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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[2020: A pandemia da Covid-19 e o mundo do trabalho: um olhar a partir dos setores subalternos]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[2020: Pandemia por covid-19 y mundo del trabajo: una mirada desde los sectores subalternos]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right" target="_blank"> <b>DAT&Aacute;RIO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="left" target="_blank">     <p>     <p><b> 2020: A pandemia da Covid-19 e o mundo do trabalho: um olhar a partir dos setores subalternos</b> </p>     <p><b> 2020: Pandemia por covid-19 y mundo del trabajo: una mirada desde los sectores subalternos</b></p>     <p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Jairo Ernesto Luna-Garc&iacute;a [1], Mauricio Torres-Tovar [2]</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[1] Grupo Salud Ambiental y Laboral - Doctorado Interfacultades en Salud P&uacute;blica Universidad Nacional de Colombia Morada postal / Direcci&oacute;n postal Cra 45, Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia <a href="mailto:jelunag@unal.edu.co">jelunag@unal.edu.co</a> </p>     <p>[2] Grupo Salud Ambiental y Laboral - Doctorado Interfacultades en Salud P&uacute;blica Universidad Nacional de Colombia Morada postal / Direcci&oacute;n postal Cra 45, Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia <a href="mailto:mhtorrest@unal.edu.co">mhtorrest@unal.edu.co</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr>     <p> Ap&oacute;s um ciclo de confer&ecirc;ncias com oradores de diversas regi&otilde;es do mundo [<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>] que abordaram como tema central a situa&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de dos trabalhadores e trabalhadoras em tempos de pandemia, h&aacute; espa&ccedil;o para algumas reflex&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao impacto da pandemia da Covid-19 no mundo do trabalho e a resposta que as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais t&ecirc;m vindo a dar a esta situa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b> 1. Uma experi&ecirc;ncia global: nem todos atravessam a tempestade no mesmo barco </b> </p>     <p> Um primeiro elemento a salientar &eacute; a r&aacute;pida propaga&ccedil;&atilde;o que teve esta pandemia e o amplo grau de afeta&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios e das popula&ccedil;&otilde;es, revelando-se numa experi&ecirc;ncia partilhada praticamente pelo conjunto dos membros da esp&eacute;cie humana. </p>     <p> Contudo, os diferentes grupos sociais n&atilde;o vivenciam da mesma maneira a atual situa&ccedil;&atilde;o, verificando-se grandes diferen&ccedil;as no Norte Global relativamente ao Sul Global. Ainda que a manifesta&ccedil;&atilde;o da pandemia exprima, num primeiro momento, as centralidades e os v&iacute;nculos internacionais, em que os portadores ativos se encontram nos setores mais estreitamente ligados &agrave; mobilidade internacional (sobretudo a&eacute;rea), grupo em que h&aacute; uma maior representa&ccedil;&atilde;o de elites, foram os setores subalternos os mais fortemente afetados ap&oacute;s a instala&ccedil;&atilde;o da pandemia nos territ&oacute;rios. </p>     <p> Deste modo, a pandemia p&otilde;e a nu as desigualdades resultantes da divis&atilde;o internacional do trabalho, mas tamb&eacute;m as derivadas das estruturas classistas, sexistas e racistas, que resultam numa maior mortalidade entre as pessoas dos setores empobrecidos, tanto no Norte como no Sul do planeta, ainda que com maior gravidade neste &uacute;ltimo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b> 2. A pandemia e o mundo do trabalho: a tecnologia e as desigualdades que se aprofundam </b> </p>     <p> N&atilde;o obstante se sustente que a a&ccedil;&atilde;o face &agrave; pandemia tem sido desigual nos diferentes pa&iacute;ses e que houve uma atitude de nega&ccedil;&atilde;o entre os empres&aacute;rios e os governos que incidiu no atraso na ado&ccedil;&atilde;o de medidas de interven&ccedil;&atilde;o, apresentando-se este problema com maior gravidade em alguns destes pa&iacute;ses, existe uma grande similitude no tipo de respostas face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. Particularmente nos per&iacute;odos de quarentena, a segmenta&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora de acordo com as suas condi&ccedil;&otilde;es de emprego e a possibilidade de adaptar a atividade laboral &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (trabalho &agrave; dist&acirc;ncia), mostra condi&ccedil;&otilde;es muito distintas: </p>     <p> Em primeiro lugar, grandes grupos de trabalhadores e trabalhadoras da economia informal do Sul Global foram confrontados com o dilema de cumprir as medidas de isolamento e ficarem sujeitos a condi&ccedil;&otilde;es de fome, face &agrave; aus&ecirc;ncia ou &agrave; cobertura limitada de programas de prote&ccedil;&atilde;o social que pudessem garantir a satisfa&ccedil;&atilde;o das suas necessidades durante o confinamento. </p>     <p> Em segundo lugar, os trabalhadores em situa&ccedil;&atilde;o de emprego formal foram classificados como trabalhadores essenciais e n&atilde;o essenciais, apesar do apelo de um grupo de peritos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para considerar todos os trabalhadores como essenciais, reconhecendo a import&acirc;ncia do trabalho para a exist&ecirc;ncia da sociedade. As medidas de prote&ccedil;&atilde;o para os que continuaram a trabalhar durante a quarentena variam consideravelmente entre o Norte e o Sul Global. Do mesmo modo, o regresso ao trabalho dos trabalhadores considerados n&atilde;o essenciais ap&oacute;s o abrandamento das medidas de confinamento, apresenta tamb&eacute;m condi&ccedil;&otilde;es muito dissemelhantes nas duas regi&otilde;es, sempre em detrimento dos que vivem na regi&atilde;o do planeta com os n&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o mais elevados. </p>     <p> Em terceiro lugar, uma parte importante das atividades laborais do planeta foi realizada remotamente ou a partir de casa durante este per&iacute;odo, afetando de maneira ostensiva a rela&ccedil;&atilde;o trabalho-fam&iacute;lia. Os estudos que foram levados a cabo em alguns pa&iacute;ses fazem refer&ecirc;ncia a fen&oacute;menos de extens&atilde;o e intensifica&ccedil;&atilde;o das atividades laborais, frequentemente sem que tenha sido apresentada a adequa&ccedil;&atilde;o dos postos de trabalho ou o fornecimento de elementos por parte dos empregadores. Aqui, tamb&eacute;m os recursos com os quais os trabalhadores e as trabalhadoras contam manifestam as diferen&ccedil;as nas condi&ccedil;&otilde;es de vida entre regi&otilde;es, pa&iacute;ses, zonas urbanas e rurais, e classes sociais, sendo que as desigualdades s&atilde;o por sua vez incrementadas como resultado das solicita&ccedil;&otilde;es derivadas do encerramento dos espa&ccedil;os educativos e de cuidados, situa&ccedil;&atilde;o que vai gerar uma sobrecarga, especialmente para as mulheres. </p>     <p> Por &uacute;ltimo, tornou-se evidente a exist&ecirc;ncia de uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o que &eacute;, em grande medida, prescind&iacute;vel para o funcionamento da economia capitalista, as pessoas que se encontram em situa&ccedil;&otilde;es mais prec&aacute;rias e que desenvolvem atividades presenciais n&atilde;o essenciais, onde o desemprego e a diminui&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica dos rendimentos se generalizou. Para este grupo, a pandemia teve os maiores custos em termos de sofrimento e perda de vidas e prova como foram pouco eficazes os apelos vazios &agrave; solidariedade internacional e o grande desprezo do capital por aqueles que n&atilde;o lhe s&atilde;o rent&aacute;veis. A express&atilde;o de alguns poucos protestos sociais n&atilde;o se compadece com a gravidade da situa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>3. A resposta da for&ccedil;a de trabalho: o papel dos sindicatos</b> </p>     <p> A crise que acompanha a situa&ccedil;&atilde;o atual teve uma resposta assinal&aacute;vel por parte dos sindicatos, dependendo da for&ccedil;a que estes t&ecirc;m nas diferentes regi&otilde;es e atividades econ&oacute;micas. No caso da Europa, menciona-se que no tempo decorrido no presente ano se assistiu a uma importante reivindica&ccedil;&atilde;o de garantias em mat&eacute;ria de prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de face &agrave; pandemia, evidenciando um debate relacionado com a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho que confronta a perspetiva higienista que omite as implica&ccedil;&otilde;es da biosseguran&ccedil;a em diferentes contextos de trabalho [<a name="top2"></a><a href="#2">2</a>]. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nos Estados Unidos, este per&iacute;odo foi acompanhado da presen&ccedil;a de um movimento grevista que reivindica mais garantias laborais e prote&ccedil;&atilde;o contra os riscos associados &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de atividades laborais no quadro da pandemia, juntamente com a procura de um maior reconhecimento econ&oacute;mico para a popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora pertencente ao grupo das atividades essenciais [<a name="top3"></a><a href="#3">3</a>]. </p>     <p> No Sul Global, a incid&ecirc;ncia dos sindicatos &eacute; menor devido a importantes restri&ccedil;&otilde;es no exerc&iacute;cio da liberdade sindical, mas tamb&eacute;m como consequ&ecirc;ncia do menor peso do emprego formal. Aqui, vale a pena ressaltar a a&ccedil;&atilde;o dos sindicatos que re&uacute;nem os trabalhadores e trabalhadoras da sa&uacute;de cujas condi&ccedil;&otilde;es de emprego e de trabalho se vinham j&aacute; tornando cada vez mais prec&aacute;rias e sobre os quais recaiu um importante papel para enfrentar a crise da pandemia. A a&ccedil;&atilde;o, impulsionada pelos Servi&ccedil;os P&uacute;blicos Internacionais (ISP) [<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>], permitiu n&atilde;o s&oacute; estimular e coordenar esfor&ccedil;os face &agrave; garantia de prote&ccedil;&atilde;o deste importante grupo, mas tamb&eacute;m confrontar as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de emprego em que estes profissionais exercem o seu trabalho. Tamb&eacute;m se destacam alguns exerc&iacute;cios implementados pelos pr&oacute;prios sindicatos dos profissionais da sa&uacute;de para monitorizar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, de bioprote&ccedil;&atilde;o, de cont&aacute;gio e de morte por Covid-19 dos trabalhadores do setor da sa&uacute;de, procurando denunciar e exigir aos governos uma atua&ccedil;&atilde;o para proteger a vida dos que se encontram na linha da frente da pandemia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>4. A Covid-19 como doen&ccedil;a ou acidente de trabalho</b> </p>     <p> Outra dimens&atilde;o exposta pela crise foi a diversidade de modelos de prote&ccedil;&atilde;o social existentes em todo o mundo e, por conseguinte, as grandes diferen&ccedil;as em termos de cobertura para garantir presta&ccedil;&otilde;es sociais e pecuni&aacute;rias em caso de infe&ccedil;&atilde;o pelo SARS-CoV-2 no trabalho. </p>     <p> Numa parte significativa dos pa&iacute;ses do Norte Global, a doen&ccedil;a por coronav&iacute;rus foi inclu&iacute;da como acidente de trabalho ou doen&ccedil;a profissional, tanto para os trabalhadores da sa&uacute;de como para aqueles enquadrados nos setores essenciais, enquanto que nos pa&iacute;ses do Sul Global a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito heterog&eacute;nea: em alguns pa&iacute;ses n&atilde;o foi reconhecida, noutros foi reconhecida parcialmente para os trabalhadores da sa&uacute;de e em poucos foi reconhecida de uma forma abrangente. </p>     <p> As estat&iacute;sticas permitem identificar que, no que concerne &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em idade ativa, &eacute; poss&iacute;vel identificar a profiss&atilde;o como principal fonte de cont&aacute;gio, por&eacute;m, as garantias de prote&ccedil;&atilde;o s&atilde;o significativamente diferentes. Como resultado deste facto, n&atilde;o s&oacute; se apresenta uma possibilidade diferente de se proteger, como tamb&eacute;m uma probabilidade diferente de ficar doente e aceder aos servi&ccedil;os de cuidados de sa&uacute;de e &agrave; cobertura das presta&ccedil;&otilde;es pecuni&aacute;rias. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>5. Desigualdades no emprego e no trabalho </b> </p>     <p> A situa&ccedil;&atilde;o atual teve um profundo impacto no mundo do trabalho, afetando negativamente a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora em diferentes dimens&otilde;es: perdas de emprego, diminui&ccedil;&atilde;o dos rendimentos, agravamento dos problemas de sa&uacute;de relacionados com a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho tanto nas atividades presenciais como nas que migraram para as tarefas desenvolvidas em casa ou a dist&acirc;ncia, aprofundamento das desigualdades relativamente ao reconhecimento da Covid-19 como acidente de trabalho ou doen&ccedil;a profissional, entre outras. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ainda que para os empregadores a situa&ccedil;&atilde;o motive pedidos de apoio econ&oacute;mico aos governos para proteger os seus neg&oacute;cios e que estes tenham consci&ecirc;ncia da sua responsabilidade no &acirc;mbito da renova&ccedil;&atilde;o dos preceitos de higiene ao colocar a &ecirc;nfase nas medidas de auto-bioprote&ccedil;&atilde;o por parte dos trabalhadores e trabalhadoras, para os sindicatos a confronta&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; relacionada com a supera&ccedil;&atilde;o dos problemas estruturais em mat&eacute;ria de desigualdade nas condi&ccedil;&otilde;es de emprego e de trabalho, a defesa do direito &agrave; sa&uacute;de a partir da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho para uma preven&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ada e a procura de pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o social universais que garantam plenamente os direitos. </p>     <p> Contudo, existe uma dimens&atilde;o mais geral de toda esta situa&ccedil;&atilde;o que se prende com a presen&ccedil;a de benef&iacute;cios significativos decorrentes da pandemia verificada nos monop&oacute;lios de tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&otilde;es, no complexo m&eacute;dico-industrial e no setor financeiro internacional, que perante a necessidade de despesas sociais s&atilde;o favorecidos com o aumento das d&iacute;vidas p&uacute;blicas para fazer face &agrave;s despesas no &acirc;mbito da emerg&ecirc;ncia. </p>     <p> Simultaneamente, outros lesados desta situa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os protestos sociais que ficaram restringidos no quadro das medidas de controlo social apoiadas na necessidade de dar resposta &agrave; pandemia. A ado&ccedil;&atilde;o de estados de exce&ccedil;&atilde;o e a concentra&ccedil;&atilde;o de poder nos &oacute;rg&atilde;os executivos fez sobressair o importante papel do Estado, mas com um equil&iacute;brio que n&atilde;o se coloca necessariamente a favor dos interesses coletivos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>6. Col&ocirc;mbia: espelho da crise laboral, sanit&aacute;ria e social </b> </p>     <p> Na Col&ocirc;mbia, a pandemia, como reflexo do que sucede em muitas latitudes, revelou cruamente as grandes desigualdades sociais, a precariedade do mundo do trabalho e a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas universais de seguran&ccedil;a social, sobretudo no que se refere aos mecanismos de prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de no trabalho e de prote&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica. </p>     <p> Ainda que o Governo Nacional tenha, no in&iacute;cio da pandemia da Covid-19, tomado medidas de isolamento geral obrigat&oacute;rio, a aus&ecirc;ncia de formas reais de prote&ccedil;&atilde;o social para o conjunto da popula&ccedil;&atilde;o obrigou, sobretudo aos setores econ&oacute;micos informais, que na Col&ocirc;mbia representam, de acordo com os n&uacute;meros oficiais, 50% da popula&ccedil;&atilde;o ativa a trabalhar [<a name="top5"></a><a href="#5">5</a>], a sair para procurar o sustento di&aacute;rio, o que incrementou a taxa de cont&aacute;gio por SARS-CoV-2. </p>     <p> A esta quest&atilde;o somou-se o desconfinamento geral, seis meses depois da entrada do v&iacute;rus no territ&oacute;rio nacional, com o argumento de que a din&acirc;mica econ&oacute;mica n&atilde;o podia continuar a ser travada uma vez que poderia produzir consequ&ecirc;ncias ainda mais letais do que a pr&oacute;pria pandemia. Esta decis&atilde;o fez com que o pa&iacute;s se situasse entre os primeiros do mundo em termos de taxa de cont&aacute;gio e taxa de mortalidade por Covid-19. </p>     <p> Esta situa&ccedil;&atilde;o, sem qualquer d&uacute;vida, teve um maior impacto nos setores sociais subalternos da sociedade. Por um lado, os setores pobres s&atilde;o os que mais sofreram cont&aacute;gios por SARS-CoV-2 e onde se verificaram mais mortes como consequ&ecirc;ncia da Covid-19. Por outro lado, os setores econ&oacute;micos das micro e pequenas empresas e o setor informal s&atilde;o os que mais sofreram estragos e perdas, uma vez que o Governo concentrou as ajudas econ&oacute;micas nos grandes setores empresariais e na banca, deixando os setores mais fr&aacute;geis da economia &agrave; sua merc&ecirc;, o que levou a que na Col&ocirc;mbia se tenham perdido mais de 5 milh&otilde;es de postos de trabalho nestes meses de pandemia [<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>]. </p>     <p> No que respeita &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de no trabalho, as medidas foram totalmente insuficientes, subordinadas &agrave; l&oacute;gica e ao comportamento das seguradoras de riscos profissionais, as quais n&atilde;o assumiram um papel solid&aacute;rio e de compromisso com a sa&uacute;de e a vida dos trabalhadores associados, ao sobrepor os seus interesses econ&oacute;micos. A situa&ccedil;&atilde;o mais dram&aacute;tica foi vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras da sa&uacute;de que, na linha da frente nos cuidados durante a pandemia, n&atilde;o trabalharam com protocolos estritos de biosseguran&ccedil;a, o que resultou na infe&ccedil;&atilde;o de mais de 17.000 trabalhadores e trabalhadoras e na morte de 93 [<a name="top7"></a><a href="#7">7</a>]. Relativamente a outros setores de trabalhadores essenciais, tal como foram denominados, n&atilde;o se conhece informa&ccedil;&atilde;o precisa, tal como tem acontecido com a maior parte dos trabalhadores informais. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O Governo Nacional, com o objetivo de contrabalan&ccedil;ar a situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica vivida pelos trabalhadores do setor da sa&uacute;de, reflexo de anos de precariedade laboral imposta por um sistema de sa&uacute;de que se foi privatizando paulatinamente desde a sua implementa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da Lei 100 de 1993, o que fez foi declarar a Covid-19 como doen&ccedil;a profissional, mas apenas para os trabalhadores na primeira linha de cuidados durante a pandemia, atribuindo-lhes uma indemniza&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria. &Eacute; claramente uma pol&iacute;tica que visa trocar a sa&uacute;de por dinheiro e que n&atilde;o tem efeitos nos problemas estruturais que explicam o grave impacto da pandemia neste setor de trabalhadores. </p>     <p> Por &uacute;ltimo, &eacute; de mencionar que n&atilde;o obstante as restri&ccedil;&otilde;es em termos de reuni&atilde;o de pessoas e de circula&ccedil;&atilde;o impostas pela pandemia, ocorreram manifesta&ccedil;&otilde;es de protesto e de luta neste per&iacute;odo para denunciar a situa&ccedil;&atilde;o e exigir mudan&ccedil;as de fundo. Os trabalhadores e trabalhadoras da sa&uacute;de, em particular, organizaram in&uacute;meras a&ccedil;&otilde;es coletivas, incluindo greves, tendo reativado e renovado formas organizativas, exigindo trabalho digno, est&aacute;vel e condi&ccedil;&otilde;es seguras para a sa&uacute;de. </p>     <p> De uma maneira geral, a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o e de influ&ecirc;ncia do movimento sindical na Col&ocirc;mbia neste per&iacute;odo, ainda que este n&atilde;o tenha ficado paralisado nem permanecido em sil&ecirc;ncio, ficou muito enfraquecida, pelo que pouco p&ocirc;de influenciar a orienta&ccedil;&atilde;o das medidas de sa&uacute;de p&uacute;blica e de prote&ccedil;&atilde;o social que devem ser aplicadas para enfrentar adequadamente a pandemia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>7. N&atilde;o voltar &agrave; normalidade, porque o problema era esse </b> </p>     <p> Deste modo, existe um amplo espectro de implica&ccedil;&otilde;es da pandemia no mundo do trabalho, em detrimento dos trabalhadores e trabalhadoras, que se expressa de forma desigual nas regi&otilde;es, entre os pa&iacute;ses, no que se refere &agrave;s cidades e &agrave;s zonas rurais, e entre os sexos e os grupos &eacute;tnico-raciais, que apelam a colocar em evid&ecirc;ncia a situa&ccedil;&atilde;o atual e estimular o apoio aos processos de defesa dos direitos coletivos, procurando simultaneamente promover uma mudan&ccedil;a nas pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o social visando uma universaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos. </p>     <p> Neste quadro, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar de regresso &agrave; normalidade, no entendimento de que &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o anterior que permite explicar a crise atual, mas o cen&aacute;rio de p&oacute;s-pandemia exige uma reavalia&ccedil;&atilde;o das prioridades no sentido de uma reconfigura&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as que permita apostar num futuro em que a dire&ccedil;&atilde;o para a qual as nossas sociedades se est&atilde;o a dirigir seja profundamente revista, que supere o mundo do trabalho t&oacute;xico em que nos encontramos, recuperando o lugar central do trabalho, mas que ao mesmo tempo recomponha a ess&ecirc;ncia humana do trabalho como cen&aacute;rio de crescimento e emancipa&ccedil;&atilde;o e que valorize a import&acirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o que produz os verdadeiros valores na sociedade, para que haja realmente um compromisso para com a vida e a sa&uacute;de dos trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo. Este &eacute; o desafio para as pessoas, organiza&ccedil;&otilde;es e setores progressistas, fazer uma solidariedade eficaz que, ao mesmo tempo, &eacute; para com o nosso pr&oacute;prio futuro como esp&eacute;cie. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Notas</b> </p>     <p> [<a name="1"></a><a href="#top1">1</a>] Foram realizadas sete sess&otilde;es, nas quais participaram 27 oradores oriundos da Europa, Am&eacute;rica do Norte, Am&eacute;rica Central e Cara&iacute;bas, Regi&atilde;o Andina, Cone Sul, &Aacute;frica do Sul e Sul da &Aacute;sia. As grava&ccedil;&otilde;es est&atilde;o dispon&iacute;veis em <a href="https://www.youtube.com/channel/UC6Uhp4i0929UJDOPKat20kg/videos" target="_blank">https://www.youtube.com/channel/UC6Uhp4i0929UJDOPKat20kg/videos</a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> [<a name="2"></a><a href="#top2">2</a>] Ver, por exemplo, <a href="https://www.etui.org/publications/essential-unprotected-highly-mobile-workers-eu-during-covid-19-pandemic" target="_blank">https://www.etui.org/publications/essential-unprotected-highly-mobile-workers-eu-during-covid-19-pandemic</a> </p>     <p> [<a name="3"></a><a href="#top3">3</a>] <a href="https://www.coshnetwork.org/coronavirus" target="_blank">https://www.coshnetwork.org/coronavirus</a> </p>     <p> [<a name="4"></a><a href="#top4">4</a>] <a href="https://publicservices.international/resources/news/covid-19-emergency--psi-priorities-and-perspectives?id=10694&amp;lang=en" target="_blank">https://publicservices.international/resources/news/covid-19-emergency--psi-priorities-and-perspectives?id=10694&amp;lang=en</a> </p>     <p> [<a name="5"></a><a href="#top5">5</a>] <a         href="https://www.dane.gov.co/index.php/estadisticas-por-tema/mercado-laboral/empleo-informal-y-seguridad-social" target="_blank"> https://www.dane.gov.co/index.php/estadisticas-por-tema/mercado-laboral/empleo-informal-y-seguridad-social </a> <u></u> </p>     <p> [<a name="6"></a><a href="#top6">6</a>] <a         href="https://www.semana.com/nacion/articulo/coronavirus-en-colombia-54-millones-de-personas-perdieron-el-trabajo-en-abril/675140/" target="_blank"> https://www.semana.com/nacion/articulo/coronavirus-en-colombia-54-millones-de-personas-perdieron-el-trabajo-en-abril/675140/ </a> <u></u> </p>     <p> [<a name="7"></a><a href="#top7">7</a>] <a         href="http://www.ins.gov.co/Noticias/Paginas/coronavirus-personal-salud.aspx" target="_blank"> http://www.ins.gov.co/Noticias/Paginas/coronavirus-personal-salud.aspx </a> </p>      ]]></body>
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