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<journal-title><![CDATA[Tékhne - Revista de Estudos Politécnicos]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O desenho como ferramenta universal. O contributo do processo do desenho na metodologia projectual.]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to present the exercise of drawing as basic and functional tool in the design methodology, visual arts, and also architecture, analysing it as a thinking and physical process. From sketching (free hand) tradition until digital, from the acquisition of drawing skills and its applications, we will approach its contribution in the conception and development of products and art, from the idea to concept sketches, from the analysis to object (solution). We also analyse the structural importance of drawing during education, based on its universality.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>O desenho como ferramenta universal.</b></p>     <p align="center"><b>O contributo do processo do desenho na metodologia projectual.<sup>[<a href="#*">*</a>]<a name="top*"></a></sup></b></p>     <p align="center">Paula Tavares<a href="#0">**</a><a name="top0"></a></p>     <p align="center"><a href="mailto:ptavares@ipca.pt">ptavares@ipca.pt</a> </p>     <p align="center">&nbsp;</p>        <p><b>Resumo.</b> Neste trabalho apresentamos o exercício do desenho como instrumento fundamental e fundacional na metodologia projectual do design, das artes visuais e também da arquitectura, dissecando-o como processo mental e físico. Da tradição da manualidade ao digital, da aquisição de competências às suas aplicações, abordaremos a contribuição do desenho na concepção e desenvolvimento de obras e produtos, da ideia ao desenho, da análise ao objecto (solução). Analisamos, também, a relevância estruturante do desenho ao longo do sistema de ensino, com base na sua “universalidade”.</p>      <p><b>Palavras-chave:</b> desenho, projecto, design, arte, ensino superior.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abstract.</b> This paper aims to present the exercise of drawing as basic    and functional tool in the design methodology, visual arts, and also architecture,    analysing it as a thinking and physical process. From sketching (free hand)    tradition until digital, from the acquisition of drawing skills and its applications,    we will approach its contribution in the conception and development of products    and art, from the idea to concept sketches, from the analysis to object (solution).    We also analyse the structural importance of drawing during education, based    on its universality.</p>     <p><b>Keywords:</b> drawing, project, design, art, higher education.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d1.jpg" width="424" height="335"></p>     
<p align="center">Ricardo Freitas, desenho de representação / esboço, 2007.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p>“O desenho é provavelmente a forma de expressão que sintetiza melhor a nossa relação com o mundo. Ele permite-nos, com a elaboração mental, o desenvolvimento de ideias e a descoberta do que ainda desconhecemos de nós mesmos.”                                                              </p>      <p align="right">Alberto Carneiro, escultor e professor (2001)</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>Sendo este um trabalho sobre a área científica do desenho, não pretende ser    especificamente destinado aos que, de uma maneira ou de outra, estão relacionados    com o desenho, teoria ou prática. Este texto tem como objectivo ser, também,    acessível a um público não especializado, uma vez que defendemos o desenho como    linguagem universal e forma de comunicação privilegiada.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apresentamos a seguinte estrutura: 1 – Desenho para todos, onde discorremos sobre a possibilidades de universalidade do desenho, baseando-nos nas seminais propostas de Ramalho Ortigão, que de forma visionária e especulativa enunciava o desenho e a educação visual como principio de todas as formas de comunicação e linguagem na aprendizagem, inclusive precedendo a leitura; 2 – Desenho aplicado, onde reflectimos sobre os desenhos do desenho, passado, presente e futuro, tipos e tipologias, géneros e aplicações, desde a tradição da manualidade às possibilidades do digital, enunciando o desenho (mais uma vez) como fundamental na metodologia projectual das artes visuais e do design entre outras actividades, assim como reflectimos sobre as possibilidades de um desenho autónomo.</p>      <blockquote>        <p><b>1. Desenho para todos.</b></p>       <p><b>2. Desenho aplicado.</b></p>       <p><b>2.1. Desenho projecto. O lugar do desenho na metodologia projectual. </b></p>       <p><b>2.1.1. O contributo da tecnologia.</b></p>       <p><b>2.2. Desenho autónomo. O desenho como lugar.</b></p>       <p>&nbsp;</p> </blockquote>     <p><b>1. Desenho para todos.</b></p>      <p>Começamos com a utilização de uma frase comum: o desenho está em todo o lado.    Todos os objectos e edifícios que nos rodeiam foram desenhados, os utensílios    do dia-a-dia, as roupas, os jardins, as estradas, o urbanismo, tudo em suma.    E se pensar na arquitectura, no design e nas artes plásticas no geral nos ilumina    de imediato a mente, se o universo imagético comum nos faz visualizar o Partenon,    Santa Maria del Fiori, o <b> Guggenheim de Bilbao</b>, ou entre nós a Casa da    Música, e nos faz “sentir grandes” com as gloriosas capacidades da inteligência    humana no desenho arquitectónico, igualmente nos emocionamos perante as formas    de Miguel Ângelo, as gravuras de Rembrandt, ou a memória de Walt Disney; assim    como vibramos na contemporaneidade com os Sagmeisters gravados na carne, o carvão    de William Kentridge e as aguadas de Marlene Dumas, aspirando ao descanso numa    <i>chaise long</i> dos Eames<sup>[<a href="#1">1</a>]<a name="top1"></a></sup>. No entanto, e sem    querer entrar em campos que n&atilde;o dominamos, desde o senso comum, tamb&eacute;m    podemos, ainda, afirmar que muitos dos animais que temos por companhia em casa    ou que utilizamos na alimenta&ccedil;&atilde;o foram &#8220;desenhados&#8221;,    isto &eacute;, foram geneticamente alterados at&eacute; ao &#8216;desenho&#8217;    pretendido. Desde que existimos como ser humano n&atilde;o conseguimos parar    de desenhar, faz parte de n&oacute;s. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desenhamos desde a inf&acirc;ncia, a inf&acirc;ncia da humanidade, com os desenhos    rupestres que &#8220;iluminaram&#8221; as cavernas e desde a inf&acirc;ncia    propriamente dita. A tentativa de representa&ccedil;&atilde;o, antes da consci&ecirc;ncia    da interpreta&ccedil;&atilde;o ou inven&ccedil;&atilde;o faz parte da vontade    humana. S&atilde;o, ali&aacute;s, conhecidos os estudos sobre as vastas capacidades    expressivas e comunicativas dos desenhos das crian&ccedil;as, que de uma ou    outra forma v&atilde;o sendo &#8220;controladas&#8221; ao longo do crescimento    pelas conven&ccedil;&otilde;es, nem sempre pedag&oacute;gicas, dos adultos.    Qualquer um de n&oacute;s que se lembre da inf&acirc;ncia, ou que na idade adulta    lide habitualmente com crian&ccedil;as, sabe que h&aacute; o impulso de riscar,    de ver deslizar pela folha de papel o l&aacute;pis, a &acirc;nsia pela cor,    mas sobretudo pela identifica&ccedil;&atilde;o do resultado com &quot;um algo&quot;,    ainda que no suporte nada se reconhe&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d2.jpg" width="449" height="318"></p>     
<p align="center">Bruno Albuquerque, desenho de figura, 2009.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>O desenho de representa&ccedil;&atilde;o do mundo natural teve express&atilde;o    como actividade tanto na Gr&eacute;cia como em Roma, segundo descri&ccedil;&otilde;es    de autores da antiguidade cl&aacute;ssica, como Pl&iacute;nio, por exemplo.    No entanto, a relev&acirc;ncia do desenho como processo indiscut&iacute;vel    para a representa&ccedil;&atilde;o propriamente dita, vis&iacute;vel ou n&atilde;o    vis&iacute;vel, foi, efectivamente, reconhecida a partir do Renascimento, a    sua tratad&iacute;stica serve-nos de testemunho. Lorenzo Ghiberti, na esteira    da antiguidade cl&aacute;ssica, nos seus <i>Commentari</i> (Venturi, s.d.) afirmava:    &#8220;O desenho &eacute; o fundamento e a teoria&#8221; (p. 80). A teoriza&ccedil;&atilde;o    e registo dos processos tornou-se institui&ccedil;&atilde;o; arte e ci&ecirc;ncia    passaram a ter rela&ccedil;&atilde;o directa atrav&eacute;s do desenho. &Eacute;    com a &quot;inven&ccedil;&atilde;o&quot; da perspectiva c&oacute;nica linear    e a sua capacidade de representa&ccedil;&atilde;o do real a partir da regra    da geometria, que com os seus c&oacute;digos, o desenho se torna instrumento    essencial na comunica&ccedil;&atilde;o dos objectos, nas palavras de Loos (1982):    &quot;Sem a geom&eacute;trica reconsidera&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o,    que torna mensur&aacute;vel as tr&ecirc;s dimens&otilde;es do cubo de perspectiva    constru&iacute;do por Filipo Brunellesschi, Paolo Uccelo e Piero de la Francesca,    n&atilde;o teria sido poss&iacute;vel a sucessiva matematiza&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o circunstante que, com Galileu, daria origem ao pensamento cient&iacute;fico    moderno.&quot; (p. 7)</p>     <p>Para Leonardo o desenho era <i>cosa mentale</i>, processo intelectual que serve    todas as disciplinas, que comunica e desenvolve, que &eacute; processo e gest&atilde;o.    Sendo conotado numas &aacute;reas com o simb&oacute;lico e a subjectividade    e noutras com a cientificidade inerente &agrave; geometria e matem&aacute;tica.    Tamb&eacute;m Francisco da Holanda entendeu o desenho como fonte de conhecimento,    assim como dom divino, forma de Deus se manifestar atrav&eacute;s do executante.  </p>     <p>Em Portugal, no s&eacute;culo XVIII, o escultor Joaquim Machado de Castro,    a pedido de Pina Manique, elabora o &#8220;Discurso sobre as utilidades do Desenho&#8221;<sup>[<a href="#2">2</a>]<a name="top2"></a></sup>    onde considera ser da maior utilidade para todos os cidad&atilde;os a pr&aacute;tica    e o conhecimento do desenho, e que ambos devem ser dirigidos com bom gosto e    na imita&ccedil;&atilde;o da natureza. Salientando as suas aplica&ccedil;&otilde;es    nas diversas &aacute;reas do saber, como a medicina atrav&eacute;s da anatomia,    a geografia e a hist&oacute;ria natural, entre outras. Referindo, tamb&eacute;m,    que para o desenvolvimento do Estado eram necess&aacute;rios a instru&ccedil;&atilde;o    e protec&ccedil;&atilde;o desta actividade. Mas, a conturbada pol&iacute;tica    portuguesa - sucessivos governos que implicaram sucessivas reformas na educa&ccedil;&atilde;o    - e apesar da reforma de 1836 decretada por Passos Manuel levar ao estabelecimento    em Lisboa e Porto das Academias de Belas Artes, reunindo todas as &#8220;aulas    de desenho&#8221; existentes nas duas cidades, apenas em 1860 foi criada uma    disciplina com a designa&ccedil;&atilde;o desenho nos planos de estudos liceais.    Segundo Cid&aacute;lia Henriques (2001) &#8220;O ensino do desenho no s&eacute;culo    XIX dividia-se em duas categorias: o art&iacute;stico e o industrial. Era evidente,    contudo, alguma ambiguidade nesta dicotomia uma vez que encontramos nas academias    de belas artes, vocacionadas para a forma&ccedil;&atilde;o de artistas, aulas    de desenho dirigidas &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o de oper&aacute;rios industriais    orientadas na mesma perspectiva da forma&ccedil;&atilde;o de artistas.&#8221;    (p. 44)</p>     <p>&Eacute; perante as novas necessidades da sociedade, com a revolu&ccedil;&atilde;o    industrial, que surge, a necessidade de repensar o ensino do desenho. A partir    de 1884, Ant&oacute;nio Augusto Aguiar e o seu sucessor Em&iacute;dio Navarro,    do Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria,    impulsionam a cria&ccedil;&atilde;o de escolas industriais e do desenho industrial,    no complexo sistema educativo portugu&ecirc;s que come&ccedil;ava a reconhecer    a urg&ecirc;ncia de um ensino do desenho sistematizado e rigoroso, tal como    j&aacute; acontecia noutros pa&iacute;ses europeus.</p>     <p>Em 1880 Ramalho Ortig&atilde;o (Henriques, 2001) escrevia: &#8220;O desenho    &eacute; a base de todo o ensino escolar e de toda a educa&ccedil;&atilde;o    do homem. A fonte de todos os conhecimentos humanos &eacute; a observa&ccedil;&atilde;o.    Toda a no&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se baseie na observa&ccedil;&atilde;o    dos fen&oacute;menos tem o car&aacute;cter aned&oacute;tico, n&atilde;o tem    o car&aacute;cter cient&iacute;fico. Por isso todos os pedagogos, desde Froebel,    exigem que a educa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a principie pela adestra&ccedil;&atilde;o    dos sentidos no exame directo de todas as propriedades dos corpos, a cor, a    forma, o volume, o peso, etc. ..., &eacute; pelo estudo do desenho que logicamente    deve come&ccedil;ar qualquer instru&ccedil;&atilde;o. O exame da forma convencional    das letras, que serve de base &agrave; leitura, deve vir depois do exame da    forma das coisas que serve de base ao desenho.&#8221; (p. 47)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Passados 130 anos continuamos a advogar pela dissemina&ccedil;&atilde;o do    desenho no ensino, pela sua universalidade como elemento estruturador e de comunica&ccedil;&atilde;o    do pensamento dos cidad&atilde;os, perdendo o preconceito de ser (apenas) do    dom&iacute;nio da arte e tornando-se muito mais operativo aos mais variados    n&iacute;veis. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Desenho aplicado.</b></p>     <p>O desenho &eacute; uma &aacute;rea do conhecimento transversal a v&aacute;rias    actividades &#8211; art&iacute;sticas ou t&eacute;cnicas, simb&oacute;licas    ou objectivas. A hist&oacute;ria do desenho acompanha a hist&oacute;ria da arte,    a hist&oacute;ria da arquitectura e a hist&oacute;ria do design (se as entendermos    separadas), mas tamb&eacute;m dentro do &acirc;mbito normativo, a hist&oacute;ria    das engenharias (que sempre o usaram); no entanto, e pese a sua relev&acirc;ncia,    o seu reconhecimento como actividade aut&oacute;noma &eacute; relativamente    recente. O desenho foi considerado, desde sempre, como ve&iacute;culo e projecto.</p>     <p>Se considerarmos que o in&iacute;cio do projecto no design e na arquitectura,    assim como nas artes pl&aacute;sticas, s&atilde;o substancialmente dominados    por preocupa&ccedil;&otilde;es conceptuais, podemos afirmar o desenho como &#8216;deriva&#8217;,    reflexiva ou compulsiva, instrumento organizacional do fluir da ideia, processo    de adi&ccedil;&atilde;o e subtrac&ccedil;&atilde;o simult&acirc;neas, de fun&ccedil;&atilde;o    operativa para a constru&ccedil;&atilde;o da forma. </p>     <p>Faremos aqui a exposi&ccedil;&atilde;o, ainda que breve, do que julgamos serem    as duas &#8220;vers&otilde;es&#8221; predominantes da aplica&ccedil;&atilde;o    do desenho tal como o entendemos na representa&ccedil;&atilde;o e/ou apresenta&ccedil;&atilde;o    &#8211; o desenho do projecto e o desenho aut&oacute;nomo, sendo o primeiro    ambivalente e de &#8220;serventia&#8221; a v&aacute;rias &aacute;reas do conhecimento,    como as artes visuais (no geral), a arquitectura e o design, e o segundo exclusivo    das artes pl&aacute;sticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d3.jpg" width="449" height="341"></p>       
<p align="center">Miguel Gon&ccedil;alves, desenho de diagram&aacute;tico, 2009.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2.1. Desenho projecto. O lugar do desenho na metodologia projectual.</b></p>     <p>&#8220;No urbanismo, na arquitectura e no design, onde a interac&ccedil;&atilde;o    com o p&uacute;blico &eacute; imediata quando inevit&aacute;vel, a import&acirc;ncia    da consci&ecirc;ncia de uma necess&aacute;ria participa&ccedil;&atilde;o na    transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade &eacute; evidentemente determinante.    Em tais disciplinas, a diferen&ccedil;a do que acontece na pintura ou na escultura,    o desenho n&atilde;o pode exprimir a afirma&ccedil;&atilde;o individual do artista    devendo antes de mais ser um testemunho da sua responsabilidade social e devendo,    ao mesmo tempo, exprimir a coexist&ecirc;ncia e a converg&ecirc;ncia de necessidades    interiores e de necessidades exteriores (o lugar, o cliente,...).&#8221; </p>     <p align="right"> Guido Giangregorio, arquitecto e professor (2001)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Desenho, projecto e objecto. Termos, conceitos, inerentes &agrave;s artes pl&aacute;sticas,    ao design e &agrave; arquitectura. Intimamente ligados, s&atilde;o tamb&eacute;m    subsequentes. Primeiro a ideia, o primeiro desenho sob a forma de esquisso,    quase intelig&iacute;vel, imediato, muitas vezes inquieto, hesitante...; depois,    as primeiras certezas, o projecto no papel, a procura at&eacute; &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o;    por fim, a realiza&ccedil;&atilde;o, o objecto, a concretiza&ccedil;&atilde;o.    O desenho manual ou computacional &eacute; ferramenta essencial na metodologia    projectual das artes visuais e da concep&ccedil;&atilde;o de objectos de maior    ou menor escala (arquitect&oacute;nicos ou pequenos utilit&aacute;rios ao n&iacute;vel    do design industrial). </p>     <p>Segundo Alan Pipes (Pipes, 2007), pertence ao desenho o momento Eureka, Pipes    considera o impulso do registo como inevit&aacute;vel, intenso e imediato. S&atilde;o    os registos e ac&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se mostram, s&atilde;o os    &#8216;desenhos pensamento&#8217;, de elevado grau de intimidade, pois s&atilde;o    mon&oacute;logo para quem inventa. Do dom&iacute;nio conceptual, s&atilde;o    os primeiros desenhos projectuais, inscritos numa metodologia que se quer aberta,    onde o desenho &eacute; ferramenta essencial.</p>     <p>A chamada metodologia projectual, o projecto com m&eacute;todo, &eacute; sobretudo    utilizada no design e na arquitectura; quanto &agrave;s artes pl&aacute;sticas,    e apesar de alguma regra auto-imposta por parte dos artistas, podemos afirmar    a utiliza&ccedil;&atilde;o de um &#8216;n&atilde;o m&eacute;todo&#8217; ao longo    da hist&oacute;ria da arte. Sendo que entendemos este &#8216;n&atilde;o m&eacute;todo&#8217;,    a recusa de regra, como referente &agrave; procura implicada na fun&ccedil;&atilde;o    po&eacute;tica da arte, o n&atilde;o compromisso com a resposta social, ao colectivo,    ao cliente do produto. A arte n&atilde;o tem de racionalizar o processo, responde    a si pr&oacute;pria. A excep&ccedil;&atilde;o verificou-se a partir de Duchamp    e das vanguardas que o rodeavam na tend&ecirc;ncia conceptualista. Utilizamos    as palavras de Joaquim Vieira (Vieira, 1995), num texto sobre desenho e projecto    (da arquitectura): &#8220;O projecto ocupa espa&ccedil;o nas artes pl&aacute;sticas    atrav&eacute;s do exacerbamento da vertente intelectualista, pela ilus&oacute;ria    racionaliza&ccedil;&atilde;o do acto art&iacute;stico e dos fen&oacute;menos    de comunica&ccedil;&atilde;o da obra.&#8221; (p. 27)</p>     <p>A metodologia projectual, no design e na arquitectura, &eacute; garante de    regra no desenvolvimento do projecto. &Eacute; a abordagem cient&iacute;fica    que estrutura e direcciona, objectivando a ideia na resposta &agrave; proposta,    na procura da solu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por oposi&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento do projecto baseado na intui&ccedil;&atilde;o,    o designer e professor alem&atilde;o Gui Bonsiepi (Bonsiepi, 1975), por exemplo,    tal como Christopher Alexander, entende que se esperam duas coisas da metodologia:&#8221;...oferecer    uma s&eacute;rie de directivas e clarificar a estrutura do processo projectual.    Tem portanto, em si uma componente praxiol&oacute;gica e uma componente hermen&ecirc;utica.    A metodologia do design baseia-se na hip&oacute;tese de que, subjacente ao processo    projectual, mesmo na variedade de situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas,    existe uma estrutura comum, isto &eacute;, constantes que formam, por assim    dizer, a arma&ccedil;&atilde;o, fazendo uma abstrac&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do    particular de cada um dos problemas projectuais.&#8221; (p. 205) No entanto,    os mesmos autores censuram essa mesma no&ccedil;&atilde;o de metodologia perante    a ideia de uma metodologia fechada, grelha impositiva, motivo apenas de estudo    e n&atilde;o de desenho: &#8220;...Na realidade, aqueles que estudam a metodologia    projectual sem praticar o design, s&atilde;o, em geral, designers frustrados,    enfraquecidos, que perderam, ou jamais tiveram, a exig&ecirc;ncia de dar forma    &agrave;s coisas.&#8221; (p. 204)</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d4.jpg" width="448" height="288"> </p>     
<p align="center"></p>     <p align="center">Samuel Monte, desenho projectual, 2009.</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p>Muitos s&atilde;o os autores que trabalharam sobre a metodologia projectual,    destacamos aqui, o anteriormente citado, Bonsiepi e o artista e designer italiano    Bruno Munari (1907-1998) na clarifica&ccedil;&atilde;o do processo e do seu    faseamento, o primeiro pelo enfoque sist&eacute;mico com &ecirc;nfase na problematiza&ccedil;&atilde;o    e pesquisa e o segundo pela sua vis&atilde;o mais voltada para o processo criativo    com o seu eficaz &#8216;arroz verde&#8217;<sup>[<a href="#3">3</a>]<a name="top3"></a></sup>. </p>     <p>Independentemente do m&eacute;todo proposto, &eacute; na divis&atilde;o por    etapas, que os te&oacute;ricos da metodologia projectual, neste caso do design,    concordam, s&atilde;o elas: 1&ordf; - estrutura&ccedil;&atilde;o do problema    projectual; 2&ordf; - projecto; 3&ordf; - realiza&ccedil;&atilde;o do projecto.    Sendo que a primeira contempla toda a recolha de dados relativos ao &#8220;problema    existente&#8221; e sua avalia&ccedil;&atilde;o; j&aacute; a segunda contempla    a procura da solu&ccedil;&atilde;o, o desenvolvimento do projecto propriamente    dito. &Eacute; aqui que o desenho d&aacute; a sua contribui&ccedil;&atilde;o,    como elemento de especula&ccedil;&atilde;o que &eacute;; assim como no dom&iacute;nio    do rigor computacional, propondo o prot&oacute;tipo para constru&ccedil;&atilde;o,    a terceira etapa.</p>     <p>Relevante &eacute; a clarifica&ccedil;&atilde;o, neste momento, do tipo de    desenho que estamos a enunciar quando o relacionamos com projecto - o desenho    projectual, ideacional e operativo. Para o Professor Joaquim Vieira o desenho    &eacute; uma arte, o projecto &eacute; uma t&eacute;cnica. No entanto, um &#8220;cabe&#8221;    no outro, complementando-se. Apesar da sua relev&acirc;ncia art&iacute;stica    ser secund&aacute;ria, enquanto instrumento, n&atilde;o podemos deixar de referir    que entendemos a interven&ccedil;&atilde;o do desenho manual no desenvolvimento    do projecto como o momento criativo por excel&ecirc;ncia, a componente gr&aacute;fica    explorada pelo individuo que usa o l&aacute;pis (caneta, marcador, ou outro)    confere &#8216;poesia&#8217; ao projecto, uma vez que quem desenha, quem regista    e investe contra o papel dando forma &agrave;s coisas, imprime o seu cunho.    Transporta consigo as suas experi&ecirc;ncias, as suas hesita&ccedil;&otilde;es    e certezas. O desenho d&aacute; ao projecto a oportunidade de transgress&atilde;o    e crescimento. </p>     <p>Em 1975, Bonsiepi afirmava que: &#8220;Pode ser oportuno recordar que o designer    industrial &eacute; essencialmente algu&eacute;m que &#8220;faz objectos&#8221;    e, bem ou mal, por vezes tem de utilizar o l&aacute;pis e desenhar &#8211; uma    actividade que n&atilde;o pode ser substitu&iacute;da fantasiando programas    para as calculadoras electr&oacute;nicas.&#8221; Hoje, em 2009, sabemos que    a realidade &eacute; &#8220;ligeiramente&#8221; diferente, tamb&eacute;m Bonsiepi,    em v&aacute;rias oportunidades <i>aposteriori</i>, j&aacute; afirmou a contribui&ccedil;&atilde;o    dos meios digitais no desenvolvimento do projecto, principalmente ao n&iacute;vel    da comunica&ccedil;&atilde;o. Mas &eacute; com o trabalho de Steve Garner (Garner,    1992) que prosseguimos, neste caso ao n&iacute;vel do design industrial / produto:    &#8220;Para as profiss&otilde;es do design de produto houve uma diminui&ccedil;&atilde;o    no uso de modelos f&iacute;sicos tais como equipamentos de teste e modelos de    argila ou espuma em favor de modelos digitais permitindo um maior controle do    desenvolvimento do produto e suporte de t&eacute;cnicas de avalia&ccedil;&atilde;o,    tais como a avalia&ccedil;&atilde;o visual, a simula&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es    e a an&aacute;lise final do produto.&#8221; </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.1.1 O contributo da tecnologia.</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ing&eacute;nuo parece o pensamento ou mesmo a afirma&ccedil;&atilde;o da obsolesc&ecirc;ncia    do desenho perante o desenvolvimento t&eacute;cnico e computacional, n&atilde;o    se trata aqui de fazer prevalecer uma forma de fazer sobre a outra, mas de compreender    a sua complementaridade. </p>     <p>Com a introdu&ccedil;&atilde;o da tecnologia, primeiro com a fotografia e depois    com o computador e o software de desenvolvimento e apoio &agrave; concep&ccedil;&atilde;o    de imagens e objectos, o ensino do desenho e do seu uso no projecto, aparentou    perder algum terreno nas escolas de arte e design e arquitectura. As solu&ccedil;&otilde;es    gr&aacute;ficas pareciam mais eficazes quando produzidas mecanicamente. No entanto,    todas as quest&otilde;es colocadas em redor das novas abordagens do desenho    (provenientes da era digital), e das suas possibilidades, vieram consolidar    a import&acirc;ncia de uma base rigorosa e tradicional no ensino / aprendizagem    do desenho como forma de consolidar a &#8216;manipula&ccedil;&atilde;o&#8217;    e apresenta&ccedil;&atilde;o da &#8216;primeira ideia&#8217; no projecto. Comprovando    a plena conviv&ecirc;ncia nos planos de estudos actuais do avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico    e da tradi&ccedil;&atilde;o, revelando o desenho mais uma vez como processo    n&atilde;o s&oacute; manual, mas tamb&eacute;m intelectual. </p>     <p>Desde a d&eacute;cada de oitenta (do s&eacute;culo XX) at&eacute; hoje que    a chamada democratiza&ccedil;&atilde;o do da tecnologia (computadores mais acess&iacute;veis,    laptops,...) possibilitou que o trabalho de projecto tivesse uma componente    computacional muito mais elevada. Surgiram e evolu&iacute;ram programas de apoio    que se tornaram essenciais para o design, a arquitectura e a engenharia. Assim    como para outras variantes e c&uacute;mplices do desenho como o s&atilde;o a    ilustra&ccedil;&atilde;o e a anima&ccedil;&atilde;o, ou o desenho de jogos.</p>     <p>Contemporaneamente, as tecnologias como o CAD/CAE/CAM tornaram poss&iacute;vel    para o design e engenharia do produto, por exemplo, um maior controlo das &uacute;ltimas    fases do projecto, o modelo computacional do objecto proporciona a representa&ccedil;&atilde;o    computacional quase total do objecto, apresentando um n&uacute;mero infinito    de visualiza&ccedil;&otilde;es / representa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&Eacute; essencial o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias ao n&iacute;vel    do uso das tecnologias nas &aacute;reas aqui tratadas que se relacionam directamente    com o desenho, no entanto, terminamos este breve apontamento com as palavras    do Professor Vasco Branco (2001): &#8220;Mas bastar&aacute; substituir o l&aacute;pis    por um &#8220;mouse&#8221;, na litografia &#8220;Desenhar&#8221; de Escher,    para se escrever um pensamento sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre design e    as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o/comunica&ccedil;&atilde;o? Quem desenha,    desenha-se a si pr&oacute;prio; quem n&atilde;o tem de si desenha nada, e se    tiver um computador exponencia/disfar&ccedil;a a sua incompet&ecirc;ncia.&#8221;    (p. 123)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2.2 Desenho aut&oacute;nomo. O desenho como lugar.</b></p>     <p>Nunca como nos &uacute;ltimos anos se fizeram tantas exposi&ccedil;&otilde;es    de desenho. Se no ponto anterior analisamos a fun&ccedil;&atilde;o mais comum    do desenho, ou melhor, o desenho fun&ccedil;&atilde;o - o desenho ao servi&ccedil;o    do projecto, aqui vamos derivar sobre o desenho como lugar. O desenho como fim    em si mesmo. O desenho como obra.</p>     <p>Os desenhos n&atilde;o se exp&otilde;em - dir&atilde;o os mais conservadores,    ou modernos, se preferirem. N&atilde;o se exp&otilde;e o registo do pensamento,    n&atilde;o se exp&otilde;e o processo. O desenho &eacute; processo, tanto em    defini&ccedil;&atilde;o, como pela natureza dos materiais em que se desenvolve    e apresenta. </p>     <p>Quem desenha desenha-se, isto &eacute; &#8220;d&aacute; o corpo ao desenho&#8221;,    introduz no desenho as suas experi&ecirc;ncias, gestos, vida. Nas palavras de    Le Corbusier (Vieira, 1995), &eacute; necess&aacute;rio desenhar para levar    ao nosso interior aquilo que foi visto e que ficar&aacute; ent&atilde;o inscrito    na nossa mem&oacute;ria para toda a vida. Temos com o desenho uma rela&ccedil;&atilde;o    de simbiose: damos e ele d&aacute;-nos. (p. 39)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao desenho pertence tamb&eacute;m a subjectividade e a especula&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o s&oacute; a especula&ccedil;&atilde;o do processo inerente ao projecto,    mas a especula&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica expon&iacute;vel, dom&iacute;nio    do gesto &#8220;solto&#8221; ou &#8220;contido&#8221;, intencional ou do acaso    (bem vindo quando reconhecido e controlado).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d5.jpg" width="174" height="247"></p>       
<p align="center">Miguel Gon&ccedil;alves,desenho aut&oacute;nomo, 2009.</p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p>A conquista da autonomia do desenho, como disciplina / forma de express&atilde;o    n&atilde;o subordinada, deu-se no s&eacute;culo XX, especialmente desde os anos    sessenta. Como as reflex&otilde;es do artista pl&aacute;stico Bruce Nauman sugerem,    esta valoriza&ccedil;&atilde;o, reconhecimento e legitima&ccedil;&atilde;o,    deveu-se principalmente ao v&iacute;nculo do desenho com o processo mental e    energia criativa que s&atilde;o a g&eacute;nese da obra de arte. Para Nauman    o desenho &eacute; pensamento (Molina, 1995): &#8220;O primeiro tipo de desenhos    poderia chamar-se conceptual: fixam uma ideia. Chega-se ent&atilde;o a um certo    ponto em que j&aacute; n&atilde;o pertencem a este tipo, e ao faz&ecirc;-los    o objectivo j&aacute; n&atilde;o reside na representa&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as    mas em &#8216;agarrar a energia&#8217; das ideias. Deve considerar-se que o    desenho est&aacute; terminado quando se atinge o ponto em que a ideia se define    como necess&aacute;ria. Os desenhos podem descrever-se como modelos para uma    concep&ccedil;&atilde;o mental &agrave; qual se &#8216;d&aacute; corpo&#8217;    atrav&eacute;s do desenho.&#8221; (p. 33) Apesar do paralelo que aqui podemos    estabelecer com o desenho projectual de outras &aacute;reas, nas artes pl&aacute;sticas    (onde Nauman nos serve de exemplo) este momento da cria&ccedil;&atilde;o passou    a ser exposto, apresentado ao p&uacute;blico, publicado e comercializado. Havendo    uma invers&atilde;o da tradicional fun&ccedil;&atilde;o do desenho, sendo valorizado    o processo criativo, da experimenta&ccedil;&atilde;o e da espontaneidade. Os    surrealistas, nos anos vinte, j&aacute; haviam &#8220;acreditado&#8221; estas    caracter&iacute;sticas do desenho, considerando-o &#8220;eco&#8221; das puls&otilde;es    e sonhos, como verificamos nos desenhos autom&aacute;ticos ou nos <i>cadavre    exquis.</i></p>     <p>No entanto, segundo o Professor Juan Jos&eacute; Gomez Molina (1995), qualquer    inten&ccedil;&atilde;o de isolar o desenho na obra de um artista, caracterizando-o    como aut&oacute;nomo, &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o enganosa, para o autor:    &#8220;o desenho, a necessidade de desenhar, atende sempre a uma inten&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica (...) A valoriza&ccedil;&atilde;o do dese&shy;nho n&atilde;o    vai depender tanto do seu valor aut&oacute;nomo como obra de arte, mas da sua    vincula&ccedil;&atilde;o ao processo pelo qual o artista o transforma numa parte    significativa de si mesmo.&#8221; (p. 34)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d6.jpg" width="448" height="327"></p>        
<p align="center">Marcelo Santos, desenho de figura, 2009.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Aqui, relatamos a contradi&ccedil;&atilde;o, assumindo o desenho nas suas in&uacute;meras    possibilidades, terminamos citando uma defini&ccedil;&atilde;o de 1992 do escultor    Richard Serra que nos parece sintetizar e harmonizar a discuss&atilde;o (Serota    &amp; Silvester, 1992): &#8220;O desenho &eacute; sempre indicativo do modo    como os artistas pensam. N&atilde;o consigo referir imediatamente nenhuma obra    digna desse nome, na qual o desenho n&atilde;o seja um elemento chave. Quando    falo em desenhar, n&atilde;o me refiro ao desenho como uma disciplina diferente    da pintura ou da escultura. H&aacute; o desenho do desenho e h&aacute; o desenho    na pintura, assim como h&aacute; desenho na escultura.&#8221; (pp. 21-22)</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ap&ecirc;ndice: como se ensina desenho?</b></p>     <p>Come&ccedil;amos este &#8220;ap&ecirc;ndice&#8221; do texto, &#8220;em cima&#8221;    do tradicional lamento (portugu&ecirc;s e n&atilde;o s&oacute;) sobre a falta    de prepara&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do desenho (entre tantas outras    coisas) dos alunos que nos &#8220;chegam &agrave;s m&atilde;os&#8221;. Os professores    do ensino secund&aacute;rio queixam-se dos professores do ensino b&aacute;sico,    e os professores do ensino superior (primeiro ciclo) queixam-se dos professores    do ensino secund&aacute;rio. Entenda-se, queixamo-nos constantemente, quase    por tradi&ccedil;&atilde;o e fado, dos ensinamentos que precederam o n&iacute;vel    de ensino em que trabalhamos. No entanto, devemos aqui referir, e por conhecimento    de causa, que, na realidade, os programas, tanto do ensino b&aacute;sico como    do ensino secund&aacute;rio s&atilde;o o suficientemente extensos e completos    para preparar os jovens para o ensino superior no geral e para o ensino superior    especializado nas &aacute;reas directamente dependentes do desenho. Agora, a    quest&atilde;o que se coloca &eacute;: mas, esses programas s&atilde;o integralmente    cumpridos? Se a oferta &eacute; boa, o que falha? N&atilde;o sendo este o lugar    ideal para responder a estas quest&otilde;es, deixamos apenas dois apontamentos    &#8211; a massifica&ccedil;&atilde;o do ensino e a &#8220;toler&acirc;ncia&#8221;    institu&iacute;da em alguns n&iacute;veis de ensino, como forma de garantia    de uma escolariza&ccedil;&atilde;o mais elevada, levou a que disciplinas relacionadas    com as artes e a pr&aacute;tica f&iacute;sica/desportiva (as chamadas express&otilde;es,    que incluem a educa&ccedil;&atilde;o visual, musical e f&iacute;sica) fossem    relegadas para um segundo plano, no primeiro ciclo foram remetidas para actividades    extracurriculares, e no ensino b&aacute;sico, no geral, a componente lectiva    das disciplinas art&iacute;sticas foi reduzida. Importante &eacute; reflectir    sobre a contradi&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o destas medidas com    a relev&acirc;ncia dada &agrave;s artes e tecnologias na actualidade.</p>     <p>Em analepse, voltamos a Ramalho Ortig&atilde;o e &agrave; sua proposta estruturante    &#8211; o desenho como base; retomamos tamb&eacute;m (de forma rom&acirc;ntica,    se quiserem) o ide&aacute;rio renascentista de Leonardo e a compreens&atilde;o    do mundo material e imaterial, f&iacute;sico e simb&oacute;lico, atrav&eacute;s    do desenho e da experimenta&ccedil;&atilde;o que este possibilita. </p>     <p>Ent&atilde;o, qual dever&aacute; ser a estrutura das disciplinas de desenho<sup>[<a href="#4">4</a>]<a name="top4"></a></sup>    no ensino superior? Al&eacute;m das quest&otilde;es enunciadas anteriormente    no corpo de texto, que entendemos como essenciais, queremos aqui acrescentar,    de forma breve, uma poss&iacute;vel abordagem para adquirir compet&ecirc;ncias    base ao n&iacute;vel do desenho, de forma a promover uma evolu&ccedil;&atilde;o    sapiente dentro desta &aacute;rea cient&iacute;fica e na transversalidade que    a mesma permite:</p>     <blockquote>       <p>a) Da teoria &agrave; pr&aacute;tica &#8211; a hist&oacute;ria do desenho.</p> </blockquote>     <p>Como vimos, a hist&oacute;ria do desenho acompanha a hist&oacute;ria da arte,    incluindo a hist&oacute;ria do design e a hist&oacute;ria da arquitectura, se    quisermos ser mais espec&iacute;ficos. Na tradi&ccedil;&atilde;o e nas rupturas    o desenho foi rede infinita das imagens e dos objectos. Consideramos fundamental    a exposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de conte&uacute;dos nas disciplinas    de desenho, preferencialmente numa an&aacute;lise especulativa da sua hist&oacute;ria.    De forma amplamente ilustrada, atrav&eacute;s de um universo imag&eacute;tico    variado, dando visibilidade aos seus instrumentos, materiais, procedimentos,    autores e fun&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>b) Desenho &agrave; m&atilde;o livre, <i>mimesis</i> e inven&ccedil;&atilde;o.</p> </blockquote>     <p>&#8220;O senhor Palomar decidiu que daqui para a frente redobrar&aacute; as    suas aten&ccedil;&otilde;es: em primeiro lugar, para n&atilde;o deixar fugir    os apelos que lhe chegam das coisas; em segundo lugar, para atribuir &agrave;    opera&ccedil;&atilde;o de observar a import&acirc;ncia que ela merece. Nesta    altura sobrev&eacute;m um primeiro momento de crise: seguro de que a partir    de agora o mundo lhe revelar&aacute; uma riqueza infinita de coisas para olhar,    o senhor Palomar experimenta fixar tudo aquilo que lhe vem &agrave; m&atilde;o:    n&atilde;o obt&eacute;m nisso qualquer prazer e deixa de o fazer. Segue-se uma    segunda fase na qual est&aacute; convencido de que as coisas a observar s&atilde;o    apenas algumas e n&atilde;o outras e que deve ir &agrave; procura delas; para    isso tem de enfrentar problemas de escolha, exclus&otilde;es, hierarquias de    prefer&ecirc;ncias; cedo se apercebe de que est&aacute; a estragar tudo, como    sempre acontece quando p&otilde;e de permeio o seu pr&oacute;prio eu e todos    os problemas que tem com o seu pr&oacute;prio eu.&#8221;</p>     <p align="right"> Italo Calvino em Palomar (1985)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Desenhar, desenhar, desenhar e desenhar. Atrav&eacute;s de escolhas, enfatismos    e exclus&otilde;es. Quem desenha aprende e reaprende a ver todos os dias. A    experi&ecirc;ncia, tanto a n&iacute;vel pedag&oacute;gico como da pr&aacute;tica    efectiva do desenho, traduz que se observa melhor, observando e que se desenha    melhor desenhando. Aqui a f&oacute;rmula do &#8211; &#8220;&eacute; como andar    de bicicleta&#8221;, nem sempre funciona. A m&atilde;o que descansa demasiado    perde a destreza, o c&eacute;rebro precisa de ser treinado e a m&atilde;o obediente.    Principalmente nos primeiro anos, at&eacute; a resposta ser imediata e a linguagem    madura. A compreens&atilde;o do desenho como procedimento do intelecto, anteriormente    referido, isto &eacute; como execu&ccedil;&atilde;o e demonstra&ccedil;&atilde;o    do pensamento, faz-nos afirmar o ensino do desenho a partir da observa&ccedil;&atilde;o    e representa&ccedil;&atilde;o do real, num processo gradual e intenso, que &eacute;    express&atilde;o e raz&atilde;o, antecipador do projecto, da autonomia ou outra    qualquer forma de fazer sob a qual o desenho se possa apresentar.</p>     <p>No desenho de observa&ccedil;&atilde;o podemos considerar g&eacute;neros do    desenho, tipos de desenho e tipologias processuais do desenho. Nestas poderiam    inscrever-se tantas e tantas outras subdivis&otilde;es, mediante o autor ou    a &eacute;poca estudada &#8211; da pr&aacute;tica ou da teoria. Academicamente,    consideram-se g&eacute;neros do desenho: a figura humana, o objecto (ou natureza    morta) e o espa&ccedil;o (ou paisagem, urbana ou rural). Dentro destes g&eacute;neros    fundamentais, &eacute; inici&aacute;tica a abordagem diagram&aacute;tica - educadora    e disciplinadora do olhar e da m&atilde;o. Isto &eacute;, um olhar participativo,    selectivo e ordenador, conjugado com a m&atilde;o obediente e controlada na    transposi&ccedil;&atilde;o da tridimensionalidade para o suporte bidimensional.    Com consci&ecirc;ncia da dificuldade que sup&otilde;e a abstrac&ccedil;&atilde;o    necess&aacute;ria a este processo, o diagrama &eacute; &acirc;ncora e rede,    sistema m&eacute;trico estruturador que permite ao observador compreender a    &#8220;tradu&ccedil;&atilde;o&#8221; da tridimensionalidade, do volume ocupado    pelos objectos, para o plano do papel. Dominada esta fase, integrado o conceito    e transformado em representa&ccedil;&atilde;o, servir&aacute; ainda como base    para as mais variadas solu&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas. O conhecimento    do diagrama serve o esquisso, serve o esbo&ccedil;o e o estudo, o seu conhecimento    e dom&iacute;nio permite ao gesto afirmar-se de forma r&aacute;pida ou lenta    mediante as inten&ccedil;&otilde;es e as necessidades de quem desenha. Permite    uma mais eficaz abordagem ao 'desenho de massas', por exemplo; Forma de fazer    que se desenvolve atrav&eacute;s de um envolvente e continuado movimento da    linha (ou mancha), ve&iacute;culo de demonstra&ccedil;&atilde;o da tridimensionalidade    do objecto. F&oacute;rmula gr&aacute;fica antecedente, ou antepassada do desenho    de modela&ccedil;&atilde;o 3D, hoje apresentada em <i>softwares</i> como o <i>Blender</i>,    <i>Discreet Maya</i>, ou <i>Solid Works</i>, entre outros. </p>     <p>E se at&eacute; aqui abordamos o desenho de representa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s    da manualidade, aproveitamos a &uacute;ltima frase do par&aacute;grafo anterior    para consolidar o nosso entendimento da estrutura das disciplinas de desenho    no ensino superior &#8211; primeiro uma abordagem pela representa&ccedil;&atilde;o    tradicional, garantia da compreens&atilde;o do real, para, e em sequ&ecirc;ncia,    a introdu&ccedil;&atilde;o de outros procedimentos que permitam a inven&ccedil;&atilde;o    &#8211; o projecto e a autonomia (anteriormente abordados). Isto &eacute;, os    programas das disciplinas de desenho devem ser abrangentes, os conte&uacute;dos    devem permitir a aquisi&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias b&aacute;sicas    para um exerc&iacute;cio efectivo do desenho, mas devem deixar espa&ccedil;o    ao desenvolvimento de uma linguagem pr&oacute;pria, express&atilde;o da inten&ccedil;&atilde;o.  </p>     <p>Em conclus&atilde;o, a aprendizagem do desenho &eacute; um processo evolutivo    que requer as doses certas de rigor e disciplina, equilibradas com a &#8220;liberdade&#8221;    e expressividade, para o conhecimento, desenvolvimento e afirma&ccedil;&atilde;o    de uma compet&ecirc;ncia e/ou linguagem que tanto pode ser meio como fim nas    v&aacute;rias &aacute;reas onde &eacute; utilizado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/tek/n12/n12a02d7.jpg" width="388" height="631"></p>     
<p align="center">Ana Sousa, desenho de figura, 2009.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Carneiro, Ant&oacute;nio, (2001), &#8220;O Desenho, projecto da pessoa&#8221;,    in Os Desenhos do Desenho, na Novas Perspectivas sobre Ensino Art&iacute;stico,    Edi&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o    &#8211; Universidade do Porto, p. 34.</p>     <p>Venturi, Lionello, s.d., Hist&oacute;ria da Critica de Arte, Edi&ccedil;&otilde;es    70, Lisboa, p. 80. </p>     <p>Loos, S&eacute;rgio, (1982), Pref&aacute;cio, in Ver pelo Desenho, aspectos    t&eacute;cnicos, cognitivos, comunicativos, Manfredo Massironi, Edi&ccedil;&otilde;es    70, Lisboa, p. 7.</p>     <p>Henriques, Cid&aacute;lia, (2001), &#8220;Contributos para a hist&oacute;ria    do ensino do desenho em Portugal no S&eacute;. XIX e princ&iacute;pios do S&eacute;c.    XX&#8221;, in Os Desenhos do Desenho, na Novas Perspectivas sobre Ensino Art&iacute;stico,    Edi&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o    &#8211; Universidade do Porto, p. 44.</p>     <p>Ramalho Ortig&atilde;o citado por Cid&aacute;lia Henriques in ibidem, p. 47.</p>     <p>Giangregorio, Guido, (2001), &#8220;Desenho, hist&oacute;ria e processo&#8221;,    in Os Desenhos do Desenho, na Novas Perspectivas sobre Ensino Art&iacute;stico,    Edi&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o    &#8211; Universidade do Porto, p.152.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pipes, Alan, (2007), Drawing for designers, Laurence King Publishing Ltd, London,  p. 12.</p>     <p>Vieira, Joaquim, (1995), O Desenho e o Projecto S&atilde;o o Mesmo?, Faculdade    de Arquitectura da Universidade do Porto, p. 27.</p>     <p>Bonsiepi, Gui, (1975), Teoria e Pr&aacute;tica do Design Industrial, Ed. Centro    Potugu&ecirc;s do Design, 1&ordf; ed. portuguesa 1992, Lisboa, p. 205.</p>     <p>Christopher Alexander citado por Bonsiepi, in ibidem, p. 204.</p>     <p>Garner, Steve, (1992), Digital Product Design, in <a href="http://www.lboro.ac.uk/departments/ac/tracey/dat/garner.html" target="_blank">http://www.lboro.ac.uk/departments/ac/tracey/dat/garner.html</a>    [Tradu&ccedil;&atilde;o livre]</p>     <p>Branco, Vasco, (2001), (resumo da comunica&ccedil;&atilde;o) &#8220;Desenho,    design e representa&ccedil;&otilde;es computacionais, in Os Desenhos do Desenho,    na Novas Perspectivas sobre Ensino Art&iacute;stico, Edi&ccedil;&atilde;o da    Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o &#8211;    Universidade do Porto, p. 123.</p>     <p>Le Corbusier citado por Joaquim Vieira, in Vieira, Joaquim, (1995), O Desenho    e o Projecto S&atilde;o o Mesmo?, Faculdade de Arquitectura da Universidade    do Porto, p.39.</p>     <p>Bruce Nauman citado por Juan Jos&eacute; Gomez Molina (1995), &#8220;El concepto    de dibujo&#8221;, in Molina, Juan Jos&eacute; G&oacute;mez (org.), Las lecciones    del dibujo, Ed. C&aacute;tedra, Madrid, p. 33. [Tradu&ccedil;&atilde;o livre]</p>     <p>Juan Jos&eacute; Gomez Molina in ibidem, p. 34. [Tradu&ccedil;&atilde;o livre]</p>     <p>Richard Serra, (1992), entrevistado por Nicholas Serota e David Silvester,    in Richard Serra: Weight and Mesure, London, Tate Galery, pp.21-22.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Calvino, Italo, (1985), Palomar, Editorial Teorema, Lisboa, pp. 117-118&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-9911200900020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup>[<a href="#top*">*</a>]<a name="*"></a></sup>O texto que se segue foi    apresentado, numa primeira versão (menos extensa) no Congresso Internacional    em Artes, Novas Tecnologias e Comunicação, a 12 de Outubro de 2009, em Aveiro    - a convite do Professor Doutor Marcos Rizoli (Universidade Mackenzie), da organização    do CIANTEC III, evento realizado em parceria com as Universidades Mackenzie    e Universidade de São Paulo (USP) ambas do Brasil e a Universidade de Aveiro    (UA) de Portugal. </p>     <p><sup>[<a href="#top1">1</a>]<a name="1"></a></sup> Poderíamos citar uma infinidade    de autores/arquitectos/artistas/designers, os nomes aqui colocados são da nossa    escolha por serem facilmente reconhecidos, isto é, por pertencerem ao que entendemos    como universo imagético comum.      <p><sup>[<a href="#top2">2</a>]<a name="2"></a></sup> Pina Manique, intendente    geral da Polícia, empregou todos os esforços para desenvolver em Portugal o    gosto pelas artes plásticas, e para isso criou na Casa Pia uma aula de desenho    (aula do nú). Procurou os melhores artistas para a academia, Joaquim Machado    de Castro, Joaquim Carneiro e Pedro Alexandrino. Em 24 de Dezembro de 1787,    na casa Pia, numa sessão académica, a que assistiu toda a corte, Manique quis    que se mostrasse ao público as vantagens do desenho. Foi Machado de Castro o    encarregado de apresentar o “Discurso sobre as utilidades do Desenho”.      <p><sup>[<a href="#top3">3</a>]<a name="3"></a></sup> Apesar de apenas destacarmos    dois autores/designers, não podemos deixar aqui de referir nomes como Baxter,    Pugh, Moraes e Mont´Alvão, Pahl e Beitz e Meister na contribuição de propostas    de metodologia do design.      <p><sup>[<a href="#top4">4</a>]<a name="4"></a></sup> Neste apêndice concentramos    a nossa atenção no ensino do desenho tradicional, que é dizer – o desenho da    manualidade, analógico e sem “renderização”.      <p>&nbsp;     <p><b>Nota Curricular</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="0"></a><a href="#top0">**</a>Paula Tavares</b> exerce como Professora    Adjunta (equiparada) Escola Superior Tecnologia do Instituto Polit&eacute;cnico    do C&aacute;vado e do Ave, onde &eacute; Directora do Departamento de Design.    Formada em Desenho (ESAP) e em Artes Pl&aacute;sticas-Pintura (FBAUP), doutorou-se    em Belas Artes (FBAP_UVigo) com a disserta&ccedil;&atilde;o &#8220;As complexas    rela&ccedil;&otilde;es entre a arte e a pol&iacute;tica na cultura ocidental.    A arte pol&iacute;tica como contradi&ccedil;&atilde;o institucional&#8221;.  </p>     <p>Lecciona desde 1999 disciplinas / unidades curriculares de Desenho, desenvolvendo    investiga&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m, nesta &aacute;rea. Foi Assistente    Convidada na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (99/04) e Assistente    na Escola Superior Art&iacute;stica do Porto, institui&ccedil;&atilde;o com    a qual mant&eacute;m colabora&ccedil;&atilde;o (ESAP_Guimar&atilde;es).</p>     <p>Como artista exp&otilde;e e participa em eventos desde os anos noventa, estando    representada em v&aacute;rias publica&ccedil;&otilde;es, assim como em v&aacute;rias    colec&ccedil;&otilde;es de arte contempor&acirc;nea.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Calvino]]></surname>
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<year>1985</year>
<page-range>117-118</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
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