<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992019000400002</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2019.64a02</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As eleições europeias de 2019 em Portugal: Um teste à «Geringonça»?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The 2019 European elections in Portugal: a trial to the “Geringonça” arrangement?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Serra-Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sofia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rã]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A2"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Duarte]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A2"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A2"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Instituto de Ciências Sociais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AA2">
<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Lisboa  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<numero>64</numero>
<fpage>15</fpage>
<lpage>32</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992019000400002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992019000400002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992019000400002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Em Portugal, as eleições para o Parlamento Europeu de 2019 foram particularmente interessantes. Decorreram apenas quatro meses antes das legislativas e por essa razão funcionaram como uma espécie de teste para a «Geringonça» ? para o Partido Socialista (PS) e os seus parceiros à esquerda ? mas também para a oposição. Neste artigo, refletimos brevemente sobre a natureza e as características das eleições europeias, apoiando-nos no modelo de eleições de segunda ordem. Seguindo uma perspetiva longitudinal, este artigo procura analisar as europeias à luz dos resultados de 2014, mas também comparando-as com as eleições legislativas de 2019 e 2015.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The 2019 European Parliament elections were especially interesting in Portugal. They took place four months before the Portuguese legislative election and for this reason they worked as a first-round test for the “contrapation” – for the Socialist Party (PS) and its partners in the left flank but also for the opposition. In this article we briefly discuss the nature and characteristics of the European elections, drawing on the predictability power of the second-order elections model. This article takes a longitudinal perspective, by comparing the European elections with the 2014 European contest and the legislative elections that took place in 2019 and in 2015.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[eleições europeias]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Portugal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[2019]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[partidos]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[European elections]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Portugal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[2019]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[parties]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS DE 2019 NA EUROPA DO SUL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 em Portugal: Um teste &agrave; &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo;?</b></p>     <p><b>The 2019 European elections in Portugal: a trial to the &ldquo;Geringon&ccedil;a&rdquo; arrangement?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sofia Serra-Silva*, Maria R&atilde;**, Duarte Ferreira e Lu&iacute;s Carvalho***</b></p>     <p>* ICS &ndash; ULisboa | Av. Prof. An&iacute;bal Bettencourt 9, 1600-189 Lisboa | <a href="mailto:sofia.silva@ics.ulisboa.pt">sofia.silva@ics.ulisboa.pt</a></p>     <p>** Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa | Estrada de Benfica 529, 1500-310 Lisboa | <a href="mailto:mariajf.ra@gmail.com">mariajf.ra@gmail.com</a></p>     <p>*** Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa | Estrada de Benfica 529, 1500-310 Lisboa | <a href="mailto:luis_carvalho345@hotmail.com">luis_carvalho345@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Em Portugal, as elei&ccedil;&otilde;es para o Parlamento Europeu de 2019 foram particularmente interessantes. Decorreram apenas quatro meses antes das legislativas e por essa raz&atilde;o funcionaram como uma esp&eacute;cie de teste para a &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo; ? para o Partido Socialista (PS) e os seus parceiros &agrave; esquerda ? mas tamb&eacute;m para a oposi&ccedil;&atilde;o. Neste artigo, refletimos brevemente sobre a natureza e as caracter&iacute;sticas das elei&ccedil;&otilde;es europeias, apoiando-nos no modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem. Seguindo uma perspetiva longitudinal, este artigo procura analisar as europeias &agrave; luz dos resultados de 2014, mas tamb&eacute;m comparando-as com as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2019 e 2015.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> elei&ccedil;&otilde;es europeias, Portugal, 2019, partidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The 2019 European Parliament elections were especially interesting in Portugal. They took place four months before the Portuguese legislative election and for this reason they worked as a first-round test for the &ldquo;contrapation&rdquo; &ndash; for the Socialist Party (PS) and its partners in the left flank but also for the opposition. In this article we briefly discuss the nature and characteristics of the European elections, drawing on the predictability power of the second-order elections model. This article takes a longitudinal perspective, by comparing the European elections with the 2014 European contest and the legislative elections that took place in 2019 and in 2015.</p>     <p><b>Keywords</b>: European elections, Portugal, 2019, parties.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de maio de 2019 realizaram-se em Portugal num contexto de estabilidade econ&oacute;mica e pol&iacute;tica. Nos &uacute;ltimos quatro anos, o pa&iacute;s tem sido considerado um caso de sucesso no contexto europeu<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Por um lado, virou a p&aacute;gina &agrave; crise econ&oacute;mica que obrigou o Governo socialista de Jos&eacute; S&oacute;crates a pedir assist&ecirc;ncia financeira internacional em 2011. A escolha de M&aacute;rio Centeno como presidente do Eurogrupo em dezembro de 2017 reflete tamb&eacute;m a trajet&oacute;ria bem-sucedida de Portugal. Por outro lado, ao contr&aacute;rio de outros, o sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s provou ser muito resiliente ao contexto econ&oacute;mico e financeiro adverso dos &uacute;ltimos anos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s tem sido tradicionalmente dominado por quatro partidos: o Partido Socialista (PS), no centro-esquerda; o Partido Social Democrata (PSD), no centro-direita; o Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP), &agrave; esquerda; e o CDS-Partido Popular (CDS-PP), na ala direita. Em 1999, o Bloco de Esquerda (BE) entrou para o parlamento e desde ent&atilde;o tem-se afirmado como uma for&ccedil;a relevante no espectro partid&aacute;rio. O panorama n&atilde;o mudou com a crise da d&iacute;vida soberana e a interven&ccedil;&atilde;o externa. A maior novidade ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2015, para al&eacute;m do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), foi o facto de os partidos de esquerda (e &laquo;Os Verdes&raquo;, parceiros de coliga&ccedil;&atilde;o do PCP) decidirem prestar apoio parlamentar ao PS, dando origem a uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica completamente inovadora desde o estabelecimento da democracia<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Esta solu&ccedil;&atilde;o, comummente chamada &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo;, teve como objetivo reverter as pol&iacute;ticas de austeridade e aumentar o consumo interno, mantendo a consolida&ccedil;&atilde;o fiscal e execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental controlada<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Desta forma, volvidos quatro anos deste modelo de governa&ccedil;&atilde;o, as elei&ccedil;&otilde;es europeias foram tamb&eacute;m uma avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho da &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo; e dos seus membros, sobretudo aqueles que costumavam ocupar o lugar de oposi&ccedil;&atilde;o permanente.</p>     <p>Apoiando-nos no modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, procuramos analisar de forma sistem&aacute;tica as elei&ccedil;&otilde;es europeias que tiveram lugar em Portugal em 2019, os momentos que as antecederam e os eventos posteriores. Come&ccedil;a-se por apresentar um breve enquadramento te&oacute;rico recorrendo &agrave; literatura que ao longo dos &uacute;ltimos anos tem debatido as elei&ccedil;&otilde;es europeias. Depois, descreve-se o sistema eleitoral usado nas europeias e o sistema partid&aacute;rio, caracterizando as velhas e as novas for&ccedil;as pol&iacute;ticas. De seguida, caracteriza-se a campanha eleitoral, identificando os temas centrais que a marcaram e o posicionamento ideol&oacute;gico dos partidos pol&iacute;ticos. Por fim, procuramos apresentar e discutir os resultados desta elei&ccedil;&atilde;o &agrave; luz dos resultados eleitorais passados, comparando-os tanto com os das elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem (legislativas de 2015 e 2019), como com os das &uacute;ltimas europeias (2014). Nas conclus&otilde;es, fazemos ainda uma &uacute;ltima an&aacute;lise aos resultados e padr&otilde;es encontrados, analisando a relev&acirc;ncia do modelo explicativo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem para compreend&ecirc;-los.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS EM PORTUGAL</b></p>     <p>As primeiras elei&ccedil;&otilde;es para o Parlamento Europeu (PE) em Portugal realizaram-se em junho de 1987, ap&oacute;s a ades&atilde;o &agrave;s Comunidades Europeias em 1986. Desde ent&atilde;o, as europeias t&ecirc;m sido descritas como elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, termo inicialmente proposto por Karlheinz Reif e Hermann Schmitt<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> com base em an&aacute;lises comparativas dos resultados das primeiras elei&ccedil;&otilde;es diretas para o PE (1979). As elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem s&atilde;o vota&ccedil;&otilde;es com menor import&acirc;ncia relativa para o funcionamento dos sistemas pol&iacute;ticos, nomeadamente porque n&atilde;o determinam quem governa diretamente e n&atilde;o afetam o jogo de poderes nacional. Para al&eacute;m disso, os temas em jogo, as campanhas dos partidos e as motiva&ccedil;&otilde;es dos eleitores est&atilde;o muitas vezes relacionados com quest&otilde;es que dizem respeito a outras elei&ccedil;&otilde;es e contextos, nomeadamente &agrave;s de primeira ordem<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Nas europeias, consideradas de segunda ordem por excel&ecirc;ncia, geralmente os eleitores participam muito menos, punem os incumbentes (sobretudo a meio do ciclo eleitoral nacional) e votam mais &laquo;com o cora&ccedil;&atilde;o&raquo; e menos &laquo;com a raz&atilde;o&raquo; (voto &uacute;til), nomeadamente escolhendo em maior propor&ccedil;&atilde;o os pequenos partidos<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Vejamos em detalhe alguns destes tra&ccedil;os caracter&iacute;sticos das elei&ccedil;&otilde;es europeias em Portugal.</p>     <p>A taxa de absten&ccedil;&atilde;o em elei&ccedil;&otilde;es europeias em Portugal tem, sistematicamente, rondado os 60% desde 1994, chegando v&aacute;rias vezes a ultrapassar este valor, como em 2019 (64,7%). Apenas na primeira elei&ccedil;&atilde;o europeia (1987), que decorreu em simult&acirc;neo com as elei&ccedil;&otilde;es legislativas, a taxa de absten&ccedil;&atilde;o foi modesta, ficando-se pelos 27,4%. Os n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido bastante mais baixos que a m&eacute;dia europeia<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, o que significa que, do ponto de vista da absten&ccedil;&atilde;o, em Portugal as elei&ccedil;&otilde;es europeias s&atilde;o ainda mais de segunda ordem do que noutros Estados-Membros<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Embora seja consensual entre os eleitores portugueses que &laquo;fazer parte da Uni&atilde;o Europeia &eacute; bom para Portugal&raquo;, as decis&otilde;es tomadas na Uni&atilde;o Europeia (UE) ainda s&atilde;o vistas por grande parte dos portugueses como n&atilde;o tendo particular impacto nas suas vidas, demonstrando estes ter grande desconhecimento das tem&aacute;ticas europeias, o que, por seu turno, tamb&eacute;m pode explicar a tend&ecirc;ncia abstencionista dos portugueses nas elei&ccedil;&otilde;es europeias<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>Em Portugal, os pequenos partidos tendem a obter melhores resultados nas elei&ccedil;&otilde;es europeias do que nas legislativas anteriores<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. S&atilde;o beneficiados por esta tend&ecirc;ncia partidos como o CDS-PP, o BE e a CDU, e novos partidos acabam por ter maiores probabilidades de sucesso nas elei&ccedil;&otilde;es europeias do que em qualquer outra elei&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, nas europeias de 2014, o Partido da Terra (MPT) conseguiu pela primeira vez eleger dois eurodeputados. J&aacute; os maiores partidos, PSD e PS, frequentemente s&atilde;o punidos, especialmente o que estiver no governo. Esta tend&ecirc;ncia &eacute; sobretudo observada quando as elei&ccedil;&otilde;es europeias decorrem a meio do ciclo pol&iacute;tico dom&eacute;stico<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. O modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem tem sido bastante resiliente, mesmo em contextos de grave crise econ&oacute;mica, pol&iacute;ticas de austeridade e politiza&ccedil;&atilde;o da Europa. Esta resili&ecirc;ncia resulta da incompatibilidade das quest&otilde;es da UE entre o lado da procura (potencial crescente do cidad&atilde;o para contesta&ccedil;&atilde;o) e o lado da oferta (baixa politiza&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es da UE ao n&iacute;vel partid&aacute;rio, especialmente entre os dois maiores partidos portugueses)<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SISTEMA ELEITORAL E PROTAGONISTAS DAS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES DE 2019</b></p>     <p>O sistema eleitoral das elei&ccedil;&otilde;es europeias considera todo o territ&oacute;rio nacional como um &uacute;nico c&iacute;rculo eleitoral, o que significa que os cidad&atilde;os votam nas mesmas listas de candidatos, independentemente do lugar onde residam. O n&uacute;mero de eurodeputados eleitos por cada pa&iacute;s obedece &agrave; proporcionalidade degressiva: os pa&iacute;ses mais populosos t&ecirc;m menos representantes no PE e os pa&iacute;ses menos populosos t&ecirc;m mais representantes do que se fosse aplicada a regra da proporcionalidade simples. A proporcionalidade degressiva resulta numa gradual sobrerrepresenta&ccedil;&atilde;o &agrave; medida que a popula&ccedil;&atilde;o diminui de modo a conseguir uma melhor e mais equitativa representa&ccedil;&atilde;o dos pequenos Estados-Membros. Atualmente, Portugal elege 21 deputados. Seguindo um modelo de representa&ccedil;&atilde;o proporcional, a convers&atilde;o dos votos em mandatos &eacute; feita atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo D&rsquo;Hondt<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Pode-se dizer que o sistema eleitoral para o PE beneficia principalmente os pequenos e m&eacute;dios partidos, &laquo;porque requer menos recursos para campanhas eleitorais, disputadas num &uacute;nico c&iacute;rculo eleitoral&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> e tamb&eacute;m porque a magnitude eleitoral do c&iacute;rculo eleitoral &eacute; mais elevada que a magnitude m&eacute;dia dos 22 c&iacute;rculos eleitorais para as elei&ccedil;&otilde;es legislativas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 em Portugal contaram com o maior n&uacute;mero de for&ccedil;as pol&iacute;ticas a competir desde a primeira elei&ccedil;&atilde;o (1987): no dia 26 de maio, os eleitores encontraram 17 partidos/coliga&ccedil;&otilde;es no boletim de voto (mais um que na anterior elei&ccedil;&atilde;o). Destes, seis participavam pela primeira vez em elei&ccedil;&otilde;es europeias: o Alian&ccedil;a, a coliga&ccedil;&atilde;o Basta!, o Iniciativa Liberal (IL), o N&oacute;s, Cidad&atilde;os! (NC), o Partido Democr&aacute;tico Republicano (PDR) e o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP). Outros seis, bem conhecidos do eleitorado e com representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nacional, bem como cinco pequenas for&ccedil;as pol&iacute;ticas com alguma experi&ecirc;ncia eleitoral, em linhas gerais pouco bem-sucedida, apresentaram-se igualmente a elei&ccedil;&otilde;es. Na <a href="#t1">Tabela 1</a>, apresenta-se informa&ccedil;&atilde;o detalhada sobre todos os partidos que concorreram &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es europeias.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n64/n64a02t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Foram v&aacute;rios os novos partidos a tentar ganhar espa&ccedil;o na ala direita do espectro pol&iacute;tico-partid&aacute;rio. O Alian&ccedil;a destaca-se gra&ccedil;as ao peso pol&iacute;tico do seu fundador, o antigo primeiro-ministro social-democrata Pedro Santana Lopes. O partido ambicionava desempenhar melhor o papel de oposi&ccedil;&atilde;o de direita que um PSD liderado por Rui Rio, tentando chegar sobretudo ao eleitorado social-democrata. Independentemente dos resultados, a mera exist&ecirc;ncia do Alian&ccedil;a significa uma fragmenta&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s na ala direita do espectro pol&iacute;tico<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Tamb&eacute;m &agrave; direita, mas no extremo do espectro, encontra-se a coliga&ccedil;&atilde;o Basta!, que re&uacute;ne os partidos Chega, Partido Popular Mon&aacute;rquico (PPM) e Partido Cidadania e Democracia Crist&atilde; (PPV/CDC) e o movimento Democracia 21. A coliga&ccedil;&atilde;o teve como cabe&ccedil;a de lista Andr&eacute; Ventura, fundador do Chega e tamb&eacute;m ele um ex-membro do PSD, tendo sido o candidato social-democrata &agrave; C&acirc;mara de Loures em 2017. J&aacute; o IL, de matriz liberal em mat&eacute;rias econ&oacute;micas e sociais, foi fundado em 2017, tendo concorrido pela primeira vez nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019, com o economista Ricardo Arroja como cabe&ccedil;a de lista.</p>     <p>No centro do espectro esquerda-direita encontra-se o PDR, fundado por Ant&oacute;nio Marinho e Pinto, eurodeputado entre 2014 e 2019 pelo Partido da Terra (MPT), que abandonou em 2015. Nesse mesmo ano, o PDR foi fundado e legalizado junto do Tribunal Constitucional.</p>     <p>Finalmente, apresentaram-se &agrave;s europeias dois partidos que, embora n&atilde;o sejam completamente novatos no jogo eleitoral, nunca tinham participado neste tipo de elei&ccedil;&atilde;o. Tanto o NC como o PURP obtiveram fracos resultados nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas e aut&aacute;rquicas passadas. O NC apresenta-se agora com Paulo Morais, candidato independente &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2016, como cabe&ccedil;a de lista. J&aacute; o PURP nasceu para defender os interesses dos reformados, com Fernando Loureiro como principal candidato.</p>     <p>Tamb&eacute;m outros pequenos partidos &ndash; Livre, Partido Nacional Renovador (PNR), Partido Trabalhista Portugu&ecirc;s (PTP), Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses-Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCPT-MRPP), e Movimento Alternativa Socialista (MAS) &ndash; procuraram mais uma vez eleger um eurodeputado, face aos resultados insuficientes que obtiveram nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CAMPANHA ELEITORAL</b></p>     <p>A campanha eleitoral oficial decorreu entre os dias 13 e 24 de maio. Durante este per&iacute;odo, assim como nos meses antecedentes, os partidos e os seus candidatos desdobraram-se em arruadas, eventos, entrevistas, debates televisivos e com&iacute;cios pol&iacute;ticos. As principais for&ccedil;as pol&iacute;ticas debateram entre si em todas as esta&ccedil;&otilde;es televisivas, mas apenas a RTP deu espa&ccedil;o aos partidos sem representa&ccedil;&atilde;o parlamentar. Consequentemente, o Livre e o Alian&ccedil;a apresentaram queixas &agrave; Comiss&atilde;o Nacional de Elei&ccedil;&otilde;es exigindo igualdade de oportunidades e tratamento<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao contr&aacute;rio da elei&ccedil;&atilde;o de 2014, ano em que Portugal saiu do programa de resgate financeiro, mas v&aacute;rias medidas de austeridade ainda se sentiam, a campanha eleitoral de 2019 decorreu num clima de crescimento econ&oacute;mico, paz social e relativa estabilidade pol&iacute;tica. Os elogios de institui&ccedil;&otilde;es financeiras como o FMI que apontaram Portugal como o &laquo;bom aluno da Europa&raquo; foram usados como trunfo pela governa&ccedil;&atilde;o socialista no decorrer da campanha<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. No primeiro trimestre de 2019, o PIB de Portugal cresceu em termos reais pelo vig&eacute;simo segundo trimestre consecutivo. Tamb&eacute;m a taxa de desemprego tem mantido uma trajet&oacute;ria de decr&eacute;scimo, fixando-se nos 6,8% no primeiro trimestre de 2019, menos de metade dos 17,7% registados no per&iacute;odo hom&oacute;logo de 2013<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Inevitavelmente, a boa conjuntura econ&oacute;mica que o pa&iacute;s atravessava marcou o debate durante a campanha eleitoral, a par de outras tem&aacute;ticas. Por um lado, os partidos que formavam a &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo; procuraram atribuir a si os louros da melhoria econ&oacute;mica; por outro, PSD e CDS-PP atribu&iacute;ram os bons indicadores econ&oacute;micos &agrave;s pol&iacute;ticas de austeridade aplicadas no passado e &agrave; prosperidade econ&oacute;mica internacional. A direita defendeu que o crescimento econ&oacute;mico poderia ser maior, enquanto os parceiros do Governo socialista (BE e PCP) criticaram o facto de os resultados do d&eacute;fice terem sido apenas alcan&ccedil;ados devido &agrave;s sucessivas cativa&ccedil;&otilde;es feitas pelo ministro das Finan&ccedil;as, M&aacute;rio Centeno, &agrave; custa dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos. Na mesma linha, Paulo Rangel, cabe&ccedil;a de lista do PSD, declarou que &laquo;o governo socialista merecia um cart&atilde;o amarelo&raquo;, criticando duramente o mau funcionamento do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, chegando a pedir a demiss&atilde;o da ministra da Sa&uacute;de<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>A campanha foi tamb&eacute;m condicionada por uma surpreendente, ainda que breve, crise pol&iacute;tica no in&iacute;cio de maio. O primeiro-ministro Ant&oacute;nio Costa amea&ccedil;ou que se demitia se a direita viabilizasse uma proposta de lei apresentada pela esquerda que repunha o tempo de servi&ccedil;o da carreira dos professores que fora congelado. A crise durou apenas uma semana (o decreto acabou por n&atilde;o ser viabilizado pela direita), mas foi o suficiente para impulsionar a imagem do PS como partido est&aacute;vel e coerente e minar a imagem dos partidos &agrave; sua direita. Al&eacute;m disso, eliminou qualquer pretens&atilde;o de discutir quest&otilde;es relacionadas com a Europa durante a campanha<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>Em Portugal, as campanhas eleitorais para o PE t&ecirc;m sido substancialmente centradas em quest&otilde;es nacionais, especialmente as relacionadas com a avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho do governo em fun&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. A este respeito, a campanha de 2019 n&atilde;o foi exce&ccedil;&atilde;o. Foram sobretudo os grandes temas nacionais, como a economia, a sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o, que moldaram o debate, embora nos seus programas eleitorais os partidos tivessem necessariamente abordado temas de cariz europeu (alguns mais que outros). Por exemplo, no seu programa, o PSD op&ocirc;s-se fortemente a todas as medidas que retirassem soberania pol&iacute;tica e econ&oacute;mica &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es nacionais, negando apoio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma Europa federal e &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de impostos europeus, mas nas suas interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas estes temas n&atilde;o tiveram visibilidade. As mat&eacute;rias de seguran&ccedil;a e controlo das fronteiras externas da Uni&atilde;o para responder aos fluxos migrat&oacute;rios causados pela instabilidade no M&eacute;dio Oriente foram tamb&eacute;m inclu&iacute;dos nos programas eleitorais tanto do PSD como do PS, mas estiveram pouco presentes durante a campanha eleitoral.</p>     <p>A campanha eleitoral acabou por fazer, na verdade, destas europeias a primeira ronda das elei&ccedil;&otilde;es legislativas marcadas para 6 de outubro. O cabe&ccedil;a de lista socialista, Pedro Marques, fez parte da sua campanha sustentado nas conquistas da governa&ccedil;&atilde;o socialista. Ant&oacute;nio Costa, em diversas ocasi&otilde;es, juntou-se &agrave; campanha e destacou os feitos da sua governa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m &agrave; esquerda do PS, tanto o BE como a CDU fizeram campanha assente nas suas conquistas pol&iacute;ticas alcan&ccedil;adas durante a legislatura em negocia&ccedil;&atilde;o com o governo, como a implementa&ccedil;&atilde;o dos novos passes de transporte a pre&ccedil;o mais reduzido, medida em vigor desde abril de 2019, proposta pelo BE. A campanha eleitoral do BE foi tamb&eacute;m alicer&ccedil;ada no carisma de Marisa Matias, que n&atilde;o poupou cr&iacute;ticas &agrave; elite pol&iacute;tica europeia, em particular a Dur&atilde;o Barroso, ex-presidente da Comiss&atilde;o Europeia. Tamb&eacute;m a CDU criticou as institui&ccedil;&otilde;es europeias, embora se tenha distanciado da sua posi&ccedil;&atilde;o tradicional mais euroc&eacute;tica, mas n&atilde;o deixando de apontar o dedo &agrave; incapacidade de o sistema da moeda &uacute;nica melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida dos portugueses<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Apesar da pouca sali&ecirc;ncia das quest&otilde;es europeias, dois t&oacute;picos amplamente debatidos durante a campanha est&atilde;o associados &agrave; UE. O primeiro foi o meio ambiente e o combate &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, colocado na agenda sobretudo pelo PAN e pelo Livre. Em rela&ccedil;&atilde;o a este t&oacute;pico, todos os partidos concordaram em incentivar a implementa&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas mais sustent&aacute;veis na vida quotidiana<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. O segundo tema foi o uso de fundos europeus para impulsionar a moderniza&ccedil;&atilde;o (especialmente nas regi&otilde;es do interior) e refor&ccedil;ar as pol&iacute;ticas de bem-estar. Ambos os temas podem ser considerados como quest&otilde;es de val&ecirc;ncia, uma vez que n&atilde;o se verificaram diferen&ccedil;as significativas entre os partidos<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>A aplica&ccedil;&atilde;o de apoio ao voto (<i>voting advice application</i>) &laquo;euandi2019&raquo;, preparada por uma equipa pan-europeia de cientistas pol&iacute;ticos, ajuda-nos a visualizar o posicionamento dos partidos num conjunto diversificado de temas durante a campanha para as elei&ccedil;&otilde;es de 2019. Com base no conte&uacute;do dos programas eleitorais e outra documenta&ccedil;&atilde;o oficial, os partidos foram posicionados em duas dimens&otilde;es ortogonais: uma dimens&atilde;o econ&oacute;mica, que op&otilde;e a esquerda &agrave; direita (que se traduz acima de tudo em prefer&ecirc;ncias sobre o papel do Estado na economia); e uma dimens&atilde;o cultural, que op&otilde;e os extremos liberal/pr&oacute;-UE e conservador/anti-UE (incluindo posi&ccedil;&otilde;es sobre estilo de vida, pol&iacute;tica externa, euro). Os crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o levaram &agrave; inclus&atilde;o dos partidos que est&atilde;o no parlamento nacional ou europeu e daqueles que, com base nos resultados das &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es europeias ou das sondagens dispon&iacute;veis, poderiam vir a ter um resultado superior a 1%.</p>     <p>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise da <a href="#f1">Figura 1</a> constata-se que a coliga&ccedil;&atilde;o Basta e o PCTP-MRPP s&atilde;o os partidos mais afastados do projeto europeu, no quadrante da direita e esquerda, respetivamente. Junto do ponto em que os dois eixos se cruzam, numa posi&ccedil;&atilde;o central, temos a Alian&ccedil;a. Interessante facto, dado que o partido fundado pelo ex-l&iacute;der do PSD foi recorrentemente apresentado como neoliberal e em certa medida euroc&eacute;tico, a competir diretamente com o PSD<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> e usando at&eacute; a express&atilde;o &laquo;&agrave;s direitas&raquo; nos seus <i>outdoors</i>. Aparentemente, o partido &eacute; programaticamente mais centrista que o PSD, como demonstra a <a href="#f1">Figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n64/n64a02f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda sobre a figura, observa-se que o espectro da esquerda apresenta tanto op&ccedil;&otilde;es euroentusiastas como euroc&eacute;ticas. Salienta-se que o quadrante da esquerda liberal pr&oacute;-UE tem bastante competi&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria, com pequenos e novos competidores como o Livre e o PAN a concorrer no mesmo espa&ccedil;o pol&iacute;tico que o PS, e em certa medida com o BE. J&aacute; a direita parece oferecer menos op&ccedil;&otilde;es ao eleitorado. A figura revela uma total aus&ecirc;ncia de oferta partid&aacute;ria de direita liberal europe&iacute;sta. Ao contr&aacute;rio, v&aacute;rios partidos dividem o espa&ccedil;o pol&iacute;tico da direita conservadora/euroc&eacute;tica, como a coliga&ccedil;&atilde;o Basta!, e, de forma menos vincada, o PSD e o CDS-PP.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>O vencedor das europeias de 2019 foi o PS que, apesar de n&atilde;o ter obtido um resultado estrondoso (33,4%), acabou por ver refor&ccedil;ada a sua posi&ccedil;&atilde;o no PE, com nove assentos. Os resultados dos socialistas significam n&atilde;o s&oacute; um ligeiro aumento do n&uacute;mero de eurodeputados eleitos (mais um que em 2014) como tamb&eacute;m em termos de percentagem de voto (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a> e <a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a>).</p>     
<p>Continuando &agrave; esquerda, o BE viu a sua presen&ccedil;a como terceira for&ccedil;a pol&iacute;tica do pa&iacute;s consolidar-se, alcan&ccedil;ando aquele que foi o seu segundo melhor resultado de sempre, com dois eurodeputados eleitos. Foi principalmente nas regi&otilde;es Centro e Sul que este partido conseguiu n&uacute;meros mais expressivos, destacando-se os distritos de Coimbra e Faro, como a <a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a> demonstra. J&aacute; em sentido contr&aacute;rio seguiu a CDU, que acabou por perder um mandato, obtendo o seu pior resultado de sempre quer em termos percentuais, quer em termos do n&uacute;mero total de votos em europeias. Apenas na regi&atilde;o do Alentejo, nomeadamente em &Eacute;vora e em Beja, esta tend&ecirc;ncia n&atilde;o se observou, tendo a CDU obtido resultados particularmente bons, ocupando o lugar de segunda for&ccedil;a pol&iacute;tica em ambos, como normalmente acontece (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a> e <a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a>).</p>     
<p>Considerados como os grandes perdedores da noite, PSD e CDS-PP obtiveram resultados n&atilde;o muito diferentes dos das europeias de 2014, mas, tendo em considera&ccedil;&atilde;o a sua atual posi&ccedil;&atilde;o na dicotomia incumbente/oposi&ccedil;&atilde;o, estes n&uacute;meros representaram agora um mau resultado para os dois partidos. O PSD elegeu menos tr&ecirc;s eurodeputados que o PS, enquanto o CDS-PP alcan&ccedil;ou o mesmo n&uacute;mero de mandatos que o PAN (apenas um). Ao n&iacute;vel nacional, os melhores n&uacute;meros do partido liderado por Rui Rio foram conquistados a norte do Tejo; j&aacute; o CDS-PP apresentou uma distribui&ccedil;&atilde;o mais d&iacute;spar, mas o seu melhor resultado foi curiosamente na Madeira, onde s&oacute; foi superado por PSD e PS (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t2.jpg" target="_blank">Tabelas 2</a> e <a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a>).</p>     
<p>O PAN foi um dos destaques da noite eleitoral de 26 de maio. O partido, que entrou na Assembleia da Rep&uacute;blica em 2015, assegurou pela primeira vez um mandato no pe. A sua melhor presta&ccedil;&atilde;o deu-se no distrito de Lisboa, onde alcan&ccedil;ou 6,8% dos votos. Quanto aos pequenos partidos, embora os seus resultados tenham sido pouco expressivos &ndash; dado que nenhum conseguiu um mandato &ndash; o Alian&ccedil;a, o Livre e a coliga&ccedil;&atilde;o Basta! (pr&oacute;ximos dos dois pontos percentuais) destacaram-se como partidos que poderiam vir a eleger deputados em outubro, nomeadamente nos c&iacute;rculos eleitorais de maior magnitude (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t2.jpg" target="_blank">Tabelas 2</a> e <a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a>).</p>     
<p>Por fim, confirmando a prescri&ccedil;&atilde;o do modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, a absten&ccedil;&atilde;o eleitoral foi consider&aacute;vel (69,3%), atingindo o valor mais alto de sempre em Portugal e sendo a maior entre os Estados-Membros da UE. A absten&ccedil;&atilde;o foi sobretudo elevada em regi&otilde;es do pa&iacute;s caracterizadas por envelhecimento demogr&aacute;fico e baixos n&iacute;veis de escolariza&ccedil;&atilde;o, como nos A&ccedil;ores, onde atingiu 81,3% (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t2.jpg" target="_blank">Tabelas 2</a>). Contudo, se retirarmos da equa&ccedil;&atilde;o a vota&ccedil;&atilde;o de portugueses no estrangeiro, a absten&ccedil;&atilde;o, na verdade, desceu ligeiramente face &agrave;s &uacute;ltimas europeias. Em termos percentuais, atingiu os 64,7% em territ&oacute;rio nacional, face aos 65,3% de 2014; e, em termos absolutos, houve inclusive um aumento de quase 22 mil votos, num cen&aacute;rio em que, devido ao recenseamento autom&aacute;tico, os cadernos eleitorais perderam 113 mil inscritos em territ&oacute;rio portugu&ecirc;s e o n&uacute;mero de inscritos no estrangeiro aumentou significativamente. Independentemente disto, a participa&ccedil;&atilde;o eleitoral nas europeias foi substancialmente baixa, merecendo grande destaque por parte de todos os partidos nas suas rea&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-eleitorais.</p>     
<p>Ao contr&aacute;rio da tend&ecirc;ncia esperada em elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, em que normalmente os partidos de governo saem penalizados, o PS n&atilde;o teve um mau resultado: consolidou a sua posi&ccedil;&atilde;o no PE, aumentando a percentagem de votos obtidos face a 2014 (passando de 31,5% para 33,4%) e consequentemente o n&uacute;mero de deputados eleitos, que passou de oito para nove. Mais importante, em compara&ccedil;&atilde;o com as legislativas de 2015, os resultados dos socialistas tamb&eacute;m s&atilde;o ligeiramente superiores em termos percentuais (embora n&atilde;o em termos de n&uacute;mero de votos, o que se deve &agrave; baix&iacute;ssima participa&ccedil;&atilde;o). A sua presta&ccedil;&atilde;o nas europeias de 2019 acabou por ser superada pela das legislativas deste ano, em que conseguiram conquistar 36,7% dos votos (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a02t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a>).</p>     
<p>Relativamente aos pequenos partidos, dois padr&otilde;es antag&oacute;nicos. Por um lado, o BE conseguiu duplicar o seu n&uacute;mero de deputados ao PE, atrav&eacute;s de um substancial aumento face a 2014 (de 4,6% para 9,8%), mas se olharmos para os resultados das legislativas de 2015 vemos uma estagna&ccedil;&atilde;o em termos de propor&ccedil;&atilde;o de prefer&ecirc;ncias expressas. Por outro lado, a CDU ficou muito atr&aacute;s dos resultados de 2014 e de 2015, vendo a sua percentagem de votos reduzir-se visivelmente. Parece assim que o BE, mas acima de tudo a CDU, sa&iacute;ram das europeias penalizados pela sua participa&ccedil;&atilde;o na solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos &uacute;ltimos quatro anos, que permitiu que o PS governasse estavelmente entre 2015 e 2019. A expetativa te&oacute;rica de base era que ambos os partidos melhorassem os seus resultados eleitorais face a 2015, e isto claramente n&atilde;o &eacute; observado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; &agrave; direita, tanto o PSD como o CDS-PP &ndash; que nas anteriores europeias tinham formado a coliga&ccedil;&atilde;o Alian&ccedil;a Portugal (AP) &ndash; acabaram por atingir resultados n&atilde;o muito diferentes dos de 2014, tanto em termos percentuais como de assentos parlamentares. Embora os partidos tenham concorrido separadamente nas europeias de 2019, e por isso seja dif&iacute;cil avaliar o seu desempenho comparativamente a 2014, podemos observar que ambos sa&iacute;ram derrotados na noite eleitoral de 26 de maio. De real&ccedil;ar, igualmente, que face &agrave;s legislativas de 2015 &ndash; onde os dois partidos voltaram a concorrer coligados, desta vez com a designa&ccedil;&atilde;o Portugal &agrave; Frente (P&agrave;F) &ndash; os resultados obtidos foram significativamente mais baixos.</p>     <p>Finalmente, o PAN conseguiu atingir um resultado muito superior &agrave;queles que alcan&ccedil;ou tanto em 2015 como em 2014. Com um aumento de 1,7% para 5,1%, conseguiu eleger pela primeira vez um deputado para o pe. Como j&aacute; mencionado, as europeias s&atilde;o o palco perfeito para novidades desta natureza. Em 2014, o MPT tamb&eacute;m surpreendera o pa&iacute;s ao eleger dois eurodeputados pela primeira vez, n&atilde;o tendo qualquer representa&ccedil;&atilde;o parlamentar at&eacute; ent&atilde;o. Contudo, este feito deveu-se muito ao mediatismo do seu cabe&ccedil;a de lista. Contrariamente, o PAN tem demonstrado consistentemente que n&atilde;o se configura apenas como um fen&oacute;meno espor&aacute;dico, dado o seu crescimento constante nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES </b></p>     <p>Algumas das expetativas relativas aos tra&ccedil;os caracterizadores das elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem foram modestamente cumpridas nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 em Portugal. Outras nem tanto. As elei&ccedil;&otilde;es decorreram a apenas quatro meses das elei&ccedil;&otilde;es legislativas, o que tamb&eacute;m imprimiu algumas particularidades no jogo pol&iacute;tico.</p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem representam penaliza&ccedil;&otilde;es para os maiores partidos (especialmente o incumbente) e recompensas para os pequenos partidos, que costumam ganhar relev&acirc;ncia eleitoral face &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es legislativas. Contudo, esta tend&ecirc;ncia n&atilde;o se verificou na totalidade nas europeias de 2019. Por um lado, nem todos os partidos pequenos e de m&eacute;dia dimens&atilde;o ganharam express&atilde;o eleitoral. Apesar de o BE ter tido o segundo melhor resultado de sempre em europeias, perdeu votos e estagnou em termos percentuais face a 2015, enquanto a CDU perdeu f&ocirc;lego. Foi acima de tudo o PAN a aumentar substancialmente o seu apoio eleitoral, enquanto os restantes novos e/ou pequenos partidos passaram de valer cerca de 5% em 2015 para quase 10% em maio de 2019. Por outro, o PS ganhou mais um mandato do que em 2014, ficando assim perto do hist&oacute;rico resultado de 1994. Apesar de n&atilde;o ser um resultado estrondoso, os 33,4% assegurados pelo PS &ndash; um ponto percentual acima dos resultados de 2015 e quase 12 acima dos do PSD nas europeias &ndash; colocaram-no numa posi&ccedil;&atilde;o confort&aacute;vel para as elei&ccedil;&otilde;es legislativas, que acabou efetivamente por vencer a 6 de outubro de 2019, com 36,7% dos votos.</p>     <p>Assim, nestas elei&ccedil;&otilde;es nem o partido incumbente (PS) sofreu penaliza&ccedil;&otilde;es, nem todos os principais pequenos e m&eacute;dios partidos/coliga&ccedil;&otilde;es (CDS-PP, CDU, BE e PAN) sa&iacute;ram beneficiados como expect&aacute;vel. Desta forma, o modelo explicativo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem volta a n&atilde;o aderir na totalidade &agrave; realidade eleitoral portuguesa, n&atilde;o sendo, de resto, a primeira vez que tal acontece<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Em Portugal, como noutras democracias, as elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem servem para manifestar o descontentamento eleitoral com governos nacionais. Portanto, perdas no apoio eleitoral aos governos nacionais entre elei&ccedil;&otilde;es de primeira e segunda ordem est&atilde;o dependentes n&atilde;o s&oacute; da popularidade do governo, mas tamb&eacute;m das condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas. Dada a boa conjuntura econ&oacute;mica nacional e internacional nos &uacute;ltimos momentos, a par da relativa popularidade do Governo socialista (sobretudo do ministro das Finan&ccedil;as, M&aacute;rio Centeno)<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>, &eacute; poss&iacute;vel explicar o resultado do PS nas elei&ccedil;&otilde;es europeias. Al&eacute;m disso, o aumento do peso agregado dos partidos muito pequenos, a reduzida sali&ecirc;ncia de assuntos europeus durante a campanha e a elevada taxa de absten&ccedil;&atilde;o eleitoral, caracter&iacute;sticos de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, revelam que o modelo tem alguma capacidade preditiva.</p>     <p>A quatro meses das legislativas, as europeias foram uma esp&eacute;cie de teste para a &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo;. A CDU, que, a par do BE, teve um papel essencial na cria&ccedil;&atilde;o da &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo;, foi o parceiro mais penalizado da solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica encontrada em 2015. O mesmo veio a repetir-se nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas, com a afirma&ccedil;&atilde;o do BE como terceira for&ccedil;a pol&iacute;tica e a CDU saindo, mais uma vez, sancionada pela sua participa&ccedil;&atilde;o na &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo; e o apoio dado aos socialistas.</p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias anteciparam o que as legislativas, volvidos quatro meses, acabaram por confirmar: o sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s, caracterizado pela sua estabilidade, deu mais alguns sinais de mudan&ccedil;a. As elei&ccedil;&otilde;es europeias funcionaram como uma incubadora para os novos pequenos partidos que ficaram perto de eleger um eurodeputado, e pouco depois, nas legislativas, conseguiram finalmente entrar no Parlamento nacional. Estas novas for&ccedil;as pol&iacute;ticas, quer &agrave; esquerda quer &agrave; direita do espectro pol&iacute;tico, podem significar reorganiza&ccedil;&otilde;es em ambos os quadrantes pol&iacute;ticos e at&eacute; realinhamentos eleitorais no futuro. Apesar da alarmante taxa de absten&ccedil;&atilde;o, a entrada de novas for&ccedil;as pol&iacute;ticas no Parlamento deve ser entendida como um sinal de vitalidade da cidadania da sociedade portuguesa, assim como uma forte mensagem para os partidos instalados e do arco da governa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>FERNANDES, Jorge; MAGALH&Atilde;ES, P.; SANTANA-PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; &laquo;Portugal&rsquo;s leftist government: from sick man to poster boy?&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 23, N.&ordm; 4, 2018. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/13608746.2018.1525914" target="_blank">10.1080/13608746.2018.1525914</a>.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Second-order elections and electoral cycles in democratic Portugal&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 9, N.&ordm; 3, 2004, pp. 54-79. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/1360874042000271861" target="_blank">10.1080/1360874042000271861</a>.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;As elei&ccedil;&otilde;es europeias em Portugal&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 6, 2005, pp. 119-125.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem e ciclos eleitorais no Portugal democr&aacute;tico, 1975-2004&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Vol. 40, N.&ordm; 177, 2005, pp. 815-846.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;European integration and party attachments: the Portuguese case as an example of new democracies&raquo;. In TEIXEIRA, Nuno; PINTO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; <i>The</i> <i>Europeanization of Portuguese Democracy</i>. Nova York: Columbia University Press, 2012, pp. 183-224.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute;; SANTANA-PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; &laquo;More second-order than ever? The 2014 European Election in Portugal&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2015, pp. 381-401. doi:<a href="http://dx.doi.org/10.1080/13608746.2015.1076593" target="_blank">10.1080/13608746.2015.1076593</a>.</p>     <p>FREIRE, Andr&eacute;; TEPEROGLOU, Eftichia &ndash; &laquo;European elections and national politics: lessons from the &ldquo;new&rdquo; Southern European democracies&rsquo;&raquo;. In <i>Journal of Elections, Public</i> <i>Opinion and Parties</i>. Vol. 17, N.&ordm; 1, 2007, pp. 101-122. doi:<a href="http://dx.doi.org/10.1080/13689880601148709" target="_blank">10.1080/13689880601148709</a>.</p>     <p>JALALI, Carlos; SILVA, Tiago &ndash; &laquo;Everyone ignores Europe? Party campaigns and media coverage in the 2009 European Parliament elections&raquo;. In MAIER, Michaela; STR&Ouml;MB&Auml;CK, Jesper, eds. &ndash; <i>Political Communication in European Parliamentary Elections</i>. Londres: Routledge, 2011, pp. 111-127.</p>     <p>LISI, Marco &ndash; &laquo;U-Turn: the Portuguese radical left from marginality to government support&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 21, N.&ordm; 4, 2016, pp. 1-20.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>LISI, Marco &ndash; &laquo;Portugal: defeat for the right, challenges for the left&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>. Roma: Luiss University Press, 2019, pp. 225-230.</p>     <p>&laquo;LIVRE e Alian&ccedil;a queixam-se &agrave; CNE por &ldquo;discrimina&ccedil;&atilde;o&rdquo; nos debates televisivos&raquo;. In <i>P&uacute;blico</i>. 1 de maio de 2019. (Consultado em: 14 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.publico.pt/2019/05/01/politica/noticia/livre-apresenta-queixa-cne-discriminacao-debates-televisivos-1871092" target="_blank">https://www.publico.pt/2019/05/01/politica/noticia/livre-apresenta-queixa-cne-discriminacao-debates-televisivos-1871092</a>.</p>     <p>LOBO, Marina Costa &ndash; &laquo;Still second-order? European Parliament elections in Portugal&raquo;. In PINTO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; <i>Contemporary Portugal: Politics, Society and Culture</i>. Boulder: Columbia University Press, 2011, pp. 249-273.</p>     <p>&laquo;PAULO Rangel apela ao voto para &ldquo;dar uma li&ccedil;&atilde;o&rdquo; a Ant&oacute;nio Costa&raquo;. <i>TVI24</i>. 12 de maio de 2019. (Consultado em: 21 de setembro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://tvi24.iol.pt/politica/europeias/paulo-rangel-apela-ao-voto-para-dar-uma-licao-a-antonio-costa" target="_blank">https://tvi24.iol.pt/politica/europeias/paulo-rangel-apela-ao-voto-para-dar-uma-licao-a-antonio-costa</a>.</p>     <p>REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 1980. doi:<a href="http://dx.doi.org/10.1111/j.1475-6765.1980.tb00737.x" target="_blank">10.1111/j.1475-6765.1980.tb00737.x</a>.</p>     <p>TEIXEIRA, Nuno Severiano; PINTO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; <i>A Europeiza&ccedil;&atilde;o da Democracia Portuguesa</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2017.</p>     <p>&laquo;VICE-DIRETOR do FMI diz que &ldquo;Geringon&ccedil;a&rdquo; &eacute; li&ccedil;&atilde;o para Europa e para Mundo&raquo;. In <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>. 25 de mar&ccedil;o de 2019. (Consultado em: 15 de setembro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.jn.pt/economia/interior/vice-diretor-do-fmi-diz-que-geringonca-e-licao-para-europa-e-para-mundo-10721756.html" target="_blank">https://www.jn.pt/economia/interior/vice-diretor-do-fmi-diz-que-geringonca-e-licao-para-europa-e-para-mundo-10721756.html</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 15 de setembro de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 21 de outubro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> FERNANDES, Jorge; MAGALH&Atilde;ES, P.; SANTANA-PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; &laquo;Portugal&rsquo;s leftist government: from sick man to poster boy?&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 23, N.&ordm; 4, 2018. doi: <a href="http://dx.doi.org/10.1080/13608746.2018.1525914" target="_blank">10.1080/13608746.2018.1525914</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> LISI, Marco &ndash; &laquo;Portugal: defeat for the right, challenges for the left&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections</i> <i>of 2019</i>. Roma: Luiss University Press, 2019, pp. 225-230.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> LISI, Marco &ndash; &laquo;U-Turn: the Portuguese radical left from marginality to government support&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 21, N.&ordm; 4, 2016, pp. 1-20.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> LISI, Marco &ndash; &laquo;Portugal: defeat for <i>the</i> right, challenges for the left&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 1980. doi:<a href="http://dx.doi.org/10.1111/j.1475-6765.1980.tb00737.x" target="_blank">10.1111/j.1475-6765.1980.tb00737.x</a>.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem e ciclos eleitorais no Portugal democr&aacute;tico, 1975-2004&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Vol. 40, N.&ordm; 177, 2005, pp. 815-846.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> LOBO, Marina Costa &ndash; &laquo;Still second-order? European Parliament elections in Portugal&raquo;. In PINTO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; <i>Contemporary Portugal: Politics, Society and Culture</i>. Boulder: Columbia University Press, 2011, pp. 249-273.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute;; SANTANA-PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; &laquo;More second-order than ever? The 2014 European election in Portugal&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2015, pp. 381-401.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> TEIXEIRA, Nuno Severiano; PINTO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; <i>A Europeiza&ccedil;&atilde;o da Democracia Portuguesa</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2017.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> LOBO, Marina Costa &ndash; &laquo;Still second-order? European Parliament elections in Portugal&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute;; TEPEROGLOU, Eftichia &ndash; &laquo;European elections and national politics: lessons from the &ldquo;new&rdquo; Southern European democracies&rsquo;&raquo;. In <i>Journal of Elections, Public Opinion and Parties</i>. Vol. 17, N.&ordm; 1, 2007, pp. 101-122; FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;European integration and party attachments: the Portuguese case as an example of new democracies&raquo;. In TEIXEIRA, Nuno; PINTO, Ant&oacute;nio Costa &ndash; <i>The Europeanization of Portuguese Democracy</i>. Nova York: Columbia University Press, 2012, pp. 183-224.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute;; SANTANA-PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; &laquo;More second-order than ever? The 2014 European Election in Portugal&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Second-order elections and electoral cycles in democratic Portugal&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 9, N.&ordm; 3, 2004, pp. 54-79.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> <i>Ibidem</i>, p. 160.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> LISI, Marco &ndash; &laquo;Portugal: defeat for the right, challenges for the left&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> &laquo;LIVRE e Alian&ccedil;a queixam-se &agrave; CNE por &ldquo;discrimina&ccedil;&atilde;o&rdquo; nos debates televisivos&raquo;. In <i>P&uacute;blico</i>. 1 de maio de 2019. (Consultado em: 14 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.publico.pt/2019/05/01/politica/noticia/livre-apresenta-queixa-cne-discriminacao-debates-televisivos-1871092" target="_blank">https://www.publico.pt/2019/05/01/politica/noticia/livre-apresenta-queixa-cne-discriminacao-debates-televisivos-1871092</a>.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> &laquo;VICE-DIRETOR do FMI diz que &ldquo;Geringon&ccedil;a&rdquo; &eacute; li&ccedil;&atilde;o para Europa e para Mundo&raquo;. In <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>. 25 de mar&ccedil;o de 2019. (Consultado em: 15 de setembro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.jn.pt/economia/interior/vice-diretor-do-fmi-diz-que-geringonca-e-licao-para-europa-e-para-mundo-10721756.html" target="_blank">https://www.jn.pt/economia/interior/vice-diretor-do-fmi-diz-que-geringonca-e-licao-para-europa-e-para-mundo-10721756.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Informa&ccedil;&atilde;o baseada nos indicadores macroecon&oacute;micos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE). Dispon&iacute;veis em: <a href="https://www.ine.pt/" target="_blank">https://www.ine.pt/</a> (Consultado em: 14 de outubro de 2019).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> &laquo;PAULO Rangel apela ao voto para &ldquo;dar uma li&ccedil;&atilde;o&rdquo; a Ant&oacute;nio Costa&raquo;. <i>TVI24</i>. 12 de maio de 2019. (Consultado em: 21 de setembro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://tvi24.iol.pt/politica/europeias/paulo-rangel-apela-ao-voto-para-dar-uma-licao-a-antonio-costa" target="_blank">https://tvi24.iol.pt/politica/europeias/paulo-rangel-apela-ao-voto-para-dar-uma-licao-a-antonio-costa</a>.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> LISI, Marco &ndash; &laquo;Portugal: defeat for the right, challenges for the left&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;As elei&ccedil;&otilde;es europeias em Portugal&raquo;. In <i>Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais</i>. N.&ordm; 6, 2005, pp. 119-125; JALALI, Carlos; SILVA, Tiago &ndash; &laquo;Everyone ignores Europe? Party campaigns and media coverage in the 2009 European Parliament elections&raquo;. In MAIER, Michaela; STR&Ouml;MB&Auml;CK, Jesper, eds. &ndash; <i>Political Communication in European</i> <i>Parliamentary Elections</i>. Londres: Routledge, 2011, pp. 111-127.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> LISI, Marco &ndash; &laquo;Portugal: defeat for the right, challenges for the left&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> FREIRE, Andr&eacute; &ndash; &laquo;Second-order elections and electoral cycles in democratic Portugal&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Dados do inqu&eacute;rito sobre popularidade dos l&iacute;deres realizado pelo ICS e ISCTE. (Consultado em: 14 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://sondagens-ics-ul.iscte-iul.pt" target="_blank">https://sondagens-ics-ul.iscte-iul.pt</a>.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERNANDES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jorge]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[MAGALHÃES]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SANTANA-PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Portugal's leftist government: from sick man to poster boy?]]></article-title>
<source><![CDATA[South European Society and Politics]]></source>
<year>2018</year>
<volume>23</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Second-order elections and electoral cycles in democratic Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[South European Society and Politics]]></source>
<year>2004</year>
<volume>9</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>54-79</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As eleições europeias em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Relações Internacionais]]></source>
<year>2005</year>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>119-125</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eleições de segunda ordem e ciclos eleitorais no Portugal democrático, 1975-2004]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>2005</year>
<volume>40</volume>
<numero>177</numero>
<issue>177</issue>
<page-range>815-846</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[European integration and party attachments: the Portuguese case as an example of new democracies]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[TEIXEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nuno]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PINTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Europeanization of Portuguese Democracy]]></source>
<year>2012</year>
<page-range>183-224</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SANTANA-PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[More second-order than ever? The 2014 European Election in Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[South European Society and Politics]]></source>
<year>2015</year>
<volume>20</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>381-401</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FREIRE]]></surname>
<given-names><![CDATA[André]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[TEPEROGLOU]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eftichia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[European elections and national politics: lessons from the “new” Southern European democracies']]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Elections, Public Opinion and Parties]]></source>
<year>2007</year>
<volume>17</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>101-122</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[JALALI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SILVA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Tiago]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Everyone ignores Europe? Party campaigns and media coverage in the 2009 European Parliament elections]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[MAIER]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michaela]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[STRÖMBÄCK]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jesper]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Political Communication in European Parliamentary Elections]]></source>
<year>2011</year>
<page-range>111-127</page-range><publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Routledge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LISI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[U-Turn: the Portuguese radical left from marginality to government support]]></article-title>
<source><![CDATA[South European Society and Politics]]></source>
<year>2016</year>
<volume>21</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>1-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LISI]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Portugal: defeat for the right, challenges for the left]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[DE SIO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lorenzo]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[FRANKLIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mark]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RUSSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The European Parliament Elections of 2019]]></source>
<year>2019</year>
<page-range>225-230</page-range><publisher-loc><![CDATA[Roma ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Luiss University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[LOBO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marina Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Still second-order? European Parliament elections in Portugal]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[PINTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Contemporary Portugal: Politics, Society and Culture]]></source>
<year>2011</year>
<page-range>249-273</page-range><publisher-loc><![CDATA[Boulder ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[REIF]]></surname>
<given-names><![CDATA[Karlheinz]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SCHMITT]]></surname>
<given-names><![CDATA[Hermann]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of Political Research]]></source>
<year>1980</year>
<volume>8</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TEIXEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Nuno Severiano]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PINTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Europeização da Democracia Portuguesa]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa de Ciências Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
