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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Fractura do calcâneo Artrodese subastragalina com osteotomia varizante do calcâneo]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar do Oeste Unidade de Torres Vedras Serviço de Ortopedia e Traumatologia]]></institution>
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<country>Portugal</country>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-21222013000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-21222013000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-21222013000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Apresentamos o caso clínico de um doente do sexo masculino, 50 anos de idade, trabalhador da construção civil em Angola, onde sofreu queda em altura de que resultou fractura intra-articular bilateral dos calcâneos. Foi submetido a tratamento conservador. Passados dois anos, após regresso a Portugal o doente é observado na consulta externa do nosso serviço. Apresentava dor no médio e retropé, deformidade em valgo e perda total do arco plantar interno. Fazia marcha com duas canadianas, com perímetro limitado a quinhentos metros por dor, apresentava um Score A.O.F.A.S. pré-operatório de 26. A radiografia dos pés em carga mostrava perda de altura do calcâneo, redução do ângulo de Böhler e desvio em valgo do retropé com deformidade residual de tipo IV. Devido à idade, à notável limitação funcional, incapacidade laboral e intensidade das queixas álgicas - foi submetido a uma osteotomia varizante do calcâneo associada a uma artrodese subastragalina com parafusos de compressão. Obteve-se a reposição do arco plantar interno com um pé plantígrado.O doente recuperou a capacidade de fazer marcha sem auxiliares, com Score A.O.F.A.S. pós-operatório de 69. Regressou ao mercado de trabalho embora agora com tarefas de menor intensidade física. O tratamento cirúrgico poderia eventualmente ter sido a primeira opção num doente activo e na plenitude das suas aptidões sociais e laborais. Actualmente os critérios para tratamento conservador são: (1) fracturas tipo I de Sanders, (2) fractura não deslocada ou com deslocamento inferior a dois milímetros, (3) sem afecção da superfície articular, (4) sem apresentar desvios em varo ou em valgo.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We present the clinical case of a male patient, 50 years old, construction worker in Angola where he suffered a fall from a height with bilateral intra-articular fracture of the calcaneus, subjected to conservative treatment. Two years later he returned to Portugal, we observed the patient in our service, he had severe pain in the foot, with retro and medium valgus deformity, total loss of internal plantar arch. Was able to walk only with the help of crutches with perimeter limited to five hundred yards by pain, featured a preoperative AOFAS Score 26. The radiograph of the feet in charge showed loss of height of the calcaneus, reducing of the Böhler angle and hind foot with valgus deviation and residual deformity type IV. Because of his age, the remarkable functional and labour limitation, the intensity of pain complaints, underwent a calcaneal varus osteotomy combined with a subtalar arthrodesis with compression screws. We obtained internal plantar arch replacement with a foot able to do charge, the patient regained the ability to walk without crutches with postoperative A.O.F.A.S. Score 69. He returned to work, now with minor physical intensity tasks. The surgical treatment could possibly have been the first option in this particular patient, currently the criteria for conservative treatment in the calcaneus fracture are the Sanders type I fractures non displaced fracture or fracture with displacement less than 2 mm, without damage of joint surface, without deviations in valgus or varus position.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Calcâneo]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[osteotomia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Fractura do calcâneo Artrodese subastragalina com osteotomia varizante do calcâneo</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Hugo Cardoso<sup>I</sup></b>; <b>Portela da Costa<sup>I</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço de Ortopedia e Traumatologia. Centro Hospitalar do Oeste C.H.O. Unidade de Torres Vedras.Torres Vedras. Portugal. <br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apresentamos o caso cl&iacute;nico de um doente do sexo masculino, 50 anos de idade, trabalhador da constru&ccedil;&atilde;o civil em Angola, onde sofreu queda em altura de que resultou fractura intra-articular bilateral dos calc&acirc;neos.&nbsp;Foi submetido a tratamento conservador.&nbsp;Passados dois anos, ap&oacute;s regresso a Portugal o doente &eacute; observado na consulta externa do nosso servi&ccedil;o. Apresentava dor no m&eacute;dio e retrop&eacute;, deformidade em valgo e perda total do arco plantar interno.&nbsp;Fazia marcha com duas canadianas, com per&iacute;metro limitado a quinhentos metros por dor, apresentava um Score A.O.F.A.S. pr&eacute;-operat&oacute;rio de 26.&nbsp;A radiografia dos p&eacute;s em carga mostrava perda de altura do calc&acirc;neo, redu&ccedil;&atilde;o do &acirc;ngulo de B&ouml;hler e desvio em valgo do retrop&eacute; com deformidade residual de tipo IV. &nbsp;Devido &agrave; idade, &agrave; not&aacute;vel limita&ccedil;&atilde;o funcional, incapacidade laboral e intensidade das queixas &aacute;lgicas - foi submetido a uma osteotomia varizante do calc&acirc;neo associada a uma artrodese subastragalina com parafusos de compress&atilde;o.&nbsp;Obteve-se a reposi&ccedil;&atilde;o do arco plantar interno com um p&eacute; plant&iacute;grado.O doente recuperou a capacidade de fazer marcha sem auxiliares, com Score A.O.F.A.S. p&oacute;s-operat&oacute;rio de 69.&nbsp;Regressou ao mercado de trabalho embora agora com tarefas de menor intensidade f&iacute;sica.</p>     <p>O tratamento cir&uacute;rgico poderia eventualmente ter sido a primeira op&ccedil;&atilde;o num doente activo e na plenitude das suas aptid&otilde;es sociais e laborais. Actualmente os crit&eacute;rios para tratamento conservador s&atilde;o: (1) fracturas tipo I de Sanders, (2) fractura n&atilde;o deslocada ou com deslocamento inferior a dois mil&iacute;metros, (3) sem afec&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie articular, (4) sem apresentar desvios em varo ou em valgo.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: Calcâneo, artrodese subastragalina, osteotomia, varização. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>We present the clinical case of a male patient, 50 years old, construction worker in Angola where he suffered a fall from a height with bilateral intra-articular fracture of the calcaneus, subjected to conservative treatment. Two years later he returned to Portugal, we observed the patient in our service, he had severe pain in the foot, with retro and medium valgus deformity, total loss of internal plantar arch. Was able to walk only with the help of crutches with perimeter limited to five hundred yards by pain, featured a preoperative AOFAS Score 26. The radiograph of the feet in charge showed loss of height of the calcaneus, reducing of the B&ouml;hler angle and hind foot with valgus deviation and residual deformity type IV. Because of his age, the remarkable functional and labour limitation, the intensity of pain complaints, underwent a calcaneal varus osteotomy combined with a subtalar arthrodesis with compression screws. We obtained internal plantar arch replacement with a foot able to do charge, the patient regained the ability to walk without crutches with postoperative A.O.F.A.S. Score 69. He returned to work, now with minor physical intensity tasks.</p>     <p>The surgical treatment could possibly have been the first option in this particular patient, currently the criteria for conservative treatment in the calcaneus fracture are the Sanders type I fractures non displaced fracture or fracture with displacement less than 2 mm, without damage of joint surface, without deviations in valgus or varus position.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Calcaneus, arthrodesis subatalar, osteothomy, varus. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tratamento eficaz das fracturas do calc&acirc;neo continua a ser um dos maiores desafios para o cirurgi&atilde;o ortop&eacute;dico, Malgaine foi o primeiro a descrever as fracturas do calc&acirc;neo em 1843, contudo estas fracturas apenas se diagnosticaram de forma regular ap&oacute;s a introdu&ccedil;&atilde;o da radiografia simples em finais do dec&eacute;nio de 1890[1, 13].As fracturas do calc&acirc;neo s&atilde;o as mais frequentes nos ossos do tarso e actualmente constituem aproximadamente 2% de todas as fracturas [2, 13].<br />As fracturas intra-articulares deslocadas representam 60% a 75% de todas as fracturas do calc&acirc;neo e s&atilde;o respons&aacute;veis por 90% das complica&ccedil;&otilde;es[2, 13].<br />Dez por cento dos doentes com fractura do calc&acirc;neo t&ecirc;m fracturas associadas na coluna vertebral e 26% apresenta outras les&otilde;es nos membros inferiores[2, 13].<br />Aproximadamente 90% das fracturas do calc&acirc;neo ocorrem em jovens do sexo masculino, na plenitude das suas capacidades f&iacute;sicas e laborais[&nbsp;13].<br />Ap&oacute;s esta les&atilde;o os doentes podem permanecer totalmente incapacitados at&eacute; tr&ecirc;s anos e, parcialmente incapacitados durante cinco anos como tal, as implica&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas deste tipo de fractura s&atilde;o consider&aacute;veis[1, 13].<br />Historicamente as fracturas do calc&acirc;neo foram consideradas fracturas de mau progn&oacute;stico quase sempre tratadas conservadoramente[2, 13].<br />Actualmente, os crit&eacute;rios para tratamento conservador s&atilde;o: (1) fractura tipo I de Sanders; (2) fractura n&atilde;o deslocada ou com deslocamento inferior a dois mil&iacute;metros; (3) sem afec&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie articular; (4) sem desvio em varo ou valgo[2, 13].<br />As deformidades residuais do calc&acirc;neo classificam-se em cinco tipos[&nbsp;3].<br />O tipo I apresenta artrose mas sem desalinhamento do retrop&eacute;, o tratamento indicado &eacute; a artrodese subastragalina[3].<br />No tipo II com deformidade, em varo ou valgo e no tipo III que apresenta perda de altura, ou desvio dorsal do astr&aacute;galo &eacute; necess&aacute;rio efectuar uma artrodese com um certo grau de distrac&ccedil;&atilde;o[3].<br />No tipo IV que tamb&eacute;m apresenta um desvio lateral do calc&acirc;neo com grande valgo do retrop&eacute;, abaulamento da faceta posterior e conflito com o mal&eacute;olo externo requer uma osteotomia do calc&acirc;neo[3].<br />A osteotomia deve ser realizada preferencialmente ao n&iacute;vel onde ocorreu a fractura[3].<br />No tipo V, o mais raro e dif&iacute;cil de reconstruir cirurgicamente al&eacute;m de uma, externa e interna tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio uma abordagem anterior - devido &agrave; inclina&ccedil;&atilde;o externa do astr&aacute;galo[3].</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Apresentamos o caso cl&iacute;nico de um doente do sexo masculino, 50 anos de idade, trabalhador da constru&ccedil;&atilde;o civil em Angola, onde sofreu uma queda em altura.<br />Da queda resultou uma fractura intra-articular bilateral do calc&acirc;neo, o doente foi submetido a tratamento conservador. <br />Passados dois anos regressa a Portugal, recorre &agrave; consulta externa do nosso servi&ccedil;o com dor severa a n&iacute;vel dos calc&acirc;neos e dificuldade na marcha.<br />O paciente referia dor no m&eacute;dio e retrop&eacute;, apresentava deformidade em valgo com perda total do arco plantar interno. <br />Caminhava com duas canadianas num per&iacute;metro de 500 metros, limitado pela dor, tinha um Score AOFAS pr&eacute;-operat&oacute;rio de 26. <br />A radiografia dos p&eacute;s em carga mostrava perda de altura do calc&acirc;neo, diminui&ccedil;&atilde;o do &acirc;ngulo de B&ouml;hler e desvio em valgo do retrop&eacute; com deformidade residual de tipo IV(<a href="#f1">Figura 1</a>).<br />    <p>&nbsp;</p>    <p>    <center><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpot/v21n1/21n1a15f1.jpg"></center></p>    
<p>&nbsp;</p>.Devido &agrave; idade, &agrave; not&aacute;vel limita&ccedil;&atilde;o funcional, laboral e intensidade das queixas &aacute;lgicas - realizou-se uma osteotomia varizante do calc&acirc;neo associada a artrodese subastragalina com parafusos de compress&atilde;o(<a href="#f2">Figura 2</a>).<br />    <p>&nbsp;</p>    <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<center><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpot/v21n1/21n1a15f2.jpg"></center></p>    
<p>&nbsp;</p>Obteve-se a reposi&ccedil;&atilde;o do arco plantar interno, com um p&eacute; plant&iacute;grado (<a href="#f3">Figura 3</a>).<br />    <p>&nbsp;</p>    <p>    <center><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/rpot/v21n1/21n1a15f3.jpg"></center></p>    
<p>&nbsp;</p>&nbsp;Aos tr&ecirc;s meses obteve-se a artrodese (<a href="#f4">Figura 4</a>), um m&ecirc;s depois o paciente caminhava sem limita&ccedil;&otilde;es, com um Score A.O.F.A.S. de 69.<br />    <p>&nbsp;</p>    <p>    <center><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/rpot/v21n1/21n1a15f4.jpg"></center></p>    
<p>&nbsp;</p>Mantinha contudo queixas &aacute;lgicas intermitentes no mediop&eacute;, secund&aacute;rias a altera&ccedil;&otilde;es degenerativas pr&eacute;vias.</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O tratamento cir&uacute;rgico na fractura do calc&acirc;neo est&aacute; normalmente indicado na fractura intra-articular com deslocamento e que afecte a faceta posterior[1, 13].<br />O objectivo do tratamento cir&uacute;rgico &eacute; o restauro anat&oacute;mico das superf&iacute;cies articulares e o restabelecimento do funcionamento articular indolor[1, 13].<br />Contudo ainda hoje encontramos fracturas intra-articulares do calc&acirc;neo com criterios para tratamento cir&uacute;rgico em que a op&ccedil;&atilde;o acaba por ser o tratamento conservador - seja pelo desconhecimento das t&eacute;cnicas de estabiliza&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o ou por medo das complica&ccedil;&otilde;es do tratamento cir&uacute;rgico[2, 13].<br />O tratamento conservador da fractura do calc&acirc;neo com desvio resulta muitas vezes em consolida&ccedil;&atilde;o viciosa e nas complica&ccedil;&otilde;es da&iacute; resultantes: <br />1) artropat&iacute;a pos-traum&aacute;tica das articula&ccedil;&otilde;es subastragalina e calcaneo-cuboideia;<br />2) diminui&ccedil;&atilde;o da dorsi-flex&atilde;o do tornozelo devido &agrave; dorsi-flex&atilde;o relativa do astr&aacute;galo; <br />3) compress&atilde;o dos tend&otilde;es peroneais pelo alargamento do calc&aacute;neo; <br />4) irrita&ccedil;&atilde;o do nervo tibial posterior e safeno externo; <br />5) marcha dif&iacute;cil pelo varo do retrop&eacute;[2, 4, 13]<br />J&aacute; em 1921 Cotton descrevia as consequ&ecirc;ncias da fractura do calc&acirc;neo: <br />As modifica&ccedil;&otilde;es na face lateral do calc&aacute;neo t&ecirc;m influ&ecirc;ncia na mobilidade da articula&ccedil;&atilde;o subtalar e nos tend&otilde;es peroneais[&nbsp;5].<br />Cotton prop&ocirc;s: exostosectomia lateral com osteotom&iacute;a extra-articular, associada a sec&ccedil;&atilde;o de espor&atilde;o plantar e manipula&ccedil;&atilde;o articular for&ccedil;ada da subtalar[6].<br />Foi j&aacute; em 1977 que Kalamchi e Evans, prop&otilde;em uma altera&ccedil;&atilde;o &agrave; artrodese subtalar de Gallie utilizando o osso da exostosectomia para posterior interposi&ccedil;&atilde;o[8].Braly e Col propuseram como alternativa &agrave; artrodese subtalar, uma exostosectomia externa com tenolise dos peroneais[9].Varios autores descreveram diversas modifica&ccedil;&otilde;es &agrave; artrodese subtalar de Gallie, com resultados vari&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o em varo e ao risco de pseudartrose[4, 10].<br />Romash descreveu uma complexa osteotomia do calc&acirc;neo atrav&eacute;s da linha prim&aacute;ria de fractura, com transla&ccedil;&atilde;o do fragmento da tuberosidade abaixo do sustentaculum tali internamente &ndash; permitindo o restauro da altura do calc&acirc;neo e corre&ccedil;&atilde;o do desvio en varo[4].<br />A classifica&ccedil;&atilde;o da consolida&ccedil;&atilde;o viciosa do calc&acirc;neo basada em imagens tomogr&aacute;ficas foi descrita por Stephens e Sanders, fornece propostas de tratamento para cada tipo[&nbsp;10].<br />A classifica&ccedil;&atilde;o da consolida&ccedil;&atilde;o viciosa do calc&acirc;neo, baseada em imagens tomogr&aacute;ficas, foi descrita por, e oferece propostas de tratamento para cada tipo. <br />O tipo I apresenta uma artrose mas sem desalinhamento do retrop&eacute;, o tratamento indicado &eacute; a artrodese subastragalina. <br />No tipo II com deformidade em varo ou valgo e, no tipo III que apresenta perda de altura ou desvio dorsal do astr&aacute;galo &eacute; necess&aacute;rio efectuar uma artrodese com certo grau de distrac&ccedil;&atilde;o[10].<br />O tipo IV com um desvio lateral do calc&acirc;neo, grande valgo do retrop&eacute;, abaulamento da faceta posterior e conflito com o mal&eacute;olo externo requer uma osteotomia do calc&acirc;neo[10].<br />A osteotomia deve ser realizada preferencialmente ao n&iacute;vel onde ocorreu a fractura[10, 13].<br />No tipo V, o mais raro e dif&iacute;cil de reconstruir cirurgicamente, al&eacute;m de uma abordagem externa e interna, tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio uma via anterior devido &agrave; inclina&ccedil;&atilde;o externa do astr&aacute;galo[10].<br />Mais recentemente, Clare e Col, documentaram os resultados do seu tratamento a m&eacute;dio e longo prazo[11].<br />Obtiveram consolida&ccedil;&atilde;o em posi&ccedil;&atilde;o neutra ou valgo ligeiro em 93,3% e todos em posi&ccedil;&atilde;o plant&iacute;grada[11]<br />A artrodese subtalar &eacute; utilizada nas altera&ccedil;&otilde;es degenerativas prim&aacute;rias ou secund&aacute;rias da articula&ccedil;&atilde;o subtalar[10].<br />A associa&ccedil;&atilde;o de osteotomia de transla&ccedil;&atilde;o do calc&acirc;neo e estiramiento do tend&atilde;o de Aquiles nas sequelas de fracturas do calc&acirc;neo permite: <br />1) corrigir consolida&ccedil;&otilde;es viciosas do calc&aacute;neo;<br />2) p&eacute;s esteticamente favor&aacute;veis;<br />3) p&eacute;s menos dolorosos; <br />4) utiliza&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ado normal[10, 13].<br />A artrodese prim&aacute;ria como opc&ccedil;&atilde;o no tratamento das fracturas do calc&acirc;neo e n&atilde;o nas sequelas recebeu um importante impulso com o desenvolvimento do Sistema Vira&reg;[12].<br />Este sistema permite a reconstru&ccedil;&atilde;o da morfologia do calc&aacute;neo, devolvendo a funcionalidade ao sistema calc&acirc;neo-aqu&iacute;les-plantar[12].<br />Permite em simultaneo fixa-lo ao corpo do astr&aacute;galo para conseguir a artrodese da articula&ccedil;&atilde;o subastragalina[12].<br />O conceito cir&uacute;rgico &eacute; m&iacute;nimamente invasivo, n&atilde;o necessita de enxerto na maioria dos casos, utiliza-se para a artrodese o osso resultante da fresagem para a coloca&ccedil;&atilde;o do implante[12].<br />Este sistema tem sido aplicado em doentes com fracturas intra-articulares graves do calc&aacute;neo, constitui um novo conceito na cirug&iacute;a do calc&aacute;neo.<br />Permite uma artrodese com reduzida agressividade, alta eficacia, reduzindo o per&iacute;odo de recupera&ccedil;&atilde;o de um modo relevante[12].<br />A correc&ccedil;&atilde;o das deformidades resultantes da fractura do calc&acirc;neo representa muitas vezes a possibilidade de:<br />1) Recuperar um p&eacute; indolor; <br />2) corrigir a morfologia do p&eacute;; <br />3) de caminhar com um cal&ccedil;ado convencional[13].<br />A correc&ccedil;&atilde;o da deformidade e estabiliza&ccedil;&atilde;o peri calcaneana numa mesma interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica representa um ganho temporal na recupera&ccedil;&atilde;o funcional do p&eacute; com sequelas de fractura do calc&acirc;neo[13]</p>     <p>O alargamento da indica&ccedil;&atilde;o de tratamento conservador nas fracturas do calc&acirc;neo implica:<br />1) Aumento da morbilidade;<br />2) absentismo;<br />3) atraso da recupera&ccedil;&atilde;o funcional[2,13].<br />Actualmente, os crit&eacute;rios para tratamento conservador s&atilde;o:<br />1) Fractura tipo I de Sanders;<br />2) fractura n&atilde;o deslocada;<br />3) fractura com deslocamento inferior a 2 mil&iacute;metros; <br />3) fractura sem les&atilde;o da superf&iacute;cie articular; <br />4) fractura sem desvio em varo ou valgo[2, 13].<br />O tratamento cir&uacute;rgico poderia ter sido a primera op&ccedil;&atilde;o neste caso particular, tratando-se de um homem activo socioprofissionalmente, poderia ter-se encurtado o per&iacute;odo de incapacidade e dor.<br />O paciente recuperou a capacidade de caminhar aut&oacute;nomamente, regressou ao mercado de trabalho mas com m&aacute;s fun&ccedil;&otilde;es mais burocr&aacute;ticas.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Sanders  Roy W., Clare Michael P.. Fractures do calcaneus. Surgery in foot and ankle. Mosby; 2007. p. : 1703-1749.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000049&pid=S1646-2122201300010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>    <p><font face="verdana" size="2">2. Fitzgibbons Timothy C., Mcmullen Scott T., Mormino Mattew A. Fracturas e luxações do calcâneo. In Rockwood e Grenn, editors. Fracturas e luxações do calcâneo. São Paulo, Brasil:  Editorial Manole SA; 2006. p. : 2133-2179.</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">3. Zwipp H, Rammelt S. Subtalar arthrodesis with calcaneal osteotomy. Orthopade. 2006 Apr; 35 (4): 387-398</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">4. Romash MM. Reconstructive osteotomy of the calcaneus with subtalar arthrodesis for malunited calcaneal fractures. Clin Orthop Relat Res. 1993 May; 290: 157-167</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Cotton EJ.  Old Os Calcis Fractures. Ann Surg. 1921; 74: 294-303</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000054&pid=S1646-2122201300010001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Gleich A. Beitrag zur operativen Plattfussbehandlung. Achh Klin Chir. 1893; 46: 358-362</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000055&pid=S1646-2122201300010001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Magnuson PB. An operation for relief of disability in old fractures of the os calcis. JAMA. 1923; 80: 1511-1513</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000056&pid=S1646-2122201300010001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Kalamchi A, Evans J. Posterior subtalar fusion. J. Bone Joint Surg Br. 1977; 59: 287-289</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S1646-2122201300010001600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">9. Braly WG, Bishop JO, Tullos HS. Lateral decompression for malunited os calcis fractures. Foot Ankle. 1985; 6: 90-96</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000058&pid=S1646-2122201300010001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">10. Stephens HM, Sanders R. Calcaneal malunions: Results of a Prognostic Computed Tomography, Classification System. Foot Ankle Int. 1996; 17: 395-401</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000059&pid=S1646-2122201300010001600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">11. Clare MP, Lee WE 3rd, Sanders RW. Intermediate to long term results of a treatment protocol for calcaneal fracture malunions. J. Bone joint surg Am. 2005; 87: 963-973</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000060&pid=S1646-2122201300010001600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">12. López Olivia, Muñoz F, Sánchez Lorente T, López Hernández G, Rodríguez Macías MªJ, Forriol F. Desenho e desenvolvimento de um sistema de osteossíntese para a reconstrução-artrodese mínimamente invasiva de fracturas intra-articulares do calcâneo.  Rev Ortop Traumatol (Madr). 2007; 51: 94-101</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">13. Coughlin Michael J., Mann Roger A., Saltzman Charles L.. Surgery of the foot and ankle. Morby. 2011; 38: 1703-1751</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000062&pid=S1646-2122201300010001600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar.</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Correspondência:     <br>Hugo Cardoso     <br>Rua Dr. Ricardo Belo     <br>2560 - 324 Torres Vedras     <br>Portugal    ]]></body>
<body><![CDATA[<br><a href="mailto:hugo32lx@gmail.com">hugo32lx@gmail.com</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de  Submissão: </b> 2012-10-11</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Revisão: </b> 2012-12-30</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"> <b>Data de Aceitação: </b> 2013-01-21</font></p>     ]]></body><back>
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