional (e de muita pol&iacute;tica interna, nomeadamente nas chamadas &laquo;democracias avan&ccedil;adas&raquo;), h&aacute; abismos importantes entre aqueles que defendem que a ordem liberal nunca foi nem ordeira nem liberal e os que defendem exatamente o oposto<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. H&aacute; ainda aqueles que denunciam a forma como os princ&iacute;pios pol&iacute;ticos liberais, que estiveram na origem da vis&atilde;o lockeana das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, foram deturpados pelos princ&iacute;pios econ&oacute;micos (neo)liberais do capitalismo, traduzindo-se numa desilus&atilde;o profunda das democracias<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>Propomo-nos, assim, mapear alguns dos argumentos centrais que t&ecirc;m sido elaborados a prop&oacute;sito das crises da ordem liberal, para que o leitor possa posicionar-se neste que &eacute; um debate urgente e com implica&ccedil;&otilde;es importantes para o futuro das nossas sociedades. Entre os desafios globais da gest&atilde;o ambiental e das cat&aacute;strofes humanit&aacute;rias e a ansiedade que se sente nas democracias ocidentais face aos populismos xen&oacute;fobos e &agrave;s tend&ecirc;ncias isolacionistas e nacionalistas, a forma como a ordem p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial evoluir nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas determinar&aacute; muitas das respostas a estas quest&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>A ORDEM LIBERAL E OS SEUS ELEMENTOS ESTRUTURANTES</b></p>     <p>A narrativa sobre os elementos estruturantes da ordem liberal p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial constitui em si mesma um exerc&iacute;cio de poder estrutural. Por um lado, temos a ideia algo rom&acirc;ntica de um conjunto de l&iacute;deres avassalados pela destrui&ccedil;&atilde;o sem precedentes que a Segunda Guerra Mundial causou, que se comprometeram com princ&iacute;pios de coopera&ccedil;&atilde;o multilateral em &aacute;reas estruturais como o com&eacute;rcio e a defesa e que, alavancados pelo poder extraordin&aacute;rio dos Estados Unidos, conseguiram impulsionar as suas sociedades num per&iacute;odo de progresso, paz e crescimento econ&oacute;mico, de que todo o mundo beneficiou<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Esta &eacute; a ideia que sustentou a teoria do fim da hist&oacute;ria<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> e que tem incentivado a globaliza&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da democracia liberal e do capitalismo econ&oacute;mico, atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas t&atilde;o diferentes como o alargamento da Uni&atilde;o Europeia, as pol&iacute;ticas de apoio ao desenvolvimento ou as pol&iacute;ticas de reconstru&ccedil;&atilde;o de estados em contextos de interven&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-viol&ecirc;ncia armada.</p>     <p>Mas, de forma concorrencial, podemos elaborar a narrativa da ordem liberal como uma ordem de viol&ecirc;ncia imperialista por parte da pot&ecirc;ncia hegem&oacute;nica, como ficou bem patente no per&iacute;odo p&oacute;s-11 de Setembro de 2001<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Ou a narrativa de uma ordem de progresso desigual e profunda injusti&ccedil;a social, cuja economia extrativa coloca em perigo a sustentabilidade do pr&oacute;prio planeta<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Para esta linha de argumenta&ccedil;&atilde;o, a ordem liberal dos direitos humanos foi instrumentalizada para justificar pol&iacute;ticas de interven&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria, &agrave; revelia dos princ&iacute;pios vestefalianos da n&atilde;o inger&ecirc;ncia e da soberania estatal<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Foi instrumentalizada tamb&eacute;m para promover princ&iacute;pios que n&atilde;o beneficiam o conjunto dos participantes no sistema internacional, mas antes um conjunto particular de agentes que beneficia da abertura de mercados e da pr&oacute;pria desordem internacional<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> .</p>     <p>A conviv&ecirc;ncia destas duas narrativas no atual momento pol&iacute;tico em que debatemos as crises da ordem liberal &eacute; sintom&aacute;tica das contradi&ccedil;&otilde;es inerentes ao sistema liberal criado no P&oacute;s-Guerra. Ali&aacute;s, muitos dos argumentos veiculados por aqueles que procuram alterar a ordem vigente salientam exatamente a incapacidade do atual sistema em responder &agrave;s ambi&ccedil;&otilde;es e expetativas de milh&otilde;es de pessoas de serem elevadas da pobreza e da opress&atilde;o, &agrave; semelhan&ccedil;a do que aconteceu na Europa durante a segunda metade do s&eacute;culo XX<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> . As v&aacute;rias ondas de democratiza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> deixaram de fora muitos em &Aacute;frica, na &Aacute;sia e at&eacute; na Am&eacute;rica Latina. Por outro lado, o regresso de ideologias antidemocr&aacute;ticas ao pr&oacute;prio continente europeu parece sugerir que a democracia poder&aacute; ter encontrado, nos populismos, um desafio importante. Estes s&atilde;o os argumentos dos l&iacute;deres da R&uacute;ssia ou at&eacute;, de forma mais discreta, da pr&oacute;pria China, onde a op&ccedil;&atilde;o por sistemas pol&iacute;ticos iliberais parece agora ser avan&ccedil;ada como alternativa de estabilidade para outros espa&ccedil;os em processos de mudan&ccedil;a pol&iacute;tica<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> .</p>     <p>Mas na base da ordem liberal do P&oacute;s-Guerra esteve tamb&eacute;m a promessa do progresso econ&oacute;mico e social. Embora com not&aacute;veis diferen&ccedil;as nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, as pol&iacute;ticas de investimento p&uacute;blico e privado resultaram em progresso material mais democratizado, estimulando uma economia em massa, e em pol&iacute;ticas de pleno emprego que a recupera&ccedil;&atilde;o do P&oacute;s-Guerra facilitou. Mas logo na d&eacute;cada de 1970 as dificuldades econ&oacute;micas tornaram-se evidentes, com a desvincula&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar norte-americano do padr&atilde;o ouro e com as crises petrol&iacute;feras do final da d&eacute;cada a evidenciar a depend&ecirc;ncia das economias ocidentais do petr&oacute;leo do M&eacute;dio Oriente. A resposta ocidental foi o aprofundamento da liberaliza&ccedil;&atilde;o, desregulando a circula&ccedil;&atilde;o do capital e desprotegendo os trabalhadores, incluindo na Europa Ocidental, onde a dimens&atilde;o social tinha sido estabelecida como um dos pilares da integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica em curso. O resultado destas pol&iacute;ticas &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma elite super-rica e o empobrecimento de largos setores da popula&ccedil;&atilde;o mesmo em sociedades abastadas, como s&atilde;o as europeias, registando n&iacute;veis elevados de desemprego, especialmente entre os jovens. O incumprimento dos direitos econ&oacute;micos e sociais cria um ch&atilde;o f&eacute;rtil para as pol&iacute;ticas racistas e xen&oacute;fobas discriminat&oacute;rias e cria desilus&atilde;o com os resultados da democracia. Se a isto juntarmos elevados n&iacute;veis de corrup&ccedil;&atilde;o, abuso de poder e desigualdade perante a lei, ent&atilde;o temos uma situa&ccedil;&atilde;o muito dif&iacute;cil de sustentar<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> .</p>     <p>A ordem liberal criada sob lideran&ccedil;a dos Estados Unidos tem sido tamb&eacute;m uma ordem multilateral, assente na regula&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais atrav&eacute;s de institui&ccedil;&otilde;es internacionais e do direito internacional. O abandono da l&oacute;gica hobbesiana da anarquia internacional, em troca de ganhos de previsibilidade e coopera&ccedil;&atilde;o, tem, contudo, vindo a ser questionado, em primeira linha pelas op&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;tica externa norte-americana. A op&ccedil;&atilde;o por coliga&ccedil;&otilde;es <i>ad hoc</i> ou pela desvincula&ccedil;&atilde;o das regras internacionais tem permitido a afirma&ccedil;&atilde;o da supremacia norte-americana no p&oacute;s-Guerra Fria. No entanto, essa prefer&ecirc;ncia por l&oacute;gicas realistas assentes em diferen&ccedil;as de poder material tem fragilizado as normas do sistema que t&ecirc;m garantido essa mesma hegemonia aos Estados Unidos. Hoje, o multilateralismo e as estruturas de governa&ccedil;&atilde;o global t&ecirc;m sido contestados a diferentes n&iacute;veis<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> , mesmo em &aacute;reas onde a coopera&ccedil;&atilde;o multilateral parecia estar perfeitamente consensualizada, como o com&eacute;rcio ou a prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade.</p>     <p>A estrutura da ordem liberal do P&oacute;s-Guerra assentou, assim, na rela&ccedil;&atilde;o virtuosa entre a democracia liberal e a globaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica capitalista, alavancada pela superioridade militar e lideran&ccedil;a pol&iacute;tica dos Estados Unidos e por um forte la&ccedil;o transatl&acirc;ntico que fez do &laquo;Ocidente&raquo; uma poderosa for&ccedil;a de promo&ccedil;&atilde;o destes valores a n&iacute;vel internacional. A seguir, veremos como esta conjuga&ccedil;&atilde;o de fatores tem vindo a ser gradualmente contestada por for&ccedil;as end&oacute;genas e ex&oacute;genas ao sistema e veremos as diferentes linhas de argumenta&ccedil;&atilde;o em torno do n&iacute;vel de amea&ccedil;a &agrave; ordem existente e dos seus poss&iacute;veis impactos. Se podemos dizer que a estrutura de qualquer sistema est&aacute; constantemente em evolu&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o a ordem liberal poder&aacute; apenas estar face a uma nova onda de mudan&ccedil;a que exigir&aacute; adapta&ccedil;&atilde;o, sem que os seus elementos constitutivos estejam verdadeiramente em causa. Mas, caso os seus elementos constitutivos estejam postos em causa a um n&iacute;vel fundamental, ent&atilde;o poderemos estar perante uma amea&ccedil;a sist&eacute;mica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OS DESAFIOS DA ORDEM LIBERAL</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entre os elementos mais estruturantes da ordem liberal internacional est&aacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre democracia e capitalismo, criando uma ordem internacional profundamente dependente da natureza interna das unidades que a comp&otilde;em. A isto se aliou uma lideran&ccedil;a norte-americana, alicer&ccedil;ada num misto de superioridade militar e econ&oacute;mica sem paralelo, ap&oacute;s o fim da URSS, e de regras consensualizadas e institucionalizadas numa rede de institui&ccedil;&otilde;es internacionais que garantiam l&oacute;gicas cooperativas. Em ambas as vertentes, a atual ordem encontra-se profundamente destabilizada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DEMOCRACIA, CAPITALISMO E POPULISMOS</b></p>     <p>Os argumentos poderosos de progresso humano, assente na l&oacute;gica de direitos civis e pol&iacute;ticos, por um lado, e de direitos econ&oacute;micos, sociais e culturais, por outro, fez dos sistemas pol&iacute;ticos democr&aacute;ticos capitalistas uma for&ccedil;a poderosa de ordem internacional. Naturalmente, no contexto bipolar da Guerra Fria, a competi&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica fez-se sentir na luta pela natureza pol&iacute;tica e econ&oacute;mica dos pa&iacute;ses que cada superpot&ecirc;ncia queria atrair para a sua &oacute;rbita. Hoje, mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas depois do fim da oposi&ccedil;&atilde;o bipolar, a ordem internacional liberal continua profundamente assente na natureza pol&iacute;tica e econ&oacute;mica das unidades do sistema &ndash; ou seja, dependente das suas caracter&iacute;sticas liberais.</p>     <p>Esta rela&ccedil;&atilde;o constitutiva entre o interno e o externo &eacute; uma particularidade da ordem atual liberal, de dif&iacute;cil reconcilia&ccedil;&atilde;o com os princ&iacute;pios vestefalianos das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. A cria&ccedil;&atilde;o de narrativas humanit&aacute;rias, de regula&ccedil;&atilde;o internacional em nome da prote&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos, resultou em divis&otilde;es entre os que promovem uma vis&atilde;o da soberania enquanto responsabilidade e aqueles que entendem que a inger&ecirc;ncia nos assuntos internos dos estados abre portas a pol&iacute;ticas imperialistas que destruturam o sistema de forma perigosa. Para os primeiros, a democracia &eacute; uma garantia de direitos, para os segundos, &eacute; uma agenda promovida por pot&ecirc;ncias ocidentais para fragilizar os seus concorrentes, minando a sua coes&atilde;o interna.</p>     <p>A teoria da paz democr&aacute;tica, que sugere que as democracias n&atilde;o entram em guerra umas contra as outras, refor&ccedil;ou ainda mais o apelo internacional desta poderosa combina&ccedil;&atilde;o e alavancou pol&iacute;ticas de promo&ccedil;&atilde;o (e em alguns casos at&eacute; imposi&ccedil;&atilde;o) de princ&iacute;pios democr&aacute;ticos e capitalistas em diferentes espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos, como receita para o combate &agrave; inseguran&ccedil;a e a baixos n&iacute;veis de desenvolvimento econ&oacute;mico. As institui&ccedil;&otilde;es internacionais, criadas para regular diferentes aspetos do sistema internacional a partir dos interesses partilhados pelos seus membros, tornaram-se poderosos instrumentos de promo&ccedil;&atilde;o destas pol&iacute;ticas. Podemos referir o relat&oacute;rio pioneiro do Banco Mundial, de 2011, <i>Conflict, Security, and Development</i><sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> , em que a rela&ccedil;&atilde;o entre pobreza, seguran&ccedil;a e conflito &eacute; identificada como um dos eixos fundamentais da a&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o. Ou podemos falar da a&ccedil;&atilde;o da OCDE que, na promo&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento econ&oacute;mico, inclui hoje aspetos t&atilde;o diversos como a boa governa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, a educa&ccedil;&atilde;o, o emprego, a pol&iacute;tica social, etc.<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> .</p>     <p>Neste contexto, a crise da ordem liberal est&aacute; profundamente ligada &agrave; qualidade e legitimidade da democracia. Como escreve S&oslash;rensen, &laquo;Por um lado, um liberalismo ofensivo e arrogante criar&aacute; oposi&ccedil;&atilde;o em vez de apoio em termos internacionais (...) Por outro lado, a democracia enfrenta novos problemas em casa, nos pa&iacute;ses do n&uacute;cleo liberal&raquo;. O autor conclui que &laquo;A teoria da democracia liberal precisa enfrentar o contexto em que a soberania e a n&atilde;o inger&ecirc;ncia s&atilde;o transformadas pelas novas formas de coopera&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> . De forma semelhante, Eduard Luce, em <i>The Retreat of Western Liberalism</i>, identifica uma tend&ecirc;ncia global em que se inclui a elei&ccedil;&atilde;o de um populista nacionalista para a Presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos, as transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas falhadas em cerca de duas dezenas de democracias, incluindo na Europa Ocidental, as press&otilde;es sobre a classe m&eacute;dia que as for&ccedil;as da globaliza&ccedil;&atilde;o e automatiza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m imposto e que, no seu conjunto, fomentam tend&ecirc;ncias nacionalistas e populistas. Este cen&aacute;rio coloca-nos face &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es da cren&ccedil;a na difus&atilde;o intermin&aacute;vel da democracia liberal no p&oacute;s-Guerra Fria e da cren&ccedil;a no progresso linear e na raz&atilde;o, t&atilde;o pr&oacute;prias do iluminismo ocidental<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> .</p>     <p>A emerg&ecirc;ncia de for&ccedil;as populistas como um dos desafios mais prementes &agrave; ordem liberal ilustra bem a centralidade da democracia na sua constitui&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o estreita da democracia liberal com o desenvolvimento econ&oacute;mico. Ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o equil&iacute;brio entre as for&ccedil;as de mercado e a responsabilidade de garantir direitos sociais tem sido uma das principais exig&ecirc;ncias aos governos ocidentais, que se mant&eacute;m na base das democracias capitalistas. A crise financeira de 2008 tornou muito evidente as limita&ccedil;&otilde;es deste sistema, ao mesmo tempo que as economias de maior sucesso apresentam hoje uma mistura de mercado livre e gest&atilde;o estatal, como &eacute; o caso da China<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> . As poderosas for&ccedil;as que se op&otilde;em a uma maior regulamenta&ccedil;&atilde;o dos sistemas financeiros est&atilde;o hoje, em alguns casos, perfeitamente alinhadas com as for&ccedil;as populistas e nacionalistas que procuram culpar os elementos externos &agrave;s sociedades pelos fracassos do sistema que eles mant&ecirc;m ref&eacute;m<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> . Na aus&ecirc;ncia de um acordo global sobre a melhor forma de regular o mercado capitalista em benef&iacute;cio dos cidad&atilde;os, &eacute; a pr&oacute;pria democracia que tem sofrido, com a sua aparente incapacidade de gerar dividendos econ&oacute;micos e solidariedade.</p>     <p>A isto se associa uma crise identit&aacute;ria, na linha habermasiana, sobre quem somos num contexto cosmopolita e multi-identit&aacute;rio. As for&ccedil;as liberais e progressistas, que t&ecirc;m defendido sociedades abertas e solid&aacute;rias, encontram hoje um bloqueio forte nas for&ccedil;as conservadoras que se advogam como uma suposta alternativa &agrave; proposta cosmopolita que entendem ter fracassado. As express&otilde;es de viol&ecirc;ncia religiosa, que os ataques de 11 de setembro de 2001 sustentaram e que o combate ao Estado Isl&acirc;mico alimentou com ataques terroristas em solo europeu, aliam-se agora aos medos econ&oacute;micos e identit&aacute;rios de uma crise econ&oacute;mica e migrat&oacute;ria, que parece abalar a rela&ccedil;&atilde;o entre democracia e capitalismo, na sua base. Esta &eacute;, portanto, outra linha de crise das democracias liberais que alimenta os populismos num contexto de pobreza e inseguran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A CRISE DA HEGEMONIA NORTE-AMERICANA</b></p>     <p>Discuss&otilde;es sobre as crises da ordem liberal t&ecirc;m olhado de forma particularmente atenta para o papel que as grandes pot&ecirc;ncias t&ecirc;m na sustenta&ccedil;&atilde;o da ordem ao n&iacute;vel internacional, nomeadamente o papel que os Estados Unidos t&ecirc;m desempenhado neste processo<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> . O conceito de ordem &eacute; um conceito central &agrave;s Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, frequentemente associado ao exerc&iacute;cio do poder e ao efeito balizador das normas e das institui&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> . Para estes autores, os arranjos que regem as intera&ccedil;&otilde;es entre as unidades do sistema assentam em regras, princ&iacute;pios e institui&ccedil;&otilde;es, com vista &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de previsibilidade e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de objetivos e valores primordiais. Podemos falar, portanto, de uma forma de contrato social que se estabelece entre as partes.</p>     <p>A ordem multilateral que os Estados Unidos impulsionaram no p&oacute;s-Segunda Guerra Mundial refletia as li&ccedil;&otilde;es aprendidas da experi&ecirc;ncia wilsoniana com a Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es e era &laquo;um sistema mais institucionalizado e hierarquizado no qual as grandes pot&ecirc;ncias assumiam um papel determinante na condu&ccedil;&atilde;o do sistema internacional (e onde) os Estados Unidos assumiram progressivamente a fun&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a da ordem liberal internacional&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> . Mas como Da Vinha refere tamb&eacute;m, &laquo;embora o sistema fosse teoricamente multilateral, os Estados Unidos reservaram para si um papel de exce&ccedil;&atilde;o (, mostrando-se) seletivos na sua forma de envolvimento regional (e) evasivos no que concerne ao seu comprometimento com o sistema multilateral&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> . Se, durante a Guerra Fria, a vincula&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es multilaterais era vista como uma forma de refor&ccedil;o do bloco ocidental face &agrave; a&ccedil;&atilde;o do Bloco de Leste, com o fim da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica a preocupa&ccedil;&atilde;o dos aliados dos Estados Unidos em os manterem vinculados &agrave;s normas e institui&ccedil;&otilde;es multilaterais criadas ganhou relevo.</p>     <p>Efetivamente, a natureza da ordem liberal p&oacute;s-Guerra Fria ficou indelevelmente marcada pela natureza do compromisso multilateral assumido pelos Estados Unidos deste ent&atilde;o. De acordo com S&oslash;rensen, a ordem liberal atual sustenta-se quer numa l&oacute;gica de liberalismo por imposi&ccedil;&atilde;o, quer numa l&oacute;gica de liberalismo por modera&ccedil;&atilde;o. Se, na sua vers&atilde;o impositiva, a ordem liberal &eacute; ativista, intervencionista e possivelmente imperialista e, por isso mesmo, contestada &ndash; quer por aliados, quer por pot&ecirc;ncias concorrentes &ndash;, na sua vers&atilde;o moderada, a ordem liberal &eacute; mais emp&aacute;tica e n&atilde;o intervencionista, assente na promo&ccedil;&atilde;o de l&oacute;gicas cooperativas, potenciadas pela natureza democr&aacute;tica partilhada pelos Estados Unidos e os seus parceiros<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> . Em diferentes momentos na hist&oacute;ria recente, a pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos oscilou entre estes dois polos, nomeadamente com a l&oacute;gica intervencionista da Administra&ccedil;&atilde;o Bush e a abordagem mais conciliadora da Administra&ccedil;&atilde;o Obama. Mas, em ambos os casos, a base sobre a qual se estabelece a atual ordem liderada pelos Estados Unidos tem vindo a ser delapidada, nomeadamente pelas suas inclina&ccedil;&otilde;es unipolares ou na sua incapacidade de liderar.</p>     <p>Seja do ponto de vista dos institucionalistas liberais, como Ikenberry, ou do ponto de vista de realistas, como Mearsheimer, o fracasso da lideran&ccedil;a norte-americana tem criado instabilidade na ordem que permitiu a sua ascens&atilde;o. Se para Ikenberry, e outros da sua linha, o poder &eacute; mais leg&iacute;timo e dur&aacute;vel quando &eacute; exercido dentro de um sistema de regras e portanto afigura-se necess&aacute;rio hoje uma refunda&ccedil;&atilde;o dessa legitimidade para l&aacute; da hegemonia norte-americana<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> , para realistas como Mearsheimer, a base moral da lideran&ccedil;a norte-americana deve vir da persecu&ccedil;&atilde;o de uma abordagem autocentrada no interesse nacional e de equil&iacute;brio entre estados soberanos, longe de aventuras intervencionistas que n&atilde;o s&atilde;o do interesse dos Estados Unidos<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> . Seja na sua vers&atilde;o mais contida ou mais intervencionista, o papel dos Estados Unidos na atual ordem internacional &eacute; determinante para a sua sustenta&ccedil;&atilde;o e, por isso tamb&eacute;m, a atual lideran&ccedil;a norte-americana tem sido determinante nos debates sobre o futuro da ordem liberal.</p>     <p>A elei&ccedil;&atilde;o de Donald Trump para a Presid&ecirc;ncia norte-americana tem minado de diferentes formas as bases da ordem liberal. Tanto um sintoma como uma causa, a sua elei&ccedil;&atilde;o foi vista como o fim da lideran&ccedil;a norte-americana desta ordem, com o Presidente Obama a escolher a Europa e em particular a Alemanha para a sua visita externa final e a lan&ccedil;ar claramente o repto &agrave; l&iacute;der alem&atilde;, Angela Merkel, de se assumir como a l&iacute;der do mundo livre<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> . Com o Presidente Trump a assumir abordagens que claramente marginalizam os princ&iacute;pios liberais subjacentes ao sistema democr&aacute;tico norte-americano e de muitos outros parceiros dos Estados Unidos, nomeadamente na Europa, e com a sua vis&atilde;o da pol&iacute;tica externa norte-americana assente na promo&ccedil;&atilde;o de interesses nacionais que se definem de forma muito restrita e afastada de vincula&ccedil;&otilde;es legais e jur&iacute;dicas &ndash; o exemplo do abandono do tratado sobre as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas &eacute; dos mais salientes &ndash;, ent&atilde;o temos uma lideran&ccedil;a que se exerce menos atrav&eacute;s da promo&ccedil;&atilde;o de valores liberais e mais atrav&eacute;s da persecu&ccedil;&atilde;o de interesses nacionais<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> .</p>     <p>Embora as tend&ecirc;ncias mais isolacionistas dos Estados Unidos n&atilde;o sejam uma novidade ou uma caracter&iacute;stica espec&iacute;fica da atual administra&ccedil;&atilde;o, Da Vinha sugere que as dificuldades em gerar consensos bipartid&aacute;rios poder&atilde;o dificultar ainda mais o envolvimento norte-americano nas quest&otilde;es globais, &agrave; semelhan&ccedil;a do que j&aacute; aconteceu com o Presidente Obama. A polariza&ccedil;&atilde;o do sistema pol&iacute;tico norte-americano poder&aacute; ditar dificuldades maiores na conclus&atilde;o de tratados internacionais, na utiliza&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a fora de fronteiras ou na promo&ccedil;&atilde;o de novos compromissos multilaterais<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a> . Trump capitalizou as frustra&ccedil;&otilde;es relativas ao multilateralismo, denunciando acordos que impediam o avan&ccedil;o da agenda dos seus apoiantes internos e externos e instrumentalizando a pol&iacute;tica externa norte-americana para esses objetivos<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> . O Presidente norte-americano tem-se mostrado pouco pr&oacute;ximo dos seus aliados tradicionais na Europa e em vez disso mostra afinidades com l&iacute;deres como Putin, Bolsonaro ou Viktor Orb&aacute;n, cuja atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica est&aacute; longe de ser democr&aacute;tica ou liberal. Para al&eacute;m dos aspetos materiais que estas parcerias implicam, a dimens&atilde;o simb&oacute;lica &eacute; particularmente devastadora para a ordem liberal.</p>     <p>Os desafios externos &agrave; hegemonia liberal norte-americana t&ecirc;m-se feito sentir de diferentes quadrantes. Desde o radicalismo religioso isl&acirc;mico &ndash; que se tem mobilizado de forma espetacular contra os Estados Unidos e os seus aliados europeus desde o final da d&eacute;cada de 1990 e que parecia confirmar a tese do choque de civiliza&ccedil;&otilde;es de Huntignton &ndash;, passando por outras formas de extremismo religioso e racial, como os supremacistas brancos, a vis&atilde;o liberal cosmopolita do Ocidente encontra-se sob ataque. Tamb&eacute;m aqueles que t&ecirc;m denunciado a democracia como um sistema profundamente inst&aacute;vel, prop&iacute;cio a inger&ecirc;ncias e vulner&aacute;vel &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e ao aparecimento de l&iacute;deres n&atilde;o democr&aacute;ticos, t&ecirc;m ganhado for&ccedil;a, resultando em op&ccedil;&otilde;es iliberais atrav&eacute;s de elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas.</p>     <p>Por outro lado, a ordem internacional liberal encontra-se em fluxo tamb&eacute;m porque existe hoje um leque mais amplo de pot&ecirc;ncias que olham para o poder norte-americano como estando em decl&iacute;nio e que procuram alterar a ordem vigente, contestando as narrativas de uma ordem liberal pac&iacute;fica e pr&oacute;spera para o mundo. A Federa&ccedil;&atilde;o Russa tem estado na linha da frente desta linha de argumenta&ccedil;&atilde;o, procurando minar o <i>soft power</i> das pot&ecirc;ncias ocidentais<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> , ao passo que a China tem apostado na consolida&ccedil;&atilde;o do poder material, financeiro, estrat&eacute;gico, tecnol&oacute;gico e militar que lhe permita afirmar os seus interesses &agrave; escala global<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> .</p>     <p>Neste contexto, a fragiliza&ccedil;&atilde;o das alian&ccedil;as que alavancaram a hegemonia norte-americana parece altamente contraintuitiva. Os europeus encontram-se hoje confrontados com a importante necessidade de ganhar algum n&iacute;vel de autonomia face aos Estados Unidos em termos de seguran&ccedil;a e defesa, apostando no desenvolvimento da defesa europeia, num contexto mais polarizado, onde o Presidente norte-americano tem inclusive alimentado as tend&ecirc;ncias desintegrativas na Europa, expressando de forma clara o seu apoio ao Brexit. Se a cria&ccedil;&atilde;o de blocos regionais n&atilde;o &eacute; vista como uma estrat&eacute;gia que refor&ccedil;a o poder do Ocidente e se a integra&ccedil;&atilde;o europeia &eacute; entendida como uma amea&ccedil;a ao poder norte-americano, a estrat&eacute;gia de dividir para reinar, que tem sido apan&aacute;gio de pa&iacute;ses como a R&uacute;ssia, por exemplo, poder&aacute; agora aplicar-se ao maior aliado europeu. Esta &eacute; uma mudan&ccedil;a de enorme import&acirc;ncia para a ordem liberal, fraturando o seu n&uacute;cleo duro, centrado no Atl&acirc;ntico. A nato &eacute; aqui o elemento mais s&oacute;lido, apesar das imensas diferen&ccedil;as entre os seus membros, nomeadamente no que toca &agrave; pr&oacute;pria Turquia. Ser&aacute; importante acompanhar a forma como estas diferen&ccedil;as se traduzir&atilde;o na coes&atilde;o da Alian&ccedil;a que, para j&aacute;, se mant&eacute;m elevada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>O FUTURO DA ORDEM LIBERAL</b></p>     <p>Os grandes desafios do nosso tempo colocam-se &agrave; escala planet&aacute;ria, exigindo respostas baseadas em amplos consensos que parecem ausentes. A lideran&ccedil;a de uma pot&ecirc;ncia ou grupo de pot&ecirc;ncias comprometidas com essas respostas poder&aacute; fazer toda a diferen&ccedil;a na obten&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es urgentes. A capacidade de a ordem liberal atual responder a esses desafios &eacute; diminuta, n&atilde;o s&oacute; pelas incoer&ecirc;ncias do sistema que a sustenta, mas pela contesta&ccedil;&atilde;o de que &eacute; objeto por parte de outras pot&ecirc;ncias. No entanto, o que parece certo, no futuro pr&oacute;ximo, &eacute; a perman&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios liberais atuais e das institui&ccedil;&otilde;es onde eles se efetivam, mesmo que atuando de forma deficiente. Falamos de regimes de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, falamos da promo&ccedil;&atilde;o de objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel, da manuten&ccedil;&atilde;o de uma rede de institui&ccedil;&otilde;es de governa&ccedil;&atilde;o global que procura respostas &agrave; escala mundial, e falamos de pol&iacute;ticas de promo&ccedil;&atilde;o de democracia, boa governa&ccedil;&atilde;o e de crescimento econ&oacute;mico, que t&ecirc;m dinamizado as &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Parece certa a aus&ecirc;ncia de alternativas &agrave; escala global, ainda que os desafios da automa&ccedil;&atilde;o, da intelig&ecirc;ncia artificial e da gest&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o em larga escala permitam antever novas l&oacute;gicas de poder at&eacute; aqui ausentes da equa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Hoje, as pot&ecirc;ncias concorrem por superioridade digital e de recursos, garantindo a sua sobreviv&ecirc;ncia e uma capacidade superior de gest&atilde;o dos seus cidad&atilde;os e territ&oacute;rios, ao mesmo tempo que tecnologia e ambiente se fundem numa l&oacute;gica capitalista sem precedentes. Este &eacute; o ponto de chegada da modernidade de raiz europeia, cujas ambi&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o global se traduziram num sistema de gest&atilde;o da totalidade da vida humana, da sua rela&ccedil;&atilde;o com a natureza, da subjetividade e da comunidade, ou seja, como escreve Dussel e Vallega, &laquo;(nu)ma nova atitude econ&oacute;mica (que) se estabeleceu (ou seja, n)a posi&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica-produtiva do capital&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> . No entanto, a prerrogativa destes dom&iacute;nios n&atilde;o est&aacute; no Ocidente e nem parece responder &agrave;s profundas desigualdades que este sistema gerou. Richard Falk articula de forma poderosa os fracassos da ordem atual e as dificuldades de imaginar uma nova, que v&aacute; al&eacute;m da seguran&ccedil;a assente na l&oacute;gica militar, da estabilidade pol&iacute;tica baseada no crescimento econ&oacute;mico e da centralidade da identidade nacional para a forma&ccedil;&atilde;o de comunidades<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> .</p>     <p>A ordem liberal tem na sua ess&ecirc;ncia a vantagem da diversidade inerente &agrave; l&oacute;gica democr&aacute;tica e cosmopolita, permitindo inova&ccedil;&atilde;o. Esta tem sido uma das for&ccedil;as motrizes mais relevantes na durabilidade e for&ccedil;a dos regimes pol&iacute;ticos liberais. No entanto, os seus fracassos e uma consci&ecirc;ncia global cidad&atilde; sem precedentes ir&atilde;o fragilizar as estruturas dominantes pela sua incapacidade de gerar respostas mais eficazes. A aus&ecirc;ncia de alternativas capazes de encontrar respostas para os desafios da sustentabilidade ambiental, da equidade e da justi&ccedil;a, da liberdade identit&aacute;ria e da seguran&ccedil;a n&atilde;o pode, contudo, ser dada como adquirida. Os marginalizados do sistema s&atilde;o cada vez mais e est&atilde;o cada vez mais presentes no interior do sistema, exigindo respostas para a sua situa&ccedil;&atilde;o. Falamos das mulheres, das minorias raciais, dos povos ind&iacute;genas, dos pobres, dos criminalizados, daqueles que n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. A mobiliza&ccedil;&atilde;o de todos na busca de uma solu&ccedil;&atilde;o mais justa poder&aacute; ser inclu&iacute;da na renova&ccedil;&atilde;o da atual ordem liberal, mas isso n&atilde;o &eacute; certo hoje.</p>     <p>O que parece certo &eacute; a sua instrumentaliza&ccedil;&atilde;o para avan&ccedil;ar agendas mais conservadoras e restritivas de direitos, em nome da seguran&ccedil;a, em nome da certeza identit&aacute;ria, em nome do bem-estar social de alguns. O desafio que se coloca aos defensores do liberalismo &eacute; a articula&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es para estas ansiedades, dentro da l&oacute;gica liberal, procurando, assim, evitar que outras l&oacute;gicas menos democr&aacute;ticas emerjam. No entanto, os aliados tradicionais do liberalismo t&ecirc;m de ser equacionados, nomeadamente na rela&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica e finan&ccedil;as, j&aacute; que as din&acirc;micas liberais sociais est&atilde;o hoje absolutamente ausentes das l&oacute;gicas financeiras. O cidad&atilde;o consumidor n&atilde;o responde aos anseios de um mundo &agrave; procura de identidades substantivas, de seguran&ccedil;a ambiental, de liberdade. Por isso, caber&aacute; &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es atuais encontrar no sistema existente a capacidade de se reinventar, se quiserem manter a matriz liberal da ordem atual.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ARRIGHI, Giovanni &ndash; &laquo;World income inequalities and the future of socialism&raquo;. In <i>New Left Review</i>. Vol. 1, N.&ordm; 189, 1991.</p>     <p>BANCO MUNDIAL &ndash; <i>World Development Report 2011. </i><i>Conflict, Security, and Development</i>. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://siteresources.worldbank.org/INTWDRS/Resources/WDR2011_Full_Text.pdf" target="_blank">https://siteresources.worldbank.org/INTWDRS/Resources/WDR2011_Full_Text.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BULL, Hedley &ndash; <i>The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics</i>. Londres: Palgrave, 2002.</p>     <p>DA VINHA, Lu&iacute;s &ndash; &laquo;Uma rela&ccedil;&atilde;o complexa: o multilateralismo e a pol&iacute;tica externa norte-americana no s&eacute;culo XXI&raquo;. In FERNANDES, Sandra D.; SIM&Atilde;O, Lic&iacute;nia, eds. &ndash; <i>O Multilateralismo:</i><i>Conceitos e Pr&aacute;ticas no S&eacute;culo XXI</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2019, pp. 93-115.</p>     <p>DALBY, Simon &ndash; &laquo;Calling 911: geopolitics, security and America&rsquo;s new war&raquo;. In <i>Geopolitics</i>. Vol. 8, N.&ordm; 3, 2003, pp. 61-86.</p>     <p>DALBY, Simon &ndash; &laquo;Imperialism, domination, culture: the continued relevance of critical geopolitics&raquo;. In <i>Geopolitics</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 2008, pp. 413-436.</p>     <p>DE GRAAFF, Nan&aacute;; VAN APELDOORN, Bastiaan &ndash; &laquo;Varieties of us post-Cold War imperialism: anatomy of a failed hegemonic project and the future of us geopolitics&raquo;. In <i>Critical Sociology</i>. Vol. 37, N.&ordm; 4, 2011, pp. 403-427. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1177/0896920510379446" target="_blank">10.1177/0896920510379446</a>.</p>     <p>DIAMOND, Larry &ndash; &laquo;Elections without democracy: thinking about hybrid regimes&raquo;. In <i>Journal of</i><i>Democracy</i>. Vol. 13, N.&ordm; 2, abril de 2002, pp. 21-35.</p>     <p>DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Development, Security and Unending War: Governing the World of Peoples</i>. Cambridge: Polity Press, 2007.</p>     <p>DUSSEL, Enrique; VALLEGA, Alejandro A., eds. &ndash; <i>Ethics of Liberation: In the Age of Globalization</i><i>and Exclusion</i>. Durham: Duke University Press, Durham, 2013.</p>     <p>EBERHART, Dan &ndash; &laquo;Why President Trump is the biggest player in world oil markets today&raquo;. In <i>Forbes</i>. 10 de julho de 2018. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.forbes.com/sites/daneberhart/2018/07/10/why-president-trump-is-the-biggest-player-in-world-oil-markets-today/" target="_blank">https://www.forbes.com/sites/daneberhart/2018/07/10/why-president-trump-is-the-biggest-player-in-world-oil-markets-today/</a>.</p>     <p>FALK, Richard &ndash; <i>Power Shift: On the New Global Order</i>. Londres: Zed Books, 2016.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FERNANDES, Sandra D.; SIM&Atilde;O, Lic&iacute;nia, eds. &ndash; <i>O Multilateralismo: Conceitos e Pr&aacute;ticas no S&eacute;culo XXI</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2019.</p>     <p>FUKUYAMA, Francis &ndash; O <i>Fim da Hist&oacute;ria e o &Uacute;ltimo Homem</i>. Lisboa: Gradiva, 1999.</p>     <p>GRIFFITHS, Rudyard, ed. &ndash; <i>The End of the Liberal Order? Is This the End of the Liberal International Order? The Munk Debates</i>. Toronto: House of Anansi Press, 2017.</p>     <p>HAASS, Richard &ndash; <i>A World in Disarray: American Foreign Policy and the Crisis of the Old Order</i>. Nova York: Pinguin Books, 2017.</p>     <p>HARRISS-WHITE, Barbara &ndash; &laquo;Poverty and capitalism&raquo;. In <i>Economic and Political Weekly</i>. Vol. 41, N.&ordm; 13, 2006, pp. 1241-1246.</p>     <p>HUNDAL, Sunny &ndash; &laquo;Angela Merkel is now the leader of the free world, not Donald Trump&raquo;. In <i>The Independent</i>. 1 de fevereiro de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.independent.co.uk/voices/angela-merkel-donald-trump-democracy-freedom-of-press-a7556986.html" target="_blank">https://www.independent.co.uk/voices/angela-merkel-donald-trump-democracy-freedom-of-press-a7556986.html</a>.</p>     <p>HUNTINGTON, Samuel P. &ndash; <i>Political Order in Changing Societies. New Haven</i>, CT: Yale University Press, 1968.</p>     <p>Huntington, Samuel P. &ndash; <i>The Third Wave: Democratization in the Late 20th Century</i>. Norman, ok: Oklahoma University Press, Norman, 1991.</p>     <p>IKENBERRY, John G. &ndash; &laquo;The rise of China and the future of the West &ndash; can the liberal system survive?&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 87, N.&ordm; 23, 2008.</p>     <p>IKENBERRY, John G. &ndash; &laquo;Liberal internationalism 3.0: America and the dilemmas of liberal world order&raquo;. In <i>Perspectives on Politics</i>. Vol. 7, N.&ordm; 1, 2009, pp. 71-87.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>IKENBERRY, John. G. &ndash; <i>Liberal Leviathan: The Origins, Crisis and Transformation of the American</i><i>World Order</i>. Nova J&eacute;rsia: Princeton University Press, 2012.</p>     <p>INGERSOLL, Robert S.; FRAZIER, Derrick &ndash; <i>Regional Powers and Security Orders: A Theoretical Framework</i>. Nova York: Routledge, 2012.</p>     <p>J&Auml;GER, Anton &ndash; &laquo;The myth of &ldquo;populism&rdquo;&raquo;. In <i>Jacobinmag</i>. 1 de mar&ccedil;o de 2018. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.jacobonmag.com" target="_blank">https://www.jacobonmag.com</a>.</p>     <p>JERVIS, Robert;- GAVIN, Francis J.;-ROVNER, Joshua, eds. &ndash; <i>Chaos in the Liberal Order: The Trump</i><i>Presidency and International Politics in the Twenty-first Century</i>. Nova York: Columbia University Press, 2018.</p>     <p>KAKUTANI, Michiko &ndash; &laquo;Book review. The retreat of western liberalism: how democracy is defeating itself&raquo;. In <i>New York Times</i>. 19 de junho de 2017 (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nytimes.com/2017/06/19/books/review-retreat-of-western-liberalism-edward-luce.html" target="_blank">https://www.nytimes.com/2017/06/19/books/review-retreat-of-western-liberalism-edward-luce.html</a>.</p>     <p>LUCE, Edward &ndash; <i>The Retreat of Western Liberalism</i>. Londres: Little Brown, 2017.</p>     <p>MEARSHEIMER, John J. &ndash; <i>The Great Delusion: Liberal Dreams and International Realities</i>. New Haven, CT: Yale University Press, 2018.</p>     <p>MOORE, Suzanne &ndash; &laquo;Angela Merkel shows how the leader of the free world should act&raquo;. In <i>The</i><i>Guardian</i>. 29 de maio de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/may/29/angela-merkel-leader-free-world-donald-trump" target="_blank">https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/may/29/angela-merkel-leader-free-world-donald-trump</a>.</p>     <p>PIKETTY, Thomas &ndash; <i>Capital in the Twenty-First Century</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Arthur Goldhammer. Cambridge, MA; Londres: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014.</p>     <p>POSNER, Richard A. &ndash; <i>The Crisis of Capitalist Democracy</i>. Cambridge, MA: Harvard University Press, Cambridge, 2011.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PUTIN, Vladimir &ndash; &laquo;Speech and the following discussion at the Munich Conference on Security Policy&raquo;. <i>Kremlin</i>. 10 de fevereiro de 2007. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034" target="_blank">http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034</a>.</p>     <p>RICHMOND, Oliver P. &ndash; &laquo;The problem of peace: understanding the &ldquo;liberal peace&rdquo;&raquo;. In <i>Conflict,</i><i>Security &amp; Development</i>. Vol. 6, N.&ordm; 3, 2006, pp. 291-314. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/14678800600933480" target="_blank">10.1080/14678800600933480</a>.</p>     <p>ROMANOVA, Tatiana &ndash; &laquo;Russia&rsquo;s neorevisionist challenge to the liberal international order&raquo;. In <i>The International Spectator</i>. Vol. 53, N.&ordm; 1, 2018, pp. 76-91. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/03932729.2018.1406761" target="_blank">10.1080/03932729.2018.1406761</a>.</p>     <p>ROSE, Gideon &ndash; &laquo;Introduction&raquo;. In What Was the Liberal Order? <i>Foreign Affairs Anthology Series</i>. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/anthologies/2017-02-23/what-was-liberal-order" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/anthologies/2017-02-23/what-was-liberal-order</a>.</p>     <p>SMALE, Alison; ERLANGER, Steven &ndash; &laquo;As Obama exits world stage, Angela Merkel may be the liberal West&rsquo;s last defender&raquo;. In <i>The New York Times</i>. 12 de novembro de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nytimes.com/2016/11/13/world/europe/germany-merkel-trump-election.html" target="_blank">https://www.nytimes.com/2016/11/13/world/europe/germany-merkel-trump-election.html</a>.</p>     <p>S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; <i>A Liberal World Order in Crisis: Choosing between Imposition and Restraint</i>. Ithaca, NY: Cornell University Press, 2011.</p>     <p>S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; &laquo;A liberal order in crisis: choosing between imposition and restraint&raquo;. In <i>The Montr&eacute;al Review</i>. Junho de 2012. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.themontrealreview.com/2009/A-Liberal-World-Order-in-Crisis-Choosing-between-Imposition-and-Restraint.php" target="_blank">http://www.themontrealreview.com/2009/A-Liberal-World-Order-in-Crisis-Choosing-between-Imposition-and-Restraint.php</a>.</p>     <p>VOGL, Joseph &ndash; <i>The</i><i>Ascendancy of Finance</i>. Cambridge: Polity Press, 2017.</p>     <p>WHEELER, Nicholas J. &ndash; &laquo;Humanitarian intervention after Kosovo: emergent norm, moral duty or the coming anarchy?&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 77, N.&ordm; 1, 2001, pp. 113-128.</p>     <p>ZAKARIA, Fareed &ndash; &laquo;The rise of illiberal democracy&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 76, N.&ordm; 6, novembro-dezembro de 1997, pp. 22-43.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 27 de junho de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 1 de agosto de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> IKENBERRY, John. G. &ndash; <i>Liberal Leviathan: The Origins, Crisis and Transformation of the American World Order</i>. Nova J&eacute;rsia: Princeton University Press, 2012; JERVIS, Robert;&lrm; GAVIN, Francis J.;&lrm; ROVNER, Joshua, eds. &ndash; <i>Chaos in the Liberal Order: The Trump Presidency and International Politics in the Twenty-first Century</i>. Nova York: Columbia University Press, 2018.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Ver S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; <i>A Liberal World Order in Crisis: Choosing between Imposition and Restraint</i>. Ithaca, NY: Cornell University Press, 2011.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> GRIFFITHS, Rudyard, ed. &ndash; <i>The End of the Liberal Order? Is This the End of the Liberal International Order? The Munk Debates</i>. Toronto: House of Anansi Press, 2017.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> LUCE, Edward &ndash; <i>The Retreat of Western Liberalism</i>. Londres: Little Brown, 2017; POSNER, Richard A. &ndash; <i>The Crisis of Capitalist Democracy</i>. Cambridge, MA: Harvard University Press, Cambridge, 2011.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> ROSE, Gideon &ndash; &laquo;Introduction&raquo;. In <i>What Was the Liberal Order? </i><i>Foreign Affairs Anthology</i><i>Series</i>. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.foreignaffairs.com/anthologies/2017-02-23/what-was-liberal-order" target="_blank">https://www.foreignaffairs.com/anthologies/2017-02-23/what-was-liberal-order</a>.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> FUKUYAMA, Francis &ndash; <i>O Fim da Hist&oacute;ria e o &Uacute;ltimo Homem</i>. Lisboa: Gradiva, 1999.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Ver, entre outros, DALBY, Simon &ndash; &laquo;Calling 911: geopolitics, security and America&rsquo;s new war&raquo;. In <i>Geopolitics</i>. Vol. 8, N.&ordm; 3, 2003, pp. 61-86; DALBY, Simon &ndash; &laquo;Imperialism, domination, culture: the continued relevance of critical geopolitics&raquo;. In <i>Geopolitics</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 2008, pp. 413-436.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> ARRIGHI, Giovanni &ndash; &laquo;World income inequalities and the future of socialism&raquo;. In <i>New Left</i><i>Review</i>. Vol. 1, N.&ordm; 189, 1991; PIKETTY, Thomas &ndash; <i>Capital in the Twenty-First Century</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Arthur Goldhammer. Cambridge, MA; Londres: The Belknap Press of Harvard University Press, 2014.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> PUTIN, Vladimir &ndash; &laquo;Speech and the following discussion at the Munich Conference on Security Policy&raquo;. <i>Kremlin</i>. 10 de fevereiro de 2007. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034" target="_blank">http://en.kremlin.ru/events/president/transcripts/24034</a>; DUFFIELD, Mark &ndash; <i>Development,</i><i>Security and Unending War: Governing the World of Peoples</i>. Cambridge: Polity Press, 2007; WHEELER, Nicholas J. &ndash; &laquo;Humanitarian intervention after Kosovo: emergent norm, moral duty or the coming anarchy?&raquo;. In <i>International Affairs</i>. Vol. 77, N.&ordm; 1, 2001, pp. 113-128.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> DE GRAAFF, Nan&aacute;; VAN APELDOORN, Bastiaan &ndash; &laquo;Varieties of us post-Cold War imperialism: anatomy of a failed hegemonic project and the future of us geopolitics&raquo;. In <i>Critical Sociology</i>. Vol. 37, N.&ordm; 4, 2011, pp. 403-427; RICHMOND, Oliver P. &ndash; &laquo;The problem of peace: understanding the &ldquo;liberal peace&rdquo;&raquo;. In <i>Conflict, Security &amp; Development</i>. Vol. 6, N.&ordm; 3, 2006, pp. 291-314.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> HARRISS-WHITE, Barbara &ndash; &laquo;Poverty and capitalism&raquo;. In <i>Economic and Political Weekly</i>. Vol. 41, N.&ordm; 13, 2006, pp. 1241-1246.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> HUNTINGTON, Samuel P. &ndash; <i>The Third Wave: Democratization in the Late 20th Century</i>. Norman, OK: Oklahoma University Press, Norman, 1991.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> ZAKARIA, Fareed &ndash; &laquo;The rise of illiberal democracy&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 76, N.&ordm; 6, novembro-dezembro de 1997, pp. 22-43; DIAMOND, Larry &ndash; &laquo;Elections without democracy: thinking about hybrid regimes&raquo;. In <i>Journal of Democracy</i>. Vol. 13, N.&ordm; 2, abril de 2002, pp. 21-35.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; <i>A Liberal World Order in Crisis&hellip;</i>.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> FERNANDES, Sandra D.; SIM&Atilde;O, Lic&iacute;nia, eds. &ndash; <i>O Multilateralismo: Conceitos e Pr&aacute;ticas no S&eacute;culo XXI</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2019.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> BANCO MUNDIAL &ndash; <i>World Development Report 2011. </i><i>Conflict, Security, and Development</i>. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://siteresources.worldbank.org/INTWDRS/Resources/WDR2011_Full_Text.pdf" target="_blank">https://siteresources.worldbank.org/INTWDRS/Resources/WDR2011_Full_Text.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel na p&aacute;gina online da institui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; &laquo;A liberal order in crisis: choosing between imposition and restraint&raquo;. In <i>The Montr&eacute;al Review</i>. Junho de 2012. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.themontrealreview.com/2009/A-Liberal-World-Order-in-Crisis-Choosing-between-Imposition-and-Restraint.php" target="_blank">http://www.themontrealreview.com/2009/A-Liberal-World-Order-in-Crisis-Choosing-between-Imposition-and-Restraint.php</a>.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> LUCE, Edward &ndash; The Retreat of Western Liberalism. Ver tamb&eacute;m KAKUTANI, Michiko &ndash; &laquo;Book review. The retreat of western liberalism: how democracy is defeating itself&raquo;. In <i>New York Times</i>. 19 de junho de 2017. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nytimes.com/2017/06/19/books/review-retreat-of-western-liberalism-edward-luce.html" target="_blank">https://www.nytimes.com/2017/06/19/books/review-retreat-of-western-liberalism-edward-luce.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; <i>A Liberal World Order in Crisis&hellip;.</i></p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Para uma discuss&atilde;o informada sobre populismo, nas suas vertentes europeias e norte-americanas, ver J&Auml;GER, Anton &ndash; &laquo;The myth of &ldquo;populism&rdquo;&raquo;. In <i>Jacobinmag</i>. 1 de mar&ccedil;o de 2018. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: www.jacobonmag.com. Ver tamb&eacute;m VOGL, Joseph &ndash; <i>The Ascendancy of Finance</i>. Cambridge: Polity Press, 2017.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> IKENBERRY, John G. &ndash; &laquo;Liberal internationalism 3.0: America and the dilemmas of liberal world order&raquo;. In <i>Perspectives on Politics</i>. Vol. 7, N.&ordm; 1, 2009, pp. 71-87.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Ver, entre outros, HUNTINGTON, Samuel P. &ndash; <i>Political Order in Changing Societies</i>. New Haven, CT: Yale University Press, 1968; INGERSOLL, Robert S.; FRAZIER, Derrick &ndash; <i>Regional Powers and</i><i>Security Orders: A Theoretical Framework</i>. Nova York: Routledge, 2012; BULL, Hedley &ndash; <i>The</i><i>Anarchical Society: A Study of Order in World Politics</i>. Londres: Palgrave, 2002.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> DA VINHA, Lu&iacute;s &ndash; &laquo;Uma rela&ccedil;&atilde;o complexa: o multilateralismo e a pol&iacute;tica externa norte-americana no s&eacute;culo XXI&raquo;. In FERNANDES, Sandra D.; SIM&Atilde;O, Lic&iacute;nia, eds. &ndash; <i>O Multilateralismo:</i><i>Conceitos e Pr&aacute;ticas no S&eacute;culo XXI</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2019, pp. 93-115.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> S&Oslash;RENSEN, Georg &ndash; <i>A Liberal World Order in Crisis&hellip;.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> IKENBERRY, John. G. &ndash; <i>Liberal Leviathan&hellip;.</i></p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> MEARSHEIMER, John J. &ndash; <i>The Great Delusion: Liberal Dreams and International Realities</i>. New Haven, CT: Yale University Press, 2018.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Ver, entre outras, as pe&ccedil;as do <i>The Guardian</i>, do <i>The New York Times</i> e do <i>The Independent:</i> MOORE, Suzanne &ndash; &laquo;Angela Merkel shows how the leader of the free world should act&raquo;. In <i>The</i><i>Guardian</i>. 29 de maio de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/may/29/angela-merkel-leader-free-world-donald-trump" target="_blank">https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/may/29/angela-merkel-leader-free-world-donald-trump</a>; SMALE, Alison; ERLANGER, Steven &ndash; &laquo;As Obama exits world stage, Angela Merkel may be the liberal West&rsquo;s last defender&raquo;. In <i>The New York Times</i>. 12 de novembro de 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nytimes.com/2016/11/13/world/europe/germany-merkel-trump-election.html" target="_blank">https://www.nytimes.com/2016/11/13/world/europe/germany-merkel-trump-election.html</a>; HUNDAL, Sunny &ndash; &laquo;Angela Merkel is now the leader of the free world, not Donald Trump&raquo;. In <i>The Independent</i>. 1 de fevereiro de 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.independent.co.uk/voices/angela-merkel-donald-trump-democracy-freedom-of-press-a7556986.html" target="_blank">https://www.independent.co.uk/voices/angela-merkel-donald-trump-democracy-freedom-of-press-a7556986.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> JERVIS, Robert;&lrm; GAVIN, Francis J.;&lrm; ROVNER, Joshua, eds. &ndash; <i>Chaos in the Liberal Order&hellip;.</i> Ver tamb&eacute;m HAASS, Richard &ndash; <i>A World in Disarray: American Foreign Policy and the Crisis of the Old</i><i>Order</i>. Nova York: Pinguin Books, 2017.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> DA VINHA, Lu&iacute;s &ndash; &laquo;Uma rela&ccedil;&atilde;o complexa&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> EBERHART, Dan &ndash; &laquo;Why President Trump is the biggest player in world oil markets today&raquo;. In <i>Forbes</i>. 10 de julho de 2018. (Consultado em: 23 de agosto de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.forbes.com/sites/daneberhart/2018/07/10/why-president-trump-is-the-biggest-player-in-world-oil-markets-today/" target="_blank">https://www.forbes.com/sites/daneberhart/2018/07/10/why-president-trump-is-the-biggest-player-in-world-oil-markets-today/</a>.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> ROMANOVA, Tatiana &ndash; &laquo;Russia&rsquo;s neorevisionist challenge to the liberal international order&raquo;. In <i>The International Spectator</i>. Vol. 53, N.&ordm; 1, 2018, pp. 76-91.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> IKENBERRY, John G. &ndash; &laquo;The rise of China and the future of the West &ndash; can the liberal system survive?&raquo;. In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 87, N.&ordm; 23, 2008.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> DUSSEL, Enrique; VALLEGA, Alejandro A., eds. &ndash; <i>Ethics of Liberation: In the Age of Globalization</i><i>and Exclusion</i>. Durham: Duke University Press, Durham, 2013.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> FALK, Richard &ndash; <i>Power Shift: On the New Global Order</i>. Londres: Zed Books, 2016.</p>     ]]></body>
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