<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1646-5237</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Laboreal]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Laboreal]]></abbrev-journal-title>
<issn>1646-5237</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade do Porto – Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1646-52372020000100001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marta]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Nusshold]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patricio]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação Centro de Psicologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Porto ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Université Paul Valéry Montpellier  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Montpellier ]]></addr-line>
<country>Francia</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<volume>16</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>1</fpage>
<lpage>4</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-52372020000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-52372020000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-52372020000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right" target="blank"> <b>EDITORIAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="left" target="blank">     <p align="center">     <p> <b>Editorial</b> </p>     <p> <b>Editorial</b> </p>     <p> <b>Editorial</b> </p>     <p> <b>Editorial</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Marta Santos[1]</b>, <b>Patricio Nusshold[2]</b>     <p> [1] Centro de Psicologia da Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o Universidade do Porto Rua Alfredo Allen 4200-135 Porto Portugal <a href="mailto:marta@fpce.up.pt">marta@fpce.up.pt</a> </p>     <p> [2]Universit&eacute; Paul Val&eacute;ry Montpellier 3, Route de Mende 34 199 Montpellier Cedex 5 Francia <a href="mailto:patricio.nusshold@univ-montp3.fr">patricio.nusshold@univ-montp3.fr</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p> O planeamento deste n&uacute;mero, feito de forma a garantir os tempos que a publica&ccedil;&atilde;o com revis&atilde;o por pares exige aos trabalhos cient&iacute;ficos, n&atilde;o antecipou a crise sanit&aacute;ria mundial que vivemos, o que exigiu que este n&uacute;mero fosse finalizado em casa, em situa&ccedil;&atilde;o de teletrabalho para muitos dos que estiveram envolvidos na sua edi&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Esta situa&ccedil;&atilde;o recorda-nos que o trabalho real n&atilde;o pode tudo antecipar, sendo necess&aacute;rio &ndash; ao confrontar-se com novas condi&ccedil;&otilde;es e exig&ecirc;ncias de trabalho &ndash; criar novas ast&uacute;cias, modos de fazer e de desenvolvimento, deixando em evid&ecirc;ncia quest&otilde;es que em muitos contextos n&atilde;o puderam ser discutidos ou que tiveram mesmo de ser ocultados. </p>     <p> Com efeito, esta situa&ccedil;&atilde;o abre novos tabus, na medida em que se espera que cada um diga que &ldquo;tudo vai correr bem&rdquo; sem poder falar, por exemplo, nem dos problemas dom&eacute;sticos que se sobrep&otilde;em ao exerc&iacute;cio profissional, nem do medo de perder o emprego, nem da degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade do trabalho devido ao teletrabalho, que se apresenta, em m&uacute;ltiplos contextos, como a solu&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica para todos os problemas. A flexibiliza&ccedil;&atilde;o do tempo, espa&ccedil;o e contratos de trabalho &ndash; atrav&eacute;s do trabalho a dist&acirc;ncia, do trabalho digital, e da precariedade laboral- assim como as rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o social - homens sobre as mulheres, brancos sobre os negros, locais sobre os estranjeiros, &hellip;- dificultam ainda mais a possibilidade de por em debate o trabalho real. </p>     <p> A pertin&ecirc;ncia de um dossier que discute precisamente tabus associados ao exerc&iacute;cio do trabalho real, n&atilde;o poderia, neste contexto, ser maior. </p>     <p> O texto introdutor ao dossier, de Patricio Nusshold, Carole Baudin e Soledad Nion Celio, pontua a import&acirc;ncia e os desafios associados ao desvelar deste trabalho real e apresenta os quatro textos que o comp&otilde;em e que ora se debru&ccedil;am sobre a dificuldade em discutir o trabalho real com as hierarquias, ora com a dificuldade que por vezes existe de faz&ecirc;-lo connosco pr&oacute;prios. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Este n&uacute;mero, extra dossier, possui ainda duas pesquisas emp&iacute;ricas: o texto de Rodrigo Augusto e Raoni Rocha, retoma a import&acirc;ncia do conhecimento da atividade real de trabalho, associando-a, desta vez, &agrave; reflex&atilde;o sobre os processos de transmiss&atilde;o de conhecimentos e de constru&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias, em situa&ccedil;&otilde;es em que a manuten&ccedil;&atilde;o do conhecimento dentro da equipa &eacute; dificultado pela elevada rotatividade dos seus membros; no texto de Cira Bringas-Masgo e de Carolina Ullilen-Marcilla &eacute; feita a avalia&ccedil;&atilde;o das luvas de prote&ccedil;&atilde;o de riscos mec&acirc;nicos utilizadas no setor da constru&ccedil;&atilde;o civil. A avalia&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas das luvas associada a uma an&aacute;lise antropom&eacute;trica de trabalhadores deste setor permitiu constatar que este dispositivo oferece uma menor prote&ccedil;&atilde;o quando &eacute; confecionado em tamanho &uacute;nico, colocando-se a quest&atilde;o do tempo de reposi&ccedil;&atilde;o das luvas em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas das tarefas a realizar. </p>     <p> Jacques Leplat &eacute;, de novo, (sim! por que h&aacute; autores, como Freud, Wisner ou Leplat aos quais vale sempre a pena voltar) o autor escolhido na rubrica Textos Hist&oacute;ricos. Neste texto dos anos 80, Leplat refletia em que medida e sob que condi&ccedil;&otilde;es se podia considerar a psicologia do trabalho uma ci&ecirc;ncia fundamental ou uma &ldquo;mera&rdquo; aplica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia psicol&oacute;gica. Sublinhando o contributo fundamental da psicologia do trabalho para o conhecimento cient&iacute;fico em psicologia, referia, a t&iacute;tulo de exemplo, a quest&atilde;o do tempo associado &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de tarefas: o tempo do laborat&oacute;rio &eacute; curto e a aprendizagem para a realiza&ccedil;&atilde;o das tarefas deve ser r&aacute;pida; nas situa&ccedil;&otilde;es de trabalho, a realiza&ccedil;&atilde;o de uma atividade de trabalho pode ser feita ao longo de v&aacute;rios anos e, com o passar do tempo, os gestos, os automatismos, as tomadas de decis&atilde;o, v&atilde;o, necessariamente modificar-se. N&atilde;o ter em conta as especificidades destes tempos afeta a an&aacute;lise de todos os aspetos que v&atilde;o interferir, por exemplo, nos processos cognitivos. Na verdade, este artigo de Jacques Leplat oferece-nos uma interessante sinopse da hist&oacute;ria da psicologia do trabalho at&eacute; aquele momento. Annie Weill-Fassina, ao comentar este texto, percebeu o desafio e estendeu o projeto com um apanhado hist&oacute;rico dos momentos-chave do percurso profissional de Jacques Leplat e dos pesquisadores que o acompanharam. Em jeito de balan&ccedil;o, real&ccedil;a a atualidade dos contributos do autor tanto para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas pr&aacute;ticos, oriundos do terreno, como para o enriquecimento da teoria psicol&oacute;gica. </p>     <p> No dat&aacute;rio apresentamos um dossier sobre o amianto e o dif&iacute;cil reconhecimento da cat&aacute;strofe sanit&aacute;ria causada por essas fibras minerais. As mais recentes estimativas de mortalidade d&atilde;o conta de 255 mil mortes causadas pelo amianto em todo o mundo, das quais 233 mil devido a exposi&ccedil;&atilde;o profissional. As datas, as lutas e a legisla&ccedil;&atilde;o produzida em diferentes geografias, permitem desenhar melhor as particularidades locais de um cen&aacute;rio que, na realidade, se apresenta sempre como uma verdadeira guerrilha jur&iacute;dica, pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e social. Os textos de Annie Th&eacute;baud-Mony, Rog&eacute;rio Leit&atilde;o, Lays Paes e Silva Dolivet, e, por &uacute;ltimo, Micheline Marier, oferecem-nos mat&eacute;ria para avan&ccedil;ar notavelmente na compreens&atilde;o desta quest&atilde;o. </p>     <p> Queremos agradecer infinitamente a todos os que participaram de um modo ou outro neste n&uacute;mero. Aqueles de n&oacute;s que comprometemos a nossa subjetividade com a Laboreal fazemo-lo voluntariamente e sem remunera&ccedil;&atilde;o. Muitos realizam esta tarefa no &acirc;mbito das suas atividades universit&aacute;rias, mas outros fazem-no principalmente gra&ccedil;as ao seu empenho na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de qualidade. Estamos convencidos de que no dia em que n&atilde;o for poss&iacute;vel debater o trabalho, a democracia no seu conjunto estar&aacute; amea&ccedil;ada. E, como veremos neste n&uacute;mero, esta situa&ccedil;&atilde;o existe e est&aacute; a multiplicar-se em determinados contextos. Se a atividade e o compromisso daqueles que constroem a sua sa&uacute;de atrav&eacute;s do trabalho, o desenvolvimento e tudo o que tem valor genu&iacute;no para a humanidade n&atilde;o puder ser posto em evid&ecirc;ncia, as formas para a constru&ccedil;&atilde;o de um mundo mais justo encontra-se impedidas. </p>     <p> A todos desejamos uma boa leitura! </p>      ]]></body>
</article>
