<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-2122</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Port. Ortop. Traum.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-2122</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-21222017000300009</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Luxação traumática da anca na criança: caso clínico e breve revisão bibliográfica]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Simões]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ricardo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sara]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[João]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Virgílio Paz]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carneiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rebelo]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Hospital do Divino Espirito Santo, Ponta Delgada, São Miguel, Açores Serviço de Ortopedia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2017</year>
</pub-date>
<volume>25</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>229</fpage>
<lpage>235</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-21222017000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-21222017000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-21222017000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A luxação traumática da anca na criança é uma lesão rara que entre outras complicações, pode resultar numa necrose avascular da cabeça do fémur. É uma emergência médica e o seu rápido diagnóstico e resolução são fundamentais para minimizar o risco de complicações. Os autores apresentam um caso de uma criança do sexo feminino, de 3 anos de idade, que recorreu ao serviço de urgência após uma queda de baixa energia, com um período de cerca de 1h de evolução. Apresentava-se com incapacidade funcional, anca em flexão e ligeira adução e rotação interna, com dor localizada a nível de anca direita, sem aparente lesão neurológica. Fez estudo radiológico que mostrava luxação póstero superior da anca direita. Foi feita redução incruenta imediata no bloco operatório sob anestesia geral e aplicada tração percutânea.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Traumatic dislocation of the hip in the child is a rare lesion that, among other complications, may result in avascular necrosis of the femoral head. It is a medical emergency and its quick diagnosis and resolution are key to minimizing the risk of complications. The authors present a case report of a 3-year-old female child, who went to the emergency department after a low energy fall, with about 1h of evolution. She presented with functional incapacity, hip flexion, slight adduction and internal rotation, with pain located at the level of the right hip, with no apparent neurological lesion. Her x-ray showed posterior-superior dislocation of the right hip. Non-invasive reduction under general anaesthesia was performed in the operating room and immobilization with percutaneous traction was applied.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Luxação da anca]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[traumática]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[crianças]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Hip dislocation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[traumatic]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[children]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Luxação traumática da anca na criança: caso clínico e breve revisão bibliográfica</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>António Gonçalves<sup>I</sup></b>; <b>Ricardo Simões<sup>I</sup></b>; <b>Sara Monteiro<sup>I</sup></b>; <b>João Gonçalves<sup>I</sup></b>; <b>Virgílio Paz Ferreira<sup>I</sup></b>; <b>Fernando Carneiro<sup>I</sup></b>; <b>António Rebelo<sup>I</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço de Ortopedia do Hospital do Divino Espirito Santo, Ponta Delgada, São Miguel, Açores.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A luxa&ccedil;&atilde;o traum&aacute;tica da anca na crian&ccedil;a &eacute; uma les&atilde;o rara que entre outras complica&ccedil;&otilde;es, pode resultar numa necrose avascular da cabe&ccedil;a do f&eacute;mur. &Eacute; uma emerg&ecirc;ncia m&eacute;dica e o seu r&aacute;pido diagn&oacute;stico e resolu&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fundamentais para minimizar o risco de complica&ccedil;&otilde;es. Os autores apresentam um caso de uma crian&ccedil;a do sexo feminino, de 3 anos de idade, que recorreu ao servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia ap&oacute;s uma queda de baixa energia, com um per&iacute;odo de cerca de 1h de evolu&ccedil;&atilde;o. Apresentava-se com incapacidade funcional, anca em flex&atilde;o e ligeira adu&ccedil;&atilde;o e rota&ccedil;&atilde;o interna, com dor localizada a n&iacute;vel de anca direita, sem aparente les&atilde;o neurol&oacute;gica. Fez estudo radiol&oacute;gico que mostrava luxa&ccedil;&atilde;o p&oacute;stero superior da anca direita. Foi feita redu&ccedil;&atilde;o incruenta imediata no bloco operat&oacute;rio sob anestesia geral e aplicada tra&ccedil;&atilde;o percut&acirc;nea.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: Luxação da anca, traumática, crianças. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Traumatic dislocation of the hip in the child is a rare lesion that, among other complications, may result in avascular necrosis of the femoral head. It is a medical emergency and its quick diagnosis and resolution are key to minimizing the risk of complications. The authors present a case report of a 3-year-old female child, who went to the emergency department after a low energy fall, with about 1h of evolution. She presented with functional incapacity, hip flexion, slight adduction and internal rotation, with pain located at the level of the right hip, with no apparent neurological lesion. Her x-ray showed posterior-superior dislocation of the right hip. Non-invasive reduction under general anaesthesia was performed in the operating room and immobilization with percutaneous traction was applied. </p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Hip dislocation, traumatic, children. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A luxa&ccedil;&atilde;o traum&aacute;tica da anca nas crian&ccedil;as &eacute; uma les&atilde;o rara com uma incid&ecirc;ncia de 0,8 casos por milh&atilde;o/ano, sendo uma emerg&ecirc;ncia ortop&eacute;dica. Constitui menos de 10% de todas luxa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas da anca e apenas 5% de todas as luxa&ccedil;&otilde;es de anca ocorrem abaixo dos 14 anos de idade. &Eacute; extremamente rara em crian&ccedil;as menores de 5 anos de idade<sup>1,2,3,4,6,7,8,9,10</sup>.</p>
    <p>A luxa&ccedil;&atilde;o posterior correspondente a 80% dos casos<sup>3,5,6,7,9,11</sup>, sendo mais comum no sexo masculino (4:1) podendo ocorrer em qualquer faixa et&aacute;ria, com picos de incid&ecirc;ncia entre os quatro e sete anos e entre os onze e quinze anos<sup>1,2,3,5,6,7,8,10,11</sup>.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A luxa&ccedil;&atilde;o traum&aacute;tica da anca em idade pedi&aacute;trica pode resultar de traumas de baixa energia, estando associados &agrave; flexibilidade acetabular e laxid&atilde;o ligamentar, fato observado nas crian&ccedil;as mais jovens<sup>4,5,8,9,10,11</sup>.</p>
    <p>Nas crian&ccedil;as maiores ou adolescentes, por calcifica&ccedil;&atilde;o da cartilagem triradiada e diminui&ccedil;&atilde;o de laxid&atilde;o, torna-se necess&aacute;ria maior energia para a luxa&ccedil;&atilde;o. Nesses casos podem ocorrer concomitantemente fraturas femorais<sup>1,2,5,11</sup> .</p>
    <p>Clinicamente a luxa&ccedil;&atilde;o posterior apresenta incapacidade para marcha e deformidade t&iacute;pica em flex&atilde;o, adu&ccedil;&atilde;o e rota&ccedil;&atilde;o interna da coxa<sup>1,7,11</sup>.</p>
    <p>A avalia&ccedil;&atilde;o radiogr&aacute;fica &eacute; essencial para confirmar o diagn&oacute;stico, revelar o tipo de luxa&ccedil;&atilde;o e descartar fraturas associadas<sup>1,2,5,7,9,11</sup>.</p>
    <p>Torna-se importante uma r&aacute;pida resolu&ccedil;&atilde;o com recurso a redu&ccedil;&atilde;o incruenta sob anestesia, minimizando as potenciais complica&ccedil;&otilde;es, nomeadamente as precoces como fraturas associadas (=40%), a les&atilde;o neurol&oacute;gica ou vascular (=25%)<sup>2,5,6,7,8,9,10,11</sup> e complica&ccedil;&otilde;es tardias como epis&oacute;dios de reluxa&ccedil;&atilde;o, condr&oacute;lise, necrose avascular (incid&ecirc;ncia de 8% a 10%),&nbsp; e coxartrose degenerativa (identificadas altera&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas ou radiol&oacute;gicas em follow-up at&eacute; idade adulta em cerca de 36%)<sup>1,2,6,7,8,10</sup>. As complica&ccedil;&otilde;es tardias est&atilde;o associadas ao atraso da redu&ccedil;&atilde;o sendo fatores de mau progn&oacute;stico a perman&ecirc;ncia da luxa&ccedil;&atilde;o por mais de seis horas, o atraso na redu&ccedil;&atilde;o (aumenta em 20 vezes o risco), crian&ccedil;as maiores de cinco anos ou perto da maturidade esquel&eacute;tica, les&atilde;o articular grave e presen&ccedil;a de traumas m&uacute;ltiplos associados<sup>1,2,4,5,6,7,9,10,11</sup>.</p>
    <p>&Eacute; recomendado por alguns autores a drenagem da hematrose por forma a melhorar a vasculariza&ccedil;&atilde;o para a cabe&ccedil;a femoral<sup>1,11</sup>. Ap&oacute;s a redu&ccedil;&atilde;o, deve-se avaliar a congru&ecirc;ncia articular, comparando o espa&ccedil;o articular, a lateraliza&ccedil;&atilde;o da cabe&ccedil;a e a quebra na linha de Shenton com o lado contra lateral<sup>2,9</sup>. A fun&ccedil;&atilde;o do nervo ci&aacute;tico deve ser registrada antes e ap&oacute;s a redu&ccedil;&atilde;o (les&atilde;o nervosa com incid&ecirc;ncia aproximada de 5% em crian&ccedil;as). O ramo peroneal &eacute; o mais afetado nas luxa&ccedil;&otilde;es posteriores (compress&atilde;o direta).</p>
    <p>A redu&ccedil;&atilde;o aberta est&aacute; indicada quando ocorre fracasso na redu&ccedil;&atilde;o fechada, les&atilde;o do nervo ci&aacute;tico (aus&ecirc;ncia de melhoria com estudo eletromiogr&aacute;fico em quatro a seis semanas)<sup>1</sup> e fratura acetabular, do colo ou da cabe&ccedil;a femoral que exijam tratamento cir&uacute;rgico<sup>1,2</sup>.</p>
    <p>O tratamento ap&oacute;s a redu&ccedil;&atilde;o permanece sem consenso<sup>1,2,7,8,9</sup>. Alguns autores sugerem gesso pelvipod&aacute;lico por quatro a seis semanas para permitir cicatriza&ccedil;&atilde;o da c&aacute;psula. Outros indicam repouso no leito at&eacute; al&iacute;vio da dor, seguido de marcha com canadianas por quatro semanas<sup>1,2,5</sup>. H&aacute; refer&ecirc;ncia noutro estudo a um per&iacute;odo de repouso entre 3 a 8 semanas, necess&aacute;rio para resolu&ccedil;&atilde;o de sinovite e cicatriza&ccedil;&atilde;o de tecidos moles periarticulares<sup>1,8</sup>. Outro estudo indica tra&ccedil;&atilde;o cut&acirc;nea e repouso estrito no leito tr&ecirc;s semanas seguido de mais 3 semanas de carga parcial<sup>1,5,8</sup>. No caso de luxa&ccedil;&otilde;es tardias ou negligenciadas pode ser necess&aacute;ria tra&ccedil;&atilde;o esquel&eacute;tica pr&eacute;via &agrave; redu&ccedil;&atilde;o, seguida de tra&ccedil;&atilde;o cut&acirc;nea por mais duas a tr&ecirc;s semanas<sup>1,4,8</sup>.</p>
    <p>&Eacute; recomend&aacute;vel que a anca seja avaliada por radiografias seriadas, durante pelo menos dois anos ap&oacute;s a luxa&ccedil;&atilde;o<sup>1,9,11</sup>.</p>
    <p>A reluxa&ccedil;&atilde;o &eacute; rara e associada a crian&ccedil;as abaixo de oito anos e crian&ccedil;as com laxid&atilde;o ligamentar, especialmente em s&iacute;ndrome de Down<sup>1,10</sup>. As causas de reluxa&ccedil;&atilde;o est&atilde;o associadas a rutura capsular ou fal&ecirc;ncia da mesma, rutura de labrum ou fragmento osteocondrais intraarticular<sup>1,6</sup>. A resson&acirc;ncia magn&eacute;tica &eacute; um exame sens&iacute;vel e espec&iacute;fico que permite avaliar as causas de instabilidade ou da reluxa&ccedil;&atilde;o e possibilita um adequado planeamento da abordagem cir&uacute;rgica<sup>1,2,6,7,9</sup>.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O progn&oacute;stico de luxa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas da anca &eacute; apesar de tudo melhor em crian&ccedil;as do que em adultos<sup>3,8,10</sup>.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Apresentamos o caso de uma crian&ccedil;a de sexo feminino, 3 anos de idade com hist&oacute;ria de queda da cama, cerca de 50cm, correspondente a um trauma minor. Apresentava incapacidade funcional e dor localizada &agrave; anca direita, sem altera&ccedil;&otilde;es neurovasculares. O membro inferior estava em flex&atilde;o, rota&ccedil;&atilde;o interna e adu&ccedil;&atilde;o de anca direita (<a name="topf1"></a><a href="#f1">Figura 1</a>). O trauma teria ocorrido cerca de uma hora antes da chegada ao servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f1"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v25n3/25n3a09f1.jpg" width="393" height="191" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Foram pedidos exames radiol&oacute;gicos da bacia e anca (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figura 2</a>), tendo-se constatado uma luxa&ccedil;&atilde;o p&oacute;stero superior da anca direita, de causa traum&aacute;tica. Foi encaminhada de imediato para o bloco operat&oacute;rio para redu&ccedil;&atilde;o incruenta da luxa&ccedil;&atilde;o, sob anestesia geral (<a name="topf3"></a><a href="#f3">Figura 3</a>). A crian&ccedil;a manteve-se sem altera&ccedil;&otilde;es neurovasculares no membro. Foi internada com tra&ccedil;&atilde;o percut&acirc;nea no membro inferior direito que manteve durante 10 dias.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v25n3/25n3a09f2.jpg" width="391" height="294" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f3"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v25n3/25n3a09f3.jpg" width="391" height="206" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Durante o internamento foi realizada uma RMN para avalia&ccedil;&atilde;o de eventuais les&otilde;es associadas, constatando-se apenas imagens sugestivas de rotura muscular no tend&atilde;o do obturador interno, grande adductor, quadrado femoral (<a name="topf4"></a><a href="#f4">Figura 4</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f4"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v25n3/25n3a09f4.jpg" width="392" height="415" border="0" /></center></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o clinica no internamento, n&atilde;o foram detetados outros sinais sugestivos de hiperlaxid&atilde;o noutras articula&ccedil;&otilde;es. Ao 11&ordm; foi aplicado gesso p&eacute;lvico-pod&aacute;lico que manteve por um per&iacute;odo de 8 semanas.</p>
    <p>&Agrave; data da &uacute;ltima observa&ccedil;&atilde;o em consulta (cerca dos 2 anos ap&oacute;s a luxa&ccedil;&atilde;o), apresentava-se sem altera&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o de marcha, sem limita&ccedil;&atilde;o das mobilidades, sem dores e sem altera&ccedil;&otilde;es radiol&oacute;gicas aparentes (<a name="topf5"></a><a href="#f5">Figura 5</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f5"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v25n3/25n3a09f5.jpg" width="392" height="442" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A luxa&ccedil;&atilde;o traum&aacute;tica da anca nas crian&ccedil;as &eacute; rara e extremamente rara se menores de 5 anos de idade. No nosso caso tratou-se de uma luxa&ccedil;&atilde;o posterior que precedia os picos de incid&ecirc;ncia descritos na bibliografia. O g&eacute;nero deste caso tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; concordante com a maioria da bibliografia existente. &Eacute; consensual a necessidade de redu&ccedil;&atilde;o imediata de modo a evitar potenciais complica&ccedil;&otilde;es.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso relatado o fato de n&atilde;o estar associado a traumas major, n&atilde;o apresentar les&otilde;es associadas no estudo por RMN e, sobretudo o fato de ter sido feita redu&ccedil;&atilde;o atempadamente, ter&atilde;o certamente contribu&iacute;do para a boa evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e radiol&oacute;gica.</p>
    <p>Devem ser utilizadas as mesmas manobras de redu&ccedil;&atilde;o dos adultos.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CONCLUSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>As luxa&ccedil;&otilde;es traum&aacute;ticas da anca s&atilde;o verdadeiras emerg&ecirc;ncias ortop&eacute;dicas, sendo mandat&oacute;ria a sua r&aacute;pida redu&ccedil;&atilde;o de modo a evitar as poss&iacute;veis complica&ccedil;&otilde;es.&nbsp; As avalia&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas e radiol&oacute;gicas peri&oacute;dicas, por um per&iacute;odo alargado s&atilde;o fundamentais para dete&ccedil;&atilde;o precoce das mesmas.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Brandão GF. Luxação traumática posterior do quadril em crianças: relato de cinco casos. Rev Bras Ortop. 2010; 45 (2): 196-199</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317566&pid=S1646-2122201700030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Monteiro G. Luxação traumática da anca na criança entidade rara a recordar. Rev Port Ortop Traum. 2014; 22 (3): 318-324</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317567&pid=S1646-2122201700030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">3. Gurkan V. Evaluation of pediatric patients with traumatic hip dislocation. Acta Orthop Traumatol Turc. 2006; 40 (5): 392-395</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317568&pid=S1646-2122201700030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Pal CP. Neglected Posterior Dislocation of Hip in Children - A Case Report. Journal of Orthopaedic Case Reports. 2014 Apr; 4 (2): 21-24</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Zrig M. Traumatic hip dislocation in children. Acta Orthop Belg. 2009; 75: 328-333</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317570&pid=S1646-2122201700030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Mutlu S. Posterior Dislocation of the Hip in a 4-Year-Old Boy. Case Reports in Clinical Medicine. 2015; 4: 23-27</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317571&pid=S1646-2122201700030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Sanjay P. Posterior Dislocation of the Hip in a Child Following Trivial Trauma: A Case Report. The Internet Journal of Emergency Medicine. 2002; 1 (2)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317572&pid=S1646-2122201700030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Minhas MS. Traumatic hip dislocation in children. J Pak Med Assoc. 2010 Dec; 60 (12): 1019-1022</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">9. Sprong F. Traumatic hip dislocation in children: The role of MRI. SA ORTHOPAEDIC JOURNAL Summer. 2010; 78-82</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317574&pid=S1646-2122201700030000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">10. Salcedo JD. Traumatic hip dislocation in pediatric patients. Report of five cases. Acta Ortopédica Mexicana. 2010; 24 (4): 258-261</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317575&pid=S1646-2122201700030000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">11. Bitterman AD. Traumatic Posterior Hip Dislocation in a 5-Year-Old: A Case Report and Review of the Literature. Austin J Orthopade & Rheumatol. 2015; 2 (1): 1013</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1317576&pid=S1646-2122201700030000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nada a declarar</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">António Gonçalves    <br>Serviço de Ortopedia    <br>Hospital do Divino Espírito Santo    <br>Av. D. Manuel I, Matriz    <br>9500-370 PONTA DELGADA    <br>Telefone:  963608094; 296203000    <br>email: <a href="mailto:lestatmarius1@gmail.com">lestatmarius1@gmail.com</a> </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Submissão: </b> 2017-05-18</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Revisão: </b> 2017-06-21</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2017-08-19</font></p>     ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brandão]]></surname>
<given-names><![CDATA[GF]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Luxação traumática posterior do quadril em crianças: relato de cinco casos]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Bras Ortop]]></source>
<year>2010</year>
<volume>45</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>196-199</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Luxação traumática da anca na criança entidade rara a recordar]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Port Ortop Traum]]></source>
<year>2014</year>
<volume>22</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>318-324</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gurkan]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Evaluation of pediatric patients with traumatic hip dislocation]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Orthop Traumatol Turc]]></source>
<year>2006</year>
<volume>40</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>392-395</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pal]]></surname>
<given-names><![CDATA[CP]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Neglected Posterior Dislocation of Hip in Children: A Case Report]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Orthopaedic Case Reports]]></source>
<year>04/2</year>
<month>01</month>
<day>4</day>
<volume>4</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>21-24</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zrig]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Traumatic hip dislocation in children]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Orthop Belg]]></source>
<year>2009</year>
<volume>75</volume>
<page-range>328-333</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mutlu]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Posterior Dislocation of the Hip in a 4-Year-Old Boy]]></article-title>
<source><![CDATA[Case Reports in Clinical Medicine]]></source>
<year>2015</year>
<volume>4</volume>
<page-range>23-27</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sanjay]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Posterior Dislocation of the Hip in a Child Following Trivial Trauma: A Case Report]]></article-title>
<source><![CDATA[The Internet Journal of Emergency Medicine]]></source>
<year>2002</year>
<volume>1</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Minhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[MS]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Traumatic hip dislocation in children]]></article-title>
<source><![CDATA[J Pak Med Assoc]]></source>
<year>12/2</year>
<month>01</month>
<day>0</day>
<volume>60</volume>
<numero>12</numero>
<issue>12</issue>
<page-range>1019-1022</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sprong]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Traumatic hip dislocation in children: The role of MRI]]></article-title>
<source><![CDATA[SA ORTHOPAEDIC JOURNAL Summer]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>78-82</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Salcedo]]></surname>
<given-names><![CDATA[JD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Traumatic hip dislocation in pediatric patients: Report of five cases]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Ortopédica Mexicana]]></source>
<year>2010</year>
<volume>24</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>258-261</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bitterman]]></surname>
<given-names><![CDATA[AD]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Traumatic Posterior Hip Dislocation in a 5-Year-Old: A Case Report and Review of the Literature]]></article-title>
<source><![CDATA[Austin J Orthopade & Rheumatol]]></source>
<year>2015</year>
<volume>2</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>1013</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
