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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As eleições europeias de 2019 na Europa do Sul: análise das especificidades intrarregionais]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS DE 2019 NA EUROPA DO SUL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota introdut&oacute;ria</b></p>     <p><b>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 na Europa do Sul: an&aacute;lise das especificidades intrarregionais</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; Santana Pereira* com Susana Rogeiro Nina** e Ana Rezende-Matias***</b></p>     <p>* CIES-IUL e ISCTE-IUL | Av. das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa | <a href="mailto:jose.santana.pereira@iscte-iul.pt">jose.santana.pereira@iscte-iul.pt</a></p>     <p>** ICS-UL | Av. Prof. An&iacute;bal Bettencourt 9, 1600-189 Lisboa | <a href="mailto:susana.nina@ics.ulisboa.pt">susana.nina@ics.ulisboa.pt</a></p>     <p>*** ISCTE-IUL e CIES-IUL | Av. das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa | <a href="mailto:ana_matias@iscte-iul.pt">ana_matias@iscte-iul.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>No fim da primavera de 2019, os cidad&atilde;os da Uni&atilde;o Europeia (UE) foram chamados &agrave;s urnas para eleger os seus representantes nacionais no Parlamento Europeu (PE). Em nove dos 28 Estados-Membros, estas foram as nonas elei&ccedil;&otilde;es diretas em que os cidad&atilde;os participaram. O apelo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o (materializado, por exemplo, na campanha &laquo;Desta Vez Eu Voto&raquo;)<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> foi aparentemente mais bem-sucedido que em 2014, com a taxa de absten&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia a situar-se abaixo dos 50%, sendo oito pontos percentuais inferior &agrave; da elei&ccedil;&atilde;o anterior. Os resultados ditaram um menor peso dos dois principais grupos parlamentares europeus, Partido Popular Europeu e Socialistas e Democratas (menos 9% dos assentos <i>vis-&agrave;-vis</i> 2014)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, e permitiram vislumbrar uma consider&aacute;vel varia&ccedil;&atilde;o nacional e regional nos padr&otilde;es de voto.</p>     <p>No n&uacute;mero especial que este texto introduz, analisam-se os escrut&iacute;nios de maio de 2019 na Europa do Sul. Para al&eacute;m do presente artigo, este n&uacute;mero da <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i> &eacute; composto por seis contributos que reportam o contexto, os protagonistas, os temas de campanha, os resultados das elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 e as suas consequ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas ao n&iacute;vel dom&eacute;stico em seis Estados-Membros: Portugal e Espanha, It&aacute;lia e Gr&eacute;cia, Malta e Chipre. O enfoque no Sul da Uni&atilde;o justifica-se pelo desejo de proceder &agrave; an&aacute;lise destas elei&ccedil;&otilde;es num conjunto relativamente limitado e homog&eacute;neo<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> de pa&iacute;ses que tendem a ser analisados enquanto pertencentes &agrave; mesma regi&atilde;o<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>, e cuja rela&ccedil;&atilde;o com a UE ter&aacute; sido de alguma forma afetada pelos eventos financeiros e migrat&oacute;rios da &uacute;ltima d&eacute;cada, entre outros<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Claro est&aacute;, n&atilde;o existe um consenso total sobre os pa&iacute;ses que pertencem a esta regi&atilde;o &ndash; as na&ccedil;&otilde;es ib&eacute;ricas, a It&aacute;lia e a Gr&eacute;cia s&atilde;o consensuais, mas os Estados-Membros insulares s&atilde;o frequentemente deixados de lado em estudos comparativos, e por vezes a Fran&ccedil;a &eacute; adicionada ao grupo<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Dada a frequente inclus&atilde;o deste &uacute;ltimo pa&iacute;s na regi&atilde;o da Europa Ocidental, bem como um protagonismo e influ&ecirc;ncia no processo de constru&ccedil;&atilde;o e tomada de decis&atilde;o na ue<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> distinto dos pa&iacute;ses da Europa do Sul, opt&aacute;mos por n&atilde;o o analisar neste n&uacute;mero especial; por outro lado, inclu&iacute;mos Malta e Chipre.</p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; o de proceder &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o do modelo adotado para a an&aacute;lise das elei&ccedil;&otilde;es europeias de maio de 2019 nos seis Estados-Membros selecionados (o modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem descrito na sec&ccedil;&atilde;o seguinte), bem como a uma an&aacute;lise comparativa de aspetos centrais destas elei&ccedil;&otilde;es, nomeadamente as campanhas, os n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o, a puni&ccedil;&atilde;o do partido incumbente, o sucesso de pequenos e novos partidos e a estabilidade dos sistemas partid&aacute;rios. V&aacute;rios destes aspetos s&atilde;o explorados com maior detalhe nos artigos dedicados a cada caso que comp&otilde;em este n&uacute;mero especial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O MODELO DE ELEI&Ccedil;&Otilde;ES DE SEGUNDA ORDEM</b></p>     <p>A literatura sobre as elei&ccedil;&otilde;es europeias tem sido alicer&ccedil;ada no artigo seminal sobre as elei&ccedil;&otilde;es para o PE de Reif e Schmitt<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, onde se sistematiza e aplica &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es europeias uma taxonomia que distingue entre elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem e de segunda ordem<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Na g&eacute;nese desta diferencia&ccedil;&atilde;o est&aacute; a ideia de que o comportamento eleitoral e o resultado global das elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o determinados pela sua import&acirc;ncia percebida. Assim, as elei&ccedil;&otilde;es legislativas em sistemas parlamentares e as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais nos regimes presidenciais s&atilde;o elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem, entendidas como importantes, pois o seu resultado ir&aacute; determinar quem exercer&aacute; o poder executivo nacional; em sentido oposto, tanto as elei&ccedil;&otilde;es europeias como as elei&ccedil;&otilde;es regionais e locais, as intercalares nos Estados Unidos, as <i>by-elections</i> no Reino Unido e as presidenciais em regimes semipresidenciais s&atilde;o consideradas elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, uma vez que n&atilde;o impactam, diretamente, o controlo do poder executivo nacional. Estas elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o percebidas pelos eleitores e atores pol&iacute;ticos como momentos de menor import&acirc;ncia, pelo que o comportamento de voto dos indiv&iacute;duos &eacute; determinado pelas din&acirc;micas pol&iacute;ticas nacionais, nomeadamente pela popularidade do governo<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>No caso das elei&ccedil;&otilde;es europeias, estas s&atilde;o consideradas de segunda ordem independentemente do seu papel legitimador das institui&ccedil;&otilde;es europeias<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, dado o papel pouco relevante que o PE e at&eacute; a Comiss&atilde;o Europeia (cuja presid&ecirc;ncia foi recentemente ligada de forma mais estreita ao equil&iacute;brio de for&ccedil;as no PE) tem no quadro institucional da Uni&atilde;o <i>vis-&agrave;-vis</i> o Conselho Europeu, onde o verdadeiro poder reside<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>Quais s&atilde;o as consequ&ecirc;ncias do facto de as elei&ccedil;&otilde;es europeias serem consideradas de segunda ordem? Em termos de campanha, uma preponder&acirc;ncia dos temas nacionais; no que aos resultados eleitorais diz respeito, um decr&eacute;scimo da participa&ccedil;&atilde;o eleitoral em compara&ccedil;&atilde;o com as elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem anteriores, bem como um maior sucesso dos pequenos partidos pol&iacute;ticos e uma tend&ecirc;ncia para o partido ou partidos no governo serem penalizados, embora tal dependa do momento do ciclo eleitoral de primeira ordem em que as elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem t&ecirc;m lugar<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. De facto, se as elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem acontecem n&atilde;o muito tempo depois do escrut&iacute;nio legislativo ou presidencial, no per&iacute;odo de lua de mel do ciclo eleitoral de primeira ordem, n&atilde;o se espera qualquer debandada no apoio eleitoral ao governo; de facto, &eacute; nas elei&ccedil;&otilde;es que acontecem a meio do mandato que a puni&ccedil;&atilde;o pode ser mais expressiva, dado este per&iacute;odo ser aquele em que a popularidade dos governos tende a assumir os valores mais baixos, acompanhados de uma din&acirc;mica de mobiliza&ccedil;&atilde;o a favor dos partidos na oposi&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. O <i>timing</i> das elei&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m tem um impacto em termos de absten&ccedil;&atilde;o &ndash; se ocorrem pouco tempo antes das elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem, as europeias podem ser vistas como mais importantes, uma esp&eacute;cie de bar&oacute;metro fidedigno da for&ccedil;a dos partidos na arena dom&eacute;stica; se ocorrerem pouco depois, s&atilde;o menos importantes deste ponto de vista e podem ser menos mobilizadoras<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Para al&eacute;m disso, a din&acirc;mica de puni&ccedil;&atilde;o do governo e premia&ccedil;&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o/partidos pequenos ou novos tende a ser menor em sistemas partid&aacute;rios n&atilde;o bipolares<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Alguma da literatura estabelece uma liga&ccedil;&atilde;o entre dois pressupostos do modelo &ndash; as perdas dos partidos maiores e do partido no governo e os padr&otilde;es de absten&ccedil;&atilde;o &ndash; verificando que as taxas mais elevadas de absten&ccedil;&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es europeias tendem a prejudicar os partidos maiores e/ou incumbentes de forma desproporcional. Isto acontece porque enquanto as elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem conseguem mobilizar eleitores n&atilde;o habituais, frequentemente em torno dos maiores partidos, com objetivos estrat&eacute;gicos, as elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem mobilizam apenas os eleitores habituais<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas, os pressupostos do modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem t&ecirc;m sido testados e, <i>grosso modo</i>, corroborados por v&aacute;rios estudos acad&eacute;micos, grande parte dos quais focados nas elei&ccedil;&otilde;es para o PE<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Na sec&ccedil;&atilde;o que se segue, bem como nos seis artigos que comp&otilde;em este n&uacute;mero especial, desejamos modestamente contribuir para este acervo de literatura cient&iacute;fica atrav&eacute;s do contraste do modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem com os padr&otilde;es identificados nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 que tiveram lugar nos seis pa&iacute;ses em an&aacute;lise.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS DE 2019 NA EUROPA DO SUL</b></p>     <p>Come&ccedil;amos a an&aacute;lise comparativa das elei&ccedil;&otilde;es europeias na Europa do Sul pelo conte&uacute;do das campanhas. Como preconizado pelo modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, na Europa do Sul &ndash; mais que na Europa Ocidental ou do Norte &ndash; as tem&aacute;ticas europeias tiveram menos preponder&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s nacionais: quase 80% dos conte&uacute;dos produzidos pelos partidos focavam assuntos nacionais ou, no melhor dos casos, entrecruzavam perspetivas nacionais e europeias sobre os temas<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Isto deve-se a um grande n&uacute;mero de fatores, explorados de forma detalhada nos restantes artigos deste n&uacute;mero especial, tais como a ocorr&ecirc;ncia concomitante de outras elei&ccedil;&otilde;es (Espanha, Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Malta), as perspetivas para as elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem que aconteceriam em breve (Portugal, Gr&eacute;cia), um processo de forma&ccedil;&atilde;o de governo em curso (Espanha) ou a crise entre os membros da coliga&ccedil;&atilde;o incumbente (It&aacute;lia). No estudo comparado de Novelli e Johansson, Portugal destaca-se pelo espa&ccedil;o residual, quase nulo, concedido pelos partidos aos assuntos europeus, enquanto a Espanha foi o pa&iacute;s da Europa do Sul em que a campanha foi, em termos tem&aacute;ticos, ligeiramente mais europeia (com um bom equil&iacute;brio entre o enfoque em temas europeus e nacionais ou nacionais/europeus contrastados)<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>O tom utilizado para falar da Europa apresenta tamb&eacute;m alguma varia&ccedil;&atilde;o num contexto geral de campanha pr&oacute;-europeia por parte dos partidos na maioria dos Estados-Membros (exceto, em parte, no Reino Unido e na Holanda)<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Sem surpresas, dada a natureza da oferta partid&aacute;ria, &eacute; na It&aacute;lia, na Gr&eacute;cia e na Espanha que encontramos uma maior tend&ecirc;ncia para enquadramentos negativos da UE, embora nos tr&ecirc;s casos o mais comum &eacute; que o enfoque da UE seja positivo ou muito positivo. Malta distingue-se pela neutralidade da maior parte dos conte&uacute;dos produzidos e Chipre pelo euroentusiasmo, enquanto os partidos portugueses variaram de forma equilibrada entre a comunica&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ou neutras relativamente &agrave; integra&ccedil;&atilde;o europeia<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>Passemos agora &agrave; an&aacute;lise da participa&ccedil;&atilde;o. Como vimos acima, em termos gerais, as europeias de 2019 foram mais participadas que as de 2014. De acordo com dados do Eurobar&oacute;metro, as elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 atingiram uma participa&ccedil;&atilde;o recorde impulsionada por um aumento da participa&ccedil;&atilde;o dos jovens, sobretudo os cidad&atilde;os com menos de 25 anos (+14%) e com idades compreendidas entre os 25 e os 39 anos (+12%)<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Al&eacute;m da economia e das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o Brexit parece ter desempenhado um papel importante, na medida em que 22% dos entrevistados t&ecirc;-lo-&atilde;o referido como um dos fatores influenciadores da decis&atilde;o de votar<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Embora no c&ocirc;mputo geral dos Estados-Membros a absten&ccedil;&atilde;o tenha sido mais baixa que em 2014, o que se observa na maioria dos pa&iacute;ses da Europa do Sul &eacute; que foi id&ecirc;ntica ou ligeiramente superior &agrave; de 2014. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o &eacute; a Espanha, cujos n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o, 17 pontos mais elevados que em 2014, s&atilde;o explicados pelo contexto pol&iacute;tico de curto prazo e por algum cont&aacute;gio decorrente da coocorr&ecirc;ncia de elei&ccedil;&otilde;es locais (ver Nina e Prado, neste n&uacute;mero, pp. 033-049).</p>     <p>Tal como previsto pelo modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, a participa&ccedil;&atilde;o nas europeias foi significativamente mais baixa que nas elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem anteriores em cinco dos seis pa&iacute;ses da Europa do Sul (<a href="#t1">Tabela 1</a>). A exce&ccedil;&atilde;o &eacute; a Gr&eacute;cia, onde a absten&ccedil;&atilde;o recuou ligeiramente face a 2015, confirmando a ideia de que quando as elei&ccedil;&otilde;es ocorrem no fim do ciclo eleitoral de primeira ordem, podem de facto ser vistas como mais importantes e mobilizar o eleitorado. Contudo, em Portugal, apesar de terem tamb&eacute;m acontecido no fim do ciclo eleitoral aberto pelas legislativas de 2015, as europeias de 2019 foram muito pouco participadas, apresentando no conjunto destes pa&iacute;ses o diferencial mais elevado entre os dois tipos de elei&ccedil;&atilde;o. O facto de a expetativa sobre uma menor desmobiliza&ccedil;&atilde;o em elei&ccedil;&otilde;es europeias quando estas acontecem pouco antes das legislativas se observar apenas no caso grego, e n&atilde;o no caso portugu&ecirc;s, poder&aacute; ser devido a diferen&ccedil;as em termos de impopularidade do governo e polariza&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio (ambos tendencialmente mais elevados na Gr&eacute;cia, ver Kartalis e Serra-Silva et al. neste n&uacute;mero, pp. 067-083 e 015-032).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n64/n64a01t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto &agrave; puni&ccedil;&atilde;o dos partidos no governo (<a href="#t1">Tabela 1</a>), esta &eacute; observada apenas na Gr&eacute;cia &ndash; onde levou &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es logo de seguida por parte do primeiro-ministro e l&iacute;der do Syriza, Alexis Tsipras &ndash; e parcialmente na It&aacute;lia (o valor apresentado na <a href="#t1">Tabela 1</a> esconde o facto de que um dos parceiros de coliga&ccedil;&atilde;o, o Movimento 5 Estrelas, foi fortemente punido nas urnas, enquanto o outro, a Liga, refor&ccedil;ou muito o seu apoio eleitoral em rela&ccedil;&atilde;o a 2018) (ver Kartalis e Santana Pereira, neste n&uacute;mero, pp. 067-083 e 051-066). Nos restantes casos, a diferen&ccedil;a na percentagem de votos obtida pelo partido incumbente &eacute; residual, sendo que no caso da Espanha h&aacute; at&eacute; uma ligeira melhoria do PSOE, que deve, contudo, ser lida no contexto mais amplo de uma menor dispers&atilde;o do voto um m&ecirc;s ap&oacute;s as <i>generales</i> (ver Nina e Prado, neste n&uacute;mero. Sublinha-se que, tanto no caso de Malta como de Chipre, em que as elei&ccedil;&otilde;es ocorrem a meio do ciclo eleitoral de primeira ordem, n&atilde;o existe qualquer puni&ccedil;&atilde;o do incumbente, o que &eacute; explicado pelas din&acirc;micas de competi&ccedil;&atilde;o recentes, pouco favor&aacute;veis a um cart&atilde;o amarelo ao partido no governo (ver Queiroga e Rezende-Matias, neste n&uacute;mero, pp. 101-115 e 085-100).</p>     <p>Por fim, a previs&atilde;o de melhores resultados para partidos mais pequenos (que n&atilde;o os dois &ndash; ou no caso da It&aacute;lia &ndash; tr&ecirc;s principais partidos eleitorais) verifica-se apenas em tr&ecirc;s dos seis casos em an&aacute;lise: Gr&eacute;cia, Malta e Portugal. Em Malta, o fort&iacute;ssimo bipartidarismo que caracteriza as elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem relaxou um pouco, mas n&atilde;o o suficiente para impedir que fossem o Partido Trabalhista e o Partido Nacionalista os &uacute;nicos a eleger eurodeputados (ver Rezende-Matias, neste n&uacute;mero); em Portugal e na Gr&eacute;cia, s&atilde;o os bons resultados de v&aacute;rias novas (ou recentes) for&ccedil;as partid&aacute;rias que contribuem para este padr&atilde;o (ver Kartalis e Serra-Silva et al., neste n&uacute;mero).</p>     <p>Um &uacute;ltimo aspeto interessante, ainda que n&atilde;o diretamente relacionado com o modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, &eacute; a estabilidade dos sistemas partid&aacute;rios nos Estados-Membros em elei&ccedil;&otilde;es europeias. Com base nos &iacute;ndices de volatilidade eleitoral calculados por Emanuele e Marino<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, e pressupondo que um valor de 20 corresponde a uma consider&aacute;vel volatilidade no comportamento de voto entre elei&ccedil;&otilde;es, &eacute; poss&iacute;vel caracterizar as europeias de 2019 como tendo sido, em m&eacute;dia, bastante vol&aacute;teis. No entanto, os autores reportam uma grande varia&ccedil;&atilde;o neste indicador, com os sistemas partid&aacute;rios em elei&ccedil;&otilde;es europeias a sofrer hecatombes no Reino Unido, na Eslov&aacute;quia e na It&aacute;lia e mantendo-se consideravelmente est&aacute;veis em Malta, na &Aacute;ustria e em Chipre. Como vemos, temos nos lugares cimeiros e &uacute;ltimos do <i>ranking</i> de volatilidade total tr&ecirc;s dos seis Estados-Membros da Europa do Sul. Entre a estabilidade das na&ccedil;&otilde;es insulares e a mudan&ccedil;a radical italiana, encontramos os pa&iacute;ses ib&eacute;ricos e, com valores ligeiramente superiores, a Gr&eacute;cia (<a href="#t2">Tabela 2</a>). Se os resultados na Gr&eacute;cia podem ser entendidos como um retorno a um sistema bipolar ap&oacute;s um per&iacute;odo de elei&ccedil;&otilde;es s&iacute;smicas no pa&iacute;s, os n&iacute;veis elevados de volatilidade na It&aacute;lia devem-se acima de tudo ao crescimento exponencial da Liga (cf. artigos de Kartalis e Santana Pereira, neste n&uacute;mero).<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/ri/n64/n64a01t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Vale, contudo, a pena distinguir entre volatilidade de regenera&ccedil;&atilde;o (devida &agrave; entrada e sa&iacute;da de partidos do sistema partid&aacute;rio) e de alterna&ccedil;&atilde;o (trocas entre partidos existentes)<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Como vemos na <a href="#t2">Tabela 2</a>, quase toda a volatilidade na Espanha e na It&aacute;lia &eacute; devida &agrave; altera&ccedil;&atilde;o no equil&iacute;brio de for&ccedil;as entre partidos existentes, enquanto em Portugal e na Gr&eacute;cia a entrada de novos partidos na competi&ccedil;&atilde;o teve um impacto mais forte no sistema partid&aacute;rio. Uma an&aacute;lise da volatilidade entre blocos ideol&oacute;gicos formados por duas diferentes clivagens &ndash; esquerda/direita e demarca&ccedil;&atilde;o/integra&ccedil;&atilde;o (que tende a dividir eleitorados e partidos em torno dos estere&oacute;tipos de vencedores e prejudicados pela globaliza&ccedil;&atilde;o)<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> &ndash; aponta para que, na Europa do Sul, se identifiquem, mais uma vez, padr&otilde;es distintos: na It&aacute;lia, os eleitores saltaram sem pruridos e de forma expressiva entre as fronteiras criadas pelas duas clivagens; em Malta e em Chipre, a segunda clivagem n&atilde;o &eacute; relevante em termos de competi&ccedil;&atilde;o (e a volatilidade entre blocos de partidos de esquerda e direita &eacute; baixa); em Portugal, na Espanha e na Gr&eacute;cia, a volatilidade entre blocos &eacute;, no caso das duas clivagens, bastante reduzida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ANDERSON, Christopher J.; WARD, Daniel S. &ndash; &laquo;Barometer elections in comparative perspective&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 15, N.&ordm; 4, 1996, pp. 447-460.</p>     <p>DE SIO, Lorenzo; RUSSO, Luana; FRANKLIN, Mark N. &ndash; &laquo;Explaining the outcome. Second-order factors still matter, but with an exceptional turnout increase&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark N.; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>. Roma: Luiss University Press, 2019, pp. 57-66.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ECPR &ndash; SOUTHERN EUROPEAN POLITICS. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ecpr.eu/StandingGroups/StandingGroupHome.aspx?ID=38" target="_blank">https://ecpr.eu/StandingGroups/StandingGroupHome.aspx?ID=38</a>.</p>     <p>EMANUELE, Vincenzo; MARINO, Bruno &ndash; &laquo;Party system change in eu countries: long-term instability and cleavage restructuring&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark N.; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>. Roma: Luiss University Press, 2019, pp. 29-41.</p>     <p>EUROPEAN PARLIAMENT &ndash; &laquo;2019 European elections: record turnout driven by young people&raquo; (Press release). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20190923IPR61602/2019-european-elections-record-turnout-driven-by-young-people" target="_blank">https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20190923IPR61602/2019-european-elections-record-turnout-driven-by-young-people</a>.</p>     <p>EUROPEAN PARLIAMENT &ndash; &laquo;European Parliament 2019-2024: constitutive session&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://election-results.eu/" target="_blank">https://election-results.eu/</a>.</p>     <p>FERNANDES, Tiago, org. &ndash; <i>Variedades de Democracia na Europa do Sul (1968-2016)</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2018.</p>     <p>FERNANDES, Tiago; SANTANA PEREIRA, Jos&eacute;; CANCELA, Jo&atilde;o; RODRIGUES SANCHES, Edalina &ndash; <i>Institui&ccedil;&otilde;es e Qualidade da Democracia: Cultura Pol&iacute;tica na Europa do Sul</i>. Lisboa: FFMS, 2019.</p>     <p>FORTES, Braulio G&oacute;mez; MAGALH&Atilde;ES, Pedro &ndash; &laquo;As elei&ccedil;&otilde;es presidenciais em sistemas semipresidenciais: participa&ccedil;&atilde;o eleitoral e puni&ccedil;&atilde;o dos governos&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Vol. 177, 2005, pp. 891-922.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Second-order elections and electoral cycles in democratic Portugal&raquo;. In <i>South</i> <i>European Society and Politics</i>. Vol. 9, N.&ordm; 3, 2004, pp. 54-79.</p>     <p>GUOYMARCH, Alain; MACHIN, Howard; RITCHIE, Ella &ndash; <i>France in the European Union</i>. Londres: Palgrave, 1998.</p>     <p>HIX, Simon; MARSH, Michael &ndash; &laquo;Punishment or protest? Understanding European Parliament elections&raquo;. In <i>The Journal of Politics</i>. Vol. 69, N.&ordm; 2, 2007, pp. 495-510.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>HOBOLT, Sarah Binzer; WITTROCK, Jill &ndash; &laquo;The second-order election model revisited: an experimental test of vote choices in European Parliament elections&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2010, pp. 29-40.</p>     <p>KOEPKE, Jason. R.; RINGE, Nils &ndash; &laquo;The second-order election model in an enlarged Europe&raquo;. In <i>European Union Politics</i>. Vol. 7, N.&ordm; 3, 2006, pp. 321-346.</p>     <p>MAZZUCELLI, Colette &ndash; France and Germany at Maastricht: Politics and Negotiations to Create the European Union. Londres: Routledge, 1999.</p>     <p>NIELSEN, Julie H.; FRANKLIN, Mark N. &ndash; &laquo;The 2014 European elections: still second order?&raquo;. In NIELSEN, Julie H.; FRANKLIN, Mark N., eds. &ndash; <i>The Eurosceptic 2014 European Parliament Elections Second Order or Second Rate?</i>. Londres: Palgrave, 2017, pp. 1-16.</p>     <p>NORRIS, Pippa &ndash; <i>British By-Elections: The Volatile Electorate</i>. Oxford: Oxford University Press, 1990.</p>     <p>NORRIS, Pippa &ndash; &laquo;Second-order elections revisited&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 31, 1997, pp. 109--114.</p>     <p>NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt &ndash; &laquo;European Elections Monitoring Center&raquo;. In NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt, eds. &ndash; <i>2019 European Elections Campaing &ndash; Images, Topics, Media</i> <i>in</i> <i>the 28 Member States</i>. Roma: Universit&agrave; degli Studi di Roma Tre, 2019, pp. 14-30.</p>     <p>REIF, Karlheinz &ndash; &laquo;European elections as member-state second-order elections revisited&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 31, 1997, pp. 15-124.</p>     <p>REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results&raquo;. In <i>European Journal of Political</i> <i>Research</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 1980, pp. 3-44.</p>     <p>SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;The European Parliament elections of June 2004: still second-order?&raquo;. In <i>West European Politics.</i> Vol. 28, N.&ordm; 3, 2005, pp. 650--679.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SCHMITT, Hermann; TEPEROGLOU, Eftichia &ndash; &laquo;The 2014 European Parliament elections in Southern Europe: second-order or critical elections?&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2015, pp. 287-309.</p>     <p>SOUTH EUROPEAN SOCIETY AND POLITICS &ndash; &laquo;Aims and scope&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.tandfonline.com/action/journalInformation?show=aimsScope&amp;journalCode=fses20" target="_blank">https://www.tandfonline.com/action/journalInformation?show=aimsScope&amp;journalCode=fses20</a>.</p>     <p>VAN DER EIJK, Cees; FRANKLIN, Mark&ndash; <i>Choosing Europe? The European Electorate and National</i> <i>Politics in the Face of Union</i>. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1996.</p>     <p>VAN DER EIJK, Cees; FRANKLIN, Mark; MARSH, Michael &ndash; &laquo;What voters teach us about Europe-wide elections: what Europe-wide elections teach us about voters&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 15, N.&ordm; 2, 1996, pp. 149-166.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Cf. <a href="https://www.destavezeuvoto.eu/" target="_blank">https://www.destavezeuvoto.eu/</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> EUROPEAN PARLIAMENT &ndash; &laquo;European Parliament 2019-2024: constitutive session&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://election-results.eu/" target="_blank">https://election-results.eu/</a>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Apesar de constitu&iacute;rem uma regi&atilde;o relativamente homog&eacute;nea, existem diferen&ccedil;as dignas de nota entre estes pa&iacute;ses, como um impacto diferencial da Grande Recess&atilde;o da viragem para a d&eacute;cada atual nas suas economias nacionais (com a Gr&eacute;cia afetada de forma mais flagrante que a It&aacute;lia, por exemplo), a antiguidade do regime democr&aacute;tico (coexistem neste grupo democracias da segunda e da terceira vaga de democratiza&ccedil;&atilde;o) e da perten&ccedil;a &agrave; Europa comunit&aacute;ria (a It&aacute;lia &eacute; um dos seis pa&iacute;ses fundadores, enquanto Malta e Chipre entraram na Uni&atilde;o Europeia em 2004) ou o sistema pol&iacute;tico (monarquia e rep&uacute;blicas; sistemas de governo parlamentar, semipresidencial ou presidencial; sistemas partid&aacute;rios mais ou menos fragmentados), entre outros.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Por exemplo, o grupo de investiga&ccedil;&atilde;o do European Consortium for Political Research (ECPR) denominado Southern European Politics agrega especialistas nestes seis pa&iacute;ses, bem como na Turquia. A reputada revista cient&iacute;fica South European Society and Politics adota o mesmo enfoque geogr&aacute;fico: ECPR &ndash; SOUTHERN EUROPEAN POLITICS. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ecpr.eu/StandingGroups/StandingGroupHome.aspx?ID=38" target="_blank">https://ecpr.eu/StandingGroups/StandingGroupHome.aspx?ID=38</a>; SOUTH EUROPEAN SOCIETY AND POLITICS &ndash; &laquo;Aims and scope&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.tandfonline.com/action/journalInformation?show=aimsScope&amp;journalCode=fses20" target="_blank">https://www.tandfonline.com/action/journalInformation?show=aimsScope&amp;journalCode=fses20</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> SCHMITT, Hermann; TEPEROGLOU, Eftichia &ndash; &laquo;The 2014 European Parliament elections in Southern Europe: second-order or critical elections?&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2015, pp. 287-309.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Dois entre in&uacute;meros exemplos poss&iacute;veis: FERNANDES, Tiago, org. &ndash; <i>Variedades de Democracia na Europa do Sul (1968-2016)</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2018; FERNANDES, Tiago; SANTANA PEREIRA, Jos&eacute;; CANCELA, Jo&atilde;o; RODRIGUES SANCHES, Edalina &ndash; <i>Institui&ccedil;&otilde;es e</i> <i>Qualidade da Democracia: Cultura Pol&iacute;tica na Europa do Sul</i>. Lisboa: FFMS, 2019.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Cf., por exemplo, MAZZUCELLI, Colette &ndash; <i>France and Germany at Maastricht: Politics and Negotiations to Create the European Union</i>. Londres: Routledge, 1999; GUOYMARCH, Alain; MACHIN, Howard; RITCHIE, Ella &ndash; <i>France in the European Union</i>. Londres: Palgrave, 1998.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> REIF, Karlheinz; Schmitt, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 1980, pp. 3-44.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Em 1997, Karlheinz Reif descreveu o processo de g&eacute;nese e matura&ccedil;&atilde;o intelectual da ideia de elei&ccedil;&otilde;es europeias enquanto elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem; ver REIF, Karlheinz &ndash; &laquo;European elections as member-state second-order elections revisited&raquo;. In <i>European Journal of Political</i> <i>Research</i>. Vol. 31, 1997, pp. 15-124.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> NORRIS, Pippa &ndash; &laquo;Second-order elections revisited&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 31, 1997, pp. 109-114.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Ibidem; REIF, Karlheinz &ndash; &laquo;European elections as member-state second-order elections revisited&raquo;; NIELSEN, Julie H.; FRANKLIN, Mark N. &ndash; &laquo;The 2014 European elections: still second order?&raquo;. In NIELSEN, Julie H.; FRANKLIN, Mark N., eds. &ndash; <i>The Eurosceptic 2014 European</i> <i>Parliament Elections Second Order or Second Rate?.</i> Londres: Palgrave, 2017, pp. 1-16.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> REIF, Karlheinz; SCHMITT , Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Ibidem; NORRIS, Pippa &ndash; &laquo;Second-order elections revisited&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> DE SIO, Lorenzo; RUSSO, Luana; FRANKLIN, Mark N. &ndash; &laquo;Explaining the outcome. Second-order factors still matter, but with an exceptional turnout increase&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark N.; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>. Roma: Luiss University Press, 2019, pp. 57-66.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> REIF, Karlheinz &ndash; &laquo;European elections as member-state second-order elections revisited&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Para uma revis&atilde;o desta literatura, consultar DE SIO, Lorenzo; RUSSO, Luana; FRANKLIN, Mark N. &ndash; &laquo;Explaining the outcome...&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Para citar alguns exemplos: REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections&hellip;&raquo;; NORRIS, Pippa &ndash; <i>British By-Elections: The Volatile Electorate</i>. Oxford: Oxford University Press, 1990; ANDERSON, Christopher J.; WARD, Daniel S. &ndash; &laquo;Barometer elections in comparative perspective&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 15, N.&ordm; 4, 1996, pp. 447-460; VAN DER EIJK, Cees; FRANKLIN, Mark; MARSH, Michael &ndash; &laquo;What voters teach us about Europe-wide elections: what Europe-wide elections teach us about voters&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 15, N.&ordm; 2, 1996, pp. 149-166; VAN DER EIJK, Cees; FRANKLIN, Mark&ndash; <i>Choosing Europe? The European Electorate</i> <i>and National Politics in the Face of Union</i>. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1996; FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Second-order elections and electoral cycles in democratic Portugal&raquo;. In <i>South</i> <i>European Society and Politics</i>. Vol. 9, N.&ordm; 3, 2004, pp. 54-79; FORTES, Braulio G&oacute;mez; MAGALH&Atilde;ES, Pedro &ndash; &laquo;As elei&ccedil;&otilde;es presidenciais em sistemas semipresidenciais: participa&ccedil;&atilde;o eleitoral e puni&ccedil;&atilde;o dos governos&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Vol. 177, 2005, pp. 891-922; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;The European Parliament elections of June 2004: still second-order?&raquo;. In <i>West</i> <i>European Politics</i>. Vol. 28, N.&ordm; 3, 2005, pp. 650-679; KOEPKE, Jason. R.; RINGE, Nils &ndash; &laquo;The second-order election model in an enlarged Europe&raquo;. In <i>European Union Politics</i>. Vol. 7, N.&ordm; 3, 2006, pp. 321-346; HIX, Simon; MARSH, Michael &ndash; &laquo;Punishment or protest? Understanding European Parliament elections&raquo;. In <i>The Journal of Politics</i>. Vol. 69, N.&ordm; 2, 2007, pp. 495-510; HOBOLT, Sarah Binzer; WITTROCK, Jill &ndash; &laquo;The second-order election model revisited: an experimental test of vote choices in European Parliament elections&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 30, N.&ordm; 1, 2010, pp. 29-40.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt &ndash; &laquo;European Elections Monitoring Center&raquo;. In NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt, eds. &ndash; <i>2019 European Elections Campaing &ndash; Images, Topics, Media in the 28 Member States</i>. Roma: Universit&agrave; degli Studi di Roma Tre, 2019, pp. 14-30.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Sobre o aumento da participa&ccedil;&atilde;o dos jovens nas europeias de 2019: EUROPEAN PARLIAMENT &ndash; &laquo;2019 European elections: record turnout driven by young people&raquo; (Press release). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20190923IPR61602/2019-european-elections-record-turnout-driven-by-young-people" target="_blank">https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20190923IPR61602/2019-european-elections-record-turnout-driven-by-young-people</a>.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Ver o argumento relativo &agrave; capacidade mobilizadora do Brexit tamb&eacute;m em DE SIO, Lorenzo; RUSSO, Luana; FRANKLIN, Mark N. &ndash; &laquo;Explaining the outcome...&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> EMANUELE, Vincenzo; MARINO, Bruno &ndash; &laquo;Party system change in EU countries: long-term instability and cleavage restructuring&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark N.; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>, pp. 29-41.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> <i>Ibidem.</i></p>      ]]></body><back>
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<year>1996</year>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Explaining the outcome. Second-order factors still matter, but with an exceptional turnout increase]]></article-title>
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