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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mudanças climáticas e aumento do nível dos oceanos: Uma proposta para a adoção de cláusulas de mudanças climáticas em acordos de delimitação marítima]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Climate change and sea level rise: a proposal for the adoption of climate change clauses in maritime delimitation agreements]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Regardless of scientific or political debate concerning the causes of sea level rise, whether or not they be associated with climate change, purposeful political and legal responses to sea level rise are long overdue. This paper is an outcome of the empirical observations of the author and seeks to contribute to a discussion on the development of the law of the sea and international law to climate change and the resulting sea level rise that is already affecting the lives, of people throughout the world. The paper begins by examining the growing trend in climate change litigation cases being brought in national courts throughout the world and examines its implications for international law relating to sea level rise. This paper's proposal for consideration of the adoption of climate change clauses in maritime delimitation agreements would help to avoid climate change litigation in connection with sea level rise before international courts. Therefore, it suggests that the adoption of such clauses would constitute an important step in providing predictability, certainty and security to relations between States amidst the climate crisis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>O FUTURO DO OCEANO GLOBAL</b></p>     <p><b>Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e aumento do n&iacute;vel dos oceanos: Uma proposta para a ado&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima</b></p>     <p><b>Climate change and sea level rise: a proposal for the adoption of climate change clauses in maritime delimitation agreements</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rodrigo More</b></p>     <p>Universidade Federal de S&atilde;o Paulo | Rua Sena Madureira, n.&ordm; 1.500, S&atilde;o Paulo, CEP: 04021-001, Brasil | <a href="mailto:rodrigo.more@unifesp.br">rodrigo.more@unifesp.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Independentemente do debate cient&iacute;fico ou pol&iacute;tico sobre as causas do aumento do n&iacute;vel do mar, estejam elas associadas ou n&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, algumas respostas pol&iacute;ticas e legais relativas ao aumento do n&iacute;vel do mar s&atilde;o h&aacute; tempo necess&aacute;rias. Este artigo &eacute; resultado das observa&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas do autor e procura contribuir para uma discuss&atilde;o sobre o desenvolvimento do direito do mar e do direito internacional para as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e o aumento resultante do n&iacute;vel do mar que j&aacute; est&aacute; afetando a vida de pessoas em todo o mundo. O artigo come&ccedil;a examinando a tend&ecirc;ncia crescente de casos de lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que est&atilde;o sendo levados a tribunais nacionais em todo o mundo e examina suas implica&ccedil;&otilde;es para o direito internacional relacionado &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar. A proposta deste artigo para considerar a ado&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima ajudaria a evitar lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em conex&atilde;o com a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar perante tribunais internacionais. Portanto, o artigo sugere que a ado&ccedil;&atilde;o de tais cl&aacute;usulas constituiria uma etapa importante para prover previsibilidade, certeza e seguran&ccedil;a &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre os Estados em meio &agrave; crise clim&aacute;tica.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, aumento do n&iacute;vel dos oceanos, lit&iacute;gios clim&aacute;ticos, cl&aacute;usula de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Regardless of scientific or political debate concerning the causes of sea level rise, whether or not they be associated with climate change, purposeful political and legal responses to sea level rise are long overdue. This paper is an outcome of the empirical observations of the author and seeks to contribute to a discussion on the development of the law of the sea and international law to climate change and the resulting sea level rise that is already affecting the lives, of people throughout the world. The paper begins by examining the growing trend in climate change litigation cases being brought in national courts throughout the world and examines its implications for international law relating to sea level rise. This paper&rsquo;s proposal for consideration of the adoption of climate change clauses in maritime delimitation agreements would help to avoid climate change litigation in connection with sea level rise before international courts. Therefore, it suggests that the adoption of such clauses would constitute an important step in providing predictability, certainty and security to relations between States amidst the climate crisis.</p>     <p><b>Keywords</b>: climate change, rising of ocean&rsquo;s level, climate litigation, climate change clause.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>O que se encerra neste artigo reflete a experi&ecirc;ncia e reflex&otilde;es do autor colhidas a partir de reuni&otilde;es bilaterais realizadas, in loco, com altas autoridades de 99 pa&iacute;ses, visitados entre setembro de 2019 e maio de 2020, e em mais de 170 reuni&otilde;es bilaterais realizadas na sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em Nova York, desde abril de 2017. Trata-se, portanto, de um produto de observa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica derivado de debates e reflex&otilde;es que tem o prop&oacute;sito de contribuir para a identifica&ccedil;&atilde;o de um movimento de evolu&ccedil;&atilde;o e resposta do direito do mar, do direito internacional, de institui&ccedil;&otilde;es e dos Estados aos fen&ocirc;menos naturais como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e o aumento do n&iacute;vel dos oceanos. Atores &ndash; entre eles Estados, ju&iacute;zes, ONG, empresas e indiv&iacute;duos &ndash; desempenham um importante papel para a implementa&ccedil;&atilde;o de acordos e iniciativas relacionados aos efeitos da polui&ccedil;&atilde;o, uso sustent&aacute;vel e conserva&ccedil;&atilde;o dos oceanos. Essas iniciativas incluem o Objetivo de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel 14, a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar (doravante CNUDM), a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, dentre outras.</p>     <p>O n&iacute;vel dos oceanos est&aacute; subindo. &Eacute; um fato. Independentemente de diverg&ecirc;ncias cient&iacute;ficas ou pol&iacute;ticas sobre a causa desse aumento, se associadas ou n&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, algumas quest&otilde;es, e respectivas solu&ccedil;&otilde;es, j&aacute; tardam em serem tomadas em considera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em 30 de julho de 2019, representantes de pequenos Estados insulares em desenvolvimento reunidos no Pacific Islands Development Forum em Nadi, na Rep&uacute;blica das Ilhas Fiji, endossaram uma relevante declara&ccedil;&atilde;o proclamando uma crise clim&aacute;tica no Pac&iacute;fico<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Poucos dias depois, entre 13 e 16 de agosto de 2019, os insulares do Pac&iacute;fico reunidos no Fiftieth Pacific Islands Forum, em Funafuti, Tuvalu, relacionaram as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &agrave; maior amea&ccedil;a &uacute;nica ao meio de vida, seguran&ccedil;a e bem-estar dos povos do Pac&iacute;fico<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>Embora de um lado haja grandes celeumas sobre uma crise clim&aacute;tica global, de outro lado &eacute; absolutamente veros&iacute;mil admitir-se crises clim&aacute;ticas com efeitos geograficamente localizados e percept&iacute;veis como aquela que j&aacute; afeta o Pac&iacute;fico, especialmente aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Os riscos associados ao aumento do n&iacute;vel dos oceanos incluem desafios &agrave; soberania e pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia dos Estados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em setembro de 2019, em visita de campo a Nadi, Fiji, perguntei a uma crian&ccedil;a de 12 anos &laquo;como o aumento do mar afetaria a vida dela&raquo;. A resposta foi: &laquo;Perderei minha ilha. Minha fam&iacute;lia ficar&aacute; sem casa. N&atilde;o vou morar mais aqui.&raquo; Alguns cr&iacute;ticos poder&atilde;o dizer que uma &uacute;nica crian&ccedil;a n&atilde;o oferece uma amostra metodol&oacute;gica e cientificamente v&aacute;lida sobre efeitos do aumento do n&iacute;vel dos oceanos. No entanto, a resposta daquela crian&ccedil;a nos oferece uma percep&ccedil;&atilde;o da realidade muito mais completa e viva que as dedu&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de alguns destes mesmos cr&iacute;ticos, que as conhece, em maioria, apenas pelos livros. Palavras como daquela crian&ccedil;a nos chamam ao mundo real.</p>     <p>Durante a mesma pesquisa de campo, ainda em setembro de 2019, enquanto em Nuku&rsquo;alofa, capital do Reino de Tonga, questionei uma outra crian&ccedil;a de dez anos da mesma forma e ela nos respondeu quase o mesmo: &laquo;N&atilde;o estarei mais aqui quando o mar subir. Vamos todos embora.&raquo; Em algumas d&eacute;cadas, aquelas crian&ccedil;as, seus irm&atilde;os e descendentes ser&atilde;o todos deslocados ambientais<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. O n&iacute;vel dos oceanos subir&aacute;, seja qual for a causa, subir&aacute;. Trata-se de um problema que precisa ser equacionado imediatamente<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>A eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar tem implica&ccedil;&otilde;es abrangentes e multidimensionais. &Agrave; medida que o problema aumenta e caminha sem solu&ccedil;&atilde;o, veremos o r&aacute;pido surgimento de quest&otilde;es e dimens&otilde;es inter-relacionadas cada vez mais complexas.</p>     <p>A dimens&atilde;o geogr&aacute;fica comporta, por exemplo, o alagamento de &aacute;reas costeiras agricult&aacute;veis e urbanas, a submers&atilde;o definitiva de baixios a descoberto, o desaparecimento total ou parcial de pequenas ilhas.</p>     <p>A dimens&atilde;o humanit&aacute;ria, no deslocamento de popula&ccedil;&otilde;es, na acentua&ccedil;&atilde;o da pobreza e nos impactos &agrave; sa&uacute;de n&atilde;o apenas dos povos deslocados, como daqueles em cujos territ&oacute;rios os deslocados procurar&atilde;o ref&uacute;gio.</p>     <p>A dimens&atilde;o jur&iacute;dica, na altera&ccedil;&atilde;o de pontos de base e linhas de base que s&atilde;o utilizados para se medir o mar territorial e, consequentemente, todos os demais espa&ccedil;os mar&iacute;timos com impactos sobre a explora&ccedil;&atilde;o e aproveitamento econ&ocirc;mico de recursos, inclusive na pesca e aproveitamento econ&ocirc;mico de hidrocarbonetos.</p>     <p>A dimens&atilde;o econ&ocirc;mica, em condi&ccedil;&otilde;es mais severas de mar&eacute;s e ventos nos portos com impactos negativos no fluxo de com&eacute;rcio mar&iacute;timo, bem como em impactos no turismo, fonte de renda e meio de vida para a grande maioria de pequenos Estados insulares em desenvolvimento<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Em todas essas dimens&otilde;es e tantas outras que se poderia aventar, numa inexor&aacute;vel am&aacute;lgama multidimensional e interdisciplinar, encontram-se aspectos dos direitos humanos e direitos ambientais associados &agrave; sustentabilidade no uso e conserva&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o oce&acirc;nico como um todo.</p>     <p>Num plano geral, existe um consenso cient&iacute;fico de que o n&iacute;vel do mar est&aacute; subindo em todo o mundo. Resta, no entanto, um debate ativo sobre a causa do fen&ocirc;meno e sua rela&ccedil;&atilde;o com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas antropog&ecirc;nicas. No entanto, a delibera&ccedil;&atilde;o sobre a causa do problema resultou em um impasse, onde as discuss&otilde;es e as respostas pr&aacute;ticas aos efeitos do aumento do n&iacute;vel do mar parecem estar estagnadas.</p>     <p>O sistema jur&iacute;dico brasileiro fornece um instrumento &uacute;til para refletir sobre essa estagna&ccedil;&atilde;o e resolver danos ambientais, preservando interesses comuns por meio do chamado &laquo;Termo de Ajustamento de Conduta&raquo;. Este instrumento est&aacute; presente nas leis brasileiras antitruste e ambiental e estabelece a possibilidade de acordos entre o Estado e a suposta parte ou partes respons&aacute;veis por danos. O instrumento permite a cessa&ccedil;&atilde;o das causas dos danos, assegurando a solu&ccedil;&atilde;o do problema e o estabelecimento de medidas mitigat&oacute;rias e compensat&oacute;rias sem, no entanto, a parte respons&aacute;vel pelos danos assumir formalmente a culpa. &Eacute; um instrumento para se seguir avan&ccedil;ando no desenvolvimento de solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis e eficazes, vencendo a estagna&ccedil;&atilde;o imposta pelo discurso preponderantemente pol&iacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, em teoria, &eacute; poss&iacute;vel encontrar solu&ccedil;&otilde;es para problemas jur&iacute;dicos levantados pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sem imputar responsabilidade a um Estado ou outro, ou mesmo a um conjunto de Estados, negociando-se uma conduta de repara&ccedil;&atilde;o. Essa nova conduta permite uma abordagem mais transparente e ambiciosa da mitiga&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica com base numa obriga&ccedil;&atilde;o de conduta, de acordo com a abordagem do Acordo de Paris para a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de GEE<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>No entanto, as obriga&ccedil;&otilde;es dos Estados de mitigar as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em n&iacute;vel nacional, como tamb&eacute;m &eacute; o caso da assun&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es internacionais, envolvem altos custos pol&iacute;ticos internos. As pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas afetam predominantemente setores tradicionais baseados no consumo de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e exigem investimentos financeiros em desenvolvimento limpo e sustent&aacute;vel que s&atilde;o dispendiosos para os pa&iacute;ses em desenvolvimento vulner&aacute;veis ao clima. A capacidade dos Estados de implementar a mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em n&iacute;vel nacional tamb&eacute;m depende &ndash; de prefer&ecirc;ncia a baixo custo e facilmente replic&aacute;vel de solu&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, tecnol&oacute;gicas e inovadoras. Essas solu&ccedil;&otilde;es dependem de medidas de transfer&ecirc;ncia de tecnologia entre Estados desenvolvidos e em desenvolvimento que v&atilde;o al&eacute;m da transfer&ecirc;ncia de tecnologias de gera&ccedil;&atilde;o mais antiga para a transfer&ecirc;ncia de tecnologias atuais de ponta. No entanto, tecnologias mais avan&ccedil;adas podem ser objeto de prote&ccedil;&atilde;o propriet&aacute;ria ou sigilosa e, portanto, inacess&iacute;veis para os pa&iacute;ses em desenvolvimento.</p>     <p>Obviamente, n&atilde;o &eacute; justo desconsiderar os grandes investimentos feitos pelos pa&iacute;ses desenvolvidos em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o. Esses investimentos devem ser recuperados e remunerados. &Eacute; necess&aacute;rio, no entanto, reduzir os desequil&iacute;brios entre a capacidade dos pa&iacute;ses de responder &agrave;s amea&ccedil;as clim&aacute;ticas. As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas transcendem as fronteiras nacionais e os direitos de propriedade intelectual. As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas impor&atilde;o danos em todo o mundo. No entanto, quando se trata de pagar o pre&ccedil;o da mitiga&ccedil;&atilde;o, temos uma situa&ccedil;&atilde;o em que a responsabilidade n&atilde;o &eacute; dividida igualmente. Neste passo, surge uma pergunta importante: existe uma motiva&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na para utilizar os f&oacute;runs multilaterais atuais para encontrar maneiras de mitigar e at&eacute; compensar os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, ou eles simplesmente ser&atilde;o usados para buscar ou atribuir uma culpa hist&oacute;rica aos poluidores?</p>     <p>Pessoalmente, tendo a concluir, ainda que de forma contidamente otimista, que h&aacute; interesse em mitigar os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, mas n&atilde;o um interesse em rela&ccedil;&atilde;o a qualquer mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o direta de natureza indenizat&oacute;ria, por exemplo. De outro lado, atribui-se &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, especialmente &agrave; transfer&ecirc;ncia de tecnologia e &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, uma certa compensa&ccedil;&atilde;o geral e difusa por responsabilidades hist&oacute;ricas, al&eacute;m de um car&aacute;ter evidentemente preventivo, urgente e necess&aacute;rio a respeito das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</p>     <p>Dependendo do objeto, da extens&atilde;o e da profundidade, a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica pode ser uma ferramenta poderosa e muito mais valiosa que compensa&ccedil;&otilde;es financeiras diretas. Ela s&oacute; tem de ser efetiva, respeitar e compartilhar o estado da arte e n&atilde;o apenas oferecer tecnologias ultrapassadas, e passar a ser praticada <i>in situ</i>, capacitando recursos humanos em solo dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, evitando-se a drenagem de talentos, o <i>brain drain</i> e fomentando a pesquisa, a ci&ecirc;ncia, a tecnologia e a inova&ccedil;&atilde;o localmente. Caso contr&aacute;rio, ser&aacute; enxugar gelo num planeta 1,5 &ordm;C ou acima mais quente.</p>     <p>O aumento do n&iacute;vel dos oceanos, em todas as suas dimens&otilde;es, &eacute; apenas um dos muitos efeitos delet&eacute;rios atribu&iacute;dos &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Como se trata de efeitos transfronteiri&ccedil;os, a solu&ccedil;&atilde;o passa necessariamente pelos f&oacute;runs multilaterais globais, pois n&atilde;o h&aacute; sentido em conter emiss&otilde;es de gases de efeito estufa num Estado e n&atilde;o em outro, ou sem a participa&ccedil;&atilde;o dos maiores emissores. A solu&ccedil;&atilde;o passa apenas secundariamente pela jurisdi&ccedil;&atilde;o de tribunais internacionais. Embora, num futuro pr&oacute;ximo, acredite que lit&iacute;gios por mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, sob o que se denomina e estuda como <i>climate change litigation</i>, ser&atilde;o propostos diante de tribunais internacionais, seguindo uma crescente tend&ecirc;ncia em n&iacute;vel nacional.</p>     <p>No entanto, o papel que os tribunais internacionais podem desempenhar diante das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas permanece incerto e depende de fatores externos a eles. Por exemplo, no caso de falta de evid&ecirc;ncia de uma obriga&ccedil;&atilde;o juridicamente vinculativa entre as partes, um tribunal internacional n&atilde;o pode adjudicar o direito reclamado. Os tribunais internacionais devem ser o &uacute;ltimo recurso ap&oacute;s negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas malsucedidas entre as partes envolvidas em um processo judicial. No entanto, seu papel &eacute; importante, uma vez que os tribunais internacionais, al&eacute;m de exercerem jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre controv&eacute;rsias, tamb&eacute;m desempenham um papel consultivo e podem ser instados pelos Estados para obter uma orienta&ccedil;&atilde;o nos processos de negocia&ccedil;&atilde;o multilateral<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>Nesse sentido, os tribunais internacionais e seus ju&iacute;zes merecem ser reconhecidos como detentores de um papel potencialmente importante na governan&ccedil;a dos oceanos, obviamente com total respeito aos limites legais de jurisdi&ccedil;&atilde;o dos tribunais internacionais e &agrave; imparcialidade e consci&ecirc;ncia dos ju&iacute;zes. Os limites do compromisso com o direito internacional pelos tribunais internacionais e seus ju&iacute;zes n&atilde;o devem ser confundidos com indiferen&ccedil;a, mas identificados com um compromisso de interpreta&ccedil;&atilde;o do direito internacional condizente, simultaneamente, com a jurisprud&ecirc;ncia do passado e os desafios do futuro, que a ci&ecirc;ncia, a tecnologia e a inova&ccedil;&atilde;o auxiliar&atilde;o a compreender e a solucionar de forma pac&iacute;fica.</p>     <p>Deste ponto, este estudo passa a ponderar sobre dois aspectos relacionados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Em nossas atividades de campo, duas quest&otilde;es foram extremamente recorrentes.</p>     <p>A an&aacute;lise na primeira parte do artigo baseia-se na tend&ecirc;ncia observada de que os lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em n&iacute;vel nacional podem inspirar e influenciar os lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em n&iacute;vel internacional. Portanto, a pergunta que este artigo procura responder &eacute; a seguinte: se n&atilde;o houver consenso diplom&aacute;tico sobre a mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, os Estados afetados, mais vulner&aacute;veis ao clima, poderiam se socorrer de tribunais internacionais?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A segunda parte considera um aspecto espec&iacute;fico dos efeitos relacionados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas: eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e a delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima. Esse estudo questiona: &laquo;como garantir que os atuais acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima permane&ccedil;am aplic&aacute;veis sob os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas?&raquo;. O artigo sugere que a ado&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica nos acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima forneceria previsibilidade, certeza e seguran&ccedil;a &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es entre os Estados diante das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CRISE CLIM&Aacute;TICA E MUDAN&Ccedil;AS CLIM&Aacute;TICAS</b></p>     <p>O uso do termo &laquo;crise clim&aacute;tica&raquo; parece ser um tabu: o termo ainda n&atilde;o aparece nos documentos oficiais da ONU. Em setembro de 2019, ap&oacute;s a &laquo;C&uacute;pula de A&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas da ONU&raquo;, realizada em Nova York, as palavras do secret&aacute;rio-geral Ant&oacute;nio Guterres ecoariam nos jornais de todo o mundo: &laquo;a emerg&ecirc;ncia clim&aacute;tica &eacute; uma corrida que estamos a perder, mas uma que podemos vencer&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>Crise ou emerg&ecirc;ncia, se o Estado descumpre obriga&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o atribu&iacute;das pelo direito internacional geral ou convencional, que t&ecirc;m como consequ&ecirc;ncia um dano, tem a obriga&ccedil;&atilde;o de repar&aacute;-lo ou compens&aacute;-lo<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>Neste sentido, a t&iacute;tulo meramente argumentativo, dependendo da natureza da obriga&ccedil;&atilde;o do Estado vinculada &agrave; mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, as perdas e danos causados pelo aumento do n&iacute;vel dos oceanos, por exemplo, poderiam ser imputados, com base em responsabilidades legais e morais, aos Estados que mais emitem gases de efeito estufa. Evidentemente, n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples estabelecer-se juridicamente esse nexo de causalidade, nem o crit&eacute;rio para escolher quais Estados deveriam ser instados, nem sua propor&ccedil;&atilde;o de contribui&ccedil;&atilde;o. Enfim, danos causados ao meio ambiente geram lit&iacute;gios ambientais, mais especificamente, danos causados por mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas geram lit&iacute;gios clim&aacute;ticos.</p>     <p>Os lit&iacute;gios por mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> em n&iacute;vel nacional t&ecirc;m sido utilizados em todo o mundo, especialmente por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, indiv&iacute;duos e institui&ccedil;&otilde;es subnacionais (estados da federa&ccedil;&atilde;o e munic&iacute;pios), como uma ferramenta para influenciar a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas pelos Estados, orientar o comportamento de empresas e buscar compensa&ccedil;&atilde;o por perdas e danos associados &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</p>     <p>Em seu estudo das tend&ecirc;ncias globais em lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, Setzer e Byrnes<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> identificam 343 a&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas movidas em 27 pa&iacute;ses diferentes entre 1994 e 2019. Desses casos:</p> <ul>       <li>um alto n&uacute;mero de lit&iacute;gios clim&aacute;ticas foi identificado na Austr&aacute;lia (94 casos), na Uni&atilde;o Europeia (55 casos) e no Reino Unido (53 casos);</li>       <li>43% (148) dos lit&iacute;gios clim&aacute;ticos no per&iacute;odo levaram a um resultado considerado favor&aacute;vel ao avan&ccedil;o dos esfor&ccedil;os de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>81% (278) dos lit&iacute;gios clim&aacute;ticos s&atilde;o movidos por empresas, ONG e cidad&atilde;os contra governos;</li>       <li>80% (275) dos lit&iacute;gios clim&aacute;ticos t&ecirc;m o governo como principal r&eacute;u.</li>     </ul>     <p>Nos Estados Unidos, Setzer e Byrnes identificaram 1027 lit&iacute;gios clim&aacute;ticos, o triplo do n&uacute;mero de lit&iacute;gios de outros pa&iacute;ses no per&iacute;odo de 1990 a 2018: houve 873 lit&iacute;gios entre 1990 e 2016 e 154 lit&iacute;gios entre 2017 e 2018 (Administra&ccedil;&atilde;o Trump).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O CASO JULIANA V. US: INSPIRA&Ccedil;&Atilde;O PARA LIT&Iacute;GIOS INTERNACIONAIS</b></p>     <p>Dentre os casos relatados por Setzer e Byrnes nos Estados Unidos destaca-se um caso paradigm&aacute;tico ainda em curso &ndash; Juliana v. US<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a> &ndash; que segundo avalia&ccedil;&atilde;o das autoras influenciou lit&iacute;gios clim&aacute;ticos na Irlanda, no Canad&aacute; e na Fran&ccedil;a. Desse ponto, entendo que lit&iacute;gios clim&aacute;ticos como o caso Juliana v. US podem tamb&eacute;m inspirar lit&iacute;gios em tribunais internacionais.</p>     <p>O caso Juliana v. US &eacute; uma das mais relevantes a&ccedil;&otilde;es judiciais clim&aacute;ticas nos Estados Unidos<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Com fundamento constitucional, &eacute; promovida com apoio de uma ONG por um grupo de 21 jovens entre 12 e 23 anos de idade. A a&ccedil;&atilde;o est&aacute; em curso perante a Ninth Circuit Court of Appeals, em Portland, estado do Oregon, na qual os jovens autores alegam que a&ccedil;&otilde;es do governo em criar um sistema nacional de energia baseado na extra&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis f&oacute;sseis causam mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e violam seus direitos constitucionais &agrave; vida, liberdade e propriedade, al&eacute;m de falhar na prote&ccedil;&atilde;o essencial de recursos p&uacute;blicos que devem ser preservados para uso comum.</p>     <p>Em 17 de janeiro de 2020, um painel de tr&ecirc;s ju&iacute;zes do Ninth Circuit Court of Appeals decidiu por dois a um votos que, apesar de haver provas dos danos causados pelo governo federal, a Corte n&atilde;o tinha compet&ecirc;ncia para julgar os danos causados aos jovens demandantes<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>.</p>     <p>Mesmo votando a favor da incompet&ecirc;ncia da Corte, portanto contr&aacute;rio &agrave; peti&ccedil;&atilde;o dos jovens autores, o juiz Andrew Hurwitz reconheceu v&aacute;rios pontos favor&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas: a) a prova de que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&atilde;o ocorrendo e crescendo rapidamente; b) a apresenta&ccedil;&atilde;o de um grande volume de provas estabelecendo o nexo entre o aumento sem precedentes de n&iacute;veis de di&oacute;xido de carbono com a combust&atilde;o de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, que causar&atilde;o grande dano ao clima da Terra se n&atilde;o controlada, inclusive podendo causar o aumento do n&iacute;vel dos oceanos entre 60 cent&iacute;metros e 90 cent&iacute;metros em 2100; c) que os registros do caso estabelecem, de forma conclusiva, que o governo federal tem consci&ecirc;ncia, de longa data, dos riscos do uso de combust&iacute;veis f&oacute;sseis e do aumento das emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono; d) que os registros do caso estabelecem que o governo federal contribuiu para as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas com conhecimento de causa, a partir de uma conduta afirmativa<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na opini&atilde;o favor&aacute;vel &agrave; compet&ecirc;ncia da Corte, portanto a favor da peti&ccedil;&atilde;o dos jovens autores, a ju&iacute;za Josephine L. Staton apoiou-se em estudos oficiais de ag&ecirc;ncias do pr&oacute;prio governo federal, como a National Oceanic and Atmospheric Administration &ndash; NOAA, para afirmar as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Anotou a ju&iacute;za Staton:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;At&eacute; cientistas do governo projetam que, dadas as atuais tend&ecirc;ncias do aquecimento, o n&iacute;vel do mar aumentar&aacute; dois p&eacute;s em 2050, quase quatro p&eacute;s em 2070, mais de oito p&eacute;s em 2100, 18 p&eacute;s em 2150 e mais de 31 p&eacute;s em 2200. Uma eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar de um metro e meio tornar&aacute; dois milh&otilde;es de lares americanos inabit&aacute;veis; um aumento de aproximadamente 6 metros resultar&aacute; na perda total de Miami, Nova Orleans e outras cidades costeiras. Assim, conforme descrito pelos especialistas dos autores, as les&otilde;es sofridas pelos autores s&atilde;o a primeira pequena onda em um tsunami que se aproxima &ndash; agora vis&iacute;vel no horizonte de um futuro n&atilde;o t&atilde;o distante &ndash; que destruir&aacute; os Estados Unidos como o conhecemos atualmente&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</blockquote>     <p></p>     <p>Em n&iacute;vel nacional, os lit&iacute;gios clim&aacute;ticos t&ecirc;m fundamentos jur&iacute;dicos que se baseiam em normas internas, que podem ou n&atilde;o decorrer da incorpora&ccedil;&atilde;o de acordos internacionais, mas que invariavelmente t&ecirc;m fundamento constitucional como o caso Juliana v. US. Portanto, lit&iacute;gios clim&aacute;ticos como o caso em apre&ccedil;o obedecem a uma hierarquia constitucional que vincula juridicamente as partes, em especial o pr&oacute;prio Estado.</p>     <p>A contribui&ccedil;&atilde;o de tal jurisprud&ecirc;ncia nacional &agrave; responsabilidade do Estado por atos ilegais, conforme determinado no direito internacional, &eacute; muito importante, especialmente &agrave; luz do princ&iacute;pio de unidade do Estado<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Assim, se o Estado for declarado respons&aacute;vel por seus pr&oacute;prios tribunais por atos il&iacute;citos, decorrentes de uma obriga&ccedil;&atilde;o legalmente vinculativa nos termos do direito internacional ou de um direito interno meramente coincidente com o primeiro, essa mesma conduta pode ser considerada contr&aacute;ria &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o do Estado nos termos do direito internacional? Em outras palavras, as evid&ecirc;ncias apresentadas perante um tribunal nacional e, consequentemente, a decis&atilde;o do tribunal nacional podem servir como elo causal entre um ato il&iacute;cito de acordo com o direito internacional, uma obriga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cumprida e a prova dos danos causados pelas a&ccedil;&otilde;es de um Estado para outro com base nesta mesma conduta?</p>     <p>O crescente n&uacute;mero de casos de lit&iacute;gios clim&aacute;ticos propostos perante os tribunais nacionais apresenta v&aacute;rios argumentos diferentes relacionados &agrave;s a&ccedil;&otilde;es dos Estados sobre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Eles tamb&eacute;m oferecem indica&ccedil;&atilde;o de que, muito em breve, os tribunais internacionais poder&atilde;o ser instados a emitir uma decis&atilde;o ou um parecer consultivo sobre os impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. A jurisdi&ccedil;&atilde;o dos tribunais internacionais, no entanto, &eacute; aferida e tem um peso muito diferente dos tribunais nacionais.</p>     <p>Ao considerar as amea&ccedil;as relacionadas ao clima em que v&aacute;rios Estados contribu&iacute;ram de maneira inconsistente e geograficamente dispersa para efeitos que podem ocorrer a milhares de quil&ocirc;metros da fonte de emiss&atilde;o, pode ser dif&iacute;cil adotar um crit&eacute;rio para escolher as partes a serem levadas a um tribunal internacional em rela&ccedil;&atilde;o a uma cota de participa&ccedil;&atilde;o ou poss&iacute;vel solidariedade em termos dos danos alegados.</p>     <p>Al&eacute;m disso, se uma, algumas ou todas as partes identificadas n&atilde;o concordarem, preliminarmente, em se submeter &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o do tribunal, o caso poder&aacute; nem ser julgado por falta de jurisdi&ccedil;&atilde;o, de modo que o tribunal internacional sequer entrar&aacute; no m&eacute;rito da natureza da obriga&ccedil;&atilde;o reivindicada<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao mesmo tempo, tamb&eacute;m seria necess&aacute;rio identificar a prova do v&iacute;nculo legal entre as partes quanto &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o ou dever reivindicado.</p>     <p>Neste contexto, supondo que o aumento do n&iacute;vel do mar esteja vinculado &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas induzidas pelo homem e afetar&aacute; as fronteiras mar&iacute;timas, as seguintes perguntas merecem ser levantadas em conson&acirc;ncia com a proposta deste estudo para uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre a ado&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica nos acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima:</p> <ul>       <li>O aumento do n&iacute;vel do mar pode ser considerado um efeito prejudicial da polui&ccedil;&atilde;o do meio marinho causada pelas emiss&otilde;es de GEE, conforme o conceito de polui&ccedil;&atilde;o definido no artigo 1.&ordm; (1) (4) da CNUDM?</li>       <li>A obriga&ccedil;&atilde;o de mitigar as emiss&otilde;es de GEE que poluem o meio marinho est&aacute; vinculada &agrave; obriga&ccedil;&atilde;o geral, integral e juridicamente vinculante de proteger e preservar o meio marinho, objeto da parte XII da CNUDM, especialmente levando em considera&ccedil;&atilde;o a natureza jur&iacute;dica do artigo 192.&ordm; da CNUDM?</li>       <li>O aumento do n&iacute;vel do mar impede os Estados de exercerem o direito de soberania sobre os recursos naturais e de aproveitar tais recursos de acordo com suas pol&iacute;ticas ambientais conforme previsto no artigo 193.&ordm; da CNUDM?</li>       <li>As redu&ccedil;&otilde;es de emiss&otilde;es de GEE podem ser consideradas entre as &laquo;medidas necess&aacute;rias&raquo; que devem ser adotadas pelos Estados para prevenir, reduzir e controlar a polui&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho, ou para impedir que atividades sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o ou controle causem danos a outros Estados e seus ambientes, conforme previsto no artigo 194.&ordm; (1) e (2) da CNUDM?</li>     </ul>     <p>Quest&otilde;es semelhantes sobre as implica&ccedil;&otilde;es legais das obriga&ccedil;&otilde;es do Estado sob o direito internacional podem ser feitas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; polui&ccedil;&atilde;o por pl&aacute;sticos e micropl&aacute;sticos. Tamb&eacute;m h&aacute; quest&otilde;es a serem feitas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s incertezas sobre a submiss&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es judiciais relacionadas &agrave; polui&ccedil;&atilde;o por pl&aacute;sticos a um tribunal internacional e aos direitos de um Estado para o qual, por exemplo, a sa&uacute;de p&uacute;blica, a pesca e o turismo mar&iacute;timo foram afetados pela polui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Nesse contexto, as opini&otilde;es consultivas dos tribunais internacionais podem oferecer orienta&ccedil;&otilde;es &uacute;teis para prevenir e solucionar casos contenciosos relacionados &agrave;s quest&otilde;es legais acima mencionadas. O Tribunal Internacional para o Direito do Mar, em especial, poderia contribuir com respostas &agrave;s quest&otilde;es que levantei. Desde 2011, o Tribunal emitiu dois pareceres consultivos relevantes. A Corte Internacional de Justi&ccedil;a, por seu lado, emitiu 28 pareceres consultivos desde 1948.</p>     <p>Diante da atual crise clim&aacute;tica, penso que os Estados talvez possam solicitar um parecer consultivo de um tribunal internacional sobre a resposta legal apropriada aos efeitos da eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar sobre a delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima. A natureza premente dessa quest&atilde;o justifica, por exemplo, sua considera&ccedil;&atilde;o pela Comiss&atilde;o de Direito Internacional, na qual funciona um grupo de trabalho criado especialmente para esse fim<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, por mais paradoxal que possa parecer, os lit&iacute;gios clim&aacute;ticos na esfera interna tendem a produzir estabilidade, seguran&ccedil;a e certeza quanto &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o do direito, impondo limites ao poder p&uacute;blico, estabelecendo regras e orienta&ccedil;&otilde;es para o setor privado e favorecendo a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</p>     <p>No n&iacute;vel internacional, os lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas poderiam fornecer orienta&ccedil;&atilde;o semelhante, com base na extensa e rica jurisprud&ecirc;ncia contenciosa e consultiva da Corte Internacional de Justi&ccedil;a, do Tribunal Permanente de Arbitragem, do Tribunal Internacional de Direito do Mar, da Corte Interamericana de Direitos Humanos e Corte Europeia de Direitos Humanos. Reitero, por&eacute;m, que os tribunais devem ser o &uacute;ltimo recurso e ser usado somente ap&oacute;s o esgotamento de negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AUMENTO DO N&Iacute;VEL DOS OCEANOS E FRONTEIRAS MAR&Iacute;TIMAS</b></p>     <p>O aumento do n&iacute;vel dos oceanos opera em v&aacute;rias dimens&otilde;es que se inter-relacionam: geogr&aacute;fica, humanit&aacute;ria, jur&iacute;dica e econ&ocirc;mica. Na conflu&ecirc;ncia das dimens&otilde;es geogr&aacute;fica e jur&iacute;dica, o aumento do n&iacute;vel dos oceanos mudar&aacute; as coordenadas dos pontos de base e das linhas de base usados para medir o mar territorial, que nas costas, em baixios a descoberto e arquip&eacute;lagos s&atilde;o determinados conforme os artigos 5.&ordm; a 14.&ordm;, e artigo 47.&ordm; da CNUDM.</p>     <p>Os pontos de base e linhas de base s&atilde;o estabelecidos unilateralmente pelos Estados ribeirinhos<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. Eles s&atilde;o anotados em gr&aacute;ficos ou coordenadas que permitem identificar geometricamente as linhas de delimita&ccedil;&atilde;o decorrentes e depositados junto ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>A mudan&ccedil;a das coordenadas dos pontos de base e das linhas de base a partir do aumento do n&iacute;vel dos oceanos pode causar, potencialmente, grande instabilidade em um sem-n&uacute;mero de acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, muito embora pare&ccedil;a haver um certo consenso, em homenagem &agrave; estabilidade, seguran&ccedil;a e certeza jur&iacute;dicas, e &agrave;s boas rela&ccedil;&otilde;es entre Estados vizinhos, de que os pontos de base e linhas de base, e consequentemente as zonas mar&iacute;timas, n&atilde;o devam ser questionados ou reduzidos como resultado do aumento do n&iacute;vel dos oceanos ou das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Note-se o caso de Tuvalu, uma pequena ilha no &Iacute;ndico amea&ccedil;ada de desaparecer completamente por causa do aumento do n&iacute;vel do Oceano. Al&eacute;m dos graves impactos sobre a extens&atilde;o do territ&oacute;rio que &eacute; tomado pelo mar, sobre elementos culturais e at&eacute; mesmo sobre um direito do povo de Tuvalu de pertencimento a um territ&oacute;rio, de identidade e de uma liga&ccedil;&atilde;o com sua terra natal, o aumento do n&iacute;vel dos oceanos causa um evidente impacto sobre as linhas de base, cujos crit&eacute;rios geogr&aacute;ficos e geod&eacute;sicos sobre os quais elas se fixaram simplesmente desaparecer&atilde;o<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>Consequentemente, as coordenadas das linhas de base que constroem os limites mar&iacute;timos de Tuvalu permanecer&atilde;o existentes apenas sob a perspectiva jur&iacute;dica dos artigos 16.&ordm; (2), 47.&ordm; (8), 75.&ordm; (2), 76.&ordm; (9) e 84.&ordm; (2) da CNUDM, depositados junto ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. A mesma amea&ccedil;a enfrentam outros pequenos Estados insulares, como Kiribati, Maldivas, Seychelles, Micron&eacute;sia, Palau e Ilhas Salom&atilde;o.</p>     <p>Em 1998, um artigo publicado por Khadem no <i>Boundary &amp; Security Bulletin</i> observou que, seguindo as Conven&ccedil;&otilde;es sobre o Direito do Mar de 1958, o &laquo;direito internacional est&aacute; mal equipado&raquo; para fornecer uma solu&ccedil;&atilde;o clara e &laquo;satisfat&oacute;ria&raquo; ao que o autor chamou de &laquo;linhas costeiras altamente inst&aacute;veis&raquo;, sujeitas a extens&atilde;o ou eros&atilde;o por atividade no n&iacute;vel do Oceano<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. A solu&ccedil;&atilde;o proposta por Khadem, com refer&ecirc;ncia a uma proposta semelhante feita por Bangladesh na Sess&atilde;o de Caracas da Terceira Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar, deveria aplicar o delineamento da linha de base retas em linhas costeiras inst&aacute;veis. O autor argumentou que isso seria uma solu&ccedil;&atilde;o eficaz, desde que o comprimento dos segmentos fosse limitado e evitasse a possibilidade de os Estados aumentarem artificialmente as &aacute;reas do espa&ccedil;o oce&acirc;nico sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o. Recentemente, Schofield e Sefriouni ampliaram essa perspectiva<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O trabalho de Schofield, de 2013, estudou como o aumento do n&iacute;vel do mar causou o deslocamento de povos das terras baixas, como os que vivem no delta do rio Mekong e no delta do rio Vermelho. O autor avalia como o aumento do n&iacute;vel do mar causar&aacute; intrus&atilde;o de salinidade na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola da regi&atilde;o. Ele tamb&eacute;m observa que o aumento do n&iacute;vel do mar afetar&aacute; a delimita&ccedil;&atilde;o dos limites externos das &aacute;reas mar&iacute;timas, feita com base nos pontos de base e linhas de base estabelecidos pelos Estados ribeirinhos, e que provavelmente afetar&aacute; as linhas de equidist&acirc;ncia de acordo com o m&eacute;todo de tr&ecirc;s fases<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>J&aacute; Sefriouni, em 2017, observou que mudan&ccedil;as f&iacute;sicas nos pontos de base usados para estabelecer linhas de base podem causar conflitos entre Estados com costas opostas ou adjacentes, ou porque esses pontos de base desaparecem ou porque acabam afetando a eleva&ccedil;&atilde;o da mar&eacute; baixa e as ilhas formadas por rochas<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Al&eacute;m disso, existe o risco de que pequenos Estados insulares em desenvolvimento desapare&ccedil;am no fundo do mar e, portanto, n&atilde;o tenham mais um territ&oacute;rio. De outro lado, pode ser que, com o desaparecimento de certas massas de terra, certas disputas tamb&eacute;m possam desaparecer, como foi o caso da ilha <i>offshore</i> na ba&iacute;a de Bengala &ndash; denominada South Talpatti pelo Bangladesh e New Moore pela &Iacute;ndia &ndash; que desapareceu em 2010, resolvendo uma longa disputa.</p>     <p>Tanto Schofield quanto Sefriouni prop&otilde;em a ado&ccedil;&atilde;o de linhas de base fixas ou limites mar&iacute;timos fixos. No entanto, ambos os autores tamb&eacute;m reconhecem que essas medidas dependeriam de uma emenda da CNUDM, que permanece improv&aacute;vel. No entanto, pode-se argumentar que, embora uma emenda desse tipo possa enfrentar uma formid&aacute;vel barreira negocial/diplom&aacute;tica, os argumentos levantados por esses autores destacam a import&acirc;ncia de preservar os direitos das pequenas ilhas sobre seus recursos marinhos naturais.</p>     <p>Em 2017, na 18.&ordf; reuni&atilde;o do Processo Consultivo Aberto Informal das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Oceanos e o Direito do Mar, um painel inteiro foi dedicado aos efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nos oceanos. O painel incluiu propostas sobre a possibilidade de adotar linhas de base fixas em resposta &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e incluiu uma discuss&atilde;o em torno da possibilidade de pequenos Estados insulares em desenvolvimento assinarem acordos com vizinhos para a ocupa&ccedil;&atilde;o de um novo territ&oacute;rio (por exemplo, uma ilha desabitada ou pouco habitada). Nesse cen&aacute;rio, os Estados seguiriam o exemplo hist&oacute;rico dado pelos Estados Unidos em rela&ccedil;&atilde;o ao Texas e Alasca, pagando pela ocupa&ccedil;&atilde;o ou incluindo em contrapropostas de negocia&ccedil;&atilde;o o compartilhamento de recursos inclu&iacute;dos nas &aacute;reas mar&iacute;timas que foram estabelecidas como seu territ&oacute;rio. Nesta solu&ccedil;&atilde;o, no entanto, as linhas de base devem ser fixas<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     <p>Sob esse modelo, a &laquo;costa jur&iacute;dica&raquo; deve ter preced&ecirc;ncia sobre as circunst&acirc;ncias geogr&aacute;ficas na constru&ccedil;&atilde;o de limites mar&iacute;timos. O estabelecimento de linhas de base fixas teria de ser feito por meio de acordos internacionais bilaterais, uma vez que n&atilde;o parece politicamente vi&aacute;vel cri&aacute;-los emendando a CNUDM ou desenvolvendo um novo acordo internacional espec&iacute;fico. Em casos extremos, a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar pode resultar na transfer&ecirc;ncia de espa&ccedil;o mar&iacute;timo da jurisdi&ccedil;&atilde;o de um Estado ribeirinho para a de outro Estado de costa oposta ou adjacente, ou mesmo para o alto mar ou para a &aacute;rea, alterando, assim, o regime jur&iacute;dico aplic&aacute;vel conforme a CNUDM.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A PREVAL&Ecirc;NCIA DA &laquo;CONFIGURA&Ccedil;&Atilde;O GEOGR&Aacute;FICA ATUAL DAS COSTAS&raquo;</b></p>     <p>Neste passo, gostaria de explorar dois argumentos em rela&ccedil;&atilde;o ao debate sobre a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e a resposta legal inserida na discuss&atilde;o sobre pontos de base e linhas de base &laquo;fixos&raquo;.</p>     <p>O primeiro argumento refere-se a Estados ribeirinhos, cujo territ&oacute;rio ser&aacute; permanentemente submerso como resultado da eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar. N&atilde;o haver&aacute; altera&ccedil;&atilde;o nos pontos de base, embora eles com efeito desapare&ccedil;am. Pontos de base e linhas de base continuar&atilde;o a existir do ponto de vista jur&iacute;dico, como coordenadas depositadas no secret&aacute;rio-geral da ONU de acordo com a CNUDM.</p>     <p>Submersos, haver&aacute; um mar territorial, uma zona econ&ocirc;mica exclusiva e uma plataforma continental existentes apenas do ponto de vista jur&iacute;dico, sem a correspondente dimens&atilde;o geogr&aacute;fica sob jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional e, portanto, em desacordo com a CNUDM.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dado que os pontos de base e linhas de base s&atilde;o unilateralmente estabelecidos e medidos e n&atilde;o podem ser alterados, exceto por iniciativa do Estado ribeirinho, unilateralmente ou por acordo, ou por decis&atilde;o de um &oacute;rg&atilde;o judicial ao qual a jurisdi&ccedil;&atilde;o foi atribu&iacute;da, se o Estado ribeirinho decidir manter seus pontos de base e linhas de base listados e depositados junto ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, essas linhas de base se tornar&atilde;o <i>ipso facto</i> fixas e inalter&aacute;veis. Eu chamo essa decis&atilde;o de &laquo;decis&atilde;o por nada fazer&raquo;, ou &laquo;deixar como est&aacute;&raquo;.</p>     <p>O segundo argumento refere-se a Estados com costas opostas ou adjacentes, cujos pontos de base e linhas de base ser&atilde;o alterados com impacto rec&iacute;proco em suas respectivas fronteiras mar&iacute;timas.</p>     <p>Os efeitos do aumento do n&iacute;vel do mar s&atilde;o exclusivos para cada costa, dadas caracter&iacute;sticas particulares de relevo, circunst&acirc;ncias relevantes, como s&atilde;o as costas recortadas e em franjas. Consequentemente, alterando a localiza&ccedil;&atilde;o dos pontos de base e das linhas de base, o aumento do n&iacute;vel do mar pode &laquo;transferir&raquo; uma zona econ&ocirc;mica exclusiva de um Estado costeiro para outro, por exemplo. O mesmo pode ocorrer com a plataforma continental.</p>     <p>Nesse cen&aacute;rio, os limites mar&iacute;timos definidos por pontos de base e linhas de base fixos permaneceriam legalmente os mesmos, ou seja aqueles atualmente depositados junto ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Aqui, o impacto do aumento do n&iacute;vel do mar nos pontos de base e linhas de base pode ser considerado como apresentando um elemento de imprevisibilidade legal, amea&ccedil;ando a estabilidade, a certeza e a seguran&ccedil;a que um acordo de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima visa garantir, conforme definido pelo Tribunal Permanente de Arbitragem no caso Bay of Bangal Maritime Boundary Arbitration:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;216. O Tribunal observa que as delimita&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas, como as fronteiras terrestres, devem ser est&aacute;veis e definitivas para garantir um relacionamento pac&iacute;fico entre os Estados envolvidos a longo prazo. Como a Corte Internacional de Justi&ccedil;a observou em sua decis&atilde;o no caso do Templo de Preah Vihear, &ldquo;(em geral, quando dois pa&iacute;ses estabelecem uma fronteira entre eles, um dos principais objetivos &eacute; alcan&ccedil;ar a estabilidade e a finalidade&rdquo; (Senten&ccedil;a de M&eacute;rito de 15 de junho de 1962, CIJ Reports 1962, p. 6, p. 34). A mesma considera&ccedil;&atilde;o se aplica &agrave;s fronteiras mar&iacute;timas.&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a></blockquote>     <p></p>     <p>Os acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, no entanto, podem ser revisados e atualizados. No mesmo caso, o Tribunal Permanente de Arbitragem adotou a posi&ccedil;&atilde;o de que nem a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica nem seus efeitos podem colocar em risco o grande n&uacute;mero de acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima unilaterais e bilaterais que existem atualmente em todo o mundo. Confira-se:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;217. Na opini&atilde;o do Tribunal, nem a perspetiva de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica nem seus poss&iacute;veis efeitos podem comprometer o grande n&uacute;mero de fronteiras mar&iacute;timas estabelecidas em todo o mundo. Isso se aplica igualmente &agrave;s fronteiras mar&iacute;timas acordadas entre os Estados e &agrave;s estabelecidas por meio de adjudica&ccedil;&atilde;o internacional.         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>         <li>A import&acirc;ncia de fronteiras mar&iacute;timas est&aacute;veis e definitivas &eacute; ainda mais essencial quando est&atilde;o em risco a explora&ccedil;&atilde;o e a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos da plataforma continental. Tais empreendimentos exigem investimentos importantes e a constru&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es offshore, incluindo aquelas governadas pela CNUDM nas partes vi e xi e no artigo 60.&ordm;. Bangladesh destaca com raz&atilde;o a import&acirc;ncia de tais recursos para um Estado densamente povoado e com recursos naturais limitados. Na opini&atilde;o do Tribunal, os direitos soberanos dos Estados ribeirinhos e, portanto, as fronteiras mar&iacute;timas entre eles, devem ser determinados com precis&atilde;o para permitir o desenvolvimento e o investimento. A possibilidade de mudan&ccedil;a na fronteira mar&iacute;tima estabelecida no presente caso derrotaria o pr&oacute;prio objetivo da delimita&ccedil;&atilde;o.&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a></li> </blockquote>     <p>&Agrave; luz deste segundo argumento, os Estados com costas opostas ou adjacentes podem decidir: a) &laquo;n&atilde;o fazer nada&raquo; e continuar a respeitar o acordo em vigor com seus vizinhos; ou b) propor a abertura de um processo de negocia&ccedil;&atilde;o com vizinhos sobre novas fronteiras mar&iacute;timas; ou c) contestar os vizinhos perante um tribunal internacional.</p>     <p>No futuro, todos os Estados ribeirinhos que correm risco de sofrer os efeitos do aumento do n&iacute;vel do mar, especialmente aqueles com costas opostas ou adjacentes, devem se preparar para as quest&otilde;es que esse problema suscitar&aacute;. Os Estados devem considerar a implanta&ccedil;&atilde;o de novas pesquisas cient&iacute;ficas e levantamentos t&eacute;cnicos sobre a localiza&ccedil;&atilde;o atual dos pontos de base e o estabelecimento de novas linhas de base. Devem tamb&eacute;m refletir sobre o hist&oacute;rico de suas rela&ccedil;&otilde;es bilaterais com Estados vizinhos e &ndash; em um cen&aacute;rio de negocia&ccedil;&atilde;o &ndash; avaliar o risco de rever os pontos de base e as coordenadas de linha de base do acordo atualmente em vigor. Enfim, devem &laquo;fazer a li&ccedil;&atilde;o de casa&raquo;.</p>     <p>Essas etapas s&atilde;o cruciais na prepara&ccedil;&atilde;o de um cen&aacute;rio em que um Estado ribeirinho decidir&aacute; se levar&aacute; um caso relacionado &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar com impactos sobre delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima a um tribunal internacional.</p>     <p>Se optarem pela via judicial, os Estados devem levar em considera&ccedil;&atilde;o que &eacute; muito prov&aacute;vel que os pontos de base e linhas de base sejam delimitados por um tribunal internacional &laquo;com base nos fatos geogr&aacute;ficos do caso&raquo;<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>, usando a &laquo;geografia f&iacute;sica das costas relevantes&raquo;<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> e que ser&atilde;o &laquo;levadas em considera&ccedil;&atilde;o para fins de delimita&ccedil;&atilde;o as circunst&acirc;ncias f&iacute;sicas (da costa) como s&atilde;o hoje&raquo; e &laquo;a configura&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica atual das costas&raquo;<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. A jurisprud&ecirc;ncia refor&ccedil;a a import&acirc;ncia de &laquo;fazer a li&ccedil;&atilde;o de casa&raquo; como medida de gest&atilde;o de riscos.</p>     <p>Em resumo, explorei estes argumentos ao longo das 170 reuni&otilde;es bilaterais realizadas na sede das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em Nova York, a partir das quais vi surgir um interesse geral pela proposta de introdu&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima j&aacute; existentes e futuros, a fim de evitar lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica perante um tribunal internacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>UMA PROPOSTA PARA INTRODU&Ccedil;&Atilde;O DE CL&Aacute;USULAS DE MUDAN&Ccedil;AS CLIM&Aacute;TICAS</b></p>     <p>Se Estados com costas opostas ou adjacentes desejam ou precisam rever um acordo de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima, podem considerar a ado&ccedil;&atilde;o de uma cl&aacute;usula de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica que garanta estabilidade, certeza e seguran&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o aos pontos de base e linhas de base aceitos reciprocamente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pode haver dois tipos de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica aplic&aacute;veis, no contexto do aumento do n&iacute;vel do mar, a acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima entre Estados com costas opostas ou adjacentes, com efeitos legais na pesca e na explora&ccedil;&atilde;o de reservas de hidrocarbonetos que atravessam as fronteiras nacionais.</p>     <p>O primeiro modelo de cl&aacute;usula aqui sugerido permitiria que pontos base e linhas de base fossem fixados em acordo m&uacute;tuo entre estados, com a ressalva de que isso n&atilde;o afeta os direitos de outros estados, nem afeta as obriga&ccedil;&otilde;es internacionais que as partes contrataram por meio de outros acordos (particularmente a CNUDM) como direito vinculante. A reda&ccedil;&atilde;o de tal cl&aacute;usula poderia ser a seguinte:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;A linha de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima entre as Partes, definida como linhas geod&eacute;sicas que conectam os pontos de base definidos pelas coordenadas fixas deste acordo, n&atilde;o deve ser alterada pela eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar ou pelas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, exceto se afetarem os direitos e deveres de outros estados, ou tornar-se incompat&iacute;vel com as disposi&ccedil;&otilde;es de acordos internacionais ratificados pelas Partes.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>O segundo modelo de cl&aacute;usula se aplicaria aos Estados com costas afetas a uma varia&ccedil;&atilde;o frequente e alta dos n&iacute;veis dos oceanos, criando um mecanismo permanente de revis&atilde;o com um gatilho de tempo. A reda&ccedil;&atilde;o de tal cl&aacute;usula poderia ser a seguinte:</p>     <p>     <blockquote>&laquo;A linha de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima entre as Partes, definida como linhas geod&eacute;sicas que conectam os pontos de base definidos pelas coordenadas fixadas por este acordo, pode ser revisada a cada &ldquo;(n&uacute;mero) anos&rdquo;, como consequ&ecirc;ncia do aumento ou redu&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar, ou de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, por um grupo de especialistas nomeados pelas Partes de acordo com este acordo.&raquo;</blockquote>     <p></p>     <p>As principais vantagens na ado&ccedil;&atilde;o destes modelos s&atilde;o sua adequa&ccedil;&atilde;o &agrave; CNUDM sem alterar o regime de pontos de base e linhas de base, o respeito aos demais acordos vinculantes entre as partes, o respeito ao direito de terceiros Estados e a perenidade, seguran&ccedil;a, certeza e previsibilidade oferecidos pela solu&ccedil;&atilde;o diante de fen&ocirc;menos naturais associados a mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Al&eacute;m disso, solu&ccedil;&otilde;es baseadas em negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas como essas cl&aacute;usulas n&atilde;o podem ser adjudicadas por um tribunal internacional, mas podem ser negociadas e implementadas entre os Estados ribeirinhos envolvidos<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica &eacute; uma quest&atilde;o global que j&aacute; est&aacute; afetando pessoas em todo o mundo. Embora seus efeitos permane&ccedil;am ainda relativamente impercept&iacute;veis em algumas &aacute;reas do mundo, no Pac&iacute;fico j&aacute; s&atilde;o evidentes seus efeitos delet&eacute;rios em uma crise clim&aacute;tica, que deve inspirar solu&ccedil;&otilde;es legais para mitigar suas implica&ccedil;&otilde;es abrangentes e multidimensionais. As quest&otilde;es legais relativas aos efeitos do aumento do n&iacute;vel do Oceano nos pontos de base e linhas de base usadas para medir o mar territorial, conforme discutido neste artigo, s&atilde;o um aspecto extremamente importante para a solu&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima.</p>     <p>A proposta deste artigo para considerar a ado&ccedil;&atilde;o de cl&aacute;usulas de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em acordos de delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima ajudaria a evitar lit&iacute;gios sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica em conex&atilde;o com a eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar perante tribunais internacionais. A introdu&ccedil;&atilde;o dessas cl&aacute;usulas tamb&eacute;m tem o potencial de melhorar a efic&aacute;cia a longo prazo desses acordos, fornecendo previsibilidade, seguran&ccedil;a e certeza sobre as fronteiras mar&iacute;timas existentes e evitando disputas internacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>CHRISTODOULOU, A.; CHRISTIDIS, P.; DEMIREL, H. &ndash; &laquo;Sea-level rise in ports: a wider focus on impacts&raquo;. In <i>Maritime Economics and Logistics</i>. Vol. 21, N.&ordm; 4, 2019. DOI: 10.1057/s41278-018-0114-z.</p>     <p>HIOUREAS, Christina &ndash; &laquo;Effects of rising sea level on maritime boundaries&raquo;. Nova York: 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/depts/los/consultative_process/icp18_presentations/hioureas.pdf" target="_blank" >http://www.un.org/depts/los/consultative_process/icp18_presentations/hioureas.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Case concerning the continental shelf (Tunisia/Libyan Arab Jamahiriya&raquo;. Julgamento de 14 de abril de 1981. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/63/063-19810414-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/63/063-19810414-JUD-01-00-EN.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Difference relating to immunity from legal process of a special rapporteur of the Commission on Human Rights&raquo;. Opini&atilde;o consultiva de 29 de abril de 1999. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/100/100-19990429-ADV-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/100/100-19990429-ADV-01-00-EN.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Case concerning legality of use of force (Serbia and Montenegro v. Belgium). Preliminary Objections&raquo;. Julgamento de 15 de dezembro de 2004. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/105/105-20041215-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/105/105-20041215-JUD-01-00-EN.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Maritime delimitationin the Black Sea (Romania v. Ukraine)&raquo;. Julgamento de 3 de fevereiro de 2009. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/132/132-20090203-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/132/132-20090203-JUD-01-00-EN.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Obligation to negotiate access to the Pacific Ocean (Bolivia v. Chile)&raquo;. Julgamento de 1 de outubro de 2018&raquo;. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/153/153-20181001-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/153/153-20181001-JUD-01-00-EN.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL LAW COMMISSION &ndash; &laquo;Draft articles on responsibility of States for internationally wrongful acts, with commentaries 2001&raquo;. Relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o de Direito Internacional em sua 3.&ordf; sess&atilde;o, em 2001, e submetido &agrave; Assembleia Geral como parte integrante do relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o abrangendo os trabalhos naquela sess&atilde;o. Documento da Assembleia Geral A/56/10, Suplemento n.&ordm; 10. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://legal.un.org/ilc/texts/instruments/english/commentaries/9_6_2001.pdf" target="_blank" >https://legal.un.org/ilc/texts/instruments/english/commentaries/9_6_2001.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL LAW COMMISSION &ndash; &laquo;Seventy-first Session (2019). Topics considered in 2019. Sea-level rise in relation to international law&raquo;. Nova York, 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://legal.un.org/ilc/sessions/71/index.shtml#a11" target="_blank" >https://legal.un.org/ilc/sessions/71/index.shtml#a11</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Responsibilities and obligations of states sponsoring persons and entities with respect to activities in the area&raquo;. Opini&atilde;o consultiva, publicada em 1 de fevereiro de 2011. (Consultado em: 29 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_17/17_adv_op_010211_en.pdf" target="_blank" >https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_17/17_adv_op_010211_en.pdf</a>.</p>     <p>INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Dispute concerning delimitation of the maritime boundary between Bangladesh and Myanmar in the Bay of Bengal (Bangladesh/Myanmar)&raquo;. Julgamento de 14 de mar&ccedil;o de 2012&raquo;. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_16/published/C16-J-14_mar_12.pdf" target="_blank" >https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_16/published/C16-J-14_mar_12.pdf</a>.</p>     <p>KHADEM, Alain &ndash; &laquo;Protecting maritime zones from the effects of sea Level rise&raquo;. In IBRU Boundary and Security Bulletin. Outono de 1998, pp. 76-78, em especial, p. 76. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dur.ac.uk/ibru/publications/view/?id=133" target="_blank" >https://www.dur.ac.uk/ibru/publications/view/?id=133</a>.</p>     <p>NOAA &ndash; &laquo;Technical Rep. nos co-ops 083, Global and Regional Sea Level Rise Scenarios for the United States 23&raquo;. Janeiro de 2017. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://tidesandcurrents.noaa.gov/publications/techrpt83_Global_and_Regional_SLR_Scenarios_for_the_US_final.pdf" target="_blank" >https://tidesandcurrents.noaa.gov/publications/techrpt83_Global_and_Regional_SLR_Scenarios_for_the_US_final.pdf</a>.</p>     <p>PERMANENT COURT OF ARBITRATION &ndash; &laquo;In the matter of the Bay of Bengal maritime boundary arbitration between The People&rsquo;s Republic of Bangladesh and The republic of India&raquo;. Julgamento de 7 de julho de 2014. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pcacases.com/web/sendAttach/383" target="_blank" >https://www.pcacases.com/web/sendAttach/383</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PACIFIC ISLANDS DEVELOPMENT FORUM &ndash; &laquo;Nadi Bay Declaration on the Climate Change Crisis in the Pacific&raquo;. 31 de julho de 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cop23.com.fj/nadi-bay-declaration-on-the-climate-change-crisis-in-the-pacific/" target="_blank" >https://cop23.com.fj/nadi-bay-declaration-on-the-climate-change-crisis-in-the-pacific/</a>.</p>     <p>PACIFIC ISLANDS FORUM &ndash; &laquo;Fiftieth Pacific Islands Forum, Funafuti, Tuvalu, 13-16 August 2019, Forum Communiqu&eacute;, PIF (19)14&raquo;. Pacific Islands Forum Secretariat, p. 3, par&aacute;grafo 14. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.forumsec.org/wp-content/uploads/2019/08/50th-Pacific-Islands-Forum-Communique.pdf" target="_blank" >https://www.forumsec.org/wp-content/uploads/2019/08/50th-Pacific-Islands-Forum-Communique.pdf</a>.</p>     <p>SCHOFIELD, Clive &ndash; &laquo;Holding back the wave: sea level rise and maritime claims&raquo;. In RUPPEL, O. C.; ROSCHMANN, C.; RUPPEL-SCHLICHTING, K, eds. &ndash; Climate Change: International Law and Global Governance: Legal Responses and Global Responsibility, 2013, vol. 1.</p>     <p>SEFRIOUNI, S. &ndash; &laquo;Adapting to sea level rise: a law of the sea perspective&raquo;. In ANDREONE, G., ed. &ndash; The Future of the Law of the Sea. Cham: Springer, 2017.</p>     <p>SETZER, J.; BYRNES, R. &ndash; &laquo;Global trends in climate change litigation: 2019 snapshot&raquo;. Londres: Grantham Research Institute on Climate Change and the Environment and Centre for Climate Change Economics and Policy, London School of Economics and Political Science. Policy Report. Julho de 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lse.ac.uk/GranthamInstitute/wp-content/uploads/2019/07/GRI_Global-trends-in-climate-change-litigation-2019-snapshot-2.pdf" target="_blank" >http://www.lse.ac.uk/GranthamInstitute/wp-content/uploads/2019/07/GRI_Global-trends-in-climate-change-litigation-2019-snapshot-2.pdf</a>).</p>     <p>UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Shaping or future together. UN75. The climate crisis &ndash; a race we can win&raquo;. Nova York: United Nations, 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/sites/un2.un.org/files/un75_climate_crisis.pdf" target="_blank" >https://www.un.org/sites/un2.un.org/files/un75_climate_crisis.pdf</a>.</p>     <p>&laquo;United States Court of Appeals for the Ninth Circuit, No. 18-36082, D.C. No. 6:15-cv-01517-AA&raquo;. Apresentado em: 17 de janeiro de 2020. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cdn.ca9.uscourts.gov/datastore/opinions/2020/01/17/18-36082.pdf" target="_blank" >https://cdn.ca9.uscourts.gov/datastore/opinions/2020/01/17/18-36082.pdf</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 9 de mar&ccedil;o de 2020 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 23 de abril de 2020</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> PACIFIC ISLANDS DEVELOPMENT FORUM &ndash; &laquo;Nadi Bay Declaration on the Climate Change Crisis in the Pacific&raquo;. 31 de julho de 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cop23.com.fj/nadi-bay-declaration-on-the-climate-change-crisis-in-the-pacific/" target="_blank" >https://cop23.com.fj/nadi-bay-declaration-on-the-climate-change-crisis-in-the-pacific/</a>.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> PACIFIC ISLANDS FORUM &ndash; &laquo;Fiftieth Pacific Islands Forum, Funafuti, Tuvalu, 13-16 August 2019, Forum Communiqu&eacute;, PIF (19)14&raquo;. Pacific Islands Forum Secretariat, p. 3, par&aacute;grafo 14. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.forumsec.org/wp-content/uploads/2019/08/50th-Pacific-Islands-Forum-Communique.pdf" target="_blank" >https://www.forumsec.org/wp-content/uploads/2019/08/50th-Pacific-Islands-Forum-Communique.pdf</a>. Semelhante declara&ccedil;&atilde;o constou em PACIFIC ISLANDS DEVELOPMENT FORUM &ndash; &laquo;Nadi Bay Declaration on the Climate Change Crisis in the Pacific&raquo;, par&aacute;grafo 6.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> PACIFIC ISLANDS DEVELOPMENT FORUM &ndash; &laquo;Nadi Bay Declaration on the Climate Change Crisis in the Pacific&raquo;, par&aacute;grafo 3.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Essa parece ser uma percep&ccedil;&atilde;o quase universal. Nos Estados Unidos, os dois ju&iacute;zes de um recente e relevante caso &ndash; Juliana v. US &ndash;, mesmo discordando um do outro sobre a quest&atilde;o da compet&ecirc;ncia da Corte para julgar o caso, concordaram sobre os efeitos negativos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, que afetar&atilde;o gravemente a todos, inclusive os Estados Unidos. Detalhes desse caso ser&atilde;o referidos mais adiante neste artigo &ndash; &laquo;United States Court of Appeals for the Ninth Circuit, No. 18-36082, D.C. No. 6:15-cv-01517-AA&raquo;. Apresentado em: 17 de janeiro de 2020. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://cdn.ca9.uscourts.gov/datastore/opinions/2020/01/17/18-36082.pdf" target="_blank" >https://cdn.ca9.uscourts.gov/datastore/opinions/2020/01/17/18-36082.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> CHRISTODOULOU, A.; CHRISTIDIS, P.; DEMIREL, H. &ndash; &laquo;Sea-level rise in ports: a wider focus on impacts&raquo;. In <i>Maritime Economics and Logistics</i>. Vol. 21, N.&ordm; 4, 2019.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> O Acordo de Paris entrou em vigor em 4 de novembro de 2016, trinta dias ap&oacute;s a data em que pelo menos 55 partes da Conven&ccedil;&atilde;o, que representam um total estimado de pelo menos 55% das emiss&otilde;es globais totais de gases de efeito estufa, depositaram seus instrumentos de ratifica&ccedil;&atilde;o, aceita&ccedil;&atilde;o, aprova&ccedil;&atilde;o ou ades&atilde;o junto ao deposit&aacute;rio.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Os processos de negocia&ccedil;&atilde;o da Minuta de Regulamento de Aproveitamento Econ&ocirc;mico (Explota&ccedil;&atilde;o) de Recursos Minerais na &Aacute;rea tem sido orientado sob o aspecto da responsabilidade dos Estados patrocinadores pela opini&atilde;o consultiva emitida pelo Tribunal Internacional do Direito do Mar em 2011: INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Responsibilities and obligations of states sponsoring persons and entities with respect to activities in the area&raquo;. Opini&atilde;o consultiva, publicada em 1 de fevereiro de 2011. (Consultado em: 29 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_17/17_adv_op_010211_en.pdf" target="_blank" >https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_17/17_adv_op_010211_en.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o livre do autor da declara&ccedil;&atilde;o original. In UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Shaping or future together. UN75. The climate crisis &ndash; a race we can win&raquo;. Nova York: United Nations, 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/sites/un2.un.org/files/un75_climate_crisis.pdf" target="_blank" >https://www.un.org/sites/un2.un.org/files/un75_climate_crisis.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Consoante os artigos 2.&ordm;, 12.&ordm;, 13.&ordm;, 31.&ordm; e 36.&ordm; do Projeto de Artigos sobre a Responsabilidade dos Estados por Atos Internacionais Il&iacute;citos &ndash; INTERNATIONAL LAW COMMISSION &ndash; &laquo;Draft articles on responsibility of States for internationally wrongful acts, with commentaries 2001&raquo;. Relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o de Direito Internacional em sua 3.&ordf; sess&atilde;o, em 2001, e submetido &agrave; Assembleia Geral como parte integrante do relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o abrangendo os trabalhos naquela sess&atilde;o. Documento da Assembleia Geral A/56/10, Suplemento n.&ordm; 10. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://legal.un.org/ilc/texts/instruments/english/commentaries/9_6_2001.pdf" target="_blank" >https://legal.un.org/ilc/texts/instruments/english/commentaries/9_6_2001.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A literatura especializada em ingl&ecirc;s usa o termo &laquo;climate change litigation&raquo;: SETZER, J.; BYRNES, R. &ndash; &laquo;Global trends in climate change litigation: 2019 snapshot&raquo;. Londres: Grantham Research Institute on Climate Change and the Environment and Centre for Climate Change Economics and Policy, London School of Economics and Political Science. Policy Report. Julho de 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lse.ac.uk/GranthamInstitute/wp-content/uploads/2019/07/GRI_Global-trends-in-climate-change-litigation-2019-snapshot-2.pdf" target="_blank" >http://www.lse.ac.uk/GranthamInstitute/wp-content/uploads/2019/07/GRI_Global-trends-in-climate-change-litigation-2019-snapshot-2.pdf</a>).</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> <i>Ibidem</i>, pp. 3-5.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> &laquo;United States Court of Appeals for the Ninth Circuit, No. 18-36082&hellip;&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> SETZER, J.; BYRNES, R. &ndash; &laquo;Global trends in climate change litigation...&raquo;, p. 6.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Em 2 de mar&ccedil;o de 2020 os advogados dos autores apresentaram uma peti&ccedil;&atilde;o para um julgamento pelos 11 ju&iacute;zes da Ninth Circuit Court of Appeals, a fim de revisarem o julgamento n&atilde;o un&acirc;nime de dois a um. At&eacute; o momento de entrega deste artigo para publica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o havia decis&atilde;o sobre essa peti&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Decis&atilde;o do juiz Hurwitz na Apela&ccedil;&atilde;o da Corte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito do Oregon. Ju&iacute;za Ann L. Aiken, Ju&iacute;za Distrital, Presidente; Dissenso pela Ju&iacute;za Staton. Apresentado em 17/01/2020. In &laquo;United States Court of Appeals for the Ninth Circuit, No. 18-36082&hellip;&raquo;, p. 11.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> NOAA &ndash; &laquo;Technical Rep. nos co-ops 083, Global and Regional Sea Level Rise Scenarios for the United States 23&raquo;. Janeiro de 2017. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://tidesandcurrents.noaa.gov/publications/techrpt83_Global_and_Regional_SLR_Scenarios_for_the_US_final.pdf" target="_blank" >https://tidesandcurrents.noaa.gov/publications/techrpt83_Global_and_Regional_SLR_Scenarios_for_the_US_final.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o livre do autor. &laquo;United States Court of Appeals for the Ninth Circuit, No. 18-36082&hellip;&raquo;, p. 34.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Difference relating to immunity from legal process of a special rapporteur of the Commission on Human Rights&raquo;. Opini&atilde;o consultiva de 29 de abril de 1999. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/100/100-19990429-ADV-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/100/100-19990429-ADV-01-00-EN.pdf</a>, par&aacute;grafo 62). Confira tamb&eacute;m o artigo 4.&ordm; do Projeto de Artigos sobre a Responsabilidade dos Estados por Atos Internacionais Il&iacute;citos (INTERNATIONAL LAW COMMISSION &ndash; &laquo;Draft articles on responsibility of States for internationally wrongful acts, with commentaries 2001&raquo;).</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Ao considerar as obje&ccedil;&otilde;es preliminares do &laquo;Caso Relativo &agrave; Legalidade do Uso da For&ccedil;a (S&eacute;rvia e Montenegro v. B&eacute;lgica, 2004)&raquo;, a Corte Internacional de Justi&ccedil;a estabeleceu a distin&ccedil;&atilde;o entre reconhecimento de jurisdi&ccedil;&atilde;o e julgamento dos m&eacute;ritos com base nos direitos reivindicados. (In INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Case concerning legality of use of force (Serbia and Montenegro v. Belgium). Preliminary Objections&raquo;. Julgamento de 15 de dezembro de 2004. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/105/105-20041215-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/105/105-20041215-JUD-01-00-EN.pdf</a>, par&aacute;grafo 128.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> INTERNATIONAL LAW COMMISSION &ndash; &laquo;Seventy-first Session (2019). Topics considered in 2019. Sea-level rise in relation to international law&raquo;. Nova York, 2019. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://legal.un.org/ilc/sessions/71/index.shtml#a11" target="_blank" >https://legal.un.org/ilc/sessions/71/index.shtml#a11</a>.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Em acordos de delimita&ccedil;&atilde;o de fronteira mar&iacute;tima, os pontos e linhas de base s&atilde;o definidos unilateralmente e, ent&atilde;o, conferidos e aceitos bilateralmente, passando a compor uma lista ou tabela de coordenadas, a partir das quais se desenham linhas geod&eacute;sicas que formam o limite entre os Estados ribeirinhos.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Para o mar territorial, artigo 16.&ordm; (2); para arquip&eacute;lagos, artigo 47.&ordm; (9); para a zona econ&ocirc;mica exclusiva, artigo 75-&ordm; (2); para plataforma continental, artigo 76.&ordm; (9), todos da CNUDM.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> No Fiftieth Pacific Islands Forum, as ilhas do Pac&iacute;fico fizeram constar no comunicado do F&oacute;rum, em tradu&ccedil;&atilde;o livre do autor do original: &laquo;26. L&iacute;deres comprometidos com um esfor&ccedil;o coletivo, inclusive para desenvolver o direito internacional, com o objetivo de garantir que, uma vez delineadas as zonas mar&iacute;timas de um membro do F&oacute;rum, em conformidade com a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que as zonas mar&iacute;timas dos Membros n&atilde;o possam ser contestadas ou reduzidas como resultado da eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas&raquo;. (PACIFIC ISLANDS FORUM &ndash; &laquo;Fiftieth Pacific Islands Forum&hellip;&raquo;, par&aacute;grafo 26).</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> O artigo 1.&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Direitos e Deveres dos Estados, assinada em Montevid&eacute;o a 26 de dezembro de 1933, por ocasi&atilde;o da S&eacute;tima Confer&ecirc;ncia Internacional Americana, prev&ecirc; como elemento do Estado a exist&ecirc;ncia de um territ&oacute;rio. A doutrina e a pr&aacute;tica diplom&aacute;tica, contudo, reconhecem povos sem territ&oacute;rio, como os palestinos, mas n&atilde;o &eacute; um entendimento pacificado.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> KHADEM, Alain &ndash; &laquo;Protecting maritime zones from the effects of sea Level rise&raquo;. In <i>IBRU Boundary and Security Bulletin</i>. Outono de 1998, pp. 76-78, em especial, p. 76. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dur.ac.uk/ibru/publications/view/?id=133" target="_blank" >https://www.dur.ac.uk/ibru/publications/view/?id=133</a>.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> SCHOFIELD, Clive &ndash; &laquo;Holding back the wave: sea level rise and maritime claims&raquo;. In RUPPEL, O. C.; ROSCHMANN, C.; RUPPEL-SCHLICHTING, K, eds. &ndash; <i>Climate Change: International Law and Global Governance: Legal Responses and Global Responsibility</i>, 2013, vol. 1, pp. 593-614; SEFRIOUNI, S. &ndash; &laquo;Adapting to sea level rise: a law of the sea perspective&raquo;. In ANDREONE, G., ed. &ndash; <i>The</i> <i>Future of the Law of the Sea</i>. Cham: Springer, 2017, pp. 3-22.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> O m&eacute;todo de delimita&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s fases tem como fundamento os casos da North Sea Continental Shelf (1969) e &eacute; descrito no caso Bangladesh v. Myanmar: INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Dispute concerning delimitation of the maritime boundary between Bangladesh and Myanmar in the Bay of Bengal (Bangladesh/Myanmar)&raquo;. Julgamento de 14 de mar&ccedil;o de 2012&raquo;. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_16/published/C16-J-14_mar_12.pdf" target="_blank" >https://www.itlos.org/fileadmin/itlos/documents/cases/case_no_16/published/C16-J-14_mar_12.pdf</a>, par&aacute;grafo 233); no caso &laquo;Delimita&ccedil;&atilde;o mar&iacute;tima no mar Negro entre Rom&ecirc;nia e Ucr&acirc;nia&raquo;: INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Maritime delimitationin the Black Sea (Romania v. Ukraine)&raquo;. Julgamento de 3 de fevereiro de 2009. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/132/132-20090203-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/132/132-20090203-JUD-01-00-EN.pdf</a>, par&aacute;grafos 61, 101, 116, 120 e 122).</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Baixios a descoberto s&atilde;o objeto do artigo 13.&ordm; da CNUDM; ilhas s&atilde;o objeto do artigo 121.&ordm; da CNUDM.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> HIOUREAS, Christina &ndash; &laquo;Effects of rising sea level on maritime boundaries&raquo;. Nova York: 2017. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/depts/los/consultative_process/icp18_presentations/hioureas.pdf" target="_blank" >http://www.un.org/depts/los/consultative_process/icp18_presentations/hioureas.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> PERMANENT COURT OF ARBITRATION &ndash; &laquo;In the matter of the Bay of Bengal maritime boundary arbitration between The People&rsquo;s Republic of Bangladesh and The republic of India&raquo;. Julgamento de 7 de julho de 2014. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.pcacases.com/web/sendAttach/383" target="_blank" >https://www.pcacases.com/web/sendAttach/383</a>, par&aacute;grafo 216.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o livre do autor: <i>Ibidem</i>, par&aacute;grafos 217 e 218.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Dispute concerning delimitation of the maritime boundary between Bangladesh and Myanmar&hellip;&raquo;, par&aacute;grafo 264; Permanent Court of Arbitration &ndash; &laquo;In the matter of the Bay of Bengal maritime boundary arbitration&hellip;&raquo;, par&aacute;grafos 221 e 222.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Dispute concerning delimitation of the maritime boundary between Bangladesh and Myanmar&hellip;&raquo;, par&aacute;grafo 264; International Court of Justice &ndash; &laquo;Maritime delimitationin the Black Sea (Romania v. Ukraine)&raquo;, par&aacute;grafos 137 e 149.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Case concerning the continental shelf (Tunisia/Libyan Arab Jamahiriya&raquo;. Julgamento de 14 de abril de 1981. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/63/063-19810414-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/63/063-19810414-JUD-01-00-EN.pdf</a>, par&aacute;grafo 61; PERMANENT COURT OF ARBITRATION &ndash; &laquo;In the matter of the Bay of Bengal maritime boundary arbitration&hellip;&raquo;, par&aacute;grafo 378.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR THE LAW OF THE SEA &ndash; &laquo;Dispute concerning delimitation of the maritime boundary between Bangladesh and Myanmar&hellip;&raquo;, par&aacute;grafo 476; PERMANENT COURT OF ARBITRATION &ndash; &laquo;In the matter of the Bay of Bengal maritime boundary arbitration&hellip;&raquo;, par&aacute;grafos 500 e 508; INTERNATIONAL COURT OF JUSTICE &ndash; &laquo;Obligation to negotiate access to the Pacific Ocean (Bolivia v. Chile)&raquo;. Julgamento de 1 de outubro de 2018&raquo;. (Consultado em: 2 de maio de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.icj-cij.org/files/case-related/153/153-20181001-JUD-01-00-EN.pdf" target="_blank" >https://www.icj-cij.org/files/case-related/153/153-20181001-JUD-01-00-EN.pdf</a> par&aacute;grafo 175.</p>      ]]></body><back>
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