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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2020.66a04</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O conhecimento científico do Oceano]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Based on the relevance of the scientific knowledge for ocean affairs this study analyses the European approach through the EU Integrated Maritime Policy, especially in the Atlantic Ocean basin. In the same way the un Decade of Ocean Science 2021-2030 initiative, in the scope of the goal 14 “Life below water” of the 2030 Agenda for Sustainable Development was evaluated. On the Atlantic scientific framework, the challenges to Portugal in this matter were examined. Conclude this analysis a reference to some possible scenarios for the development of the scientific knowledge of the Ocean in the next decade.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>O FUTURO DO OCEANO GLOBAL</b></p>     <p><b>O conhecimento cient&iacute;fico do Oceano</b></p>     <p><b>The scientific knowledge of the Ocean</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carlos Ventura Soares</b></p>     <p>Instituto Hidrogr&aacute;fico | Rua das Trinas 49, 1200-677 Lisboa | <a href="mailto:ventura.soares@hidrografico.pt">ventura.soares@hidrografico.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Partindo da relev&acirc;ncia que o conhecimento cient&iacute;fico tem para os assuntos do Oceano &eacute; aqui analisada a abordagem europeia a partir da sua Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada, dando especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; bacia atl&acirc;ntica. Do mesmo modo, &eacute; avaliada a iniciativa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, no contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, e mais especificamente do seu objetivo 14 &ndash; &laquo;Proteger a vida marinha&raquo;, no sentido de estabelecer a D&eacute;cada da Ci&ecirc;ncia para o Oceano para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel 2021-2030. Dentro do espa&ccedil;o cient&iacute;fico atl&acirc;ntico foram ainda examinados os desafios que Portugal enfrenta, concluindo-se com alguns cen&aacute;rios poss&iacute;veis de desenvolvimento do conhecimento cient&iacute;fico do Oceano na pr&oacute;xima d&eacute;cada.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: conhecimento cient&iacute;fico do Oceano, Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da UE, D&eacute;cada da Ci&ecirc;ncia para o Oceano, oceano Atl&acirc;ntico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Based on the relevance of the scientific knowledge for ocean affairs this study analyses the European approach through the EU Integrated Maritime Policy, especially in the Atlantic Ocean basin. In the same way the un Decade of Ocean Science 2021-2030 initiative, in the scope of the goal 14 &ldquo;Life below water&rdquo; of the 2030 Agenda for Sustainable Development was evaluated. On the Atlantic scientific framework, the challenges to Portugal in this matter were examined. Conclude this analysis a reference to some possible scenarios for the development of the scientific knowledge of the Ocean in the next decade.</p>     <p><b>Keywords</b>: scientific knowledge of the Ocean, EU Integrated Maritime Policy, UN Decade of Ocean Science, Atlantic Ocean.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p style="text-align: right;">&laquo;Que impr&oacute;prio chamar Terra a este planeta de oceanos!&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a></p>     <p style="text-align: right;">Arthur C. Clarke, escritor (1917-2008)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os mares e os oceanos sempre se apresentaram na hist&oacute;ria da humanidade como fatores decisivos nos equil&iacute;brios geoestrat&eacute;gicos dos povos e na&ccedil;&otilde;es, especialmente naqueles caracterizados pela sua maritimidade, por &oacute;bvias raz&otilde;es geogr&aacute;ficas. S&atilde;o espa&ccedil;os de soberania e jurisdi&ccedil;&atilde;o dos Estados ribeirinhos, espa&ccedil;o de afirma&ccedil;&atilde;o de poder<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, meios de transfer&ecirc;ncia de bens (presentemente cerca de 90% do com&eacute;rcio mundial), fontes de recursos (minerais, energ&eacute;ticos e biol&oacute;gicos), espa&ccedil;os para o desenvolvimento econ&oacute;mico (que enquadra a recentemente apelidada &laquo;economia azul&raquo;) e desde sempre, como os portugueses o demonstraram no s&eacute;culo XVI, uma chave para a globaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O conhecimento cient&iacute;fico do meio marinho, seja atrav&eacute;s de redes de observa&ccedil;&atilde;o <i>in situ</i>, de complementares sistemas de observa&ccedil;&atilde;o remota ou dos convenientes sistemas de gest&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o recolhida, &eacute; um fator determinante na gest&atilde;o dos espa&ccedil;os mar&iacute;timos em todas as &aacute;reas de atividade humana. S&atilde;o evidentes as necessidades existentes na defesa (apoio ambiental &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es navais), na prote&ccedil;&atilde;o civil (medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o de riscos naturais), na prote&ccedil;&atilde;o do meio marinho (assegurando a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> ou o combate contra a polui&ccedil;&atilde;o) ou na atividade socioecon&oacute;mica (pescas, transportes, recreio mar&iacute;timo, turismo, explora&ccedil;&atilde;o de recursos energ&eacute;ticos). O insuficiente conhecimento cient&iacute;fico dos mares e oceanos &eacute;, pois, um fator limitativo na compreens&atilde;o das principais din&acirc;micas do meio marinho e dos seus efeitos, com naturais repercuss&otilde;es sobre a efic&aacute;cia dos modelos de gest&atilde;o em causa, afetando a diferentes n&iacute;veis todas as tomadas de decis&atilde;o<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De que modo a Uni&atilde;o Europeia (UE) e o mundo em geral, atrav&eacute;s das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (nu), se estruturam para enfrentar estes desafios? Como &eacute; o conhecimento, necessariamente cient&iacute;fico, do Oceano crucial para as tomadas de decis&atilde;o no mundo moderno, essencialmente globalizado em termos econ&oacute;micos, mas tamb&eacute;m sociais, culturais e at&eacute; sanit&aacute;rios, como demonstra a recente pandemia da covid-19?</p>     <p>Partindo da relev&acirc;ncia que o conhecimento cient&iacute;fico tem para os assuntos do Oceano, ir-se-&aacute; analisar a abordagem europeia a partir da sua Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada (PMI), dando especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; bacia atl&acirc;ntica. Do mesmo modo, &eacute; avaliada a iniciativa das NU, no contexto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, mais especificamente do seu objetivo 14 &ndash; &laquo;Proteger a vida marinha&raquo;, no sentido de estabelecer a D&eacute;cada da Ci&ecirc;ncia para o Oceano 2021-2030. Dentro do espa&ccedil;o cient&iacute;fico atl&acirc;ntico ser&atilde;o ainda abordados os desafios que Portugal enfrenta neste &acirc;mbito e alguns cen&aacute;rios poss&iacute;veis de desenvolvimento do conhecimento cient&iacute;fico do Oceano na pr&oacute;xima d&eacute;cada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>UNI&Atilde;O EUROPEIA: A POL&Iacute;TICA MAR&Iacute;TIMA INTEGRADA COM BASE NO CONHECIMENTO</b></p>     <p style="text-align: right;">&laquo;a UE encabe&ccedil;a o processo de cria&ccedil;&atilde;o de um sistema mais forte de governa&ccedil;&atilde;o dos oceanos em todo o mundo.&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>     <p style="text-align: right;">Karmenu Vella, comiss&aacute;rio respons&aacute;vel pelos Assuntos Mar&iacute;timos (Comiss&atilde;o Europeia, 2014-2019)</p>     <p>Na UE, os espa&ccedil;os mar&iacute;timos sob jurisdi&ccedil;&atilde;o dos Estados-Membros s&atilde;o superiores aos terrestres. A dimens&atilde;o mar&iacute;tima da economia da UE &eacute; estimada entre 3% e 5% do produto interno bruto (pib) europeu, representando as regi&otilde;es mar&iacute;timas cerca de 40%. Acresce que 75% do com&eacute;rcio externo europeu e 37% do com&eacute;rcio intraeuropeu s&atilde;o efetuados por via mar&iacute;tima. A atividade econ&oacute;mica &eacute; vasta, destacando-se atividades tradicionais como o transporte mar&iacute;timo e portos, a constru&ccedil;&atilde;o naval, o turismo costeiro e mar&iacute;timo, as pescas e aquicultura e a energia <i>offshore</i> (hidrocarbonetos). Mais recentemente, a biotecnologia azul, as tecnologias submarinas, as energias renov&aacute;veis (vento e ondas) e a explora&ccedil;&atilde;o de recursos minerais, tamb&eacute;m come&ccedil;am a assumir relev&acirc;ncia.</p>     <p>A competitividade destes setores deve assentar sempre numa utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel do ambiente marinho. Tal princ&iacute;pio obriga a uma abordagem hol&iacute;stica, consubstanciada na ado&ccedil;&atilde;o de uma PMI alicer&ccedil;ada na coopera&ccedil;&atilde;o entre setores, entidades competentes e Estados-Membros. Institu&iacute;da para reafirmar a dimens&atilde;o mar&iacute;tima da UE, a PMI tem como objetivo abordar os assuntos mar&iacute;timos nas &aacute;reas n&atilde;o cobertas por uma pol&iacute;tica setorial espec&iacute;fica e em aspetos que requerem coordena&ccedil;&atilde;o e interliga&ccedil;&atilde;o entre setores e atividades associadas. Na pr&aacute;tica, pretende apenas fazer interagir pol&iacute;ticas como a do ambiente marinho, da investiga&ccedil;&atilde;o marinha, das pescas, dos transportes mar&iacute;timos ou da energia. A sua implementa&ccedil;&atilde;o est&aacute; a cargo da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral dos Assuntos Mar&iacute;timos e das Pescas da Comiss&atilde;o Europeia (DG MARE). Como um dos principais dom&iacute;nios consiste na constru&ccedil;&atilde;o de uma base de conhecimentos e inova&ccedil;&atilde;o para a pol&iacute;tica mar&iacute;tima, a Comiss&atilde;o Europeia (CE) apresentou uma Estrat&eacute;gia Europeia para a Investiga&ccedil;&atilde;o Marinha em 2008, apoiando tamb&eacute;m a investiga&ccedil;&atilde;o sobre a previs&atilde;o e a redu&ccedil;&atilde;o do impacto das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nas atividades marinhas<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>A PMI tem sido implementada atrav&eacute;s de programas e fundos, como os fundos estruturais e de investimento europeus, o programa Horizonte 2020 (para o per&iacute;odo 2021-2027 ser&aacute; o programa Horizonte Europa), o programa LIFE e o programa COSME. Recorre a pol&iacute;ticas transversais que permitem a conveniente interliga&ccedil;&atilde;o entre pol&iacute;ticas setoriais e atividades associadas, como sejam o conhecimento do meio marinho, o ordenamento do espa&ccedil;o mar&iacute;timo e a vigil&acirc;ncia mar&iacute;tima integrada, inicialmente identificados como instrumentos pol&iacute;ticos transetoriais, bem como o crescimento azul e a estrat&eacute;gia para as bacias mar&iacute;timas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O CONHECIMENTO DO MEIO MARINHO</b></p>     <p>Os mares e oceanos est&atilde;o em perigo por raz&otilde;es sobejamente difundidas nos meios cient&iacute;ficos e mar&iacute;timos: as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e o consequente aquecimento das &aacute;guas, os danos causados aos <i>habitats</i>, o decl&iacute;nio de biodiversidade, a acidifica&ccedil;&atilde;o, a eutrofiza&ccedil;&atilde;o e o alargamento das zonas hip&oacute;xicas, as esp&eacute;cies ex&oacute;ticas invasoras, a polui&ccedil;&atilde;o por subst&acirc;ncias perigosas dos sedimentos e massas de &aacute;gua, o lixo marinho e os micropl&aacute;sticos, o ru&iacute;do submarino, a sobre-explora&ccedil;&atilde;o dos recursos marinhos (por exemplo, a sobrepesca), a explora&ccedil;&atilde;o das mat&eacute;rias-primas, o tr&aacute;fego mar&iacute;timo e as atividades ilegais<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>A fun&ccedil;&atilde;o reguladora dos oceanos no clima &eacute; fundamental, designadamente porque produz 50% do oxig&eacute;nio e absorve cerca de 25% das emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono do planeta<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Neles est&atilde;o tamb&eacute;m armazenados cerca de 90% do excesso de calor do planeta libertado pela emiss&atilde;o de gases com efeito de estufa. A promo&ccedil;&atilde;o de oceanos seguros, limpos e geridos de forma sustent&aacute;vel torna necess&aacute;rio conhecer o meio marinho de forma cient&iacute;fica, baseada em informa&ccedil;&atilde;o uniforme e de qualidade. A utiliza&ccedil;&atilde;o de dados desse meio &eacute; decisiva para melhorar a compreens&atilde;o do comportamento dos mares e oceanos e para apoiar os cidad&atilde;os e as autoridades p&uacute;blicas (Estado), a ci&ecirc;ncia (universidades), a ind&uacute;stria (empresas) no desenvolvimento de produtos e servi&ccedil;os<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. A disponibilidade de informa&ccedil;&atilde;o precisa e atualizada afigura-se decisiva, exigindo a exist&ecirc;ncia de uma infraestrutura para recolher dados sobre o meio marinho. Esta necessidade levou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, em 2013, da Rede Europeia de Observa&ccedil;&atilde;o e de Dados do Meio Marinho (EMODNET)<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>Presentemente j&aacute; existe recolha, organiza&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o significativas de dados por parte dos Estados-Membros, associadas a obriga&ccedil;&otilde;es estabelecidas por diretivas da UE e pelas suas transposi&ccedil;&otilde;es para os quadros normativos legais nacionais. Vejam-se os programas de monitoriza&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da DQEM<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>No seu &laquo;Livro Verde do Conhecimento do Meio Marinho 2020&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>, prop&ocirc;s-se criar um mapa digital multirresolu&ccedil;&otilde;es cont&iacute;nuo dos fundos marinhos e toda a coluna de &aacute;gua sobrejacente das &aacute;guas europeias at&eacute; 2020<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Mas embora dispon&iacute;vel para apoiar o sistema, a CE entendeu decisivo o empenhamento dos Estados-Membros e do setor privado. Esse objetivo ainda n&atilde;o se concretizou, esperando-se que o alinhamento da pol&iacute;tica da UE com a D&eacute;cada das Na&ccedil;&otilde;es Unidas da Ci&ecirc;ncia do Oceano para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (2021-2030) (doravante designada por &laquo;D&eacute;cada&raquo;) o permita alcan&ccedil;ar nos pr&oacute;ximos anos.</p>     <p>Os Estados-Membros gastam cerca de dois mil milh&otilde;es de euros/ano em atividades de investiga&ccedil;&atilde;o marinha<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, dos quais metade em infraestruturas de observa&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Uma pol&iacute;tica integrada de dados do meio marinho poderia poupar pelo menos mil milh&otilde;es de euros/ano e a intensifica&ccedil;&atilde;o da inova&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea do conhecimento marinho traria benef&iacute;cios da ordem dos 200 a 300 milh&otilde;es de euros<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O &laquo;CRESCIMENTO AZUL&raquo;</b></p>     <p>Se designarmos por &laquo;economia azul&raquo;<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> todas as atividades econ&oacute;micas que dependem do mar, veremos que representa 5,4 milh&otilde;es de empregos na UE, podendo atingir em 2020 os sete milh&otilde;es, e um valor acrescentado bruto (VAB) de cerca de 500 mil milh&otilde;es de euros/ano que poder&aacute; aumentar para 600 mil milh&otilde;es at&eacute; 2020<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Na Europa, os portos e as comunidades costeiras s&atilde;o tradicionais dinamizadores da atividade econ&oacute;mica. &Eacute; nesta envolvente que surge a oportunidade para o aparecimento do crescimento azul, iniciativa da UE que pretende valorizar as costas, os mares e os oceanos numa perspetiva de crescimento econ&oacute;mico e aumento do emprego.</p>     <p>O &laquo;crescimento azul&raquo; pode ser definido como &laquo;uma estrat&eacute;gia a longo prazo para apoiar o crescimento no conjunto do setor mar&iacute;timo&raquo;<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>, representa a dimens&atilde;o mar&iacute;tima da estrat&eacute;gia Europa 2020 e &eacute; ponto de refer&ecirc;ncia para o estabelecimento de uma &laquo;economia azul&raquo; saud&aacute;vel, que ofere&ccedil;a inova&ccedil;&atilde;o, crescimento e sustentabilidade<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Foram identificados pela CE cinco setores mar&iacute;timos-alvo capazes de gerar emprego e crescimento sustent&aacute;vel na economia azul e todos exigem um conhecimento cient&iacute;fico de base do meio marinho tendencialmente gratuito, no sentido de permitir adequar estrat&eacute;gias e ponderar investimentos<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>:</p> <ul>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>recursos minerais marinhos (minera&ccedil;&atilde;o atualmente ainda em &aacute;guas pouco profundas);</li>       <li>energia azul (energias renov&aacute;veis marinhas &ndash; e&oacute;licas mar&iacute;timas, centrais de mar&eacute;s, dispositivos ligados &agrave; energia das ondas);</li>       <li>aquicultura (constitui 25% do consumo de pescado da UE);</li>       <li>biotecnologia azul (sa&uacute;de, cosm&eacute;tica e biomateriais industriais);</li>       <li>turismo mar&iacute;timo, costeiro e de cruzeiros (a maior atividade econ&oacute;mica mar&iacute;tima).</li>     </ul>     <p>Em outubro de 2012 foi emitida a Declara&ccedil;&atilde;o de Limassol (ministros europeus respons&aacute;veis pela PMI<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>, que se propunha adotar uma nova agenda marinha e mar&iacute;tima para o crescimento e o emprego. Esta agenda real&ccedil;a o esfor&ccedil;o da CE para dinamizar a economia azul, recorrendo aos instrumentos de pol&iacute;tica p&uacute;blica da PMI. Estes proporcionam a adequada interliga&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o entre setores, entidades e Estados-Membros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ESTRAT&Eacute;GIA MAR&Iacute;TIMA PARA A REGI&Atilde;O ATL&Acirc;NTICA</b></p>     <p>As bacias mar&iacute;timas europeias e os seus ecossistemas e economias s&atilde;o bastante diversos, em fun&ccedil;&atilde;o da geografia, do clima, da hist&oacute;ria, da pol&iacute;tica e da economia. Embora a PMI tenha princ&iacute;pios aplic&aacute;veis na generalidade, a sua execu&ccedil;&atilde;o obriga a estrat&eacute;gias concretas adaptadas &agrave; realidade de cada bacia mar&iacute;tima, &agrave; semelhan&ccedil;a do que foi feito com a DQEM<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Estrat&eacute;gia Mar&iacute;tima para a Regi&atilde;o Atl&acirc;ntica<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a> foi adotada em novembro de 2011, tendo como principal objetivo fomentar o crescimento sustent&aacute;vel e o emprego na bacia atl&acirc;ntica, mediante o refor&ccedil;o do seu potencial mar&iacute;timo. &Eacute; aplic&aacute;vel ao litoral e &agrave;s &aacute;guas territoriais e jurisdicionais dos cinco Estados-Membros da UE com costa atl&acirc;ntica (Portugal, Espanha, Fran&ccedil;a, Reino Unido e Irlanda), incluindo as suas regi&otilde;es ultraperif&eacute;ricas atl&acirc;nticas, bem como &agrave;s &aacute;guas internacionais do oceano Atl&acirc;ntico. A Estrat&eacute;gia Atl&acirc;ntica, tal como a PMI de que deriva, pertence ao dom&iacute;nio de compet&ecirc;ncia partilhada<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a> entre a UE e os Estados-Membros, sendo-lhe aplic&aacute;vel o princ&iacute;pio da subsidiariedade<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>A revis&atilde;o do plano de a&ccedil;&atilde;o desta estrat&eacute;gia iniciada em 2013<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a> concluiu que metade dos seis mil milh&otilde;es de euros investidos em 1200 projetos esteve associada &agrave;s prioridades que implicam um melhor conhecimento cient&iacute;fico do meio marinho. Este investimento faz-se no contexto de &laquo;economia azul&raquo; da &aacute;rea atl&acirc;ntica europeia.</p>     <p>A Estrat&eacute;gia Atl&acirc;ntica envolve ainda os parceiros internacionais com costa atl&acirc;ntica. Nessa linha, a Declara&ccedil;&atilde;o de Galway<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a> levou &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a entre a UE, os Estados Unidos e o Canad&aacute;, destinada a promover a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e o conhecimento marinho no Atl&acirc;ntico Norte<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. O sucesso da Declara&ccedil;&atilde;o de Galway levou a estender os mesmos pressupostos ao Atl&acirc;ntico Sul, o que culminou com a assinatura da Declara&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m em 2017<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a> entre a UE, o Brasil e a &Aacute;frica do Sul<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>, destinada a promover a coopera&ccedil;&atilde;o nos campos da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e da inova&ccedil;&atilde;o, tendo sido gastos 64 milh&otilde;es de euros do programa Horizonte 2020 entre 2018-2019<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. A implementa&ccedil;&atilde;o destas alian&ccedil;as e iniciativas est&aacute; alinhada com o objetivo 14 de desenvolvimento sustent&aacute;vel (ODS) das NU, como veremos &agrave; frente, com os objetivos da Organiza&ccedil;&atilde;o Mar&iacute;tima Internacional no que diz respeito ao melhoramento da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima (nas componentes safety e security) e com a OSPAR<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a> no que respeita &agrave; prote&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A GOVERNA&Ccedil;&Atilde;O INTERNACIONAL DO OCEANO</b></p>     <p>A PMI assumiu desde logo uma dimens&atilde;o internacional, porque a UE arroga que a governa&ccedil;&atilde;o internacional dos mares e oceanos e a utiliza&ccedil;&atilde;o dos seus recursos se deve basear no primado do direito internacional, ou seja, com base na Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), n&atilde;o pondo em causa a soberania dos Estados que sigam a Conven&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>. A UE adquiriu experi&ecirc;ncia a desenvolver abordagens sustent&aacute;veis na gest&atilde;o dos oceanos atrav&eacute;s de um conjunto de pol&iacute;ticas como a PMI (incluindo a diretiva do ordenamento do espa&ccedil;o mar&iacute;timo), a pol&iacute;tica ambiental mar&iacute;tima (atrav&eacute;s da DQEM), a pol&iacute;tica comum das pescas ou a pol&iacute;tica de transportes mar&iacute;timos<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. Est&aacute;, pois, numa posi&ccedil;&atilde;o privilegiada para influenciar a governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos, alinhando com os grandes objetivos internacionais. Apesar de reservas colocadas por alguns Estados-Membros, a interven&ccedil;&atilde;o comum da UE poder&aacute; ser mais eficaz que a de cada Estado, regi&otilde;es ou ind&uacute;strias, por pressupor elevado investimento e coopera&ccedil;&atilde;o. A observa&ccedil;&atilde;o e as ci&ecirc;ncias do Oceano s&atilde;o um bom exemplo deste perfil de interven&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Mais recentemente a UE, no sentido de garantir a seguran&ccedil;a, a limpeza e a gest&atilde;o sustent&aacute;vel dos oceanos, prop&otilde;e um conjunto de a&ccedil;&otilde;es organizadas em tr&ecirc;s dom&iacute;nios priorit&aacute;rios<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>: aperfei&ccedil;oamento do quadro internacional de governa&ccedil;&atilde;o dos oceanos; redu&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o humana sobre os oceanos e cria&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es para uma economia azul sustent&aacute;vel; refor&ccedil;o da investiga&ccedil;&atilde;o e dos dados sobre os oceanos &agrave; escala internacional<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. O conhecimento cient&iacute;fico do meio marinho &eacute; efetivamente crucial nesta dimens&atilde;o internacional, pois</p>     <p>     <blockquote>&laquo;a implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica internacional para os oceanos e o consequente estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas internacionais s&oacute;lidas, est&atilde;o fortemente associados &agrave;s capacidades de interven&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho dos v&aacute;rios Estados ribeirinhos&raquo;<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</blockquote>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas as preocupa&ccedil;&otilde;es das institui&ccedil;&otilde;es europeias com o meio marinho n&atilde;o se restringem &agrave; CE. Em 2018, o Parlamento Europeu sublinhou a necessidade de apostar no conhecimento cient&iacute;fico dos oceanos, o que permitir&aacute; o desenvolvimento das energias renov&aacute;veis marinhas e o estabelecimento de zonas marinhas protegidas. Incentivou, consequentemente, a observa&ccedil;&atilde;o e a explora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dos oceanos numa perspetiva de desenvolvimento sustent&aacute;vel e defendeu a aloca&ccedil;&atilde;o de mais recursos a este des&iacute;gnio<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</p>     <p>O Conselho da UE tamb&eacute;m se pronunciou recentemente sobre este tema, destacando a import&acirc;ncia de dispor de pol&iacute;ticas oce&acirc;nicas hol&iacute;sticas, integradas e cient&iacute;ficas. Reafirmou que a CNUDM estabelece o quadro jur&iacute;dico aplic&aacute;vel a todas as atividades realizadas nos oceanos e mares e salienta a import&acirc;ncia de oceanos limpos, produtivos e saud&aacute;veis, com ecossistemas conservados e utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de recursos. Procurou assim garantir que ser&atilde;o atingidos os objetivos da Agenda 2030, nomeadamente o ODS14, que visa a conserva&ccedil;&atilde;o e a utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel dos oceanos, mares e recursos marinhos<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A INVESTIGA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA MARINHA NA PR&Oacute;XIMA D&Eacute;CADA: O PROGRAMA HORIZONTE EUROPA (2021-2027)</b></p>     <p>Os programas de financiamento comunit&aacute;rio para investiga&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o neste setor sempre foram decisivos para garantir competitividade face a outros concorrentes (Estados Unidos, Jap&atilde;o e mais recentemente a China, embora pa&iacute;ses como a Rep&uacute;blica da Coreia demonstrem crescentes capacidades). O primeiro programa-quadro (FP) data de 1984 e desde ent&atilde;o os organismos p&uacute;blicos de investiga&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento e inova&ccedil;&atilde;o, a academia e as empresas passaram a dispor de um instrumento que permitiu tornar a Europa razoavelmente competitiva em termos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos e cada vez mais societal.</p>     <p>O programa Horizonte Europa<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>, destinado a vigorar no per&iacute;odo 2021-2027, tem como vis&atilde;o um futuro sustent&aacute;vel, justo e pr&oacute;spero para as pessoas e o planeta, com base em valores europeus, atrav&eacute;s do aumento da competitividade e do crescimento da UE, do combate &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e no ajudar a alcan&ccedil;ar os objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Assentar&aacute; em tr&ecirc;s pilares complementares e interligados. O primeiro (ci&ecirc;ncia de excel&ecirc;ncia) apoia a ci&ecirc;ncia b&aacute;sica de excel&ecirc;ncia e visa manter a UE na lideran&ccedil;a cient&iacute;fica e ajudar a desenvolver compet&ecirc;ncias e conhecimentos de elevada qualidade. O segundo (desafios globais e competitividade industrial europeia) pretende apoiar a investiga&ccedil;&atilde;o que incide sobre os desafios societais e as tecnologias industriais. O &uacute;ltimo (&laquo;Europa inovadora&raquo;) deseja intensificar a inova&ccedil;&atilde;o de vanguarda e disruptiva. Para al&eacute;m destes pilares existir&aacute; um pilar horizontal, &laquo;alargamento da participa&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o do espa&ccedil;o europeu de investiga&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>. No &acirc;mbito do conhecimento cient&iacute;fico dos oceanos o dom&iacute;nio &laquo;oceanos, mares e &aacute;guas costeiras e interiores saud&aacute;veis&raquo; &eacute; o de maior impacto<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>.</p>     <p>Por tudo o que foi dito conclui-se que a UE tem um pensamento suficientemente estruturado sobre o papel do conhecimento cient&iacute;fico. A PMI deu o primeiro passo para essa abordagem, mas a comunidade cient&iacute;fica e a sociedade civil tamb&eacute;m t&ecirc;m mostrado algum dinamismo, embora perdendo em compara&ccedil;&atilde;o com o que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS: A AGENDA 2030 E A D&Eacute;CADA DAS NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS DA CI&Ecirc;NCIA PARA O OCEANO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENT&Aacute;VEL 2021-2030</b></p>     <p style="text-align: right;">&laquo;a batalha contra as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas &eacute; a batalha da minha vida, da nossa esp&eacute;cie. &Eacute; preciso agir, agora.&raquo;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="text-align: right;">Ant&oacute;nio Guterres, secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas</p>     <p><b>A AGENDA 2030</b></p>     <p>O planeta Terra enfrenta enormes desafios sociais, econ&oacute;micos e ambientais. Em 2015 foi aprovada por 193 pa&iacute;ses em sede das NU a Agenda 2030, constitu&iacute;da por 17 ODS. Trata-se de uma agenda abrangente e ambiciosa, que inclui as v&aacute;rias dimens&otilde;es do desenvolvimento sustent&aacute;vel, tendo por objetivo lato a promo&ccedil;&atilde;o da paz, da justi&ccedil;a e das institui&ccedil;&otilde;es eficazes. Os ODS t&ecirc;m como base os progressos e li&ccedil;&otilde;es aprendidas com os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&eacute;nio, que vigoraram entre 2000 e 2015, e pretendem representar uma vis&atilde;o comum para a humanidade e um contrato entre os l&iacute;deres mundiais de todas as na&ccedil;&otilde;es e os seus povos.</p>     <p>O ODS14 &ndash; &laquo;Proteger a vida marinha&raquo; (&laquo;conservar e usar de forma sustent&aacute;vel os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustent&aacute;vel&raquo;), est&aacute; focado no Oceano, embora outros contribuam para os assuntos do mar, especialmente o ODS13 &ndash; &laquo;A&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica&raquo; (&laquo;adotar medidas urgentes para combater as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e os seus impactos&raquo;). O ODS14 reconhece como essenciais as ci&ecirc;ncias do Oceano e a Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Intergovernamental da UNESCO (COI-UNESCO) para enfrentar todos os desafios e dimens&otilde;es da sustentabilidade oce&acirc;nica (como a acidifica&ccedil;&atilde;o, a polui&ccedil;&atilde;o ou as pescas)<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>.</p>     <p>A confer&ecirc;ncia sobre o ODS14 realizada em Nova York (The Ocean Conference 2017) foi a primeira inteiramente dedicada pelas NU &agrave; sustentabilidade dos oceanos e ligada &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de um ODS, neste caso o ODS14. A COI-UNESCO foi ent&atilde;o oficialmente designada como ag&ecirc;ncia respons&aacute;vel pela implementa&ccedil;&atilde;o do objetivo &laquo;acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos&raquo;, do &laquo;desenvolvimento de capacidades&raquo; e da &laquo;investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica marinha&raquo;. Aprovou-se a declara&ccedil;&atilde;o &laquo;Our Ocean, Our Future: Call for Action&raquo; apelando &agrave; melhoria da coordena&ccedil;&atilde;o e coer&ecirc;ncia interag&ecirc;ncia atrav&eacute;s da estrutura das NU para os oceanos<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>Mas a aten&ccedil;&atilde;o das NU com o Oceano j&aacute; existia antes da ado&ccedil;&atilde;o da Agenda 2030 e do ODS14. Na verdade, a segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI demonstrou uma preocupa&ccedil;&atilde;o crescente dos Estados e das NU com os problemas ambientais do Oceano, considerando as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e o papel que mares e oceanos desempenham no ambiente do planeta. Assim, na sequ&ecirc;ncia de decis&otilde;es tomadas em 2010 pela Assembleia Geral das NU foi produzido e publicado &laquo;The First Global Integrated Marine Assessment&raquo;, relat&oacute;rio tamb&eacute;m conhecido por &laquo;World Ocean Assessment I&raquo;<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>, que concluiu que a capacidade de absor&ccedil;&atilde;o dos oceanos face &agrave;s press&otilde;es humanas estava pr&oacute;xima do limite, sendo necess&aacute;ria uma a&ccedil;&atilde;o urgente &agrave; escala global para proteger os oceanos. O texto proporcionou uma base cient&iacute;fica a ser considerada por todos os atores que definem as pol&iacute;ticas dos oceanos, refor&ccedil;ando a liga&ccedil;&atilde;o entre a pol&iacute;tica e a ci&ecirc;ncia.</p>     <p>Paralelamente a COI-UNESCO promoveu a publica&ccedil;&atilde;o do primeiro Global Ocean Science Report, publicado em 2017, que combina dados quantitativos (n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es, navios de investiga&ccedil;&atilde;o ou o financiamento por pa&iacute;s) com dados qualitativos (estrat&eacute;gias nacionais de ci&ecirc;ncias do Oceano)<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. O relat&oacute;rio exemplifica como necessidades identificadas em termos pol&iacute;ticos influenciam a conce&ccedil;&atilde;o de programas de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e como, reciprocamente, a ci&ecirc;ncia influencia o desenvolvimento e a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas marinhas. Estas intera&ccedil;&otilde;es podem desempenhar um papel decisivo na prote&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho. Conclui que a coopera&ccedil;&atilde;o internacional nas ci&ecirc;ncias do Oceano &eacute; essencial para aumentar o conhecimento cient&iacute;fico, desenvolver capacidades de investiga&ccedil;&atilde;o e transferir tecnologia marinha.</p>     <p>As ci&ecirc;ncias do Oceano s&atilde;o decisivas para apoiar os desenvolvimentos pol&iacute;ticos e legislativos a n&iacute;vel internacional no que respeita &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas ou &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel da biodiversidade marinha em &aacute;reas para al&eacute;m da jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional e ir&atilde;o sempre desempenhar um papel-chave na implementa&ccedil;&atilde;o da Agenda 2030, nomeadamente o ODS14.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A D&Eacute;CADA DAS CI&Ecirc;NCIAS DO OCEANO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A COI-UNESCO promoveu a iniciativa &laquo;Towards the Ocean we Need for the Future we Want&raquo;<sup><a href="#49">49</a></sup><a name="top49"></a> para desenvolver um programa de trabalho para atingir os objetivos propostos. Defendeu a necessidade de mapear o Oceano em tr&ecirc;s dimens&otilde;es (incluindo o subsolo), observ&aacute;-lo (preferencialmente no &acirc;mbito do GOOS) e model&aacute;-lo (previs&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es futuras), recorrendo &agrave;s novas tecnologias marinhas de observa&ccedil;&atilde;o. E tamb&eacute;m, naturalmente, compreender o impacto cumulativo dos fatores de <i>stress</i> sobre o Oceano, reduzir a vulnerabilidade das comunidades aos riscos dele provenientes ou desenvolver a investiga&ccedil;&atilde;o marinha numa perspetiva interdisciplinar, sempre garantindo partilha de dados e informa&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e edificando capacidades onde elas n&atilde;o existem ou s&atilde;o fr&aacute;geis<sup><a href="#50">50</a></sup><a name="top50"></a>. Na sequ&ecirc;ncia desta iniciativa, em dezembro de 2017 foi proclamada a D&eacute;cada<sup><a href="#51">51</a></sup><a name="top51"></a>, com in&iacute;cio a 1 de janeiro de 2021, atribuindo &agrave; COI-UNESCO as fun&ccedil;&otilde;es de coordena&ccedil;&atilde;o e prepara&ccedil;&atilde;o de um plano de implementa&ccedil;&atilde;o atualmente em consulta pelos Estados-Membros das nu.</p>     <p>O roteiro para a D&eacute;cada prop&otilde;e a mobiliza&ccedil;&atilde;o de recursos e inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica nas ci&ecirc;ncias do Oceano para apresentar &agrave; sociedade um Oceano limpo (fontes de polui&ccedil;&atilde;o identificadas e removidas), saud&aacute;vel e resiliente (ecossistemas marinhos mapeados e protegidos), previs&iacute;vel (compreender as condi&ccedil;&otilde;es do Oceano presentes e futuras), seguro (pessoas protegidas dos riscos oce&acirc;nicos), produtivo e explorado sustentavelmente (garantia de fornecer alimentos) e transparente e acess&iacute;vel (acesso aberto aos dados, informa&ccedil;&otilde;es e tecnologias) <sup><a href="#52">52</a></sup><a name="top52"></a> <sup><a href="#53">53</a></sup><a name="top53"></a> . O plano de implementa&ccedil;&atilde;o da D&eacute;cada ser&aacute; apresentado pela COI-UNESCO &agrave; 75.&ordf; Assembleia Geral das NU no ver&atilde;o de 2020, tendo em vista a sua aprova&ccedil;&atilde;o atempada. O sucesso dos resultados depender&aacute; das contribui&ccedil;&otilde;es das partes interessadas (comunidade cient&iacute;fica do Oceano, decisores pol&iacute;ticos, gestores, ag&ecirc;ncias das NU e governos nacionais, neg&oacute;cios e ind&uacute;stria, sociedade civil e ONG, doadores e funda&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas e cidad&atilde;os). A vis&atilde;o apresentada &eacute; &laquo;a ci&ecirc;ncia de que precisamos para o oceano que queremos&raquo;, e a miss&atilde;o proposta &laquo;gerar e usar o conhecimento para a a&ccedil;&atilde;o transformacional necess&aacute;ria para atingir um Oceano saud&aacute;vel, seguro e resiliente, para um desenvolvimento saud&aacute;vel em 2030 e al&eacute;m dessa data&raquo;<sup><a href="#54">54</a></sup><a name="top54"></a>.</p>     <p>Em s&iacute;ntese: neste momento est&atilde;o claras as vertentes das ci&ecirc;ncias do Oceano que s&atilde;o essenciais concretizar durante a D&eacute;cada. &Eacute; crucial o mapeamento do Oceano (do fundo do mar e dos ecossistemas) em alta resolu&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o necess&aacute;rias observa&ccedil;&otilde;es (f&iacute;sicas, biogeoqu&iacute;micas, biol&oacute;gicas e ecol&oacute;gicas) em todas as latitudes e a todos os n&iacute;veis de profundidade. &Eacute; necess&aacute;rio avan&ccedil;ar na compreens&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o e do funcionamento dos ecossistemas dos oceanos operando sob o efeito de m&uacute;ltiplos fatores de stress. &Eacute; fundamental apostar nos dados e informa&ccedil;&atilde;o do Oceano, organizando-os em sistemas com n&iacute;veis superiores aos atuais em disponibilidade (prontid&atilde;o) e acessibilidade (tendencialmente livres). Tal permitir&aacute; capacidades de modela&ccedil;&atilde;o e previs&atilde;o do Oceano mais maduras e efetivas. Para al&eacute;m disso &eacute; tamb&eacute;m necess&aacute;rio consolidar sistemas integrados de aviso precoce de riscos para a esp&eacute;cie humana provenientes do Oceano (como sejam os <i>tsunamis</i> e os ciclones tropicais). O desenvolvimento de capacidades e a transfer&ecirc;ncia de tecnologia marinha t&ecirc;m de acompanhar os progressos de ponta em I&amp;D. &laquo;Ningu&eacute;m pode ser deixado para tr&aacute;s&raquo;!</p>     <p>A D&eacute;cada ir&aacute; dinamizar, coordenar e comunicar as ci&ecirc;ncias do Oceano que precisamos para o futuro que queremos. Muitas &aacute;reas dos oceanos representam desafios significativos de ordem t&eacute;cnica e cient&iacute;fica. Novos paradigmas para a recolha e partilha de dados s&atilde;o necess&aacute;rios para gerir o seu crescente volume, complexidade e interdisciplinaridade. A dinamiza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias do Oceano dever&aacute; fazer-se promovendo um sistema de observa&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica global, sustent&aacute;vel e aberto, melhorando a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica interdisciplinar numa perspetiva de coopera&ccedil;&atilde;o, coordena&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, de modo a dar origem a uma compreens&atilde;o hol&iacute;stica e quantitativa dos sistemas oce&acirc;nicos e tamb&eacute;m disponibilizar conhecimento aplicado, que permita alcan&ccedil;ar os objetivos do desenvolvimento sustent&aacute;vel e apoiar a economia azul. Todos os pa&iacute;ses podem participar e beneficiar dos desenvolvimentos em ci&ecirc;ncias do Oceano e tecnologia, em particular os mais vulner&aacute;veis. Dever&atilde;o ser procurados caminhos inovadores para comunicar o valor de um Oceano saud&aacute;vel e o impacto que nele tem a atividade humana. A D&eacute;cada ir&aacute; encorajar a comunidade cient&iacute;fica, o p&uacute;blico em geral e os decisores para pensarem &laquo;fora da caixa&raquo; e aspirarem a uma mudan&ccedil;a real no n&iacute;vel de conhecimento do Oceano que &eacute; produzido na atualidade, e tamb&eacute;m no modo como gerimos a coopera&ccedil;&atilde;o e as parcerias no apoio ao desenvolvimento sustent&aacute;vel e a um Oceano saud&aacute;vel. Espera-se que possa estimular a&ccedil;&otilde;es, entre 2021 e 2030, em &aacute;reas de import&acirc;ncia cr&iacute;tica para a Agenda 2030: o planeta, as pessoas, a prosperidade, a paz e as parcerias<sup><a href="#55">55</a></sup><a name="top55"></a>. A D&eacute;cada tem objetivos t&atilde;o vastos e ambiciosos que &eacute; fundamental o estabelecimento de parcerias para o seu sucesso. Juntando todos os atores, numa perspetiva de partilha, ser&aacute; poss&iacute;vel criar a ci&ecirc;ncia que precisamos para o Oceano que queremos!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PORTUGAL: OS DESAFIOS CIENT&Iacute;FICOS DO OCEANO</b></p>     <p style="text-align: right;">&laquo;O conhecimento &eacute; um garante da soberania.&raquo;</p>     <p style="text-align: right;">M&aacute;rio Ruivo, ocean&oacute;grafo (1927-2017)</p>     <p><b>PORTUGAL E A AGENDA 2030</b></p>     <p>A abordagem portuguesa aos desafios da Agenda 2030 segue a europeia balizada pela PMI. Portugal tem tomado iniciativas espec&iacute;ficas a n&iacute;vel das NU sobre a problem&aacute;tica dos oceanos e contribuiu ativamente para a declara&ccedil;&atilde;o &laquo;Our Ocean, Our Future: Call for Action&raquo;, aprovada na Confer&ecirc;ncia de Nova York de 2017, organizada pela Su&eacute;cia e pelos Ilhas Fiji (The Ocean Conference 2017<sup><a href="#56">56</a></sup><a name="top56"></a>). Por ocasi&atilde;o desta confer&ecirc;ncia surge o <i>Relat&oacute;rio Nacional sobre a Implementa&ccedil;&atilde;o da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel</i><sup><a href="#57">57</a></sup><a name="top57"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A segunda confer&ecirc;ncia sobre esta tem&aacute;tica, com o objetivo de apelar a uma maior a&ccedil;&atilde;o na conserva&ccedil;&atilde;o e regenera&ccedil;&atilde;o dos oceanos, foi organizada por Portugal e pelo Qu&eacute;nia<sup><a href="#58">58</a></sup><a name="top58"></a>. Esteve prevista para junho de 2020 em Lisboa, contudo foi adiada para data a definir devido &agrave; pandemia da covid-19. Esta confer&ecirc;ncia visa fomentar parcerias e investimento na ci&ecirc;ncia de modo a travar o decl&iacute;nio da sa&uacute;de do Oceano e ser&aacute; um marco importante para tra&ccedil;ar uma estrat&eacute;gia global para a conserva&ccedil;&atilde;o dos oceanos e catalisar a D&eacute;cada a iniciar em 2021. A declara&ccedil;&atilde;o final, j&aacute; em prepara&ccedil;&atilde;o, &laquo;Our Ocean, Our Future, Our Responsibility&raquo;, reafirma os princ&iacute;pios expressos na declara&ccedil;&atilde;o final da confer&ecirc;ncia de 2017, acompanha as preocupa&ccedil;&otilde;es expressas no relat&oacute;rio especial do Intergovernmental Panel on Climate Change &ndash; The Ocean and Cryosphere in a Changing Climate<sup><a href="#59">59</a></sup><a name="top59"></a>, reconhece a import&acirc;ncia da D&eacute;cada e apoia o trabalho desenvolvido pela COI-UNESCO na sua prepara&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#60">60</a></sup><a name="top60"></a>.</p>     <p>Nas confer&ecirc;ncias de Nova York e Malta (2017) e Bali (2018), Portugal comprometeu-se a cumprir 19 compromissos volunt&aacute;rios do ODS14, dos quais destacamos os seis mais associados ao conhecimento cient&iacute;fico do Oceano<sup><a href="#61">61</a></sup><a name="top61"></a>:</p> <ul>       <li>at&eacute; 2020, implementar o Observat&oacute;rio do Atl&acirc;ntico nos A&ccedil;ores;</li>       <li>sensibilizar a comunidade internacional para o tema &laquo;Oceanos e Sa&uacute;de Humana&raquo;;</li>       <li>at&eacute; 2020, financiar em tr&ecirc;s milh&otilde;es de euros a atualiza&ccedil;&atilde;o dos sistemas nacionais de tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o sobre prote&ccedil;&atilde;o ambiental e atividades econ&oacute;micas;</li>       <li>aumentar at&eacute; 2020 o financiamento da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de mar profundo, incluindo a minera&ccedil;&atilde;o do fundo marinho, atrav&eacute;s do Observat&oacute;rio do Atl&acirc;ntico e da participa&ccedil;&atilde;o na JPI Oceans;</li>       <li>criar uma plataforma <i>web</i> para promover a transfer&ecirc;ncia de conhecimento cient&iacute;fico e tecnologia para pequenos pa&iacute;ses insulares e em vias de desenvolvimento no contexto da cplp;</li>       <li>at&eacute; 2021 apoiar em 500 mil euros a prepara&ccedil;&atilde;o e in&iacute;cio da D&eacute;cada.</li>     </ul>     <p>&Eacute; expect&aacute;vel que em 2021 seja feito um balan&ccedil;o da concretiza&ccedil;&atilde;o destes compromissos pelo Minist&eacute;rio do Mar, a par de uma avalia&ccedil;&atilde;o da concretiza&ccedil;&atilde;o da Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar 2013-2020 (ENM 2013-2020). O relat&oacute;rio do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, <i>Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel. Indicadores para Portugal</i><sup><a href="#62">62</a></sup><a name="top62"></a> revela alguma informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica quanto &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o do ODS14.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>O CONHECIMENTO CIENT&Iacute;FICO DO OCEANO: PORTUGAL HOJE</b></p>     <p>O &uacute;ltimo levantamento sistem&aacute;tico realizado sobre o sistema de conhecimento dos oceanos data de 2017 e foi publicado pela Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Pol&iacute;tica do Mar<sup><a href="#63">63</a></sup><a name="top63"></a>. Nele se descreve a arquitetura do sistema cient&iacute;fico nacional para as ci&ecirc;ncias e tecnologias do mar (incluindo os laborat&oacute;rios do estado (LdE)), respetivo mecanismo de financiamento, infraestrutura de investiga&ccedil;&atilde;o e recursos humanos dedicados, numa perspetiva meramente fatual, mas de grande utilidade para quem pretenda ter uma vis&atilde;o abrangente sobre a mat&eacute;ria.</p>     <p>O desenvolvimento no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias e das tecnologias do Oceano &eacute; decisivo para estimular a inova&ccedil;&atilde;o (por exemplo, atrav&eacute;s de centros de excel&ecirc;ncia ou incubadoras de inova&ccedil;&atilde;o com empresas na &aacute;rea das tecnologias mar&iacute;timas) e fortalecer o desenvolvimento sustent&aacute;vel da economia azul. Neste contexto cumpre destacar o documento &laquo;Desafios do Mar 2030&raquo;<sup><a href="#64">64</a></sup><a name="top64"></a>, iniciativa do F&oacute;rum Oceano-Cluster do Mar Portugu&ecirc;s<sup><a href="#65">65</a></sup><a name="top65"></a> em associa&ccedil;&atilde;o com a PwC, que atualiza a informa&ccedil;&atilde;o existente sobre a economia do mar em Portugal e seus desafios, no momento em que se prepara o novo quadro comunit&aacute;rio de financiamento da UE para 2021-2027. A PwC tem tamb&eacute;m tido uma iniciativa anual de publica&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio <i>LEME &ndash; Bar&oacute;metro PwC da Economia do Mar</i>, j&aacute; na d&eacute;cima edi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No &acirc;mbito da iniciativa privada, t&atilde;o escassa em Portugal nesta &aacute;rea do conhecimento cient&iacute;fico, n&atilde;o poder&iacute;amos esquecer o papel da Funda&ccedil;&atilde;o Oceano Azul, entidade sem fins lucrativos criada em 2017. Destaque-se o programa Blue Azores de conserva&ccedil;&atilde;o marinha e utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel do mar dos A&ccedil;ores, promovido conjuntamente por esta funda&ccedil;&atilde;o, pelo Governo Regional e pela Waitt Foundation. Desde o in&iacute;cio de 2020 a Funda&ccedil;&atilde;o est&aacute; envolvida na iniciativa internacional rise up &ndash; A Blue Call to Action, que apela aos governos e empresas para se comprometerem com a&ccedil;&otilde;es efetivas pela sustentabilidade do Oceano.</p>     <p>Em 2018, o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Ensino Superior<sup><a href="#66">66</a></sup><a name="top66"></a> promoveu a cria&ccedil;&atilde;o do Atlantic International Research Centre (AIR CENTRE), estrutura internacional colaborativa destinada a abordar desafios globais e as prioridades nacionais e locais no oceano Atl&acirc;ntico (inclui pa&iacute;ses da Europa, de &Aacute;frica e da Am&eacute;rica). Trata-se de uma organiza&ccedil;&atilde;o em rede, articulada com infraestruturas cient&iacute;ficas nacionais e internacionais, para desenvolver colabora&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica com impacto social no contexto atl&acirc;ntico. O AIR CENTRE pretende incluir nessas a&ccedil;&otilde;es governos (atrav&eacute;s de plataformas intergovernamentais), academia, empresas (incluindo <i>start-ups</i>) e cidad&atilde;os. Este &eacute; outro caminho para desenvolver a ci&ecirc;ncia e a tecnologia no espa&ccedil;o atl&acirc;ntico (promovendo a coopera&ccedil;&atilde;o Norte-Sul), n&atilde;o se esgotando na componente das ci&ecirc;ncias oceanogr&aacute;ficas (inclui tamb&eacute;m o espa&ccedil;o, o clima e a energia numa perspetiva integradora), mas tendo sempre como objetivo preservar os ecossistemas marinhos e atingir os resultados pretendidos no ODS14.</p>     <p>Poder-se-&aacute; dizer que os desafios existentes a n&iacute;vel nacional com incid&ecirc;ncia no conhecimento cient&iacute;fico do Oceano pouco diferem dos comunit&aacute;rios ou internacionais: responder &agrave;s consequ&ecirc;ncias das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e aos seus impactos nos ambientes e comunidades marinhas e costeiras; compreender os aspetos funcionais dos ecossistemas; implementar uma abordagem ecossist&eacute;mica; conservar a biodiversidade marinha; desenvolver um sistema de observa&ccedil;&atilde;o integrado do Oceano; apostar nas energias renov&aacute;veis; explorar o oceano profundo e margens continentais.</p>     <p>Na esfera da tomada de decis&atilde;o ao mais alto n&iacute;vel, como enfrentar estes e outros desafios? Atrav&eacute;s de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas focadas nas prioridades definidas (fun&ccedil;&atilde;o do Estado); da exist&ecirc;ncia de massa cr&iacute;tica de recursos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos, humanos e materiais (responsabilidade do Estado e das universidades); de empreendedorismo por parte das empresas. Estado e empresas ser&atilde;o necessariamente as entidades financiadoras desta demanda do conhecimento, devendo o Estado investir a montante na caracteriza&ccedil;&atilde;o de base do meio marinho e cabendo &agrave;s empresas, a jusante, o investimento focalizado nos seus interesses particulares. Na esfera estatal urge repensar o modelo de governan&ccedil;a da I&amp;D no Oceano, para potenciar as for&ccedil;as e aproveitar as oportunidades<sup><a href="#67">67</a></sup><a name="top67"></a> e rentabilizar as sinergias entre institui&ccedil;&otilde;es (incluindo as suas capacidades operacionais e o seu <i>know-how</i> t&eacute;cnico e cient&iacute;fico). Imp&otilde;e-se a articula&ccedil;&atilde;o entre entidades, num modelo organizacional integrador e fi&aacute;vel, com responsabilidades bem definidas e garantindo parcerias s&oacute;lidas. S&oacute; depois se poder&atilde;o equacionar os caminhos mais adequados para resolver quest&otilde;es operacionais consideradas nucleares pela comunidade cient&iacute;fica portuguesa do mar. Numa perspetiva <i>bottom-up</i>, e sem preju&iacute;zo do trabalho em curso enquadrado pela ENM 2013-2020, prop&otilde;em-se algumas linhas de a&ccedil;&atilde;o:</p> <ul>       <li>operacionaliza&ccedil;&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de conhecimento cient&iacute;fico do meio marinho, sobejamente teorizadas e discutidas pela comunidade cient&iacute;fica nacional, seguindo as refer&ecirc;ncias europeias e internacionais (por exemplo, estruturas de observa&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de dados do meio marinho num modelo organizacional aberto, mas sustentado);</li>       <li>utiliza&ccedil;&atilde;o de plataformas de observa&ccedil;&atilde;o (navios, ve&iacute;culos aut&oacute;nomos, boias, radares, etc.) pelo mais vasto n&uacute;mero de utilizadores cient&iacute;ficos, de um modo sustent&aacute;vel<sup><a href="#68">68</a></sup><a name="top68"></a>;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>utiliza&ccedil;&atilde;o racional de equipamentos cient&iacute;ficos pelo maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de utilizadores (aspeto fortemente interligado com a utiliza&ccedil;&atilde;o de pessoal t&eacute;cnico)<sup><a href="#69">69</a></sup><a name="top69"></a>;</li>       <li>forma&ccedil;&atilde;o, treino e utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos humanos (essencialmente t&eacute;cnicos e especialmente em tecnologias de observa&ccedil;&atilde;o e engenharia oceanogr&aacute;fica, bastante deficit&aacute;rias), em suporte &agrave;s atividades de observa&ccedil;&atilde;o, dispon&iacute;veis para operar e manter equipamentos cient&iacute;ficos que, sendo cada vez mais sofisticados, n&atilde;o se compadecem com amadorismos na sua utiliza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#70">70</a></sup><a name="top70"></a>;</li>       <li>abordagem multidisciplinar dos problemas, induzindo uma substancial economia de recursos (por exemplo, uma boia multipar&acirc;metro deve servir as necessidades da Marinha, a previs&atilde;o meteorol&oacute;gica, a prote&ccedil;&atilde;o civil, as autoridades de ambiente, a comunidade cient&iacute;fica e uma eventual empresa exploradora de energia das ondas na &aacute;rea);</li>       <li>gest&atilde;o e disponibiliza&ccedil;&atilde;o de dados t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos de uma maneira integrada, para servir, a jusante, desde o p&uacute;blico em geral ao p&uacute;blico especializado (servi&ccedil;os p&uacute;blicos, comunidade cient&iacute;fica ou empresas), devendo aqui tamb&eacute;m ser obrigatoriamente considerada a gest&atilde;o de dados obtidos por navios estrangeiros em &aacute;guas sob jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional;</li>       <li>promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento tecnol&oacute;gico (com envolvimento da ind&uacute;stria), em suporte e em complemento &agrave;s atividades de observa&ccedil;&atilde;o.</li>     </ul>     <p>Quaisquer que sejam as op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas, se Portugal quiser vingar num cen&aacute;rio internacional virado para o Oceano ter&aacute; de priorizar &aacute;reas-chave no campo do conhecimento cient&iacute;fico e do desenvolvimento das tecnologias do Oceano. S&atilde;o de propor, desde j&aacute;, as seguintes:</p> <ul>       <li><i>Expertise</i> em recursos humanos nas ci&ecirc;ncias e tecnologias do Oceano, com capacidade de proje&ccedil;&atilde;o no contexto internacional (por exemplo, em consultoria especializada), tendo por objetivo, no horizonte de uma gera&ccedil;&atilde;o (vinte e cinco anos), ser uma refer&ecirc;ncia internacional nesta &aacute;rea. Exige uma especial articula&ccedil;&atilde;o entre as &aacute;reas do mar e da ci&ecirc;ncia e o ensino superior.</li>       <li>Especializa&ccedil;&atilde;o em tecnologias do Oceano (por exemplo, nas tecnologias de observa&ccedil;&atilde;o-sensores), com oferta concorrencial no mercado internacional. &Eacute; admiss&iacute;vel que esta aposta se fa&ccedil;a com parcerias p&uacute;blicas e privadas de outros pa&iacute;ses (Irlanda, Noruega, Holanda ou Rep&uacute;blica da Coreia como exemplos). &Eacute; uma &aacute;rea de grande futuro, como comprovam a Agenda 2030 e o ODS14.</li>       <li>Escolha de &laquo;nichos de atividade&raquo; onde se possa fazer melhor e fazer diferente, recorrendo, numa perspetiva de alavancagem, a uma base de conhecimento j&aacute; existente em contexto internacional (biotecnologias, oceano profundo).</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>Encadeando estas tr&ecirc;s &aacute;reas, e a t&iacute;tulo de exemplo, a vis&atilde;o seria <i>Portugal constituir uma refer&ecirc;ncia internacional no oceano profundo, com sofisticada tecnologia de observa&ccedil;&atilde;o produzida nacionalmente, utilizando a expertise, dos cientistas e engenheiros portugueses</i>. A perspetiva de obten&ccedil;&atilde;o do sucesso e da excel&ecirc;ncia s&oacute; acontece se efetivamente ocorrer uma concentra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os em &aacute;reas selecionadas. &Eacute; indubit&aacute;vel a vontade que as elites da sociedade portuguesa t&ecirc;m, nos dias de hoje, em fazer uma aposta firme no mar e nos oceanos. Falta, no entanto, o sentido do imperativo, que se tornar&aacute; mais vincado quanto maior for a dificuldade do pa&iacute;s em manter o atual modelo de desenvolvimento econ&oacute;mico. Resta saber qual ser&aacute; a motiva&ccedil;&atilde;o, provavelmente econ&oacute;mica, para que tal venha a acontecer: os recursos minerais e energ&eacute;ticos (especialmente energias renov&aacute;veis)?, a biotecnologia?, a prote&ccedil;&atilde;o ambiental?... Qualquer que seja o <i>timing</i> da op&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; sempre necess&aacute;rio garantir a efetiva ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o mar&iacute;timo sob jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional, a qual resultar&aacute; da articula&ccedil;&atilde;o entre capacidade de governan&ccedil;a, vis&atilde;o de sustentabilidade (com respeito pelo ambiente marinho), conhecimento cient&iacute;fico e capacidade tecnol&oacute;gica (compet&ecirc;ncias t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas), din&acirc;mica empresarial (numa economia azul) e capacidade de controlo e vigil&acirc;ncia (no &acirc;mbito da seguran&ccedil;a e da defesa).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A D&Eacute;CADA 2021-2030: ALGUNS CEN&Aacute;RIOS POSS&Iacute;VEIS DE DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO CIENT&Iacute;FICO DO OCEANO</b></p>     <p style="text-align: right;">&laquo;afinal o que &eacute; um cientista? &Eacute; um homem curioso olhando atrav&eacute;s de um buraco de fechadura, o buraco da fechadura da natureza, tentando saber o que est&aacute; acontecendo.&raquo;<sup><a href="#71">71</a></sup><a name="top71"></a></p>     <p style="text-align: right;">Jacques-Yves Cousteau, oficial da Marinha, ocean&oacute;grafo (1910-1997)</p>     <p>As modernas estrat&eacute;gias de abordagem dos assuntos do mar e do Oceano passam pela obten&ccedil;&atilde;o de conhecimento (pilar cient&iacute;fico), pela prote&ccedil;&atilde;o do Oceano (pilar ambiental), pela promo&ccedil;&atilde;o de uma economia sustent&aacute;vel (pilar econ&oacute;mico) e pela garantia que todas as atividades decorram sem perturba&ccedil;&otilde;es (seguran&ccedil;a e defesa). O conhecimento cient&iacute;fico &eacute; de especial import&acirc;ncia, pois constituiu-se como fonte de informa&ccedil;&atilde;o crucial para apoiar a tomada de decis&atilde;o no &acirc;mbito dos outros pilares. Esse facto tem implica&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rias dimens&otilde;es: altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas (ao projetar medidas de adapta&ccedil;&atilde;o ao clima), recursos e ecossistemas marinhos (ao prever a evolu&ccedil;&atilde;o da biodiversidade marinha), economia circular das mat&eacute;rias-primas (atrav&eacute;s do desenvolvimento de tecnologias inovadoras e sustent&aacute;veis), riscos naturais (ao mitigar os efeitos dos eventos clim&aacute;ticos extremos), gest&atilde;o ecossist&eacute;mica e sustent&aacute;vel (ao promover pr&aacute;ticas de planeamento) e explora&ccedil;&atilde;o do mar profundo (a &uacute;ltima fronteira do conhecimento).</p>     <p>O conhecimento cient&iacute;fico &eacute; decisivo para garantir a sustentabilidade do Oceano, porque permite melhorar a monitoriza&ccedil;&atilde;o dos seus recursos e da sua sa&uacute;de e prever a mudan&ccedil;a do seu estado. Sistemas de observa&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;veis s&atilde;o uma parte essencial dos esfor&ccedil;os para compreender o funcionamento do Oceano. Tal inclui sistemas in situ, nomeadamente plataformas fixas e derivantes, navios cient&iacute;ficos, submers&iacute;veis, ve&iacute;culos aut&oacute;nomos de superf&iacute;cie e subsuperf&iacute;cie, mas tamb&eacute;m sistemas remotos como sat&eacute;lites, aeronaves tripuladas, drones e radares, usando instrumentos e sensores mais eficientes (e baratos) para coletar, armazenar, transferir e processar enormes volumes de dados. Esses dados s&atilde;o muito importantes para a comunidade cient&iacute;fica, os decisores e gestores do Oceano, a atividade econ&oacute;mica, os nautas e os cidad&atilde;os (especialmente os que vivem nas comunidades costeiras e ribeirinhas), apoiando o uso sustent&aacute;vel e seguro dos recursos e do ambiente marinho. &Eacute; fundamental garantir investimento p&uacute;blico para o funcionamento dos sistemas de observa&ccedil;&atilde;o do Oceano, sendo decisiva a avalia&ccedil;&atilde;o rigorosa dos custos e benef&iacute;cios associados e especialmente do valor para as sociedades. O estudo <i>On Costs, Benefits and Nature of an Extended European Ocean Observing System</i> &eacute; um bom trabalho nesse sentido<sup><a href="#72">72</a></sup><a name="top72"></a>. Tradicionalmente, os dados obtidos por esses sistemas serviam interesses cient&iacute;ficos, mas hoje essa informa&ccedil;&atilde;o &eacute; crescentemente importante para monitorizar o desenvolvimento das atividades da economia azul e, n&atilde;o menos importante, do ordenamento do espa&ccedil;o mar&iacute;timo. Importa mapear os utilizadores (cient&iacute;ficos ou operacionais) e cadeias de valor e avaliar os impactos socioecon&oacute;micos, de modo a justificar a racionalidade dos investimentos.</p>     <p>Na esfera tecnol&oacute;gica t&ecirc;m ocorrido importantes progressos com resultados acrescidos na efici&ecirc;ncia, produtividade e custos de estrutura na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e na an&aacute;lise dos ecossistemas. Citam-se os desenvolvimentos de sensores <i>in situ</i> (preferencialmente <i>smart</i> e <i>low</i> <i>cost</i>) e remotos, os sat&eacute;lites (cada vez menores como os micro e os nanossat&eacute;lites), as tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, a intelig&ecirc;ncia artificial, os ve&iacute;culos n&atilde;o tripulados/aut&oacute;nomos, bem como os <i>gliders</i>, a biotecnologia e a nanotecnologia. O tratamento dos dados (<i>big data analytics</i> e as <i>blockchains</i>), a conetividade em rede, a interoperabilidade ou os sistemas de comunica&ccedil;&otilde;es (ac&uacute;sticos dentro de &aacute;gua e eletromagn&eacute;ticos &agrave; superf&iacute;cie). Os servi&ccedil;os integrados s&atilde;o crescentemente sin&oacute;nimo de efici&ecirc;ncia e qualidade, sendo as plataformas digitais decisivas para gerir todos os sistemas. Os decisores p&uacute;blicos ou privados s&oacute; t&ecirc;m a beneficiar de eventuais mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o no sistema &laquo;ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o&raquo; marinho e mar&iacute;timo para desenvolverem as adequadas estrat&eacute;gias de gest&atilde;o sustentada do Oceano.</p>     <p>Conceptualmente, mapeamento, observa&ccedil;&atilde;o e previs&atilde;o s&atilde;o as tr&ecirc;s vertentes que potenciam o conhecimento cient&iacute;fico do Oceano, devidamente alicer&ccedil;adas numa adequada gest&atilde;o dos dados, obtidos gra&ccedil;as ao desenvolvimento das tecnologias de observa&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos trinta anos. O conhecimento cient&iacute;fico potencia a explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de novas formas de energia (essencialmente energias renov&aacute;veis), bem como avalia a capacidade de regenera&ccedil;&atilde;o do meio marinho face a amea&ccedil;as de origem antropog&eacute;nica, como a polui&ccedil;&atilde;o (por hidrocarbonetos, pl&aacute;sticos e micropl&aacute;sticos), a eutrofiza&ccedil;&atilde;o, a sobrepesca ou as esp&eacute;cies invasoras. Esta avalia&ccedil;&atilde;o revela-se muitas vezes decisiva para o planeamento a m&eacute;dio e longo prazo da ado&ccedil;&atilde;o de medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, por parte dos decisores pol&iacute;ticos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Presente e futuro das necessidades societais em geral e da &laquo;economia azul&raquo;, em particular est&atilde;o intimamente ligados ao desenvolvimento das ci&ecirc;ncias do Oceano. E para que estas se desenvolvam &eacute; fundamental apostar na observa&ccedil;&atilde;o, fundamental para a previs&atilde;o meteorol&oacute;gica, oceanogr&aacute;fica e climatol&oacute;gica, para gerir a pesca e a aquacultura ou para proteger as esp&eacute;cies marinhas. Mas ela s&oacute; &eacute; eficaz se tiver tecnologia que lhe permita utilizar plataformas robustas, multitarefas, a custos razo&aacute;veis e que valide, integre e permita a visualiza&ccedil;&atilde;o dos dados recolhidos a quem deles precisa. E que o esfor&ccedil;o dessa observa&ccedil;&atilde;o seja devidamente coordenado entre os seus principais atores (Estado, academia e ind&uacute;stria). De facto, o financiamento sustent&aacute;vel desta atividade depende fortemente da capacidade de comunicar a utilidade da informa&ccedil;&atilde;o resultante aos gestores e decisores, qualquer que seja a &aacute;rea de atividade, &agrave;s comunidades e ao cidad&atilde;o em geral. E o planeta Terra tamb&eacute;m agradece!</p>     <p>&Eacute; importante lembrar que preservar a soberania nos espa&ccedil;os mar&iacute;timos constitui um desafio para os Estados costeiros porque garante uma eventual independ&ecirc;ncia energ&eacute;tica ou mesmo acesso a mat&eacute;rias-primas e o controlo das rotas mar&iacute;timas. Embora a esperada competi&ccedil;&atilde;o no acesso aos recursos naturais marinhos, por parte de outros Estados, constitua um risco evidente, as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e a polui&ccedil;&atilde;o marinha s&atilde;o riscos ainda maiores, que importa enfrentar. Mas a sobreposi&ccedil;&atilde;o desses riscos pode tornar-se particularmente perigosa, como sucede na evolu&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica das zonas polares, em que os impactos ambientais, econ&oacute;micos e geoestrat&eacute;gicos associados ao eventual degelo significativo dessas zonas nos pr&oacute;ximos dec&eacute;nios podem gerar tens&otilde;es pol&iacute;ticas de grande significado.</p>     <p>O conhecimento cient&iacute;fico do Oceano permite antecipar medidas e limitar riscos ambientais, mas tamb&eacute;m potenciar a economia azul, num espa&ccedil;o mar&iacute;timo em que importa garantir a soberania atrav&eacute;s das adequadas a&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a e defesa. Ocupar o Oceano significa, em primeiro lugar, conhec&ecirc;-lo cientificamente (ocupa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica) e s&oacute; depois proteg&ecirc;-lo na sua componente securit&aacute;ria! Da&iacute; a import&acirc;ncia da D&eacute;cada 2021-2030 para o mundo e para os pa&iacute;ses mar&iacute;timos em particular.</p>     <p>Portugal n&atilde;o tem muitas janelas de oportunidade em perspetiva. A atual instabilidade pol&iacute;tica internacional, e mesmo geopol&iacute;tica, tendencialmente mais associada aos interesses permanentes dos Estados, conduzir&aacute; certamente a altera&ccedil;&otilde;es mais ou menos profundas nos equil&iacute;brios internacionais. Op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas ter&atilde;o de ser tomadas. Que elas ocorram num contexto informado e devidamente ponderado &eacute; o que se deseja. Mas que o Oceano, tendencialmente atl&acirc;ntico, &eacute; uma porta de entrada para um Portugal de futuro, parece ser incontest&aacute;vel. Sempre alicer&ccedil;ado num profundo conhecimento cient&iacute;fico do Oceano!</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>AANCHOR &ndash; <i>All Atlantic Cooperation for Ocean Research and Innovation</i>. 2020. (Consultado em: 2 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://aanchor.website/main" target="_blank" >https://aanchor.website/main</a>.</p>     <p>AaVv &ndash; &laquo;The un Decade of Ocean Science for Sustainable Development&raquo;. In <i>Frontiers in Marine Science / Policy and Practice Reviews</i>. 2019. (Consultado em: 10 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmars.2019.00470/full#refer1" target="_blank" >https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmars.2019.00470/full#refer1</a>.</p>     <!-- ref --><p>AGENDA for Sustainable Development: &laquo;Conserve and sustainably use the oceans, seas and marine resources for sustainable development&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unchronicle.un.org/article/goal-14-conserve-and-sustainably-use-oceans-seas-and-marine-resources-sustainable" target="_blank" >https://unchronicle.un.org/article/goal-14-conserve-and-sustainably-use-oceans-seas-and-marine-resources-sustainable</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=628094&pid=S1645-9199202000020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Agenda Marinha e Mar&iacute;tima para o Crescimento e o Emprego &ndash; &laquo;Declara&ccedil;&atilde;o de Limassol&raquo;. 2012.</i></p>     <p>AORA &ndash; <i>Atlantic Ocean Research Alliance</i>. 2020. (Consultado em: 2 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.atlanticresource.org/aora/" target="_blank" >https://www.atlanticresource.org/aora/</a>.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Desenvolver a dimens&atilde;o internacional da pol&iacute;tica mar&iacute;tima integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. COM (2009) 536. Bruxelas. 15 de outubro de 2009.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Relat&oacute;rio de Progresso sobre a Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. COM (2009) 540. Bruxelas. 15 de outubro de 2009.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Desenvolver uma estrat&eacute;gia mar&iacute;tima para a Regi&atilde;o Atl&acirc;ntica&raquo;. COM (2011) 782. Bruxelas. 21 de novembro de 2011.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Crescimento Azul: oportunidades para um crescimento marinho e mar&iacute;timo sustent&aacute;vel&raquo;. COM (2012) 494. Bruxelas. 13 de setembro de 2012.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Evolu&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. COM (2012) 491. Bruxelas. 11 de setembro de 2012.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Livro Verde do Conhecimento do Meio Marinho 2020, da cartografia dos fundos marinhos &agrave; previs&atilde;o oceanogr&aacute;fica&raquo;. COM (2012) 473. Bruxelas. 29 de agosto de 2012.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;A inova&ccedil;&atilde;o na economia azul: materializar o potencial de crescimento e de emprego dos nossos mares e oceanos&raquo;. COM (2014) 254. Bruxelas. 13 de maio de 2014.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Marine Knowledge 2020: roadmap&raquo;. COM (2014) 254, SWD (2014) 149. Bruxelas. 8 de maio de 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos: uma agenda para o futuro dos nossos oceanos&raquo;. JOIN (2016) 49. Bruxelas. 10 de novembro de 2016.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Establishing the specific programme implementing Horizon Europe &ndash; the Framework Programme for Research and Innovation&raquo;. COM (2018) 436. Bruxelas. 7 de junho de 2018.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Mid-term review of the Atlantic Action Plan&raquo;. SWD (2018) 49. Bruxelas. 23 de fevereiro de 2018.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Study on costs, benefits and nature of an extended European Ocean Observing System</i>. 2018. (Consultado em: 12 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/068f4460-1851-11e8-ac73-01aa75ed71a1/language-en/format-PDF/source-66154304" target="_blank" >https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/068f4460-1851-11e8-ac73-01aa75ed71a1/language-en/format-PDF/source-66154304</a>.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Horizonte Europa &ndash; Investir para Moldar o Nosso Futuro</i>. 2019. (Consultado em: 5 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/research_and_innovation/strategy_on_research_and_innovation/presentations/horizon_europe_pt_investir_para_moldar_o_nosso_futuro.pdf" target="_blank" >https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/research_and_innovation/strategy_on_research_and_innovation/presentations/horizon_europe_pt_investir_para_moldar_o_nosso_futuro.pdf</a>.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Melhorar a governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos &ndash; dois anos de progressos&raquo;. JOIN (2019) 4. Bruxelas. 15 de mar&ccedil;o de 2019.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Conhecimento do Meio Marinho 2020</i>. 2020. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/marine_knowledge_2020_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/marine_knowledge_2020_pt</a>.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Crescimento Azul</i>. 2020. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/blue_growth_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/blue_growth_pt</a>.</p>     <p>COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada</i>. 2020. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy_pt</a>.</p>     <p>CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Tratado sobre o funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (vers&atilde;o consolidada)&raquo;. Informa&ccedil;&atilde;o 2012/C 326/01. 26 de outubro de 2012. In <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o</i> <i>Europeia</i>. Bruxelas. 26 de outubro de 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Conclus&otilde;es do Conselho sobre os oceanos e os mares&raquo;. 14249/19. Bruxelas. 19 de novembro de 2019.</p>     <p>DECLARA&Ccedil;&Atilde;O de Bel&eacute;m (sobre a coopera&ccedil;&atilde;o em investiga&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o no oceano Atl&acirc;ntico). 2017. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2020). Dispon&iacute;vel em <a href="https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/belem_statement_2017_pt.pdf" target="_blank" >https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/belem_statement_2017_pt.pdf</a>.</p>     <p>DECLARA&Ccedil;&Atilde;O de Galway (sobre a coopera&ccedil;&atilde;o no oceano Atl&acirc;ntico). 2013. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/galway_statement_atlantic_ocean_cooperation.pdf" target="_blank" >https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/galway_statement_atlantic_ocean_cooperation.pdf</a>.</p>     <p>DGPM &ndash; <i>Conhecimento do Mar, Mapa da Ci&ecirc;ncia e Tecnologias do Mar em Portugal</i>. Lisboa: 2017.</p>     <p>DGPM &ndash; &laquo;Agenda 2030/ODS14&raquo;. 2020. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.DGPM.mm.gpov.pt/agenda-2030" target="_blank" >https://www.DGPM.mm.gpov.pt/agenda-2030</a>.</p>     <p>EMODNET &ndash; &laquo;What is EMODnet?&raquo;. 2020. (Consultado em: 30 de mar&ccedil;o de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.EMODNET.eu/what-EMODNET" target="_blank" >https://www.EMODNET.eu/what-EMODNET</a>.</p>     <p>F&Oacute;RUM OCEANO &ndash; <i>Desafios do Mar 2030. F&oacute;rum Oceano &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o da Economia do Mar</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: 2020.</p>     <p>GOVERNO DE PORTUGAL &ndash; <i>Relat&oacute;rio Nacional sobre a Implementa&ccedil;&atilde;o da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, por Ocasi&atilde;o da Apresenta&ccedil;&atilde;o Nacional Volunt&aacute;ria no F&oacute;rum Pol&iacute;tico de Alto N&iacute;vel das Na&ccedil;&otilde;es Unidas</i>. Lisboa: 2017.</p>     <p>INE &ndash; <i>Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel: Indicadores para Portugal</i>. Lisboa: 2018.</p>     <p>IPCC &ndash; <i>Climate Change 2014 &ndash; Impacts, Adaptation and Vulnerability</i>. IPCC Fifth Assessment Report. 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PARLAMENTO EUROPEU / CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Quadro de a&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica para o meio marinho (Diretiva-Quadro &ldquo;Estrat&eacute;gia Marinha&rdquo;)&raquo;. Diretiva 2008/56/CE. 17 de junho de 2008. In <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia</i>. Bruxelas. 25 de junho de 2008.</p>     <p>PARLAMENTO EUROPEU &ndash; &laquo;Governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos: uma agenda para o futuro dos nossos oceanos no contexto dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel para 2030&raquo;. Resolu&ccedil;&atilde;o 2017/2055(INI). 16 de janeiro de 2018. In <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia</i>. Bruxelas. 19 de dezembro de 2018.</p>     <p>P&Ouml;RTNER H. O.; ROBERTS, D. C.; MASSON-DELMOTTE, V.; ZHAI, P.; TIGNOR, M.; POLOCZANSKA, E.; MINTENBECK, K.; ALEGR&Iacute;A, A.; NICOLAI, M.; OKEM, A.; PETZOLD, J.; RAMA, B.; WEYER, N. M., eds. &ndash; <i>Special Report on the Ocean and Cryosphere in a Changing Climate. </i><i>IPCC Sixth Assessment Report</i>. No prelo. 2020.</p>     <p>SOARES, C. Ventura &ndash; &laquo;O fator ambiental nas rela&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas internacionais&raquo;. In <i>Cadernos</i> <i>Navais</i>. N.&ordm; 24. Lisboa: ih, 2008.</p>     <p>TEIXEIRA, M. F. &ndash; &laquo;Estrat&eacute;gia do Atl&acirc;ntico: desafios e oportunidades&raquo;. In <i>Maria Scientia</i>. N.&ordm; 2. 2012, pp. 20-40.</p>     <p>UNESCO &ndash; <i>Global Ocean Science Report: The Current Status of Ocean Science around the World</i>. Paris: UNESCO, 2017.</p>     <p>UNESCO &ndash; <i>The Ocean We Need for the Future We Want</i>. Paris: UNESCO, 2017.</p>     <p>UNESCO &ndash; <i>Accelerating Ocean Science for Sustainable Development 2021-2030</i>. Decade Paper n.&ordm; 1. Paris: UNESCO, 2019.</p>     <p>UNESCO &ndash; <i>The Science We Need for the Ocean We Want: The United Nation Decade of Ocean Science for Sustainable Development (2021-2030)</i>. Paris: UNESCO, 2019.</p>     <p>UNESCO &ndash; <i>UNESCO moving forward. The 2030 Agenda for Sustainable Development.</i> 2020. (Consultado em: 7 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://en.UNESCO.org/creativity/sites/creativity/files/247785en.pdf" target="_blank" >https://en.UNESCO.org/creativity/sites/creativity/files/247785en.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Communities of Ocean Action for supporting implementation of SDG 14&raquo;. &laquo;Scaling up ocean action based on science and innovation of Goal 14: stocktaking, partnerships and solutions&raquo;. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://oceanconference.un.org/coa" target="_blank" >https://oceanconference.un.org/coa</a>.</p>     <p>UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Summary of The First Global Integrated Marine Assessment, World Ocean Assessment I&raquo;. Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 70.&ordf; sess&atilde;o. A/70/112. 2015. (Consultado em: 8 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/regularprocess/content/first-world-ocean-assessment/" target="_blank" >https://www.un.org/regularprocess/content/first-world-ocean-assessment/</a>.</p>     <p>UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Oceans and the law of the sea&raquo;. Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 72.&ordf; sess&atilde;o. A/RES/72/73. 2017. (Consultado em: 12 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/en/ga/72/resolutions.shtml" target="_blank" >https://www.un.org/en/ga/72/resolutions.shtml</a>.</p>     <p>UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Communities of Ocean Action for supporting implementation of SDG 14&raquo;. 2020. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://oceanconference.un.org/coa" target="_blank" >https://oceanconference.un.org/coa</a>.</p>     <p>UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Documentation. 2020 United Nations Conference to Support the Implementation of Sustainable Development Goal 14&raquo;. 2020. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/en/conferences/ocean2020/documentation" target="_blank" >https://www.un.org/en/conferences/ocean2020/documentation</a>.</p>     <p>UNITED Nations Conference to Support the Implementation of Sustainable Development Goal 14 of the 2030 Agenda for Sustainable Development: &laquo;Conserve and sustainably use the oceans, seas and marine resources for sustainable development&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://sustainabledevelopment.un.org/index.php?menu=3280" target="_blank" >https://sustainabledevelopment.un.org/index.php?menu=3280</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 24 de abril de 2020 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 12 de maio de 2020</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o do autor.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Nas formas de <i>naval power</i>, <i>maritime power</i> e/ou <i>sea power</i>.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Atrav&eacute;s, por exemplo, do estabelecimento de &aacute;reas marinhas protegidas (AMP).</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Novos e prementes desafios se imp&otilde;em na atualidade, que implicam um conhecimento profundo dos mares e oceanos, todos eles com impacto planet&aacute;rio: as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas em geral, a subida do n&iacute;vel m&eacute;dio das &aacute;guas do mar, a absor&ccedil;&atilde;o do di&oacute;xido de carbono e a consequente acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos, a polui&ccedil;&atilde;o por micropl&aacute;sticos, o impacto da excessiva concentra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial nas zonas litorais, etc.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o do autor.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada</i>. 2020. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy_pt</a>.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> PARLAMENTO EUROPEU &ndash; &laquo;Governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos: uma agenda para o futuro dos nossos oceanos no contexto dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel para 2030&raquo;. Resolu&ccedil;&atilde;o 2017/2055(INI). 16 de janeiro de 2018. In <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia</i>. Bruxelas. 19 de dezembro de 2018; CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Conclus&otilde;es do Conselho sobre os oceanos e os mares&raquo;. 14249/19. Bruxelas. 19 de novembro de 2019.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> IPCC &ndash; <i>Climate Change 2014 &ndash; Impacts, Adaptation and Vulnerability</i>. IPCC Fifth Assessment Report. 2014.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Conhecimento do Meio Marinho 2020</i>. 2020. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/marine_knowledge_2020_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/marine_knowledge_2020_pt</a>.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A EMODNET consiste numa rede de cerca de 150 organiza&ccedil;&otilde;es que trabalham conjuntamente para observar o mar, processar os dados segundo normativos internacionais e disponibilizar livremente essa informa&ccedil;&atilde;o (<i>interoperable data layers</i> e <i>data products</i>). A EMODNET proporciona acesso a dados organizados em sete temas: batimetria, f&iacute;sica, qu&iacute;mica, geologia, biologia, habitats do fundo do mar e atividades humanas. Para cada um existe um portal de acesso a um conjunto de dados arquivados, geridos por entidades locais, nacionais, regionais e internacionais (EMODNET &ndash; &laquo;What is EMODNET?&raquo;. 2020. (Consultado em: 30 de mar&ccedil;o de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.emodnet.eu/what-emodnet" target="_blank" >https://www.emodnet.eu/what-emodnet</a>. A EMODNET est&aacute; ainda articulada com o programa Copernicus, ao qual fornece dados de qualidade para a produ&ccedil;&atilde;o de produtos destinados &agrave; comunidade mar&iacute;tima.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> A Diretiva-Quadro &laquo;Estrat&eacute;gia Marinha&raquo;, Diretiva 2008/56/CE de 17 de junho de 2008 (PARLAMENTO EUROPEU / CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Quadro de a&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria no dom&iacute;nio da pol&iacute;tica para o meio marinho (Diretiva-Quadro &ldquo;Estrat&eacute;gia Marinha&rdquo;)&raquo;. Diretiva 2008/56/CE. 17 de junho de 2008. In <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia</i>. Bruxelas. 25 de junho de 2008), constitui o pilar ambiental da PMI e tem por objetivo alcan&ccedil;ar um bom estado ambiental das &aacute;guas marinhas da UE at&eacute; 2020, usando uma abordagem ecossist&eacute;mica.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Livro Verde do Conhecimento do Meio Marinho 2020, da cartografia dos fundos marinhos &agrave; previs&atilde;o oceanogr&aacute;fica&raquo;. com (2012) 473. Bruxelas. 29 de agosto de 2012.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> O mapa deveria incluir dados de f&aacute;cil acesso, interoper&aacute;veis, gratuitos e isentos de restri&ccedil;&otilde;es de utiliza&ccedil;&atilde;o sobre batimetria, geologia, habitats e ecossistemas do fundo, bem como informa&ccedil;&atilde;o sobre o estado f&iacute;sico, qu&iacute;mico e biol&oacute;gico da coluna de &aacute;gua superior.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Mais de 260 milh&otilde;es de euros prov&ecirc;m do programa Horizonte 2020.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> As infraestruturas de observa&ccedil;&atilde;o incluem navios, boias fundeadas ou derivantes, observat&oacute;rios subaqu&aacute;ticos e ve&iacute;culos de controlo remoto, todos eles dotados de sensores e processadores de informa&ccedil;&atilde;o. COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Horizonte Europa &ndash; Investir para Moldar o Nosso Futuro</i>. 2019. (Consultado em: 5 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/research_and_innovation/strategy_on_research_and_innovation/presentations/horizon_europe_pt_investir_para_moldar_o_nosso_futuro.pdf" target="_blank" >https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/research_and_innovation/strategy_on_research_and_innovation/presentations/horizon_europe_pt_investir_para_moldar_o_nosso_futuro.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;A inova&ccedil;&atilde;o na economia azul: materializar o potencial de crescimento e de emprego dos nossos mares e oceanos&raquo;. com (2014) 254. Bruxelas. 13 de maio de 2014; COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Marine Knowledge 2020: roadmap&raquo;. COM (2014) 254, SWD (2014) 149. Bruxelas. 8 de maio de 2014.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> O termo &laquo;economia azul&raquo; &eacute; tamb&eacute;m usado na Declara&ccedil;&atilde;o do Rio+20 sobre os Oceanos (2012). Pelo contr&aacute;rio, a Declara&ccedil;&atilde;o de Yeosu sobre os Oceanos Vivos e a Costa (2012) chama-lhe &laquo;economia verde do mar&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Crescimento Azul: oportunidades para um crescimento marinho e mar&iacute;timo sustent&aacute;vel&raquo;. COM (2012) 494. Bruxelas. 13 de setembro de 2012.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; Crescimento Azul. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/blue_growth_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/blue_growth_pt</a>. 2020.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Evolu&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. COM (2012) 491. Bruxelas. 11 de setembro de 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Crescimento Azul: oportunidades para um crescimento marinho e mar&iacute;timo sustent&aacute;vel&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Evolu&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Relat&oacute;rio de Progresso sobre a Pol&iacute;tica Mar&iacute;tima Integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. COM (2009) 540. Bruxelas. 15 de outubro de 2009.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Desenvolver uma estrat&eacute;gia mar&iacute;tima para a Regi&atilde;o Atl&acirc;ntica&raquo;. COM (2011) 782. Bruxelas. 21 de novembro de 2011.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> As compet&ecirc;ncias est&atilde;o definidas no Tratado sobre o Funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Tratado sobre o funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (vers&atilde;o consolidada)&raquo;. Informa&ccedil;&atilde;o 2012/C 326/01. 26 de outubro de 2012. In <i>Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia</i>. Bruxelas. 26 de outubro de 2012)), no artigo 2.&ordm;, do seguinte modo: &laquo;Quando os Tratados atribuam &agrave; Uni&atilde;o compet&ecirc;ncia exclusiva em determinado dom&iacute;nio, s&oacute; a Uni&atilde;o pode legislar e adotar atos juridicamente vinculativos; os pr&oacute;prios Estados-Membros s&oacute; podem faz&ecirc;-lo se habilitados pela Uni&atilde;o ou a fim de dar execu&ccedil;&atilde;o aos atos da Uni&atilde;o&raquo;, ou seja, a UE &eacute; a &uacute;nica a poder legislar. Os Estados-Membros limitam-se a aplicar os referidos atos. &laquo;Quando os Tratados atribuam &agrave; Uni&atilde;o compet&ecirc;ncia partilhada com os Estados-Membros em determinado dom&iacute;nio, a Uni&atilde;o e os Estados-Membros podem legislar e adotar atos juridicamente vinculativos nesse dom&iacute;nio. Os Estados-Membros exercem a sua compet&ecirc;ncia na medida em que a Uni&atilde;o n&atilde;o tenha exercido a sua. Os Estados-Membros voltam a exercer a sua compet&ecirc;ncia na medida em que a Uni&atilde;o tenha decidido deixar de exercer a sua&raquo;, ou seja, a UE e os Estados-Membros podem legislar. Contudo, os Estados-Membros s&oacute; podem exercer a sua compet&ecirc;ncia na medida em que a UE n&atilde;o tenha exercido a sua. Existem ainda as compet&ecirc;ncias de apoio, em que a UE s&oacute; pode intervir para apoiar, coordenar ou completar a a&ccedil;&atilde;o dos Estados-Membros. Enquanto as pol&iacute;ticas integradas est&atilde;o no dom&iacute;nio da compet&ecirc;ncia partilhada entre a UE e os Estados-Membros, as pol&iacute;ticas comuns est&atilde;o no &acirc;mbito da compet&ecirc;ncia exclusiva da UE. Tradu&ccedil;&otilde;es do autor.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> TEIXEIRA, M. F. &ndash; &laquo;Estrat&eacute;gia do Atl&acirc;ntico: desafios e oportunidades&raquo;. In <i>Maria Scientia</i>. N.&ordm; 2, 2012, pp. 20-40.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Mid-term review of the Atlantic Action Plan&raquo;. SWD (2018) 49. Bruxelas. 23 de fevereiro de 2018.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> DECLARA&Ccedil;&Atilde;O de Galway (sobre a coopera&ccedil;&atilde;o no oceano Atl&acirc;ntico). 2013. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/galway_statement_atlantic_ocean_cooperation.pdf" target="_blank" >https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/galway_statement_atlantic_ocean_cooperation.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> A Atlantic Ocean Research Alliance &eacute; um projeto abrangente que consubstancia a Declara&ccedil;&atilde;o de Galway, promovendo um oceano Atl&acirc;ntico saud&aacute;vel, resiliente, seguro, produtivo e conhecido (cientificamente), de modo a promover o bem-estar, prosperidade e seguran&ccedil;a das presentes e futuras gera&ccedil;&otilde;es (AORA &ndash; <i>Atlantic Ocean Research Alliance</i>. 2020. (Consultado em: 2 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.atlanticresource.org/aora/" target="_blank" >https://www.atlanticresource.org/aora/</a>).</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> DECLARA&Ccedil;&Atilde;O de Bel&eacute;m (sobre a coopera&ccedil;&atilde;o em investiga&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o no oceano Atl&acirc;ntico). 2017. (Consultado em: 31 de mar&ccedil;o de 2020). Dispon&iacute;vel em <a href="https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/belem_statement_2017_pt.pdf" target="_blank" >https://ec.europa.eu/research/iscp/pdf/belem_statement_2017_pt.pdf</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Foram, em 2018, tamb&eacute;m assinados acordos com a Argentina e Cabo Verde em mat&eacute;ria de investiga&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o marinha (COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Melhorar a governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos &ndash; dois anos de progressos&raquo;. JOIN (2019) 4. Bruxelas. 15 de mar&ccedil;o de 2019.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> A iniciativa Aanchor (All Atlantic Cooperation for Ocean Research and Innovation) pretende concretizar a Declara&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m reunindo de forma sistem&aacute;tica todos os atores relevantes no oceano Atl&acirc;ntico (incluindo decisores e gestores dos assuntos mar&iacute;timos), para construir uma comunidade oce&acirc;nica internacional que aborde os grandes desafios e oportunidades, identifique atividades de investiga&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o com elevado potencial de longo prazo e grande impacto, que possam contribuir para melhorar o desenvolvimento econ&oacute;mico sustent&aacute;vel e o bem-estar nas sociedades atl&acirc;nticas (AANCHOR &ndash; <i>All Atlantic Cooperation for Ocean Research and Innovation</i>. 2020. (Consultado em: 2 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://aanchor.website/main" target="_blank" >https://aanchor.website/main</a>).</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Conven&ccedil;&atilde;o para a Prote&ccedil;&atilde;o do Meio Marinho do Atl&acirc;ntico Nordeste.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Desenvolver a dimens&atilde;o internacional da pol&iacute;tica mar&iacute;tima integrada da Uni&atilde;o Europeia&raquo;. COM (2009) 536. Bruxelas. 15 de outubro de 2009.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos: uma agenda para o futuro dos nossos oceanos&raquo;. JOIN (2016) 49. Bruxelas. 10 de novembro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Este &uacute;ltimo dom&iacute;nio est&aacute; associado ao conhecimento marinho atrav&eacute;s das a&ccedil;&otilde;es &laquo;definir uma estrat&eacute;gia coerente da UE para a observa&ccedil;&atilde;o dos oceanos, dados e contabiliza&ccedil;&atilde;o marinha&raquo;, &laquo;refor&ccedil;ar o investimento na inova&ccedil;&atilde;o e na ci&ecirc;ncia &ldquo;azul&rdquo;&raquo; e &laquo;estabelecimento de parcerias para a investiga&ccedil;&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia dos oceanos&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> SOARES, C. Ventura &ndash; &laquo;O fator ambiental nas rela&ccedil;&otilde;es mar&iacute;timas internacionais&raquo;. In <i>Cadernos</i> <i>Navais</i>. N.&ordm; 24. Lisboa: ih, 2008, p. 82.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup> PARLAMENTO EUROPEU &ndash; &laquo;Governa&ccedil;&atilde;o internacional dos oceanos...&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup> CONSELHO DA UNI&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Conclus&otilde;es do Conselho sobre os oceanos e os mares&raquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; &laquo;Establishing the specific programme implementing Horizon Europe &ndash; the Framework Programme for Research and Innovation&raquo;. COM (2018) 436. Bruxelas. 7 de junho de 2018.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup> O seu or&ccedil;amento est&aacute; em fase de discuss&atilde;o, esperando-se que possa rondar os 100 mil milh&otilde;es de euros em sete anos (mais 50% que o anterior programa, 35% para combater as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas). Apesar de a Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico (I&amp;D) da UE ser 20% da I&amp;D mundial, as suas empresas apenas investem 1,3% em I&amp;D, comparando com os 2% dos Estados Unidos, 2,6% do Jap&atilde;o e 3,3% da Rep&uacute;blica da Coreia, ou seja, ainda h&aacute; um longo caminho a percorrer pela Europa para atingir os n&iacute;veis destes pa&iacute;ses.</p>     <p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Horizonte Europa &ndash; Investir para Moldar o Nosso Futuro</i>. 2019.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup> As miss&otilde;es a definir dever&atilde;o abordar solu&ccedil;&otilde;es sist&eacute;micas para a preven&ccedil;&atilde;o, redu&ccedil;&atilde;o, mitiga&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o marinha, incluindo os pl&aacute;sticos,<br />   a transi&ccedil;&atilde;o para a &laquo;economia azul&raquo; e circular, a adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o e das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nos oceanos, a gest&atilde;o e o uso sustent&aacute;vel dos recursos oce&acirc;nicos, o desenvolvimento de novos materiais incluindo substitutos biodegrad&aacute;veis dos pl&aacute;sticos, os novos tipos de alimenta&ccedil;&atilde;o, o planeamento espacial mar&iacute;timo, costeiro e urbano, a governan&ccedil;a dos oceanos e a economia dos oceanos aplicada a atividades mar&iacute;timas (COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Conhecimento do Meio Marinho 2020</i>. 2020. (Consultado em: 5 de fevereiro de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/marine_knowledge_2020_pt" target="_blank" >https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/policy/marine_knowledge_2020_pt</a>).</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>UNESCO moving forward. The 2030 Agenda for Sustainable Development</i>. 2020. (Consultado em: 7 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://en.UNESCO.org/creativity/sites/creativity/files/247785en.pdf" target="_blank" >https://en.UNESCO.org/creativity/sites/creativity/files/247785en.pdf</a>.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup> Tendo por objetivo catalisar os cerca de 1400 compromissos assumidos na confer&ecirc;ncia (e gerar novos) para a&ccedil;&otilde;es concretas no &acirc;mbito do ODS14 e facilitar a colabora&ccedil;&atilde;o em rede entre diferentes atores (nu, governos, comunidade cient&iacute;fica, setor privado e sociedade civil), as nu lan&ccedil;aram nove comunidades tem&aacute;ticas de stakeholders denominadas Ocean Action (UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Communities of Ocean Action for supporting implementation of SDG 14&raquo;. 2020. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://oceanconference.un.org/coa" target="_blank" >https://oceanconference.un.org/coa</a>). UNESCO &ndash; Global Ocean Science Report: The Current Status of Ocean Science around the World. Paris: UNESCO, 2017.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup> UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Summary of The First Global Integrated Marine Assessment, World Ocean Assessment I&raquo;. Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 70.&ordf; sess&atilde;o. A/70/112. 2015. (Consultado em: 8 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/regularprocess/content/first-world-ocean-assessment/" target="_blank" >https://www.un.org/regularprocess/content/first-world-ocean-assessment/</a>.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>Global Ocean Science Report</i>&hellip; .</p>     <p><Sup><a name="49"></a><a href="#top49">49</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>The Ocean We Need for the Future We Want</i>. Paris: UNESCO, 2017.</p>     <p><Sup><a name="50"></a><a href="#top50">50</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>The Science We Need for the Ocean We Want: The United Nation Decade of Ocean Science for Sustainable Development (2021-2030)</i>. Paris: UNESCO, 2019.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="51"></a><a href="#top51">51</a></Sup> UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Oceans and the law of the sea&raquo;. Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. 72.&ordf; sess&atilde;o. A/RES/72/73. 2017. (Consultado em: 12 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/en/ga/72/resolutions.shtml" target="_blank" >https://www.un.org/en/ga/72/resolutions.shtml</a></p>     <p><Sup><a name="52"></a><a href="#top52">52</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>The Science We Need for the Ocean We Want</i>&hellip;.</p>     <p><Sup><a name="53"></a><a href="#top53">53</a></Sup> As &aacute;reas priorit&aacute;rias fundamentais de I&amp;D a desenvolver no &acirc;mbito da D&eacute;cada (sem hierarquia na ordem apresentada) s&atilde;o: atlas digital global do Oceano (n&atilde;o apenas o mapeamento batim&eacute;trico); sistemas de observa&ccedil;&atilde;o globais para todas as principais bacias oce&acirc;nicas; compreens&atilde;o qualiquantitativa dos ecossistemas oce&acirc;nicos e o seu funcionamento como base para a sua gest&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o; sistema (portal) de dados e informa&ccedil;&otilde;es do Oceano; sistema integrado de aviso multirrisco a n&iacute;vel global; observa&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o e previs&atilde;o do Oceano integradas num sistema global e articulado com as ci&ecirc;ncias sociais e humanas e com a valoriza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica; desenvolvimento de capacidades e acelera&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica, educa&ccedil;&atilde;o e treino e literacia oce&acirc;nica (AaVv &ndash; &laquo;The un Decade of Ocean Science for Sustainable Development&raquo;. In <i>Frontiers in Marine Science / Policy and Practice Reviews</i>. 2019. (Consultado em: 10 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmars.2019.00470/full#refer1" target="_blank" >https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fmars.2019.00470/full#refer1</a>).</p>     <p><Sup><a name="54"></a><a href="#top54">54</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>UNESCO moving forward. The 2030 Agenda for Sustainable Development</i>. 2020. (Consultado em: 7 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://en.UNESCO.org/creativity/sites/creativity/files/247785en.pdf" target="_blank" >https://en.UNESCO.org/creativity/sites/creativity/files/247785en.pdf</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o do autor.</p>     <p><Sup><a name="55"></a><a href="#top55">55</a></Sup> UNESCO &ndash; <i>Accelerating Ocean Science for Sustainable Development 2021-2030</i>. Decade Paper n.&ordm; 1. Paris: UNESCO, 2019.</p>     <p><Sup><a name="56"></a><a href="#top56">56</a></Sup> UNITED Nations Conference to Support the Implementation of Sustainable Development Goal 14 of the 2030. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://sustainabledevelopment.un.org/index.php?menu=3280" target="_blank" >https://sustainabledevelopment.un.org/index.php?menu=3280</a>; AGENDA for Sustainable Development: &laquo;Conserve and sustainably use the oceans, seas and marine resources for sustainable development&raquo;. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://unchronicle.un.org/article/goal-14-conserve-and-sustainably-use-oceans-seas-and-marine-resources-sustainable" target="_blank" >https://unchronicle.un.org/article/goal-14-conserve-and-sustainably-use-oceans-seas-and-marine-resources-sustainable</a>.</p>     <p><Sup><a name="57"></a><a href="#top57">57</a></Sup> Que elenca os grandes desafios para a conserva&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel dos ecossistemas marinhos no mar sob jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional, que devem ser suportados num conhecimento cient&iacute;fico profundo, baseado em sistemas de observa&ccedil;&atilde;o de longo prazo, o que exigir&aacute; grande capacidade operacional e esfor&ccedil;o financeiro. GOVERNO DE PORTUGAL &ndash; <i>Relat&oacute;rio Nacional sobre a Implementa&ccedil;&atilde;o da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, por Ocasi&atilde;o da Apresenta&ccedil;&atilde;o Nacional Volunt&aacute;ria no F&oacute;rum Pol&iacute;tico de Alto N&iacute;vel das Na&ccedil;&otilde;es Unidas</i>. Lisboa: 2017.</p>     <p><Sup><a name="58"></a><a href="#top58">58</a></Sup> UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Communities of Ocean Action for supporting implementation of SDG 14&raquo;. &laquo;Scaling up ocean action based on science and innovation of Goal 14: stocktaking, partnerships and solutions&raquo;. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://oceanconference.un.org/coa" target="_blank" >https://oceanconference.un.org/coa</a>.</p>     <p><Sup><a name="59"></a><a href="#top59">59</a></Sup> IPCC &ndash; <i>Climate Change 2014 &ndash; Impacts, Adaptation and Vulnerability</i>. IPCC &ndash; Fifth Assessment Report. 2014.</p>     <p><Sup><a name="60"></a><a href="#top60">60</a></Sup> UNITED NATIONS &ndash; &laquo;Documentation. 2020 United Nations Conference to Support the Implementation of Sustainable Development Goal 14&raquo;. 2020. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.un.org/en/conferences/ocean2020/documentation" target="_blank" >https://www.un.org/en/conferences/ocean2020/documentation</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="61"></a><a href="#top61">61</a></Sup> DGPM &ndash; &laquo;Agenda 2030/ODS14&raquo;. 2020. (Consultado em: 16 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.DGPM.mm.gpov.pt/agenda-2030" target="_blank" >https://www.DGPM.mm.gpov.pt/agenda-2030</a>.</p>     <p><Sup><a name="62"></a><a href="#top62">62</a></Sup> INE &ndash; <i>Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel: Indicadores para Portugal</i>. Lisboa: 2018.</p>     <p><Sup><a name="63"></a><a href="#top63">63</a></Sup> DGPM &ndash; <i>Conhecimento do Mar, Mapa da Ci&ecirc;ncia e Tecnologias do Mar em Portugal</i>. Lisboa: 2017.</p>     <p><Sup><a name="64"></a><a href="#top64">64</a></Sup> F&Oacute;RUM OCEANO &ndash; <i>Desafios do Mar 2030. F&oacute;rum Oceano &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o da Economia do Mar</i>. 1.&ordf; edi&ccedil;&atilde;o. Lisboa: 2020.</p>     <p><Sup><a name="65"></a><a href="#top65">65</a></Sup> A F&oacute;rum Oceano, entidade dinamizadora do Cluster do Mar Portugu&ecirc;s, resulta da fus&atilde;o, por incorpora&ccedil;&atilde;o, da Oceano XXI &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o para o Conhecimento e Economia do Mar (criada em 2009) com a AFEM &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o F&oacute;rum Empresarial da Economia do Mar (criada em 2010), fus&atilde;o essa ocorrida em finais de 2015.</p>     <p><Sup><a name="66"></a><a href="#top66">66</a></Sup> A FCT disp&otilde;e do Gabinete Oceano, criado em 2015, para acompanhamento das ci&ecirc;ncias e tecnologias do mar (CTM).</p>     <p><Sup><a name="67"></a><a href="#top67">67</a></Sup> Tendo em conta as fragilidades de base de Portugal na &aacute;rea da ci&ecirc;ncia e especialmente da tecnologia e as &laquo;amea&ccedil;as&raquo; associadas a um mundo global em mudan&ccedil;a, com a transfer&ecirc;ncia do seu centro de gravidade geoestrat&eacute;gico do Atl&acirc;ntico para o Pac&iacute;fico.</p>     <p><Sup><a name="68"></a><a href="#top68">68</a></Sup> Ser&aacute; fundamental a FCT &laquo;adquirir&raquo; tempo de navio, seja &agrave; Marinha (NRP D. Carlos I, Almirante Gago Coutinho, Andr&oacute;meda ou Auriga) seja ao IPMA (&laquo;Mar Portugal&raquo;), disponibilizando-o posteriormente &agrave; comunidade cient&iacute;fica, mediante concurso, para aplica&ccedil;&atilde;o nos projetos cient&iacute;ficos.</p>     <p><Sup><a name="69"></a><a href="#top69">69</a></Sup> Uma poule de t&eacute;cnicos, operando e mantendo um conjunto de equipamentos da mesma natureza para utiliza&ccedil;&atilde;o por v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es, poderia ser um modelo adaptado &agrave; realidade nacional.</p>     <p><Sup><a name="70"></a><a href="#top70">70</a></Sup> Portugal n&atilde;o disp&otilde;e, atualmente, de nenhum curso de Engenharia Oceanogr&aacute;fica nas suas universidades. Os esfor&ccedil;os envidados pelo ih, nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, para promover cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o neste &acirc;mbito, tamb&eacute;m n&atilde;o foram bem-sucedidos, por dificuldades inerentes ao seu financiamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="71"></a><a href="#top71">71</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o do autor.</p>     <p><Sup><a name="72"></a><a href="#top72">72</a></Sup> COMISS&Atilde;O EUROPEIA &ndash; <i>Study on costs, benefits and nature of an extended European Ocean Observing System. </i><i>2018</i>. (Consultado em: 12 de abril de 2020). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/068f4460-1851-11e8-ac73-01aa75ed71a1/language-en/format-PDF/source-66154304" target="_blank" >https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/068f4460-1851-11e8-ac73-01aa75ed71a1/language-en/format-PDF/source-66154304</a>.</p>      ]]></body><back>
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