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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Sa&#250;de   Sexual e Reprodutiva: onde estamos?</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Sexual   and Reproductive Health: where are we?</b></font></p>     <p><b>Teresa Bombas*</b></p>     <p>*Presidente   da Direc&#231;&#227;o da Sociedade Portuguesa da Contracep&#231;&#227;o; Especialista   em Ginecologia e Obstetr&#237;cia; Mestrado em Sa&#250;de Sexual e Reprodutiva</p> <hr/>     <p>&nbsp;</p>    <p>A Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS) estabeleceu at&#233; 2015 metas no   sentido de todos os estados membros assegurarem compromissos e implementarem   medidas para melhorarem o acesso &#224; sa&#250;de, incluindo o acesso &#224; sa&#250;de sexual e   reprodutiva. Na Europa, nos &#250;ltimos 15 anos, os pa&#237;ses fizeram um enorme   progresso na melhoria dos indicadores de sa&#250;de sexual e reprodutiva<sup>1</sup>.   Globalmente os dados nacionais destacam-se favoravelmente da m&#233;dia europeia: a   mortalidade perinatal desceu de 6,9 por 1.000 nascimentos em 2000, para 3,7   mortes em 2013; a mortalidade materna subiu de 2,5 mortes por 100.000   nascimentos em 2000 para 7 mortes em 2013 (desde 1990 que a mortalidade materna   tem estado sempre abaixo de 10 mortes por 100.000 nascimentos, com oscila&#231;&#245;es   anuais entre 3 a 8 mortes maternas por 100.000 nascimentos/ano)<sup>2</sup>; a   preval&#234;ncia de uso de contrace&#231;&#227;o subiu de 79% em 2005 para 94% em 2015, entre   as mulheres sexualmente ativas<sup>3</sup>; o n&#250;mero de abortos desceu de 211   por 1.000 nados vivos em 2011, para 186 abortos em 2015<sup>4</sup>; na   incid&#234;ncia de infe&#231;&#227;o HIV entre 2000 e 2015 registou-se uma tend&#234;ncia   decrescente (contr&#225;ria &#224; verificada nos anos anteriores) no n&#250;mero de casos   diagnosticados: 30 casos por 10.000 habitantes em 2000 e 10,7 casos em 2014.   Apesar de desde o ano 2000, se verificar uma redu&#231;&#227;o consistente no n&#250;mero de   novos casos diagnosticados anualmente, Portugal &#233; desde h&#225; longa data o pa&#237;s da   Europa ocidental com a taxa anual de novos diagn&#243;sticos mais elevada<sup>5</sup>.</p>     <p>Globalmente,   a OMS prop&#244;s para a Europa, para 2020 (<i>UN Sustainable Development Goals</i>),   um plano de a&#231;&#227;o para a sa&#250;de sexual e reprodutiva, reconhecendo a import&#226;ncia   da implementa&#231;&#227;o/continua&#231;&#227;o de novas pol&#237;ticas para garantir a equidade de   acesso, condi&#231;&#245;es e qualidade de sa&#250;de<sup>1</sup>. Esta proposta foi aceite pela   maioria dos pa&#237;ses membros Europeus, incluindo Portugal.</p>     <p>Em   Portugal, desde 1984, a interrup&#231;&#227;o de gravidez &#233; permitida por lei, em   circunst&#226;ncias bem definidas. Esta legisla&#231;&#227;o foi sucessivamente atualizada em   fun&#231;&#227;o da evolu&#231;&#227;o cient&#237;fica verificada no diagn&#243;stico pr&#233;-natal e da   evolu&#231;&#227;o social verificada na prote&#231;&#227;o aos direitos sexuais e reprodutivos. </p>     <p>Segundo   os &#250;ltimos dados nacionais,<sup> </sup>em 2015 foram realizadas 16.454   interrup&#231;&#245;es de gravidez, ao abrigo do artigo 142&#186; do C&#243;digo Penal, que prev&#234; cinco   motivos de exclus&#227;o de ilicitude de aborto<sup>6</sup>. Tal como aconteceu em   anos anteriores, as Interrup&#231;&#245;es da Gravidez (IG) por op&#231;&#227;o da mulher nas   primeiras 10 semanas constituem cerca de 96,5% do total das interrup&#231;&#245;es   realizadas<sup>4</sup>. O n&#250;mero de abortos por op&#231;&#227;o da mulher constitui um   indicador importante de sa&#250;de p&#250;blica refletindo o acesso &#224; contrace&#231;&#227;o e o uso   adequado de m&#233;todos seguros e modernos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O   segundo motivo mais frequente de IG corresponde a &#171;grave doen&#231;a ou malforma&#231;&#227;o   cong&#233;nita do nascituro&#187; com 423 registos (2,6%)<sup>4</sup>. As interrup&#231;&#245;es   m&#233;dicas de gravidez realizadas no 2&#186; trimestre resultam do avan&#231;o cient&#237;fico no   &#226;mbito do diagn&#243;stico pr&#233;-natal. Nos pa&#237;ses desenvolvidos os rastreios e os   testes pr&#233;-natais est&#227;o dispon&#237;veis e oferecidos globalmente a todas as   mulheres independentemente dos fatores de risco individuais e seletivamente na   presen&#231;a de antecedentes e/ou de sinais ou de resultados anormais na gravidez   atual. At&#233; ao limite legal &#233; quase sempre poss&#237;vel (dificuldades t&#234;m surgido na   patologia do SNC) ter um estudo completo do feto que permite identificar   satisfatoriamente a maioria dos defeitos morfol&#243;gicos e ter acesso a resultados   conclusivos de exames complementares, gen&#233;ticos e outros sempre que   considerados necess&#225;rios. O diagn&#243;stico de uma afe&#231;&#227;o fetal determinante de   grave compromisso da vida do rec&#233;m-nascido altera as expectativas da mulher e   da fam&#237;lia em rela&#231;&#227;o &#224; gravidez em curso e coloca duas op&#231;&#245;es: interrup&#231;&#227;o de   gravidez ou aceitar a sua continua&#231;&#227;o e os resultados da&#237; decorrentes. Nestas   circunst&#226;ncias, a interrup&#231;&#227;o de gravidez &#233; a decis&#227;o mais frequentemente   tomada.&#160; A OMS<sup>7</sup> e as Sociedades Cientificas t&#234;m publicado   recomenda&#231;&#245;es terap&#234;uticas para profissionais de sa&#250;de, com o compromisso de   oferecer &#224;s mulheres uma interrup&#231;&#227;o de gravidez efetiva, segura e com o menor   impacto f&#237;sico e psicol&#243;gico poss&#237;vel. A interrup&#231;&#227;o de gravidez depois do 1&#186;   trimestre e a interven&#231;&#227;o na morte fetal constitui uma preocupa&#231;&#227;o para muitos   profissionais. Nesta Edi&#231;&#227;o da AOGP v&#227;o encontrar publicadas recomenda&#231;&#245;es para   a atua&#231;&#227;o na interrup&#231;&#227;o de gravidez no 2&#186; trimestre, 3&#186; trimestre e na morte   fetal, que resultaram de um trabalho de reflex&#227;o coletivo de v&#225;rios colegas,   obstetras e anestesiologistas de diversas institui&#231;&#245;es hospitalares nacionais   com Servi&#231;os de Obstetr&#237;cia e que foi apoiado pela Sociedade Portuguesa de   Obstetr&#237;cia e Medicina Materno-Fetal. O objetivo destas recomenda&#231;&#245;es &#233;   oferecer uma linha de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica atualizada que garanta uma interrup&#231;&#227;o   de gravidez e/ou uma expuls&#227;o de feto morto segura, em condi&#231;&#245;es de equidade   para todas as mulheres portuguesas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>     <p>1. Action Plan for   Sexual and Reproductive Health: Towards achieving the 2030 Agenda for   Sustainable Development in Europe-leaving no one behind. Copenhagen: WHO   Regional Office for Europe, 2016.</p>     <!-- ref --><p>2. INE, PORDATA. &#218;ltima   atualiza&#231;&#227;o: 2017-05-02&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1862322&pid=S1646-5830201700020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>3. &#193;guas F, Bombas T,   Silva D. Avalia&#231;&#227;o das Pr&#225;ticas Contracetivas das mulheres em Portugal. Acta   Obst Ginecol Port. 2016: 10, 184-192.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1862323&pid=S1646-5830201700020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. Relat&#243;rio dos   Registos das Interrup&#231;&#245;es de Gravidez dados de 2015. Dire&#231;&#227;o de Servi&#231;os de   Preven&#231;&#227;o da Doen&#231;a e Promo&#231;&#227;o da Sa&#250;de. Divis&#227;o de Sa&#250;de Sexual, Reprodutiva,   Infantil e Juvenil. Dire&#231;&#227;o-Geral da Sa&#250;de 2016.</p>     <p>5. Infe&#231;&#227;o VIH/SIDA: a   situa&#231;&#227;o em Portugal a 31 de dezembro de 2015 / Unidade de Refer&#234;ncia e   Vigil&#226;ncia Epidemiol&#243;gica, Departamento de Doen&#231;as Infeciosas. Lisboa:   Instituto Nacional de Sa&#250;de Doutor Ricardo Jorge, IP, 2016. - 69 p.: il. -   (Documento VIH/SIDA; 147)</p>     <p>6. Di&#225;rio da Rep&#250;blica I   S&#233;rie n &#186;75 de 17/04/2007. Lei n&#186; 16 / 2007 de 17 abril: Exclus&#227;o da ilicitude   da interrup&#231;&#227;o de gravidez</p>     ]]></body>
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