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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Relação da prática de exercícios físicos e fatores associados às regulações motivacionais de adolescentes brasileiros]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Relationship between physical exercise practice and associated factors to motivational regulations of Brazilians adolescents]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Estado de Santa Catarina Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício Centro de Ciências da Saúde e do Esporte]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Based on Self-Determination Theory (SDT; Deci & Ryan, 1985), this study investigated the relationship between physical exercise, motivational regulations and associated factors in adolescents. We conducted a cross-sectional study involving 471 adolescents aged 14 to 18 years old, students at a public school in Florianópolis/SC, Brazil. Questionnaires were used to conduct the survey and the data was analyzed by descriptive and inferential statistics. Boys were more active and more self-determined for physical exercise than girls. For both genders the internal motivations and the self-determination were positively associated with physical exercise. The older and overweight girls had higher identified regulation. Among boys, students who are overweight were more amotivated and less intrinsically motivated. All students, adolescents who are studying in the afternoon period showed a higher baseline of self-determination. The study concluded that adolescents more self-determined did more physical exercise regularly. Also the study showed that there are factors associated with the motivational regulations and that there are differences between girls and boys.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[adolescente]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[atividade física]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[motivação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[teoria da autodeterminação]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[self-determination theory]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
		    <p>
			<b>Relação da prática de exercícios físicos e fatores associados às regulações motivacionais de adolescentes brasileiros</b>
		</p>
		    <p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			<b>R.B. Silva<sup>I</sup>,</b>
			<b>T.S. Matias<sup>I</sup>,</b>
			<b>M.S. Viana<sup>I</sup>,</b>
			<b>A. Andrade<sup>I</sup></b>
		</p>
		
		    <p>
			<sup>I</sup> Laboratório de Psicologia do Esporte e do Exercício – LAPE; Centro de Ciências da Saúde e do Esporte – CEFID; Universidade do Estado de 
			Santa Catarina – UDESC, Florianópolis, Brasil. <br />
		</p>
		
		    <p><i><a name="top0"></a><a href="#0">Endereço para correspondência</a></i></p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>RESUMO</b></p>
		
		    <p>
			Com base na Teoria da Autodeterminação (TAD; Deci &amp; Ryan, 1985), o presente estudo objetivou investigar as relações entre a prática de exercícios físicos e 
			suas regulações motivacionais, bem como os fatores associados a estas em estudantes adolescentes. Realizou-se um estudo transversal com a participação de 
			471 adolescentes de 14 a 18 anos de idade, estudantes de uma escola pública estadual no município de Florianópolis/SC, Brasil. Questionários foram utilizados
			para a realização da pesquisa e os dados foram tratados com estatística descritiva e inferencial. Meninos foram mais ativos e mais autodeterminados para a 
			prática de exercícios físicos do que as meninas. Para ambos os sexos as regulações motivacionais mais internas, bem como o índice de autodeterminação, 
			estiveram associados positivamente com a prática de exercícios físicos. Meninas com maior idade e com presença de sobrepeso apresentaram maior regulação 
			identificada. Entre os meninos, os estudantes com sobrepeso mostraram-se mais amotivados e menos motivados intrinsecamente. De maneira geral, adolescentes 
			que estudam no período vespertino apresentaram um maior índice de autodeterminação. Conclui-se que adolescentes mais autodeterminados praticam mais 
			exercícios físicos regularmente. Destacam-se ainda os fatores associados à motivação e a existência de diferenças entre meninas e meninos nas relações 
			entre as variáveis investigadas.
		</p>
		    <p><i>Palavras-chave:</i> adolescente, atividade física, motivação, teoria da autodeterminação</p>
		
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Relationship between physical exercise practice and associated factors to motivational regulations of Brazilians adolescents</b></p>
		
		    <p><b>ABSTRACT</b></p>
		
		    <p>
			Based on Self-Determination Theory (SDT; Deci &amp; Ryan, 1985), this study investigated the relationship between physical exercise, motivational regulations 
			and associated factors in adolescents. We conducted a cross-sectional study involving 471 adolescents aged 14 to 18 years old, students at a public school
			in Florianópolis/SC, Brazil. Questionnaires were used to conduct the survey and the data was analyzed by descriptive and inferential statistics. Boys were
			more active and more self-determined for physical exercise than girls. For both genders the internal motivations and the self-determination were 
			positively associated with physical exercise. The older and overweight girls had higher identified regulation. Among boys, students who are overweight 
			were more amotivated and less intrinsically motivated. All students, adolescents who are studying in the afternoon period showed a higher baseline of 
			self-determination. The study concluded that adolescents more self-determined did more physical exercise regularly. Also the study showed that there are 
			factors associated with the motivational regulations and that there are differences between girls and boys.
		</p>
		    <p><i>Keywords:</i> adolescents, physical activity, motivation, self-determination theory</p>
		    <p>&nbsp;</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>
			Dentre os fatores fundamentais para uma boa qualidade de vida e prevenção de doenças, está a prática de atividades físicas (Alves, Montenegro, Oliveira, 
			& Alves, 2005). Nesse sentido, há evidências que o sedentarismo tem sido um dos maiores problemas de saúde pública das sociedades modernas, atingindo cada
			vez mais a população de adolescentes (Seabra, Mendonça, Thomis, Anjos, &amp; Maia, 2008). Nessa fase do desenvolvimento a prática de atividades 
			físico-esportivas é fundamental, pois favorece a adoção de um estilo de vida ativo e saudável, hábito este que tende a permanecer na vida adulta 
			(Azevedo Júnior, Araújo, Silva, &amp; Hallal, 2007; Perkins, Jacobs, Barber, &amp; Eccles, 2004).
		</p>
		
		    <p>
			Entretanto, estudos confirmam a tendência de redução nos níveis de atividade física durante a adolescência, e que essa redução se deve tanto a fatores 
			biológicos (Sallis, 2000) quanto a fatores psicossociais (Seabra et al., 2008). Tal problemática tem preocupado pesquisadores de diferentes áreas, que 
			buscam melhor compreender a aderência dos jovens às práticas de exercícios físicos e desta forma intervir mais positivamente na busca de um estilo de vida
			mais ativo para esta população. 
		</p>
		
		    <p>
			Embora a prática de exercícios físicos seja entendida pela população em geral como um dos principais fatores para manutenção da saúde (Siqueira et al., 
			2009), uma grande parcela não a pratica com a mínima frequência recomendada, o que demonstra a complexidade dessa questão. Nos domínios da Psicologia do 
			Esporte e do Exercício a motivação tem sido um dos principais temas pesquisados (Gomes, Coimbra, Garcia, Miranda, &amp; Barra Filho, 2007), pois tem em sua 
			essência o estudo das regulações que impedem ou facilitam a prática de comportamentos (Ryan &amp; Deci, 2000). As investigações conduzidas nessa área ao 
			longo das últimas décadas têm como principal objetivo compreender os fatores sociais e intra-individuais que inibem ou facilitam a motivação para a 
			prática de exercícios físicos (Blanchard, Mask, Vallerand, Sablonnière, &amp; Provencher, 2007).
		</p>
		
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>
			Na atualidade, especialmente durante a última década, vem se destacando a Teoria da Autodeterminação (TAD; Deci &amp; Ryan, 1985) como uma possibilidade mais 
			detalhada para o estudo dos aspectos motivacionais que envolvem a prática de exercícios físicos. Com a TAD, Deci e Ryan introduzem uma subteoria 
			denominada Teoria da Integração do Organismo, estabelecendo a motivação de maneira contínua, caracterizada por diferentes níveis de autodeterminação 
			(regulações motivacionais). Este continuum inclui a motivação intrínseca, a motivação extrínseca e suas diferentes regulações, e a amotivação, 
			respectivamente da mais para a menos autodeterminada (Figura 1).
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02f1.jpg"></p>
		    
<p>
			<i>Figura 1.</i> Continuum da Autodeterminação mostrando os tipos de motivações com seus tipos de regulação e os processos reguladores correspondentes 
			(adaptado de Decy &amp; Ryan, 2000)
		</p>
		    <p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			Esclarecendo a Figura 1, na extrema esquerda encontra-se a amotivação, que é um estado caracterizado pela falta de intenção, se associando assim à ausência
			de motivação. Nesse caso, a pessoa não percebe os motivos para o início ou continuidade da atividade (Fernandes &amp; Vasconcelos-Raposo, 2005). A seguir no 
			quadro, à direita da amotivação, está a mais externa das motivações extrínsecas, a regulação externa. Esta é a regulação em que a pessoa é influenciada 
			por fatores externos, executando a ação para receber recompensas ou evitar punições (Deci &amp; Ryan, 2000). Na sequência, mais à direita, encontra-se a 
			regulação introjetada, onde a regulação envolve situações conflituosas e os comportamentos são influenciados por pressões internas, como a culpa e a 
			ansiedade (Fernandes &amp; Vasconcelos-Raposo, 2005). O próximo estágio, mais interno, é a regulação identificada, onde o indivíduo considera a atividade 
			importante e aprecia os resultados e benefícios que ela pode lhe proporcionar (Deci &amp; Ryan, 2000). A forma mais autodeterminada da motivação extrínseca é 
			a regulação integrada, a qual não envolve só a identificação para a importância da atividade, mas também a integração dessas identificações com sua maneira
			de pensar, contendo assim algumas características da motivação intrínseca (Ryan &amp; Deci, 2000). Finalizando, na extrema direita do continuum está a 
			motivação intrínseca, onde a atividade é praticada por conta do prazer, da satisfação e do divertimento que ela proporciona. Nesse caso, a regulação é 
			exclusivamente interna, sem qualquer tipo de influência externa (Murcia &amp; Coll, 2006).
		</p>
		
		    <p>
			Teoricamente, pessoas mais autodeterminadas estão mais propensas a se envolverem em determinados comportamentos do que as com baixa autodeterminação 
			(Deci &amp; Ryan, 2000). No campo da Psicologia do Esporte e do Exercício tais pressupostos têm se confirmado, pois pesquisas verificam que quem é mais 
			autodeterminadas para a prática de exercícios físicos tem maior participação nestas atividades (Fernandes, Vasconcelos-Raposo, Lázaro, &amp; Dosil, 2004; 
			Brickell &amp; Chatzisarantis, 2007; Edmunds, Ntoumanis, &amp; Duda, 2006; Ntoumanis, 2005). Sendo assim, conhecer a motivação dos adolescentes para a prática 
			de exercícios físicos é fundamental na tentativa de fundamentar o estudo e a adaptação dos modelos de intervenção mencionados na literatura, levando em 
			consideração as características do contexto social brasileiro.
		</p>
		
		    <p>
			Embora a TAD tenha sido publicada a mais de duas décadas e seja amplamente estudada no campo dos esportes e exercícios físicos em pesquisas realizadas na 
			América do Norte, Europa e Oceania, só recentemente ela tem sido aplicada em pesquisas com populações brasileiras (Viana, Andrade, &amp; Matias, 2010, Viana, 
			2009; Vissoci, Vieira, Oliveira, &amp; Vieira, 2008), o que demonstra a necessidade de novos estudos e justifica a realização de pesquisas nessa área.
		</p>
		
		    <p>
			Considerando a relevância do conhecimento da motivação de adolescentes para a prática de exercícios físicos e a necessidade de estudos sobre a TAD 
			aplicada a outras realidades ainda pouco conhecidas, este estudo objetivou investigar as relações entre a prática de exercícios físicos e suas 
			regulações motivacionais, bem como os fatores associados a estas em estudantes adolescentes brasileiros.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>MÉTODO</b></p>
		
		    <p>
			Trata-se de uma pesquisa descritiva de campo, do tipo transversal e correlacional (Thomas &amp; Nelson, 2002).
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Amostra</b></p>
		
		    <p>
			Participaram do estudo 471 adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, estudantes de uma escola pública estadual no município de Florianópolis/SC, Brasil.
			A amostra foi do tipo nãoprobabilística intencional. A instituição de ensino escolhida para a realização da pesquisa tem características especiais, pois 
			abriga um grande número de alunos de diversas classes sociais e de diferentes cidades da região da Grande Florianópolis.
		</p>
		
		    <p>
			A maior parte da amostra é representada por estudantes do sexo feminino (n = 270, 57.7%), sendo que 3 adolescentes não informaram o sexo. A média de 
			idade dos participantes foi de 15.9 anos, tanto para as meninas (15.9 &plusmn; 0.9) quanto para os meninos (15.9 &plusmn; 1.0). As classes socioeconômicas mais 
			frequentes foram B1 e B2 para ambos os sexos. Quanto à classificação do IMC, meninas e meninos se diferenciaram, havendo maior prevalência de sobrepeso e 
			obesidade entre os meninos (Tabela 1).
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>Tabela 1</p>
		    <p>
			<i>
				Frequência e percentual válido da classificação econômica (CE), classificação do IMC, série e turno de estudo de estudantes adolescentes da amostra 
				geral, meninas e meninos
			</i>
		</p>
		    <p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02t1.jpg"></p>
		    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			Quanto aos dados escolares, a maioria dos estudantes de ambos os sexos estavam matriculados no período vespertino. Entre as meninas predominaram as 
			estudantes da segunda série, enquanto entre os meninos a primeira série do Ensino Médio foi a mais frequente (Tabela 1).
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Instrumentos</b></p>
		
		    <p>
			Para a caracterização sociodemográfica da amostra foi utilizado um questionário baseado em Viana (2009). Foram investigadas informações referentes ao sexo, 
			idade, peso, altura, série e turno de estudo. Foi ainda verificado o índice de massa corporal [IMC = massa (kg)/ altura<sup>2</sup> (m)] dos adolescentes. Este 
			índice foi confrontado com os pontos de corte apresentados por Cole, Bellizzi, Flegal e Dietz (2000) e os adolescentes foram agrupados em grupos sem 
			sobrepeso (eutróficos) e com sobrepeso (pré-obesidade e obesidade).
		</p>
		
		    <p>
			Para a classificação econômica foi utilizado o Critério Padrão de Classificação Econômica Brasil/2008 da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa - 
			ABEP (2008). Esta tem como base os itens existentes na casa dos participantes (TV, geladeira, rádio, etc.) e o nível de escolaridade do chefe da família.
			A somatória dos pontos de cada questão resulta em um escore que representa as classes, agrupadas em três estratos arbitrados para este estudo: classe 
			alta (A1, A2), classe média (B1 e B2) e classe baixa (C1, C2, D). Os resultados de validação indicam que o questionário tem alta relação com a renda 
			familiar (r = .785 e r<sup>2</sup> = 62%).
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><i>Prática de Exercícios Físicos</i></p>
		
		    <p>
			O “Questionário de Avaliação da Atividade Física de Adolescentes" foi desenvolvido e validado por Florindo, Romero, Peres, Silva e Slater (2006) e 
			escolhido por ser um instrumento desenvolvido para adolescentes brasileiros e por priorizar em sua avaliação a prática de exercícios físicos. O 
			questionário tem 17 questões divididas em dois blocos: bloco 1) exercícios físicos (15 questões); e bloco 2) atividades físicas de locomoção à escola
			(2 questões). Ele avalia a atividade física anual do bloco 1 e semanal dos blocos 1 e 2, padronizando o questionário para gerar escores das atividades 
			físicas em minutos/semana e minutos/ano. Para a presente pesquisa foram utilizados os escores anuais, por terem obtido melhores resultados em sua 
			validação e contabilizarem apenas os exercícios físicos e esportes, desconsiderando as atividades de locomoção para a escola, pouco relevantes para esta 
			pesquisa.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Motivação para a Prática de Exercícios Físicos</i></p>
		
		    <p>
			A motivação dos participantes para a prática de exercícios físicos foi avaliada utilizando o Questionário de Regulação de Comportamento no Exercício 
			Físico-2 (Behavioral Regulation in Exercise Questionnaire-2 - BREQ-2; Markland &amp; Tobin, 2004). Tal questionário é baseado na TAD e tem o objetivo de 
			quantificar as diferentes regulações motivacionais, interna e externas, bem como a amotivação, relacionadas à prática de exercícios físicos.
		</p>
		
		    <p>
			O questionário é composto por 19 itens do tipo Likert com 5 opções de resposta (0= não é verdade para mim a 4= muitas vezes é verdade para mim), separadas
			em cinco diferentes construtos: amotivação (ex: "Acho que exercício é uma perda de tempo"), regulação externa (ex: "Faço exercícios porque outras pessoas 
			dizem que devo fazer"), regulação introjetada (ex: "Sintome culpado/a quando não faço exercícios"), regulação identificada (ex: "Dou valor aos benefícios/
			vantagens dos exercícios") e motivação intrínseca (ex: "Gosto das minhas sessões de exercícios"). Utilizou-se também o índice de autodeterminação, que é o 
			escore obtido pela seguinte fórmula: (&minus;3 &times; amotivação) + (&minus;2 &times; regulação externa) + (&minus;1 &times; regulação introjetada) + (2 
			&times; regulação identifica) + (3 &times; regulação intrínseca). O índice pode variar de &minus24 (menor autodeterminação) a 20 (maior autodeterminação).
		</p>
		
		    <p>
			Os testes de consistência interna da escala original obtiveram valores para o alpha de Cronbach superiores a .73, o que demonstra boa consistência interna
			para as diferentes sub-escalas do instrumento. Para este estudo foi utilizada a versão brasileira do BREQ-2 apresentada por Viana (2009), o qual obteve 
			índices de confiabilidade variando entre .62 e .82.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Procedimentos</b></p>
		
		    <p>
			Este estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade do Estado de Santa Catarina (n.&ordm; do protocolo
			134/09). Considerando as normas éticas, os estudantes, ou seus responsáveis quando o participante tinha menos de 18 anos, tiveram de assinar os Termos 
			de Consentimento Livre e Esclarecido para participação na pesquisa.
		</p>
		
		    <p>
			As coletas foram feitas no segundo semestre de 2009, em sala de aula, sempre com a presença de dois pesquisadores responsáveis pela pesquisa. Como sugerido
			pela direção da instituição de ensino, foram utilizados para a coleta dos dados os horários das aulas de Educação Física. Os questionários foram entregues
			aos alunos e uma explicação sobre o modo de respondê-los foi realizada. Durante o preenchimento dos instrumentos os pesquisadores estiveram presentes para
			o esclarecimento de possíveis dúvidas na interpretação das questões.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Análise Estatística</b></p>
		
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>
			O tratamento dos dados foi realizado em duas etapas. Na primeira etapa foi realizada a estatística descritiva, com verificação da distribuição dos dados,
			por meio das curtoses, assimetrias e do teste de Kolmogorov-Smirnov (K-S), e cálculos de frequências, percentuais, médias e desvios padrão.
		</p>
		
		    <p>
			Em seguida realizou-se a estatística inferencial, onde se optou por análises não-paramétricas considerando a distribuição dos dados. Para as comparações 
			de amostras independentes foram utilizados os testes de Mann-Whitney para comparação de dois grupos, e Kruskal-Wallis para comparação de mais de dois grupos. 
			Para correlação dos dados escalares foi utilizada correlação de Spearman (?). O nível de significância estabelecido foi de ? = .05, para todas as análises (p 
			&lt; .05).
		</p>
		
		    <p>
			Considerando que meninas e meninos se diferenciaram quanto às principais variáveis em estudo, prática de exercícios físicos e regulações motivacionais, as
			análises foram realizadas dividindo o banco de dados por sexo
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>RESULTADOS</b></p>
		
		    <p>
			A Tabela 2 apresenta os dados gerais relacionados à média, desvio padrão, assimetria, curtose e resultado do teste de K-S das variáveis dependentes do 
			estudo. Em relação às regulações motivacionais, verificam-se médias mais elevadas para as regulações internas, contrastando com os baixos níveis de 
			amotivação e regulação externa. Os dados de assimetria e curtose, elevados para aproximadamente a metade das variáveis (&ne; 0) sugeriram a utilização 
			de estatísticas não-paramétricas, confirmadas pelos resultados do K-S (p &lt; .05).
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>Tabela 2</p>
		    <p>
			<i>
				Média (M), desvio padrão (DP), assimetria, curtose e K-S da quantidade anual de exercícios físicos, regulações motivacionais e índice de 
				autodeterminação de estudantes adolescentes
			</i>
		</p>
		    <p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02t2.jpg"></p>
		    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			Verificaram-se diferenças entre meninas e meninos em relação à prática de exercícios físicos e às regulações motivacionais (Tabela 3). Meninos praticaram 
			significativamente mais exercícios físicos do que as meninas, com aproximadamente 8.000 minutos anuais a mais em média. Em relação às variáveis 
			motivacionais, meninas apresentaram maior regulação introjetada e menor motivação intrínseca e índice de autodeterminação do que os meninos, resultados 
			que demonstram que estes são mais autodeterminados para a prática de exercícios físicos do que aquelas.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>Tabela 3</p>
		    <p>
			<i>
				Média (M), desvio padrão (DP) da quantidade anual de exercícios físicos, regulações motivacionais e índice de autodeterminação de meninas e meninos 
				estudantes adolescentes
			</i>
		</p>
		    <p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02t3.jpg"></p>
		    
<p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			A quantidade de exercícios físicos esteve relacionada às diferentes regulações motivacionais e índice de autodeterminação (Tabela 4). Porém, é possível 
			perceber algumas diferenças entre os sexos. Enquanto para as meninas a motivação intrínseca foi a variável mais fortemente relacionada à quantidade anual
			de exercícios físicos, para os meninos esta esteve mais relacionada à regulação identificada. Observa-se ainda, em relação ao sexo, que nas meninas a 
			prática de exercícios correlacionou-se negativamente com amotivação e positivamente com a regulação introjetada. Nos meninos a prática de exercícios 
			físicos correlacionou-se negativamente com a regulação externa.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><a name="topf4"></a></p>
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#f4">Tabela 4</a></p>
		    <p>
			<i>
				Correlação (&rho;) entre a quantidade anual de exercícios físicos, regulações motivacionais e índice de autodeterminação de estudantes adolescentes 
				(resultados das meninas na diagonal inferior e dos meninos na diagonal superior)
			</i>
		</p>
		    <p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02t4.jpg"></p>
		    
<p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			As regulações motivacionais se correlacionaram coerentemente, havendo poucas diferenças entre as meninas e os meninos. 
		</p>
		
		    <p>
			As regulações se relacionam positivamente com os construtos mais próximos, e negativamente com os mais distantes, demonstrando a existência de um 
			continuum. Quanto à correlação das regulações motivacionais com o índice de autodeterminação, conforme o esperado as regulações externas se relacionam 
			negativamente, e as mais internas positivamente com o índice (<a name="f4"></a><a href="#topf4">Tabela 4</a>).
		</p>
		
		    <p>
			Quanto às variáveis associadas às regulações motivacionais das meninas (Tabela 5), verificou-se que as estudantes do grupo com maior idade e com presença
			de sobrepeso apresentaram maior regulação identificada. Em relação ao turno, as matriculadas no período matutino apresentaram maior regulação introjetada,
			enquanto as do período vespertino foram mais motivadas intrinsecamente e apresentaram um maior índice de autodeterminação. Classe econômica e série de 
			estudo não estiveram associadas às regulações motivacionais para as meninas.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>Tabela 5</p>
		    <p>
			<i>
				Regulações motivacionais e índice de autodeterminação (M &plusmn; DP) de meninas estudantes adolescentes em função da faixa etária, classes econômicas (CE), 
				presença de sobrepeso, série e turno de estudo
			</i>
		</p>
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02t5.jpg"></p>
		    
<p>&nbsp;</p>
		
		    <p>
			Entre os meninos (Tabela 6), os estudantes com sobrepeso mostraram-se mais amotivados e menos motivados intrinsecamente do que os sem sobrepeso. Turno de 
			estudo esteve associado ao índice de autodeterminação, sendo que os estudantes do período vespertino foram mais autodeterminados. Idade, classe econômica 
			e série de estudo não estiveram associadas às regulações motivacionais para os meninos.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>Tabela 6</p>
		    <p>
			<i>
				Regulações motivacionais e índice de autodeterminação (M &plusmn; DP) de meninos estudantes adolescentes em função da faixa etária, classes econômicas (CE), 
				presença de sobrepeso, série e turno de estudo
			</i>
		</p>
		    <p><img src="/img/revistas/mot/v8n2/8n2a02t6.jpg"></p>
		    
<p>&nbsp;</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>DISCUSSÃO</b></p>
		
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>
			Este estudo teve como principal objetivo investigar as relações entre a prática de exercícios físicos e suas regulações motivacionais, bem como os fatores
			associados a estas em estudantes adolescentes de uma escola pública do município de Florianópolis/SC, Brasil. A motivação foi investigada com base na TAD 
			(Deci &amp; Ryan, 1985), a qual para Ntoumanis (2001 como citado em Fernandes &amp; Vasconcelos-Raposo, 2005, p. 392) tem sido bem sucedida em sua aplicação no 
			contexto da Educação Física.
		</p>
		
		    <p>
			Apesar da TAD ser bastante visada quando o assunto é motivação e prática de exercícios físicos, no Brasil ela pouco foi aplicada no campo da Educação 
			Física e mais especificamente nas áreas da Psicologia do Esporte e do Exercício. A maior parte dos estudos publicados no país, sobre a temática, foram 
			escritos por autores portugueses e espanhóis que investigaram populações européias (Fernandes &amp; Vasconcelos-Raposo, 2005; Murcia, Blanco, Galindo, 
			Vullodre, &amp; Coll, 2007; Murcia &amp; Coll, 2006). Especificamente com adolescentes brasileiros, destacam-se três produções atuais. Duas que investigaram as 
			relações da TAD e seus fundamentos com a prática de exercícios físicos na adolescência (Viana et al., 2010; Viana, 2009) e uma terceira que relacionou os 
			pressupostos da TAD com a prática de exercícios físicos e a percepção de saúde mental dos adolescentes (Matias, 2010). Apesar das iniciativas com 
			populações de adolescentes brasileiros, salienta-se a necessidade de diversificações das pesquisas, pois estas estão sendo conduzidas pelos mesmos 
			pesquisadores e equipes de pesquisa.
		</p>
		
		    <p>
			Quanto à prática de exercícios físicos, os dados corroboram com outros estudos nacionais que apontam que a população de adolescentes do sexo masculino é 
			mais ativa fisicamente do que a do sexo feminino (Silva, Nahas, Hoefelmann, Lopes, &amp; Oliveira, 2008; Souza &amp; Duarte, 2005; Vasques &amp; Lopes, 2009). Porém, 
			é importante se considerar que pesquisas que diferenciam a prática de exercícios físicos em diferentes domínios (lazer, deslocamento, trabalho, doméstico,
			etc) podem apresentar resultados contrários a esta tendência em adolescentes. Del Duca et al. (2009), por exemplo, verificaram que mulheres eram mais 
			sedentárias do que os homens nos ambientes de lazer e trabalho, mas praticavam mais atividades físicas nas atividades domésticas.
		</p>
		
		    <p>
			As diferenças entre os sexos não são exclusivamente biológicas, mas também influenciadas pelo contexto social. Há que se destacar ainda, como observado 
			em Seabra et al. (2008), que a concepção de corpo, a qual está associada à prática de exercícios físicos muitas vezes não se enquadra no modelo de corpo 
			feminino entendido como ideal pela sociedade. Neste caso, Seabra et al. (2008) evidencia as influências culturais, que privilegiam em muitos casos a 
			prática de exercícios físicos para os meninos. Reflete-se então, até que ponto as interações culturais podem influenciar ou impedir na predisposição 
			motivacional de meninas para a prática de exercícios físicos. No presente estudo, meninas apresentaram maior regulação introjetada, e menor motivação 
			intrínseca e índice de autodeterminação do que os meninos. A literatura sugere que os meninos têm mais prazer ao praticar exercícios físicos, enquanto as 
			meninas se pressionam mais internamente para a realização destas atividades (Markland &amp; Ingledew, 2007; Ntoumanis, 2005; Viana, 2009). Embora existam 
			estudos que indicam o contrário, como Murcia, Gimeno e Coll (2007), os estudos revisados acima têm verificado que os meninos apresentam resultados 
			superiores para as regulações motivacionais mais internas. 
		</p>
		
		    <p>
			Viana (2009), ao comparar estudos realizados com população de adolescentes e adultos, observa que há uma tendência para que os meninos sejam mais 
			autodeterminados que as meninas durante a adolescência, enquanto na vida adulta há evidências que as mulheres são mais autodeterminadas que os homens. 
			Há que se considerar o fato de serem ainda limitadas as pesquisas brasileiras embasadas na TAD, e que a maior parte dos dados aqui discutidos são de 
			pesquisas internacionais, sendo importante a realização de novos estudos sobre as diferenças na autodeterminação de adolescentes do sexo feminino e 
			masculino. É fundamental compreender tais diferenças, tendo em vista que o fato de meninas e meninos terem um perfil motivacional diferente interfere 
			sobre o modo com que os profissionais de Educação Física devem atuar junto a estes dois grupos. 
		</p>
		
		    <p>
			As relações positivas da quantidade de exercícios físicos com as regulações mais internas sugerem que adolescentes mais auto-determinados praticam mais 
			exercícios físicos do que os com baixa autodeterminação. Esses resultados corroboram com os pressupostos da TAD (Deci &amp; Ryan, 1985; Ryan &amp; Deci, 2000) e 
			estudos recentes na área da Psicologia do Esporte e do Exercício com populações diversas (Brickell &amp; Chatzisarantis, 2007; Edmunds et al., 2006; Ntoumanis,
			2005; Wilson &amp; Rodgers, 2004; Fernández et al., 2004). Vale destacar a pesquisa de Fernández et al. (2004), a qual investigou modelos teóricos da 
			motivação para o contexto da Educação Física em adolescentes escolares. O estudo observou relações entre as diferentes regulações motivacionais e a 
			intenção de praticar atividades físicas, porém a análise multivariada indicou que somente a motivação intrínseca predisse significativamente a intenção 
			de se exercitar fora das aulas de Educação Física. Ainda segundo os autores, a relação entre exercício físico e motivação se mostra intimamente ligada a 
			fatores sociais e a mediadores psicológicos. A partir de seus resultados, os mesmos sugerem que os profissionais de Educação Física devem centrar sua 
			prática na promoção do aprendizado cooperativo, além de não deixar de possibilitar aos seus alunos um espaço para a escolha das atividades que mais lhe 
			agrade.
		</p>
		
		    <p>
			Sob esses aspectos, é possível lançar mão dos conceitos relacionados às necessidades psicológicas básicas, construtos também presentes na TAD (Ryan &amp; 
			Deci, 2000). Estudos empíricos têm verificado relações entre as necessidades psicológicas básicas, a motivação e os comportamentos frente aos exercícios 
			físicos (Edmunds et al., 2006), de modo que quando supridas tais necessidades os indivíduos aumentam sua autodeterminação e consequentemente se exercitam 
			mais. Com base nesse pressuposto, professores de Educação Física interessados em promover a prática de exercícios físicos entre seus alunos devem 
			considerar: a importância da autonomia na prática, que não deve ser realizada como uma obrigação; a necessidade de os alunos se sintam competentes para 
			desempenhar a atividade; e que sejam valorizados por outras pessoas ou a prática facilite a criação de vínculos sociais positivos. Uma abordagem que leve 
			em consideração esses aspectos tornará o adolescente mais motivado, e consequentemente favorecerá a sua aderência aos exercícios físicos (Wilson, Rodgers,
			Blancharad, &amp; Gessel, 2003).
		</p>
		
		    <p>
			Meninas e meninos se diferenciaram em algumas das relações entre a prática de exercícios físicos e as regulações motivacionais. Para as meninas, a 
			regulação introjetada se relacionou positivamente com a quantidade de exercícios físicos, o que não aconteceu para os meninos. Deste modo, as pressões 
			internas são relevantes para as meninas e não para os meninos na aderência à prática de exercícios físicos. Por outro lado, a regulação externa esteve 
			relacionada negativamente com a prática de exercícios físicos apenas entre os meninos, demonstrando que para eles as interferências externas podem ser 
			prejudiciais à prática. Considerando o fato dos meninos serem mais autodeterminados, ou seja, têm mais prazer pela prática de exercícios físicos, 
			espera-se que para eles as influências externas sejam mais prejudiciais, enquanto para as meninas o sentimento de obrigação também é importante na 
			decisão de se envolver em uma prática, considerando que são menos autodeterminadas. Ressalta-se que estas relações nas quais meninas e meninos se 
			diferenciaram foram fracas e, portanto, não conclusivas.
		</p>
		
		    <p>
			As meninas com idade superior apresentaram maior regulação identificada do que as mais jovens, diferenças que não são observadas nas demais regulações 
			motivacionais e entre os meninos. Em estudos também realizados com adolescentes, Murcia et al. (2007b) e Viana (2009) não verificaram relação entre idade 
			e autodeterminação. Por outro lado, estudando indivíduos de diferentes faixas etárias, Murcia et al. (2007a) e Muyor, Águila, Silicia e Orta (2009) 
			verificaram que os com maior idade eram mais autodeterminados para a prática de exercícios físicos do que os mais jovens. Esses resultados sugerem que 
			grupos de idades próximas, como os adolescentes aqui investigados, tendem a não se diferenciar, ao contrário do que acontece quando comparados grupos 
			de idades mais distantes. A realização de estudos que compreendam idades mais abrangentes podem melhor esclarecer essas diferenças, comparando jovens, 
			adultos e idosos, por exemplo.
		</p>
		
		    <p>
			Adolescentes de diferentes classes econômicas, tanto meninas quanto meninos, apresentaram regulações motivacionais e índice de autodeterminação 
			semelhantes. São incomuns os estudos que investigam as características socioeconômicas e suas relações com a auto-determinação para a prática de exercícios
			físicos. Parece importante ser considerado tal fator em estudos que envolvam o tema motivação, pois, como descrito na literatura, a motivação está 
			diretamente associada às necessidades das pessoas (Deci &amp; Ryan, 2000; Feijó, 1998). Embora, assim como no estudo de Viana (2009), não se tenha observado 
			diferenças na autodeterminação para a prática de exercícios físicos de estudantes de diferentes classes econômicas, devido à escassez de estudos fica em 
			aberto essa área de investigação.
		</p>
		
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>
			Apesar dos dados escolares também não receberem destaque na literatura da área, buscou-se verificar se adolescentes de diferentes séries e turnos de 
			estudo apresentavam diferenças em suas regulações motivacionais. Adolescentes de diferentes séries apresentaram regulações motivacionais semelhantes. 
			Quanto ao turno de estudo, os adolescentes matriculados no período vespertino estiveram mais autodeterminados. Considerando esses resultados, 
			especificamente em relação ao turno e autodeterminação para a prática de exercícios físicos, estudos futuros que investiguem com maior profundidade esta 
			questão podem obter resultados mais conclusivos, ainda não possíveis devido às poucas evidências científicas disponíveis na literatura sobre o tema.
		</p>
		
		    <p>
			Meninas com sobrepeso apresentaram maior regulação identificada do que as eutróficas, demonstrando estarem mais motivadas a praticar exercícios físicos 
			por conta de seus benefícios. Entre os meninos, os eutróficos são mais motivados intrinsecamente e menos amotivados do que os com sobrepeso. No estudo de 
			Viana (2009), não foram verificadas relações entre IMC e as diferentes regulações motivacionais. Por outro lado, em Markland e Ingledew (2007) a maior 
			autodeterminação esteve associada a um baixo IMC tanto para meninas quanto para os meninos. Os resultados de Markland e Ingledew (2007) trazem ainda 
			dados coerentes com os verificados no presente estudo, ao observar que meninos mais autodeterminados acreditavam ter proporções corporais abaixo de sua 
			silhueta esperada, enquanto as meninas mais autode-terminadas acreditavam estar acima da sua silhueta ideal. Tais resultados sugerem uma relação complexa,
			onde mais do que as questões físicas ligadas à eutrofia ou ao sobrepeso, a imagem corporal é fundamental nessa relação com a autodeterminação para a 
			prática de exercícios físicos.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>CONCLUSÕES</b></p>
		
		    <p>
			Considerando os resultados e a discussão realizada, considera-se que a pesquisa obteve resultados que colaboram para o preenchimento de uma lacuna da 
			Psicologia do Esporte e do Exercício no Brasil. Considerando o objetivo traçado, têm-se as seguintes conclusões: (i) Estudantes adolescentes mais 
			autodeterminados praticam mais exercícios físicos, pois as regulações motivacionais mais externas se relacionam negativamente com a prática de exercícios
			físicos, enquanto as regulações mais internas se relacionam positivamente; (ii) As regulações motivacionais se relacionam positivamente com as mais 
			próximas e negativamente com as mais distantes, confirmando o continuum da autodeterminação; (iii) Meninos são mais autodeterminados para a prática de 
			exercícios físicos do que as meninas, além de praticarem mais tais atividades; e (iv) Faixa etária, sobrepeso e turno de estudo estão associados a algumas
			das regulações motivacionais, porém existem diferenças entre meninas e meninos.
		</p>
		
		    <p>
			Finalizando, é importante reforçar a existência de diferenças entre meninas e meninos nas relações entre as variáveis investigadas, o que não tem sido 
			considerado em grande parte dos estudos da área da motivação. Essas diferenças devem ser levadas em consideração em estudos futuros que abordem o presente
			tema, pois a análise de meninas e meninos em conjunto pode mascarar importantes diferenças entre as duas populações.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>REFERÊNCIAS</b></p>
		
		    <!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S1646-107X201200020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		</p>
		
		    <!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-107X201200020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1646-107X201200020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1646-107X201200020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1646-107X201200020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1646-107X201200020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1646-107X201200020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1646-107X201200020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1646-107X201200020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
			Silva, K. S., Nahas, M. V., Hoefelmann, L. P., Lopes, A. S., &amp; Oliveira, E. S. (2008). Associações entre atividade física, índice de massa corporal e 
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1646-107X201200020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
			Siqueira, F. V., Nahas, M. V., Facchini, L. A., Silveira, D. S., Piccini, R. X., Tomasi, E., ... &amp; Hallal, P. R. (2009). Fatores considerados pela 
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1646-107X201200020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1646-107X201200020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		</p>
		
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-107X201200020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1646-107X201200020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>
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		</p>
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p>
			<i><a name="0"></a><a href="#top0">Endereço para Correspondência:</a></i>
			Rodrigo Batalha Silva, Centro de Ciências da Saúde e do Esporte – CEFID, Rua Pascoal Simone, 358 – Coqueiros, CEP: 88080-350 Florianópolis - SC, Brasi
			<i>E-mail:</i> <a href="mailto:rbatalhasilva@gmail.com">rbatalhasilva@gmail.com</a>
		</p>
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Agradecimentos:</b></p>
		    <p>
			Os autores agradecem à comunidade da escola envolvida no estudo, à Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina e, por fim, aos contribuintes do 
			estado que sustentam a UDESC.
		</p>
		
		    <p>&nbsp;</p>
		    <p><b>Financiamento:</b></p>
		    <p>A pesquisa contou com o auxílio de bolsa de mestrado DS/CAPES.</p>
		
		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
		    <p>Submetido: 29.03.2010 &brvbar; Aceite: 08.03.2011</p>
		
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