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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reinserção artroscópica do supra-espinhoso: O que fazer com a longa porção do bicípite braquial? Estudo prospetivo de 42 doentes]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-21222012000100006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-21222012000100006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-21222012000100006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: A lesão da longa porção do bicípite (LPB) associada à rotura do supra-espinhoso é muito frequente, mas não é consensual quando e como intervir sobre a LPB. Objetivos: avaliar se o gesto na LPB, na reparação artroscópica do supra-espinhoso, tem repercussão no resultado funcional global do ombro, na frequência de sinal de Popeye e de dor bicipital, e na satisfação do doente. Material e Métodos: 42 doentes, divididos em três grupos: 1. Nenhum gesto na LPB (8); 2. Tenotomia (12); 3. Tenodese (22); ecomparados quanto: à avaliação funcional do ombro pré-operatória e aos 6 meses pós-operatórios &#91;(Simple Shoulder Test (SST); score de Constant-Murley (CM&#93;; à presença de sinal de Popeye ou de dor bicipital; ao grau de satisfação. Análise estatística: testes de comparação de grupos; IBM® SPSS® Statistics 19. Resultados: Não houve diferença estatisticamente significativa entre os 3 grupos (p>0,05) quanto às variáveis iniciais (idade, sexo, tipo de profissão, pedido de indemnização do trabalhador, lesão da LPB, rotura do supra-espinhoso, SST e score de CM pré-operatórios) e quanto à melhoria do SST e do score de CM aos 6 meses. No grupo da tenotomia houve um sinal de Popeye (9,1%), e uma maior percentagem de dor bicipital (18,1%) do que no grupo da tenodese (9,1%), mas sem significado estatístico. A satisfação foi menor no grupo com nenhum gesto na LPB (37,5%, IC95%=&#91;8,5%;75,5%&#93;) do que nos grupos da tenotomia e tenodese (97,1%, IC95%=&#91;84,7%;99,9%&#93;), com significado estatístico (p=3.7E-4, Fisher’s exact test). Conclusões: O gesto sobre a LPB na reparação do supra-espinhoso não tem repercussão sobre o resultado funcional do ombro aos 6 meses pós-operatórios. Contudo, não intervir traduz-se numa menor satisfação, quando comparado com a tenotomia ou a tenodese. Poderá ser aconselhável realizar sempre a tenotomia ou a tenodese quando se procede à reparação de uma rotura do supra-espinhoso.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Long head of biceps brachii lesions in association with supraspinatus tendon tears are very frequent, but there is no consensus on when and how to deal with them. Purpose: to determine if treating the long head of biceps, when repairing a supraspinatus tendon tear, has a repercussion on: the global functional outcome of the shoulder; the incidence of a Popeye sign; bicipital pain; and patient satisfaction. Methods: 42 patients were divided in three groups: 1. No procedure performed on the long head of biceps brachii (8); 2. Tenotomy (12); 3. Tenodesis (22); and compared for: functional status of the shoulder preoperatively and at 6 months postoperative &#91;Simple Shoulder Test (SST); Constant-Murley score (CM)&#93;; presence of a Popeye sign, or bicipital pain; patient satisfaction. Statistical analysis: group comparison tests; IBM® SPSS® Statistics 19. Level of evidence: Level II Results: There was no significant difference between the three groups (p>0,05) considering the initial variables (age, sex, occupation, workman’s compensation, long head of bíceps brachii lesion, supraspinatus tendon tear, and preoperative SST and CM) and the SST and CM improval at 6 months. In the tenotomy group, there was one Popeye sign (9.1%), and a higher percentage of bicipital pain (18.1%) than in the tenodesis group (9.1%), but this was not statistically significant. Patient satisfaction was lower in the group with no procedure performed on the long head of biceps brachii (37.5%, CI95%=&#91;8.5%;75.5%&#93;) than in the tenotomy and tenodesis groups (97.1%, CI95%=&#91;84.7%;99.9%&#93;), statistically significant (p-value=3.7E-4, Fisher’s exact test). Conclusions: Long head of bíceps brachii procedures in supraspinatus tendon tear repairs do not have a repercussion on the functional outcome of the shoulder at 6 months. However, not performing any procedure results in a lower satisfaction rate, compared with tenotomy or tenodesis. It might be advisable to always perform either a tenotomy, or a tenodesis, when repairing a supraspinatus tendon tear.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[longa porção do bicípite]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">ARTIGO ORIGINAL</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="4">Reinserção artroscópica do supra-espinhoso. O que fazer com a longa porção do bicípite braquial?  Estudo prospetivo de 42 doentes</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Clara Azevedo<sup>I, II</sup></b>; <b>Susana Vinga<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">I. Departamento de Bioestatística. Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.Lisboa.  Portugal. <br />II. Serviço de Ortopedia do GIGA. Grupo de Gestão Integrada de Acidentes, SA. Lisboa. Portugal.<br />III. Serviço de Ortopedia e  Traumatologia do Hospital São Francisco Xavier. Lisboa. Portugal.<br /></font></p>     <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Introdu&ccedil;&atilde;o: A les&atilde;o da longa  por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite (LPB) associada &agrave; rotura do supra-espinhoso &eacute; muito frequente, mas n&atilde;o &eacute;  consensual quando e como intervir sobre a LPB.</p>     <p>Objetivos: avaliar se o gesto na LPB, na repara&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica do supra-espinhoso, tem repercuss&atilde;o no resultado  funcional global do ombro, na frequ&ecirc;ncia de sinal de Popeye e de dor bicipital, e na satisfa&ccedil;&atilde;o do doente.</p>     <p>Material e M&eacute;todos: 42 doentes, divididos em tr&ecirc;s grupos: 1. Nenhum gesto na LPB (8); 2. Tenotomia (12); 3. Tenodese (22);  ecomparados quanto: &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o funcional do ombro pr&eacute;-operat&oacute;ria e aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios  &#91;(Simple Shoulder Test (SST); score de Constant-Murley (CM&#93;; &agrave; presen&ccedil;a de sinal de Popeye ou de dor bicipital; ao grau de  satisfa&ccedil;&atilde;o. An&aacute;lise estat&iacute;stica: testes de compara&ccedil;&atilde;o de grupos; IBM&reg; SPSS&reg; Statistics 19.</p>     <p>Resultados: N&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre os 3 grupos (p&gt;0,05) quanto &agrave;s vari&aacute;veis  iniciais (idade, sexo, tipo de profiss&atilde;o, pedido de indemniza&ccedil;&atilde;o do trabalhador, les&atilde;o da LPB, rotura do  supra-espinhoso, SST e score de CM pr&eacute;-operat&oacute;rios) e quanto &agrave; melhoria do SST e do score de CM aos 6 meses. No grupo da  tenotomia houve um sinal de Popeye (9,1%), e uma maior percentagem de dor bicipital (18,1%) do que no grupo da tenodese (9,1%), mas sem  significado estat&iacute;stico. A satisfa&ccedil;&atilde;o foi menor no grupo com nenhum gesto na LPB (37,5%, IC95%=&#91;8,5%;75,5%&#93;) do que nos  grupos da tenotomia e tenodese (97,1%, IC95%=&#91;84,7%;99,9%&#93;), com significado estat&iacute;stico (p=3.7E-4, Fisher&rsquo;s exact test).</p>     <p>Conclus&otilde;es: O gesto sobre a LPB na repara&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso n&atilde;o tem repercuss&atilde;o sobre o resultado  funcional do ombro aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios. Contudo, n&atilde;o intervir traduz-se numa menor satisfa&ccedil;&atilde;o, quando  comparado com a tenotomia ou a tenodese. Poder&aacute; ser aconselh&aacute;vel realizar sempre a tenotomia ou a tenodese quando se procede  &agrave; repara&ccedil;&atilde;o de uma rotura do supra-espinhoso.</p></font>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: longa porção do bicípite, tenotomia, tenodese, supra-espinhoso, artroscopia. </font></p>      <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">     <p>Introduction: Long head of biceps brachii lesions in association with supraspinatus tendon tears are very&nbsp;frequent, but there is no  consensus on when and how to deal with them.</p>     <p>Purpose: to determine if treating the long head of biceps, when repairing a supraspinatus tendon tear, has&nbsp;a repercussion on: the global  functional outcome of the shoulder; the incidence of a Popeye sign; bicipital&nbsp;pain; and patient satisfaction.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Methods: 42 patients were divided in three groups: 1. No procedure performed on the long head of&nbsp;biceps brachii (8); 2. Tenotomy (12); 3.  Tenodesis (22); and compared for: functional status of the shoulder&nbsp;preoperatively and at 6 months postoperative &#91;Simple Shoulder Test (SST);  Constant-Murley score (CM)&#93;;&nbsp;presence of a Popeye sign, or bicipital pain; patient satisfaction. Statistical analysis: group comparison  tests;&nbsp;IBM&reg; SPSS&reg; Statistics 19. Level of evidence: Level II&nbsp;</p>     <p>Results: There was no significant difference between the three groups (p&gt;0,05) considering the initial&nbsp;variables (age, sex, occupation,  workman&rsquo;s compensation, long head of b&iacute;ceps brachii lesion, supraspinatus&nbsp;tendon tear, and preoperative SST and CM) and the SST  and CM improval at 6 months. In the tenotomy&nbsp;group, there was one Popeye sign (9.1%), and a higher percentage of bicipital pain (18.1%) than  in the&nbsp;tenodesis group (9.1%), but this was not statistically significant. Patient satisfaction was lower in the group&nbsp;with no procedure  performed on the long head of biceps brachii (37.5%, CI95%=&#91;8.5%;75.5%&#93;) than in the&nbsp;tenotomy and tenodesis groups (97.1%,  CI95%=&#91;84.7%;99.9%&#93;), statistically significant (p-value=3.7E-4,&nbsp;Fisher&rsquo;s exact test).</p>     <p>Conclusions: Long head of b&iacute;ceps brachii procedures in supraspinatus tendon tear repairs do not have a&nbsp;repercussion on the  functional outcome of the shoulder at 6 months. However, not performing any procedure&nbsp;results in a lower satisfaction rate, compared with  tenotomy or tenodesis. It might be advisable to always&nbsp;perform either a tenotomy, or a tenodesis, when repairing a supraspinatus tendon  tear.</p></font>     <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Long head of bíceps brachii, tenotomy, tenodesis, supraspinatus, arthroscopy. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A les&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, associada &agrave; rotura da coifa dos rotadores, &eacute; muito frequente, podendo ocorrer em 76% dos casos[1]. Esta les&atilde;o determina queixas que se confundem com a apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da rotura da coifa, com dor anterior e perda de eleva&ccedil;&atilde;o do ombro[2]. Na presen&ccedil;a de patologia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite, tal como uma rotura parcial, ou uma les&atilde;o em vidro de rel&oacute;gio, a decis&atilde;o de intervir com uma tenotomia ou tenodese &eacute; relativamente consensual. Contudo, no contexto de uma rotura da coifa dos rotadores, a decis&atilde;o de tenotomizar ou tenodesar a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite continua a ser baseada na experi&ecirc;ncia cl&iacute;nica sem evid&ecirc;ncia[3]: o mecanismo patol&oacute;gico que determina a les&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite n&atilde;o est&aacute; esclarecido, e n&atilde;o se sabe se as altera&ccedil;&otilde;es da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite poder&atilde;o melhorar ap&oacute;s a repara&ccedil;&atilde;o da coifa dos rotadores.</p>
    <p>Estudos recentes, realizados em modelos animais (ratos)[4], demonstraram que o mecanismo para a patologia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, na presen&ccedil;a de uma rotura da coifa dos rotadores, poder&aacute; ser o aumento da carga compressiva distalmente &agrave; sua inser&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea proximal e que, uma vez removida essa carga, h&aacute; uma melhoria da histologia, organiza&ccedil;&atilde;o e composi&ccedil;&atilde;o do tend&atilde;o. &Agrave; luz destes resultados, pode-se por a hip&oacute;tese de que a reinser&ccedil;&atilde;o da coifa dos rotadores, ao repor a biomec&acirc;nica do ombro, pode favorecer a revers&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, deixando de haver justifica&ccedil;&atilde;o para concomitantemente realizar um gesto sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial. Contudo, pode-se, tamb&eacute;m, por a hip&oacute;tese de que a reinser&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso nunca repor&aacute; fielmente a biomec&acirc;nica natural do supra-espinhoso, logo a carga sobre a por&ccedil;&atilde;o intra-articular da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial nunca ser&aacute; a natural, e a causa da patologia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial podese perpetuar, podendo determinar um mau resultado funcional global do ombro, apesar da reposi&ccedil;&atilde;o da integridade do supra-espinhoso. Justificar-se-ia, assim, a decis&atilde;o de realizar um gesto sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite concomitantemente (tenotomia ou tenodese), independentemente de esta apresentar sinais patol&oacute;gicos macrosc&oacute;picos.</p>
    <p>Quanto ao tipo de gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite, v&aacute;rios estudos t&ecirc;m tentado demonstrar as vantagens da tenotomia sobre a tenodese[2]: gesto tecnicamente mais f&aacute;cil e r&aacute;pido, bem tolerado, produzindo menos dor bicipital, em m&eacute;dia de 19%[5]; ou as vantagens da tenodese sobre a tenotomia: maior raz&atilde;o tend&atilde;o/fal&ecirc;ncia sob carga, menor incid&ecirc;ncia de sinal de Popeye, menor incid&ecirc;ncia de diminui&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de flex&atilde;o e supina&ccedil;&atilde;o do cotovelo, requerendo menos reabilita&ccedil;&atilde;o pos-operat&oacute;ria, com um retorno mais r&aacute;pido &agrave; atividade f&iacute;sica. Contudo, ainda n&atilde;o h&aacute; consenso na literatura, nem h&aacute; estudos prospetivos conclusivos que&nbsp; analisem especificamente a repercuss&atilde;o, no resultado funcional global do ombro, do gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite na reinser&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso. Perceber se h&aacute; repercuss&atilde;o do gesto&nbsp; na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial no resultadofuncional global do ombro pode ajudar o cirurgi&atilde;o na sua decis&atilde;o.</p>
    <p>O objetivo deste estudo foi avaliar se, na repara&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica do supra-espinhoso, o gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial (nenhum gesto, tenotomia ou tenodese) tem repercuss&atilde;o no resultado funcional global do ombro, na frequ&ecirc;ncia de sinal de Popeye e de dor bicipital, e no grau de satisfa&ccedil;&atilde;o do doente.</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">MATERIAL E MÉTODOS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Todos os pacientes deram consentimento informado por escrito, antes de serem operados, compreendendo os riscos e benef&iacute;cios dos procedimentos, tendo sido informados que os seus dados cl&iacute;nicos seriam utilizados para investiga&ccedil;&atilde;o.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Desenho do estudo</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Desenhou-se um estudo prospetivo comparativo do resultado global funcional dos ombros submetidos a reinser&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica do supra-espinhoso, em que a decis&atilde;o de realizar nenhum gesto sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite, versus tenotomia, versus tenodese, seria tomada intraoperatoriamente, atrav&eacute;s da integra&ccedil;&atilde;o de um conjunto de crit&eacute;rios: idade do doente, tipo de profiss&atilde;o, grau de obesidade do bra&ccedil;o, patologia associada do complexo bic&iacute;pite-labrum, sinais macrosc&oacute;picos de les&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite, les&atilde;o associada do subescapular, avalia&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica glenoumeral de aus&ecirc;ncia de conflito din&acirc;mico entre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial e o supra-espinhoso reinserido.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Seleção dos doentes</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o do estudo foram: doentes consecutivos, com diagn&oacute;stico pr&eacute;-operat&oacute;rio de rotura da coifa dos rotadores, programados para operar pelo primeiro autor, de 1 de dezembro de 2008 a 31 outubro de 2010, e submetidos a reinser&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica da rotura do supra-espinhoso. Os crit&eacute;rios de exclus&atilde;o foram doentes programados para repara&ccedil;&atilde;o de rotura da coifa com: cirurgia pr&eacute;via do ombro; fratura proximal do &uacute;mero; rotura da coifa em que o supra-espinhoso n&atilde;o foi reinserido(reinser&ccedil;&atilde;o do subescapular e tenotomia ou tenodese da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, associada a desbridamento de rotura parcial do supra-espinhoso, ou rotura maci&ccedil;a irrepar&aacute;vel da coifa dos rotadores). Em 86 doentes programados para operar com o diagn&oacute;stico de rotura da coifa dos rotadores, foram inclu&iacute;dos no estudo os 42 doentes em que foi realizada a reinser&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica do supra-espinhoso, e foram exclu&iacute;dos de integrar o estudo 44 doentes (3 doentes para revis&atilde;o de repara&ccedil;&atilde;o de rotura da coifa dos rotadores; 1 doente para reinser&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso, com cirurgia pr&eacute;via do ombro; 31 doentes com rotura parcial do supraespinhoso tratada por desbridamento; 3 doentes com rotura do subescapular reinserida, associada a rotura parcial do supra-espinhoso tratada por desbridamento, e tenodese ou tenotomia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial; e 6 doentes com rotura maci&ccedil;a irrepar&aacute;vel da coifa dos rotadores tratada por desbridamento da coifa, e tenodese ou tenotomia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial).</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Técnica cirúrgica</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os doentes foram operados sob anestesia geral, em posi&ccedil;&atilde;o de semissentado, com utiliza&ccedil;&atilde;o de sistema de tra&ccedil;&atilde;o com 3 Kg, com o ombro entre 45&ordm; e 60&ordm; de eleva&ccedil;&atilde;o, por via artrosc&oacute;pica glenoumeral e subacromial. As roturas do supra-espinhoso e do subescapular foram reinseridas com suturas n&atilde;o reabsorv&iacute;veis (polietileno n&uacute;mero 2) em monofileira de &acirc;ncoras reabsorv&iacute;veis (&acirc;ncoras de poli-L-&aacute;cido l&aacute;ctico, PLLA, em 40 casos) ou de &acirc;ncoras n&atilde;o reabsorv&iacute;veis (&acirc;ncoras de poli-eter-eter-cetona, PEEK, 2 casos). A tenodese da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite realizada foi intra-articular, com fixa&ccedil;&atilde;o por sutura n&atilde;o-reabsorv&iacute;vel (polietileno n&uacute;mero 2) de uma &acirc;ncora reabsorv&iacute;vel de 5mm de di&acirc;metro de PLLA implantada na goteira umeral do bic&iacute;pite, numa posi&ccedil;&atilde;o suficientemente distal &agrave; cartilagem articular da cabe&ccedil;a umeral para n&atilde;o gerar conflito intra-articular do coto. A sutura &agrave;  &acirc;ncora (<a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a06f1.jpg">Figura 1</a>) foi realizada com uma passagem de uma linha da sutura  atrav&eacute;s da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, seguida de uma passagem circunferencial da mesma linha de sutura em  torno da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, antes de serem dados os n&oacute;s (um n&oacute; de correr, tipo fishing knot,  seguido de tr&ecirc;s meios n&oacute;s). Seguidamente foi realizada a sec&ccedil;&atilde;o por radiofrequ&ecirc;ncia, e remo&ccedil;&atilde;o da  por&ccedil;&atilde;o intra-articular da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, deixando a antiga zona de ancoragem proximal do  bic&iacute;pite regularizada. A tenotomia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite foi realizada atrav&eacute;s da sec&ccedil;&atilde;o  por radiofrequ&ecirc;ncia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite na zona da goteira umeral bicipital, seguida da sec&ccedil;&atilde;o na  zona de ancoragem proximal do bic&iacute;pite braquial e remo&ccedil;&atilde;o do segmento intra-articular, sendo o m&eacute;todo e o n&iacute;vel de sec&ccedil;&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial na goteira  bicipital id&ecirc;ntico ao da tenodese. A decis&atilde;o do gesto a realizar foi tomada intraoperatoriamente: a realiza&ccedil;&atilde;o de  nenhum gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial foi favorecida em doentes com menos de 50 anos, trabalhadores manuais  ativos, sem patologia do complexo bic&iacute;pite-labrum, e sem rotura da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial ou do  subescapular associadas &agrave; rotura do supraespinhoso, mas foi condicionada &agrave; confirma&ccedil;&atilde;o, por via artrosc&oacute;pica  glenoumeral, de aus&ecirc;ncia de conflito din&acirc;mico da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite com o supraespinhoso reinserido; a  tenotomia foi favorecida em doentes com mais de 50 anos de idade, com obesidade do bra&ccedil;o e les&atilde;o do complexo bic&iacute;pite-labrum,  ou rotura da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite ou do subescapular; a tenodese foi favorecida em doentes com menos de 50 anos de idade,  com patologia do complexo bic&iacute;pitelabrum, ou rotura da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial ou do subescapular.</p></font>     
<p><b><font face="Verdana" size="2">Protocolo de reabilitação</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os doentes foram imobilizados em suspens&atilde;o braquial com banda tor&aacute;cica comercial ainda no bloco operat&oacute;rio, antes de revertida a anestesia. Foi dada indica&ccedil;&atilde;o para iniciarem exerc&iacute;cios do ombro passivos, de duas em duas horas, a partir do dia da cirurgia (movimentos pendulares, eleva&ccedil;&atilde;o passiva at&eacute; 90&ordm;) e at&eacute; &agrave;s 3 semanas pos-operat&oacute;rias, data em que iniciaram fisioterapia formal, em diferentes centros de fisioterapia, sem interven&ccedil;&atilde;o seletiva dos autores. A banda tor&aacute;cica foi removida &agrave;s 3 semanas, e a suspens&atilde;o braquial foi removida &agrave;s 6 semanas p&oacute;s-operat&oacute;rias. Foi dada indica&ccedil;&atilde;o para iniciar, &agrave;s 3 semanas p&oacute;s-operat&oacute;rias, a mobiliza&ccedil;&atilde;o passiva completa, e para a mobiliza&ccedil;&atilde;o ativa n&atilde;o resistida ser limitada pelo limiar da dor. Foi interdito o in&iacute;cio de exerc&iacute;cios ativos resistidos at&eacute; aos 4 meses p&oacute;soperat&oacute;rios, consoante a gravidade e complexidade da repara&ccedil;&atilde;o da rotura do supra-espinhoso e o limiar da dor. Foram dadas indica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas suplementares para os doentes do grupo da tenodese e da tenotomia: mobiliza&ccedil;&atilde;o do cotovelo passiva durante as primeiras 3 semanas, mobiliza&ccedil;&atilde;o ativa n&atilde;o resistida entre as 3 e as 6 semanas, e mobiliza&ccedil;&atilde;o ativa resistida permitida a partir das 6 semanas p&oacute;s-operat&oacute;rias.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Avaliação dos doentes</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A avalia&ccedil;&atilde;o funcional global do ombros foi realizada pr&eacute;-operatoriamente e aos 6 meses p&oacute;soperat&oacute;rios, utilizando: o Simple Shoulder Test (SST)[6]; e o score de Constant-Murley (CM) [7], excluindo a vari&aacute;vel objetiva de avalia&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de abdu&ccedil;&atilde;o deste score (pelo que o m&aacute;ximo de pontua&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel passou para 75 pontos, correspondendo &agrave; soma das&nbsp; vari&aacute;veis subjetivas e objetiva restante do score). A presen&ccedil;a de sinal de Popeye, definido como a tradu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da migra&ccedil;&atilde;o distal no bra&ccedil;o do corpo muscular da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial &agrave; flex&atilde;o e supina&ccedil;&atilde;o do cotovelo, foi avaliada aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios. A presen&ccedil;a de dor bicipital, definida como dor anterior, tipo moinha, c&atilde;ibra ou dor constante, no trajeto da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, foi avaliada por quest&atilde;o dirigida, aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios. O grau de satisfa&ccedil;&atilde;o do doente aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios foi aferido atrav&eacute;s da resposta &agrave; quest&atilde;o: recomendaria a cirurgia a outra pessoa? Considerou-se que uma resposta positiva seria correspondente a um doente satisfeito, e que uma resposta negativa seria correspondente a um doente insatisfeito com a cirurgia.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Análise estatística</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os tr&ecirc;s grupos de doentes a comparar foram definidos pelo gesto realizado na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial (grupo com nenhum gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, grupo com tenotomia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, e grupo com tenodese da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial). A an&aacute;lise estat&iacute;stica foi realizada atrav&eacute;s de testes para compara&ccedil;&atilde;o de grupos, com recurso ao software IBM&reg; SPSS&reg; Statistics 19.</p>
    <p>Os grupos foram comparados em termos da avalia&ccedil;&atilde;o inicial das vari&aacute;veis: idade, sexo, les&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial (diagn&oacute;stico artrosc&oacute;pico: sem rotura, rotura parcial, ou rotura completa), classifica&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica da rotura da coifa dos rotadores (classifica&ccedil;&atilde;o de Snyder) [8], classifica&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica da rotura do subescapular (classifica&ccedil;&atilde;o de Lafosse) [9], classifica&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica da les&atilde;o do complexo bic&iacute;pete-labrum (les&atilde;o do labrum superior anterior-posterior, SLAP, classifica&ccedil;&atilde;o de Snyder)[10], tipo de trabalho do doente (manual ou intelectual), pedido de indemniza&ccedil;&atilde;o do trabalhador, resultado do SST pr&eacute;-operat&oacute;rio e do score de CM pr&eacute;-operat&oacute;rio. Os grupos foram depois comparados em termos do resultado do SST p&oacute;s-operat&oacute;rio, da melhoria do SST (incremento ou deltaSST), do score de CM p&oacute;soperat&oacute;rio, da melhoria do score de CM (incremento ou deltaCM), da presen&ccedil;a de dor bicipital, da presen&ccedil;a sinal de Popeye, e do grau de satisfa&ccedil;&atilde;o com a cirurgia aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios. Foram utilizados testes ANOVA (an&aacute;lise de vari&acirc;ncia), Kruskal-Wallis, t-Student, qui-quadrado e Fisher&rsquo;s exact test.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESULTADOS</font></b></p><font face="verdana" size="2"></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Participantes e dados descritivos</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os 42 doentes em que se procedeu &agrave; reinser&ccedil;&atilde;o artrosc&oacute;pica do supra-espinhoso foram divididos em tr&ecirc;s grupos consoante o gesto realizado na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial: grupo 1: nenhum gesto (8 doentes); grupo 2: tenotomia (12 doentes); grupo 3: tenodese intra-articular com sutura de &acirc;ncora (22 doentes). No  <a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a06q1.jpg">Quadro I</a> apresentam-se os dados demogr&aacute;ficos por grupo de tratamento, e no  <a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a06q2.jpg">Quadro II</a> apresenta-se a distribui&ccedil;&atilde;o das les&otilde;es por grupo de  tratamento. A m&eacute;dia dos resultados dos scores de avalia&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o do ombro pr&eacute; e  p&oacute;s-operat&oacute;rios est&aacute; resumida no <a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a06q3.jpg">Quadro III</a>.</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">Resultados da análise estatística</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>N&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre os 3 grupos quanto &agrave;s vari&aacute;veis iniciais: idade, sexo, tipo de profiss&atilde;o, pedido de indemniza&ccedil;&atilde;o do trabalhador, les&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, rotura do supra-espinhoso (classifica&ccedil;&atilde;o de Snyder), SST e score de CM pr&eacute;-operat&oacute;rios (valores de p&gt;0,05 nos testes ANOVA de an&aacute;lise de vari&acirc;ncia, ver <a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a06q2.jpg">Quadros II</a> e <a href="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a06q3.jpg">III</a>, bem como nos testes de Kruskal-Wallis, t-Student e Qui-quadrado), ou seja, o gesto sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial foi independente destas vari&aacute;veis. Contudo, houve diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os grupos quanto &agrave; les&atilde;o do subescapular (classifica&ccedil;&atilde;o de Lafosse), com p=3,5795e-005 (Fisher&rsquo;s exact test) e &agrave; les&atilde;o de SLAP (classifica&ccedil;&atilde;o de Snyder) com p= 0,0147, Fisher&rsquo;s exact test.</p>
    
<p>N&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre os tr&ecirc;s grupos na melhoria do SST (m&eacute;dias de deltaSST: 5,37 no grupo de nenhum gesto; 5,91 no grupo da tenodese; 6,27 no grupo da tenotomia; p=0,862; teste ANOVA) e na melhoria do score de CM (m&eacute;dias de deltaCM: 35,25 no grupo de nenhum gesto; 39,36 no grupo da tenodese; 37,09 no grupo da tenotomia; p=0,807; teste ANOVA) aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios. No grupo da tenotomia houve um doente com sinal de Popeye (9,1%) e uma maior percentagem de doentes com dor referida ao bic&iacute;pite (18,1%) do que no grupo da tenodese (9,1%), mas esta diferen&ccedil;a n&atilde;o foi estatisticamente significativa (p=0,5723, Fisher&rsquo;s exact test). N&atilde;o houve diferen&ccedil;a estatisticamente significativa (p=0,647, Fisher&rsquo;s exact&nbsp; test) no grau de satisfa&ccedil;&atilde;o avaliado pela quest&atilde;o da recomenda&ccedil;&atilde;o da cirurgia a outra pessoa entre o grupo da tenotomia (100% de doentes satisfeitos, 12 dos 12 doentes recomendam cirurgia) e o grupo da tenodese (95,45% de doentes satisfeitos, 21 em 22 doentes recomendam a cirurgia). A satisfa&ccedil;&atilde;o foi menor no grupo com nenhum gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial (37,5%, intervalo de confian&ccedil;a (IC) de 95%=[8,5%;75,5%]) do que nos grupos da tenotomia e tenodese (97,1%, IC95%=[84,7%;99,9%]), com significado estat&iacute;stico (p=3.7E-4, Fisher&rsquo;s exact test).</p>
    <p>Uma doente do grupo da tenotomia (1/12) foi exclu&iacute;da no decurso do estudo, da avalia&ccedil;&atilde;o funcional global do ombro, por ter sido reoperada antes dos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios, para tratar uma rigidez articular p&oacute;s-operat&oacute;ria que n&atilde;o respondia ao programa de reabilita&ccedil;&atilde;o, com consequente interfer&ecirc;ncia ativa nas vari&aacute;veis objetivas dos scores funcionais. O timing para intervir na rigidez p&oacute;s-operat&oacute;ria refract&aacute;ria &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o (m&iacute;nimo de 6 meses de reabilita&ccedil;&atilde;o) foi antecipado para os tr&ecirc;s meses e meio p&oacute;s-operat&oacute;rios, por suspeita de rerrotura precoce no contexto de uma intercorr&ecirc;ncia no primeiro dia p&oacute;s-operat&oacute;rio (in&iacute;cio n&atilde;o autorizado de mobiliza&ccedil;&atilde;o ativa resistida), sendo dif&iacute;cil, por meios complementares de imagem, fazer o diagn&oacute;stico diferencial de rigidez versus fal&ecirc;ncia da repara&ccedil;&atilde;o nessa fase. Neste caso confirmou-se artroscopicamente a integridade da repara&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso (procedeu-se &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o sob anestesia geral, passando de 90&ordm; para 180&ordm; de eleva&ccedil;&atilde;o passiva, e &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o do intervalo dos rotadores com ressec&ccedil;&atilde;o do ligamento coracoumeral e remo&ccedil;&atilde;o das linhas de sutura do supra-espinhoso, bem cicatrizado na footprint, por via artrosc&oacute;pica glenoumeral e subacromial). Assim, esta doente n&atilde;o foi exclu&iacute;da da avalia&ccedil;&atilde;o da dor bicipital (ausente), do sinal de Popeye (ausente) e do grau de satisfa&ccedil;&atilde;o aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios (satisfeita), atribuindo-se o quadro de capsulite &agrave; intercorr&ecirc;ncia descrita.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A depend&ecirc;ncia do gesto realizado sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial quanto &agrave;s vari&aacute;veis iniciais les&atilde;o do subescapular e les&atilde;o de SLAP decorre dos crit&eacute;rios de decis&atilde;o utilizados neste estudo para a realiza&ccedil;&atilde;o do gesto. O facto de existirem procedimentos adicionais sobre o subescapular tem de ser considerado na interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados deste estudo. Contudo, a natureza da patologia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, que raramente se encontra de forma isolada[11], determina que seja dif&iacute;cil realizar estudos comparativos dos diferentes gestos sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite[5], sem ser no contexto de outros procedimentos cir&uacute;rgicos do ombro, bem como a utiliza&ccedil;&atilde;o de um verdadeiro grupo de controlo. Ainda assim, &eacute; de sublinhar que houve independ&ecirc;ncia da vari&aacute;vel rotura do supra-espinhoso quanto ao gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, e que n&atilde;o foram realizados outros procedimentos geralmente inclu&iacute;dos noutros estudos, como a descompress&atilde;o subacromial (acromioplastia) ou a ressec&ccedil;&atilde;o clavicular distal[5], e que constituiriam outras vari&aacute;veis de confundimento.</p>
    <p>A an&aacute;lise da fun&ccedil;&atilde;o global do ombro atrav&eacute;s do score CM tamb&eacute;m foi utilizada no estudo de Boileau[12], que tamb&eacute;m concluiu n&atilde;o haver diferen&ccedil;a no resultado da tenodese versus tenotomia. Contudo o contexto n&atilde;o era o da repara&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso, mas da tenotomia ou tenodese em roturas irrepar&aacute;veis do supra-espinhoso.</p>
    <p>A frequ&ecirc;ncia de 9,1% do sinal de Popeye na tenotomia neste estudo est&aacute; perto do limite inferior da frequ&ecirc;ncia de 3 a 70% reportada na literatura[2]. Na realiza&ccedil;&atilde;o da tenotomia n&atilde;o se optou pela t&eacute;cnica cir&uacute;rgica mais generalizada, em que a sec&ccedil;&atilde;o &eacute; feita na zona de ancoragem proximal, deixando a por&ccedil;&atilde;o distal migrar livremente para a goteira bicipital, tendo-se optado por realizar a sec&ccedil;&atilde;o na goteira umeral, e depois remover o segmento remanescente proximal, numa tentativa de simular o comprimento e tens&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial final obtido pela tenodese. Assume-se que se possa dar um encarceramento da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite tenotomizada na goteira umeral, que possa simular a tenodese e torn&aacute;-las sobrepon&iacute;veis, desde que seja seguido um protocolo de reabilita&ccedil;&atilde;o, com prote&ccedil;&atilde;o da tenotomia.</p>
    <p>Neste estudo optou-se por seguir o mesmo protocolo de reabilita&ccedil;&atilde;o na tenotomia e na tenodese, numa tentativa de retirar essa vari&aacute;vel de confundimento da an&aacute;lise do outcome dos dois procedimentos. &Eacute; admiss&iacute;vel que a t&eacute;cnica cir&uacute;rgica de realiza&ccedil;&atilde;o da tenotomia possa ter influ&ecirc;ncia nos resultados em termos de frequ&ecirc;ncia do sinal de Popeye e de dor bicipital, mas a sua fundamenta&ccedil;&atilde;o requereria um estudo comparativo entre as duas t&eacute;cnicas de tenotomia referidas. Neste estudo optou-se por n&atilde;o categorizar o grau de deformidade cosm&eacute;tica do bra&ccedil;o. Em vez disso, avaliou-se o sinal de Popeye simplesmente como presente ou ausente, para reduzir a carga de subjetividade impl&iacute;cita numa grada&ccedil;&atilde;o da deformidade. Pela mesma raz&atilde;o, a dor bicipital foi avaliada apenas como presente ou ausente.&nbsp; Verificou-se que a maior frequ&ecirc;ncia de sinal de Popeye e de dor referida ao bic&iacute;pite na tenotomia versus tenodese n&atilde;o determinou uma diferen&ccedil;a do grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes, o que est&aacute; de acordo com os resultados obtidos por Duff[5] na sua revis&atilde;o de 117 doentes submetidos a tenotomia, incluindo doentes jovens trabalhadores manuais ativos, em que, apesar duma frequ&ecirc;ncia de 19% de dor referida ao bic&iacute;pite, se registou um grau de satisfa&ccedil;&atilde;o de 97% com o procedimento.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A aplica&ccedil;&atilde;o da tenotomia concomitante &agrave; repara&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso tem sido condicionada pela preocupa&ccedil;&atilde;o com a deformidade cosm&eacute;tica, do sinal de Popeye, e pela dor bicipital nos trabalhadores ativos manuais, mas neste estudo n&atilde;o se encontrou diferen&ccedil;a na satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes com tenotomia versus tenodese, mesmo tratando-se de uma popula&ccedil;&atilde;o maioritariamente trabalhadora ativa manual, pelo que tamb&eacute;m n&atilde;o se encontra raz&atilde;o para recomendar a tenodese versus tenotomia com base no argumento cl&aacute;ssico do tipo de profiss&atilde;o. Contudo, neste estudo n&atilde;o foi analisada a for&ccedil;a de flex&atilde;o e supina&ccedil;&atilde;o do cotovelo, geralmente referida na literatura com sendo mais afetada pela tenotomia do que pela tenodese[2]. Para al&eacute;m disso, tamb&eacute;m foi exclu&iacute;da a vari&aacute;vel objetiva de avalia&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a de abdu&ccedil;&atilde;o do score de CM, com o objetivo de reduzir o impacto da idade e da domin&acirc;ncia do membro operado na compara&ccedil;&atilde;o dos resultados, fator que tem de ser tido em conta na interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados.</p>
    <p>Quanto ao menor grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes com nenhum gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, poder&aacute; constituir uma tradu&ccedil;&atilde;o subjetiva da hipot&eacute;tica altera&ccedil;&atilde;o da excurs&atilde;o da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite na polia, ap&oacute;s a reinser&ccedil;&atilde;o do supraespinhoso, mas esta altera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi objectiv&aacute;vel na avalia&ccedil;&atilde;o din&acirc;mica por via artrosc&oacute;pica glenoumeral dos doentes sem gesto na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite. Esta menor satisfa&ccedil;&atilde;o pode ser um argumento para associar sempre a tenotomia ou a tenodese &agrave; repara&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso. Contudo, o follow up de 6 meses poder&aacute; ser considerado insuficiente para se poder fazer esta recomenda&ccedil;&atilde;o, e ser considerado uma limita&ccedil;&atilde;o deste estudo. O pouco tempo decorrido ap&oacute;s a repara&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso pode n&atilde;o ser suficiente para que as les&otilde;es da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite revertam, dado que os estudos realizados em modelos animais demonstraram que s&oacute; 2 meses ap&oacute;s a repara&ccedil;&atilde;o da coifa dos rotadores &eacute; que se come&ccedil;ou a verificar a melhoria das les&otilde;es da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite[4]. Por outro lado, a hipot&eacute;tica altera&ccedil;&atilde;o da polia da longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial, que a reinser&ccedil;&atilde;o do supra-espinhoso poder&aacute; determinar, poder&aacute; ser independente do tempo decorrido ap&oacute;s a repara&ccedil;&atilde;o, pelo que, se for este o fator condicionante da menor satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes, esta poder&aacute; n&atilde;o ser alterada com o aumento de follow-up.</p>
    <p>Contudo, podem haver outras vari&aacute;veis de confundimento, que n&atilde;o foram analisadas neste estudo, e que expliquem as diferen&ccedil;as no grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes verificadas, tal como o facto de os doentes realizarem a reabilita&ccedil;&atilde;o em centros de fisioterapia diferentes (apesar de serem fornecidas pelo cirurgi&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas para a reabilita&ccedil;&atilde;o).</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CONCLUSÕES</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O gesto sobre a longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial na repara&ccedil;&atilde;o da rotura do supra-espinhoso n&atilde;o tem repercuss&atilde;o sobre o resultado funcional global do ombro, e n&atilde;o determina diferen&ccedil;as significativas na frequ&ecirc;ncia de sinal de Popeye ou de dor bicipital aos 6 meses&nbsp; p&oacute;s-operat&oacute;rios.</p>
    <p>N&atilde;o intervir na longa por&ccedil;&atilde;o do bic&iacute;pite braquial traduz-se, no entanto, num menor grau de satisfa&ccedil;&atilde;o do doente, quando comparado com a tenotomia ou a tenodese aos 6 meses p&oacute;s-operat&oacute;rios, pelo que poder&aacute; ser aconselh&aacute;vel realizar sempre a tenotomia ou a tenodese quando se proceder &agrave; repara&ccedil;&atilde;o de uma rotura do supra-espinhoso.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Chen C, Hsu K, Chen W, Shih C. Incidence and severity of bíceps long-head tendon lesion in patients with complete rotator cuff tears. J Trauma. 2005; 58 (6): 1189-1193</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S1646-2122201200010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Hsu AR, Ghodadra NS, Provencher MT, Lewis PB, Bach BR. Biceps tenotomy versus tenodesis A review of clinical outcomes and biomechanical results. J Shoulder Elbow Surg. 2010; 20 (2): 326-332</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S1646-2122201200010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">3. Peltz CD, Hsu JE, Zgonis MH, Trasolini NA, Glaser DL, Soslowsky LJ. Intra-articular changes precede extra-articular changes in the biceps tendon after rotator cuff tears in a rat model. J Shoulder Elbow Surg. 2011; 21 (7): 873-881</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S1646-2122201200010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Peltz CD, Hsu JE, Zgonis MH, Trasolini NA, Glaser DL, Soslowsky LJ. Decreased loading after rotator cuff tears leads to improved biceps tendon properties in a rat model. J Shoulder Elbow Surg. 2011; 20 (5): 698-707</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1646-2122201200010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Duff SJ, Campbell PT. Patient acceptance of long head of biceps brachii tenotomy. J Shoulder Elbow Surg. 2012; 21 (1): 61-65</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1646-2122201200010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Lippitt SB, Harryman II DT, Matsen III FA. A Practical Tool for Evaluating Function: The Simple Shoulder Test. In Matsen III FA, Fu FH, Hawkins RJ, editors. The Shoulder: A balance of mobility and stability. Rosemont, IL: The American Academy of Orthopaedic Surgeons; 1993. p. 545-559.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Constant CR, Murley AHG. A clinical method functional assessment of the shoulder. Clin Orthop. 1987; 214: 160-164</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1646-2122201200010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Snyder SJ. Arthroscopic classification of rotator cuff lesions and surgical decision making. In Snyder SJ, editors. Shoulder arthroscopy. Philadelphia: Lippincott Williams and Wilkins; 2003. p. 201-207.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">9. Lafosse L, Jost B, Reiland Y, Audebert S, Toussaint B, Gobezie R. Structural integrity and clinical outcomes after arthroscopic repair of isolated subscapularis tears. J Bone Joint Surg Am. 2007; 89 (6): 1184-1193</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1646-2122201200010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">10. Snyder SJ, Karzel RP, Del Pizzo W. SLAP lesions of the shoulder. Arthroscopy. Arthroscopy. 1990; 6 (4): 274-279</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S1646-2122201200010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">11. Lam F, Mok D. Treatment of the painful biceps tendonetenotomy or tenodesis?. Cur Orthop. 20: 370-375</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1646-2122201200010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">12. Boileau P, Baque F, Valerio L, Ahrens P, Chuinard C, Trojani C. Isolated arthroscopic biceps tenotomy or tenodesis improves symptoms in patients with massive irreparable rotator cuff tears. J Bone Joint Surg Am. 2007; 89: 747-757</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S1646-2122201200010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar.</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Clara Azevedo    <br>Serviço de Ortopedia e Traumatologia    <br>Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental,    <br>E.P.E.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Hospital de São Francisco Xavier    <br>Estrada do Forte do Alto do Duque    <br>1495-055 Lisboa    <br>Portugal    <br><a href="mailto:claracamposazevedo@gmail.com">claracamposazevedo@gmail.com</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2011-10-23</font></p>     ]]></body><back>
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