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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A abordagem mediática sobre o desporto paralímpico: perspetivas de atletas portugueses]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paralympic sport lives an affirmation process as a phenomenon of spectacle, taking the media as a tool for the dissemination of it´s ideas and products, as well as pathway for potential social change for persons with disabilities. The aim of this study was to identify the characteristics and trends of the media approach over paralympic movement, based on personal perceptions of nine Portuguese Paralympic athletes, eight men and one woman, with visual or physical disabilities, all with international experience in the following sports: boccia, swimming or athletics. From semi-structured interviews, analysis of results by the method of the Collective Subject Discourse and discussion based on sociological categories of Pierre Bourdieu, in particular the Theory of Fields, has as main results: i) the Paralympic disclosure is further reduced, both in Portugal and in other countries, but is in growth; ii) athletes, mostly prefer to disseminate their sports performance to the detriment of the sensationalist speech about overcoming difficulties arising from the condition of disability; iii) the paralympic sport is devalued in relation to the Olympic. The main conclusions is the discontent of athletes with low media coverage, with supercrip stigma and the supremacy of football (soccer), becoming evident the manifestation of a desire to occupy a space of more prominent sports field, which confer them greater legitimacy and possibility of athletic-competitive development, besides financial and social gains.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>A abordagem mediática sobre   o desporto paralímpico: perspetivas de atletas portugueses</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Media approach over Paralympic Sport: perspectives of Portuguese   athletes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Renato   Francisco Rodrigues Marques<sup>1,<a href="#end">*</a><font size="2" face="Verdana"><b><sup><font size="2" face="Verdana"><b><sup><a href="#end"><i><a name="topo" id="topo"></a></i></a></sup></b></font></sup></b></font></sup>; Salomé Marivoet<sup>2</sup>; Marco Antonio Bettine de   Almeida<sup>1</sup>;   Gustavo Luis Gutierrez<sup>3</sup>; Rafael Pombo Menezes<sup>1</sup>; Myrian Nunomura<sup>1</sup> </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>1</sup> <i>Universidade de   S&atilde;o Paulo, Brasil</i>    <br>   <sup>2</sup><i> Universidade     Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias, Portugal    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </i><sup>3</sup><i> Universidade Estadual de Campinas, Brasil</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O   desporto paralímpico encontra-se em processo de afirmação como fenómeno de   espetacularização, tendo nos média uma ferramenta de divulgação dos seus ideais   e produtos, além de via para potenciais transformações sociais relativas a   pessoas com deficiência. O objetivo deste trabalho foi identificar as   características e tendências da abordagem mediática ao movimento paralímpico,   com base em percepções pessoais de nove atletas paralímpicos portugueses, oito   homens e uma mulher, com deficiência visual ou física, todos com experiência   internacional nas modalidades desportivas de boccia, natação ou atletismo. A   partir de entrevistas semiestruturadas, a análise de resultados pelo método do   Discurso do Sujeito Coletivo e a discussão dos dados com base em categorias sociológicas   de Pierre Bourdieu, em particular a teoria dos campos, tem-se como principais   resultados: i) a divulgação paralímpica ainda é reduzida, tanto em Portugal   como em outros países, porém encontra-se em crescimento; ii) os atletas, na sua   maioria, preferem a divulgação dos seus feitos desportivos em detrimento do   discurso sensacionalista sobre a superação de dificuldades oriundas da condição   de deficiência; iii) o desporto paralímpico é desprestigiado em relação ao   olímpico. Como principais conclusões encontra-se o descontentamento dos atletas   com a reduzida cobertura mediática, com o estigma <i>supercrip</i> e com a   supremacia do futebol, tornando-se evidente a manifestação de uma vontade de   ocuparem um espaço de maior relevo no campo desportivo, o que lhes conferiria   maior legitimidade e possibilidade de desenvolvimento atlético-competitivo, além de ganhos financeiros e sociais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave: </b>Paralímpico, Média, Desporto Adaptado, Sociologia do desporto.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The paralympic sport lives an affirmation process as a   phenomenon of spectacle, taking the media as a tool for the dissemination of   it´s ideas and products, as well as pathway for potential social change for   persons with disabilities. The aim of this study was to identify the   characteristics and trends of the media approach over paralympic movement,   based on personal perceptions of nine Portuguese Paralympic athletes, eight men   and one woman, with visual or physical disabilities, all with international   experience in the following sports: boccia, swimming or athletics. From   semi-structured interviews, analysis of results by the method of the Collective   Subject Discourse and discussion based on sociological categories of Pierre   Bourdieu, in particular the Theory of Fields, has as main results: i) the   Paralympic disclosure is further reduced, both in Portugal and in other   countries, but is in growth; ii) athletes, mostly prefer to disseminate their   sports performance to the detriment of the sensationalist speech about overcoming   difficulties arising from the condition of disability; iii) the paralympic   sport is devalued in relation to the Olympic. The main conclusions is the   discontent of athletes with low media coverage, with <i>supercrip</i> stigma   and the supremacy of football (soccer), becoming evident the manifestation of a   desire to occupy a space of more prominent sports field, which confer them   greater legitimacy and possibility of athletic-competitive development, besides financial and social gains.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords: </b>Paralympic, Media, Sport for Person with Disability, Sociology of Sport.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os   Jogos Paralímpicos representam o maior evento competitivo para pessoas com   deficiência (von   Sikorski &amp; Schierl, 2012). Enquanto principal vitrina do   desporto paralímpico, os Jogos Paralímpicos constituem uma forma de   manifestação desportiva que se vem afirmando nas últimas décadas como prática   espetacularizada, atraindo a atenção dos meios de comunicação (Howe, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O   desporto para pessoas com deficiência teve o seu início com finalidades   terapêuticas e recreativas, porém, atualmente, apresenta características   próprias do alto rendimento. A chegada do profissionalismo mais acentuado no   desporto paralímpico nas últimas décadas gerou mudanças nos objectivos do   movimento que lhe deu origem. Inicialmente, centrado apenas no <i>empowerment</i> (empoderamento), abriu-se a perspetivas de mercado e comercialização do   desporto (Marques &amp; Gutierrez, 2014).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesta   perspetiva, o desporto paralímpico passou a exprimir mais do que uma mera   oportunidade de inclusão social para pessoas com deficiência, para se colocar   na sociedade como um dos produtos do mercado desportivo (Marques,   Gutierrez, Almeida, &amp; Menezes, 2013), com um <i>habitus </i>específico   inerente à convivência dialética entre valores próprios do desporto de alto   rendimento (como seleção de talentos, rivalidade e comparação objetiva de   desempenhos), e aspetos relacionados com a reabilitação e a inclusão social de   pessoas com deficiência (Marques &amp; Gutierrez, 2014).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Exemplos   destas abordagens ligadas à inclusão social são o legado dos Jogos Paralímpicos   em algumas cidades anfitriãs, ao terem fomentado transformações no modo como o   público em geral aprecia o desporto adaptado, assim como a melhoria na   infraestrutura de adaptação de espaços públicos, e ainda a promoção da reflexão e mudança no modo de inserção da pessoa com deficiência na sociedade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta realidade foi bem evidenciada no caso de Atenas,   que acolheu os Jogos em 2004. Inicialmente com pouca infraestrutura voltada ao   desporto adaptado, elaborou um plano específico, a <i>Disabled Agenda</i>, para   a construção de locais e formas de acesso que atendessem aos deportistas com   deficiência, o que acabou se tornando um legado, simbolizando não apenas a   quebra de barreiras arquitetónicas, mas também uma recepção bem feita aos   atletas com deficiência e à ideia de diversidade (Gold   &amp; Gold, 2007). Outra importante ação desempenhada   pela primeira vez em Atenas foi o <i>Paralympic School Day, </i>um evento   realizado em escolas que proporciona a crianças a oportunidade de discussão e   vivências sobre inclusão social de pessoas com deficiência, mostrando   resultados muito positivos (com destaque a alguns países como Grécia e República   Checa) quanto a modificações nos meios de relações dos jovens com a deficiência   (Liu,   Kudlá&#269;ek, &amp; Ješina, 2010; Panagiotou, Kudlá&#269;ek, &amp; Evaggelinou, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora   ainda exista um longo caminho a ser percorrido em relação a uma inclusão   satisfatória frente às potencialidades de atuação e convivência das pessoas com   deficiência (Ahmed,   2013),   avanços também foram obtidos durante os Jogos Paralímpicos de 2012 na cidade de   Londres, com a divulgação de ideais inclusivos e a adaptação de espaços e   construções para pessoas com deficiência (Webborn, 2013).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">É   possível identificar nas últimas décadas um crescimento da comercialização e   financiamento do desporto paralímpico, tanto por parte de órgãos públicos,   quanto privados, o que constitui uma possibilidade de crescimento e   reconhecimento social para pessoas com deficiência envolvidas na prática   desportiva (Marques   &amp; Gutierrez, 2014). Quanto ao ambiente de alto rendimento,   este espaço depende, sensivelmente, da circulação de capital económico, sendo   este um fator que possibilita a melhoria dos processos de treino e competição.   Neste sentido, para o seu desenvolvimento, torna-se necessário que o desporto   seja encarado como um produto capaz de gerar receita e atrair espectadores e   empresas investidoras (Coakley, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por   um lado, o interesse comercial no desporto pauta-se pela proximidade com   espectadores que se tornam consumidores, e o desejo de empresas se aproximarem   dessas pessoas para vender os seus produtos (Howe,   2004).   Por outro, os meios de comunicação apresentam-se como ferramentas de   fundamental importância no processo de divulgação, disseminação ideológica e   promoção de produtos comerciais e simbólicos, inclusive no campo do desporto (Bourdieu,   1997; Marivoet, 2006), espaço social onde se insere o movimento   paralímpico. Tanto o aumento da profissionalização de atletas e treinadores,   quanto o incentivo à entrada de novos praticantes e mudanças sociais em relação   ao <i>empowerment</i> de pessoas com deficiência na sociedade, podem ser   influenciados pelo modo como se constrói o discurso mediático sobre o desporto   paralímpico (Ellis, 2009). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os   média têm uma importância fundamental para o desporto, como veículo de valores   e símbolos específicos, além do aumento das potencialidades de negócio (Coakley,   2008; Marivoet, 2006). O alargamento da divulgação do desporto   paralímpico como prática legítima do campo desportivo, que abarca tanto a   procura do espetáculo, como a coesão social pela inclusão da pessoa com   deficiência, coloca-se como uma necessidade e forma de expandir ideais   inclusivos, desportivos e comerciais (Marques   et al., 2013). Esta aproximação entre o desporto paralímpico e os   média, coloca-o num mercado altamente competitivo, disputando espaço com outras   formas de manifestação desportiva (Purdue &amp; Howe, 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">É   neste sentido que se coloca a problemática deste trabalho. Alguns estudos (Berger,   2008; Hardin &amp; Hardin, 2004; Marques, Gutierrez, Almeida, Nunomura, &amp;   Menezes, 2014) apontam certa insatisfação de desportistas e   ex-desportistas paralímpicos de diversos países em relação à frequência com que   o desporto paralímpico é abordado pelos média, assim como o conteúdo de tais   inserções. É recorrente no discurso destes sujeitos: a) a denúncia sobre a   desvalorização do desportista paralímpico como atleta de alto nível; b) o facto   do paralimpismo ser preterido frente ao desporto olímpico; c) a pequena   contribuição dos média em relação às possibilidades de obtenção de patrocínios   ou de maior divulgação do desporto paralímpico. Outros estudos (Figueiredo   &amp; Novais, 2011; Novais &amp; Figueiredo, 2010; Pereira, Inês, &amp;   Pereira, 2011; Schantz &amp; Gilbert, 2001) confirmam algumas das   percepções dos desportistas, com base em análises de documentos e publicações   da média, principalmente em relação ao desprestígio frente ao desporto olímpico   e à valorização de atletas esteticamente menos comprometidos. Além disso, salientam   que o desporto paralímpico é reconhecido e valorizado de modo diferenciado entre os diferentes países.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Face   à corrente associação entre a divulgação mediática constante e positiva dos   produtos desportivos e as suas possibilidades de crescimento comercial e de   inserção social, compreender como se dá a relação entre os protagonistas do   desporto paralímpico (atletas) e a abordagem mediática sobre o seu campo de   atuação é uma forma de preencher uma importante lacuna na sustentação de   propostas e ações no sentido de se melhorar tanto o aumento dos praticantes no   desporto para pessoas com deficiência, como as condições de competitividade dos atletas de alto rendimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Acresce   a este quadro a contribuição que os desportistas envolvidos neste processo podem   oferecer a esta discussão, apontando suas percepções, dificuldades e   expetativas frente ao desporto paralímpico e à abordagem mediática sobre este   objeto. Neste sentido, a presente investigação torna-se oportuna em Portugal,   dado que se assiste a um movimento de afirmação e crescimento do desporto   paralímpico e, por esta razão, a perspetiva dos seus atletas sobre este   fenómeno se torna de grande utilidade para o estabelecimento de políticas e ações de desenvolvimento desta forma de manifestação desportiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O   desporto, como amplo fenómeno social, não deve ser analisado fora das suas   dimensões culturais e históricas, pois não sendo simplesmente uma prática   autónoma, torna-o num espaço social que contribui de forma decisiva para a   compreensão das sociedades (Marivoet,   2002).   Deste modo, torna-se importante a adoção de referenciais teóricos que delimitem   a análise do campo desportivo. Para o efeito, recorremos à contribuição de Pierre Bourdieu, em particular à teoria dos campos sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   obra deste autor francês apoia-se no conhecimento praxiológico, que tem como   objeto não apenas as relações objetivas, mas as interações dialéticas entre   estruturas objetivas e subjetivas, com base nas disposições que atualizam ou   reproduzem tais dimensões (Bourdieu,   1983).   Nesta teoria, a perceção do mundo social é produto de uma dupla estruturação:   objetiva, na qual é socialmente estabelecida, significando que as propriedades   que são atribuídas aos agentes e instituições se apresentam em distribuições   desiguais. E subjetiva, na qual também é estruturada porque os sistemas de   perceção e apreciação exprimem o estado das relações de poder que norteiam o   juízo do gosto e as escolhas do agente (Bourdieu, 1990).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Bourdieu sustenta a sua   investigação sociológica na denúncia da existência de um jogo de luta pelo   poder e reprodução de valores simbólicos baseado em disputas sociais entre   diferentes grupos, que competem por ganhos simbólicos em determinados campos da   sociedade. Esta ocorrência dá-se pela distribuição desigual de bens e acesso de   modo diferenciado aos agentes sociais, de acordo com a posição que cada um   ocupa em certos espaços sociais. Essa diferenciação dá-se a partir da   consideração de que existem campos sociais de disputas, ou seja, espaços   sociais em que sujeitos procuram reconhecimento através da posse de formas de   capitais que lhes conferem poder simbólico (Marques et al., 2013). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um   campo social estabelece-se para Bourdieu, através da definição dos objetos de   disputas e dos interesses específicos desse espaço, compreendidos por quem faz   parte dele (Bourdieu,   1979).   No campo, os agentes disputam o direito da violência simbólica, ou seja, o   poder de orientar a conservação ou a mudança da estrutura de distribuição de   bens, com base no seu reconhecimento como sujeito com destaque social, relativo   à sua posse de capitais (Bourdieu,   1983).   Desta forma, cada campo específico torna-se relativamente autónomo, ou seja,   embora sofra influência do meio social que o cerca, tem as suas regras e   história próprias. Por exemplo, pode-se destacar a existência do campo   desportivo, no qual os sujeitos lutam pelo reconhecimento no desporto, poder   económico e político dentro dos princípios e critérios criados pelos seus   agentes (Bourdieu, 1990). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As   diferentes espécies de capitais são os recursos que definem as probabilidades   de ganho de reconhecimento e poder num determinado campo. Bourdieu identifica   quatro formas essenciais de capital que se inter-relacionam e norteiam as   disputas: i) económico – quantidade de dinheiro em posse do agente; ii) social   – referente ao círculo social e relações interpessoais; iii) cultural – saberes   e conhecimento formal, ligado, entre outras formas, à escola regular e   transmissão doméstica de conhecimento; e iv) simbólico – específico de cada   campo, é determinado pelo que o <i>habitus</i> e costumes de cada espaço   indicam como algo a ser valorizado (Bourdieu, 1983). Por exemplo, no desporto,   uma das formas de capital simbólico é o mérito desportivo de um atleta (Marques &amp; Gutierrez, 2014).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conceito de <i>habitus </i>remete para   uma estrutura estruturada e estruturante, que norteia as formas de ação dos   sujeitos, mas que é estabelecida de acordo com as leis do campo e os caminhos   específicos para a disputa e aquisição de capital. O <i>habitus </i>é uma força   mediadora entre objetivismo e subjetivismo, rompendo com a dualidade ao captar   a interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade (Bourdieu, 1983). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O <i>habitus</i> constitui, assim, o   princípio gerador e um sistema de classificação das práticas sociais, tendo em   conta as condições sociais, económicas, e estilos de vida dos indivíduos. Cada   grupo tem seu <i>habitus</i> próprio, que justifica suas ações e norteia as   práticas dos agentes na busca pela aquisição desses bens (Bourdieu,   1979).   A posse de capital de cada agente justifica seu reconhecimento e poder   simbólico, podendo este sujeito ser aceite em outra esfera do campo em que se   insere, eventualmente até mudar de grupo, adquirindo um novo <i>habitus</i>. O   estilo de vida dos agentes, segundo Bourdieu (Bourdieu,   1983),   decorre das disposições e possibilidades encontradas por cada um no seu próprio grupo, sendo as respectivas escolhas possíveis proporcionadas pelo seu <i>habitus.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro   aspecto importante ligado à disputa de capitais nos campos, é a luta entre o   “novo” e o “velho”, ou “dominante”, que se trava em cada um. Por um lado, o   agente que está entrando tenta forçar o direito de participação no campo (seu <i>habitus   </i>consiste no processo de reconhecimento do valor e conhecimento dos   princípios de funcionamento do jogo, ou seja, a história das disputas que se   encontram presentes nas relações, e, por vezes, o questionamento de tais   estruturas). Por outro lado, o “velho” ou “dominante”, detentor do direito à   violência simbólica, tenta defender o monopólio e excluir a concorrência (Bourdieu,   1983).   Para pessoas não formadas num dado campo, ou que ainda não adquiriram formas de   conhecimento sobre o mesmo (novos agentes), os objetos de disputa são   impercetíveis ou parcialmente conhecidos (Bourdieu,   1979),   o que pode implicar uma tentativa de mudança dos critérios de distribuição de capitais e inversão do direito da violência simbólica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Considerando   que o desporto se afirma como um campo social (Bourdieu,   1983, 1990), este artigo propõe uma reflexão, com base na obra de   Pierre Bourdieu, sobre os avanços e dificuldades para a divulgação do desporto paralímpico no século XXI, a partir das perspetivas de atletas portugueses. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo   este autor francês, o campo desportivo configura-se como um espaço de lutas   específicas, ligadas a algumas formas de disputa pela legitimidade da prática e   participação de agentes neste espaço. Como exemplos, pode-se citar os conflitos   entre: i) amadorismo e profissionalismo; ii) o corpo desportivo legítimo e o   uso legítimo do corpo; iii) práticas desportivas distintivas e populares (Bourdieu, 1979). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste   contexto, e considerando os atletas paralímpicos como os principais sujeitos   envolvidos e afetados pelas recentes transformações sociais e comerciais do   desporto paralímpico, pode-se então questionar: i) Como se   estabelece a relação dos média com o movimento paralímpico em Portugal?; e ii)   Quais as implicações do discurso e intervenção mediática sobre a participação dos atletas paralímpicos no campo desportivo e na sociedade como um todo? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Decorrentemente,   a   problemática desta pesquisa pautou-se na investigação sobre os processos   sociais que envolvem a interrelação entre os média e o movimento paralímpico, a partir da perceção de atletas portugueses. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O   objetivo geral deste trabalho foi investigar as características e dimensões   socioculturais que envolvem a relação entre os média e o desporto paralímpico,   a partir da auto-representação dos atores, i.e., a perceção pessoal dos atletas   paralímpicos portugueses. De modo específico, objetivou-se elucidar a posição   dos sujeitos quanto à influência dos média sobre os processos de divulgação,   captação de recursos, inclusão social e reconhecimento de feitos desportivos de pessoas com deficiência.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este   trabalho   justifica-se pela reflexão e perspetivação teórica, capaz de contribuir para a   compreensão das realidades socialmente estabelecidas no campo desportivo, no   caso particular do desporto paralímpico em análise, pretendendo igualmente   contribuir, tanto para a promoção da inclusão social, como para o desenvolvimento do desporto de alto rendimento, em particular de pessoas com deficiência.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>M&Eacute;TODO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Tendo por objectivo dar resposta às   questões traçadas para a presente investigação, utilizou-se como técnica de   recolha de informação a entrevista semiestruturada presencial com análise qualitativa de discursos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Participantes</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Foram considerados como atletas   paralímpicos, indivíduos que treinam e competem de forma sistemática e oficial   uma das modalidades dos programas dos Jogos Paralímpicos, organizados pelo   Comité Paralímpico Internacional. Este critério baseia-se na diferenciação   proposta por Costa e Winckler (2012),   na qual o desporto adaptado é um universo que engloba atividades desportivas   adaptadas a pessoas com deficiência, enquanto o desporto paralímpico se   caracteriza por um ambiente mais restrito, ao envolver as modalidades dos Jogos   Paralímpicos, e ser acessível apenas a pessoas que se enquadrem nos critérios de classificação, por isso elegíveis para disputar as provas. </font></p>     <p><font size="2">A amostra do estudo contou com nove   atletas paralímpicos portugueses, adultos, oito homens e uma mulher, em   atividade no campo desportivo durante o período das entrevistas, enquanto   participantes em competições nacionais e internacionais. Houve o cuidado de   recrutar sujeitos com diferentes tipos de deficiência e praticantes de   modalidades desportivas diversas. Os atletas foram indicados pela Federação   Portuguesa de Desportos para Pessoas com Deficiência (FPDD), sendo que o número   final de entrevistados foi determinado pelo critério de saturação (Minayo, 2006). </font></p>     <p><font size="2">Os   sujeitos foram denominados aleatoriamente como S1 a S9, de modo a preservar as   suas identidades. As características dos participantes estão apresentadas na <a href="/img/revistas/mot/v11n3/11n3a13t1.jpg">tabela 1</a>. </font></p>     
<p><font size="2">Esta   pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comité de Ética em Pesquisa da Faculdade   de Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo. Todos os sujeitos assinaram o termo de consentimento de forma livre e esclarecida.</font></p> </font><font size="2" face="Verdana"><b>Instrumento de recolha de discursos e procedimentos de análise</b></font><font face="Verdana">     <p><font size="2">A recolha de dados baseou-se em   entrevistas pessoais e semiestruturadas com atletas paralímpicos portugueses,   realizadas durante o mês de julho de 2013, em locais agendados (centros de   treino, instituições de atendimento a pessoas com deficiência, residências,   universidades; sempre em ambientes fechados, com o cuidado de garantir o   silêncio e evitar interrupções), em horários (diferentes dos momentos de   treinos e competições) indicados pelos entrevistados. Foram realizadas   entrevistas semiestruturadas individuais e pessoais, como sugere Lefèvre e   Lefèvre (2012),   como a principal técnica de recolha dos discursos do método de análise   escolhido (Discurso do Sujeito Coletivo). As entrevistas tiveram uma duração média de 50 minutos.</font></p>     <p><font size="2">A escolha desta técnica de recolha de   dados decorreu do objetivo da presente investigação, dedicada à análise do   discurso de atletas paralímpicos portugueses. Ou seja, o enfoque da   investigação encontra-se orientado para o destaque e protagonismo da perspetiva   dos desportistas frente à abordagem mediática sobre o campo desportivo do qual   fazem parte. Por esta razão, optou-se apenas pela entrevista semiestruturada,   de modo a destacar tal contribuição por parte dos sujeitos. Após a transcrição   dos áudios das entrevistas, este material foi enviado por e-mail a todos os sujeitos para conferência.</font></p>     <p><font size="2">Como opção metodológica, recorreu-se ao   método do “Discurso do Sujeito Coletivo” para a análise dos dados. Esta forma   de pesquisa baseia-se no conceito de Representação Social, que dentro do plano   simbólico de trocas entre diferentes agentes sociais num campo, permite a   comunicação e compreensão de diferentes sentidos, proporcionando coesão entre   os membros de um mesmo espaço social. Neste contexto, o objetivo deste método   consiste em delimitar conteúdos de ordem colectiva, ou seja, que representem a   opinião e posicionamento político-social de grupos de sujeitos, sem eliminar as   diferentes opiniões que podem surgir dentro de um mesmo campo, também   consideradas na análise de resultados (Lefèvre &amp; Lefèvre, 2012). </font></p>     <p><font size="2">O produto desta forma de pesquisa consiste   na construção de diferentes Discursos do Sujeito Coletivo (DSC) que englobam   posicionamentos comuns entre os entrevistados (Lefèvre   &amp; Lefèvre, 2005). Esta forma de análise baseia-se na   premissa de que em um mesmo grupo existem diferentes tipos ou categorias de   pensamento colectivo, e que a construção de diferentes DSC sintetiza e   simboliza tal diversidade (Lefèvre   &amp; Lefèvre, 2012), própria de contextos de turbulências   sociais, que envolvem trocas simbólicas e disputas por poder e reconhecimento   social (Bourdieu, 1983, 1990).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">Embora o método de análise seguido seja   baseado na procura de consensos sobre diversos temas, permite também o   apontamento de dissensos   e, consequentemente, discursos com pequena intensidade ou força (poucos   sujeitos que compartilham de determinada opinião), (Lefèvre &amp; Lefèvre, 2012).</font></p>     <p><font size="2">Este método baseia-se na construção de   discursos que englobam posicionamentos comuns entre os entrevistados, a partir   de figuras metodológicas que encadeadas e relacionadas ordenam as informações:   i) Expressões-chave (ECH) – trechos/partes literais do discurso que revelam a   essência do mesmo; ii) Ideias Centrais (IC) – tema central do discurso, indica   os pontos que devem ser ressaltados na discussão do tema (Lefèvre &amp; Lefèvre, 2005).</font></p>     <p><font size="2">O Discurso do Sujeito Coletivo (DSC)   baseia-se num discurso síntese redigido pelo investigador, sendo composto pela   soma das ECH de cada discurso individual que possui as mesmas IC. Para a   elaboração dos DSC, as ECH foram destacadas e transportadas para Instrumentos   de Análise do Discurso, no qual foram apontadas as IC. Com base na análise das   IC, as ECH foram agrupadas de acordo com os sentidos homogéneos, construindo   DSC diferentes (Lefèvre   &amp; Lefèvre, 2005). A codificação dos dados foi realizada   pelo investigador responsável do projeto, e fiabilidade se deu pelo próprio   processo de construção dos DSC, sendo que este   procedimento não se configura como um processo uni-direcionado, estático ou   rígido. Ao contrário, apresenta um fluxo livre entre as diferentes figuras de   codificação e construção dos discursos (ECH, IC e DSC), sendo estas constantemente revisadas e retomadas para a organização dos resultados.</font></p>     <p><font size="2">Esta   investigação é parte integrante de um projeto de pesquisa que envolveu tanto   atletas brasileiros como portugueses. Os mesmos procedimentos foram seguidos em   ambos os grupos, sendo que o estudo dos atletas brasileiros ocorreu num   primeiro momento (Marques   et al., 2014). Deste modo, as entrevistas piloto que nos permitiram   melhorar o instrumento concebido para a recolha de informação foram realizadas   na primeira etapa do projeto junto dos atletas brasileiros. Foram realizadas duas perguntas iniciais aos sujeitos: </font></p>     <p><font size="2">1)   Como você classificaria a atenção dada pelos média ao desporto paralímpico em Portugal e em outros países?</font></p>     <p><font size="2">2) Como é a relação dos atletas paralímpicos com os média?</font></p>     <p><font size="2">De   acordo com as respostas e temáticas surgidas nas entrevistas, novas questões   foram sendo introduzidas pelo entrevistador (como por exemplo, após uma   resposta do S1 alegando a melhoria da exposição do desporto paralímpico na   média portuguesa, questionámos: “E a partir de quando considera que começou a   melhorar? Utilizando os Jogos Paralímpicos como referência.”), como forma de   aprofundar a discussão do tema e incentivar os atletas a exporem a sua perceção   sobre o objeto estudado. Tal procedimento foi utilizado com todos os sujeitos,   sendo menos recorrente quando o entrevistado se mostrava mais comunicativo e com facilidade para o discurso.</font></p>     <p><font size="2">Deste   modo se explica o fato de nem todos os atletas terem manifestado opinião sobre   todos os temas abordados na nossa análise. Tal ocorrência, somada aos dissensos   próprios dos campos sociais, produziu oito DSC tendo apenas um sujeito como   orador: Tema 1: DSC2; Tema 5: DSC11, DSC15, DSC18, DSC19; Tema 7: DSC23; Tema   8: DSC25, DSC27. Deste modo, os casos específicos caracterizam discursos   legítimos de análise, embora não se configurem como formas essencialmente   colectivas (Lefèvre &amp; Lefèvre, 2012). </font></p>     <p><font size="2">Na   análise e discussão dos resultados são descritas as IC e DSC, divididos de   acordo com os temas abordados nas entrevistas. Sequencialmente aos títulos das   IC, são apontados os sujeitos que compartilham de tal posicionamento, de modo a   demonstrar a intensidade/força dos discursos dentro do grupo dos sujeitos entrevistados.</font></p> </font>     <p>&nbsp;</p> <font size="3" face="Verdana"><b>RESULTADOS E DISCUSS&Atilde;O</b></font><font face="Verdana">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">Devido   ao presente trabalho se basear na análise qualitativa de discurso, optou-se por   agregar as seções de Resultados e Discussão, de modo a oferecer uma descrição   textual dos testemunhos que facilite a elaboração de algumas reflexões sobre o objeto estudado.</font></p>     <p><font size="2">Os   tópicos de análise são destacados por temas, oriundos dos conteúdos dos discursos dos sujeitos estrevistados:</font></p>     <p><font size="2">Tema 1 - Perceção sobre a divulgação do desporto paralímpico nos média;</font></p>     <p><font size="2">Tema 2 - Comparação entre a cobertura mediática do desporto paralímpico em Portugal face outros países;</font></p>     <p><font size="2">Tema 3 - Afirmação do desporto paralímpico nos campos desportivos e mediáticos</font></p>     <p><font size="2">Tema 4 - O papel do marketing no mercado do desporto paralímpico;</font></p>     <p><font size="2">Tema 5 - Divulgação das dificuldades do atleta com deficiência e/ou seus feitos desportivos;</font></p>     <p><font size="2">Tema 6 - Fatores que diferenciam a exposição mediática dos Jogos Paralímpicos; </font></p>     <p><font size="2">Tema 7 - Diferenças na cobertura das modalidades paralímpicas;</font></p>     <p><font size="2">Tema 8 - Cobertura dos diferentes tipos de deficiência;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">Tema 9 - Diferenças de género;</font></p> </font>    <p><font size="2" face="Verdana">Tema 10 - Hegemonia do futebol;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 1 - Perceção sobre a   divulgação do desporto paralímpico nos média</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Elegemos   como Tema 1 a perceção dos atletas sobre a divulgação do desporto paralímpico   nos média. Analisando os resultados, podemos concluir que todos os atletas entrevistados   demonstram insatisfação com a divulgação do desporto paralímpico nos média   portugueses, sendo a Ideia central (IC) no Discurso do Sujeito Colectivo (DSC), que a “Divulgação é insatisfatória” (DSC1– IC-A):</font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>O     desporto paralímpico em Portugal é muito pouco falado. Há uma pequena     divulgação, com poucas informações e notícias. Eu fui campeão do campeonato do     mundo e ninguém soube, ninguém sabe nada. </i>(S1; S2; S3; S4; S5; S6; S7; S8; S9)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No   entanto, por sua vez, um dos atletas (S1) acrescenta que a fraca divulgação   acontece no mundo inteiro (DSC2-IC-B), ao afirmar que “<i>O desporto     paralímpico como um todo nunca foi muito divulgado satisfatoriamente e nunca     será</i>”. Alguns autores (Berger,   2008; Brittain, 2004; Coakley, 2008; Marques et al., 2014, 2013)   corroboram em parte este posicionamento, afirmando que atletas com deficiência   recebem pouca ou nenhuma atenção dos média. Berger (2008)   afirma ainda, que a diminuta divulgação faz com que o público em geral não   conheça o desporto paralímpico, dificultando o fortalecimento de vínculos e interesse destes com esta forma de desporto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com   base nestes discursos, pode-se identificar traços caraterísticos do <i>habitus</i> dos atletas entrevistados, tais como o desejo de maior divulgação, o sentimento   de abandono pelos meios de comunicação, e a injustiça para com o potencial de negócio e mediático do desporto paralímpico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda   assim, encontram-se dois atletas que apresentam uma visão mais otimista quanto   à melhoria deste cenário, ao considerarem que a “Divulgação está melhorando” (DSC3– IC-C). </font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><i>Acho     que de uns anos para cá tem vindo a melhorar. Antigamente ninguém falava sobre     desporto paralímpico. Mas ainda há que melhorar bastante. Antigamente eu via     uma pessoa, procurava na net, na internet e não via nada. Não tinha alguma     coisa, agora tem um site, uma notícia na televisão, algo. Antigamente não, é     uma coisa que nós estamos mudando, está mais divulgado. Sem dúvida está muito     melhor, sem dúvida. </i>(S1;     S5)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns   autores corroboram esta perceção, tanto em Portugal (Pereira   et al., 2011), como em outros países (Brittain, 2004; Howe, 2008; Macdonald, 2008; Marques et al., 2014, 2013). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns   dados ilustram este processo de mudança. Por exemplo, os Jogos Paralímpicos de   1996 em Atlanta foram os primeiros com cobertura da televisão nos EUA (Macdonald,   2008),   com um total de apenas 4 horas de transmissões em dois finais de semana (Schell   &amp; Duncan, 1999). Porém, a partir destes Jogos,   verificou-se um aumento do número de direitos de transmissão vendidos a emissoras   de TV e rádio participantes da cobertura dos Jogos Paralímpicos de verão,   respectivamente, menos de 20 em 1996; 35 em 2000; 50 em 2004, sendo, neste   último, oriundos de 43 países diferentes (Macdonald,   2008).   Além disso, nos Jogos Paralímpicos de 1996 estiveram presentes 1600 jornalistas   credenciados, em 2000, 2400 profissionais, e em 2008, 3100 representantes da   imprensa internacional (Macdonald, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste   <i>continuum</i> cabe destacar a melhoria da qualidade da cobertura, sendo que   em 1996 apenas o atletismo, natação e basquetebol em cadeira de rodas contaram   com mais de uma câmera para transmissão, e em 2000 e 2004 todas as modalidades   contaram com tal estrutura. Além disso, todos os eventos com disputa de medalhas   contaram com cobertura (MacDonald, 2008). Será ainda de realçar, que os Jogos   Paralímpicos de inverno de 2010, em Vancouver, tiveram a maior cobertura   mediática até o ano de 2012 (Misener,   2012).   Todos estes dados, em articulação com a perceção de alguns atletas   entrevistados, sugerem que, de fato, embora ainda haja certa insatisfação com a   abrangência da cobertura mediática, ela vem melhorando em termos de abrangência   e número de sujeitos envolvidos. Porém, ainda se torna evidente o diminuto destaque do desporto paralímpico e dos Jogos Paralímpicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os   discursos dos atletas sugerem que realmente existe uma disputa pelo espaço   mediático dentro do campo desportivo. O que se depreende, é que existe um   capital simbólico específico neste espaço, que se traduz em maiores ou menores   possibilidades de ganhos de destaque nos meios de comunicação. Nesta ótica,   pode-se afirmar que o desporto paralímpico, talvez por ser novo nesta disputa,   ainda não possui o poder simbólico de outras formas ou práticas desportivas,   dado o reduzido espaço que ainda ocupa. Porém, tanto os discursos de alguns   atletas, como alguns dados recolhidos na literatura, apontam para um processo de aquisição de valor simbólico ligado ao produto paralímpico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 2 - Comparação entre   a cobertura mediática do desporto paralímpico em Portugal face outros países</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Alguns   entrevistados compararam a cobertura mediática em Portugal com outros lugares   do mundo, destacando que em terras lusitanas o quadro é pior, por isso que a “Divulgação   em outros países é melhor” (DSC4–IC-D). Nestes, são referidos países como a Alemanha, Inglaterra e Brasil:</font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>A     nível internacional eu percebo diferenças, eu adorei o trabalho feito pelos ingleses.     Eles tinham outdoors nas ruas, onde diziam: “obrigado olímpicos pelo     aquecimento, agora vêm as competições a sério”. Quer dizer, estão a pôr os     olímpicos para trás. Por exemplo, na Alemanha, quando nós vamos competir,     existe a transmissão. Mas a maior presença nos média internacionais foi no     Brasil, nem que fossem 5 minutos, tinha sempre alguma menção ao desporto paralimpico.     Os brasileiros tinham uma cobertura dos média em direto. Está um pouquinho     melhor do que em Portugal </i>(S1; S2; S4; S5; S9).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns   dados da literatura corroboram a insatisfação dos atletas face à cobertura dos   média portugueses em relação à realidade brasileira. No trabalho de comparação   entre a divulgação mediática nos dois países, Figueiredo e Guerra (2005)   apontam que: i) o Brasil foi o país que mais horas transmitiu nos Jogos   Paralímpicos de 2004 (168h), seguido da Espanha (125h); ii) 65% das notícias   dos média digitais eram provenientes de websites brasileiros e 35% portugueses durante os mesmos Jogos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A   este propósito, num estudo semelhante, Figueiredo e Novais (2011)   salientam ainda, que o país sul-americano recebeu mais informação sobre a   preparação dos atletas e bastidores das competições entre os Jogos Paralímpicos   de 1996 a 2008, do que o Estado-nação europeu. Uma das explicações dos autores   para tais discrepâncias é o fato de só recentemente se ter assistido à fundação   do Comité Paralímpico Português, em 2008, face ao órgão similar brasileiro fundado em 1995.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Torna-se   assim evidente uma diversificação de reconhecimento do desporto paralímpico em   diferentes países. Webborn (2013)   destaca, por exemplo, uma ampla cobertura mediática dos Jogos Paralímpicos em Londres 2012 e a sua contribuição para a disseminação de ideais inclusivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os   discursos dos sujeitos sugerem que Portugal ofereceria menor relevância   simbólica ao desporto paralímpico do que outros países, dando como exemplo o   Brasil, Alemanha ou Inglaterra. Os fatos sugerem que esta realidade advém de   disputas internas nos campos mediáticos regionalizados, dependentes, porventura, do <i>habitus</i> próprio de diferentes populações. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 3 - Afirmação do   desporto paralímpico nos campos desportivos e mediáticos</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">À   luz dos pressupostos teóricos da Teoria dos Campos de Bourdieu, podemos   perspetivar que sendo o desporto paralímpico um produto novo no campo   mediático, a aquisição de maior capital simbólico irá requerer uma escolha   entre por um lado, procurar adequar-se às regras ditadas pela violência   simbólica em exercício no campo, e por outro, tentar modificar os critérios de   distribuição de poder. Compreende-se, com base nos discursos dos entrevistados,   que existem movimentos em Portugal que procuram aproximar os espectadores do   Movimento Paralímpico do país, como por exemplo, o financiamento por parte dos   órgãos reguladores do desporto paralímpico a membros da imprensa para a   cobertura dos Jogos. Este tipo de ação permite a interpretação de que, mesmo   que timidamente, existem ações no sentido da conquista de maior espaço no campo mediático em Portugal.</font></p>     <p><font size="2">Dos   motivos de insatisfação dos entrevistados em relação à cobertura mediática   destaca-se, com número elevado de citações (sete e seis respectivamente): i) só   acontece em períodos dos Jogos Paralímpicos, campeonatos mundiais e grandes   resultados internacionais (IC-E); ii) não há transmissão de competições, apenas notícias sobre resultados (IC-F). </font></p>     <p><font size="2">Como   nos foi manifestado, a “Divulgação só acontece no período dos Jogos   Paralímpicos de verão, campeonatos mundiais ou com resultados internacionais expressivos” (DSC5 – IC-E):</font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Quando     a gente vai para um mundial, europeu, e às vezes quando vamos para uma prova     internacional, um meeting, é falado. A nível nacional divulga-se umas duas     semanas antes dos Jogos Paralimpicos e duas semanas depois, depois esquece-se.     Mas basicamente as notícias que aparecem são sobre os Jogos. Mesmo no mundial,     que aparece uma notícia, por exemplo, 3 minutos, ou 10 minutos durante um     mundial. É muito pouco. Existem alguns canais que transmitem algumas     entrevistas que nós damos nas finais. Só se fala do desporto adaptado quando há     medalhas. </i>(S1;     S2; S4; S5; S6; S7; S8)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Como   podemos observar, segundo os atletas entrevistados, “Não há transmissão de competições, apenas notícias” (DSC6 – IC-F):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Ninguém     nos acompanha nos Jogos Paralímpicos. Dava uma filmagenzinha, aparecia no     telejornal, o jornal das 8h ou da 1h da tarde. Nos Jogos de Sidney, houve um     resuminho de uma hora para os Jogos todos, no final. Umas noticiazinhas nos     jornais, nos jornais desportivos, algo pequeno. Para Atenas, eu lembro que foi     a primeira vez que tivemos em direto as finais. Tivemos as finais de natação,     acho que tivemos do boccia. Mas que, bom, como era em Atenas, calhava no     horário normal, então conseguiram fazer assim, uns diretos. Para Pequim, com a     diferença de horário, já foi um pouco mais difícil e não conseguiram. Fazia-se     todos os dias um resuminho de 20, 30 minutos, passava na televisão, pois havia     as notícias que saíam nos jornais. Mas em Londres, tinhas um resumo diário,     acho que de 1 hora, não tinhas provas em direto. </i>(S3; S4; S6; S7;     S8; S9)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambas   as Ideias Centrais caracterizam uma perceção negativa por parte dos atletas   sobre a frequência e conteúdo de divulgação do desporto paralímpico. Existe a   sensação de que a cobertura baseada em notícias se mostra incompleta, pois a   transmissão de competições acaba sendo menosprezada, o que se traduz na marginalização destes eventos em relação a algumas modalidades olímpicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Brittain   (2004)   concorda com a posição dos entrevistados em relação à IC-E. Outros autores,   além de reforçarem esta ideia, apresentam um quadro mais grave. Coakley (2008)   refere que nos EUA, o desporto paralímpico é divulgado nos média apenas em   períodos dos Jogos Paralímpicos. O autor afirma também, que os campeonatos   mundiais e outros eventos são ignorados pelos meios de comunicação do seu país.   Ellis (2009)   tem opinião idêntica em relação à Austrália. No mesmo sentido, alguns   jornalistas desportivos entrevistados por MacDonald (2008)   também reconhecem que a cobertura do desporto paralímpico se dá por 15 dias, apenas durante os Jogos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto   à IC-F, a literatura reforça a perceção dos atletas entrevistados, destacando   certa predominância de matérias com ênfase nos resultados, recordes e medalhas (Figueiredo   &amp; Guerra, 2005; Pereira et al., 2011; Thomas &amp; Smith, 2003).   Alguns meios de comunicação escritos do Brasil e Portugal, entre os Jogos   Paralímpicos de 1996 a 2008, seguiram na mesma direção, em detrimento de outras   temáticas sobre o evento, como questões organizacionais, político-económicas,   expetativas dos atletas, bastidores ou dopagem (Figueiredo &amp; Novais, 2011). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por   outro lado, Pereira et al. (2011)   salientam que em Portugal, descrições mais detalhadas sobre o desempenho dos   atletas vêm ganhando maior espaço. Misener (2012)   aponta que a predominância de resultados como conteúdo quase que exclusivo de   notícias também se dá no Canadá, onde jornais de âmbito nacional, durante a   cobertura dos Jogos Paralímpicos de inverno de 2010, restringiram-se a destacar   campeões e atletas que participaram tanto nos Jogos Olímpicos como nos Jogos Paralímpicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por   outro lado, o Brasil pode-se considerar um país privilegiado em relação à   transmissão de competições paralímpicas. Gestores do Comité Paralímpico   Brasileiro apontam que tanto os Jogos Paralímpicos de 2004, como os de 2008,   assim como o campeonato mundial de natação paralímpica de 2010, contaram com   transmissões ao vivo em canal de televisão por assinatura especializado em   desporto (Marques   et al., 2013), encontrando ressonância no discurso de atletas (Marques   et al., 2014). Embora tais iniciativas tenham ocorrido num ambiente   restrito, e de certo modo elitista, ainda assim, mostram-se como um avanço em   relação à maior divulgação do desporto paralímpico, e também em relação à cobertura mediática de outros países do mundo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Compreende-se   que os atletas entrevistados se lamentem pela fraca valorização de seus feitos,   e pela importância diminuta oferecida ao Movimento Paralímpico como um todo. A   divulgação de resultados, embora possa simbolizar uma conquista do espaço   mediático, ainda assim, não satisfaz os membros da comunidade paralímpica,   talvez devido à pequena contribuição na divulgação e sedimentação do <i>habitus   </i>paralímpico e, principalmente, de uma cultura de identificação e   valorização do desporto paralímpico pelo grande público. Os dados sugerem que   neste processo não se registra uma preocupação, por parte dos meios de   comunicação, com a criação de ídolos paralímpicos, ao contrário de alguns   desportos olímpicos. Este fato é sugerido pela pequena aproximação com os   atletas em períodos entre competições, assim como pela fraca exploração dos processos de treino e competição durante os ciclos paralímpicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 4 - O papel do   marketing no mercado do desporto paralímpico</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">O   interesse comercial no desporto pauta-se pela proximidade com espectadores que   se tornam consumidores, e o desejo das empresas se aproximarem destas pessoas   para vender os seus produtos (Howe,   2004).   Porém, o grande público conhece pouco sobre as particularidades do desporto   paralímpico (Howe,   2008).   O desporto contemporâneo tem sido beneficiado pela relação com os média. Talvez   o aspecto mais importante desta associação seja justamente o económico (Coakley,   2008).   Neste contexto, o fato de o grande público não conhecer o desporto paralímpico,   e por isso não ser seu consumidor, leva os média a não o privilegiarem devido   ao risco de obterem apenas uma pequena audiência, e consequentemente o retorno comercial vir a ser insatisfatório. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">Uma   implicação da divulgação insatisfatória do desporto paralímpico é, segundo   alguns atletas, a “Dificuldade em obter patrocínio devido à pequena divulgação”   (DSC7 – IC-G), o que parece ser consequência da denúncia de que o desporto   paralímpico “Não tem um trabalho de marketing suficientemente atrativo” (DSC8 –IC-H):</font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Eu     pedi patrocínio a uma empresa e até hoje... nada. Porque é pouco divulgado, não     há dinheiro. Para os Jogos de Atenas, oferecemos uma parceria com uma empresa     de marketing e comunicação e foram os Jogos que melhor funcionou. É verdade,     nos Jogos de Atenas conseguimos ter finais em direto na televisão. Tudo bem,     não era em horário nobre, era a segunda televisão estatal, mas pela primeira     vez tiveste e aí consegues dar retorno a patrocinadores. </i>(DSC7 – IC-G: S1;     S8)</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Ainda     não arranjaram um mecanismo de marketing para vender o desporto paralímpico.     Não tem um apelo comercial. Não sabem usar a sua imagem. Não vão aos     campeonatos da Europa, não vão acompanhar os campeonatos do mundo, se um atleta     faz um resultado, um recorde do mundo, alguma coisa assim do género, sai uma     notinha de duas ou três linhas na última folha do jornal, pouco mais do que     isso. São esses aspectos que eu acho que não somos devidamente trabalhados e     tem que ser nesse aspecto, tem que ser a Federação, o Comité a investir. </i>(DSC8 – IC-H: S1; S7; S8)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Os   média são um dos catalisadores da perspetiva comercial do desporto paralímpico (Howe,   2008).   A literatura indica que, de fato, existe certa resistência por parte de   potenciais patrocinadores face à associação da sua marca a atletas com   deficiência (Marques,   Duarte, Gutierrez, Almeida, &amp; Miranda, 2009). Esta realidade   fica-se a dever: i) ao incómodo estético que os afastam de estereótipos de   saúde e beleza; ii) à falta de identificação entre o movimento paralímpico e o   público consumidor; e iii) à dificuldade de associar uma imagem tida como   frágil, aos ideais desportivos de superioridade, força e vitória (Faria &amp; Carvalho, 2011; Pereira et al., 2011). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como   referem Marques e Gutierrez (2014),   os média que cobrem o desporto paralímpico utilizam-se do “capital físico” do   ponto de vista do desempenho e da estética. Conclui-se, tanto no discurso dos   sujeitos como na literatura, que existe uma disputa nos campos desportivo e   mediático, ligado ao corpo legítimo do <i>habitus</i> desportivo. A este   propósito, Bourdieu (1979)   aponta os estereótipos ligados à força, virilidade e resistência,   historicamente associados ao desportista, o que lhe confere maior ou menor capital simbólico no desporto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pode-se   assim concluir que, neste sentido, os atletas paralímpicos sofrem de   discriminação, ou desvantagens, em relação aos olímpicos na disputa pelo espaço   mediático. De modo a ultrapassar os constrangimentos impostos pelos valores e   crenças dominantes no campo desportivo, e aceites e reproduzidos pelos média,   Howe (2004)   afirma existirem movimentações no Comité Paralímpico Internacional, para   modificar algumas regras de distribuição dos atletas em classes, de modo a   privilegiar sujeitos que estejam mais próximos do estereótipo desportivo tradicionalmente legitimado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Também   a afirmação dos atletas paralímpicos se dá, pela disputa ou concorrência entre   eles, na obtenção de maior capital simbólico no espaço mediático, pela procura   reivindicativa da valorização dos seus feitos, em oposição às resistências culturalmente estabelecidas relativas a questões estéticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Considerando   que os média são uma ferramenta importante para a disseminação da cultura   desportiva (Bourdieu,   1994, 1997; Marivoet, 2006; Silva &amp; Howe, 2012),   seria desejável que a lógica de divulgação do desporto paralímpico, e de outras   manifestações desportivas pouco prestigiadas, fosse revista, de modo a atrair   maior interesse do público. Este movimento poderia expressar-se em iniciativas   conjuntas promovidas pelas entidades organizadoras do desporto e os meios de   comunicação social, como por exemplo, o financiamento por parte do Comité   Paralímpico Brasileiro a jornalistas do Brasil para cobrirem os Jogos   Paralímpicos de 2004 e 2008 (Marques et al., 2013). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste   mesmo sentido, dois atletas entrevistados  referem que o “Comité Paralímpico de   Portugal e a Federação Portuguesa de Desportos para Pessoas com Deficiência   paga para os jornalistas fazerem a cobertura” dos Jogos Paralímpicos, (DSC9 – IC-I):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>O     Comité e a Federação chamam a própria imprensa para cobrir. Porque normalmente     eles têm de pagar para os jornalistas irem, incluindo estadia, estarem lá,     mesmo para transmitirem para a televisão estatal </i>(S6; S8)<i>.</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Também   MacDonald (2008)   refere que o Comité Organizador dos Jogos Paralímpicos de 2000, em Sidney,   arcou com parte das despesas dos grupos de jornalistas estrangeiros.   Administradores brasileiros apontam o mesmo procedimento por parte do Comité   Paralímpico Brasileiro nos Jogos Paralímpicos de 1996, 2000 e 2004 (Marques   et al., 2013). Tais fatos sugerem que esta prática é, de certo   modo, adotada por dirigentes de diferentes países, na tentativa de aumentar a   divulgação do desporto adaptado, podendo ser interpretado como um ato de investimento por parte dos gestores paralímpicos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Porém,   o ideal seria que tais medidas não viessem a ser mais necessárias num futuro   próximo. Mas para que esta realidade seja possível, seria importante que tanto   os meios de comunicação dedicassem maior atenção a esta forma de desporto, como   o movimento paralímpico adequasse algumas das suas diretrizes, como por   exemplo, o sistema de classificação, tal como é salientado por Howe (2008),   de modo a tornar-se mais interessante para o público e, consequentemente, para patrocinadores e média.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 5 - Divulgação das   dificuldades do atleta com deficiência e/ou seus feitos desportivos.</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">O   discurso mediático sensacionalista, destinado a destacar a superação das   adversidades oriundas da deficiência, é denominado <i>supercrip</i> (Berger,   2008; Hardin &amp; Hardin, 2004; Howe, 2008; Misener, 2012; Silva &amp; Howe,   2012).   Esta tendência implica um processo estereotipado de divulgação do atleta com   deficiência como um herói que, mesmo com as desvantagens que lhe são impostas,   supera-as e consegue feitos extraordinários (Silva &amp; Howe, 2012).</font></p>     <p><font size="2">O   <i>supercrip</i> carateriza-se como um discurso que atribui ao atleta   paralímpico valores mais ligados à deficiência e superação de suas   dificuldades, do que aos seus feitos desportivos. Este discurso mediático   atribui um capital simbólico ao atleta com deficiência, que por um lado, o   diferencia dos atletas não deficientes, e por outro, imprime-lhe um estereótipo   de menor importância no campo desportivo (Marques et al., 2014).</font></p>     <p><font size="2">Os   nossos entrevistados não foram consensuais face à perceção das diferentes   perspetivas mediáticas na cobertura do desporto paralímpico. Destacam-se três   posicionamentos: i) preferência por divulgação dos feitos atléticos e incómodo   com o foco na superação da deficiência (IC-J); ii) perceção otimista quanto à   divulgação sobre a superação da deficiência (IC-K); e iii) perceção positiva em relação a um equilíbrio entre as duas formas (IC-L). </font></p>     <p><font size="2">Elucidativas   são as respostas de alguns atletas entrevistados acerca do “Incómodo com o fato   das condições de deficiência serem mais valorizadas do que os resultados desportivos. Prefere a divulgação dos feitos atléticos” (DSC10 – IC-J):</font></p> </font>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><i>Eu     acho que a melhor forma de divulgação do desporto paralímpico é dizer que nós     fomos lá e fizemos alguma coisa para o país. Eu gosto que falem dos resultados     e não da vida pessoal, porque a minha vida é a minha vida. Com mais dificuldade     ou com menos dificuldade, a minha vida particular é a minha vida particular.     Não quero ser tratado como um deficiente, porque eu acho que sou igual às     outras pessoas e mereço ser tratado como atleta. A deficiência é só algo que me     aconteceu na vida. </i>(S1; S2;     S3; S4; S7; S8)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Porém,   em dissenso, um atleta considera que “Se sente valorizado e prefere a divulgação sobre a superação” (DSC11 – IC-K):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>A     divulgação sobre a superação das dificuldades relativas à deficiência é a linha     que eu prefiro e me sinto valorizado. Dá informação às pessoas com deficiência     que estão fechadas </i>(S5).   </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Já   para outros atletas, a opinião é de que “Acredita que as duas perspetivas se complementam como modo de aumentar a divulgação” (DSC12 – IC-L):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>As     duas possibilidades são boas. Era uma coisa útil que se completava, porque as     pessoas vão dizer assim, eu ganhei uma medalha disso e daquilo, e os     espectadores perguntarão: mas quem é ela? Mas quem é? No Facebook, eu criei uma     página em dezembro, tinha 500 gajos só. Este mês do Splash [programa de entretenimento     na televisão] já tem 3 mil. Acho que as duas coisas se completam. Precisa-se     das duas formas de divulgação. Eu acho que é só haver um equilíbrio entre elas.     Acho que não se deve esconder nada, talvez só um bocadinho, da parte que dá     mais ênfase à superação, da parte de deficiência e tudo mais e tirar a parte     desportiva, dos resultados, porque a parte desportiva eu acho que é a parte de     real superação. O atleta teve que passar por toda aquela fase de superar as     dificuldades da deficiência para chegar na parte desportiva, porque é prova da     nossa superação, que é possível. </i>(S6; S7; S8; S9)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta   divisão de opiniões foi também encontrada em grupos de atletas paralímpicos   norte-americanos, britânicos e brasileiros (Hardin   &amp; Hardin, 2004; Marques et al., 2014; Purdue &amp; Howe, 2012).   Ex-atletas aposentados britânicos afirmam que seria melhor o foco sobre as   potencialidades da pessoa com deficiência e não em suas dificuldades (como na   IC-J). Sentem-se melhor representados em relação à divulgação dos seus feitos   desportivos, pois consideravam-se atletas de alto rendimento (Purdue &amp; Howe, 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alguns   praticantes de desportos em cadeira de rodas nos EUA também demonstraram   preferir modelos de cobertura mediática com destaque aos resultados desportivos   (em concordância à IC-J), pois temem que o público não os veja como atletas e   fortaleça o sentimento de pena pela pessoa com deficiência. No mesmo estudo,   outros sujeitos disseram preferir o discurso <i>supercrip</i> (como a IC-K),   porque valoriza e destaca a determinação da pessoa com deficiência, mostra-as   de modo positivo e aumenta a exposição destes sujeitos nos média (Hardin   &amp; Hardin, 2004). O último destes argumentos vai de   encontro à perspetiva de que não importa como, mas é importante que os média falem sobre as pessoas com deficiência. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por   sua vez, um grupo de 23 atletas brasileiros também dividiu-se entre os três   posicionamentos expostos pelas IC-J, IC-K, IC-L, sendo uma minoria (quatro   sujeitos) com uma perspetiva positiva sobre o <i>supercrip</i> como a melhor   forma de divulgação dos feitos de desportistas paralímpicos (Marques et al., 2014), assim como neste presente estudo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Embora   alguns atletas paralímpicos prefiram serem tratados pelos seus feitos   atléticos, alguns aceitam o discurso <i>supercrip</i> para receberem alguma   exposição mediática (Coakley,   2008; Hardin &amp; Hardin, 2004; Marques et al., 2014).   Este posicionamento foi também encontrado entre sujeitos deste trabalho como acabámos de analisar (IC-K, IC-L). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta   realidade permite supor que existe uma indefinição quanto à preferência do   capital simbólico atribuído pelo discurso <i>supercrip</i> aos atletas   paralímpicos. De fato, embora seja uma forma de valorização no campo mediático,   não representa um caminho consistente para a ascensão ou afirmação no campo   desportivo. Talvez, por esta razão, haja esta falta de consenso entre os entrevistados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambos   os discursos sobre a cobertura mediática de atletas com deficiência são   suportados por fatos segundo a opinião dos desportistas, realidade que reforça   a falta de consenso. Assim, encontramos dois grupos de atletas, um que aponta a   predominância do discurso sobre os feitos atléticos (IC-M), e outro que aponta   a maior ocorrência do discurso sobre a superação das dificuldades em relação à deficiência – <i>supercrip</i> (IC-N).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim,   segundo dois dos atletas, “Há predominância do discurso sobre os feitos atléticos nos média” (DSC13 – IC-M): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Eu     acho que há mais divulgação dos feitos desportivos. Porque a gente tem mais     isso para divulgar. No nível particular nós evitamos. Poucas pessoas são usadas     nessa justificativa </i>(S1;     S7). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Já   para os atletas S2 e S8 “Há predominância do discurso sobre superação nos média” (DSC14 – IC-N): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>A     vertente que é mais focada diz respeito à superação da deficiência. Essa é     quase uma parte inerente às notícias sobre o desporto paralímpico. Os média nos     tratam como coitadinhos, deficientes. Não nos trata como atletas </i>(S2; S8)<i>.</i> </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambas   as possibilidades de cobertura acontecem na mediatização paralímpica (Marques   et al., 2013). Porém, o discurso <i>supercrip</i> é mais recorrente   e tradicional (Berger,   2008; Faria &amp; Carvalho, 2011; Figueiredo &amp; Novais, 2011; Howe, 2008;   Misener, 2012; Schell &amp; Duncan, 1999; Silva &amp; Howe, 2012; von Sikorski   &amp; Schierl, 2012). Especificamente sobre a realidade   portuguesa, Carmo (2006)   concorda com o posicionamento dos sujeitos que se situaram na IC-N. A autora   aponta que os atletas paralímpicos são apresentados nos média como exemplo de   dedicação e superação, e não como desportistas de alto rendimento, o que dificulta a criação de ídolos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Assim   como alguns atletas de outros países que apontam insatisfação em relação ao   discurso <i>supercrip</i> (Berger,   2008; Hardin &amp; Hardin, 2004; Marques et al., 2014; Purdue &amp; Howe, 2012),   os sujeitos entrevistados neste trabalho posicionaram-se em maioria na mesma   direção (IC-J). Um dos atletas (S4) fez ainda um comentário, que aponta no   sentido de aceitar que falem sobre a superação de dificuldades apenas quando   elas se referem aos desafios próprios da prática desportiva (DSC15 – IC-O:   “Quando se menciona superação, prefere que se fale sobre a superação no   desporto”), nas suas palavras: “<i>Eu     dou mais valor à superação no desporto em que estou e na ajuda ao nosso país</i>”.   Ou seja, independentemente do atleta ser ou não pessoa com deficiência, expõe a sua vontade de ser tratado unicamente como desportista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora   a maioria dos entrevistados prefira a abordagem ligada aos feitos atléticos,   boa parte reconhece que o discurso <i>supercrip</i> atrai maior audiência para   o desporto paralímpico (DSC16 – IC-P: “O discurso da superação atrai mais audiência e tem maior apelo comercial”):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Aquelas     pessoas que não desistem, querem lutar e sabendo usar isso tudo, vende. Eu     consegui uma entrevista apenas, foi um senhor amigo meu que estava a tratar da     direção da RTP, em que tive lá cerca de 2, 3 minutos, em que estive a falar dos     meus treinos e pronto. Nas outras entrevistas estamos a falar da superação,     como superou as dificuldades da deficiência. Somos mesmo tratados como     coitadinhos. Esta é uma grande verdade. É que os portugueses gostam muito das     coisas do coitadinho</i>     (S2; S3; S7; S8; S9)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Como   sublinham alguns autores, os média, e principalmente a televisão, divulgam o   que lhes for mais interessante, tanto do ponto de vista político como económico   (Bourdieu,   1997; Coakley, 2008). Existe uma lógica comercial que   determina os conteúdos privilegiados no campo mediático (Bourdieu,   1997),   inclusive sobre o desporto paralímpico (Schantz   &amp; Gilbert, 2001). Estes são determinados a partir da sua   capacidade de gerar audiência (Coakley,   2008),   por razões financeiras, interesse do público ou patrocinadores e “noticiabilidade”   (Brittain, 2004). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste   sentido, os jornalistas dependem de boas histórias sobre os atletas, e as   narrativas mais valorizadas acabam sendo as vinculadas ao puritanismo e ao   estereótipo do <i>supercrip</i>, e não aos feitos desportivos (Howe,   2008).   Tal perspetiva acaba por nutrir a indústria mediática desportiva (Silva   &amp; Howe, 2012), mas não contribui para a legitimação dos   atletas paralímpicos como desportistas de elite (Berger,   2008),   e a criação de ídolos por parte do público em geral (Novais   &amp; Figueiredo, 2010). Neste processo, é explorada a compaixão   dos espectadores pelos atletas paralímpicos, tratando-os como vítimas (Figueiredo   &amp; Guerra, 2005). Este discurso parece ser coerente com a   procura de ganhos de espaço e reconhecimento simbólico no campo mediático, porém, não se traduzem no aumento de prestígio no campo desportivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cria-se   assim certa “assepsia moral”, ou seja, trata-se o desporto paralímpico de modo   puritano, desvinculado de qualquer sentido crítico por parte dos média. Temas   controversos, como dopagem e desempenhos não satisfatórios de atletas, não são   destacados pelos média, diferenciando o desporto paralímpico do desporto olímpico,   e criando uma áurea de marginalização e desprestígio (Howe, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro   tema abordado pelos atletas entrevistados foi a influência que a divulgação   mediática poderia causar sobre a adesão de pessoas com deficiência em práticas   desportivas. Dois dos sujeitos entrevistados referiram que uma cobertura   baseada em feitos atléticos seria mais favorável para estimular as pessoas a se   inserirem em programas desportivos (DSC17 – IC-Q: “Maior divulgação de feitos atléticos estimularia mais pessoas a praticar desporto”):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>No     nosso espaço existem pessoas com deficiência que se isolam completamente, que     acham que não conseguem fazer as coisas, mas se houvesse mais divulgação     daquelas pessoas que conseguem fazer, acho que se existisse mais divulgação     como o André Brasil, que é um dos melhores atletas para mim, estimularia as     pessoas a tentarem se superar. Se existisse a mesma publicidade do André Brasil     como, por exemplo, com o Michael Phelps, acho que viriam muito mais pessoas com     deficiência praticar natação adaptada. Sem isso, é mais difícil. Porque falta     um bocado de transmissão informando as pessoas. Seria importante falar um     pouquinho mais, para atrair o jovem que não conhece o desporto</i> (S3, S4).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Thomas   e Smith (2003)   reforçam esta perspetiva. Porém Misener (2012)   afirma que, embora a divulgação dos Jogos Paralímpicos possa estimular pessoas   com deficiência a praticar desporto, existe um sério problema em relação à   oferta de oportunidades para tal. Ellis (2009) reforça   esta ideia, assinalando que na Austrália as crianças em geral são muito   incentivadas à prática desportiva. Porém, as pessoas com deficiência não   recebem tantas oportunidades, indo de acordo com um dos sujeitos, que defende a   necessidade de aumento de oportunidades de prática para pessoas com deficiência   (DSC18 – IC-R: “Tenta divulgar a ideia de que pessoas com deficiência têm as   mesmas possibilidades de ação das não deficientes. Porém, precisam de oportunidades”), como afirma: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Eu     tenho sempre que ficar e dar asas para que as pessoas saibam que há desporto     adaptado e que as pessoas com deficiência são iguais e podem fazer muitas     coisas que outras pessoas fazem também, precisam é de ajuda</i> (S7)<i>. </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda   assim, um dos entrevistados (S6) defende que o discurso <i>supercrip</i> tem   também a capacidade de incentivar pessoas a praticar desporto (DSC19 – IC-S:   “Falar da superação pode motivar pessoas com deficiência a superarem suas   dificuldades”), como assinalou: “<i>É bom para motivar alguém que está no fundo     do poço por conta de uma deficiência e para motivar essa pessoa a seguir</i>”.   Este atleta encontra ressonância em alguns colegas norte-americanos e   brasileiros (Berger,   2008; Hardin &amp; Hardin, 2004; Marques et al., 2014),   que consideram o <i>supercrip</i> como uma forma de mostrar a deficiência de   modo positivo, destacando a determinação e o poder de superação das pessoas com deficiência.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No   entanto, para alguns autores, o discurso <i>supercrip</i> baseia-se no   paradigma médico da deficiência, e fortalece estereótipos de dependência e   ineficiência, contribuindo para a disseminação da discriminação e preconceito (Figueiredo   &amp; Novais, 2011; Hardin &amp; Hardin, 2004; Howe, 2008; Pereira et al.,   2011; Silva &amp; Howe, 2012). Para alguns autores, esta abordagem   trata os atletas como vítimas, explorando a compaixão dos espectadores (Figueiredo   &amp; Guerra, 2005), e desse modo dificultando o surgimento   da admiração pelos feitos atléticos e a consequente formação de ídolos   desportivos (Novais   &amp; Figueiredo, 2010). Sobre este assunto, Brittain (2004)   discorda da IC-S, e defende que tanto a falta de divulgação, como a imagem de   pena e compaixão para com os atletas com deficiência contribuem para inibir o envolvimento de pessoas com deficiência em atividades desportivas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta   perspetiva radica na ideia de que a criação de ídolos no campo desportivo   respeita critérios ligados aos feitos extraordinários de atletas que parecem   superar capacidades dos cidadãos comuns (Coakley,   2008).   Ao tratar os atletas com deficiência sob uma perspetiva de menosprezo e   compaixão, os média acabam por não privilegiar a criação de ídolos   paralímpicos, imprimindo uma marca simbólica de inferioridade a estes atletas   no mercado desportivo. Deste modo, tornam-se dificultadas as ações de marketing   em relação ao desporto paralímpico, tanto para difundir o aspecto comercial do   mesmo, como para estimular novos praticantes, ou seja, pessoas com deficiência   que, eventualmente, ambicionem a aquisição de capitais simbólicos advindos da   imagem de atletas com deficiência, encontram assim resistências às suas expetativas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 6 - Fatores que   diferenciam a exposição mediática dos Jogos Paralímpicos</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Da   análise da informação recolhida, pudemos concluir que os atletas entrevistados   posicionaram-se de forma diferenciada na abordagem de alguns fatores presentes   no campo paralímpico. Uma primeira ideia foi a comparação entre as coberturas   mediáticas do desporto olímpico e paralímpico, na qual os atletas denunciam uma   predominância do primeiro no espaço mediático, associado ao maior prestígio com   o público, meios de comunicação e patrocinadores (DSC20 – IC-T: “Os Jogos   Olímpicos têm mais prestígio e uma divulgação maior do que os Jogos Paralímpicos”):</font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>A     diferença que eles fazem é paralímpico e olímpico. Aqui em Portugal, eu acho     que estamos um bocado esquecidos, ficamos na sombra do que é o desporto dos     ditos normais. Quando há jogos olímpicos, sempre a televisão está ligada nisso.     Quando é o desporto adaptado, não sei se há espaço. A diferença é muito grande.     Umas 80 horas diárias nos olímpicos e chegam os paralímpicos tem uma nota     escrita. O que tu vês como transmissão paralímpica diária é uma hora a seguir     ao telejornal da tarde e uma hora seguida no telejornal da noite. Tem um canal     com olimpíadas que é aquela coisa, 24 horas sobre aquilo. E você vê:” nadador     não sei das quantas fica em vigésimo sétimo”. Aí, depois aparecem os     paralímpicos: “David Grachat ficou em sexto na final. Simone Fragoso ficou em sétimo     na final”. Que importância se dá né, ficar o canal 24 horas aos atletas     portugueses que ficaram em trigésimo, em quadragésimo, olha que absurdo. </i>(S4; S6; S7;     S9)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Alguns   autores corroboram esta perspetiva (Brittain,   2004; Marques et al., 2009; Schantz &amp; Gilbert, 2001),   afirmando que os média não abordam o desporto adaptado do mesmo modo que o   desporto de pessoas não deficientes, havendo uma grande diferença entre a   exposição de atletas olímpicos e paralímpicos, sendo que os Jogos Paralímpicos   são o “primo pobre” dos Jogos Olímpicos, recebendo, inclusive, menor apoio   governamental (Ellis, 2009; Gonçalves, Albino, &amp; Vaz, 2009).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   comparação entre os universos olímpico e paralímpico é tema latente, tanto no   campo jornalístico quanto no académico. Neste cenário, o movimento paralímpico   coloca-se como herdeiro do olímpico, principalmente quanto à organização,   divulgação e comercialização de símbolos e objetos (Marques et al., 2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">É   possível encontrar relatos na literatura congruentes com o posicionamento   exposto na IC-T. Schell e Duncan (1999)   denunciam que a estrutura de cobertura jornalística dos Jogos Paralímpicos de   1996 foi muito inferior e menos preparada do que a destinada aos Jogos   Olímpicos do mesmo ano. MacDonald (2008)   reforça este cenário em relação aos Jogos Paralímpicos de 2000, nos quais os   meios de comunicação enviaram uma equipa muito pequena para o evento, numa   proporção de 1 para 10 ou 15 em relação aos Jogos Olímpicos. Esta condição pode   ajudar a criar uma perceção de menor importância ou de falta de legitimidade desportiva dos Jogos Paralímpicos junto do grande público.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com   base neste cenário, compreende-se que os Jogos Paralímpicos sejam considerados   como uma categoria secundária para uma boa parcela de jornalistas desportivos e   meios de comunicação. Alguns dos sujeitos atuantes nos Jogos Paralímpicos de   2000 defendem que algumas competições não são interessantes para a televisão e   espectadores, além de ser difícil realizar a sua cobertura jornalística (Macdonald, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   literatura fornece dados que sustentam estes mesmos posicionamentos de   comparação entre os dois eventos, em relação a edições mais recentes. Das   notícias brasileiras e portuguesas referentes aos Jogos Paralímpicos e Jogos   Olímpicos de 2008, 27% referiram-se ao primeiro e 73% ao segundo (Novais   &amp; Figueiredo, 2010). A confirmar esta tendência, comparando   alguns dos principais atletas olímpicos e paralímpicos do Brasil e Portugal,   tem-se que 71% das menções entre os brasileiros remetem-se a Maurren Maggi   (Olímpica) e 29% a Daniel Dias (Paralímpico), e 74% refere-se a Nelson Évora   (Olímpico) e 26% a João Paulo Fernandes (Paralímpico). Será de destacar que,   neste caso, ambos os atletas paralímpicos conquistaram mais medalhas que seus   compatriotas olímpicos (Novais &amp; Figueiredo, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Percebe-se   no discurso dos atletas e em dados da literatura que, tanto no campo   desportivo, como no mediático, o desporto olímpico assume um papel de destaque   e maior poder simbólico. Tal fato pode dever-se à maior tradição e importância   histórica atribuída, o que lhe confere o poder de estabelecer parâmetros   culturais próprios ligados ao estereótipo de corpo e simbologia de feitos atléticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sendo   o desporto paralímpico o agente novo neste espaço, cabe questionar qual seria a   melhor estratégia para a valorização de seus símbolos e produtos: i) adotar   formas estéticas e simbólicas mais próximas do estereótipo olímpico (com maior   valorização de atletas menos comprometidos fisicamente, por exemplo); ou ii)   reivindicar o reconhecimento de um <i>habitus</i> próprio, desvinculado da   comparação com o olimpismo, destacando caraterísticas e particularidades do <i>habitus</i> paralímpico. Segundo Howe (Howe,   2008),   este <i>habitus </i>distinguiria-se, principalmente, pelos sistemas de classificação e o questionamento às melhores formas de organização do mesmo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro   dado que reforça esta questão é que, enquanto as notícias paralímpicas são   carregadas do discurso <i>supercrip</i>, as olímpicas têm maior dramatização e   contextualização sobre os feitos desportivos dos atletas, o que contribui para   criar novos ídolos não deficientes (Novais &amp; Figueiredo, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 7 - Diferenças na   cobertura das modalidades paralímpicas</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Outros   aspectos abordados pelos atletas entrevistados foram as diferenças de cobertura   mediática entre as modalidades paralímpicas disputadas pelos portugueses.   Pode-se identificar duas posições distintas: i) a maioria dos atletas defendeu   que existe um equilíbrio entre as oportunidades de divulgação entre as   diferentes modalidades (IC-U); ii) alguns apontaram que a natação, o atletismo e o boccia seriam privilegiados (IC-V), com maior destaque neste último (IC-W).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">“A   divulgação paralímpica é equilibrada entre diferentes modalidades desportivas”, reúne o consenso de cinco atletas (DSC21 – IC-U): </font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Entre     os desportos paralímpicos não há grande diferença. Durante aquelas duas     semanas, todos nós somos tratados como iguais. Eu acho que estamos todos no     mesmo barco. Até agora sempre divulgaram um bocadinho de cada modalidade</i> (S1; S2; S4; S6; S9).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Em   dissenso, dois atletas consideram existir “Maior divulgação da natação, atletismo e boccia” (DSC22 – IC-V): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>No     fundo temos o quê, temos natação, o atletismo e o boccia. Dos desportos com     mais medalhas, dos desportos paralímpicos com mais medalhas em Portugal é     boccia. Mas, nas poucas campanhas publicitárias cá em Portugal, aparecem     natação, mas só as classes mais altas, e atletismo, se for só para uma     fotografia </i>(S3;     S8). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Apenas   um atleta afirma ser a “Divulgação ligeiramente maior do boccia, pelo número de   medalhas conquistadas nos últimos anos” (DSC23 – IC-W), nas suas palavras:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Talvez     o boccia, pois tem sido as últimas medalhas que tem saído. São um pouco mais     entrevistados do que os outros. Mas não há assim tanta diferença</i> (S2).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A   literatura brasileira contraria a IC-W. Gestores do Comité Paralímpico   Brasileiro e atletas brasileiros apontam que modalidades colectivas encontram   maiores dificuldades para divulgação e obtenção de patrocínios em relação às   individuais (Marques   et al., 2014, 2013), o que, por outro lado, fortalece a IC-V.   Quanto ao destaque feito por alguns atletas ao boccia (IC-V e IC-W), este   justifica-se devido aos grandes resultados obtidos por portugueses nas últimas   edições dos Jogos Paralímpicos. Por esta razão, Portugal apresenta uma   característica peculiar em relação a outros países, pois atletas com paralisia   cerebral acabam recebendo certo destaque (Pereira   et al., 2011), mesmo sendo desfavorecidos em relação ao estereótipo de corpo desportivo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 8 - Cobertura dos   diferentes tipos de deficiência</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">No   mesmo sentido, alguns atletas entrevistados denunciaram diferenças no espaço mediático   entre diversos tipos de deficiência. Os dados sugerem existir uma divisão entre   os atletas, pois alguns afirmam que não encontram diferenças entre as   deficiências: (DSC24 –IC-X: “Não identifica nenhuma diferença de tratamento por   parte dos média a diferentes deficiências”), ao manifestar a opinião de que: “<i>Acho     que não há diferença nenhuma entre as deficiências</i>” (S7, S9). No entanto,   em dissenso, um atleta defende que as pessoas com deficiência com maiores   comprometimentos estéticos receberiam maior divulgação (DSC25 – IC-Y: “São   privilegiados os sujeitos esteticamente mais comprometidos. Pois têm maior apelo sensacionalista ligado à superação”), como refere: </font></p> </font>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>O     André Brasil é o maior nadador paralímpico, sem tirar o mérito ao Daniel Dias.     O André faz coisas que muito normal não conseguiria. Mesmo com aquela     deficiência dele. Faz coisas impressionantes. Mas não é tão conhecido no Brasil     quanto o Daniel. Quanto mais deficiente melhor</i> (S2).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Pudemos   ainda identificar um terceiro grupo que defende que atletas menos comprometidos   teriam prioridade (IC-Z e IC-AA). Para estes atletas “São privilegiados os   sujeitos esteticamente menos comprometidos. Pois estão mais próximos do estereótipo de desportista” (DSC26 – IC-Z):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>Assim,     mais privilegiados são os cegos, os deficientes visuais. Depois em nível de     pessoas emcadeiras de rodas são os paraplégicos, são mais musculosos, tem mais     voz, tem mais peito. Quem tem paralisia cerebral já não, são mancos e magros.     Tens os atletas do boccia, dificilmente vais encontrar um ou outro que tem um     discurso que tu consegues perceber. A grande maioria são aqueles de paralisia     cerebral que têm grandes afetações na fala. Existem essas diferenças entre     essas deficiências, não vamos apenas dizer, não são todos iguais. Assumir a igualdade     é um discurso completamente idealista e desligado do que existe. Natação,     classes mais altas, atletismo, se for só para uma fotografia, até mesmo, se     fores ao site do Comité Paralímpico Português, tens lá uma fotografia que foi     para os Jogos de Londres. Tens lá vários atletas de várias modalidades, do     boccia foram buscar uma rapariga, não é das melhores enquanto atleta, mas é a     que tem a imagem menos comprometida, mais vendável. Obviamente que tu como     atleta da área mental, da área intelectual, como é agora chamada, não dá, por     exemplo, para estabelecer uma grande entrevista com um surdo, não vai dar. </i>(S2; S5; S8)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Um   dos atletas acrescenta a este propósito, que “Quanto à transmissão de provas,   as classes mais altas têm privilégio, pois são mais emocionantes e próximas do estereótipo olímpico” (DSC27 – IC-AA), afirmando que: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana"><i>É     o dinheiro. Financiamento. E depois transformação do desporto adaptado em um     desporto espetacular, entende. Já não interessa muito as classes baixas. Agora     interessa as classes altas, porque as provas são mais rápidas, são mais     emocionantes, muito mais disputadas, e os interesses são esses </i>(S2).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Em   geral, a literatura corrobora com a opinião expressa na IC-Z e IC-AA (Marques   et al., 2013; Schantz &amp; Gilbert, 2001; Schell &amp; Duncan, 1999).   Em estudos sobre a cobertura dos média norteamericanos, franceses e alemães aos   Jogos Paralímpicos de 1996, conclui-se que atletas em cadeira de rodas tenderam   a receber maior cobertura mediática, possivelmente pela sua deficiência não ser   percepcionada como um desvio substancial do padrão dominante de pessoas não   deficientes, o que promoverá maior aceitação e identificação por parte do   público (Schantz   &amp; Gilbert, 2001; Schell &amp; Duncan, 1999). Outros autores   também corroboram a ideia de que os espectadores aceitam melhor imagens de   atletas mais próximos de padrões estéticos de pessoas não deficientes (Howe, 2008; Marques et al., 2013; Pereira et al., 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em   relação a fotos da imprensa dos EUA, Schell e Duncan (1999)   apontam que nos Jogos Paralímpicos de 1996, 40% reportaram-se a atletas em cadeira   de rodas e 59,6% não revelavam qual era a deficiência do atleta, não   apresentando ou escondendo diferenças estéticas com atletas não deficientes.   Quanto aos jornais franceses e alemães, Schantz e Gilbert (2001)   referem que 32% das fotos escondiam a deficiência dos atletas e 52% destacavam   os atletas em cadeira de rodas. Atletas em cadeira de rodas foram apresentados   em 10 notícias (40%), amputados em 8 (32%), cegos em 5 (20%), enquanto atletas   com paralisia cerebral não apareceram (Schell   &amp; Duncan, 1999). Já nos Jogos Paralímpicos de 2000, estes   últimos estiveram presentes em apenas 3 fotos da imprensa britânica (Thomas &amp; Smith, 2003).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">É   importante destacar que não foram encontrados dados relativos a imagens   publicadas referentes a Jogos Paralímpicos mais recentes. Uma hipótese a ser   investigada com maior profundidade, é que atualmente este cenário se tenha   modificado, com maior equilíbrio entre as diferentes formas de deficiência, visto que alguns dos nossos entrevistados manifestaram-se nesse sentido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Depreende-se,   tanto no discurso dos sujeitos, quanto em dados da literatura, argumentos   ligados aos capitais simbólicos atribuídos principalmente a três diferentes   modalidades em Portugal. De modo geral, todas representam os caminhos de   maiores conquistas desportivas paralímpicas lusitanas. De forma mais   específica, tem-se no boccia a maior fonte de medalhas paralímpicas portuguesas   recentes, enquanto o atletismo e a natação oferecem um apelo estético mais   próximo do estereótipo de corpo do atleta olímpico, principalmente nas classes   mais altas de competição (menos comprometidas esteticamente). Principalmente o   boccia, apresenta uma maior valorização dos feitos atléticos em detrimento do   capital físico. Porém, dados da literatura sugerem que esta não é uma tendência no campo desportivo paralímpico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 9 - Diferenças de   género</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Tanto   quanto pudemos concluir, os atletas entrevistados no presente estudo não identificam   diferenças de género na cobertura mediática (IC-BB). Os três atletas que se   referiram a este tema (um deles é mulher – S9) inclinaram-se para que “Não há   diferença entre a divulgação de atletas do sexo masculino e feminino” (DSC28 –   IC-BB): “<i>Não há diferença. Tanto homem e mulher. Dá 50%. Pode haver um pouco     mais de mulheres do que homens</i>” (S2; S8; S9). Destaca-se que os atletas   referiram-se a questões quantitativas frente às aparições de homens e mulheres nos conteúdos mediáticos paralímpicos.</font></p>     <p><font size="2">Embora   alguns autores defendam que os homens são mais favorecidos neste sentido (Brittain,   2010; Ellis, 2009; Schantz &amp; Gilbert, 2001; Thomas &amp; Smith, 2003),   outros, baseados em dados de proporção entre os participantes dos Jogos   Paralímpicos, que apresentam menor presença feminina, defendem não existir   privilégios ou discriminação de género (Léséleuc, Pappous, &amp; Marcellini, 2010; Schell &amp; Duncan, 1999).</font></p>     <p><font size="2">No   estudo sobre os Jogos Paralímpicos de 2000, em números absolutos, realmente os   homens apresentam maior incidência nos média da Alemanha, Espanha, França e   Inglaterra, com 296 menções em artigos e 36 fotos, enquanto as mulheres   constaram em 113 artigos e 17 fotos. Porém, na comparação entre a proporção de   incidência de menções, o número de participantes e de medalhas conquistadas por   ambos os sexos, tem-se que os homens compuseram 72,2% do quadro de atletas e   ganharam 65,4% das medalhas, com 72,4% de menções em jornais e 67,9% em fotos.   Quanto às mulheres, representaram 27,8% dos participantes, conquistando 34,6%   das medalhas, aparecendo em 27,6% dos artigos e 32,1% das fotos. Segundo os   autores deste estudo, não houve diferença estatística entre a cobertura   mediática de homens e mulheres nos Jogos Paralímpicos de 2000 (Léséleuc et al., 2010).</font></p>     <p><font size="2">Embora   em Portugal, de um modo geral, a população apresente uma fraca adesão à prática   desportiva, sendo este fato mais acentuado em relação às mulheres (Marivoet,   2001),   compreende-se que, historicamente, elas têm vindo a tornarem-se cada vez mais   presentes no campo do desporto (Marivoet,   2002, 2005), tal como em outros países (Coakley,   2008),   e com destaque no universo paralímpico (Brittain, 2010). </font></p>     <p><font size="2">Embora   exista um número maior de homens do que mulheres competindo nos Jogos   Paralímpicos, o crescimento da participação feminina é maior do que o masculino   em relação aos índices percentuais, o que indica um aumento do espaço   conquistado pelas mulheres neste espaço (Gomes, Morato, &amp; Almeida, 2011). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">Porém,   a importância dada às competições femininas ainda não é a mesma das masculinas   em competições paralímpicas (Brittain,   2010; Howe, 2011), tanto em relação ao número de eventos,   quanto à legitimidade do capital desportivo e quantidade de investimento   financeiro (Brittain,   2010; Coakley, 2008; Marivoet, 2001, 2002, 2005). Gomes et al. (2011,   p. 89)   apontam que em algumas modalidades paralímpicas, “... apesar da existência de   categorias femininas, há uma baixa adesão das mulheres devido a uma série de crenças, tabus e paradigmas ainda permanecentes na sociedade contemporânea”.</font></p>     <p><font size="2">Howe   (2011)   aponta que poderia haver um movimento mais radical e incisivo na defesa de uma   maior participação feminina no desporto paralímpico, como forma de ampliar   movimentos feministas neste espaço. Segundo este autor, há uma ação do Comité   Paralímpico Internacional no sentido de estabelecer mais mulheres em posições   de direção, como uma forma de encorajar a participação feminina em diversos níveis do desporto.  </font></p>     <p><font size="2">Apontar   avanços em relação à participação de mulheres é de grande importância, de modo   a evidenciar mudanças em relação ao estereótipo desportivo feminino e a quebra   de alguns paradigmas ligados à associação de habilidades desportivas ao sexo   masculino. O desporto paralímpico tem oferecido grande contribuição neste   sentido, visto a maior percentagem de mulheres participantes nas últimas   edições em relação às atletas olímpicas (Brittain, 2010).</font></p>     <p><font size="2">Ainda   no século XXI, competições de alto rendimento e, principalmente, de desportos   colectivos, são associadas a um estereótipo masculino, ligado à luta e   confrontação (Marivoet,   2002),   inclusive no campo paralímpico (Gomes   et al., 2011; Roy, 2012). Porém, o processo de real igualdade de   oportunidades de participação no campo desportivo ainda está longe de ser   concluído. Embora a presença de mulheres em competições esteja aumentando, a   simbologia ligada à liderança, superação e esforço, encontra-se não raras vezes   associada ao sexo masculino (Coakley, 2008). </font></p>     <p><font size="2">Ainda   que a perceção dos atletas deste estudo aponte para a tendência da igualdade de   oportunidades na divulgação mediática entre homens e mulheres, e os dados da   literatura sustentem o aumento da participação feminina (Brittain,   2010; Gomes et al., 2011), ainda existe uma série de barreiras   culturais impostas por estereótipos de género no campo paralímpico, a   necessitar de serem transpostas por mulheres atletas, a fim de conquistarem uma   maior igualdade de condições de legitimação da sua participação desportiva (Howe, 2011; Roy, 2012). </font></p> </font>    <p><font size="2" face="Verdana">A   real igualdade entre os sexos requer transformações não apenas na participação desportiva,   mas principalmente na valorização das realizações das mulheres na sociedade   como um todo. Naturalmente, que esta questão também se faz sentir no movimento   paralímpico. Segundo Howe (2011),   a participação feminina no desporto paralímpico não deveria ser subestimada, pois   as desportistas contribuem de igual modo na difusão do ideal de capacidade de realização do atleta com deficiência.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Tema 10 - Hegemonia do   futebol</b></font> </p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">De   um modo geral, alguns capitais simbólicos próprios do campo desportivo podem   reforçar a desigualdade de acesso à prática do desporto entre homens e   mulheres. Em Portugal, a hegemonia do futebol continua a atrair o interesse da   maioria da população, especialmente homens (Marivoet,   2002, 2005), ainda que se assista à tendência na procura de   desportos tradicionalmente considerados masculinos pelas mulheres, como é justamente o caso do futebol feminino.</font></p>     <p><font size="2">Neste   cenário, compreende-se que entre os atletas entrevistados, se “Reclama da supremacia do futebol nos média” (DSC29 – IC-CC):</font></p> </font>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><i>Hoje     em dia é o futebol, depois o resto. O que aparece nos     jornais é o futebol e mais nada.  Se compra um jornal desportivo, é futebol. O     jornal tem 40 páginas, 30 páginas é futebol e o resto são notícias     pequenininhas e acabou. Não se dedicam, nem tentam evoluir nem dar a conhecer     ao português outro desporto. Tens o futebol e para lá do futebol começa a ser     muito escasso. Mesmo as modalidades olímpicas. Tudo que seja outras     modalidades, natação, atletismo, praticamente não tens transmissão em direto.     Tens ocasionalmente um ou outro resumo e basicamente é isso </i>(S3;     S7; S8).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Quanto   à denúncia da supremacia do futebol no espaço mediático (IC-CC), Betti (2001)   reforça o posicionamento destes atletas, salientando o processo de monocultura   desportiva que padroniza os formatos de transmissão mediática, e o discurso em   diversos desportos a partir do modelo do futebol. Segundo este autor, esta   perspetiva seria nutrida por uma melhor relação custo-benefício oferecida pela   modalidade. De fato, não é difícil entender tal soberania nos meios de   comunicação, sendo este um problema tanto para o desporto paralímpico, como para inúmeras modalidades olímpicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apercebe-se,   no campo mediático, de uma tendência na valorização da notícia que vende (Bourdieu,   1997),   sendo que, especificamente em relação a conteúdos desportivos, o futebol   mostra-se o produto mais rentável. Cabe ao desporto paralímpico uma posição de   desvantagem em relação a esta modalidade, e de disputa pela conquista de maior   capital simbólico no campo desportivo com outras formas de manifestação desportiva, de modo a ganhar espaço e maior capacidade de atrair e gerar capital económico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p> <font face="Verdana">    <p><font size="2">Os   meios de comunicação social fazem mais do que transmitir notícias, eles   determinam o que é notícia e apresentam-na de acordo com valores que servem os   seus interesses (Bourdieu,   1997).   Os conteúdos noticiados são uma espécie de (re) construção da realidade, de   acordo com as normas e valores da sociedade a que se dirigem e em que se   originam (Figueiredo   &amp; Novais, 2011; Marivoet, 2006). Deste modo, os média   traduzem e perpetuam aspectos culturais da sociedade, contribuindo para o   fortalecimento ou transformação de padrões culturais (Bourdieu, 1997; Coakley, 2008). </font></p>     <p><font size="2">Os   atletas entrevistados neste trabalho demonstram que os média são um fator   importante para as possibilidades de desenvolvimento do desporto paralímpico,   pois tanto pode disseminar, quanto transformar <i>habitus</i> e,   principalmente, atribuir maior ou menor reconhecimento simbólico ao   paralimpismo nos campos desportivo e mediático. A posição de descontentamento   com algumas questões, como a abrangência da cobertura mediática, seus conteúdos   ligados ao estigma <i>supercrip</i> e a supremacia do futebol, demonstram que   há uma vontade por parte dos desportistas paralímpicos de ocuparem um espaço de   maior relevo no campo   desportivo, o que lhes conferiria maior legitimidade, e possibilidade de desenvolvimento atlético-competitivo, e também ganhos financeiros e sociais.  </font></p>     <p><font size="2">Pudemos   concluir o enfoque dos entrevistados, em relação ao potencial transformador de   uma divulgação positiva sobre a deficiência, baseada nas possibilidades de   atuação social e nas potencialidades de ação das pessoas com deficiência no   campo desportivo. Afinal, assim como no desporto olímpico, no universo   paralímpico também é vitorioso somente o mais rápido, o mais alto e o mais   forte, tal como vaticina a divisa olímpica <i>Citius, Altius, Fortius</i>. A   diferença é que os talentos dos atletas se articulam a próteses e vendas, além   de outras adaptações estruturais (Gonçalves et al., 2009).</font></p>     <p><font size="2">O   fato de não haver consenso entre os entrevistados sobre alguns dos temas em   análise, demonstra a multiculturalidade do campo social, com traços tanto   específicos quanto dissonantes, como é caraterística de qualquer campo sujeito   à mudança social, apresentando-se a cobertura mediática como um tema polémico e   actual, a exigir aprofundamento em estudos mais alargados e continuados no tempo.</font></p>     <p><font size="2">O   presente trabalho procurou contribuir justamente para a problematização deste   objeto, a partir da apresentação e análise da perspetiva dos atletas   portugueses em confrontação com a literatura sobre o tema, tendo presente o panorama sobre a situação atual da divulgação mediática paralímpica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2">Por   fim, cabe destacar o anseio pela inclusão social presente no discurso dos   atletas, evidenciado pelas denúncias de diferenciação e/ou discriminação entre   os universos olímpico e paralímpico, e o desejo de serem tratados como   desportistas de alto rendimento, tão habilidosos, capazes e empreendedores   quanto qualquer atleta de outra modalidade olímpica. Por último, será   importante realçar na conclusão do presente estudo, que os discursos e   conteúdos mediáticos podem contribuir para a instauração de uma igualdade de   tratamento e oportunidade, valorizando os feitos desportivos destes atletas, e   deste modo, contribuir para a transformação de paradigmas discriminatórios relacionados à deficiência.</font></p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ahmed,   N. (2013). Paralympics 2012 legacy: accessible housing and disability equality   or inequality? <i>Disability &amp; Society</i>, <i>28</i>(1), 129–133. <a href="http://doi.org/10.1080/09687599.2012.739367" target="_blank">http://doi.org/10.1080/09687599.2012.739367</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S1646-107X201500030001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Berger, R. J. (2008). Disability and the   Dedicated Wheelchair Athlete Beyond the «Supercrip» Critique. <i>Journal of     Contemporary Ethnography</i>, <i>37</i>(6), 647–678. <a href="http://doi.org/10.1177/0891241607309892" target="_blank">http://doi.org/10.1177/0891241607309892</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000247&pid=S1646-107X201500030001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Betti, M. (2001). Esporte na mídia ou esporte da mídia. <i>Motrivivência</i>, (17), 1–3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S1646-107X201500030001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bourdieu, P. (1979). <i>La distinction: critique sociale du jugement</i>. Paris: Edition de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000250&pid=S1646-107X201500030001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bourdieu, P. (1983). <i>Questões de sociologia</i>. Rio de Janeiro: Marco Zero.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000252&pid=S1646-107X201500030001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bourdieu, P. (1990). <i>Coisas ditas</i>. São Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000254&pid=S1646-107X201500030001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bourdieu, P. (1994). Les Jeux olympiques:   Programme pour une analyse. <i>Actes de la recherche en sciences sociales</i>, <i>103</i>(1), 102–103. <a href="http://doi.org/10.3406/arss.1994.3104" target="_blank">http://doi.org/10.3406/arss.1994.3104</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000256&pid=S1646-107X201500030001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bourdieu, P. (1997). <i>Sobre a televisão</i>. Oeiras: Celta Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000257&pid=S1646-107X201500030001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Brittain, I. (2004). Perceptions   of Disability and their Impact upon Involvement in Sport for People with   Disabilities at all Levels. <i>Journal of Sport &amp; Social Issues</i>, <i>28</i>(4), 429–452. <a href="http://doi.org/10.1177/0193723504268729" target="_blank">http://doi.org/10.1177/0193723504268729</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000259&pid=S1646-107X201500030001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Brittain, I. (2010). <i>The Paralympic Games Explained</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S1646-107X201500030001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Carmo, A. A. (2006). Atividade motora   adaptada e inclusão escolar: caminhos que não se cruzam. Em D. Rodrigues (Ed.), <i>Atividade motora adaptada: a alegria do corpo</i> (pp. 51–61). São Paulo: Artes Médicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000262&pid=S1646-107X201500030001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Coakley, J. (2008). <i>Sports in Society: Issues &amp; Controversies</i>. New York: McGraw-Hill Higher Education.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000264&pid=S1646-107X201500030001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Costa, A. M., &amp; Winckler, C. (2012).   Educação Física e o esporte Paralímpico. Em M. T. de Mello &amp; C. Winckler (Eds.), <i>Esporte paralímpico</i> (pp. 15–20). São Paulo: Atheneu.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000266&pid=S1646-107X201500030001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ellis, K. (2009). Beyond the Awn factor:   human interest profiles of Paralympians and the media navigation of physical difference and social stigma. <i>Asia Pacific Media Educator</i>, <i>19</i>, 23–35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000268&pid=S1646-107X201500030001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Faria, M. D. de, &amp; Carvalho, J. L. F.   (2011). Uma análise semiótica do potencial mercadológico da imagem de atletas paraolímpicos. <i>Gestão e Sociedade</i>, <i>4</i>(9), 657–688.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000270&pid=S1646-107X201500030001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Figueiredo, T. H., &amp; Guerra, M. D.   (2005). Olimpíadas e Paraolimpíadas: uma correlação com a mídia. Apresentado no   XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Rio de Janeiro: UERJ -   Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Obtido de   <a href="http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/90923980742584942862936767243914154873.pdf" target="_blank">http://www.portcom.intercom.org.br/pdfs/90923980742584942862936767243914154873.pdf</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000272&pid=S1646-107X201500030001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Figueiredo, T. H., &amp; Novais, R. A.   (2011). Atletas com deficiências na mídia: a cobertura noticiosa dos jogos   Paraolímpicos de Atlanta a Pequim nas imprensas portuguesa e brasileira.   Apresentado no I Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana, São Paulo: CONFIBERCOM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000273&pid=S1646-107X201500030001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gold, J. R., &amp; Gold, M. M. (2007).   Access for all: the rise of the Paralympic Games. <i>The Journal of the Royal Society for the Promotion of Health</i>, <i>127</i>(3), 133–141.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000275&pid=S1646-107X201500030001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gomes, M. S. P., Morato, M. P., &amp;   Almeida, J. J. G. (2011). Judô paraolímpico: comparações e reflexões sobre as   realidades de diferentes seleções femininas. <i>Conexões</i>, <i>9</i>(2), 85–109.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000277&pid=S1646-107X201500030001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gonçalves, G. C., Albino, B. S., &amp;   Vaz, A. F. (2009). O herói esportivo diferente: aspectos do discurso em mídia   impressa sobre o Parapan-americano 2007. Em G. D. L. Pires (Ed.), <i>Observando o pan Rio/2007 na mídia</i>. Florianópolis: Tribo da ilha.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000279&pid=S1646-107X201500030001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Hardin, M. M., &amp; Hardin, B. (2004).   The «supercrip» in sport media: wheelchair athletes discuss hegemony´s disabled hero. <i>Sociology of sport online</i>, <i>7</i>(1), 1–14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000281&pid=S1646-107X201500030001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Howe, P. D. (2004). <i>Sport, Professionalism, and Pain: Ethnographies of Injury and Risk</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000283&pid=S1646-107X201500030001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Howe, P. D. (2008). From Inside the   Newsroom Paralympic Media and the `Production’ of Elite Disability. <i>International Review for the Sociology of Sport</i>, <i>43</i>(2), 135–150. <a href="http://doi.org/10.1177/1012690208095376" target="_blank">http://doi.org/10.1177/1012690208095376</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000285&pid=S1646-107X201500030001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Howe, P. D. (2011). Sociology. Em Y.   Vanlandewijck &amp; W. Thompson (Eds.), <i>Handbook of Sports Medicine and     Science, The Paralympic Athlete</i> (pp. 102–115). Oxford, UK: John Wiley &amp; Sons.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000286&pid=S1646-107X201500030001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lefèvre, F., &amp; Lefèvre, A. M. C.   (2005). <i>O     discurso do sujeito coletivo: um novo enfoque em pesquisa qualitativa     (desdobramentos)</i>. Caxias do Sul: EDUCS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000288&pid=S1646-107X201500030001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lefèvre, F., &amp; Lefèvre, A. M. C.   (2012). <i>Pesquisa de representação social. Um enfoque qualiquantitativo: a     metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo</i>. Brasília: Liber Livro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000290&pid=S1646-107X201500030001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Léséleuc, E., Pappous, A., &amp;   Marcellini, A. (2010). The media coverage of female athletes with disability.   Analysis of the daily press of four European countries during the 2000 Sidney   Paralympic Games. <i>European Journal for Sport and Society</i>, <i>7</i>(3+4), 283–296.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000292&pid=S1646-107X201500030001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Liu, Y., Kudlá&#269;ek, M., &amp; Ješina,   O. (2010). The influence of Paralympic School Day on children’s attitudes towards people with disabilities. <i>Acta Gymnica</i>, <i>40</i>(2), 63–69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000294&pid=S1646-107X201500030001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Macdonald, M. (2008). Media and the   Paralympic games. Em K. Gilbert, O. J. Schantz, &amp; O. Schantz (Eds.), <i>The     Paralympic Games: Empowerment Or Side Show?</i> (pp. 68–78). Maindenhead: Meyer &amp; Meyer Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000296&pid=S1646-107X201500030001300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marivoet, S. (2001). <i>Hábitos   desportivos da população portuguesa: estudo da procura da prática desportiva</i>. Lisboa: Centro de Estudos e Formação Desportiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000298&pid=S1646-107X201500030001300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marivoet, S. (2002). <i>Aspectos sociológicos do desporto</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000300&pid=S1646-107X201500030001300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marivoet, S. (2005). Assimetrias de género   na participação desportiva: Portugal no contexto europeu. <i>Horizonte</i>, <i>21</i>(120), 3–12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000302&pid=S1646-107X201500030001300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marivoet, S. (2006). UEFA Euro 2004TM   Portugal: The social construction of a sports mega-event and spectacle. Em J.   Horne &amp; W. Manzenreiter (Eds.), <i>Sports Mega-Events: Social Scientific     Analyses of a Global Phenomenon</i> (pp. 127–143). Oxford, UK: Blackwell Scientific Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000304&pid=S1646-107X201500030001300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marques, R. F. R., Duarte, E., Gutierrez,   G. L., Almeida, J. J. G. de, &amp; Miranda, T. J. (2009). Esporte olímpico e   paraolímpico: coincidências, divergências e especificidades numa perspectiva   contemporânea. <i>Revista Brasileira de Educação Física e Esporte</i>, <i>23</i>(4), 365–377. </font><a href="http://doi.org/10.1590/S1807-55092009000400006" target="_blank"><font size="2" face="Verdana">http://doi.org/10.1590/S1807-55092009000400006</font></a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000306&pid=S1646-107X201500030001300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marques, R. F. R., &amp; Gutierrez, G. L.   (2014). <i>O esporte paralímpico no Brasil: profissionalismo, administração e classificação de atletas</i>. São Paulo: Phorte Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000307&pid=S1646-107X201500030001300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marques, R. F. R., Gutierrez, G. L.,   Almeida, M. A. B., Nunomura, M., &amp; Menezes, R. P. (2014). A abordagem midiática sobre o esporte paralímpico: o ponto de vista de atletas brasileiros. <i>Movimento</i>, <i>20</i>(3), 989–1015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000309&pid=S1646-107X201500030001300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marques, R. F. R., Gutierrez, G. L.,   Almeida, M. B., &amp; Menezes, R. P. (2013). Mídia e o movimento paralímpico no   Brasil: relações sob o ponto de vista de dirigentes do Comitê Paralímpico   Brasileiro. <i>Revista Brasileira de Educação Física e Esporte</i>, <i>27</i>(4), 583–596.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000311&pid=S1646-107X201500030001300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Minayo, M. C. de S. (2006). <i>O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saude</i>. São Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000313&pid=S1646-107X201500030001300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Misener, L. (2012). A Media Frames   Analysis of the Legacy Discourse for the 2010 Winter Paralympic Games. <i>Communication and Sport</i>, 2167479512469354. <a href="http://doi.org/10.1177/2167479512469354" target="_blank">http://doi.org/10.1177/2167479512469354</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000315&pid=S1646-107X201500030001300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Novais, R. A., &amp; Figueiredo, T. H.   (2010). A   visão bipolar do pódio: olímpicos versus paraolímpicos na mídia on-line de   Brasil e de Portugal. <i>Logos</i>, <i>17</i>(2), 78–89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000316&pid=S1646-107X201500030001300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Panagiotou, K. A., Kudlá&#269;ek, M.,   &amp; Evaggelinou, C. (2006). The effect of the implementation of the   «paralympic school – day» program on the attitudes of primary school children   towards the inclusion of children with disabilities in physical education. <i>Studia     Kinanthropologica</i>, <i>7</i>(2), 83–87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000318&pid=S1646-107X201500030001300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Pereira, O., Inês, M., &amp; Pereira, A.   L. (2011). A visibilidade da deficiência – uma revisão sobre as representações   sociais das pessoas com deficiência e atletas paraolímpicos nos media   impressos. <i>Sociologia</i>, <i>22</i>, 119–217.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000320&pid=S1646-107X201500030001300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Purdue, D. E. J., &amp; Howe, P. D.   (2012). See the sport, not the disability: exploring the Paralympic paradox. <i>Qualitative     Research in Sport, Exercise and Health</i>, <i>4</i>(2), 189–205. <a href="http://doi.org/10.1080/2159676X.2012.685102" target="_blank">http://doi.org/10.1080/2159676X.2012.685102</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000322&pid=S1646-107X201500030001300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Roy, A. (2012). Socio-cultural power   dynamics and coping functions: a narrative case report of a female paralympian. <i>Asian Journal of Sports Medicine</i>, <i>3</i>(2), 131–138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000323&pid=S1646-107X201500030001300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Schantz, O. J., &amp; Gilbert, K. (2001).   An Ideal Misconstrued: Newspaper Coverage of the Atlanta Paralympic Games In France and Germany. <i>Sociology of sport journal</i>, <i>18</i>(1), 69–94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000325&pid=S1646-107X201500030001300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Schell, L. A. B., &amp; Duncan, M. C.   (1999). A content analysis of CBS´s Coverage of the 1996 Paralympic Games. <i>Adapted Physical Activity Quaterly</i>, <i>16</i>(1), 27–47.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000327&pid=S1646-107X201500030001300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Silva, C. F., &amp; Howe, P. D. (2012).   The (In)validity of Supercrip Representation of Paralympian Athletes. <i>Journal     of Sport &amp; Social Issues</i>, <i>36</i>(2), 174–194. <a href="http://doi.org/10.1177/0193723511433865" target="_blank">http://doi.org/10.1177/0193723511433865</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000329&pid=S1646-107X201500030001300047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Thomas, N., &amp; Smith, A. (2003).   Preoccupied with able bodieness? An analysis of the British Media Coverage of   the 2000 Paralympic Games. <i>Adapted Physical Activity Quaterly</i>, <i>20</i>, 166–181.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000330&pid=S1646-107X201500030001300048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">von Sikorski, C., &amp; Schierl, T.   (2012). Effects of News Frames on Recipients’ Information Processing in   Disability Sports Communications. <i>Journal of Media Psychology</i>, <i>24</i>(3), 113–123. <a href="http://doi.org/10.1027/1864-1105/a000069" target="_blank">http://doi.org/10.1027/1864-1105/a000069</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000332&pid=S1646-107X201500030001300049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Webborn, N. (2013). London 2012 Paralympic   Games: bringing sight to the blind? <i>British Journal of Sports Medicine</i>, <i>47</i>(7), 402–403. <a href="http://doi.org/10.1136/bjsports-2013-0923407" target="_blank">http://doi.org/10.1136/bjsports-2013-0923407</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000333&pid=S1646-107X201500030001300050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Agradecimentos:    <br>   </b>Federa&ccedil;&atilde;o   Portuguesa de Desportos para Pessoas com Defici&ecirc;ncia    <br>   Atletas entrevistados neste estudo.    <br>   <b>Conflito de Interesses:    <br>   </b>Nada a declarar.    <br>   <b>Financiamento:    <br>   </b>N&uacute;cleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre Futebol e Modalidades   L&uacute;dicas &ndash; LUDENS-PRP-USP.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Artigo recebido a 20.08.2014; Aceite a 30.10.2014</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#topo">*</a><b><sup><font size="2" face="Verdana"><b><sup><font size="2" face="Verdana"><b><sup><a href="#end"><i><a name="end" id="topo2"></a></i></a></sup></b></font></sup></b></font></sup></b><i> Autor correspondente: Escola de Educa&ccedil;&atilde;o   F&iacute;sica e Esporte de Ribeir&atilde;o Preto &ndash; Universidade de S&atilde;o Paulo. Avenida   Bandeirantes, 3900, Monte Alegre, Ribeir&atilde;o Preto/SP &ndash; Brasil. CEP 14040-907</i>. <i>E</i><i>-mail</i>: <a href="mailto:renatomarques@usp.br">renatomarques@usp.br</a></font></p>      ]]></body><back>
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