<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992020000100007</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2020.65a07</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As lições retiradas da chegada da China à República do Jibuti]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Lessons learned by the arrival of China to the Djibouti Republic]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferras]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Stratégies africaines  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Saint-Martin-d'Hères ]]></addr-line>
<country>França</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<numero>65</numero>
<fpage>87</fpage>
<lpage>101</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992020000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992020000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992020000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Desde 2000 que o Império do Meio vem expondo a sua estratégia para África nas declarações e planos de ação dos fóruns de cooperação China-África e nos textos sobre política africana. A França, sustentada no seu passado colonial, e os Estados Unidos, sempre belicosos, parecem surpreendidos com o sucesso da China. Em 2017, a instalação de uma base militar chinesa no Jibuti exacerbou a rivalidade com os Estados Unidos. No entanto, o acontecimento deveria ser ocasião para uma reflexão sobre a presença militar estrangeira no Corno de África e em toda a África.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Ever since 2000 the Middle Empire has been disclosing its strategy for Africa in the declarations and action plans of China-Africa cooperation forums, as well as in texts on African policy. France, backed by its colonial past, and the ever-bellicose US, seem surprised by China's success. In 2017, the installation of a Chinese military base in Djibuti inflamed the rivalry with the US. The event, however, should provide an opportunity for reflection on the maintenance of foreign military presence in the Horn of Africa and Africa in general.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Jibuti]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Estados Unidos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[China]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[França]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Djibuti]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[United States]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[China]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[France]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>A CHINA E &Aacute;FRICA EM ASCENS&Atilde;O</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>As li&ccedil;&otilde;es retiradas da chegada da China &agrave; Rep&uacute;blica do Jibuti</b></p>     <p><b>Lessons learned by the arrival of China to the Djibouti Republic</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Patrick Ferras</b></p>     <p>Strat&eacute;gies africaines | 30 rue Paul Langevin, 38400 Saint-Martin-d&rsquo;H&egrave;res, Fran&ccedil;a | <a href="mailto:patferras@gmail.com">patferras@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Desde 2000 que o Imp&eacute;rio do Meio vem expondo a sua estrat&eacute;gia para &Aacute;frica nas declara&ccedil;&otilde;es e planos de a&ccedil;&atilde;o dos f&oacute;runs de coopera&ccedil;&atilde;o China-&Aacute;frica e nos textos sobre pol&iacute;tica africana. A Fran&ccedil;a, sustentada no seu passado colonial, e os Estados Unidos, sempre belicosos, parecem surpreendidos com o sucesso da China. Em 2017, a instala&ccedil;&atilde;o de uma base militar chinesa no Jibuti exacerbou a rivalidade com os Estados Unidos. No entanto, o acontecimento deveria ser ocasi&atilde;o para uma reflex&atilde;o sobre a presen&ccedil;a militar estrangeira no Corno de &Aacute;frica e em toda a &Aacute;frica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b><i>: </i>Jibuti, Estados Unidos, China, Fran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Ever since 2000 the Middle Empire has been disclosing its strategy for Africa in the declarations and action plans of China-Africa cooperation forums, as well as in texts on African policy. France, backed by its colonial past, and the ever-bellicose US, seem surprised by China&rsquo;s success. In 2017, the installation of a Chinese military base in Djibuti inflamed the rivalry with the US. The event, however, should provide an opportunity for reflection on the maintenance of foreign military presence in the Horn of Africa and Africa in general.</p>     <p><b>Keywords</b><i>: </i>Djibuti, United States, China, France.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Um grande n&uacute;mero de empresas, organiza&ccedil;&otilde;es e atores internacionais sucumbiu aos encantos do <i>tweet</i>, &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea, sem reflex&atilde;o, para marcar presen&ccedil;a na <i>net </i>e veicular uma imagem de reatividade e de compreens&atilde;o dos acontecimentos. Todos parecem esquecer aquele passo da an&aacute;lise que vai da fonte &agrave; explora&ccedil;&atilde;o e modo de difus&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. O apelo do curto prazo e da chamada de aten&ccedil;&atilde;o a todo o custo n&atilde;o &eacute; novo, mas tem consequ&ecirc;ncias graves ao mais elevado n&iacute;vel de um Estado. Revela a vontade de dominar os m&eacute;dia, mais do que de refletir sobre o que transmitem, como conviria a uma pol&iacute;tica afirmativa e clara. As derrapagens s&atilde;o, ent&atilde;o, frequentes e as <i>fake news </i>e os erros de interpreta&ccedil;&atilde;o tornaram-se moeda corrente. A atualidade dos &uacute;ltimos meses de 2019 demonstra-o. Os erros exibem, regra geral, a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;tica, de estrat&eacute;gia definida e ambiciosa. Ser&aacute; que vimos o Presidente Xi Jinping <i>tweetar </i>como Donald Trump? E, n&atilde;o obstante, a China &eacute; agora a maior pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica mundial.</p>     <p>O Corno de &Aacute;frica sublinha esta disfuncionalidade comportamental dos dirigentes internacionais. No Jibuti, um pequeno pa&iacute;s de 23 mil quil&oacute;metros quadrados, atropelam-se os atores militares americanos, chineses e franceses. Outros est&atilde;o presentes (alem&atilde;es, espanh&oacute;is, italianos) mas, com um peso &iacute;nfimo sobre os acontecimentos atuais, s&atilde;o relegados para um papel de segunda ordem. A Uni&atilde;o Europeia (UE) transformou-se num terminal multibanco &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos atores africanos; mant&eacute;m o apoio financeiro a numerosos e variados programas, mas n&atilde;o desenha uma perspetiva global real nem mostra coes&atilde;o no seu conjunto. A chegada da China ao Jibuti surpreendeu os incondicionais de uma pol&iacute;tica estrangeira cristalizada no passado (a Fran&ccedil;a) e os instigadores da &laquo;Global War on Terror&raquo; (os Estados Unidos). Por&eacute;m, o F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o China-&Aacute;frica (FCCA) nasceu em 2000 e o projeto das Novas Rotas da Seda<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> &eacute; conhecido desde 2013. O Jibuti faz parte do segmento &laquo;&Aacute;frica&raquo;. Os livros e ensaios dedicados &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a China e &Aacute;frica s&atilde;o numerosos. As cr&iacute;ticas ao Imp&eacute;rio do Meio tamb&eacute;m. Mas o rolo compressor chin&ecirc;s n&atilde;o pode ser detido, porque &eacute; fruto de uma estrat&eacute;gia, de uma pol&iacute;tica. Os advers&aacute;rios agitam-se em v&atilde;o, muitas vezes com argumentos pouco convincentes. Os chineses escutam as cr&iacute;ticas dos africanos nos f&oacute;runs e sabem adaptar-se, considerando parte dos coment&aacute;rios dos parceiros. Publicaram dois documentos de pol&iacute;tica chinesa para o continente, em 2006<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> e em 2015<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. A Fran&ccedil;a, segundo o Presidente Macron (discurso de Uagadugu, em 2017), j&aacute; n&atilde;o tem pol&iacute;tica africana e a pol&iacute;tica americana para &Aacute;frica remonta a 2012<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. O secret&aacute;rio de Estado Bolton ter&aacute; anunciado um novo texto h&aacute; cerca de um ano mas, por enquanto, n&atilde;o est&aacute; redigido ou n&atilde;o foi publicado<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>A fim de compreender a hegemonia da China no Jibuti, regressaremos, num primeiro momento, ao texto de 2015 sobre a pol&iacute;tica africana da China. Esclarecer&aacute; os fundamentos da pol&iacute;tica chinesa, anunciados e acess&iacute;veis a todos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seguidamente, dedicar-nos-emos a mostrar como dois atores militares, a Fran&ccedil;a e os Estados Unidos, gra&ccedil;as &agrave; arrog&acirc;ncia e &agrave; falta de antecipa&ccedil;&atilde;o, viram a sua posi&ccedil;&atilde;o enfraquecer desde a &uacute;ltima d&eacute;cada.</p>     <p>Por fim, a nossa an&aacute;lise propor&aacute; algumas pistas de reflex&atilde;o centradas no Jibuti e no Corno de &Aacute;frica, no quadro da rivalidade China-Estados Unidos-Fran&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A POL&Iacute;TICA AFRICANA DA CHINA</b></p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre &Aacute;frica e a China obrigou a segunda a anunciar oficialmente a sua nova pol&iacute;tica para o continente. Resulta dos cinco primeiros f&oacute;runs de coopera&ccedil;&atilde;o China-&Aacute;frica (FCCA), iniciados em 2000 e realizados a cada tr&ecirc;s anos, alternativamente, na China e em &Aacute;frica. N&atilde;o &eacute; an&oacute;dino citar os Estados que acolheram estas cimeiras: Eti&oacute;pia (2003), Egito (2009) e &Aacute;frica do Sul (2015); o Senegal organizar&aacute; o evento em 2021. Todos t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o muito forte com a China. Recordemos a visita de Xi Jinping ao Senegal em julho de 2018 e os acordos econ&oacute;micos ent&atilde;o assinados. A Eti&oacute;pia representa um dos pa&iacute;ses mais importantes do continente e a sede da Uni&atilde;o Africana (UA) &eacute; em Adis Abeba. O Egito mant&eacute;m-se um Estado influente em &Aacute;frica e no M&eacute;dio Oriente e o Canal de Suez &eacute; estrat&eacute;gico para o transporte mar&iacute;timo que a China desenvolve em grande escala<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. A &Aacute;frica do Sul, n&atilde;o obstante uma economia em desacelera&ccedil;&atilde;o, continua um dos pesos-pesados do continente e faz parte do f&oacute;rum BRICS (que inclui ainda o Brasil, a R&uacute;ssia, a &Iacute;ndia e a China). Nenhum dos locais de encontro foi escolhido ao acaso, pois &eacute; sobre os Estados que a China difunde a sua influ&ecirc;ncia e a sua pol&iacute;tica.</p>     <p>Todas as cimeiras de coopera&ccedil;&atilde;o China-&Aacute;frica saldam-se por uma declara&ccedil;&atilde;o e um plano de a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma abordagem estruturada e eficaz. Permite trabalhar durante tr&ecirc;s anos, um per&iacute;odo m&iacute;nimo para o lan&ccedil;amento de projetos e a antecipa&ccedil;&atilde;o das respetivas realiza&ccedil;&otilde;es. Os documentos s&atilde;o assinados por todos os parceiros<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> e representam um conjunto de acordos, de compromissos f&aacute;ceis de verificar na aproxima&ccedil;&atilde;o da cimeira seguinte. Haver&aacute; aqui, portanto, mat&eacute;ria de reflex&atilde;o: a China criou uma verdadeira estrat&eacute;gia e os seus documentos de pol&iacute;tica africana n&atilde;o s&oacute; a apoiam como s&atilde;o coerentes com o projeto das Novas Rotas da Seda.</p>     <p>A soberba de um grande n&uacute;mero de atores acerca dos prop&oacute;sitos da pol&iacute;tica africana chinesa e a aus&ecirc;ncia de reflex&atilde;o sobre os textos escritos s&atilde;o significativas do atraso acumulado e das cr&iacute;ticas inconsequentes &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es do Imp&eacute;rio do Meio. Um bel&iacute;ssimo exemplo &eacute; a Cimeira de Dacar impulsionada pelos franceses em 2013. &Eacute; exatamente o contr&aacute;rio de uma estrat&eacute;gia coerente. Re&uacute;ne cada vez menos atores<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> e as suas conclus&otilde;es, depois do encontro inicial, apenas existem num documento que re&uacute;ne as interven&ccedil;&otilde;es dos convidados e que &eacute; publicado dois meses antes da cimeira seguinte. O que, para efeitos de investiga&ccedil;&atilde;o e de reflex&atilde;o, &eacute; bastante surpreendente. No plano intelectual e no da visibilidade internacional, s&atilde;o cimeiras in&uacute;teis e onerosas.</p>     <p>A pol&iacute;tica africana da China publicada em 2015<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> est&aacute; em &laquo;harmonia&raquo; com a declara&ccedil;&atilde;o das cimeiras de 2015<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> e de 2018<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. A 4 de dezembro de 2015, em Joanesburgo, na cerim&oacute;nia de abertura, o Presidente Xi Jinping dirigiu-se ao conjunto de Estados africanos e declarou que &laquo;O governo e o povo chineses felicitam-se e orgulham-se do fundo do cora&ccedil;&atilde;o pelas conquistas de desenvolvimento alcan&ccedil;adas por &Aacute;frica&raquo;. Recordando os princ&iacute;pios da &laquo;coopera&ccedil;&atilde;o <i>win-win </i>e do desenvolvimento comum&raquo; baseados na &laquo;sinceridade, no pragmatismo, na amizade e na franqueza&raquo;, prop&ocirc;s &laquo;elevar a parceria estrat&eacute;gica sino-africana de tipo novo ao n&iacute;vel da parceria de coopera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica global&raquo;. Esta nova abordagem assentar&aacute; em cinco pilares: 1) a igualdade e a confian&ccedil;a m&uacute;tuas no plano pol&iacute;tico; 2) a coopera&ccedil;&atilde;o <i>win-win </i>no plano econ&oacute;mico; 3) os interc&acirc;mbios e a inspira&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua no plano cultural; 4) a solidariedade e a assist&ecirc;ncia m&uacute;tuas no plano securit&aacute;rio; 5) a coopera&ccedil;&atilde;o e a coordena&ccedil;&atilde;o nos assuntos internacionais.</p>     <p>Assim, nesta parceria de coopera&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica global sino-africana, &laquo;a China pretende trabalhar juntamente com &Aacute;frica&raquo; para levar a cabo dez grandes programas de coopera&ccedil;&atilde;o: 1) um programa de industrializa&ccedil;&atilde;o; 2) um programa de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola; 3) um programa de infraestruturas; 4) um programa de coopera&ccedil;&atilde;o financeira; 5) um programa de desenvolvimento verde; 6) um programa de facilita&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio e do investimento; 7) um programa de redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e de bem-estar social; 8) um programa de sa&uacute;de p&uacute;blica; 9) um programa de trocas culturais e humanas; 10) um programa de paz e seguran&ccedil;a. A simples leitura destes programas e das explica&ccedil;&otilde;es dadas no texto da alocu&ccedil;&atilde;o sublinha pontos fundamentais. O dirigente chin&ecirc;s faz um balan&ccedil;o muito duro do estado presente de &Aacute;frica. Di-lo diplomaticamente, mas sem reservas, e os chefes de Estado africanos s&oacute; podem concordar. Nenhum documento aberto americano, europeu ou franc&ecirc;s faz um tal ponto da situa&ccedil;&atilde;o. Mas a an&aacute;lise chinesa abre-se a solu&ccedil;&otilde;es sob a forma de programas, que cobrem a totalidade das fun&ccedil;&otilde;es de um Estado: ind&uacute;stria, agricultura, luta contra a pobreza, sa&uacute;de, desenvolvimento, infraestruturas. A &laquo;paz e a seguran&ccedil;a&raquo;, pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o s&atilde;o mais do que um desses programas, sem prioridade exagerada, sem chav&atilde;o<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> do tipo &laquo;Defesa, Diplomacia, Desenvolvimento&raquo;:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&laquo;A China doar&aacute; &agrave; Uni&atilde;o Africana, sem contrapartidas, uma ajuda de 60 milh&otilde;es de d&oacute;lares para apoiar a constru&ccedil;&atilde;o e as opera&ccedil;&otilde;es da For&ccedil;a Permanente Africana<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> e da Capacidade Africana de Rea&ccedil;&atilde;o Imediata a Crises (CARIC). A China tomar&aacute; uma parte ativa nas opera&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de manuten&ccedil;&atilde;o da paz em &Aacute;frica e apoiar&aacute; os pa&iacute;ses africanos nos seus esfor&ccedil;os visando refor&ccedil;ar as suas capacidades em mat&eacute;ria de defesa nacional, de luta antiterrorista, de luta antimotim, de controlo aduaneiro e de gest&atilde;o e controlo de migrantes&raquo;<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Para a China, n&atilde;o h&aacute; inger&ecirc;ncia (um dos Cinco Princ&iacute;pios de Coexist&ecirc;ncia Pac&iacute;fica); h&aacute;, pelo contr&aacute;rio, uma inje&ccedil;&atilde;o financeira, uma participa&ccedil;&atilde;o nas opera&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> (OMP, papel internacional) e um apoio capacitante. A China n&atilde;o considera a participa&ccedil;&atilde;o em outras opera&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o as autorizadas e mandatadas pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas e exclui totalmente opera&ccedil;&otilde;es militares como os ataques americanos na Som&aacute;lia ou os franco-americanos em Barkhane<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Em compensa&ccedil;&atilde;o, contempla a venda de armamento para apoio aos meios de luta africanos.</p>     <p>A estrat&eacute;gia chinesa incide sobre muitos dom&iacute;nios e aponta para as numerosas fraquezas do continente. &Aacute;frica nem sempre conseguiu integrar-se na globaliza&ccedil;&atilde;o, apesar dos mil milh&otilde;es de ajuda ao desenvolvimento, dos empr&eacute;stimos, das doa&ccedil;&otilde;es, da anula&ccedil;&atilde;o da d&iacute;vida<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Os atores africanos veem-se praticamente obrigados a dirigir-se a um novo credor que, pormenor n&atilde;o despiciendo, se tornou na primeira pot&ecirc;ncia econ&oacute;mica. Com vergonha de pedir ainda mais ajuda aos parceiros ocidentais, sem conseguir justificar qualquer l&oacute;gica na sua utiliza&ccedil;&atilde;o, s&oacute; lhes restava olhar para o Oriente. O desconhecimento dos financiadores tradicionais da realidade do continente, ao qual se acrescenta a culpabilidade de ex-colonizadores, impediram a antecipa&ccedil;&atilde;o da viragem. O grande regresso da R&uacute;ssia &agrave; cena africana e a abertura dos Estados do continente a essa corte confirmam-se na Cimeira R&uacute;ssia-&Aacute;frica de outubro de 2019. Em mat&eacute;ria de armamento, muitos pa&iacute;ses j&aacute; se voltaram para a China e se aproximaram da R&uacute;ssia. O Mali e o Burkina Faso s&atilde;o exemplos da mem&oacute;ria curta dos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos africanos, mas tamb&eacute;m da falta de peso dos diplomatas franceses e das miss&otilde;es militares de defesa associadas. Estas &uacute;ltimas concentram-se no &laquo;conselho em estrat&eacute;gia, em doutrina e em recursos humanos&raquo;, e pouco alcan&ccedil;am em contratos de armamento. As pr&oacute;prias Miss&otilde;es de Treino da Uni&atilde;o Europeia (na sigla inglesa, EUTM) formam batalh&otilde;es equipados por outras pot&ecirc;ncias, n&atilde;o europeias. Esta aus&ecirc;ncia de realismo geopol&iacute;tico &eacute; particularmente desconcertante quando analisamos o investimento franc&ecirc;s nas opera&ccedil;&otilde;es no Sahel.</p>     <p>Os pontos da pol&iacute;tica africana desenvolvidos acima encontram-se no documento de pol&iacute;tica africana da China (apoio &agrave; paz e seguran&ccedil;a em &Aacute;frica, aprofundamento da coopera&ccedil;&atilde;o militar e apoio do esfor&ccedil;o africano contra as amea&ccedil;as n&atilde;o convencionais &agrave; seguran&ccedil;a). Encontramo-los tamb&eacute;m na declara&ccedil;&atilde;o do FCCA de 2018, que no pre&acirc;mbulo recorda que as &laquo;duas partes (China e &Aacute;frica) se congratulam pela implementa&ccedil;&atilde;o integral e eficaz dos dez programas de coopera&ccedil;&atilde;o e do plano de a&ccedil;&atilde;o de Joanesburgo (2016-2018)&raquo;. Na sec&ccedil;&atilde;o &laquo;paz e seguran&ccedil;a&raquo; lemos acerca do apoio financeiro &agrave; arquitetura da paz e seguran&ccedil;a, das ajudas militares, da coopera&ccedil;&atilde;o e da participa&ccedil;&atilde;o nas OMP. A China vai ainda mais longe, criando o F&oacute;rum China-&Aacute;frica sobre a Paz e a Seguran&ccedil;a, uma plataforma de refor&ccedil;o das trocas sino-africanas em mat&eacute;ria de paz e de seguran&ccedil;a (ponto 6.1.4). Implementar&aacute; 50 projetos de ajuda na &aacute;rea da seguran&ccedil;a no quadro da Belt and Road Initiative (BRI) e nos dom&iacute;nios da manuten&ccedil;&atilde;o da ordem p&uacute;blica, das opera&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da ONU e da luta contra a pirataria e o terrorismo (6.1.1). Anuncia a sua vontade de trabalhar para dinamizar o interc&acirc;mbio de visitas dos respons&aacute;veis da defesa e das for&ccedil;as armadas e intensificar a coopera&ccedil;&atilde;o em quest&otilde;es de treino e exerc&iacute;cios conjuntos, luta antiterrorista, busca e salvamento, e redu&ccedil;&atilde;o das cat&aacute;strofes (ponto 6.1.5).</p>     <p>A estrat&eacute;gia chinesa nas suas rela&ccedil;&otilde;es com &Aacute;frica n&atilde;o deveria surpreender ningu&eacute;m; &eacute; clara e est&aacute; bem divulgada. Da observa&ccedil;&atilde;o dos encontros entre dirigentes africanos e Xi Jinping fica-se com uma ideia precisa dos interesses de ambas as partes<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>O Estado africano da Rep&uacute;blica do Jibuti concentra desde h&aacute; alguns anos elementos das for&ccedil;as armadas dos tr&ecirc;s grandes atores militares internacionais. A chegada dos militares chineses (2017) ao pequeno territ&oacute;rio provocou fric&ccedil;&otilde;es e rivalidades. Os objetivos e os meios mobilizados permitem compreender as diferen&ccedil;as entre estes tr&ecirc;s atores militares e a sua estrat&eacute;gia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS T&Aacute;TICAS FRANCESAS E AMERICANAS <i>VS </i>A ESTRAT&Eacute;GIA CHINESA</b></p>     <p>A Rep&uacute;blica do Jibuti, situada no Corno de &Aacute;frica, &eacute; um dos 55 membros da ua, a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica do continente<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Territ&oacute;rio de 23 mil quil&oacute;metros quadrados com uma popula&ccedil;&atilde;o de menos de um milh&atilde;o de habitantes, o Jibuti sonha tornar-se a Singapura de &Aacute;frica. &Eacute;, ao mesmo tempo, um porto importante na regi&atilde;o e uma base militar internacional. A posi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, &agrave; entrada do mar Vermelho, a alguns passos da Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica e, portanto, do I&eacute;men, atrai os Estados e as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais que desejam o respeito pela liberdade dos mares e, consequentemente, do com&eacute;rcio mundial. A luta contra a pirataria provocou a mobiliza&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as navais, de coliga&ccedil;&otilde;es (UE<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>, Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>, for&ccedil;as internacionais sob comando americano<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>) e de for&ccedil;as nacionais sem comando unificado (China, R&uacute;ssia). Estas a&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas foram completadas pela mobiliza&ccedil;&atilde;o de meios de informa&ccedil;&atilde;o e de luta contra grandes navios a partir de aeronaves de combate (Jap&atilde;o, Alemanha, Estados Unidos) no Jibuti.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; tr&ecirc;s atores principais a mobilizar for&ccedil;as militares consider&aacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A FRAN&Ccedil;A, UM VELHO ATOR MILITAR</b></p>     <p>A base no Jibuti &eacute; a mais importante das instala&ccedil;&otilde;es francesas no estrangeiro, apesar de nos &uacute;ltimos dez anos os seus efetivos<sup>23 </sup>terem descido para metade. Estas for&ccedil;as (FFDJ) articulam-se em torno de um estado-maior das for&ccedil;as armadas, um regimento de for&ccedil;as armadas do ultramar, um destacamento da avia&ccedil;&atilde;o ligeira do ex&eacute;rcito de terra, uma base a&eacute;rea, uma base naval e um centro de treino de combate e de treino no deserto. Usam principalmente avi&otilde;es de defesa a&eacute;rea <i>Mirage 2000-5 </i>(quatro), um avi&atilde;o de transporte t&aacute;tico <i>C160 Transall</i>, helic&oacute;pteros (cinco) e meios de infantaria (<i>AMX 10 RC</i>, <i>VAB</i>, canh&otilde;es de 155mm, morteiros de 120mm). Alguns elementos de apoio (sa&uacute;de, telecomunica&ccedil;&otilde;es, combust&iacute;vel) completam os meios das FFDJ.</p>     <p>As FFDJ constituem uma plataforma estrat&eacute;gica, operacional e log&iacute;stica na costa oriental de &Aacute;frica. O outro vetor da sua miss&atilde;o &eacute; a coopera&ccedil;&atilde;o bilateral e regional.</p>     <p>A Rep&uacute;blica Francesa e a Rep&uacute;blica do Jibuti assinaram o Tratado de Coopera&ccedil;&atilde;o em Mat&eacute;ria de Defesa em 21 de dezembro de 2011. O documento foi objeto de um projeto de lei autorizando a sua ratifica&ccedil;&atilde;o pela Assembleia Nacional e apresentado pelo ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (21 de novembro de 2012 &ndash; formalidade puramente administrativa, considerando a fraca evolu&ccedil;&atilde;o do texto!). O tratado substitui dois textos importantes:</p> <ul>       <li>o protocolo provis&oacute;rio de 1977<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> relativo &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de estacionamento das for&ccedil;as francesas no territ&oacute;rio da Rep&uacute;blica do Jibuti e aos princ&iacute;pios da coopera&ccedil;&atilde;o militar;</li>       <li>e a conven&ccedil;&atilde;o de 3 de agosto de 2003 que fixava o montante da renda francesa no Jibuti.</li>     </ul>     <p>Como explicou o Presidente Sarkozy<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>, era necess&aacute;rio rever os acordos de defesa com os parceiros africanos. Eram documentos possivelmente controversos por datarem da independ&ecirc;ncia, ou seja, por serem maioritariamente dos anos 1960. Dever-se-ia considerar o novo contexto estrat&eacute;gico, as necessidades da Fran&ccedil;a e dos seus parceiros no continente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os artigos 2.&ordm; e 4.&ordm; do tratado de 2011 sublinham a vontade de coopera&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de defesa, num contributo para a paz e a seguran&ccedil;a duradouras, com a possibilidade de trocas de opini&atilde;o, de informa&ccedil;&atilde;o e de instru&ccedil;&atilde;o para avaliar amea&ccedil;as e agress&otilde;es armadas. &Eacute; igualmente referido que &laquo;a Parte francesa participa com a Parte jibutiana no policiamento do espa&ccedil;o a&eacute;reo e na vigil&acirc;ncia das &aacute;guas territoriais segundo modalidades particulares&raquo;. Embora a Fran&ccedil;a possa colaborar no policiamento do espa&ccedil;o a&eacute;reo, as capacidades operacionais s&atilde;o extremamente limitadas e insuficientes perante uma amea&ccedil;a s&eacute;ria. A presen&ccedil;a de quatro ca&ccedil;as de defesa a&eacute;rea n&atilde;o permite enfrentar uma amea&ccedil;a H24<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a> e ainda menos uma agress&atilde;o armada de um vetor militar ou civil com um objetivo no territ&oacute;rio jibutiano (um avi&atilde;o comercial desviado ou um ca&ccedil;a-bombardeiro pilotado por um terrorista, por exemplo). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vigil&acirc;ncia das &aacute;guas territoriais, os meios de transporte mar&iacute;timo n&atilde;o est&atilde;o adaptados para responder a um qualquer perigo. O termo &laquo;participa&raquo; utilizado neste artigo 4.&ordm; n&atilde;o deve esconder a relativa mod&eacute;stia de meios para fazer face a a&ccedil;&otilde;es exteriores que exijam um envolvimento redobrado.</p>     <p>&laquo;A Parte francesa compromete-se a transferir para a Parte jibutiana, pela presen&ccedil;a das for&ccedil;as francesas estacionadas, uma contribui&ccedil;&atilde;o fixa de 30 milh&otilde;es de euros por cada ano civil&raquo;. O compromisso financeiro est&aacute; em vigor desde 2003. O interesse para a Rep&uacute;blica do Jibuti, que beneficia das &laquo;garantias americana e et&iacute;ope&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>, n&atilde;o reside no formato ou no envolvimento militar franc&ecirc;s mas, prioritariamente, nessa contribui&ccedil;&atilde;o financeira<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. O tratado &eacute;, portanto, um documento pouco realista no plano operacional mas um excelente compromisso financeiro para a parte jibutiana. Resta saber se a presen&ccedil;a francesa ainda &eacute; atual e se oferece as oportunidades e o ambiente operacional incontorn&aacute;veis que o justifiquem, numa altura em que a influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica e militar parece desvanecer-se.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O ATOR AMERICANO</b></p>     <p>Desde 1977 que a Fran&ccedil;a detinha o monop&oacute;lio da presen&ccedil;a militar no Jibuti. O atentado de 11 de setembro de 2001 e a estrat&eacute;gia da &laquo;Global War on Terror &ndash; GWOT&raquo; levaram os Estados Unidos a ponderar uma instala&ccedil;&atilde;o militar. Os atores internacionais, membros ou n&atilde;o de coliga&ccedil;&otilde;es, como a nato ou outras, europeias, precipitaram-se para o &uacute;nico porto seguro e capaz de abastecer meios navais na regi&atilde;o. O Jibuti p&ocirc;de contar com o sinal de confian&ccedil;a que a presen&ccedil;a francesa transmitia &agrave;s restantes marinhas.</p>     <p>Seguiu-se uma chegada maci&ccedil;a de atores militares e a obriga&ccedil;&atilde;o de partilhar o territ&oacute;rio e as infraestruturas. Instalou-se uma coopeti&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a> alimentada pelas autoridades jibutianas. A renda, ou contribui&ccedil;&atilde;o, paga pelos Estados Unidos &eacute; de cerca de 70 milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano.</p>     <p>Neste momento, tr&ecirc;s pot&ecirc;ncias mobilizam meios a&eacute;reos militares no aeroporto civil-militar do Jibuti (Ambouli): a Fran&ccedil;a, os Estados Unidos e o Jap&atilde;o<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. As infraestruturas mais substanciais s&atilde;o as dos americanos.</p>     <p>O estado-maior americano, o Combined Joint Task Force &ndash; Horn of Africa, nasceu em 2002 e foi progressivamente crescendo em instala&ccedil;&otilde;es e meios mobilizados. Em 2006 tinha apenas alguns avi&otilde;es de transporte e hoje acolhe ca&ccedil;as e quatro mil membros das for&ccedil;as armadas. Depois de alguns problemas aeron&aacute;uticos<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>, os Estados Unidos destacaram <i>drones </i>para um segundo terreno. O aeroporto de Chabelley, que apenas servia, at&eacute; &agrave; d&eacute;cada precedente, de pista de socorro para os meios a&eacute;reos franceses, foi transformado, em poucos meses, numa das duas plataformas americanas<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a> em &Aacute;frica com capacidade para ataque e espionagem por <i>drones </i>(na Som&aacute;lia e no I&eacute;men).</p>     <p>Hoje, os Estados Unidos s&atilde;o o principal ator militar na Rep&uacute;blica do Jibuti. A base americana pertence ao Comando Americano para &Aacute;frica (na sigla inglesa, africom) sediado em Estugarda (na Alemanha).</p>     <p>N&atilde;o obstante, foram surpreendidos pela chegada de outra pot&ecirc;ncia militar: a China.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>UM DETONADOR CIVIL-MILITAR CHIN&Ecirc;S</b></p>     <p>Embora a base chinesa tenha sido inaugurada em 2017, comporta hoje poucos meios militares. Anunciada com uma capacidade de dez mil pessoas, as infraestruturas limitam-se, por enquanto, a um m&aacute;ximo de cinco mil homens<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Nos pr&oacute;ximos anos, as for&ccedil;as chinesas n&atilde;o deixar&atilde;o de exigir espa&ccedil;os de treino (campos de tiro, terrenos para manobras) e uma capacidade de rece&ccedil;&atilde;o de meios a&eacute;reos a tempo inteiro. O princ&iacute;pio chin&ecirc;s de n&atilde;o inger&ecirc;ncia na pol&iacute;tica dos Estados n&atilde;o deixa pensar numa atividade militar importante. Em contrapartida, a base permitir&aacute; a coloca&ccedil;&atilde;o de contingentes chineses de miss&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz e a evacua&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os (cf. os problemas encontrados pelas autoridades chinesas na altura da crise l&iacute;bia). A &uacute;nica pista no interior do complexo mede 400 metros e possibilitar&aacute; apenas a aterragem de helic&oacute;pteros. Se compararmos os tr&ecirc;s atores militares presentes no Jibuti, imp&otilde;em-se duas observa&ccedil;&otilde;es:</p> <ul>       <li>Os Estados Unidos e a Fran&ccedil;a mobilizaram meios militares consequentes para duas miss&otilde;es diferentes (gwot e Tratado de Coopera&ccedil;&atilde;o em Mat&eacute;ria de Defesa). A presen&ccedil;a militar chinesa &eacute; de fraca envergadura e poder&aacute; crescer sem atingir os n&iacute;veis franceses e americanos. Segundo o princ&iacute;pio de n&atilde;o inger&ecirc;ncia, ser&atilde;o meios de treino ocasionais e n&atilde;o ofensivos.</li>       <li>A chegada de militares chineses foi precedida de uma l&oacute;gica econ&oacute;mica estruturada, refletida e publicada. Neste plano econ&oacute;mico, os Estados Unidos e a Fran&ccedil;a acusam um atraso de reflex&atilde;o e de antecipa&ccedil;&atilde;o. A Fran&ccedil;a, presente no territ&oacute;rio desde 1862, tratou-o durante muito tempo como uma coutada. Esse comportamento resultou na fraqueza do tecido empresarial gaul&ecirc;s no Jibuti. Os Estados Unidos, chegados com estrondo em 2002, t&ecirc;m a luta contra o terrorismo regional como principal objetivo. Para eles, o Jibuti n&atilde;o &eacute; uma oportunidade de investimento comercial.</li>     </ul>     <p>Assim, constatamos que a China desenvolve uma estrat&eacute;gia, enquanto os Estados Unidos e a Fran&ccedil;a est&atilde;o atrasados e limitam-se a t&aacute;ticas. Neles, n&atilde;o existe uma reflex&atilde;o profunda e de longo alcance sobre a regi&atilde;o. A China, por encarar as fragilidades da economia jibutiana, desenvolveu projetos ambiciosos que inevitavelmente atra&iacute;ram os l&iacute;deres pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos do pa&iacute;s.</p>     <p>Apesar das cr&iacute;ticas ocidentais &agrave; chegada de militares chineses, estes n&atilde;o t&ecirc;m qualquer inten&ccedil;&atilde;o de se lan&ccedil;ar em aventuras militares, que deixam aos Estados Unidos e &agrave; Fran&ccedil;a. Os longos envolvimentos dos ocidentais, como o provam os atoleiros Afeganist&atilde;o, Iraque e Sahel, s&atilde;o arcados com custos militares e diplom&aacute;ticos muito elevados. Em nome do princ&iacute;pio da n&atilde;o inger&ecirc;ncia e de neutralidade, a China soube preservar as suas hip&oacute;teses de ser o fator de sa&iacute;da da crise. Os contratos econ&oacute;micos celebrados s&atilde;o numerosos e frequentemente registam-se nas zonas onde os ocidentais deixaram uma pegada militar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A CHINA SUBLINHA AS FRAQUEZAS DOS OCIDENTAIS&nbsp;ENTRE A HERAN&Ccedil;A DO PASSADO E OS VELHOS H&Aacute;BITOS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A manuten&ccedil;&atilde;o da sua presen&ccedil;a militar em &Aacute;frica releva da vontade da Fran&ccedil;a ainda desempenhar um papel. O Jibuti acolhe uma das suas quatro bases ativas<sup>34 </sup>desde as independ&ecirc;ncias que, ainda assim, s&atilde;o minimais em efetivos e miss&otilde;es. As FFDJ s&atilde;o as mais expressivas, mas a diversidade de atores militares estrangeiros entretanto chegados &agrave; pequena rep&uacute;blica deveria fazer repens&aacute;-las. Neste momento, a manuten&ccedil;&atilde;o da base jibutiana garante principalmente a contribui&ccedil;&atilde;o financeira ao Estado africano. A recente coopera&ccedil;&atilde;o francesa com a Eti&oacute;pia &eacute; apresentada como um novo f&ocirc;lego e motiva&ccedil;&atilde;o, recusando-se assim a redu&ccedil;&atilde;o do dispositivo, que o assemelharia &agrave;s restantes bases<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a> gaulesas. A Fran&ccedil;a &eacute; auxiliada nesta pol&iacute;tica militar por uma UE que n&atilde;o procura comprometer-se excessivamente no Corno de &Aacute;frica. Apesar da grande opera&ccedil;&atilde;o Atalanta<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>, de duas miss&otilde;es (EUTM e EUCAP) e de numerosos programas (no dom&iacute;nio da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima), a UE n&atilde;o quer ser pol&iacute;cia de &Aacute;frica. A sua l&oacute;gica &eacute; a l&oacute;gica da ONU. Al&eacute;m disso, financia o crescimento da apropria&ccedil;&atilde;o africana das problem&aacute;ticas da paz e da seguran&ccedil;a. A europeiza&ccedil;&atilde;o da base do Jibuti poderia ter sido uma solu&ccedil;&atilde;o complementar. Contudo, nunca foi avaliada e teria, certamente, o veto franc&ecirc;s, n&atilde;o obstante o custo da implanta&ccedil;&atilde;o (efetivos, obsolesc&ecirc;ncia prematura dos materiais, &laquo;aluguer&raquo;).</p>     <p>No plano puramente militar, o Jibuti continua interessante para o treino de for&ccedil;as francesas, no local ou antes de serem projetadas noutros teatros de opera&ccedil;&otilde;es (devido &agrave;s infraestruturas, condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e traquejo das tropas). J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o a armamentos ou materiais de guerra, constata-se que a rep&uacute;blica africana n&atilde;o contrata com empresas francesas. E as doa&ccedil;&otilde;es (helic&oacute;pteros em segunda m&atilde;o cedidos pela Ar&aacute;bia Saudita&hellip;) n&atilde;o acarretar&atilde;o, sequer, grandes compromissos pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos; ser&atilde;o apenas meios tortuosos de equipar a baixo custo. A coopera&ccedil;&atilde;o francesa &eacute;, pois, pouco frutuosa e limita-se &agrave; forma&ccedil;&atilde;o ou &agrave; coloca&ccedil;&atilde;o de oficiais ou suboficiais junto das autoridades militares jibutianas. H&aacute; um curioso paradoxo em estar-se ligado ao Jibuti por um tratado renovado em 2011 e n&atilde;o se ter com ele qualquer rela&ccedil;&atilde;o militar privilegiada. Assim, a pol&iacute;tica de coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; relativamente pouco equilibrada e a balan&ccedil;a pende para as autoridades do Estado anfitri&atilde;o, sobretudo se acrescentarmos a contribui&ccedil;&atilde;o anual de 30 milh&otilde;es de euros.</p>     <p>Apesar de todas estas provas, a Fran&ccedil;a continua a desenvolver este conceito de uma presen&ccedil;a militar importante, numa altura em que os desafios no Jibuti s&atilde;o europeus e n&atilde;o apenas franceses. Sublinhe-se, ent&atilde;o, a ambiguidade da sua pol&iacute;tica externa, ora franco-francesa ora europeia, conforme os interesses do momento.</p>     <p>A Fran&ccedil;a permanece resolutamente virada para as suas antigas col&oacute;nias, apesar de algumas iniciativas de diplomacia econ&oacute;mica e de visitas do chefe de Estado que poderiam abrir outros horizontes. Encontramos esta fraca ambi&ccedil;&atilde;o e este desconhecimento do conjunto do continente africano nas universidades francesas, onde os estudos sobre &Aacute;frica n&atilde;o s&atilde;o muito procurados. A falta de visibilidade de uma institui&ccedil;&atilde;o como o Laborat&oacute;rio das &Aacute;fricas no Mundo (LAM)<sup>37 </sup>completa este abandono, esta fraqueza, esta perda de saberes africanos, esta falta de difus&atilde;o. A necessidade de Fran&ccedil;a pelos africanos ainda &eacute; real, enquanto a necessidade de &Aacute;frica pela Fran&ccedil;a continua secund&aacute;ria. A &Aacute;frica Oriental ou o Corno de &Aacute;frica mostra esta aus&ecirc;ncia de investimento, embora um grande n&uacute;mero de economias exiba um crescimento interessante e necessidades que poderiam satisfazer as empresas francesas. Esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; recente. O Jibuti &eacute; uma col&oacute;nia muito antiga, independente desde 1977, e a marca francesa &eacute; pouco vis&iacute;vel. A evid&ecirc;ncia &eacute; ainda mais gritante desde a chegada da China, que se apoderou de um grande n&uacute;mero de mercados. Apesar das cr&iacute;ticas, agora &eacute; demasiado tarde; a estrat&eacute;gia chinesa existe e adapta-se &agrave;s necessidades dos pa&iacute;ses benefici&aacute;rios e nomeadamente ao Jibuti, com um porto de &aacute;guas profundas vital para as economias lim&iacute;trofes. A China tornou-se um ator chave no Jibuti e n&atilde;o precisou de muito tempo para compreender a forma de negociar em &Aacute;frica. Aqui n&atilde;o h&aacute; elefantes brancos. Os financiamentos seguem um ciclo que as empresas chinesas conhecem e que lhes gera ganhos. A China soube jogar a carta africana a estes tr&ecirc;s n&iacute;veis: Estado, comunidades econ&oacute;micas regionais e continente.</p>     <p>Quantas obras abordam, hoje, a &Aacute;frica sob o &acirc;ngulo regional e/ou continental? Na Fran&ccedil;a, nenhuma, e em l&iacute;ngua inglesa, muito poucas. Este n&iacute;vel n&atilde;o interessa <i>a priori </i>a ningu&eacute;m, nem mesmo a investigadores. E, todavia, podemos, poder&iacute;amos a&iacute; ler as ambi&ccedil;&otilde;es africanas e os n&iacute;veis de responsabilidade prestes a serem estabelecidos sob os nossos olhos. Um dos pontos principais abordados por ocasi&atilde;o da cimeira da UA em Niamey, em julho de 2019, foi o princ&iacute;pio da subsidiariedade entre o n&iacute;vel continental e o regional. Apesar do lan&ccedil;amento da zona africana de livre-c&acirc;mbio, estes n&iacute;veis continuam atuais, nomeadamente para a Arquitetura Africana de Paz e Seguran&ccedil;a (AAPS).</p>     <p>A AAPS &eacute; um dos maiores programas da UA. Procura encontrar solu&ccedil;&otilde;es africanas para os problemas africanos. A primeira fase &eacute; o &laquo;silenciamento das armas at&eacute; 2020&raquo;. Se, no papel, est&aacute; tudo preparado, o batismo de fogo da For&ccedil;a Africana e da Capacidade Africana de Resposta Imediata &agrave;s Crises (CARIC), os dois instrumentos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da UA, ainda n&atilde;o teve lugar. As duas principais raz&otilde;es s&atilde;o a falta de ambi&ccedil;&atilde;o africana e a vontade francesa de intervir na sua coutada. A UA teria podido apoiar-se no Processo de Nouakchott<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a> para o fortalecimento da For&ccedil;a Africana e da CARIC. Este fraco interesse africano deixou o melhor &agrave; Fran&ccedil;a, que aproveitou para redefinir a sua mobiliza&ccedil;&atilde;o militar e criar a opera&ccedil;&atilde;o Barkhane. Ignorando as estruturas existentes, lan&ccedil;ou um dispositivo, certamente eficaz, que continua a tratar de modo paternalista as suas rela&ccedil;&otilde;es com os Estados da &Aacute;frica Ocidental e Central. Assim, o programa da AAPS n&atilde;o serve sen&atilde;o para o financiamento de exerc&iacute;cios, reuni&otilde;es e projetos. Nenhuma realidade operacional veio confirmar a vontade de se apropriar dos mecanismos da paz e da seguran&ccedil;a.</p>     <p>A Fran&ccedil;a serve-se, por vezes, do n&iacute;vel continental ou regional quando n&atilde;o se interessa por uma dada problem&aacute;tica ou se necessita de contrariar outra pot&ecirc;ncia. Foi o que aconteceu com a chegada dos russos &agrave; Rep&uacute;blica Centro-Africana. Ent&atilde;o, apoiou abertamente os esfor&ccedil;os da ua para o acordo de paz, para minimizar a influ&ecirc;ncia da R&uacute;ssia. Todavia, ainda que o resultado possa parecer positivo a muito curto prazo, a R&uacute;ssia regressar&aacute;. A recente Cimeira R&uacute;ssia-&Aacute;frica em Sochi, em outubro de 2019, &eacute; disso prova suplementar<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</p>     <p>Estes diferentes exemplos mostram que, na aus&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica africana clara e definida, o papel da Fran&ccedil;a continuar&aacute; amb&iacute;guo e criticado e que muitas portas se fechar&atilde;o nas negocia&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas. A declara&ccedil;&atilde;o do Presidente Macron em Uagadugu, em 2017, de que a Fran&ccedil;a n&atilde;o tem pol&iacute;tica africana mostra como as decis&otilde;es ou os compromissos se sucedem sem qualquer estrat&eacute;gia. Para um Estado com uma parte da hist&oacute;ria em comum com &Aacute;frica, a atitude n&atilde;o cria confian&ccedil;a junto de numerosos parceiros.</p>     <p>A Fran&ccedil;a aproveita-se facilmente da debilidade das institui&ccedil;&otilde;es africanas, nomeadamente da AAPS. Joga tamb&eacute;m com a desconfian&ccedil;a dos Estados africanos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es regionais e continentais. Dificilmente cria uma vis&atilde;o do continente no seu todo, ocupada que est&aacute; a olhar principalmente para as antigas col&oacute;nias. O exemplo mais realista e ilustrativo desta perda de influ&ecirc;ncia &eacute; o F&oacute;rum de Dacar, que pretende ser um local de reflex&atilde;o sobre a paz e a seguran&ccedil;a em &Aacute;frica. Lan&ccedil;ado em 2013, atrai cada vez menos autoridades, mas muitos espectadores, para uma produ&ccedil;&atilde;o intelectual pr&oacute;xima do zero. O quadro que segue resume a diferen&ccedil;a entre as cimeiras que d&atilde;o frutos e as muitas cimeiras pouco proveitosas e muito onerosas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="i1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n65/n65a07i1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A Rep&uacute;blica do Jibuti acolhe outro ator principal das rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A INICIATIVA AMERICANA: UM REGRESSO A UMA PEQUENA GUERRA FRIA</b></p>     <p>Maya Kandel<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a> mostrou nos seus in&uacute;meros ensaios que a &Aacute;frica &eacute; importante para os Estados Unidos mas n&atilde;o &eacute; uma prioridade.</p>     <p>O AFRICOM foi lan&ccedil;ado em 2007 e est&aacute; operacional desde 2008. O estado-maior central encontra-se sediado em Estugarda, na Alemanha. Reconsiderou uma entidade esquecida pelo Central Command<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>, o Combined Joint Task Force Horn of Africa (CJTF &ndash; HOA), implantado no Jibuti desde 2002. Uma segunda instala&ccedil;&atilde;o militar est&aacute; a ser constru&iacute;da no N&iacute;ger. Estes dois pontos de apoio oferecem uma visibilidade sem precedentes &agrave;s for&ccedil;as americanas para intervir. Daqui partem os <i>drones </i>que operam nas regi&otilde;es em crise (Sahel, I&eacute;men, Som&aacute;lia). O aumento da capacidade de interven&ccedil;&atilde;o do CJTF &ndash; HOA no I&eacute;men e na Som&aacute;lia foi progressivo. Em 2006 tinha menos de mil pessoas e alguns avi&otilde;es; hoje conta com cerca de 4500 militares e meios modernos e adaptados &agrave; regi&atilde;o<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>.</p>     <p>A coopera&ccedil;&atilde;o e a competi&ccedil;&atilde;o com as for&ccedil;as francesas existem, mas sem real consequ&ecirc;ncia. As miss&otilde;es americanas e francesas s&atilde;o completamente diferentes. A chegada da China, por&eacute;m, num contexto de rivalidade e de competi&ccedil;&atilde;o comercial, n&atilde;o foi apreciada pela primeira pot&ecirc;ncia mundial. Os Estados Unidos ter&atilde;o parecido querer jogar ao bra&ccedil;o de ferro ou mostrar os dentes, mas a situa&ccedil;&atilde;o estar&aacute; agora mais calma, com o Jibuti a recordar que a China e os Estados Unidos s&atilde;o ambos seus parceiros. Al&eacute;m disso, o contingente militar chin&ecirc;s &eacute; relativamente modesto. O objetivo da China &eacute; poder mobilizar tropas no quadro da participa&ccedil;&atilde;o nas opera&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz e repatriar os seus cidad&atilde;os em caso de crise. O envolvimento militar n&atilde;o est&aacute; em cima da mesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>No seu pequeno territ&oacute;rio, o Jibuti concentra as tropas de tr&ecirc;s grandes atores militares, provocando rivalidade e competi&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Jibuti est&aacute; ligado &agrave;s Novas Rotas da Seda chinesas. &Eacute; um imperativo econ&oacute;mico para esta pequena rep&uacute;blica. As suas for&ccedil;as armadas, em n&uacute;mero reduzido e pouco eficazes, n&atilde;o s&atilde;o suficientes para deter os apetites regionais. Assim, precaveu-se ao assinar (1977) e ao renovar (2011) um tratado de defesa com a Fran&ccedil;a. Desde 2002 acolhe igualmente for&ccedil;as americanas, no contexto da luta contra o terrorismo. Est&aacute;, assim, no cora&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, &agrave;s portas do oceano &Iacute;ndico, a alguns quil&oacute;metros da Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica e &agrave; entrada de uma via mar&iacute;tima principal.</p>     <p>As cr&iacute;ticas acerca da constitui&ccedil;&atilde;o de uma base militar chinesa na Rep&uacute;blica do Jibuti foram virulentas, mas abrandaram. A &laquo;for&ccedil;a tranquila chinesa&raquo; estava certa sobre as impetuosas an&aacute;lises a curto prazo dos ocidentais. A China trabalha no tempo longo e, portanto, &eacute; f&aacute;cil estudar a sua estrat&eacute;gia. Descortinar uma l&oacute;gica nos exames de curto prazo ou nos <i>tweets </i>&eacute; que &eacute; mais dif&iacute;cil.</p>     <p>A oposi&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica dos Estados Unidos &agrave; China irrita bastante os atores africanos. A Fran&ccedil;a j&aacute; n&atilde;o faz sonhar. Todos os Estados de &Aacute;frica procuram uma diversidade de atores e de investimentos. O Jibuti soube apelar aos pa&iacute;ses do Golfo, &agrave; China, &agrave; Fran&ccedil;a, &agrave; ue e aos Estados Unidos.</p>     <p>A Fran&ccedil;a, se readaptasse o seu dispositivo no Jibuti ou simplesmente europeizasse essa base, estrat&eacute;gica para os interesses europeus, abandonaria o papel de pol&iacute;cia de &Aacute;frica, j&aacute; sem raz&atilde;o de ser. Se acompanhasse o fortalecimento da AAPS com ajuda e apoio militar permitiria a acelera&ccedil;&atilde;o da apropria&ccedil;&atilde;o africana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BOLTON, John &ndash; &laquo;Nouvelle strat&eacute;gie de l&rsquo;Administration Trump en Afrique: sllocution du conseiller &agrave; la S&eacute;curit&eacute; nationale Monsieur l&rsquo;ambassadeur John R. Bolton&raquo;. In <i>Ambassade des </i>&Eacute;tats<i>-Unis Dakar</i>. 13 de dezembro de 2018. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://%20sn.usembassy.gov/fr/nouvelle-strategie-de-ladministration-trump-en-afrique-allocution-du-conseiller-a-la-securite-nationale-monsieur-lambassadeur-john-r-bolton" target="_blank">https:// sn.usembassy.gov/fr/nouvelle-strategie-de-ladministration-trump-en-afrique-allocution-du-conseiller-a-la-securite-nationale-monsieur-lambassadeur-john-r-bolton</a>.</p>     <p>&laquo;D&Eacute;CLARATION de Beijing: Construire une communaut&eacute; de destin Chine-Afrique encore plus solide&raquo;. FOCAC. 12 de setembro de 2018. (Consultado em: 23 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://focacsummit.mfa.gov.cn/fra/hyqk_2/t1594325.htm" target="_blank">https://focacsummit.mfa.gov.cn/fra/hyqk_2/t1594325.htm</a>.</p>     <p>&laquo;D&Eacute;CLARATION du Sommet de Johannesburg du Forum Sur La Coop&eacute;ration Sino-Africaine&raquo;. FOCAC. 15 de dezembro de 2015. (Consultado em: 23 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.focac.org/fra/ljhy_2/tsjsxtieit/t1324348.htm" target="_blank">https://www.focac.org/fra/ljhy_2/tsjsxtieit/t1324348.htm</a>, consultada a 23 outubro 2019.</p>     <p>FERRAS, Patrick &ndash; &laquo;Le traitement du renseignement de s&eacute;curit&eacute; au sein de l&rsquo;Union africaine&raquo;. <i>In </i>Klaousen, Patrick, ed. &ndash; <i>Renseignement et </i>&eacute;valuation <i>des performances</i>, p. 280. Limoges: Lavauzelle, 2017.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FRANKOPAN, Peter &ndash; <i>Les nouvelles routes de la soie</i>. Bruxelas: Nevicata, 2018.</p>     <p>KANDEL, Maya &ndash; &laquo;Strat&eacute;gie am&eacute;ricaine en Afrique: les risques et contradictions du light footprint&raquo;. In <i>Froggy Bottom</i>. 17 de janeiro de 2015. (Consultado em: 8 de novembro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://froggybottomblog.com/2015/01/17/strategie-americaine-en-afrique-les-risques-et-contradictions-du-light-footprint" target="_blank">https://froggybottomblog.com/2015/01/17/strategie-americaine-en-afrique-les-risques-et-contradictions-du-light-footprint</a>.</p>     <p>&laquo;LA politique de la Chine &agrave; l&rsquo;&eacute;gard de l &rsquo;Afrique&raquo;. <i>Le Minist&egrave;re des Affaires Etrang&egrave;res de la R&eacute;publique populaire de Chine</i>. 5 de dezembro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.fmprc.gov.cn/zflt/fra/zfgx/dfzc/t1321596.htm" target="_blank">https://www.fmprc.gov.cn/zflt/fra/zfgx/dfzc/t1321596.htm</a>.</p>     <p>NIQUET-CABESTAN, Val&eacute;rie &ndash; &laquo;La strat&eacute;gie africaine de la Chine&raquo;. In <i>Politique </i>&Eacute;trang&egrave;re. N.&ordm; 2, 2006, pp. 361-374.</p>     <p>&laquo;SOMMET Russie-Afrique &agrave; Sotchi: un nouveau salon de l&rsquo;armement?&raquo;. <i>TV 5 Monde</i>. 24 de outubro de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://information.tv5monde.com/afrique/sommet-russie-afrique-sotchi-un-nouveau-salon-de-l-armement328536" target="_blank">https://information.tv5monde.com/afrique/sommet-russie-afrique-sotchi-un-nouveau-salon-de-l-armement328536</a>.</p>     <p>THE WHITE HOUSE &ndash; &laquo;Strat&eacute;gie des &Eacute;tatsUnis &agrave; l&rsquo;&eacute;gard de l&rsquo;Afrique subsaharienne<i>&raquo;. </i>Washington, dc. Junho de 2012. Tradu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-oficial. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://photos.%20state.gov/libraries/djibouti/328671/french-pdfs/us-srategy-sub-saharan-africa-french.pdf" target="_blank">https://photos. state.gov/libraries/djibouti/328671/french-pdfs/us-srategy-sub-saharan-africa-french.pdf</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 30 de novembro de 2019 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 7 de janeiro de 2020</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> BELT AND ROAD INITIATIVE (BEI). Cf. Frankopan, Peter &ndash; Les nouvelles routes de la soie. Bruxelas: Nevicata, 2018.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> NIQUET-CABESTAN, Val&eacute;rie &ndash; &laquo;La strat&eacute;gie africaine de la Chine&raquo;. In Politique &Eacute;trang&egrave;re. N.&ordm; 2, 2006, pp. 361-374.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> &laquo;LA politique de la Chine &agrave; l&rsquo;&eacute;gard de l&rsquo;Afrique&raquo;. Le Minist&egrave;re des Affaires Etrang&egrave;res de la R&eacute;publique populaire de Chine. 5 de dezembro de 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.fmprc.gov.cn/zflt/fra/zfgx/dfzc/t1321596.htm" target="_blank">https://www.fmprc.gov.cn/zflt/fra/zfgx/dfzc/t1321596.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> THE WHITE HOUSE &ndash; &laquo;Strat&eacute;gie des &Eacute;tats-Unis &agrave; l&rsquo;&eacute;gard de l&rsquo;Afrique subsaharienne&raquo;. Washington, dc. Junho de 2012. Tradu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-oficial. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://photos.state.gov/libraries/djibouti/328671/french-pdfs/us-srategy-sub-saharan-africa-french.pdf" target="_blank">https://photos.state.gov/libraries/djibouti/328671/french-pdfs/us-srategy-sub-saharan-africa-french.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> BOLTON, John &ndash; &laquo;Nouvelle strat&eacute;gie de l&rsquo;Administration Trump en Afrique: sllocution du conseiller &agrave; la S&eacute;curit&eacute; nationale Monsieur l&rsquo;ambassadeur John R. Bolton&raquo;. In Ambassade des &Eacute;tats-Unis Dakar. 13 de dezembro de 2018. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://sn.usembassy.gov/fr/nouvelle-strategie-de-ladministration-trump-en-afrique-allocution-du-conseiller-a-la-securite-nationale-monsieur-lambassadeur-john-r-bolton" target="_blank">https://sn.usembassy.gov/fr/nouvelle-strategie-de-ladministration-trump-en-afrique-allocution-du-conseiller-a-la-securite-nationale-monsieur-lambassadeur-john-r-bolton</a>.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> A sua import&acirc;ncia &eacute; vital para as Novas Rotas da Seda (Belt and Road Initiative).</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Em 2018, 53 Estados africanos estiveram presentes na China. Dois ausentes: a Rep&uacute;blica &Aacute;rabe Sarau&iacute; Democr&aacute;tica (RASD), que n&atilde;o &eacute; reconhecida pela China, e o &uacute;nico Estado africano que n&atilde;o reconhece a Rep&uacute;blica Popular da China (a Suazil&acirc;ndia, agora Eswatini) e sim Taiwan.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> A cimeira de 2018 reuniu dois chefes de Estado: o do Senegal, pa&iacute;s anfitri&atilde;o, e o da G&acirc;mbia. Esta aus&ecirc;ncia de reconhecimento n&atilde;o impediu certas organiza&ccedil;&otilde;es de encontrar um grande interesse na reuni&atilde;o, sem que nenhuma declara&ccedil;&atilde;o ou plano de a&ccedil;&atilde;o fossem anunciados.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> &laquo;LA politique de la Chine &agrave; l&rsquo;&eacute;gard de l&rsquo;Afrique&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> &laquo;D&Eacute;CLARATION du Sommet de Johannesburg du Forum Sur La Coop&eacute;ration Sino-Africaine&raquo;. FOCAC. 15 de dezembro de 2015. (Consultado em: 23 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.focac.org/fra/ljhy_2/tsjsxtieit/t1324348.htm" target="_blank">https://www.focac.org/fra/ljhy_2/tsjsxtieit/t1324348.htm</a>, consultada a 23 outubro 2019.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> &laquo;D&Eacute;CLARATION de Beijing: Construire une communaut&eacute; de destin Chine-Afrique encore plus solide&raquo;. FOCAC. 12 de setembro de 2018. (Consultado em: 23 de outubro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://focacsummit.mfa.gov.cn/fra/hyqk_2/t1594325.htm" target="_blank">https://focacsummit.mfa.gov.cn/fra/hyqk_2/t1594325.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Slogan franc&ecirc;s dos 3D, p&aacute;lida c&oacute;pia do t&iacute;tulo de uma obra coletiva surgida em outubro de 2010. &laquo;D&Eacute;FENSE, diplomatie et d&eacute;veloppement: repenser l&rsquo;action ext&eacute;rieure&raquo;. In Politique am&eacute;ricaine. N.&deg; 17, IFRI, 2010.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Inclui a Force Africaine en Attente.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> &laquo;LA politique de la Chine &agrave; l&rsquo;&eacute;gard de l&rsquo;Afrique&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Que, em mais de 80%, se desenrola em solo africano! A Chine participa pouco nas OMP. Tem apenas cerca de 2500 efetivos mobilizados.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Opera&ccedil;&atilde;o francesa no Sahel.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> MEDEF &ndash; Relat&oacute;rio do Medef internacional. Para uma redefini&ccedil;&atilde;o da parceria entre a Europa e &Aacute;frica (documento n&atilde;o acess&iacute;vel a todos; fevereiro de 2019).</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> A retranscri&ccedil;&atilde;o das entrevistas entre o Presidente Xi Jinping e os chefes de Estado africanos no s&iacute;tio dos f&oacute;runs China&ndash;&Aacute;frica (FCCA) &eacute; enriquecedora e impressionante. As visitas regulares das autoridades chinesas a &Aacute;frica sublinham os seus objetivos. Assim, o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros efetuou uma visita ao Jibuti, ao Egito, &agrave; Eritreia, ao Burundi e ao Zimbabu&eacute;, de 7 a 13 de janeiro de 2020.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> O Jibuti &eacute; tamb&eacute;m membro do Mercado Comum da &Aacute;frica Austral e Oriental (COMESA) e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), que a&iacute; est&aacute; sediada.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Miss&atilde;o Atalanta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> At&eacute; 2016, uma for&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (nato) patrulhava essas mesmas &aacute;guas (opera&ccedil;&atilde;o Ocean Shield).</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> A Combined Maritime Force (CMF) opera atrav&eacute;s de duas for&ccedil;as multinacionais: a Combined Task Force (CTF) 150 e a CTF 151. A primeira tem como miss&atilde;o participar na luta contra os tr&aacute;ficos e atividades il&iacute;citas ligadas ao terrorismo e garantir a seguran&ccedil;a dos espa&ccedil;os mar&iacute;timos no mar Vermelho, no golfo de Ad&eacute;m, no oceano &Iacute;ndico e no golfo de Om&atilde;, e a segunda &eacute; uma for&ccedil;a que desenvolve opera&ccedil;&otilde;es de luta contra a pirataria ao largo do Corno de &Aacute;frica.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Em 2006, os efetivos eram de 2800 militares.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Assinado a 27 de junho de 1977, dia da independ&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica do Jibuti.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> 2007-2012.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> H24: capacidade para reagir a qualquer momento.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> O porto do Jibuti trata de praticamente 90% das importa&ccedil;&otilde;es e exporta&ccedil;&otilde;es et&iacute;opes. &Eacute; vital para este Estado e uma situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica no Jibuti poderia ser um fator de interven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Em 2008, na altura do problema fronteiri&ccedil;o com a Eritreia, as autoridades jibutianas consideraram que a Fran&ccedil;a n&atilde;o demonstrara pressa em ajud&aacute;-los na crise. Este aspeto negativo junta-se a outros ressentimentos, em que o mais antigo &eacute; a neutralidade francesa na guerra civil de 1991-1994, considerada um abandono pelo poder jibutiano. S&atilde;o elementos ainda muito presentes nas autoridades jibutianas e participam do recuo de influ&ecirc;ncia da Fran&ccedil;a e do seu estatuto de pot&ecirc;ncia de segunda categoria no Jibuti.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Termo de guerra econ&oacute;mica composto a partir das palavras coopera&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Os japoneses decidiram a participa&ccedil;&atilde;o no GWOT e depois da mobiliza&ccedil;&atilde;o de meios navais desde finais de 2008-in&iacute;cios de 2009, ocupam uma pequena parte do aeroporto, onde estacionam os seus meios a&eacute;reos (P3 Orion &ndash; dois aparelhos de patrulha mar&iacute;tima) envolvidos na luta contra a pirataria e o terrorismo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Acidentes de drones, perturba&ccedil;&otilde;es de voos internacionais e regionais.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> O N&iacute;ger dever&aacute; acolher uma base americana muito importante, atualmente em constru&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Entrevista no Jibuti em maio de 2018. Se estes efetivos forem confirmados, a presen&ccedil;a militar chinesa seria superior &agrave; dos Estados Unidos.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Dacar (350 militares), Jibuti (1450), Libreville (350) e Abij&atilde; (900).</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Efetivos de 350 militares, como em Dacar e em Libreville, parecem-nos muito suficientes.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Esta opera&ccedil;&atilde;o militar e diplom&aacute;tica, lan&ccedil;ada em 2008, pretende lutar contra a inseguran&ccedil;a no golfo de Ad&eacute;m e no oceano &Iacute;ndico.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Situa-se em Bord&eacute;us e sucedeu ao Centre d&rsquo;&Eacute;tude d&rsquo;Afrique Noire (CEAN).</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> FERRAS, Patrick &ndash; &laquo;Le traitement du renseignement de s&eacute;curit&eacute; au sein de l&rsquo;Union africaine&raquo;. In KLAOUSEN, Patrick, ed. &ndash; Renseignement et &eacute;valuation des performances, p. 280. Limoges: Lavauzelle, 2017. Lan&ccedil;ado em 2013, o Processo de Nouakchott tem por finalidade refor&ccedil;ar a coopera&ccedil;&atilde;o securit&aacute;ria e a operacionaliza&ccedil;&atilde;o da AAPS na regi&atilde;o do Sahel.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> &laquo;SOMMET Russie-Afrique &agrave; Sotchi: un nouveau salon de l&rsquo;armement?&raquo;. TV 5 Monde. 24 de outubro de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://information.tv5monde.com/afrique/sommet-russie-afrique-sotchi-un-nouveau-salon-de-l-armement328536" target="_blank">https://information.tv5monde.com/afrique/sommet-russie-afrique-sotchi-un-nouveau-salon-de-l-armement328536</a>.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> KANDEL, Maya &ndash; &laquo;Strat&eacute;gie am&eacute;ricaine en Afrique: les risques et contradictions du light footprint&raquo;. In Froggy Bottom. 17 de janeiro de 2015. (Consultado em: 8 de novembro de 2019). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://froggybottomblog.com/2015/01/17/strategie-americaine-en-afrique-les-risques-et-contradictions-du-light-footprint" target="_blank">https://froggybottomblog.com/2015/01/17/strategie-americaine-en-afrique-les-risques-et-contradictions-du-light-footprint</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> Um outro grande comando americano que gere, nomeadamente, as opera&ccedil;&otilde;es no Afeganist&atilde;o e no Iraque.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> Entrevista com um diplomata ocidental no Jibuti, outubro de 2018.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERRAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Le traitement du renseignement de sécurité au sein de l'Union africaine]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Klaousen]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Renseignement et évaluation des performances]]></source>
<year>2017</year>
<page-range>280</page-range><publisher-loc><![CDATA[Limoges ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Lavauzelle]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FRANKOPAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Peter]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les nouvelles routes de la soie]]></source>
<year>2018</year>
<publisher-loc><![CDATA[Bruxelas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nevicata]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[NIQUET-CABESTAN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Valérie]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La stratégie africaine de la Chine]]></article-title>
<source><![CDATA[Politique Étrangère]]></source>
<year>2006</year>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>361-374</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
