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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Saúde, exercício físico e medo de envelhecer: problematizações sobre o antienvelhecimento nos discursos de fisiculturistas amadoras]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Scientific arguments in favour of applying physical exercise as an intervention on "aging" insists on relying on the biological concept of health. Considering the hegemony of this concept in physical education, the present study questions in what extent it must be accepted that the relationship between health/aging remains summarized in the mere search for maintaining physiological capabilities? The aim was to analyse the problematizations on the relationship between health and exercise in a group of physically active women from the city of Recife, Pernambuco, Brazil, in the context of aging process. Forty-five amateur bodybuilders were selected utilizing the sample snowball technique. They answered an interview guide with pictures according to the photo elicitation technique, individually. It was utilized the speech analysis proposed by Foucault. The group understands the relationship health/aging as a way to build identities, overcoming the negative perception of old age as vital and negative process. The fear of aging denotes the presence of self-centred healthcare practices carried over the years. Physical exercise plays a role that transcends the mere control of biological variables, being a resource to strengthen the experience to look and feel younger.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">       <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>      <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Saúde,   exercício físico e medo de envelhecer: problematizações sobre o   antienvelhecimento nos discursos de fisiculturistas amadoras</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Health,   physical exercise and fear of aging: anti-aging problematizations in amateur   bodybuilders speeches</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fábio Luís Santos Teixeira<sup>1,2</sup>; Iraquitan de Oliveira Caminha<sup>1,2,</sup></b><b><sup><a href="#end">*</a></sup></b><a name="top"></a></p>     <p><sup>1</sup> <i>Programa   Associado de Pós-Graduação em Educação Física Universidade de Pernambuco/Universidade   Federal da Paraíba, João Pessoa, Paraíba, Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </i><sup>2</sup> <i>Laboratório de Estudos sobre Corpo, Estética e Sociedade – LAISTHESIS, Brasil</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Argumentos   científicos favoráveis à aplicação do exercício físico como intervenção sobre “envelhecimento”   insistem em se apoiar num conceito de saúde biológico. Considerando a hegemonia   desse discurso na Educação Física, questiona-se em que medida deve-se aceitar   que a relação saúde/envelhecimento permaneça resumida à mera busca pela   manutenção de capacidades fisiológicas? O objetivo foi analisar as   problematizações produzidas sobre a relação saúde e exercício físico por um   grupo de mulheres fisicamente ativas da cidade do Recife, Pernambuco-Brasil,   tendo como cenário suas opiniões sobre o processo de envelhecimento. Quarenta e   cinco fisiculturistas amadoras foram selecionadas a partir da técnica <i>snowball     sample</i>. Elas responderam individualmente um roteiro de entrevista com   imagens seguindo a técnica <i>photo elicitation</i>. Utilizou-se a análise de   discurso proposta por Foucault. Verificou-se que o grupo compreende a relação   saúde/envelhecimento como forma de construir identidades, ultrapassando a visão   negativa da velhice como processo negativo vital. O medo de envelhecer denota a   presença de autocontrole centrado nas práticas de saúde ao longo da vida. O   exercício físico exerce um papel que transcende o mero controle de variáveis   biológicas, sendo um recurso para fortalecer a experiência de se ver e se sentir mais jovem.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Saúde, exercício físico, medo de envelhecer, discursos, mulheres, fisiculturistas.</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Scientific   arguments in favour of applying physical exercise as an intervention on   &quot;aging&quot; insists on relying on the biological concept of health.   Considering the hegemony of this concept in physical education, the present   study questions in what extent it must be accepted that the relationship   between health/aging remains summarized in the mere search for maintaining   physiological capabilities? The aim was to analyse the problematizations on the   relationship between health and exercise in a group of physically active women   from the city of Recife, Pernambuco, Brazil, in the context of aging process.   Forty-five amateur bodybuilders were selected utilizing the sample snowball   technique. They answered an interview guide with pictures according to the   photo elicitation technique, individually. It was utilized the speech analysis proposed   by Foucault. The group understands the relationship health/aging as a way to   build identities, overcoming the negative perception of old age as vital and   negative process. The fear of aging denotes the presence of self-centred   healthcare practices carried over the years. Physical exercise plays a role   that transcends the mere control of biological variables, being a resource to strengthen the experience to look and feel younger.</p>     <p><b>Keywords:</b> Health, physical exercise, fear of aging, speeches, women bodybuilders.</p> </font> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"> </font></p>      <p><font size="3" face="Verdana"><b>INTRODUÇÃO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>A saúde é muitas vezes compreendida como fenômeno   biológico que pode ser aferido a partir de certos fatores orgânicos admitidos   pela ciência como vitais, e que são construídos a partir de representações   matemáticas da vida humana (Canguilhem, 2008). Exemplos destes fatores vitais   são os marcadores fisiológicos ou as medidas antropométricas que, em conjunto,   servem de referência para que se possa produzir estados biológicos que tendem   ao equilíbrio, mesmo que isso signifique a realização de auscultas e vigílias corporais intensivas (Foucault, 2006).</p>     <p>Apesar do caráter compulsório relativo ao controle da   saúde ser um traço dos sujeitos contemporâneos, críticas à compreensão   meramente biológica do conceito demonstram que a percepção de saúde não é fixa,   ou seja, que ela tende a variar conforme as necessidades e os desejos dos   sujeitos (Dejours, 1986). Nesta lógica, estudos têm demonstrado que a percepção   de saúde está aberta a mudanças vinculadas à percepção de si e a diversidade de   estigmatizações sociais (Andrade, 2011; Barros &amp; Nunes, 2009; Uchôa, Firmo, &amp; Lima-Costa, 2002).</p>     <p>Na contramão desta relativização cultural, argumentos   científicos favoráveis à aplicação do exercício físico como tecnologia de   intervenção sobre “envelhecimento” insistem em se apoiar num conceito de saúde   reduzido à ideia de autonomia física ou melhorias fisiológicas, desconsiderando   que grupos sociais podem criar novas percepções sobre estes fenômenos e que o   ser humano vai além do biológico. Isso significa que é preciso reconhecer a   produção constante de problematizações sobre saúde e exercício físico, pois   estas dependem também de valores e contextos culturais. Por problematização   entende-se a transformação social de um dado objeto ou discurso pela atividade do pensamento exercida por uma pessoa ou grupo de pessoas (Foucault, 1997).</p>     <p>De acordo com Silva (2008), nos últimos anos têm-se   verificado inovações referentes aos modos e experiências de envelhecer graças a   mudanças de hábitos, aparecimento de novas imagens midiáticas, reformulações de   crenças e condutas. Para a autora, o atual contexto de modificações   demográficas e o aumento da expectativa de vida sinalizam um abrandamento nas   maneiras de cuidar do corpo envelhecido, ligadas ora à formação de uma nova   identidade, autônoma e diferenciada da identidade da velhice, ora à negação social da velhice propriamente dita.</p>     <p>Para Moreira (2012), é fato que a sociedade   contemporânea vincula envelhecimento a declínio, incapacidade e adoecimento, ao   mesmo tempo em que valoriza as ideias de beleza, juventude, desenvolvimento e   vitalidade. Todavia, na medida em que se assiste a uma celebração do corpo   jovem, verifica-se uma queda progressiva dos preconceitos sobre o corpo   envelhecido resultante de práticas científicas preocupadas em abordá-lo numa perspectiva de saúde que transcende os limites da visão biológica tradicional.</p>     <p>Por esse motivo, Ferreti, Nierotka, e Silva (2011)   sustentam que cada vez mais os estudos sobre envelhecimento devem ponderar   sobre aspectos sociológicos do “sentir-se responsável pelo envelhecimento”, ou   seja, da produção de modos de viver em que os sujeitos se observam como atores   do processo. Dito de outra forma, as áreas de conhecimento que se ocupam do   objeto de estudo envelhecimento devem compreendê-lo não apenas como um acontecimento biológico, mas social e político.</p>     <p>Fundados nas reflexões acima destacada e considerando   a hegemonia do discurso biológico por meio do qual os temas saúde e   envelhecimento têm sido abordados na Educação Física, cumpre questionar em que   medida deve-se aceitar que a relação saúde/ envelhecimento permaneça resumida à mera busca pela manutenção de capacidades fisiológicas?</p>     <p>Mediante este problema, o seguinte artigo tem como   objetivo analisar as problematizações produzidas sobre saúde e exercício físico   por um grupo de mulheres fisicamente ativas da cidade do Recife,   Pernambuco-Brasil, tendo como cenário suas opiniões sobre o processo de   envelhecimento. Este grupo, denominado de “Hebes contemporâneas”, possui   opiniões particulares sobre o envelhecer, utilizam o exercício físico para   administra-lo, e constroem outras técnicas de cuidado baseando-se em elementos   de sua cultura que nem sempre obedecem ao rigor formal de práticas terapêuticas consideradas seguras e normais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Especificamente, pretende-se discutir como as   entrevistadas compreendem a relação saúde/ envelhecimento e demonstrar de que   maneira o grupo resignifica o exercício físico apoiando-se nessa relação. O   estudo é quanti-qualitativo e se baseia na arqueologia foucaultiana, pois   pretendemos compreender modos de existência e produção de pensamentos e técnicas de poder no contexto de uma cultura (Foucault, 2008).</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>MÉTODO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>Participantes</b></p>     <p>Um grupo de fisiculturistas amadoras, praticantes de   treinamento físico intenso por um tempo mínimo de 3 anos sem intervalo,   residentes na Região Metropolitana da cidade de Recife-PE, Brasil, e que fazem   ou já fizeram uso de tecnologias tais como cirurgias plásticas, uso de   hormônios anabolizantes e suplementos alimentares, foi selecionado para participar dessa pesquisa. </p>     <p>Para definir o número de participantes, recorreu-se às   indicações de Gaskell (2008) sobre a delimitação da amostra levando em   consideração as peculiaridades das pesquisas qualitativas que usam a entrevista   de aplicação individual como técnica de coleta de dados. Segundo o autor,   estudos com este caráter precisam considerar a existência de um número limitado   de versões da realidade resultante de um compartilhamento de experiências.   Nesse sentido, o pesquisador deve atentar para o aprofundamento das informações que ele deseja analisar e não para a diversidade de fontes de informação.</p>     <p>Aliado a essa informação, buscamos definir a   quantidade de entrevistadas a partir de um valor médio obtido a partir do   tamanho da amostra utilizada em estudos já desenvolvidos sobre a mesma temática   e que incluíram sujeitos cujos perfis são semelhantes aos das nossas   entrevistadas. Dessa forma, utilizamos como referências os estudos de Estevão   &amp; Bagrichevsky (2002) (N= 03); Sabino e Luz (2007) (N= 110) e Jaeger e Goellner (2011) (N= 01).</p>     <p>Devido a dificuldades em acessar possíveis   voluntárias, recorreu-se à técnica snowball sample, procedimento amostral   não-probabilístico por julgamento que é empregado para pesquisar populações   especiais cujo acesso direto é difícil de obter (Heckathorn, 2011). Nesse   sentido, identificamos 4 sementes (sujeitos com um conhecimento significativo   do meio cultural que se deseja pesquisar) que viabilizaram o contanto com   possíveis participantes em 3 academias de ginástica da Região Metropolitana de   Recife. Todo o processo resultou na participação de 45 voluntárias que tiveram suas identidades protegidas.</p>     <p>As participantes da pesquisa cumpriram com todos os   procedimentos necessários de acordo com o Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade   Federal da Paraíba – UFPB (CEP/HULW/UFPB). O estudo foi submetido e aprovado   obtendo registros de número 1.138.360 (CEP/HULW) e 42610515.0.0000.5183 (CAAE).   Todos os procedimentos adotados seguiram as recomendações éticas propostas segundo a Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.</p>     <p><b>Instrumentos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para coletar os discursos, utilizamos um roteiro de   entrevista com imagens com questões abertas e de aplicação individual construído   a partir dos nossos objetivos de estudo. As imagens utilizadas referem-se a   reportagens retiradas de sites brasileiros de grande circulação que abordam   temas como fitness, moda, moda das celebridades e ciência. No universo da   pesquisa qualitativa a entrevista é reconhecida como uma técnica versátil,   possível de ser aplicada nos mais diferentes campos empíricos favorecendo   aproximações, e aprofundamentos em relação aos objetos investigados (Gaskel, 2008).</p>     <p>O instrumento foi composto por um grupo inicial de   perguntas voltadas ao levantamento de dados pessoais das participantes (idade,   escolaridade, profissão, situação socioeconômica), e por um conjunto de   questões diretas, formando três eixos temáticos (saúde, exercício físico e   envelhecimento). Dessa maneira, procuramos acessar os significados de cada um   deles considerando informações relacionadas à cultura, ao estilo de vida e às relações de poder que atravessam os cuidados corporais.</p>     <p>Utilizamos uma entrevista com imagens para estimular o   discurso das entrevistadas, evitando o uso de uma linguagem técnica que poderia   dificultar o resgate de experiências vividas sobre o tema investigado (Gaskel,   2008). Decidimos pelo uso da eliciação fotográfica (photo elicitation) que é   indicada para coletar informações sobre os modos de vida ou para resgatar   memórias de uma dada população. Nos últimos anos, a eliciação fotográfica tem   sido utilizada por várias disciplinas para investigar modos de vida e para   revelar percepções e problematizações sobre um determinado fenômeno em diferentes grupos sociais (Epstein, Stevens, McKeever, &amp; Baruchel, 2006).</p>     <p>No que tange à elaboração do instrumento, procuramos   obedecer às etapas de preparação, planejamento e teste (Minayo, 2004; Thomas   &amp; Nelson, 2002). A fase de preparação consistiu em formar um conjunto   inicial de matérias jornalísticas as quais foram obtidas por meio de visitas   semanais realizadas desde 2013 aos websites <a href="http://www.uol.com.br" target="_blank">www.uol.com.br</a> e <a href="http://www.globo.com" target="_blank">www.globo.com</a> (os 2 sites de notícias mais   acessados no Brasil em 2015, de acordo com Alexa (<a href="http://www.alexa.com/topsites/countries;0/BR" target="_blank">http://www.alexa.com/topsites/countries;0/BR</a>-   empresa pertencente à Amazon que disponibiliza o ranking dos sites mais acessados no mundo).</p>     <p>A fase de planejamento consistiu na organização das   matérias jornalísticas em dois grupos diferentes de acordo com os seus   enunciados principais e os objetivos específicos da pesquisa. Dessa maneira, o   primeiro grupo de matérias foi formado por notícias que abordaram a relação   saúde/ envelhecimento e o segundo por notícias referentes ao exercício físico.   Todas as imagens continham obrigatoriamente discursos imagéticos e textuais de   forma a estimular a interpretação apelando para as capacidades de interpretação   visual dos sujeitos nas dimensões principais da informação (texto e figura) (Gaskell, 2008).</p>     <p>A fase de teste versou sobre a realização de um estudo   piloto, conforme indicações metodológicas pertinentes à apropriação técnica do   instrumento e aferição de sua capacidade oferecer acesso às questões levantadas   pelo pesquisador de forma direta, segura e evitando problemas de interpretação.   O estudo piloto consistiu em testar o potencial enunciativo de 15 matérias   jornalísticas publicadas em sites brasileiros de notícias num grupo de 10   voluntárias que atendiam aos critérios de inclusão. Foram solicitadas opiniões   quanto à clareza das informações, o tempo de aplicação e o acréscimo ou   retirada de cenários. Após isso, 11 matérias foram selecionadas e distribuídas em dois blocos referentes aos objetivos do estudo.</p>     <p>Todas as entrevistas foram gravadas utilizando o   gravador do tipo MP3 da marca DL modelo MW 141 e transcritas. O tempo das entrevistas variou entre 40 min. e 1h30min.</p>     <p><b>Procedimentos</b></p>     <p>Foram registradas as falas de 45 “Hebes   contemporâneas”. Os procedimentos de coleta de discursos atenderam a duas fases   principais. A primeira consistiu na identificação e apresentação da proposta de   estudo para as sementes. O contato com as sementes aconteceu pessoalmente tendo   elas sido escolhidas com base no conhecimento prévio dos pesquisadores ou por   meio de contato anterior realizado via a rede social facebook em comunidades   formadas por usuários brasileiros ligados à cultura fitness e ao fisiculturismo. </p>     <p>No momento de apresentação pessoal, os pesquisadores   se identificaram formalmente e explicaram sobre os objetivos de estudo. Vale   salientar que as sementes possuem um grande conhecimento sobre treinamento   físico e modificação corporal, além de gozarem de livre circulação entre   pessoas que possuem um estilo de vida dirigido para a administração da   experiência de envelhecer pelo exercício físico. Participaram do processo 5 sementes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No segundo momento, solicitou-se às sementes para   viabilizar o contato com outros sujeitos que poderiam participar da pesquisa.   Depois de obter confirmação sobre a participação por parte das voluntárias   indicadas pelas sementes, os pesquisadores entraram em contato para agendar um   encontro no qual eles puderam se apresentar pessoalmente, explicar os objetivos   da investigação e revelar os aspectos éticos da pesquisa. Posteriormente, foram   agendados horários para a realização das entrevistas conforme a disponibilidade das voluntárias.</p>     <p>Quanto à aplicação, o processo de entrevista foi   conduzido individualmente e implicou na explicação dos objetivos do estudo,   apresentação e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TLCE).   Em atenção aos aspectos bioéticos da pesquisa, foi oferecido aos participantes   um serviço de assistência pedagógica voltada a oferecer informações sobre o   exercício físico e saúde. Todos os encontros foram agendados de acordo com a   disponibilidade das entrevistadas. Optou-se por realizar as entrevistas em   lugares silenciosos e tranquilos para evitar qualquer tipo de distração ou dificuldades na gravação da fala.</p>     <p>Solicitou-se permissão para gravar a conversa e foram   explicados os objetivos da pesquisa. As entrevistas foram iniciadas com   perguntas de caráter socioeconômico. Após isso se iniciou a dinâmica com as   imagens informando sobre a importância das suas interpretações e sobre a   inexistência de respostas certas e erradas. Pediu-se que as entrevistadas se   sentissem a vontade para responder ou não a eventuais perguntas conforme a sua   vontade. No decorrer da entrevista as entrevistadas foram incentivadas a falar   sobre os significados das imagens podendo retornar a elementos anteriores do   discurso se desejassem ou achassem necessário para auxiliar o raciocínio. Essa   decisão possibilitou explorar amplamente a fala das entrevistadas centrando naquilo que foi dito e evitando significações confusas.</p>     <p>As entrevistadas foram orientadas a revelar suas   impressões sobre as imagens até que o discurso se esgotasse. A transição entre   os cenários aconteceu a partir das próprias entrevistadas no momento em que   elas se sentissem a vontade. As entrevistadas tiveram liberdade de desistir a qualquer momento.</p>     <p>Finalizada a etapa de entrevistas, os dados foram   transcritos e uma cópia foi apresentada a cada participante para verificar a   veracidade das informações com vistas a analisar a validade interna de constructo (Severino, Gonçalves, &amp; Darido, 2015).</p>     <p><b>Análise estatística</b></p>     <p>Orientando-se pela análise de enunciados, desenvolvida   por Foucault (2008) em seus estudos sobre relações de poder e subjetivação, o   tratamento inicial dos discursos transcritos ocorreu no sentido de responder a   4 questões: 1) Quais discursos apresentam maior regularidade e raridade no   conjunto de declarações analisado?; 2) Quais os diferentes sentidos são dados a   estas categorias provenientes do discurso?; 3) Que conceitos surgem nos   discursos proferidos?; 4) Que relações de poder fundamentam os discursos coletados?.</p>     <p>Estas questões, segundo Foucault (2008), possibilitam   compreender as condições de existência, ou seja, as maneiras particulares   segundo as quais um determinado grupo problematiza e reinventa conhecimentos e   técnicas. Dito de outra forma, eles possibilitam verificar como um grupo se   apropria, representa e resignifica objetos de saber e relações de poder através   de enunciados. Por sua vez, o conceito de enunciado refere-se a discursos   especiais que exercem função de existência, ou seja, que são capazes de produzir realidades e tipos de relação.</p>     <p>O primeiro momento de análise foi identificar   declarações sobre saúde, envelhecimento e exercício físico no conjunto geral de   discursos transcritos. Seguindo o critério da temática em relação aos objetivos   de estudo, considerou-se enunciado qualquer declaração referente aos assuntos   centrais da pesquisa. Cumpre explicar que a identificação dos enunciados, que   neste estudo funcionaram como categorias analíticas, foi efetuada a partir do   cálculo da frequência absoluta dos termos obtidos nas transcrições das   declarações registradas mediante aplicação do instrumento. Tal cálculo permitiu uma visualização mais precisa das problematizações produzidas pelo grupo.</p>     <p>Uma vez identificados os enunciados, deu-se início à   segunda fase analítica que foi a identificação de diferentes sentidos   atribuídos pelas entrevistadas sobre saúde, envelhecimento e exercício físico.   Este procedimento permitiu verificar uma polissemia de entendimentos variável   em função de certos aspectos como idade e o uso de diferentes estratégias utilizadas para cuidar do corpo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No terceiro momento da análise procedeu-se a   identificação de conceitos erigidos pessoalmente pelas voluntárias sobre os   três temas principais deste estudo. Dessa forma, foi possível verificar formas   de entendimento sobre os objetos que não seguem uma lógica universal, mas   reflete razões particulares, construídas na experiência de ser sujeito atravessado pela rede social de relações de poder (Foucault, 2004).</p>     <p>O quarto momento de análise consistiu em identificar   as relações de poder vinculadas aos enunciados para compreender as influências   institucionais e as motivações pessoais que orientam tomadas de decisão sobre o   cuidado de si e visões de mundo sobre saúde, envelhecimento e exercício físico.   Partindo da análise de enunciados, estabeleceu-se um diálogo como o referencial   teórico de forma a conduzir uma discussão que permitisse responder aos   objetivos de estudo. No próximo ponto são apresentados os resultados e, a   seguir, a discussão como base nas principais categorias analíticas identificadas.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>RESULTADOS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>O estudo foi   realizado com 45 mulheres de 21 a 71 anos   (média = 35,40±11,96 anos). Para responder aos objetivos de pesquisa, neste   instante são abordados os dados relativos aos três temas fundamentais do estudo   que são a saúde, o envelhecimento e o exercício físico. Na <a href="#f1">figura 1</a>, demonstram-se   os objetivos da prática do exercício físico de acordo com as entrevistadas.   Quanto a essa questão, considera-se que as voluntárias foram orientadas a   indicar o motivo mais relevante que fundamenta à experiência atual com o   exercício físico. Observa-se uma maior incidência de interesses associada à   produção estética do corpo como forma de lazer. Na sequência, os motivos de   maior regularidade são “cuidados com a saúde”, “profissão” e “produção estética do corpo para competição”. </p>     <p><a name="f1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07f1.jpg" width="355" height="261"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A <a href="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t1.jpg">tabela 1</a> remete às diferentes tecnologias citadas   pelas voluntárias para cuidar da saúde, organizadas segundo uma estratificação   quanto ao tipo de estratégia e ao tempo de utilização. Tal organização auxiliou   a visualizar tendências no cuidado com o corpo em curto, médio e longo prazo. É   possível observar detalhes acerca das intervenções realizadas pelo grupo   pesquisado sobre a saúde destacando aquelas que são mais ou menos aceitas   (exercício físico/ dietas e terapias hormonais, respectivamente) e as suas   variações. Em relação ao exercício físico, às dietas e terapias cosméticas   verifica-se a adesão de todas as Hebes contemporâneas com algumas diferenças   quanto à distribuição no tempo. No caso do exercício físico, a quantidade mais   significativa de participantes afirma ter um tempo de prática que varia entre   5-10 anos. O segundo grupo com maior incidência, formado por 19 pessoas, afirma   ter mais de 10 anos de prática, enquanto o terceiro grupo, o das participantes   com menos tempo de prática, é constituído por 6 pessoas. Este comportamento   pode ser explicado pelo aumento significativo das academias na região ao longo   dos últimos 15 anos, e à expansão de mecanismos de informação associados à   cultura fitness nos últimos tempos. De fato, desde o início dos anos 2000 o   Brasil se firmou entre os quatro maiores mercados fitness do mundo (Bertevello, 2006).</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sobre o aspecto do incentivo à prática do exercício   físico na atualidade, E. (empresária de 31 anos) afirma que: “Hoje os médicos   recomendam. A mídia. Tudo envolve exercício físico e alimentação e os idosos   estão buscando. Isso dá mais acesso à melhor qualidade de vida, a buscar uma melhor saúde, uma melhor alimentação, um melhor exercício”.</p>     <p>A mesma tendência pode ser verificada em relação às   dietas, pois 22 entrevistadas afirmaram fazer algum tipo de controle alimentar   entre 5 a 10 anos, enquanto 17 afirmaram realizar dietas no período de 10 a 15   anos. O menor número de pessoas (N=06) afirmou ter aderido a dietas ente 1 a 5   anos de treinamento. Neste quesito, percebe-se que o grupo possui um alto nível   de envolvimento com o cuidado corporal apesar das dificuldades relatadas co a   alimentação. Para F. (fisiculturista, 22 anos), “Uma das principais   dificuldades que sinto é em relação à dieta e à hidratação. Quando vou   competir, a retenção hídrica é um problema e ainda tem a questão dos suplementos. É difícil controlar”.</p>     <p>De acordo com FL   (fisiculturista, 36 anos) “O problema é continuar na dieta sem dar as escapadas   de fim de semana que mexem com a consciência de quem treina. Chego a pensar: Tanto   esforço jogado fora por causa de um doce ou uma pizza. Às vezes penso em desistir”.</p>     <p>Segundo   Gomes-Villas Boas et al. (2011), para diferentes grupos sociais a adesão   associada ao autocuidado com a alimentação é um desafio complexo. As   dificuldades de controle alimentar são responsáveis por taxas de nãoadesão que   chegam aos 50% ou mais, a depender das características dos indivíduos envolvidos. </p>     <p>As cirurgias   estéticas e as terapias hormonais correspondem aos grupos de menor adesão   quanto às práticas de cuidado de saúde. Os dados mostram que as terapias   hormonais têm sido mais aceitas ao longo dos últimos 10 anos da mesma forma que   as cirurgias estéticas. Acredita-se que estas tendências estão associadas ao   reconhecimento da cultura fitness no Brasil, mas também a uma mudança de   paradigma de beleza feminina em resposta a movimentos culturais como o feminismo e o cinema nas últimas décadas (Jaeger &amp; Goellner, 2011).</p>     <p>Na <a href="#t2">tabela 2</a> descreve-se os tipos de exercícios físicos   praticados levando em consideração o histórico das participantes. Para essa   questão, é importante destacar que se admitiu mais de uma resposta possível. O   treinamento com pesos aparece como preferência para todas as entrevistadas,   seguido pela ginástica e o ciclismo indoor, dança, pilates e yoga, práticas   esportivas de lazer, corrida e lutas. Estes dados refletem a importância   concedida à produção estética corporal via aumento de massa muscular e   modificação das formas. Nesse sentido, T. (22 anos, estudante) considera que “O   músculo é tudo de bom! Por mim todos nós éramos musculosos, O músculo é beleza   e deixa tudo no lugar”. Por outro lado, observa-se a ênfase concedida às   atividades oferecidas no espaço fechado das academias, fato conveniente visto   que a sua estrutura é pensada para oferecer variadas atividades com o máximo de controle de tempo e espaço (Sassatelli, 1999).</p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t2.jpg" width="360" height="208"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Demonstram-se nas tabelas <a href="#t3">3</a>, <a href="#t4">4</a> e <a href="#t5">5</a> respostas aos três   temas analisados no presente estudo. No caso da <a href="#t3">tabela 3</a>, os dados apresentados   referem-se aos enunciados produzidos a partir dos discursos sobre saúde e   envelhecimento os quais denotam as maneiras segundo as quais as Hebes   contemporâneas pensam ou resignificam a relação entre os dois temas. Nas   tabelas <a href="#t4">4</a> e <a href="#t5">5</a> seguimos a mesma lógica para demonstrar a relação exercício   físico/ saúde e as compreensões sobre saúde na forma de enunciados que representam as formas de viver das entrevistadas.</p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t3.jpg" width="353" height="209"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t4.jpg" width="359" height="147"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="t5"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t5.jpg" width="365" height="173"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na <a href="#t3">tabela 3</a>, é possível observar que a relação saúde e   envelhecimento é pensada de diferentes formas. Na realidade investigada não existe   apenas uma única maneira de perceber o fenômeno. Ao mesmo tempo, destaca-se o   fato de que, para as Hebes contemporâneas, a relação saúde e envelhecimento não   está norteada apenas pelo discurso biológico que tende associar a velhice a alterações fisiológicas negativas.</p>     <p>Prova disso, é que os enunciados com maiores níveis de   regularidade são aqueles que admitem o envelhecer saudavelmente como   consequência de cuidar constantemente do corpo, como consequência de um estado   de espírito que se adquire, e como consequência dos cuidados estéticos. O   sentido atribuído ao termo cuidar presente no primeiro enunciado refere-se ao   uso de técnicas de cuidado referidas na <a href="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t1.jpg">tabela 1</a> de forma a assumir um tipo de   controle sobre a qualidade de vida que se assemelha à prevenção e cujo impacto mais importante é fomentar a vontade de viver. </p>     
<p>Do conjunto de informações coletadas é preciso levar   em conta a presença da dimensão biológica, sobretudo, nas declarações que   expressam preocupação quanto à formação de uma reserva fisiológica que   permitiria lutar contra os efeitos deletérios do envelhecimento. Situações   futuras de declínio corporal associadas à velhice causam um temor nas   entrevistadas. Referências a este fato surgem vinculadas às falas sobre a condição física atual.</p>     <p>Contudo, o medo de envelhecer parece ser mais   significativo em relação à conduta pessoal de cada uma consigo mesmo do que em   relação ao envelhecimento biológico. Ou seja, é mais importante considerar-se   jovem e tentar se perceber como jovem. Os resultados obtidos sugerem cautela   quanto à separação entre dimensão subjetiva e biológica. Quanto a este aspecto   A.N. (modelo fotográfica, 34 anos) diz: “Também existe o envelhecimento do   espírito, daquelas pessoas que são velhas no comportamento que não são alegres   ou que ficam dando desculpa pros problemas da vida. Existe essa forma de envelhecimento também”.</p>     <p>As tabelas <a href="#t4">4</a> e <a href="#t5">5</a> referem-se aos enunciados extraídos   sobre a relação exercício físico e envelhecimento e sobre as problematizações   produzidas sobre saúde. As Hebes contemporâneas se referiram ao potencial que o   exercício físico tem de rejuvenescer o corpo não apenas pelo fortalecimento   estrutural, mas pela produção de um bem-estar que expressa a recuperação de capacidades estéticas e físicas.</p>     <p>Os enunciados citados em segundo e em terceiro lugar   indicam a preocupação em usar o exercício físico para prevenir declínios   corporais e para transformar a beleza permitindo que se exiba o resultado do   esforço. Dessa maneira, R. (fisiculturista, 22 anos) relata: “Eu tenho tesão de   treinar. Quando eu treino eu me sinto mais gostosa e aí eu penso “quero ficar   mais gostosa ainda”. Quando for amanhã quero ficar melhor do que eu era, pra no outro dia alguém dizer. ”Como você tá linda!”.</p>     <p>Na <a href="#t5">tabela 5</a>, encontram-se as categorias que   representam as formas de problematizar a saúde, produzidas pelo grupo estudado.   Vale ressaltar que estas categorias encontram-se relacionadas ao que foi   exposto na tabela 3 no tocante às relações significativas entre saúde e bons hábitos, bem-estar, autoestima, ter um espírito jovem e estética corporal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Somados estes aspectos, demonstramos que os   pensamentos produzidos sobre o conceito de saúde transcendem a referência   biológica, mesmo sendo este grupo fortemente ligado a conhecimentos sobre a manipulação de variáveis fisiológicas.</p>     <p>A seguir aprofunda-se a discussão sobre uma forma   peculiar de problematização do envelhecimento que surgiu nos discursos   analisados que aparentemente revela uma compreensão integrada de saúde e   exercício físico. Segundo esta problematização, exercício e saúde se unem com   um único objetivo: Oferecer condições para que se possa combater um dos principais temores da vida humana que é envelhecer.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>DISCUSSÃO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>As problematizações realizadas pelas Hebes   contemporâneas a respeito da relação saúde/envelhecimento demonstram um receio   que parece suscitar diferentes maneiras de cuidar de si as quais são   administradas em antecipação aos primeiros sinais físicos de senilidade. O medo   de envelhecer tem sido associado às alterações estéticas e funcionais   significativas que variam de acordo com a faixa de idade (Polisseni et al.,   2009). Estudos revelam que ele está associado à depressão causada pelo   sentimento de inutilidade e aos sentimentos de exclusão e de ausência de   afetividade vinculados a aspectos culturais da discriminação etária em mulheres mais velhas (Goldenberg, 2012; Polisseni et al., 2009; Zampieri et al., 2009;).</p>     <p>No grupo estudado, o medo de envelhecer aparece em 25%   das declarações obtidas sobre envelhecimento. Não obstante, todas as   participantes manifestaram o tema de maneira velada, dado que permite   compreender o envelhecimento como é um fenômeno de significativa importância   para as entrevistadas. Entre os motivos que justificam tal situação pode-se   citar o valor conferido ao cuidado com a saúde e à produção estética corporal que pode ser evidenciado na <a href="#f1">figura 1</a> e na <a href="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t1.jpg">tabela 1</a>.</p>     
<p>No contexto das declarações, é possível verificar que   as referências ao medo de envelhecer estão ligadas à existência de fatores   intrínsecos e extrínsecos ao corpo. Contudo, destaca-se a atitude positiva de   combate ao envelhecimento tomada pelas entrevistadas. É o que demonstra o   pensamento de E.V. (32 anos, empresária): “Eu acho que todo mundo tem medo de   envelhecer, né? Porque quando você pensa na velhice, você pensa nos fatores,   doenças da pele, do rosto, seu condicionamento muda, tudo muda. Tudo cai é a   lei da gravidade! Mas a gente puxa pra cima! Tem as massagens que a gente faz no rosto pra ir esticando, esticando a sobrancelha, olhando para baixo”.</p>     <p>Noutra declaração, I. (42 anos, professora) revela que   com o passar dos anos seu objetivo é ficar “gostosa”: “Quero ficar gostosa! Eu   vou botar tudo pra cima. Eu quero ser um exemplo de vovó, sabe? Quero ser   AQUELA mulher, AQUELA senhora, quero estar bem, sabe? Eu quero fazer todos os   tratamentos. Tudo que eu tenho direito eu quero fazer. Só não quero ficar com cara de velha!”.</p>     <p>Para o grupo analisado reconhecer que o envelhecimento   é uma condição indesejada não significa impossibilidade de combater os seus   efeitos. Tomando como exemplo as falas acima descritas, verifica-se que as   entrevistadas fundamentam a luta contra o envelhecimento na necessidade de   produzir uma imagem que não se identifique com o velho. Tal fato pode ser   explicado pela forma problemática segundo a qual as sociedades contemporâneas consideram o corpo envelhecido.</p>     <p>Segundo Norbert Elias (2001), quanto mais   economicamente avançadas as sociedades, mais numerosas são as formas de   isolamento e exclusão de idosos e moribundos, estando isso associado à   privatização da vida. Já para Philipe Airès (2008), o medo do envelhecimento   está associado à privatização e à perda da intimidade com a morte. Assim, para   ambos os autores, o medo de envelhecer na contemporaneidade parece sinalizar um   clímax do egoísmo e um enfraquecimento da empatia para com aqueles de idade mais avançada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, verifica-se que o medo de envelhecer   manifestado pelas Hebes contemporâneas é pensado a partir da autoavaliação e de   uma produção de si que toma como parâmetro o corpo que se apresenta na sua   melhor forma possível. Isso quer dizer que o medo de envelhecer se justifica   pela necessidade de manter ou recuperar um estado estético e funcional desejado e já experimentado. Para exemplificar isso duas falas são fundamentais:</p>     <p>A primeira delas é a de C. (advogada, 71 anos), a mais   velha do grupo entrevistado. Sua fala é um exemplo de que a persistência na   prática de exercícios físicos pode ser pautada na experiência de reconhecer em   si mesma um modelo possível de beleza e saúde: “Sempre me orientei pela   modelagem do corpo. Sempre busquei mais ou menos a mesma forma corporal que eu   tenho, comendo pouco e fazendo exercício desde a época do colégio. Minha   referência de corpo é essa, magra, com curvas e feminina. Só que na proporção   que a idade vai chegando, a gente vai fazendo mais coisas. Continuo fazendo   musculação e essas outras aulas que a academia oferece e já estou assim sem parar já faz uns 10 anos”.</p>     <p>A segunda fala é a de T.C. (blogueira fitness, 28   anos) para quem o mais importante na relação consigo mesma é viver o cuidado de   si se concentrando intensamente no presente: “Pra falar a verdade eu não vejo o   lado da velhice sabe? Eu não sei se amanhã eu ainda vou estar assim, então tudo   que eu faço é motivado pelo hoje, no amanhã ou daqui a um mês. Porque tudo pode acontecer na vida. Daí eu acho que pensar demais no futuro é inconsequente”. </p>     <p>No total dos discursos analisados chama a atenção o   fato de que as opiniões sobre o envelhecimento e saúde estão quase sempre   articuladas, conforme é possível verificar na tabela 3. Além disso, uma   quantidade significativa de enunciados, incluindo aqueles que remetem ao medo   de envelhecer, compreende o envelhecimento como uma fase positiva da vida. Esse   dado parece indicar que o grupo pesquisado consegue realizar regulações emocionais diante da experiência estressante que pode ser o envelhecimento.</p>     <p>Nesse sentido, o discurso de L. (fisiculturista   profissional, 22 anos) é um exemplo de resiliência: “Eu tenho medo de   envelhecer porque o percurso do envelhecimento é uma coisa traumática. Na   velhice você começa se privar. Tem que aproveitar enquanto é jovem! Mas eu acho   que se eu continuar me cuidando agora eu vou estar melhor, não vou ter que me   privar porque já me cuidei antes então vou seguir a mesma linha”. Outro exemplo   é o de K. (personal trainer, 30 anos,): “Às vezes eu tenho medo de envelhecer,   outras vezes não. Às vezes eu acho (...) bom (...) eu acho que envelhecer vai   ser bacana. Cada fase da vida a gente deve aproveitar. Mas não digo envelhecer   de qualquer jeito. Tem que ser com saúde, praticando exercício físico, cuidando dos mínimos detalhes”.</p>     <p>Segundo Fontes e Neri (2015), bons níveis de resiliência   frente ao envelhecimento parecem estar associados à criação de uma reserva   motivacional ao longo da vida que funciona como fator de proteção para danos em   situações específicas, sendo que aspectos como religiosidade, vida afetiva, bom   humor e preservação da saúde física apresentam significativa associação a   estados de autoaceitação e bem-estar. Assim, pode-se supor que a visão positiva   que o grupo apresenta sobre o envelhecimento expressa uma resiliência que   estaria ligada à busca pelo bem-estar e aos cuidados estéticos e funcionais realizados.</p>     <p>Poder-se-ia supor que essa capacidade de   enfrentamento, por meio do cuidado de si, possibilita as Hebes contemporâneas   problematizarem o envelhecimento como uma experiência que não está dissociada   da saúde. Nesse sentido, ao observar as formas de problematização apresentadas   sobre o objeto exercício físico foi possível perceber que as entrevistadas   acreditam nos efeitos antienvelhecimento de um estilo de vida ativo capaz de   promover saúde, ao mesmo tempo em que possibilita retardar a velhice ou   recuperar características estéticas e funcionais perdidas. Envelhecer para o   grupo entrevistado não é apenas um processo meramente biológico, na medida em   que depende do estado de espírito que se adota em certas situações de   enfrentamento que sinalizam chegada da velhice. Não é à toa que o terceiro   maior grupo de enunciados realizados sobre saúde e envelhecimento (tabela 3) e   o terceiro grupo de problematizações sobre saúde (tabela 5) apontam para este aspecto.</p>     <p>Conforme é possível verificar na <a href="/img/revistas/mot/v13nspe/13nspea07t1.jpg">tabela 1</a>, uma forma   interessante de enfrentar o medo de envelhecer revelada pelo grupo é o uso de   exercícios físicos. Isso se confirma nas declarações que demonstram a   compreensão do exercício físico como técnica antienvelhecimento. No contexto   das tensões sociais relacionadas à produção estética, A.M. (empresária 42,   anos) oferece a seguinte declaração: “A minha cunhada fica me criticando porque   eu sou musculosa, me cuido e só como coisas saudáveis. Ela fica postando no   facebook aquele discurso imbecil de que beleza vem do interior. Isso não   existe! Ai eu digo mesmo: Tem um monte de boyzinhas com sua idade muito melhor   do que você. Então fique aí gorda desmantelada mostrando uma idade que você não   tem!”. Já no contexto do cuidado de si, T.T. (estudante de educação física, 28   anos) considera que: “o corpo saudável bem cuidado termina sendo um corpo   jovem. Então significa que de certa forma, fazendo exercício físico a gente   consegue rejuvenescer. É verdade. É uma forma de revigorar. Fazer exercício faz você se sentir mais jovem”.</p>     
<p>Sobre a questão do antienvelhecimento, estudos têm   argumentado sobre os efeitos positivos do exercício associados à preservação do   tamanho dos telômeros, à função da telomerase e à produção de respostas anti-inflamatórias em seres humanos (Cherkas et al., 2008; Kim, Ko, Lee, &amp; Bang, 2012).</p>     <p>Contudo, nos dois discursos citados o   antienvelhecimento associado ao exercício se apresenta em duas perspectivas   diferentes: a da competição estética e social e a do sentir-se revigorado. Ao   mesmo tempo, ambos apresentam como elemento comum a necessidade de gerenciar o   envelhecimento a partir de um cuidado corporal que terá como resultado a   construção de uma imagem que condiz com a idade real jovem, ou revigoramento da vida que remete à transformação pessoal de se sentir mais jovem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Moreira &amp; Nogueira (2008), a experiência   de envelhecer também é subjetiva, ou seja, ela é vivida no mundo de forma   ambígua, com seus aspectos negativos e positivos. Apesar dela se entrelaçar a   valores socioculturais que preconizam o belo, o novo, o produtivo, no caso das   Hebes contemporâneas o exercício físico é apontado como recurso utilizado para   construir um envelhecimento resignificado, ao menos no que diz respeito à   estética e à produtividade. Fundamentando essa ideia, I.R. (empresária, 43   anos) relata que faz exercícios físicos para recuperar a capacidade de seduzir:   “Eu gosto de fazer malhar pesado pra ficar mais gostosa. Para me olhar e dizer:   Caramba! Eu ainda posso dar desejo a alguém mais do que dava antes! Eu POSSO! Eu sou a TAL!”.</p>     <p>Por fim, um dado importante é que para o grupo   entrevistado utilizar o exercício como técnica antienvelhecimento não significa   apenas gerir aspectos fisiológicos, mas preservar uma abertura para experiência   de se sentir jovem. A compreensão integrada entre estas duas dimensões pode ser   observada nas duas declarações a seguir: “Quando fazemos exercícios liberamos   vários hormônios que fazem a gente se sentir bem. Mas, assim, eu já criei uma   qualidade de vida com os exercícios físicos. Para mim o exercício é bom pra   praticamente tudo. Eu me sinto revigorada. Até pra estudar eu prefiro malhar   antes. Sinto-me mais disposta, muito mais disposta” (A.D., professora, 29   anos). “O exercício já me revitalizou de todas as formas. Na minha densidade   óssea, na minha massa muscular. Na própria pele, no meu sono, na minha   qualidade de vida. Tudo! O exercício físico é fundamental até pra se perceber capaz de fazer outras coisas” (C., advogada, 71 anos).</p>     <p>O grupo investigado problematiza o envelhecimento como   uma experiência de reconstrução possível reconhecendo que ser jovem é uma   atitude positiva tomada na relação com o mundo. Tomando como fundamento os   achados de Fontes e Neri (2015) e Joia e Ruiz (2013), acredita-se que essa   visão de mundo é resultante de uma trajetória de cuidados de si e não apenas como um retorno impulsivo e pontual do olhar para si mesmo.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CONCLUSÕES</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>A partir dos resultados obtidos, verificou-se que o   grupo denominado Hebes contemporâneas apresenta uma compreensão sobre saúde e   envelhecimento marcada pela construção de uma identidade que não se assemelha a   visão negativa da velhice como processo vital em que os individuos estão   fadados a sofrer com as limitações e privações resultantes de declínios   fisiológicos. O grupo compreende que estar saudável no contexto do   envelhecimento significa cultivar uma disposição pessoal que favorece estar   aberto a diferentes formas de cuidado de si. Isso significa que a idade não é um obstáculo para descobrir e redescobrir experiências de vida.</p>     <p>A disposição para cuidar de si, demonstrada pelas   entrevistadas, parece indicar que o grupo não compreende o envelhecimento como   uma fase isolada e terminal da vida. Pelo contrário, as participantes possuem   consciência de que ele é um processo constante que pode ser gerido para se   obter experiências pessoais de qualidade. Nesse sentido, o medo de envelhecer   denota a presença de autocontrole e de um modo de vida que está centrado nas práticas de saúde realizadas no presente.</p>     <p>Quanto ao exercício físico, o grupo compreende que ele   exerce um papel que transcende o mero controle de variáveis biológicas, sendo   um recurso para fortalecer a experiência de se ver e se sentir mais jovem.   Assim, parece que investir no cuidado de si através do exercício físico é uma   forma de preservar uma perspectiva de vida positiva e resiliente. Esses dados   permitem compreender o exercício físico como uma técnica antienvelhecimento no   sentido que possibilita aos sujeitos construir formas de conduzir a si mesmos   que são contrárias à concepção de envelhecimento estigmatizada pela ausência de saúde, feiúra e improdutividade.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>REFERÊNCIAS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Andrade, M.   (2011). Estigma e Velhice: ensaios sobre a manipulação da idade deteriorada. <i>Revista Kairós Gerontologia, 14</i> (1), 79-97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364631&pid=S1646-107X201700020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ariès, P. (2004). <i>História da morte no Ocidente</i>. Rio de Janeiro: Ediouro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364633&pid=S1646-107X201700020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barros, N., &amp;   Nunes, E. (2009). Sociology, medicine and the construction of health-related sociology. <i>Revista Saúde Pública, 43</i>(1), 169-175.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364635&pid=S1646-107X201700020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bertevello,   G. (2006). Academias de ginástica e condicionamento físico – Sindicatos &amp;   associações. In L. DaCosta (Ed.). <i>Atlas do esporte no Brasil</i>. Rio de Janeiro: CONFEF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364637&pid=S1646-107X201700020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Canguilhem,   G. (2011). <i>O normal e o patológico</i> (7ª ed). Rio de Janeiro: Forense Universitária.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364639&pid=S1646-107X201700020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cherkas,   L., Hunkin, J., Kato, B., RIchards, J., Gardner, J., Surdulescu, G., Kimura,   M., Lu, X., Spector, T. &amp; Aviv, A. (2008). The Association Between Physical   Activity in Leisure Time and Leukocyte Telomere Length. <i>Archives of Internal Medicine, 168</i>(2), 154-158. doi:10.1001/archinternmed.2007.39&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364641&pid=S1646-107X201700020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dejours,   C. (1986). Por um novo conceito de saúde. <i>Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 14</i>(54), 7-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364642&pid=S1646-107X201700020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Duarte, C.,   Santos, C., &amp; Gonçalves, A. (2002). A concepção de pessoas de meia-idade   sobre saúde, envelhecimento e atividade física como motivação para   comportamentos ativos. <i>Revista Brasileira de Ciência do Esporte, 23</i>(3), 35-48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364644&pid=S1646-107X201700020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Elias, N. (2001). <i>A Solidão dos Moribundos</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364646&pid=S1646-107X201700020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Epstein, I.   Stevens, B. Mckeever, P. &amp; Baruchel S. (2006). Photo Elicitation Interview   (PEI): Using Photos to Elicit Children’s Perspectives. <i>International</i> <i>Journal of Qualitative Methods, 5</i>(3), 01-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364648&pid=S1646-107X201700020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Estevão,   A., &amp; Bagrichevsky, M. (2004). Cultura da “Corpolatria” e bodybuilding:   notas para reflexão. <i>Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, 3(3)</i>, 13-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364650&pid=S1646-107X201700020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ferretti, F.,   Nierotka, R., &amp; Silva, M. (2011). Health conception according to reports of   elderly people living in an urban environment. <i>Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 15</i>(37), 565-572.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364652&pid=S1646-107X201700020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fontes A., &amp;   Neri A. (2015). Resiliência e velhice: revisão de literatura. <i>Ciência &amp; Saúde Coletiva</i>, <i>20</i>(5), 1475-1495.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364654&pid=S1646-107X201700020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1997). <i>Dits et Écrits IV</i>. Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364656&pid=S1646-107X201700020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault,   M. (2004). <i>Vigiar e punir</i>: história da violência nas prisões. Petrópolis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364658&pid=S1646-107X201700020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault,   M. (2006). <i>O nascimento da clínica.</i> Rio de Janeiro: Forense Universitária.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364660&pid=S1646-107X201700020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault,   M. (2008). <i>A arqueologia do saber</i>. Rio de Janeiro: Forense Universitária.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364662&pid=S1646-107X201700020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gaskell, G. (2008).   <i>Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático</i> (7ª ed.). Petrópolis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364664&pid=S1646-107X201700020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Goldenberg,   M. (2012). Mulheres e envelhecimento na cultura brasileira. <i>Caderno Espaço Feminino, 25</i>(2), 46-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364666&pid=S1646-107X201700020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gomes-Villas   Boas L., Foss M., Foss-Freitas M., Torres H., Monteiro L. &amp; Pace A. (2011).   Adesão à dieta e ao exercício físico das pessoas com Diabetes Mellitus. <i>Texto Contexto Enfermagem, 20</i>(2), 272-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364668&pid=S1646-107X201700020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Heckathorn, D. (2011). Snowball versus   respondent-driven sampling. <i>Sociological Methodology</i>, <i>41</i>(1), 355–366. <a href="http://doi.org/10.1111/j.1467-9531.2011.01244.x" target="_blank">http://doi.org/10.1111/j.1467-9531.2011.01244.x</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364670&pid=S1646-107X201700020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jaeger,   A., &amp; Goellner, S. (2012). O músculo estraga a mulher? A produção de feminilidades no fisiculturismo.<i> Estudos Feministas, 19</i>(3), 955-976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364671&pid=S1646-107X201700020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Joia,   L., &amp; Ruiz, T. (2013). Satisfação com a Vida na Percepção dos Idosos. <i>Revista Kairós Gerontologia, 16</i>(6), 79-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364673&pid=S1646-107X201700020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kim   J., Ko, J., Lee, D., Lim I., &amp; Bang, H. (2012). Habitual physical exercise   has beneficial effects on telomere length in postmenopausal women. <i>Menopause, 19</i>(10), 1109-1115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364675&pid=S1646-107X201700020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Minayo,   M. (2004). <i>O Desafio do Conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde</i> (8ª ed.). São Paulo: Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364677&pid=S1646-107X201700020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moreira, J.   (2012). Mudanças na Percepção Sobre o Processo de Envelhecimento: Reflexões Preliminares. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa, 28</i>(4), 451-456.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364679&pid=S1646-107X201700020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Moreira, V.,   &amp; Nogueira, F. (2008). Do indesejável ao inevitável: a experiência vivida   do estigma de envelhecer na contemporaneidade. <i>Psicologia USP</i>, <i>19</i>(1), 59-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364681&pid=S1646-107X201700020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Polisseni, A.,   Araújo, D., Polisseni F., Mourão Junior, C., Polisseni J., Fernandes E. &amp;   Guerra M. (2009). Depressão e ansiedade em mulheres climatéricas: fatores associados. <i>Revista Brasileira de Ginecologia, 31</i>(1), 28-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364683&pid=S1646-107X201700020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sabino,   C., &amp; Luz, M. (2007). Ritos da forma: a construção da identidade   fisiculturista em academias de musculação na cidade do Rio de Janeiro. <i>Arquivos em Movimento, 3</i>(1), 51-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364685&pid=S1646-107X201700020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sassatelli, R.   (1999) Interaction order and beyond: a field analysis of body culture within fitness gyms. <i>Body &amp; Society, 5</i>(2-3), 227-248.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364687&pid=S1646-107X201700020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Severino,   C., Gonçalves, F., &amp; Darido, S. (2015). A prática do basquetebol por   meninas nas aulas de educação física escolar no município de Volta Redonda: a visão dos professores. <i>Motricidade, 11</i>(2), 36-47. <a href="http://dx.doi.org/10.6063/motricidade.3473" target="_blank">http://dx.doi.org/10.6063/motricidade.3473</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364689&pid=S1646-107X201700020000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Silva, L. (2008).   Terceira idade: nova identidade, reinvenção da velhice ou experiência geracional? <i>Physis Revista de Saúde Coletiva, 18</i>(4), 801-815.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364691&pid=S1646-107X201700020000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Thomas, J., &amp;   Nelson, J. (2002). <i>Métodos de pesquisa em atividade física</i> (3ª ed.). Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364693&pid=S1646-107X201700020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Uchôa, E., Firmo,   J., &amp; Lima-Costa, M. (2002). Envelhecimento e Saúde: experiência e   construção cultural. In M. Minayo &amp; C. Coimbra Junior (Eds.), <i>Antropologia,     saúde e envelhecimento</i> (pp. 25-36). Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ.</p>     <!-- ref --><p>Zampieri M.,   Tavares C., Hames M., Falcon G., Silva A. &amp; Gonçalves L. (2009). O processo   de viver e ser saudável das mulheres no climatério. <i>Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, 13</i>(2), 305-312.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=364696&pid=S1646-107X201700020000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos:    <br> </b>Nada a declarar    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <b>Conflito de Interesses:    <br> </b>Nada a declarar.    <br> <b>Financiamento:    <br> </b>Nada a declarar</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#top">*</a><i><a name="end"></a></i> <i>Autor correspondente</i>: Universidade Federal da Paraíba, Cidade Universitária, s/n. CEP: 58059-900. João Pessoa/PB, Brasil. <i>E-mail</i>: <a href="mailto:caminhairaquitan@gmail.com">caminhairaquitan@gmail.com</a></font>      ]]></body><back>
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