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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Tempos de mudan&#231;a</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Changing times </b></font></p>     <p><b>Nuno Clode*</b></p>     <p>*Editor Chefe da Acta Obst&#233;trica e Ginecol&#243;gica Portuguesa </p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>&#171;</i><i>The line it is drawn\The curse it is cast\The slow one now\Will later be fast\As the present now\Will later be past\The order is rapidly fadin&#8217;\And the first one now\Will later be last\For the times they are a-changin&#187;.</i> &#201; assim que termina uma das mais famosas can&#231;&#245;es de Bob Dylan, o mais recente pr&#233;mio Nobel da Literatura e prova viva de que os tempos s&#227;o de mudan&#231;a. Alguma vez, ao comum dos mortais, passaria pela ideia de que seria atribu&#237;do um dos pr&#233;mios de Cultura de maior prest&#237;gio mundial a um americano franzino, que apareceu em cena na d&#233;cada de 60 do s&#233;culo passado com musicas contestat&#225;rias numa Americana em plena crise de identidade? A algu&#233;m visto por muitos como um <i>outsider</i>? E t&#227;o <i>outsider</i> que nem se deu ao trabalho de se deslocar a Estocolmo para receber o Nobel alegando outros compromissos! </p>     <p>Realmente os tempos s&#227;o de mudan&#231;a. Mas os tempos sempre foram de mudan&#231;a. Nem precisamos de procurar muito longe da lusa p&#225;tria uma confirma&#231;&#227;o destas senten&#231;as pois j&#225; o nosso mais ilustre vate, Luis de Cam&#245;es, no long&#237;nquo seculo XVI afirmava que &#171;...todo o mundo &#233; composto de mudan&#231;a...&#187; e ressalvava que, ent&#227;o como hoje, &#171;Continuamente vemos novidades...&#187;. E se a Mudan&#231;a &#233; um apan&#225;gio da Civiliza&#231;&#227;o e Novidades &#233; o que esperamos em cada esquina do Tempo, o que marca a actualidade &#233; a velocidade a que tudo se passa e que, a cada dia, &#233; maior, tal como a can&#231;&#227;o de Bob Dylan, <i>Times are A-Changin</i>, t&#227;o bem traduz. </p>     <p>E a Obstetr&#237;cia e Ginecologia, nas suas m&#250;ltiplas vertentes, n&#227;o escapa a esta realidade. A AOGP entra agora no seu 11&#186; ano e houve tanta coisa que passou da fic&#231;&#227;o para a realidade neste (curto) espa&#231;o de tempo! H&#225; dez anos, algu&#233;m imaginaria que iriamos proceder a cirurgias oncol&#243;gicas atrav&#233;s de cirurgia minimamente invasiva? Que, com o avan&#231;o da tecnologia, por&#237;amos indica&#231;&#245;es cir&#250;rgicas em situa&#231;&#245;es inimagin&#225;veis h&#225; uma d&#233;cada atr&#225;s como, por exemplo, na endometriose profunda? Que, por conta do maior conhecimento da patog&#233;nese da neoplasia do colo do &#250;tero, seriamos menos agressivos perante les&#245;es displ&#225;sicas/at&#237;picas? Que seriamos capazes, atrav&#233;s de m&#233;todos bioqu&#237;micos, de proceder ao diagn&#243;stico de pr&#234;-eclampsia? Que, de forma n&#227;o invasiva, estar&#237;amos perto do diagn&#243;stico da aneuploidia fetal? E de que, atrav&#233;s de manipula&#231;&#245;es intra-uterinas <i>(laser</i> de anastomoses feto-fetais, coloca&#231;&#227;o de bal&#245;es endo-traqueais no feto) seriamos capazes de modificar o progn&#243;sticos de situa&#231;&#245;es fetais anteriormente tidas como fatais?</p>     <p>Mas n&#227;o s&#227;o, as mudan&#231;as, apenas fruto da tecnologia. A sociedade mudou na sua forma de pensar, de agir, na consci&#234;ncia dos seus direitos. A maneira como a mulher, o doente, encara o m&#233;dico modificou-se - sabem mais e, logo, exigem mais. Exigem saber o que t&#234;m, quais as consequ&#234;ncias, qual o progn&#243;stico, quais as op&#231;&#245;es terap&#234;uticas e os seus riscos. E, muitas vezes, querem respostas r&#225;pidas, no tempo de um <i>click</i>, em que a celeridade &#233; directamente proporcional &#224; ang&#250;stia sentida! Na gr&#225;vida, ent&#227;o, em que a ansiedade se encontra potenciada pela inseguran&#231;a que traz a d&#250;vida entre o feto real e o idealizado, torna-se delicado, para n&#227;o dizer muito dif&#237;cil, lidar com situa&#231;&#245;es de patologia fetal. Al&#233;m de que, e cada vez mais, a gestante quer participar, quer ser informada, quer ser a decisora perante as diversas encruzilhadas da gravidez e do parto. E que dizer do feto, que tem vindo a ser, e cada vez mais, encarado como um paciente, com direitos que por vezes entram em conflito com o interesse da m&#227;e? Ali&#225;s, este assunto &#233; abordado neste numero da revista atrav&#233;s de um artigo de opini&#227;o em que se discute at&#233; que ponto poder&#225; uma gr&#225;vida optar por um parto sem interven&#231;&#227;o m&#233;dica podendo p&#244;r, atrav&#233;s desta decis&#227;o, em risco a vida do feto<sup>1</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&#227;o pois m&#250;ltiplos os desafios a que temos de responder, como m&#233;dicos que asseguram a sa&#250;de da Mulher, da Gr&#225;vida e do seu Feto. As Mudan&#231;as e Novidades obrigam-nos a estarmos despertos e dispon&#237;veis para a atualiza&#231;&#227;o contando que a verdade de hoje n&#227;o &#233; a de amanh&#227;. E muitas vezes, para tal, &#233; necess&#225;ria uma troca de equipas para que, com renovado f&#244;lego e entusiasmo, se consiga atingir um novo patamar. E &#233; isso que neste momento assistimos na AOGP - um fim de um ciclo. Por decis&#227;o do Corpo Editorial, o Editor Chefe muda cada quinqu&#233;nio e assim o pr&#243;ximo n&#250;mero ter&#225; uma orienta&#231;&#227;o da responsabilidade da Editora Chefe, a Professora Doutora Carla Ramalho. Ser&#225; ela a respons&#225;vel por manter o rumo da AOGP, nestes tempos de mudan&#231;a constante, sem nunca perder o fim &#250;ltimo - a promo&#231;&#227;o e divulga&#231;&#227;o da investiga&#231;&#227;o cient&#237;fica realizada em Portugal no &#226;mbito da Obstetr&#237;cia e Ginecologia<sup>2</sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Castro JR. The naturalistic delivery from a law perspective: the pregnant/fetus conflict. Acta Obstet Ginecol Port 2017;11(1): 8-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1861091&pid=S1646-5830201700010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Oliveira CF. Editorial. Acta Obstet Ginecol Port 2007; 1 (1):1-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1861093&pid=S1646-5830201700010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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