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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2019.64a04</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As eleições europeias de 2019 na Itália: O princípio do fim do Governo del Cambiamento?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article, the context of the May 2019 European elections in Italy is described, its main protagonists are presented, and its results are discussed under the second order elections model. These elections presented some of the theorized features, such as a focus on national themes during the campaign and lower participation than in the previous legislative election, but the punishment of the incumbent fell only on one of the coalition partners: the Movimento Cinque Stelle lost almost half of its electoral support, while the Lega doubled its results compared to the 2018 legislative elections. The radical shift in the balance between the two coalition parties had a dramatic impact on their already unstable relationship and led to the end of Lega's participation in the governmental solution.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>AS ELEI&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS DE 2019 NA EUROPA DO SUL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 na It&aacute;lia: O princ&iacute;pio do fim do <i>Governo del Cambiamento</i>?</b></p>     <p><b>The 2019 European elections in Italy: the beginning of the end of the Governo del Cambiamento?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; Santana Pereira</b></p>     <p>CIES-IUL e ISCTE-IUL | Av. das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa | <a href="mailto:jose.santana.pereira@iscte-iul.pt">jose.santana.pereira@iscte-iul.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo, descreve-se o contexto, apresentam-se os protagonistas e discutem-se os resultados das elei&ccedil;&otilde;es europeias de maio de 2019 na It&aacute;lia &agrave; luz do modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem. Estas elei&ccedil;&otilde;es apresentaram algumas das caracter&iacute;sticas teorizadas, como um enfoque em temas nacionais durante a campanha e uma menor participa&ccedil;&atilde;o face &agrave;s legislativas anteriores, mas a puni&ccedil;&atilde;o do incumbente caiu apenas sobre um dos parceiros da coliga&ccedil;&atilde;o que ent&atilde;o governava o pa&iacute;s: o Movimento 5 Estrelas perdeu metade das prefer&ecirc;ncias, enquanto a Liga duplicou os seus resultados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legislativas de 2018. A mudan&ccedil;a radical no equil&iacute;brio de for&ccedil;as entre os dois partidos da coliga&ccedil;&atilde;o teve um impacto dram&aacute;tico nas suas rela&ccedil;&otilde;es, j&aacute; inst&aacute;veis, e levou ao fim da participa&ccedil;&atilde;o da Liga no governo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: elei&ccedil;&otilde;es europeias 2019, It&aacute;lia, campanha.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In this article, the context of the May 2019 European elections in Italy is described, its main protagonists are presented, and its results are discussed under the second order elections model. These elections presented some of the theorized features, such as a focus on national themes during the campaign and lower participation than in the previous legislative election, but the punishment of the incumbent fell only on one of the coalition partners: the <i>Movimento</i> <i>Cinque Stelle</i> lost almost half of its electoral support, while the <i>Lega</i> doubled its results compared to the 2018 legislative elections. The radical shift in the balance between the two coalition parties had a dramatic impact on their already unstable relationship and led to the end of <i>Lega</i>&rsquo;s participation in the governmental solution.</p>     <p><b>Keywords:</b> European elections 2019, Italy, campaign.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>No dia 26 de maio de 2019, tomaram lugar as nonas elei&ccedil;&otilde;es diretas para o Parlamento Europeu (PE) na It&aacute;lia. Estas elei&ccedil;&otilde;es aconteceram cerca de um ano depois da instaura&ccedil;&atilde;o de um governo baseado, pela segunda vez desde 2013, numa coliga&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-eleitoral altamente improv&aacute;vel: ap&oacute;s um governo composto pelo centro-direita e o centro-esquerda, os italianos eram agora governados por uma coliga&ccedil;&atilde;o entre os populistas do movimento fundado por Beppe Grillo e a direita radical de Matteo Salvini. Os resultados destas europeias, pouco participadas, mas altamente vol&aacute;teis, abalaram profundamente as estruturas da fr&aacute;gil solu&ccedil;&atilde;o governativa conhecida como &laquo;Governo Amarelo-Verde&raquo; (as cores oficiais dos dois partidos) &ndash; os parceiros de coliga&ccedil;&atilde;o viram as suas bases de apoio eleitoral alterar-se significativamente em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior, o que veio complicar ulteriormente a sua j&aacute; dif&iacute;cil rela&ccedil;&atilde;o e ditar o fim da sua colabora&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste artigo, come&ccedil;o por apresentar a literatura que analisou o car&aacute;ter de segunda ordem das elei&ccedil;&otilde;es europeias na It&aacute;lia a partir de 1979, testando o modelo de Reif e Schmitt que prev&ecirc; taxas de absten&ccedil;&atilde;o mais elevadas, resultados melhores para partidos pequenos e puni&ccedil;&atilde;o dos partidos maiores (em particular do que controla o governo) nas elei&ccedil;&otilde;es europeias quando comparadas com as legislativas anteriores, porque as primeiras s&atilde;o vistas como menos importantes e consequentes que as segundas<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Em seguida, apresento o sistema eleitoral utilizado na It&aacute;lia para as elei&ccedil;&otilde;es europeias e os principais partidos que participaram no escrut&iacute;nio de maio de 2019. A sec&ccedil;&atilde;o seguinte &eacute; dedicada &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o das principais caracter&iacute;sticas da campanha para as europeias e dos temas mais salientes, bem como das posi&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias dos principais partidos. Ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados em compara&ccedil;&atilde;o com os das &uacute;ltimas europeias e legislativas italianas, esbo&ccedil;am-se algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre o car&aacute;cter de segunda ordem destas elei&ccedil;&otilde;es e as consequ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas dos seus resultados.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>OITO ELEI&Ccedil;&Otilde;ES EUROPEIAS NA IT&Aacute;LIA: REVIS&Atilde;O DA LITERATURA</b></p>     <p>Sendo um dos fundadores das Comunidades Europeias, a It&aacute;lia &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s da Europa do Sul que participou em todas as elei&ccedil;&otilde;es diretas para o pe. &Eacute; tamb&eacute;m por esse motivo que &eacute; o &uacute;nico Estado-Membro desta regi&atilde;o analisado no primeiro teste emp&iacute;rico do modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem de Reif e Schmitt, com base nos resultados das primeiras elei&ccedil;&otilde;es diretas (1979)<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. O caso italiano &eacute; de particular interesse para os autores, dado que tinham ocorrido elei&ccedil;&otilde;es legislativas uma semana antes das europeias. De facto, nem todos os pressupostos do modelo em termos de resultados eleitorais s&atilde;o observados de forma t&atilde;o clara quanto noutros pa&iacute;ses, presumivelmente devido &agrave; ocorr&ecirc;ncia quase concomitante das elei&ccedil;&otilde;es &ndash; h&aacute; apenas um pequeno aumento da absten&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legislativas (inferior ao observado na maioria dos outros Estados-Membros) e as perdas eleitorais dos partidos no governo, bem como as dos partidos maiores, s&atilde;o irrelevantes<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. J&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es europeias de 1984, ocorridas um ano ap&oacute;s as legislativas italianas, o diferencial de participa&ccedil;&atilde;o &eacute; significativamente maior, mas ainda assim n&atilde;o houve penaliza&ccedil;&atilde;o substantiva do incumbente ou dos maiores partidos &ndash; estava-se ainda no in&iacute;cio do ciclo eleitoral de primeira ordem<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. No entanto, em 1989, apesar de terem passado dois anos desde as &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es &laquo;pol&iacute;ticas&raquo;, a puni&ccedil;&atilde;o dos partidos no governo foi muito modesta, e os pequenos partidos n&atilde;o saem das europeias particularmente refor&ccedil;ados<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de 1994 s&atilde;o peculiarmente interessantes, dado que acontecem j&aacute; num contexto de instaura&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia (UE), ap&oacute;s a entrada em vigor do Tratado de Maastricht, e da Segunda Rep&uacute;blica Italiana, ap&oacute;s a mudan&ccedil;a do sistema eleitoral e a implos&atilde;o do sistema partid&aacute;rio na sequ&ecirc;ncia de v&aacute;rios esc&acirc;ndalos de corrup&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. De facto, 1994 &eacute; o ano da &laquo;descida em campo&raquo; de Silvio Berlusconi, cujo novel partido For&ccedil;a It&aacute;lia (FI) vence de forma inequ&iacute;voca as legislativas de mar&ccedil;o e as europeias de junho, apoiado na sua eficiente m&aacute;quina de comunica&ccedil;&atilde;o e persuas&atilde;o pol&iacute;tica e em aliados de peso a norte (Liga Norte (LN)) e a sul (Alian&ccedil;a Nacional (AN))<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. A puni&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica das elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem n&atilde;o &eacute; direcionada &agrave; rec&eacute;m-eleita FI, mas ao principal partido da oposi&ccedil;&atilde;o, o Partido Democr&aacute;tico de Esquerda (PDS), herdeiro dos comunistas da Primeira Rep&uacute;blica e antecessor do atual Partido Democr&aacute;tico (PD). Em resultado dos p&eacute;ssimos resultados eleitorais obtidos nestas europeias, o l&iacute;der do PDS acaba por se demitir<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>, o que atesta o car&aacute;cter &ndash; e a leitura &ndash; nacional deste escrut&iacute;nio eleitoral.</p>     <p>Em 1999, as elei&ccedil;&otilde;es europeias ocorrem pela primeira vez quase no fim do ciclo eleitoral de primeira ordem &ndash; tr&ecirc;s anos depois das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1996 &ndash; embora na fase inicial de um novo governo. A campanha foi muito intensa, embora centrada no panorama pol&iacute;tico nacional e nas consequ&ecirc;ncias das europeias para o equil&iacute;brio de for&ccedil;as entre os diferentes partidos, com Berlusconi a atacar tanto o incumbente como os seus ex-aliados AN e LN<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Estas elei&ccedil;&otilde;es foram, at&eacute; ent&atilde;o, aquelas que apresentaram um maior grau de dessemelhan&ccedil;a nos resultados dos partidos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legislativas anteriores (as mais revolucion&aacute;rias desse ponto de vista no conjunto dos Estados-Membros, provavelmente em resultado da fluidez e inova&ccedil;&atilde;o do sistema partid&aacute;rio italiano neste per&iacute;odo), bem como um maior diferencial em termos de participa&ccedil;&atilde;o, mas a puni&ccedil;&atilde;o do incumbente foi, ainda assim, residual, pelo que o encaixe deste escrut&iacute;nio no modelo de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem &eacute; apenas parcial<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. O <i>timing</i> das elei&ccedil;&otilde;es de 2004 foi similar, mas desta feita tanto a legislatura como o Governo contavam tr&ecirc;s anos de dura&ccedil;&atilde;o. A popularidade do Governo de Berlusconi era baixa<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, e os resultados da FI vieram a espelhar isso mesmo &ndash; ainda que a puni&ccedil;&atilde;o do incumbente tenha sido ligeiramente inferior ao previsto de acordo com o posicionamento da elei&ccedil;&atilde;o no ciclo eleitoral<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Os partidos mais pequenos n&atilde;o foram beneficiados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legislativas anteriores<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, o que aponta para que a puni&ccedil;&atilde;o eleitoral do incumbente tenha sido acima de tudo traduzida num pr&eacute;mio ao seu principal opositor. Os n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o foram mais baixos que nas elei&ccedil;&otilde;es &laquo;pol&iacute;ticas&raquo; anteriores (ainda que superiores a 1999, presumivelmente pelo efeito mobilizador das elei&ccedil;&otilde;es regionais em grande parte do pa&iacute;s)<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>As europeias de 2009 ocorrem novamente no in&iacute;cio de um ciclo eleitoral de primeira ordem, cerca de um ano ap&oacute;s a vit&oacute;ria do novo partido de Berlusconi, resultante da fus&atilde;o da FI com a AN, e consequentemente n&atilde;o se observou qualquer puni&ccedil;&atilde;o relevante do incumbente. Tratou-se de uma elei&ccedil;&atilde;o de segunda ordem do ponto de vista de cobertura medi&aacute;tica, com os temas europeus em grande medida ausentes dos m&eacute;dia<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>, muito devido &agrave; concomit&acirc;ncia das europeias com elei&ccedil;&otilde;es locais (que, desta vez, n&atilde;o tiveram um efeito de cont&aacute;gio em termos de participa&ccedil;&atilde;o nas europeias, a mais baixa de sempre e muito inferior &agrave; das elei&ccedil;&otilde;es de 2008), a uma l&oacute;gica de competi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica focada em torno da figura de Berlusconi, e a alguns esc&acirc;ndalos e eventos inesperados, como o sismo na regi&atilde;o de Abruzos<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. A entrada em vigor de uma cl&aacute;usula-barreira de 4% dos votos (ver sec&ccedil;&atilde;o seguinte) levou a uma menor fragmenta&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o dos italianos no PE, apesar de os partidos mais pequenos terem tido melhores resultados em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legislativas de 2008<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     <p>Se as elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2014 s&atilde;o similares &agrave;s de 2009 &ndash; e a v&aacute;rias outras &ndash; dada a sua ocorr&ecirc;ncia cerca de um ano ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem, merecem destaque pelo facto de ocorrerem no rescaldo de elei&ccedil;&otilde;es legislativas consideradas s&iacute;smicas para o sistema partid&aacute;rio italiano &ndash; devido &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o eleitoral do Movimento 5 Estrelas (M5S) &ndash;, tr&ecirc;s meses ap&oacute;s a ascens&atilde;o n&atilde;o eleitoral de Matteo Renzi &agrave; chefia do governo, e num contexto de grande recess&atilde;o que levara a uma crise de eurofilia no eleitorado e &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es euroc&eacute;ticas por parte de partidos como a FI, a LN ou os rec&eacute;m-criados M5S e Irm&atilde;os de It&aacute;lia (FdI)<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. O modelo de segunda ordem &eacute; apenas confirmado em termos de absten&ccedil;&atilde;o e do resultado dos partidos mais pequenos, dado que o incumbente obt&eacute;m nas europeias de maio de 2014 uma vit&oacute;ria estrondosa e eleitoralmente legitimadora do novo <i>premier</i><sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Em suma, o caso italiano apresenta, com algumas exce&ccedil;&otilde;es, as principais linhas do modelo de segunda ordem, em particular uma tend&ecirc;ncia de menor participa&ccedil;&atilde;o face &agrave;s legislativas e de puni&ccedil;&atilde;o do incumbente quando o ciclo eleitoral assim o previa (raras vezes, dado que a maioria das elei&ccedil;&otilde;es europeias ocorreram na fase de lua de mel dos governos italianos).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O SISTEMA ELEITORAL E OS PARTIDOS EM COMPETI&Ccedil;&Atilde;O NAS EUROPEIAS DE MAIO DE 2019 NA IT&Aacute;LIA</b></p>     <p>Quando comparadas com o sistema eleitoral usado na elei&ccedil;&atilde;o dos membros do Parlamento italiano, alvo de v&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos anos<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, as regras eleitorais italianas para as elei&ccedil;&otilde;es europeias apresentam uma grande estabilidade. A lei eleitoral criada em 1979 consagrou um sistema de representa&ccedil;&atilde;o proporcional em que os assentos s&atilde;o distribu&iacute;dos pelos partidos de acordo com a vota&ccedil;&atilde;o obtida num c&iacute;rculo nacional, mediante a f&oacute;rmula de Hare-Niemeyer, e depois subsequentemente repartidos de forma proporcional por cinco circunscri&ccedil;&otilde;es regionais (Nordeste, Noroeste, Centro, Sul e Ilhas) de magnitude vari&aacute;vel (em 2019, entre oito e 20). Em 2009, instituiu-se uma cl&aacute;usula-barreira de 4% dos votos v&aacute;lidos para aceder &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o dos assentos no c&iacute;rculo eleitoral nacional (regra que n&atilde;o se aplica a partidos ou listas de minorias lingu&iacute;sticas, que se devem associar a um partido nacional e precisam de obter apenas 50 mil votos na sua circunscri&ccedil;&atilde;o regional para eleger um eurodeputado). Para al&eacute;m de votar numa lista, os italianos podem tamb&eacute;m exprimir at&eacute; tr&ecirc;s prefer&ecirc;ncias por candidatos<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apresentou-se &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es europeias de maio de 2019 um n&uacute;mero bastante elevado de competidores &ndash; 18 listas participaram na disputa pelos 73 assentos do PE reservados &agrave; It&aacute;lia<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>, mais seis que em 2014. De entre estas for&ccedil;as pol&iacute;ticas, merecem destaque aquelas que t&ecirc;m sido centrais no cen&aacute;rio pol&iacute;tico italiano recente: a Liga, a FI, o PD e o M5S.</p>     <p>A Liga, que nasceu em 1991 como um partido etnorregionalista (usou o nome &laquo;Liga Norte&raquo; durante grande parte da sua exist&ecirc;ncia), transformou-se nos &uacute;ltimos anos, sob a lideran&ccedil;a de Matteo Salvini (2013-), num partido de direita radical e &acirc;mbito nacional, substituindo na sua lista de inimigos a &laquo;Roma ladrona&raquo; (Roma ladra: Estado central que suga a riqueza produzida no Norte) e os <i>terroni</i> (italianos do Sul) pela UE e os imigrantes<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es de mar&ccedil;o de 2018, assume o papel de parceiro minorit&aacute;rio numa coliga&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-eleitoral liderada pelo M5S<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Ainda &agrave; direita, a FI nasce em 1994 pelas m&atilde;os do empres&aacute;rio Silvio Berlusconi, que v&ecirc; na crise do sistema partid&aacute;rio italiano na transi&ccedil;&atilde;o da Primeira para a Segunda Rep&uacute;blica uma janela de oportunidade. Berlusconi vencer&aacute; as legislativas desse ano e, nos vinte anos seguintes, voltar&aacute; a chefiar o governo mais tr&ecirc;s vezes. &Eacute; um partido anticomunista, de centro-direita, moderado, ideologicamente difuso e h&iacute;brido, tendencialmente populista e fortemente dependente do carisma do seu l&iacute;der<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Em 2008, a FI funde-se com a AN sob a designa&ccedil;&atilde;o de Povo da Liberdade (PdL), mas esta nova for&ccedil;a pol&iacute;tica n&atilde;o durar&aacute; muito &ndash; em 2012, alguns ex-membros da AN saem do partido para fundar o FdI; em 2013, o PdL &eacute; efetivamente extinto e os seus membros dedicam-se &agrave; restaura&ccedil;&atilde;o da FI ou &agrave; funda&ccedil;&atilde;o do Novo Centro Direita, que ter&aacute; vida curta.</p>     <p>&Agrave; esquerda, o principal partido &eacute; o PD, fundado em 2007 atrav&eacute;s de uma fus&atilde;o entre os Democratas de Esquerda (DS) &ndash; que por sua vez resultou da fus&atilde;o do PDS com outras for&ccedil;as pol&iacute;ticas, e um pequeno partido de centro &ndash; juntando assim personalidades dos partidos comunista e democrata-crist&atilde;o da Primeira Rep&uacute;blica<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. &Eacute;, por conseguinte, um partido de centro-esquerda, ideologicamente difuso e bastante propenso a diatribes internas. Desde mar&ccedil;o de 2019, &eacute; liderado por Nicola Zingaretti, presidente da regi&atilde;o de L&aacute;cio que &ndash; tal como diversos protagonistas da vida pol&iacute;tica italiana &ndash; tem uma liga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima com a esfera da televis&atilde;o de entretenimento<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>Por sua vez, o M5S conta dez anos de exist&ecirc;ncia e tem origem no ativismo pol&iacute;tico e no blogue do comediante Beppe Grillo, que na viragem para a d&eacute;cada atual se foi organizando num movimento antissistema, anticasta, fortemente populista, que repudia a designa&ccedil;&atilde;o de partido e n&atilde;o se posiciona no eixo esquerda-direita<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Inicialmente rejeita marcar presen&ccedil;a nos m&eacute;dia tradicionais, vistos como parte do sistema inquinado, e privilegia o online, onde procede &agrave; ausculta&ccedil;&atilde;o das suas prefer&ecirc;ncias atrav&eacute;s de uma plataforma designada, muito significativamente, Rousseau; a sua progressiva ascens&atilde;o eleitoral leva &agrave; necessidade de alguma institucionaliza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>, simbolizada pelas formal&iacute;ssimas gravatas do seu atual l&iacute;der, Luigi di Maio.</p>     <p>Para al&eacute;m destes partidos, s&atilde;o igualmente relevantes tr&ecirc;s for&ccedil;as pol&iacute;ticas menores que se acreditava que seriam capazes de eleger representantes ou, pelo menos, atingir uma vota&ccedil;&atilde;o superior a 1% nas europeias: &agrave; direita, o FdI, que, como vimos, resulta da sa&iacute;da do PdL de ex-membros da AN em 2012; ao centro, o +Europa, encabe&ccedil;ado pela ex-comiss&aacute;ria europeia Emma Bonino; &agrave; esquerda, a coliga&ccedil;&atilde;o A Esquerda (LS), formada por seis pequenos partidos desta &aacute;rea ideol&oacute;gica.</p>     <p>A <a href="#f1">Figura 1</a> apresenta o posicionamento ideol&oacute;gico destas for&ccedil;as partid&aacute;rias realizado pelo projeto &laquo;euandi2019&raquo; com base nos seus programas e outros documentos oficiais<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Os partidos s&atilde;o posicionados num espa&ccedil;o criado pelo cruzamento dos eixos esquerda-direita econ&oacute;mica e conservador-euroc&eacute;tico/liberal-euroentusiasta. A primeira nota importante &eacute; relativa &agrave; Liga e ao FdI, cujas prefer&ecirc;ncias em termos de papel do Estado na economia s&atilde;o consideravelmente menos de direita que o seu restante ide&aacute;rio, fazendo at&eacute; com que se posicionem junto do centro neste eixo. S&atilde;o ambos partidos conservadores e euroc&eacute;ticos, ainda que, como veremos em seguida, no caso da Liga esta segunda caracter&iacute;stica se tenha esbatido ligeiramente face a 2014. Em segundo lugar, vale a pena destacar o M5S, posicionado exatamente ao centro no eixo relativo &agrave; Europa e ao conservadorismo/liberalismo e bastante &agrave; esquerda em termos econ&oacute;micos. O M5S est&aacute; aparentemente mais perto do PD do que da Liga, o que refor&ccedil;a a ideia de que a coliga&ccedil;&atilde;o com esta segunda em detrimento do principal partido de centro-esquerda deveu-se a motivos estrat&eacute;gicos mais do que ideol&oacute;gicos. Por fim, vale a pena sublinhar a aus&ecirc;ncia de atores pol&iacute;ticos relevantes no quadrante da direita liberal e euroentusiasta; ali&aacute;s, o quadrante da direita econ&oacute;mica &eacute; povoado apenas pelo FI, que se apresenta como relativamente conservador no que diz respeito a temas como a imigra&ccedil;&atilde;o, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a liberaliza&ccedil;&atilde;o das drogas e a eutan&aacute;sia, bem como com uma postura reformista face &agrave; UE.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n64/n64a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>A CAMPANHA</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A campanha italiana para as elei&ccedil;&otilde;es europeias teve uma dura&ccedil;&atilde;o oficial de quatro semanas. Tal como aconteceu na Espanha, na Gr&eacute;cia e em Malta, as europeias de 2019 n&atilde;o constitu&iacute;ram um evento eleitoral &uacute;nico &ndash; no mesmo dia, ocorreram elei&ccedil;&otilde;es locais em cerca de metade dos munic&iacute;pios italianos, bem como elei&ccedil;&otilde;es regionais no Piemonte e intercalares para o Parlamento italiano em dois c&iacute;rculos uninominais de Trentino-Alto &Aacute;dige. Como vimos, nem sempre a concomit&acirc;ncia da realiza&ccedil;&atilde;o das europeias com escrut&iacute;nios de enfoque local ou regional tem um efeito mobilizador no eleitorado italiano, e servir&aacute; acima de tudo para desviar a aten&ccedil;&atilde;o dos assuntos europeus em prol de tem&aacute;ticas do foro nacional.</p>     <p>No contexto mais amplo da Europa comunit&aacute;ria, esta foi uma das campanhas mais personalizadas (s&eacute;timo lugar no <i>ranking</i> de personaliza&ccedil;&atilde;o), bem como aquela em que mais conte&uacute;dos para redes sociais, em particular para o Facebook, foram preparados<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. De facto, a It&aacute;lia foi o pa&iacute;s em que os principais partidos produziram mais <i>posts</i> durante a campanha (15% do total de posts nos 28 Estados-Membros), apesar de somente um quarto destas publica&ccedil;&otilde;es dizer diretamente respeito &agrave; campanha para as elei&ccedil;&otilde;es europeias<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. A conta oficial da Liga no Facebook ocupa o primeiro lugar no <i>ranking</i> europeu em termos de produ&ccedil;&atilde;o (2214 <i>posts</i>), o M5S aparece em segundo lugar (620 <i>posts</i>), a FI ocupa o d&eacute;cimo lugar (317 <i>posts</i>) e o PD o d&eacute;cimo s&eacute;timo lugar (254 <i>posts</i>), num total de 200 contas oficiais de partidos analisadas<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>.</p>     <p>Apesar do intenso uso das redes sociais, a campanha para as europeias de 2019 na It&aacute;lia foi morna e incapaz de se destacar do panorama geral de campanha permanente e hipercomunica&ccedil;&atilde;o que caracteriza o sistema pol&iacute;tico italiano contempor&acirc;neo<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. Devido ao contexto pol&iacute;tico nacional e &agrave; coocorr&ecirc;ncia de elei&ccedil;&otilde;es locais e regionais, os temas nacionais ocuparam grande parte da campanha, com apenas 20% dos conte&uacute;dos a focarem tem&aacute;ticas europeias como a imigra&ccedil;&atilde;o e a chegada de refugiados por mar, o futuro da UE (discuss&atilde;o associada &agrave; prov&aacute;vel afirma&ccedil;&atilde;o de uma frente antieuropeia no novo PE) ou as poss&iacute;veis san&ccedil;&otilde;es por parte das institui&ccedil;&otilde;es europeias &agrave; It&aacute;lia devido ao d&eacute;fice elevado. Em termos de tom, tanto a Liga como o M5S, embrenhados no governo do pa&iacute;s, moderaram o forte antieurope&iacute;smo que tinham expressado na campanha de 2014 (em que os primeiros defendiam a sa&iacute;da do euro e os segundos desejavam referendar a perman&ecirc;ncia do pa&iacute;s na UE)<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>Durante a campanha, um dos assuntos mais salientes foi a crise entre os parceiros de Governo<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>. A Liga e o M5S preparavam-se para completar um ano de colabora&ccedil;&atilde;o no autodenominado <i>Governo del Cambiamento</i> (Governo da Mudan&ccedil;a)<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>, ao longo do qual ambos se declararam frequentemente contr&aacute;rios &agrave;s op&ccedil;&otilde;es tomadas pelos minist&eacute;rios controlados pelo outro partido<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Ao mesmo tempo, a Liga, que entrara na coliga&ccedil;&atilde;o como parceiro minorit&aacute;rio, tendo ficado em terceiro lugar nas elei&ccedil;&otilde;es de 2018 (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>), come&ccedil;ara a crescer exponencialmente nas sondagens logo ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es, ao mesmo tempo que a FI e o pr&oacute;prio M5S iam perdendo apoio<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>. No fim do ver&atilde;o de 2018, a Liga ultrapassou o seu parceiro de coliga&ccedil;&atilde;o nas sondagens e passou a situar-se sempre acima dos 30 pontos percentuais, enquanto o M5S prosseguia a sua trajet&oacute;ria descendente. Isto far&aacute; com que os partidos cheguem &agrave; campanha para as europeias com um equil&iacute;brio de for&ccedil;as distinto em rela&ccedil;&atilde;o ao do momento da forma&ccedil;&atilde;o do governo: uma vantagem de dez pontos percentuais para o partido de Matteo Salvini em rela&ccedil;&atilde;o ao M5S. Este panorama fez com que as rela&ccedil;&otilde;es entre os partidos se tornassem de tal forma &aacute;speras que, durante a campanha, estes tenham acima de tudo optado por se atacar mutuamente, ignorando os restantes partidos e ocupando os notici&aacute;rios com as suas diatribes<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>     
<p>A Liga apresentou-se &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es como uma for&ccedil;a soberanista, defensora dos valores crist&atilde;os e da seguran&ccedil;a dos italianos, que afirmava ser colocada em causa pelos imigrantes, e de uma pol&iacute;tica fiscal menos r&iacute;gida<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>. Muitos dos temas quentes do per&iacute;odo de campanha decorreram da a&ccedil;&atilde;o deste partido, como a pol&eacute;mica em torno do encerramento dos portos italianos para barcos que salvavam refugiados no Mediterr&acirc;neo, ou aspetos mais performativos como o recurso a s&iacute;mbolos e imagens religiosos pelo l&iacute;der ou a publica&ccedil;&atilde;o da sua biografia <i>Io Sono Matteo Salvini</i> numa editora assumidamente fascista, cujo pref&aacute;cio &ndash; numa clara alus&atilde;o a Mussolini &ndash; o apresentava como o homem mais desejado pelas italianas<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Ao mesmo tempo, o M5S tentava estancar a perda de apoio eleitoral atrav&eacute;s de um regresso aos seus temas tradicionais, traduzindo-os em pol&iacute;ticas europeias, nomeadamente atrav&eacute;s da defesa de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo europeu e pol&iacute;ticas europeias de prote&ccedil;&atilde;o social<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>     <p>No quadrante da direita, a FI, cujo l&iacute;der Silvio Berlusconi se apresentava como cabe&ccedil;a de lista, dedicou-se acima de tudo a sublinhar a sua diferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Liga, apresentando-se como uma for&ccedil;a mais moderada, respons&aacute;vel e europe&iacute;sta<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Por sua vez, o FdI, que nunca elegera eurodeputados, opta por uma campanha claramente antieuropeia, baseada no <i>slogan</i> &laquo;In Europa per cambiare tutto&raquo; (Na Europa para mudar tudo), que n&atilde;o o ajudou a distinguir-se particularmente da Liga<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Por sua vez, &agrave; esquerda, o PD apresentou-se &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es com um discurso pr&oacute;-europeu<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o dos imigrantes, o partido defendia uma pol&iacute;tica de solidariedade e de partilha de responsabilidades pelos Estados-Membros quanto ao apoio a conceder aos refugiados que chegam &agrave; Europa comunit&aacute;ria atrav&eacute;s do Mediterr&acirc;neo<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>. O +Europa era a for&ccedil;a pol&iacute;tica mais pr&oacute;-europeia a participar nestas elei&ccedil;&otilde;es, entendendo as institui&ccedil;&otilde;es europeias como basti&otilde;es dos direitos civis e sociais<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>Na <a href="/img/revistas/ri/n64/n64a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>, apresentam-se os resultados oficiais das elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 na It&aacute;lia, bem como os das europeias e legislativas imediatamente anteriores. O primeiro aspeto a merecer destaque &eacute; a espetacular vit&oacute;ria da Liga, que entre as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2018 e as europeias de 2019 consegue duplicar a sua percentagem de votos e tornar-se no principal partido italiano em termos eleitorais. Mesmo num contexto de menor participa&ccedil;&atilde;o face &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es &laquo;pol&iacute;ticas&raquo; de 2018, o partido de Matteo Salvini conseguiu conquistar mais cerca de 3,3 milh&otilde;es de votos. Em termos de assentos, a Liga passou de cinco para 28 eurodeputados (e ter&aacute; direito a 29 assentos ap&oacute;s o Brexit). O antigo partido regionalista e secessionista do Norte da It&aacute;lia conseguiu conquistar bastante apoio eleitoral a Sul, onde at&eacute; ent&atilde;o era uma for&ccedil;a residual, o que foi interpretado como um claro sinal do sucesso da estrat&eacute;gia de nacionaliza&ccedil;&atilde;o seguida pela sua lideran&ccedil;a<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a>.</p>     
<p>O crescimento eleitoral da Liga foi acompanhado pelo esvaziamento eleitoral do seu parceiro de coliga&ccedil;&atilde;o (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>). O M5S obteve um resultado 14,4 pontos percentuais inferior ao da elei&ccedil;&atilde;o de 2018, que lhe permitira ser o agente <i>formateur</i> do Governo italiano, vendo o n&uacute;mero de votos conquistado passar de mais de dez milh&otilde;es para menos de cinco no arco de catorze meses. Em rela&ccedil;&atilde;o a 2014, o partido liderado por Luigi di Maio tamb&eacute;m obteve resultados mais modestos. Houve assim, aparentemente, um desejo de premiar generosamente um dos membros do Governo de coliga&ccedil;&atilde;o e de punir o outro.</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto aos partidos na oposi&ccedil;&atilde;o, o PD volta a afirmar-se como o segundo maior partido italiano em termos eleitorais, ultrapassando o M5S mas sendo ultrapassado pela Liga (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem do ano anterior, os resultados s&atilde;o positivos para o PD (o n&uacute;mero de votos &eacute; id&ecirc;ntico mas, num contexto de maior participa&ccedil;&atilde;o, representa uma propor&ccedil;&atilde;o de prefer&ecirc;ncias cerca de cinco pontos percentuais mais alta), mas est&atilde;o longe da vit&oacute;ria hist&oacute;rica que o partido obtivera nas europeias de 2014. O PD passa, assim, de primeiro para segundo partido italiano no pe. Por sua vez, o +Europa n&atilde;o conseguiu superar a barreira dos 4% de votos v&aacute;lidos, vendo-se, por conseguinte, exclu&iacute;do da distribui&ccedil;&atilde;o de assentos parlamentares europeus.</p>     
<p>&Agrave; direita, confirma-se o esvaziamento eleitoral do FI, cada vez mais longe do seu antigo parceiro minorit&aacute;rio de coliga&ccedil;&atilde;o, a Liga, e mais perto do FdI, que em anos anteriores ocupara um papel residual no espectro de partidos de direita na It&aacute;lia. No escrut&iacute;nio europeu de 2019, o FI conquistou apenas cerca de metade dos votos que obtivera em 2014 e em 2018, vendo o seu grupo parlamentar europeu reduzir-se na mesma propor&ccedil;&atilde;o. Por sua vez, o FdI cresce em rela&ccedil;&atilde;o a 2018 e, pela primeira vez desde a sua funda&ccedil;&atilde;o, elege um grupo de eurodeputados (<a href="/img/revistas/ri/n64/n64a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a>). Ambos os partidos ter&atilde;o direito a mais um assento no PE quando o Reino Unido abandonar definitivamente a UE.</p>     
<p>O &uacute;ltimo dos 73 assentos do PE reservados &agrave; It&aacute;lia foi conquistado pelo Partido Popular Sul Tirol&ecirc;s (SVP/PPS), que beneficiou da exclus&atilde;o da barreira de 4% dos votos para partidos de minorias lingu&iacute;sticas e conseguiu, como em anos anteriores, que os seus cerca de 140 mil votos se traduzissem na elei&ccedil;&atilde;o de um eurodeputado.</p>     <p>Em conjunto, os dois parceiros de coliga&ccedil;&atilde;o agregam uma maior propor&ccedil;&atilde;o de votos que nas legislativas anteriores, passando de quase 49% em mar&ccedil;o de 2018 para mais de 51% em maio de 2019. Quanto aos principais partidos de oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; direita e &agrave; esquerda (FI, FdI, PD e +Europa), cresceram todos em termos de propor&ccedil;&atilde;o de votos em compara&ccedil;&atilde;o com 2018, com exce&ccedil;&atilde;o do partido de Silvio Berlusconi; enquanto bloco, agregaram cerca de 41% dos votos, contra os 38,8% de 2018. &Eacute; o grupo composto pelos partidos mais pequenos como um todo que recua em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de primeira ordem, perdendo cerca de cinco pontos percentuais.</p>     <p>Quanto &agrave; absten&ccedil;&atilde;o, foi de 46,5%, a mais alta na hist&oacute;ria das elei&ccedil;&otilde;es europeias na It&aacute;lia. A taxa de absten&ccedil;&atilde;o aumentou em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s legislativas de 2018, em linha com o expect&aacute;vel de acordo com a teoria de elei&ccedil;&otilde;es de segunda ordem, mas tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s europeias de 2014, que j&aacute; tinham sido menos participadas que as de 2009. Landini e Paparo descrevem este decr&eacute;scimo como fazendo parte da tend&ecirc;ncia de menor participa&ccedil;&atilde;o que se observa na It&aacute;lia desde a d&eacute;cada de 1970 devido ao processo de substitui&ccedil;&atilde;o geracional no seio do eleitorado<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2019 na It&aacute;lia apresentam v&aacute;rias caracter&iacute;sticas t&iacute;picas dos escrut&iacute;nios eleitorais de segunda ordem. Em primeiro lugar, do ponto de vista de enfoque tem&aacute;tico da campanha, os assuntos nacionais foram preponderantes em rela&ccedil;&atilde;o aos europeus. Em segundo lugar, em compara&ccedil;&atilde;o com as legislativas anteriores, a participa&ccedil;&atilde;o nestas elei&ccedil;&otilde;es foi mais baixa, a maior parte dos partidos m&eacute;dios obteve resultados melhores e o principal partido da coliga&ccedil;&atilde;o no governo foi severamente punido &ndash; embora o seu parceiro de coliga&ccedil;&atilde;o tenha sido generosamente premiado pelo eleitorado italiano e os partidos muito pequenos, como um todo, n&atilde;o tenham apresentado resultados melhores que em 2018. Em terceiro lugar, os resultados das europeias tiveram uma clara leitura dom&eacute;stica e consequ&ecirc;ncias na esfera pol&iacute;tica nacional &ndash; a mudan&ccedil;a no equil&iacute;brio de for&ccedil;as entre a Liga e os <i>grillini</i><sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a> teve um impacto negativo consider&aacute;vel na coliga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No rescaldo das europeias, a tens&atilde;o entre Salvini e Di Maio sobe ao ponto de o chefe de Governo convocar uma confer&ecirc;ncia de imprensa em que lhes pede clareza em rela&ccedil;&atilde;o ao desejo de manter a coliga&ccedil;&atilde;o e coloca o seu lugar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o, a que ambos os partidos respondem reiterando a sua lealdade &agrave; solu&ccedil;&atilde;o governativa em que estavam envolvidos<sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a>. No entanto, para a Liga, trata-se de uma lealdade que durar&aacute; apenas mais dois meses. De facto, a 8 de agosto, desejando capitalizar os resultados das europeias e das sondagens subsequentes, abandona a coliga&ccedil;&atilde;o e pede a marca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es antecipadas, apresentando no dia seguinte uma mo&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o-confian&ccedil;a ao presidente do Conselho de Ministros. O M5S mostra-se dispon&iacute;vel para elei&ccedil;&otilde;es, como de resto a maioria dos principais partidos, mas prefere que estas ocorram depois de a lei constitucional que reduziria o n&uacute;mero de assentos parlamentares ser aprovada, e ao mesmo tempo enceta negocia&ccedil;&otilde;es com o PD com vista a uma eventual coliga&ccedil;&atilde;o alternativa. A possibilidade de um governo M5S-pd foi-se tornando cada vez mais concreta ao longo do m&ecirc;s de agosto, o que faz com que Salvini tente voltar atr&aacute;s e reatar a rela&ccedil;&atilde;o com os <i>grillini</i>, propondo at&eacute; que Di Maio se tornasse presidente do Conselho, mas sem sucesso<sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a>. Perante uma solu&ccedil;&atilde;o governativa alternativa e n&atilde;o desejando marcar elei&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo cr&iacute;tico de prepara&ccedil;&atilde;o e vota&ccedil;&atilde;o do Or&ccedil;amento de Estado, o Presidente da Rep&uacute;blica acaba por encarregar Conte de formar um segundo governo com a participa&ccedil;&atilde;o do M5S e do PD. O &laquo;Governo Amarelo-Vermelho&raquo; entrou em fun&ccedil;&otilde;es a 5 de setembro de 2019, enquanto a Liga &eacute; remetida ao papel de principal partido de oposi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em suma, os resultados das elei&ccedil;&otilde;es europeias tiveram consequ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas muito concretas no &acirc;mbito nacional, ditando o fim da coliga&ccedil;&atilde;o incumbente na It&aacute;lia. No entanto, Salvini n&atilde;o soube surfar a onda da abrupta viragem &agrave; direita do eleitorado italiano nas europeias, acabando por criar condi&ccedil;&otilde;es para a forma&ccedil;&atilde;o de um governo apoiado numa coliga&ccedil;&atilde;o de centro-esquerda em setembro. Num momento em que a Liga continua a agregar quase 35% das inten&ccedil;&otilde;es de voto, quase tantas quanto as dos parceiros de coliga&ccedil;&atilde;o juntos<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>, resta perceber quanto tempo passar&aacute; at&eacute; &agrave; inevit&aacute;vel convoca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es legislativas antecipadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ALBERTAZZI, Daniele; GIOVANNINI, Arianna; SEDDONE, Antonella &ndash; &laquo;&ldquo;No regionalism please, we are Leghisti !&rdquo; The transformation of the Italian Lega Nord under the leadership of Matteo Salvini&raquo;. In <i>Regional &amp; Federal Studies</i>. Vol. 28, N.&ordm; 5, 2018, pp. 645-61.</p>     <p>BELLUATI, Marinella; BOBBA, Giuliano &ndash; &laquo;European elections in Italian media: between second order campaign and the construction of an European public sphere&raquo;. In <i>CEU Political Science Journal</i>. Vol. 5, N.&ordm; 2, 2010, pp. 160-186.</p>     <p>BELLUCCI, Paolo &ndash; &laquo;Election cycles and electoral forecasting in Italy, 1994-2008&raquo;. In <i>International Journal of Forecasting</i>. Vol. 26, 2010, pp. 54-67.</p>     <p>BOBBA, Giuliano; SEDDONE, Antonella &ndash; &laquo;How do Eurosceptic parties and economic crisis affect news coverage of the European Union? Evidence from the 2014 European elections in Italy&raquo;. In <i>European Politics and Society</i>. Vol. 19, N.&ordm; 2, 2018, pp. 147-165.</p>     <p>BORDANDINI, Paola; DI VIRGILIO, Aldo; RANIOLO, Francesco &ndash; &laquo;The birth of a party: the case of the Italian Partito Democratico&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 2008, pp. 303-324.</p>     <p>BRESSANELLI, Edoardo; CALDERARO, Andrea; PICCIO, Daniela; STAMATI, Furio &ndash; &laquo;Italy&raquo;. In GAGATEK, Wojciech, ed. &ndash; <i>The 2009 Elections to the European Parliament &ndash; Country Reports</i>. Floren&ccedil;a: EUI, 2010, pp. 113-118.</p>     <p>CECCARINI, Luigi; Bordignon, Fabio &ndash; &laquo;The five stars continue to shine: the consolidation of Grillo&rsquo;s &ldquo;movement party&rdquo; in Italy&raquo;. In <i>Contemporary Italian Politics</i>. Vol. 8, N.&ordm; 2, 2016, pp. 131-159.</p>     <p>CURTICE, John &ndash; &laquo;The 1989 European election: protest or green tide?&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 8, N.&ordm; 3, 1989, pp. 217-230.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DE SIO, Lorenzo &ndash; &laquo;La nazionalizzazione della Lega di Salvini&raquo;. In <i>CISE</i>, 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cise.luiss.it/cise/2019/05/27/la-nazionalizzazione-della-lega-di-salvini/" target="_blank">https://cise.luiss.it/cise/2019/05/27/la-nazionalizzazione-della-lega-di-salvini/</a> .</p>     <p>DI MAGGIO, Marco; PERRONE, Manuela &ndash; &laquo;The political culture of the Movimento Cinque Stelle, from foundation to the reins of government&raquo;. In <i>Journal of Modern Italian Studies</i>. Vol. 24, N.&ordm; 3, 2019, pp. 468-482.</p>     <p>FABBRINI, Sergio &ndash; &laquo;The transformation of Italian democracy&raquo;. In <i>Bulletin of Italian Politics</i>. Vol. 1, N.&ordm; 1, 2009, pp. 29-47.</p>     <p>&laquo;FLAT Tax della discordia, sale la tensione tra Lega e 5Stelle&raquo;. In <i>QuiFinanza</i>. 9 de abril de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://quifinanza.it/fisco-tasse/flat-tax-della-discordia-sale-la-tensione-tra-lega-e-5stelle/267741/" target="_blank">https://quifinanza.it/fisco-tasse/flat-tax-della-discordia-sale-la-tensione-tra-lega-e-5stelle/267741/</a>.</p>     <p>GIANNINI, Chiara &ndash; <i>Io Sono Matteo Salvini: Intervista allo Specchio</i>. Cernusco sul Naviglio (MI): Altaforte, 2019.</p>     <p>&laquo;GOVERNO, Conte minaccia le dimissioni: &ldquo;Salvini e Di Maio dicano se continuare&rdquo;&raquo;. In <i>Corriere della Sera</i>. 3 de junho de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.corriere.it/politica/19_giugno_03/governo-conte-non-vivacchio-o-si-avanti-o-rimetto-mandato-salvini-maio-dicano-se-continuare-0813f6b4-8618-11e9-a409-fe3481384c64.shtml" target="_blank">https://www.corriere.it/politica/19_giugno_03/governo-conte-non-vivacchio-o-si-avanti-o-rimetto-mandato-salvini-maio-dicano-se-continuare-0813f6b4-8618-11e9-a409-fe3481384c64.shtml</a>.</p>     <p>GUYOMARCH, Alain &ndash; &laquo;The European elections of 1994&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 18, N.&ordm; 1, 1995, pp. 173-187.</p>     <p>GUYOMARCH, Alain &ndash; &laquo;The June 1999 European Parliament elections&raquo;. In <i>West</i> <i>European Politics</i>. Vol. 23, N.&ordm; 1, 2000, pp. 161-174.</p>     <p>&laquo;LA crisi per chi torna dalle vacanze&raquo;. In <i>Il Post</i>. 19 de agosto de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ilpost.it/2019/08/19/crisi-salvini-di-maio-conte/" target="_blank">https://www.ilpost.it/2019/08/19/crisi-salvini-di-maio-conte/</a>.</p>     <p>LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy: complete overturn among government partners &ndash; League doubled, M5S halved&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark N.; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>. Roma: Luiss University, 2019, pp. 173-179.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;. In NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt, eds. &ndash; <i>2019 European Elections Campaing &ndash; Images, Topics, Media in the 28 Member States</i>. Roma: Universit&agrave; degli Studi di Roma Tre, 2019, pp. 151-157.</p>     <p>NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt &ndash; &laquo;European elections monitoring center&raquo;. In NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt, eds. &ndash; <i>2019 European Elections Campaing &ndash; Images, Topics, Media in the 28 Member States</i>. Roma: Universit&agrave; degli Studi di Roma Tre, 2019, pp. 14-30.</p>     <p>PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Challenger&rsquo;s delight: the success of M5S and Lega in the 2018 general election&raquo;. In <i>Italian Political Science</i>. Vol. 13, N.&ordm; 1, 2018, pp. 63-81.</p>     <p>PASSARELLI, Gianluca &ndash; &laquo;Electoral systems in context: Italy&raquo;. In HERRON, Erik S.; PEKKANEN, Robert J.; SHUGART, Matthew S., eds. &ndash; <i>The Oxford Handbook of</i> <i>Electoral Systems</i>. Oxford: Oxford University Press, 2018, pp. 1-29.</p>     <p>RANIOLO, Francesco &ndash; &laquo;Forza Italia: a leader with a party&raquo;. In <i>South European Society</i> <i>and Politics</i>. Vol. 11, N.&ordm; 3-4, 2006, pp. 439-455.</p>     <p>REIF, Karlheinz &ndash; &laquo;National electoral cycles and European elections: 1979 and 1984&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 3, N.&ordm; 3, 1984, pp. 244-255.</p>     <p>REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results&raquo;. In <i>European Journal</i> <i>of Political Research</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 1980, pp. 3-44.</p>     <p>&laquo;SALVINI: &ldquo;Se vinco io la Tav si far&agrave;, capisco che gli alleati siano innervositi dai sondaggi&rdquo;&raquo;. In <i>Il Messagero</i>. 25 de maio de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ilmessaggero.it/politica/salvini_tav_oggi_ultime_notizie-4513286.html" target="_blank">https://www.ilmessaggero.it/politica/salvini_tav_oggi_ultime_notizie-4513286.html</a>.</p>     <p>SANTANA PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; <i>Pol&iacute;tica e Entretenimento</i>. Lisboa: FFMS, 2016.</p>     <p>SANTANA PEREIRA, Jos&eacute;; MOURY, Catherine &ndash; &laquo;Planning the &ldquo;government of change&rdquo;: the 2018 Italian coalition agreement in comparative perspective&raquo;. In <i>Italian</i> <i>Political Science</i>. Vol. 13, N.&ordm; 2, 2018, pp. 92-103.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;The European Parliament elections of June 2004: still second-order?&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 28, N.&ordm; 3, 2005, pp. 650-679.</p>     <p>SEGATTI, Paolo; POLETTI, Monica; VEZZONI, Cristiano &ndash; &laquo;Renzi&rsquo;s honeymoon effect: the 2014 European election in Italy&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2015, pp. 311-331.</p>     <p>SIAROFF, Alan &ndash; &laquo;Elections to the European parliament: testing alternative models of what they indicate in the member nations&raquo;. In <i>Journal of European Integration</i>. Vol. 23, N.&ordm; 3, 2001, pp. 237-255.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 26 de setembro de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 4 de novembro de 2019</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> REIF, Karlheinz; SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;Nine second-order national elections: a conceptual framework for the analysis of European election results&raquo;. In <i>European Journal of Political Research</i>. Vol. 8, N.&ordm; 1, 1980, pp. 3-44.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> REIF, Karlheinz &ndash; &laquo;National electoral cycles and European elections: 1979 and 1984&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 3, N.&ordm; 3, 1984, pp. 244-255.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> CURTICE, John &ndash; &laquo;The 1989 European election: protest or green tide?&raquo;. In <i>Electoral Studies</i>. Vol. 8, N.&ordm; 3, 1989, pp. 217-230.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> FABBRINI, Sergio &ndash; &laquo;The transformation of Italian democracy&raquo;. In <i>Bulletin of Italian Politics</i>. Vol. 1, N.&ordm; 1, 2009, pp. 29-47.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> GUYOMARCH, Alain &ndash; &laquo;The European elections of 1994&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 18, N.&ordm; 1, 1995, pp. 173-187.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> GUYOMARCH, Alain &ndash; &laquo;The June 1999 European Parliament elections&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 23, N.&ordm; 1, 2000, pp. 161-174.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> SIAROFF, Alan &ndash; &laquo;Elections to the European Parliament: testing alternative models of what they indicate in the member nations&raquo;. In <i>Journal of European Integration</i>. Vol. 23, N.&ordm; 3, 2001, pp. 237-255.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> BELLUCCI, Paolo &ndash; &laquo;Election cycles and electoral forecasting in Italy, 1994-2008&raquo;. In <i>International Journal of Forecasting</i>. Vol. 26, 2010, pp. 54-67.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> SCHMITT, Hermann &ndash; &laquo;The European Parliament elections of June 2004: still second-order?&raquo;. In <i>West European Politics</i>. Vol. 28, N.&ordm; 3, 2005, pp. 650-679.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> BELLUATI, Marinella; BOBBA, Giuliano &ndash; &laquo;European elections in Italian media: between second order campaign and the construction of an European public sphere&raquo;. In <i>CEU Political Science Journal</i>. Vol. 5, N.&ordm; 2, 2010, pp. 160-186.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> BRESSANELLI, Edoardo; CALDERARO, Andrea; PICCIO, Daniela; STAMATI, Furio &ndash; &laquo;Italy&raquo;. In GAGATEK, Wojciech, ed. &ndash; <i>The 2009 Elections to the European Parliament &ndash; Country Reports</i>. Floren&ccedil;a: EUI, 2010, pp. 113-118; Belluati, Marinella; Bobba, Giuliano &ndash; &laquo;European elections in Italian media&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> BRESSANELLI, Edoardo; CALDERARO, Andrea; PICCIO, Daniela; STAMATI, Furio &ndash; &laquo;Italy&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> SEGATTI, Paolo; POLETTI, Monica; VEZZONI, Cristiano &ndash; &laquo;Renzi&rsquo;s honeymoon effect: the 2014 European election in Italy&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 20, N.&ordm; 3, 2015, pp. 311-331; BOBBA, Giuliano; SEDDONE, Antonella &ndash; &laquo;How do Eurosceptic parties and economic crisis affect news coverage of the European Union? Evidence from the 2014 European elections in Italy&raquo;. In <i>European Politics and Society</i>. Vol. 19, N.&ordm; 2, 2018, pp. 147-165.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> SEGATTI, Paolo; POLETTI, Monica; VEZZONI, Cristiano &ndash; &laquo;Renzi&rsquo;s honeymoon effect&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> PASSARELLI, Gianluca &ndash; &laquo;Electoral systems in context: Italy&raquo;. In HERRON, Erik S.; PEKKANEN, Robert J.; SHUGART, Matthew S., eds. &ndash; <i>The Oxford Handbook of Electoral Systems</i>. Oxford: Oxford University Press, 2018, pp. 1-29.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> S&iacute;tio do Parlamento italiano: <a href="https://leg16.camera.it/561?appro=856" target="_blank">https://leg16.camera.it/561?appro=856</a>. Ver tamb&eacute;m LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy: complete overturn among government partners &ndash; League doubled, M5S halved&raquo;. In DE SIO, Lorenzo; FRANKLIN, Mark N.; RUSSO, Luana, eds. &ndash; <i>The European Parliament Elections of 2019</i>. Roma: Luiss University, 2019, pp. 173-179.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> No momento em que o Reino Unido sair da ue, este n&uacute;mero subir&aacute; para 76 (LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;).</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> ALBERTAZZI, Daniele; GIOVANNINI, Arianna; SEDDONE, Antonella &ndash; &laquo;&ldquo;No regionalism please, we are Leghisti !&rdquo; The transformation of the Italian Lega Nord under the leadership of Matteo Salvini&raquo;. In <i>Regional &amp; Federal Studies</i>. Vol. 28, N.&ordm; 5, 2018, pp. 645-671.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Os l&iacute;deres dos dois partidos assumiram o cargo de vice-primeiro-ministro e entregaram a presid&ecirc;ncia do Conselho a um independente (mero simpatizante do M5S), o professor universit&aacute;rio e jurista Giuseppe Conte.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> RANIOLO, Francesco &ndash; &laquo;Forza Italia: a leader with a party&raquo;. In <i>South European</i> <i>Society and Politics</i>. Vol. 11, N.&ordm; 3-4, 2006, pp. 439-455.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> BORDANDINI, Paola; DI VIRGILIO, Aldo; RANIOLO, Francesco &ndash; &laquo;The birth of a party: the case of the Italian Partito Democratico&raquo;. In <i>South European Society and Politics</i>. Vol. 13, N.&ordm; 3, 2008, pp. 303--324.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> &Eacute; o irm&atilde;o mais novo do ator que d&aacute; vida ao comiss&aacute;rio Montalbano na s&eacute;rie televisiva baseada nos romances policiais de Andrea Camilleri. O cabe&ccedil;a de lista no c&iacute;rculo eleitoral do Nordeste, Carlo Calenda, foi ator na sua inf&acirc;ncia; para ver mais detalhes sobre as liga&ccedil;&otilde;es dos l&iacute;deres partid&aacute;rios italianos ao mundo do entretenimento, consultar SANTANA PEREIRA, Jos&eacute; &ndash; <i>Pol&iacute;tica e Entretenimento</i>. Lisboa: FFMS, 2016.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> DI MAGGIO, Marco; PERRONE, Manuela &ndash; &laquo;The political culture of the Movimento Cinque Stelle, from foundation to the reins of government&raquo;. In <i>Journal of Modern Italian Studies</i>. Vol. 24, N.&ordm; 3, 2019, pp. 468-482; CECCARINI, Luigi; BORDIGNON, Fabio &ndash; &laquo;The five stars continue to shine: the consolidation of Grillo&rsquo;s &ldquo;movement party&rdquo; in Italy&raquo;. In <i>Contemporary Italian Politics</i>. Vol. 8, N.&ordm; 2, 2016, pp. 131-159.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> DI MAGGIO, Marco; PERRONE, Manuela &ndash; &laquo;The political culture of the Movimento Cinque Stelle&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Para obter mais informa&ccedil;&atilde;o sobre o projeto e a metodologia utilizada, consulte: <a href="https://euandi2019.eu/" target="_blank">https://euandi2019.eu/</a>.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt &ndash; &laquo;European elections monitoring center&raquo;. In NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt, eds. &ndash; 2019 <i>European Elections Campaing </i>..., pp. 14-30.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;. In NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt, eds. &ndash; 2019 <i>European Elections Campaing</i> ..., pp. 151-157.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> NOVELLI, Edoardo; JOHANSSON, Bengt &ndash; &laquo;European elections monitoring center&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Ibidem; ver tamb&eacute;m &laquo;euandi2019&raquo; (dispon&iacute;vel em: <a href="https://euandi2019.eu/" target="_blank">https://euandi2019.eu/</a>); LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy: Complete overturn among government partners&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> SANTANA PEREIRA, Jos&eacute;; MOURY, Catherine &ndash; &laquo;Planning the &ldquo;government of change&rdquo;: the 2018 Italian coalition agreement in comparative perspective&raquo;. In <i>Italian</i> <i>Political Science</i>. Vol. 13, N.&ordm; 2, 2018, pp. 92-103; NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Challenger&rsquo;s delight: the success of M5S and Lega in the 2018 general election&raquo;. In <i>Italian Political Science</i>. Vol. 13, N.&ordm; 1, 2018, pp. 63-81.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> &laquo;Flat Tax della discordia, sale la tensione tra Lega e 5Stelle&raquo;. In <i>QuiFinanza</i>. 9 de abril de 2019. Dispon&iacute;vel em: &laquo;Salvini: &ldquo;Se vinco io la Tav si far&agrave;, capisco che gli alleati siano innervositi dai sondaggi&rdquo;&raquo;. In <i>Il Messagero</i>. 25 de maio de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ilmessaggero.it/politica/salvini_tav_oggi_ultime_notizie-4513286.html" target="_blank">https://www.ilmessaggero.it/politica/salvini_tav_oggi_ultime_notizie-4513286.html</a>.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> Arquivo de sondagens do Governo italiano, dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.sondaggipoliticoelettorali.it/ListaSondaggi.aspx?st=SONDAGGI" target="_blank">http://www.sondaggipoliticoelettorali.it/ListaSondaggi.aspx?st=SONDAGGI</a>.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> <i>Ibidem</i>; LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;; GIANNINI, Chiara &ndash; <i>Io Sono Matteo Salvini: Intervista allo Specchio</i>. Cernusco sul Naviglio (MI): Altaforte, 2019.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;; LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> NOVELLI, Edoardo &ndash; &laquo;Italy&raquo;; ver tamb&eacute;m &laquo;euandi2019&raquo;; LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> DE SIO, Lorenzo &ndash; &laquo;La nazionalizzazione della Lega di Salvini&raquo;. In <i>CISE</i>, 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cise.luiss.it/cise/2019/05/27/la-nazionalizzazione-della-lega-di-salvini/" target="_blank">https://cise.luiss.it/cise/2019/05/27/la-nazionalizzazione-della-lega-di-salvini/</a>.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> LANDINI, Irene; PAPARO, Aldo &ndash; &laquo;Italy&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> Modo como os membros do M5S s&atilde;o coloquialmente designados, em refer&ecirc;ncia ao fundador do movimento, Beppe Grillo.</p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> &laquo;Governo, Conte minaccia le dimissioni: &ldquo;Salvini e Di Maio dicano se continuare&rdquo;&raquo;. In <i>Corriere della Sera</i>. 3 de junho de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.corriere.it/politica/19_giugno_03/governo-conte-non-vivacchio-o-si-avanti-o-rimetto-mandato-salvini-maio-dicano-se-continuare-0813f6b4-8618-11e9-a409-fe3481384c64.shtml" target="_blank">https://www.corriere.it/politica/19_giugno_03/governo-conte-non-vivacchio-o-si-avanti-o-rimetto-mandato-salvini-maio-dicano-se-continuare-0813f6b4-8618-11e9-a409-fe3481384c64.shtml</a>.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> &laquo;La crisi per chi torna dalle vacanze&raquo;. In <i>Il Post</i>. 19 de agosto de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ilpost.it/2019/08/19/crisi-salvini-di-maio-conte/" target="_blank">https://www.ilpost.it/2019/08/19/crisi-salvini-di-maio-conte/</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> Cf.: <a href="https://tg.la7.it/listing/sondaggi" target="_blank">https://tg.la7.it/listing/sondaggi</a>.</p>      ]]></body><back>
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