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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndrome do tunel cárpico bilateral em criança com mucopolissacaridose tipo VI]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Carpal tunnel syndrome in children is uncommon. Mucopolysaccharidosis is the most common cause of carpal syndrome in this age group. With the new treatment available for mucopolysaccharidosis, the progression of this disease has greatly decreased, and all its musculoskeletal manifestations now assume more importance in the global treatment of these patients. Early diagnosis and treatment of carpal tunnel syndrome in these children are important to achieve good functional outcome. The authors present a case report of bilateral carpal tunnel syndrome in a 12 year-old patient, operated at once.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Síndrome do tunel cárpico bilateral em criança com mucopolissacaridose tipo VI</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Rui Pimenta<sup>I, II</sup></b>; <b>Nuno Alegrete<sup>I, II</sup></b>; <b>Sara Lima<sup>I, II</sup></b>; <b>Elisa Teles<sup>I, II</sup></b>; <b>Esmeralda Rodrigues<sup>I, II</sup></b>; <b>Gilberto Costa<sup>I, II</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço de Pediatria. Unidade de Doenças Metabólicas. Centro Hospitalar de São João. Porto. Portugal.<br />II. Serviço de Ortopedia Infantil. Centro Hospitalar de São João. Porto. Portugal.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O s&iacute;ndrome do t&uacute;nel c&aacute;rpico &eacute; raro em crian&ccedil;as. O grupo das mucopolissacaridoses constitui, na popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica, a causa mais frequente deste quadro cl&iacute;nico. Com o advento das novas terapias para o tratamento espec&iacute;fi co de alguns tipos de mucopolissacaridoses, o seu progn&oacute;stico alterou-se significativamente, com diminui&ccedil;&atilde;o de morbilidade e aumento da sobrevida do doente, assumindo as manifesta&ccedil;&otilde;es m&uacute;sculo-esquel&eacute;ticas ainda maior relevo na abordagem global do doente. Desta forma, o diagn&oacute;stico e tratamento atempado do s&iacute;ndrome do t&uacute;nel c&aacute;rpico nestes doentes torna-se fundamental para a obten&ccedil;&atilde;o de bons resultados funcionais e melhoria da qualidade de vida. Os autores apresentam um caso cl&iacute;nico de uma doente de 12 anos com mucopolissacaridose tipo VI e s&iacute;ndrome do t&uacute;nel c&aacute;rpico bilateral, submetida a tratamento cir&uacute;rgico no mesmo tempo operat&oacute;rio.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: síndrome do túnel cárpico, idade pediátrica, mucopolissacaridose. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Carpal tunnel syndrome in children is uncommon. Mucopolysaccharidosis is the most common cause of carpal syndrome in this age group. With the new treatment available for mucopolysaccharidosis, the progression of this disease has greatly decreased, and all its musculoskeletal manifestations now assume more importance in the global treatment of these patients. Early diagnosis and treatment of carpal tunnel syndrome in these children are important to achieve good functional outcome. The authors present a case report of bilateral carpal tunnel syndrome in a 12 year-old patient, operated at once.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Carpal tunnel syndrome, paediatric age, mucopolysaccharidosis. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O s&iacute;ndrome do t&uacute;nel c&aacute;rpico (STC) &eacute; a neuropatia compressiva mais comum em adultos, contudo raramente est&aacute; presente na inf&acirc;ncia e na adolesc&ecirc;ncia. Neste grupo et&aacute;rio, as mucopolissacaridoses (MPS) constituem a causa mais frequente desta patologia.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Doente do sexo feminino, com 12 anos, seguida em consulta de Pediatria desde o segundo ano de vida por atraso de crescimento, tendo sido diagnosticada MPS tipo VI (Doen&ccedil;a de Maroteaux-Lamy). Aos 7 anos avaliada em centro terci&aacute;rio, sendo registado fen&oacute;tipo com envolvimento multissist&eacute;mico grave e iniciou terap&ecirc;utica enzim&aacute;tica de substitui&ccedil;&atilde;o com galsulfase aos 8 anos de idade. Por quadro compressivo medular efetuou, em 2009, descompress&atilde;o medular cervical, com melhoria do estado geral, nomeadamente de cefaleias e do padr&atilde;o de marcha.</p>
    <p>Desde o inicio de 2010, referia parestesias de predom&iacute;nio matinal a n&iacute;vel do territ&oacute;rio do nervo mediano em ambas as m&atilde;os, sem artralgias. Ao exame cl&iacute;nico notou-se progressiva atrofia da regi&atilde;o tenar bilateralmente (<a name="topf1"></a><a href="#f1">Figura 1</a>), diminui&ccedil;&atilde;o generalizada das amplitudes articulares nos punhos e nas m&atilde;os e sinal de Tinel positivo bilateralmente. Efetuou eletromiografia com resultados compat&iacute;veis com s&iacute;ndrome do t&uacute;nel c&aacute;rpico bilateral.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f1"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12f1.jpg" width="366" height="322" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Foi submetida a descompress&atilde;o cir&uacute;rgica do nervo mediano bilateralmente, no mesmo tempo cir&uacute;rgico (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figuras 2</a> e <a name="topf3"></a><a href="#f3">3</a>). Intraoperatoriamente constatou-se a presen&ccedil;a de edema perineural do nervo mediano bilateral, distalmente &agrave; &aacute;rea de compress&atilde;o pelo ligamento transverso do carpo, que, conjuntamente com as bainhas dos tend&otilde;es flexores, se apresentava espessado (<a name="topf4"></a><a href="#f4">Figuras 4</a> e <a name="topf5"></a><a href="#f5">5</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12f2.jpg" width="367" height="272" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f3"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12f3.jpg" width="367" height="261" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f4"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12f4.jpg" width="370" height="300" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f5"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12f5.jpg" width="367" height="281" border="0" /></center></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p>Com este procedimento houve remiss&atilde;o completa do quadro cl&iacute;nico, com melhora imediata dos sintomas. Um ano depois a doente recuperou a sensibilidade e recuperou progressivamente alguma capacidade de&nbsp; opon&ecirc;ncia dos polegares, mantendo as limita&ccedil;&otilde;es associadas &agrave; displasia &oacute;ssea caracter&iacute;stica da doen&ccedil;a (<a name="topf6"></a><a href="#f6">Figura 6</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f6"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12f6.jpg" width="367" height="327" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>As mucopolissacaridoses (MPS) s&atilde;o doen&ccedil;as metab&oacute;licas heredit&aacute;rias raras, integradas no grupo das doen&ccedil;as de sobrecarga lisossomal, devidas a defici&ecirc;ncia de enzimas que atuam na degrada&ccedil;&atilde;o dos glicosaminoglicanos (GAG) &ndash; anteriormente denominados mucopolissac&aacute;ridos -, a&ccedil;&uacute;cares complexos com importantes fun&ccedil;&otilde;es celulares,&nbsp; nomeadamente a n&iacute;vel de processos de ades&atilde;o e sustenta&ccedil;&atilde;o. Na aus&ecirc;ncia da hidrolase lisossomal espec&iacute;fica, ocorre deposi&ccedil;&atilde;o progressiva dos GAG n&atilde;o catabolizados a n&iacute;vel de diferentes tecidos, nomeadamente com repercuss&otilde;es a n&iacute;vel do tecido conjuntivo na pele, v&aacute;lvulas card&iacute;acas, vias a&eacute;reas e esqueleto. O armazenamento de GAG causa disfun&ccedil;&atilde;o celular e, a n&iacute;vel macrosc&oacute;pico, altera&ccedil;&atilde;o dos tecidos e &oacute;rg&atilde;os. Conforme a enzima defi ciente e o substrato acumulado, s&atilde;o identificados 7 tipos diferentes de MPS. As suas manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas variam, sendo normalmente multissist&eacute;micas, com apresenta&ccedil;&otilde;es fenot&iacute;picas diversas desde formas leves a muito graves da doen&ccedil;a [1].</p>
    <p>A MPS tipo VI &eacute; devida &agrave; defi ci&ecirc;ncia da enzima N-acetilgalactosamina-4-sulfatase, resultando na altera&ccedil;&atilde;o do catabolismo do sulfato de dermatano. Estima-se que afete cerca de 1100 pessoas em todo o mundo, sendo referida uma incid&ecirc;ncia aparentemente mais elevada no norte de Portugal (<a name="topq1"></a><a href="#q1">Quadro I</a>)[2,3]. O fen&oacute;tipo cl&iacute;nico descrito pela primeira vez por Maroteaux-Lamy em 1963, apresenta manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas semelhantes &agrave; MPS tipo I (Doen&ccedil;a de Hurler), com uma exce&ccedil;&atilde;o importante: o desenvolvimento cognitivo em geral n&atilde;o &eacute; afetado nos doentes acometidos por MPS tipo VI.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="q1"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n1/20n1a12q1.jpg" width="364" height="205" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>&Agrave; medida que aumenta a quantidade de GAG acumulado, a apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da doen&ccedil;a torna-se&nbsp; progressivamente mais severa. Os primeiros sinais s&atilde;o geralmente altera&ccedil;&otilde;es pedi&aacute;tricas frequentes, tais como otites, infe&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias recorrentes, atraso de crescimento e a exist&ecirc;ncia de uma h&eacute;rnia umbilical ou inguinal. Progressivamente vai ocorrendo o envolvimento multissist&eacute;mico caracter&iacute;stico da doen&ccedil;a: baixa estatura, dismorfia facial progressiva, opacidade da c&oacute;rnea, otite m&eacute;dia recorrente e hipoacusia, rinossinusite, pneumonia, valvulopatia card&iacute;aca e cardiomiopatia, hepatoesplenomegalia, rigidez articular e altera&ccedil;&otilde;es esquel&eacute;ticas caracter&iacute;sticas que no seu conjunto constituem a Disostosis Multiplex. Em praticamente todos os doentes o resultado final &eacute; semelhante, com progress&atilde;o da doen&ccedil;a, tornando os indiv&iacute;duos cada vez mais debilitados e consequente diminui&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a de vida.</p>
    <p>Com o advento das novas abordagens terap&ecirc;uticas, nomeadamente transplante de medula &oacute;ssea e administra&ccedil;&atilde;o de enzima recombinante espec&iacute;fica (dispon&iacute;vel atualmente para as MPS I, II e VI), tem-se registado um melhor controlo da progress&atilde;o da doen&ccedil;a a n&iacute;vel card&aacute;co e respirat&oacute;rio, com consequente aumento da qualidade de vida dos doentes. Quanto &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es musculo-esquel&eacute;ticas, embora a terapia enzim&aacute;tica de substitui&ccedil;&atilde;o iniciada no primeiro anos de vida em doentes com MPS tipo VI pare&ccedil;a ter um efeito muito positivo, na maior parte dos casos n&atilde;o se verificou uma melhoria significativa, tendo estas ganho maior import&acirc;ncia. Encontra-se mesmo descrito que o tratamento com transplante de c&eacute;lulas hematopoi&eacute;ticas pode agravar o quadro ortop&eacute;dico devido &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o de GAG espec&iacute;ficos na cartilagem, tend&otilde;es e c&aacute;psula articular [4].</p>
    <p>As manifesta&ccedil;&otilde;es ortop&eacute;dicas mais frequentes na MPS s&atilde;o STC, dedo em mola, cifose toracolombar, joelho valgo, displasia da anca, diminui&ccedil;&atilde;o generalizada da ossifica&ccedil;&atilde;o encondral com implica&ccedil;&atilde;o no crescimento &oacute;sseo e rigidez articular generalizada[5].</p>
    <p>As doen&ccedil;as metab&oacute;licas de sobrecarga, como as MPS s&atilde;o a causa mais frequente STC em crian&ccedil;as e adolescentes, tendo muitas vezes associada a presen&ccedil;a de dedos em mola. A evolu&ccedil;&atilde;o do s&iacute;ndrome do t&uacute;nel c&aacute;rpico nestes doentes ocorre devido ao espessamento fibroso do ligamento transverso do carpo e das restantes bainhas tendinosas, com envolvimento dos tecidos adjacentes despoletado pelo dep&oacute;sito constante e progressivo de GAG, seguindo-se o edema perineural com a consequente desmieliniza&ccedil;&atilde;o nervosa [6].</p>
    <p>Clinicamente apresenta-se com dor a n&iacute;vel do punho ou m&atilde;o, provocando por vezes despertar noturno, recusa do paciente em usar a m&atilde;o acometida e hipersensibilidade ao toque, diminui&ccedil;&atilde;o da destreza manual fina e atrofia muscular, principalmente na regi&atilde;o tenar. Por vezes a crian&ccedil;a r&oacute;i as unhas tentando desesperadamente aliviar o desconforto que sente. Sintomas t&iacute;picos do STC como parestesias e disestesias raramente s&atilde;o descritos pela natural dificuldade de comunica&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o da crian&ccedil;a. O sinal de Tinel ou de Phalen est&atilde;o normalmente ausentes.</p>
    <p>Tratando-se de uma entidade de diagn&oacute;stico fundamentalmente cl&iacute;nico, neste contexto nem sempre &eacute; f&aacute;cil o seu diagn&oacute;stico assumindo a eletromiografia (EMG) um papel fundamental na sua dete&ccedil;&atilde;o.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m de uma hist&oacute;ria cl&iacute;nica e familiar cuidadosa, todos os doentes com MPS, mesmo assintom&aacute;ticos, devem ser submetidos a uma avalia&ccedil;&atilde;o precoce por uma equipa multidisciplinar e ponderar a realiza&ccedil;&atilde;o de EMG para avaliar a condu&ccedil;&atilde;o nervosa dos nervos mediano e cubital a n&iacute;vel do punho. Mesmo doentes assintom&aacute;ticos poder&atilde;o apresentar altera&ccedil;&otilde;es na condu&ccedil;&atilde;o nervosa detetadas apenas por este exame [5]. Nestes casos, deve manter-se vigil&acirc;ncia atenta, n&atilde;o havendo indica&ccedil;&atilde;o para cirurgia profi l&aacute;tica. Caso os doentes refiram sintomas compat&iacute;veis com STC e apresentem altera&ccedil;&otilde;es electromiogr&aacute;ficas, devem ser de imediato submetidos a descompress&atilde;o cir&uacute;rgica do nervo mediano, no sentido de diminuir a probabilidade de instala&ccedil;&atilde;o de les&otilde;es irrevers&iacute;veis.</p>
    <p>Para promover uma liberta&ccedil;&atilde;o eficaz do nervo mediano, para al&eacute;m da sec&ccedil;&atilde;o do ligamento transverso, &eacute; por vezes necess&aacute;rio efetuar tenossinovectomia no sentido de reduzir o volume de tecido ao n&iacute;vel do canal c&aacute;rpico. Apesar do espessamento do epineuro, n&atilde;o est&aacute; demonstrado que a epineurectomia efetuada conjuntamente, melhore o resultado funcional destes doentes[7,8]. Caso algum dedo em mola esteja presente, este deve ser submetido a liberta&ccedil;&atilde;o da polia e, se necess&aacute;rio, ressec&ccedil;&atilde;o parcial do tend&atilde;o flexor superficial dos dedos, no sentido de maximizar o potencial de recupera&ccedil;&atilde;o da funcionalidade da m&atilde;o no p&oacute;s-operat&oacute;rio.</p>
    <p>Um programa de fisioterapia intensivo ap&oacute;s a liberta&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica do nervo mediano contribui para uma melhoria do resultado funcional nestes doentes contudo, os melhores resultados obt&ecirc;m-se em indiv&iacute;duos sem defici&ecirc;ncia cognitiva associada, devido &agrave; sua melhor compreens&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o no p&oacute;s-operat&oacute;rio, tal como no caso apresentado.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <p><font face="verdana" size="2">1. Neufeld EF, Muenzer J. The mucopolysaccharidoses. In Scriver CR, Beaudet AL, Sly WS, Valle D, editors. The Metabolic and Molecular Bases of Inherited Disease. New York: McGraw-Hill; 2001. p. 3421-3452.</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Meikle PJ, Hopwood JJ, Clague AE. Prevalence of lysosomal storage disorders. JAMA. 1999; 281: 249-254</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000069&pid=S1646-2122201200010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">3. Pinto R, Caseiro C, Lemos M. Prevalence of lysosomal storage diseases in Portugal. Eur J Hum Genet. 2004; 12: 87-92</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S1646-2122201200010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Khanna G, Van-Heest AE, Agel J. Analysis of factors affecting development of carpal tunnel syndrome in patients with Hurler syndrome after hematopoietic cell transplantation. Bone Marrow Transplantation. 2007; 39: 331-334</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S1646-2122201200010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Wraith JE, Alani SM. Carpal tunnel syndrome in the mucopolysaccharidoses and related disorders. Arch Dis Child. 1990; 65: 962-963</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S1646-2122201200010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Al-Qatan MM, Thomson HG, Clark HM. Carpal tunnel syndrome in children and adolescents with no history of trauma. J Hand Surg [Br]. 1996; 21B: 108-111</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S1646-2122201200010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Blair WF, Goetz DD, Ross MA. Carpal tunnel release with or without epineurectomy: a comparative prospective trial. J Hand Sur [Am]. 1996; 21: 655-661</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S1646-2122201200010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Borisch N, Haussmann P. Neurophysiological recovery after open carpal tunnel decompression with epineurectomy. J Hand Surg [Br]. 2003; 28: 450-454</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1646-2122201200010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar.</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Rui Pimenta    <br>Serviço de Ortopedia    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>Hospital São João ? FMUP    <br>Al. Prof. Hernâni Monteiro    <br>4200 Porto    <br>Portugal    <br><a href="mailto:ruipimentaribeiro@gmail.com">ruipimentaribeiro@gmail.com</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2011-08-12</font></p>     ]]></body><back>
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