<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-107X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Motricidade]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Motri.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-107X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Edições Desafio Singular]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-107X2008000400001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ruben Gonçalves]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<volume>4</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>3</fpage>
<lpage>3</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-107X2008000400001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-107X2008000400001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-107X2008000400001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nos dias que correm, existe um certo consenso sobre algumas considera&ccedil;&otilde;es,    repetidas sobretudo pelos pol&iacute;ticos e fazedores de opini&atilde;o acerca    do papel da Investiga&ccedil;&atilde;o (I&amp;D) na sociedade.</p>     <p>   Efectivamente, todos n&oacute;s concordamos:</p>     <p>   - Que a investiga&ccedil;&atilde;o, a procura do conhecimento,   o desenvolvimento e a inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o essenciais   ao crescimento econ&oacute;mico e social de um Pa&iacute;s;</p>     <p>   - Que os investigadores e as institui&ccedil;&otilde;es de   investiga&ccedil;&atilde;o devem, cooperativamente com o grupo   empresarial, definir e delimitar formas estrat&eacute;gicas   cada vez mais estreitas de coopera&ccedil;&atilde;o;</p>     <p>   - Que &eacute; essencial cada vez mais, atrair jovens para a   &aacute;rea das tecnologias e que o n&uacute;mero ainda muito   reduzido de doutorados, em especial nas escolas   p&uacute;blicas e nas empresas, justifica um esfor&ccedil;o de   crescimento profundo e determinado nesta direc&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>   Mas, para quem se preocupa com este tema,   a pergunta que surge &eacute;: Como fazer?</p>     <p>   Como conseguir que estas afirma&ccedil;&otilde;es passem de um conjunto   de &#8220;generalidades e banalidades&#8221; a compromissos   claros de profici&ecirc;ncia para com o desenvolvimento?</p>     <p>   Falamos do desenvolvimento de uma cultura cient&iacute;fica   que, apesar de tudo, &eacute; profundamente estranha ao Pa&iacute;s.   Considere-se o reduzido n&uacute;mero de licenciados na for&ccedil;a   de trabalho e o elevado abandono do ensino Secund&aacute;rio   para perceber onde se encontram as preocupa&ccedil;&otilde;es   da generalidade da nossa popula&ccedil;&atilde;o. As perspectivas   de desemprego v&atilde;o aumentar nos pr&oacute;ximos tempos,   vida dif&iacute;cil est&aacute; para chegar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Mesmo no nosso burgo acad&eacute;mico, seja-me permitida   a generaliza&ccedil;&atilde;o, onde parte da nossa intelig&ecirc;ncia se   agrupa, esta &#8220;estranheza cultural&#8221; &eacute; tamb&eacute;m factual   e real. Atente-se na resist&ecirc;ncia oferecida pela conservadora   Academia ao processo de Bolonha como recente   ilustra&ccedil;&atilde;o. Felizmente parece-nos que foi ultrapassada.   Sendo certo que, no nosso Pa&iacute;s, um importante   historial de I&amp;D reside nas universidades p&uacute;blicas,   e que nas defini&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias   de desenvolvimento os seus acad&eacute;micos s&atilde;o   sistematicamente implicados, nas mais diversas &aacute;reas,   logo se percebe porque tudo continua sem mudar.</p>     <p>   E apesar das nossas crescentes dificuldades,   nada se faz para tratar as &#8220;ra&iacute;zes do problema&#8221;:</p>     <p>   - N&atilde;o existem programas de fomento / atrac&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica t&atilde;o cedo quanto o 1.&ordm; ciclo de forma&ccedil;&atilde;o;  </p>     <p>- N&atilde;o existem pol&iacute;ticas de Empreendedorismo nas escolas de forma    prof&iacute;cua e continuada; </p>     <p>- As Universidades (e aqui as p&uacute;blicas s&atilde;o, por motivos hist&oacute;ricos,    as &uacute;nicas relevantes) n&atilde;o se renovam, n&atilde;o t&ecirc;m plano    estrat&eacute;gico que n&atilde;o seja o da gest&atilde;o corrente de tesouraria,    sem preocupa&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o das actividades de    I&amp;D ou at&eacute; da qualidade do ensino e, apesar dos seus enormes or&ccedil;amentos    de funcionamento, continuam a ser geridas por conselhos amadores; </p>     <p>- Os Institutos p&uacute;blicos (de I&amp;D) s&atilde;o dissolvidos com a mesma    coer&ecirc;ncia com que foram criados, atrav&eacute;s de sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o    &#8211; responsabiliza&ccedil;&atilde;o pouco transparentes, que o pr&oacute;prio    estado n&atilde;o questiona; </p>     <p>- Os programas que visam a promo&ccedil;&atilde;o do acesso das empresas a    I&amp;D s&atilde;o, por muitas raz&otilde;es, inoperantes: </p>     <p>- O apoio (do estado atrav&eacute;s da FCT) &agrave; I&amp;D est&aacute; longe    de corresponder &agrave; procura, e &agrave;s necessidades do Pa&iacute;s, bastando    apreciar o n&uacute;mero (absurdo) de projectos recusados em cada concurso.</p>     <p>Que potencial cient&iacute;fico poder&aacute; ent&atilde;o servir de base ao    desenvolvimento que todos esperamos? E qual o papel, neste contexto, das Universidades    estatais e privadas? </p>     <p>Grandes mudan&ccedil;as exigem grandes rupturas. Como essas n&atilde;o se antev&ecirc;em,    n&atilde;o se esperem grandes modifica&ccedil;&otilde;es do &#8220;estado da    arte&#8221;, sobretudo nas Universidades. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E as Universidades privadas que, apesar de sempre relegadas pelo poder pol&iacute;tico    para um plano secund&aacute;rio, t&ecirc;m sido uma verdadeira &#8220;pedrada    no charco&#8221; no sistema educativo, podem apenas questionar o actual status    e, nalguns casos, tentar fazer personalizado / / diferente. Mesmo que o acervo    cient&iacute;fico, tecnol&oacute;gico e humano das institui&ccedil;&otilde;es    p&uacute;blicas seja incomensuravelmente maior. </p>     <p>Por outro lado, o pouco que institui&ccedil;&otilde;es como a Funda&ccedil;&atilde;o    T&eacute;cnica e Cient&iacute;fica do Desporto t&ecirc;m, pode e deve ser maximizado    e utilizado na perspectiva dos resultados, com permanente avalia&ccedil;&atilde;o    dos processos. </p>     <p>E neste quadro, os privados, podem continuar a contribuir seriamente para o    fomento da I&amp;D n&atilde;o s&oacute; pelos exemplos que fornecem, como pelos    resultados que conseguem. Desde que &agrave; sua dimens&atilde;o e, obviamente,    n&atilde;o caindo na tenta&ccedil;&atilde;o de querer replicar os modelos p&uacute;blicos    de organiza&ccedil;&atilde;o e funcionamento cuja profici&ecirc;ncia est&aacute;    bem demonstrada. </p>     <p>Pensar e ser diferente pela positiva tem que ser o &oacute;nus do caminho que    nos rege para o futuro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b> Ruben Gon&ccedil;alves Pereira </b></p>      ]]></body>
</article>
