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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></journal-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar do Algarve Serviço de Ortopedia Unidade de Portimão]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-21222014000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-21222014000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-21222014000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Ao contrário da luxação anterior, a luxação posterior é uma entidade nosológica rara, muitas vezes com mau prognóstico. Apesar dos poucos dados epidemiológicos, estas lesões ocorrem maioritariamente na sequência de um quadro de convulsões, eletrocussão, traumatismo de alta energia ou ainda, na sequência de terapia eletroconvulsiva. Apesar dos avanços na área da imagiologia, esta é uma lesão muitas vezes diagnosticada tardiamente. Para um diagnóstico correto e atempado é fundamental um exame fisico completo e, uma elevada suspeita clínica da lesão em indivíduos de alto risco, juntamente com uma investigação radiográfica adequada. Uma multiplicidade de técnicas cirúrgicas, desde a simples redução incruenta até a procedimentos de estabilização do osso e partes moles e, ainda a artroplastia estão disponíveis para o tratamentos destas lesões. A seleção da opção de tratamento mais apropriada é complexa e multifactorial. Dada a raridade destas lesões, protocolos de tratamento baseados em evidências são difíceis de conceber. Os autores pretendem demonstrar com este caso clinico a importância de um correto diagnóstico, pois são lesões que facilmente são subdiagnosticadas, e os bons resultados que se conseguiram obter com este tipo de tratamento cirúrgico. Doente de 34 anos de idade, género masculino, com dor e limitação funcional do ombro direito com 2 semanas de evolução após queda com traumatismo local. Radiografia na incidência axilar e TC revelou uma luxação posterior do ombro com uma lesão de Hill-Sachs reversa. Foi efetuada redução e preenchimento do defeito ósseo com fragmento do troquino e tendão subescapular. Aos 6 meses de follow-up, o doente tem ótimos resultados ao DASH e Constant score.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Unlike the anterior dislocation, the posterior dislocation is a rare entity, often with poor prognosis. Despite the few epidemiological data, these lesions occur mainly as a result of convulsions, electrocution, high-energy trauma or following electroconvulsive therapy. Despite advances in the field of diagnostic imaging, this injury is often misdiagnosed. For a correct and timely diagnosis it’s essential to have a complete physical examination and a high clinical suspicion of injury in high-risk individuals, along with appropriate radiographic investigation. Since the closed reduction, until bone and soft tissues stability procedures and arthroplasties, there are numerous surgical procedures available for the treatment of these lesions. Selecting one of them is complex and multifactorial. Given the rarity of these lesions, treatment protocols based on evidence is difficult to develop. The authors aimed to demonstrate with this clinical case, the importance of a correct diagnosis, because these lesions are usually misdiagnosed, and the good results that can be achieved with surgical treatment. Male, 34 years of age with pain and functional limitation of the right shoulder with 2 weeks of evolution after fall with local trauma. Axillary radiograph and CT scan revealed a posterior dislocation of the shoulder with a reverse Hill-Sachs injury. A reduction and filling the bony defect with the subscapularis tendon and troquino fragment was performed. At 6-month follow-up, the patient has great outcomes in DASH and Constant score.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Luxação posterior ombro]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Luxação posterior crónica do ombro</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Raquel Carvalho<sup>I</sup></b>; <b>Filipe Sousa<sup>I</sup></b>; <b>Paulo Silva<sup>I</sup></b>; <b>Miguel Vicente<sup>I</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço de Ortopedia. Centro Hospitalar do Algarve .Unidade de Portimão. Portimão. Portugal.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao contr&aacute;rio da luxa&ccedil;&atilde;o anterior, a luxa&ccedil;&atilde;o posterior &eacute; uma entidade nosol&oacute;gica rara, muitas vezes com mau progn&oacute;stico. Apesar dos poucos dados epidemiol&oacute;gicos, estas les&otilde;es ocorrem maioritariamente na sequ&ecirc;ncia de um quadro de convuls&otilde;es, eletrocuss&atilde;o, traumatismo de alta energia ou ainda, na sequ&ecirc;ncia de terapia eletroconvulsiva. Apesar dos avan&ccedil;os na &aacute;rea da imagiologia, esta &eacute; uma les&atilde;o muitas vezes diagnosticada tardiamente. Para um diagn&oacute;stico correto e atempado &eacute; fundamental um exame fisico completo e, uma elevada suspeita cl&iacute;nica da les&atilde;o em indiv&iacute;duos de alto risco, juntamente com uma investiga&ccedil;&atilde;o radiogr&aacute;fica adequada.</p>     <p>Uma multiplicidade de t&eacute;cnicas cir&uacute;rgicas, desde a simples redu&ccedil;&atilde;o incruenta at&eacute; a procedimentos de estabiliza&ccedil;&atilde;o do osso e partes moles e, ainda a artroplastia est&atilde;o dispon&iacute;veis para o tratamentos destas les&otilde;es. A sele&ccedil;&atilde;o da op&ccedil;&atilde;o de tratamento mais apropriada &eacute; complexa e multifactorial. Dada a raridade destas les&otilde;es, protocolos de tratamento baseados em evid&ecirc;ncias s&atilde;o dif&iacute;ceis de conceber.</p>     <p>Os autores pretendem demonstrar com este caso clinico a import&acirc;ncia de um correto diagn&oacute;stico, pois s&atilde;o les&otilde;es que facilmente s&atilde;o subdiagnosticadas, e os bons resultados que se conseguiram obter com este tipo de tratamento cir&uacute;rgico. Doente de 34 anos de idade, g&eacute;nero masculino, com dor e limita&ccedil;&atilde;o funcional do ombro direito com 2 semanas de evolu&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s queda com traumatismo local. Radiografia na incid&ecirc;ncia axilar e TC revelou uma luxa&ccedil;&atilde;o posterior do ombro com uma les&atilde;o de Hill-Sachs reversa. Foi efetuada redu&ccedil;&atilde;o e preenchimento do defeito &oacute;sseo com fragmento do troquino e tend&atilde;o subescapular. Aos 6 meses de follow-up, o doente tem &oacute;timos resultados ao DASH e Constant score.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: Luxação posterior ombro, luxação gleno-umeral, lesão Hill-Sachs reversa, McLaughlin, McLaughlin modificada. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Unlike the anterior dislocation, the posterior dislocation is a rare entity, often with poor prognosis. Despite the few epidemiological data, these lesions occur mainly as a result of convulsions, electrocution, high-energy trauma or following electroconvulsive therapy. Despite advances in the field of diagnostic imaging, this injury is often misdiagnosed. For a correct and timely diagnosis it&rsquo;s essential to have a complete physical examination and a high clinical suspicion of injury in high-risk individuals, along with appropriate radiographic investigation.</p>     <p>Since the closed reduction, until bone and soft tissues stability procedures and arthroplasties, there are numerous surgical procedures available for the treatment of these lesions. Selecting one of them is complex and multifactorial. Given the rarity of these lesions, treatment protocols based on evidence is difficult to develop.</p>     <p>The authors aimed to demonstrate with this clinical case, the importance of a correct diagnosis, because these lesions are usually misdiagnosed, and the good results that can be achieved with surgical treatment. Male, 34 years of age with pain and functional limitation of the right shoulder with 2 weeks of evolution after fall with local trauma. Axillary radiograph and CT scan revealed a posterior dislocation of the shoulder with a reverse Hill-Sachs injury. A reduction and filling the bony defect with the subscapularis tendon and troquino fragment was performed. At 6-month follow-up, the patient has great outcomes in DASH and Constant score.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Posterior shoulder dislocation, glenohumeral dislocation, reverse Hill-Sachs lesion, McLaughlin, modified McLaughlin. </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Ao contr&aacute;rio da luxa&ccedil;&atilde;o anterior, a luxa&ccedil;&atilde;o posterior &eacute; uma entidade nosol&oacute;gica rara e, pouco se sabe acerca dos seus resultados. Apesar da luxa&ccedil;&atilde;o posterior traum&aacute;tica do ombro representar &lt;3% de todas as luxa&ccedil;&otilde;es do ombro, &eacute; dif&iacute;cil de contabilizar com precis&atilde;o a sua preval&ecirc;ncia pois muitos casos s&atilde;o subdiagnosticados<sup>1,2,3</sup>.</p>
    <p>Com uma incid&ecirc;ncia de 0,6 em 100,000 habitantes/ano, a luxa&ccedil;&atilde;o posterior do ombro tem um pico de incid&ecirc;ncia por volta dos 53 anos (25-55 anos), 15% com envolvimento bilateral e, de predominio no g&eacute;nero masculino numa propor&ccedil;&atilde;o de 2:1<sup>2,3</sup>. A raz&atilde;o de uma maior preval&ecirc;ncia no g&eacute;nero masculino permanece ainda indeterminada, contudo estes s&atilde;o mais predispostos a acidentes de motociclo e acidentes desportivos. Al&eacute;m disso, o facto de serem mais musculados pode tamb&eacute;m aumentar o risco de les&atilde;o do ombro durante uma crise convulsiva, por for&ccedil;a de contra&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do musculo rotador interno<sup>1,2,4</sup>.</p>
    <p>Tradicionalmente, a maioria das luxa&ccedil;&otilde;es posteriores&nbsp; t&ecirc;m sido associadas a ataques epil&eacute;ticos, traumatismos de alta energia, eletrocuss&atilde;o e terapia electroconvulsiva. Na aus&ecirc;ncia de traumatismo pr&eacute;vio, a fratura-luxa&ccedil;&atilde;o posterior &eacute; patognom&oacute;nico de convuls&atilde;o<sup>1,4</sup>.</p>
    <p>Mais de 50% destas les&otilde;es sao subdiagnosticadas na primeira avalia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica<sup>1,2</sup>. Causas frequentes para este atraso do diagn&oacute;stico v&atilde;o desde uma apresenta&ccedil;&atilde;o tardia do doente, falta de suspeita clinica do diagn&oacute;stico aquando da observa&ccedil;&atilde;o e exame fisico e, avalia&ccedil;&atilde;o imagiol&oacute;gica insuficiente e inadequada<sup>1,2,9</sup>. Contudo, estas les&otilde;es s&atilde;o mais frequentemente subdiagnosticadas nos idosos, doentes com fraturas concomitantes, e em casos de politrauma com m&uacute;ltiplas les&otilde;es ou outras les&otilde;es no mesmo membro. A chave do diagn&oacute;stico consiste num elevado &iacute;ndice de suspei&ccedil;&atilde;o aliado a um estudo radiogr&aacute;fico adequado<sup>1,7</sup>.</p>
    <p>Ao exame f&iacute;sico uma luxa&ccedil;&atilde;o posterior &eacute; dolorosa, e por vezes afeta doentes cuja nocicep&ccedil;&atilde;o pode estar reduzida ap&oacute;s uma crise convulsiva. Tipicamente apresenta-se com o membro em rota&ccedil;&atilde;o interna e bloqueio mec&acirc;nico em rota&ccedil;&atilde;o externa, causado pelo impacto do defeito anterior da cabe&ccedil;a umeral na parte posterior da glenoide. A aus&ecirc;ncia de dor nos movimentos rotacionais do ombro &eacute; sugestivo de uma luxa&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica, contudo a idade exata da luxa&ccedil;&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil de definir, particularmente se o doente com epilepsia inst&aacute;vel j&aacute; tinha dor no ombro noutra altura. As roturas concomitantes da coifa e les&atilde;o neurovascular apesar de raras devem ser exclu&iacute;das1.</p>
    <p>Na luxa&ccedil;&atilde;o posterior s&atilde;o in&uacute;meros os sinais que podem ser identificados ao exame radiogr&aacute;fico anteroposterior. Contudo, estes sinais s&atilde;o muitas vezes insuficientes, sendo necess&aacute;rio complementar com uma incid&ecirc;ncia axilar para confirmar o diagn&oacute;stico, incid&ecirc;ncia esta que por vezes &eacute; dificil executar por dor na abdu&ccedil;&atilde;o do bra&ccedil;o. A incid&ecirc;ncia apical obliqua, <em>Velpeau</em> e axial modificada s&atilde;o prefer&iacute;veis, pois podem ser efetuadas com o bra&ccedil;o num suporte de bra&ccedil;o<sup>1,2</sup>. Um estudo imagiol&oacute;gico completo &eacute; importante n&atilde;o s&oacute; para um correto planeamento pr&eacute;operat&oacute;rio, como tamb&eacute;m, para uma boa caracteriza&ccedil;&atilde;o das les&otilde;es &oacute;sseas, identifica&ccedil;&atilde;o de les&otilde;es ocultas e avaliar as condi&ccedil;&otilde;es das partes moles<sup>1,6</sup>.</p>
    <p>A instabilidade posterior do ombro compromete um amplo expectro de patologias que inclui desde luxa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas isoladas agudas, instabilidade recorrente at&eacute; &agrave; luxa&ccedil;&atilde;o complicada de fratura proximal do &uacute;mero. Dada a sua raridade, o tratamento &eacute; tamb&eacute;m mais complexo comparativamente com os seus hom&oacute;logos anteriores, n&atilde;o s&oacute; pelos poucos casos clinicos documentados, como tamb&eacute;m pela necessidade de uma abordagem e avalia&ccedil;&atilde;o exaustiva, juntamente com a gest&atilde;o das novas evid&ecirc;ncias dos beneficios dos m&eacute;todos de tratamento mais recentes<sup>1,6,7</sup>.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Doente do g&eacute;nero masculino, 34 anos de idade, que recorre ao servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia (SU) por traumatismo do ombro direito ap&oacute;s queda, com d&eacute;fice funcional e quadro &aacute;lgico. Sem sinais de compromisso neurovascular. Ao exame radiogr&aacute;fico standard anteroposterior e perfil sem evid&ecirc;ncia de les&otilde;es osteo-articulares traum&aacute;ticas agudas, pelo que teve alta com indica&ccedil;&atilde;o para suporte de bra&ccedil;o e analgesia por contus&atilde;o do ombro.</p>
    <p>Por persist&ecirc;ncia do quadro &aacute;lgico, limita&ccedil;&atilde;o funcional e deformidade recorre duas semanas depois ao SU. O exame radiogr&aacute;fico <em>standard</em> antero-posterior revelou uma suspeita de luxa&ccedil;&atilde;o posterior, confirmada na incid&ecirc;ncia axilar (<a name="topf1"></a><a href="#f1">Figura 1</a>). Posteriormente, realizou uma tomografia computadorizada (TC) para melhor identifica&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o da les&atilde;o, com a evid&ecirc;ncia de les&atilde;o de Bankart posterior, uma fratura do troquino e um Hill-Sachs reverso do ombro direito de cerca de 30% da cabe&ccedil;a umeral&nbsp; condicionando instabilidade articular (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figura 2</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f1"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v22n3/22n3a06f1.jpg" width="391" height="302" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v22n3/22n3a06f2.jpg" width="394" height="246" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sob seda&ccedil;&atilde;o procedeu-se &aacute; desimpacta&ccedil;&atilde;o da cabe&ccedil;a umeral da glen&oacute;ide seguido de uma manipula&ccedil;&atilde;o cuidada para a redu&ccedil;&atilde;o da luxa&ccedil;&atilde;o sob controlo fluorosc&oacute;pico. Dada a instabilidade articular colocou-se o membro num suporte de braco em rota&ccedil;&atilde;o externa.&nbsp; Em tempo eletivo, procedeu-se ao preenchimento do defeito &oacute;sseo na por&ccedil;&atilde;o antero-superior da cabe&ccedil;a umeral, com fragmento de troquino e tend&atilde;o subescapular, segundo a t&eacute;cnica de McLaughlin modificada por Neer (<a name="topf3"></a><a href="#f3">Figura 3</a>).&nbsp; Dada a estabilidade articular conseguida n&atilde;o houve necessidade de atuar e reparar a les&atilde;o capsulolabral posterior.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f3"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v22n3/22n3a06f3.jpg" width="391" height="447" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>O doente foi imobilizado por tr&ecirc;s semanas, per&iacute;odo ap&oacute;s o qual iniciou tratamentos de reabilita&ccedil;&atilde;o, com boa evolu&ccedil;&atilde;o tanto clinica como cicatricial. Boa amplitude articular, sem dor ou sinais de apreens&atilde;o no follow-up final (<a href="/img/revistas/rpot/v22n3/22n3a06f4.jpg">Figura 4</a>). Os resultados foram clinica e funcionalmente medidos, sem complica&ccedil;&otilde;es a registar. O doente foi avaliado aos 1,6,12,24 semanas ap&oacute;s a les&atilde;o. DASH score e Constant score de 3,3 e 93/100, respetivamente num follow-up de 6 meses.</p>    
<p>&nbsp;</p>    <p>    <center><a href="/img/revistas/rpot/v22n3/22n3a06f4.jpg">Figura 4</a></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A les&atilde;o Hill-Sachs reversa, &eacute; uma les&atilde;o rara e pouco documentada na literatura mundial, que ocorre em menos de 2% das luxa&ccedil;&otilde;es do ombro<sup>1,3,4</sup>. Tratam-se frequentemente de les&otilde;es ocultas, em 50% dos casos n&atilde;o diagnosticadas na avalia&ccedil;&atilde;o inicial, da&iacute; que muitas vezes o seu diagn&oacute;stico seja tardio4. Um exame fisico exaustivo complementado com exames imagiol&oacute;gicos especificos s&atilde;o cruciais para o diagn&oacute;stico destas les&otilde;es4.</p>
    <p>Apesar da multiplicidade de op&ccedil;&otilde;es de tratamento, a abordagem destas les&otilde;es depende do tipo de les&atilde;o, do intervalo entre o traumatismo e o tratamento, a idade do doente, expetativas e nivel de atividade, tendo como objetivo uma melhoria funcional e das queixas &aacute;lgicas4. Um diagn&oacute;stico e tratamento precoce s&atilde;o cruciais&nbsp; para um bom resultado funcional, assim como, as luxa&ccedil;&otilde;es posteriores isoladas e/ou com um pequeno defeito &oacute;sseo e&nbsp; est&aacute;veis ap&oacute;s&nbsp; redu&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, um colapso &oacute;sseo anterior de grandes dimens&otilde;es, deformidade ou artrose da cabe&ccedil;a umeral est&atilde;o associados a um pior progn&oacute;stico1.</p>
    <p>O tratamento destas les&otilde;es consiste na redu&ccedil;&atilde;o incruenta seguido da avalia&ccedil;&atilde;o da estabilidade articular, no caso de uma redu&ccedil;&atilde;o inst&aacute;vel s&atilde;o necess&aacute;rias t&eacute;cnicas auxiliares de estabiliza&ccedil;&atilde;o. A estabiliza&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica tem vindo a ser cada vez mais recomendada, mesmo em les&otilde;es est&aacute;veis, n&atilde;o s&oacute; pelas complica&ccedil;&otilde;es inerentes a uma imobiliza&ccedil;&atilde;o prolongada, como tamb&eacute;m, pelas dificuldades de imobiliza&ccedil;&atilde;o mantendo o bra&ccedil;o em rota&ccedil;&atilde;o externa<sup>1,6</sup>.</p>
    <p>A reconstru&ccedil;&atilde;o com enxerto &oacute;sseo &eacute; recomendada no caso de luxa&ccedil;&otilde;es com menos de 2 semanas, cujo defeito &oacute;sseo nao ultrapasse os 25% da cabe&ccedil;a umeral, sem altera&ccedil;&otilde;es degenerativas e boa qualidade &oacute;ssea da cabe&ccedil;a umeral<sup>1,3,4</sup>. McLaughlin recomenda a transfer&ecirc;ncia do tend&atilde;o subescapular para o defeito umeral nos casos de depress&otilde;es entre 20-40% da cabe&ccedil;a umeral por forma a aumentar a estabilidade do ombro e prevenir novos episodios de luxa&ccedil;ao. Hughes e Neer modificaram a t&eacute;cnica descrita por McLaughlin e sugeriram a transfer&ecirc;ncia do tend&atilde;o do subescapular e osteotomia do troquino para a por&ccedil;&atilde;o anteromedial do defeito da cabe&ccedil;a umeral, condionando ambas as t&eacute;cnicas uma&nbsp; disfun&ccedil;&atilde;o do tend&atilde;o subescapular, com contratura e d&eacute;fice na rota&ccedil;&atilde;o interna5.&nbsp; Les&otilde;es de grandes dimens&otilde;es ocupando 40 a 50% da superf&iacute;cie articular, s&atilde;o preenchidas com aloenxerto independentemente da dura&ccedil;&atilde;o da luxa&ccedil;&atilde;o8. Apesar de raro, a osteotomia desrotativa da parte proximal do &uacute;mero tamb&eacute;m tem sido descrita mas n&atilde;o muito utilizada, n&atilde;o s&oacute; pela sua dificuldade t&eacute;cnica como, pelos riscos que uma desvasculariza&ccedil;&atilde;o da cabe&ccedil;a umeral acarreta<sup>1,4</sup>.</p>
    <p>Neste caso, apesar de se ter conseguido desimpactar a cabe&ccedil;a umeral do glen&oacute;ide seguido da redu&ccedil;&atilde;o incruenta da luxa&ccedil;&atilde;o, verificou-se uma grande instabilidade articular determinada sobretudo pelo grande defeito ao n&iacute;vel da cabe&ccedil;a umeral. Dado tratar-se de uma luxa&ccedil;&atilde;o com cerca de duas semanas complicada de um Hill-Sachs reverso de cerca de 30% optou-se por efectuar a t&eacute;cnica de McLaughlin modificada por Neer, tendo-se obtido um &oacute;timo resultado clinico e funcional sem evid&ecirc;ncia de complica&ccedil;&otilde;es, tais como d&eacute;fice da rota&ccedil;&atilde;o interna ou contratura. Com esta t&eacute;cnica conseguiu-se corrigir o defeito &oacute;sseo da cabe&ccedil;a umeral, restabelecer a estabilidade com boa amplitude articular, sem necessidade de repara&ccedil;&atilde;o do complexo capsulolabral posterior.</p>
    <p>A estabilidade articular deve ser reavaliada ap&oacute;s o procedimento cir&uacute;rgico, pois uma repara&ccedil;&atilde;o insuficiente pode dever-se a uma disrup&ccedil;&atilde;o capsulolabral posterior ou, a uma fratura da parte posterior da glenoide descoaptada que requer estabiliza&ccedil;&atilde;o<sup>1,7</sup>. A instabilidade recorrente &eacute; uma complica&ccedil;&atilde;o frequente na fase incial ap&oacute;s a les&atilde;o, ocorrendo em 17,7% no primeiro ano ap&oacute;s a luxa&ccedil;&atilde;o<sup>2,7</sup>. Este risco aumenta em doentes com idades inferiores a 40 anos e proporcionalmete ao tamanho do defeito anteriosuperior da cabe&ccedil;a umeral2. Por vezes complicada de fraturas proximais do &uacute;mero, assim como, rotura ou avuls&atilde;o do complexo capsulolabral posterior, fratura do rebordo glenoideu ou ainda rotura da coifa dos rotadores<sup>1,3,4</sup>.</p>
    <p>Dada a raridade de luxa&ccedil;&otilde;es posteriores, muitos dos estudo publicados s&atilde;o n&iacute;vel de evid&ecirc;ncia IV&nbsp; e V , muitas vezes estudos retrospectivo de v&aacute;rios anos, cujos resultados s&atilde;o imprevis&iacute;veis1.</p>
    <p>Na generalidade os resultados funcionais s&atilde;o menos favor&aacute;veis e est&atilde;o dependentes de in&uacute;meros fatores. O facto de se ter conseguido uma corre&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica atempada aliada a uma boa estabilidade articular ap&oacute;s a corre&ccedil;&atilde;o do defeito &oacute;sseo foi crucial para os bons resultados funcionais conseguidos.</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Robinson M. Posterior Shoulder Dislocations and Fractures-Dislocations, Current Concepts Review. JBJS. 2005; 87-A (3): 639-650</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000065&pid=S1646-2122201400030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Robinson M. The epidemiology, risk of recurrence, and functional outcome after an acute traumatic posterior dislocation of the shoulder. JBJS. 2011; 93-A (17): 1605-1613</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S1646-2122201400030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">3. Robinson M. Complex Posterior Fracture-Dislocation of the Shoulder. JBJS. 2007; 89-A (7): 1454-1466</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S1646-2122201400030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Toker G. Treatment of reverse Hill-Sachs lesion by autograft reconstruction. Acta Orthop Traumatol Turc. 2012; 46 (5): 398-402</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S1646-2122201400030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Millett PJ. Modified arthroscopic McLaughlin procedure for treatment of posterior instability of the shoulder with an associated reverse Hill-Sachs lesion. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2013 Jul; 21 (7): 1642-1646</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">6. Banerjee S. Anatomical reconstruction of reverse Hill-Sachs lesions using the underpinning technique. Orthopaedics. 2012 May; 35 (5): 752-757</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">7. Provencher MT. The Hill-Sachs lesion: diagnosis, classification, and management. J Am Acad Orthop Surg. 2012 Apr; 20 (4): 242-252</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">8. Khayal T. Reconstruction of the articular surface of the humeral head after locked posterior shoulder dislocation: a case report. Arch Orthop trauma Surg. 2009 Apr; 129 (4): 515-519</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="verdana" size="2">9. Cartucho A. O Ombro. Lidel; 2009 Oct. p. 235-240.</font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar.</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Centro Hospitalar do Algarve    <br>Unidade de Portimão    <br>Serviço de Ortopedia     <br>Sitio do Poço Seco    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>8500 Portimão    <br>Portugal    <br><a href="mailto:raquel.c.carvalho.med@gmail.com">raquel.c.carvalho.med@gmail.com</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Submissão: </b> 2014-07-19</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Revisão: </b> 2014-09-03</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2014-10-21</font></p>     ]]></body><back>
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