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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Doença de Camurati-Engelman: A propósito de um caso clínico]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra Serviço de Ortopedia ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Objective: This clinical case report intends to present the treatment, clinical and radiological outcomes of a traumatic injury (supracondylar femur fracture) in a patient with Camurati-Engelmann disease, bone dysplasia that produces a hyperostotic deformity of the long bone diaphysis. Camurati-Engelmann’s disease is a rare autossomic dominant genetic disease, of unknown prevalence. However, among the various sporadic cases and families described in the literature, 12 patients belong to a Portuguese family, which makes this case report, as well as knowledge of the disease and its pathology, relevant. Likewise, there are no reports on the surgical management of traumatic injuries in this patient population in the current literature, which makes this case particularly interesting. Description: A 46-year old male presented in the Emergency Room with a supracondylar femur fracture, after motorcycle accident. The chosen treatment was surgical, with open reduction and osteossynthesis with an anatomical locked plate. Clinical result at 2 years post-operatively was favorable, with no restrictions on activities of daily living and good range of motion; x-ray studies showed fracture consolidation. Comments: The relevance of the present report is based on the description of the treatment and functional outcome after supracondylar femur fracture in a patient with Camurati-Engelmann disease, a rare presentation which the authors have not found in current literature.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença de Camurati-Engelmann]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Tratamento cirúrgico]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">Doença de Camurati-Engelman - A propósito de um caso clínico</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Sandra Santos<sup>I</sup></b>; <b>Vítor Hugo Pinheiro<sup>I</sup></b>; <b>André Pinto<sup>I</sup></b>; <b>Marcos Carvalho<sup>I</sup></b>; <b>António Pais Lopes<sup>I</sup></b>; <b>Fernando Fonseca<sup>I</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço  de Ortopedia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Coimbra.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Objetivo: O presente caso cl&iacute;nico tem como objetivo apresentar o tratamento, resultado cl&iacute;nico e imagiol&oacute;gico de uma les&atilde;o traum&aacute;tica (fratura supracondiliana do f&eacute;mur) num doente com doen&ccedil;a de Camurati-Engelmann, doen&ccedil;a displ&aacute;sica &oacute;ssea que produz deformidade hiperost&oacute;tica da di&aacute;fise dos ossos longos. A doen&ccedil;a de Camurati-Engelmann &eacute; uma doen&ccedil;a gen&eacute;tica autoss&oacute;mica dominante rara, de preval&ecirc;ncia desconhecida No entanto, dos v&aacute;rios casos e fam&iacute;lias descritas na literatura, 12 pertencem a uma fam&iacute;lia portuguesa, o que torna o caso, bem como o conhecimento da doen&ccedil;a e sua patologia, relevantes. De igual modo, n&atilde;o est&atilde;o descritos na literatura casos de tratamento cir&uacute;rgico de patologia traum&aacute;tica nestes doentes, o que torna este caso particularmente interessante.</p>     <p>Descri&ccedil;&atilde;o: Trata-se de um doente de 46 anos, que sofreu fratura supracondiliana do f&eacute;mur ap&oacute;s acidente de motociclo. A op&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica escolhida para o tratamento da fratura foi cir&uacute;rgica, com osteoss&iacute;ntese da fratura com placa anat&oacute;mica bloqueada. O resultado cl&iacute;nico aos 2 anos de p&oacute;s-operat&oacute;rio foi excelente, tendo o doente regressado &agrave;s suas atividade de vida di&aacute;rias sem restri&ccedil;&otilde;es, e com boa mobilidade; o estudo imagiol&oacute;gico mostrou igualmente consolida&ccedil;&atilde;o da fratura.</p>     <p>Coment&aacute;rios: A relev&acirc;ncia deste caso assenta na descri&ccedil;&atilde;o do tratamento e resultado funcional ap&oacute;s fratura supracondiliana do f&eacute;mur num doente com doen&ccedil;a de Camurati-Engelmann, situa&ccedil;&atilde;o rara que os autores n&atilde;o encontraram abordado na literatura atual.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: Doença de Camurati-Engelmann, Fratura, Tratamento cirúrgico. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Objective: This clinical case report intends to present the treatment, clinical and radiological outcomes of a traumatic injury (supracondylar femur fracture) in a patient with Camurati-Engelmann disease, bone dysplasia that produces a hyperostotic deformity of the long bone diaphysis. Camurati-Engelmann&rsquo;s disease is a rare autossomic dominant genetic disease, of unknown prevalence. However, among the various sporadic cases and families described in the literature, 12 patients belong to a Portuguese family, which makes this case report, as well as knowledge of the disease and its pathology, relevant. Likewise, there are no reports on the surgical management of traumatic injuries in this patient population in the current literature, which makes this case particularly interesting.</p>     <p>Description: A 46-year old male presented in the Emergency Room with a supracondylar femur fracture, after motorcycle accident. The chosen treatment was surgical, with open reduction and osteossynthesis with an anatomical locked plate. Clinical result at 2 years post-operatively was favorable, with no restrictions on activities of daily living and good range of motion; x-ray studies showed fracture consolidation.</p>     <p>Comments: The relevance of the present report is based on the description of the treatment and functional outcome after supracondylar femur fracture in a patient with Camurati-Engelmann disease, a rare presentation which the authors have not found in current literature.<br /><br /><br /></p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Camurati-Engelmann disease, Fracture, Surgical treatment. </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A doen&ccedil;a de Camurati-Engelmann (DCE), tamb&eacute;m designada displasia diafis&aacute;ria progressiva, &eacute; uma doen&ccedil;a de transmiss&atilde;o gen&eacute;tica autoss&oacute;mica dominante, com expressividade vari&aacute;vel, pertencendo a um grupo mais amplo de patologias, as hiperostoses craniotubulares. A primeira descri&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica desta doen&ccedil;a data de 1920, tendo sido Camurati, em 1922, o primeiro a sugerir a sua natureza heredit&aacute;ria<sup>1,2</sup>.</p>
    <p>A muta&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica respons&aacute;vel pela doen&ccedil;a localiza-se no gene <em>TGFB1</em>, que codifica o fator de crescimento transformador &szlig;1 (FCT&szlig;1), uma mol&eacute;cula que, em condi&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas, estimula a forma&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea e suprime a reabsor&ccedil;&atilde;o. Todas as muta&ccedil;&otilde;es descritas na literatura, at&eacute; &agrave; data, mostram um aumento de atividade do FCT&szlig;1<sup>2,3</sup>.</p>
    <p>A principal caracter&iacute;stica cl&iacute;nica desta doen&ccedil;a &eacute; o espessamento da cortical nas di&aacute;fises dos ossos longos, habitualmente bilateral e sim&eacute;trica, observando-se inicialmente no f&eacute;mur e t&iacute;bia e, mais tarde e &agrave; medida que a doen&ccedil;a progride, tamb&eacute;m na f&iacute;bula, &uacute;mero, ulna e r&aacute;dio. As regi&otilde;es metafis&aacute;rias podem tamb&eacute;m ser atingidas, mas as ep&iacute;fises s&atilde;o sempre poupadas<sup>2,4,5</sup>.</p>
    <p>A doen&ccedil;a manifesta-se, por norma, durante a inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, com uma apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica caracterizada por dor nos membros inferiores, fraqueza muscular, altera&ccedil;&otilde;es da marcha e cansa&ccedil;o f&aacute;cil. Manifesta&ccedil;&otilde;es sist&eacute;micas podem tamb&eacute;m estar presentes, tais como anemia, leucopenia e hepatoesplenomeg&aacute;lia. Analiticamente, &eacute; poss&iacute;vel observar n&iacute;veis aumentados dos marcadores do metabolismo &oacute;sseo<sup>2,5</sup>.</p>
    <p>O tratamento passa, sobretudo, pelo tratamento m&eacute;dico, com recurso a f&aacute;rmacos como corticoster&oacute;ides, bifosfonatos, calcitonina e anti-inflamat&oacute;rios n&atilde;o ester&oacute;ides, tendo como principal objetivo o al&iacute;vio da dor. Existem relatos de tratamento cir&uacute;rgico atrav&eacute;s de rimagem do canal medular, baseando-se na premissa de que o aumento da press&atilde;o intra-medular provocado pelo aumento da espessura cortical e redu&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o intra-medular seria respons&aacute;vel pelas queixas &aacute;lgicas, o que nunca foi demonstrado, carecendo de fundamenta&ccedil;&atilde;o e evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica. A terapia gen&eacute;tica poder&aacute; ser, no futuro, uma alternativa para o tratamento desta doen&ccedil;a; no entanto, este tipo de terap&ecirc;utica encontra-se ainda nos seus estadios iniciais de desenvolvimento<sup>2</sup>.</p>
    <p>A literatura dispon&iacute;vel sobre esta doen&ccedil;a &eacute; limitada, e a grande maioria dos trabalhos publicados debru&ccedil;a-se sobre os aspectos gen&eacute;ticos e moleculares da doen&ccedil;a, bem como as suas carater&iacute;sticas cl&iacute;nicas e imagiol&oacute;gicas<sup>2,3</sup>.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CASO CLÍNICO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se de doente do sexo masculino, 46 anos, que se apresentou no Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia por gonalgia &agrave; direita com incapacidade funcional, ap&oacute;s traumatismo (acidente de motociclo). O exame objetivo mostrou derrame intra-articular a n&iacute;vel do joelho direito, com dor &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o passiva. O estudo radiol&oacute;gico mostrou uma fratura supra-condiliana do f&eacute;mur direito (<a href="/img/revistas/rpot/v26n1/26n1a09f1.jpg">Figura 1(a)</a>) (33-A1, segundo a classifica&ccedil;&atilde;o AO), onde s&atilde;o evidentes as altera&ccedil;&otilde;es &oacute;sseas induzidas pela doen&ccedil;a (<a href="/img/revistas/rpot/v26n1/26n1a09f1.jpg">Figura 1(b) e (c)</a>).</p>    
<p>&nbsp;</p>    <p>    <center><a href="/img/revistas/rpot/v26n1/26n1a09f1.jpg">Figura 1</a></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>Foi realizada uma artrocentese, com drenagem de cerca de 40cc de conte&uacute;do hem&aacute;tico com gl&oacute;bulos de gordura.</p>
    <p>Optou-se pelo tratamento cir&uacute;rgico, por t&eacute;cnica minimamente invasiva e osteoss&iacute;ntese com placa anat&oacute;mica bloqueada (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figura 2</a>). No per&iacute;odo p&oacute;s-operat&oacute;rio, iniciou imediatamente mobiliza&ccedil;&atilde;o passiva assistida e ativa, sendo permitida a deambula&ccedil;&atilde;o precoce com apoio de canadianas (apenas com contato ao solo durante as primeiras 4 semanas, e depois com carga progressiva conforme tolerado). O &uacute;ltimo <em>follow-up</em> do doente, aos 2 anos de p&oacute;s-operat&oacute;rio, revelou boa consolida&ccedil;&atilde;o da fratura (<a name="topf3"></a><a href="#f3">Figura 3</a>). Clinicamente, j&aacute; tinha retomado as suas atividades de vida di&aacute;ria, com as limita&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias inerentes &agrave; patologia de base, sem dor e sem necessidade de apoios de marcha, apresentando uma flex&atilde;o de 120&ordm; com extens&atilde;o de 0&ordm; e um ligeiro valgo, sem repercuss&atilde;o funcional.</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v26n1/26n1a09f2.jpg" width="389" height="369" border="0" /></center></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f3"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v26n1/26n1a09f3.jpg" width="390" height="456" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">DISCUSSÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A DCE &eacute; uma doen&ccedil;a rara, cuja preval&ecirc;ncia &eacute; desconhecida (estimam-se cerca de 200 casos a n&iacute;vel mundial). Est&atilde;o descritas na literatura algumas dezenas de fam&iacute;lias atingidas pela doen&ccedil;a<sup>2</sup>, bem como alguns casos espor&aacute;dicos<sup>6</sup>; n&atilde;o foi encontrado pelos autores, at&eacute; ao momento, nenhum caso descrevendo o tratamento de les&otilde;es traum&aacute;ticas. Curiosamente, uma das fam&iacute;lias com maior n&uacute;meros de casos identificados, localiza-se em Portugal (12 elementos da fam&iacute;lia com doen&ccedil;a conhecida)<sup>2,7,8</sup>, o que torna este caso relevante, pela maior probabilidade de encontrar casos de doen&ccedil;a na nossa pr&aacute;tica cl&iacute;nica.</p>
    <p>Apesar de bem descritas na literatura as altera&ccedil;&otilde;es &oacute;sseas carater&iacute;sticas desta patologia, n&atilde;o existem relatos sobre a resposta destes doentes a les&otilde;es traum&aacute;ticas, como fraturas. Tal fato torna dif&iacute;cil a compara&ccedil;&atilde;o com diferentes tipos de tratamento e resultados funcionais.</p>
    <p>No presente caso, verificou-se um bom resultado funcional e uma adequada consolida&ccedil;&atilde;o da fratura. &Eacute; sabido que o FCT&szlig;1 tem um efeito positivo na consolida&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea<sup>9</sup>. O conhecimento da patofisiologia da doen&ccedil;a, o aumento de atividade do FCT&szlig;1 e consequente est&iacute;mulo da atividade osteobl&aacute;stica e inibi&ccedil;&atilde;o da atividade osteocl&aacute;stica poderia fazer presumir o aparecimento de um calo &oacute;sseo exuberante, ou mesmo conduzir a altera&ccedil;&otilde;es da consolida&ccedil;&atilde;o, como pseudartrose hipertr&oacute;fica. Tal n&atilde;o se verificou, o que sugere que a atua&ccedil;&atilde;o do FCT&szlig;1 poder&aacute; ser condicionada por outros fatores locais, como citocinas e outros mediadores inflamat&oacute;rios, relacionados com o processo de fratura e consolida&ccedil;&atilde;o.</p>
    <p>H&aacute; tamb&eacute;m a considerar a menor morbilidade da t&eacute;cnica minimamente invasiva como um fator favorecedor de um melhor resultado funcional, mas como referido previamente, a aus&ecirc;ncia de outros casos reportados torna dif&iacute;cil essa compara&ccedil;&atilde;o.</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores consideram, assim, que em casos de fratura em doentes com doen&ccedil;a de Camurati-Engelmann, o tratamento cir&uacute;rgico dever&aacute; ser utilizado, dando primazia ao uso de t&eacute;cnicas minimamente invasivas.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <p><font face="verdana" size="2">1. Sparkes RS, Graham CB. Camurati-Engelmann Disease Genetics and Clinical Manifestations with a Review of the Literature. J Med Genet. 1972 Mar; 9 (1): 73-85</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">2. Janssens K, Vanhoenacker F, Bonduelle M, Verbruggen L, Van Maldergem L, Ralston S. Camurati-Engelmann disease: review of the clinical, radiological, and molecular data of 24 families and implications for diagnosis and treatment. J Med Genet. 2006 Jan; 43 (1): 1-11</font></p>    <p><font face="verdana" size="2">3. Cohen MM Jr. The new bone biology: Pathologic, molecular, and clinical correlates. Am J Med Genet A. 2006 Dec 1; 140 (23): 2646-2706</font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Uezato S, Dias G, Inada J, Valente M, Fernandes E. Imaging aspects of Camurati-Engelmann disease. Rev Assoc Med Bras. 2016; 62 (9): 825-827</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1319888&pid=S1646-2122201800010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. Bartuseviciene A, Samuilis A, Skucas J. Camurati-Engelmann disease: imaging, clinical features and differential diagnosis. Skeletal Radiol. 2009; 38: 1037-1043</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1319889&pid=S1646-2122201800010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Grey AC, Wallace R, Crone M. Engelmann&#39;s Disease: a 45-year follow-up. J Bone Joint Surg Br. 1996; 78-B: 488-491</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1319890&pid=S1646-2122201800010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Almeida J, Beça G, Laíns J. Acta Reumatol Port. 2012; 37: 122-126</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1319891&pid=S1646-2122201800010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Garcia J, Monteiro P, Saavedra MJ, Silva J, Malcata A. Doença de Camurati-Engelmann. Acta Reumatol Port. 2007; 32: 395-396</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1319892&pid=S1646-2122201800010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">9. Poniatowski LA, Wojdasiewicz P, Gasik R, Szukiewicz D. Transforming Growth Factor Beta Family: Insight into the Role of Growth Factors in Regulation of Fracture Healing Biology and Potential Clinical Applications. Mediators Inflamm. 2015; 2015</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1319893&pid=S1646-2122201800010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Sandra Santos     <br>Serviço de Ortopedia dos Hospitais da Universidade de Coimbra    <br>Praceta Prof. Mota Pinto    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>3000-075 COIMBRA    <br>Telefone: 239 400 400    <br><a href="mailto:sandrafs_86@hotmail.com">sandrafs_86@hotmail.com</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Submissão: </b> 2017-10-06</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Revisão: </b> 2018-01-08</font></p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2018-01-08</font></p>     ]]></body><back>
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