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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O Novo Panóptico Russo: A Vigilância na Rússia do Século XVIII à Era Digital]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The New Russian Panopticon: Surveillance in Russia from the XVIII Century to the Digital Era]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article argues about the birth of the Panopticon in absolutist Russia of the XVIII century, approaching its historical, architectural, theoretical and social course, ending with the analysis of the Digital Panopticon concept, nowadays, in the Russian Federation of the XXI century. Among other topics, the following will be discussed: the birth of the concept and the architectural design of the Panopticon in Russia (in a region which now belongs to the Republic of Belarus) through Jeremy and Samuel Bentham’s hands and thought, relating this birth to the constraints and the role of power in social control played by the Orthodox Church, the Panopticon in the genesis of modern thought on surveillance and the Theory of Power by Foucault, which relates the concept of the Panopticon with the power/knowledge duality and the analysis of the evolution and use of the Panopticon in Russia’s Digital Age muscled democracy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O Novo Pan&oacute;ptico Russo: A Vigil&acirc;ncia na R&uacute;ssia do S&eacute;culo XVIII &agrave; Era Digital</b></p>     <p><b>The New Russian Panopticon: Surveillance in Russia from the XVIII Century to the Digital Era</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Hugo Filipe Ramos*</b></p>     <p>*ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Avenida das For&ccedil;as Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal. Project Manager at Portugal Telecom. (<a href="mailto:ramosh@gmail.com">ramosh@gmail.com</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo argumenta sobre o nascimento do Pan&oacute;ptico<sup>1</sup> na R&uacute;ssia absolutista do s&eacute;culo XVIII, passando pelo seu percurso hist&oacute;rico, arquitect&oacute;nico, te&oacute;rico e social, terminando com a an&aacute;lise do conceito de Pan&oacute;ptico Digital, nos dias de hoje, na Federa&ccedil;&atilde;o Russa do s&eacute;culo XXI.</p>     <p>Entre outros t&oacute;picos, s&atilde;o abordados o nascimento do conceito e do projecto arquitect&oacute;nico do Pan&oacute;ptico na R&uacute;ssia (numa regi&atilde;o que hoje pertence &agrave; Rep&uacute;blica da Bielorr&uacute;ssia) pelas m&atilde;os e pensamento de Jeremy e Samuel Bentham, relacionando este nascimento com as condicionantes e o papel de poder da Igreja Ortodoxa no controlo social, o Pan&oacute;ptico na g&eacute;nese do pensamento moderno sobre a vigil&acirc;ncia e a Teoria do Poder de Foucault, que relaciona o conceito de Pan&oacute;ptico com a dualidade poder/conhecimento e a an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o do Pan&oacute;ptico na democracia musculada da R&uacute;ssia da Era Digital.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> R&uacute;ssia, Pan&oacute;ptico, absolutismo, poder, TIC, vigil&acirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article argues about the birth of the Panopticon in absolutist Russia of the XVIII century, approaching its historical, architectural, theoretical and social course, ending with the analysis of the Digital Panopticon concept, nowadays, in the Russian Federation of the XXI century.</p>     <p>Among other topics, the following will be discussed: the birth of the concept and the architectural design of the Panopticon in Russia (in a region which now belongs to the Republic of Belarus) through Jeremy and Samuel Bentham’s hands and thought, relating this birth to the constraints and the role of power in social control played by the Orthodox Church, the Panopticon in the genesis of modern thought on surveillance and the Theory of Power by Foucault, which relates the concept of the Panopticon with the power/knowledge duality and the analysis of the evolution and use of the Panopticon in Russia’s Digital Age muscled democracy.</p>     <p><b>Keywords:</b> Russia, Panopticon, absolutism, power, ICT, surveillance.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este artigo est&aacute; organizado em quatro grandes &aacute;reas. Na primeira, temos um texto introdut&oacute;rio ao tema do Pan&oacute;ptico e o que este representa enquanto objecto de poder. S&atilde;o apresentados os factos hist&oacute;ricos mais relevantes, o seu modo de funcionamento, diferentes aplica&ccedil;&otilde;es do conceito em outros tipos de constru&ccedil;&atilde;o institucional e &eacute; apresentado um esquema desenhado pelo pai do conceito arquitect&oacute;nico, Jeremy Bentham.</p>     <p>Numa segunda &aacute;rea, &eacute; introduzida a contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do Pan&oacute;ptico. Os actores envolvidos, o seu percurso geogr&aacute;fico e motivos da presen&ccedil;a na cidade de Krichev, a cultura do s&eacute;culo XVIII na antiga R&uacute;ssia Branca (hoje Rep&uacute;blica da Bielorr&uacute;ssia), a necessidade de contrata&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra especializada em Inglaterra e as suas consequ&ecirc;ncias sociais na rela&ccedil;&atilde;o com os trabalhadores n&atilde;o especializados russos, a cultura religiosa vivida na &eacute;poca e suas consequ&ecirc;ncias e influ&ecirc;ncias directas na cria&ccedil;&atilde;o espacial do Pan&oacute;ptico, conceitos de disciplina e omnisci&ecirc;ncia e a clarifica&ccedil;&atilde;o dos pontos convergentes entre estes dois.</p>     <p>Quanto &agrave; terceira &aacute;rea, &eacute; feita a transi&ccedil;&atilde;o do modelo arquitect&oacute;nico para a g&eacute;nese do pensamento moderno atrav&eacute;s da explica&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise de Foucault relativamente ao conceito aqui exposto e a apresenta&ccedil;&atilde;o da sua pr&oacute;pria Teoria do Poder, onde define a dualidade poder/conhecimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; quarta e &uacute;ltima parte, s&atilde;o apresentadas algumas teorias de diferentes acad&eacute;micos, relativamente ao tema em desenvolvimento. &Eacute; tamb&eacute;m apresentada a contextualiza&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o Russa, sua envolvente pol&iacute;tica, cultural e social e a evolu&ccedil;&atilde;o do Pan&oacute;ptico localizado ao Pan&oacute;ptico de massas.</p>     <p>Depois de analisadas muitas das condicionantes e envolventes do conceito de Pan&oacute;ptico &eacute; ainda formulada uma teoria sobre o suporte por parte dos media &agrave; vigil&acirc;ncia praticada na R&uacute;ssia e sobre como esse suporte ajuda a consciencializar e incrementar o efeito do Pan&oacute;ptico como forma de poder social.</p>     <p>No final, &eacute; apresentada a conclus&atilde;o do tema onde s&atilde;o relacionados os diferentes t&oacute;picos abordados ao longo do artigo e onde s&atilde;o dados alguns exemplos dos Pan&oacute;pticos actuais e futuros (os que est&atilde;o em estudo ou em implementa&ccedil;&atilde;o neste momento) no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico da R&uacute;ssia.</p>     <p>O conceito de Pan&oacute;ptico &eacute; relevante nos estudos sociais, porque permite a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno da vigil&acirc;ncia que todos vivemos nos dias de hoje. Entender como foi introduzido e como funciona este conceito, &eacute; entender o modo como a simples consciencializa&ccedil;&atilde;o da constante observa&ccedil;&atilde;o pode mudar o nosso comportamento individual, mas, sobretudo, social e como esta forma de poder actua numa estrutura de dentro para fora e n&atilde;o de fora para dentro. As novas formas de poder actuam assim sobre o indiv&iacute;duo duma forma auto-regulat&oacute;ria e, sem necessidade de imposi&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o aceites pela sociedade como um dado adquirido.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O Novo Pan&oacute;ptico Russo: A Vigil&acirc;ncia na R&uacute;ssia do S&eacute;culo XVIII &agrave; Era Digital</b></p>     <p>Pan&oacute;ptico &eacute; um termo utilizado para definir um conceito de edif&iacute;cio institucional desenhado por Jeremy Bentham, no final do s&eacute;culo XVIII. Este edif&iacute;cio, que teria como fun&ccedil;&atilde;o ser uma pris&atilde;o, tem a particularidade de ser constru&iacute;do numa forma circular, permitindo assim a vigil&acirc;ncia de um maior n&uacute;mero de prisioneiros atrav&eacute;s de um menor policiamento e menor utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos administrativos, reduzindo os custos de manuten&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o prisional.</p>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A sua forma circular em torno de uma torre central de vigil&acirc;ncia, permitia que os guardas vigiassem mais facilmente todos os prisioneiros nas suas celas, independentemente da posi&ccedil;&atilde;o das mesmas, mas, ao mesmo tempo, impedia que os pr&oacute;prios prisioneiros tivessem uma vis&atilde;o inversa da sala de controlo, local onde se situaria o respons&aacute;vel pela vig&iacute;lia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Jeremy Bentham foi um fil&oacute;sofo e soci&oacute;logo ingl&ecirc;s que estudou este conceito e que tentou aplic&aacute;-lo, n&atilde;o apenas como edif&iacute;cio prisional, mas tamb&eacute;m a outros n&iacute;veis como, por exemplo, escolas, hospitais, creches e outras institui&ccedil;&otilde;es onde se impunha um certo n&iacute;vel de vigil&acirc;ncia sobre os seus utilizadores. Segundo Bentham, a grande vantagem do Pan&oacute;ptico residia no facto da observa&ccedil;&atilde;o (neste caso vigil&acirc;ncia) poder ser efectuada mais facilmente sem que o prisioneiro soubesse se estava a ser observado ou n&atilde;o. Esta configura&ccedil;&atilde;o actua ao n&iacute;vel f&iacute;sico, atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o directa sem possibilidade de reciprocidade, mas, consequentemente, tamb&eacute;m ao n&iacute;vel psicol&oacute;gico, levando a uma consciencializa&ccedil;&atilde;o no indiv&iacute;duo da omnipresen&ccedil;a do olhar vigilante.</p>     <p>Segundo Bentham, em teoria, esta consciencializa&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia omnipresente confere um novo modo de obter o poder da mente sobre a mente, num grau nunca atingido at&eacute; &agrave;quele momento (Bentham, 1787, p. 31).</p>     <p>Como o pr&oacute;prio refere, na sua carta intitulada “Letter V - Essential Points of the Plan”:</p>     <p>    <blockquote>“You will please to observe, that though perhaps it is the most important point, that the persons to be inspected should always feel themselves as if under inspection, at least as standing a great chance of being so, yet it is not by any means the only one. If it were, the same advantage might be given to buildings of almost any form. What is also of importance is, that for the greatest proportion of time possible, each man should actually be under inspection. This is material in all cases, that the inspector may have the satisfaction of knowing, that the discipline actually has the effect which it is designed to have: and it is more particularly material in such cases where the inspector, besides seeing that they conform to such standing rules as are prescribed, has more or less frequent occasion to give them such transient and incidental directions as will require to be given and enforced, at the commencement at least of every course of industry. And I think, it needs not much argument to prove, that the business of inspection, like every other, will be performed to a greater degree of perfection, the less trouble the performance of it requires.</p>     <p>Not only so, but the greater chance there is, of a given person's being at a given time actually under inspection, the more strong will be the persuasion - the more intense, if I may say so, the feeling, he has of his being so. How little turn soever the greater number of persons so circumstanced may be supposed to have for calculation, some rough sort of calculation can scarcely, under such circumstances, avoid forcing itself upon the rudest mind. Experiment, venturing first upon slight transgressions, and so on, in proportion to success, upon more and more considerable ones, will not fail to teach him the difference between a loose inspection and a strict one.” (Bentham, 1787, pp. 43-44).</p></blockquote>     <p>O poder exercido pretende prevenir o comportamento desviante, evitando o castigo e tem como base a auto-aplica&ccedil;&atilde;o do poder como resultado da consciencializa&ccedil;&atilde;o individual de cada pessoa sujeita ao espa&ccedil;o interior do Pan&oacute;ptico. Assim, &eacute; importante compreender que o poder &eacute; constantemente exercido, duma forma colectivamente auto-aplicada, n&atilde;o sendo detido por uma &uacute;nica entidade, no contexto em que se insere, deixando, assim, de ser importante qualquer medi&ccedil;&atilde;o de poderes, mas sim o modo como actua e que efeitos pr&aacute;ticos tem no prisioneiro. Os resultados produzidos s&atilde;o efeitos ao n&iacute;vel da obedi&ecirc;ncia, disciplina e conhecimento sistematizado da popula&ccedil;&atilde;o prisional (Sadan, 2004, pp. 62-63).</p>     <p>Bentham dedicou mais de vinte anos da sua vida a estudar o conceito do Pan&oacute;ptico e, em teoria, aplicou-o a outros tipos de constru&ccedil;&atilde;o. No entanto, o Pan&oacute;ptico t&atilde;o desejado por Bentham, a pris&atilde;o em Inglaterra, nunca chegaria a ser constru&iacute;do, tornando-se num dos melhores exemplos da Teoria das Fic&ccedil;&otilde;es do pr&oacute;prio Bentham.</p>     <p>    <blockquote>“Where Bentham goes beyond these literary theories is in recognising that, at least outside the realm of literature, fictions do as much to create the probabilities they presume as probabilities do to create them. In other words, he recognises the prescriptive aspect of fictions: the regulative power they have to induce people to behave in conformity with the announced norms. In this essentially legislative capacity, Bentham saw, fictions make statements about what is probable into self-fulfilling prophesies, thereby turning subjective probabilities into observably objective ones - literally turning fictions into facts.” (Stolzenberg, 1999, p. 238)</p></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Contextualiza&ccedil;&atilde;o Hist&oacute;rica</b></p>     <p>Jeremy Bentham (1748-1832) foi um jurista, fil&oacute;sofo e reformista social ingl&ecirc;s, nascido em Londres, que desenvolveu uma s&eacute;rie de teorias, a maioria das quais relacionada com o sistema legal. &Eacute; considerado o pai do Utilitarismo, teoria filos&oacute;fica das &eacute;ticas normativas que advoga o princ&iacute;pio do bem-estar de todos os seres, considerando apenas apropriado aquele resultado de uma ac&ccedil;&atilde;o que maximiza a felicidade em detrimento do sofrimento. Nos dias de hoje, esta teoria &eacute; considerada como uma forma de Consequencialismo<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>No final do s&eacute;culo XVIII, Bentham viaja para a R&uacute;ssia Branca (hoje a Rep&uacute;blica da Bielorr&uacute;ssia) para encontrar o seu irm&atilde;o Samuel Bentham. Samuel vivia na cidade de Krichev sendo gestor de v&aacute;rios empreendimentos industriais e outros projectos a convite do pr&iacute;ncipe Potemkin.</p>     <p>Durante a sua perman&ecirc;ncia em Krichev, Jeremy Bentham teve oportunidade de contactar com a arquitectura absolutista russa do s&eacute;culo XVIII. A ideia do Pan&oacute;ptico foi, inicialmente, mencionada pelo seu irm&atilde;o Samuel, referindo este a vontade de construir um complexo industrial em formato circular que ajudasse a reduzir o n&uacute;mero de supervisores necess&aacute;rios para controlar os trabalhadores sem qualifica&ccedil;&otilde;es e, assim, poupar nas despesas. Esta ideia foi continuada por Jeremy, mas pensada para aplica&ccedil;&atilde;o em pris&otilde;es, local onde a vigil&acirc;ncia &eacute; uma constante. Os primeiros esbo&ccedil;os do Pan&oacute;ptico foram desenhados em 1786 (Werret, 1998) e Jeremy iniciou uma s&eacute;rie de escritos, em formato de carta, que enviava para Inglaterra ao cuidado de “um amigo” (Bentham, 1787, p. 29).</p>     <p>&Eacute; neste contexto cultural da R&uacute;ssia do s&eacute;culo XVIII que surge a ideia para o Pan&oacute;ptico. Uma sociedade pouco letrada, na qual &eacute; dif&iacute;cil encontrar trabalhadores qualificados, onde existe uma enorme disponibilidade de recursos humanos para trabalhar, mas poucos recursos qualificados que possam controlar o trabalho, onde existe indisciplina entre os trabalhadores e entre os trabalhadores e os gestores dos projectos e onde chegou a ser necess&aacute;rio importar m&atilde;o-de-obra especializada, sa&iacute;da das Universidades de Inglaterra, para conseguir, efectivamente, alcan&ccedil;ar resultados pr&aacute;ticos nos trabalhos que eram desenvolvidos.</p>     <p>Muitos estudos referem, assim, a origem do Pan&oacute;ptico na R&uacute;ssia, embora n&atilde;o existam muitos que mencionem os verdadeiros motivos para o seu surgimento.</p>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, como mais tarde se verificou, n&atilde;o foi devido ao facto de ser necess&aacute;rio controlar os trabalhadores iletrados russos que surgiu a ideia do Pan&oacute;ptico. Devido a esta falta de especializa&ccedil;&atilde;o, os irm&atilde;os Bentham necessitaram de chamar v&aacute;rios trabalhadores especializados de Inglaterra para trabalhar em Krichev e, assim, passar o seu conhecimento aos camponeses, formando-os para a constru&ccedil;&atilde;o industrial. Algum tempo depois, Samuel Bentham apercebeu-se de que, ao contr&aacute;rio dos trabalhadores russos, eram os ingleses os trabalhadores mais problem&aacute;ticos de todo o complexo industrial. Estes bebiam, eram pregui&ccedil;osos, roubavam e causavam dist&uacute;rbios entre todos os trabalhadores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sabendo que, em certa medida, o Pan&oacute;ptico n&atilde;o era muito produtivo ao n&iacute;vel do controle da forma&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores russos, parece mais prov&aacute;vel que a sua ideia original n&atilde;o tenha surgido da necessidade de contratar e controlar trabalhadores ignorantes, mas sim da necessidade de controlar os formadores ingleses.</p>     <p>    <blockquote>“The Panopticon offered no significant development on the usual method of a trainer overseeing his workforce. So Bentham's invention was not so much an attempt to employ 'ignorant Russian peasants effectively', but rather a solution to the immediate and very real problem of 'who will guard the guards?'” (Werret, 1998).</p></blockquote>     <p>N&atilde;o existindo ainda um estudo que consiga provar a rela&ccedil;&atilde;o directa entre a arquitectura do Pan&oacute;ptico e a arquitectura absolutista ortodoxa da R&uacute;ssia do s&eacute;culo XVIII, existe, no entanto, a possibilidade de observar as semelhan&ccedil;as entre estas duas realidades. Para Bentham, o Pan&oacute;ptico representava uma forma de controlar os ingleses que foram contratados para trabalhar em Krichev. Para a classe nobre russa, o Pan&oacute;ptico representava uma forma de controlar os plebeus russos. A rela&ccedil;&atilde;o surge duma forma clara, quando analisado o meio como os plebeus russos eram controlados na R&uacute;ssia do s&eacute;culo XVIII, atrav&eacute;s do poder exercido pela Igreja Ortodoxa<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>Neste per&iacute;odo, os russos aprendiam sobre a sua posi&ccedil;&atilde;o e fun&ccedil;&atilde;o terrenas atrav&eacute;s da sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus, mediada, claro, pela Igreja Ortodoxa. O local de adora&ccedil;&atilde;o era, portanto, a igreja onde, segundo a influ&ecirc;ncia bizantina, a visibilidade desempenhava um papel fundamental. Para os ortodoxos, o edif&iacute;cio da igreja &eacute; uma extens&atilde;o do corpo de Cristo sendo tamb&eacute;m uma extens&atilde;o do Seu poder na Terra. Os sacramentos, dos quais a Eucaristia &eacute; o mais importante, s&atilde;o considerados “mist&eacute;rios divinos” e a arquitectura ortodoxa reflecte bem esta categoriza&ccedil;&atilde;o. Em contraste com a Igreja ocidental, a Igreja Ortodoxa mant&eacute;m uma tela de separa&ccedil;&atilde;o entre a nave central, local onde os fi&eacute;is se posicionam, e o santu&aacute;rio, onde a Eucaristia &eacute; realizada, evitando assim a visualiza&ccedil;&atilde;o dos procedimentos religiosos dos padres. Esta tela cont&eacute;m uma s&eacute;rie de desenhos religiosos chamados &iacute;cones. Enquanto os padres efectuam estes procedimentos religiosos sem que possam ser vistos, os plebeus, do outro lado da tela, podem admirar os v&aacute;rios &iacute;cones dispostos no tecido, sendo um deles “Cristo, o Olhar Zangado” ou “Cristo Pantokrator” (imagem ao lado), que representa a omnisci&ecirc;ncia e julgamento divinos. Os &iacute;cones na tela servem, assim, para manter o secret&iacute;ssimo dos “mist&eacute;rios divinos”, tornando-os invis&iacute;veis ao olhar dos plebeus e, ao mesmo tempo, representam um olhar omnisciente e controlador sobre os fi&eacute;is. Esta assimetria da visibilidade &eacute; a doutrina do mist&eacute;rio na Igreja Ortodoxa.</p>     <p>Relacionando o Pan&oacute;ptico de Bentham com as considera&ccedil;&otilde;es expostas sobre a Igreja Ortodoxa, &eacute; poss&iacute;vel verificar os pontos comuns entre a arquitectura e os procedimentos de ambos. Segundo Bentham, o Pan&oacute;ptico tinha tamb&eacute;m um lugar central reservado apenas ao inspector e, na consci&ecirc;ncia dos vigiados, este representava uma “vis&atilde;o constante e omnisciente” (Werret, 1998). Esta vigil&acirc;ncia representa ent&atilde;o uma nova forma de poder, tal como na Igreja Ortodoxa, que proporciona ao vigilante a imposi&ccedil;&atilde;o, sobre o vigiado, de um determinado comportamento ou actua&ccedil;&atilde;o no decorrer desta rela&ccedil;&atilde;o vigilante-vigiado. A quest&atilde;o da assimetria da visibilidade desempenha tamb&eacute;m um papel fundamental nesta rela&ccedil;&atilde;o de poder, levando a uma imposi&ccedil;&atilde;o de comportamento bastante mais f&aacute;cil e fisicamente pac&iacute;fica do que aquela que imp&otilde;e o comportamento atrav&eacute;s do castigo como exemplo.</p>     <p>Segundo Werret, Bentham era conhecedor da Igreja Ortodoxa e tinha estudado atentamente a sua arquitectura:</p>     <p>    <blockquote>“It may seem unlikely for Samuel Bentham to devise a 'secularised church' at Krichev. Yet the designs which he prepared with Jeremy in 1786 bear a close resemblance to the church architecture of the time. Compare, for example, the Krichev Panopticon with Starov's design for the Cathedral of the Trinity finished in 1782 . Bentham was certainly well informed about the Orthodox church. During a tour of Siberia in 1781 Bentham collected information on the activities of the Raskolniki or Old Believers for the government: precisely a surveillance operation undertaken to undermine the power of a section of the Orthodox community.” (Werret, 1998).</p></blockquote>     <p>Fica assim clara, a rela&ccedil;&atilde;o entre o surgimento do Pan&oacute;ptico e a sociedade russa dos finais do s&eacute;culo XVIII. Na verdade, a R&uacute;ssia foi o pa&iacute;s onde se constru&iacute;ram mais pan&oacute;pticos. Depois de Bentham ter constru&iacute;do a 'Panopticon School of Arts' em S&atilde;o Petersburgo, o Czar ordenou a constru&ccedil;&atilde;o de pan&oacute;pticos por toda a R&uacute;ssia, n&atilde;o apenas edif&iacute;cios para uso particular, mas tamb&eacute;m edif&iacute;cios p&uacute;blicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Do Pan&oacute;ptico F&iacute;sico &agrave; Teoria do Poder de Foucault</b></p>     <p>O Pan&oacute;ptico dos irm&atilde;os Bentham det&eacute;m, ainda hoje, a responsabilidade por grande parte do pensamento moderno sobre as quest&otilde;es da vigil&acirc;ncia e da teoria do poder.</p>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Foucault considera que existe um momento hist&oacute;rico, precisamente o s&eacute;culo XVIII, que determina a mudan&ccedil;a de paradigma na hist&oacute;ria da repress&atilde;o. A passagem do castigo &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o da vigil&acirc;ncia. No entanto, Foucault n&atilde;o considera que o impulso na g&eacute;nese desta mudan&ccedil;a seja proveniente da evolu&ccedil;&atilde;o comportamental para um instinto mais humanit&aacute;rio, por parte daqueles que imp&otilde;em a disciplina social, mas apenas devido &agrave; economia de meios e ao lucro da&iacute; proveniente, como ele designa, “economia do poder”. Foucault confirma, assim, o nascimento da nova forma de poder da vigil&acirc;ncia no s&eacute;culo XVIII que ele designa como forma de poder sin&aacute;ptica (Gordon, 1980, pp. 38-39; Sadan, 2004, p. 55). Foucault relaciona ainda o surgimento da economia do poder com uma mudan&ccedil;a de localiza&ccedil;&atilde;o do poder dentro da sociedade. Este passa a ser exercido dentro do corpo social e n&atilde;o acima deste. Verifica-se, deste modo, um certo “desempoderamento” das institui&ccedil;&otilde;es tradicionais que exercem o poder antes deste novo paradigma e uma mistifica&ccedil;&atilde;o/arca&iacute;smo dos personagens soberanos, tais como, o rei ou o tribunal.</p>     <p>A hist&oacute;ria tem proporcionado mais aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de poder na sociedade, ao modo como estas se processam e &agrave;queles que det&ecirc;m o poder, mas n&atilde;o deu muita aten&ccedil;&atilde;o aos mecanismos de execu&ccedil;&atilde;o do poder. Ainda menos estudado, segundo Foucault, foi a rela&ccedil;&atilde;o entre poder e conhecimento e o modo como um articula ou afecta o outro. Tradicionalmente, a Humanidade sempre associou o poder &agrave; falta de conhecimento. O poder cega e, aqueles que governam ficam cegos durante o exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es. Foucault tenta sempre real&ccedil;ar a constante rela&ccedil;&atilde;o entre poder e conhecimento, n&atilde;o apenas no sentido de que o poder necessita desta ou daquela descoberta ou desta ou daquela forma de conhecimento, mas tamb&eacute;m no sentido de que o exerc&iacute;cio do poder cria novas formas de conhecimento e novas fontes de informa&ccedil;&atilde;o (Gordon, 1980, pp. 51-52).</p>     <p>O estudo levado a cabo por Foucault, relativamente ao Pan&oacute;ptico, come&ccedil;ou quando este estudava as origens da medicina cl&iacute;nica. Durante este estudo, Foucault analisou diversas plantas de hospitais do s&eacute;culo XVIII e notou que a principal preocupa&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca era a observa&ccedil;&atilde;o constante e centralizada dos pacientes, mesmo em condi&ccedil;&otilde;es em que o contacto f&iacute;sico era proibido, por motivos de cont&aacute;gio e outras vari&aacute;veis e onde era ainda necess&aacute;rio manter a separa&ccedil;&atilde;o de doentes e de pessoal m&eacute;dico. Mais tarde, ao estudar a problem&aacute;tica do sistema penal notou que as preocupa&ccedil;&otilde;es eram, em muitos casos, semelhantes e, noutros, as mesmas. No entanto, nos estudos relacionados com o sistema penal, o nome Bentham surgia constantemente em praticamente todas as leituras que Foucault estudava (Gordon, 1980, pp. 146-147). Nas pr&oacute;prias palavras de Foucault:</p>     <p>    <blockquote>“Bentham didn't merely imagine an architectural design calculated to solve a specific problem, such as that of a prison, a school or a hospital. He proclaimed it as a veritable discovery, saying of it himself that it was 'Christopher Columbus's egg'. [...] He invented a technology of power designed to solve the problems of surveillance. One important point should be noted: Bentham thought and said that his optical system was the great innovation needed for the easy and effective exercise of power.” (Gordon, 1980, p. 148)</p></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foucault apercebe-se, ent&atilde;o, de que os problemas espaciais relacionados com a geo-pol&iacute;tica come&ccedil;am a surgir nos finais do s&eacute;culo XVIII, como preocupa&ccedil;&atilde;o fundamental dos governantes e de outros participantes da decis&atilde;o/estrat&eacute;gia econ&oacute;mico-social. Nas palavras de Perrot, em conversa com Foucault, no mesmo livro,</p>     <p>    <blockquote>“Here we are [...] preventing people from wrong-doing, taking away their wish to commit wrong. In a word, to make people unable and unwilling” (Gordon, 1980, p. 154).</p></blockquote>     <p>Ao contr&aacute;rio de alguns autores como, por exemplo Semple (Semple, 1987, pp. 314-315), e incluindo o pr&oacute;prio Bentham, Foucault n&atilde;o reconhece as boas inten&ccedil;&otilde;es de Jeremy Bentham, classificando-as como maquiav&eacute;licas e estando na origem de uma “engenhosa e cruel jaula”:</p>     <p>    <blockquote>“The Panopticon presents a cruel, ingenious cage. The fact that it should have given rise, even in our own time, to so many variations, projected or realised, is evidence of the imaginary intensity that it has possessed for almost two hundred years. But the Panopticon must not be understood as a dream building: it is the diagram of a mechanism of power reduced to its ideal form; its functioning, abstracted from any obstacle, resistance or friction, must be represented as a pure architectural and optical system: it is in fact a figure of political technology that may and must be detached from any specific use.” (Foucault, 1975, p. 205)</p></blockquote>     <p>No discurso de Foucault &eacute; poss&iacute;vel encontrar in&uacute;meras refer&ecirc;ncias &agrave; constante rela&ccedil;&atilde;o entre o conhecimento e o poder. Quando Foucault fala do Pan&oacute;ptico de Bentham, refere sempre que desempenha uma fun&ccedil;&atilde;o de laborat&oacute;rio do poder onde s&atilde;o analisados todos os comportamentos humanos observ&aacute;veis e onde s&atilde;o aplicadas formas de os controlar ou, mesmo, suprimir.</p>     <p>Sendo um laborat&oacute;rio, podemos afirmar que existe um m&eacute;todo experimental que, &agrave; semelhan&ccedil;a do m&eacute;todo cient&iacute;fico, re&uacute;ne, processa e analisa informa&ccedil;&atilde;o de modo a obter conhecimento sobre o objecto em an&aacute;lise. Esta &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre exerc&iacute;cio do poder e obten&ccedil;&atilde;o de conhecimento que Foucault tanto refere no seu pensamento e que diz serem indissoci&aacute;veis (Foucault, 1975, pp. 195-228).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A Rela&ccedil;&atilde;o Poder-Vigil&acirc;ncia como Garante do Regime</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como j&aacute; tivemos oportunidade de ver em (Ramos, (in press)), a R&uacute;ssia do s&eacute;culo XXI apresenta-se como uma democracia em que as liberdades e direitos dos cidad&atilde;os n&atilde;o s&atilde;o propriamente os mesmos das democracias ocidentais. Neste pa&iacute;s, existe um regime pol&iacute;tico que exerce o poder da governa&ccedil;&atilde;o de uma forma mais pr&oacute;xima do totalitarismo, em detrimento dos princ&iacute;pios que definem o ideal democr&aacute;tico de pa&iacute;ses como aqueles da Uni&atilde;o Europeia. Tal realidade pode ser definida como uma democracia mitigada (Cardoso, 2006, p. 39) ou uma democracia musculada (Ramos, (in press), p. 1) dependendo do lado a partir do qual se observa e relaciona o termo, cidad&atilde;os ou governo, respectivamente.</p>     <p>A evolu&ccedil;&atilde;o do Pan&oacute;ptico, enquanto constru&ccedil;&atilde;o arquitect&oacute;nica, at&eacute; ao aparecimento do Pan&oacute;ptico Digital, &eacute; tamb&eacute;m &oacute;bvia. O n&uacute;mero de pessoas que &eacute; necess&aacute;rio vigiar e monitorar, quando se trata de um pa&iacute;s inteiro, &eacute; substancialmente maior do que aquelas que o Pan&oacute;ptico original, enquanto edif&iacute;cio, permite controlar. Neste sentido, depois da entrada na Era Digital, a evolu&ccedil;&atilde;o dos meios de observa&ccedil;&atilde;o e controlo tem sido significativa, permitindo a cobertura de um vasto n&uacute;mero de pessoas e institui&ccedil;&otilde;es com utiliza&ccedil;&atilde;o diminuta de meios humanos e financeiros.</p>     <p>J&aacute; sabemos, pelos t&oacute;picos anteriores, que um dos instrumentos do poder &eacute; a vigil&acirc;ncia. Sabemos tamb&eacute;m que, na R&uacute;ssia do s&eacute;culo XXI, o poder &eacute; exercido duma forma mais centralizada em torno dos governantes e menos representativa das vontades dos cidad&atilde;os, tornando-se, assim, um poder n&atilde;o representativo ou mesmo anti-democr&aacute;tico por natureza.</p>     <p>Ainda foi poss&iacute;vel verificar em (Ramos, (in press), p. 10) que os russos t&ecirc;m, cada vez mais, a consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o vivem em total liberdade democr&aacute;tica, mas, contrariamente ao que refere David Lyon (Lyon, 2003, p. 8) relativamente &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o ou resist&ecirc;ncia da vigil&acirc;ncia consoante esta &eacute; interpretada como algo que proporciona, ou n&atilde;o, melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida, n&atilde;o se identificam movimenta&ccedil;&otilde;es significativas no sentido de mudar o regime estabelecido ou contrariar a vigil&acirc;ncia em pr&aacute;tica. Tal aceita&ccedil;&atilde;o estar&aacute; relacionada com a cultura e o n&iacute;vel de ego&iacute;smo digital dos russos, mas &eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel argumentar que o Pan&oacute;ptico Digital exerce aqui um papel fundamental de fonte de poder no controlo da popula&ccedil;&atilde;o e no evitar de movimenta&ccedil;&otilde;es que possam conduzir a uma situa&ccedil;&atilde;o de instabilidade, afectando o regime estabelecido.</p>     <p>Existe assim a ideia de que o poder e a vigil&acirc;ncia na R&uacute;ssia s&atilde;o duas realidades indissoci&aacute;veis para a continuidade, estabilidade e alimenta&ccedil;&atilde;o informativa do regime em vig&ecirc;ncia actualmente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A Era P&oacute;s-Sovi&eacute;tica e a Explos&atilde;o das TIC</b></p>     <p>Durante os &uacute;ltimos anos de Gorbachev<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> no poder, a R&uacute;ssia tentou aderir &agrave; massifica&ccedil;&atilde;o das TIC, no entanto, foi na Era de Putin que a Internet sofreu a sua maior explos&atilde;o de crescimento na R&uacute;ssia. Contudo este crescimento explosivo n&atilde;o aconteceu sozinho. Houve sempre uma tentativa de acompanhar as TIC com leis e vigil&acirc;ncia governamental direccionada especificamente aos utilizadores da Internet (Saunders, 2009, p. 17). Rheingold (1993, pp. 9-10) afirma que a esfera da Internet pode ter chegado para servir de Agora virtual ou de Pan&oacute;ptico virtual, tudo depende de qual destes dois lados a controla.</p>     <p>A justifica&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre a mesma, em quase todos os pa&iacute;ses onde existe um elevado n&iacute;vel de vigil&acirc;ncia: protec&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os contra os conte&uacute;dos extremistas e a guerra ao terrorismo. Veja-se, por exemplo, o “Patriot Act” dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (Andrejevic, 2006, p. 245) e o “Terrorism Act” do Reino Unido, aprovados em Outubro de 2001 e em Mar&ccedil;o de 2006, respectivamente, que permitem o uso de todas as ferramentas ao dispor das entidades competentes com o objectivo de combater e parar actos de terrorismo que possam afectar a seguran&ccedil;a nacional. Nos Estados Unidos da Am&eacute;rica, esta lei foi publicada semanas depois dos famosos ataques do 11 de Setembro, em Nova York.</p>     <p>Na R&uacute;ssia, foi aprovada a Lei Federal de 12 de Agosto de 1995 N&ordm;144-FZ "Sobre as Actividades de Investigac&cedil;a~o", que legitima as actividades do FSB relativamente a` vigila&#094;ncia das comunicac&cedil;o~es. Muitas organizac&cedil;o~es ligadas a` defesa dos direitos humanos consideram que esta lei e&acute; inconstitucional por entrar em conflito com a lei fundamental russa, aprovada em 1993, que expressa claramente no seu artigo 23&ordm;:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <blockquote>“1. Todos tera~o o direito a` na~o violac&cedil;a~o da vida privada, segredos pessoais e de fami&acute;lia e a` protecc&cedil;a~o da sua honra e bom nome.</p></blockquote>     <p>    <blockquote>2. Todos tera~o o direito a` privacidade de corresponde&#094;ncia, conversas telefo&acute;nicas, mensagens postais, tele&acute;grafo e outro tipo de mensagens. Qualquer limitac&cedil;a~o a estes direitos devera&acute; apenas ser permitida mediante uma decisa~o do tribunal.” (Federac&cedil;a~o Russa, 1993).</p></blockquote>     <p>As motiva&ccedil;&otilde;es russas n&atilde;o diferem muito das motiva&ccedil;&otilde;es dos EUA e do Reino Unido mas, de certo modo, em lados opostos. Existe um sentimento de defesa contra os inimigos internos e externos que possam amea&ccedil;ar o pa&iacute;s e tamb&eacute;m contra a propaganda medi&aacute;tica dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (Sakwa, 2004, p. 106).</p>     <p>Assim, durante este per&iacute;odo iniciado com a escolha de Putin para o Kremlin, a Internet passou de novidade a um “Pan&oacute;ptico participat&oacute;rio”, promovido pelo governo, em constante crescimento e alimentado pelo ressurgimento do nacionalismo russo (Dennis, 2008, pp. 347-357).</p>     <p>Desde a chegada de Putin, o Kremlin tem sido inflex&iacute;vel e extremamente autorit&aacute;rio relativamente &agrave; liberdade de imprensa. Todas as esta&ccedil;&otilde;es privadas de televis&atilde;o foram nacionalizadas e, apesar da imprensa escrita e das r&aacute;dios n&atilde;o terem sido t&atilde;o afectadas como a televis&atilde;o, os seus directores de informa&ccedil;&atilde;o e editores s&atilde;o bastante pressionados para publicar dentro da linha pol&iacute;tica do actual governo. A imprensa na Internet e as ag&ecirc;ncias noticiosas agem dentro de uma certa liberdade mas a intimida&ccedil;&atilde;o &eacute; uma constante.</p>     <p>Neste momento, a R&uacute;ssia n&atilde;o tem meios t&eacute;cnicos para bloquear o acesso, via Internet, a determinadas fontes ou sites com conte&uacute;do que desagrada ou ataca as pol&iacute;ticas do governo. Ao contr&aacute;rio da China, a infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es russa n&atilde;o assenta num formato centralizado que permitiria o seu controlo quase total a partir de uma &uacute;nica localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica. Assim, como podemos ver em (Ramos, (in press), pp. 9-10), tem-se provado mais eficiente o aparecimento de gatekeepers e de “vigilantes virtuais”, como lhes chama Dennis (2008), cujo trabalho, muitas vezes suportado financeiramente pelo Kremlin, &eacute; navegar pela Internet em busca de sites ou conte&uacute;dos que, de alguma forma, ofendam ou sejam contr&aacute;rios &agrave;s ideologias russas e atacar esses mesmos sites, tentando por todos os meios prejudicar os seus criadores ou mesmo “retir&aacute;-los do ar”, impedindo o acesso aos conte&uacute;dos em causa (Dyakova, 2006).</p>     <p>Conclui-se, assim, que a infra-estrutura russa de TIC est&aacute; a ser usada, tanto ao n&iacute;vel estatal como n&atilde;o estatal, para a afirma&ccedil;&atilde;o do poder geopol&iacute;tico da Federa&ccedil;&atilde;o Russa.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O Olho Digital Invade a Esfera Privada</b></p>     <p>O mundo das tecnologias &eacute; complexo e, muitas vezes, usado sem plena consci&ecirc;ncia do que se passa dentro da nossa pr&oacute;pria esfera privada. &Eacute; certo que a maioria das pessoas n&atilde;o det&eacute;m um n&iacute;vel de literacia digital<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> que lhes permita compreender os meandros do computador que operam em suas casas. Tal como Morozov refere no seu livro e os especialistas em seguran&ccedil;a inform&aacute;tica atestam, &eacute; mais f&aacute;cil minimizar os riscos do uso das tecnologias ao n&iacute;vel da infra-estrutura do que tentar domesticar os utilizadores de uma determinada tecnologia (Morozov, 2011, pp. 146-147). Sendo completamente ing&eacute;nuas, tamb&eacute;m devido &agrave; sua iliteracia digital, muitas pessoas aceitam executar programas que recebem no seu email, porque o nome constante no remetente &eacute; um conhecido ou amigo ou porque descarregam estas aplica&ccedil;&otilde;es de sites que, supostamente, s&atilde;o confi&aacute;veis. Estas pessoas nem imaginam que este email ou o site foram manipulados de modo a fazer passar-se por algu&eacute;m conhecido ou por um site de confian&ccedil;a e, no entanto, o programa que est&atilde;o prestes a executar n&atilde;o &eacute; mais do que um “Cavalo de Tr&oacute;ia” que ser&aacute; instalado, em segredo, no seu computador e enviar&aacute; todo o tipo de informa&ccedil;&otilde;es a quem o desenvolveu. Trata-se de um pan&oacute;ptico digital bastante elaborado que permite a recolha de informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; pessoa que o instalou sem saber da sua verdadeira fun&ccedil;&atilde;o. Como refere Morozov, estas pessoas executam o software, supostamente enviado pelo amigo, da mesma forma que aceitariam jantar na sua casa sem medo de serem envenenados. Deste modo, quem cria e envia estes emails est&aacute;, na realidade, a criar uma rede de mini-pan&oacute;pticos que invade a nossa esfera privada, espalhando-se por milhares de pessoas em todo o mundo. Relativamente a este t&oacute;pico, a R&uacute;ssia demonstra j&aacute; ter adquirido uma grande mestria, como se provou com os ciberataques &agrave; Est&oacute;nia e outras antigas Rep&uacute;blicas da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, na utiliza&ccedil;&atilde;o de “Cavalos de Tr&oacute;ia” e outras tecnologias semelhantes.</p>     <p>Tal como descreve Morozov, e em termos comparativos, podemos observar como as tecnologias televisivas totalit&aacute;rias do Pan&oacute;ptico no romance de Orwell (1949), intitulado “1984”, podem tornar-se realidade e entrar em nossas casas, pelas nossas pr&oacute;prias m&atilde;os sem necessidade de consentimento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o da Vigil&acirc;ncia para a Auto-Vigil&acirc;ncia Colectiva</b></p>     <p>Depois dos ataques do 11 de Setembro em Nova York, tem sido comprovado que o modelo da Guerra Fria, de constru&ccedil;&atilde;o de um escudo anti-m&iacute;ssil em redor da Federa&ccedil;&atilde;o Russa, n&atilde;o tem qualquer tipo de efic&aacute;cia contra um tipo de guerra que &eacute;, cada vez mais, individualizada. A adapta&ccedil;&atilde;o aos modelos actuais de guerra demonstra que a efic&aacute;cia de uma super rede de informa&ccedil;&atilde;o, num formato “superpan&oacute;ptico”, &eacute; bastante superior aos modelos de guerra convencional. A Era da Informa&ccedil;&atilde;o demonstra que o que &eacute; necess&aacute;rio &eacute; um conceito de uma mega base de dados, constitu&iacute;da por muitas outras bases de dados, gerida e mantida por uma entidade do tipo “Instituto de Gest&atilde;o da Totalidade da Informa&ccedil;&atilde;o”, onde toda a informa&ccedil;&atilde;o relativa aos cidad&atilde;os possa ser mantida e constantemente actualizada, desde transac&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias at&eacute; &agrave; marca do leite que &eacute; comprado no supermercado e, finalmente, cruzado com registos do estado por forma a tra&ccedil;ar os perfis de toda uma popula&ccedil;&atilde;o e procurar por padr&otilde;es de comportamento suspeitos, n&atilde;o apenas colectivamente, mas tamb&eacute;m individualmente (Andrejevic, 2006, p. 245).</p>     <p>A jun&ccedil;&atilde;o de bases de dados privadas e p&uacute;blicas, e muitos outros tipos de informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; dispon&iacute;vel em bases de dados espalhadas por v&aacute;rias entidades, juntas numa super base de dados, prova ser mais eficiente do que um escudo anti-m&iacute;ssil e pode prevenir o acontecimento em vez de retaliar.</p>     <p>Uma das evolu&ccedil;&otilde;es verificadas na Era Digital &eacute; a vigil&acirc;ncia em rede. J&aacute; todos conhecemos o conceito de “Big Brother”, mas uma das consequ&ecirc;ncias da prolifera&ccedil;&atilde;o das tecnologias digitais &eacute; a introdu&ccedil;&atilde;o do conceito de “Little Brothers”.</p>     <p>Tal como vimos um pouco acima, no t&oacute;pico “O Olho Digital Invade a Esfera Privada”, existe uma forma de violar a esfera privada dos cidad&atilde;os, colocando pequenos olhos digitais nas suas casas e m&atilde;os, utilizando para esse efeito os seus pr&oacute;prios computadores e telem&oacute;veis. Este &eacute; o conceito de “Little Brothers” que, em conjunto com o “Big Brother” que recebe e processa todas as informa&ccedil;&otilde;es enviadas pelos “Little Brothers”, cria uma rede de informa&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da e descentralizada (Andrejevic, 2006, p. 337). Este tipo de rede n&atilde;o &eacute; mais do que uma apropria&ccedil;&atilde;o da tecnologia de modo a permitir uma tarefa de vigil&acirc;ncia de um para muitos, tornando-se mais eficaz e mais r&aacute;pido recolher informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Uma outra evolu&ccedil;&atilde;o do conceito original de Pan&oacute;ptico, na Era Digital, &eacute; o conceito de “Pan&oacute;ptico participativo” de duplo sentido ou Auto-Vigil&acirc;ncia Colectiva. Andrejevic (2006) refere no seu livro este conceito de Reg Whitaker. O princ&iacute;pio &eacute; simples. Representa a forma de submiss&atilde;o consensual &agrave; vigil&acirc;ncia, porque os vigiados tamb&eacute;m vigiam. Como Mark Crispin Miller refere, numa simples reformula&ccedil;&atilde;o do conhecido slogan “Big Brother is watching you”, citado por Andrejevic, “Big Brother is you, watching”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Andrejevic refere ainda que, actualmente, com as tecnologias a permitirem a emerg&ecirc;ncia da vigil&acirc;ncia distribu&iacute;da, a amplifica&ccedil;&atilde;o do modelo de Pan&oacute;ptico depende sobretudo da rela&ccedil;&atilde;o entre ser vigiado e vigiar.</p>     <p>Um exemplo deste modelo &eacute; precisamente o modelo imposto pelo Facebook Chat em que para visualizar quem est&aacute; online, o utilizador necessita de tamb&eacute;m estar online e, assim, tamb&eacute;m ser visto. Existe uma certa troca necess&aacute;ria para que o acto de vigiar possa ser efectuado.</p>     <p>Este tipo de modelos n&atilde;o est&aacute; apenas a habituar as sociedades a um regime de vigil&acirc;ncia em que todos sabemos que em determinado momento podemos ser vigiados, mas tamb&eacute;m est&aacute; a criar uma cultura de habituar as pessoas a vigiarem-se umas &agrave;s outras (Andrejevic, 2006, p. 337).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teoria dos Media como Suporte do Pan&oacute;ptico Russo</b></p>     <p>J&aacute; vimos no t&oacute;pico “A Era P&oacute;s-Sovi&eacute;tica e a Explos&atilde;o das TIC” que os anos Putin no Kremlin t&ecirc;m sido bastante duros sobre a imprensa televisiva, menos duros com a imprensa escrita e, de alguma forma, mais brandos com a imprensa e fontes de informa&ccedil;&atilde;o online. Sabemos tamb&eacute;m que a imprensa online est&aacute; a suplantar a imprensa escrita, n&atilde;o apenas na R&uacute;ssia, mas em todo o mundo, e que s&atilde;o os mais letrados e os jovens os maiores consumidores de not&iacute;cias online.</p>     <p>No entanto, quem vive, ou permanece na R&uacute;ssia por algum tempo, apercebe-se de que o governo &eacute; flex&iacute;vel no que respeita a not&iacute;cias ou conte&uacute;dos sobre v&aacute;rios aspectos da vigil&acirc;ncia existente no pa&iacute;s. O pr&oacute;prio facto de existir uma lei federal que permite diversas actividades proibidas pela constitui&ccedil;&atilde;o, demonstra claramente que o governo de Putin n&atilde;o faz um grande esfor&ccedil;o para esconder as suas actividades.</p>     <p>Tal como Morozov (2011, p. 147) refere, a simples passagem de uma informa&ccedil;&atilde;o, mesmo que falsa, sobre as novas tecnologias estarem a ajudar o governo a implementar ferramentas de vigil&acirc;ncia que, por sua vez, ajudam a apanhar criminosos, &eacute; suficiente para que a consci&ecirc;ncia daqueles que poderiam cometer algum tipo de comportamento n&atilde;o aceite, os condicione a n&atilde;o agir.</p>     <p>Sendo parte fundamental do conceito de Pan&oacute;ptico a consci&ecirc;ncia da exist&ecirc;ncia da vigil&acirc;ncia, este cen&aacute;rio demonstra um claro objectivo em manter a popula&ccedil;&atilde;o informada sobre a possibilidade constante de vigil&acirc;ncia, incrementando, assim, a j&aacute; existente consciencializa&ccedil;&atilde;o do ideal de Pan&oacute;ptico.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Uma nova forma de poder nasceu, durante o s&eacute;culo XVIII, na R&uacute;ssia e continua nos dias de hoje em actividade plena. O poder da vigil&acirc;ncia.</p>     <p>Nos finais do s&eacute;culo XVIII, estavam reunidas as condi&ccedil;&otilde;es para o surgimento desta revolu&ccedil;&atilde;o: os irm&atilde;os ingleses Bentham viviam em Krichev e trabalhavam para o pr&iacute;ncipe Potemkin como gestores das suas ind&uacute;strias, tendo, assim, a possibilidade de realizar constru&ccedil;&otilde;es arquitect&oacute;nicas. Para esse objectivo importaram trabalhadores ingleses, especializados nesta &aacute;rea, que iriam formar os camponeses russos iletrados. Seria necess&aacute;rio uma forma de controlar os formadores ingleses que, por sua vez, necessitariam de controlar os trabalhadores russos.</p>     <p>A Igreja Ortodoxa era a forma vigente do poder divino na terra e a arquitectura das suas igrejas reflectia (e reflecte) uma forma de controlo sobre a popula&ccedil;&atilde;o, separando os actos religiosos divinos dos actos terrenos. Os Bentham estudaram a sua arquitectura e aplicaram os seus princ&iacute;pios &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es realizadas, de modo a obter um maior controlo sobre os trabalhadores. Esta revolu&ccedil;&atilde;o arquitect&oacute;nica est&aacute; na base do pensamento moderno sobre a vigil&acirc;ncia.</p>     <p>Estudando esta nova forma de vigil&acirc;ncia e poder social, Foucault escreveu uma s&eacute;rie de textos em que analisa em detalhe as formas e espa&ccedil;os usados pelos Bentham e as suas consequ&ecirc;ncias sociais. Uma das mais importantes teorias &eacute; a dualidade da rela&ccedil;&atilde;o entre o conhecimento e o poder, dualidade essa que est&aacute; na base do Pan&oacute;ptico moderno da Era Digital. A recolha em massa de conhecimento sobre uma popula&ccedil;&atilde;o. Esta &eacute; a nova forma de vigil&acirc;ncia e controlo social que est&aacute; em pr&aacute;tica em muitos pa&iacute;ses, mas, sobretudo, na democracia musculada russa, onde o governo parece n&atilde;o ter qualquer relut&acirc;ncia em mostrar a sua vontade de vigiar, monitorar e controlar os media e a popula&ccedil;&atilde;o, usando para isso todos os meios ao seu dispor. A implementa&ccedil;&atilde;o da Lei Federal de 12 de Agosto de 1995 N&ordm;144-FZ, "Sobre as Actividades de Investigac&cedil;a~o", que permite todas as actividades de vigil&acirc;ncia, descartando por completo os princ&iacute;pios da Constitui&ccedil;&atilde;o Russa, &eacute; bem o exemplo disso.</p>     <p>Nenhum estado consegue vigiar todos os bloggers em simult&acirc;neo. N&atilde;o existem recursos financeiros para essa tarefa. Assim, &agrave; semelhan&ccedil;a do conceito do Pan&oacute;ptico, basta prender alguns indiv&iacute;duos e tornar claro que todos os outros podem ser vigiados e sofrer as mesmas penalidades. A consequ&ecirc;ncia ser&aacute; a auto-regula&ccedil;&atilde;o dos restantes indiv&iacute;duos, estes n&atilde;o cruzar&atilde;o a linha que os separa da liberdade e estas ac&ccedil;&otilde;es anular&atilde;o qualquer pensamento cr&iacute;tico. Exemplo de tal deten&ccedil;&atilde;o &eacute; bem descrita neste artigo da Gazeta.Ru (Gerasimenko, 2007).</p>     <p>No entanto, em 28 de Julho de 2012, Putin assinou uma nova lei que estende as possibilidades da lei anterior e coloca em pr&aacute;tica um plano, ainda mais intenso, de vigil&acirc;ncia na Federa&ccedil;&atilde;o Russa. Com este novo plano, os servi&ccedil;os secretos passam a ter mais liberdade e capacidade t&eacute;cnica de, em tempo real, filtrar toda a informa&ccedil;&atilde;o que circula na Internet e conseguem, por exemplo, construir listas detalhadas de quem visita o qu&ecirc; e quem procura que informa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, conseguem ainda copiar e armazenar em gigantescas bases de dados todo o tr&aacute;fego internet de todos os cidad&atilde;os e entidades podendo, posteriormente, analisar com mais detalhe a informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; filtrada automaticamente. Relativamente &agrave; censura, este novo desenvolvimento t&eacute;cnico permite ainda filtrar os conte&uacute;dos por pe&ccedil;a sem necessitar de bloquear um site inteiro. Por exemplo, podem anular a exist&ecirc;ncia de um video espec&iacute;fico no Youtube sem ter de bloquear todo o site. Este novo sistema entrou em vigor na R&uacute;ssia nas &uacute;ltimas semanas de 2012 (Soldatov e Borogan, 2012) e representa uma clara aproxima&ccedil;&atilde;o ao sistema centralizado de censura usado na Rep&uacute;blica Popular da China.</p>     <p>N&atilde;o satisfeito com este novo Pan&oacute;ptico, Putin decidiu ainda aprovar outra lei que permite ao estado a geolocaliza&ccedil;&atilde;o de todos os ve&iacute;culos existentes na R&uacute;ssia e a obrigatoriedade de coloca&ccedil;&atilde;o de um dispositivo localizador em todos os ve&iacute;culos que sejam produzidos na R&uacute;ssia ou importados para ser vendidos neste pa&iacute;s. Este novo projecto, designado “Era GLONASS” (em russo: <img src="/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i7.jpg">), &eacute; composto de um sistema de sat&eacute;lites russos de geolocaliza&ccedil;&atilde;o com cobertura mundial (id&ecirc;ntico ao sistema GPS dos EUA e, actualmente, &uacute;nico competidor deste sistema), dispositivos de localiza&ccedil;&atilde;o para os ve&iacute;culos e um centro de an&aacute;lise de informa&ccedil;&atilde;o que recebe e processa as coordenadas de todos os dispositivos de localiza&ccedil;&atilde;o (Beilin, 2012).</p>     
<p>O Pan&oacute;ptico russo continua, assim, a expandir-se e a aumentar a sua abrang&ecirc;ncia sobre a popula&ccedil;&atilde;o. Passou de uma forma de poder social localizado no s&eacute;culo XVIII para um Pan&oacute;ptico digital de massas no s&eacute;culo XXI, composto por v&aacute;rios mini-pan&oacute;pticos em cada lar e cada institui&ccedil;&atilde;o, utilizando para isso a apropria&ccedil;&atilde;o da rede da Internet e o caminho da sua expans&atilde;o indica que, em breve, todos os pormenores da vida privada ser&atilde;o detalhadamente armazenados e processados de modo a encontrar padr&otilde;es de comportamento social reprov&aacute;veis e, consequentemente, serem alvo de repress&atilde;o por parte do estado.</p>     <p>No entanto, a forma como temos conhecimento desta vigil&acirc;ncia &eacute;, no m&iacute;nimo, curiosa. Todas estas implementa&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas e leis s&atilde;o publicadas nos media digitais, n&atilde;o sendo alvo de censura, levando a acreditar na “Teoria dos Media como Suporte do Pan&oacute;ptico Russo”. &Eacute; simples acreditar que parte deste novo modo de poder &eacute; exercido pela consciencializa&ccedil;&atilde;o de que a vigil&acirc;ncia existe e pode afectar qualquer cidad&atilde;o. &Agrave; semelhan&ccedil;a do princ&iacute;pio original do Pan&oacute;ptico do s&eacute;culo XVIII, em que o conhecimento da omnisci&ecirc;ncia da observa&ccedil;&atilde;o representava, per se, uma forma de poder, a inten&ccedil;&atilde;o do governo de Putin em permitir que os media informem a popula&ccedil;&atilde;o sobre todas estas novas formas de vigil&acirc;ncia, representa tamb&eacute;m uma forma de poder cada vez mais absolutista e caracter&iacute;stico da evolu&ccedil;&atilde;o da democracia musculada para uma forma de estado totalit&aacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Pan&oacute;ptico nasceu na R&uacute;ssia absolutista do s&eacute;culo XVIII e &eacute; na democracia musculada da R&uacute;ssia do s&eacute;culo XXI que continua a desenvolver-se numa das suas mais originais, extensas e tecnologicamente avan&ccedil;adas formas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <p>Andrejevic, M., 2006. <i>iSpy: Surveillance and Power in the Interactive Era</i>. (vers&atilde;o manuscrita, gentilmente cedida pelo autor).</p>     <!-- ref --><p>Beilin, B., 2012. Satellite Surveillance does not Contradict the Russian Law. [online] <i>Vesti FM</i> <a href="http://www.radiovesti.ru/articles/2012-01-24/fm/30192" target="blank">http://www.radiovesti.ru/articles/2012-01-24/fm/30192</a>; [9 Janeiro 2013].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1646-5954201400030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bentham, J., 1787. Panopticon or the Inspection-House: Containing the idea of a new principle of Construction Applicable to any sort of establishment, in which persons of any description are to be kept under inspection. In: Bozovic, M. ed., 1995. <i>The Panopticon Writings</i>. London: Verso, pp. 29-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1646-5954201400030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Brignall III, T., 2002. The New Panopticon: The Internet Viewed as a Structure of Social Control. <i>Theory &amp; Science</i> 3, no. 1, <a href="http://www.radiovesti.ru/articles/2012-01-24/fm/30192" target="blank">http://www.radiovesti.ru/articles/2012-01-24/fm/30192</a> [10 Dezembro 2013].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1646-5954201400030000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cardoso, G., 2006. <i>The Media in the Network Society: Browsing, News, Filters and Citizenship</i>. Lisboa, Portugal: CIES  Centre for Research and Studies in Sociology.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1646-5954201400030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dennis, K., 2008. Keeping a Close Watch: The Rise of Self Surveillance and the Threat of Digital Exposure. <i>Sociological Review</i> 56.3 (2008), 347-357.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1646-5954201400030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dyakova, E., 2006. Semantic Guerrilla War in RuNet. Apresentado na Confer&ecirc;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1646-5954201400030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->ncia <i>Mass Media in Post-Soviet Russia International</i>, University of Surrey, 6-8 Abril 2006.</p>     <p>Federac&cedil;a~o Russa, 1993. <i>The Constitution of the Russian Federation</i>. [online] Federac&cedil;a~o Russa <a href="http://www.constitution.ru/en/10003000-03.htm" target="blank">http://www.constitution.ru/en/10003000-03.htm</a> [1 Dezembro 2012].</p>     <!-- ref --><p>Foucault, M., 1975. <i>Discipline and Punish</i>. Traduzido do Franc&ecirc;s por Alan Sheridan, 1979. New York: Vintage Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1646-5954201400030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Gerasimenko, O., 2007. They've Trashed All Those Internets. [online] <i>Gazeta.Ru</i> <a href="http://www.gazeta.ru/social/2007/08/10/2025091.shtml" target="blank">http://www.gazeta.ru/social/2007/08/10/2025091.shtml</a> [9 Janeiro 2013]. <img src="http:/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i4.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gordon, C., 1980. <i>Power/Knowledge: Selected Interviews and other Writings, 1972-1977 by Michel Foucault</i>. Traduzido do Franc&ecirc;s por Colin Gordon. New York: Pantheon Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1646-5954201400030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lyon, D., 2003. <i>Surveillance as Social Sorting: Privacy, risk and digital discrimination</i>. London e New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1646-5954201400030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Morozov, E., 2011. <i>The Net Delusion</i>. New York: Public Affairs.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S1646-5954201400030000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Orwell, G., 1949. <i>1984</i>. London: Secker and Warburg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1646-5954201400030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramos, H., (in press). Redes Abertas, Regimes Fechados: A Ilus&atilde;o do Poder na Era Digital Russa. <i>Observatorio (OBS*)</i>. (Em revisa~o para publicac&cedil;a~o).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1646-5954201400030000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rheingold, H., 1993. <i>Virtual Community: Homesteading the Electronic Frontier</i>. Reading: Addison-Wesley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S1646-5954201400030000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sadan, E., 2004. <i>Empowerment and Community Planning</i>. [ebook] Translated from Hebrew by Richard Flantz. Tel Aviv: Hakibbutz Hameuchad Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1646-5954201400030000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sakwa, R., 2004. <i>Putin: Russia's choice</i>. London e New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S1646-5954201400030000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Saunders, R. A., 2009. Wiring the Second World: The Geopolitics of Information and Communications Technology in Post-Totalitarian Eurasia. <i>Russian Cyber-Space Journal</i> 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S1646-5954201400030000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Semple, J., 1987. <i>Bentham's Prison: A Study of the Panopticon Penitentiary</i>. Oxford: Clarendon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-5954201400030000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Soldatov, A.; Borogan, I., 2012. The Kremlin’s New Internet Surv eillance Plan Goes Live Today. [online] <i>Wired</i> <a href="http://www.wired.com/dangerroom/2012/11/russia-surveillance/all/" target="blank">http://www.wired.com/dangerroom/2012/11/russia-surveillance/all/</a> [09 Janeiro 2013].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1646-5954201400030000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Statewatch, 2000. Russia: Surveillance of communications. [online] <i>Statewatch</i> <a href="http://database.statewatch.org/article.asp?aid=2776" target="blank">http://database.statewatch.org/article.asp?aid=2776</a> [28 Novembro 2012].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1646-5954201400030000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Stolzenberg, N., 1999. <i>Bentham’s Theory of Fictions - A 'Curious Double Language'</i>. [pdf] 11 Cardozo Studies in Law and Literature 223. <a href="http://weblaw.usc.edu/assets/docs/Stolzenberg_Bentham.pdf" target="blank">http://weblaw.usc.edu/assets/docs/Stolzenberg_Bentham.pdf</a>; [6 Janeiro 2013].</p>     <!-- ref --><p>Werret, S., 1998. Potemkin and the Panopticon: Samuel Bentham and the Architecture of Absolutism in Eighteenth Century Russia, <i>Journal of Bentham Studies</i>, [online] <a href="http://discovery.ucl.ac.uk/648/" target="blank">http://discovery.ucl.ac.uk/648/</a>; [5 Janeiro 2013].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1646-5954201400030000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>Para refer&ecirc;ncias futuras sobre o tema</b></p>     <p><img src="http:/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i5.jpg"> <a href="http://www.radiovesti.ru/topics/glonass/208" target="blank">http://www.radiovesti.ru/topics/glonass/208</a>; [9 Janeiro 2013]. (Vesti FM, 2012-2013. Discussions: Topic - GLONASS).</p>     <p><img src="http:/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i6.jpg"> [online] <a href="http://niits.ru/themes/sorm/" target="blank">http://niits.ru/themes/sorm/</a>; [9 Janeiro 2013]. (Research Institute for Telecommunication Systems, 1997-2013. Portal of Prof. M.A. Bonch-Bruevich Scientific-Educational School SPbSUT).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>&Agrave;s seguintes pessoas pelas contribui&ccedil;&otilde;es que ajudaram a produzir este artigo:</p>     <p>Dr. Mark Andrejevic, pela sua generosidade e disponibilidade ao ter enviado o manuscrito do livro “iSpy: Surveillance and Power in the Interactive Era” e, assim, permitir o enriquecimento da pesquisa efectuada.</p>     <p>Dra. Oksana Danchevskaya, pelas tradu&ccedil;&otilde;es efectuadas, dos artigos, publica&ccedil;&otilde;es e livros escritos na l&iacute;ngua russa, que permitiram, tamb&eacute;m, o enriquecimento e maior abrang&ecirc;ncia da pesquisa efectuada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup>1</Sup> Pan&oacute;ptico &eacute; uma palavra composta, formada por dois elementos. O elemento “pan”, derivado do grego, que exprime a ideia de tudo, o universo, o mundo, todo ou completo e o elemento “&oacute;ptico” que exprime a ideia de vis&atilde;o ou observa&ccedil;&atilde;o.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Consequencialismo &eacute; o nome atribu&iacute;do &agrave; classe de teorias normativas &eacute;ticas que sustentam que as consequ&ecirc;ncias dos actos praticados s&atilde;o a base fundamental para qualquer julgamento sobre o acerto da conduta ou comportamento observado. Assim, do ponto de vista consequencialista, um acto moralmente correto (ou a sua omiss&atilde;o) &eacute; aquele que ir&aacute; produzir um bom resultado ou consequ&ecirc;ncia.</p>      <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> A Igreja Ortodoxa, tamb&eacute;m conhecida como Igreja Cat&oacute;lica Ortodoxa ou Igreja Crist&atilde; Ortodoxa, &eacute; uma das principais Igrejas crist&atilde;s da atualidade com aproximadamente dois mil anos, surgindo junto com a Igreja Cat&oacute;lica Apost&oacute;lica Romana. A sua doutrina &eacute; semelhante &agrave; da Igreja Cat&oacute;lica: preserva os sete sacramentos, o respeito pelos &iacute;cones e o uso de vestes lit&uacute;rgicas nos seus cultos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Mikhail Sergeyevich Gorbachev (em russo: <img src="/img/revistas/obs/v8n3/8n3a07i8.jpg">), nascido em 1931, &eacute; um estadista sovi&eacute;tico, tendo servido como secret&aacute;rio-geral do Partido Comunista da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica de 1985 at&eacute; 1991 e como &uacute;ltimo chefe de Estado da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, tendo servido a partir de 1988 at&eacute; sua dissolu&ccedil;&atilde;o em 1991.</p>      
<p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> A literacia digital &eacute; a capacidade de efectivamente e criticamente navegar, avaliar e criar informa&ccedil;&otilde;es usando uma variedade de tecnologias digitais.</p> </html>      ]]></body><back>
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<year>2012</year>
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<surname><![CDATA[Bentham]]></surname>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Panopticon or the Inspection-House: Containing the idea of a new principle of Construction Applicable to any sort of establishment, in which persons of any description are to be kept under inspection]]></article-title>
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<surname><![CDATA[Bozovic]]></surname>
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