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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p><b>Como o fator humano contribuiu para o final da Guerra Fria</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ARCHIE BROWN</b></p>     <p><b>The Human Factor: Gorbachev, Reagan and Thatcher, and the End of the Cold War</b></p>     <p><b>Oxford, Oxford University Press, 2020, 512 p&aacute;ginas, ISBN 9780198748700</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Daniela Pereira Nunes</b></p>     <p>IEP-UCP | Palma de Cima, 1649-023 Lisboa | <a href="mailto:daniela_pn12@hotmail.com">daniela_pn12@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2019, os desentendimentos de Donald Trump e Vladimir Putin conduziram ao fim do primeiro tratado para a elimina&ccedil;&atilde;o de uma completa categoria de armas nucleares &ndash; o Tratado INF, assinado em dezembro de 1987 por Mikhail Gorbatchov e Ronald Reagan. Em 2020, ironicamente, a mais recente obra da autoria de Archie Brown recorda-nos do peso e import&acirc;ncia hist&oacute;ricos que carregam momentos como o da assinatura deste tratado para a elimina&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as nucleares de alcance interm&eacute;dio.</p>     <p>Autor de obras de refer&ecirc;ncia como <i>The Gorbachev Factor</i> e <i>The Rise and Fall of Communism</i>, vencedoras dos pr&eacute;mios Alec Nove e W. J. M. Mackenzie, ou <i>Perestroika: Seven Years that</i> <i>Changed the World</i>, Archie Brown &eacute; internacionalmente reconhecido como um dos mais conceituados especialistas na Guerra Fria, comunismo e p&oacute;s-comunismo, assuntos russos e sovi&eacute;ticos. Formado pela London School of Economics, depois pela Universidade de Glasgow e pela Universidade Estatal de Moscovo, o cientista pol&iacute;tico e historiador &eacute; atualmente professor em&eacute;rito de Politics na Universidade de Oxford e membro em&eacute;rito do St. Antony&rsquo;s College, onde lecionou por mais de trinta anos, passando ainda pelas universidades de Yale, Connecticut, Columbia, Texas e Notre Dame. S&atilde;o incont&aacute;veis as confer&ecirc;ncias em que participou, as palestras que proferiu e os artigos cient&iacute;ficos que publicou sobre as suas &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Comparativamente com outras obras como aquelas acima citadas, a novidade associada a <i>The Human Factor </i>reside fundamentalmente na lente interpretativa do autor, desta vez centrada no papel de tr&ecirc;s l&iacute;deres pol&iacute;ticos: Gorbatchov, Reagan e Thatcher. A obra, de 512 p&aacute;ginas, distingue-se precisamente pela explica&ccedil;&atilde;o brilhante e meticulosa que nos oferece sobre a influ&ecirc;ncia da personalidade no desenrolar dos processos pol&iacute;ticos e, em particular, sobre a influ&ecirc;ncia destes tr&ecirc;s seres humanos para aquele que foi o saldo final da Guerra Fria. Na introdu&ccedil;&atilde;o, o autor esclarece desde logo que &laquo;este livro n&atilde;o oferece uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada do final da Guerra Fria. Tamb&eacute;m n&atilde;o fornece uma hist&oacute;ria abrangente das rela&ccedil;&otilde;es internacionais desses anos&raquo;<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Antes, trata-se de um trabalho sobre lideran&ccedil;a pol&iacute;tica, maioritariamente focado no significado relativo de tr&ecirc;s l&iacute;deres pol&iacute;ticos e nos seus esfor&ccedil;os pela constru&ccedil;&atilde;o de um clima internacional cordial e inspirador na segunda metade da d&eacute;cada de 1980. A obra parte de uma quest&atilde;o fundamental, &agrave; qual muitos especialistas tentam responder e de formas distintas: por que raz&atilde;o a Guerra Fria terminou quando terminou e da forma como terminou? N&atilde;o ignorando outros fatores igualmente importantes, a an&aacute;lise de Archie Brown sugere que s&atilde;o incontorn&aacute;veis as implica&ccedil;&otilde;es do fator humano para dar resposta a estas quest&otilde;es. O que isto significa &eacute; que, certamente, tudo teria sido diferente se os protagonistas da hist&oacute;ria n&atilde;o tivessem sido Gorbatchov, Reagan e Thatcher. N&atilde;o obstante, a import&acirc;ncia do fator humano n&atilde;o se esgota nestes tr&ecirc;s l&iacute;deres: ao fazer jus ao pr&oacute;prio t&iacute;tulo, <i>The Human Factor</i> &eacute; uma obra especialmente valiosa pela relev&acirc;ncia que atribui a outras figuras pol&iacute;ticas sem as quais a hist&oacute;ria tamb&eacute;m n&atilde;o teria sido a mesma. O autor destaca enfaticamente o papel dos conselheiros destes l&iacute;deres, em particular os de Gorbatchov e Reagan, e a sua influ&ecirc;ncia nas lideran&ccedil;as dos seus respetivos pa&iacute;ses &ndash; &eacute; o caso de Eduard Shevardnadze, ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica entre 1985 e 1990, e de George Shultz, secret&aacute;rio de Estado dos Estados Unidos entre 1982 e 1989. A narrativa de Archie Brown constr&oacute;i-se em grande medida sobre uma rejei&ccedil;&atilde;o constante da leitura simplista que alguns autores fazem ao subestimar profundamente o valor das pessoas e das ideias nos &uacute;ltimos anos da Guerra Fria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OS TR&Ecirc;S GIGANTES DA GUERRA FRIA E A IMPORT&Acirc;NCIA DO SEU ENVOLVIMENTO</b></p>     <p>&Eacute; f&aacute;cil e quase intuitivo compreender os fundamentos do protagonismo de Gorbatchov e Reagan nesta obra: o primeiro, pelas reformas cruciais que implementou, quer na sua vertente dom&eacute;stica, quer ao n&iacute;vel da pol&iacute;tica externa sovi&eacute;tica e do seu impacto na pol&iacute;tica internacional; o segundo, pelo papel que desempenhou na aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica de Gorbatchov e na melhoria das rela&ccedil;&otilde;es americano-sovi&eacute;ticas a partir de 1985. Quanto a Thatcher, por&eacute;m, podem surgir d&uacute;vidas: e Fran&ccedil;ois Mitterrand? Ou George Bush? Ou Helmut Kohl? O autor admite que as motiva&ccedil;&otilde;es que conduziram &agrave; escolha da Dama de Ferro n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o &oacute;bvias quanto as anteriores. Mas elucida-nos, interrogando: que outro primeiro-ministro brit&acirc;nico, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de Winston Churchill, revelou um envolvimento t&atilde;o profundo em conversa&ccedil;&otilde;es com um l&iacute;der sovi&eacute;tico? Neste contexto, vale a pena sublinhar tamb&eacute;m a relev&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o especial de Thatcher e Reagan e, mais tarde, a influ&ecirc;ncia da conex&atilde;o igualmente especial que viria a surgir com Gorbatchov. Como afirma Brown, &laquo;a hist&oacute;ria das suas interconex&otilde;es &eacute; uma contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas para uma explica&ccedil;&atilde;o do fim da Guerra Fria, mas tamb&eacute;m para um debate muito mais antigo sobre o papel que um indiv&iacute;duo pode desempenhar na constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>A divis&atilde;o da obra em tr&ecirc;s partes contribui para a distin&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s grandes momentos na linha argumentativa do autor. Principalmente dedicada ao fator personalidade, a primeira parte confronta-nos com indicadores da maior relev&acirc;ncia para compreender as metodologias e as escolhas de cada l&iacute;der pol&iacute;tico: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas origens e contextos de ascens&atilde;o pol&iacute;tica. &Eacute; tamb&eacute;m na parte i que encontramos uma primeira an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es Reagan-Thatcher (evidentemente mais antigas do que as rela&ccedil;&otilde;es Reagan-Gorbatchov) e, mais tarde, Gorbatchov-Thatcher. A primeira-ministra conheceu Gorbatchov praticamente um ano antes de Reagan, ainda antes da sua elei&ccedil;&atilde;o para o cargo de secret&aacute;rio-geral do Partido Comunista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica (PCUS). Antes desse primeiro encontro, em Londres, em dezembro de 1984, foi o pr&oacute;prio Archie Brown quem falou &agrave; Dama de Ferro sobre o novo e simp&aacute;tico jovem em ascens&atilde;o no Kremlin. Este <i>timing</i> concedeu a Thatcher um estatuto como que de intermedi&aacute;ria entre Washington e Moscovo, pelo menos at&eacute; que os l&iacute;deres das duas superpot&ecirc;ncias se conhecessem. Brown sublinha o qu&atilde;o importante foi para o futuro das rela&ccedil;&otilde;es americano-sovi&eacute;ticas que Gorbatchov tivesse deixado em Chequers a impress&atilde;o de que se poderia negociar com ele &ndash; como afirmou a pr&oacute;pria primeira-ministra.</p>     <p>O segundo dos tr&ecirc;s grandes momentos da obra trata precisamente do caminho para o fim da Guerra Fria, focando-se nos encontros de Gorbatchov e Reagan e no modo como os dois homens de origens humildes semelhantes conseguiram juntos transformar a rela&ccedil;&atilde;o Ocidente-Leste. Desde a primeira reuni&atilde;o, escreveu Gorbatchov na <i>Perestroika</i> em 1987, &laquo;verific&aacute;mos que t&iacute;nhamos aquilo que eu considero um trampolim no sentido de trabalharmos para o melhoramento das rela&ccedil;&otilde;es sovie´tico-americanas&raquo;<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. A parte II &eacute; tamb&eacute;m a mais densa de toda a obra, ao interpretar n&atilde;o apenas a realidade internacional das negocia&ccedil;&otilde;es Estados Unidos-Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica entre 1985 e 1991, mas tamb&eacute;m ao articul&aacute;-la com a situa&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica destes pa&iacute;ses durante esse per&iacute;odo. No caso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, este exerc&iacute;cio &eacute; particularmente &uacute;til para compreender a indissociabilidade das vertentes interna e externa do plano reformista implementado por Gorbatchov, que come&ccedil;ou com a <i>Perestroika</i> e a <i>Glasnost</i>, e terminou com a revolu&ccedil;&atilde;o europeia de 1989 e a implos&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica em 1991.</p>     <p>Mas, se n&atilde;o fosse Gorbatchov? Se n&atilde;o fossem Reagan e Thatcher? Uma das quest&otilde;es centrais em toda a obra de Archie Brown &ndash; &laquo;algum dos l&iacute;deres realmente alternativos nos seus pa&iacute;ses na d&eacute;cada de 1980 teria adotado as mesmas pol&iacute;ticas, ou parecidas, conduzindo a resultados semelhantes?&raquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> &ndash; encontra resposta nas reflex&otilde;es conclusivas da parte III. Ao chamar a aten&ccedil;&atilde;o para <i>a import&acirc;ncia do envolvimento</i> dos Tr&ecirc;s Gigantes, o autor argumenta que n&atilde;o &eacute; pelas capacidades pol&iacute;ticas destes l&iacute;deres que a Guerra Fria acabou quando e como acabou &ndash; outros poss&iacute;veis l&iacute;deres estariam certamente aptos para alguma negocia&ccedil;&atilde;o &ndash;, mas antes pelo seu compromisso e pelo impacto humano invulgar que tiveram uns nos outros.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O FIM DA ERA DE GELO E DA IDEIA DE UM &laquo;IMP&Eacute;RIO DO MAL&raquo;</b></p>     <p>No contexto da melhoria gradual das rela&ccedil;&otilde;es americano-sovi&eacute;ticas durante a segunda metade da d&eacute;cada de 1980, a an&aacute;lise de Archie Brown sugere ainda que a condi&ccedil;&atilde;o-chave para entender como foi poss&iacute;vel &laquo;quebrar o gelo&raquo; &eacute; precisamente o fator humano. Esta interpreta&ccedil;&atilde;o est&aacute; fundamentalmente ligada aos contributos (indispens&aacute;veis) de Gorbatchov e Reagan na desconstru&ccedil;&atilde;o de um ambiente internacional hostil e da amea&ccedil;a de um conflito nuclear, do qual ningu&eacute;m poderia sair vencedor. No seu entendimento, a chegada de Gorbatchov ao poder em mar&ccedil;o de 1985 foi o primeiro grande est&iacute;mulo para o fim daquela a que o pr&oacute;prio secret&aacute;rio-geral do PCUS chamou &laquo;a era de gelo&raquo; entre as duas superpot&ecirc;ncias. Brown relembra que, para al&eacute;m de um otimista nato, Gorbatchov era um reformador. As reformas que implementou na URSS reorientaram a pol&iacute;tica externa sovi&eacute;tica para um sentido completamente revigorado, agora assente num novo olhar sobre as rela&ccedil;&otilde;es internacionais e sobre o papel da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica no mundo. Esta reorienta&ccedil;&atilde;o &eacute; crucial para compreender por que motivo foi poss&iacute;vel quebrar o gelo. Foi poss&iacute;vel, em primeiro lugar, porque a Pol&iacute;tica do Pensamento Novo contribuiu de forma determinante para provar que Moscovo e Washington n&atilde;o tinham necessariamente interesses opostos. Esta revis&atilde;o doutrinal, em simult&acirc;neo com o processo gradual de democratiza&ccedil;&atilde;o da sociedade e institui&ccedil;&otilde;es sovi&eacute;ticas, criaram oportunidade para refutar a teoria estalinista de uma hostilidade obrigat&oacute;ria e inevit&aacute;vel entre &laquo;os dois mundos&raquo;.</p>     <p>Conforme sugere Carlos Gaspar n&rsquo;<i>O P&oacute;s-Guerra Fria</i>, &laquo;a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica do &ldquo;Novo Pensamento Pol&iacute;tico&rdquo; desiste de ser a &ldquo;vanguarda socialista&rdquo;, para passar a ser um pa&iacute;s &ldquo;normal&rdquo; &ndash; o <i>leitmotiv</i> dos reformadores &ndash; e um parceiro respons&aacute;vel na pol&iacute;tica internacional&raquo;<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Muito por conta desta reforma de n&iacute;vel sist&eacute;mico, sobretudo a partir de 1987, Archie Brown conclui que, entre os Tr&ecirc;s Gigantes, Gorbatchov foi quem fez a maior das diferen&ccedil;as para as transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no mundo dos &uacute;ltimos sete anos da Guerra Fria. Esta &eacute;, ali&aacute;s, a l&oacute;gica por detr&aacute;s de toda a narrativa do autor: n&atilde;o se pode considerar que os l&iacute;deres pol&iacute;ticos s&atilde;o a explica&ccedil;&atilde;o para tudo o que acontece na pol&iacute;tica; muitos deles fazem apenas uma diferen&ccedil;a marginal, outros nem sequer fazem diferen&ccedil;a. Mas alguns l&iacute;deres s&atilde;o a diferen&ccedil;a que explica por que raz&atilde;o a Hist&oacute;ria acontece de uma forma ou de outra, quer pelos seus feitos dom&eacute;sticos, quer pelos seus feitos internacionais. <i>The Human Factor</i> &eacute; a refer&ecirc;ncia majestosa que nos ensina que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel interpretar o fim da Guerra Fria sem ter em conta o valor das pessoas, das suas ideias e dos seus princ&iacute;pios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>BROWN, Archie &ndash; <i>The Human Factor: Gorbachev, Reagan, and Thatcher, and the End of the Cold War</i>. Oxford: Oxford University Press, 2020.</p>     <p>GASPAR, Carlos &ndash; <i>O P&oacute;s-Guerra Fria</i>. Lisboa: Tinta da China, 2016.</p>     <p>GORBATCHOV, Mikhail &ndash; <i>Perestroika: Anos de Transforma&ccedil;&atilde;o e de Esperan&ccedil;a para o Meu Pa&iacute;s e para o Mundo</i>. Mem-Martins: Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1987.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> BROWN, Archie &ndash; <i>The Human Factor: Gorbachev, Reagan, and Thatcher, and the End of the Cold War</i>. Oxford: Oxford University Press, 2020. Tradu&ccedil;&atilde;o da autora.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> <i>Ibidem</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o da autora.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> GORBATCHOV, Mikhail &ndash; <i>Perestroika: Anos de Transforma&ccedil;&atilde;o e de Esperan&ccedil;a para o Meu Pa&iacute;s e para o Mundo</i>. Mem-Martins: Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1987, p. 251. Tradu&ccedil;&atilde;o da autora.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> BROWN, Archie &ndash; <i>The Human Factor&hellip; </i>. Tradu&ccedil;&atilde;o da autora.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> GASPAR, Carlos &ndash; <i>O P&oacute;s-Guerra Fria</i>. Lisboa: Tinta da China, 2016.</p>      ]]></body><back>
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