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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O vínculo do jornalista com o ambiente expresso em um jornal local: uma análise de discurso envolvendo o Pantanal brasileiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A comparison of newspaper coverage of the Brazilian Pantanal by a local newspaper and a main media vehicle reveals similarities and differences that may contribute to the understanding of a local issue. The methodology of discourse analysis helps in the discovery of contexts and social relationships involving proximity journalism. Our conclusion from the news stories that were researched is that coverage by local media is more committed to indigenous issues and that the journalist's ties with the environment should not be ignored.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O v&iacute;nculo do jornalista com o ambiente expresso em um jornal local: uma an&aacute;lise de discurso envolvendo o Pantanal brasileiro</b></p>     <p><b>The link between the journalist and the environment as expressed in a local newspaper: a discourse analysis involving the Brazilian Pantanal</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Maria Dantas de Maio*</b></p>     <p> * Jornalista do N&uacute;cleo de Comunica&ccedil;&atilde;o Organizacional da Embrapa Pantanal - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria, Parque Esta&ccedil;&atilde;o Biol&oacute;gica - PqEB s/n&ordm;. Bras&iacute;lia, DF - Brasil - CEP 70770-901. (<a href="mailto:anamaio@uol.com.br">anamaio@uol.com.br</a>)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b> </p>     <p>A compara&ccedil;&atilde;o entre a cobertura jornal&iacute;stica sobre o Pantanal brasileiro praticada por um jornal local e por um ve&iacute;culo da grande imprensa revela diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as que podem contribuir para o entendimento da quest&atilde;o local. A metodologia da an&aacute;lise de discurso auxilia na descoberta dos contextos e das rela&ccedil;&otilde;es sociais que envolvem o jornalismo de proximidade. Conclui-se que, nas mat&eacute;rias avaliadas, a cobertura da m&iacute;dia pr&oacute;xima &eacute; mais comprometida com a quest&atilde;o local e que o v&iacute;nculo do jornalista com o ambiente n&atilde;o deve ser ignorado.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> M&iacute;dia local; Pantanal; comunica&ccedil;&atilde;o; jornalismo de proximidade; an&aacute;lise de discurso.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>A comparison of newspaper coverage of the Brazilian Pantanal by a local newspaper and a main media vehicle reveals similarities and differences that may contribute to the understanding of a local issue. The methodology of discourse analysis helps in the discovery of contexts and social relationships involving proximity journalism. Our conclusion from the news stories that were researched is that coverage by local media is more committed to indigenous issues and that the journalist's ties with the environment should not be ignored.</p>     <p><b>Key-words:</b> Local media; Pantanal; communication; proximity journalism<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a><i>; </i>discourse analysis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O Pantanal brasileiro mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o com a m&iacute;dia, especialmente depois da exibi&ccedil;&atilde;o da novela “Pantanal”<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, produzida pela extinta TV Manchete em 1990, e com grande repercuss&atilde;o n&atilde;o apenas no Brasil, mas tamb&eacute;m no exterior. Durante esses 24 anos, o bioma vem ocupando espa&ccedil;o nas emissoras de televis&atilde;o e r&aacute;dio, revistas, jornais, cinema e internet. Mas h&aacute; algumas diferen&ccedil;as na forma como a m&iacute;dia local e a grande m&iacute;dia cobrem aquela regi&atilde;o.</p>     <p>O objetivo desse artigo &eacute; t&atilde;o somente avaliar as diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as do discurso jornal&iacute;stico produzido por um ve&iacute;culo local e por um jornal da chamada grande imprensa sobre o bioma. Pelo recorte realizado n&atilde;o &eacute; vi&aacute;vel tra&ccedil;ar generaliza&ccedil;&otilde;es, mas surgem alguns indicadores de como os discursos local e nacional s&atilde;o constru&iacute;dos pela imprensa. Os resultados da an&aacute;lise de discurso dos jornais Di&aacute;rio Corumbaense, de Corumb&aacute; (MS) e Folha de S.Paulo, de S&atilde;o Paulo, podem contribuir para as pesquisas relacionadas &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia local e &agrave; din&acirc;mica dos jornais de interior. Embora este trabalho contemple os dois ve&iacute;culos para que se tenha um par&acirc;metro de compara&ccedil;&atilde;o, a an&aacute;lise &eacute; feita &agrave; luz dos estudos de m&iacute;dia local e jornalismo de proximidade. O foco n&atilde;o est&aacute; na grande imprensa, que aqui figura como coadjuvante.</p>     <p>Antes de apresentar os fundamentos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos, conv&eacute;m fazer uma breve incurs&atilde;o sobre o Pantanal. Para os brasileiros que vivem distantes e se alimentam do repert&oacute;rio midi&aacute;tico sobre o local, &eacute; prov&aacute;vel que a imagem daquela regi&atilde;o se restrinja &agrave; beleza c&ecirc;nica de um santu&aacute;rio ecol&oacute;gico – muito verde, animais selvagens e abund&acirc;ncia de &aacute;gua. Para quem vive, trabalha ou mant&eacute;m algum v&iacute;nculo com o bioma, a percep&ccedil;&atilde;o &eacute; outra. Esses atores t&ecirc;m consci&ecirc;ncia da fragilidade daquele ambiente e, at&eacute; pela proximidade f&iacute;sica, sentem-se, de certa forma, respons&aacute;veis pela conserva&ccedil;&atilde;o e pelo uso sustent&aacute;vel da terra.</p>     <p>O Pantanal est&aacute; incorporado &agrave; vida desses sujeitos como uma &aacute;rea de biodiversidade rica – protegida pelo isolamento geogr&aacute;fico e dificuldade de acesso – e qualidade de vida prec&aacute;ria (principalmente na &aacute;rea rural)<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Ali s&atilde;o praticadas atividades econ&ocirc;micas adaptadas &agrave; regi&atilde;o, como a pecu&aacute;ria, o turismo e a pesca. No entanto, os riscos que rondam a plan&iacute;cie pantaneira tamb&eacute;m incomodam seus habitantes. O discurso adotado pelos ve&iacute;culos locais ora defende o desenvolvimento regional a qualquer custo, ora apoia a preserva&ccedil;&atilde;o deste Patrim&ocirc;nio da Humanidade e Reserva da Biosfera. No caso espec&iacute;fico dos textos aqui avaliados, nota-se que o jornal Di&aacute;rio Corumbaense assume a defesa incondicional do bioma quando o v&ecirc; amea&ccedil;ado. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Como e por qu&ecirc;: a an&aacute;lise discursiva</b></p>     <p>Tentar compreender a polifonia que comp&otilde;e os discursos midi&aacute;ticos e as posi&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas assumidas pelos jornais justifica a escolha da an&aacute;lise de discurso como suporte te&oacute;rico-metodol&oacute;gico para avaliar parte de seus conte&uacute;dos.  “A an&aacute;lise de discursos n&atilde;o se interessa tanto pelo que o texto diz ou mostra, pois n&atilde;o &eacute; uma interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica de conte&uacute;dos, mas sim em como e por que o diz e mostra” (Pinto, 1999, p. 23).</p>     <p>Nesse caso, o m&eacute;todo pode contribuir para o entendimento das rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre o jornal local e o ambiente. Permite que se conhe&ccedil;am as vozes que fomentam o discurso e as intencionalidades nem sempre expl&iacute;citas. O contexto espacial e temporal torna-se t&atilde;o relevante quanto a mensagem, pois dele depende a sele&ccedil;&atilde;o das fontes, da linha editorial, da imagem, das palavras utilizadas, das informa&ccedil;&otilde;es omitidas (o n&atilde;o-dito), da diagrama&ccedil;&atilde;o e do espa&ccedil;o ocupado pela mat&eacute;ria.</p>     <p>O repert&oacute;rio e a posi&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do autor do discurso (ou enunciador) tamb&eacute;m ter&atilde;o reflexos diretos na composi&ccedil;&atilde;o discursiva, assim como as caracter&iacute;sticas do pr&oacute;prio suporte, no caso, a imprensa.</p>     <p>    <blockquote>Nenhum discurso &eacute;, em princ&iacute;pio, totalmente aut&ocirc;nomo, monol&oacute;gico e monof&ocirc;nico. Suportado por toda uma intertextualidade, o discurso n&atilde;o &eacute; <i>dito</i> por uma &uacute;nica voz, mas por muitas vozes, geradoras de textos que se entrecruzam no tempo e no espa&ccedil;o, a tal ponto que, muitas vezes, se faz necess&aacute;ria uma escava&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stico-semi&oacute;tica para recuperar a significa&ccedil;&atilde;o profunda dessa polifonia. (Blikstein, 2006, p. 122)</blockquote></p>     <p>Qualquer g&ecirc;nero discursivo pode ser analisado. A ideia de comparar o discurso midi&aacute;tico local com o da grande m&iacute;dia tem como prop&oacute;sito ampliar o conhecimento sobre as caracter&iacute;sticas do jornal local. O que o faz diferente? Que semelhan&ccedil;as existem entre os dois tipos de ve&iacute;culos? Que vozes ganham espa&ccedil;o no jornal do interior? Que papel assume esse ve&iacute;culo diante de um ambiente t&atilde;o singular como o Pantanal brasileiro? O foco &eacute; a m&iacute;dia local, por&eacute;m, a an&aacute;lise do discurso de um grande jornal &eacute; importante para contrapor as perspectivas, os olhares, o lugar de fala.</p>     <p>“Em an&aacute;lise de discurso se considera que o que define o sujeito &eacute; o lugar do qual ele fala em rela&ccedil;&atilde;o aos diferentes lugares de uma forma&ccedil;&atilde;o social” (Orlandi, 2001, p. 109). Assim, para entender os sentidos constru&iacute;dos &eacute; necess&aacute;rio pensar sua rela&ccedil;&atilde;o com o pr&oacute;prio contexto e com outras forma&ccedil;&otilde;es discursivas.</p>     <p>A pesquisa bibliogr&aacute;fica complementa a metodologia, especialmente nos temas ligados &agrave; m&iacute;dia local, ao jornalismo de proximidade, &agrave; quest&atilde;o local, ao Pantanal e &agrave; an&aacute;lise de discurso. Foi realizada uma entrevista semiestruturada com um dos rep&oacute;rteres mais antigos do Di&aacute;rio Corumbaense para a obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre o ve&iacute;culo e sobre a cobertura do Pantanal. A perman&ecirc;ncia desta autora durante cinco anos no munic&iacute;pio de Corumb&aacute; justifica n&atilde;o apenas o interesse pelo tema, como tamb&eacute;m a vontade de compartilhar o conhecimento acumulado com seus pares.</p>     <p>O processo de escolha dos textos avaliados come&ccedil;a pela procura de um tema que tenha sido tratado pelas duas categorias de m&iacute;dia. Como a cobertura do Pantanal pela grande imprensa &eacute; menos comum, foi nos sites dos grandes jornais que se iniciou a busca pelas mat&eacute;rias. Foram consultados os sites dos jornais Valor Econ&ocirc;mico, O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, sendo que nesse &uacute;ltimo foram localizadas as reportagens que ser&atilde;o avaliadas. A primeira mat&eacute;ria trata de um caso em que cientistas foram presos por supostamente realizarem pesquisas no bioma sem as devidas autoriza&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m, anos depois foram absolvidos pela Justi&ccedil;a. A outra reportagem trata da cheia at&iacute;pica do Pantanal em 2011, que provocou preju&iacute;zos de milh&otilde;es de reais aos produtores rurais e deixou v&aacute;rias fazendas isoladas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na m&iacute;dia local, foram consultados tr&ecirc;s sites que mant&ecirc;m reda&ccedil;&otilde;es em Corumb&aacute;: o Di&aacute;rio Corumbaense (&uacute;nico com vers&atilde;o impressa), o Capital do Pantanal e o Corumb&aacute; Online. A op&ccedil;&atilde;o pelo primeiro se justifica pela localiza&ccedil;&atilde;o das reportagens que tratavam dos mesmos assuntos previamente selecionados na Folha de S.Paulo.</p>     <p>O Di&aacute;rio Corumbaense come&ccedil;ou a circular no munic&iacute;pio de 100 mil habitantes em 4 de maio de 2007. A dire&ccedil;&atilde;o geral &eacute; da jornalista Rosana Nunes, propriet&aacute;ria do ve&iacute;culo. Em 2009 foi lan&ccedil;ada a vers&atilde;o online do jornal, que contempla um volume de conte&uacute;do bem maior que o impresso. A reda&ccedil;&atilde;o &eacute; composta por quatro jornalistas (incluindo a diretora) e um fot&oacute;grafo. O Di&aacute;rio circula com 12 a 16 p&aacute;ginas, de segunda a sexta-feira, com tiragem aproximada de 2 mil exemplares. &Eacute; um dos dois jornais di&aacute;rios impressos de Corumb&aacute;.</p>     <p>A Folha de S.Paulo pertence ao Grupo Folha, dirigido pela fam&iacute;lia Frias. A hist&oacute;ria desse conglomerado de m&iacute;dia come&ccedil;a em 1921, mas o jornal passou a existir em 1960. &Eacute; o ve&iacute;culo impresso de maior circula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, com tiragem m&eacute;dia de 300 mil exemplares. O grupo emprega cerca de 9 mil funcion&aacute;rios e defende uma linha editorial pluralista e apartid&aacute;ria. Foi o primeiro jornal da Am&eacute;rica Latina a implantar a figura do <i>ombudsman</i>, um profissional pago para criticar o jornalismo da empresa e defender a posi&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O local, o patrim&ocirc;nio e a m&iacute;dia</b></p>     <p>O jornalista Marcelo Fernandes, que atua no Di&aacute;rio Corumbaense desde seu lan&ccedil;amento e na imprensa de Corumb&aacute; desde 2001, declara que tenta praticar um jornalismo isento e meramente informativo na cobertura sobre o Pantanal. “Mas consigo ver que tem o lado afetivo de quem vai cobrir, at&eacute; porque a gente &eacute; daqui”, afirma<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>O sentimento de perten&ccedil;a est&aacute; associado n&atilde;o apenas &agrave; proximidade imediata, mas ao processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade comum que se d&aacute; a partir de um engajamento. De acordo com Castells (1999, p. 79), “as pessoas precisam participar de movimentos urbanos (n&atilde;o exatamente revolucion&aacute;rios), pelos quais s&atilde;o revelados e defendidos interesses em comum, e a vida &eacute;, de algum modo, compartilhada, e um novo significado pode ser produzido”. A intera&ccedil;&atilde;o dos jornalistas com o ambiente, neste caso, estabelece um v&iacute;nculo que se manifesta na vida cotidiana e na atividade profissional envolvendo o bioma. O Pantanal assume, assim, caracter&iacute;sticas de objeto local.</p>     <p>    <blockquote>Desta forma, chegamos a uma defini&ccedil;&atilde;o do local que n&atilde;o faz dele nem uma necessidade antropol&oacute;gica nem um conte&uacute;do herdado e inevit&aacute;vel, mas uma forma social que constitui um n&iacute;vel de integra&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e dos atores, dos grupos e das trocas. Essa forma &eacute; caracterizada pela rela&ccedil;&atilde;o privilegiada com um lugar, que varia em sua intensidade e em seu conte&uacute;do. A quest&atilde;o se desloca ent&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o substancial do local &agrave; articula&ccedil;&atilde;o dos diferentes lugares de integra&ccedil;&atilde;o, &agrave; sua import&acirc;ncia, &agrave; riqueza de seu conte&uacute;do. (Bourdin, 2001, p. 56)</blockquote></p>     <p>O mesmo autor acrescenta que as figuras contempor&acirc;neas da localidade s&atilde;o marcadas pelo patrim&ocirc;nio, mesmo que ele exista para produzir algum sentido. “A refer&ecirc;ncia patrimonial, por mais fabricada que seja [...], constitui um meio de ‘fazer localidade’ particularmente eficaz” (Bourdin, 2001, p. 120). Neste caso, o Pantanal se reafirma como patrim&ocirc;nio local, respons&aacute;vel pelo sentimento de perten&ccedil;a gerado espontaneamente nos habitantes de seu entorno ou que mantenham algum envolvimento com a regi&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os movimentos ambientais locais podem contribuir para explicar essa identifica&ccedil;&atilde;o, pois, segundo Castells (1999, p. 81), “esses movimentos apresentam uma natureza defensiva e reativa, preocupando-se exclusivamente com a conserva&ccedil;&atilde;o de seu pr&oacute;prio espa&ccedil;o e ambiente imediato”. As contribui&ccedil;&otilde;es de Peruzzo (2002, p. 53) sobre m&iacute;dia comunit&aacute;ria e m&iacute;dia local permitem caracterizar o local como </p>     <p>    <blockquote>um espa&ccedil;o determinado, um lugar espec&iacute;fico de uma regi&atilde;o, no qual a pessoa se sente inserida e partilha sentidos. &Eacute; o espa&ccedil;o que lhe &eacute; familiar, que lhe diz respeito mais diretamente, muito embora as demarca&ccedil;&otilde;es territoriais n&atilde;o lhe sejam determinantes.</blockquote></p>     <p>&Eacute; neste contexto que atuam as chamadas m&iacute;dias locais. As reda&ccedil;&otilde;es promovem a cobertura de um espa&ccedil;o determinado, geralmente “exclu&iacute;do” ou pouco explorado pela grande imprensa. Os assuntos tratados nos grandes meios costumam ter sua repercuss&atilde;o local ou regional veiculada na localidade. A mesma autora acrescenta como caracter&iacute;sticas da m&iacute;dia local a gest&atilde;o do tipo burocr&aacute;tico tradicional, a explora&ccedil;&atilde;o do local como nicho de mercado, a produ&ccedil;&atilde;o do jornalismo por especialistas contratados, o controle dos espa&ccedil;os abertos aos cidad&atilde;os, entre outras (Peruzzo, 2002, pp. 60-61).</p>     <p>Embora tenha sido superada a ideia de local atrelada a um territ&oacute;rio, h&aacute; quem defenda que a localiza&ccedil;&atilde;o estabelece uma relevante inter-rela&ccedil;&atilde;o entre a m&iacute;dia e seu conte&uacute;do. “Nesta liga&ccedil;&atilde;o conceptual entre a sua localiza&ccedil;&atilde;o territorial e a territorializa&ccedil;&atilde;o dos seus conte&uacute;dos que a imprensa regional e local constr&oacute;i a sua raz&atilde;o de ser, a sua especificidade e sua for&ccedil;a” (Camponez, 2002, p. 110). O autor &eacute; um dos respons&aacute;veis pela retomada do conceito de jornalismo de proximidade, desvinculado da aproxima&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica ou territorial, mas associado &agrave; quest&atilde;o da identidade. Peruzzo complementa essa ideia, resgatando a no&ccedil;&atilde;o de um novo tipo de territ&oacute;rio. “Dimens&otilde;es como as de familiaridade no campo das identidades hist&oacute;rico-culturais [...] e de proximidade de interesses [...] s&atilde;o t&atilde;o importantes quanto as de base f&iacute;sica” (Peruzzo, 2005, p. 74).</p>     <p>J&aacute; Fernandes (2004, pp. 6-7) aponta que o conceito de proximidade implica duas dimens&otilde;es: a tem&aacute;tica e a geogr&aacute;fica.</p>     <p>    <blockquote>A primeira, a tem&aacute;tica, supre a necessidade de grupos que buscam trocar informa&ccedil;&otilde;es, t&ecirc;m afinidades por temas os mais diversos e expectativas em comum [...]. A segunda, a geogr&aacute;fica, diz respeito &agrave; proximidade espacial, que est&aacute; inserida de modo direto na conviv&ecirc;ncia cotidiana das pessoas, gerando um grau de intera&ccedil;&atilde;o e afetividade ainda maiores.</blockquote></p>     <p>No caso estudado, a abordagem geogr&aacute;fica da proximidade contempla exclusivamente a cobertura jornal&iacute;stica local, enquanto a dimens&atilde;o tem&aacute;tica tem potencial para despertar interesses al&eacute;m do espa&ccedil;o f&iacute;sico. Ao estudar o localismo em jornais do interior, Dornelles (2010, p. 238) observa que “&eacute; determinante o papel que a geografia desempenha na defini&ccedil;&atilde;o de informa&shy;&ccedil;&atilde;o local”. Para a autora</p>     <p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Essa ancoragem da imprensa local sobre o territ&oacute;rio/conte&uacute;do, que estamos salientando, parece evidenciar que a imprensa local constr&oacute;i a sua raz&atilde;o de ser, a sua especificidade e a sua for&shy;&ccedil;a entre a sua localiza&ccedil;&atilde;o territorial e a territoria&shy;liza&ccedil;&atilde;o dos seus conte&uacute;dos. (Dornelles, 2010, p. 239)</blockquote></p>     <p>Observa-se que a proximidade geogr&aacute;fica proporciona o engajamento e a constru&ccedil;&atilde;o de identidades comuns, assumindo a condi&ccedil;&atilde;o de facilitadora desse processo. H&aacute;, no entanto, uma caracter&iacute;stica do jornalismo de proximidade que o diferencia de outras pr&aacute;ticas jornal&iacute;sticas: a forma distintiva de posicionar-se perante os acontecimentos. Para Camponez (2012, p. 43), </p>     <p>    <blockquote>imp&otilde;e-se reconhecer que o jornalismo de proximidade surge intimamente ligado a quest&otilde;es epistemol&oacute;gicas e &eacute;ticas, que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel iludir, relacionadas, nomeadamente, com o estatuto da verdade e da objetividade no jornalismo, com a import&acirc;ncia da proximidade como uma forma diferente de olhar o mundo, ou com a fun&ccedil;&atilde;o social das not&iacute;cias.</blockquote></p>     <p>Essa “forma diferente de olhar o mundo” est&aacute; intrinsecamente ligada ao sujeito da comunica&ccedil;&atilde;o, no caso, o enunciador, e &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. “A cultura profissional dos jornalistas e a organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e dos processos produtivos, inter-relacionados, interferem diretamente na elabora&ccedil;&atilde;o das mensagens que ser&atilde;o levadas at&eacute; o p&uacute;blico” (Costa, 2005, p. 110). Ou seja, o repert&oacute;rio e as convic&ccedil;&otilde;es do profissional n&atilde;o podem ser menosprezados, bem como o ambiente de trabalho que, no interior, difere bastante das reda&ccedil;&otilde;es de grandes jornais das capitais. Essa distin&ccedil;&atilde;o se d&aacute; principalmente em termos de tamanho, estrutura, remunera&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es sociais na reda&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>.</p>     <p>Ainda s&atilde;o embrion&aacute;rios os estudos que inter-relacionam a comunica&ccedil;&atilde;o e o Pantanal, embora alguns pesquisadores venham se debru&ccedil;ando sobre o tema nos &uacute;ltimos anos. Um deles &eacute; o jornalista Eron Brum que, em conjunto com a pesquisadora Gladis Linhares, tem acumulado um conhecimento espec&iacute;fico sobre m&iacute;dia e Pantanal. Os dois admitem que “muito pouco se sabe a respeito da presen&ccedil;a da m&iacute;dia, sua a&ccedil;&atilde;o, influ&ecirc;ncia no receptor em &aacute;reas isoladas, em particular no Pantanal” (Brum; Linhares, 2007, p. 6). No entanto, esses autores j&aacute; comprovam que </p>     <p>    <blockquote>a contribui&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia para a dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento do bioma Pantanal n&atilde;o passa, ainda, de simples not&iacute;cias descompromissadas com o meio ambiente. [...] De modo geral as reportagens – especialmente em jornais, revistas e TVs – exploram as suas riquezas, apenas registram as trag&eacute;dias (queimadas, assoreamento dos rios, eros&atilde;o, pesca predat&oacute;ria), tudo de forma mais ou menos superficial. (Brum &amp; Linhares, 2007, p. 3)</blockquote></p>     <p>Eles n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos a vislumbrar esse discurso. “&Eacute; o Pantanal paradis&iacute;aco, marcado por mist&eacute;rios, formas de vida rudimentares, que mais uma vez desperta o interesse da m&iacute;dia, &aacute;vida por modelos ex&oacute;ticos” (Bigat&atilde;o, 2009/2010, p. 5). De fato, a imagem de “santu&aacute;rio ecol&oacute;gico” tem sido perpetuada pela grande m&iacute;dia. Entretanto, o mesmo n&atilde;o ocorre quando o jornalismo local dedica seu espa&ccedil;o ao bioma, como veremos a seguir.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A afetividade impl&iacute;cita </b></p>     <p>Localizado na regi&atilde;o central da Am&eacute;rica do Sul, o Pantanal se espalha por dois Estados brasileiros: Mato Grosso do Sul (65%) e Mato Grosso (35%). Ocupa ainda uma parte do territ&oacute;rio da Bol&iacute;via e do Paraguai. A pecu&aacute;ria de corte &eacute; a principal atividade econ&ocirc;mica praticada na regi&atilde;o, considerada a maior plan&iacute;cie inund&aacute;vel do planeta.</p>     <p>Rica em biodiversidade, 95% da &aacute;rea do Pantanal pertence a propriet&aacute;rios rurais, o que confere a eles um papel preponderante na tomada de decis&otilde;es sobre o uso e ocupa&ccedil;&atilde;o da terra. Os produtores tradicionais e seus pe&otilde;es sabem que n&atilde;o adianta contrariar o regime de seca e de cheia que caracteriza a plan&iacute;cie. Por isso, h&aacute; quase 300 anos se adaptaram ao bioma, que atualmente &eacute; o mais conservado do pa&iacute;s<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. Pesquisa recente indica que 87% da vegeta&ccedil;&atilde;o nativa do Pantanal est&aacute; intacta<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>Por reconhecer esse papel conservacionista dos pecuaristas pantaneiros, o tratamento dado a eles pela m&iacute;dia local tem sido diferenciado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; imagem que a grande imprensa constr&oacute;i. O pr&oacute;prio espa&ccedil;o ocupado pelo representante da categoria em uma das mat&eacute;rias locais avaliadas revela mais que a simples quest&atilde;o de proximidade: a voz concedida a ele demonstra uma rela&ccedil;&atilde;o de respeito. Trata-se de um contraponto &agrave; vers&atilde;o disseminada pelos grandes ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o, como a revista Carta Capital, com sede em S&atilde;o Paulo, que generaliza a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos pecuaristas brasileiros:</p>     <p>    <blockquote>O que incomoda os pecuaristas brasileiros &eacute; a imagem que o mundo faz deles – cada vez pior &agrave; medida que os neg&oacute;cios prosperam. N&atilde;o se conformam com as cr&iacute;ticas pesadas de ambientalistas, autoridades da sa&uacute;de, procuradores de Justi&ccedil;a, grupos vegetarianos e at&eacute; mesmo de outros produtores rurais, que os consideram a parte mais retr&oacute;grada do agroneg&oacute;cio. S&atilde;o acusados de desmatar a Amaz&ocirc;nia e o Cerrado, contribuindo decisivamente para as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais, consumir &aacute;gua em excesso, poluir os rios, contaminar as &aacute;reas de pastagens, lavagem de dinheiro e de fazerem mal &agrave; sa&uacute;de. Procuram um meio de serem vistos como empreendedores respons&aacute;veis, capazes de gerar quase 10% da riqueza nacional, d&oacute;lares para a balan&ccedil;a comercial e empregos nos confins do territ&oacute;rio brasileiro. (Cintra, 2010)</blockquote></p>     <p>Este tratamento diferenciado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; enuncia&ccedil;&atilde;o que envolve a figura do pecuarista &eacute; um dos pontos que ser&atilde;o abordados nas an&aacute;lises de discurso a seguir.</p>     <p><i>Di&aacute;rio Corumbaense: Cheia no Pantanal</i></p>     <p>O rep&oacute;rter Marcelo Fernandes, mencionado acima, entrevistou o ent&atilde;o presidente do Sindicato Rural de Corumb&aacute;, Raphael Kassar, para produzir o texto “Cheia pode provocar rea&ccedil;&atilde;o em cadeia e causar calamidade”. A mat&eacute;ria circulou durante a cheia de 2011<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, no dia 28 de mar&ccedil;o. O material avaliado aqui est&aacute; disponibilizado no site do Di&aacute;rio Corumbaense<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>.</p>     <p>A escolha da palavra “calamidade” para compor o t&iacute;tulo &eacute; expressiva. Comumente utilizado para caracterizar situa&ccedil;&otilde;es de desastres naturais, o verbete confere &agrave; frase o sentido de gravidade do fen&ocirc;meno. O mesmo pode ser observado no uso da express&atilde;o “rea&ccedil;&atilde;o em cadeia”, indicando que outros efeitos podem surgir a partir da enchente. O tom alarmante do t&iacute;tulo &eacute; um convite tentador aos interlocutores que apreciam not&iacute;cias sobre cat&aacute;strofes e combina com a foto de maior destaque: cinco bovinos com parte dos corpos embaixo da &aacute;gua, aparentemente tentando encontrar uma &aacute;rea mais seca <i>(cf. <a href="#f1">Figura 1</a>)</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/obs/v8n4/8n4a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; poss&iacute;vel que a imagem tenha sido produzida durante o transporte de animais para regi&otilde;es mais altas, mas como a opera&ccedil;&atilde;o de salvamento n&atilde;o est&aacute; exposta (n&atilde;o se veem pe&otilde;es e cavalos conduzindo o gado), fica a impress&atilde;o de que a &aacute;gua chegou de repente e que os bois v&atilde;o morrer afogados. De fato, animais morreram durante aquela enchente<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>     <p>A fotografia logo abaixo &eacute; do pecuarista entrevistado, sentado em frente a uma mesa, manipulando pap&eacute;is e com express&atilde;o s&eacute;ria e preocupada. O enunciado reflete em v&aacute;rios momentos essa inquieta&ccedil;&atilde;o: “o problema enfrentado pela classe ‘&eacute; s&eacute;rio’”; “outra quest&atilde;o que j&aacute; come&ccedil;a a tirar o sono dos pecuaristas &eacute; a possibilidade de demiss&otilde;es no setor”; “o problema &eacute; s&eacute;rio, n&atilde;o podemos brincar”; “n&atilde;o quero pensar no que pode acontecer”; “a situa&ccedil;&atilde;o hoje &eacute; muito preocupante para todos os produtores”, entre outras.</p>     <p>Ali&aacute;s, o foco da mat&eacute;ria deste jornal local &eacute; a quest&atilde;o social, com &ecirc;nfase para o desemprego que poder&aacute; ser provocado pela cheia. Em nenhum momento a reportagem expressa quantos trabalhadores ser&atilde;o demitidos do universo de 6 mil funcion&aacute;rios diretos atuando na pecu&aacute;ria. A chamada “rea&ccedil;&atilde;o em cadeia”, citada anteriormente, evidencia que o caos social poder&aacute; ter consequ&ecirc;ncias na economia local. O enunciador chega a utilizar no lide a express&atilde;o “calamidade social”, refor&ccedil;ando a preocupa&ccedil;&atilde;o com o desemprego.</p>     <p>Raphael Kassar &eacute; a &uacute;nica fonte entrevistada pelo Di&aacute;rio Corumbaense para essa mat&eacute;ria. O discurso do jornal avaliza a demanda dos pecuaristas, que apontam a necessidade de empr&eacute;stimos subsidiados do poder p&uacute;blico para compensar parte dos preju&iacute;zos. O jornal concentra a divulga&ccedil;&atilde;o de dados t&eacute;cnicos de um laudo sobre as perdas no final do texto, ap&oacute;s o intert&iacute;tulo “Reflexos na pecu&aacute;ria”. Falta clareza nessas descri&ccedil;&otilde;es, pois em apenas dois par&aacute;grafos, 12 express&otilde;es num&eacute;ricas se acumulam em meio &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es sobre bezerros, matrizes, taxas de natalidade e mortalidade etc. Essa constru&ccedil;&atilde;o dificulta o entendimento para o p&uacute;blico leigo, que pode se perder na leitura e interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados.</p>     <p><i>Folha de S.Paulo: Cheia no Pantanal</i></p>     <p>A mat&eacute;ria da Folha de S.Paulo sobre a cheia de 2011 no Pantanal foi produzida pela rep&oacute;rter Nat&aacute;lia Cancian, diretamente da reda&ccedil;&atilde;o na capital paulista, e circulou na sess&atilde;o “<i>Commodities</i>”, do caderno “Mercado”, de 24 de mar&ccedil;o daquele ano. Diferentemente da cobertura feita pelo Di&aacute;rio Corumbaense, o foco &eacute; econ&ocirc;mico e os protagonistas s&atilde;o os bois, o que se manifesta j&aacute; pela elabora&ccedil;&atilde;o do t&iacute;tulo “Cheias no Pantanal obrigam 70% do rebanho bovino a se deslocar”. A vers&atilde;o analisada neste trabalho &eacute; a impressa, acessada por meio do site da Folha <i>(cf. <a href="#f2">Figura 2</a>)</i><sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/obs/v8n4/8n4a04f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O subt&iacute;tulo e o olho<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>, que antecedem o texto, mant&ecirc;m o discurso focado na economia: “Parte do gado, j&aacute; fraca, morre no trajeto; preju&iacute;zos s&atilde;o estimados pela Embrapa em R$ 190 mi” e “Sindicato de Corumb&aacute;, um dos maiores polos pecuaristas do pa&iacute;s, diz que ‘daqui a pouco vai faltar boi para abater’”. Essa tripla composi&ccedil;&atilde;o (t&iacute;tulo, subt&iacute;tulo e olho) exp&otilde;e a ideia de uma cheia at&iacute;pica, mas mant&eacute;m as consequ&ecirc;ncias no &acirc;mbito dos animais: eles ser&atilde;o deslocados, eles est&atilde;o morrendo, eles deixar&atilde;o de ser abatidos.</p>     <p>A declara&ccedil;&atilde;o do presidente do Sindicato Rural de Corumb&aacute; de que “vai faltar boi para abater” sugere o efeito para o consumidor: poder&aacute; faltar carne bovina. Apenas depois do intert&iacute;tulo “Perdas futuras”, o enunciador explicita outra dedu&ccedil;&atilde;o, a de que a carne poder&aacute; ficar mais cara. N&atilde;o h&aacute; men&ccedil;&atilde;o sobre as amea&ccedil;as de desemprego.</p>     <p>O tratamento dado aos n&uacute;meros do laudo t&eacute;cnico sobre a cheia &eacute; mais suave. Mesmo quem n&atilde;o entende de pecu&aacute;ria saber&aacute; que a redu&ccedil;&atilde;o da taxa de natalidade de 56% para 46% representa 38 mil bezerros a menos. A jornalista se preocupou em traduzir os dados t&eacute;cnicos e estat&iacute;sticos para que o leitor comum pudesse compreend&ecirc;-los. Os elementos num&eacute;ricos foram distribu&iacute;dos ao longo do texto, minimizando o impacto dessas informa&ccedil;&otilde;es mais frias e pesadas.</p>     <p>Outro diferencial da reportagem da Folha de S.Paulo &eacute; a quantidade de fontes entrevistadas. Ao sindicalista Raphael Kassar foi concedido apenas um par&aacute;grafo. A rep&oacute;rter tamb&eacute;m ouviu a chefe da Embrapa Pantanal (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria), &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pelo laudo, e um pecuarista que teve cinco fazendas alagadas. Essa diversifica&ccedil;&atilde;o de fontes permite conhecer outros olhares sobre o fato, embora o espa&ccedil;o disponibilizado a cada um dos entrevistados seja limitado. O processo de produ&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias implantado na Folha de S.Paulo engessa o espa&ccedil;o da diagrama&ccedil;&atilde;o e os textos precisam se adequar ao tamanho pr&eacute;-estabelecido<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Nos jornais de interior, a flexibilidade para lidar com os espa&ccedil;os &eacute; maior, pois geralmente a diagrama&ccedil;&atilde;o &eacute; definida ap&oacute;s a produ&ccedil;&atilde;o do texto e das imagens.</p>     <p>A fotografia selecionada pela Folha &eacute; um discurso &agrave; parte. Em preto e branco, ela mostra a condu&ccedil;&atilde;o de uma boiada por uma estrada que aparece com as duas margens alagadas. A tomada a&eacute;rea permite uma visualiza&ccedil;&atilde;o mais aberta e mais completa do ambiente, contrastando com a imagem fechada (foco nos cinco bois) publicada pelo Di&aacute;rio Corumbaense. Al&eacute;m dos pe&otilde;es montados em seus cavalos e acompanhando o rebanho, dois ve&iacute;culos aparecem na imagem: um deles, maior, aparentemente auxilia a comitiva. O outro carro provavelmente segue viagem pela rodovia e precisou passar pela boiada em velocidade reduzida, um risco comum durante o per&iacute;odo de cheias na regi&atilde;o.</p>     <p>A qualidade da fotografia, feita por um profissional do jornal Correio do Estado, com sede na capital sul-mato-grossense, Campo Grande, justifica a publica&ccedil;&atilde;o em quatro colunas e altura correspondente a quase um quarto da p&aacute;gina. N&atilde;o seria exagero inferir que o jornal optou por abrir a p&aacute;gina com essa mat&eacute;ria em fun&ccedil;&atilde;o da rica linguagem visual. A polifonia no discurso da Folha contempla a plasticidade, manifestada na busca de harmonia entre visual, conte&uacute;do e inteligibilidade. A compara&ccedil;&atilde;o das imagens reflete o discurso a dist&acirc;ncia da Folha (foto aberta, feita do alto) e o discurso de proximidade do Di&aacute;rio Corumbaense (gado pr&oacute;ximo, no mesmo n&iacute;vel).</p>     <p><i>Di&aacute;rio Corumbaense: Absolvi&ccedil;&atilde;o de pesquisadores</i></p>     <p>O autor da mat&eacute;ria “Justi&ccedil;a absolve americanos e brasileiros detidos por pesquisa no Pantanal”<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> &eacute; Rodrigo Nascimento, <i>free-lancer</i> que presta servi&ccedil;os ocasionais ao Di&aacute;rio Corumbaense. O texto, rico em detalhes, foi publicado na edi&ccedil;&atilde;o de 4 de setembro de 2012.</p>     <p>No t&iacute;tulo, o autor afirma que os cientistas haviam sido detidos por pesquisas no Pantanal, embora ao longo do discurso essa acusa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica esteja ausente. Ao optar por essa informa&ccedil;&atilde;o no t&iacute;tulo, o jornal alerta para o risco de que estrangeiros utilizem o bioma para pesquisas ilegais – e o jornal assume a fun&ccedil;&atilde;o de sentinela.</p>     <p>Ele abre a mat&eacute;ria expondo os nomes dos seis pesquisadores norte-americanos e brasileiros que haviam sido detidos tr&ecirc;s anos antes sob as acusa&ccedil;&otilde;es de crime contra o patrim&ocirc;nio e atividades lesivas ao meio ambiente<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. S&atilde;o tantos nomes e sobrenomes que a informa&ccedil;&atilde;o principal, a absolvi&ccedil;&atilde;o, se perde no par&aacute;grafo inicial. O resgate da hist&oacute;ria nas linhas seguintes valoriza as suspeitas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os equipamentos apreendidos com os pesquisadores comp&otilde;em a linguagem visual do enunciado. Amontoado em uma sala, o material &eacute; exibido junto ao emblema da Pol&iacute;cia Federal, respons&aacute;vel pela apreens&atilde;o e pela pris&atilde;o. A foto, recuperada do arquivo do jornal, n&atilde;o apresenta personagens <i>(cf. <a href="#f3">Figura 3</a>)</i>, caracterizando um discurso visual pouco expressivo, exceto pela voz concedida &agrave; pol&iacute;cia.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/obs/v8n4/8n4a04f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A leitura permite concluir que o texto &eacute; constru&iacute;do a partir da senten&ccedil;a judicial. N&atilde;o h&aacute; entrevistas nem repercuss&otilde;es. O ve&iacute;culo n&atilde;o manifesta o “outro lado” da not&iacute;cia, ou seja, a posi&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores configura-se no discurso como o n&atilde;o-dito.</p>     <p><i>Folha de S.Paulo: Absolvi&ccedil;&atilde;o de pesquisadores</i></p>     <p>A reportagem da Folha de S.Paulo<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a> sobre o mesmo tema tamb&eacute;m &eacute; rica em detalhes. Ela foi produzida por Rodrigo Vargas, um colaborador do jornal em Cuiab&aacute; (MT), e publicada na editoria de “Ambiente” apenas na vers&atilde;o online do jornal no dia 3 de setembro de 2012, sem fotografias <i>(cf. <a href="#f4">Figura 4</a>)</i>. Acompanhando a cobertura anterior, da &eacute;poca da pris&atilde;o, verifica-se que esse profissional j&aacute; havia produzido outras reportagens, nas quais assinava como Ag&ecirc;ncia Folha. A dist&acirc;ncia entre Cuiab&aacute; e Corumb&aacute; &eacute; de aproximadamente 620 quil&ocirc;metros.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/obs/v8n4/8n4a04f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O t&iacute;tulo utilizado pelo jornal n&atilde;o menciona a quest&atilde;o da pesquisa cient&iacute;fica: “Justi&ccedil;a absolve ge&oacute;logos presos no Pantanal sob suspeita de crime ambiental”. Mas a informa&ccedil;&atilde;o no texto parece mais completa que a do jornal local, pois cita que os suspeitos foram acusados de usurpar o patrim&ocirc;nio da Uni&atilde;o, crime ambiental e condu&ccedil;&atilde;o de pesquisas sem autoriza&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m &eacute; informa&ccedil;&atilde;o exclusiva da Folha a de que os americanos tiveram seus passaportes retidos por mais de um m&ecirc;s.</p>     <p>Assim como no Di&aacute;rio Corumbaense, o enunciado produzido por Rodrigo Vargas &eacute; constru&iacute;do com base na senten&ccedil;a judicial, sem entrevistas. Mas ele recupera uma declara&ccedil;&atilde;o anterior feita pelo coordenador do trabalho no Pantanal, o ge&oacute;logo M&aacute;rio Lu&iacute;s Assine, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), tentando justificar a “falha” na regulariza&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o dos estrangeiros, garantindo a manifesta&ccedil;&atilde;o do “outro lado”.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O discurso da Folha aprofunda informa&ccedil;&otilde;es sobre a pesquisa dos ge&oacute;logos, dizendo que eles tentavam encontrar registros de altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas ocorridas naquela regi&atilde;o nos &uacute;ltimos 30 mil anos investigando material depositado no fundo das lagoas. Outra afirma&ccedil;&atilde;o relevante &eacute; que houve mudan&ccedil;a de procurador do caso e o novo encarregado entendeu n&atilde;o haver crime na conduta dos denunciados. Esse pode ter sido, inclusive, o motivo da absolvi&ccedil;&atilde;o. O jornal tamb&eacute;m publica os nomes dos acusados, mas no terceiro par&aacute;grafo, sem tanto alarde.</p>     <p>A leitura das duas reportagens, a da grande imprensa e a da m&iacute;dia local, permite verificar que os enunciados apresentam informa&ccedil;&otilde;es repetidas e exclusivas. N&atilde;o se percebe na Folha a mesma postura de vigil&acirc;ncia do Di&aacute;rio Corumbaense. A cobertura feita pelo jornal paulista parece mais t&eacute;cnica e menos comprometida com a quest&atilde;o local. Mesmo neste segundo caso, a Folha demonstra a preocupa&ccedil;&atilde;o com as pesquisas sem autoriza&ccedil;&atilde;o, entretanto, trata os suspeitos com mais sobriedade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as</b></p>     <p>As reportagens avaliadas pela an&aacute;lise de discurso contemplam situa&ccedil;&otilde;es de amea&ccedil;a &agrave; regi&atilde;o. N&atilde;o cabe ju&iacute;zo de valor para determinar se o jornalismo praticado pelo ve&iacute;culo local &eacute; melhor ou pior que o de um grande jornal. As coberturas t&ecirc;m caracter&iacute;sticas distintas e algumas similaridades, como o n&iacute;vel de detalhamento e profundidade das mat&eacute;rias. O objetivo deste relato &eacute; t&atilde;o somente contribuir com as pesquisas que procuram desvendar as peculiaridades da m&iacute;dia local.</p>     <p>O ve&iacute;culo com sede em Corumb&aacute; mostra um jornalismo rico em detalhes e aprofundado, apropriando-se de um tom pr&oacute;ximo ao sensacionalista como forma de despertar a aten&ccedil;&atilde;o dos interlocutores para as amea&ccedil;as ao bioma. O Di&aacute;rio Corumbaense opta por reportagens baseadas em fontes &uacute;nicas, valorizando a opini&atilde;o representativa de uma lideran&ccedil;a local, especialmente na mat&eacute;ria sobre a cheia. Em compara&ccedil;&atilde;o com o ve&iacute;culo da grande imprensa, sua abordagem em rela&ccedil;&atilde;o a dados estat&iacute;sticos se mostra mais confusa.</p>     <p>Um dos aspectos mais interessantes levantados pela an&aacute;lise de discurso &eacute; o direcionamento editorial para a quest&atilde;o local, que fica evidente no tratamento dado pelos dois jornais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s consequ&ecirc;ncias da cheia. O jornal local explicita a preocupa&ccedil;&atilde;o com a falta de empregos que a enchente causar&aacute; e seus efeitos sociais. O ve&iacute;culo representante da grande m&iacute;dia foca sua inquieta&ccedil;&atilde;o no risco de faltar carne para abastecer o mercado nacional. Os posicionamentos, embora diferentes, s&atilde;o leg&iacute;timos.</p>     <p>A Folha de S.Paulo apresenta enunciados com fontes diversificadas e mais objetividade nas informa&ccedil;&otilde;es. Trabalha com clareza os dados t&eacute;cnicos, especialmente os elementos num&eacute;ricos. A contextualiza&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria para o leitor de outras regi&otilde;es do Brasil &eacute; tamb&eacute;m uma caracter&iacute;stica apontada pela an&aacute;lise, como se observa na identifica&ccedil;&atilde;o do local: “um dos maiores polos pecuaristas do pa&iacute;s”. Assim como o jornal local, a cobertura da Folha revela-se rica em detalhes. A linguagem visual disponibilizada na vers&atilde;o impressa &eacute; jornalisticamente mais expressiva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O sentimento de perten&ccedil;a que envolve o Pantanal &eacute; compartilhado pelos atores que mant&ecirc;m algum v&iacute;nculo social com aquela regi&atilde;o e que, de certa forma, se apropriam dela, seja pela proximidade f&iacute;sica, seja pela exist&ecirc;ncia de uma identidade e significados comuns. Formalmente, o bioma &eacute; declarado Patrim&ocirc;nio da Humanidade pela Unesco<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>, no entanto, para quem o vivencia diariamente, ele se torna patrim&ocirc;nio local, digno de prote&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim, o Pantanal configura-se como um local, na medida em que existe um comprometimento de moradores e trabalhadores com aquele ambiente. Mais que um territ&oacute;rio delimitado em mapas, o local se transforma em “raz&atilde;o de ser”. Isso explica, em parte, a cobertura mais passional realizada pelo jornal local sobre dois eventos envolvendo o bioma, se comparada ao trabalho jornal&iacute;stico realizado por um ve&iacute;culo da grande m&iacute;dia.</p>     <p>A an&aacute;lise permite verificar que o comprometimento do jornal local com o Pantanal se expressa nos enunciados avaliados. O Di&aacute;rio Corumbaense assume a posi&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de guardi&atilde;o do bioma, alertando os leitores sobre os riscos que aquela regi&atilde;o corre. O distanciamento f&iacute;sico n&atilde;o impediu que a Folha de S.Paulo cobrisse os dois eventos – at&eacute; mesmo com a participa&ccedil;&atilde;o direta de profissionais daquela regi&atilde;o. No entanto, o material analisado revela a preocupa&ccedil;&atilde;o do jornal em manter seu padr&atilde;o visual e t&eacute;cnico na abordagem dos temas, menos comprometido com a quest&atilde;o local. Em outras palavras, o v&iacute;nculo do enunciador com a localidade &eacute; uma vari&aacute;vel que n&atilde;o deve ser desprezada nos estudos de m&iacute;dia local.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bigat&atilde;o, R. (2009/2010). Pantanal na vis&atilde;o da m&iacute;dia: da inexist&ecirc;ncia ao para&iacute;so: uma abordagem sobre as inter-rela&ccedil;&otilde;es do meio e da produ&ccedil;&atilde;o cultural, <i>Revista Cordis</i>, 3-4: 1-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1646-5954201400040000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Blikstein, I. (2006). An&aacute;lise semi&oacute;tica do discurso pol&iacute;tico e empresarial. In W. Emediato, I. L. Machado, &amp; W. Menezes. (Eds.) (2006) <i>An&aacute;lise do discurso: g&ecirc;nero, comunica&ccedil;&atilde;o e sociedade</i>, Belo Horizonte: N&uacute;cleo de An&aacute;lise do Discurso, pp. 119-132.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1646-5954201400040000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdin, A. (2001). O objeto local. In A. Bourdin (2001) <i>A quest&atilde;o local</i>. Rio de Janeiro: DP&amp;A, pp. 25-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1646-5954201400040000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Brum, E. &amp; Linhares, G. (2007). Cheia, isolamento e seca: os estragos midi&aacute;ticos no Pantanal sul-matogrossense. In <i>Congresso Brasileiro de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, 30</i>. Recuperado em <a href="http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0410-1.pdf" target="blank">http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0410-1.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Camponez, C. (2002). Territ&oacute;rios de proximidade. In C. Camponez (2002) <i>Jornalismo de proximidade: rituais de comunica&ccedil;&atilde;o na imprensa regional</i>. Coimbra: Minerva, pp. 107-129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1646-5954201400040000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Camponez, C. (2012). Jornalismo regional: proximidade e distancia&ccedil;&otilde;es: linhas de reflex&atilde;o sobre uma &eacute;tica da proximidade no jornalismo. In J. C. Correia. (Org.) (2012) <i>&Aacute;gora</i> <i>Jornalismo de proximidade: limites, desafios e oportunidades</i>. Covilh&atilde;: LabCom, pp. 35-47. Recuperado em <a href="http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20121224-agora_ebook.pdf" target="blank">http://www.livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20121224-agora_ebook.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1646-5954201400040000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Castells, M. (1999). Para&iacute;sos comunais: identidade e significado na sociedade em rede. In: M. Castells (1999) <i>O poder da identidade,</i> S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, pp. 21-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1646-5954201400040000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cintra, L. A. (2010, 10 de setembro). O pecado da carne. <i>Carta Capital</i>. Recuperado em <a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/o-pecado-da-carne/" target="blank">http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/o-pecado-da-carne/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1646-5954201400040000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Costa, L. M. P. (2005). O newsmaking na imprensa do interior: a rotina produtiva do jornal A Voz do Vale do Para&iacute;ba, <i>Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</i>, 43: 105-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1646-5954201400040000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fernandes, M. L. (2004). A for&ccedil;a da not&iacute;cia local: a proximidade como crit&eacute;rio de noticiabilidade. In <i>Col&oacute;quio Internacional de Comunica&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento Regional – Regiocom, 9</i>. Recuperado em <a href="http://encipecom.metodista.br/mediawiki/index.php/A_for%C3%A7a_da_not%C3%ADcia_local:_a_proximidade_como_crit%C3%A9rio_da_noticiabilidade" target="blank">http://encipecom.metodista.br/mediawiki/index.php/A_for%C3%A7a_da_not%C3%ADcia_local:_a_proximidade_como_crit%C3%A9rio_da_noticiabilidade</a></p>     <!-- ref --><p>Dornelles, B. (2010). O localismo nos jornais do interior, <i>Famecos</i>, 17: 237-243. Recuperado em <a href="http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/8191/5880" target="blank">http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/8191/5880</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1646-5954201400040000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Machado, A.; Becker, B. (2008). <i>Pantanal: a reinven&ccedil;&atilde;o da telenovela</i>. S&atilde;o Paulo: Educ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1646-5954201400040000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martino, L. M. S. (2009). <i>Teoria da comunica&ccedil;&atilde;o: ideias, conceitos e m&eacute;todos</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1646-5954201400040000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Orlandi, E. P. (2001). O intelig&iacute;vel, o interpret&aacute;vel e o compreens&iacute;vel. In Orlandi, E. P. (2001) <i>Discurso e leitura,</i> S&atilde;o Paulo: Cortez; Campinas: Unicamp, pp. 101-118.</p>     <!-- ref --><p>Peruzzo, C. M. K. (2002). M&iacute;dia local e suas interfaces com a m&iacute;dia comunit&aacute;ria, <i>Anu&aacute;rio Unesco/Umesp de comunica&ccedil;&atilde;o regional</i>, 6: 51-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1646-5954201400040000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Peruzzo, C. M. K. (2005). M&iacute;dia regional e local: aspectos conceituais e tend&ecirc;ncia,<i> Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</i>, 43: 67-84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1646-5954201400040000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pinto, M. J. (1999). Uma agenda para a an&aacute;lise de discurso. In M. J. Pinto (1999) <i>Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; discurso</i>, S&atilde;o Paulo: Hacker Editores, pp. 21-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1646-5954201400040000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Date of submission: December 7, 2013</p>     <p>Date of acceptance: August 20, 2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o do conceito feita pela autora deste artigo.</p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Esta novela foi exibida tr&ecirc;s vezes pela televis&atilde;o brasileira e &eacute; considerada por estudiosos da teledramaturgia uma produ&ccedil;&atilde;o “fora do padr&atilde;o”. Foi a primeira novela que conseguiu abalar o monop&oacute;lio da Rede Globo, no hor&aacute;rio nobre, com altos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia. Para mais informa&ccedil;&otilde;es, ver Machado e Becker, 2008.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> A precariedade deve ser entendida no sentido de investimentos insuficientes nas &aacute;reas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, saneamento b&aacute;sico e infraestrutura.</p>      <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> As informa&ccedil;&otilde;es sobre a Folha de S.Paulo foram obtidas no site da empresa.  Dispon&iacute;vel em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/institucional/" target="blank">http://www1.folha.uol.com.br/institucional/</a>. Acesso em: 15 jan. 2013.</p>      <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Entrevista concedida por telefone na manh&atilde; de 14 de janeiro de 2013.</p>      <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> A teoria do <i>Newsmaking</i> d&aacute; conta de explicar essas inter-rela&ccedil;&otilde;es entre o fazer jornal&iacute;stico e o conte&uacute;do das not&iacute;cias. N&atilde;o &eacute; nosso foco aprofundar nesta teoria da comunica&ccedil;&atilde;o. Para mais informa&ccedil;&otilde;es sobre essa e outras teorias, cf. Martino (2009).</p>      <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Essa informa&ccedil;&atilde;o &eacute; confirmada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Sat&eacute;lite (PMDBBS), desenvolvido pelo Minist&eacute;rio do Meio Ambiente, atrav&eacute;s de coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis). </p>      <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Os dados s&atilde;o de uma pesquisa sobre desmatamento publicada em 2010 por cinco ONGs (Organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o Governamentais) – WWF-Brasil, Ecoa, Avina, SOS Pantanal e Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional.</p>      <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Os per&iacute;odos de cheia fazem parte do ciclo de inunda&ccedil;&atilde;o natural do Pantanal, com ocorr&ecirc;ncias anuais. No entanto, em 2011, a enchente causada pelas chuvas que afetaram o volume dos rios foi bem mais expressiva que nos anos antecedentes.</p>      <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://diarionline.com.br/index.php?s=noticia&amp;id=28058" target="blank">http://diarionline.com.br/index.php?s=noticia&amp;id=28058</a>. Acesso em 15 jan. 2013.</p>      <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Laudo da Embrapa Pantanal previa a perda de 5% das vacas (matrizes) e de 10% dos bezerros que nasceriam durante a cheia, sem contar a queda da taxa de natalidade: 38 mil bezerros a menos para o rebanho.</p>      <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Ver p&aacute;gina B-9 do caderno Mercado. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://acervo.folha.com.br/fsp/2011/03/24/10/" target="blank">http://acervo.folha.com.br/fsp/2011/03/24/10/</a>. Acesso em 15 jan. 2013.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Forma de diagrama&ccedil;&atilde;o que concentra uma express&atilde;o ou uma frase em meio ao texto, destacando-a com um tamanho maior de letras. A finalidade &eacute; chamar a aten&ccedil;&atilde;o do leitor para esse destaque.</p>      <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Informa&ccedil;&atilde;o obtida a partir de experi&ecirc;ncia profissional desta autora na Folha de S.Paulo. J&aacute; na d&eacute;cada de 1990, o jornal havia implantado um sistema modular informatizado para a diagrama&ccedil;&atilde;o. Os textos e t&iacute;tulos deveriam se encaixar no espa&ccedil;o pr&eacute;-determinado, com reduzidas possibilidades de altera&ccedil;&otilde;es.</p>      <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Dispon&iacute;vel em:  <a href="http://www.diarionline.com.br/?s=noticia&amp;id=49052" target="blank">http://www.diarionline.com.br/?s=noticia&amp;id=49052</a>. Acesso em 15 jan. 2013.</p>      <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Os pesquisadores foram detidos pela Pol&iacute;cia Federal na fazenda Santa Teresa, no Pantanal corumbaense, no dia 16 de junho de 2009. Segundo o jornal, a Pol&iacute;cia Federal os teria acusado de fazer pesquisa e lavra sem autoriza&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral (DNPM) e do Ibama, que s&atilde;o &oacute;rg&atilde;os ambientais e minerais. O grupo estudava as varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas na plan&iacute;cie pantaneira e aquela seria a terceira viagem da pesquisa, iniciada em 2007.</p>      <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1147754-justica-absolve-geologos-presos-no-pantanal-sob-suspeita-de-crime-ambiental.shtml" target="blank">http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1147754-justica-absolve-geologos-presos-no-pantanal-sob-suspeita-de-crime-ambiental.shtml</a>. Acesso em: 15 jan. 2013.</p>      <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura.</p> </html>      ]]></body><back>
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