<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-107X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Motricidade]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Motri.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-107X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Edições Desafio Singular]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-107X2013000200001</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.6063/motricidade.9(2).2664</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fazer ciência para quê … e para quem?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Do science for what and … for whom?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vasconcelos-Raposo]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>01</day>
<month>04</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>01</day>
<month>04</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>9</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>1</fpage>
<lpage>2</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-107X2013000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-107X2013000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-107X2013000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[  		    <p> 			<b>Fazer ci&ecirc;ncia para qu&ecirc; … e para quem?</b> 		</p> 		    <p> 			<b>Do science for what and … for whom?</b> 		</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		 		    <p><b>Jos&eacute; Vasconcelos-Raposo</b></p> 		 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		 		    <p> 			Num per&iacute;odo como o que atualmente vivemos, parece mais f&aacute;cil responder a esta perqunta que tende a persistir ao longo dos tempos. Um n&uacute;mero muito elevado de  			pa&iacute;ses, espalhados por todo o globo, vive tempos de degrada&ccedil;&atilde;o acentuada da qualidade de vida dos seus cidad&atilde;os. As sociedades, independentemente da  			ideologia que dizem defender, est&atilde;o sugeitas de uma maneira mais ou menos acentuada aos princ&iacute;pios democr&aacute;ticos alicer&ccedil;ados na economia de mercado.  		</p> 		 		    <p> 			O sucesso deste modelo &eacute; inquestion&aacute;vel para os que s&atilde;o detentores de capital, porque est&atilde;o mais ricos. A economia de mercado, que sempre foi defendida como  			o pilar para uma verdadeira democracia, encontra nos dias de hoje as condi&ccedil;&otilde;es ideais para a sua avalia&ccedil;&atilde;o. A din&acirc;mica inerente &agrave; movimenta&ccedil;&atilde;o de capital  			conseguiu que uma percentagem muito pequena da popula&ccedil;&atilde;o global seja dona da vasta maioria do dinheiro dispon&iacute;vel. Mas mais, a sua &eacute;tica protestante,  			centrada no direito individual, em detrimento das necessidades das maiorias, traduziu-se numa pr&aacute;tica cumulativa de tal forma cega que levou &agrave; falta de  			capital por parte dessa maioria para fazer funcionar a economia. Sem dinheiro n&atilde;o h&aacute; compras, sem comprar as unidades fabris n&atilde;o conseguem escoar os seus  			produtos, perde-se produ&ccedil;&atilde;o e por falta de escoamento dos bens produzidos o que fica &eacute; excesso de m&atilde;o de obra. Para os detentores do capital &eacute; tudo uma  			quest&atilde;o contabil&iacute;stica: se estou a produzir em excesso tenho de reduzir, fazem-se parar as “partes” respons&aacute;veis por esse gasto desnecess&aacute;rio: neste caso, o  			sal&aacute;rio dos trabalhadores. 		</p> 		 		    <p> 			Por que n&atilde;o h&aacute; capital para adquirir bens e quem tem esse capital &eacute; em n&uacute;mero reduzido e na maioria dos casos at&eacute; tem como complemento salarial o direito &agrave;  			aquisi&ccedil;&atilde;o de alguns desses bens o que acontece &eacute; que diminui a circula&ccedil;&atilde;o de capital e, naturalmente, deixa de ser necess&aacute;rio imprimir ritmos de busca pela  			inova&ccedil;&atilde;o. Para qu&ecirc; criar e lan&ccedil;ar no mercado novos produtos se n&atilde;o h&aacute; o volme necess&aacute;rio de consumidores que possam viabilizar o retorno, que se quer que  			seja sempre r&aacute;pido, para o investimento que foi feito.  Consequentemente, o investimento na cria&ccedil;&atilde;o de novos produtos tende a ser descontinuado. A  			descontinua&ccedil;&atilde;o, em termos claros e simples (sem ser simplista), consiste na quebra de verbas para a investiga&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica. E &eacute; nesta parte do  			circuito produtivo, tal como concebido pela economia de mercado, que aqueles de n&oacute;s que se dedicam &agrave; ci&ecirc;ncia entram para o “circo” da atual economia de  			mercado. 		</p> 		 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 			Mais do que nunca, talvez apenas por sermos mais a viver da ci&ecirc;ncia, parece ser relevante assumir a necessidade de refletir sobre o que efetivamente fazemos  			enquanto docentes e investigadores. Reconhecemos a exist&ecirc;nicia de um n&uacute;mero de indiv&iacute;duos que sendo intelectualmente fracos, e aparentemente despidos de  			valores humanit&aacute;rios, chegam a cargos de poder. Mas quem os formou? Quem lhes ensinou as t&eacute;cnicas necess&aacute;rias para serem eficazes a vender meias ou at&eacute;  			mesmo falsas verdades? 		</p> 		 		    <p> 			Nos tempos que correm tudo indica que a ci&ecirc;ncia foi instrumentalizada. A capacidade cr&iacute;tica relativamente aos fen&oacute;menos sociopoliticos parece ter sido  			apoderada por aqueles que se dedicam &agrave;s ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas ou at&eacute; a algumas &aacute;reas cient&iacute;ficas de entre as quais tendem a emergir os membos da classe  			pol&iacute;tica.  Os agentes dos restantes dom&iacute;nios cient&iacute;ficos, nomeadamente aqueles que tendem a estar mais representados nas publica&ccedil;&otilde;es na Motricidade parece  			confinar-se a algumas regras que, de forma muito subtil, lhes v&atilde;o sendo impostas. Por exemplo, aqueles de n&oacute;s que se dedicam ao estudo da atividade f&iacute;sica e  			sa&uacute;de, nos trabalhos que publicamos, muito raramente integramos na discuss&atilde;o dos dados uma reflex&atilde;o sobre a falta de pol&iacute;ticas consistentes para uma  			interven&ccedil;&atilde;o adequada na preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as.  		</p> 		 		    <p> 			A investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica demonstra, de forma clara, que a ades&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico se faz sentir em ganhos de sa&uacute;de inquestion&aacute;veis. A pergunta  			que se coloca &eacute;: onde est&atilde;o os investimentos na promo&ccedil;&atilde;o do exerc&iacute;cio f&iacute;sico enquanto parte intgrante da “Medicina dos Estilos de Vida”.  Fazemos ci&ecirc;ncia  			para qu&ecirc;? Para nos asseguramos que progredimos na carreira docente. Fazemos ci&ecirc;ncia para quem? Em alguns dom&iacute;nios para o sistema produtivo industrial, mas a  			maioria de n&oacute;s faz ci&ecirc;ncia para ningu&eacute;m.  		</p> 		 		    <p> 			Parece-nos urgente que enquanto intelectuais e treinados para pensar tenhamos a coragem de parar e procurar refletir coletivamente sobre o que fazemos e que  			fun&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o ter no desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o humana. N&atilde;o podemos ficar indideferentes ao sistem&aacute;tico empobrecimento das sociedades e ao  			regresso da explora&ccedil;&atilde;o gananciosa do trabalho de outros seres humanos.  		</p> 		 		    <p> 			Enquanto HOMENS de ci&ecirc;ncia, devemos trabalhar em prol do bem-estar da Humanidade. &Eacute;, sem d&uacute;vida, uma ideia rom&acirc;ntica, mas como outros j&aacute; o disseram: &Eacute; o  			sonho que comanda a vida. 		</p> 	     ]]></body>
</article>
