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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A psicologia do trabalho: um apanhado]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Psicología del trabajo: una descripción general]]></article-title>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La Psychologie du travail: un aperçu]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Work psychology: an overview]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right" target="blank"> <b>TEXTOS HIST&Oacute;RICOS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="left" target="blank">     <p>     <p> <b>A psicologia do trabalho: um apanhado </b> </p>     <p> <b>Psicolog&iacute;a del trabajo: una descripci&oacute;n general</b> </p>     <p> <b>La Psychologie du travail: un aper&ccedil;u</b> </p>     <p> <b>The Work psychology: an overview</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Jacques Leplat</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Tradu&ccedil;&atilde;o: </b> Jo&atilde;o Viana Jorge (<a href="mailto:joaojorg@gmail.com">joaojorg@gmail.com</a>) </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b> Texto original [<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>]:</b> Leplat, J. (1980). La psychologie du travail: un aper&ccedil;u. <i>Bulletin de Psychologie. </i><i>Tome XXXIII, n&ordm; 344</i>, 195-200. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p> Este apanhado pretender&aacute; fazer sobressair alguns tra&ccedil;os importantes da psicologia do trabalho. N&atilde;o pretende substituir-se aos textos mais completos consagrados &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o da disciplina que se encontram nomeadamente nos manuais (tomo I do Trait&eacute; de Psychologie Appliqu&eacute;e, por exemplo). Poder&aacute; ajudar o leitor a se situar e a interrogar os textos que se seguir&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Delimita&ccedil;&atilde;o do campo</b> </p>     <p> A psicologia do trabalho refere-se a uma divis&atilde;o da psicologia em termos de objeto de estudo: entre as outras classes desta divis&atilde;o figuram por exemplo a psicologia escolar, a psicologia do desporto, a psicologia da arte. A defini&ccedil;&atilde;o do campo da psicologia do trabalho remete-nos para a de trabalho. Para o psic&oacute;logo o trabalho &eacute; essencialmente &laquo;uma atividade necess&aacute;ria ao desempenho de uma tarefa&raquo; (Robert). Esta atividade complexa e multiforme foi objeto de numerosas defini&ccedil;&otilde;es que fazem sobressair diversos aspetos: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> - &eacute; especificamente humana (Leontiev, 1976); </p>     <p> - &eacute; adquirida por aprendizagem (Ombredane &amp; Faverge, 1955); </p>     <p> - p&otilde;e em jogo &laquo;dois elementos interdependentes: um deles &eacute; o uso e fabrico de utens&iacute;lios (&hellip;) e um segundo, o de que o trabalho se efetua em condi&ccedil;&otilde;es de atividade comum, coleciva&raquo; (Leontiev, 1976, p. 67); </p>     <p> - tem uma caracter&iacute;stica constrangedora (Ombredane &amp; Faverge, 1955, Wallon, 1946). &laquo;O &uacute;nico crit&eacute;rio comum &agrave;s atividades assim denominadas (trabalho) &eacute; um elemento de compuls&atilde;o (constrangimento, obriga&ccedil;&atilde;o, disciplina, etc&hellip;.) que pode ser de origem interna ou externa&raquo; (Friedman, 1976). </p>     <p> N&atilde;o esqueceremos que o termo &laquo;trabalho&raquo; &eacute; poliss&eacute;mico. Designa tamb&eacute;m frequentemente o fruto da atividade, aquilo a que ela se aplica e torna-se mais ou menos sin&oacute;nimo de obra ou de tarefa. &Eacute; o sentido que se encontra em express&otilde;es como &laquo;fazer o seu trabalho&raquo; e &laquo;sistema homem - trabalho&raquo; ou &laquo;unidade de trabalho&raquo;. </p>     <p> Das primeiras defini&ccedil;&otilde;es se deduz a ideia de que o estudo psicol&oacute;gico do trabalho pode fazer-se em rela&ccedil;&atilde;o a quadros de refer&ecirc;ncia variados. </p>     <p> O trabalhador interage primeiro com os seus instrumentos de trabalho e o seu meio ambiente<b> </b>t&eacute;cnico imediato. Faz tamb&eacute;m parte dum sistema s&oacute;cio t&eacute;cnico englobando o primeiro e ele pr&oacute;prio parte de sistemas mais vastos at&eacute; &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es definidoras, por exemplo, de certas regras do trabalho (legisla&ccedil;&atilde;o diversa sobre os tempos de trabalho, sobre a seguran&ccedil;a, etc.). O trabalhador est&aacute; tamb&eacute;m inserido em organiza&ccedil;&otilde;es (profissionais, sindicais) e numa sociedade constituindo outras tantas fontes de determinantes adequadas &agrave; explica&ccedil;&atilde;o da sua conduta. Ter-se-ia a&iacute; uma base poss&iacute;vel para um recorte do campo. </p>     <p> Os estudos e pesquisas referentes ao dom&iacute;nio do trabalho come&ccedil;aram a ser repertoriados sob o nome muito geral de psicologia aplicada ou de psicot&eacute;cnica. A seguir o dom&iacute;nio diferenciou-se e Myers prop&ocirc;s em 1925 o nome de <i>psicologia industrial</i>. Esta designa&ccedil;&atilde;o ainda amplamente expandida &eacute;, todavia, limitativa dado que o trabalho n&atilde;o &eacute; s&oacute; industrial como tamb&eacute;m agr&iacute;cola, comercial, administrativo, etc. O termo de <i>psicologia do trabalho</i>, mais geral, &eacute;, portanto, prefer&iacute;vel para designar o conjunto do dom&iacute;nio. Foi proposto por Walther em 1926 mas obteve pouco sucesso at&eacute; um per&iacute;odo recente em que parece ter ganho terreno. </p>     <p> Podem considerar-se como sectores da psicologia do trabalho os que forem definidos a partir dos tipos de interven&ccedil;&atilde;o: psicologia ergon&oacute;mica (&agrave;s vezes dita da engenharia), psicologia da forma&ccedil;&atilde;o (ou psicopedagogia profissional), psicologia profissional. </p>     <p> A psicologia das organiza&ccedil;&otilde;es, que se interessa no seu sentido lato pelos determinantes s&oacute;cio t&eacute;cnicos das condutas, constitui tamb&eacute;m uma parte da psicologia do trabalho. Manifesta frequentemente uma certa propens&atilde;o para abarcar todo o campo da psicologia do trabalho partindo sem d&uacute;vida da ideia que, exercendo-se qualquer trabalho no seio de uma organiza&ccedil;&atilde;o, o estudo da organiza&ccedil;&atilde;o inclui o do trabalho. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Estrutura&ccedil;&atilde;o do campo</b> </p>     <p> Esta estrutura&ccedil;&atilde;o pode ser concebida a partir da psicologia ou a partir do trabalho: este segundo princ&iacute;pio foi aqui o escolhido e ilustra o <a href="/img/revistas/lab/v16n1/16n1a09q1.jpg" target="_blank">quadro 1</a> </p>     
<p> Os campos de estudo distinguem-se pela extens&atilde;o e por tomar em considera&ccedil;&atilde;o a dimens&atilde;o hist&oacute;rica. Considerar-se-&aacute; suficiente comentar aqui a primeira parte distinguida. No que diz respeito aos campos de estudo (1&ordf; coluna), ao n&iacute;vel da unidade de trabalho, ser&atilde;o tomados em considera&ccedil;&atilde;o as situa&ccedil;&otilde;es de trabalho individuais quer se considere uma das fun&ccedil;&otilde;es confiadas ao trabalhador e por ele executadas, quer se considere o conjunto dessas mesmas fun&ccedil;&otilde;es. &Eacute; assim que se poder&atilde;o estudar as atividades de classifica&ccedil;&atilde;o ou de dactilografia de uma secret&aacute;ria ou ainda a organiza&ccedil;&atilde;o do conjunto das suas atividades. A unidade de trabalho (2&ordf; coluna) pode ser analisada sob o &acirc;ngulo comparativo ou diferencial: s&atilde;o ent&atilde;o tomadas em conta as caracter&iacute;sticas dos trabalhadores relativas &agrave; sua tarefa: (capacidade, n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o, experi&ecirc;ncia, interesse, personalidade, etc.). As metodologias encontram aqui fundamento na an&aacute;lise de grupos de sujeitos. </p>     <p> A unidade de trabalho &eacute; tamb&eacute;m analis&aacute;vel por liga&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho das quais se estudar&atilde;o os efeitos na organiza&ccedil;&atilde;o da atividade. Por condi&ccedil;&otilde;es de trabalho entender-se-&atilde;o aqui todas as condi&ccedil;&otilde;es exteriores aos trabalhadores &ndash; instru&ccedil;&otilde;es, regras de trabalho, condi&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, objetos e terminologia t&eacute;cnica, etc. &ndash; que s&atilde;o tidas em conta na conduta. Determinar-se-&aacute; o papel dessas condi&ccedil;&otilde;es fazendo-as variar nomeadamente segundo os m&eacute;todos de tipo experimental. </p>     <p> Enfim a unidade de trabalho &eacute; examin&aacute;vel no seu conjunto. Procurar-se-&aacute; caracterizar-lhe a estrutura e o funcionamento. Poder-se-&aacute; assim classificar a unidade em rela&ccedil;&atilde;o com tipologias variadas. Por exemplo poder-se-&atilde;o ordenar os postos de secret&aacute;rias segundo as compet&ecirc;ncias exigidas, os tipos de forma&ccedil;&atilde;o e os dispositivos t&eacute;cnicos postos &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> O estudo de cada um dos tr&ecirc;s tipos de problemas precedentes faz-se com refer&ecirc;ncia aos conhecimentos da disciplina da qual algumas categorias foram mencionadas (2&ordf; coluna) a t&iacute;tulo de exemplo. Correspondem aos recortes correntemente evocados e bem repertoriados. N&atilde;o s&atilde;o, bem entendido, independentes: por exemplo, as diferen&ccedil;as individuais podem incidir em aspetos percetivos. S&atilde;o ainda menos exaustivos. Aqui a sua &uacute;nica virtude &eacute; a de servir de ilustra&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Enfim uma terceira coluna menciona os tipos de interven&ccedil;&atilde;o suscet&iacute;veis de explorar os conhecimentos precedentes. Assim um estudo das caracter&iacute;sticas dos condutores de pesados num determinado contexto poder&aacute; ser explorado para melhorar o recrutamento ou definir melhores programas de forma&ccedil;&atilde;o. Mas a elabora&ccedil;&atilde;o de um procedimento de recrutamento e de forma&ccedil;&atilde;o far&aacute; tamb&eacute;m apelo a conhecimentos e compet&ecirc;ncias extra psicol&oacute;gicas (de gest&atilde;o, pedag&oacute;gicas, tecnol&oacute;gicas, etc.). </p>     <p> Os campos de estudo podem ser tamb&eacute;m constitu&iacute;dos por <i>conjuntos de unidades </i>mais ou menos extensas (equipa, servi&ccedil;o, atelier, por exemplo). Fala-se ent&atilde;o, frequentemente, de sistemas s&oacute;cio t&eacute;cnicos para assinalar que se trata de um conjunto de trabalhadores e de condi&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas (instala&ccedil;&otilde;es, material, regras de trabalho, etc.) em intera&ccedil;&atilde;o. Poderiam ainda ser examinadas sob os tr&ecirc;s aspetos antes mencionados. </p>     <p> Enfim, poder-se-iam considerar todas as unidades precedentes sob o ponto de vista <i>hist&oacute;rico</i> e estud&aacute;-los atrav&eacute;s da sua evolu&ccedil;&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O recorte apresentado no quadro I poderia ser facilmente afinado. As categorias que define n&atilde;o s&atilde;o independentes e representam de facto pontos de vista sobre uma mesma complexa realidade. Qualquer conduta pode ser referida a cada um dos campos definidos, mas estes ser&atilde;o mais ou menos pertinentes conforme os objetivos do estudo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Psicologia do trabalho e psicologia aplicada</b> </p>     <p> A psicologia do trabalho &eacute; comummente arrumada na psicologia aplicada e para muitos n&atilde;o ser&aacute; sen&atilde;o uma psicologia aplicada. Se por isso se entender que &eacute; orientada essencialmente para a solu&ccedil;&atilde;o de problemas pr&aacute;ticos teremos uma conce&ccedil;&atilde;o err&oacute;nea e truncada da psicologia do trabalho. Com efeito o que define ent&atilde;o a aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; a pesquisa de solu&ccedil;&otilde;es visando a satisfa&ccedil;&atilde;o de um certo n&uacute;mero de crit&eacute;rios fixados (impl&iacute;cita ou explicitamente) pelas pessoas que solicitam o estudo. No dom&iacute;nio do trabalho os crit&eacute;rios s&atilde;o de v&aacute;rios tipos: distinguem-se frequentemente os que dizem respeito muito diretamente ao <i>trabalhador</i> (seguran&ccedil;a, satisfa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, etc&hellip;.) e os que dizem respeito ao sistema <i>s&oacute;cio t&eacute;cnico</i> (quantidade e qualidade da produ&ccedil;&atilde;o, fiabilidade, etc&hellip;.). </p>     <p> Qualquer aplica&ccedil;&atilde;o implica a tomada em considera&ccedil;&atilde;o de alguns desses crit&eacute;rios de maneira mais ou menos expl&iacute;cita. Isso torna-se evidente nos estudos de valida&ccedil;&atilde;o de alguma seriedade. Encontrar-se-iam exemplos formalizados em Ombredane e Faverge (1955) e em Cronbach e Gleser (1957) a prop&oacute;sito de recrutamento e muitos outros em diversos dom&iacute;nios. A tradu&ccedil;&atilde;o destes crit&eacute;rios numa escala monet&aacute;ria permite trat&aacute;-los frequentemente em conjunto e coloca muito claramente o problema dos respetivos pesos a serem-lhes atribu&iacute;dos. N&atilde;o se pode escapar a este problema na aplica&ccedil;&atilde;o e a sua solu&ccedil;&atilde;o p&otilde;e inevitavelmente em jogo as rela&ccedil;&otilde;es sociais de for&ccedil;a. Com efeito os atores sociais n&atilde;o atribuem o mesmo peso relativo a esses crit&eacute;rios e a solu&ccedil;&atilde;o de compromisso &agrave; qual chegam &eacute; a express&atilde;o dessas rela&ccedil;&otilde;es. O psic&oacute;logo pode dizer (no melhor dos casos) que numa dada situa&ccedil;&atilde;o tal solu&ccedil;&atilde;o ter&aacute; tais consequ&ecirc;ncias (uma forma&ccedil;&atilde;o com tal categoria de sujeitos, tal m&eacute;todo, tal dura&ccedil;&atilde;o, alcan&ccedil;ar&aacute; tal tipo de compet&ecirc;ncia), com uma dada aproxima&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> A escolha da solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; de natureza psicol&oacute;gica visto que vai fazer intervir o custo da implementa&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o, a dificuldade do recrutamento, o benef&iacute;cio calculado do resultado para o indiv&iacute;duo e para a organiza&ccedil;&atilde;o, etc. A avalia&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia relativa desses elementos, indispens&aacute;vel para a escolha de uma solu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; de natureza psicol&oacute;gica. </p>     <p> O psic&oacute;logo, gra&ccedil;as aos seus conhecimentos, poder&aacute; esclarecer o debate social, mostrar consequ&ecirc;ncias das escolhas para os trabalhadores e para o sistema, mas n&atilde;o est&aacute; qualificado para definir a boa solu&ccedil;&atilde;o. </p>     <p> Na falta de tomar claramente consci&ecirc;ncia desses problemas certos psic&oacute;logos imputam &agrave; sua disciplina decis&otilde;es que dela n&atilde;o relevam. Retic&ecirc;ncias por vezes manifestadas a respeito da nossa especialidade t&ecirc;m frequentemente essa origem. Para mostrar qu&atilde;o vigilante se deve ser a este respeito referir-se-&aacute; a obra de Walther (1926). No pref&aacute;cio que nela redigiu, Clapar&egrave;de, de resto um bom psic&oacute;logo, permitiu-se escrever certo n&uacute;mero de reflex&otilde;es das quais o m&iacute;nimo que pode dizer-se &eacute; que se prestam a um sorriso. &laquo;Mais depressa talvez do que pensava, o Sr. Walther obt&eacute;m (&hellip;) resultados maravilhosos: &eacute; que a maneira de trabalhar de oper&aacute;rios e contramestres deixados por sua conta &eacute; ainda mais irracional do que se supunha!&raquo; &hellip; &laquo;O que nos interessa &eacute; sobretudo a rela&ccedil;&atilde;o entre o rendimento antes da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e o rendimento ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o do nosso perito psic&oacute;logo&raquo;. <b> </b>Segue-se um quadro &laquo;antes - depois&raquo; que Clapar&egrave;de comenta: &laquo;Como se v&ecirc; o rendimento &eacute; muito frequentemente duplicado ou triplicado &agrave;s vezes mesmo quintuplicado, at&eacute; mesmo sextuplicado! Estes n&uacute;meros (&hellip;) mostram melhor que longas frases o grande partido que o Sr. Walther soube tirar da organiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do trabalho&raquo;. Enfim, o Sr. Walther &eacute; louvado por ter sabido durante uma pr&aacute;tica de cinco anos &laquo;alcan&ccedil;ar a harmonia entre patr&otilde;es e oper&aacute;rios. Capaz de se colocar sob pontos de vista de uns e outros, aparentemente opostos, compreendeu que um trabalho digno desse nome n&atilde;o podia sen&atilde;o implicar uma estreita solidariedade dos seus interesses, por assim dizer divergentes, e obedecer em simult&acirc;neo &agrave;s exig&ecirc;ncias da natureza humana e &agrave;s da produ&ccedil;&atilde;o. O princ&iacute;pio da racionaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho refundido pelo calor de uma profunda simpatia pelo trabalhador, Taylor corrigido pela psicologia, - tal foi a obra benfazeja tanto quanto habilidosa do Sr. L&eacute;on Walther&raquo; (p. XII a XIV). Para escapar aos procedimentos habituais (e em geral err&oacute;neos) manifestos nas precedentes cita&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o fornecer uma vestimenta cient&iacute;fica a pr&aacute;ticas que visam outras finalidades, &eacute; preciso o esfor&ccedil;o de distinguir o que releva da psicologia e o que lhe &eacute; estranho. Com esta finalidade o psic&oacute;logo do trabalho deve proceder a um diagn&oacute;stico cuidadoso dos problemas que lhe prop&otilde;em estudar a fim de n&atilde;o desposar sem qualquer cr&iacute;tica a problem&aacute;tica de quem solicita os seus servi&ccedil;os. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Psicologia do trabalho e psicologia</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As rela&ccedil;&otilde;es da psicologia do trabalho com as aplica&ccedil;&otilde;es dela derivadas s&atilde;o as mesmas que as da psicologia com a psicologia aplicada e poder-se-ia muito bem falar de psicologia do trabalho fundamental e psicologia do trabalho aplicada. A psicologia do trabalho (fundamental) &eacute; parte integrante da psicologia. Como ela, visa determinar as condi&ccedil;&otilde;es de aquisi&ccedil;&atilde;o e de execu&ccedil;&atilde;o de condutas e as suas consequ&ecirc;ncias nas caracter&iacute;sticas do sujeito. As condutas pelas quais se interessa podem dar lugar a pesquisas te&oacute;ricas como pode acontecer com qualquer outro ramo. O psic&oacute;logo que estuda a maneira como um operador vigia e corrige o funcionamento de uma instala&ccedil;&atilde;o a partir de um quadro de controlo &agrave; dist&acirc;ncia pode faz&ecirc;-lo com os mesmos quadros te&oacute;ricos e os mesmos m&eacute;todos que o psic&oacute;logo que estuda em laborat&oacute;rio a resolu&ccedil;&atilde;o de um puzzle ou o jogo da torre de Han&oacute;i. </p>     <p> Pode sempre tentar-se assinalar o que d&aacute; especificidade &agrave; psicologia do trabalho no interior da psicologia. Contentar-nos-emos com esbo&ccedil;ar alguns tra&ccedil;os. As condutas pelas quais se interessam os psic&oacute;logos do trabalho s&atilde;o relacionadas com condi&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o por ele constru&iacute;das, mas que se lhe imp&otilde;em como ali&aacute;s se imp&otilde;em aos trabalhadores. Essas condutas, como j&aacute; vimos, relevam de m&uacute;ltiplos determinantes dos quais ser&aacute; sempre &uacute;til avaliar, pelo menos aproximadamente, o papel relativo ao come&ccedil;o de um estudo e da&iacute; a import&acirc;ncia frequentemente sublinhada da an&aacute;lise do trabalho. O psic&oacute;logo do trabalho ter&aacute; sempre a preocupa&ccedil;&atilde;o de tratar um verdadeiro problema no sentido em que o modelo de situa&ccedil;&atilde;o que prop&otilde;e d&aacute; conta de boa parte da varia&ccedil;&atilde;o do ou dos crit&eacute;rios que ter&aacute; escolhido para caracterizar o trabalho. &Eacute; preciso tamb&eacute;m n&atilde;o esquecer que as condutas estudadas se exercem em condi&ccedil;&otilde;es das quais muitas ser&atilde;o sempre dificilmente se n&atilde;o imposs&iacute;veis de reproduzir artificialmente (condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas, organizacionais, etc.). </p>     <p> Assim, as situa&ccedil;&otilde;es de trabalho apresentam um certo n&uacute;mero de caracter&iacute;sticas que n&atilde;o sendo completamente originais s&atilde;o todavia pouco abordadas na pesquisa psicol&oacute;gica tradicional: citar-se-&atilde;o alguns exemplos t&iacute;picos. </p>     <p> Os trabalhadores podem exercer a sua atividade numa mesma tarefa durante per&iacute;odos muito longos. Enquanto no laborat&oacute;rio uma aprendizagem dura no m&aacute;ximo umas horas, na empresa o exerc&iacute;cio de uma mesma tarefa pode prolongar-se por semanas, meses, at&eacute; mesmo anos. Os mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o da atividade podem ser profundamente transformados: por isso as habilidades e automatismos sens&oacute;rio motores e mentais v&atilde;o ganhar uma grande import&acirc;ncia. A sua elabora&ccedil;&atilde;o, funcionamento, a sua eventual degrada&ccedil;&atilde;o vai colocar problemas importantes que escapam com frequ&ecirc;ncia &agrave; psicologia de laborat&oacute;rio. </p>     <p> Outro exemplo de problemas originais colocados por situa&ccedil;&otilde;es de trabalho &eacute; o do papel desempenhado pelos fatores inerentes &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o. O meio social de trabalho e mais amplamente ainda o meio s&oacute;cio t&eacute;cnico condicionam as atitudes, as motiva&ccedil;&otilde;es e as condutas do trabalhador ou mesmo certos tra&ccedil;os da sua personalidade segundo mecanismos que s&atilde;o ainda insuficientemente conhecidos. H&aacute; a&iacute; um vasto campo aberto a uma pesquisa psicol&oacute;gica fundamental. </p>     <p> Evoquemos brevemente alguns outros casos que mereceriam investiga&ccedil;&otilde;es aprofundadas: as tarefas em tempo partilhado nas quais os operadores t&ecirc;m de organizar as suas atividades em fun&ccedil;&atilde;o de solicita&ccedil;&otilde;es variadas e mais ou menos imprevistas quanto ao momento em que surgem, as atividades levadas a cabo sob constrangimentos temporais estritos, os efeitos da idade, particularmente o envelhecimento profissional, etc. </p>     <p> A psicologia do trabalho coloca com agudeza e em diversos aspetos o problema do <i>reducionismo</i>. J&aacute; foi mencionado que qualquer situa&ccedil;&atilde;o de trabalho era analis&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o a m&uacute;ltiplos quadros de refer&ecirc;ncia: psicofisiol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos, psicossociol&oacute;gicos, podendo facilmente cada uma destas grandes divis&otilde;es ser detalhada. Ora qualquer pesquisa conduz necessariamente &agrave; escolha de um quadro de refer&ecirc;ncia particular e a negligenciar por isso mesmo todas as outras com todas as consequ&ecirc;ncias que isso arrasta. Assim, se se estudam os automatismos nos trabalhadores em cadeia, os grupos de refer&ecirc;ncia que tenderiam a ser escolhidos para ensaiar as hip&oacute;teses formuladas sobre este tema n&atilde;o ser&atilde;o os mesmos que se definiriam se o interesse nesse mesmo trabalho fosse o problema da motiva&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores ou o papel da origem desses trabalhadores (nacionalidade, n&iacute;vel cultural, idade, etc.) ou o da organiza&ccedil;&atilde;o na qual se inserem. O efeito desta redu&ccedil;&atilde;o, inerente a qualquer estudo de psicologia, ser&aacute; sempre uma preocupa&ccedil;&atilde;o para a psicologia do trabalho. Ser&aacute; uma das fun&ccedil;&otilde;es importantes da an&aacute;lise psicol&oacute;gica do trabalho, avali&aacute;-lo. O diagn&oacute;stico ao qual conduz tentar&aacute; determinar o papel que podem desempenhar na conduta os diferentes sistemas de vari&aacute;veis nas quais se insere. </p>     <p> O investigador vai reencontrar este problema logo que pretenda transpor para o laborat&oacute;rio um aspeto da situa&ccedil;&atilde;o para lhe estudar os mecanismos com maior precis&atilde;o. &Eacute; ent&atilde;o necessariamente levado a examinar as rela&ccedil;&otilde;es do seu modelo da situa&ccedil;&atilde;o com a pr&oacute;pria situa&ccedil;&atilde;o e isto sob dois &acirc;ngulos: a situa&ccedil;&atilde;o experimental &eacute; mesmo o modelo do aspeto da situa&ccedil;&atilde;o pela qual se interessa, e qual fra&ccedil;&atilde;o das varia&ccedil;&otilde;es da conduta na situa&ccedil;&atilde;o de base &eacute; explicada pelo mecanismo estudado na situa&ccedil;&atilde;o modelo. Estes problemas s&atilde;o frequentemente evocados em psicologia do trabalho sob o t&iacute;tulo de <i>simula&ccedil;&atilde;o</i> ou, no sentido mais lato, de rela&ccedil;&otilde;es &laquo;terreno/laborat&oacute;rio&raquo; (Leplat, 1973, 1978). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>A evolu&ccedil;&atilde;o da psicologia do trabalho</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Terminar&aacute; este apanhado apresentando alguns tra&ccedil;os da evolu&ccedil;&atilde;o da psicologia do trabalho no decurso destes &uacute;ltimos anos. Alguns deles podem ser recolhidos concretamente do exame comparativo do conte&uacute;do dos manuais atuais e do de outros de uns anos atr&aacute;s. Bom exemplo disso &eacute;-nos fornecido pelas tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es sucessivas do manual de Tiffin. O tratado de Dunnette (1976) sugere outros na sua Introdu&ccedil;&atilde;o. O exame das revistas &eacute; igualmente significativo. </p>     <p><b> <i> Diferencia&ccedil;&atilde;o e especializa&ccedil;&atilde;o no interior da psicologia do trabalho </i></b> </p>     <p> Como assinalamos num cap&iacute;tulo do <i>Trait&eacute; de Psychologie appliqu&eacute;e</i> (1972) a evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se assinala tanto pela natureza de novos campos como por uma import&acirc;ncia menos desigual atribu&iacute;da a cada um dos existentes. Assim, os estudos diferenciais conduzidos na base de testes que constitu&iacute;am o essencial dos antigos manuais veem reduzir-se o seu espa&ccedil;o enquanto o da psicologia ergon&oacute;mica e o da psicologia das organiza&ccedil;&otilde;es cresceu muito. As compara&ccedil;&otilde;es tornaram-se ali&aacute;s frequentemente dif&iacute;ceis em virtude da especializa&ccedil;&atilde;o das obras e das revistas. A psicologia ergon&oacute;mica e a psicologia das organiza&ccedil;&otilde;es para n&atilde;o citar sen&atilde;o estes dois ramos particularmente ativos criaram os seus pr&oacute;prios manuais e as suas revistas (Ergonomics, Human Factors, Organizational Behavior and Human performance, etc.). </p>     <p> Em Fran&ccedil;a a evolu&ccedil;&atilde;o de revistas como o Bulletin du CERP e o Travail Humain mostra bem o &laquo;reequil&iacute;brio&raquo; dos diferentes ramos da psicologia do trabalho. A evolu&ccedil;&atilde;o parece mais lenta ao n&iacute;vel das pr&aacute;ticas da psicologia mas faltam dados estat&iacute;sticos precisos para essa avalia&ccedil;&atilde;o. A &uacute;ltima parte deste n&uacute;mero especial fornecer&aacute; algumas indica&ccedil;&otilde;es sobre esse ponto. </p>     <p> <b> <i>Lugar acrescido da teoria </i></b> </p>     <p> Se os grandes mestres da psicologia do trabalho sempre a ancoraram em s&oacute;lidas bases te&oacute;ricas, houve todavia um longo per&iacute;odo de que n&atilde;o sa&iacute;mos completamente, durante o qual as t&eacute;cnicas acabaram por se desenvolver ou ainda muito simplesmente se perpetuaram perdendo os respetivos fundamentos. Foi o desenvolvimento do mais puro empirismo no sentido <i>pobre</i> do termo. Certos usos dos testes transportam o testemunho desse per&iacute;odo. </p>     <p> Os &uacute;ltimos anos, em compensa&ccedil;&atilde;o, viram afirmar-se a preocupa&ccedil;&atilde;o de voltar a ligar os estudos a quadros te&oacute;ricos dos quais uns s&atilde;o os da psicologia e outros s&atilde;o mais espec&iacute;ficos do campo do trabalho. Esse movimento mesmo que n&atilde;o tenha ainda toda a amplitude desej&aacute;vel &eacute; encorajado pelo interesse que t&ecirc;m os psic&oacute;logos, mais orientados para os aspetos te&oacute;ricos gerais, pelos problemas do trabalho. O mesmo sucede com o desenvolvimento de novas tecnologias que levanta problemas que o empirismo e as t&eacute;cnicas correntes n&atilde;o podem resolver de maneira satisfat&oacute;ria: imp&otilde;e-se ent&atilde;o o recurso a quadros de an&aacute;lise assentes em boas teorias. </p>     <p> Entre os outros fatores ou sinais deste lugar crescente dos aspetos te&oacute;ricos &eacute; necess&aacute;rio citar a melhoria da forma&ccedil;&atilde;o de base dos psic&oacute;logos, o desenvolvimento (embora t&iacute;mido, lamentavelmente) do ensino da psicologia do trabalho no meio universit&aacute;rio e enfim as comunica&ccedil;&otilde;es mais numerosas entre sociedades ou sec&ccedil;&otilde;es de psicologia geral e do trabalho. Os congressos internacionais da Association de Psychologie scientifique e os da Association internationale de Psychologie apliqu&eacute;e mostram frequentemente que os mesmos psic&oacute;logos s&atilde;o suscet&iacute;veis de abordar os problemas do trabalho sob o prisma da pr&aacute;tica no caso dos primeiros ou sob o prisma da teoria no caso dos segundos. No cap&iacute;tulo introdut&oacute;rio do seu recente tratado, Dunnette (1976) confirma aquelas asser&ccedil;&otilde;es: &laquo;As mudan&ccedil;as no campo da psicologia industrial e das organiza&ccedil;&otilde;es no &uacute;ltimo quarto de s&eacute;culo aparecem de modo surpreendente na compara&ccedil;&atilde;o de dois manuais. O manual de 1950 (Fryer &amp; Henry) era quase exclusivamente um manual de pr&aacute;ticas pondo a t&oacute;nica nas t&eacute;cnicas e nas aplica&ccedil;&otilde;es e dedicando pouca aten&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa e &agrave; metodologia da pesquisa e nenhuma aten&ccedil;&atilde;o a qualquer teoria do comportamento individual ou da organiza&ccedil;&atilde;o. Por contraste, o presente manual acentua notoriamente as estrat&eacute;gias e a metodologia da pesquisa, as teorias do comportamento e d&aacute; um forte relevo &agrave;s caracter&iacute;sticas e ao impacto das for&ccedil;as e influ&ecirc;ncias s&oacute;cio psicol&oacute;gicas que impliquem processos de intera&ccedil;&atilde;o entre as organiza&ccedil;&otilde;es e as pessoas &hellip;)&raquo; (p. 2-8). </p>     <p> Este maior espa&ccedil;o aberto aos fundamentos te&oacute;ricos da disciplina encontra-se tamb&eacute;m no modo como s&atilde;o apresentadas as metodologias pr&aacute;ticas de interven&ccedil;&atilde;o. Enquanto que no passado elas tinham frequentemente assumido o papel de receitas s&atilde;o agora cada vez mais oriundas &laquo;de conhecimentos desenvolvidos a partir de pesquisas e de temas&raquo; (Dunnette 1976, p. 8). As suas condi&ccedil;&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o assim mais bem explicitadas e o seu uso &eacute; mais flex&iacute;vel. </p>     <p> <b> <i>Diagn&oacute;stico dos problemas precedentes da interven&ccedil;&atilde;o </i></b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Parece enfim que se pode discernir uma evolu&ccedil;&atilde;o na maneira como os estudos s&atilde;o definidos. O psic&oacute;logo, parece mais - e mais frequentemente que no passado - convidado a resolver um problema do que a aplicar uma t&eacute;cnica ou p&ocirc;r a andar uma determinada interven&ccedil;&atilde;o. Esta evolu&ccedil;&atilde;o &eacute; muito positiva e sem d&uacute;vida favorecida pelo alargamento das suas compet&ecirc;ncias tal como pelo progresso da disciplina. Disso encontramos tra&ccedil;os em obras recentes Laville (1976), Leplat e Cuny (1977), Duraffourg e colegas (1978). </p>     <p> Estando associado ao diagn&oacute;stico dos problemas o psic&oacute;logo pode escapar ao papel de t&eacute;cnico &ndash; no sentido de aplicador de t&eacute;cnicas determinadas &ndash; ao qual estava frequentemente confinado quando lhe solicitavam tipos de interven&ccedil;&atilde;o (recrutamento, forma&ccedil;&atilde;o, por exemplo) dos quais n&atilde;o tinha que avaliar a pertin&ecirc;ncia. Procedendo assim pode ter uma vis&atilde;o mais clara do alcance da sua a&ccedil;&atilde;o e assegurar-se de que corresponde bem &agrave; que lhe atribui, particularmente no plano social. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Conclus&atilde;o</b> </p>     <p> A psicologia do trabalho tem, portanto, um des&iacute;gnio te&oacute;rico e um pr&aacute;tico a distinguir e a articular ao mesmo tempo. Os autores que refletiram sobre o estatuto da disciplina sublinharam esse car&aacute;cter e essa necessidade (por exemplo Rodger, 1949; Dubin, 1976). Os des&iacute;gnios te&oacute;rico e pr&aacute;tico podem ter pesos diferentes num estudo ou numa interven&ccedil;&atilde;o segundo os objetivos e as condi&ccedil;&otilde;es dos mesmos. Podem tamb&eacute;m revestir pondera&ccedil;&otilde;es diferentes conforme o papel dos psic&oacute;logos nas institui&ccedil;&otilde;es em que exercem as suas atividades. Mas em todos os casos a intera&ccedil;&atilde;o entre os dois des&iacute;gnios &eacute; essencial. A investiga&ccedil;&atilde;o, de facto dificilmente pode ignorar o alcance pr&aacute;tico das teorias e dos modelos que ela elabora e o mesmo sucede com os aspetos psicol&oacute;gicos das interven&ccedil;&otilde;es no terreno. Do mesmo modo o praticante n&atilde;o pode desprezar sem inconvenientes as teorias ou pelo menos os quadros conceptuais oferecidos pela sua disciplina. Esta intera&ccedil;&atilde;o entre os dois des&iacute;gnios &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o de progresso nos dois casos. A teoria e os modelos da psicologia ajudar&atilde;o a interrogar as situa&ccedil;&otilde;es de trabalho e inversamente essas mesmas situa&ccedil;&otilde;es poder&atilde;o interrogar essas teorias e esses modelos e contribuir para delimitar o seu campo de pertin&ecirc;ncia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <p>Cronbach, J.L. &amp; Gleser, G.C. (1957). <i>Psycho&shy;logical tesis and personnal decisions</i>. University of Illinois Prese, Urbana. </p>     <p> Dubin, R. (1976). Theory building in applied areas (p. 1740), ln M. D. Dunette, <i>Handbook of industrial and organizational psychology</i>. Chicago: Rand Mac Nally College Publishing Company. </p>     <!-- ref --><p>Dunette, M.D. (1976). <i>Handbook of industrial and organizational psychology.</i> Chicago: Rand Mac Nally College Publishing Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637723&pid=S1646-5237202000010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Duraffourg, J., Guerin, F., Jankowky, F., Mascot, J.C. (1977). Analyse des activit&eacute;s de l'homme en situation de travail. <i>Doc du Laboratoire de Physiologie du Travail - Ergonomie</i> du C.N.A.M.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637725&pid=S1646-5237202000010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Friedmann, G. (1976). Ou va le travai! humain? <i>Le Monde</i> (10-1-1976).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637727&pid=S1646-5237202000010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Laville, A. (1976). <i>L'Ergonomie.</i> Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637729&pid=S1646-5237202000010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p> Leplat, J. (1972). La Psychologie du travail en ergonomie (pp. 61-136). ln M. Reuchlin, <i>Trait&eacute; de Psychologie Appliqu&eacute;e.</i> Paris: PUF. </p>     <p> Leplat, J. (1973). La m&eacute;thode exp&eacute;rimentale en psychologie appliqu&eacute;e. (pp. 19-62). ln M. Reuchlin, <i>Trait&eacute; de Psychologie Appliqu&eacute;e. Tome II</i>. Paris: PUF. </p>     <!-- ref --><p> Leplat, J. (1978). L'&eacute;quivalence des situations de laboratoire et de terrain. <i>Le Travail Humain, 41, 2</i>, 307-318.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637733&pid=S1646-5237202000010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Leplat, J. &amp; Cuny, X. (1977). <i>lntroduction &agrave; la Psychologie du Travail</i>. Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637735&pid=S1646-5237202000010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Leontiev, A. (1976). <i>Le d&eacute;veloppement du psychisme.</i> Paris: Editions Sociales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637737&pid=S1646-5237202000010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Ombredane, A. &amp; Faverge, J.M. (1955). <i>L'analyse du travail</i>. Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637739&pid=S1646-5237202000010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Reuchlin, M. (1971) <i>Trait&eacute; de Psychologie Appliqu&eacute;e.</i> Tome 1, Les applications de la psychologie. Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637741&pid=S1646-5237202000010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Rodger, A. (1949). What is industrial psychology. <i>Occupational Psychology</i>, <i>XXIII, 3</i>, 170-180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637743&pid=S1646-5237202000010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tiffin, J. &amp; Mc Cormick, E. J. (1967). <i>Psychologie industrielle</i>. Paris: PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637745&pid=S1646-5237202000010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Wallon, H. (1946). <i>Principes de psychologie appliqu&eacute;e.</i> Paris: A. Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637747&pid=S1646-5237202000010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Walther, L. (1946). <i>La psychologie du travail</i>. Geneve: Ed. du Mt Blanc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1637749&pid=S1646-5237202000010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Notas</b> </p>     <p> [<a name="1"></a><a href="#top1">1</a>] NT: O Diretor da publica&ccedil;&atilde;o <i>Bulletin de psychologie</i> autorizou a reprodu&ccedil;&atilde;o e tradu&ccedil;&atilde;o deste artigo de Leplat. </p>     ]]></body>
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