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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Utilização de Flutuadores em Aulas de Natação para Crianças: Estudo Interventivo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[It was aimed to analyze the influence of arms’ floats devices’ use in the acquisition of aquatic skills in children (median of age, in months, 40 ± 4.1). They were divided in two groups: swimming classes with floats (CFlut, n = 8) and without floats (SFlut, n = 9). They were evaluated by Erbaugh Scale of aquatic motor performance, pre and post-intervention of eight weeks. Descriptive reports were made with information about children behavior during the intervention period and difficulties encountered by the teacher. No differences were found between groups when compared for the overall analysis of the tasks; however the SFlut group had better results in the shifts and jumps into the water tasks. The floats’ absence may have generated better understanding of the forces in the water.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="verdana">ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana"><b>Utilização de   Flutuadores em Aulas de Natação para Crianças: Estudo Interventivo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>Flotation   Devices in Swimming Lessons for Children: an Interventionist Study</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="verdana">Rossane Trindade Wizer<sup>1,<a name="topo"></a><a href="#end">*</a></sup>; Cassio de Miranda Meira Junior<sup>2</sup>; Flávio Antônio de Souza Castro<sup>1</sup> </font></b></p>     <p><font size="2" face="verdana"><sup>1</sup><i> Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Porto Alegre, Brasil    <br> </i></font><font size="2" face="verdana"><sup>2</sup><i>Universidade de São Paulo – Escola de Artes, Ciências e Humanidades, São Paulo, Brasil</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Objetivou-se   analisar a influência da utilização de flutuadores colocados nos braços sobre a   aquisição de habilidades aquáticas em crianças (mediana da idade, em meses, de   40 ± 4.1). Elas foram divididas em dois grupos: aulas de natação com   flutuadores (CFlut, n = 8) e sem flutuadores (SFlut, n = 9) e avaliadas com a   Escala de Erbaugh de desempenho motor aquático, pré e pós-intervenção de oito   semanas. Relatórios descritivos foram redigidos com informações sobre   comportamento das crianças ao longo da intervenção e dificuldades encontradas   pelo professor. Em relação à análise geral das tarefas, os grupos não   apresentaram diferenças, no entanto, o grupo SFlut apresentou melhores   resultados nas tarefas de deslocamento e saltos. A ausência de flutuadores pode ter gerado melhor percepção das forças que atuam na água.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i><b>Palavras-chave</b></i><b>:</b> adaptação, habilidades aquáticas, ensino, aprendizagem</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">It was aimed to   analyze the influence of arms’ floats devices’ use in the acquisition of   aquatic skills in children (median of age, in months, 40 ± 4.1). They were   divided in two groups: swimming classes with floats (CFlut, n = 8) and without   floats (SFlut, n = 9). They were evaluated by Erbaugh Scale of aquatic motor   performance, pre and post-intervention of eight weeks. Descriptive reports were   made with information about children behavior during the intervention period   and difficulties encountered by the teacher. No differences were found between   groups when compared for the overall analysis of the tasks; however the SFlut   group had better results in the shifts and jumps into the water tasks. The   floats’ absence may have generated better understanding of the forces in the water.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i><b>Keywords</b></i><b>: </b>adaptation, aquatic abilities, teaching, learning<i>.</i></font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana"><b>INTRODUÇÃO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando uma criança inicia atividades no meio aquático, um dos desafios   colocados, tanto pela criança, quanto pelo professor, é o da flutuação (Parker,   Blanksby, &amp; Quek, 1999). Esta questão, quando as aulas são realizadas em   lugares onde a criança não alcança o fundo, está intimamente relacionada à   segurança durante as aulas. Uma possibilidade de recurso pedagógico, relativo à   segurança, é a utilização de flutuadores de braços (Figura 1) que, ao serem inflados, permitem a flutuação da criança. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><i>Figura 1. </i>Crianças participantes deste estudo com os flutuadores de braços/braçadeiras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Barbosa (2004)e Gama e Carracedo (2010) defendem o uso de materiais   auxiliares à flutuação no início da aprendizagem, por oferecerem segurança ao   aprendiz, além de tornar o meio mais atrativo para o aluno iniciante, que   apresenta, nessa fase, poucas possibilidades de relação com o meio líquido. Já   Xavier-Filho e Manoel (2002) salientam que flutuadores podem, até mesmo,   atrasar a aquisição da estabilidade postural no meio líquido, isso porque esses   materiais dificultariam a consciencialização da flutuação, ao adiar a   necessidade e a motivação dos aprendizes em conquistar o equilíbrio relacionado   à flutuação no meio aquático. Assim, o problema referente à flutuação que deveria ser sanado, na verdade é apenas protelado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">De modo específico, durante o processo de aprendizagem das habilidades   aquáticas básicas, a criança depara-se com um meio cujas características   físicas são distintas daquele em que vive. Deste modo, o estudo da aquisição e   do desenvolvimento de habilidades aquáticas deve considerar as características   do meio, já que estas influenciam, sobremaneira, o modo como nos relacionamos   com a água, especialmente a criança em desenvolvimento. O meio líquido é mais   denso e viscoso que o ar, o que acarreta maior arrasto, em relação ao ar, e   considerável valor de impulso (Castro &amp; Loss, 2010). Além disso, a posição   básica do corpo para os deslocamentos é próxima à horizontal. As   características do meio líquido acabam por gerar habilidades que são exclusivas desse ambiente, por exemplo, a flutuação (Castro &amp; Loss, 2010). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">No contexto das aulas de natação, percebe-se que a utilização de   flutuadores durante o processo de ensino das habilidades aquáticas ainda é   considerada um problema, ou seja, um tema gerador de controvérsias (Fernandes   &amp; Costa, 2006; Parker et al., 1999). Professores de natação, com   frequência, se apoiam apenas em experiências do quotidiano para sustentar a sua   intervenção pedagógica, de modo que a qualidade do ensino da natação torna-se comprometida.   Isso ocorre porque há pouca base teórica que sustente a prática profissional em   relação à utilização de flutuadores. Ao constatar essa demanda relativa ao   ensino da natação, a seguinte questão foi elaborada: como os flutuadores influenciam o processo de aquisição das habilidades aquáticas?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A importância dessa questão ganha sustentação quando se percebe que esse   tema é pouco discutido com base em resultados de pesquisas pedagógicas e   interventivas (Lobo da Costa, 2010). Um exemplo dos poucos estudos de caráter   interventivo relacionado ao uso dos flutuadores é o de Parker, Blanksby, e Quek   (1999), entretanto a maioria da literatura disponível sobre o tema corresponde   a livros-textos como o de Catteau e Garoff (1990), ou ainda artigos de revisão como os de Xavier-Filho e Manoel (2002)e de Barbosa (2004).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Observando essas limitações, optou-se por realizar um estudo com caráter   eminentemente prático, no próprio ambiente de aula, com o propósito de tornar   mais próxima possível a situação de pesquisa do mundo real da prática   pedagógica. Segundo Tani, Dantas, e Manoel (2008), pesquisas com essa   característica enquadram-se no âmbito da pedagogia da natação e apresentam,   como principal função, oferecer soluções aos problemas advindos da prática.   Assim, a presente pesquisa objetiva verificar a influência do uso sistemático e   regular de flutuadores colocados nos braços (braçadeiras) sobre o processo de   aquisição das habilidades aquáticas em crianças de três anos de idade, a fim de   melhor instrumentalizar professores na escolha de suas estratégias pedagógicas   durante as atividades de ensino/aprendizagem no meio aquático para crianças.   Acredita-se que o uso dos flutuadores/braçadeiras favorece o processo de   aquisição das habilidades aquáticas, já que aumenta as possibilidades de   movimento da criança que não possui experiência na água e, ainda, possibilita, desde o princípio, a relação autônoma da criança com o meio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>MÉTODO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana"><b>Participantes</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Participaram deste estudo 17 crianças, com mediana de idade de 40 ± 4.1   meses, que se inscreveram em aulas de natação específicas para esta pesquisa.   Após selecionados, os participantes foram divididos em dois grupos, com base na   idade, em meses. O procedimento consistia em equiparar as crianças pela idade e   dividi-las entre os dois grupos, de modo que duas crianças com igual idade eram   colocadas em grupos diferentes. Buscou-se, com esse procedimento, compor os   grupos de maneira homogênea. Do grupo com flutuadores (CFlut) participaram oito   crianças (mediana da idade, em meses, de 37.5 ± 3.6), cujas aulas foram   ministradas com o auxílio de flutuadores. O grupo sem flutuadores (SFlut) foi   composto de nove crianças (mediana da idade, em meses, de 44 ± 3.9), cujas   aulas foram ministradas sem o auxílio de flutuadores. Ressalta-se que houve   perda amostral após o início da intervenção, o que gerou o diferente número de participantes nos grupos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As crianças selecionadas para o estudo não possuíam experiência prévia   em aulas de natação, pois nunca haviam realizado nenhuma aula até então. Segundo   os pais, os seus filhos gostavam de brincar na água. A maioria delas, 11 entre   as 17, entrava em contato com o meio aquático algumas vezes e, entre os ambientes aquáticos mais frequentados, estavam a banheira, a piscina e o mar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O tamanho amostral foi definido de acordo com a viabilidade do estudo,   levando-se em conta: (1) segurança nas aulas, (2) dados de estudos prévios   (Donaldson, Blanksby, &amp; Heard, 2010) e (3) número mínimo de   participantes que possibilitasse tratamento estatístico. Para que, ao final da   intervenção, continuassem a fazer parte do estudo, as crianças deveriam ter 70%   de frequência, ou seja, estar presente em 11 das 16 aulas que foram oferecidas   (no grupo CFlut, duas crianças estiveram presentes em 11 aulas, duas em 12,   duas em 13, uma em 14 e uma em 15 aulas; no grupo SFlut, três crianças   estiveram presentes em 11 aulas, uma em 13, uma em 14, uma em 15 e três em 16   aulas). Informações sobre experiências prévias dos participantes foram obtidas   por meio de questionário respondido pelos pais em reunião prévia ao início dos   testes. A reunião foi realizada com o objetivo de esclarecer dúvidas   relacionadas à pesquisa, após, o termo de consentimento livre e esclarecido foi   entregue aos pais que demonstraram interesse em participar da pesquisa. O   estudo foi conduzido de acordo com os preceitos éticos definidos pela   declaração de Helsínquia para pesquisas com seres humanos. Além disso, esta   pesquisa foi analisada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade onde o estudo foi realizado (número 03909512.0.0000.5347).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Instrumentos </b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para coletar os dados e as informações foram utilizados métodos   quantitativos e qualitativos. Dados quantitativos foram obtidos por meio da   Escala de Erbaugh (Erbaugh, 1981), de natureza ordinal, criada com o objetivo   de avaliar o desempenho aquático de crianças pré-escolares e composta por 68   itens divididos em seis categorias/tarefas (1 - apanhar objetos no fundo da   piscina, 2 - deslocamento ventral, 3 - pernadas, 4 - deslocamento dorsal, 5 -   entrada na piscina e 6 - mergulhos partindo da borda). As tarefas representam   habilidades aquáticas e os itens de cada tarefa são organizados pela ordem de   dificuldade, início com tarefas simples e evolução para tarefas mais complexas   (Erbaugh, 1978). Antes da avaliação pré-intervenção, a escala foi analisada   individualmente e em conjunto pelos avaliadores. Este instrumento foi   previamente estudado em relação à reprodutibilidade e validade (Bradley, Parker, &amp; Blanksby, 1996; Erbaugh, 1978).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para complementar os dados, relatórios descritivos foram redigidos com   base na observação de cada aula. Segundo Gaya (2008), o modelo observacional   permite que a coleta seja realizada em ambientes de ensino sem interferir na   dinâmica dos participantes, além de possibilitar a observação de acontecimentos   inesperados. Dos relatórios constaram dados relativos: (1) aos aspectos   emocionais apresentados pelas crianças durante as aulas, (2) aos avanços no   comportamento aquático da turma e (3) às dificuldades encontradas pelo   professor-pesquisador. Esses dados foram utilizados para complementar os resultados da Escala de Erbaugh (1981) e dar suporte à discussão.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Procedimentos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A primeira avaliação aconteceu antes do início da intervenção   (pré-intervenção) e a segunda avaliação ocorreu após o término da intervenção   (pós-intervenção). Três avaliadores (professora-pesquisadora e um professor,   ambos formados em Educação Física e uma estagiária, estudante do mesmo curso)   aplicaram o teste nos dois momentos. A piscina utilizada possui 6 m × 16 m × 1.40 m, com água aquecida à, aproximadamente 31ºC (entre 30 e 32ºC). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante as avaliações, um avaliador ficou dentro da piscina para   explicar e solicitar às crianças o cumprimento das tarefas. Outro avaliador   ficou responsável por operar uma câmera de vídeo digital para gravação   das tarefas, para posterior análise. As imagens obtidas foram analisadas por   três observadores que atuaram de maneira independente com o objetivo de pontuar   de acordo com a Escala de Erbaugh (1981). Quando dois ou três avaliadores   pontuavam igualmente, o valor era considerado o correto. Não houve discordância entre os três avaliadores.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">O programa de intervenção foi constituído por 16 aulas distribuídas em   oito semanas, cada semana com duas aulas de 30 minutos. As aulas dos dois   grupos apresentavam os mesmos objetivos e conteúdos e foram semelhantes nos   métodos, para impedir que estes aspectos se tornassem fator interveniente nos   resultados. Três redutores de profundidade, de aproximadamente 1 m × 1 m, foram   utilizados durante as aulas em ambos os grupos para garantir segurança às   crianças. Estes redutores permitiram que as crianças ficassem em pé enquanto   aguardavam os colegas que estavam sendo auxiliados pelos professores durante os deslocamentos e atividades fora dos redutores.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Foram utilizados para fins recreativos materiais como: arcos,   espaguetes, materiais de E.V.A. e brinquedos que afundavam. A diferença entre   os grupos foi a utilização de braçadeiras flutuadoras durante a intervenção.   Enquanto um grupo participava das aulas sem nenhum auxílio à flutuação, o outro   grupo fez uso desse material. No entanto, para que tivessem em igualdade de   condições, as crianças do grupo CFlut não utilizaram flutuadores nos braços   (braçadeiras) durante o teste pré-intervenção e pós-intervenção. Quando   solicitado pelo teste, foram utilizados espaguetes para o deslocamento das   crianças de ambos os grupos. Ou seja, os testes da Escala de Erbaugh (Erbaugh, 1981) foram realizados, para ambos os grupos, sem braçadeiras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Análise estatística</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A estatística descritiva deste estudo, devido ao (1) tamanho amostral,   às (2) características do instrumento de avaliação e às (3) distribuições não   paramétricas das respostas (testadas com teste de Shapiro-Wilk), foi para dados   não-paramétricos: mediana, desvio-padrão e valores mínimos e máximos. A   estatística inferencial adotada, devido às características já citadas, foi   composta pelo teste de Wilcoxon para comparação intra-grupos e teste U de   Mann-Whitney para comparação inter-grupos nos dados obtidos de idade e da   Escala de Erbaugh. Os procedimentos estatísticos foram realizados no programa SPSS v. 17.0 e o nível de significância adotado foi de 0.05.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>&nbsp;</b></font></p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>RESULTADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em relação à idade, os grupos apresentaram resultados estatisticamente similares. A <a href="#t1">Tabela 1</a> mostra os dados relacionados à idade dos participantes.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v12n2/12n2a12t1.jpg" width="357" height="154"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">A tarefa 1 corresponde à habilidade de pegar objetos no fundo da   piscina. Para essa tarefa, os grupos CFlut e SFlut apresentaram melhorias do   pré para o pós-intervenção (<i>Z</i>= &#8722; 2.23; <i>p</i>= 0.02 para o grupo   CFlut e <i>Z</i>= &#8722; 2.71; <i>p</i>= 0.007 para o grupo SFlut). Quando   comparados, os grupos apresentaram resultados similares nos períodos pré (<i>U</i>=   32.5; <i>p</i>= 0.61) e pós-intervenção (<i>U</i>= 27.5; <i>p</i>= 0.38). A   <a href="#t2">Tabela 2</a> apresenta os resultados da Tarefa 1 (pegar objetos no fundo da piscina).</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v12n2/12n2a12t2.jpg" width="354" height="168"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Três tarefas compõem a habilidade de deslocamento. São elas:   deslocamento em decúbito ventral (tarefa 2), movimento de pernas (tarefa 3) e   deslocamento em decúbito dorsal (tarefa 4).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em relação às habilidades de deslocamento, o grupo CFlut apresentou   melhorias nas habilidades de deslocar-se em decúbito ventral (<i>Z</i>= &#8722;   2.53; <i>p</i>= 0.01) e movimento de pernas (<i>Z</i>= &#8722; 2.37; <i>p</i>=   0.01). No entanto, não apresentou melhorias nas habilidades de deslocar-se em   decúbito dorsal (<i>Z</i>= &#8722; 1.26; <i>p</i>= 0.08). O grupo SFlut   apresentou melhorias nas três habilidades relacionadas ao deslocamento   (deslocar-se na posição de decúbito ventral, <i>Z</i>= &#8722; 2.67; <i>p</i>&lt;   0.001; realizar movimento de pernas, <i>Z</i>= &#8722; 2.55; <i>p</i>= 0.01; deslocar-se em decúbito dorsal, <i>Z</i>= &#8722; 2.68; <i>p</i>= 0.007). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Quando comparados na pré-intervenção, os grupos apresentaram resultados   similares na tarefa de deslocar-se em decúbito dorsal (<i>U</i>= 25.0; <i>p</i>=   0.25), no entanto, apresentaram diferenças nas tarefas de deslocar-se em   decúbito ventral (<i>U</i>= 14.0; <i>p</i>= 0.02) e movimento de pernas (<i>U</i>=   15.0; <i>p</i>= 0.03), com o grupo CFlut obtendo melhores resultados. Já em   relação aos resultados da pós-intervenção, os grupos apresentaram resultados   similares nas três tarefas (<i>U</i>= 25.5; <i>p</i>= 0.27 para a habilidade de   deslocar-se em decúbito ventral; <i>U</i>= 25.5; <i>p</i>= 0.13 para o   movimento de pernas e <i>U</i>= 31.0; <i>p</i>= 0.62 na habilidade de   deslocar-se em decúbito dorsal). A <a href="#t3">Tabela 3</a> demonstra os resultados das tarefas referentes aos deslocamentos.</font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v12n2/12n2a12t3.jpg" width="365" height="296"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">As tarefas 5 e 6 correspondem à entrada na piscina e mergulhos com   partida da borda, respectivamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As crianças do grupo CFlut não apresentaram melhorias do pré para o   pós-intervenção na tarefa de entrar na piscina (<i>Z</i>= &#8722; 1.26; <i>p</i>=   0.2), já o grupo SFlut apresentou melhorias (<i>Z</i>= &#8722; 2.103; <i>p</i>.=   0.03). Na tarefa de mergulhar partindo da borda, os dois grupos não   apresentaram melhorias do pré para o pós-intervenção (<i>Z</i>= &#8722; 1.73; <i>p</i>=   0.08 para o grupo CFlut e <i>Z</i>= &#8722; 1.00; <i>p</i>= 0.31 para o grupo   SFlut). Em ambas as tarefas os grupos demonstraram resultados similares nos   dois momentos avaliativos (<i>U</i>= 34.0; <i>p</i>= 0.84 no pré-intervenção e   U= 35.5; <i>p</i>.= 0.96 no pós-intervenção na Tarefa 5 e <i>U</i>= 36.0; <i>p</i>=   1 no pré-intervenção e <i>U</i>= 26.5; <i>p</i>= 0.21 no pós-intervenção na Tarefa 6 - <a href="#t4">Tabela 4</a>).</font></p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v12n2/12n2a12t4.jpg" width="353" height="247"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana">Em relação à soma da pontuação das tarefas, ambos os grupos apresentaram   melhorias significativas (<i>Z</i>= &#8722; 2.20; <i>p</i>= 0.02 para o grupo   CFlut e <i>Z</i>= &#8722; 2.66; <i>p</i>= 0.008 para o grupo SFlut) e, ainda,   ambos os grupos foram similares nos dois momentos de avaliação (<i>U</i>= 16.5;   <i>p</i>= 0.06 no pré-intervenção e <i>U</i>= 27.0; <i>p</i>= 0.38 no   pós-intervenção - <a href="#t5">Tabela 5</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="t5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v12n2/12n2a12t5.jpg" width="360" height="157"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>DISCUSSÃO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A utilização de flutuadores como recurso em aulas de natação é   controversa, por isso este estudo teve como objetivo verificar a influência do   uso sistemático e regular de flutuadores/braçadeiras sobre o processo de   aquisição das habilidades aquáticas em crianças de três anos de idade. Os   resultados encontrados no presente estudo não demonstraram diferenças entre as   duas estratégias de ensino quando os grupos foram comparados em relação à soma   das seis tarefas, resultado que é suportado pelos achados de Parker et al.   (1999), sobre a evolução do processo de aprendizagem do nadar, com e sem   materiais auxiliares à flutuação e ao deslocamento entre crianças de 7 anos de   idade. Entretanto, diferenças no presente estudo foram encontradas quando as   tarefas representativas das habilidades aquáticas foram analisadas   separadamente, com melhores resultados para as crianças que não utilizaram as braçadeiras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Primeiramente, com relação às atividades que envolviam mergulho até o   fundo da piscina (tarefa 1), tais como buscar materiais na base do redutor ou   em locais mais profundos como o chão da piscina, professores tiveram que   auxiliar as crianças do grupo CFlut na execução dessas atividades, durante as   aulas, não durante os testes, empurrando-as até a base do redutor, já que o uso   do material dificultou a submersão até o fundo da piscina. No entanto,   mergulhos na superfície foram realizados independentemente do auxílio dos professores.   Em ambos os grupos, o medo foi a dificuldade a ser superada pelas crianças,   quanto a isso é importante citar os relatórios descritivos redigidos no início do período interventivo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">...algumas     crianças ainda parecem tensas e embora permaneçam na aula sem problemas, estão     rígidos ao deslocarem-se com os professores de um redutor ao outro e também ao     se comunicarem com os colegas (registro 2 – grupo com flutuadores).</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Os alunos ainda     preferem ficar próximos a borda, talvez porque este local deixe-os mais     seguros, pois os que preferem estar próximos a borda, geralmente são aqueles     que ainda estão mais inseguros em relação ao meio liquido (registro 6 - grupo     sem flutuadores).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Apesar disso, o medo foi superado pelas crianças, afirmação justificada   pelos resultados positivos encontrados em ambos os grupos quando da comparação   entre o pré e o pós-intervenção. O uso dos flutuadores é defendido por   Langerdorfer (1987) e Gama e Carracedo (2010) por diminuir os níveis de   insegurança da criança. Assim, esperava-se que as crianças que faziam uso desse   material apresentassem resultados superiores em relação ao processo de   aprendizagem dos mergulhos, entretanto a ação dos flutuadores não parece ter   gerado influência nessa situação, já que em ambos os grupos os resultados se mostraram similares. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Os resultados apresentados pelos grupos nas habilidades de deslocar-se   em decúbito ventral (tarefa 2) e realizar movimento de pernas (tarefa 3) foram   similares provavelmente devido à semelhança entre as habilidades testadas.   Ambas envolviam deslocamentos na posição de decúbito ventral, a diferença é que   na primeira foi observado também o movimento de braços. No entanto, segundo a   concepção analítica para o ensino da natação (Catteau &amp; Garoff, 1990), os   braços são pouco utilizados para gerar propulsão no período inicial de   aprendizagem, em função da exigência que o movimento simultâneo, de braços e   pernas, impõe aos indivíduos iniciantes. Dessa forma, o teste prevê a   utilização de braços na habilidade de deslocar-se em decúbito ventral a partir do quarto estágio de aprendizagem, o qual consiste em</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">deslocar-se com     auxílio de material (espaguete) por uma distância de 60 à 90 cm. Remadas     subaquáticas, sem efeito propulsivo caracterizam o movimento dos braços. As     pernas realizam movimentos similares ao pedalar da bicicleta, fornecendo pouco     efeito propulsivo. A cabeça é mantida acima da linha da água e o corpo em     posição vertical (estágio 4 – deslocar-se em decúbito ventral – Escala de     Erbaugh, 1981).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Nos estágios um e dois da habilidade de deslocar-se em decúbito ventral   (tarefa 2), o movimento de braços não aparece como recurso propulsivo   apresentado pela criança. Nesses estágios, elas se utilizam apenas do movimento   das pernas. No terceiro estágio dessa habilidade o movimento de braços pode ou   não aparecer. Portanto, as duas habilidades possuem estágios semelhantes no período inicial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Em relação à diferença encontrada entre os grupos no período   pré-intervenção (grupo CFlut melhor que grupo SFlut) nas habilidades de   deslocar-se em decúbito ventral (tarefa 2) e movimento de pernas (tarefa 3),   tomou-se o cuidado, na seleção dos participantes, para que as crianças não   tivessem experiência prévia no meio líquido com o objetivo de reduzir as   possibilidades de diferença inicial entre os grupos. Porém, sabe-se que o   desenvolvimento do indivíduo é dependente de diversos fatores, como   experiências adquiridas, motivação e maturação do sistema nervoso central   (Parker et al., 1999). Esses fatores podem explicar as diferenças entre os indivíduos antes da intervenção.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">A análise dos resultados do pós-intervenção, aliada aos resultados do   pré-intervenção, sugere melhor aproveitamento das aulas por parte do grupo   SFlut na habilidade de deslocar-se em decúbito ventral (tarefa 2), além disso,   os resultados em relação ao deslocar-se em decúbito dorsal (tarefa 4) indicam   que o grupo CFlut iniciou a intervenção em um nível de habilidade acima do   grupo SFlut e, no período pós intervenção, o Grupo CFlut atingiu nível de   habilidade abaixo do nível atingido pelo Grupo SFlut. Dessa forma, constata-se   que a evolução alcançada pelo grupo SFlut foi, mais uma vez, maior do que a evolução alcançada pelo grupo CFlut. </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Uma explicação para esse resultado pode estar relacionada à dificuldade   de assumir a posição horizontal com o uso dos flutuadores (Catteau &amp;   Garoff, 1990; Xavier-Filho &amp; Manoel, 2002). Isso ocorre porque o uso de   braçadeiras diminui ainda mais a densidade da parte superior do corpo em   relação aos membros inferiores, o que gera um desalinhamento entre centro de   massa e centro de impulso. Essa situação, em relação ao corpo na água, gera (1)   momento de força para baixo (peso dos membros inferiores) e (2) momento de   força para cima (impulso sobre os flutuadores), que, em conjunto, acarretam em maior dificuldade para assumir a posição horizontal (Castro &amp; Loss, 2010). </font></p>     <p><font size="2" face="verdana">As crianças do grupo CFlut passavam longos períodos da aula em   deslocamento e, apesar de haver intervenções constantes dos professores para   que  mantivessem cabeça e orelhas dentro   da água nas posições de decúbito dorsal e ventral, as crianças distraíam-se e   retornavam a cabeça para uma posição mais alta em relação à superfície da água.   A utilização dos flutuadores permitiu às crianças desse grupo manter o corpo na   superfície da água, embora em uma posição mais verticalizada, ou seja,   proporcionou uma “falsa” flutuação. A posição verticalizada do corpo pode ter   dificultado o desenvolvimento das habilidades de deslocamento, em que a   flutuação é aspecto fundamental. Os resultados da presente pesquisa são   corroborados pelos achados de Parker et al. (1999), os quais encontraram que o   uso dos flutuadores desencadeou o aprendizado precoce dos nados, antes mesmo de   as crianças conquistarem a independência no meio líquido. Catteau e Garoff   (1990) também salientam que materiais facilitadores da flutuação podem atrasar o processo de conscencialização da flutuação.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">Parker et al. (1999) ressaltam ainda o excesso de confiança gerado pelos   flutuadores, que foi igualmente observado no presente estudo, sendo exemplificado através do trecho a seguir de um dos registros de aula: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">Foi relatado por     uma professora que duas crianças do grupo CFlut, ao estarem sentadas na borda     para entrar na piscina, não se deram conta que estavam sem os flutuadores nos     braços e se atiraram em direção a água. Rapidamente a professora viu e tratou     logo de segurá-las. No entanto, foi discutido entre os professores que a     utilização dos flutuadores durante as aulas causa uma falsa sensação de     segurança na água, segurança que só existe em função de estarem com as boias e     que isso pode ser perigoso quando estas crianças tiverem acesso a outros     ambientes com piscina (registro 6).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Assim, este material potencializa os efeitos do meio sobre o corpo,   restringindo o número de dificuldades que o indivíduo terá que vencer no   período inicial da adaptação, entretanto é necessário esclarecer que a   flutuação, nesse primeiro momento da aprendizagem, está condicionada ao uso dos   flutuadores, por isso Parker et al. (1999) advertem sobre a necessidade de   futuras pesquisas discutirem por quanto tempo os flutuadores devem ser utilizados sem que haja prejuízos para o processo de aprendizagem.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Durante a intervenção notou-se o comportamento diferenciado assumido   pelos grupos em relação à flutuação e aos deslocamentos. Possivelmente, houve   diferenças em relação à percepção das forças existentes no meio líquido, e, no   caso do grupo CFlut, esta situação parece ter dificultado a aprendizagem de   algumas habilidades. Diversos autores (Costa et al., 2012; Freudenheim, Gama,   &amp; Carracedo, 2009; Xavier-Filho &amp; Manoel, 2002) ressaltam a importância   do período de adaptação na aquisição de habilidades mais complexas. Vale   destacar que às crianças do grupo CFlut foram oferecidas experiências de adaptação   ao meio líquido da mesma forma que foram oferecidas ao grupo SFlut. Ocorreu que   a condição imposta ao grupo SFlut possibilitou maior entendimento da   necessidade desse tipo de atividade, enquanto a condição oferecida ao grupo   CFlut possibilitou deslocamentos pela piscina sem a intervenção direta do professor e sem a adequada percepção das forças atuantes no meio líquido.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Castro e Loss (2010) salientam que a posição corporal verticalizada   aumenta as forças de arrasto atuantes sobre o corpo em movimento na água. Para   melhorar o deslocamento no meio aquático é importante minimizar as forças   resistivas. Umas das maneiras de se fazer isso é diminuir a área corporal do   indivíduo projetada no meio, em deslocamento, mantendo o corpo mais próximo da   posição horizontal. Quando isso não é possível, como no caso do uso dos   flutuadores, o indivíduo enfrentará dificuldades para deslocar-se no meio líquido.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">É possível que a condição imposta ao grupo CFlut tenha provocado   dificuldades também nos processos de aprendizagem das habilidades de mergulho e   respiração, que são necessárias à tarefa de entrada na água (tarefa 5). Essas   habilidades requerem que a criança se sinta confortável ao contato do rosto com   o meio líquido, pois no momento em que se impulsiona e entra na água, inevitavelmente,   a água entrará em contato com a face. Se a criança não tiver vivenciado com   motivação e engajamento o período de adaptação, terá dificuldade em enfrentar tais situações.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Costa et al. (2012) compararam o processo de aprendizagem das   habilidades aquáticas em duas situações distintas, piscina rasa e piscina   funda. Professores de piscina funda evidenciaram maior preocupação em garantir   a autonomia propulsiva na água, já os professores de piscina rasa tinham como   prioridade o controle respiratório e os deslizes. Os autores concluíram que o   grupo que praticou aulas em piscina rasa demonstrou melhor competência aquática   que o grupo de crianças que praticou aulas em piscina funda. Os resultados de   Costa et al. (2012) corroboram os resultados do presente estudo, já que em   ambos, os grupos que apresentaram maiores níveis de competência aquática foram   aqueles que apresentaram maior engajamento em habilidades próprias do período de adaptação.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Para Freudenheim, Gama, e Carracedo (2003), o período de adaptação ao meio   líquido é importante para a conquista de estabilidade postural, autonomia   motora e afetivo-social e adaptação dos órgãos sensoriais. Em outras palavras,   esse período corresponde à preparação para o aprendizado de habilidades mais   complexas. Em relação à habilidade de mergulhar de cabeça na água (tarefa 6),   Freudenheim et al. (2003) defendem que deva ser enfatizada em um   segundo momento, período de aprendizagem que as autoras denominam de fase de   combinação de movimentos fundamentais. No período anterior, chamado de período   de movimentos fundamentais, deve-se priorizar a variedade de experiências em   relação aos saltos da borda. As experiências adquiridas no primeiro momento   darão suporte para a aquisição dessa habilidade em níveis mais complexos. Como os   participantes do estudo não tinham experiência no meio líquido, eles   vivenciaram uma gama de experiências em relação aos saltos, para que,   posteriormente, os saltos de cabeça passassem a fazer parte dos planos de aula, e isso só ocorreu a partir da décima aula.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Embora o grupo SFlut tenha demonstrado melhor aproveitamento em algumas   habilidades ao final do período interventivo, é importante considerar a   utilidade dos flutuadores no processo de aquisição das habilidades aquáticas em   crianças que sentem medo da água. A água possui propriedades físicas que exigem   completa reorganização dos sistemas para garantir o controle do meio e o uso de   flutuadores é capaz de minimizar as dificuldades encontradas pelo indivíduo que   desconhece as características do meio. Além disso, Langendorfer (1987), Gama   e Carracedo (2010) e Pe&#269;aver et al.   (2014) defendem que o uso de materiais torna o meio líquido mais atrativo,   motivando a participação de crianças em aulas de natação. Parker et al. (1999)   salientam que o uso dos flutuadores garante segurança e possibilita maior   independência da criança em relação ao professor, quando este precisa dar atenção às outras crianças. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana">A motivação gerada pelo uso dos flutuadores fica evidente nesse trecho de um dos registros de aula: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="verdana">Talvez para     algumas crianças possa ser frustrante sentir-se incapaz de movimentar-se     livremente no meio liquido e em relação a esse aspecto a possibilidade de     movimentar-se independentemente de auxilio humano, mas apenas com a utilização     de equipamentos auxiliares na flutuação seja um aspecto motivador da     aprendizagem. (registro 1).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana">Embora o uso dos flutuadores, no presente estudo, tenha proporcionado   benefícios aos aspectos psicoafetivos do desenvolvimento, também atrasou a   conscientização da flutuação por parte dos aprendizes, dificultando o pleno   desenvolvimento motor e cognitivo das habilidades aquáticas. Deste modo, a   hipótese formulada para este estudo (uso dos flutuadores favorece o processo de   aquisição das habilidades aquáticas) foi parcialmente confirmada, ao passo que   ambos os grupos apresentaram evolução na aprendizagem, independente do uso de   flutuadores. Porém, o grupo que não usou flutuadores apresentou melhores   resultados nas tarefas de deslocamento e saltos, possivelmente pela aquisição de maior independência aquática.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>CONCLUSÕES</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana">O grupo sem flutuadores apresentou melhores resultados nas habilidades   de deslocamento ventral, pernadas, deslocamento dorsal e saltos, embora essas   diferenças não se tenham refletido na pontuação geral. Supõe-se que a ausência   de flutuadores tenha possibilitado melhor percepção das forças atuantes no meio   líquido. Mesmo assim, o uso de flutuadores não deve ser condenado no ensino da   natação, mas considerado um material pedagógico auxiliar para momentos   específicos do plano de ensino, já que contribui para minimizar dificuldades   emocionais encontradas na relação de alunos iniciantes com o meio líquido.   Talvez uma alternativa coerente para potencializar o processo de aquisição de   habilidades aquáticas seria avaliar a utilização ao longo do tempo das duas   estratégias de ensino, ou seja, utilizar materiais auxiliares à flutuação em   apenas alguns momentos específicos da aula, alternando com momentos sem a   utilização de materiais. Estes momentos de uso de flutuadores poderiam ser aqueles   em que há maior número de crianças envolvidas nas atividades e durante os quais se deseja maior exploração do meio pelos alunos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana"><b>REFERÊNCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Barbosa, T. B. (2004). Ensino da natação: vantagens e desvantagens da   utilização dos materiais auxiliares na adaptação ao meio aquático. Em <i>Atas     do XXVII Congresso Técnico-Científico da Associação Portuguesa de Técnicos de Natação</i>. Lisboa: APTN.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355165&pid=S1646-107X201600020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Bradley, S. M., Parker, H. E., &amp; Blanksby, B. A. (1996). Learning Front-Crawl Swimming by Daily or Weekly Lesson Schedules. <i>Pediatric Exercise Science</i>, <i>8</i>(1), 27–36. <a target="_blank" href="http://doi.org/10.1123/pes.8.1.27">http://doi.org/10.1123/pes.8.1.27</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355167&pid=S1646-107X201600020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Castro, F. A. S., &amp; Loss, J. F. (2010). Forças no meio líquido. Em   P. H. L. Costa (Ed.), <i>Natação e atividades aquáticas: subsídios para o ensino</i> (pp. 34–46). Barueri: Manole.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355168&pid=S1646-107X201600020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Catteau, R., &amp; Garoff, G. (1990). <i>O ensino da natação</i> (3.<sup>a</sup> ed.). São Paulo: Manole.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355170&pid=S1646-107X201600020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Costa, A. M., Marinho, D. A., Rocha, H., Silva, A. J., Barbosa, T. M.,   Ferreira, S. S., &amp; Martins, M. (2012). Deep and shallow water effects on   developing preschoolers’ aquatic skills. <i>Journal of Human Kinetics</i>, <i>32</i>, 211–219. <a target="_blank" href="http://doi.org/10.2478/v10078-012-0037-1">http://doi.org/10.2478/v10078-012-0037-1</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355172&pid=S1646-107X201600020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Donaldson, M., Blanksby, B., &amp; Heard, N. (2010). Progress in   precursor skills and front crawl swimming in children with and without   developmental coordination disorder. <i>International Journal of Aquatic Research and Education</i>, <i>4</i>, 390–408.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355173&pid=S1646-107X201600020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Erbaugh, S. J. (1978). Assessment of swimming performance of preschool children. <i>Perceptual and Motor Skills</i>, <i>47</i>(3 Pt 2), 1179–1182.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355175&pid=S1646-107X201600020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Erbaugh, S. J. (1981). <i>The development of swimming skills of   preschool children over a one and one-half year period</i> (Tese de   Doutoramento). 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Barueri: Manole.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355183&pid=S1646-107X201600020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Gaya, A. (2008). Desenhos metodológicos V: delineamentos do tipo ex post   facto. Em A. Gaya &amp; D. Garlipp (Eds.), <i>Ciências do Movimento Humano:     introdução à metodologia da pesquisa</i> (pp. 151–172). Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355185&pid=S1646-107X201600020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Langerdorfer, S. (1987). Children’s movement in the water: A developmental and environmental perspective. <i>Children’s Environments Quarterly</i>, <i>4</i>(2), 25–32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355187&pid=S1646-107X201600020001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Lobo da Costa, P. H. (2010). Pedagogia da natação: uma revisão   sistemática preliminar. <i>Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte</i>, <i>9</i>(Suppl 1), 50–54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355189&pid=S1646-107X201600020001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Parker, H. E., Blanksby, B. A., &amp; Quek, K. L. (1999). Learning to Swim Using Buoyancy Aides. <i>Pediatric Exercise Science</i>, <i>11</i>(4), 377–392. <a target="_blank" href="http://doi.org/10.1123/pes.11.4.377">http://doi.org/10.1123/pes.11.4.377</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355191&pid=S1646-107X201600020001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Pe&#269;aver, A., Pungeršek, M., Videmšek, M., Karpljuk,   D., Štihec, J., &amp;   Meško, M. (2014, Fevereiro 14). Analysis of Didactic Approaches to Teaching Young Children to Swim. Obtido de <a target="_blank" href="http://thesportjournal.org/article/analysis-of-didactic-approaches-to-teaching-young-children-to-swim/">http://thesportjournal.org/article/analysis-of-didactic-approaches-to-teaching-young-children-to-swim/</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355192&pid=S1646-107X201600020001200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Tani, G., Dantas, E., &amp; Manoel. (2008). Ensino-aprendizagem de   habilidades motoras: um campo de pesquisa de síntese e integração de   conhecimentos. Em G. Tani (Ed.), <i>Comportamento motor: aprendizagem e desenvolvimento</i> (pp. 106 – 116). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355193&pid=S1646-107X201600020001200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana">Xavier-Filho, E., &amp; Manoel, E. J. (2002). Desenvolvimento do   comportamento motor aquático: implicações para a pedagogia da natação. <i>Revista Brasileira de Ciência e Movimento</i>, <i>10</i>(2), 85–94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=355195&pid=S1646-107X201600020001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><b>Agradecimentos:    <br> </b></font><font size="2" face="verdana">Nada a declarar    <br> </font><font size="2" face="verdana"><b>Conflito de Interesses:    <br> </b></font><font size="2" face="verdana">Nada a declarar.    <br> </font><font size="2" face="verdana"><b>Financiamento:    <br> </b></font><font size="2" face="verdana">Nada a declarar</font></p>     <p><font size="2" face="verdana">Artigo recebido a 28.11.2015; Aceite a 09.04.2016</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana"><a name="end"></a><a href="#topo">*</a><i> Autor correspondente</i>: <i>UFRGS, Escola de   Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Fisioterapia e Dan&ccedil;a. Rua Felizardo, 750, Jardim Bot&acirc;nico, 90690-200. Porto Alegre, RS, Brasil.</i> <i>E-mail</i>: <a href="mailto:rossanew@hotmail.com">rossanew@hotmail.com</a></font></p>      ]]></body><back>
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