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<article-id>S1646-107X2015000100009</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.6063/motricidade.3219</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desenvolvimento motor global de crianças do 1º ciclo do ensino básico com e sem prática prévia de natação em contexto escolar]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Global motor development of elementary school-aged children with and without previous swimming practice in schools]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The purpose of our study was to describe the level of global motor development of elementary school-aged children with and without previous swimming practice. The study sample consisted of 140 Portuguese elementary school-aged children, from 1st to 4th grade: 53 children with no previous experience in aquatic programs and; 87 children classified as experienced through participating in previous swimming programs within the school environment. To assess global motor development, the "Test of Gross Motor Development 2" was used. Our results showed significant differences (p < .05) between groups of children regarding to the global motor development and mastery of various skills in all grades. The influence of previous swimming practice seems greater on objects control skills. Nevertheless, the qualitative classification of motor development is mostly low for both groups. In conclusion the current results showed that the level of global motor development of Portuguese elementary school-aged children, based on the proposed American normative scale, is relatively low. Nevertheless, children with prior involvement in swimming programs within the educational context seem to meet an optimized motor development state on several global motor skills but particularly on objects control skills.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[desenvolvimento motor global]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[habilidades motoras globais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[natação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[crianças]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[global motor development]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[fundamental motor skills]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[children]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ 

    <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana">ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>
    <p align="right">&nbsp;</p>

    <p><font size="4" face="Verdana"><b>Desenvolvimento motor global de crianças do 1º ciclo do
ensino básico com e sem prática prévia de natação em contexto escolar</b></font></p>
    <p>&nbsp;</p>

    <p><font size="3" face="Verdana"><b>Global motor
development of elementary school-aged children with and without previous
swimming practice in schools</b></font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font size="2" face="Verdana"><b>Vera Martins<sup>1</sup>, António J. Silva<sup>2,3</sup>, Daniel A. Marinho<sup>2,3</sup>, Aldo M. Costa<sup>2,3,4<a name="topo"></a><a href="#end">*</a></sup></b></font></p>

<font size="2" face="Verdana">
    <p><sup>1</sup><i>Departamento
de Ci&ecirc;ncias do Desporto, Universidade da Beira Interior, Covilh&atilde;, Portugal    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>
</i><sup>2</sup><i>Departamento de Ci&ecirc;ncias do Desporto,
Exerc&iacute;cio e Sa&uacute;de, Universidade de Tr&aacute;s-os-Montes, Vila Real, Portugal    <br>
</i><sup>3</sup><i>Centro de
Investiga&ccedil;&atilde;o em Desporto, Sa&uacute;de e desenvolvimento Humano (CIDESD), Portugal    <br>
</i><sup>4</sup><i>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de
(CICS), Portugal</i></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
</font>
<hr noshade size="1">
    <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>

    <p><font size="2" face="Verdana">Foi objetivo deste estudo descrever o nível de desenvolvimento motor global de crianças do 1º
ciclo do ensino básico, com e sem experiência prévia em programas de ensino da
natação. A amostra foi constituída por 140 crianças portuguesas do 1º ao 4º ano
de escolaridade: 53 crianças sem experiência em programas aquáticos; e 87
crianças com histórico de participação em programas de ensino da natação no
contexto escolar. O desenvolvimento motor global das crianças foi avaliado
recorrendo à bateria de testes “<i>Test of
Gross Motor Development 2</i>”. Os resultados revelaram a existência de
diferenças significativas (p &lt; .05) entre os grupos de crianças no que se
refere ao desenvolvimento motor global e à mestria em diversas habilidades
motoras globais em todos os anos de escolaridade. A influência da prática da natação
parece maior nas habilidades de controlo de objetos. Mesmo assim, a
classificação qualitativa do desenvolvimento motor é maioritariamente baixa
para ambos os grupos. Em conclusão, os resultados demonstraram que o
desenvolvimento motor global das crianças avaliadas é maioritariamente
insuficiente, tendo por base a escala normativa Americana. Contudo, as crianças
com experiência aquática em contexto escolar parecem agregar um estado
otimizado de desenvolvimento motor em diversas habilidades, em particular na
manipulação de objetos.</font></p>

    <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chaves:</b> desenvolvimento
motor global, habilidades motoras globais, natação, crianças</font></p>

<hr noshade size="1">

    <p><b><font size="2" face="Verdana">ABSTRACT</font></b></p>

    <p><font size="2" face="Verdana">The purpose of our study was to describe the level of global motor
development of elementary school-aged children with and without previous
swimming practice. The study sample consisted of 140 Portuguese elementary
school-aged children, from 1<sup>st</sup> to 4<sup>th</sup> grade: 53 children
with no previous experience in aquatic programs and; 87 children classified as
experienced through participating in previous swimming programs within the
school environment. To assess global motor development, the &quot;<i>Test of Gross Motor Development 2</i>&quot;
was used. Our results showed significant differences (p &lt; .05) between
groups of children regarding to the global motor development and mastery of
various skills in all grades. The influence of previous swimming practice seems
greater on objects control skills. Nevertheless, the qualitative classification
of motor development is mostly low for both groups. In conclusion the current
results showed that the level of global motor development of Portuguese elementary
school-aged children, based on the proposed American normative scale,
is relatively low. Nevertheless, children with prior involvement in
swimming programs within the educational context seem to meet an optimized
motor development state on several global motor
skills but particularly on objects control skills.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords</b>: global motor development, fundamental
motor skills, swimming, children.</font></p>
<hr noshade size="1">
    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>








    <p><b><font size="3" face="Verdana">INTRODUÇÃO</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>O primeiro ciclo do
ensino básico, enquanto etapa de iniciação na vida escolar, permite a progressão
do desenvolvimento global e harmonioso da personalidade da criança (na dimensão
individual e social), das aquisições básicas intelectuais fundamentais em domínios
diversificados e do fomento de uma atitude socio-afetiva positiva com os outros
e para a cidadania. É também durante esta etapa, entre os 6 e os 10 anos de
idade, que se criam oportunidades para adquirir e desenvolver as mais diversas
habilidades motoras básicas. Numa etapa de enorme vigor do desenvolvimento
global da criança, o desporto e em particular a Expressão e Educação Física e
Motora no contexto escolar, constitui-se como um meio de valorização da formação
corporal pelo acesso a um leque muito variado de experiências motoras, sobretudo
quando integradas numa perspetiva desenvolvimentista da aprendizagem (Langendorfer
&amp; Bruya, 1995). </p>

    <p>Ao longo das fases
previstas de desenvolvimento (Gallahue
&amp; Ozmun, 2005) distinguem-se nestas idades “o que os
especialistas chamam de períodos críticos de aprendizagem, nos quais existe uma
maior disposição físico-cognitiva para assimilar a influência externa, facilitando
a aquisição e a melhoria das habilidades motoras” (Peres, Serrano, &amp;
Cunha, 2009, pp. 28&#8211;29). Este período parece ser ótimo para o
contacto com novas modalidades desportivas e diferentes contextos de prática,
entre os quais destacamos a Natação. De facto, segundo alguns autores (Blanksby,
Parker, Bradley, &amp; Ong, 1995; Pelayo, Wille, Sidney, Berthoin, &amp;
Lavoie, 1997), o período ideal para a adaptação ao meio aquático parece estar entre
os 5 e os 6 anos de idade. Pretende-se nesta fase de ensino da natação a
aquisição de novos padrões motores, comportamentos e atitudes no meio aquático,
que possam conduzir a criança a um estado pleno de competência aquática (Costa et
al., 2012). Esta estimulação motora num novo meio parece induzir um novo leque de
sensações e experiências corporais, ligações afetivas e sociais (Langerdorfer,
1987; Martins, Silva, Marinho, Barbosa, &amp; Sarmento, 2010) mas também o desenvolvimento de novas
habilidades, que embora se concretizem num meio específico (aquático), poderão
oferecer à criança uma acrescida estimulação psico-motora. Apesar dos estudos
neste domínio serem efetivamente escassos, a prática da natação parece induzir um efeito positivo em várias
componentes da motricidade global e fina em crianças dos 7 aos 9 anos (Paula
&amp; Belo, 2009). Todavia, do nosso conhecimento, não existem estudos que reportem os
efeitos da prática da natação no desenvolvimento motor global quando esta é
enquadrada no contexto escolar. As insuficiências que parecem existir no
enquadramento da natação na Expressão
e Educação Física e Motora em Portugal, provavelmente condicionantes da eficiência do processo de
ensino-aprendizagem sobretudo ao nível da aquisição de habilidades aquáticas
mais complexas (Rocha, Marinho,
Ferreira, &amp; Costa, 2014), reforçam a necessidade de melhor conhecer
esta relação entre experiência aquática e desenvolvimento motor. </p>

    <p>Partimos do
pressuposto inicial de que o contacto com novas e relevantes experiências
motoras no contexto escolar, confere um efeito positivo e significativo no
desenvolvimento motor global da criança. O processo de ensino-aprendizagem para
a adaptação ao meio aquático, enquanto experiência motora estruturada, conduz a
constantes oportunidades de crescimento, as quais são obtidas pela vontade de
aprender da criança e pelo esforço para dominar as dificuldades (Escribano
&amp; Flores, 2003). Esta oportunidade trará à criança uma
preparação motora que a ajudará a alcançar as metas da Expressão e Educação
Físico-Motora no 1º ciclo do ensino básico.</p>

    <p>É objetivo deste
trabalho descrever o nível de desenvolvimento
motor global de crianças portuguesas em idade e contexto escolar (do 1º ano ao
4º ano do ensino básico), identificando as diferenças no desempenho em
habilidades motoras globais entre crianças com ou sem experiência prévia em
programas de ensino da Natação no âmbito do projeto educativo previsto para a
Expressão e Educação Físico-Motora.</p>
</font>
    <p>&nbsp;</p>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">MÉTODO</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O presente estudo insere-se no domínio da pesquisa
descritiva. A amostra foi recrutada por conveniência do investigador, o que
permitiu o acesso privilegiado ao histórico das crianças, de acordo com
critérios de admissão pré-definidos (alunos saudáveis do 1º ao 4º ano do ensino
básico, com ou sem experiência prévia em programas de ensino da Natação no
contexto escolar), e a sua consequente avaliação. A representatividade da
amostra está, portanto, circunscrita aos agrupamentos escolares participantes.</p>
</font>
    <p><b><font size="2" face="Verdana">Amostra</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>A amostra do estudo
foi constituída por 140 crianças portuguesas do 1º ciclo do ensino básico (1º
ano, n=34 crianças; 2º ano, n=28; 3º ano, n=41; 4º ano, n=37), pertencentes a
dois agrupamentos escolares que promovem aulas de Expressão e Educação Física e
Motora no contexto das atividades extracurriculares previstas no seu projeto
educativo anual. As escolas de onde provém a amostra são geograficamente
próximas (interior centro de Portugal) e classificadas como integrantes em zona
urbana, de acordo com os atuais critérios definidos pelo Instituto Nacional de
Estatística. As crianças foram divididas consoante a sua prévia experiência em
programas de ensino da natação: (i) 53 crianças (31 meninos e 22 meninas)
formam o grupo sem qualquer experiência prévia em aulas de natação no contexto
escolar e inclusive utilitário; e (ii) 87 crianças (53 meninos e 34 meninas)
formam o grupo com experiência prévia em programas de ensino da natação no
âmbito das Expressão e Educação Físico-Motora. Deve entender-se que a
experiência em natação neste segundo grupo de alunos é cumulativa - os alunos
do 1º ao 4 º ano reúnem um a quatro anos de experiência aquática no contexto
escolar, respetivamente. Excluíram-se da amostra todos alunos com participação
em programas de ensino e treino da natação e/ou de outras modalidades desportivas
fora do contexto escolar.</p>

    <p>Os encarregados de
educação das crianças estudadas facultaram o seu consentimento livre e
esclarecido, após a informação sobre os propósitos do estudo, do seu
significado e do possível uso dos resultados. A estes coube autorizar o
armazenamento dos dados e materiais coletados, que foram mantidos sob a guarda
dos investigadores. A confidencialidade dos dados foi garantida assim como o
seu anonimato durante o processo de tratamento e análise, tendo sido o estudo
efetuado de acordo com os princípios éticos enunciados na declaração de Helsínquia.</p>
</font>
    <p><b><font size="2" face="Verdana">Instrumentos e procedimentos</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>A avaliação do
desenvolvimento motor global foi realizada através da aplicação da bateria de
testes “<i>Test of Gross Motor Development</i>”
(TGMD-2) proposta por Ulrich e Sanford (2000), composta por 12 habilidades divididas em 2
subconjuntos (locomotor e controlo de objetos) que medem as habilidades motoras
globais que se desenvolvem cedo na vida. O subconjunto locomotor avalia as
habilidades motoras que exigem movimentos fluidos e coordenados do corpo quando
a criança se move numa ou noutra direção: corrida, galope, salto com um pé,
salto com obstáculo, salto horizontal e deslize. O subconjunto de controlo de
objetos mede as habilidades motoras que demonstram movimentos eficientes de
agarrar, lançar e bater: bater em bola parada, driblar estático, agarrar/apanhar,
pontapear, lançar superior e inferior. </p>

    <p>A referida bateria foi
aplicada a ambos os grupos de crianças nos campos exteriores da escola (ar
livre), à mesma hora do dia e com condições climatéricas semelhantes (sem
precipitação, brisa leve e sobre uma amena temperatura média do ar). Tal como
propõe o autor, os testes foram repetidos (reteste) uma semana depois em
condições de realização semelhantes. Todas as crianças tinham calçado
desportivo e roupa adequada e confortável. As avaliações foram registadas em vídeo
(câmara Sony, modelo N.DCR-SX30E), e este foi utilizado somente para fins
científicos, sem exposição das crianças participantes, que tiveram a sua
identidade protegida. </p>

    <p>O mesmo examinador
observou ambas as imagens-vídeo e avaliou o desempenho individual em cada
habilidade motora global de acordo com componentes comportamentais que são
apresentadas como critérios que representam um padrão maduro da habilidade. No
total, para cada criança e em ambos os momentos de registo (teste e reteste)
foram observados 47 critérios de desempenho, divididos por 12 habilidades, das
quais 6 são habilidades locomotoras e 6 habilidades de controlo de objetos. Na observação indeferida de cada habilidade
(teste e reteste), o desempenho em cada componente comportamental pressupôs um
registo binário de plena “concretização” ou de “não desempenho”. Em cada
habilidade e para cada item/componente comportamental, o examinador somou a
pontuação atribuída em cada registo (teste e reteste) e assumiu o seu resultado
final. Posteriormente, os resultados das habilidades foram somados para se obter
o resultado bruto de cada subconjunto (locomotor e controlo de objetos), que
depois foi convertido num resultado estandardizado de acordo com as normativas
fornecidas por Ulrich e Sanford (2000). Por último, os resultados estandardizados
foram somados e convertidos num quociente motor global sobre o qual se atribuiu
uma classificação qualitativa. Adicionalmente, foi ainda determinada a idade
equivalente relativa ao resultado bruto de cada subconjunto atendendo às normativas
propostas.</p>
</font>
    <p><b><font size="2" face="Verdana">Análise Estatística</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Os resultados foram
agrupados e analisados estatisticamente. Assim, para todas as variáveis
numéricas procedeu-se ao tratamento estatístico descritivo básico através de
medidas de tendência central e de dispersão. Foi testado o pressuposto da
normalidade das distribuições das variáveis, com o teste K-S (<i>Kolmogorov-Smirnov</i> com a correção de <i>Lilliefors</i>) no sentido de optar pelo procedimento
estatístico mais adequado aquando da análise bivariada. Não se verificando o
pressuposto da normalidade das distribuições, recorreu-se ao teste de <i>Mann-Whitney U</i> para a comparação de
médias de duas amostras independentes, como alternativa não paramétrica ao
teste <i>T-Student</i>. Recorreu-se ao teste
não paramétrico de <i>Kruskall-Wallis</i>
para o estudo da igualdade das medianas pelo quadriénio escolar. O nível de significância foi estabelecido em
5%. Todos os procedimentos
estatísticos foram efetuados com recurso ao software SPSS (<i>Statistical Package for the Social Sciences</i>, versa&#771;o 21.0).</p>
</font>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">RESULTADOS</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Os resultados por
subconjunto locomotor, subconjunto de controlo de objetos bem como o cálculo
final do quociente de desenvolvimento motor global (TGMD-2) comparados por idade e experiência aquática,
estão dispostos na <a href="#t1">tabela 1</a>. Verificou-se que o desenvolvimento motor global
(TGMD-2) e o desempenho normalizado
em ambos os subconjuntos, é significativamente distinto entre crianças com e
sem experiência aquática (p &lt; .05) para todos os anos de escolaridade. Essas
desigualdades são espelhadas na <a href="#f1">figura 1</a>, que revela a distribuição categórica
do desenvolvimento motor das crianças estudadas. De facto, as crianças com
experiência aquática, na sua maioria, variam sobretudo entre o nível médio e
abaixo da média, com alguns casos no nível pobre. As restantes crianças
apresentam uma distribuição claramente enviesada para o nível pobre e muito
pobre, com poucos casos no nível abaixo da média.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="t1"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v11n1/11n1a09t1.jpg" width="577" height="354"></p>
    
<p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f1"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v11n1/11n1a09f1.jpg" width="283" height="331"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na <a href="#t2">tabela 2</a>, apresentamos os resultados
normalizados para cada habilidade do subconjunto locomotor de acordo com o ano
de escolaridade e a experiência aquática de ambos os grupos. Numa análise
sumária da tabela, julgamos pertinente salientar que o número de habilidades motoras
globais sobre as quais se identificaram diferenças significativas entre os
grupos é menor entre os alunos de 2º ano (apenas o desempenho na habilidade
corrida é significativamente distinto entre grupos, p=0.006) embora amplo entre
os alunos do 4º ano de escolaridade (todas as habilidades neste subconjunto).</p>
    <p>&nbsp; </p>
    <p><a name="t2"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v11n1/11n1a09t2.jpg" width="578" height="315"></p>
    
<p>&nbsp;</p>
</font>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Verificamos ainda no estudo da igualdade das
medianas pelo quadriénio escolar que apenas a habilidade deslize, nas crianças
com experiência aquática, revela uma variação positiva e significativa
(p=.000). </p>

    <p>Na <a href="#t3">tabela 3</a> apresentamos os dados normalizados de
cada habilidade do subconjunto controlo de objetos de acordo com o ano de
escolaridade e a experiência aquática das crianças. Seguindo a tendência
observada no subconjunto anterior, as crianças do 2º ano de escolaridade não
apresentam diferenças significativas no desempenho motor das habilidades
testadas entre grupos de alunos com ou sem experiência aquática prévia. Na
variação ao longo do quadriénio o desempenho de todas habilidades motoras,
exceto o drible estático, altera-se de forma positiva e significativa (p &lt; .05)
apenas para as crianças com experiência aquática.


<font size="2" face="Verdana">
</font></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="t3"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v11n1/11n1a09t3.jpg" width="579" height="312"></p>
    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
</font><font size="2" face="Verdana">
    <p>A atribuição da designada idade equivalente de
desenvolvimento motor por cada subconjunto consta na <a href="#t4">tabela 4</a>. Pela análise
desta tabela verificamos que a idade equivalente para TGMD-2 é
significativamente superior (p &lt;
.05) nos alunos com experiência aquática em ambos os subconjuntos e para
todos os anos de escolaridade, exceto no 1º ano para o subconjunto controlo de
objetos. Contudo, e exceto para o 1º ano no subconjunto locomotor, a idade
equivalente é sempre mais baixa que a idade cronológica real. Para além disso,
a diferença entre a idade real e a idade equivalente para TGMD-2 tende a
aumentar com o ano de escolaridade em ambos os grupos de crianças e
subconjuntos avaliados.</p>
</font>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="t4"></a></p>
    <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v11n1/11n1a09t4.jpg" width="579" height="325"></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">DISCUSSÃO</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Foi objetivo
principal do trabalho descrever o nível de desenvolvimento motor global de
crianças do 1º ciclo do ensino básico em Portugal de acordo com a sua
experiência prévia em programas de ensino da natação em contexto escolar. Os
estudos neste domínio e particularmente no contexto escolar são escassos, o que
condiciona a comparação direta dos nossos resultados. Para além disso, a
ausência de normativas para a população Portuguesa não nos permite medir a sua
real expressão, pelo que a interpretação dos dados deve ser considerada com
cautela. </p>

    <p>Numa apreciação geral, a aprendizagem da natação em
contexto escolar parece contribuir significativamente para um desempenho
otimizado em variadas habilidades motoras globais. No entanto os nossos dados
também revelam que o nível de desenvolvimento motor das crianças avaliadas nos
dois grupos é, em grande frequência, insuficiente para a idade, considerando a
escala normativa utilizada. Este
último facto, e independentemente dos grupos considerados, parece concordante
com os resultados apresentados por Afonso et al. (2009). Nesse estudo, dos escassos publicados
sobre a população Portuguesa, foram envolvidas 853 crianças de ambos os géneros
dos 3 aos 10 anos da Região Autónoma da Madeira. Apesar de os resultados
demonstrarem uma evolução na proficiência motora com a idade na quase
totalidade das habilidades testadas, um número considerável de crianças
madeirenses foi classificado na categoria “médio” nas habilidades de locomoção
(51.5%) e de manipulação (37.7%). No que se refere aos equivalentes etários
apresentados pelos autores &#8211; “abaixo da média” nas habilidades de locomoção
(86.5%) e de manipulação (87.7%), os dados são convergentes com o nosso estudo,
revelando uma categorização preocupante.</p>

    <p>Estas diferenças
normativas entre populações foram igualmente identificadas por Cepicka (2010) num estudo realizado com crianças Checas
das principais escolas urbanas, usando a mesma bateria de testes proposta por Ulrich
e Sanford (2000). As diferenças entre os resultados brutos e
os respetivos percentis foram substanciais entre as crianças checas e as
norte-americanas, o que conduziu o autor a referir que os valores normativos do
TGMD-2 devem ser generalizados com reserva para outras populações. Do mesmo modo,
o parâmetro “idade equivalente” deve ser usado e interpretado com precaução,
apenas como dado “balizador”, e se possível recorrendo a outros dados para
estudo comparativo (Ulrich
&amp; Sanford, 2000). A idade equivalente relaciona o resultado
obtido com a idade real, sendo uma medida do nível de desenvolvimento da criança.
Contudo, o uso deste parâmetro parece controverso na literatura, cujas
referências utilizadas não estarão generalizáveis para todas as populações. Do
nosso ponto de vista urgem estudos que propiciem uma aproximação mais real do
parâmetro “idade equivalente” e que recorram a normativas contextualizadas a
cada população alvo.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outra explicação
para o facto de os níveis de desenvolvimento global estarem abaixo de classificação
positiva para grande parte da amostra pode estar no contexto socioeconómico da
escola. No nosso estudo as crianças pertencem a escolas públicas com
localização geográfica próxima, embora de agrupamentos distintos. Não foram
considerados critérios socioeconómicos no recrutamento da amostra, que pertence
a um distrito do interior centro de Portugal; esta limitação, a par da
inexistência de normativas para a população Portuguesa, leva-nos a considerar
os nossos resultados com cautela. De facto, o estudo de Chow e Louie  salienta precisamente esse efeito contextual, ao verificar
a influência do tipo de escola (publica ou privada) na performance das
habilidades motoras de crianças do ensino pré-escolar. Segundo os autores, as
crianças de escolas privadas tendem a obter melhores resultados nas habilidades
locomotoras, embora tal não se tenha verificado no domínio das habilidades de
controlo de objetos. O estudo recente de Pope, Liu, e Getchell (2011) confirma esta necessidade em reforçar o
quadro de estímulos psico-motores apropriados à idade, sobretudo em crianças
provenientes de contextos socioeconómicos desfavorecidos. Para além disso,
segundo Tsimaras et al. (2011), a influência sociológica no desenvolvimento
motor durante a infância parece resultar inclusive de variações étnicas que
podem contribuir para uma maior ou menor participação das crianças em atividades
físicas organizadas dentro e fora da escola, bem como no incentivo dos pais
para estas atividades.</p>

    <p>O quociente motor
do TGMD-2 é um valor estandardizado, consequente do desempenho motor cumulativo
nas várias habilidades motoras globais que integram os dois subconjuntos. Como
atrás referimos, os nossos resultados foram significativos no que se refere às
diferenças entre as crianças com e sem experiência aquática prévia para todos
os anos escolares e em ambos os subconjuntos (resultado normalizado). Contudo,
e não obstante as diferenças entre os grupos, o desenvolvimento motor global e
inclusive o desempenho em diversas habilidades motoras tende a diminuir no
quadriénio. O estímulo adicional (ao da frequência em aulas de Expressão e
Educação Física e Motora) da prática de natação parece distinguir positivamente
os praticantes no que se refere à proficiência motora, porém será insuficiente
para manter a maioria da amostra ao longo do quadriénio escolar numa classificação
acima da média no que se refere ao desenvolvimento motor global. Esta
influência cumulativa da prática da natação parece convergir nos resultados
propostos por Wrotniak, Epstein, Dorn, Jones, e Kondilis (2006), nos quais se evidencia que o desempenho
motor está positivamente associado com o nível de atividade física e
inversamente associado com o sedentarismo nas crianças, embora exista um limite
mínimo de atividade física para que as crianças sejam consideradas fisicamente
ativas. De acordo com o autor, a promoção da atividade física pode ter como
alvo apropriado o aumento do desempenho motor na juventude. No nosso estudo não
foram considerados indicadores de nível de atividade física dos jovens, podendo
ser considerado uma limitação do mesmo.</p>

    <p>Paula e Belo (2009) obtiveram recentemente resultados equiparáveis,
não obstante o fato da amostra ser reduzida (20 crianças de 7 a 9 anos) e terem
recorrido à forma reduzida do Teste de Proficiência Motora de
Bruininks-Oseresky. De acordo com os autores, as crianças que praticam Natação,
em comparação com crianças que praticam Futsal, apresentam valores superiores
em todos os componentes da motricidade global e fina, embora as crianças praticantes
de Futsal reúnam resultados mais homogéneos entre si. Mesmo na aplicação de
pequenos blocos de intervenção, os efeitos no desenvolvimento motor parecem ser
significativos durante estas idades, o que revela uma enorme sensibilidade das
crianças nesta fase sensível. O estudo de Mortimer, Krysztofiak,
Custard, e McKune (2011) e de Yasumitsu e Nogawa (2013) são dois exemplos recentes desse efeito no
desempenho psicomotor (tempo de reação, destreza manual e coordenação
óculo-manual) e na agilidade, respetivamente. Conhece-se inclusive um efeito
positivo de 5 meses de atividades aquáticas no ambiente escolar enquanto
meio de estimulação psicomotora em
crianças com paralisia cerebral espástica (Teixeira-Arroyo
&amp; Oliveira, 2007),
apesar de o âmbito do estudo e a amostra recrutada não permita comparações
diretas com a nossa pesquisa.</p>

    <p>Embora o desempenho
motor nas diferentes habilidades não mantenha uma evolução sempre positiva ao
longo do quadriénio (em ambos os grupos), os resultados deixam entrever um
número superior de habilidades motoras globais cujo desempenho é
significativamente distinto entre grupos, entre as crianças do 3º e do 4º ano de escolaridade. Em
parte esta ocorrência poderá resultar da prática de Natação em acumulação à Expressão e Educação Física e Motora Educação.
Todavia, e para além disso, as melhorias no desempenho motor, em particular
para as habilidades de controlo de objetos, parecem ocorrer de forma mais
célere entre os 9 e os 10 anos, sobretudo para o agarrar, lançar e pontapear (Butterfield,
Angell, &amp; Mason, 2012). Observamos ainda no estudo da
igualdade das medianas pelo quadriénio escolar uma variação significativa na
maioria das habilidades de controlo de objetos nas crianças com prática prévia
de Natação. Do nosso ponto de vista estes resultados parecem coerentes com os
pressupostos da organização metodológica do ensino da natação em Portugal no contexto
escolar (Rocha et
al., 2014).
Segundo os autores, nesta população (1º ciclo do ensino básico) promove-se preferencialmente a aquisição de
habilidades aquáticas básicas (tais como entrada na água, o equilíbrio dinâmico
e o controlo respiratório), num ensino que valoriza a aquisição de compreensões básicas na gestão
de jogos e atividades lúdicas aquáticas. Nestas assume-se o jogo como um
recurso metodológico natural que agrega simultaneamente motivação, eficácia
pedagógica e, muitas vezes, a manipulação de material didático para fins
lúdicos específicos. Assim, e embora não seja conhecido efetivamente esse <i>transfer </i>entre habilidades aquáticas básicas
e habilidades motoras globais no meio terrestre (e vice-versa) quando se
valoriza determinada conceção pedagógica, os nossos resultados deixam antever
um efeito positivo do ensino da Natação em variadas habilidades motoras básicas
mas especialmente na evolução que se espera com a idade no desempenho motor ao
nível do controlo de objetos.</p>

    <p>Na mestria das
diferentes habilidades do subconjunto locomotor seria expectável uma maior
evolução, sobretudo entre as crianças sem prática de Natação. Este resultado
deixa antever alguma insuficiência ou inadequação de estímulos para o
desenvolvimento destas habilidades no quadro da Expressão Física e Motora. De
facto, e identificando por exemplo a habilidade de corrida, poderíamos esperar
mais melhorias no processo e no produto de desempenho conforme as crianças
crescem. Essas mudanças qualitativas, que geralmente acompanham o crescimento
do tamanho do corpo, traduzem-se em níveis de força e coordenação aumentados e
resultam quase sempre em melhorias de desempenho na corrida (Haywood
&amp; Getchell, 2004). A aplicação de mecanismos de avaliação
como o TGMD-2 no contexto do ensino pré-escolar e básico, quando devidamente
enquadrado nos projetos educativos escolares tornar-se-á preciosa.
Partimos do pressuposto que a globalidade das habilidades motoras globais pode
ser otimizada até patamares de desempenho comportamental exigíveis ao nível da
mestria em relação à idade. Assim, a triagem prematura de insuficiências em
determinados comportamentos pode e deve ser atempadamente corrigida.</p>
</font>
    <p>&nbsp;</p>

    <p><b><font size="3" face="Verdana">CONCLUSÕES</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
    <p>Os nossos
resultados revelam a existência de diferenças significativas no desenvolvimento
motor global e nos resultados normalizados dos respetivos subconjuntos
(locomotor e controlo de objetos) entre as crianças com e sem experiência
aquática escolar e em cada ano de escolaridade. A prática acumulada da natação
parece conduzir a uma variação positiva e significativa do desenvolvimento em
várias habilidades motoras mas sobretudo no controlo de objetos (deslizar, bater
em bola parada, driblar estático, chutar, lançar superior e lançar inferior).
Ainda assim, a classificação qualitativa do nível de desenvolvimento motor é
globalmente baixa em ambos os grupos de crianças assim como a idade motora
equivalente, que sofre alterações ligeiras ou mesmo negativas ao longo do
quadriénio escolar. </p>

    <p>Urgem mais estudos
que clarifiquem a expressão destes dados, em particular a sua generalização à
população Portuguesa e variabilidade sobre o contexto socioeconómico das
crianças.</p>
    <p>&nbsp;</p>
</font>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="3" face="Verdana">REFERÊNCIAS</font></b></p>
<font size="2" face="Verdana">
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    <!-- ref --><p>Wrotniak, B. H., Epstein, L. H., Dorn, J. M., Jones,
K. E., &amp; Kondilis, V. A. (2006). The Relationship Between Motor Proficiency
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598&#8211;610. <a href="http://doi.org/10.2466/25.10.PMS.116.2.598-610" target="_blank">http://doi.org/10.2466/25.10.PMS.116.2.598-610</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1646-107X201500010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>

    <p><font size="2" face="Verdana"><b>Agradecimentos:    <br>
</b>Nada a declarar.    <br>
<b>
Conflito de Interesses:    ]]></body>
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</b>Nada a declarar.
<b>    <br>
Financiamento:    <br>
</b>Nada a declarar.</font>
    <p><font size="2" face="Verdana">Artigo recebido a 22.11.2013; Aceite 21.05.2014</font></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><font size="2" face="Verdana"><a name="end"></a><a href="#topo">*</a><i> Autor correspondente</i>: Universidade da
  Beira Interior, Rua Marqu&ecirc;s D&acute;&Aacute;vila e Bolama, 6200-001 Covilh&atilde;; <i>E-mail</i>: <a href="mailto:amcosta@ubi.pt">amcosta@ubi.pt</a></font></p>

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