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</front><body><![CDATA[ <p align="right" target="_blank"> <b>DAT&Aacute;RIO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="left" target="_blank">     <p>     <p><b> Pandemias e (des)encontros com o trabalho </b></p>     <p><b>Pandemias y (des)encuentros con el trabajo </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Liliana Cunha</b> </p>     <p> Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto. Centro de Psicologia da Universidade do Porto, ua Alfredo Allen s/n 4200-135 Porto, Portugal lcunha@fpce.up.pt </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p> Os dois textos que nos d&aacute; a ler a rubrica Dat&aacute;rio deste n&uacute;mero de Laboreal assinalam na sua reflex&atilde;o o acontecimento talvez mais marcante das nossas vidas coletivas, em 2020 - a crise sanit&aacute;ria por Covid-19. </p>     <p> A arqueologia do conhecimento sobre esta pandemia e os seus impactos encontra-se em constru&ccedil;&atilde;o, e em movimento no tempo. Permanece em aberto o alcance de todo o seu devir hist&oacute;rico. Mas, que hist&oacute;ria podemos/queremos construir? Qual o lugar e que encontros com o trabalho reserva esta hist&oacute;ria? </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. </b> <b>Encontros produzidos pela crise pand&eacute;mica com o trabalho </b> </p>     <p> Os indicadores de an&aacute;lise da pandemia t&ecirc;m evolu&iacute;do para a melhor compreender. Come&ccedil;am a desvelar-se, mas estamos ainda a apreend&ecirc;-los. </p>     <p> Apesar da aus&ecirc;ncia do trabalho nas estat&iacute;sticas oficiais - com dados discriminados, por exemplo, por profiss&atilde;o, estatuto de emprego, condi&ccedil;&otilde;es de trabalho -, manifesta em v&aacute;rios pa&iacute;ses da UE (ETUI, 2020), a sua refer&ecirc;ncia imp&otilde;e-se. As rela&ccedil;&otilde;es entre o trabalho, o territ&oacute;rio, e o Bem Comum encontram, no cen&aacute;rio atual de crise, um espa&ccedil;o de visibilidade sem precedentes. </p>     <p> Podemos falar, a t&iacute;tulo de exemplo, da emerg&ecirc;ncia de surtos em alguns contextos de trabalho, ou em determinados clusters industriais, onde a atividade laboral tem sido mantida - como foi o caso, em Portugal, mais recentemente, das restri&ccedil;&otilde;es &agrave; mobilidade impostas nos concelhos de Felgueiras, Lousada e Pa&ccedil;os de Ferreira, a que n&atilde;o ser&aacute; alheio o facto de estes serem territ&oacute;rios de forte express&atilde;o de atividade industrial - no setor do cal&ccedil;ado, do vestu&aacute;rio, e do mobili&aacute;rio, respetivamente. Mas, tamb&eacute;m, dos exemplos de empresas e de trabalhadores/as que reorientaram a sua atividade para dar resposta &agrave;s necessidades locais de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual dos profissionais de sa&uacute;de (o caso de uma empresa de bebidas que fez uso do &aacute;lcool da produ&ccedil;&atilde;o de cerveja para a produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;lcool gel para as m&atilde;os, ou de empresas t&ecirc;xteis, que passaram a produzir batas e m&aacute;scaras, para citar s&oacute; alguns exemplos). S&atilde;o micro-iniciativas que transformam as trocas, os debates, as intera&ccedil;&otilde;es no e pelo trabalho (Coutarel &amp; al., 2020). N&atilde;o resultam da a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, mas protagonizam um verdadeiro debate com o Bem Comum. </p>     <p> Estes diferentes tipos de encontros produzidos pela crise pand&eacute;mica com o trabalho - desde a sua conce&ccedil;&atilde;o como fonte de contamina&ccedil;&atilde;o, &agrave; sua afirma&ccedil;&atilde;o como atividade social - revelam como o seu compromisso na gest&atilde;o da vida coletiva &eacute; feito de escolhas e de cria&ccedil;&atilde;o de alternativas. Face &agrave;s normas estritas da gest&atilde;o pelo mercado, que margem de manobra foi e &eacute; reservada ao debate sobre a evolu&ccedil;&atilde;o dos usos de si no trabalho (Schwartz, 2020), &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, e &agrave; sua redefini&ccedil;&atilde;o face aos horizontes da vida social? </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Esta &eacute; uma quest&atilde;o central que releva do contributo do texto de Jairo Luna e Maur&iacute;cio Torres Tovar. A par de uma refer&ecirc;ncia espec&iacute;fica &agrave; realidade colombiana, os autores situam estas quest&otilde;es no plano mais global, como se partes da hist&oacute;ria de evolu&ccedil;&atilde;o desta pandemia se repetissem, e encontrassem eco em diferentes geografias. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b> 2. Um outro di&aacute;logo com o trabalho para al&eacute;m das urg&ecirc;ncias do presente </b> </p>     <p> Desde o in&iacute;cio da crise pand&eacute;mica, um legado de novos termos passou a entrar em circula&ccedil;&atilde;o na linguagem coletiva. Fala-se de servi&ccedil;os ditos &ldquo;essenciais&rdquo;; de profissionais da &ldquo;linha da frente&rdquo;; &hellip; E fala-se muito mais de teletrabalho [<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>]. </p>     <p> O seu uso j&aacute; normalizado n&atilde;o &eacute; isento de ambiguidade. O reconhecimento p&uacute;blico de algumas atividades profissionais ditas agora &ldquo;essenciais&rdquo; &eacute; paradoxal face &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de emprego dos/as seus/as protagonistas - atividades ocupadas frequentemente por mulheres, enquadradas em segmentos de emprego mais fr&aacute;geis, com estatutos prec&aacute;rios (ILO, 2020), sob maior amea&ccedil;a de descontinuidade do percurso profissional, em condi&ccedil;&otilde;es que pouco permitem negociar formas de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho alternativas. </p>     <p> Mesmo estando &ldquo;na linha da frente&rdquo;, o conhecimento que temos do real da atividade de muitos/as destes/as trabalhadores/as n&atilde;o desvanece as fronteiras entre o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel. O acesso ao que est&aacute; por detr&aacute;s desta &ldquo;linha invis&iacute;vel&rdquo;, requer a escuta do seu ponto de vista, e dos debates que atravessam as suas atividades de trabalho. </p>     <p> Ora, as medidas de preven&ccedil;&atilde;o definidas, seguindo uma abordagem essencialmente higienista, prescritas na maioria dos casos em total desader&ecirc;ncia face ao real do trabalho, sem consulta e sem negocia&ccedil;&atilde;o com os que exercem a atividade face &agrave;s exig&ecirc;ncias que ela imp&otilde;e, revelam-se claramente insuficientes ou inaplic&aacute;veis. E a imposi&ccedil;&atilde;o destas medidas de forma transversal, n&atilde;o nos permite saber, ainda assim, como est&atilde;o a ser reapropriadas nos locais de trabalho. </p>     <p> Esta invisibilidade &eacute; tamb&eacute;m patente junto daqueles que se mant&ecirc;m em regime de teletrabalho. Como se faz a avalia&ccedil;&atilde;o de riscos nessas situa&ccedil;&otilde;es? Se os riscos associados ao trabalho permanecem, neste caso, na esfera privada, fica a sua gest&atilde;o sob o &oacute;nus da responsabilidade de cada um? </p>     <p> O recuo de determinados direitos e da a&ccedil;&atilde;o coletiva, como discute o texto de Jairo Luna e Maur&iacute;cio Torres Tovar, faz antecipar alguns dos impactos que a crise pand&eacute;mica atual come&ccedil;a a revelar. Ao mesmo tempo, a atividade n&atilde;o pode ser subtra&iacute;da desta an&aacute;lise, sob pena de se subdimensionar os seus debates, e de se atribuir um estatuto residual &agrave;s alternativas que prop&otilde;e, atuais ou potenciais. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>3. A hist&oacute;ria repete-se&hellip; mas, pode ser reescrita</b> </p>     <p> Pensar o futuro p&oacute;s-pandemia, sup&otilde;e que a sua aprendizagem fa&ccedil;a hist&oacute;ria. O que aprendemos com outras pandemias? H&aacute; um lugar para o trabalho na hist&oacute;ria de outras pandemias? Foi este o mote da reflex&atilde;o do texto de Maria da Luz Sampaio, a partir de uma incurs&atilde;o na &uacute;ltima pandemia, de 1918/19 - a &ldquo;Pneum&oacute;nica&rdquo; -, como &eacute; conhecida em Portugal. </p>     <p> A hist&oacute;ria de cada pandemia e das vidas que ela atravessa &eacute;, claro, sempre singular, e n&atilde;o se compadece com nenhum tipo de compara&ccedil;&otilde;es, de nenhum tipo. A falta de dados sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre a crise sanit&aacute;ria da altura (h&aacute; cem anos atr&aacute;s!) e o trabalho n&atilde;o nos surpreende, talvez. </p>     <p> Mas, n&atilde;o ser&aacute; o momento atual oportuno para repensar a delimita&ccedil;&atilde;o entre as quest&otilde;es de sa&uacute;de no trabalho e de sa&uacute;de p&uacute;blica? Para pensar a preven&ccedil;&atilde;o numa l&oacute;gica mais compreensiva, do que prescritiva, reconhecendo que as normas de seguran&ccedil;a, e designadamente o uso de EPI, n&atilde;o podem ser perspetivadas em exterioridade face &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es concretas de trabalho? Para convocar o trabalho e os seus atores na conce&ccedil;&atilde;o do futuro? </p>     <p> Nesta rubrica &ldquo;Dat&aacute;rio&rdquo;, n&atilde;o se procura contar a Hist&oacute;ria como sobrevoando a vida de cada um/a, sem que cada um/a possa dela tomar parte. E o apelo permanece: reivindicar o lugar do trabalho na hist&oacute;ria desta pandemia, e do seu contributo para o que dela podemos apre(e)nder. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b> </p>     <p> Coutarel, F. Pueyo, V., Lacomblez, M., Delgoulet, C., Barthe, B., Po&egrave;te, V., Garrigou, A., Dugu&eacute;, B., Blatter, C., Grunstein, A., Liehrmann, E., Michez, B., Negroni, P., &amp; Thomas, C. (2020). Crisis sanitaria y crisis del trabajo: &iquest;una oportunidad en el caos? <a href="https://revistas.ucm.es/index.php/STRA/index"" target="_blank">https://revistas.ucm.es/index.php/STRA/index </a> <i>Sociolog&iacute;a del Trabajo</i> <i>, </i> 17-21, <a href="https://doi.org/10.5209/stra.70687" target="_blank"> https://doi.org/10.5209/stra.70687 </a> </p>     <!-- ref --><p> ILO (2020). The COVID-19 response: Getting gender equality right for a better future for women at work. Geneva: International Labour Office. <a         href="https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---dgreports/--gender/documents/publication/wcms_744685.pdf" target="_blank"> https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---dgreports/--gender/documents/publication/wcms_744685.pdf </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1642066&pid=S1646-5237202000020001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> ILO-Eurofound (2017). <i>Working anytime, anywhere: the effects on the world of work</i>. Luxembourg: Publications Office of the European Union and Geneva: International Labour Office <a         href="https://www.eurofound.europa.eu/publications/report/2017/working-anytime-anywhere-the-effects-on-the-world-of-work" target="_blank"> https://www.eurofound.europa.eu/publications/report/2017/working-anytime-anywhere-the-effects-on-the-world-of-work </a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1642067&pid=S1646-5237202000020001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Schwartz, Y. (2020). Activit&eacute;(s) et usages de soi : quel(s) &lsquo;milieux&rsquo; pour l&rsquo;humain ? <i>Les &Eacute;tudes philosophiques</i>, <i>201</i>, 93-123. <a         href="https://www.cairn.info/revue-les-etudes-philosophiques-2020-1-page-93.htm"     > https://www.cairn.info/revue-les-etudes-philosophiques-2020-1-page-93.htm </a> <i></i> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Notas </b> </p>     <p> [<a name="1"></a><a href="#top1">1</a>] O teletrabalho n&atilde;o &eacute; tribut&aacute;rio desta pandemia, como &eacute; notado pelo Acordo-Quadro Europeu sobre Teletrabalho, de 16 de julho de 2002 (ILO-Eurofound, 2017), pese embora a sua maior express&atilde;o seja dela efeito. </p>      ]]></body><back>
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