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</front><body><![CDATA[  		    <p> 			<b>Um obrigado ao atleta Ol&iacute;mpico</b> 		</p> 		    <p> 			<b>A thank-you to the Olympic athlete</b> 		</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		 		    <p> 			<b>J. Vasconcelos-Raposo</b> 		</p> 		 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p> 			Este editorial da Motricidade, inevitavelmente, debru&ccedil;a-se sobre os jogos Ol&iacute;mpicos de Londres 2012. 		</p> 		 		    <p> 			Os Jogos Ol&iacute;mpicos s&atilde;o na sua ess&ecirc;ncia a festa de uma das facetas culturais que mais se predisp&otilde;e &agrave; redefini&ccedil;&atilde;o da excel&ecirc;ncia das capacidades humanas: O  			desporto. De quatro em quatro anos reunem-se os melhores atletas que cada pa&iacute;s tem nas muitas das modalidades desportivas que por l&aacute; se praticam. Em  			Londres estiveram presentes de 204 pa&iacute;ses e pela primeira vez todos se fizeram representar por atletas de ambos os sexos. Este &eacute; o feito que elegemos para  			destacar o que de mais verdadeiro h&aacute; no Esp&iacute;rito Ol&iacute;mpico moderno. 		</p> 		 		    <p> 			Quando pretendemos falar dos Jogos Ol&iacute;mpicos, s&atilde;o muitas as facetas que podem servir de base para a an&aacute;lise do evento ol&iacute;mpico e decerto que todas s&atilde;o  			v&aacute;lidas. Na imprensa e nos media da especialidade desportiva, escreve-se muito sobre o n&uacute;mero de medalhas, sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre investimento econ&oacute;mico e  			obten&ccedil;&atilde;o de resultados que quase sempre s&atilde;o medidos por medalhas e em alguns casos pelas classifica&ccedil;&otilde;es pessoais. Excecionalmente essas avalia&ccedil;&otilde;es s&atilde;o  			feitas em fun&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios atletas, por regra tendem a servir de valida&ccedil;&atilde;o da lideran&ccedil;a das institui&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o apresentadas como parte constituinte da  			fam&iacute;lia ol&iacute;mpica. Mas em verdade s&atilde;o os atletas, no seu conjunto, quem efetivamente expressam o que de melhor h&aacute; a ser promovido pelo Olimpismo moderno. 		</p> 		 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 			O olimpismo atual alicer&ccedil;a-se em tr&ecirc;s grandes valores socioculturais: Excel&ecirc;ncia, amizade e respeito. A presen&ccedil;a dos atletas nos Jogos dever&aacute; ser um  			exemplo de como estes princ&iacute;pios, exemplificados de forma extrema na pr&aacute;tica desportiva, na realidade devem ser parte integrante do processo educativo que  			visa “construir” melhores seres humanos e, consequentemente, melhores cidad&atilde;os. Apresentam-se aos Jogos os melhores que cada pa&iacute;s tem para se fazer  			representar. A todos os atletas &eacute; exigido que, tanto na competi&ccedil;&atilde;o como na vida, se comportem como agentes dignificadores da imagem de cada Na&ccedil;&atilde;o, algo que  			n&atilde;o &eacute; conseguido com a mera conquista de medalhas, mas pelo percurso que tiveram ao longo dos anos que medearam a realiza&ccedil;&atilde;o dos jogos. Cada atleta, ao  			longo de muitos anos, teve de enfrentar contrariedades, abdicar de muito para aderir a um estilo de vida que s&oacute; est&aacute; ao alcanse de alguns. Nessa caminhada  			conheceram momentos de vit&oacute;ria e de derrota e sempre procuraram aprender com ambas as sensa&ccedil;&otilde;es, para melhor se prepararem para a festa que se quer  			Universal e que est&aacute; representada nos Jogos Ol&iacute;mpicos. Ningu&eacute;m chega aos Jogos Ol&iacute;mpicos sem ter uma caminhada onde evidenciou ter dado o melhor de si quer  			nas competi&ccedil;&otilde;es em que participou quer na vida que teve de ter durante esse percurso. Por estas raz&otilde;es &eacute; que todos, independentemente dos resultados que  			obtenham nos Jogos propriamente ditos, s&atilde;o exemplos vivos do que se deve entender por excelente. E por nos quererem representar s&atilde;o merecerdores do nosso  			respeito, admira&ccedil;&atilde;o e gratid&atilde;o, porque o que reconhecemos e apreciamos foi o esfor&ccedil;o, o empenho e a motiva&ccedil;&atilde;o que foram evidenciados ao longo do percurso.  			Se vierem medalhas, melhor e mais gratificante para o atleta porque foi o melhor entre os melhores, mas se as medalhas n&atilde;o vierem o respeito, a admira&ccedil;&atilde;o e  			a gratid&atilde;o mant&ecirc;m-se porque nunca deixar&atilde;o de ser o melhor que cada pa&iacute;s teve para dar. 		</p> 		 		    <p> 			Durante os Jogos, na aldeia Ol&iacute;mpica, os seus habitantes convivem e na tranquilidade do encontro e da conversa facil d&atilde;o forma a uma maneira de estar que  			deveria inspirar as popula&ccedil;&otilde;es de todo o Mundo, em particular nos momentos de escolha dos seus agentes pol&iacute;ticos. O sentimento de amizade que se  			experimenta n&atilde;o &eacute; compat&iacute;vel com o que ocorre em tantos dos pa&iacute;ses que ali est&atilde;o representados. Pa&iacute;ses em guerra, durante a viv&ecirc;ncia dos Jogos, poder&atilde;o  			aprender como no confronto leal da competi&ccedil;&atilde;o a conviv&ecirc;ncia e at&eacute; a discordia s&atilde;o poss&iacute;veis sem que a Paz seja perturbada. Em cada atleta Ol&iacute;mpico  			poderemos encontrar um embaixador da paz, um promotor e um exemplo do respeito m&uacute;tuo e por mais estes motivos, em cada um deles, poderemos espelhar um  			pouco da esperan&ccedil;a de que um Mundo melhor est&aacute; ao alcance de todos os Homens e Mulheres de boa vontade.  		</p> 		 		    <p> 			A aldeia &eacute;, por excel&ecirc;ncia, um local onde se reunem sonhadores, porque nunca atleta algum chegou l&aacute; sem a fantasia de poder ser melhor do que em qualquer  			outro momento da sua caminhada. Esse sentimento anima-lhes e enche-lhes de &acirc;nimo, para poderem ser mais fortes e irem mais alto e mais longe. Todos que  			respeitam o seu pr&oacute;prio trabalham empenham-se para que assim seja. Mas a realidade &eacute; que nem todos os sonhos se poder&atilde;o concretizar e que s&oacute; poucos se  			consagrar&atilde;o entre eles pr&oacute;prios: os Ol&iacute;mpicos. &Eacute; nesta troca intensa de experi&ecirc;ncias pessoais que nascem amizades e solidariedades que nunca seriam  			poss&iacute;veis se ao longo de uma vida de esfor&ccedil;o n&atilde;o se tivessem consagrado como os melhores dos seus pa&iacute;ses.  		</p> 		 		    <p> 			Nos jogos, Homens e Mulheres convivem num ambiente de liberdade que deveria ser descrito com mais detalhe e riqueza por aqueles que o viveram. &Eacute; durante os  			Jogos que a igualdade entre os sexos mais se acentua e os Jogos de 2012 foram um exemplo maior deste facto. Todos os pa&iacute;ses estiveram representados por  			atletas de ambos os sexos. Foi dado um exmplo de como com engenho e boa vontade todas as dificuldades podem ser ultrapassadas. As adversidades pol&iacute;ticas  			forma postas de lado e no livre conv&iacute;vio, promovido pela competi&ccedil;&atilde;o desportiva, novos olhares ganharam forma e um pouco mais de toler&acirc;ncia foi aprendido  			por quem viveu de perto a experi&ecirc;nica de se ser Ol&iacute;mpico. 		</p> 		 		    <p> 			O respeito &eacute; de entre os valores b&aacute;sicos do Olimpismo talvez o mais simples de por em pr&aacute;tica, mas &eacute; tamb&eacute;m aquele que os atletas mais tendem a infrigir e  			em parte porque o que est&aacute; na ess&ecirc;ncia deste valor parte de um sentimento de confian&ccedil;a nos outros. Tal como toda a crian&ccedil;a acredita nos pais tamb&eacute;m os  			atletas confiam naqueles que lhes ensinam ser a fam&iacute;lia Ol&iacute;mpica, ou seja, os Comit&eacute;s Ol&iacute;mpicos, as Federa&ccedil;&otilde;es Desportivas, as Associa&ccedil;&otilde;es e os Clubes em  			que cada atleta se integra. Aparentemente, com o passar dos anos, esta estrutura familiar apresenta-se disfuncional, na medida em que centra a sua  			interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o no sucesso dos seus atletas, mas sim na contabiliza&ccedil;&atilde;o ego&iacute;sta dos resultados, porque como dirigentes procuram apoderar-se do sucesso dos  			atletas para se autopromoverem esquecendo que o seu papel garantir e apoiar os atletas ao longo de todo um percurso de anos at&eacute; ao momento da competi&ccedil;&atilde;o  			olimpica. Os atletas acabam sendo transformados em instrumentos ideol&oacute;gicos e, infelizmente, de afirma&ccedil;&atilde;o pessoal de quem se limitou a apoderar-se dos  			meios para nutrir a excel&ecirc;ncia. Uma vez nos Jogos, todos os atletas d&atilde;o o melhor de si e em todos os momentos. O momento Ol&iacute;mpico, tal como preconizado  			pelo seu esp&iacute;rito, vai muito para al&eacute;m do momento da competi&ccedil;&atilde;o. Saber dar forma a cada um dos valores do Olimpismo requer que os atletas sejam educados  			sobre esses mesmos valores e sobre os momentos mais adequados para se os viver. Mas quem de entre os membros da fam&iacute;lia dedicou esse tempo para ensinar  			estes aspetos aos que l&aacute; v&atilde;o pela primeira vez? Quem os ensinou a gerir as emo&ccedil;&otilde;es e controlar o dispendio energ&eacute;tico de forma a melhor salvaguardar a  			concretiza&ccedil;&atilde;o das presta&ccedil;&otilde;es m&aacute;ximas? Ningu&eacute;m pode afirmar ter dado tudo aos atletas para que fossem bem sucedidos quando na realidade nem lhes deram os  			aspetos mais elementares para serem bem sucedidos num evento com as carater&iacute;sticas dos Jogos Ol&iacute;mpicos. Gastasse muito dinheiro na prepara&ccedil;&atilde;o dos atletas,  			&eacute; um fato, mas a forma como esse capital &eacute; gasto serve mais para justicar gestores e institui&ccedil;&otilde;es do que efetivamente apoiar os atletas propriamente ditos. 		</p> 		 		    <p> 			Aqueles atletas que t&ecirc;m a felicidade de repetir as suas participa&ccedil;&otilde;es em Jogos Ol&iacute;mpicos, pela experi&ecirc;ncia acumulada, gerem melhor os seus tempos da vida  			na aldeia ol&iacute;mpica. Apenas os agentes socializantes, como s&atilde;o os dirigentes desportivos e os treinadores de capacidades reduzidas, cingem a sua interven&ccedil;&atilde;o  			&agrave; constru&ccedil;&atilde;o de tarefas e imposi&ccedil;&otilde;es aos atletas para conseguirem resultados e de prefer&ecirc;ncia na forma de medalhas. Esquece-se que na realidade s&atilde;o os  			atletas que competem e que eles est&atilde;o presentes, como representantes da fam&iacute;lia Ol&iacute;mpica para apoiar os atletas nos momentos bons, mas tamb&eacute;m, e  			principalmente, nos momentos idesejados, talvez por isso, esses “familares” ignoram aquilo que de mais belo h&aacute; na competi&ccedil;&atilde;o e que se quer leal e honesta:  			a imprevisibilidade do resultado. 		</p> 		 		    <p> 			Os “familiares disfuncionais” s&atilde;o aqueles que procuram afirmar-se como dirigentes de sucesso &agrave; boleia do sucesso dos atletas na competi&ccedil;&atilde;o. Os familiares  			saud&aacute;veis s&atilde;o aqueles que se esfor&ccedil;aram para apoiar os atletas ao longo dos per&iacute;odos longos de prepara&ccedil;&atilde;o (anos) e que sabem avaliar a efic&aacute;cia do seu  			contributo com base naquilo que foram as condi&ccedil;&otilde;es proporcionadas aos atletas: devem chegar ao fim dos Jogos com a consci&ecirc;ncia tranquila que fizeram o que  			estava ao seu alcance para que os atletas se preparassem da melhor forma – foi essa a sua &uacute;nica miss&atilde;o. Os resultados desportivos devem ser entendidos como  			algo da quase exclusiva responsabilidade dos atletas com a coniv&ecirc;ncia dos seus treinadores e equipa t&eacute;cnica e por essa raz&atilde;o as &uacute;nicas opini&otilde;es  			efectivamente relevantes para entendermos a alegria ou a tristeza deles &eacute; aos atletas e aos membros da equipa tecnica que importa dar voz. Aos outros, os  			dirigentes, compete apoiar esses membros da fam&iacute;lia e com eles festejar o sucesso do culminar de per&iacute;odo da vida que optaram ter para a todos n&oacute;s  			representarem. 		</p> 		 		    <p> 			Ao p&uacute;blico em geral fica o esplenderoso espet&aacute;culo que os atletas nos proporcionaram e a gratid&atilde;o por termos, durante dias, vivenciado momentos em que mais  			que a nossa limitada condi&ccedil;&atilde;o de nacionalista nos foi poss&iacute;vel ter os nossos pr&oacute;prios herois e cada um deles com a sua nacionalidade. Todos aqueles atletas  			proporcionaram-nos a oportunidade de nos afirmarmos como melhores Seres Humanos, porque fomos capazes de ir al&eacute;m do nosso nacionalismo e de outros aspectos  			culturais para nos centrarmos na excel&ecirc;ncia humana representada em cada atleta que apoiavamos e cujas presta&ccedil;&otilde;es nos enriqueceram emocionalmente. 		</p> 		 		    <p> 			Neste momento de balan&ccedil;o a Motricidade, neste editorial, homenagea todos os atletas e treinadores Ol&iacute;mpicos e expressa a sua gratid&atilde;o pelo maravilhoso  			espet&aacute;culo que nos proporcionaram e pelos exemplos de vida que nos deram. 		</p> 		 		    <p> 			Londres acabou e o Rio de Janeiro vem a caminho e com o calor e o humanismo que tipificam o Brasileiro s&oacute; podemos estar certos que tudo o que de melhor foi  			conseguido no Esp&iacute;rito Ol&iacute;mpico durantre os Jogos de Londres melhor ser&aacute; nos Jogos do Rio-2016. 		</p>  	    ]]></body>
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