<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992019000300005</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2019.63a05</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A disciplina de Relações Internacionais em tempos de crise de paradigmas: Contribuições para o debate sobre o estudo de política externa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The discipline of International Relations in times of paradigm crisis: contributions to the debate on the study of foreign policy]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lara Denise Góes da]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Resende]]></surname>
<given-names><![CDATA[Erica Simone Almeida]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Escola Superior de Guerra  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,eresende@esg.br  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<numero>63</numero>
<fpage>53</fpage>
<lpage>79</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992019000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992019000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992019000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Com base no diagnóstico de que a área de Relações Internacionais (RI) atravessa tempos de crise, o objetivo deste artigo é contribuir para o debate sobre formas alternativas para se compreender a política externa. Nas últimas duas décadas, a área de RI se viu em uma espécie de encruzilhada. Se, por um lado, as teorias dominantes convergiram nas explicações de fenômenos da realidade internacional na chamada «síntese neo-neo», por outro, o fim inesperado da Guerra Fria levou ao reconhecimento de que era necessário repensar essas mesmas teorias. Mais especificamente, era necessário repensar as premissas da própria área e, se as premissas teóricas da área se mostravam em crise, esta se estende aos limites das políticas externas dos estados e na forma como cada Estado pode pensar novas abordagens políticas. Assim como os tempos de crise do período Entreguerras permitiram o nascimento da área, a crise atual nos convida a ousar, a criar, a refletir sobre conceitos e modelos, a desafiar convenções e a propor alternativas para o conhecimento da realidade. O presente artigo pretende contribuir para o debate sobre formas alternativas de conhecer a política externa em tempos de crise. Na primeira parte se analisará as críticas desconstrutivas atuais das teorias dominantes das RI, e, na segunda parte, aplicaremos algumas daquelas teorias à análise de política externa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the last two decades, the discipline of International Relations (IR) has been at crossroads. If, on one hand, dominant theories have converged into explaining world politics within the so-called “neo-neo synthesis”, on the other hand, the unexpected end of the Cold War has brought about the acknowledgement that those theories needed to be reconsidered. More specifically, the premises of the discipline needed urgent rethinking as they were at a crisis, but if it is true, this crisis is extended to foreign policy and the way the states think about their selves as policy makers. Just like the crisis between the Great Wars have made possible the birth of the discipline, the current crisis invites us to dare, to create, to reflect upon concepts and models, to challenge conventions and to propose alternative ways to understand realities. The purpose of this paper is to contribute to conceive alternatives to foreign policy analysis in times of crisis. In the first part we will analyze the current deconstructive critiques of the dominant theories of the IR and in the second part, we will apply some of those perspectives to the analysis of foreign policy.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Relações Internacionais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[pós-modernidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[teorias das Relações Internacionais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[análise de política externa]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[International Relations]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[post-modernity]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[International Relations theories]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[foreign policy analysis]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>A disciplina de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em tempos de crise de paradigmas: Contribui&ccedil;&otilde;es para o debate sobre o estudo de pol&iacute;tica externa</b></p>     <p><b>The discipline of International Relations in times of paradigm crisis: contributions to the debate on the study of foreign policy</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Lara Denise G&oacute;es da Costa e Erica Simone Almeida Resende</b></p>     <p>Escola Superior de Guerra | Av. Jo&atilde;o Luiz Alves, s/n - Urca, Rio de Janeiro, Brasil | <a href="mailto:lara.goes@esg.br">lara.goes@esg.br</a> <a href="mailto:eresende@esg.br">eresende@esg.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Com base no diagn&oacute;stico de que a &aacute;rea de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (RI) atravessa tempos de crise, o objetivo deste artigo &eacute; contribuir para o debate sobre formas alternativas para se compreender a pol&iacute;tica externa. Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, a &aacute;rea de RI se viu em uma esp&eacute;cie de encruzilhada. Se, por um lado, as teorias dominantes convergiram nas explica&ccedil;&otilde;es de fen&ocirc;menos da realidade internacional na chamada &laquo;s&iacute;ntese neo-neo&raquo;, por outro, o fim inesperado da Guerra Fria levou ao reconhecimento de que era necess&aacute;rio repensar essas mesmas teorias. Mais especificamente, era necess&aacute;rio repensar as premissas da pr&oacute;pria &aacute;rea e, se as premissas te&oacute;ricas da &aacute;rea se mostravam em crise, esta se estende aos limites das pol&iacute;ticas externas dos estados e na forma como cada Estado pode pensar novas abordagens pol&iacute;ticas. Assim como os tempos de crise do per&iacute;odo Entreguerras permitiram o nascimento da &aacute;rea, a crise atual nos convida a ousar, a criar, a refletir sobre conceitos e modelos, a desafiar conven&ccedil;&otilde;es e a propor alternativas para o conhecimento da realidade. O presente artigo pretende contribuir para o debate sobre formas alternativas de conhecer a pol&iacute;tica externa em tempos de crise. Na primeira parte se analisar&aacute; as cr&iacute;ticas desconstrutivas atuais das teorias dominantes das RI, e, na segunda parte, aplicaremos algumas daquelas teorias &agrave; an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, p&oacute;s-modernidade, teorias das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The discipline of International Relations in times of paradigm crisis: contributions<br />   to the debate on the study of foreign policy</p>     <p>In the last two decades, the discipline of International Relations (IR) has been at crossroads. If, on one hand, dominant theories have converged into explaining world politics within the so-called &ldquo;neo-neo synthesis&rdquo;, on the other hand, the unexpected end of the Cold War has brought about the acknowledgement that those theories needed to be reconsidered. More specifically, the premises of the discipline needed urgent rethinking as they were at a crisis, but if it is true, this crisis is extended to foreign policy and the way the states think about their selves as policy makers. Just like the crisis between the Great Wars have made possible the birth of the discipline, the current crisis invites us to dare, to create, to reflect upon concepts and models, to challenge conventions and to propose alternative ways to understand realities. The purpose of this paper is to contribute to conceive alternatives to foreign policy analysis in times of crisis. In the first part we will analyze the current deconstructive critiques of the dominant theories of the IR and in the second part, we will apply some of those perspectives to the analysis of foreign policy.</p>     <p><b>Keywords:</b> International Relations, post-modernity, International Relations theories, foreign policy analysis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, a &aacute;rea de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (RI) se viu em uma esp&eacute;cie de encruzilhada. Se, por um lado, as teorias dominantes convergiram nas explica&ccedil;&otilde;es de fen&ocirc;menos da realidade internacional na chamada &laquo;s&iacute;ntese neo-neo&raquo;, por outro, o fim inesperado da Guerra Fria levou ao reconhecimento de que era necess&aacute;rio repensar essas mesmas teorias. Mais especificamente, era necess&aacute;rio repensar as premissas da pr&oacute;pria &aacute;rea. Entendemos que a &aacute;rea de RI vive tempos de crise, mais especificamente, uma crise dos paradigmas que tradicionalmente pautaram a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento na &aacute;rea desde a cria&ccedil;&atilde;o da primeira c&aacute;tedra de RI em 1919. No entanto, os tempos de crise trazem as sementes da possibilidade de sua supera&ccedil;&atilde;o. Assim como os tempos de crise do per&iacute;odo Entre-guerras permitiu o nascimento da &aacute;rea, a crise atual nos convida a ousar, a criar, a refletir sobre conceitos e modelos, a desafiar conven&ccedil;&otilde;es e a propor alternativas para o conhecimento da realidade.</p>     <p>O presente artigo pretende contribuir para o debate sobre formas alternativas de conhecer a pol&iacute;tica externa em tempos de crise de paradigmas na &aacute;rea de RI. Na primeira parte, apresentaremos uma breve revis&atilde;o das principais cr&iacute;ticas feitas &agrave;s teorias dominantes nas RI. Em seguida, ap&oacute;s uma vis&atilde;o geral sobre como essas teorias concebiam a an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa durante a Guerra Fria, veremos como as cr&iacute;ticas que surgiram a partir da d&eacute;cada de 1990 contribu&iacute;ram para ampliar e aprofundar o debate sobre pol&iacute;tica externa ap&oacute;s o fim da Guerra Fria. Nosso objetivo &eacute; contribuir para o debate sobre formas alternativas para se compreender a pol&iacute;tica externa para al&eacute;m de sua vis&atilde;o tradicional de &laquo;soma das rela&ccedil;&otilde;es externas conduzidas por um ator independente, normalmente, por&eacute;m n&atilde;o limitado ao Estado, nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RELA&Ccedil;&Otilde;ES INTERNACIONAIS EM TEMPOS DE CRISE DE PARADIGMAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A apresenta&ccedil;&atilde;o convencional da origem e consolida&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de RI<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> localiza, no per&iacute;odo imediatamente posterior &agrave; Primeira Guerra Mundial (1914-1918), seu nascimento como &aacute;rea aut&ocirc;noma de conhecimento. Sob o trauma da destrui&ccedil;&atilde;o e da desilus&atilde;o provocadas pela guerra, e tendo como objetivo produzir conhecimento de forma a evitar um novo conflito armado, &eacute; criada a primeira c&aacute;tedra em RI na University of Wales, Aberystwyth<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, no ano de 1919. &Eacute; cab&iacute;vel, portanto, afirmar que a &aacute;rea que hoje conhecemos nasce em tempos de crise.</p>     <p>Ap&oacute;s o fim da Segunda Guerra Mundial, a &aacute;rea cruza o Atl&acirc;ntico em dire&ccedil;&atilde;o aos Estados Unidos, onde diversos <i>&eacute;migr&eacute;s</i> encontram um ambiente acad&ecirc;mico norte-americano favor&aacute;vel &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Conforme caracteriza&ccedil;&atilde;o de Gon&ccedil;alves<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> , a &aacute;rea de RI, como a conhecemos hoje, somente &laquo;se tornou vis&iacute;vel depois da Segunda Guerra Mundial&raquo;, sobretudo devido &agrave; grande arrancada que os estudos de RI experimentaram em solo americano.</p>     <p>Influenciados por conceitos legados dos historiadores da chamada <i>Machtschule</i> alem&atilde;, pensadores como o alem&atilde;o Hans Morgenthau defendiam que a &aacute;rea fosse constru&iacute;da com base em fatos e n&atilde;o em utopias e em especula&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas, como havia sido a caracter&iacute;stica do projeto brit&acirc;nico. O entendimento dos <i>&eacute;migr&eacute;s</i> sobre a natureza das rela&ccedil;&otilde;es internacionais era guiado, sobretudo, pelos conceitos de soberania, de anarquia, de poder e de interesse nacional, e pela caracteriza&ccedil;&atilde;o do Estado nacional como ator racional e privilegiado, e da guerra como regularidade nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>Com o surgimento da Guerra Fria entre Estados Unidos e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica a partir de 1947, a sombra da aniquila&ccedil;&atilde;o nuclear rec&iacute;proca somente viria a confirmar as premissas que ancoravam a &aacute;rea de RI. De fato, se houve uma caracter&iacute;stica que permeou a expans&atilde;o e a consolida&ccedil;&atilde;o das RI como novo ramo de conhecimento foi o fato de ela ter ocorrido com a l&oacute;gica da Guerra Fria como principal referencial. Em 1991, como epit&aacute;fio do meio s&eacute;culo de bipolaridade, a desintegra&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica suprimiu o polo oriental do conflito vigente at&eacute; ent&atilde;o. A Guerra Fria chega a seu fim e, com ela, caem literalmente as fronteiras ideol&oacute;gicas e geopol&iacute;ticas desenhadas em Yalta e Potsdam, as quais estiveram at&eacute; esse momento firmes por quase cinco d&eacute;cadas.</p>     <p>Com efeito, houve uma dificuldade dos te&oacute;ricos da &eacute;poca em explicar n&atilde;o s&oacute; o fim da Guerra Fria<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, como tamb&eacute;m as novas circunst&acirc;ncias da pol&iacute;tica internacional<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>: o fim inesperado e imprevisto do conflito, o momento unipolar, os movimentos sociais, as novas quest&otilde;es de identidade, de g&ecirc;nero e de religi&atilde;o, a crescente relev&acirc;ncia dos atores n&atilde;o estatais, os movimentos contra-hegem&ocirc;nicos, entre outros elementos. A realidade bipolar da pol&iacute;tica internacional foi abruptamente substitu&iacute;da por algo indefinido e que, de forma alguma, correspondia &agrave; situa&ccedil;&atilde;o anterior de p&oacute;s-1945. Para Knutsen, o antigo e conhecido mundo da Guerra Fria chega a seu fim na d&eacute;cada de 1990 de forma inesperada, e os conceitos tradicionalmente empregados para a an&aacute;lise da realidade perdem seu sentido<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>A &laquo;elegante simplicidade&raquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> da Guerra Fria, que durante d&eacute;cadas norteou a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento na &aacute;rea, entra em colapso. Assim, de forma inesperada e abrupta, a &aacute;rea de RI perde seu senso de dire&ccedil;&atilde;o, sua principal &laquo;b&uacute;ssola te&oacute;rica&raquo;, fazendo com que mergulhe em um estado de confus&atilde;o<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> . Tal fato &eacute; por n&oacute;s interpretado como o momento em que o discurso dominante na &aacute;rea de RI entra em crise. Por outro lado, ainda antes do fim da Guerra Fria ter posto em xeque a &aacute;rea, novos ventos j&aacute; sopravam na &aacute;rea de RI, buscando alternativas &agrave; ortodoxia dominante na &aacute;rea.</p>     <p>Na verdade, e ironicamente, ao mesmo tempo em que a &aacute;rea de RI consolidava o discurso dominante sobre como observar e conhecer a realidade internacional, ramos de saberes que n&atilde;o seriam t&atilde;o distantes assim experimentavam profundas transforma&ccedil;&otilde;es em suas respectivas premissas epistemol&oacute;gicas, metodol&oacute;gicas e ontol&oacute;gicas. O sucesso que pensadores t&atilde;o diversos quanto revolucion&aacute;rios experimentam em suas respectivas &aacute;reas de conhecimento incentiva o empr&eacute;stimo de suas ideias para a &aacute;rea de RI. A influ&ecirc;ncia de te&oacute;ricos como Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, J&uuml;rgen Habermas, Emanuel L&eacute;vinas, Ludwig Wittgenstein, Michel Foucault, Jacques Derrida, Anthony Giddens e Jacques Lacan come&ccedil;ava a ser sentida na &aacute;rea de RI, sobretudo ap&oacute;s o reconhecimento de sua principal limita&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica: a defini&ccedil;&atilde;o de seu objeto de estudo como o comportamento dos estados em um ambiente an&aacute;rquico e conflituoso.</p>     <p>Al&eacute;m das implica&ccedil;&otilde;es do fim da Guerra Fria, o fator que impulsionaria a autocr&iacute;tica na &aacute;rea de RI seria o que se convencionou chamar de crise da modernidade. Como observa Knutsen, os eventos ocorridos entre 1989 e 1991 simbolizavam n&atilde;o s&oacute; o final de um conflito, mas o final de uma era: a Era Moderna<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> . Em termos simples, consideramos a Era Moderna o per&iacute;odo frouxamente identificado com a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e o iluminismo, em que o modo de reprodu&ccedil;&atilde;o da sociedade se liberta da tradi&ccedil;&atilde;o para se ligar &agrave; raz&atilde;o instrumental. Trata-se da luta contra a arbitrariedade da autoridade tradicional e contra os preconceitos e conting&ecirc;ncias da tradi&ccedil;&atilde;o com a ajuda da raz&atilde;o. Trata-se da cren&ccedil;a na exist&ecirc;ncia do &laquo;ponto arquimediano&raquo;, com base no qual se tornaria poss&iacute;vel promover a transforma&ccedil;&atilde;o e a emancipa&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p>Assim, a maior consequ&ecirc;ncia da modernidade para a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento passa a ser a cren&ccedil;a de que existe uma verdade &laquo;l&aacute; fora&raquo; que pode e deve ser cientificamente apreendida e compreendida, a fim de libertar o homem da escurid&atilde;o e, assim, emancip&aacute;-lo. &Eacute; a cren&ccedil;a de que o progresso &eacute; poss&iacute;vel pelo racionalismo. Surge aqui um importante corol&aacute;rio: a concep&ccedil;&atilde;o da Hist&oacute;ria como uma progress&atilde;o linear de uma &eacute;poca para outra, sem rupturas, ou descontinuidades.</p>     <p>A cr&iacute;tica formulada pela Escola de Frankfurt na segunda metade do s&eacute;culo XX, sobretudo, em resposta a eventos que desafiavam uma explica&ccedil;&atilde;o racional, como o Holocausto e Hiroshima, passa a questionar a validade do projeto iluminista da modernidade. Na verdade, Horkheimer, Adorno e Benjamin e outros propuseram que a modernidade n&atilde;o fora capaz de realizar suas promessas de emancipa&ccedil;&atilde;o e liberta&ccedil;&atilde;o humana. Ao inv&eacute;s de emancipa&ccedil;&atilde;o, o homem moderno se v&ecirc; acorrentado a burocracias, ao controle, &agrave; comodifica&ccedil;&atilde;o e &agrave; disciplinariza&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conforme explica Jameson, os &uacute;ltimos anos haviam sido marcados por um &laquo;milenarismo invertido&raquo;, em que previs&otilde;es quanto ao futuro foram substitu&iacute;das por ideias do &laquo;fim disso ou daquilo&raquo;, em alus&atilde;o &agrave;s teses de fim da Hist&oacute;ria, da ideologia, da arte, da classe social, do comunismo, do Estado-Na&ccedil;&atilde;o, da democracia social, do bem-estar social, entre outros<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> . Contudo, prossegue ele, tais argumentos somente t&ecirc;m sustenta&ccedil;&atilde;o com base na premissa de que estaria ocorrendo algum tipo de ruptura, que ele localiza na passagem da d&eacute;cada de 1950 para 1960, quanto ao per&iacute;odo moderno. &Eacute; a modernidade em crise.</p>     <p>Em uma defini&ccedil;&atilde;o extremamente reduzida, Lyotard caracteriza a p&oacute;s-modernidade como um momento de &laquo;incredulidade quanto a metanarrativas&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> . Em outras palavras, Lyotard expressa o ceticismo p&oacute;s-moderno quanto &agrave; possibilidade de uma teoria universal e fundacional. Em seu cerne, portanto, est&aacute; a desconfian&ccedil;a e at&eacute; mesmo a rejei&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; possibilidade de um conhecimento objetivo, imut&aacute;vel e universalmente v&aacute;lido. Eis aqui o cerne da cr&iacute;tica: o termo &laquo;Verdade&raquo; n&atilde;o passaria de uma afirma&ccedil;&atilde;o formulada com base em uma posi&ccedil;&atilde;o de poder e, por isso, refletira sempre as estruturas de domina&ccedil;&atilde;o que pretendem, por meio de um discurso cient&iacute;fico, neutras e naturais. Da&iacute; surge a cr&iacute;tica p&oacute;s-moderna &agrave; epistemologia positivista, &agrave; separa&ccedil;&atilde;o entre sujeito e objeto, &agrave; exist&ecirc;ncia de uma realidade externa pass&iacute;vel de apreens&atilde;o e de compreens&atilde;o, ao racionalismo instrumental aplicado &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o de dados em detrimento da interpreta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como corretamente observaram Buzan e Little, a principal consequ&ecirc;ncia deste momento para a &aacute;rea de RI &eacute; que nos ver&iacute;amos obrigados a deixar de conceber o sistema internacional apenas em termos de rela&ccedil;&otilde;es entre estados soberanos:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;O final da Guerra Fria foi marcado por uma explos&atilde;o de interesse nas quest&otilde;es sociol&oacute;gicas de identidade e nas quest&otilde;es sobre a moralidade e legalidade dos direitos humanos. Assim, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, tem crescido a consci&ecirc;ncia de que o objeto de estudo das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais &eacute; um sistema internacional que n&atilde;o se resume somente a uma constru&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-militar, mas que &eacute; tamb&eacute;m econ&ocirc;mica, sociol&oacute;gica e hist&oacute;rica&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> .</blockquote>     <p></p>     <p>Cumpre, portanto, repensar o objeto de estudo da &aacute;rea de RI com aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s formas pelas quais os indiv&iacute;duos se organizam pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, social e ecologicamente, e como esses aspectos afetam uns aos outros. Para tanto, as RI passam a incorporar quest&otilde;es metate&oacute;ricas e a se abrirem para outros ramos. Novas abordagens cr&iacute;ticas come&ccedil;am a se articular no final da d&eacute;cada de 1980, tentando refletir sobre o tipo de conhecimento que produz, questionando pressupostos tradicionais e derrubando os muros que separavam a &aacute;rea de RI da Sociologia, da Filosofia, da Lingu&iacute;stica e da Psicologia. Assim, apesar de seu r&oacute;tulo recorrente de menos reflexiva e mais fechada de todas as ci&ecirc;ncias humanas<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a> , as RI passam a recepcionar ideias e conceitos que j&aacute; estavam experimentando sucesso em outros campos de conhecimento. Afinal, se tempos de crise exigiam novos referenciais te&oacute;ricos, por que n&atilde;o buscar a renova&ccedil;&atilde;o em ramos correlatos pr&oacute;ximos?</p>     <p>Como bem destacaram Nogueira e Messari, houve uma tomada de consci&ecirc;ncia para o fato de que a &aacute;rea de RI n&atilde;o se encontrava assim t&atilde;o longe de suas irm&atilde;s. Na verdade, &laquo;os dilemas e os desafios anal&iacute;ticos e conceituais colocados para a &aacute;rea n&atilde;o eram de natureza diferente nem obedeciam a l&oacute;gicas diferentes dos dilemas e desafios encontrados por outras &aacute;reas do conhecimento&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> . N&atilde;o se tratava, portanto, de &laquo;reinventar a roda&raquo; e, sim, expandir as fronteiras da &aacute;rea, torn&aacute;-la mais plural e arranc&aacute;-la do paroquialismo norte-americano que lhe era t&atilde;o caracter&iacute;stico. Al&eacute;m disso, o momento estava marcado por uma inquieta insatisfa&ccedil;&atilde;o de alguns com as teorias dominantes na &aacute;rea. Era um momento de descontentamento e desconforto, mas que produziria resultados positivos, visto que a forma como a &laquo;s&iacute;ntese neo-neo&raquo; parecia ter homogeneizado o pensamento na &aacute;rea acabou aumentando ainda mais o apetite por ideias e abordagens alternativas. Em tal clima de inquieta&ccedil;&atilde;o criativa, os chamados &laquo;insurgentes&raquo; e &laquo;dissidentes&raquo;, conforme caracteriza&ccedil;&otilde;es de George e Campbell<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a> e de Brown<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> , deram in&iacute;cio a um esfor&ccedil;o de levar o tema da &eacute;tica novamente para a &aacute;rea de RI. Assim, sentindo-se asfixiados e limitados pela camisa-de-for&ccedil;a imposta pelo &laquo;debate neo-neo&raquo;, insurgentes e dissidentes come&ccedil;am a semear a cr&iacute;tica &agrave;s premissas daquele saber.</p>     <p>Durante a d&eacute;cada de 1990, o debate entre neorrealistas e neoliberais dominou a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento em RI<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> . De um lado, tendo como principal expoente Kenneth Waltz<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> , os neorrealistas enfatizavam a estrutura do sistema internacional e seu papel prim&aacute;rio na determina&ccedil;&atilde;o do comportamento dos estados. De outro, neoliberais &ndash; tamb&eacute;m chamados de neoinstitucionalistas liberais &ndash; ressaltavam a import&acirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es internacionais na promo&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o entre os estados. Apesar de algumas diferen&ccedil;as pontuais, ambas as tradi&ccedil;&otilde;es comungam da mesma epistemologia racionalista.</p>     <p>Na verdade, n&atilde;o surpreende a afirma&ccedil;&atilde;o de Jervis<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> de que a lacuna entre ambas n&atilde;o &eacute; t&atilde;o grande<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a> . As duas correntes se dedicam a quest&otilde;es semelhantes da pol&iacute;tica internacional, concordam em diversas premissas sobre a natureza humana, sobre o Estado e sobre o sistema internacional e privilegiam os m&eacute;todos de pesquisa derivados da escolha racional<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> . N&atilde;o causa surpresa, portanto, quando o chamado &laquo;debate neo-neo&raquo; evolui at&eacute; atingir uma s&iacute;ntese na cr&iacute;tica de Keohane<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> &agrave; obra de Waltz, conforme apontado por Waever<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> . Mantendo a premissa realista da racionalidade dos atores estatais, Keohane redobrou o rigor e o formalismo anal&iacute;tico de suas posi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas centrais, assim alinhando seu discurso com o estilo intelectual ent&atilde;o dominante na Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica norte-americana, tamb&eacute;m reafirmou o argumento substantivo dos antigos institucionalistas liberais sem, por&eacute;m, fazer concess&otilde;es ao idealismo. Assim, Keohane foi capaz de gerar um &laquo;programa de pesquisa estrutural modificado&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> que permitiu uma s&iacute;ntese entre as duas correntes de pensamento: a chamada &laquo;s&iacute;ntese neo-neo&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> . A partir do final da d&eacute;cada de 1980, a s&iacute;ntese se torna o programa de pesquisa dominante na &aacute;rea de RI, sufocando a reflex&atilde;o cr&iacute;tica nos c&iacute;rculos acad&ecirc;micos, principalmente o norte-americano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por tais raz&otilde;es, a s&iacute;ntese neo-neo acabou por dominar a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento na &aacute;rea, caracterizada por uma crescente converg&ecirc;ncia de pressupostos e pela ades&atilde;o de ambas as correntes aos fundamentos epistemol&oacute;gicos da teoria microecon&ocirc;mica<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> , o que gerou uma crescente assimila&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua das caracteriza&ccedil;&otilde;es acerca da natureza e da din&acirc;mica da pol&iacute;tica internacional. Afora uma controv&eacute;rsia sobre ganhos relativos/absolutos<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> , ambas as tradi&ccedil;&otilde;es acabaram criando, na descri&ccedil;&atilde;o de Waever<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a> , uma &laquo;f&aacute;brica de quintal para a maioria dos modelistas matem&aacute;ticos&raquo;, permitindo que a &aacute;rea &laquo;finalmente penetrasse na <i>American Political Science Review</i> &ndash; espa&ccedil;o do predom&iacute;nio da teoria da escolha racional &ndash; com artigos repletos de equa&ccedil;&otilde;es e gr&aacute;ficos&raquo;. Antes, por&eacute;m, devemos destacar as primeiras cr&iacute;ticas que tentaram desafiar o discurso dominante de ent&atilde;o.</p>     <p>Dialogando diretamente com a revis&atilde;o que Waltz prop&otilde;e ao realismo, Robert Cox<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> coloca em debate a import&acirc;ncia da pr&aacute;tica te&oacute;rica<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> ao distinguir as teorias cr&iacute;ticas (<i>critical theories</i>) das teorias que solucionam problemas (<i>problem-solving theory</i>), como o neorrealismo e o neoliberalismo. Segundo o pesquisador canadense, ambas correntes se apresentam como preservadoras do <i>statu quo</i>, j&aacute; que t&ecirc;m como objetivo explicar e solucionar os problemas que afetam a ordem internacional &ndash; sobretudo nas esferas de seguran&ccedil;a e com&eacute;rcio, mas sem oferecer mudan&ccedil;as na ordem mundial.</p>     <p>Propondo uma abordagem neogramsciana que oferecia, simultaneamente, uma cr&iacute;tica &agrave;s teorias dominantes na &aacute;rea de RI, sobretudo em Economia Pol&iacute;tica Internacional, e uma alternativa &agrave; an&aacute;lise tradicional da pol&iacute;tica internacional, Cox lan&ccedil;a as primeiras bases da teoria cr&iacute;tica de rela&ccedil;&otilde;es internacionais<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a> . Seu ponto de partida, como apontamos, &eacute; distinguir as teorias ditas cr&iacute;ticas das que solucionam problemas. Lembrando que &laquo;toda teoria &eacute; sempre para algu&eacute;m e para alguma coisa&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> , ele antecipa o principal tema da cr&iacute;tica p&oacute;s-moderna/p&oacute;s-estruturalista: a rela&ccedil;&atilde;o entre poder e a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, como apontado por Foucault<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a> no bin&ocirc;mio poder/saber. Seu argumento &eacute; que, se ideias e valores s&atilde;o um reflexo de um conjunto espec&iacute;fico de rela&ccedil;&otilde;es sociais, que s&atilde;o transformados &agrave; medida que as pr&oacute;prias rela&ccedil;&otilde;es se transformam, ent&atilde;o todo conhecimento &ndash; pelo menos do mundo social &ndash; seria o reflexo de determinado contexto social, temporal e espacial. O conhecimento, portanto, n&atilde;o conseguiria ser objetivo e a-hist&oacute;rico, como postulavam neorrealistas e neoliberais. Seria imposs&iacute;vel conceber uma realidade onde fatos, observador e valores fossem separ&aacute;veis: consciente, ou n&atilde;o, todo te&oacute;rico leva seus pr&oacute;prios valores para a observa&ccedil;&atilde;o da realidade. Cox ent&atilde;o denuncia o neorrealismo como uma teoria que serve a interesses espec&iacute;ficos, cuja preocupa&ccedil;&atilde;o maior &eacute; solucionar eventuais problemas que estejam amea&ccedil;ando o <i>statu quo</i><sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a> . Ao recusar o posicionamento cr&iacute;tico, a teoria reproduz e legitima as rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o no sistema internacional, fazendo-as parecer naturais e imut&aacute;veis.</p>     <p>Como alternativa, Cox prop&otilde;e uma teoria cr&iacute;tica capaz de ao mesmo tempo entender o funcionamento das fontes de estabilidade do sistema internacional e identificar poss&iacute;veis for&ccedil;as e din&acirc;micas de transforma&ccedil;&atilde;o e emancipa&ccedil;&atilde;o. Ele, ent&atilde;o, transporta o conceito de hegemonia de Gramsci para a &aacute;rea de RI a fim de demonstrar como a ordem internacional produz rela&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas que n&atilde;o seriam, necessariamente, de natureza imperialista, mas sim baseadas em uma combina&ccedil;&atilde;o de consenso e coer&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, ao rejeitar a separa&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica e economia, Cox argumenta ser imposs&iacute;vel compreender as rela&ccedil;&otilde;es internacionais &ndash; sobretudo suas din&acirc;micas de mudan&ccedil;a &ndash; sem prestar aten&ccedil;&atilde;o para os processos de produ&ccedil;&atilde;o capitalista. Ao denunciar a recusa do neorrealismo em desenvolver prescri&ccedil;&otilde;es reformistas, ou emancipadoras, ele destaca como o pensamento te&oacute;rico mant&eacute;m e reproduz as rela&ccedil;&otilde;es de poder no qual est&aacute; inserido. Trata-se de uma teoria que perpetua as rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o na ordem internacional, nos termos do nexo &laquo;poder/saber&raquo;, impedindo assim o questionamento, a resist&ecirc;ncia e a emancipa&ccedil;&atilde;o humana.</p>     <p>Entretanto, apesar desse renovado interesse pelo pensamento marxista, sobretudo com base na penetra&ccedil;&atilde;o das ideias da Escola de Frankfurt, as diversas vertentes marxistas que da&iacute; se desenvolveram, como a teoria sistema-mundo de Wallerstein, a teoria da depend&ecirc;ncia de Prebisch e a pr&oacute;pria teoria cr&iacute;tica<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> , n&atilde;o tiveram f&ocirc;lego para enfrentar os desafios impostos pelos tempos de crise. Tal fato se tornou mais expl&iacute;cito com o fim da Guerra Fria, visto que a chamada &laquo;grande experi&ecirc;ncia&raquo; socialista deu seus &uacute;ltimos suspiros, fazendo com que o futuro se apresentasse liberal e capitalista. Al&eacute;m disso, mesmo um pensamento t&atilde;o comprometido com a transforma&ccedil;&atilde;o da ordem como o presente na teoria cr&iacute;tica tinha limita&ccedil;&otilde;es. Apesar da for&ccedil;a de argumentos como a concep&ccedil;&atilde;o materialista da Hist&oacute;ria e o modelo base/superestrutura, as teorias marxistas bebiam da mesma fonte epistemol&oacute;gica que seus opositores.</p>     <p>Na verdade, o debate travado por neorrealistas, neoliberais e marxistas at&eacute; aquele momento, apesar de bastante produtivo em termos de publica&ccedil;&otilde;es, pouco fez para transcender as limita&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea de RI ou at&eacute; mesmo efetivamente gerar grandes propostas de mudan&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Conforme observa R&eacute;us-Smit<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a> , tal fato seria devido ao car&aacute;ter interparadigm&aacute;tico assumido pelo &laquo;debate neo-neo&raquo;: ambas as linhas te&oacute;ricas compartilhavam o mesmo paradigma de conhecimento com base no racionalismo e no positivismo. E aqui podemos tamb&eacute;m encaixar as teorias marxistas, conforme cr&iacute;tica de Katzenstein<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a> , pois elas compartilham os mesmos paradigmas.</p>     <p>Assim, salvo algumas tentativas isoladas<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a> , a chamada &laquo;s&iacute;ntese neo-neo&raquo; se tornou dominante naquelas duas d&eacute;cadas. Conforme observa Waever, o realismo e o liberalismo, em suas vers&otilde;es &laquo;neo&raquo;, compartilhavam &laquo;o programa de pesquisa racionalista, a concep&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e a disposi&ccedil;&atilde;o para operar sob a premissa do estruturalismo (Waltz) e investigar a evolu&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o, e determinar se as institui&ccedil;&otilde;es importam (Keohane)&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a> . O esfor&ccedil;o de buscar tal s&iacute;ntese, continua Waever, podia ser percebido na revista <i>International Organization</i>: in&uacute;meros artigos testando o realismo contra o liberalismo e vice-versa com a premissa de que o di&aacute;logo rec&iacute;proco era poss&iacute;vel<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a> .</p>     <p>Na vis&atilde;o de Waever, o perfil dos trabalhos emp&iacute;ricos publicados na &eacute;poca era de &laquo;testes de teoria&raquo; (<i>theory-testing</i>) e/ou de &laquo;artigos te&oacute;ricos&raquo; (<i>theory-guided</i>): teoria de regimes, coopera&ccedil;&atilde;o em anarquia, estabilidade hegem&ocirc;nica, teoria de alian&ccedil;as, negocia&ccedil;&otilde;es comerciais, an&aacute;lises buzanianas de seguran&ccedil;a, por exemplo<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a> . Era poss&iacute;vel perceber como a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento na &aacute;rea passou a ser conduzida de forma a privilegiar um reduzido conjunto de quest&otilde;es te&oacute;ricas com grande quantidade de pesquisa. Nas palavras de Waever, o esfor&ccedil;o gerou artigos n&atilde;o muito filos&oacute;ficos, mas com grande sofistica&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica. &laquo;Foi &uacute;til e bem-sucedido. Mas muito chato&raquo;, sentenciou<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a> . A coura&ccedil;a come&ccedil;a a ser rompida aos poucos, como podemos perceber com base no leque de cr&iacute;ticas formuladas por construtivistas como Wendt, Kratochwill, Risse-Kappen e Onuf, al&eacute;m de cr&iacute;ticos p&oacute;s-modernos/p&oacute;s-estruturalistas como Ashley, Walker e Campbell, passando pelas feministas Christine Sylvester, J. Ann Tickner e Cynthia Enloe. A ordem do dia era a cr&iacute;tica &agrave;s premissas epistemol&oacute;gicas, metodol&oacute;gicas e ontol&oacute;gicas da &aacute;rea.</p>     <p>A primeira martelada imposta &agrave;quela coura&ccedil;a &eacute; dada por Richard Ashley, que formula uma forte cr&iacute;tica ao realismo estrutural proposto por Waltz, que ele chama de &laquo;neorrealismo&raquo;. Inspirado pela teoria cr&iacute;tica e pelo p&oacute;s-estruturalismo franc&ecirc;s, Ashley<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a> via no modelo waltziano um conjunto de mitos e ritos que perpetuavam um saber coletivo sobre as rela&ccedil;&otilde;es internacionais. &laquo;Todo grande movimento acad&ecirc;mico possui um saber tradicional, mitos fundacionais que s&atilde;o lembrados coletivamente, cujos significados s&atilde;o institucionalizados por lutas e desafios tit&acirc;nicos a serem superados a fim de criar e manter sua pr&oacute;pria primazia&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a> .</p>     <p>Ao atacar o triunfalismo do realismo cient&iacute;fico, a promessa do estruturalismo, o estatismo exagerado e a perspectiva utilitarista da a&ccedil;&atilde;o, da ordem social e da mudan&ccedil;a institucional, Ashley rejeitou a pobreza do modelo neorrealista. Para ele, Waltz era t&atilde;o obcecado pela figura do Estado que n&atilde;o conseguia enxergar uma realidade povoada por atores n&atilde;o estatais. O privilegiamento do Estado como ator com interesses fixos e est&aacute;veis havia deixado Waltz cego &agrave;s formas pelas quais as for&ccedil;as sociais criavam, constru&iacute;am e transformavam interesses. Para Ashley, o compromisso de Waltz com o individualismo e com a anteced&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociedade n&atilde;o lhe permitia ver como os processos sociais criavam identidades, interesses e capacidades.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&eacute;m disso, o apego excessivo de Waltz ao materialismo produzia uma representa&ccedil;&atilde;o artificial da sociedade, como se ela fosse totalmente despida de ideias, normas, cren&ccedil;as e valores, explicou. Sua recusa em problematizar conceitos fundamentais para a &aacute;rea, como soberania e anarquia, preferindo trat&aacute;-los como dados naturais do problema, impedia-lhe de perceber como esses conceitos eram social e historicamente produzidos.</p>     <p>Ashley finaliza sua cr&iacute;tica da seguinte forma:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Do ponto de vista de tal modelo (o de Waltz), a economiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica internacional s&oacute; pode significar o expurgo da pol&iacute;tica internacional das capacidades reflexivas que, mesmo limitadas, possibilitam o conhecimento global e a mudan&ccedil;a criativa. S&oacute; pode significar o empobrecimento da imagina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e da redu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica internacional a um campo de luta para o choque estrat&eacute;gico cego da raz&atilde;o t&eacute;cnica contra a raz&atilde;o t&eacute;cnica a servi&ccedil;o de fins n&atilde;o questionados&raquo;<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a> .</blockquote>     <p></p>     <p>Associando emancipa&ccedil;&atilde;o a um processo de crise do Estado, o te&oacute;rico ingl&ecirc;s Linklater<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a> se inspira na teoria da a&ccedil;&atilde;o comunicativa de Habermas<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a> para propor uma nova &eacute;tica do di&aacute;logo, de escopo global e consensual, em busca de um novo equil&iacute;brio entre diversidade e universalidade. Enxergando nos processos de integra&ccedil;&atilde;o europeia uma tend&ecirc;ncia da pol&iacute;tica internacional, Linklater<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a> sugere que parte do sistema internacional estaria entrando em uma fase p&oacute;s-vestfaliana, em que os estados perdem seus privil&eacute;gios.</p>     <p>Outra importante cr&iacute;tica ao neorrealismo de Waltz parte de Alexander Wendt, que introduziu na &aacute;rea de RI o debate sobre o &laquo;dilema agente/estrutura&raquo;<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a> , por meio de uma s&eacute;rie de artigos publicados entre 1987 e 1992. Ao indagar como a &aacute;rea deveria conceituar a rela&ccedil;&atilde;o entre agentes (os estados) e estruturas (o sistema internacional), Wendt criticou o atomismo ontol&oacute;gico e o positivismo epistemol&oacute;gico que, segundo ele, estavam na raiz da metateoria que unia neorrealistas e neoliberais.</p>     <p>Wendt<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a> escreve que a solu&ccedil;&atilde;o de Waltz para o dilema agente/estrutura era privilegiar a estrutura: primeiro, examinar as propriedades agregadas das capacidades dos estados em determinar uma estrutura definida pela distribui&ccedil;&atilde;o de poder militar, e, depois, postular que era ela que constrangia o comportamento dos estados, gerando assim padr&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o estatal. Contudo, afirma Wendt, Waltz n&atilde;o percebe como as estruturas faziam mais do que somente constranger agentes; elas tamb&eacute;m constru&iacute;am suas identidades e interesses. Ao buscar inspira&ccedil;&atilde;o na teoria social, em especial no conceito de Giddens<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a> para estrutura&ccedil;&atilde;o social, argumentou que uma estrutura normativa internacional molda as identidades e interesses dos estados e, por meio de pr&aacute;ticas e intera&ccedil;&otilde;es, os estados s&atilde;o capazes de recriar essa mesma estrutura. Ele chama nossa aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia da intera&ccedil;&atilde;o estatal para entendermos a sustenta&ccedil;&atilde;o e a transforma&ccedil;&atilde;o das estruturas normativas. As normas n&atilde;o operam &agrave;s escondidas, pelas costas dos atores. Ao reproduzirem reflexivamente normas com base em conhecimentos, h&aacute;bitos e rotinas tradicionais, os atores determinam o que s&atilde;o. Em certos momentos, eles tentam, de forma consciente, construir novas normas que afetam n&atilde;o apenas os incentivos para um comportamento em particular, mas a pr&oacute;pria estrutura.</p>     <p>Ao entender que nenhuma estrutura poderia ser t&atilde;o determinante a ponto de eliminar por completo a capacidade dos agentes para a reflex&atilde;o cr&iacute;tica e, com ela, a capacidade para a transforma&ccedil;&atilde;o consciente da estrutura, Wendt recorre &agrave; teoria social para expor os principais problemas conceituais do modelo waltziano e sugerir poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es. Em 1992, j&aacute; se declarando construtivista, ele desenvolveu uma cr&iacute;tica &agrave; forma como as teorias dominantes concebiam anarquia exclusivamente pela l&oacute;gica do conflito<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a> .</p>     <p>Como alternativa, ele prop&ocirc;s uma concep&ccedil;&atilde;o de anarquia que admitia a coopera&ccedil;&atilde;o. Enxergando-a como conceito socialmente constru&iacute;do, assim como a realidade, Wendt entendeu que a anarquia admitia tanto o conflito quanto a coopera&ccedil;&atilde;o: dependia da vontade dos estados (<i>anarchy is what states make of it</i>). Assim, ele tenta refutar o determinismo da estrutura sobre os agentes, destacando que a rela&ccedil;&atilde;o entre ambos n&atilde;o seria de causalidade, mas de coconstitui&ccedil;&atilde;o. Para Wendt, os fundamentos epistemol&oacute;gicos da microeconomia empregados por Waltz pareciam ter como objetivo gerar refer&ecirc;ncias para tentar minimizar o vazio experimentado com a aus&ecirc;ncia de mecanismos capazes de integrar elementos ideacionais da subjetividade humana, como cultura, identidade, normas, valores, aspira&ccedil;&otilde;es e sentimentos. Para ele, a tend&ecirc;ncia racionalista em tratar tais elementos como informa&ccedil;&atilde;o gerava uma vis&atilde;o de pol&iacute;tica sem paix&otilde;es ou princ&iacute;pios, que n&atilde;o correspondia &agrave; realidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sua maior contribui&ccedil;&atilde;o, entretanto, e que se tornaria premissa b&aacute;sica da corrente construtivista<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a> , &eacute; que vivemos em um mundo que constru&iacute;mos, do qual somos protagonistas, e que &eacute; produto de nossas escolhas, das quais somos agentes, e que se encontra em permanente processo de constru&ccedil;&atilde;o social. N&atilde;o se trata de um mundo que, conforme caracteriza&ccedil;&atilde;o feliz de Nogueira e Messari<sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a> , &laquo;nos &eacute; imposto, que &eacute; predeterminado, e que n&atilde;o podemos modificar&raquo;. De fato, por ser um mundo socialmente constru&iacute;do, ele pode ser mudado, transformado, ainda que dentro de certos limites.</p>     <p>Identificando-se como construtivista, por&eacute;m com influ&ecirc;ncias e alinhamentos distintos, Kratochwill<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a> foi outro autor a golpear o discurso dominante do neorrealismo. Ao recorrer a Wittgenstein para repensar as premissas da &aacute;rea, ele identificou na linguagem, em especial as regras que regem os atos de fala (os jogos de linguagem), a fonte das normas que nos permitem apreender a realidade em que vivemos. Ao contr&aacute;rio de Wendt, que se declara mais pr&oacute;ximo da teoria social<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a> , Kratochwill se deixa influenciar pela Lingu&iacute;stica.</p>     <p>Para esse autor cr&iacute;tico, &laquo;a realidade l&aacute; fora&raquo; n&atilde;o era determinante, uma vez que seria a linguagem que usamos para nos referir &agrave; realidade que motivaria nossos entendimentos sobre ela e, portanto, nossas pr&oacute;prias a&ccedil;&otilde;es. Isso significa que a linguagem n&atilde;o reflete, representa ou descreve a realidade: ela constr&oacute;i a realidade, ela &eacute; a&ccedil;&atilde;o. A compreens&atilde;o das regras que regem e constroem socialmente a realidade dependeria, assim, da compreens&atilde;o das regras que regem os atos de fala. Para Kratochwill, a natureza social da realidade n&atilde;o admite que ela seja entendida pelos mesmos m&eacute;todos que s&atilde;o empregados para conhecer a natureza. O caminho para sua compreens&atilde;o deveria passar pela subjetividade, pela reflex&atilde;o acerca das implica&ccedil;&otilde;es da linguagem para a constru&ccedil;&atilde;o da realidade e pelo conhecimento das normas que regem a ag&ecirc;ncia humana.</p>     <p>A an&aacute;lise do comportamento dos agentes n&atilde;o deveria privilegiar a a&ccedil;&atilde;o em si, mas as regras e normas que orientam e organizam os discursos dos processos de tomada de decis&atilde;o. As normas deixam de ser entendidas como meros instrumentos que organizam o comportamento humano: elas legitimam, justificam, racionalizam, tornam poss&iacute;veis determinados atos. Elas se revelam a mat&eacute;ria com a qual decis&otilde;es, atos, comportamentos e ideias se tornam naturalmente aceit&aacute;veis, ou n&atilde;o.</p>     <p>No decorrer da d&eacute;cada de 1990, o construtivismo, principalmente a vertente aberta por Wendt, foi aos poucos entrando para o chamado <i>mainstream</i> da &aacute;rea de RI. De virtualmente ausente dos principais peri&oacute;dicos da &aacute;rea na d&eacute;cada de 1980, ele veio a ocupar posi&ccedil;&atilde;o de destaque na &aacute;rea, com v&aacute;rios autores passando a se autodefinirem construtivistas<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a> . Conforme caracteriza Guzzini<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a> , trata-se de uma &laquo;verdadeira hist&oacute;ria de sucesso&raquo;, apesar de cr&iacute;ticas recorrentes<sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a> , inclusive a de que n&atilde;o seria propriamente uma teoria<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a> . Contudo, reconhecemos que o construtivismo contribuiu para o avan&ccedil;o do terceiro debate ao explorar temas que seriam retomados por cr&iacute;ticos p&oacute;s-modernos/p&oacute;s-estruturalistas, como a problematiza&ccedil;&atilde;o de conceitos e teorias, a caracteriza&ccedil;&atilde;o da realidade como constru&ccedil;&atilde;o social<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a> e a import&acirc;ncia das identidades.</p>     <p>Em resumo, as cr&iacute;ticas oriundas das abordagens construtivistas foram importantes para aprofundar o questionamento das premissas das teorias dominantes na &aacute;rea de RI. Em especial, a conceitua&ccedil;&atilde;o da realidade como constru&ccedil;&atilde;o social permitiu pensar o fen&ocirc;meno das rela&ccedil;&otilde;es internacionais em termos novos. A mudan&ccedil;a n&atilde;o se limita a uma forma nova de ver o mundo; mudamos a forma de ver n&oacute;s mesmos. O reconhecimento da natureza social da realidade nos permite enxergar as reifica&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a> que promovemos em nossa &aacute;rea de conhecimento. Soberania, por exemplo, seria um conceito, e n&atilde;o algo que sempre existiu: &eacute; produto de for&ccedil;as hist&oacute;ricas e de intera&ccedil;&atilde;o humana que gerou diferencia&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fonte da autoridade pol&iacute;tica. Torna-se necess&aacute;rio reconhecer, assim, que o conceito possui uma rela&ccedil;&atilde;o com a Hist&oacute;ria: surgiu em um determinado momento, passou por in&uacute;meras transforma&ccedil;&otilde;es e, provavelmente, passar&aacute; por outras. Todavia, as teorias dominantes o reificaram, naturalizando-o como imut&aacute;vel, fixo e a-hist&oacute;rico.</p>     <p>Para Buzan e Little, essa teria sido a principal raz&atilde;o da atrofia da &aacute;rea. Presos &agrave; &laquo;camisa de for&ccedil;a de Vestf&aacute;lia&raquo;, os conceitos passaram a impedir internacionalistas de verem como o sistema de estados surgido em meados de Vestf&aacute;lia foi substancialmente se alterando at&eacute; os dias atuais:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;Assim, uma atitude dominante, em parte contra a Hist&oacute;ria, em parte lhe sendo at&eacute; indiferente, passou a integrar a tradi&ccedil;&atilde;o das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. Gradualmente, ela tomou a forma que hoje chamamos de camisa de for&ccedil;a de Vestf&aacute;lia: uma forte tend&ecirc;ncia em supor que o modelo estabelecido na Europa do s&eacute;culo XVII deveria definir o que o sistema internacional seria para todos os lugares e tempos.&raquo;<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a> </blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesse sentido, o conceito de pol&iacute;tica externa, definido por Arthur Schlesinger Jr. como &laquo;a face que uma na&ccedil;&atilde;o exibe ao mundo&raquo;<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a> , passa a ser contestado por cr&iacute;ticos identificados como p&oacute;s-estruturalistas ou p&oacute;s-modernos<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a> , como veremos a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O ESTUDO DA POL&Iacute;TICA EXTERNA EM TEMPO DE CRISE DE PARADIGMAS</b></p>     <p>O estudo e an&aacute;lise da pol&iacute;tica externa dos estados pode ser entendido como sendo uma das maiores preocupa&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. In&uacute;meros s&atilde;o os autores, das mais diversas tradi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas, que se dedicaram a definir o conceito e seus instrumentos de an&aacute;lise. Defini&ccedil;&otilde;es como a de Marcel Merle<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a> , para quem pol&iacute;tica externa &eacute; o &laquo;conjunto de iniciativas que emanam do ator estatal, tendo em vista mobilizar para o servi&ccedil;o o m&aacute;ximo de fatores dispon&iacute;veis tanto no ambiente interno como no ambiente externo&raquo;, s&atilde;o ilustrativas de como estudantes de RI s&atilde;o apresentados ao campo da An&aacute;lise de Pol&iacute;tica Externa (APE)<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a> .</p>     <p>Com efeito, a literatura de APE se desenvolveu a partir da d&eacute;cada de 1950 e atravessou tr&ecirc;s momentos que a moldaram. Primeiro, sob a hegemonia do realismo de Hans Morgenthau<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a> , houve o foco nos processos de tomada de decis&atilde;o, em grande parte inspirado nos trabalhos de autores como Snyder, Bruck e Sapin<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a> , e na intera&ccedil;&atilde;o entre burocracias e organiza&ccedil;&otilde;es, exemplificada nas obras de Allison<sup><a href="#73">73</a></sup><a name="top73"></a> e Halperin<sup><a href="#74">74</a></sup><a name="top74"></a> . Em um segundo momento, a aten&ccedil;&atilde;o se voltou para a dimens&atilde;o psicol&oacute;gica da pol&iacute;tica externa, mais especificamente na psicologia dos tomadores de decis&atilde;o, explorando a linha de pesquisa iniciada por Harold e Margaret Sprout<sup><a href="#75">75</a></sup><a name="top75"></a> . Finalmente, deve-se registrar o esfor&ccedil;o de James Rosenau<sup><a href="#76">76</a></sup><a name="top76"></a> em explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre regimes e institui&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas, e pol&iacute;tica externa, abrindo caminho para o estudo de pol&iacute;tica externa comparada<sup><a href="#77">77</a></sup><a name="top77"></a> .</p>     <p>Em comum, o volume desse tipo de literatura assenta nas contribui&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, especialmente na forma como esse campo de conhecimento concebe Estado, poder, interesse e, sobretudo, como opta por separar a pol&iacute;tica dom&eacute;stica da externa (ou internacional). Conforme destacam Smith (et al.)<sup><a href="#78">78</a></sup><a name="top78"></a> , pol&iacute;tica externa seria um tipo de pol&iacute;tica p&uacute;blica, mas que se distinguiria do conjunto das pol&iacute;ticas dom&eacute;sticas de um Estado. Assim, seja na tradi&ccedil;&atilde;o do paradigma realista ou no paradigma liberal/pluralista, o tratamento dado ao fen&ocirc;meno da pol&iacute;tica externa partia de premissas como a separa&ccedil;&atilde;o objetiva entre o interno e o externo, a natureza a-hist&oacute;rica e dada da anarquia do sistema internacional, a racionalidade dos atores estatais, a tomada de decis&atilde;o pautada por interesses nacionais pass&iacute;veis de identifica&ccedil;&atilde;o objetiva, a decis&atilde;o informada por c&aacute;lculos estrat&eacute;gicos, a busca de um conhecimento aplicado e orientado a solu&ccedil;&atilde;o de crises pol&iacute;ticas, entre outras caracter&iacute;sticas.</p>     <p>Uma outra forma de perceber como o estudo de pol&iacute;tica externa em APE esteve arramado a premissas epistemol&oacute;gicas e ontol&oacute;gicas comuns &eacute; a observa&ccedil;&atilde;o feita por Dirk Nabers<sup><a href="#79">79</a></sup><a name="top79"></a> de como a literatura sobre pol&iacute;tica externa na &aacute;rea de RI, especialmente durante o per&iacute;odo da Guerra Fria, estava capturada por uma representa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de crise. Estudava-se pol&iacute;tica externa com base em uma percep&ccedil;&atilde;o de uma amea&ccedil;a que levaria a uma crise (a quase totalidade de trabalhos sobre pol&iacute;tica externa norte-americana durante a Guerra Fria foi motivada pela amea&ccedil;a representada pela Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica<sup><a href="#80">80</a></sup><a name="top80"></a> ), ou ent&atilde;o de que pol&iacute;tica externa deveria fazer a gest&atilde;o e controle de uma crise espec&iacute;fica e pontual (a obra cl&aacute;ssica de Allison<sup><a href="#81">81</a></sup><a name="top81"></a> sobre a crise dos m&iacute;sseis em Cuba ilustra o &uacute;ltimo caso)<sup><a href="#82">82</a></sup><a name="top82"></a> . Assim, abordagens materialistas, objetivistas e racionalistas na an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa produziam estudos sobre amea&ccedil;as e crises como fen&ocirc;menos autoevidentes que seriam contr&aacute;rios a interesses e/ou valores igualmente autoevidentes. Eventuais mudan&ccedil;as e reorienta&ccedil;&otilde;es em pol&iacute;tica externa eram explicadas e defendidas em termos de comportamento estatal em rea&ccedil;&atilde;o a algo l&aacute; fora.</p>     <p>Comprometidos com postulados e premissas ancorados no racionalismo, no positivismo e no materialismo, os autores acima citados da tradi&ccedil;&atilde;o dominante em APE preferem conceber a pol&iacute;tica externa como rea&ccedil;&atilde;o, por parte de estados com identidades predeterminadas e interesses est&aacute;veis, &agrave;s for&ccedil;as f&iacute;sicas que atuam em objetos materiais, partindo do exterior. Pressup&otilde;e-se que a sobreviv&ecirc;ncia do Estado em um mundo f&iacute;sico independente e hostil deva orientar as escolhas em pol&iacute;tica externa. Todavia, esse tipo de abordagem, ainda preso &agrave; camisa de for&ccedil;a vestfaliana a que aludimos anteriormente, toma como dado conceitos e categorias que p&oacute;s-modernos/p&oacute;s-estruturalistas querem problematizar. As an&aacute;lises tradicionais de pol&iacute;tica externa, sejam elas feitas no marco neorrealista ou no neoliberal, estariam preocupadas com formular modelos explicativos, generalizar postulados e gerar previsibilidade. Em outros termos, buscam o tal &laquo;ponto arquimediano&raquo; com base no qual possam ancorar an&aacute;lises e recomenda&ccedil;&otilde;es de <i>policy</i>. Tal tipo de an&aacute;lise, acreditamos, seria deficiente, incompleto e insatisfat&oacute;rio. Com base na classifica&ccedil;&atilde;o de Lynn-Doty<sup><a href="#83">83</a></sup><a name="top83"></a> , s&atilde;o an&aacute;lises que fazem perguntas do tipo &laquo;Por que?&raquo;, visto que sua preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; em compreender a motiva&ccedil;&atilde;o de um comportamento espec&iacute;fico para que seja poss&iacute;vel prever sua recorr&ecirc;ncia no futuro. Na caracteriza&ccedil;&atilde;o de Little<sup><a href="#84">84</a></sup><a name="top84"></a> , o objetivo &eacute; calcular a probabilidade de determinado resultado, ou comportamento pol&iacute;tico.</p>     <p>Nossa cr&iacute;tica a tais an&aacute;lises tradicionais fica mais clara se partirmos do conceito de &laquo;interesse nacional&raquo;, tido como fundamental pelas teorias dominantes para todo e qualquer estudo acerca do comportamento dos estados no sistema internacional. Presas a uma no&ccedil;&atilde;o predeterminada, fixa, est&aacute;vel e monol&iacute;tica do que seria &laquo;interesse nacional&raquo;, as an&aacute;lises tradicionais de pol&iacute;tica externa n&atilde;o conseguem conceber os processos sociais de constru&ccedil;&atilde;o do Estado, dos interesses, do sistema internacional e da pr&oacute;pria realidade.</p>     <p>Por tais raz&otilde;es, as an&aacute;lises tradicionais reproduzem, em sua ess&ecirc;ncia, o legado de Morgenthau que, ao definir &laquo;interesse nacional&raquo; em termos de poder, postulava que o conceito deveria ser entendido como &laquo;o principal indicador&raquo; para que o tomador de decis&otilde;es pudesse &laquo;achar seu caminho atrav&eacute;s da paisagem da pol&iacute;tica internacional&raquo;<sup><a href="#85">85</a></sup><a name="top85"></a> . Seu conte&uacute;do, diria o fil&oacute;sofo alem&atilde;o, deveria ser inferido da anarquia, do car&aacute;ter de autoajuda do sistema internacional. Presos no dilema da seguran&ccedil;a, os estados deveriam deduzir racionalmente seus interesses nacionais, cujos objetivos deveriam ser sempre orientados para &laquo;proteger sua identidade f&iacute;sica, pol&iacute;tica e cultural contra a intromiss&atilde;o de outras na&ccedil;&otilde;es&raquo;<sup><a href="#86">86</a></sup><a name="top86"></a> .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Qual parece ser o problema de tal abordagem? A nosso ver, a proposi&ccedil;&atilde;o de Morgenthau se revela bastante vaga. Como bem observou Sonderman<sup><a href="#87">87</a></sup><a name="top87"></a> , o conceito &eacute; &laquo;muito extenso, muito geral, muito vago, e inclui muita coisa&raquo;. Postular que os estados buscam sua sobreviv&ecirc;ncia em um ambiente hostil e que deveriam, portanto, identificar e perseguir seus interesses nacionais, n&atilde;o oferece muito em termos das escolhas espec&iacute;ficas que confrontam os formuladores de pol&iacute;tica externa. A express&atilde;o &laquo;identificar e perseguir os interesses nacionais&raquo; acaba virando uma caixa vazia, despida de qualquer &laquo;conte&uacute;do substantivo&raquo;, nas palavras de Rosenberg<sup><a href="#88">88</a></sup><a name="top88"></a> .</p>     <p>De fato, a l&oacute;gica da exist&ecirc;ncia de um interesse nacional pass&iacute;vel de identifica&ccedil;&atilde;o racional e objetiva se baseia na suposi&ccedil;&atilde;o, que entendemos ser incorreta, de que a realidade seja um dom&iacute;nio independente e acess&iacute;vel a observadores; de que haveria algo chamado &laquo;interesse nacional&raquo; que pode ser identificado e perseguido por pol&iacute;ticas adequadas. Como Weldes<sup><a href="#89">89</a></sup><a name="top89"></a> argumenta, interesses, assim como realidade, atores, e poder, n&atilde;o s&atilde;o autoevidentes: &laquo;objetos e eventos n&atilde;o se apresentam sem problemas ao observador&raquo;; &laquo;s&atilde;o produtos de interpreta&ccedil;&atilde;o, de subjetividade&raquo;.</p>     <p>A recusa das an&aacute;lises tradicionais em problematizar conceitos, categorias e realidades indica aquilo que Luttwak identificou como &laquo;o preconceito iluminista&raquo; inerente ao realismo e suas revis&otilde;es posteriores. Tal preconceito teria levado uma grande gera&ccedil;&atilde;o de analistas de rela&ccedil;&otilde;es internacionais a privilegiar uma an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa do tipo &laquo;por que?&raquo;, com base em uma perspectiva estrat&eacute;gica e racionalista.</p>     <p>Concordando, em parte, com a proposta construtivista de Wendt<sup><a href="#90">90</a></sup><a name="top90"></a> mencionada anteriormente para o dilema agente/estrutura, vemos como necess&aacute;rio rejeitar a no&ccedil;&atilde;o do imperativo de sobreviv&ecirc;ncia do Estado devido &agrave; exist&ecirc;ncia de uma suposta estrutura an&aacute;rquica do sistema internacional. Ao escrever que &laquo;anarquia &eacute; o que os estados fazem dela&raquo;<sup><a href="#91">91</a></sup><a name="top91"></a> , ele defende que a estrutura an&aacute;rquica que os neorrealistas e os neoliberais dizem determinar o comportamento dos estados seria uma constru&ccedil;&atilde;o social<sup><a href="#92">92</a></sup><a name="top92"></a> . Rejeitamos, assim, conceber pol&iacute;tica externa com base na exist&ecirc;ncia <i>a priori</i> de uma &laquo;realidade l&aacute; fora&raquo;, cuja estrutura seria predeterminada como an&aacute;rquica, com estados acabados e eternos, dotados de identidades e interesses fixos e imut&aacute;veis. A possibilidade para a&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se encontra na realidade (a estrutura), nem nos estados (os agentes), mas na interpreta&ccedil;&atilde;o e nos significados que lhes atribu&iacute;mos.</p>     <p>Recorrendo a um universo de elementos culturais e lingu&iacute;sticos &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o, criamos representa&ccedil;&otilde;es que constroem objetos (ex.: estados, interesses, formuladores de pol&iacute;tica, institui&ccedil;&otilde;es, atores n&atilde;o estatais, movimentos sociais etc.) e lhes atribu&iacute;mos uma identidade (ex.: agressivo, cooperativo, hostil, pac&iacute;fico, n&atilde;o amea&ccedil;ador, revisionista etc.) que pare&ccedil;a aceit&aacute;vel e razo&aacute;vel. Ao imaginarmos um Estado qualquer que tenha sido socialmente constru&iacute;do como agressivo &agrave;s democracias ocidentais, por exemplo, tomamos como razo&aacute;vel e aceit&aacute;vel presumir que ele se aliasse a outros regimes totalit&aacute;rios.</p>     <p>Como consequ&ecirc;ncia, quando formulamos uma determinada representa&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, n&oacute;s a povoamos com objetos ao mesmo tempo em que lhes atribu&iacute;mos identidades. O sistema de representa&ccedil;&otilde;es e significados resultante define a identidade (agressivo a democracias) e o comportamento daquele Estado (buscar alian&ccedil;a com regimes autorit&aacute;rios). O interesse nacional recebe conte&uacute;do e significado quando &eacute; transformado em objeto de interpreta&ccedil;&atilde;o, de discurso. Assim, como argumentou Wendt<sup><a href="#93">93</a></sup><a name="top93"></a> , se &laquo;as identidades est&atilde;o na base dos interesses&raquo;, e se essas s&atilde;o fruto de processos de significa&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o, precisamos de teorias que esclare&ccedil;am a &laquo;estrutura intersubjetivamente constru&iacute;da de identidades e interesses&raquo; dos estados<sup><a href="#94">94</a></sup><a name="top94"></a> .</p>     <p>A reflex&atilde;o deve se estender, necessariamente, ao campo do simb&oacute;lico em termos de produ&ccedil;&atilde;o de significados de forma a recepcionar subjetividades m&uacute;ltiplas. Por tais raz&otilde;es, buscamos uma abordagem que conceba uma realidade em que objetos, sujeitos e a&ccedil;&otilde;es possuam significados e que reconhe&ccedil;a a natureza inst&aacute;vel e perform&aacute;tica das identidades que lhe s&atilde;o atribu&iacute;das. Buscamos uma abordagem que d&ecirc; conta daquilo que Foucault<sup><a href="#95">95</a></sup><a name="top95"></a> caracterizou de &laquo;pr&aacute;ticas que sistematicamente formam os objetos sobre os quais falam&raquo;. Em resumo, buscamos uma an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa que, coerente com as cr&iacute;ticas p&oacute;s-modernas/p&oacute;s-estruturalistas aqui apresentadas, leve em conta o papel dos discursos como pr&aacute;ticas sociais de (re)produ&ccedil;&atilde;o de significados e de representa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Por tais raz&otilde;es, a APE em tempos de crise deve se recusar a pressupor a exist&ecirc;ncia <i>a priori</i> de realidade, agentes e interesses, e a privilegiar indiv&iacute;duos ou coletividades como <i>loci</i> de significa&ccedil;&atilde;o. Ela deve reconhecer a autonomia da linguagem na constru&ccedil;&atilde;o social da realidade, e que estruturas, agentes e identidades s&atilde;o constru&iacute;dos e articulados dentro de pr&aacute;ticas discursivas. Ela deve ser capaz de conceber poder para al&eacute;m da express&atilde;o de capacidades materiais, de forma a incluir a capacidade de construir categorias do senso comum. Ela deve, sobretudo, reconhecer nos discursos a principal ag&ecirc;ncia na constru&ccedil;&atilde;o das realidades de forma a nos equipar com os instrumentos cr&iacute;ticos necess&aacute;rios a responder satisfatoriamente a perguntas do tipo &laquo;Como?&raquo;: como uma determinada realidade &eacute; produzida e como ela cria as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade de determinadas pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas.</p>     <p>V&aacute;rias s&atilde;o as vantagens de tal abordagem. Primeiro, n&atilde;o apenas ampliamos o conceito de pol&iacute;tica externa, como tamb&eacute;m problematizamos a realidade e os sujeitos ao reconhecer que eles n&atilde;o possuem exist&ecirc;ncia fora dos discursos nos quais se inserem. Segundo, o espa&ccedil;o da pol&iacute;tica externa &eacute; ampliado para al&eacute;m das burocracias, ou indiv&iacute;duos, &agrave;s quais ela &eacute; tradicionalmente associada. Nesse sentido, a concep&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica externa deixa de estar limitada &agrave; no&ccedil;&atilde;o de um espec&iacute;fico processo de tomada de decis&atilde;o, ou at&eacute; mesmo a um evento, ou fato, espec&iacute;fico em uma arena pol&iacute;tica privilegiada. Da mesma forma, torna-se poss&iacute;vel transcender a pr&oacute;pria figura do &laquo;formulador de pol&iacute;tica externa&raquo; como parte do Estado e seus aparatos, ou seja, pol&iacute;tica externa pode ser feita por outros atores que n&atilde;o seja, exclusivamente, estadistas, diplomatas, gestores pol&iacute;ticos e burocratas. Terceiro, a pol&iacute;tica externa &eacute; ampliada para al&eacute;m das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas oficiais, de forma a incluir todas as esferas da sociedade e, mais especificamente, toda e qualquer esfera capaz de articular, propagar e disseminar sistemas de significados e representa&ccedil;&otilde;es. Assim, seu funcionamento como institui&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica externa depende mais de seu alinhamento ao sistema de representa&ccedil;&otilde;es de uma sociedade do que qualquer outro elemento. Filmes, s&eacute;ries de televis&atilde;o e literatura de consumo de massa, por exemplo, desde que produzam e disseminem significados que forem aceites e reconhecidos como &laquo;realidade&raquo; pelo p&uacute;blico em geral, passam a se prestar objeto de investiga&ccedil;&atilde;o sobre pol&iacute;tica externa<sup><a href="#96">96</a></sup><a name="top96"></a> .</p>     <p>Entre as diversas tentativas de an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa no marco p&oacute;s-moderno/p&oacute;s-estruturalista, sobretudo aquelas de abordagem discursiva, a proposta desenvolvida por Campbell<sup><a href="#97">97</a></sup><a name="top97"></a> apresentaria, em nosso entendimento, o maior potencial para repensar os estudos de pol&iacute;tica externa em tempos de crise. Sua contribui&ccedil;&atilde;o reside em perceber que a pol&iacute;tica externa &eacute; alimentada por outras dimens&otilde;es al&eacute;m dos imperativos da necessidade do ambiente externo. Pesquisando a pol&iacute;tica externa norte-americana da Guerra Fria, ele observou que</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;os textos de pol&iacute;tica externa est&atilde;o repletos de declara&ccedil;&otilde;es sobre a realiza&ccedil;&atilde;o da rep&uacute;blica, o objetivo fundamental da na&ccedil;&atilde;o, os direitos dados por Deus, c&oacute;digos morais, os princ&iacute;pios da civiliza&ccedil;&atilde;o europeia, o medo da perda cultural e espiritual, as responsabilidades e deveres atribu&iacute;dos ao iluminado exemplo da Am&eacute;rica&raquo;<sup><a href="#98">98</a></sup><a name="top98"></a> .</blockquote>     <p></p>     <p>Tais considera&ccedil;&otilde;es o levaram a uma s&eacute;rie de indaga&ccedil;&otilde;es. Primeiro, qual o significado de tantas representa&ccedil;&otilde;es, imagens e refer&ecirc;ncias quanto ao que seria a Am&eacute;rica no discurso de pol&iacute;tica externa? Qual significa&ccedil;&atilde;o de Am&eacute;rica estaria sendo constru&iacute;da? Qual a rela&ccedil;&atilde;o entre o discurso de pol&iacute;tica externa e a atribui&ccedil;&atilde;o de uma identidade &agrave; Am&eacute;rica? Como isso acontece? Que identidade &eacute; essa? Qual a implica&ccedil;&atilde;o da reconfigura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica externa e identidade para a &aacute;rea de RI?</p>     <p>Com efeito, ao substituir a tradicional pergunta &laquo;Como a pol&iacute;tica externa serve &agrave; defesa dos interesses nacionais?&raquo; por &laquo;Como, pela determina&ccedil;&atilde;o do que &eacute; externo, estrangeiro e diferente &ndash; do &ldquo;Outro&rdquo; &ndash;, a pol&iacute;tica externa ajuda a produzir e a reproduzir sua pr&oacute;pria identidade?&raquo;, Campbell tenta problematizar os processos de constru&ccedil;&atilde;o de identidades e interesses ao trocar uma metodologia ancorada no racionalismo e na historiografia narrativa por uma metodologia discursiva. Nesse sentido, ele argumenta:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;O conhecimento contempor&acirc;neo esteve geralmente satisfeito em ver pol&iacute;tica externa explicada como um fen&ocirc;meno estado-c&ecirc;ntrico no qual existe uma rea&ccedil;&atilde;o internamente mediada em rela&ccedil;&atilde;o a uma situa&ccedil;&atilde;o externamente induzida de amea&ccedil;as ideol&oacute;gicas, militares e econ&ocirc;micas. (...) Como n&oacute;s (n&oacute;s, principalmente, mas n&atilde;o exclusivamente, da &aacute;rea de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais) passamos a conceber pol&iacute;tica externa como o emprego externo da raz&atilde;o instrumental em nome de uma identidade interna n&atilde;o problem&aacute;tica situada em uma esfera an&aacute;rquica de necessidade?&raquo;<sup><a href="#99">99</a></sup><a name="top99"></a> </blockquote>     <p></p>     <p>Em seguida, ao rejeitar a literatura convencional sobre na&ccedil;&atilde;o, Estado e identidade nacional, que entendia a ess&ecirc;ncia da na&ccedil;&atilde;o como anterior &agrave; realidade do Estado, Campbell argumenta o contr&aacute;rio: &laquo;grande parte da sociologia hist&oacute;rica recente postula que &eacute; o Estado que precede a na&ccedil;&atilde;o, que o nacionalismo &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o do Estado na busca da legitimidade&raquo;<sup><a href="#100">100</a></sup><a name="top100"></a> . Com base na no&ccedil;&atilde;o de Anderson<sup><a href="#101">101</a></sup><a name="top101"></a> de na&ccedil;&atilde;o como &laquo;comunidade imagin&aacute;ria&raquo;, Campbell concebe os estados como entidades paradoxais que n&atilde;o possuem identidades est&aacute;veis, fixas e pr&eacute;-discursivas. Por serem processos inacabados, eles se encontram em necessidade permanente de reprodu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A pol&iacute;tica externa passa, ent&atilde;o, a ser concebida como uma arena privilegiada para a reprodu&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia do pr&oacute;prio Estado, devido a sua capacidade de produzir o &laquo;externo&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&laquo;A pol&iacute;tica externa deixa de ser uma preocupa&ccedil;&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre Estados entre fronteiras a-hist&oacute;ricas, congeladas e predeterminadas, para uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o estabelecimento das fronteiras que constituem, simultaneamente, o &ldquo;Estado&rdquo; e o &ldquo;sistema internacional&rdquo;&raquo;, finaliza ele<sup><a href="#102">102</a></sup><a name="top102"></a> . Concebida nessas linhas, a pol&iacute;tica externa passa a ser vista como pr&aacute;tica pol&iacute;tica para a produ&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a, em rela&ccedil;&atilde;o a atores e eventos, com base em uma matriz identit&aacute;ria nacional. E identidade nacional, como sustentado por Campbell, n&atilde;o se refere, necessariamente, &agrave;s supostas caracter&iacute;sticas de uma na&ccedil;&atilde;o, e sim &agrave;s pr&aacute;ticas de exclus&atilde;o, de marginaliza&ccedil;&atilde;o, de vigil&acirc;ncia e de puni&ccedil;&atilde;o que normalizam o corpo interno do Estado.</blockquote>     <p></p>     <p>Ele prop&otilde;e a distin&ccedil;&atilde;o entre dois tipos de pol&iacute;tica externa. O primeiro tipo, ao qual ele se refere em min&uacute;sculas, refere-se a &laquo;todas as rela&ccedil;&otilde;es de &ldquo;Outricidade&rdquo;, de pr&aacute;ticas de diferencia&ccedil;&atilde;o, ou de modos de exclus&atilde;o que constituem seus respectivos objetos como &ldquo;estranhos&rdquo;&raquo;<sup><a href="#103">103</a></sup><a name="top103"></a> . Nesse caso, trata-se de &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo; divorciada do Estado, que emprega modos de representa&ccedil;&atilde;o e significa&ccedil;&atilde;o para disciplinarizar e domesticar a ambiguidade, a conting&ecirc;ncia e o estranho. Para ele, a &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo; cria as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade do segundo tipo: a &laquo;Pol&iacute;tica Externa&raquo; em mai&uacute;sculas, mais familiar ao senso comum. Apesar de n&atilde;o estar t&atilde;o diretamente implicada na produ&ccedil;&atilde;o de identidades como a &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo;, a &laquo;Pol&iacute;tica Externa&raquo; serve &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o da identidade que foi tornada poss&iacute;vel pela &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo;.</p>     <p>Tal distin&ccedil;&atilde;o nos permite entender como nos acostumamos a conceber pol&iacute;tica externa somente como &laquo;Pol&iacute;tica Externa&raquo;, em que um determinado espa&ccedil;o, ou modo de representa&ccedil;&atilde;o, &eacute; privilegiado. Deixamos de perceber que as pr&aacute;ticas de &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo; continuam a funcionar, disciplinarizando a ambiguidade e a conting&ecirc;ncia, naturalizando padr&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es sociais como se fossem permanentes, ou universais. Temos dificuldade em perceber como a &laquo;pol&iacute;tica externa&raquo; &eacute; constantemente mobilizada para produzir diferen&ccedil;a, assegurar ao Estado soberano papel privilegiado na representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e legitimar a exclus&atilde;o de alternativas que n&atilde;o se ajustem ao regime dominante.</p>     <p>Percebendo como a p&oacute;s-modernidade colocou as identidades nacionais em xeque, e com elas os pr&oacute;prios estados, visto que suas fronteiras j&aacute; n&atilde;o se definem t&atilde;o facilmente, Campbell entendeu como os estados recorrem &agrave; pol&iacute;tica externa como autodefesa a fim de enfatizar a necessidade de sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e assegurar a identidade nacional. Assim, as pr&aacute;ticas de pol&iacute;tica externa passam a ser utilizadas para marcar fronteiras e disciplinarizar os corpos contidos no interior do espa&ccedil;o reclamado como exclusivo da soberania do Estado, com o intuito de preservar o pr&oacute;prio Estado.</p>     <p>No tratamento que Campbell concede &agrave;s identidades, a realidade &eacute; discursiva, e o desafio &eacute; identificar as consequ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas do privilegiamento de um modo de representa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a outros, isto &eacute;, pela escolha de um discurso em detrimento de outros. Assim como Connolly<sup><a href="#104">104</a></sup><a name="top104"></a> , ele se preocupa em incorporar o elemento do poder no problema da estabiliza&ccedil;&atilde;o dos significados da identidade. Seu argumento prossegue com a no&ccedil;&atilde;o de que &laquo;perigo&raquo; serve para reafirmar espa&ccedil;os morais criados para defini&ccedil;&atilde;o de fronteiras &eacute;ticas e territoriais pelo estabelecimento de dicotomias pr&oacute;prias do pensamento logoc&ecirc;ntrico ocidental. Como base nos &laquo;discursos de perigo&raquo; que mostram o de fora como fonte de perigo, os estados reafirmam suas fronteiras morais e suas identidades e, por consequ&ecirc;ncia, a legitimidade de sua autoridade.</p>     <p>Conforme esclarece Brown<Sup><a name="105"></a><a href="#top105">105</a></Sup>, o objetivo de Campbell em estudar conflitos, como as guerras do Golfo e da B&oacute;snia, &eacute; demonstrar a inutilidade de abordagens normativas como a da teoria da guerra justa. Em vez de avaliar o comportamento dos participantes no conflito com base em um medidor &eacute;tico supostamente imparcial e objetivo, Campbell prop&otilde;e uma &eacute;tica de encontros<sup><a href="#106">106</a></sup><a name="top106"></a> . Assim, ao adotar uma metodologia mais pessoal e menos geral, ele consegue tratar identidades e interesses ao mesmo tempo em que os problematiza, posto que n&atilde;o os v&ecirc; como dados, mas como sendo constru&iacute;dos ao curso do pr&oacute;prio conflito, conclui Brown.</p>     <p>Com efeito, Campbell argumenta que as teorias dominantes das RI sempre entenderam que a ess&ecirc;ncia da na&ccedil;&atilde;o precede a realidade do Estado, ou seja, a identidade do povo seria a base de legitima&ccedil;&atilde;o dos estados e de suas pr&aacute;ticas. No entanto, &laquo;os estados nacionais constituem entidades paradoxais que n&atilde;o possuem identidades est&aacute;veis e pr&eacute;-discursivas&raquo;. Assim, todos os estados seriam marcados pela &laquo;tens&atilde;o inerente entre os v&aacute;rios dom&iacute;nios que precisam ser alinhados para que uma &ldquo;comunidade pol&iacute;tica imaginada&rdquo; possa ganhar corpo&raquo;, e a demanda por tal alinhamento constituiria &laquo;uma rea&ccedil;&atilde;o a, ao inv&eacute;s de constitutivo de uma identidade pr&eacute;via e est&aacute;vel&raquo;<sup><a href="#107">107</a></sup><a name="top107"></a> .</p>     <p>A pol&iacute;tica externa funciona como uma arena privilegiada para a reprodu&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia do Estado, devido a sua capacidade de produzir discursivamente o &laquo;Outro&raquo;. &laquo;A pol&iacute;tica externa deixa de ser uma preocupa&ccedil;&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre estados com fronteiras a-hist&oacute;ricas, congeladas e pr&eacute;-determinadas, para se tornar uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o estabelecimento das fronteiras que constituem, simultaneamente, o &ldquo;Estado&rdquo; e o &ldquo;sistema internacional&rdquo;&raquo;<sup><a href="#108">108</a></sup><a name="top108"></a> . A pol&iacute;tica externa, portanto, revela-se uma pr&aacute;tica de produ&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;a, de defini&ccedil;&atilde;o de fronteiras entre o interno e o externo, entre o que &eacute; familiar e o que &eacute; estranho, entre o que conforta e o que amea&ccedil;a. Seu discurso passa a ressaltar as amea&ccedil;as &agrave; seguran&ccedil;a nacional e &agrave; integridade da coletividade, a incerteza pela presen&ccedil;a de elementos estrangeiros, ou estranhos, ao suposto corpo homog&ecirc;neo do Estado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O resultado seria a mobiliza&ccedil;&atilde;o constante da pol&iacute;tica externa como pr&aacute;tica de produ&ccedil;&atilde;o de perigo e da diferen&ccedil;a para assegurar ao Estado soberano uma posi&ccedil;&atilde;o privilegiada para a realiza&ccedil;&atilde;o da identidade pol&iacute;tica e de legitima&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o de subjetividades alternativas que n&atilde;o se ajustem ao regime dominante. Pensar pol&iacute;tica externa como pr&aacute;tica de produ&ccedil;&atilde;o de fronteiras permite desconstruir a ideia de um sistema internacional preexistente, ao qual os estados devem se adaptar. Tamb&eacute;m nos permite vislumbrar uma esfera internacional formada por m&uacute;ltiplas pr&aacute;ticas de diferencia&ccedil;&atilde;o e de delimita&ccedil;&atilde;o de fronteiras<sup><a href="#109">109</a></sup><a name="top109"></a> .</p>     <p>A an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa v&ecirc; seu foco deslocado das declara&ccedil;&otilde;es de chefes de Estado, de documentos emitidos por institui&ccedil;&otilde;es e burocracias governamentais, da &ecirc;nfase na materialidade de interesses estrat&eacute;gicos e amea&ccedil;as em um mundo &laquo;l&aacute; fora&raquo;, da busca da identifica&ccedil;&atilde;o, descri&ccedil;&atilde;o e previs&atilde;o de padr&otilde;es de regularidade para a teoriza&ccedil;&atilde;o sobre uma explica&ccedil;&atilde;o universal e unificada acerca do comportamento dos estados no ambiente estruturalmente an&aacute;rquico do sistema internacional. Em vez disso, ela direciona sua aten&ccedil;&atilde;o para a localiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa em seu contexto discursivo particular. Busca-se, entre outros objetivos, identificar e problematizar os mecanismos e processos de constitui&ccedil;&atilde;o e de reprodu&ccedil;&atilde;o de significados identit&aacute;rios, mapear as representa&ccedil;&otilde;es de amea&ccedil;a, interesse, na&ccedil;&atilde;o, e seguran&ccedil;a que se mostram capazes de mobilizar pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas, investigar emp&iacute;rica e criticamente como as constru&ccedil;&otilde;es de identidade permitiram a formula&ccedil;&atilde;o de determinadas pol&iacute;ticas e, sobretudo, desafiar os significados dominantes.</p>     <p>A fim de evitar as limita&ccedil;&otilde;es impostas pela &laquo;camisa de for&ccedil;a de Vestf&aacute;lia&raquo;, a an&aacute;lise de pol&iacute;tica externa precisa buscar incorporar a cr&iacute;tica &agrave;s dicotomias presentes no discurso da anarquia. Como exemplo bem-sucedido, recorremos &agrave; obra que o pr&oacute;prio Campbell dedica &agrave; pol&iacute;tica externa norte-americana<sup><a href="#110">110</a></sup><a name="top110"></a> . Ao pensar o Estado genealogicamente, ele quer compreender como, pela determina&ccedil;&atilde;o do externo, do estrangeiro, do de fora, a pol&iacute;tica externa ajuda a produzir e reproduzir a pr&oacute;pria identidade do Estado, e reafirmar a necessidade de sua exist&ecirc;ncia. Campbell inova ao subverter a vis&atilde;o tradicional de que a pol&iacute;tica externa seria produto de sua constitui&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica.</p>     <p>Nos termos de sua cr&iacute;tica, a pol&iacute;tica externa deixa de ser vista como a express&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de um Estado preexistente com os demais estados no plano internacional e passa a ser constitutiva do pr&oacute;prio Estado. Sobretudo, mas n&atilde;o se limitando a momentos de crise em que as identidades nacionais se encontram por demais inst&aacute;veis e amea&ccedil;adas, a pol&iacute;tica externa se revela uma pr&aacute;tica de produ&ccedil;&atilde;o de fronteiras. A reprodu&ccedil;&atilde;o das identidades nacionais pela pol&iacute;tica externa se mostra central para produzir fronteiras e disciplinarizar comportamentos no espa&ccedil;o nacional no intuito de preserva&ccedil;&atilde;o desse espa&ccedil;o privilegiado.</p>     <p>Pensar pol&iacute;tica externa como &laquo;produ&ccedil;&atilde;o de fronteiras&raquo; e &laquo;disciplinariza&ccedil;&atilde;o de corpos&raquo; permite a Campbell desconstruir a no&ccedil;&atilde;o de um sistema internacional dado, ao qual os estados devem se adaptar por meio de suas pol&iacute;ticas externas. A esfera internacional &eacute; vista como uma arena, povoada por estados sem identidades preexistentes e seguras, na qual m&uacute;ltiplas pr&aacute;ticas de diferencia&ccedil;&atilde;o e delimita&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os se cruzam e se chocam. Para ele, devemos problematizar a produ&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os morais com base em dicotomias &laquo;dentro/fora&raquo;, &laquo;interno/externo&raquo;, &laquo;Eu/Outro&raquo;, etc.</p>     <p>Igualmente provocadora &eacute; sua problematiza&ccedil;&atilde;o da identidade do Estado, ao rejeitar a forma pela qual a &aacute;rea de RI via a na&ccedil;&atilde;o precedendo a realidade do Estado; em outras palavras, o nacionalismo como base da legitima&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o dos estados. Entretanto, Campbell chama nossa aten&ccedil;&atilde;o para como a reifica&ccedil;&atilde;o desse conceito nos fez pensar o Estado como anterior &agrave; na&ccedil;&atilde;o, transformando o nacionalismo em ferramenta estatal para legitimar sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia<sup><a href="#111">111</a></sup><a name="top111"></a> . Para Campbell, embora sempre visto como um conceito fechado, o Estado n&atilde;o possui tal status ontol&oacute;gico: ele precisa se reproduzir constantemente. Se a ess&ecirc;ncia do Estado &eacute; a identidade e se essa ess&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; fixa nem est&aacute;vel, se faz necess&aacute;rio para a preserva&ccedil;&atilde;o da ideia de Estado que a identidade esteja sempre sendo reafirmada. &laquo;A articula&ccedil;&atilde;o constante do perigo atrav&eacute;s da pol&iacute;tica externa &eacute;, assim, n&atilde;o uma amea&ccedil;a para a identidade ou para a exist&ecirc;ncia de um Estado; mas sim sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade&raquo;, finaliza Campbell<sup><a href="#112">112</a></sup><a name="top112"></a> .</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>O momento cr&iacute;tico atual se apresenta como prop&iacute;cio &agrave; busca de alternativas &agrave;s amarras impostas pelas teorias dominantes em sua pr&aacute;tica do conhecimento. Urge refletir e problematizar como a &aacute;rea de RI produz e reproduz teorias, modelos e saberes se tornaram um discurso de disciplinariza&ccedil;&atilde;o do que seria ou n&atilde;o conhecimento leg&iacute;timo &ndash; e, portanto, os temas e os problemas leg&iacute;timos em RI. Abrir espa&ccedil;o ao compromisso com o pensamento cr&iacute;tico, &agrave; busca da emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, &agrave; an&aacute;lise cr&iacute;tica de pol&iacute;tica externa, &agrave; recondu&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica ao centro do debate de RI &eacute; o desafio que se imp&otilde;e para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais em tempos de crise.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ADLER, E. &ndash; &laquo;Seizing the middle ground: constructivism in world politics&laquo;. In <i>European Journal of International Affairs</i>. N.&ordm; 3, setembro de 1997, pp. 319-363.</p>     <p>ALLISON, G. T. &ndash; <i>Essence of Decision: Explaining the Cuban Missile Crisis</i>. Nova York: Longman, 1971.</p>     <p>AMBROSE, S. E.; Brinkley, D. G. &ndash; <i>Rise to Globalism: American Foreign Policy since 1938</i>. Nova York: Penguin, 1997.</p>     <p>ANDERSON, B. &ndash; <i>Imagined Communities. Reflections on the Origin and Spread of Nationalism</i>. Londres: Verso, 1991.</p>     <p>ASHLEY, R. &ndash; &laquo;The poverty of neo-realism&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 38, N.&ordm; 2, 1984, pp. 225-286.</p>     <p>BALDWIN, D., ed. &ndash; <i>Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary Debate</i>. Nova York: Columbia University Press, 1993.</p>     <p>BECK, U. &ndash; <i>Risk Society: Towards a New Modernity</i>. Londres: SAGE Publications, 1992.</p>     <p>BERGER, P. L.; Luckmann, T. &ndash; A <i>Constru&ccedil;&atilde;o Social da Realidade</i>. Petr&oacute;polis: Vozes, 2008.</p>     <p>BOOTH, K., ed. &ndash; <i>Critical Security Studies in World Politics</i>. Boulder: Lynne Rienner, 2004.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BROWN, C. &ndash; &laquo;Turtles all the way down: anti-foundationalism, critical theory and international relations&raquo;. In <i>Millennium: Journal of International Studies</i>. Vol. 23, N.&ordm; 2, 1994, pp. 213-136.</p>     <p>BROWN, C. &ndash; <i>Understanding International Relations</i>. Nova York: Palgrave, 2001.</p>     <p>BUZAN, B.; JONES, C.; LITTLE, R. &ndash; <i>The Logic of Anarchy: Neorealism to Structural Realism</i>. Nova York: Columbia University Press, 1993.</p>     <p>BUZAN, B.; LITTLE, R. &ndash; &laquo;Why international relations has failed as an intellectual project and what to do about it&raquo;. In <i>Millennium: Journal of International Studies</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2001, pp. 19-39.</p>     <p>CAMPBELL, D. &ndash; &laquo;Global inscription: how foreign policy constitutes the United States&raquo;. In <i>Alternatives</i>. Vol. 15, N.&ordm; 3, ver&atilde;o de 1990, pp. 263-286.</p>     <p>CAMPBELL, D. &ndash; &laquo;Violent performances: identity, sovereignty, responsibility&raquo;. In LAPID, Y.; KRATOCHWILL, F., eds. &ndash; <i>The Return of Culture and Identity in IR Theory</i>. Londres: Lynne Rienner, 1996, pp. 163&shy;-181.</p>     <p>CAMPBELL, D. &ndash; <i>National Deconstruction: Violence, Identity, and Justice in Bosnia</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1998.</p>     <p>CAMPBELL, D. &ndash; <i>Writing Security. United States Foreign Policy and the Politics of</i> <i>Identity</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1998.</p>     <p>CONNOLLY, W. E. &ndash; <i>Identity/Difference. Democratic Negotiations of Political Paradox.</i> Minneapolis: University of Minnesota Press, 1991.</p>     <p>COX, R. &ndash; &laquo;Social forces, states, and world orders: beyond international relations theory&raquo;. In <i>Millennium: Journal of International Studies</i>. Vol. 10, N.&ordm; 2, 1981, pp. 126&shy;-155.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COX, R. &ndash; <i>Production, Power, and World Order: Social Forces in the Making of History</i>. Nova York: Columbia University Press, 1987.</p>     <p>CULLINAME, M. P.; RYAN, D., eds. &ndash; U<i>.S. Foreign Policy and the Other</i>. Nova York: Berghahn, 2015.</p>     <p>FOUCAULT, M. &ndash; <i>The Archaeology of Knowledge &amp; The Discourse on Language</i>. Nova York: Pantheon Books, 1972.</p>     <p>FOUCAULT, M. &ndash; <i>Power/Knowledge: Selected Interviews &amp; Other Writings</i>. Nova York: Pantheon Books, 1980.</p>     <p>GADDIS, J. L. &ndash; <i>Russia, the Soviet Union and the United States: An Interpretive History</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1978.</p>     <p>GADDIS, J. L. &ndash; <i>Strategies of Containment: A Critical Appraisal of Postwar American National Security</i>. Nova York: Oxford University Press, 1982.</p>     <p>GEORGE, J. &ndash; &laquo;Understanding international relations after the Cold War: probing beyond the realist legacy&raquo;. In SHAPIRO, M. J.; WALKER, R. R., eds. &ndash; <i>Challenging Boundaries</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996, pp. 33-79.</p>     <p>GEORGE, J.; CAMPBELL, D. &ndash; &laquo;Patterns of dissent and the celebration of difference: critical social theory and international relations&raquo;. In <i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 34, N.&ordm; 3, setembro de 1990, pp. 269-293.</p>     <p>GIDDENS, A. &ndash; <i>The Constitution of Society: Outline of the Theory of Structuration</i>. Berkeley: University of California Press, 1984.</p>     <p>GIDDENS, A. &ndash; <i>Conversations with Anthony Giddens: Making Sense of Modernity</i>. Stanford: Stanford University Press, 1998.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>GILL, S., ed. &ndash; <i>Gramsci, Historical Materialism and International Relations</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.</p>     <p>GILPIN, R. &ndash; <i>War and Change in World Politics</i>. Nova York: Cambridge University Press, 1981.</p>     <p>GON&Ccedil;ALVES, W. &ndash; &laquo;O campo te&oacute;rico das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais&raquo;. In BRIGAG&Atilde;O, C., org. &ndash; <i>Estrat&eacute;gias de Negocia&ccedil;&otilde;es Internacionais. Uma Vis&atilde;o Brasileira</i>. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, pp. 89-107.</p>     <p>GUZZINI, S. &ndash; &laquo;A reconstruction of constructivism in International Relations&raquo;. In <i>European Journal of International Relations</i>. Vol. 6, N.&ordm; 2, 2000, pp. 147-182.</p>     <p>GUZZINI, S; LEANDER, A., eds. &ndash; <i>Constructivism and International Relations: Alexander Wendt</i> <i>and his Critics</i>. Nova York: Routledge, 2006.</p>     <p>HABERMAS, J. &ndash; <i>The Theory of Communicative Action</i>. Cambridge: Polity Press, 1981.</p>     <p>HALLIDAY, F. &ndash; &laquo;The future of international relations: fears and hopes&raquo;. In SMITH, S.; BOOTH, K.; ZALEWSKI, M., eds. &ndash; <i>International Theory: Positivism and Beyond</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.</p>     <p>HALLIDAY, F. &ndash; <i>Repensando as Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. Porto Alegre: UFRGS, 1999.</p>     <p>HALPERIN, M. &ndash; <i>Bureaucratic Politics and Foreign Policy</i>. Washington: Brookings, 1974.</p>     <p>HANSEN, L. &ndash; <i>Security as Practice: Discourse Analysis and the Bosnian War</i>. Londres: Routledge, 2006.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HILL, Christopher &ndash; <i>Foreign Policy in the Twenty-First Century</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: Palgrave Macmillan, 2016.</p>     <p>HOFFMAN, S. &ndash; &laquo;An American social science&raquo;. In <i>Daedalus</i>. Vol. 106, N.&ordm; 3, 1977, pp. 41-60.</p>     <p>HOLSTI, K. J. &ndash; <i>The Diving Discipline: Hegemony and Diversity in International Theory</i>. Boston: Allen &amp; Unwin, 1985.</p>     <p>HUDSON, V. M. &ndash; <i>Foreign Policy Analysis: Classic and Contemporary Theory</i>. Nova York: Rowman and Littlefield, 2007.</p>     <p>HUTCHINGS, R. &ndash; <i>American Diplomacy and the End of the Cold War: an Insider&rsquo;s Account of U.S. Foreign Policy in Europe, 1989-1992</i>. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1997.</p>     <p>JAMESON, F. &ndash; &laquo;Postmodernism, or the cultural logic of late capitalism&raquo;. In <i>New Left Review</i>. Vol. 146, julho-agosto de 1984, pp. 53-92.</p>     <p>JERVIS, R. &ndash; &laquo;Realism, neo-liberalism, cooperation: understanding the debate&raquo;. In <i>International</i> <i>Security</i>. Vol. 24, N.&ordm; 1, ver&atilde;o de 1999, pp. 42-63.</p>     <p>JONES, R. W. &ndash; <i>Security, Strategy and Critical Theory</i>. Boulder: Lynne Rienner, 1999.</p>     <p>JONES, R. W. &ndash; <i>Critical Theory and World Politics</i>. Boulder: Lynne Rienner, 2000.</p>     <p>J&Oslash;RGENSEN, K. E. &ndash; &laquo;Four levels and a discipline&raquo;. In FIERKE, K. M.; J&Oslash;RGENSEN, K. E., eds. &ndash; <i>Constructing International Relations: The Next Generation</i>. Nova York: M. E. Sharpe, 2001, pp. 36-53.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KATZENSTEIN, P., ed. &ndash; <i>The Culture of National Security. Norms and Identities in World Politics</i>. Nova York: Columbia University Press, 1996.</p>     <p>KATZENSTEIN, P.; KEOHANE, R.; KRASNER, S. &ndash; &laquo;International organization and the study of world politics&raquo;. In KATZENSTEIN, P.; KEOHANE, R.; KRASNER, S., eds. &ndash; <i>Exploration and Contestation in </i><i>the Study of World Politics</i>. Cambridge: MIT Press, 1999, pp. 5-45.</p>     <p>KENNEDY, P. &ndash; <i>Ascens&atilde;o e Queda das Grandes Pot&ecirc;ncias</i>. Rio de Janeiro: Campus, 1989.</p>     <p>KEOHANE, R. &ndash; <i>After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy</i>. Princeton: Princeton University Press, 1984.</p>     <p>KEOHANE, R., ed. &ndash; <i>Neorealism and its Critics. New Directions in World Politics</i>. Nova York: Columbia University Press, 1986.</p>     <p>KEOHANE, R. &ndash; &laquo;International institutions: two approaches&raquo;. In <i>International Studies</i> <i>Quarterly</i>. Vol. 32, 1988, pp. 379-396.</p>     <p>KEOHANE, R. &ndash; &laquo;Institutional theory and the realist challenge after the end of the Cold War&raquo;. In Baldwin, D., ed. &ndash; <i>Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary Debate</i>. Nova York: Columbia University Press, 1993.</p>     <p>KIERSEY, N. C.; NEUMANN, I., eds. &ndash; <i>Battlestar Galactica and International Relations</i>. Nova York: Routledge, 2013.</p>     <p>KNUTSEN, T. &ndash; <i>A History of International Relations Theory</i>. Manchester: Manchester University Press, 1997.</p>     <p>KRATOCHWILL, F. <i>&ndash; Rules, Norms and Decisions. On the Conditions of Practical and Legal Reasoning in International Relations and Domestic Affairs</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KRAUSE, K., ed. &ndash; <i>Culture and Security</i>. Londres: UCL Press, 1999.</p>     <p>LAPID, Y.; KRATOCHWILL, F., eds. &ndash; <i>The Return of Culture and Identity in IR Theory</i>. Londres: Lynne Rienner, 1996.</p>     <p>LEBOW, R. N.; RISSE-KAPPEN, T., eds. &ndash; <i>International Relations Theory and the End of the Cold</i> <i>War</i>. Nova York: Columbia University Press, 1995.</p>     <p>LINKLATER, A. &ndash; <i>Men and Citizens in the Theory of International Relations</i>. Londres: MacMillan, 1982.</p>     <p>LINKLATER, A. &ndash; <i>Beyond Realism and Marxism: Critical Theory and International</i> <i>Relations</i>. Londres: MacMillan, 1990.</p>     <p>LINKLATER, A. &ndash; <i>The Transformation of Political Community: Ethical Foundations of the Post-Westphalian</i> Era. Cambridge: Polity Press, 1998.</p>     <p>LIPSCHUTZ, R. &ndash; <i>Cold War Fantasies: Film, Fiction and Foreign Policy</i>. Lanham: Rowman &amp; Littlefield, 2001.</p>     <p>LITTLE, D. &ndash; <i>Varieties of Social Explanation</i>. Boulder: Westview, 1991.</p>     <p>LYNN-DOTY, R. &ndash; &laquo;Foreign policy as social construction: a post-positivist analysis of U.S. counterinsurgency policy in the Philippines&raquo;. In <i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 37, 1993, pp. 297-320.</p>     <p>LYOTARD, J. F. &ndash; <i>The Postmodern Condition: A Report on Knowledge</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1984.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MELANSON, R. A. &ndash; <i>American Foreign Policy Since the Vietnam War</i>. Armonk: me Sharpe, 2000.</p>     <p>MERLE, M. &ndash; &laquo;Pol&iacute;tica externa e rela&ccedil;&otilde;es internacionais&raquo;. In BRAILLARD, P. &ndash; <i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es</i> <i>Internacionais</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1990.</p>     <p>MESSARI, N. &ndash; &laquo;Identity and foreign policy: the case of Islam in U.S. foreign policy&raquo;. In KUBALKOVA, V., ed. &ndash; <i>Foreign Policy in a Constructed World</i>. Armonk: M. E. Sharpe, 2001, pp. 227-245.</p>     <p>MORGENTHAU, H. &ndash; <i>In Defense of the National Interest: A Critical Examination of American</i> <i>Foreign Policy</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1951.</p>     <p>MORGENTHAU, H. &ndash; <i>Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1978.&shy;&shy;</p>     <p>NABERS, D. &ndash; &laquo;Culture and collective action: Japan, Germany and the United States after 11 September 2001&raquo;. In <i>Cooperation and Conflict</i>. Vol. 41, N.&ordm; 3, 2006, pp. 305-326.</p>     <p>NABERS, D. &ndash; &laquo;Filling the void of meaning: identity construction in U.S. foreign policy after September 11, 2001&raquo;. In <i>Foreign Policy Analysis</i>. Vol. 5, N.&ordm; 2, 2009, pp. 191&shy;-214.</p>     <p>NABERS, D. &ndash; <i>A Poststructuralist Discourse Theory of Global Politics</i>. Nova York: Palgrave MacMillan, 2015.</p>     <p>NEUMANN, I. B. &ndash; <i>Russia and the Idea of Europe: A Study in Identity and International Relations</i>. Londres: Routledge, 1996.</p>     <p>NEXON, D. H.; NEUMANN, I., eds. &ndash; <i>Harry Potter and International Relations</i>. Nova York: Rowman &amp; Littlefield, 2006.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NOGUEIRA, J. P.; MESSARI, N. &ndash; <i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. </i><i>Correntes e Debates</i>. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.</p>     <p>ONUF, N. &ndash; <i>A World of Our Making: Rules and Rule in Social Theory and International Relations</i>. Columbia: University of South Carolina Press, 1989.</p>     <p>POWELL, R. &ndash; &laquo;Absolute and relative gains in International Relations theory&raquo;. In BALDWIN, D., ed. &ndash; <i>Neorealism and Neoliberalism: the Contemporary Debate</i>. Nova York: Columbia University Press, 1993, pp. 209-233.</p>     <p>REINKE DE BUITRAGO, S., ed. &ndash; <i>Portraying the Other in International Relations: Cases of Othering, Their Dynamics and the Potential for Transformation</i>. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars Publishing, 2012.</p>     <p>RESENDE, Erica Simone A. &ndash; <i>Americanidade, Puritanismo e Pol&iacute;tica Externa</i>. Rio de Janeiro: Contracapa, 2012.</p>     <p>R&Eacute;US-SMIT, C. &ndash; &laquo;The constructivism turn: critical theory after the Cold War&raquo;. In Camberra &ndash; <i>Department of International Relations &ndash; Australian National University</i>, Working paper no. 4, 1996.</p>     <p>ROSENAU, J. N. &ndash; &laquo;Pre-theories and theories of foreign policy&raquo;. In Farrell, R. B., ed. &ndash; <i>Approaches to Comparative and International Politics</i>. Evanston: Northwestern University Press, 1966, pp. 27-92.</p>     <p>ROSENAU, J. N., ed. &ndash; <i>Comparing Foreign Policies: Theories, Findings, and Methods</i>. Nova York: John Wiley, 1974.</p>     <p>ROSENBERG, J. &ndash; &laquo;What&rsquo;s the matter with realism?&raquo;. In <i>Review of International Studies</i>. Vol. 16, N.&ordm; 4, 1990, pp. 285-303.</p>     <p>RUGGIE, J. G. &ndash; <i>Constructing the World Polity: Essays on International Institutionalization</i>. Londres: Routledge, 1998.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SCHLESINGER Jr., A. M. &ndash; <i>Os Ciclos da Hist&oacute;ria Americana</i>. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1992.</p>     <p>SCHLESINGER, J. &ndash; &laquo;New instability, new priorities&raquo;. In <i>Foreign Policy</i>. Vol. 85, inverno de 1991, pp. 3-25.</p>     <p>SEARLE, J. R. &ndash; <i>The Construction of Social Reality</i>. Nova York: Free Press, 1995.</p>     <p>SMITH, S. &ndash; &laquo;The self-images of a discipline: a genealogy of International Relations theory&raquo;. In BOOTH, K.; SMITH, S., eds. &ndash; <i>International Relations Theory Today</i>. Cambridge: Polity Press, 1995, pp. 1-37.</p>     <p>SMITH, S. &ndash; &laquo;Foreign policy is what states make of it: social construction and International Relations theory&raquo;. In KUBALKOVA, V., ed. &ndash; <i>Foreign Policy in a Constructed World</i>. Nova York: Sharpe, 2001, pp. 39-55.</p>     <p>SMITH, S.; HADFIELD, A.; DUNNE, T., eds. &ndash; <i>Foreign Policy: Theories, Actors, Cases</i>. Londres: Oxford University Press, 2012.</p>     <p>SNYDER, R.; BRUCK, H.; SAPIN, B., eds. &ndash; <i>Foreign Policy Decision: Making as an Approach to the Study of International Politics</i>. Glencoe: Free Press, 1963.</p>     <p>SONDERMANN, F. A. &ndash; &laquo;The concept of national interest&raquo;. In Olson, W. C., ed. &ndash; <i>The Theory and Practice of International Relations</i>. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1987.</p>     <p>SPROUT, H.; SPROUT, M. &ndash; <i>Man-Milieu Relationship Hypotheses in the Context of International Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 1956.</p>     <p>SPROUT, H.; SPROUT, M. &ndash; <i>The Ecological Perspective on Human Affairs: With Special Reference to International Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 1965.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>WAEVER, O. &ndash; &laquo;The rise and the fall of the inter-paradigm debate&raquo;. In SMITH, S.; BOOTH, K.; ZALEWSKI, M., eds. &ndash; <i>International Theory: Positivism and Beyond</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pp. 149-185.</p>     <p>WAEVER, O. &ndash; &laquo;Figures of international thought: introducing persons instead of paradigms&raquo;. In NEUMANN, I. B.; WAEVER, O., eds. &ndash; <i>The Future of International Relations:</i> <i>Masters in the Making?</i> Londres: Routledge, 1997, pp. 7-37.</p>     <p>WALTZ, K. &ndash; <i>Theory of International Relations</i>. Reading: Addison-Wesley, 1979.</p>     <p>WEBER, C. &ndash; &laquo;Performative states&raquo;. In <i>Millennium</i>. Vol. 27, N.&ordm; 1, 1998, pp. 77-95.</p>     <p>WELDES, J. &ndash; &laquo;Constructing national interests&raquo;. In <i>European Journal of International Relations</i>. Vol. 2, N.&ordm; 3, 1996, pp. 275-318.</p>     <p>WELDES, J., ed. &ndash; <i>To Seek Out New Worlds. Exploring Links between Science Fiction and World</i> <i>Politics</i>. Nova York: Palgrave, 2003.</p>     <p>WENDT, A. &ndash; &laquo;The agent-structure problem in international relations theory&raquo;. In <i>International</i> <i>Organization</i>. Vol. 41, N.&ordm; 3, 1987, pp. 335-370.</p>     <p>WENDT, A. &ndash; &laquo;Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 46, 1992, pp. 391-425.</p>     <p>WENDT, A. &ndash; <i>Social Theory of International Politics</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.</p>     <p>WIGHT, C. &ndash; <i>Agents, Structures and International Relations: Politics as Ontology</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ZEHFUSS, M. &ndash; <i>Constructivism in International Relations</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 10 de janeiro de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 26 de agosto de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> HILL, Christopher &ndash; <i>Foreign Policy in the Twenty-First Century</i>. 2.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Nova York: Palgrave Macmillan, 2016, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Para uma genealogia abrangente sobre as diferentes formas de apresenta&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de RI, ver SMITH, S. &ndash; &laquo;The self-images of a discipline: a genealogy of International Relations theory&raquo;. In BOOTH, K.; SMITH, S., ed. &ndash; <i>International Relations Theory Today</i>. Cambridge: Polity Press, 1995, pp. 1-37.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Rebatizada de Aberystwyth University, em 2008.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> O sistema universit&aacute;rio norte-americano &ndash; mais flex&iacute;vel do que o europeu &ndash; permitiu a cria&ccedil;&atilde;o dos grandes departamentos de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, com capacidade e autonomia necess&aacute;rias ao desenvolvimento da &aacute;rea. Al&eacute;m disso, devido &agrave; inexist&ecirc;ncia de uma carreira diplom&aacute;tica com programa de qualifica&ccedil;&atilde;o e treinamento fechado, os debates sobre pol&iacute;tica externa n&atilde;o permaneciam circunscritos ao governo.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> GON&Ccedil;ALVES, W. &ndash; &laquo;O campo te&oacute;rico das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais&raquo;. In BRIGAG&Atilde;O, C., org. &ndash; <i>Estrat&eacute;gias de Negocia&ccedil;&otilde;es Internacionais. Uma Vis&atilde;o Brasileira</i>. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, p. 90.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Para Hoffmann, &eacute; importante reconhecer que, tendo como objetivo a preserva&ccedil;&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel aos Estados Unidos no sistema internacional, grande parte da teoria de rela&ccedil;&otilde;es internacionais desenvolvida naquele momento se aproximava mais de um projeto para a formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa norte-americana do que teoria propriamente dita. Al&eacute;m disso, sua base filos&oacute;fica, sua metodologia de pesquisa e sua vis&atilde;o do mundo eram pr&oacute;prios &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o, &agrave; cultura e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica daquele pa&iacute;s. HOFFMAN, S. &ndash; &laquo;An American social science&raquo;. In <i>Daedalus</i>. Vol. 106, N.&ordm; 3, 1977, pp. 41-60. Ver tamb&eacute;m GON&Ccedil;ALVES, W. &ndash; &laquo;O campo te&oacute;rico das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Para uma revis&atilde;o das explica&ccedil;&otilde;es sobre o fim da Guerra Fria, ver LEBOW, R. N.; RISSE-KAPPEN, T., eds. &ndash; <i>International Relations Theory and the End of the Cold War</i>. Nova York: Columbia University Press, 1995; e HALLIDAY, F. &ndash; <i>Repensando as Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. Porto Alegre: UFRGS, 1999.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Para um debate sobre tal dificuldade, ver GEORGE, J. &ndash; &laquo;Understanding international relations after the Cold War: probing beyond the realist legacy&raquo;. In SHAPIRO, M. J.; WALKER, R. R., eds. &ndash; <i>Challenging Boundaries</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996, pp. 33-79.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> KNUTSEN, T. &ndash; <i>A History of International Relations Theory</i>. Manchester: Manchester University Press, 1997.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A express&atilde;o de Schlesinger aponta como as escolhas eram simples e previs&iacute;veis durante a Guerra Fria: alinhamento ao Oeste, alinhamento a Leste ou n&atilde;o alinhamento, pois todos os perigos, problemas e alian&ccedil;as eram claros e inalter&aacute;veis. Ver SCHLESINGER, J. &ndash; &laquo;New instability, new priorities&raquo;. In <i>Foreign Policy</i>. Vol. 85, inverno de 1991, p. 22. Como ironicamente comenta Gaddis: &laquo;Ah, bons tempos eram aqueles, em que o mundo s&oacute; precisava se preocupar com a possibilidade de aniquila&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua instant&acirc;nea&raquo;. Ver GADDIS, J. L. &ndash; <i>Russia, the Soviet Union</i> <i>and the United States: An Interpretive History</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1978, p. 279.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Nesse sentido, ver HOLSTI, K. J. &ndash; <i>The Diving Discipline: Hegemony and Diversity in International Theory</i>. Boston: Allen &amp; Unwin, 1985, pp. 1-2; e ONUF, N. &ndash; <i>A World of Our Making:</i> <i>Rules and Rule in Social Theory and International Relations</i>. Columbia: University of South Carolina Press, 1989, p. 8.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> KNUTSEN, T. &ndash; <i>A History of International Relations Theory</i>, p. 269.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> JAMESON, F. &ndash; &laquo;Postmodernism, or the cultural logic of late capitalism&raquo;. In <i>New Left Review</i>. Vol. 146, julho-agosto de 1984, pp. 53-92.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> LYOTARD, J. F. &ndash; <i>The Postmodern Condition: A Report on Knowledge</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1984, p. XXIV.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> BUZAN, B.; LITTLE, R. &ndash; &laquo;Why international relations has failed as an intellectual project and what to do about it&raquo;. In <i>Millennium: Journal of International Studies</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2001, p. 21.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Uma pequena exce&ccedil;&atilde;o era feita &agrave; influ&ecirc;ncia da Hist&oacute;ria (presente na Escola Inglesa) e da Economia (na aplica&ccedil;&atilde;o de teoria de jogos e de firmas pelo neorrealismo).</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> NOGUEIRA, J. P.; MESSARI, N. &ndash; <i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. </i><i>Correntes e Debates</i>. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005, p. 10.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> GEORGE, J.; CAMPBELL, D. &ndash; &laquo;Patterns of dissent and the celebration of difference: critical social theory and international relations&raquo;. In <i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 34, N.&ordm; 3, setembro de 1990, pp. 269-293.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> BROWN, C. &ndash; &laquo;Turtles all the way down: anti-foundationalism, critical theory and international relations&raquo;. In <i>Millennium: Journal of International Studies</i>. Vol. 23, N.&ordm; 2, 1994, p. 214.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Na &eacute;poca, as duas mais importantes publica&ccedil;&otilde;es da &aacute;rea, International Organization e International Security, ambas editadas nos Estados Unidos, estavam repletas de artigos que celebravam os m&eacute;ritos de cada teoria na explica&ccedil;&atilde;o da realidade da pol&iacute;tica internacional. Para cr&iacute;tica contundente, ver WAEVER, O. &ndash; &laquo;Figures of international thought: introducing persons instead of paradigms&raquo;. In NEUMANN, I. B.; WAEVER, O., eds. &ndash; <i>The Future</i> of <i>International Relations: Masters in the Making?</i> Londres: Routledge, 1997, pp. 7-37.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> WALTZ, K. &ndash; <i>Theory of International Relations</i>. Reading: Addison-Wesley, 1979.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> JERVIS, R. &ndash; &laquo;Realism, neo-liberalism, cooperation: understanding the debate&raquo;. In <i>International Security</i>. Vol. 24, N.&ordm; 1, ver&atilde;o de 1999, p. 43.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Para um resumo sobre as principais caracter&iacute;sticas do &laquo;debate neo-neo&raquo;, ver POWELL, R. &ndash; &laquo;Absolute and relative gains in International Relations theory&raquo;. In BALDWIN, D., ed. &ndash; <i>Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary Debate</i>. Nova York: Columbia University Press, 1993, pp. 209-233.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Como reconhece Keohane, o neoliberalismo institucional compartilha diversos pressupostos com o neorrealismo, sobretudo a perspectiva estrutural sobre o sistema internacional. KEOHANE, R. &ndash; &laquo;Institutional theory and the realist challenge after the end of the Cold War&raquo;. In BALDWIN, D., ed. &ndash; <i>Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary</i> <i>Debate</i>. Nova York: Columbia University Press, 1993.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> KEOHANE, R. &ndash; <i>After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy</i>. Princeton: Princeton University Press, 1984; KEOHANE, R., ed. &ndash; <i>Neorealism and Its Critics. New</i> <i>Directions in World Politics</i>. Nova York: Columbia University Press, 1986.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> WAEVER, O. &ndash; &laquo;The rise and the fall of the inter-paradigm debate&raquo;. In SMITH, S.; BOOTH, K.; ZALEWSKI, M., eds. &ndash; <i>International Theory: Positivism and Beyond</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pp. 149-185.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> KEOHANE, R., ed. &ndash; <i>Neorealism and its Critics</i>&hellip;, p. 189.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Segundo Waever (WAEVER, O. &ndash; &laquo;The rise and the fall of the inter-paradigm debate&raquo;, a &laquo;s&iacute;ntese neo-neo&raquo; experimentou seu &aacute;pice no discurso de Keohane no encontro anual da International Studies Association de 1988, no qual ele classificou o neorrealismo e o neoliberalismo como as duas vertentes do pensamento racionalista na &aacute;rea de RI, em oposi&ccedil;&atilde;o ao pensamento reflexivista, que julgava &laquo;incapaz de gerar um programa de pesquisa pr&oacute;prio&raquo;. Ver KEOHANE, R. &ndash; &laquo;International institutions: two approaches&raquo;. In <i>International</i> <i>Studies Quarterly</i>. Vol. 32, 1988, pp. 379-396.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Ao proceder a uma radical abstra&ccedil;&atilde;o dos atributos das unidades que comp&otilde;em o sistema internacional, Waltz incorporava nas Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais a tend&ecirc;ncia dominante na Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica norte-americana em aplicar fundamentos e m&eacute;todos de an&aacute;lise microecon&ocirc;mica. Apesar de n&atilde;o ter inovado, strictu sensu, o pensamento realista, Waltz promoveu, segundo descri&ccedil;&atilde;o de Keohane (KEOHANE, R., ed. &ndash; <i>Neorealism and Its Critics</i>&hellip;), um not&aacute;vel esfor&ccedil;o para sistematiza&ccedil;&atilde;o do realismo pol&iacute;tico em uma rigorosa e dedutiva teoria sist&ecirc;mica da pol&iacute;tica internacional. Ver KEOHANE, R., ed. &ndash; <i>Neorealism and Its Critics</i>..., introdu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Ver POWELL, R. &ndash; &laquo;Absolute and relative gains in International Relations theory&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> WAEVER, O. &ndash; &laquo;Figures of international thought&hellip;&raquo;, p. 21.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> COX, R. &ndash; &laquo;Social forces, states, and world orders: beyond international relations theory&raquo;. In <i>Millennium: Journal of International Studies</i>. Vol. 10, N.&ordm; 2, 1981, pp. 126-155.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> A concep&ccedil;&atilde;o acerca da pr&aacute;tica te&oacute;rica como ato pol&iacute;tico e decorrente necessidade em desenvolver uma teoria cr&iacute;tica para o questionamento das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, antecipada por Foucault, Barth&egrave;s e outros, tamb&eacute;m estaria presente na cr&iacute;tica p&oacute;s-moderna/p&oacute;s-estruturalista &agrave;s Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Para uma vis&atilde;o mais completa sobre a Teoria Cr&iacute;tica, na qual o trabalho de Cox se insere, ver GILL, S., ed. &ndash; <i>Gramsci, Historical Materialism and International Relations</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> COX, R. &ndash; &laquo;Social forces, states, and world orders&hellip;&raquo;, p. 128.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> FOUCAULT, M. &ndash; <i>Power/Knowledge: Selected Interviews &amp; Other Writings</i>. Nova York: Pantheon Books, 1980.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> COX, R. &ndash; &laquo;Social forces, states, and world orders&hellip;&raquo;; COX, R. &ndash; <i>Production, Power, and World Order: Social Forces in the Making of History</i>. Nova York: Columbia University Press, 1987.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> De forma a distinguir a teoria cr&iacute;tica constru&iacute;da pela Escola de Frankfurt, que possui corpo te&oacute;rico mais espec&iacute;fico, de outras que criticam teorias dominantes, empregaremos teoria cr&iacute;tica para designar o grupo que re&uacute;ne autores como Cox, Gill, Linklater e Brown, por exemplo, e teoria cr&iacute;tica para as demais.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> R&Eacute;US-SMIT, C. &ndash; &laquo;The constructivism turn: critical theory after the Cold War&raquo;. In CAMBERRA &ndash; <i>Department of International Relations &ndash; Australian National University</i>, Working paper no. 4, 1996.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> KATZENSTEIN, P., ed. &ndash; <i>The Culture of National Security. Norms and Identities in World Politics</i>. Nova York: Columbia University Press, 1996.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Como exemplos de inova&ccedil;&atilde;o, citamos o cosmopolitismo reflexivo de Beck, a teoria da a&ccedil;&atilde;o comunicativa de Habermas, o comunitarismo de Linklater e os estudos cr&iacute;ticos de seguran&ccedil;a de Booth, Krause e Jones. Ver BECK, U. &ndash; <i>Risk Society: Towards a New Modernity</i>. Londres: SAGE Publications, 1992; HABERMAS, J. &ndash; <i>The Theory of Communicative Action</i>. Cambridge: Polity Press, 1981; LINKLATER, A. &ndash; <i>The Transformation of Political Community: Ethical Foundations of</i> <i>the Post-Westphalian Era</i>. Cambridge: Polity Press, 1998; BOOTH, K., ed. &ndash; <i>Critical Security</i> <i>Studies in World Politics</i>. Boulder: Lynne Rienner, 2004; KRAUSE, K., ed. &ndash; <i>Culture and Security.</i> Londres: UCL Press, 1999; JONES, R. W. &ndash; <i>Security, Strategy and Critical Theory</i>. Boulder: Lynne Rienner, 1999; e JONES, R. W. &ndash; <i>Critical Theory and World Politics</i>. Boulder: Lynne Rienner, 2000.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> WAEVER, O. &ndash; &laquo;The rise and the fall of the inter-paradigm debate&raquo;, p. 163.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> Segundo Katzenstein, Keohane e Krasner, as palavras de ordem eram &laquo;prefer&ecirc;ncia, informa&ccedil;&atilde;o, estrat&eacute;gia e conhecimento&raquo;. Ver KATZENSTEIN, P.; KEOHANE, R.; KRASNER, S. &ndash; &laquo;International organization and the study of world politics&raquo;. In KATZENSTEIN, P.; KEOHANE, R.; KRASNER, S., eds. &ndash; <i>Exploration and Contestation in </i><i>the Study of World Politics</i>. Cambridge: MIT Press, 1999, p. 36.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> WAEVER, O. &ndash; &laquo;The rise and the fall of the inter-paradigm debate&raquo;, p. 164.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 168.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> ASHLEY, R. &ndash; &laquo;The poverty of neo-realism&raquo;. In <i>International Organization</i>.<br />   Vol. 38, N.&ordm; 2, 1984, pp. 225-286.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 230.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 297.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> LINKLATER, A. &ndash; <i>Beyond Realism and Marxism: Critical Theory and International Relations</i>. Londres: MacMillan, 1990.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> HABERMAS, J. &ndash; <i>The Theory of Communicative Action</i>.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> LINKLATER, A. &ndash; <i>The Transformation of Political Community</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> Para uma revis&atilde;o do debate, ver WIGHT, C. &ndash; <i>Agents, Structures and International Relations:</i> <i>Politics as Ontology</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> WENDT, A. &ndash; &laquo;The agent-structure problem in international relations theory&raquo;. In <i>International</i> <i>Organization</i>. Vol. 41, N.&ordm; 3, 1987, pp. 335-370.</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> GIDDENS, A. &ndash; <i>The Constitution of Society: Outline of the Theory of Structuration</i>. Berkeley: University of California Press, 1984.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> WENDT, A. &ndash; &laquo;Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics&raquo;. In <i>International Organization</i>. Vol. 46, 1992, pp. 391-425.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> Sobre as premissas b&aacute;sicas do construtivismo, ver RUGGIE, J. G. &ndash; <i>Constructing the World</i> <i>Polity: Essays on International Institutionalization</i>. Londres: Routledge, 1998. Para sua caracteriza&ccedil;&atilde;o como &laquo;meio termo&raquo; entre as teorias racionalistas e seus cr&iacute;ticos, ver ADLER, E. &ndash; &laquo;Seizing the middle ground: constructivism in world politics&raquo;. In <i>European Journal of</i> <i>International Affairs</i>. N.&ordm; 3, setembro de 1997, pp. 319-363.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> NOGUEIRA, J. P.; MESSARI, N. &ndash; <i>Teoria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>..., p. 164.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> KRATOCHWILL, F. &ndash; <i>Rules, Norms and Decisions. On the Conditions of Practical and Legal Reasoning in International Relations and Domestic Affairs</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> WENDT, A. &ndash; <i>Social Theory of International Politics</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 1999, p. 107.</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> Al&eacute;m dos j&aacute; citados, inclu&iacute;mos Michael Barnett, Didier Bigo, Jeffrey Checkel, Martha Finnemore, Ernst Haas, Peter Katzenstein, John Ruggie, Chris R&eacute;us-Smit, Kathryn Sikkink, Ole Waever e Jutta Weldes.</p>     <p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> GUZZINI, S. &ndash; &laquo;A reconstruction of constructivism in International Relations&raquo;. In <i>European</i> <i>Journal of International Relations</i>. Vol. 6, N.&ordm; 2, 2000, p. 147.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> Para cr&iacute;ticas, ver GUZZINI, S; LEANDER, A., eds. &ndash; <i>Constructivism and International Relations:</i> <i>Alexander Wendt and his Critics</i>. Nova York: Routledge, 2006; SMITH, S. &ndash; &laquo;Foreign policy is what states make of it: social construction and International Relations theory&raquo;. In KUBALKOVA, V., ed. &ndash; <i>Foreign Policy in a Constructed World</i>. Nova York: Sharpe, 2001, pp. 39-55; e ZEHFUSS, M. &ndash; <i>Constructivism in International Relations</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> J&oslash;rgensen afirma que o construtivismo seria uma metateoria porque pretende explicar a constitui&ccedil;&atilde;o da realidade como um todo, e n&atilde;o apenas a internacional. J&Oslash;RGENSEN, K. E. &ndash; &laquo;Four levels and a discipline&raquo;. In FIERKE, K. M.; J&Oslash;RGENSEN, K. E., eds. &ndash; <i>Constructing</i> <i>International Relations: The Next Generation</i>. Nova York: M. E. Sharpe, 2001, pp. 36-53.</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> Ver SEARLE, J. R. &ndash; <i>The Construction of Social Reality</i>. Nova York: Free Press, 1995.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> Processo por meio do qual as cria&ccedil;&otilde;es humanas passariam a ser concebidas como fatos da natureza, produto de leis c&oacute;smicas, ou manifesta&ccedil;&atilde;o da vontade divina. Ver BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. &ndash; <i>A Constru&ccedil;&atilde;o Social da Realidade</i>. Petr&oacute;polis: Vozes, 2008.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> BUZAN, B.; LITTLE, R. &ndash; &laquo;Why international relations has failed&hellip;&raquo;, p. 25.</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> SCHLESINGER Jr., A. M. &ndash; Os Ciclos da Hist&oacute;ria Americana. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1992, p. 57.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> Como exemplos, ver HANSEN, L. &ndash; <i>Security as Practice: Discourse Analysis and the Bosnian War</i>. Londres: Routledge, 2006; MESSARI, N. &ndash; &laquo;Identity and foreign policy: the case of Islam in U.S. foreign policy&raquo;. In KUBALKOVA, V., ed. &ndash; <i>Foreign Policy in a Constructed World</i>. Armonk: M. E. Sharpe, 2001, pp. 227-245; &shy;&shy;NABERS, D. &ndash; &laquo;Culture and collective action: Japan, Germany and the United States after 11 September 2001&raquo;. In <i>Cooperation and Conflict</i>. Vol. 41, N.&ordm; 3, 2006, pp. 305-326; &shy;&shy;NABERS, D. &ndash; &laquo;Filling the void of meaning: identity construction in U.S. foreign policy after September 11, 2001&raquo;. In <i>Foreign Policy Analysis</i>. Vol. 5, N.&ordm; 2, 2009, pp. 191-214; NEUMANN, I. B. &ndash; <i>Russia and the Idea of Europe: A Study in Identity and</i> <i>International Relations</i>. Londres: Routledge, 1996; e RESENDE, Erica Simone A. &ndash; <i>Americanidade, Puritanismo e Pol&iacute;tica Externa</i>. Rio de Janeiro: Contracapa, 2012.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> MERLE, M. &ndash; &laquo;Pol&iacute;tica externa e rela&ccedil;&otilde;es internacionais&raquo;. In BRAILLARD, P. &ndash; <i>Teoria das</i> <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, 1990, p. 260.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> &laquo;Foreign Policy Analysis &ndash; FPA&raquo;, em ingl&ecirc;s.</p>     <p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> MORGENTHAU, H. &ndash; <i>In Defense of the National Interest: A Critical Examination of American Foreign Policy</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1951.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> SNYDER, R.; BRUCK, H.; SAPIN, B., eds. &ndash; <i>Foreign Policy Decision: Making as an Approach to</i> <i>the Study of International Politics</i>. Glencoe: Free Press, 1963.</p>     <p><Sup><a name="73"></a><a href="#top73">73</a></Sup> ALLISON, G. T. &ndash; <i>Essence of Decision: Explaining the Cuban Missile Crisis</i>. Nova York: Longman, 1971.</p>     <p><Sup><a name="74"></a><a href="#top74">74</a></Sup> HALPERIN, M. &ndash; <i>Bureaucratic Politics and Foreign Policy</i>. Washington: Brookings, 1974.</p>     <p><Sup><a name="75"></a><a href="#top75">75</a></Sup> SPROUT, H.; SPROUT, M. &ndash; <i>Man-Milieu Relationship Hypotheses in the Context of International Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 1956; SPROUT, H.; SPROUT, M. &ndash; <i>The Ecological Perspective on Human Affairs: With Special Reference to International Politics</i>. Princeton: Princeton University Press, 1965.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="76"></a><a href="#top76">76</a></Sup> ROSENAU, J. N. &ndash; &laquo;Pre-theories and theories of foreign policy&raquo;. In FARRELL, R. B., ed. &ndash; <i>Approaches to Comparative and International Politics</i>. Evanston: Northwestern University Press, 1966, pp. 27-92; ROSENAU, J. N., ed. &ndash; Comparing Foreign Policies: Theories, Findings, and Methods. Nova York: John Wiley, 1974.</p>     <p><Sup><a name="77"></a><a href="#top77">77</a></Sup> Para uma vis&atilde;o historiogr&aacute;fica sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do estudo da pol&iacute;tica externa, ver HUDSON, V. M. &ndash; <i>Foreign Policy Analysis: Classic and Contemporary Theory</i>. Nova York: Rowman and Littlefield, 2007.</p>     <p><Sup><a name="78"></a><a href="#top78">78</a></Sup> SMITH, S.; HADFIELD, A.; DUNNE, T., eds. &ndash; <i>Foreign Policy: Theories, Actors, Cases</i>. Londres: Oxford University Press, 2012, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="79"></a><a href="#top79">79</a></Sup> &shy;&shy;NABERS, D. &ndash; <i>A Poststructuralist Discourse Theory of Global Politics</i>. Nova York: Palgrave MacMillan, 2015.</p>     <p><Sup><a name="80"></a><a href="#top80">80</a></Sup> Para exemplos, ver GADDIS, J. L. &ndash; <i>Strategies of Containment: A Critical Appraisal of Postwar American National Security</i>. Nova York: Oxford University Press, 1982; AMBROSE, S. E.; BRINKLEY, D. G. &ndash; <i>Rise to Globalism: American Foreign Policy since 1938</i>. Nova York: Penguin, 1997; e MELANSON, R. A. &ndash; <i>American Foreign Policy Since the Vietnam War</i>. Armonk: me Sharpe, 2000.</p>     <p><Sup><a name="81"></a><a href="#top81">81</a></Sup> ALLISON, G. T. &ndash; <i>Essence of Decision</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="82"></a><a href="#top82">82</a></Sup> Segundo Nabers, iniciativas como a cria&ccedil;&atilde;o nos Estados Unidos do instituto &laquo;International Crisis Behavior Project&raquo;, em 1975, foi exemplo cl&aacute;ssico da orienta&ccedil;&atilde;o dos estudos de pol&iacute;tica externa durante a Guerra Fria para a gest&atilde;o de crises pol&iacute;ticas. Ver &shy;&shy;NABERS, D. &ndash; <i>A Poststructuralist Discourse Theory of Global Politics</i>, p. 19.</p>     <p><Sup><a name="83"></a><a href="#top83">83</a></Sup> LYNN-DOTY, R. &ndash; &laquo;Foreign policy as social construction: a post-positivist analysis of U.S. counterinsurgency policy in the Philippines&raquo;. In <i>International Studies Quarterly</i>. Vol. 37, 1993, pp. 297-320.</p>     <p><Sup><a name="84"></a><a href="#top84">84</a></Sup> LITTLE, D. &ndash; <i>Varieties of Social Explanation</i>. Boulder: Westview, 1991, p. 4.</p>     <p><Sup><a name="85"></a><a href="#top85">85</a></Sup> MORGENTHAU, H. &ndash; <i>Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace</i>. Nova York: Alfred A. Knopf, 1978, p. 5.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="86"></a><a href="#top86">86</a></Sup> MORGENTHAU, H. &ndash; <i>In Defense </i>of the National Interest&hellip;, p. 972.</p>     <p><Sup><a name="87"></a><a href="#top87">87</a></Sup> SONDERMANN, F. A. &ndash; &laquo;The concept of national interest&raquo;. In OLSON, W. C., ed. &ndash; <i>The Theory and Practice of International Relations</i>. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1987, p. 60.</p>     <p><Sup><a name="88"></a><a href="#top88">88</a></Sup> ROSENBERG, J. &ndash; &laquo;What&rsquo;s the matter with realism?&raquo;. In <i>Review of International Studies</i>. Vol. 16, N.&ordm; 4, 1990, p. 291.</p>     <p><Sup><a name="89"></a><a href="#top89">89</a></Sup> WELDES, J. &ndash; &laquo;Constructing national interests&raquo;. In <i>European Journal of International Relations</i>. Vol. 2, N.&ordm; 3, 1996, p. 279.</p>     <p><Sup><a name="90"></a><a href="#top90">90</a></Sup> WENDT, A. &ndash; &laquo;Anarchy is what states make of it&hellip;&raquo;; Wendt, A. &ndash; <i>Social Theory of International Politics</i><i>.</i></p>     <p><Sup><a name="91"></a><a href="#top91">91</a></Sup> WENDT, A. &ndash; &laquo;Anarchy is what states make of it&hellip;&raquo;, p. 395.</p>     <p><Sup><a name="92"></a><a href="#top92">92</a></Sup> Para Wendt, se o sistema &eacute; dominado por estados que veem anarquia como uma situa&ccedil;&atilde;o de vida, ou morte, uma anarquia &laquo;hobbesiana&raquo;, nas suas pr&oacute;prias palavras, o sistema ser&aacute; caracterizado por uma luta de todos contra todos. Se, ao contr&aacute;rio, a anarquia for vista como uma situa&ccedil;&atilde;o restrita &ndash; uma anarquia &laquo;lockeana&raquo;, ent&atilde;o, um sistema mais cooperativo emergir&aacute;. Ver WENDT, A. &ndash; <i>Social Theory of International Politics</i>.</p>     <p><Sup><a name="93"></a><a href="#top93">93</a></Sup> WENDT, A. &ndash; &laquo;Anarchy is what states make of it&hellip;&raquo;, p. 398.</p>     <p><Sup><a name="94"></a><a href="#top94">94</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 401.</p>     <p><Sup><a name="95"></a><a href="#top95">95</a></Sup> FOUCAULT, M. &ndash; <i>The Archaeology of Knowledge &amp; The Discourse on Language</i>. Nova York: Pantheon Books, 1972, p. 49.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="96"></a><a href="#top96">96</a></Sup> Uma crescente literatura na &aacute;rea de RI tem se dedicado a investigar a import&acirc;ncia de bens culturais de consumo de massa (pop culture) para a constru&ccedil;&atilde;o de discursos sobre o internacional, o externo, o diferente e o estrangeiro. Ver LIPSCHUTZ, R. &ndash; <i>Cold War Fantasies:</i> <i>Film, Fiction and Foreign Policy</i>. Lanham: Rowman &amp; Littlefield, 2001; WELDES, J., ed. &ndash; <i>To Seek</i> <i>Out New Worlds. Exploring Links between Science Fiction and World Politics</i>. Nova York: Palgrave, 2003; NEXON, D. H.; NEUMANN, I., eds. &ndash; <i>Harry Potter and International</i> <i>Relations</i>. Nova York: Rowman &amp; Littlefield, 2006; e KIERSEY, N. C.; NEUMANN, I., eds. &ndash; <i>Battlestar Galactica and International Relations</i>. Nova York: Routledge, 2013.</p>     <p><Sup><a name="97"></a><a href="#top97">97</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; &laquo;Global inscription: how foreign policy constitutes the United States&raquo;. In <i>Alternatives</i>. Vol. 15, N.&ordm; 3, ver&atilde;o de 1990, pp. 263-286; CAMPBELL, D. &ndash; <i>Writing Security.</i> <i>United States Foreign Policy and the Politics of Identity</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1998; CAMPBELL, D. &ndash; <i>National Deconstruction: Violence, Identity, and Justice in</i> <i>Bosnia</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1998.</p>     <p><Sup><a name="98"></a><a href="#top98">98</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; <i>Writing Security</i>&hellip;, p. 31.</p>     <p><Sup><a name="99"></a><a href="#top99">99</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 36-37.</p>     <p><Sup><a name="100"></a><a href="#top100">100</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 11.</p>     <p><Sup><a name="101"></a><a href="#top101">101</a></Sup> ANDERSON, B. &ndash; <i>Imagined Communities. Reflections on the Origin and Spread of Nationalism</i>. Londres: Verso, 1991.</p>     <p><Sup><a name="102"></a><a href="#top102">102</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; <i>Writing Security</i>&hellip;, p. 61.</p>     <p><Sup><a name="103"></a><a href="#top103">103</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; &laquo;Global inscription&hellip;&raquo;, p. 271.</p>     <p><Sup><a name="104"></a><a href="#top104">104</a></Sup> CONNOLLY, W. E. &ndash; <i>Identity/Difference. Democratic Negotiations of Political Paradox</i>. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1991.</p>     <p><Sup><a name="105"></a><a href="#top105">105</a></Sup> BROWN, C. &ndash; <i>Understanding International Relations</i>. Nova York: Palgrave, 2001, p. 61.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="106"></a><a href="#top106">106</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; <i>National Deconstruction</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="107"></a><a href="#top107">107</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; <i>Writing Security</i>&hellip;, p. 12.</p>     <p><Sup><a name="108"></a><a href="#top108">108</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 61.</p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="109"></a><a href="#top109">109</a></Sup> Para literatura que estabelece a rela&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;tica externa, outricidade e (re)produ&ccedil;&atilde;o do Estado, ver NEUMANN, I. B. &ndash; <i>Russia and the Idea of Europe</i>; REINKE DE BUITRAGO, S., ed. &ndash; <i>Portraying the Other in International Relations: Cases of Othering, Their Dynamics and the Potential for Transformation</i>. Newcastle upon Tyne: Cambridge Scholars Publishing, 2012; e CULLINAME, M. P.; RYAN, D., eds. - U.S. Foreign Policy and the Other. Nova York: Berghahn, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=623738&pid=S1645-9199201900030000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><Sup><a name="110"></a><a href="#top110">110</a></Sup> CAMPBELL, D. &ndash; <i>Writing Security</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="111"></a><a href="#top111">111</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 11.</p>     <p><Sup><a name="112"></a><a href="#top112">112</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 12.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ADLER]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Seizing the middle ground: constructivism in world politics]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of International Affairs]]></source>
<year>sete</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>319-363</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ALLISON]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Essence of Decision: Explaining the Cuban Missile Crisis]]></source>
<year>1971</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Longman]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AMBROSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brinkley]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Rise to Globalism: American Foreign Policy since 1938]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Penguin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ANDERSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Imagined Communities. Reflections on the Origin and Spread of Nationalism]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verso]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ASHLEY]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The poverty of neo-realism]]></article-title>
<source><![CDATA[International Organization]]></source>
<year>1984</year>
<volume>38</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>225-286</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BALDWIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary Debate]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BECK]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Risk Society: Towards a New Modernity]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SAGE Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BERGER]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Luckmann]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Construção Social da Realidade]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BOOTH]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Critical Security Studies in World Politics]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lynne Rienner]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BROWN]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Turtles all the way down: anti-foundationalism, critical theory and international relations]]></article-title>
<source><![CDATA[Millennium: Journal of International Studies]]></source>
<year>1994</year>
<volume>23</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>213-136</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BROWN]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Understanding International Relations]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BUZAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[JONES]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LITTLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Logic of Anarchy: Neorealism to Structural Realism]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BUZAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LITTLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Why international relations has failed as an intellectual project and what to do about it]]></article-title>
<source><![CDATA[Millennium: Journal of International Studies]]></source>
<year>2001</year>
<volume>30</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>19-39</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CAMPBELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Global inscription: how foreign policy constitutes the United States]]></article-title>
<source><![CDATA[Alternatives]]></source>
<year></year>
<volume>15</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>263-286</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CAMPBELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Violent performances: identity, sovereignty, responsibility]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[LAPID]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KRATOCHWILL]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Return of Culture and Identity in IR Theory]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>163­-181</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lynne Rienner]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CAMPBELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[National Deconstruction: Violence, Identity, and Justice in Bosnia]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Minneapolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Minnesota Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CAMPBELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Writing Security. United States Foreign Policy and the Politics of Identity]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Minneapolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Minnesota Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CONNOLLY]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Identity/Difference. Democratic Negotiations of Political Paradox]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Minneapolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Minnesota Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COX]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Social forces, states, and world orders: beyond international relations theory]]></article-title>
<source><![CDATA[Millennium: Journal of International Studies]]></source>
<year>1981</year>
<volume>10</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>126­-155</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COX]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Production, Power, and World Order: Social Forces in the Making of History]]></source>
<year>1987</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CULLINAME]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RYAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[U.S. Foreign Policy and the Other]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Berghahn]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Archaeology of Knowledge & The Discourse on Language]]></source>
<year>1972</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pantheon Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FOUCAULT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Power/Knowledge: Selected Interviews & Other Writings]]></source>
<year>1980</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Pantheon Books]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GADDIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Russia, the Soviet Union and the United States: An Interpretive History]]></source>
<year>1978</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Alfred A. Knopf]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GADDIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Strategies of Containment: A Critical Appraisal of Postwar American National Security]]></source>
<year>1982</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GEORGE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Understanding international relations after the Cold War: probing beyond the realist legacy]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[SHAPIRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[WALKER]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Challenging Boundaries]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>33-79</page-range><publisher-loc><![CDATA[Minneapolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Minnesota Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GEORGE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[CAMPBELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Patterns of dissent and the celebration of difference: critical social theory and international relations]]></article-title>
<source><![CDATA[International Studies Quarterly]]></source>
<year>sete</year>
<month>mb</month>
<day>ro</day>
<volume>34</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>269-293</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GIDDENS]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Constitution of Society: Outline of the Theory of Structuration]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Berkeley ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of California Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GIDDENS]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Conversations with Anthony Giddens: Making Sense of Modernity]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Stanford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Stanford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GILL]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gramsci, Historical Materialism and International Relations]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GILPIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[War and Change in World Politics]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GONÇALVES]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O campo teórico das Relações Internacionais]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BRIGAGÃO]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estratégias de Negociações Internacionais. Uma Visão Brasileira]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>89-107</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Aeroplano]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUZZINI]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A reconstruction of constructivism in International Relations]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of International Relations]]></source>
<year>2000</year>
<volume>6</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>147-182</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GUZZINI]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[LEANDER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructivism and International Relations: Alexander Wendt and his Critics]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HABERMAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Theory of Communicative Action]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HALLIDAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The future of international relations: fears and hopes]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BOOTH]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ZALEWSKI]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International Theory: Positivism and Beyond]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HALLIDAY]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Repensando as Relações Internacionais]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto Alegre ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UFRGS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HALPERIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Bureaucratic Politics and Foreign Policy]]></source>
<year>1974</year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brookings]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HANSEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Security as Practice: Discourse Analysis and the Bosnian War]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HILL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Christopher]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign Policy in the Twenty-First Century]]></source>
<year>2016</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave Macmillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HOFFMAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An American social science]]></article-title>
<source><![CDATA[Daedalus]]></source>
<year>1977</year>
<volume>106</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>41-60</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HOLSTI]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Diving Discipline: Hegemony and Diversity in International Theory]]></source>
<year>1985</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boston ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Allen & Unwin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HUDSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[V. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign Policy Analysis: Classic and Contemporary Theory]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rowman and Littlefield]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B44">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[HUTCHINGS]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[American Diplomacy and the End of the Cold War: an Insider's Account of U.S. Foreign Policy in Europe, 1989-1992]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Baltimore ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Johns Hopkins University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B45">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JAMESON]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Postmodernism, or the cultural logic of late capitalism]]></article-title>
<source><![CDATA[New Left Review]]></source>
<year>julh</year>
<month>o-</month>
<day>ag</day>
<volume>146</volume>
<page-range>53-92</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B46">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JERVIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Realism, neo-liberalism, cooperation: understanding the debate]]></article-title>
<source><![CDATA[International Security]]></source>
<year>1999</year>
<volume>24</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>42-63</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B47">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JONES]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Security, Strategy and Critical Theory]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lynne Rienner]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B48">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JONES]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Critical Theory and World Politics]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lynne Rienner]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B49">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JØRGENSEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Four levels and a discipline]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[FIERKE]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[JØRGENSEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[K. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructing International Relations: The Next Generation]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>36-53</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[M. E. Sharpe]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B50">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KATZENSTEIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Culture of National Security. Norms and Identities in World Politics]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B51">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KATZENSTEIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KEOHANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KRASNER]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[International organization and the study of world politics]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[KATZENSTEIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KEOHANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KRASNER]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Exploration and Contestation in the Study of World Politics]]></source>
<year>1999</year>
<page-range>5-45</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MIT Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B52">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KENNEDY]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ascensão e Queda das Grandes Potências]]></source>
<year>1989</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Campus]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B53">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KEOHANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[After Hegemony: Cooperation and Discord in the World Political Economy]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B54">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KEOHANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neorealism and its Critics. New Directions in World Politics]]></source>
<year>1986</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B55">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KEOHANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[International institutions: two approaches]]></article-title>
<source><![CDATA[International Studies Quarterly]]></source>
<year>1988</year>
<volume>32</volume>
<page-range>379-396</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B56">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KEOHANE]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Institutional theory and the realist challenge after the end of the Cold War]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Baldwin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neorealism and Neoliberalism: The Contemporary Debate]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B57">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KIERSEY]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[NEUMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Battlestar Galactica and International Relations]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B58">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KNUTSEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A History of International Relations Theory]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Manchester ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Manchester University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B59">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KRATOCHWILL]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Rules, Norms and Decisions. On the Conditions of Practical and Legal Reasoning in International Relations and Domestic Affairs]]></source>
<year>1989</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B60">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[KRAUSE]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Culture and Security]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UCL Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B61">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LAPID]]></surname>
<given-names><![CDATA[Y .]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[KRATOCHWILL]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Return of Culture and Identity in IR Theory]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lynne Rienner]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B62">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LEBOW]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. N.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RISSE-KAPPEN]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International Relations Theory and the End of the Cold War]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B63">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LINKLATER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Men and Citizens in the Theory of International Relations]]></source>
<year>1982</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MacMillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B64">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LINKLATER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Beyond Realism and Marxism: Critical Theory and International Relations]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MacMillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B65">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LINKLATER]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Transformation of Political Community: Ethical Foundations of the Post-Westphalian Era]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B66">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LIPSCHUTZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cold War Fantasies: Film, Fiction and Foreign Policy]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lanham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rowman & Littlefield]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B67">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LITTLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Varieties of Social Explanation]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[Boulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Westview]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B68">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LYNN-DOTY]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Foreign policy as social construction: a post-positivist analysis of U.S. counterinsurgency policy in the Philippines]]></article-title>
<source><![CDATA[International Studies Quarterly]]></source>
<year>1993</year>
<volume>37</volume>
<page-range>297-320</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B69">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LYOTARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Postmodern Condition: A Report on Knowledge]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Minneapolis ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of Minnesota Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B70">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MELANSON]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[American Foreign Policy Since the Vietnam War]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Armonk ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[me Sharpe]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B71">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MERLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Política externa e relações internacionais]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BRAILLARD]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teoria das Relações Internacionais]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Calouste Gulbenkian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B72">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MESSARI]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Identity and foreign policy: the case of Islam in U.S. foreign policy]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[KUBALKOVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign Policy in a Constructed World]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>227-245</page-range><publisher-loc><![CDATA[Armonk ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[M. E. Sharpe]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B73">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[In Defense of the National Interest: A Critical Examination of American Foreign Policy]]></source>
<year>1951</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Alfred A. Knopf]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B74">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MORGENTHAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Politics among Nations: The Struggle for Power and Peace]]></source>
<year>1978</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Alfred A. Knopf]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B75">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NABERS]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Culture and collective action: Japan, Germany and the United States after 11 September 2001]]></article-title>
<source><![CDATA[Cooperation and Conflict]]></source>
<year>2006</year>
<volume>41</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>305-326</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B76">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NABERS]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Filling the void of meaning: identity construction in U.S. foreign policy after September 11, 2001]]></article-title>
<source><![CDATA[Foreign Policy Analysis]]></source>
<year>2009</year>
<volume>5</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>191­-214</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B77">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NABERS]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Poststructuralist Discourse Theory of Global Politics]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave MacMillan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B78">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NEUMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Russia and the Idea of Europe: A Study in Identity and International Relations]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B79">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NEXON]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[NEUMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Harry Potter and International Relations]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Rowman & Littlefield]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B80">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NOGUEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MESSARI]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Teoria das Relações Internacionais. Correntes e Debates]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Elsevier]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B81">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ONUF]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A World of Our Making: Rules and Rule in Social Theory and International Relations]]></source>
<year>1989</year>
<publisher-loc><![CDATA[Columbia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University of South Carolina Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B82">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[POWELL]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Absolute and relative gains in International Relations theory]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BALDWIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neorealism and Neoliberalism: the Contemporary Debate]]></source>
<year>1993</year>
<page-range>209-233</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B83">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[REINKE DE BUITRAGO]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portraying the Other in International Relations: Cases of Othering, Their Dynamics and the Potential for Transformation]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Newcastle upon Tyne ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge Scholars Publishing]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B84">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RESENDE]]></surname>
<given-names><![CDATA[Erica Simone A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Americanidade, Puritanismo e Política Externa]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Contracapa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B85">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSENAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Pre-theories and theories of foreign policy]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Farrell]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Approaches to Comparative and International Politics]]></source>
<year>1966</year>
<page-range>27-92</page-range><publisher-loc><![CDATA[Evanston ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Northwestern University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B86">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSENAU]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comparing Foreign Policies: Theories, Findings, and Methods]]></source>
<year>1974</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[John Wiley]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B87">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSENBERG]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[What's the matter with realism?]]></article-title>
<source><![CDATA[Review of International Studies]]></source>
<year>1990</year>
<volume>16</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>285-303</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B88">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RUGGIE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructing the World Polity: Essays on International Institutionalization]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B89">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SCHLESINGER Jr.]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Ciclos da História Americana]]></source>
<year>1992</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Civilização Brasileira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B90">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SCHLESINGER]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[New instability, new priorities]]></article-title>
<source><![CDATA[Foreign Policy]]></source>
<year></year>
<volume>85</volume>
<page-range>3-25</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B91">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SEARLE]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Construction of Social Reality]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Free Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B92">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The self-images of a discipline: a genealogy of International Relations theory]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[BOOTH]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International Relations Theory Today]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>1-37</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B93">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Foreign policy is what states make of it: social construction and International Relations theory]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[KUBALKOVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign Policy in a Constructed World]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>39-55</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sharpe]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B94">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[HADFIELD]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[DUNNE]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign Policy: Theories, Actors, Cases]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B95">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SNYDER]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BRUCK]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SAPIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Foreign Policy Decision: Making as an Approach to the Study of International Politics]]></source>
<year>1963</year>
<publisher-loc><![CDATA[Glencoe ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Free Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B96">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SONDERMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The concept of national interest]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Olson]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Theory and Practice of International Relations]]></source>
<year>1987</year>
<publisher-loc><![CDATA[Englewood Cliffs ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Prentice Hall]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B97">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SPROUT]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SPROUT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Man-Milieu Relationship Hypotheses in the Context of International Politics]]></source>
<year>1956</year>
<publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B98">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SPROUT]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SPROUT]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Ecological Perspective on Human Affairs: With Special Reference to International Politics]]></source>
<year>1965</year>
<publisher-loc><![CDATA[Princeton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Princeton University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B99">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WAEVER]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The rise and the fall of the inter-paradigm debate]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[SMITH]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[BOOTH]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[ZALEWSKI]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[International Theory: Positivism and Beyond]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>149-185</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B100">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WAEVER]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Figures of international thought: introducing persons instead of paradigms]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[NEUMANN]]></surname>
<given-names><![CDATA[I. B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[WAEVER]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Future of International Relations: Masters in the Making?]]></source>
<year>1997</year>
<page-range>7-37</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B101">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WALTZ]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Theory of International Relations]]></source>
<year>1979</year>
<publisher-loc><![CDATA[Reading ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Addison-Wesley]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B102">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WEBER]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Performative states]]></article-title>
<source><![CDATA[Millennium]]></source>
<year>1998</year>
<volume>27</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>77-95</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B103">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WELDES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Constructing national interests]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of International Relations]]></source>
<year>1996</year>
<volume>2</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>275-318</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B104">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WELDES]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[To Seek Out New Worlds. Exploring Links between Science Fiction and World Politics]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B105">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WENDT]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The agent-structure problem in international relations theory]]></article-title>
<source><![CDATA[International Organization]]></source>
<year>1987</year>
<volume>41</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>335-370</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B106">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WENDT]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Anarchy is what states make of it: the social construction of power politics]]></article-title>
<source><![CDATA[International Organization]]></source>
<year>1992</year>
<volume>46</volume>
<page-range>391-425</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B107">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WENDT]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Social Theory of International Politics]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B108">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[WIGHT]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Agents, Structures and International Relations: Politics as Ontology]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B109">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ZEHFUSS]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructivism in International Relations]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
