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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O discurso chinês para os países africanos de língua portuguesa: O papel do Fórum Macau]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[China developed an international discourse-based by an international communication defending Chinese international values for international relations. Some authors see in such discourse the proposal for new world order. China advocates part of this action throughout regional forums, creating a favourable environment for the reception of her political and economic projects. Macau has the function to connect to the African Portuguese speaking countries. In order to achieve that mission, China created the Forum Macau. In this article, we explore the possibility of the existence of a Chinese discourse for the African Portuguese speaking countries or if there is only an adaptation of South/South cooperation discourse.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>A CHINA E &Aacute;FRICA EM ASCENS&Atilde;O</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O discurso chin&ecirc;s para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa: O papel do F&oacute;rum Macau</b></p>     <p><b>The Chinese discourse for the African Portuguese Speaking Countries: the role of Forum Macau</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>C&aacute;tia Miriam Costa<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></b></p>     <p>CEI-IUL | Av. das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa | <a href="mailto:carmen.mendes@fe.uc.pt">carmen.mendes@fe.uc.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A China desenvolveu um discurso externo, marcado por uma comunica&ccedil;&atilde;o internacional dos valores que defende para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, em que muitos autores veem a proposta de uma nova ordem mundial. A China preconiza parte dessa a&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos f&oacute;runs regionais, criando um ambiente internacional favor&aacute;vel aos seus projetos pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos. Macau tem a fun&ccedil;&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa. Para tal, foi criado o F&oacute;rum Macau. Neste artigo exploramos a possibilidade de exist&ecirc;ncia de um discurso chin&ecirc;s para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa ou se se trata apenas da adapta&ccedil;&atilde;o do discurso do modelo de coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa, F&oacute;rum Macau, pol&iacute;tica externa chinesa, f&oacute;runs regionais<i>.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>China developed an international discourse-based by an international communication defending Chinese international values for international relations. Some authors see in such discourse the proposal for new world order. China advocates part of this action throughout regional forums, creating a favourable environment for the reception of her political and economic projects. Macau has the function to connect to the African Portuguese speaking countries. In order to achieve that mission, China created the Forum Macau. In this article, we explore the possibility of the existence of a Chinese discourse for the African Portuguese speaking countries or if there is only an adaptation of South/South cooperation discourse.</p>     <p><b>Keywords</b><i>: </i>African Portuguese speaking countries, Forum Macau, Chinese foreign policy, regional forums.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A Rep&uacute;blica Popular da China (RPC) tem vindo a desenvolver um discurso pr&oacute;prio, defendendo a sua perspetiva do que deveriam ser as rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Aproveitando os canais e ambientes prop&iacute;cios &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o internacional, a China tem conseguido divulgar ao n&iacute;vel global os princ&iacute;pios que defende desde a Confer&ecirc;ncia de Bandung em 1955 que viria a dar origem ao conceito do conflito Norte-Sul. Nessa confer&ecirc;ncia estavam representados 15 Estados asi&aacute;ticos e apenas seis Estados africanos, o que revela o atraso que se verificava na descoloniza&ccedil;&atilde;o de &Aacute;frica. Foi nessa confer&ecirc;ncia que a China, como um dos Estados participantes, pela primeira vez enunciou os princ&iacute;pios que defendia para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais, pela voz do ent&atilde;o primeiro-ministro, Xu Enlai. J&aacute; neste momento, &eacute; percet&iacute;vel que a China pretende ter um papel internacional relevante, pelo que o uso de um f&oacute;rum internacional para fazer chegar ao mundo as suas propostas de relacionamento internacional pode ser considerado como o primeiro passo dado para a exporta&ccedil;&atilde;o da sua vis&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre Estados. Nessas declara&ccedil;&otilde;es, o primeiro-ministro Xu Enlai enumera o respeito m&uacute;tuo pela soberania e integridade territorial, a n&atilde;o agress&atilde;o m&uacute;tua, a n&atilde;o interfer&ecirc;ncia nos assuntos internos de cada um dos Estados, a igualdade, o benef&iacute;cio m&uacute;tuo e a coexist&ecirc;ncia pac&iacute;fica como os eixos para o relacionamento internacional da China. At&eacute; hoje, a China mant&eacute;m estes pressupostos que foram essenciais para, num contexto de p&oacute;s-Guerra Fria, desafiar o unilateralismo, liderado pelos Estados Unidos em &Aacute;frica<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Apesar de o pa&iacute;s n&atilde;o ter sido colonizado e de nas rela&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas da China n&atilde;o ser percet&iacute;vel o fardo da coloniza&ccedil;&atilde;o, como se sente em outras pot&ecirc;ncias regionais, como por exemplo na &Iacute;ndia, o pa&iacute;s escolheu estar do lado sul, isto &eacute;, identificar-se com os Estados que tinham sofrido a press&atilde;o impositora do denominado &laquo;imperialismo ocidental&raquo;. Apesar desse alinhamento pol&iacute;tico com o Sul, a China, na sua tradi&ccedil;&atilde;o intelectual, nunca alimentou a resist&ecirc;ncia ou o conflito com a ordem internacional estabelecida, exce&ccedil;&atilde;o feita para os per&iacute;odos do Grande Salto em Frente e da Revolu&ccedil;&atilde;o Cultural, em que houve um claro isolamento dos intelectuais e da produ&ccedil;&atilde;o intelectual chinesa<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Desde o fim do isolamento da China e da sua abertura ao mundo, a ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e social produzida no pa&iacute;s enquadrou-se nos padr&otilde;es internacionais e apreendeu o discurso a&iacute; prevalecente, preparando os seus cientistas e intelectuais para participarem na produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica internacional e atrav&eacute;s desses canais tamb&eacute;m demonstrarem analiticamente a perspetiva chinesa sobre a ordem internacional e a sua pr&oacute;pria proje&ccedil;&atilde;o ao mundo.</p>     <p>Essa nova diplomacia de abertura, que se revela em diversos campos da vida chinesa, incluindo o cient&iacute;fico, afastou-se do c&acirc;none de Mao Ts&eacute;-Tung e mesmo da era de Deng Xiaoping que promoveu a abertura da China ao Ocidente. A China percebeu que tinha as ferramentas essenciais para manter o discurso de solidariedade com o Sul, para preservar os seus cinco princ&iacute;pios para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais e para se envolver num mundo globalizado e multilateral, aproveitando os benef&iacute;cios que este lhe poderia trazer, sem perdas significativas da orienta&ccedil;&atilde;o do seu projeto nacional para as rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     <p>Ocorre ent&atilde;o uma opera&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a pol&iacute;tica e de revela&ccedil;&atilde;o da China, j&aacute; n&atilde;o como um pa&iacute;s oprimido e subalternizado pelos poderes internacionais, mas como um pa&iacute;s com vontade de participar na ordem internacional, aceitando compromissos e fortalecendo la&ccedil;os atrav&eacute;s do bilateralismo, do regionalismo e do multilateralismo. Este processo transformativo levou a um esfor&ccedil;o de mudan&ccedil;a da sua representa&ccedil;&atilde;o internacional. A China encontrou meios complementares de se expressar a si pr&oacute;pria, j&aacute; n&atilde;o apenas junto dos pa&iacute;ses africanos e asi&aacute;ticos, mas de uma forma global<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Os argumentos para a sua presen&ccedil;a internacional podem variar, indo da ret&oacute;rica hist&oacute;rica &agrave; necessidade de estabilidade regional, como acontece na sua Belt and Road Initiative (BRI)<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Mas a verdade &eacute; que a emerg&ecirc;ncia da China como pot&ecirc;ncia com ambi&ccedil;&otilde;es globais enquadra-se na sua integra&ccedil;&atilde;o no mercado global como um dos seus participantes e competidores, procurando a resili&ecirc;ncia econ&oacute;mica que desemboque num refor&ccedil;o do seu poder pol&iacute;tico<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Independentemente das diferentes perspetivas que os diversos pa&iacute;ses tenham sobre a China, presentemente este pa&iacute;s tornou-se num ator global, n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s da economia e do com&eacute;rcio, ou seja, do mercado global, como tamb&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o em organiza&ccedil;&otilde;es internacionais de voca&ccedil;&atilde;o regional ou global. A China &eacute; hoje o maior contribuidor para as miss&otilde;es de paz e seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e montou uma bem-sucedida rede de institutos Conf&uacute;cio que tem fortalecido a sua diplomacia cultural<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. A desconfian&ccedil;a face &agrave; pol&iacute;tica externa chinesa resulta em parte do facto de, apesar de a China n&atilde;o se ver como uma amea&ccedil;a ou ter uma vontade declarada de dom&iacute;nio global, ter havido uma mistura de orienta&ccedil;&otilde;es que levou a que, at&eacute; 2012, a China alternasse entre o n&atilde;o intervencionismo e a interven&ccedil;&atilde;o direta ou indireta quando isso afetava os seus interesses<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Desde ent&atilde;o, e mais significativamente desde o an&uacute;ncio da BRI em 2013, a China tem-se desdobrado em a&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas e investido num discurso internacional que valide tanto a sua participa&ccedil;&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais como melhore a perce&ccedil;&atilde;o da sua participa&ccedil;&atilde;o e da cria&ccedil;&atilde;o de algumas organiza&ccedil;&otilde;es e f&oacute;runs internacionais de car&aacute;cter regional.</p>     <p>Segundo alguns autores, a China n&atilde;o pretende alterar a ordem mundial, mas antes introduzir elementos alternativos nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais de modo a moldar as suas rela&ccedil;&otilde;es de forma diferente, o que nem sempre &eacute; entendido pelo mundo ocidental<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. Outros ainda referem que a China pretende formatar essas rela&ccedil;&otilde;es de modo a garantir que conseguir&aacute; no futuro modelar o sistema internacional &agrave; sua imagem, levantando a quest&atilde;o de podermos estar em presen&ccedil;a de um poder revisionista em vez de um pa&iacute;s que defende o <i>statu quo</i> atual<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Na verdade, at&eacute; &agrave; presente data, a China empenhou-se em respeitar a ordem internacional, atrav&eacute;s da sua participa&ccedil;&atilde;o nas organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais de voca&ccedil;&atilde;o global, mas tamb&eacute;m na cria&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es regionais que lhe dessem a hip&oacute;tese de aprofundar regionalmente as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais que vinha mantendo. Muitas vezes inspirada nos modelos j&aacute; existentes e praticados, por exemplo, pela Uni&atilde;o Europeia em rela&ccedil;&atilde;o a &Aacute;frica ou &agrave; Am&eacute;rica Latina, criou os seus pr&oacute;prios f&oacute;runs e organiza&ccedil;&otilde;es de modo a poder estabelecer um di&aacute;logo permanente baseado no seu discurso alternativo sobre as rela&ccedil;&otilde;es interestaduais.</p>     <p>Entre esses f&oacute;runs encontra-se o F&oacute;rum para a Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&oacute;mica e Comercial entre a China e os Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa, mais conhecido por F&oacute;rum Macau, com sede nesta Regi&atilde;o Administrativa Especial. O F&oacute;rum foi criado em 2003, volvidos apenas quatro anos da transi&ccedil;&atilde;o da soberania de Macau, que passara das m&atilde;os portuguesas para as m&atilde;os chinesas. Os pa&iacute;ses lus&oacute;fonos j&aacute; tinham rela&ccedil;&otilde;es bilaterais com a China, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe, que mantinha rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com Taiwan. Contudo, a China considerou oportuno criar uma organiza&ccedil;&atilde;o que permitisse a perman&ecirc;ncia dessas rela&ccedil;&otilde;es e que introduzisse um car&aacute;cter multilateral nas mesmas, se bem que de forma controlada, como adiante veremos. O potencial destes pa&iacute;ses n&atilde;o se encontrava tanto no volume das rela&ccedil;&otilde;es comerciais que mantinham com a China, mas no facto de constitu&iacute;rem geografias importantes no com&eacute;rcio internacional e nas redes geopol&iacute;ticas que o pa&iacute;s tentava construir e conservar<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, assim mantendo os seus objetivos de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento com caracter&iacute;sticas chinesas, atrav&eacute;s de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas baseadas nos cinco princ&iacute;pios promovidos pela China desde a Confer&ecirc;ncia de Bandung, mesmo que algumas vezes estes n&atilde;o tivessem sido respeitados por si.</p>     <p>Embora a China tenha demostrado este interesse comercial, econ&oacute;mico e pol&iacute;ticos pelos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, o facto relevante &eacute; a aus&ecirc;ncia de estudos cient&iacute;ficos sobre o volume de neg&oacute;cios ou mesmo as a&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica n&atilde;o s&oacute; fruto do esfor&ccedil;o do F&oacute;rum Macau, mas tamb&eacute;m sobre as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais entre a China e estes pa&iacute;ses. Recentemente, um estudo sobre o impacto da BRI nos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa aponta exatamente para essa falta de estudos sobre o com&eacute;rcio internacional, o investimento e a conjuga&ccedil;&atilde;o de ambos nos ganhos e perdas que estes pa&iacute;ses poder&atilde;o ter face &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o na BRI ou no aprofundamento das suas rela&ccedil;&otilde;es com a China<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Esta aus&ecirc;ncia foi detetada h&aacute; j&aacute; algum tempo por outros autores relativamente aos resultados do F&oacute;rum Macau<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Assim, percebemos que o real envolvimento da China com os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa e especificamente com os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa permanece como um desafio. Atrav&eacute;s deste artigo, pretendemos analisar criticamente o discurso mantido oficialmente atrav&eacute;s do F&oacute;rum Macau e especificamente direcionado para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa, comparando com o discurso global chin&ecirc;s. T&ecirc;m estes pa&iacute;ses algum tratamento espec&iacute;fico, face aos restantes pa&iacute;ses africanos? Qual o papel do F&oacute;rum Macau no estreitamento de la&ccedil;os com os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa? Existe um discurso para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOVOS F&Oacute;RUNS REGIONAIS: A CRIA&Ccedil;&Atilde;O DE UMA POSS&Iacute;VEL SINOSFERA</b></p>     <p>Desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, a China tem vindo a apostar na cria&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs regionais que lhe permitam o contacto permanente ou mais aprofundado com determinadas regi&otilde;es do globo. Estas estruturas de di&aacute;logo multilateral entre pa&iacute;ses do Sul e a enfrentar desafios de desenvolvimento tornaram-se numa das estrat&eacute;gias mais eficazes para a China entrar num novo ciclo da vida internacional. Recorrendo &agrave; oferta de novos tipos de financiamento para o desenvolvimento, permitiram descentralizar e recentrar os mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o internacionais. Apesar de multilaterais, estes f&oacute;runs assentam nas prefer&ecirc;ncias negociais e nas estrat&eacute;gias de Pequim, que os subsidia<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. A progressiva formaliza&ccedil;&atilde;o destes f&oacute;runs permitiu a cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de institui&ccedil;&otilde;es regionais que por vezes se sobrep&otilde;em, mas que sempre se complementam, oferecendo possibilidades de coopera&ccedil;&atilde;o diversas. Exemplo disso &eacute; o facto de um pa&iacute;s como o Brasil participar nas cimeiras dos BRICS, manter rela&ccedil;&otilde;es bilaterais com a China e ainda ser membro do F&oacute;rum Macau.</p>     <p>O mesmo acontece para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa que est&atilde;o no F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o China-&Aacute;frica (FCCA) e tamb&eacute;m no F&oacute;rum Macau. Todavia, e apesar da sua aposta nos mecanismos regionais, a China n&atilde;o abandonou de forma alguma os f&oacute;runs multilaterais globais, onde respeita e integra o <i>statu quo </i>internacional.</p>     <p>Os novos f&oacute;runs regionais, impulsionados pela China, cumprem uma importante fun&ccedil;&atilde;o de complementaridade &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es bilaterais e de especifica&ccedil;&atilde;o da coopera&ccedil;&atilde;o em diferentes dom&iacute;nios, da economia &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, passando pela cultura, pela sa&uacute;de, entre outros. A sua disponibilidade para custear despesas administrativas das organiza&ccedil;&otilde;es e financiar alguns dos programas a&iacute; negociados concede-lhe, tamb&eacute;m, uma posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a que noutros casos n&atilde;o obteria. No caso africano, o FCCA foi precedido de visitas presidenciais e ministeriais chinesas em 1996 e 1997, o que demonstra que houve uma prepara&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o novo formato chin&ecirc;s de coopera&ccedil;&atilde;o com &Aacute;frica, catapultando a coopera&ccedil;&atilde;o de Pequim para um n&iacute;vel formal superior<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     <p>De facto, estes f&oacute;runs regionais permitiram &agrave; China alargar a sua esfera de influ&ecirc;ncia e atrair cada vez mais pa&iacute;ses ao seu conv&iacute;vio diplom&aacute;tico. At&eacute; &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica que tenha penetra&ccedil;&atilde;o na esfera p&uacute;blica de cada pa&iacute;s ainda levar&aacute; algum tempo, mas se essa fase for conclu&iacute;da, decerto, teremos a lenta mas progressiva constru&ccedil;&atilde;o de uma sinosfera. O cada vez maior empenho da China numa diplomacia &laquo;suave&raquo;, envolvendo &aacute;reas como a educa&ccedil;&atilde;o e a ci&ecirc;ncia, a forma&ccedil;&atilde;o e a tecnologia, a cultura e o desporto, &eacute; sintom&aacute;tico exatamente desta tend&ecirc;ncia para criar, nos pa&iacute;ses com os quais mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e comerciais mais estreitas, uma rece&ccedil;&atilde;o positiva da sua presen&ccedil;a. Em alguns estudos desenvolvidos para os pa&iacute;ses centro-asi&aacute;ticos, chegou-se &agrave; conclus&atilde;o de que essas aproxima&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas tinham surtido os seus efeitos positivos<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estreitando a an&aacute;lise para os Estados que aqui interessam &ndash; os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa &ndash;, verificamos que a liga&ccedil;&atilde;o de Macau a Portugal foi determinante na sua escolha para acolher o F&oacute;rum Macau. Ali&aacute;s, a China cedo decidiu atribuir a Macau a miss&atilde;o de liga&ccedil;&atilde;o aos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa e &agrave; Am&eacute;rica Latina<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. A manuten&ccedil;&atilde;o do Festival da Lusofonia, criado em 1998, portanto, j&aacute; no ocaso da presen&ccedil;a portuguesa, comprova essa vontade da China de manter os la&ccedil;os herdados da presen&ccedil;a portuguesa no territ&oacute;rio. Para seguir essa estrat&eacute;gia, o Governo chin&ecirc;s n&atilde;o s&oacute; aceitou como valorizou a heran&ccedil;a portuguesa na Regi&atilde;o Administrativa Especial de Macau. Esse passo foi determinante para que a cria&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Macau surgisse como algo natural n&atilde;o s&oacute; aos olhos chineses e macaenses, como tamb&eacute;m aos olhos dos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, incluindo Portugal. Macau acolheria a sede da organiza&ccedil;&atilde;o, bem como os seus representantes oficiais. A China reposicionou esta regi&atilde;o administrativa especial, tanto ao n&iacute;vel regional como global, mantendo a sua caracter&iacute;stica essencial: a de ser uma porta para o Ocidente, sem que isso aniquilasse o papel essencial da China<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Apesar de negligenciado nos estudos acad&eacute;micos<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>, Macau representou para a China um recurso fundamental para diversificar a sua coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, retirando-os do seu enquadramento regional, mas trazendo-os para um contexto de hist&oacute;ria partilhada<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Cada um dos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa apresenta motivos de atra&ccedil;&atilde;o para a China. Se em Angola e Mo&ccedil;ambique podemos ver os seus recursos energ&eacute;ticos como um dos maiores atrativos, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau e S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe oferecem uma posi&ccedil;&atilde;o geoestrat&eacute;gica privilegiada no Atl&acirc;ntico Sul, o oceano em que a China tem tido mais dificuldade em conseguir estabelecer-se.</p>     <p>Para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa, o F&oacute;rum Macau surgia como uma complementaridade &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o no FCCA. Ao contr&aacute;rio do FCCA, que depende do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, o F&oacute;rum Macau depende do Minist&eacute;rio do Com&eacute;rcio Chin&ecirc;s, o que logo por si representa o di&aacute;logo direto com um outro parceiro chin&ecirc;s. Para estes pa&iacute;ses, o F&oacute;rum Macau tem sido visto como uma ferramenta de aprofundamento das rela&ccedil;&otilde;es bilaterais entre estes pa&iacute;ses e a China, sendo que a negocia&ccedil;&atilde;o em grupo parece faz&ecirc;-los sentir mais fortes e seguros para defender as suas posi&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Num estudo sobre o impacto da cultura nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> ficou claro que para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa a Feira Internacional de Macau representava uma oportunidade para cativar o investimento chin&ecirc;s nestes pa&iacute;ses e para procurar transfer&ecirc;ncia de tecnologia atrav&eacute;s de projetos comuns. Segundo os resultados desta investiga&ccedil;&atilde;o, era claro que estes pa&iacute;ses procuravam mais atrair investimento e tecnologia do que propriamente promover a exporta&ccedil;&atilde;o dos seus produtos, alguns pouco adequados ao mercado e empresas chineses.</p>     <p>Os dezasseis anos de atividade do F&oacute;rum Macau e a consolida&ccedil;&atilde;o de algumas das suas atividades, demonstram que a sua cria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o derivou apenas de uma tend&ecirc;ncia do momento. A sua continua&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o em termos de tipologia de coopera&ccedil;&atilde;o demonstra que a China considera que o F&oacute;rum Macau foi uma aposta ganha e que proporciona novas oportunidades de relacionamento internacional &agrave; China, mantendo a sua vis&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Contudo, mant&eacute;m-se a quest&atilde;o: existir&aacute; da parte da China um discurso veiculado apenas para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa ou o F&oacute;rum Macau representa apenas mais uma oportunidade muito espec&iacute;fica e direcionada para a promo&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre a China e estes pa&iacute;ses?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>F&Oacute;RUM MACAU: UMA VARIANTE REGIONAL PARA OS PA&Iacute;SES AFRICANOS DE L&Iacute;NGUA PORTUGUESA?</b></p>     <p>Antes de mais, &eacute; necess&aacute;rio analisar a estrutura do F&oacute;rum Macau para compreender aquilo em que &eacute; inovador e como pode complementar as outras formas de coopera&ccedil;&atilde;o existentes entre a China e os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa. Apesar da sua apar&ecirc;ncia de f&oacute;rum multilateral convencional, o F&oacute;rum Macau, para al&eacute;m de ser financiado pelo Minist&eacute;rio do Com&eacute;rcio da China e pelo Executivo de Macau, tem uma estrutura assente na lideran&ccedil;a chinesa que nomeia o secret&aacute;rio-geral. Existem ainda tr&ecirc;s secret&aacute;rios adjuntos, um representando a China, outro representando a Regi&atilde;o Administrativa Especial de Macau, e um terceiro representando os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, cujo exerc&iacute;cio &eacute; rotativo e a ordem de nomea&ccedil;&atilde;o por pa&iacute;s a fazer-se por ordem alfab&eacute;tica. Com base num trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvido h&aacute; cerca de tr&ecirc;s anos, os delegados dos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa e as respetivas embaixadas em Pequim consideravam que havia uma metodologia de trabalho muito centralizada<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Outros autores chamam ainda a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de os delegados do F&oacute;rum Macau n&atilde;o terem um estatuto diplom&aacute;tico, dada a hibridez legal do F&oacute;rum<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>. &Eacute; evidente que, de alguma forma, as quest&otilde;es aqui levantadas podem vulnerabilizar a institui&ccedil;&atilde;o em si. Quando comparado com o FCCA, o F&oacute;rum Macau tem algumas diferen&ccedil;as significativas, pois mant&eacute;m um secretariado permanente e uma fun&ccedil;&atilde;o muito espec&iacute;fica que poder&aacute; gerar expetativas muito elevadas por parte dos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa. Igualmente, a faceta do multilateralismo dissolve-se na lideran&ccedil;a que a China assume, sobretudo, na fixa&ccedil;&atilde;o da agenda de coopera&ccedil;&atilde;o, o que leva a que, por vezes, exista algum desinteresse num investimento substancial na organiza&ccedil;&atilde;o por parte dos Estados de l&iacute;ngua portuguesa. Igualmente, &eacute; de assinalar que o F&oacute;rum Macau &eacute; ainda um desconhecido entre o tecido empresarial dos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, incluindo os que se situam no continente africano<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>Mesmo assim, tem existido a preocupa&ccedil;&atilde;o da China em adaptar as atividades do F&oacute;rum Macau &agrave;s necessidades dos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa. Por um lado, criam-se servi&ccedil;os que s&atilde;o comuns a todos os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, em que se incluem: Centro de Servi&ccedil;os Comerciais para Pequenas e M&eacute;dias Empresas, Centro de Distribui&ccedil;&atilde;o de Produtos Alimentares dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa e o Centro para Conven&ccedil;&otilde;es e Exposi&ccedil;&otilde;es para a Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&oacute;mica e Comercial entre a China e os Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa. Nas suas intera&ccedil;&otilde;es com os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, o F&oacute;rum Macau tem privilegiado a relev&acirc;ncia do incremento do volume de com&eacute;rcio bilateral entre a China e os v&aacute;rios pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa e a realiza&ccedil;&atilde;o de confer&ecirc;ncias ao mais alto n&iacute;vel de forma ininterrupta e intercalada pelos v&aacute;rios n&iacute;veis de decis&atilde;o<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Esta intera&ccedil;&atilde;o com a esfera p&uacute;blica tamb&eacute;m se realiza atrav&eacute;s da publicita&ccedil;&atilde;o dos documentos oficiais da organiza&ccedil;&atilde;o na sua p&aacute;gina <i>web</i>, fazendo coincidir ambos os discursos, dando assim coer&ecirc;ncia &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o internacional do discurso da organiza&ccedil;&atilde;o, essencial para a sua dissemina&ccedil;&atilde;o na esfera global.</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o africana lus&oacute;fona ficou completa recentemente, com a admiss&atilde;o de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe em 2017, ap&oacute;s uma longa presen&ccedil;a junto do F&oacute;rum, enquanto observador das confer&ecirc;ncias ministeriais. S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe pode agora beneficiar de todas as iniciativas do F&oacute;rum, como, por exemplo, aquelas que mais ami&uacute;de se t&ecirc;m realizado, como a forma&ccedil;&atilde;o de quadros e a capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica de recursos humanos. Estes semin&aacute;rios t&ecirc;m sido uma forma de promover a diplomacia chinesa e de baixar o n&iacute;vel de liga&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, adicionando aos Estados e empresas a componente individual, pois estes formandos t&ecirc;m a hip&oacute;tese da partilha de experi&ecirc;ncias e conhecimentos que se prolonga no tempo.</p>     <p>Relativamente aos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa e segundo os documentos que resultaram das confer&ecirc;ncias ministeriais, datando a primeira de outubro de 2013 e a mais recente de outubro de 2016, podemos detetar o momento preciso em que ganham protagonismo num discurso muito espec&iacute;fico, criado em sua fun&ccedil;&atilde;o. Seria esperada uma confer&ecirc;ncia em 2019, que n&atilde;o se veio a realizar, estando j&aacute; acordada uma data para 2020, pelo que podemos apenas avaliar at&eacute; ao &laquo;Plano de A&ccedil;&atilde;o do FCCA 2019-2021&raquo;. A primeira confer&ecirc;ncia ministerial, em 2003, assentou os princ&iacute;pios de coopera&ccedil;&atilde;o que ser&atilde;o reiterados em todas as outras confer&ecirc;ncias e que respeitam os princ&iacute;pios defendidos pela China para o relacionamento internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A segunda confer&ecirc;ncia ministerial, realizada em 2006 e que aprovou o plano de a&ccedil;&atilde;o para o tri&eacute;nio 2007-2009, para al&eacute;m do balan&ccedil;o sobre o tri&eacute;nio anterior, refor&ccedil;a a perspetiva sobre a pol&iacute;tica internacional da China, reiterando os princ&iacute;pios da igualdade, dos benef&iacute;cios e das vantagens m&uacute;tuos. &Eacute; ainda robustecido o papel do F&oacute;rum enquanto plataforma multilateral que pode fomentar acordos bilaterais e o incremento das rela&ccedil;&otilde;es entre os Estados participantes. Mant&eacute;m a diversidade da coopera&ccedil;&atilde;o nos diversos dom&iacute;nios: comercial, empresarial, agr&iacute;cola e pisc&iacute;cola, infraestrutural, recursos naturais, recursos humanos. Contudo, tamb&eacute;m introduz algumas novidades, como a enumera&ccedil;&atilde;o de novas &aacute;reas de coopera&ccedil;&atilde;o (transportes, ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, ci&ecirc;ncia e tecnologia). Mas a maior novidade &eacute; a introdu&ccedil;&atilde;o do ponto dedicado &agrave; &laquo;Coopera&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento&raquo;, em que menciona a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de verbas para empr&eacute;stimo por parte da China e de Portugal aos pa&iacute;ses africanos e asi&aacute;ticos de l&iacute;ngua portuguesa. Pela primeira vez, aparece uma men&ccedil;&atilde;o a uma &aacute;rea geogr&aacute;fica espec&iacute;fica, reportando-se a Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau, Mo&ccedil;ambique e Timor-Leste, portanto, duas &aacute;reas estrat&eacute;gicas em que a China vinha apostando na coopera&ccedil;&atilde;o bilateral. O facto de Portugal ombrear com a China nesta disponibiliza&ccedil;&atilde;o financeira, demonstra que o F&oacute;rum Macau aparecia como a institui&ccedil;&atilde;o que permitia &agrave; antiga pot&ecirc;ncia colonizadora aceitar e colaborar neste mecanismo criado pela China na &aacute;rea do investimento. A China comprometia-se com cerca de 102 milh&otilde;es de euros e Portugal com 100 milh&otilde;es de euros. Deste modo, parece que a primeira incurs&atilde;o da China, no &acirc;mbito do F&oacute;rum Macau, sobre um territ&oacute;rio de tradicional influ&ecirc;ncia de Portugal foi mediada por uma partilha de disponibiliza&ccedil;&atilde;o da ajuda financeira, essencialmente dirigida a investimento p&uacute;blico. Esta partilha, ali&aacute;s, tem sido algo constante no di&aacute;logo entre Portugal e a China, em que n&atilde;o raro surge e ressurge a ideia de projetos de investimento comum em pa&iacute;ses africanos, especificamente, os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa. Esta colabora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se deve &agrave; incapacidade da China para faz&ecirc;-lo sozinha, mas &agrave; capacidade de Portugal abrir portas e facilitar entendimentos, dada a sua rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica com estes pa&iacute;ses. No documento &eacute; ainda referido o papel de Macau como plataforma para a coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e comercial entre a China e os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa.</p>     <p>A terceira confer&ecirc;ncia ministerial, realizada em 2010, que apresentou o plano de a&ccedil;&atilde;o para o tri&eacute;nio 2010-2013, introduziu uma novidade que real&ccedil;a a diversidade no seio do F&oacute;rum Macau, o que desde logo poderia beneficiar os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa pela diferencia&ccedil;&atilde;o que lhes permite. No pre&acirc;mbulo e j&aacute; num contexto de p&oacute;s-crise financeira, os Estados reconhecem os diversos n&iacute;veis de desenvolvimento socioecon&oacute;mico e as especificidades de cada pa&iacute;s. No mesmo documento s&atilde;o introduzidas novas &aacute;reas de coopera&ccedil;&atilde;o como o turismo, os transportes e comunica&ccedil;&otilde;es, a &aacute;rea financeira e as &aacute;reas da cultura, r&aacute;dio, cinema e televis&atilde;o. Como balan&ccedil;o, s&atilde;o referidos os empr&eacute;stimos concedidos atrav&eacute;s do plano de 2007-2009 e anunciados novos empr&eacute;stimos destinados de novo aos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa de &Aacute;frica e &Aacute;sia, tendo o valor sido refor&ccedil;ado e cifrando-se agora nos 205 milh&otilde;es de euros. Quanto ao valor financiado por Portugal n&atilde;o &eacute; referida qualquer alus&atilde;o &agrave; sua aplica&ccedil;&atilde;o ou a um eventual refor&ccedil;o no tri&eacute;nio deste plano. A China isola-se, ent&atilde;o, na ajuda financeira direta aos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa no seio dos mecanismos do F&oacute;rum Macau e consegue introduzir formalmente novas &aacute;reas de coopera&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ent&atilde;o eram apenas enunciadas como &aacute;reas de poss&iacute;vel coopera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A quarta confer&ecirc;ncia ministerial, da qual resulta o plano de a&ccedil;&atilde;o para o tri&eacute;nio 20142016, refor&ccedil;a a especificidade dos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa que, a par do pa&iacute;s asi&aacute;tico de l&iacute;ngua portuguesa, s&atilde;o referidos na coopera&ccedil;&atilde;o no dom&iacute;nio da agricultura, das pescas e da pecu&aacute;ria. Igualmente, as &aacute;reas dos recursos humanos e da educa&ccedil;&atilde;o recebem uma maior aten&ccedil;&atilde;o, com a men&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica aos pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa e &agrave; disponibilidade da China para adaptar a sua oferta formativa &agrave;s necessidades de cada um dos pa&iacute;ses. As &aacute;reas da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a economia e o com&eacute;rcio, a sa&uacute;de, a agricultura, os transporte e telecomunica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o referidas especificamente. Tamb&eacute;m na &aacute;rea da sa&uacute;de, os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa recebem uma aten&ccedil;&atilde;o especial, maioritariamente, nas &aacute;reas das doen&ccedil;as tropicais, tanto no diagn&oacute;stico como no tratamento.</p>     <p>A quinta e &uacute;ltima confer&ecirc;ncia ministerial, com o respetivo plano de a&ccedil;&atilde;o, j&aacute; menciona a BRI, enquadrando a coopera&ccedil;&atilde;o da China com os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa neste &acirc;mbito. Pela primeira vez, a coopera&ccedil;&atilde;o para a prosperidade m&uacute;tua, tantas vezes mencionada nos anteriores documentos, aparece aqui integrada num projeto de maior envergadura e de autoria chinesa. Quer isto dizer que se estabelece a ponte definitiva entre este projeto de car&aacute;cter global, com estes outros que poderiam ter um car&aacute;cter mais regional. &Eacute; ainda real&ccedil;ado o facto de a China ter procedido &agrave; isen&ccedil;&atilde;o de direitos aduaneiros de 97% dos produtos oriundos dos quatro pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa. Este par&aacute;grafo tem na reda&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s duas defici&ecirc;ncias: ao referir-se a quatro pa&iacute;ses, dever&aacute; querer dizer, os quatro pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa; quando menciona quatro, s&oacute; enumera tr&ecirc;s, pelo que o correto deveria ser Angola, Cabo Verde, Guin&eacute;-Bissau e Mo&ccedil;ambique, j&aacute; que S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe vem a aderir apenas em 2017 &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, logo no ano seguinte &agrave; confer&ecirc;ncia. Os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa recebem ainda aten&ccedil;&atilde;o especial nas seguintes &aacute;reas de coopera&ccedil;&atilde;o: agricultura, floresta, pesca e pecu&aacute;ria; energia e recursos naturais; recursos humanos; coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento; sa&uacute;de; prote&ccedil;&atilde;o ambiental.</p>     <p>No t&oacute;pico da &laquo;Coopera&ccedil;&atilde;o na &Aacute;rea da Educa&ccedil;&atilde;o e Recursos Humanos&raquo; h&aacute; a salientar o facto de a China ter criado o Instituto de Desenvolvimento e Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, que aqui aparece formalmente mencionado, no sentido de ser estabelecida uma colabora&ccedil;&atilde;o entre este instituto e o Centro de Forma&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Macau. Uma vez mais, este documento parece introduzir a tend&ecirc;ncia de a China finalmente fazer as pontes pretendidas entre este f&oacute;rum regional e a sua pol&iacute;tica econ&oacute;mica, comercial e de coopera&ccedil;&atilde;o global. Surge, ainda, da possibilidade da coopera&ccedil;&atilde;o trilateral, proporcionada pelos projetos comuns do F&oacute;rum Macau. A China reitera, ainda, a sua vontade de manter a ajuda financeira e de inovar nos mecanismos e modelos de financiamento para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa. Esta quinta confer&ecirc;ncia refor&ccedil;a bastante o papel da diplomacia chinesa no sentido de alargar o &acirc;mbito do F&oacute;rum Macau a &aacute;reas de desenvolvimento em que existe um benef&iacute;cio direto para as popula&ccedil;&otilde;es e comunidades, como a educa&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de. Este refor&ccedil;o, indubitavelmente, pretende melhorar a rece&ccedil;&atilde;o da China nesses pa&iacute;ses e estabelecer pontes que permitam um alargamento da chamada sinosfera que tem vindo a ser criada pelo impulso e manuten&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es regionais de car&aacute;cter mais ou menos formal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ALGUMAS CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>A China tem efetuado um esfor&ccedil;o significativo na cria&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs regionais que lhe permitam atrair e facilitar a coopera&ccedil;&atilde;o com Estados de determinadas regi&otilde;es. Embora tenha rela&ccedil;&otilde;es bilaterais diversificadas e abrangentes geogr&aacute;fica e regionalmente, encontrou nos f&oacute;runs regionais uma ferramenta de di&aacute;logo de formato multilateral, o que lhe concede um prest&iacute;gio internacional at&eacute; ent&atilde;o inalcan&ccedil;ado. O multilateralismo tem permitido &agrave; China percecionar melhor as diferen&ccedil;as entre pa&iacute;ses e aprender a auscultar o que cada regi&atilde;o tem a dizer de si. Mesmo custeando a manuten&ccedil;&atilde;o desses f&oacute;runs, a China n&atilde;o deixa de evocar repetidamente os princ&iacute;pios base da sua pol&iacute;tica internacional de forma a fazer sentir que existe uma igualdade no tratamento dos Estados, independentemente da sua dimens&atilde;o ou poder, o que lhe concede n&atilde;o s&oacute; prest&iacute;gio como o respeito das na&ccedil;&otilde;es mais fr&aacute;geis que geralmente t&ecirc;m mais receio em se envolver negocialmente neste tipo de iniciativas diplom&aacute;ticas.</p>     <p>No caso espec&iacute;fico do F&oacute;rum Macau, a sua cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o est&aacute; de acordo com a pol&iacute;tica geral chinesa de progressiva cria&ccedil;&atilde;o de uma sinosfera e de afirma&ccedil;&atilde;o internacional. Tal como nos outros f&oacute;runs, apresenta caracter&iacute;sticas de igualdade no tratamento da China relativamente a todos os parceiros, por&eacute;m tamb&eacute;m assenta na desigualdade de capacidade para criar agenda dentro da organiza&ccedil;&atilde;o, visto a lideran&ccedil;a ser chinesa. Deste modo, o discurso criado para os pa&iacute;ses africanos de l&iacute;ngua portuguesa &eacute; em tudo similar &agrave;quele que a China usa em pa&iacute;ses da mesma &aacute;rea geogr&aacute;fica onde tem interesses estrat&eacute;gicos. A &uacute;nica diferen&ccedil;a aqui &eacute; o envolvimento direto de uma regi&atilde;o administrativa especial e a rela&ccedil;&atilde;o direta com o Minist&eacute;rio do Com&eacute;rcio que, de certa forma, promove um tipo de oportunidade diferenciada a estes pa&iacute;ses. Acresce a este fator a especificidade de a organiza&ccedil;&atilde;o se basear na partilha hist&oacute;rica e lingu&iacute;stica que parece fazer querer que a China pensou n&atilde;o s&oacute; em Macau como &acirc;ncora para os seus projetos de coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, mas tamb&eacute;m nestes como &acirc;ncoras nas suas regi&otilde;es para potenciar as rela&ccedil;&otilde;es da China com cada uma das regi&otilde;es.</p>     <p>Ao partilhar este espa&ccedil;o de coopera&ccedil;&atilde;o com a antiga pot&ecirc;ncia colonizadora, consegue tamb&eacute;m neutralizar qualquer a&ccedil;&atilde;o desta que vise o seu descr&eacute;dito ou desvaloriza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o encontrando por isso opositor ao seu discurso de proximidade hist&oacute;rica. Outro objetivo que tamb&eacute;m consegue atingir &eacute; o facto de dar seguran&ccedil;a aos Estados mais fr&aacute;geis na manuten&ccedil;&atilde;o das suas rela&ccedil;&otilde;es com a China, visto estes sentirem-se de alguma forma protegidos pelo formato de multilateralismo que os coloca em di&aacute;logo conjunto, apesar de, mesmo atrav&eacute;s do multilateralismo, a China colocar propostas que visam refor&ccedil;ar as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais. Para al&eacute;m destes benef&iacute;cios, a China consegue ainda articular o seu discurso para os membros do F&oacute;rum com o seu discurso globalizante da BRI e da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, o que s&oacute; por si demonstra que a coopera&ccedil;&atilde;o com os pa&iacute;ses africanos lus&oacute;fonos n&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o de prest&iacute;gio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>ALDEN, Chris; ALVES, Ana Cristina &ndash; &laquo;China&rsquo;s regional forum diplomacy in the developing world: socialisation and the &ldquo;sinosphere&rdquo;&raquo;. In <i>Journal of Contemporary China</i>. Vol. 26, N.&ordm; 103, 2017, pp. 151-165.</p>     <p>ALVES, Ana &ndash; <i>China&rsquo;s Lusophone Connection</i>. Joanesburgo: South African Institute of International Affairs, 2008.</p>     <p>CAMBI&Eacute;, Silvia; YANG-MAY, Ooi &ndash; <i>International Communication Strategy: Development in Cross-Cultural Communications, PR and Social Media</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Londres; Filad&eacute;lfia, PA: Kogan Page, 2009.</p>     <p>DANILOVICH, Maria &ndash; &laquo;&ldquo;The Belt and Road Initiative&rdquo; in the discourses of the Central Asian states: political rhetoric of growth and academic prognostication&raquo;. In <i>Journal of Chinese Economic and Business Studies</i>. Vol. 16, N.&ordm; 3, 2018, pp. 293-312.</p>     <p>DIAS, Alfredo Gomes &ndash; &laquo;Antecedentes da s&iacute;ntese hist&oacute;rica&raquo;. <i>In </i>AFONSO, Aniceto, ed. &ndash; <i>Macau, S&eacute;culo XXI</i>. Lisboa: Liga Multissecular Amizade Portugal China, 2015, pp. 25-46.</p>     <p>FOROUGH, Mohammdbagher &ndash; &laquo;Intervention with Chinese characteristics: the Belt and Road Initiative reconfiguring (Afro)-Euroasian geo-economics&raquo;. In <i>Conflict, Security &amp; Development</i>. N.&ordm; 3, 2019, pp. 275-281. DOI: <a href="https://doi.org/10.1080/14678802.2019.1608023" target="_blank">https://doi.org/10.1080/14678802.2019.1608023</a>.</p>     <p>HAO, Yufan; SHENG, Li Sheng; PAN, Guanjin &ndash; <i>Political Economy of Macao since 1999: The Dilemma of Success</i>. Singapura: Palgrave-Macmillan, 2017.</p>     <p>HUANG, Chiung-Chiu; SHIH, Chih-yu &ndash; <i>Harmonious China&rsquo;s Quest for Relational Security</i>. Burlington: Ashgate, 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MAYER, Maximilian &ndash; &laquo;China&rsquo;s rise as Eurasian power: the revival of the Silk Road and its consequences&raquo;. <i>In </i>Mayer, Maximilian, ed. &ndash; <i>Rethinking the Silk Road: China&rsquo;s Belt and Road Initiative and Emerging Euroasian Relations</i>. Singapura: Palgrave-Macmillan, 2018, pp. 1-42.</p>     <p>MENDES, Carmen Amado &ndash; &laquo;A relev&acirc;ncia do F&oacute;rum Macau: o F&oacute;rum para a Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&oacute;mica e Comercial entre a China e os Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 13, 5.&ordf; S&eacute;rie, 2013, pp. 279-296.</p>     <p>MENDES, Carmen Amado &ndash; &laquo;Macau in China&rsquo;s relations with the lusophone world&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional</i>. N.&ordm; 57, 2014, pp. 225-242. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201400214" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201400214</a>.</p>     <p>POLICARPO, Ver&oacute;nica; RODRIGUES, Irene; PITEIRA, Carlos; RATO, Ricardo; MIEIRO, Susana &ndash; &laquo;Barometer of China-Portuguese speaking countries: the impact of culture on commercial relations&raquo;. In <i>SSRN</i>. 17 de novembro de 2015. (Consultado em: 15 de junho de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2690038" target="_blank">https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2690038</a>.</p>     <p>SHIH, Chih-yu &ndash; <i>Sinicizing International Relations: Self, Civilization, and Intellectual Politics in Subaltern East Asia</i>. Nova York, NY: Palgrave Macmillan, 2013.</p>     <p>SPOONER, Paul B. &ndash; &laquo;Macau&rsquo;s trade with the Portuguese speaking world&raquo;. In <i>Journal of Global Initiatives. </i>Vol. 11, N.&ordm; 1, 2016.</p>     <p>TRAN, &Eacute;mile; SANTOS, Jos&eacute; Carlos Matias dos &ndash; &laquo;The seminars of the Macao Forum: an illustration of China&rsquo;s soft-power diplomacy towards the Portuguese-speaking countries&raquo;. In <i>China: An International Journal</i>. Vol. 13, N.&ordm; 1, 2015, pp. 93-112. DOI: <a href="https://www.muse.jhu.edu/article/578674" target="_blank">https://www.muse.jhu.edu/article/578674</a>.</p>     <p>VOGT, William &ndash; &laquo;China and lusophonia: a compatible alliance network?&raquo;. In <i>China Quarterly of International Strategic Studies</i>. Vol. 3, N.&ordm; 4, 2017, pp. 551-573. DOI: <a href="https://doi.org/10.1142/S2377740017500312" target="_blank">https://doi.org/10.1142/S2377740017500312</a>.</p>     <p>XING, Li &ndash; &laquo;China&rsquo;s pursuit for the &ldquo;One Belt One Road&rdquo; Initiative: a new world order with Chinese characteristics?&raquo;. <i>In </i>XING, Li, ed. &ndash; <i>Mapping China&rsquo;s &ldquo;One Belt One Road&rdquo; Initiative</i>. Cham: PalgraveMacmillan, 2019, pp. 1-27.</p>     <p>XING, Li; DUARTE, Paulo &ndash; &laquo;Conclusion: the One Belt One Road in the politics of ear and hope&raquo;. <i>In </i>XING, Li, ed. <i>&ndash; Mapping China&rsquo;s &ldquo;One Belt One Road&rdquo; Initiative</i>. Cham: PalgraveMacmillan, 2019, pp. 279-290.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>XING, Lizhi; WANG, Dawei; LI, Yan; GUAN, Jun; DONG, Xianlei &ndash; &laquo;Simulation analysis of the competitive status between China and Portuguese-speaking countries under the background of one belt one road initiative&raquo;. In <i>Physica A</i>. Vol. 539, pp. 1-20. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.physa.2019.122895" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.physa.2019.122895</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 12 de dezembro de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 10 de janeiro de 2020</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> A realiza&ccedil;&atilde;o deste artigo foi apoiada pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, BdP/113289/2015.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> TRAN, &Eacute;mile; SANTOS, Jos&eacute; Carlos Matias dos &ndash; &laquo;The seminars of the Macao Forum: an illustration of China&rsquo;s softpower diplomacy towards the Portuguese-speaking countries&raquo;. In <i>China: An International Journal</i>. Vol. 13, N.&ordm; 1, 2015, pp. 93-112. DOI: <a href="https://www.muse.jhu.edu/article/578674" target="_blank">https://www.muse.jhu.edu/article/578674</a>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> SHIH, Chih-yu &ndash; <i>Sinicizing International Relations: Self, Civilization, and Intellectual Politics in Subaltern East Asia</i>. Nova York, NY: Palgrave Macmillan, 2013.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> CAMBI&Eacute;, Silvia; YANG-MAY, Ooi &ndash; <i>International Communication Strategy: Development in Cross-Cultural Communications, PR and Social Media</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Londres; Filad&eacute;lfia, PA: Kogan Page, 2009.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> MAYER, Maximilian &ndash; &laquo;China&rsquo;s rise as Eurasian power: the revival of the Silk Road and its consequences&raquo;. <i>In </i>MAYER, Maximilian, ed. &ndash; <i>Rethinking the Silk Road: China&rsquo;s Belt and Road Initiative and Emerging Euroasian Relations</i>. Singapura: Palgrave-Macmillan, 2018, pp. 1-42.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> XING, Li &ndash; &laquo;China&rsquo;s pursuit for the &ldquo;One Belt One Road&rdquo; Initiative: a new world order with Chinese characteristics?&raquo;. <i>In </i>XING, Li, ed. &minus; <i>Mapping China&rsquo;s &ldquo;One Belt One Road&rdquo; Initiative</i>. Cham: Palgrave-Macmillan, 2019, pp. 1-27.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> FOROUGH, Mohammdbagher &ndash; &laquo;Intervention with Chinese characteristics: the Belt and Road Initiative reconfiguring (Afro)-Euroasian geo-economics&raquo;. In <i>Conflict, Security &amp; Development</i>. N.&ordm; 3, 2019, pp. 275-281. DOI: <a href="https://doi.org/10.1080/%2014678802.2019.1608023" target="_blank">https://doi.org/10.1080/ 14678802.2019.1608023</a>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> HUANG, Chiung-Chiu; SHIH, Chih-yu &ndash; <i>Harmonious China&rsquo;s Quest for Relational Security</i>. Burlington: Ashgate, 2014.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> XING, Li; DUARTE, Paulo &ndash; &laquo;Conclusion: the One Belt One Road in the politics of ear and hope&raquo;. <i>In </i>XING, Li, ed. <i>&ndash; Mapping China&rsquo;s &ldquo;One Belt One Road&rdquo; Initiative</i>. Cham: Palgrave-Macmillan, 2019, pp. 279-290.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> ALDEN, Chris; ALVES, Ana Cristina &ndash; &laquo;China&rsquo;s regional forum diplomacy in the developing world: socialisation and the &ldquo;sinosphere&rdquo;&raquo;. In <i>Journal of Contemporary China</i>. Vol. 26, N.&ordm; 103, 2017, pp. 151-165.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> VOGT, William &ndash;&laquo;China and lusophonia: a compatible alliance network?&raquo;. In <i>China Quarterly of International Strategic Studies</i>. Vol. 3, N.&ordm; 4, 2017, pp. 551-573. DOI: <a href="https://doi.org/10.1142/S2377740017500312" target="_blank">https://doi.org/10.1142/S2377740017500312</a>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> XING, Lizhi; WANG, Dawei; LI, Yan; GUAN, Jun; DONG, Xianlei &ndash; &laquo;Simulation analysis of the competitive status between China and Portuguese-speaking countries under the background of one belt one road initiative&raquo;. In <i>Physica A</i>. Vol. 539, pp. 1-20. DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.physa.2019.122895" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.physa.2019.122895</a>.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> ALVES, Ana &ndash; <i>China&rsquo;s Lusophone Connection</i>. Joanesburgo: South African Institute of International Affairs, 2008.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> ALDEN, Chris; ALVES, Ana Cristina &ndash; &laquo;China&rsquo;s regional forum diplomacy in the developing world&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> TRAN, &Eacute;mile; SANTOS, Jos&eacute; Carlos Matias dos &ndash; &laquo;The seminars of the Macao Forum&hellip;&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Ver, por exemplo, DANILOVICH, Maria &ndash; &laquo;&ldquo;The Belt and Road Initiative&rdquo; in the discourses of the Central Asian states: political rhetoric of growth and academic prognostication&raquo;. In <i>Journal of Chinese Economic and Business Studies</i>. Vol. 16, N.&ordm; 3, 2018, pp. 293-312.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> MENDES, Carmen Amado &ndash; &laquo;Macau in China&rsquo;s relations with the lusophone world&raquo;. In <i>Revista Brasileira de Pol&iacute;tica Internacional</i>. N.&ordm; 57, 2014, pp. 225-242. DOI: <a href="http://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201400214" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/0034-7329201400214</a>.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> DIAS, Alfredo Gomes &ndash; &laquo;Antecedentes da s&iacute;ntese hist&oacute;rica&raquo;. <i>In </i>AFONSO, Aniceto, ed. &ndash; <i>Macau, S&eacute;culo XXI</i>. Lisboa: Liga Multissecular Amizade Portugal China, 2015, pp. 25-46.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> HAO, Yufan; SHENG, Li Sheng; PAN, Guanjin &ndash; <i>Political Economy of Macao since 1999: The Dilemma of Success</i>. Singapura: Palgrave-Macmillan, 2017.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> SPOONER, Paul B. &ndash; &laquo;Macau&rsquo;s trade with the Portuguese speaking world&raquo;. In <i>Journal of Global Initiatives. </i>Vol. 11, N.&ordm; 1, 2016.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> MENDES, Carmen Amado &ndash; &laquo;Macau in China&rsquo;s relations with the lusophone world&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> POLICARPO, Ver&oacute;nica; RODRIGUES, Irene; PITEIRA, Carlos; RATO, Ricardo; MIEIRO, Susana &ndash; &laquo;Barometer of China-Portuguese speaking countries: the impact of culture on commercial relations&raquo;. In <i>SSRN</i>. 17 de novembro de 2015. (Consultado em: 15 de junho de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2690038" target="_blank">https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2690038</a>.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> ALDEN, Chris; ALVES, Ana Cristina &ndash; &laquo;China&rsquo;s regional forum diplomacy in the developing world&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> MENDES, Carmen Amado &ndash; &laquo;A relev&acirc;ncia do F&oacute;rum Macau: o F&oacute;rum para a Coopera&ccedil;&atilde;o Econ&oacute;mica e Comercial entre a China e os Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa&raquo;. In <i>Na&ccedil;&atilde;o e Defesa</i>. N.&ordm; 13, 5.&ordf; S&eacute;rie, 2013, pp. 279-296.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> TRAN, &Eacute;mile; SANTOS, Jos&eacute; Carlos Matias dos &ndash; &laquo;The seminars of the Macao Forum&hellip;&raquo;.</p>      ]]></body><back>
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