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<journal-title><![CDATA[Acta Obstétrica e Ginecológica Portuguesa]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cancro do ovário na adolescência: um caso clínico]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>CASO CL&#205;NICO/</b>CASE REPORT</font></p>     <p><font size="4"><b>Cancro do ov&#225;rio na adolesc&#234;ncia - um caso cl&#237;nico </b></font></p>     <p><font size="3"><b>Ovarian cancer in adolescence - a case report</b></font></p>     <p><b>Mariana Souto Miranda*, C&#225;tia Paix&#227;o**, Am&#233;lia Pedro***, Jos&#233; Silva Pereira****</b></p>     <p>*Interna do Internato Complementar de Ginecologia e Obstetr&#237;cia do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca </p>     <p>**Interna do Internato Complementar de Ginecologia e Obstetr&#237;cia do Centro Hospitalar do Algarve - Unidade de Portim&#227;o</p>     <p>***Assistente Hospitalar de Ginecologia do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca</p>     <p>****Director do Servi&#231;o de Ginecologia do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Small cell carcinoma of the ovary, hypercalcemic type is a rare and aggressive tumor affecting young women. The mechanism of development is unclear and there have been relatively few clinical studies reported in literature.</p>     <p>The authors present a clinical case of a 15-year-old girl with a small cell carcinoma of the ovary.</p>     <p><b>Keywords: </b>Small cell carcinoma; Hypercalcemia; Ovary.</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&#231;&#227;o</b></p>     <p>A taxa de incid&#234;ncia dos tumores malignos do ov&#225;rio padronizada &#224; popula&#231;&#227;o europeia foi de 7,3 por 100 000 mulheres, de acordo com os &#250;ltimos dados dispon&#237;veis<sup>1</sup>. Os tumores malignos do ov&#225;rio atingem preferencialmente mulheres p&#243;s-menopausa, apenas 5% destas neoplasias ocorrem antes dos 20 anos. Apesar da baixa incid&#234;ncia, trata-se da malignidade ginecol&#243;gica mais comum em mulheres com idade inferior a 25 anos. A baixa preval&#234;ncia na adolesc&#234;ncia, conjugada com a inexist&#234;ncia de sintomas espec&#237;ficos, pode levar a diagn&#243;sticos tardios com mau progn&#243;stico o diagn&#243;stico &#233; feito em fases avan&#231;adas da doen&#231;a, em 75% dos casos. Apesar da melhoria na sobreviv&#234;ncia global destas doentes, o cancro do ov&#225;rio &#233; o cancro ginecol&#243;gico mais letal<sup>2</sup>.</p>     <p>O comportamento biol&#243;gico e o progn&#243;stico variam de acordo com o tipo histol&#243;gico. Aproximadamente 90% dos tumores primitivos do ov&#225;rio s&#227;o epiteliais. Antes dos 20 anos de idade, 60% dos cancros do ov&#225;rio t&#234;m origem nas c&#233;lulas germinativas.</p>     <p>O estadiamento &#233; cir&#250;rgico (excepto em caso de doen&#231;a avan&#231;ada considerada irressec&#225;vel ou na presen&#231;a de contra-indica&#231;&#245;es cir&#250;rgicas), e o tratamento &#233;, frequentemente, seguido por quimioterapia adjuvante<sup>3</sup>.</p>     <p>O carcinoma de pequenas c&#233;lulas do ov&#225;rio &#233; um carcinoma raro, indiferenciado e de histog&#233;nese desconhecida, com pico de incid&#234;ncia aos 23 anos. Apresenta duas variantes - hipercalc&#233;mia e pulmonar -, correspondendo a primeira a cerca de dois ter&#231;os dos casos. As manifesta&#231;&#245;es s&#227;o inespec&#237;ficas e &#233; geralmente de incid&#234;ncia unilateral<sup>4</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Caso cl&#237;nico</b></p>     <p>Doente do sexo feminino com 15 anos, de ra&#231;a negra, encaminhada para a Consulta Externa de Ginecologia por massa anexial de etiologia a esclarecer. A queixa inicial foi aumento de volume abdominal e perda ponderal que n&#227;o soube especificar. Como antecedentes ginecol&#243;gicos, menarca aos 13 anos, ciclos regulares, com dismenorreia moderada e sem in&#237;cio da vida sexual. Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Ao exame objectivo detectou-se uma massa indolor palp&#225;vel at&#233; ao n&#237;vel umbilical.</p>     <p>Realizou uma ecografia abdominal onde se descrevia uma volumosa massa com 12 cm, e complexa. Para esclarecer a origem, realizou-se uma resson&#226;ncia magn&#233;tica abdomino-p&#233;lvica na qual se observou volumosa massa p&#233;lvica mediana medindo 14 cm de eixo longitudinal com um volume de 600 cc. Tratava-se de uma les&#227;o compat&#237;vel com les&#227;o primitiva do ov&#225;rio esquerdo, de contornos regulares, constitui&#231;&#227;o heterog&#233;nea com componente s&#243;lido perif&#233;rico e um componente qu&#237;stico central, exc&#234;ntrico, com m&#250;ltiplos finos septos e com planos de clivagem entre o &#250;tero, ov&#225;rio direito e bexiga. De referir a aus&#234;ncia de adenomeg&#225;lias p&#233;lvicas e de ascite.</p>     <p>Analiticamente, um valor de hemoglobina de 11,9 g/dL, uma hipercalc&#233;mia de 15,5 mg/dL, HIV1/2, AgHBs e anti-HCV negativos, e marcadores tumorais - CA 125, CA19.9, CEA, AFP e HCG - negativos.</p>     <p>A doente foi submetida a uma laparotomia exploradora com anexectomia esquerda e realiza&#231;&#227;o de exame extempor&#226;neo que revelou tratar-se de uma neoplasia maligna pouco diferenciada. Prosseguiu-se ent&#227;o com uma cirurgia de estadiamento conservadora de fertilidade, realizando-se linfadenectomia p&#233;lvica bilateral e paraa&#243;rtica, bi&#243;psias peritoneais m&#250;ltiplas e do ov&#225;rio contralateral, omentectomia infrac&#243;lica e citologia das c&#250;pulas diafragm&#225;ticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/aogp/v10n1/10n1a09f1.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/aogp/v10n1/10n1a09f2.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os achados histol&#243;gicos e imunohistoqu&#237;micos revelaram um carcinoma de pequenas c&#233;lulas do ov&#225;rio esquerdo com diferencia&#231;&#227;o neuroend&#243;crina - forma hipercalc&#233;mica. O ov&#225;rio esquerdo encontrava-se quase totalmente ocupado por uma prolifera&#231;&#227;o difusa de c&#233;lulas pequenas e redondas, com n&#250;cleos vesiculosos, com elevado &#237;ndice mit&#243;tico (25 figuras de mitose por 10 campos de grande aumento) e &#225;reas de necrose. As c&#233;lulas neopl&#225;sicas apresentaram positividade difusa para Vimentina e focal para Citoqueratinas AE1/E3 e 8-18, EMA (antig&#233;nio da membrana epitelial), Sinaptofisina, CD56, CD10 e p53 (35%) e negatividade para CD45, CD20, CD117, S-100, Calcitonina, Inibina, Cromogranina-A e prote&#237;na relacionada com a hormona paratiroideia (PTHrp). O tumor encontrava-se limitado ao ov&#225;rio, apresentava c&#225;psula intacta e aus&#234;ncia de tumor na superf&#237;cie ov&#225;rica ou trompa - correspondendo a um estadio IA. As restantes amostras n&#227;o detectaram altera&#231;&#245;es com significado patol&#243;gico.</p>     <p>Ap&#243;s avalia&#231;&#227;o multidisciplinar foi decidido tratamento adjuvante com cisplatina D1 a D5 20mg/ /m2/dia e etoposido D1 a D5 100mg/m2/dia, dados os factores de mau progn&#243;sitco - idade, calc&#233;mia pr&#233;-operat&#243;ria elevada, tamanho e o elevado &#237;ndice mit&#243;tico. No estadiamento p&#243;s-operat&#243;rio e pr&#233;-quimioterapia foi realizada uma TAC do pesco&#231;o, t&#243;rax, abd&#243;men e p&#233;lvis onde foram apenas detectados g&#226;nglios milim&#233;tricos mesent&#233;ricos e inguinais. Realizou tamb&#233;m uma ecografia da tir&#243;ide e paratir&#243;ides onde n&#227;o foram detectadas nem adenomeg&#225;lias, nem altera&#231;&#245;es da tir&#243;ide. As paratir&#243;ides n&#227;o foram visualizadas. De salientar do controlo anal&#237;tico p&#243;s-operat&#243;rio valores de C&#225;lcio e Paratormona intacta (PTHi) normais.</p>     <p>Um ano depois, foi detectada em TAC toraco-abdomino-p&#233;lvica (TAC-TAP) de <i>follow up,</i> a presen&#231;a de uma volumosa massa p&#233;lvica lateralizada &#224; direita, com 10cm e envolvendo a parede abdominal - regi&#227;o mediana e fossa il&#237;aca esquerda. Esta les&#227;o heterog&#233;nea, condicionava moldagem da bexiga e desvio latero-direito esquerdo do &#250;tero. No estudo do par&#234;nquima pulmonar observaram-se m&#250;ltiplos n&#243;dulos milim&#233;tricos no segmento anterior do lobo superior esquerdo compat&#237;veis com processo de natureza inflamat&#243;ria, embora dois n&#243;dulos predominantes com 9 e 11mm fossem suspeitos de envolvimento secund&#225;rio. N&#227;o se identificaram adenomeg&#225;lias. A doente encontrava-se assintom&#225;tica e ao exame objectivo de salientar aumento de volume abdominal. Neste contexto cl&#237;nico, n&#227;o se registaram altera&#231;&#245;es anal&#237;ticas significativas e decidiu-se iniciar esquema de quimioterapia com prop&#243;sito paliativo (Paclitaxel 80mg/m2 e Irinotecan 120 mg/m2 D1 a D8) - fez 4 ciclos, tendo interrompido tratamento por necessidade transfusional. Dois meses depois, constatou-se redu&#231;&#227;o de dimens&#245;es da recidiva p&#233;lvica mas agravamento das altera&#231;&#245;es do par&#234;nquima pulmonar com m&#250;ltiplas opacidades alveolares dispersas com uma &#225;rea de consolida&#231;&#227;o e tr&#234;s &#225;reas de cavita&#231;&#227;o sugerindo-se despiste de infec&#231;&#227;o. Clinicamente apenas refer&#234;ncia a torocalgia pleur&#237;tica esquerda e tosse produtiva espor&#225;dica. A doente foi submetida a uma broncofibroscopia com avalia&#231;&#227;o endosc&#243;pica e exames directos sem altera&#231;&#245;es mas cujo exame cultural de secre&#231;&#245;es br&#244;nquicas revelou <i>Mycobacterium Tuberculosis.</i> Acabou por falecer neste contexto de progress&#227;o da doen&#231;a oncol&#243;gica e quadro de tuberculose pulmonar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a><img src="/img/revistas/aogp/v10n1/10n1a09f3.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a><img src="/img/revistas/aogp/v10n1/10n1a09f4.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f5"></a><img src="/img/revistas/aogp/v10n1/10n1a09f5.jpg"/></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discuss&#227;o</b></p>     <p>O carcinoma das pequenas c&#233;lulas do ov&#225;rio forma hipercalc&#233;mica foi, pela primeira vez, descrito em 1982<sup>5</sup>. Trata-se de um carcinoma raro e associado a hipercalc&#233;mia em dois ter&#231;os dos casos - o mecanismo de desenvolvimento de hipercalc&#233;mia n&#227;o se encontra inteiramente esclarecido<sup>6</sup>.</p>     <p>A imunohistoqu&#237;mica foi essencial para o diagn&#243;stico diferencial entre tumor das c&#233;lulas da granulosa, das c&#233;lulas germinativas, met&#225;stases e carcinoma das pequenas c&#233;lulas tipo pulmonar. Este tumor usualmente expressa queratinina, vimentina, EMA, WT1, p53 e laminina. A combina&#231;&#227;o de positividade para EMA e WT1 associada &#224; negatividade para alfa-inibina &#233; altamente sugestiva do diagn&#243;stico. No entanto, a histog&#233;nese encontra-se pouco clarificada - a positividade para queratina e EMA e a negatividade para inibina sugerem uma origem epitelial. A associa&#231;&#227;o a um s&#237;ndrome paraneopl&#225;sico leva-nos a considerar um poss&#237;vel tumor neuroend&#243;crino. Finalmente, a idade m&#233;dia de aparecimento - 23 anos - e as caracter&#237;sticas morfol&#243;gicas, s&#227;o a favor de um tumor com origem nos cord&#245;es sexuais<sup>7</sup>.</p>     <p>V&#225;rios estudos apontam para a positividade para a PTHrp, mas a correla&#231;&#227;o entre o grau de positividade e os n&#237;veis de c&#225;lcio s&#233;rico n&#227;o se encontra definida<sup>8</sup>. No caso em quest&#227;o, as c&#233;lulas neopl&#225;sicas foram negativas para a prote&#237;na referida. V&#225;rios estudos documentaram a presen&#231;a de PTHrp circulante secretada pelo tumor que actua atrav&#233;s de receptores de PTH, mediando a liberta&#231;&#227;o de c&#225;lcio. Alguns investigadores sugerem a utiliza&#231;&#227;o de PTHrp como marcador cl&#237;nico de hipercalc&#233;mia juntamente com os valores de c&#225;lcio s&#233;rico. No entanto, e tal como no caso descrito, nem sempre existe evid&#234;ncia de n&#237;veis de PTHrp elevados ou express&#227;o no tumor. Nestes &#250;ltimos casos, a produ&#231;&#227;o ect&#243;pica de PTHrp pode ser considerada<sup>6</sup>. No nosso caso, n&#227;o foi medido o n&#237;vel de PTH pr&#233;vio &#224; cirurgia nem as l&#226;minas avaliadas apresentaram positividade para PTHrp. Houve, no entanto, normaliza&#231;&#227;o dos valores de c&#225;lcio s&#233;rico ap&#243;s excis&#227;o cir&#250;rgica do tumor, o que n&#227;o nos permite concluir sobre a correla&#231;&#227;o entre n&#237;veis s&#233;ricos de PTH e c&#225;lcio e imunoexpress&#227;o.</p>     <p>Existem poucos casos descritos na literatura pelo que n&#227;o se conhece a abordagem cir&#250;rgica mais indicada - sendo a doen&#231;a unilateral em 99% dos casos, parece indicado fazer salpingo-ooforectomia unilateral em mulheres novas que desejem preservar a fertilidade. O papel da quimioterapia e radioterapia adjuvante tamb&#233;m permanece pouco claro - considera-se que a quimioterapia adjuvante n&#227;o traz aparente benef&#237;cio em doentes no estadio IA(8). No entanto, devem ser ponderados os factores de mau progn&#243;stico - neste caso a idade, a hipercalc&#233;mia, o tamanho e o elevado &#237;ndice mit&#243;tico<sup>9</sup>.<sup> </sup>V&#225;rios esquemas foram utilizados nas curtas s&#233;ries avaliadas - o esquema incorporando cisplatina e etoposido teve resultados satisfat&#243;rios embora seja dif&#237;cil garantir a maior efic&#225;cia deste esquema relativamente a outros utilizados, assim como concluir acerca do benef&#237;cio da institui&#231;&#227;o de quimioterapia ou radioterapia adjuvante<sup>8</sup>.</p>     <p>S&#227;o factores de risco conhecidos para o desenvolvimento de tuberculose pulmonar a exist&#234;ncia de condi&#231;&#245;es m&#233;dicas subjacentes e estados de imunossupress&#227;o como as doen&#231;as oncol&#243;gicas. Imagens nodulares nestes doentes n&#227;o correspondem sempre a met&#225;stases pulmonares pelo que um elevado &#237;ndice de suspei&#231;&#227;o &#233; essencial para iniciar atempadamente terap&#234;utica. Perante les&#245;es pulmonares, caso n&#227;o se assuma metastiza&#231;&#227;o, a investiga&#231;&#227;o passar&#225; por exames microbiol&#243;gicos e anatomo-patol&#243;gicos. Uma vez que n&#227;o podem ser feitas bi&#243;psias de todos os locais em que os dados imagiol&#243;gicos sugerem met&#225;stases, neste caso, o que nos levou a estudar de forma mais agressiva as les&#245;es pulmonares, foi o facto de ter havido assincronia de resposta - resposta p&#233;lvica sem resposta pulmonar. A cl&#237;nica e altera&#231;&#245;es do aspecto imagiol&#243;gico - foram tamb&#233;m aspectos fundamentais na decis&#227;o de realiza&#231;&#227;o de broncofibroscopia.</p>     <p>O progn&#243;stico do carcinoma de pequenas c&#233;lulas - forma hipercalc&#233;mia &#233; relativamente pobre. O maior estudo descrito inclui 150 doentes - dos 50 com estadio IA, 33% estavam livre de doen&#231;a num <i>follow-up</i> de 5 anos, mas poucos com estadio superior sobreviveram. S&#227;o considerados factores de bom progn&#243;stico num estadio IA a idade superior a 30 anos, um valor de c&#225;lcio pr&#233;-operat&#243;rio dentro dos limites normais, um tumor inferior a 10cm e a aus&#234;ncia de c&#233;lulas grandes<sup>9</sup>.</p>     <p>Dada a raridade desta neoplasia, n&#227;o existem consensos relativamente a histog&#233;nese, patog&#233;nese e tratamento. Casos adicionais devem ser relatados e estudados para estabelecer protocolos de actua&#231;&#227;o no sentido de melhor o progn&#243;stico da doen&#231;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>1. IARC. European Cancer Observatory National Estimates. 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855326&pid=S1646-5830201600010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Oncologia. Cancro ginecol&#243;gico. 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855328&pid=S1646-5830201600010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Heintz APM, Odicino F, Maisonneuve P, Quinn MA, Benedet JL, Creasman WT, et al. Carcinoma of the ovary. FIGO 26th Annual Report on the Results of Treatment in Gynecological Cancer. Int J Gynaecol Obstet. 2006 Nov;95 Suppl 1:S161-192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855330&pid=S1646-5830201600010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Chen F, Koenig C, Heller DS. A 26-Year-Old Woman With Right Ovarian Mass. 2009 Oct; 130(4):56-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855332&pid=S1646-5830201600010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Dickersin GR, Kline IW, Scully RE. Small cell carcinoma of the ovary with hypercalcemia: a report of eleven cases. Cancer. 1982 Jan;49(1):188-197.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855334&pid=S1646-5830201600010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Chen L, Dinh TA, Haque A. Small cell carcinoma of the ovary with hypercalcemia and ectopic parathyroid hormone production. Arch Pathol Lab Med. 2005 Apr;129(4):531-533.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855336&pid=S1646-5830201600010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>7. Juan Rosai MD. Rosai and Ackerman&#8217;s. Surgical Pathology. 10th edition. Elsevier Health Sciences. 2011.</p>     <!-- ref --><p>8. Harrison ML, Hoskins P, du Bois A, Quinn M, Rustin GJS, Ledermann JA, et al. Small cell of the ovary, hypercalcemic type - analysis of combined experience and recommendation for management. A GCIG study. Gynecol Oncol. 2006 Feb;100(2): 233-238.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855339&pid=S1646-5830201600010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Young RH, Oliva E, Scully RE. Small cell carcinoma of the ovary, hypercalcemic type. A clinicopathological analysis of 150 cases. Am J Surg Pathol. 1994 Nov;18(11):1102-1116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1855341&pid=S1646-5830201600010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#topc0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#topc0">Correspondence</a><a name="c0"></a></p>     <p>Mariana Souto Miranda</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca </p>     <p>E-mail: <a href="mailto:marianasoutomiranda@gmail.com">marianasoutomiranda@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflitos de Interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&#227;o possuir conflitos de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido em: </b>20-11-2014</p>     <p><b>Aceite para publica&#231;&#227;o: </b>31-01-15</p>      ]]></body><back>
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