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<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Osteoma osteoide e radiofrequência: Análise dos resultados do tratamento de uma série de 27 casos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Although the osteoid osteoma is a self-limited lesion, the intense pain often demands a surgical intervention. Classical treatment with salicylates (and other non-steroid anti-inflammatories) is inconsistent and can not be tolerated for a long period of time. ”En bloc” resection and curettage are sometimes difficult procedures, with signifi cant morbidity. Some mini-invasive techniques have been developing in the treatment of osteoid osteoma but it seems that radiofrequency is the one with best results. This paper is the first Portuguese reporting the treatment of osteoid osteoma in 27 patients with radiofrequency. It emphasizes the effi cacy and simplicity of the method and the possibility of its use all over the skeleton, namely in the spine. Total and precocious pain relief was experienced by all patients, except one, in whom the diagnosis was not correct. There were no complications related to the procedure. General anesthesia, CT scan availability, radiofrequency generator and catheter and ambulatory hospitalization are the keys for the successful treatment of this pathology.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Osteoma osteoide e radiofrequência. Análise dos resultados do tratamento de uma série de 27 casos</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Pedro Cardoso<sup>I</sup></b>; <b>Maribel Gomes<sup>II</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar Universidade do Porto. Porto. Portugal.<br />II. Serviço de Ortopedia do Hospital de Santo António. Centro Hospitalar do Porto. Porto. Portugal.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de o Osteoma Osteoide ser uma les&atilde;o autolimitada, a dor persistente e intensa exige, quase sempre, interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. O tratamento cl&aacute;ssico com salicilatos (e outros anti-inflamat&oacute;rios n&atilde;o esteroides) &eacute; inconsistente e n&atilde;o &eacute; bem tolerado por um longo per&iacute;odo de tempo. Dadas as dificuldades e morbilidade da ressec&ccedil;&atilde;o &ldquo;em bloco&rdquo;&nbsp;e da curetagem, desenvolveram-se v&aacute;rias t&eacute;cnicas &ldquo;mini-invasivas&rdquo; de abla&ccedil;&atilde;o do nidus para o tratamento desta les&atilde;o. Parece comprovado que a abla&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica do ninho por radiofrequ&ecirc;ncia &eacute; uma t&eacute;cnica eficaz, segura e com &oacute;bvias vantagens comparativamente com os restantes procedimentos.</p>     <p>Esta s&eacute;rie de 27 doentes, a primeira a ser publicada a n&iacute;vel nacional, mostra a efic&aacute;cia e simplicidade deste procedimento e a possibilidade do seu uso em praticamente todas as localiza&ccedil;&otilde;es anat&oacute;micas, nomeadamente na coluna vertebral. Verificou-se um al&iacute;vio total e muito precoce em todos os doentes exceto em um caso em que o diagn&oacute;stico cl&iacute;nico e imagiol&oacute;gico n&atilde;o foi correto. N&atilde;o se verificaram complica&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Anestesia geral, disponibilidade de aparelho de TAC, material de radiofrequ&ecirc;ncia (gerador e c&acirc;nula) e um curto internamento em regime ambulat&oacute;rio s&atilde;o os itens necess&aacute;rios para o sucesso no tratamento desta patologia.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: osteoma osteoide, radiofrequência. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Although the osteoid osteoma is a self-limited lesion, the intense pain often demands a surgical intervention. Classical treatment with salicylates (and other non-steroid anti-inflammatories) is inconsistent and can not be tolerated for a long period of time. &rdquo;En bloc&rdquo; resection and curettage are sometimes difficult procedures, with signifi cant morbidity. Some mini-invasive techniques have been developing in the treatment of osteoid osteoma but it seems that radiofrequency is the one with best results.</p>     <p>This paper is the first Portuguese reporting the treatment of osteoid osteoma in 27 patients with radiofrequency. It emphasizes the effi cacy and simplicity of the method and the possibility of its use all over the skeleton, namely in the spine. Total and precocious pain relief was experienced by all patients, except one, in whom the diagnosis was not correct. There were no complications related to the procedure.</p>     <p>General anesthesia, CT scan availability, radiofrequency generator and catheter and ambulatory hospitalization are the keys for the successful treatment of this pathology.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Osteoid osteoma, radiofrequency. </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O diagn&oacute;stico do Osteoma Osteoide (OO) pode ser histol&oacute;gico, mas &eacute; essencialmente cl&iacute;nicoimagiol&oacute;gico. Apesar de ser uma les&atilde;o autolimitada,a dor persistente e intensa pode requerer interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. O tratamento m&eacute;dico (salicilatos e outros anti-inflamat&oacute;rios n&atilde;o esteroides) &eacute; inconsistente e n&atilde;o &eacute; bem tolerado por um longo per&iacute;odo de tempo.<br />Assim, muitas vezes, &eacute; necess&aacute;rio recorrer &agrave; remo&ccedil;&atilde;o ou destrui&ccedil;&atilde;o do nidus para obter al&iacute;vio sintom&aacute;tico. Dadas as dificuldades e morbilidade da ressec&ccedil;&atilde;o &ldquo;em bloco&rdquo; e da curetagem, lan&ccedil;ou-se m&atilde;o de v&aacute;rias t&eacute;cnicas &ldquo;mini-invasivas&rdquo; de abla&ccedil;&atilde;o do nidus.</p>
    <p>Atualmente est&atilde;o dispon&iacute;veis diversas t&eacute;cnicas percut&acirc;neas, mas a termo-abla&ccedil;&atilde;o por radiofrequ&ecirc;ncia (TARF) &eacute; a mais relevante. Utilizada no tratamento desta les&atilde;o desde 1992, o seu uso ainda n&atilde;o foi devidamente implementado em Portugal, n&atilde;o havendo refer&ecirc;ncia a s&eacute;ries de outras Institui&ccedil;&otilde;es Hospitalares.</p>
    <p>Apresentam-se de seguida os resultados cl&iacute;nicos e imagiol&oacute;gicos de uma s&eacute;rie de 27 casos de OO tratados com TARF, bem como uma abordagem pormenorizada dos princ&iacute;pios desta t&eacute;cnica e das especificidades da sua aplica&ccedil;&atilde;o nesta patologia.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">MATERIAL E MÉTODOS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Entre janeiro de 2004 e maio de 2011 foram tratados 27 doentes com OO com a seguinte localiza&ccedil;&atilde;o: 12 no f&eacute;mur proximal (cabe&ccedil;a, colo e regi&atilde;o subtrocant&eacute;rica), 4 no f&eacute;mur diafis&aacute;rio e distal, 3 no &uacute;mero distal, 3 na t&iacute;bia, 1 no acet&aacute;bulo, 1 no &uacute;mero proximal, 1 no c&uacute;bito proximal, 1 no sacro e 1 no corpo da 8&ordf; v&eacute;rtebra dorsal (<a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a04f1.jpg">Figura 1</a>).</p>    
<p>&nbsp;</p>    <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<center><a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a04f1.jpg">Figura 1</a></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Destes doentes, 18 eram do sexo masculino. As idades variaram entre os 11 e os 34 anos (m&eacute;dia de 22 anos). A evolu&ccedil;&atilde;o dos sintomas foi muito diversa, sendo o caso localizado na v&eacute;rtebra dorsal o de maior evolu&ccedil;&atilde;o (6 anos). Curiosamente n&atilde;o se verificou, neste caso, escoliose. Com a exce&ccedil;&atilde;o deste, o maior tempo de evolu&ccedil;&atilde;o dos sintomas foi de 15 meses. O doente em que os sintomas tinham menos tempo de evolu&ccedil;&atilde;o foi um dos de localiza&ccedil;&atilde;o na cabe&ccedil;a do f&eacute;mur (2 meses) mas o sufi ciente para se instalar uma atrofia da coxa e uma not&oacute;ria claudica&ccedil;&atilde;o da marcha (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figura 2</a>). A m&eacute;dia dos sintomas, com a exclus&atilde;o do referido doente da coluna, foi de 5,5 meses. O follow-up m&eacute;dio foi de 2,9 anos (3-78 meses).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a04f2.jpg" width="366" height="278" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Todos os doentes foram propostos para TARF com o diagn&oacute;stico feito apenas pela cl&iacute;nica e pela imagiologia.</p>
    <p>Os procedimentos foram realizados sob anestesia geral e o posicionamento do el&eacute;trodo no nidus controlado por Tomografia Axial Computorizada.</p>
    <p>A t&eacute;cnica, simples, observou sempre os mesmos procedimentos. Depois da anestesia, da coloca&ccedil;&atilde;o das placas (el&eacute;trodos de retorno) nas duas coxas ou pernas, da escolha do ponto de entrada na pele e da prepara&ccedil;&atilde;o de um pequeno campo esterilizado o el&eacute;trodo foi introduzido atrav&eacute;s de uma incis&atilde;o punctiforme. Foi utilizado um el&eacute;trodo Cool-tipTM RF internamente arrefecido. Foram aplicados 12 minutos de radiofrequ&ecirc;ncia determinada automaticamente pelo gerador de acordo com a imped&acirc;ncia do tecido alvo, controlando-se apenas a temperatura na ponteira da c&acirc;nula. A temperatura durante o procedimento deve rondar os 20&ordm;C o que, uma vez que a c&acirc;nula &eacute; arrefecida, corresponde a uma temperatura entre os 42&ordm;C e os 48&ordm;C. Estes valores s&atilde;o verifi cados no fim do procedimento quando a bomba perfusora da &aacute;gua destilada, usada para o arrefecimento, &eacute; desligada. Em 3 casos foi necess&aacute;rio repetir o procedimento por mais 6 minutos por a temperatura atingida n&atilde;o ultrapassar os 40&ordm;C.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No fim, o trajeto foi infiltrado com 6 ml de Lidoca&iacute;na a 2%. Em 7 doentes foi usada uma broca canulada para se penetrar o denso osso reativo ou para se atingir o nidus sem perigo de les&atilde;o do feixe neurovascular (<a name="topf3"></a><a href="#f3">Figura 3</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f3"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a04f3.jpg" width="370" height="400" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Em 3 les&otilde;es justarticulares (1 na cabe&ccedil;a do f&eacute;mur e 2 no f&eacute;mur distal) a coloca&ccedil;&atilde;o do el&eacute;trodo foi feita atrav&eacute;s da cartilagem articular (<a name="topf4"></a><a href="#f4">Figura 4</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f4"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a04f4.jpg" width="368" height="308" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em nenhum caso se registou qualquer complica&ccedil;&atilde;o durante o procedimento.</p>
    <p>A alta hospitalar foi dada 6 a 8 horas depois do procedimento e os doentes foram medicados com antiinflamat&oacute;rio para o caso de sentirem dor.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESULTADOS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Todos os doentes, exceto um, experimentaram um al&iacute;vio total da dor ao fim de um per&iacute;odo de tempo que variou entre 1 e 3 dias.</p>
    <p>O doente que n&atilde;o melhorou da dor teve supura&ccedil;&atilde;o pelo trajeto do el&eacute;trodo e foi tratado cirurgicamente como uma osteomielite por Staphylococcus aureus meticilino suscet&iacute;vel. Tratou-se de um dos casos de localiza&ccedil;&atilde;o na t&iacute;bia (<a name="topf5"></a><a href="#f5">Figura 5</a>) e suspeitou-se que o diagn&oacute;stico cl&iacute;nico-imagiol&oacute;gico de OO n&atilde;o foi correto.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f5"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a04f5.jpg" width="367" height="387" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um outro doente, tamb&eacute;m com localiza&ccedil;&atilde;o do OO na t&iacute;bia, teve como complica&ccedil;&atilde;o tardia uma infe&ccedil;&atilde;o por Serratia marcescens que se resolveu com antibioterapia oral prolongada.</p>
    <p>N&atilde;o se verificaram outras complica&ccedil;&otilde;es tardias, mormente nos 3 casos em que a c&acirc;nula atravessou a cartilagem articular.</p>
    <p>Aos 4 meses de evolu&ccedil;&atilde;o todos os doentes fizeram uma TAC e uma cintigrafia de controlo. As cintigrafias mostraram aus&ecirc;ncia de capta&ccedil;&atilde;o em 14 doentes e franca diminui&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realizada inicialmente nos restantes 10. Na TAC apenas 3 doentes mostraram esclerose do nidus.</p></font>    <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">     <p>O tratamento cir&uacute;rgico do OO consiste na ex&eacute;rese completa do nidus e tem uma taxa de sucesso pr&oacute;xima de 100%, com o  desaparecimento da t&iacute;pica dor noturna poucas horas ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o.</p>
    <p>Foi Campanacci[1] quem descreveu 2 modos de excisar o nidus: 1) ressec&ccedil;&atilde;o &ldquo;em bloco&rdquo; atrav&eacute;s da &aacute;rea de  necrose e 2) curetagem ap&oacute;s a sua exposi&ccedil;&atilde;o, com desbaste da zona de esclerose.Quando se opta pela ressec&ccedil;&atilde;o  &ldquo;em bloco&rdquo; num osso longo deve-se ponderar a necessidade de um encavilhamento profil&aacute;tico[2]. Na coluna &eacute; necess&aacute;rio,  muitas vezes, a artrodese posterior j&aacute; que a ex&eacute;rese condiciona instabilidade. Uma particularidade na localiza&ccedil;&atilde;o do  OO na coluna prende-se com o facto de a escoliose reativa poder n&atilde;o melhorar mesmo depois da ex&eacute;rese, se o tempo de  evolu&ccedil;&atilde;o for superior a 15 meses[3,4]. No &uacute;nico caso de OO na coluna desta s&eacute;rie, apesar do longo tempo de  evolu&ccedil;&atilde;o, a doente n&atilde;o desenvolveu escoliose.</p>
    <p>Dependendo da localiza&ccedil;&atilde;o, a morbilidade de uma cirurgia pode ser muito elevada como &eacute; o caso da cabe&ccedil;a e colo do f&eacute;mur. Per-operatoriamente pode ser muito dif&iacute;cil localizar o nidus e nem sempre a radioscopia o identifica. Outras desvantagens da cirurgia s&atilde;o as eventuais complica&ccedil;&otilde;es: fratura&nbsp; per-operat&oacute;ria, necessidade de enxerto e/ou fixa&ccedil;&atilde;o interna, rigidez articular, recupera&ccedil;&atilde;o funcional lenta e marcha com carga adiada.</p>
    <p>Parece consensual que as recidivas se relacionem com a remo&ccedil;&atilde;o incompleta do nidus[5-7]; como s&atilde;o raras ap&oacute;s os 2 anos, acredita-se que um follow-up de 2 anos seja o adequado[5-7]. Nesta s&eacute;rie n&atilde;o houve recidivas ou persist&ecirc;ncia da dor embora nem todos os casos tenham o tempo de recuo superior a 2 anos.</p>
    <p>V&aacute;rias t&eacute;cnicas &ldquo;mini-invasivas&rdquo; t&ecirc;m sido desenvolvidas para substituir o tratamento cir&uacute;rgico do OO: a excis&atilde;o guiada por radionucl&iacute;deos ou por Tomografia Axial Computorizada, a fotocoagula&ccedil;&atilde;o percut&acirc;nea por Laser, a cirurgia assistida por computador e a radiofrequ&ecirc;ncia, que tem sido a mais usada e sobre a qual existem mais estudos.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O uso de radiofrequ&ecirc;ncia no OO baseia-se no princ&iacute;pio desta corrente sinusoidal (400-500 Hz) atravessar o tecido do nidus, induzindo uma agita&ccedil;&atilde;o i&oacute;nica e, por fric&ccedil;&atilde;o entre as c&eacute;lulas, um aumento da temperatura tecidular. Atingida uma temperatura de 60&ordm;C a desnatura&ccedil;&atilde;o celular &eacute; irrevers&iacute;vel[8].</p>
    <p>Uma das dificuldades inerentes ao uso da TARF (e de outras t&eacute;cnicas percut&acirc;neas) &eacute; a aus&ecirc;ncia de diagn&oacute;stico histol&oacute;gico. Contudo, mesmo quando o tratamento mais frequente era a ex&eacute;rese cir&uacute;rgica, o diagn&oacute;stico do OO sempre assentou, essencialmente, em crit&eacute;rios cl&iacute;nicos e imagiol&oacute;gicos. O &uacute;nico insucesso nesta s&eacute;rie relacionou-se com um erro de diagn&oacute;stico, como j&aacute; foi atr&aacute;s referido.</p>
    <p>J&aacute; foi manifestamente comprovado que a TARF &eacute; uma t&eacute;cnica eficaz, segura e que apresenta vantagens significativas quando comparada com os restantes procedimentos.</p>
    <p>Esta s&eacute;rie de 27 casos de OO tratados com radiofrequ&ecirc;ncia &eacute; a primeira a ser descrita a n&iacute;vel nacional e confirma a simplicidade e efic&aacute;cia da t&eacute;cnica.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Campanacci M, Ruggieri P, Gasbarrini A, Ferraro A, Campanacci L. Osteoid osteoma: direct visual identification and intralesional excision of the nidus with minimal removal of bone. J Bone Joint Surg Br. 1999; 81 (5): 814-820</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S1646-2122201200010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Healey JH, Ghelman B. Osteoid osteoma and osteoblastoma. Current concepts and recent advances. Clin Orthop Relat Res. 1986 Mar; 204: 76-85</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">3. Mehta MH. Pain provoked scoliosis. Observations on the evolution of the deformity. Clin Orthop Relat Res. 1978 Sep; 135: 58-65</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">4. Pettine KA, Klassen RA. Osteoid osteoma and osteoblastoma of the spine. J Bone Joint Surg Am. 1986 Mar; 68 (3): 354-361</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">5. Papathanassiou ZG, Megas P, Petsas T, Papachristou DJ, Nilas J, Siablis D. Osteoid osteoma: diagnosis and treatment. Orthopedics. 2008 Nov; 31 (11): 1118</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">6. Torriani M, Rosenthal DI. Radiofrequency ablation of osteoid osteoma. In Ellis LM, Curley SA, Tanabe KK, editors. Radiofrequency ablation for cancer: current indications, techniques and outcomes. New York: Springer; 2004. p. 159-170.</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">7. Rosenthal DI, Hornicek FJ, Wolfe MW, Jennings LC, Gebhardt MC, Mankin HJ. Percutaneous radiofrequency coagulation of osteoid osteoma compared with operative treatment. J Bone Joint Surg Am. 1998 Jun; 80 (6): 815-821</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">8. Baère T. Destruction par radiofréquence des tumeurs pulmonaires et osseuses. Cancer/Radiothérapie. 2006 Nov; 10: 430-436</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar.</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Pedro Cardoso    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Hospital de Santo António    <br>Serviço de Ortopedia    <br>Largo Professor Abel Salazar    <br>4099-001 Porto    <br>Portugal    <br><a href="mailto:maribelgomes@gmail.com">maribelgomes@gmail.com</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2011-09-19</font></p>     ]]></body><back>
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